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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* (8ºdom.pós-Pentec.=18º Tpo.Comum)03 ago2014
Procurar uma saída : meio caminho andado

3 TEXTOS: DO PROFETA, DO TEÓLOGO (nício do cristianismo) e DE UM DOS DOZE:
(Profeta Isaías 55,1-3; Paulo:”Romanos” 8,35.37-39; evangelista Mateus: 14,13-21)
·                    No Lecionário (Comum a muitas igrejas) o 8º Domingo pós-Pentecostes só difere na 2ªleitura: Rm9,1-5 (= dos patriarcas israelitas descende segundo a carne o próprio Cristo-Deus). No calendário ortodoxo (coincide neste ano o 8ºdom.pós-Pentecostes) as leituras são da 1ª carta aos Coríntios 1, 10-18.  (evitar as divisões na comunidade – uns se acham “seguidores” deste, outros daquele outro líder mas Cristo não está dividido...) e a mesma leitura do evangelho (o milagre da multiplicação dos pães). O nosso tema neste domingo fala de um Deus que se entrega à criatura, no alimento (para sobreviver) na paz (para viver) e na promoção constante da Vida solidária. Resumimos em 3 termos (a teologia clássica chama “virtudes teologais”) que são Fé, Esperança e Caridade.

FÉ /Confiança = “ouvir” / vinde às águas / comei sem nenhuma paga. Ouvi-me e alimentai-vos bem para deleite e revigoramento do vosso corpo. Ouvi e tereis vida.
·           Para meditar neste texto de Isaías leiamos também Paulo no cap.10 aos Romanos: Mas não todos obedeceram (“hypekúsan”= literalmente: obedeceram ao que escutaram) à Boa Nova (=evangelho). É o que diz Isaías: Senhor, quem acreditou na pregação (=literalmente: no ouvir) de nós? [Is53,1] Então a Fé (vem) do ouvir, e mais ainda: por palavra do Cristo  - cf. Romanos 10 16-17. Se prestássemos atenção à Palavra (desde a criação, desde os mandamentos, etc.) encontraríamos o alimento.  “De graça”.
·           O profeta não está fazendo teoria econômica ou pregando o anarquismo. Não se trata de abolir o comércio e a moeda, a compra e a venda, nem se anuncia uma sociedade utópica e paradisíaca, mas o forte simbolismo mostra quem é Deus (que nos fala – é preciso ouvir – e nos deu a vida – desejou a satisfação e saciedade de toda fome humana – “tereis vida”) e qual é seu “projeto” da criação. O ser humano não sabe “escutar”. Somos todos Adão e Eva: não aprendemos a instrução dada para ser felizes e administrar a terra. Somos como o povo de Moisés, libertados da escravidão sob os faraós, mas “povo de cerviz dura”, arrogante, que se esquece das instruções e orientação para a Vida própria das “10 palavras” os Mandamentos que resumem o melhor caminho para a vida.

ESPERANÇA = certeza do que não se vê. Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? (...) nada será capaz de nos separar do amor de Deus,
·           Paulo usa retoricamente uma lista de aspectos do mal, mas insiste na Esperança: nem no céu nem na terra há força alguma que possa nos separar do amor. O que vemos são forças de oposição mas a Esperança tem certeza da força da superação.

CARIDADE (AMOR) / cuidar/ curar/ procurar resolver: encheu-se de compaixão... curou os que estavam doentes. (...) “Eles não precisam ir embora: dai-lhes vós mesmos de comer.
·                    O chamado Milagre da Multiplicação dos Pães é o único relato presente em todos os 4 evangelistas e, ao lado do relato da festa de casamento em Caná (água mudada em vinho) é milagre não de cura de doenças ou de libertação dos tormentos e demônios interiores das pessoas. É um “milagre-presente” (como um “brinde” regalado à multidão) que expressa a delicadeza do Mestre, oferta e dádiva às pessoas com uma distribuição inesperada de coisas boas, com o prazer da comida ou da bebida (Bodas de Caná). É sinal do carinho por um povo faminto e sedento, não só de comida e água para sobreviver, mas de uma relação verdadeira além de revigorar as forças e a alegria de viver.

Milagres
·                     Em geral se define “milagre” como intervenção extraordinária do poder divino, capaz de superar forças da natureza e realizar curas e benefícios, servindo ao mesmo tempo como testemunho ou sinal para a fé. Diante dos relatos nos evangelhos das curas, exorcismos e outros gestos milagrosos de Jesus de Nazaré, há 3 tendências entre muitos que buscam uma “solução” simplificada e global (para “explicar”) todos os milagres.
·                     Há quem mantenha uma posição mais tradicional acreditando que tudo ocorreu tal como se conta no texto bíblico. Há também os “racionalistas”: são os que julgam poder explicar tudo dentro das causas naturais (embora admitam que sirvam à uma linguagem de símbolos). Finalmente, há os que radicalizam as explicações simbólicas a ponto de dizer que todos os relatos são criação literária da igreja primitiva para expressar sua fé com ajuda de símbolos, mas que não há em sua base acontecimentos reais. Na verdade os estudos dos especialistas (chamados Exegetas) demonstram que não se pode explicar todos os relatos de milagres da mesma maneira e há multiplicidade de aspectos presentes em cada situação e contexto. Para alguns relatos há argumentos mais evidentes em favor de uma ou outra interpretação.
·                     Na meditação dos milagres podemos ressaltar uma interpretação ou uma dimensão predominante. Hoje podemos destacar a atitude de Jesus expressa no verso 16: “não precisam ir embora: dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos não deviam tentar se livrar da multidão mas, ao contrário, devem procurar o que está a seu alcance. Eles devem participar dessa  distribuição do pão – que é  dádiva (presente, carinho e bondade) do Pai que alimenta os pássaros e veste as flores do campo – mas que depende também da agricultura, do transporte e de muitas instâncias da economia. Como esperar uma intervenção extraordinária de Deus num mundo onde os poderosos produzem injustiças para aumentar a riqueza? Nesse mesmo mundo em que os que acreditam na justiça e no bem pouco trabalham para melhorar a cidadania e a paz? Se Violência gera violência, então ações de paz e solidariedade devem gerar também mais paz e e prosperidade.
·                     Nos dias atuais nossa oração volta-se principalmente para as pessoas sob violência na Ucrânia, Gaza, Iraque, Síria, e em dezenas de países africanos e da América central e caribenha. Refugiados e migrantes ilegais chegam aos milhares procurando novas oportunidade na Europa ou além da fronteira estadunidense. Que possam ter o pão diário.

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( * ) Prof.(1975 a 2012: filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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