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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Jesus optou pelos pobres

14 DOMINGO DO TEMPO COMUM
ANO A

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho - Mt 11,25-30

6 de Julho de 2014

-JESUS PREFERIU OS POBRES-José Salviano


         Meus irmãos. Neste Evangelho vemos o carinho e a dedicação de Jesus para com os pobres.  E você? Como bom cristão praticante faz o mesmo. Certo? Porque na qualidade de cristão imitador de Cristo, todos nós temos de seguir não só a teoria do Evangelho, mas sim, também a prática de Jesus. Leia mais...



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“VINDE A MIM TODOS VÓS QUE ESTAIS CANSADOS SOB O PESO DOS VOSSOS FARDOS.”  – Olívia Coutinho

14º DOMINGO COMUM

Dia 06 de Julho de 2014

Evangelho de Mt 11,25-30

A grandiosidade do reino de Deus se faz através do “pequeno”!
O anuncio do Reino só encontra resposta naquele que  se faz pequeno,  naquele  que se  esvazia de si mesmo para encher-se  de Deus!
Todos nós sabemos, que  os pequenos sempre foram os prediletos de Deus,  ser  indiferentes a eles, é ser indiferente a Deus!
Jesus se identifica  com os pequenos, e essa identificação vem desde o seu nascimento. O Filho de Deus,  nasceu pobre, não tinha sequer uma roupa para vestir, seus  primeiros visitantes  foram os pobres, os  pastores, pessoas simples que nem eram notadas pela sociedade.
Em toda sua trajetória terrena, Jesus sempre se mostrou íntimo dos pequenos, Ele sempre esteve do lado deles, seu jeito simples de falar da grandiosidade do Reino de Deus, era de fácil compreensão para eles, porém, de difícil compreensão para os “grandes”, que na sua alto suficiência, não se sentiam necessitados de Deus.
Por onde Jesus passava, Ele arrastava multidões, porém, conhecedor do coração humano, Ele sabia que nem todos que estavam à sua volta, tinha o coração aberto para acolher a sua mensagem!  Junto com o povo simples, que gostava de ouvi-Lo, estavam também àqueles que queriam apenas confrontá-Lo, os fariseus e os doutores da lei.  A estes, Deus não se revelou através de Jesus.
Através das parábolas, Jesus fala de um Reino de amor, de justiça e de paz, comparando-o com as coisas simples presente no cotidiano dos pequenos. Era assim, que Ele confundia os “grandes” que não tinham contato com essas coisas simples, como o plantio da  semente, o fermento na massa, o pão partilhado...
Com o seu testemunho, Jesus  nos ensina que o caminho que nos leva a salvação é o caminho da humildade, caminho que Ele mesmo  percorreu,  se misturando aos pobres  e marginalizados.
A nossa vida cristã, deve ser  marcada pela vida de comunhão e acima de tudo, de humildade. A humildade é a virtude que mais nos aproxima de Deus, que nos torna parecidos com Jesus! A humildade  é o reflexo da alma, quem  é   humilde, não presume que o é, pois  dentre todas as virtudes, somente a humildade se ignora a si mesma. 
No evangelho de hoje, Jesus se dirige ao Pai dizendo: “Eu te louvo, ó Pai, porque escondestes essas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos  pequeninos.”
Os pequenos, foram os primeiros  a responderem  positivamente  a oferta do Reino: os discípulos, pessoas simples, sem nenhuma escolaridade.  Foram eles, os primeiros a aderirem à proposta de Jesus, a absorverem a sua mensagem,  não pela inteligência, mas  pela a abertura à graça de Deus, que os levou a  fazer a experiência de Jesus em suas vidas. Já os fariseus e os doutores da lei, perderam  a oportunidade  de experimentarem na convivência com Jesus, a grandiosidade do amor do Pai, por estarem presos as leis, aos por menores, que ofuscavam os seus os olhos, impedindo-os de  visualizar em Jesus, a face humana do Pai.
Os critérios de Deus são diferentes dos critérios humanos, nós, temos a tendência de valorizar os “grandes,” gostamos de incensá-los, de colocá-los no pedestal! Enquanto que  Deus valoriza   a essência humana, o que está escondido na profundidade do coração! 
Dificilmente, reconhecemos a sabedoria de Deus presente nos pequenos, preferimos acreditar  nas palavras retóricas das pessoas  de alto "nível intelectual".  Com isso, deixamos escapar as mensagens que Deus quer nos passar através das pessoas simples. Esquecemos de que Jesus, o  Mestre de todos os mestres, o profeta Maior de todos os tempos, serviu-se de meios humanos bem simples,  para realizar as maravilhas de Deus no meio de nós!
Quem é pequeno aos olhos do mundo, é grande aos olhos de Deus!
Tornar-se  pequeno, é a  condição necessária para que possamos reconhecer Jesus como nosso Deus e senhor!
Aos que carregam o peso impostos pelos que detém o poder, Jesus faz um convite: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vosso fardos, e eu vos darei descanso.”

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia Coutinho
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Evangelhos Dominicais Comentados

06/julho/2014 – 14º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Mt 11, 25-30)


Hoje, nós encontramos Jesus orando e bendizendo a Deus Pai. Jesus está agradecendo por terem continuado ao seu lado aqueles que ele tanto ama.

Em sua conversa com o Pai Jesus ressalta um fato triste. Os ricos, cultos e letrados, também os professores e doutores da lei não quiseram ouvir suas palavras e simplesmente o abandonaram.

Jesus bendiz ao pai por haver revelado a verdade aos pequenos e ao humildes. Com isso Jesus não pretende dizer que os ricos e poderosos não necessitem ou não sejam merecedores de conhecer a verdade.

O que Jesus quer dizer é que os poderosos, os entendidos e manipuladores das leis, não se consideram dependentes de Deus e vivem a falsa impressão de serem autossuficientes. 

Com grande frequência, quem tem dinheiro e poder, acredita que não tem a menor dependência de Deus. Já os pobres veem em Deus sua riqueza, e única fonte de alegria.

Junto com Jesus permaneceu apenas um pequeno grupo de seguidores.  Provavelmente eram moradores da periferia, desempregados e pertencentes às classes sociais desprezadas e marginalizadas. Somente esses se mantiveram fiéis.   

Também nos dias de hoje acontece o mesmo. Com raríssimas exceções, é sempre na camada mais pobre da população que encontramos os maiores exemplos de fé e de persistência.

Dificilmente um assalariado deixa de contribuir com o seu dízimo ou com esta ou aquela instituição beneficente. São esses os pequenos de corações enormes, que Jesus se refere. Pequenos apenas no modo de dizer, pois Jesus sabe exatamente qual é o seu tamanho real perante o Pai.

Jesus nos diz ainda: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, assim como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho queira revelar”. Essas palavras deixam claro que somente através de Jesus podemos chegar ao Pai, na Glória Celeste. Não existe outro caminho.

Mais uma vez, Jesus deixa transparecer que para entrar no Paraíso não existem privilégios, nem depende de classe social. A Glória celeste não é exclusividade para pobres nem está vedada aos ricos.

No entanto, não bastam as normas que os escribas e doutores da lei conhecem de cor e salteada. Não basta seguir a risca as leis humanas, e esquecer-se de que a Lei de Deus manda viver o amor.

Quem quiser viver o amor, deve imitar o Mestre que tanto nos ama e está bem próximo de nós repetindo estas palavras: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.


(1172)


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Mansidão e humildade
Ao se apresentar como modelo para os seus discípulos: “Aprendam de mim!”, Jesus frisou duas posturas pelas quais pautava a sua vida: a mansidão e a humildade. Elas são o reflexo das bem-aventuranças, as quais sempre buscou praticar.
A mansidão de Jesus expressou-se no trato paciente com os pobres e pequeninos, na acolhida dispensada aos marginalizados, na atitude benévola em relação aos pecadores, na valorização de quem era desprezado, no respeito pelos estrangeiros. Nada, em seu comportamento, denotava arrogância, superioridade. Aliás, seus adversários, chocados com seu modo fraterno e próximo de estar com as pessoas, taxavam-no de “comilão, beberrão, amigos dos pecadores e das pessoas de má fama”.
A opção de Jesus pela mansidão não o impedia de ser severo, quando se fazia necessário. Seus adversários, sempre cheios de malícia e de segundas intenções, experimentaram a dureza de suas palavras e a intransigência de suas posturas.
A humildade de Jesus manifestou-se especialmente em sua relação com o Pai. Jamais teve a pretensão de ocupar uma posição que não lhe pertencia. Antes, tinha consciência de ser o enviado do Pai, e de estar a serviço dele. Tudo quanto fazia tinha o objetivo de reconciliar as pessoas com o Pai, cuja vontade era o imperativo de sua ação. Por isso, ao concluir seu ministério, Jesus pode afirmar: “Tudo está consumado!”, isto é, fiz tudo o que o Pai me incumbiu de fazer. A humildade levou-o à cruz!
padreJaldemir Vitório


A liturgia deste domingo ensina-nos onde encontrar Deus. Garante-nos que Deus não Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade, na humildade, na pobreza, na pequenez.
A primeira leitura apresenta-nos um enviado de Deus que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade, na simplicidade; e é dessa forma que elimina os instrumentos de guerra e de morte e instaura a paz definitiva.
No Evangelho, Jesus louva o Pai porque a proposta de salvação que Deus faz aos homens (e que foi rejeitada pelos “sábios e inteligentes”) encontrou acolhimento no coração dos “pequeninos”. Os “grandes”, instalados no seu orgulho e auto-suficiência, não têm tempo nem disponibilidade para os desafios de Deus; mas os “pequenos”, na sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade libertadora de Deus.
Na segunda leitura, Paulo convida os crentes – comprometidos com Jesus desde o dia do Batismo – a viverem “segundo o Espírito” e não “segundo a carne”. A vida “segundo a carne” é a vida daqueles que se instalam no egoísmo, orgulho e auto-suficiência; a vida “segundo o Espírito” é a vida daqueles que aceitam acolher as propostas de Deus.
1ª leitura – Zac 9,9-10 - AMBIENTE
O livro de Zacarias é um livro profético com catorze capítulos. Atualmente, os estudiosos da Bíblia são unânimes em reconhecer que entre os oito primeiros capítulos e os restantes há uma diferença tão grande em contextos, estilo, vocabulário e temática, que devemos falar de dois livros em um e de dois autores diversos. Dado que não conhecemos o nome do autor do segundo livro (capítulos 9-14), convencionou-se chamar-lhe o “Deutero-Zacarias”. É ao “Deutero-Zacarias” que pertence este texto que hoje nos é proposto.
Em que época foram escritos esses textos atribuídos ao Deutero-Zacarias? As opiniões são divergentes; no entanto, a maioria dos comentadores coloca estes oráculos no final do séc. IV ou princípios do séc. III a.C.. O ambiente é claramente pós-exílico. O contexto parece revelar a época posterior às vitórias de Alexandre da Macedónia, quando o Povo de Deus estava integrado no império helénico.
O livro do “segundo Zacarias” está marcado por um forte acento messiânico. Refere-se, com frequência, à figura do Messias, apresentado como rei, como pastor e como servo do Senhor. Na primeira parte (cf. Zac 9,1-11,7), o profeta anuncia a intervenção definitiva de Deus em favor do seu Povo, na figura do Messias; na segunda parte (cf. Zac 12,1-14,21), os oráculos descrevem a salvação e a glória futura de Jerusalém.
MENSAGEM
O Deutero-Zacarias descreve, neste oráculo, o regresso do rei vitorioso a Jerusalém. A cidade é convidada a alegrar-se e regozijar-se pois o seu rei, “justo e salvador”, chegou.
A entrada triunfal desse rei justo e vitorioso é, no entanto, humilde e pacífica: ele não cavalgará um cavalo de guerra (símbolo do militarismo), mas um “jumentinho, filho de uma jumenta”. A atitude deste “rei” contrasta claramente com as exibições de força, de poder, de agressividade dos grandes do mundo…
No entanto, paradoxalmente, este “rei” humilde e pacífico terá a força para destruir a guerra (ele aniquilará os instrumentos de morte – os carros de combate, os cavalos de guerra, os arcos de guerra) e para proclamar a paz universal. O seu “reino” irá “de um mar ao outro mar” e do “rio” (Eufrates) “até aos confins da terra” (isto é, abarcará a totalidade do mundo antigo).
ATUALIZAÇÃO
• Em primeiro lugar, o Deutero-Zacarias deixa clara a preocupação de Deus com a salvação do seu Povo. Na fase em que o profeta leva a cabo a sua missão, o Povo de Deus conhece uma relativa tranquilidade; mas é um Povo subjugado, manipulado, impedido de escolher livremente o seu destino e de construir o seu futuro. É nesse contexto que o profeta anuncia a chegada de um rei “justo e salvador”, que vem ao encontro do Povo para libertá-lo e para lhe oferecer a paz (“shalom” – no sentido de harmonia, bem estar, felicidade plena). Ora, Deus não perdeu qualidades, nem mudou a sua essência. O Deus que assim atuou ontem é o Deus que assim atua hoje e que assim atuará sempre. Ao longo da nossa caminhada de todos os dias, fazemos frequentemente a experiência do desencanto, da frustração, da privação de liberdade. Sentimo-nos, tantas vezes, perdidos, sem esperança, incapazes de tomar nas mãos o nosso futuro e de dar um sentido à nossa vida… Nessas circunstâncias, somos convidados a redescobrir esse Deus que vem ao nosso encontro, que restaura a nossa esperança e nos oferece a paz.
Uma certa visão “americanizada” do mundo e da vida defende a necessidade de armar exércitos formidáveis, de gastar uma considerável fatia do orçamento das nações em instrumentos de morte cada vez mais sofisticados, para impor, pela força e pelo medo, a paz e a segurança do mundo. O Deutero-Zacarias diz-nos que a lógica de Deus é outra: Ele chega desarmado, pacífico, humilde, sem arrogância e é, dessa forma, que Ele salva e liberta os homens. Para mim, qual faz mais sentido: a lógica desarmada de Deus ou a lógica musculada dos senhores do mundo?
A história da salvação mostrou, muitas vezes, que é através dos pequenos, dos humildes, dos pobres, dos insignificantes que Deus atua no mundo e o transforma. Deus está mais na viúva que lança no tesouro do Templo umas pobres moedas do que no capitalista que preenche um cheque chorado para pagar os vitrais da nova igreja da paróquia; Deus está mais no gesto simples do pacifista que oferece uma flor a um soldado do que na violência daqueles que lutam de armas na mão contra os “maus”; Deus está mais no olhar límpido de uma criança do que na palavra poderosa de um pregador inflamado que “sabe tudo” sobre Deus… Já aprendi a descobrir esse Deus que se manifesta na humildade, na pobreza, na simplicidade?

2ª leitura - Romanos 8,9.11-13 - AMBIENTE
Continuamos a ler a carta aos Romanos. Ela apresenta-nos um Paulo amadurecido que, depois de vários anos de incansável trabalho missionário, expõe, de forma serena, a sua reflexão sobre a salvação (numa altura em que a questão da salvação era uma questão teológica “quente”: os judeo-cristãos acreditavam que, para chegar à salvação, era preciso continuar a cumprir a Lei de Moisés; e os judeo-pagãos não manifestavam nenhuma vontade de se submeter aos ritos da Lei judaica).
Na perspectiva de Paulo, a salvação é um dom não merecido (porque todos vivem mergulhados no pecado – cf. Rom 1,18-3,20), que Deus oferece por pura bondade aos homens, a todos os homens (cf. Rom 3,1-5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rom 5,12-8,39); e atua em nós pelo Espírito (cf. Rom 8,1-39).
O texto que hoje nos é proposto faz parte de um capítulo em que Paulo reflete sobre a vida no Espírito. O pensamento teológico de Paulo atinge aqui um dos seus pontos culminantes: todos os grandes temas paulinos (o projeto salvador de Deus em favor dos homens; a ação libertadora de Cristo, através da sua vida de doação, da sua morte e da sua ressurreição; a nova vida que faz dos crentes Homens Novos e os torna filhos de Deus) se cruzam aqui.
O Espírito aparece como o elemento fundamental que dá unidade a toda esta reflexão. Ele está presente por detrás desse projeto salvador que Deus tem em favor do homem e do qual Paulo não se cansa de dar testemunho.
MENSAGEM
Jesus, o Deus/Homem, gastou a vida a cumprir o projeto do Pai de dar vida ao homem. A sua acção acabou por chocar com os interesses dos senhores do mundo, e Ele foi morto na cruz.
No entanto, essa morte na cruz não foi o “fim da linha”: o Espírito de Deus, sempre presente em Jesus, ressuscitou-O (pois, no projeto de Deus, o oferecer a vida para concretizar o plano do Pai não pode gerar morte, mas vida plena e definitiva).
Ora, Jesus ofereceu aos seus discípulos o mesmo Espírito. Os discípulos têm de estar conscientes de que, se viverem como Jesus e se fizerem da vida um dom a Deus e aos irmãos, receberão essa mesma vida nova e definitiva que o Espírito deu a Jesus.
Sobretudo, Paulo convida os cristãos a tirarem as conclusões práticas desta realidade: se viverem “segundo a carne”, morrerão (isto é, não encontrarão a vida definitiva); mas se viverem segundo o Espírito, ressuscitarão para a vida nova.
Temos aqui uma das mais interessantes e sugestivas antíteses paulinas: a “carne” e o “Espírito”. Viver “segundo a carne” é, na perspectiva de Paulo, viver em oposição a Deus – ou seja, viver fechado a Deus, numa vida de egoísmo, de autismo, de auto-suficiência que leva o homem a prescindir dos mandamentos, das propostas e dos valores de Deus; “viver segundo o Espírito” é, na perspectiva de Paulo, viver em relação com Deus, escutando as suas propostas e sugestões, na obediência aos projetos de Deus e na doação da própria vida aos homens.
Os cristãos são, portanto, veementemente exortados por Paulo a fazerem a sua escolha. Sobretudo, Paulo está interessado em demonstrar aos crentes que só o seguimento de Cristo garante ao homem a vida definitiva.
ATUALIZAÇÃO
• À luz dos critérios que hoje presidem à construção do mundo, a vida de Jesus foi um rotundo fracasso. Ele nunca desempenhou qualquer cargo público nem teve jamais conta num banco qualquer; mas viveu na simplicidade, na humildade, no serviço, sem ter para si próprio uma pedra onde reclinar a cabeça. Ele nunca foi apoiado pelas “cabeças pensantes” da sua terra; apenas foi escutado pela gente humilde, marginalizada, condenada a uma situação de escravidão, de pobreza, de debilidade. Ele nunca se proclamou chefe de um movimento popular; apenas ensinou, àqueles que O seguiam, que Deus os ama e que quer fazer deles seus filhos. Ele nunca se sentou num trono, a dar ordens e a distribuir benesses; mas foi abandonado por todos, condenado a uma morte infame e pregado numa cruz. No entanto, Ele venceu a morte e recebeu de Deus a vida plena e definitiva. Paulo diz aos crentes a quem escreve: não vos preocupeis com aqueles valores a que o mundo chama êxito, realização, felicidade; mas tende a coragem de gastar a vida do mesmo jeito de Jesus, a fim de encontrardes a vossa realização plena, a vida definitiva.
• Paulo ensina que a vida “segundo a carne” gera morte; e que a vida “segundo o Espírito” gera vida. O que é viver “segundo a carne”? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais são os sintomas que eu noto da vida “segundo a carne”? O que é viver “segundo o Espírito”? Olhando para o mundo e para a vida da Igreja, quais são os sintomas que eu noto da vida “segundo o Espírito”?
• O cristão tem de viver “segundo o Espírito”. É desse jeito que eu vivo? Estou aberto à ação renovadora e libertadora do Espírito que recebi no dia do meu Batismo?

Evangelho - Mateus 11,25-30 - AMBIENTE
Após o “discurso da missão” e o envio dos discípulos ao mundo para continuarem a obra libertadora de Jesus (cf. Mt 9,36-11,1), Mateus coloca no seu esquema de Evangelho uma secção sobre as reações e as atitudes que as várias pessoas e grupos tomam frente a Jesus e à sua proposta de “Reino” (cf. Mt. 11,2-12,50). O nosso texto integra esta secção.
Nos versículos anteriores ao texto que nos é hoje proposto (cf. Mt 11,20-24), Jesus havia dirigido uma veemente crítica aos habitantes de algumas cidades situadas à volta do lago de Tiberíades (Corozaim, Betsaida, Cafarnaum), porque foram testemunhas da sua proposta de salvação e mantiveram-se indiferentes. Estavam demasiado cheios de si próprios, instalados nas suas certezas, calcificados nos seus preconceitos e não aceitavam questionar-se, a fim de abrir o coração à novidade de Deus.
Agora, Jesus manifesta-Se convicto de que essa proposta rejeitada pelos habitantes das cidades do lago encontrará acolhimento entre os pobres e marginalizados, desiludidos com a religião “oficial” e que anseiam pela libertação que Deus tem para lhes oferecer.
O nosso texto consta de três “sentenças” que, provavelmente, foram pronunciadas em ambientes diversos deste que Mateus nos apresenta. Dois desses “ditos” (cf. Mt 11,25-27) aparecem também em Lucas (cf. Lc 10,21-22) e devem provir de um documento que reuniu os “ditos” de Jesus e que tanto Mateus como Lucas utilizaram na composição dos seus evangelhos. O terceiro (cf. Mt 11,28-30) é exclusivo de Mateus e deve provir de uma fonte própria.
MENSAGEM
A primeira sentença (cf. Mt 11,25-26) é uma oração de louvor que Jesus dirige ao Pai, porque Ele escondeu “estas coisas” aos “sábios e inteligentes” e as revelou aos “pequeninos”.
Os “sábios e inteligentes” são certamente esses “fariseus” e “doutores da Lei”, que absolutizavam a Lei, que se consideravam justos e dignos de salvação porque cumpriam escrupulosamente a Lei, que não estavam dispostos a deixar pôr em causa esse sistema religioso em que se tinham instalado e que – na sua perspectiva – lhes garantia automaticamente a salvação. Os “pequeninos” são os discípulos, os primeiros a responder positivamente à oferta do “Reino”; e são também esses pobres e marginalizados (os doentes, os publicanos, as mulheres de má vida, o “povo da terra”) que Jesus encontrava todos os dias pelos caminhos da Galileia, considerados malditos pela Lei, mas que acolhiam, com alegria e entusiasmo, a proposta libertadora de Jesus.
A segunda sentença (cf. Mt 11,27) relaciona-se com a anterior e explica o que é que foi escondido aos “sábios e inteligentes” e revelado aos “pequeninos”. Trata-se, nem mais nem menos, do “conhecimento” (quer dizer, uma “experiência profunda e íntima”) de Deus.
Os “sábios e inteligentes” (fariseus e doutores da Lei) estavam convencidos de que o conhecimento da Lei lhes dava o conhecimento de Deus. A Lei era uma espécie de “linha direta” para Deus, através da qual eles ficavam a conhecer Deus, a sua vontade, os seus projetos para o mundo e para os homens; por isso, apresentavam-se como detentores da verdade, representantes legítimos de Deus, capazes de interpretar a vontade e os planos divinos.
Jesus deixa claro que quem quiser fazer uma experiência profunda e íntima de Deus tem de aceitar Jesus e segui-l’O. Ele é “o Filho” e só Ele tem uma experiência profunda de intimidade e de comunhão com o Pai. Quem rejeitar Jesus não poderá “conhecer” Deus: quando muito, encontrará imagens distorcidas de Deus e aplicá-las-á depois para julgar o mundo e os homens. Mas quem aceitar Jesus e O seguir, aprenderá a viver em comunhão com Deus, na obediência total aos seus projetos e na aceitação incondicional dos seus planos.
A terceira sentença (cf. Mt 11,28-30) é um convite a ir ao encontro de Jesus e a aceitar a sua proposta: “vinde a Mim”; “tomai sobre vós o meu jugo…”.
Entre os fariseus do tempo de Jesus, a imagem do “jugo” era aplicada à Lei de Deus (cf. Si 6,24-30; 51,26-27) – a suprema norma de vida. Para os fariseus, por exemplo, a Lei não era um “jugo” pesado, mas um “jugo” glorioso, que devia ser carregado com alegria.
Na realidade, tratava-se de um “jugo” pesadíssimo. A impossibilidade de cumprir, no dia a dia, os 613 mandamentos da Lei escrita e oral, criava consciências pesadas e atormentadas. Os crentes, incapazes de estar em regra com a Lei, sentiam-se condenados e malditos, afastados de Deus e indignos da salvação. A Lei aprisionava em lugar de libertar e afastava os homens de Deus em lugar de conduzi-los para a comunhão com Deus.
Jesus veio libertar o homem da escravidão da Lei. A sua proposta de libertação plena dirige-se aos doentes (na perspectiva da teologia oficial, vítimas de um castigo de Deus), aos pecadores (os publicanos, as mulheres de má vida, todos aqueles que tinham publicamente comportamentos política, social ou religiosamente incorretos), ao povo simples do país (que, pela dureza da vida que levava, não podia cumprir escrupulosamente todos os ritos da Lei), a todos aqueles que a Lei exclui e amaldiçoa. Jesus garante-lhes que Deus não os exclui nem amaldiçoa e convida-os a integrar o mundo novo do “Reino”. É nessa nova dinâmica proposta por Jesus que eles encontrarão a alegria e a felicidade que a Lei recusa dar-lhes.
A proposta do “Reino” será uma proposta reservada a uma classe determinada (os pobres, os débeis, os marginalizados) em detrimento de outra (os ricos, os poderosos, os da “situação”)? Não. A proposta do “Reino” destina-se a todos os homens e mulheres, sem exceção… No entanto, são os pobres e débeis aqueles que já desesperaram do socorro humano, que têm o coração mais disponível para acolher a proposta de Jesus. Os outros (os ricos, os poderosos) estão demasiado cheios de si próprios, dos seus interesses, dos seus esquemas organizados, para aceitar arriscar na novidade de Deus.
Acolhendo a proposta de Jesus e seguindo-O, os pobres e oprimidos encontrarão o Pai, tornar-se-ão “filhos de Deus” e descobrirão a vida plena, a salvação definitiva, a felicidade total.
ATUALIZAÇÃO
• Na verdade, os critérios de Deus são bem estranhos, vistos de cá de baixo, com as lentes do mundo… Nós, homens, admiramos e incensamos os sábios, os inteligentes, os intelectuais, os ricos, os poderosos, os bonitos e queremos que sejam eles (“os melhores”) a dirigir o mundo, a fazer as leis que nos governam, a ditar a moda ou as ideias, a definir o que é correto ou não é correto. Mas Deus diz que as coisas essenciais são muito mais depressa percebidas pelo “pequeninos”: são eles que estão sempre disponíveis para acolher Deus e os seus valores e para arriscar nos desafios do “Reino”. Quantas vezes os pobres, os pequenos, os humildes são ridicularizados, tratados como incapazes, pelos nossos “iluminados” fazedores de opinião, que tudo sabem e que procuram impor ao mundo e aos outros as suas visões pessoais e os seus pseudo-valores… A Palavra de Deus ensina: a sabedoria e a inteligência não garantem a posse da verdade; o que garante a posse da verdade é ter um coração aberto a Deus e às suas propostas (e com frequência, com muita frequência, são os pobres, os humildes, os pequenos que “sintonizam” com Deus e que acolhem essa verdade que Ele quer oferecer aos homens para os levar à vida em plenitude).
• Como é que chegamos a Deus? Como percebemos o seu “rosto”? Como fazemos uma experiência íntima e profunda de Deus? É através da filosofia? É através de um discurso racional coerente? É passando todo o tempo disponível na igreja a mudar as toalhas dos altares? O Evangelho responde: “conhecemos” Deus através de Jesus. Jesus é “o Filho” que “conhece” o Pai; só quem segue Jesus e procura viver como Ele (no cumprimento total dos planos de Deus) pode chegar à comunhão com o Pai. Há crentes que, por terem feito catequese, por irem à missa ao domingo e por fazerem parte do conselho pastoral da paróquia, acham que conhecem Deus (isto é, que têm com Ele uma relação estreita de intimidade e comunhão)… Atenção: só “conhece” Deus quem é simples e humilde e está disposto a seguir Jesus no caminho da entrega a Deus e da doação da vida aos homens. É no seguimento de Jesus – e só aí – que nos tornamos “filhos” de Deus.
• Como nos situamos face a Deus e à proposta que Ele nos apresenta em Jesus? Ficamos fechados no nosso comodismo e instalação, no nosso orgulho e auto-suficiência, sem vontade de arriscar e de pôr em causa as nossas seguranças, ou estamos abertos e atentos à novidade de Deus, a fim de perceber as suas propostas e seguir os seus caminhos?
• Cristo quis oferecer aos pobres, aos marginalizados, aos pequenos, a todos aqueles que a Lei escravizava e oprimia, a libertação e a esperança. Os pobres, os débeis, os marginalizados, aqueles que não encontram lugar à mesa do banquete onde se reúnem os ricos e poderosos, continuam a encontrar – no testemunho dos discípulos de Jesus – essa proposta de libertação e de esperança? A Igreja dá testemunho da proposta libertadora de Jesus para os pobres? Como é que os pequenos e humildes são acolhidos nas nossas comunidades? Como é que acolhemos aqueles que têm comportamentos social ou religiosamente incorretos?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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Na terra, a vida nunca foi satisfatória. Os crentes pedem a ajuda de Deus. A partir do séc.VIII a.C., os Profetas anunciam que Deus há-de intervir, e para isso enviará um Messias. Espontaneamente, os homens idealizam esse Messias. Terá de ser um Rei glorioso. Investido da autoridade e do poder de Deus, castigará os maus e premiará os bons, estabelecerá para sempre no mundo a justiça e a paz. O próprio João Baptista, que vive um misticismo muito austero, imagina assim o Messias (Mt. 3,7-12 = Lc. 3,7-18), os Apóstolos vão ter muita dificuldade em pensar doutra maneira (Mt. 20, 20-28 = Mc. 10,35-45 = Lc. 22,24-27).
Mas, já no séc.V a.C., o profeta Zacarias tinha tido uma perspectiva diferente. O Messias não seria um Rei magnífico, entrando à frente da sua cavalaria em Jerusalém. “Eis que o teu Rei vem a ti. Ele é justo e vitorioso. Vem humilde, montado num jumento, sobre um jumentinho, filho duma jumenta. Ele destruirá os carros de guerra da terra de Efraim e os cavalos de Jerusalém. O arco de guerra será quebrado. Proclamará a paz entre as nações, o seu império irá até às extremidades da terra.” (Zc. 9,9-10, primeira leitura desta missa).
Jesus manteve a idéia do Antigo Testamento, segundo o qual Deus é o “Senhor do Céu e da Terra” (Mt. 11,25). Colocou-se em pé de igualdade com Ele: “Eu e o Pai somos um “(Jo 10,30), “Quem ama o pai ou a mãe, o filho ou a filha, mais do que a Mim, não é digno de Mim” (Mt. 10,37). Confirmou aos Apóstolos que é o Messias enviado pelo Pai (Mt. 16,13-20). Mas retirou-se quando a multidão quis aclamá-lo como rei (Jo 6,15), nunca esteve interessado em mandar, estragou a recepção triunfal que lhe tinham preparado em Jerusalém aparecendo montado num burrinho. Em apoio da perspectiva de Zacarias.
Logo no princípio do seu tempo de missão, respondendo a Satanás que o tentava no deserto, explicou que não estava interessado nem no poder nem no dinheiro e que não ia manejar o sobrenatural como arma de sedução (Mt. 4,1-11 = Lc. 4,1-13)
O Evangelho deste domingo (Mt. 11,25-30) mostra-nos que estas atitudes são profundamente assumidas: “Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, que escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Mt. 11,25). Certamente que Jesus não manda desprezar nem a inteligência nem o saber, Ele que veio viver a sério a nossa condição humana. Disse, sim, que as idéias e as teorias dos homens nem sempre coincidem com as idéias e os projetos de Deus.
Os homens colocam a justiça antes do amor, imaginam que o poder e a riqueza são a chave da história humana, cuidam honrar Deus chamando – Lhe o “Todo-Poderoso”. Hoje, o capitalismo recruta milhares de escribas inteligentes, que saibam tudo a respeito do dinheiro e da maneira de o fazer crescer.
Jesus nem se cansou a argumentar contra este retrato de Deus e da história dos homens. Veio simplesmente viver “a maneira de Deus”. Era um Cristo sem poder…
Julgo que não é temerário extrapolar. Deus também deve precisar muito pouco duma Igreja organizada de maneira perfeita, bem implantada entre as sociedades deste mundo, com resposta feita para todas as perguntas: seria uma Igreja morta, a viver glórias do passado. Suponho que Deus precisa duma Igreja composta por homens e mulheres normais, movendo-se num mundo que nem sempre entendem, obrigados a viver “a dinâmica do provisório”, com idéias às vezes imperfeitas, mas um amor muito grande, procurando dia a dia imitar o Senhor na sua fidelidade ao Pai e a sua dedicação a todos os homens: começando pelos pobres, pelos doentes, pelos pecadores.
padre João Resina - A Palavra no Tempo II
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1ª leitura: Zacarias (9,9-10) - As armas e os carros nunca trazem a paz
1. A primeira leitura do profeta Zacarias fala da restauração de Israel, de Jerusalém, pelo Messias justo e vitorioso. O livro do profeta Zacarias é um conjunto de oráculos que, com toda a segurança, não pertencem somente a um personagem, mas a uma escola profética que se ocupa em animar o povo. É um caso parecido com Isaías. Na verdade podemos dividir o livro em duas partes e é precisamente a partir do capítulo 9 que começa a segunda que supõe uma época e umas circunstâncias distintas no momento da restauração e do regresso do exílio da Babilônia; a segunda parte do livro será, provavelmente, do séc. III a.C.
2. A quase totalidade de Zc. 9-14 tem um tom escatológico, de influências apocalípticas. Nele se salienta, como ponto central Sião, símbolo de unidade, justiça e de paz. O oráculo propõe a destruição dos carros e das armas. Que maravilha! - porque isso é também do que necessitamos hoje. Nenhuma guerra leva a parte nenhuma, apenas semeia morte e destruição. Provavelmente é um texto que nasce no horizonte da conquista da Palestina por Alexandre Magno e os seus generais, que é o contrário da proposta do oráculo que vê, à distância, um rei humilde.
3. É precisamente a força da humildade com a qual este rei destruirá os instrumentos de guerra. Não é possível a concórdia e a paz? Serão necessários os carros de combate para que Jerusalém seja a cidade da paz? A entrada de Jesus em Jerusalém foi descrita pelos evangelistas sob a influência deste texto. No entanto, as autoridades judaicas não acreditaram que viria pela paz. Queriam preservar Jerusalém da ousadia do profeta pacífico e montaram um julgamento político, entregando-O nas mãos dos romanos. Mas Jesus trazia paz nos seus lábios e no seu coração. O profeta galileu não destruiu Jerusalém. Pelo contrário, quarenta anos depois, os que recorrem às armas, os zelotas e os seus seguidores, levariam Sião ao desastre. É uma lição que não deveríamos esquecer hoje, em que “Sião” se quer defender com carros de combate ou proteger-se com um muro vergonhoso.

2ª leitura: Romanos (8,9.11-13) - Vida nova no Espírito
1. Estamos perante um dos textos mais belos, profundos e determinantes desta famosa carta de são Paulo. O apóstolo, que destruiu teologicamente a segurança que os judeus ou os judeo-cristãos punham na Lei para viver (Rom 7) traça uma alternativa muito mais fecunda para a vida cristã: viver segundo o Espírito. Este canto é um canto do Espírito de libertação e de vitória face às situações trágicas do “eu” e da lei (todas as estruturas que nos atam). A redenção cristã realiza-se por meio do Espírito que é o que dá sentido à nossa vida enquanto vivemos aqui, e é o que nos garante a vida para além da morte; porque, da mesma maneira que por Ele se levou a cabo a ressurreição de Jesus, assim sucederá conosco.
2. É o texto mais explícito de Paulo sobre a conexão entre ressurreição e Espírito e devemos aprofundá-lo, já que é uma manifestação de teologia espiritual. A Lei mostra-nos os nossos pecados, mas o Espírito purifica-nos, salva-nos, liberta-nos. A tensão carne-espírito é evidente na nossa vida, embora não seja necessário abusar do dualismo do “eu” que há em nós. É uma das antíteses mais famosas da teologia paulina (carne-espírito), ainda que Paulo queira destacar que estamos em Cristo, que somos de Cristo, se temos o seu “Espírito”. É o que nos fará passar pela morte, não para nos fazer passar pela morte, não para ficarmos no nada, mas para termos a vida nova que agora o Senhor já tem, porque foi “ressuscitado pelo Espírito”.
3. Quem tem, de verdade, o Espírito de Deus e de Cristo? Na realidade, quem não vive no seu “eu” soberbo e carnal que engendra morte, isto é, o egoísmo puro. Porque quando falamos de “carnal” não se deve entender, sem mais, o sexual, como muitos comunicadores cristãos defendem. A carne é o mundo contrário ao Espírito, à sua liberdade, à sua entrega, à sua magnanimidade. Isto está bem explicado neste texto da carta aos Romanos, se tivermos em conta o capítulo precedente (Rm. 7,17ss) no que o Apóstolo descreveu sobre a incapacidade do “eu”, quer dizer, da pessoa que só olha para si e vive para si mesma. A presença do Espírito em nós não pode ser distinta da que experimentou Cristo. Portanto, viver, ser habitado pelo Espírito é sentir sobre si mesmo e sobre Deus o que nos há-de descrever o Evangelho de hoje.

Evangelho: Mateus (11,25-30) - O Deus de Jesus, um Pai afetuoso
1. O Evangelho deste domingo é um dos textos mais belos do Evangelho de Mateus que não se perde exatamente no mistério da gratuidade de Deus. Lucas 10,21, para introduzir estas mesmas expressões (quer isto dizer que ambos os evangelistas têm uma fonte comum, a conhecida como o documento ou evangelho Q), recorreu a um dos seus elementos teológicos mais notórios na sua obra: estas palavras pronuncia-as Jesus cheio do Espírito Santo. Desta forma, pois, se assumiria na liturgia de hoje a força e a radicalidade do texto da carta aos Romanos. Por outro lado, também se viu neste texto evangélico o cumprimento do oráculo de Zacarias 9,9-10.
2. Muito se escreveu e falou sobre o Deus de Jesus e cada geração há-de interrogar-se sobre isto, porque temos de descobrir esse Deus no Evangelho. Neste caso, poderíamos aplicar aquele famoso “critério de dissimilitude” com o que os especialistas trataram de fixar as palavras autênticas da pregação de Jesus. É verdade que sobre este critério muito se especulou e, às vezes, as discussões se extremaram: o que não é do judaísmo ou, pelo contrário, da comunidade primitiva, é de Jesus. Este texto de Q é sem dúvida, um desses textos absolutos. Nem no judaísmo oficial se pensava assim de Deus, nem entre os primeiros cristãos se o tivessem imaginado, tal como hoje aparece neste texto de louvor e de ação de graças de Jesus. Portanto, também não se atreveram a pôr na boca de Jesus palavras como estas, tão audazes e determinantes. Com os retoques pertinentes que a tradição sempre aplica (aqui usa-se pater, em grego, e não Abbâ, embora se reconheça que os vv. 25-26 estão carregados de substratos aramaicos), aproximamo-nos muito da experiência mais determinante que Jesus tinha do seu Deus. Estamos a falar da experiência humana de Jesus, do profeta; não devemos, no entanto, nem entendê-las nem interpretá-las sob o ponto de vista trinitário.
3. Jesus, pois, ao romper com todo o tipo de preconceitos sobre Deus, sobre a religião, sobre a proximidade do amor divino e da graça, desafia aos que o ouvem – embora estas palavras sejam dirigidas aos seus discípulos – para que se coloquem, definitivamente, nas mãos de Deus. Por quê? Porque se tratava de um Deus diferente do que tinha sido concebido até então e, consequentemente, de umas relações diferentes com Ele. Não são os sábios, os poderosos, os que mais sabem, os que acham mais fácil entender o Deus de Jesus. Essa é a primeira lição, o mais importante, embora não seja uma condenação da teologia, dos teólogos ou dos místicos. Mas a verdade é que Jesus quer abrir o mistério de Deus a toda a gente e, especialmente, aos que estão mais distantes, inclusive, aos menos “espiritualistas”.
4. É possível que isto Lhe tenha valido na história a acusação de que o seu Deus é um Deus de ignorantes e de desgraçados deste mundo, como se Jesus o tivesse criado com um certo ressentimento contra a sociedade do seu tempo. E a verdade é que, tomando expressões do filósofo Nietzsche, ele que tinha predito a morte de Deus, este Deus de Jesus é tão humano que os espíritos soberbos não o suportam - aqueles que se crêem com espírito prometaico. O instinto de Jesus para descobrir Deus oferece-nos a todos a possibilidade de um Deus maravilhoso, humano e amorável.
fray Miguel de Burgos Núñez - Tradução de Maria Madalena Carneiro 
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O livro que me lê!
1. As poucas linhas do Evangelho deste domingo XIV do tempo comum, retiradas de Mateus 11,25-30, guardam o segredo mais inteiro de Jesus, o seu tesouro mais profundo, a pedra preciosa da parábola (Mateus 13,46), pedra preciosa e firme, porque leve e suave como uma almofada (Marcos 4,38), onde Jesus pode reclinar tranquilamente a cabeça (João 1,18), e tranquilamente repousar. Nos lábios de Jesus, chama-se «Pai» este lugar seguro e manso, doce e aprazível, que acolhe os pequeninos, os senta sobre os seus joelhos, lhes conta a sua história mais bela, e lhes afaga o rosto com ternura.
2. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mateus 11,25). Esta é uma das muitas vezes em que, nos Evangelhos, Jesus aparece a rezar ao Pai, mas é uma das poucas vezes em que nos é dada a graça de ouvirmos o conteúdo da sua oração [além desta vez, só no Getsêmani: «Pai, se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, mas sim a tua» (Mt. 26,39 e 42), e na Cruz: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» (Mt. 27,46); «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lucas 23,34); «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lucas 23,46)].
3. «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos». Esta intensa relação de amor e desvelo entre Jesus, o pequenino por excelência, e o Pai, salienta melhor a rejeição movida a Jesus pelas orgulhosas cidades costeiras do Mar da Galileia – Corazim, Betsaida e Cafarnaum – e que aparece relatada nos versículos imediatamente anteriores (Mateus 11,20-24), mas deixa igualmente à luz do dia a rejeição que os grandes lhe moverão até à Cruz. Atenção, porém, porque, nestas rejeições, são também as nossas rejeições que são já proclamadas sobre os telhados! Note-se, para espanto nosso, que rejeitar «um só» destes pequeninos com quem Jesus se confunde, é rejeitar o próprio Jesus, de acordo com o extraordinário dizer de Jesus: «Todas as vezes que fizestes isto (ou o deixastes de fazer) a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)» (Mateus 25,40 e 45).
4. É assim que o Evangelho entra por nós adentro, cortante como uma espada de dois gumes. Vem-me à memória uma velha história que circula na África Oriental, e que fala de uma mulher pobre que andava sempre com uma Bíblia grande debaixo do braço. Dizem que nunca se separava dela. As pessoas que a viam passar todos os dias, escarneciam dela com dizeres do gênero: «Porquê sempre a Bíblia, se há tantos livros para ler?» Mas a mulher seguia o seu caminho, imperturbável e indiferente às provocações. Um dia, porém, a mulher da Bíblia viu-se cercada por um bando de escarnecedores. Então, levantando bem alto a sua Bíblia, a mulher, abrindo um grande sorriso, disse: «Eu sei que há muitos outros livros que posso ler! Mas este é o único que me lê a mim!»
5. Nenhum arrogante raciocínio conduz a Deus. Nenhuma arrogância conduz a Deus. É o Pai que revela aos pequeninos «estas coisas escondidas» (Mateus 11,25). Escondidas como o tesouro escondido da parábola (Mateus 13,44). Escondidas como Jesus, que passa escondido na nossa frágil humanidade. Mas, atenção, que «nada está escondido que não seja para se manifestar» (Marcos 4,22).
6. Mas Jesus, Mestre novo, não aponta para coisas nem ensina coisas. Ele diz: «Vinde a Mim» e «aprendei de Mim» (Mateus 11,28 e 29). Com Jesus. Como Jesus. Ele não ensina coisas. Dá-se. Aprendeu do Pai, que tudo lhe deu (Mateus 11,27). Dar e receber. Jugo suave e carga leve (Mateus 11,30). Como os missionários do Evangelho, que devem partir sempre sem ouro, nem prata, nem cobre, nem saco, nem duas túnicas, nem sandálias nem bastão, dando de graça o que de graça receberam (Mateus 10,8-9). Apenas com Cristo. E Santo Agostinho lembra-nos que «o peso de Cristo é tão leve, que levanta, como o peso das asas para os passarinhos»
7. Esta agenda de Jesus, que fica «conosco todos os dias» (Mateus 28,20), podemos vê-la diariamente na sua maneira feliz, ousada, pobre, despojada, humilde, fraternal, próxima e dedicada de viver, bem ao jeito do rei novo e fazedor de paz e felicidade, sonhado por Zacarias (9,9-10) no último quartel do século IV a. C., em claro contraponto com o esplendor militar dos cavalos e carros de combate de Alexandre Magno, que então atravessava a costa palestinense a caminho do Egito. Da agenda de Jesus, faz parte indeclinável a completa orientação da sua vida filial para o Pai, abrindo a este mundo novos rumos e desafios imensos de fraternidade.
8. Tempo de nos deleitarmos a contemplar e a rezar demoradamente, de acordo com a forma de compor de Maria (Lucas 2,19), a serva humilde, a expressiva oração do famoso Padre Jesuíta francês, Léonce de Grandmaison (1868-1927): «Santa Maria, Mãe de Deus, conserva em mim um coração de criança, puro e transparente, como uma nascente».
António Couto

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«Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso»
Hoje, Jesus mostra-nos duas realidades que o definem: Ele é quem conhece o Pai em toda a profundidade, e é «manso e humilde de coração» (Mt 11,29). Também aí podemos descobrir duas atitudes necessárias para poder entender e viver o que Jesus nos oferece: a simplicidade e o desejo de nos aproximarmos d’Ele.
Entrar no mistério do Reino é difícil, muitas vezes, para os sábios e entendidos, porque não estão abertos à novidade da revelação divina; Deus não deixa de se manifestar, mas eles pensam que já sabem tudo e, portanto, Deus já não consegue surpreendê-los. Pelo contrário, os simples, como as crianças nos seus melhores momentos, são receptivos, são como uma esponja que absorve a água, têm capacidade de surpresa e de admiração. Também há exceções, até há homens doutos em ciências humanas que são humildes no que se refere ao conhecimento de Deus.
Jesus encontra o seu repouso no Pai, e a sua paz pode ser refúgio para todos os que foram maltratados pela vida: «Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso» (Mt 11,28). Jesus é humilde e a humildade é irmã da simplicidade. Quando aprendemos a ser felizes através da simplicidade, então desfazem-se muitas complicações, desaparecem muitas necessidades, e podemos enfim descansar. Jesus convida-nos a segui-Lo; não nos engana: estar com Ele é levar o seu jugo, assumir as exigências do amor. O sofrimento não nos será poupado, mas o seu fardo é leve, porque o nosso sofrimento não será causado pelo nosso egoísmo, mas apenas sofreremos o que seja necessário, por amor e com a ajuda do Espírito. Além disso, não esqueçamos que «as tribulações que se sofrem por Deus são suavizadas pela esperança» (Sto.Efrén).
P. AntoniPouosb - evangeli.net

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“Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei”!
É o próprio Cristo que,neste domingo de Verão,nos desafia a entrar nEle, a repousar nEle, a sossegar nEle, a saborear nEle o mistério profundo do seu doce amor por nós! De fato, só Ele conhece o que há em nós. E porque “Deus é maior do que o nosso coração”, só Ele pode dar resposta às nossas inquietações, dores, esperanças e sofrimentos. Só nEle o nosso desejo de paz se cumpre plenamente. Só nEle o cansaço das horas e a opressão dos dias pode dar lugar ao gozo e ao repouso. «Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousa em Vós»! (santo Agostinho).
Ao iniciar o tempo das férias, este apelo de Jesus pede uma resposta concreta, no sentido de partirmos firmes ao seu encontro. E põe-nos perante o desafio de viver o tempo livre, contemplando a criação com olhos límpidos e cheios de admiração, gozando essa beleza, sem lhe alterar o seu equilíbrio. Trata-se de aprender a louvar a Deus, pelas coisas mais simples que coloca nas nossas mãos: o sol e a sombra, a água e os frutos, os amigos e a família.
Colocar-se nesta perspectiva de louvor, mesmo no meio de circunstâncias adversas, é talvez o melhor anti-depressivo que se pode tomar. Quando nos detemos no louvor, libertamo-nos do jugo servil do trabalho e do peso esmagador das preocupações de cada dia. Então o próprio descanso se torna experiência de libertação interior, de repouso sossegado, de gozo agradecido, de silêncio orante, de convivialidade cada vez mais próxima e amiga com Deus.
Na verdade, o homem novo, animado pelo Espírito de Deus, “não tem necessidade de falsos infinitos ou de superlativos do mais belo, do maior e do mais emocionante” (João Paulo II), fugindo da realidade dura da vida, com ilusões vendidas a preços de loucura.
Precisa apenas de encontrar pouso e repouso, no coração manso e humilde de Cristo! É coisa para a qual não se precisa de crédito. Basta passar cartão a este Amigo, que não leva nada por nos acolher em sua casa. Vamos até Ele, cheios de fé e de alegria!
padre Amaro Gonçalo


Encontramos aqui uma das raras orações de bênção referidas pelos evangelhos sinópticos, mais ainda, a única, a excluirmos a invocação no Getsêmani. À chegada dos seus discípulos enviados em missão, Jesus reconhece publicamente e proclama em louvor e ação de graças porque o Pai, na sua livre iniciativa escolheu «os pequeninos» como destinatários da revelação. Estes pequeninos são opostos aos «sábios e inteligentes» que, por sua vez, na tradição profética são opostos aos humildes e pobres». Na perspectiva do evangelista o texto assume um tom polêmico anti-farisaico: os pequenos são os discípulos crentes, opostos aos «sábios e inteligentes», isto é, aos escribas e fariseus.
Jesus é apresentado a seguir num texto que, diríamos, é típico da teologia joanina da interação Pai e Filho, em que um revela o outro. Aqui é acentuado o papel do Filho revelador
As sentenças finais são típicas de Mateus e inserem-se muito bem na sua teologia. O Filho faz um convite a todos os que estão cansados e sobrecarregados, prometendo-lhes descanso.
Na interpretação farisaica da Lei, os escribas e fariseus impõem fardos pesados sobre os ombros, mas eles nem com um só dedo os querem mover (Mt 23,4). A mesma idéia, aliada à de «jugo», está presente de forma clara no discurso de Pedro no 1º Concílio apostólico, a propósito de se seguirem ou não as normas da lei de Moisés que exigem a circuncisão: «Porque tentais agora a Deus, querendo impor aos discípulos um jugo que nem os nossos pais nem nós tivemos força para levar?Além disso, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos que seremos salvos, exatamente como eles».
O jugo da vontade de Deus deixou de ser um jugo opressivo e duro, mas gera agora a paz gloriosa prometida aos humildes e mansos, garantia da salvação definitiva. O jugo de Jesus é suave e o seu fardo é leve, não porque não seja exigente mas porque tirou as incrustações legalistas. Fazer a vontade de Deus deixou de ser um cógido ou um sistema moral a interpretar e a seguir, mas seguir Jesus, o Filho, que a revela e realiza de modo definitivo e pleno.
padreFranclim Pacheco

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A revelação aos pequenos e o jugo suave
Santo Agostinho faz uma belíssima interpretação sobre o sentido dos «pequeninos» que o Evangelho deste domingo nos fala. Transcrevo a sua análise, diz assim: «Entendei o sentido desta oposição: “Escondeste estas coisas aos sábios e prudentes”. Mas não diz “e as revelaste aos néscios e imprudentes, mas sim: “escondeste-as aos sábios e prudentes e as revelaste aos pequenos”. Aos sábios e prudentes risíveis, aos arrogantes, aos grandes na aparência mas, na verdade, inchados, opôs não os ignorantes ou os imprudentes, mas os pequenos.
Quem são estes “pequenos”? Os humildes. Por isso, “o escondestes aos sábios e prudentes”. Ao acrescentar “revelaste-o aos pequenos”, Ele mesmo explicou que sob o nome de sábios e prudentes deveríamos entender os soberbos. Portanto, escondeste-o aos não pequenos. Que quer dizer “não pequenos”? Não humildes. E “não humildes” é o mesmo que “soberbos”. Oh, caminho do Senhor! Ou não existia ou estava escondido para nos ser revelado a nós. E porque exultava o Senhor? Porque o caminho foi revelado aos pequenos. Devemos ser pequenos; porque se pretendermos ser grandes, como sábios e prudentes, não nos será revelado esse caminho». (santo Agostinho, Sermão 67, 8). Muito interessante este pensamento e revelador de qual é a principal intenção de Jesus, libertar os oprimidos e dar dignidades aos sem lugar e vez na vida social deste mundo...
Na passagem da 1ª leitura, por sinal muito famosa, revela-nos a obra do chamado «Segundo Zacarias», um profeta anônimo do séc. IV-III a.C.. Toda a lógica da guerra e da corrida aos armamentos, porventura alimentada pelos sonhos de um messianismo político e triunfalista, são agora abandonados. O Rei que vai chegar, é um «pacifista», contra toda a violência e injustiça que ainda grassam no mundo. Esta mensagem destrona toda a lógica que assenta sobre a violência. O anúncio profético mostra que o desejo de Deus está em profundo antagonismo com o pensar dos homens. Deus reinará pacificamente, no maior respeito pela vontade de cada homem e mulher. Todos farão parte da justiça e do amor salvador que Deus fará acontecer nos carreiros deste mundo. É possível este ideal se nos nosso corações permitirmos tudo o que faz a vida acontecer na felicidade e na paz…
O capítulo 8º da carta aos Romanos é uma das páginas mais densas da teologia paulina. O Espírito que nos fala o Apóstolo, é não só um novo princípio de vida, mas também um princípio de vida nova e, portanto, penhor da vida futura da Ressurreição.
No Evangelho, Jesus e os primeiros cristãos experimentaram a recusa dos chefes e dos ditos «partidos de sábios» (escribas, fariseus, saduceus...) em acolher o projeto salvador de Deus que em Jesus, com Jesus e por Jesus se realizava (nisso consiste o «mistério do Reino»). Estes recusaram fortemente a mensagem nova em favor da vida sempre nova para todos. Tal mensagem de Jesus não era pura e simplesmente um código de regras morais, mas transformação da vida toda a favor do bem comum. Porém, alguns, especialmente os «grandes» recusaram tal ideal. Mas, ao mesmo tempo, viveram a alegria de ver os pobres, os simples e os humildes a acolher essa Boa Nova. Daí, que aos sábios e prudentes risíveis, aos arrogantes, aos grandes na aparência mas, na verdade, inchados, opôs não os ignorantes ou os imprudentes, mas os pequenos. Jesus ensina-nos que devemos ser pequenos para conhecermos a grandeza do amor que Ele nos revela. A humildade salva-nos. O jugo suave de Jesus consiste nisso mesmo, acolher na humildade a vida e fazer dela um serviço, uma dádiva para todos. Esta descoberta dará sentido a esta vida e mais apontará para o verdadeiro destino de todos nós, alcançar a vida divina que Jesus Cristo a todos quer verdadeiramente oferecer, sejamos merecedores dela. E quem diz que a religião é para ignorantes e simplórios, engana-se redondamente perante este discurso de Jesus.
padre José Luís Rodrigues

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1. O cristianismo é sem duvida nenhuma um caminho de salvação que oferece para os seguidores um estilo de vida com valores e atitudes especificas. As leituras deste tempo comum que estamos acompanhando nesta época do ano oferecem varias sugestões para refletirmos sobre a nossa vida cristã, para descobrirmos se estamos seguindo o Senhor, ou se estamos simplesmente disfarçando, querendo ser, mas incapazes de viver como Jesus nos pede por causa da nossa incapacidade de abrir mão daquilo que achamos importante na nossa vida mundana. A vida cristã é uma vida espiritual no sentido que é aberta constantemente á ação do Espírito que ao longo dos anos forma na nossa humanidade os mesmos sentimentos que eram no Cristo (cf. Fil. 2,5). Entre estes sentimentos tinha a humildade, a simplicidade, a docilidade á uma Palavra que orienta o caminho. É disso que as leituras de hoje nos falam e que queremos aprofundar para que a nossa vida se torna sempre mais aparecida com aquela do nosso mestre o Senhor Jesus.
2. “Eis que vem o teu rei ao teu encontro, ele é justo e ele salva; é humilde e vem montado num jumento” (Zc. 9,9).
Neste versículo do profeta Zacarias é bem claro que já no Antigo Testamento o Messias, na sua realeza, era anunciado como humilde. Este é já um dado repleto de sentido espiritual que merece a nossa atenção. De fato, na profecia de Zacarias é anunciada a vinda de um rei que se apresentará não com pompas e cavalos, mas sim humilde montado num jumento. Poder e humildade que sempre são apresentados como dois elementos antagônicos, neste contexto são apresentados quase como sinônimos: porque? O messias anunciado, o Salvador da humanidade manifestará o seu poder não na forma que o mundo o apresenta, ou seja, com a força e com a arrogância, mas sim com a humildade. É esta maneira humilde de Deus entrar na historia que torna-se sinal evidente da diversidade de Deus no confronto com o poder do mundo. Isso quer dizer que lá aonde encontramos violência, arrogância, egoísmo Deus não é presente. Pelo contrario aonde encontramos humildade, doçura, simplicidade sem duvida Deus é presente. Tudo isso que foi anunciado pelos profetas se tornou bem visível em Jesus que de rico que era se fez pobre (cf. 2Cor. 8,9), e que não se apegou á sua condição divina, mas se despojou de tudo para se aproximar a nós. Além disso, o Evangelho de João nos lembra que Jesus, na hora em que percebeu que o Pai tinha colocado todo o poder nas suas mão, se ajoelhou e lavou os pés dos seus discípulos. Verdadeiramente o poder de Deus está escondido nos atos humildes do seu Filho Jesus e hoje este poder se encontra todas as vezes que a Igreja se ajoelha para servir os mais fracos, os mais pobres e necessitados.
3. “Eu te louvo, o Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos” (Mt. 11,25).
Este é mais um versículo na nova lógica do Evangelho que confunde as nossas idéias. Verdadeiramente para entendermos a proposta de Jesus precisamos de uma conversão, de uma mudança de mentalidade. É impossível fazer parte do Reino de Deus sem antes se dispor para uma mudança radical. Este é o sentido da docilidade da qual falávamos no começo destas reflexões. Jesus trouxe algo de totalmente novo, totalmente diferente e distante da nossa mentalidade corriqueira para podermos entender o sentido profundo da sua proposta. Porque o Pai escondeu “estas coisas” aos sábios? Podemos tentar uma resposta pensando que Deus não queira que ninguém pense de merecer a salvação. Não existe ninguém no mundo que posa se apresentar perante Deus com ousadia, cobrando dele a salvação. Por isso este mistério da salvação Deus o escondeu aos sábios, no sentido que o Reino de Deus fica fora do alcance das possibilidades humanas e, por isso, é um dom que pode ser somente acolhido. A lógica do Reino de Deus não está no mérito, na lógica do mais forte, do mais inteligente. A lógica do Reino de Deus é a lógica da gratuidade, do dom. Somente as pessoas humildes, as pessoas que reconhecem Jesus como o único Senhor da vida percebem nele a fonte da vida e o único caminho da salvação. Por essa razão o caminho que o Evangelho propõe é o caminho da simplicidade, para se tornar como crianças que imediatamente reconhecem o Pai e se jogam nos seus braços. A que serve, de fato, buscar a grandeza do mundo, quando depois se perde a alma! A que serve o poder dos homens, o dinheiro se depois se perde a vida, porque é somente Deus que tem o poder de dar e tirar a vida! Idéias simples como simples é o Evangelho que todo dia nos aconselha de tirar o olhar daquilo que não presta, para aprendermos a fitar o olhar em Deus.
4. “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt. 11,28-29).
São lindas estas palavras de Jesus, pois são repletas de humanidade, daquela humanidade que dificilmente encontramos no nosso dia a dia. São palavras que nos convidam a deixar de lado as preocupações, ou melhor, a entregar nas mãos do Senhor toda a nossa vida. É esta uma grandíssima indicação espiritual. Se tudo vem de Deus e tudo deve ser transformado pela ação do Espírito Santo, então devemos aprender a viver constantemente perante o Senhor, sem nada esconder o guardar somente para nós. Viver perante o Senhor quer dizer transparência, honestidade, sinceridade: todos valores que infelizmente encontramos raramente nos relacionamentos da vida corriqueira. É o Senhor que nos convida a sair da angustias, de uma vida presa em amarguras inúteis, pois Ele é presente na historia para aliviar o peso da nossa vida e, ao mesmo tempo, consolar as nossas tristezas. É sempre o Senhor que nos convida a descansar nele, a não considerar a vida religiosa somente nas horas alegres, mas sim a aprender a buscar o Pai quando vivemos mergulhados nos problemas da vida, da mesma forma que Jesus fazia. Aprender a se entregar em Deus, a buscar a sua justiça, a sua misericórdia e compreensão. Fazer a experiência da humildade de coração de Jesus e da sua mansidão, como remédios ao ódio e ao egoísmo do mundo. “Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.
padre Paolo Cugini


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