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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O SEMEADOR

15º DOMINGO TEMPO COMUM

13 de Julho de 2014 - Ano A


Evangelho - Mt 13,1-23

Comentários-Prof.Fernando


PRECISAMOS SEMEAR

 -O SEMEADOR-José Salviano



            O autêntico cristão é aquele que possui uma mente semelhante a terra boa e fértil. Elerecebe a palavra de Deus com amor, com fé, e boa vontade,e procura multiplicá-la espalhando-a pelo mundo semelhante ao semeador que jogava as sementes sobre os vários tipos de solos. E assim este cristão produz muitos frutos para o Reino dos céus.Continua



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“FELIZES SOIS VÓS, PORQUE VOSSOS OLHOS VEEM E VOSSOS OUVIDOS OUVEM.”- Olívia Coutinho

15° Domingo Comum

Dia 13 de Julho de  2014

Evangelho Mt 13,1-23

Embora em meio a tantos adversários, a palavra de Deus ainda encontra ressonância  em muitos corações, pois  sempre haverá quem a acolhe e se deixa tocar por ela!
A  palavra de Deus, é palavra de vida,  é semente que trás dentro de si, a  força do Senhor Jesus que continua lançando  sementes, confiante de que nós saberemos cultivá-la no espírito da fé e da fidelidade a  Deus!
A salvação  é graça de Deus que chega até a nós, a partir da semente  lançada no nosso coração!  Daí, a importância de fazer  do nosso coração um terreno fértil, para que nele, Jesus possa lançar a semente do amor, da justiça que nos une como irmãos, que nos torna também, caminho de salvação para o outro!
O evangelho de hoje nos apresenta a parábola do semeador, quando Jesus, dirigindo-a multidão, fala da importância  do acolhimento a palavra de Deus, comparando-a com a semente.
Falando em parábola, ou seja,  fazendo comparações  com as pequenas coisas presente no cotidiano dos pequenos, Jesus  passava  a sua mensagem salvífica, levando o povo simples a uma reflexão, possibilitando-os a conhecerem os mistério do Reino. Com as parábolas  Jesus falava aos pequenos e confundia os “grandes,” os  que não O enxergavam como o Messias.  
O texto chama a nossa atenção sobre a importância de nos tornarmos semeadores do Reino. 
Como agricultores do Senhor, não temos o direito de escolher onde lançar a semente, afinal, não podemos fazer distinção de corações, a nossa missão é apenas semear, e não ter o controle da semente!
Mesmo não tendo a experiência de um agricultor, nós sabemos que do plantio à colheita, existe  um longo caminho, tudo acontece através um processo  lento,  que requer muita paciência de quem planta! Quem sabe, durante este tempo de espera, a semente que caiu  em terras não férteis  pode surpreender o agricultor?
Nos dias de hoje, são muitos os semeadores, semeiam-se muito, mas infelizmente, sementes  estéreis, ou  que  produzem frutos de má qualidade, as boas sementes, estão  bastante esquecidas, ou escondidas.
 O crescimento de um Reino de amor e de justiça, tão sonhado por Deus, depende da disposição dos semeadores, por isto, um  semeador nunca deve se deixar levar pelo pessimismo, pelo desanimo, pois o seu trabalho jamais  será em vão, já que muitas sementes cairão em terra boa e certamente produzirão muitos frutos!
A todo instante Jesus nos convoca a sermos  semeadores do reino, e no exercício desta missão, é importante que tenhamos  a simplicidade do agricultor, ele não almeja ser conhecido, e muito menos ter algum destaque, a  sua alegria está  unicamente em ver brotar a semente que  lançou na terra!
Uma semente germina onde  cai, até mesmo no meio das  pedras e  dos espinhos, mas sem  criar raízes,  dificilmente ela não sobreviverá.
A palavra de Deus, quando acolhida num coração fértil,  cria raízes, adquire  força para crescer e produzir frutos.
Por mais que acreditamos ter o conhecimento  da palavra de Deus, não seremos terra boa se não nos aproximarmos de Jesus com humildade, como  discípulo que quer aprender com o Mestre!
 Cultivar a semente do amor em nossos corações, é  colaborar com o plantio do Senhor!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia

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Na proclamação da Palavra deste domingo, iniciamos a escuta do capítulo 13 do Evangelho de Mateus, que nos traz o encantador discurso das parábolas sobre o Reino dos céus. Neste e nos próximos dois domingos, escutaremos essas sete sugestivas parábolas. Atenção, caríssimos, porque este capítulo 13 é o centro do Evangelho segundo Mateus! Para que possamos compreender bem o que nosso Senhor nos quer dizer, recordemo-nos que o Reino dos céus é o núcleo, o tema, o objetivo da pregação de Jesus: ele veio para instaurar o Reino entre nós e nos fazer participar dele em plenitude após nosso caminho neste mundo. Quando Mateus diz "Reino dos céus" é o mesmo que dizer "Reino de Deus", pois o céu é Deus e fora de Deus não pode haver céu! O anúncio do Reino dos céus é, portanto, o anúncio do reinado do Deus de Jesus, aquele mesmo Deus a quem ele chamava de Pai, Pai que é todo amor, todo ternura, todo compaixão e misericórdia! Por isso, o reinado de Deus é nossa vida e nossa felicidade!
Pois bem, caríssimos, com sete parábolas (sete significa perfeição, completude) o Senhor Jesus nos fala dos mistérios do Reino dos céus. São parábolas para serem ouvidas com essas perguntas no coração: Que é o Reino? Por que não aparece claramente neste mundo? Por que parece tão frágil? Onde ele está? Como se pode descobri-lo? Escutemos, porque o Senhor nos vai falar. Coloquemo-nos ao lado dos seus ouvintes, na tão doce cena do Evangelho de hoje: "Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galiléia. Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas..." Sentemo-nos nós também com essa multidão e escutemos as parábolas desses três domingos!
Ó Mestre, porque falas em parábolas? – perguntaram a Jesus. As parábolas, caríssimos, têm, primeiramente, um sentido didático: Jesus falava do Reino com imagens e cenas da vida do povo... Era fácil compreender, era acessível aos simples... Mas também, exatamente por serem simples e cheias de figuras, as parábolas somente poderiam ser compreendidas por quem tivesse um coração simples e cheio de boa vontade. Os soberbos, os de má vontade, os auto-suficientes jamais poderiam compreender, penetrar com o coração o mistério tão doce e suave que Jesus revela em suas parábolas. Por isso ele nos diz: "A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não é dado. Ao que tem será dado mais e terá em abundância; mas ao que não tem, será tirado até o pouco que tem... Porque eles, olhando, não vêem, ouvindo, eles não escutam nem compreendem... Deste modo, cumpre-se a palavra do profeta: 'Havereis de ouvir, sem nada entender. Havereis de olhar, sem nada ver. Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração..." Também nós, sem um coração pobre, humilde e confiante, jamais compreenderemos a verdade do mistério que Jesus nos apresentará nessas sete estupendas parábolas...
Comecemos, pois, a escutá-lo nesta primeira das sete: a Parábola do Semeador. A semente é a Palavra de Deus, que é sempre fecunda "como a chuva e a neve que descem do céu e para lá não voltam, mas vêm irrigar e fecundar a terra"... A Palavra que Jesus, o Semeador, joga no terreno do nosso coração, nunca ficará sem efeito; é uma Palavra eficaz! O padre Antônio Vieira, comentando esse Evangelho afirmava que a Palavra pode não dar fruto, mas dará sempre efeito: efeito de salvação ou efeito de condenação! É verdade: ninguém ficará neutro diante da Palavra do Senhor que escutou: ou a acolhe, dá fruto nela e acolhe a salvação, ou a rejeita, para ela se fecha e por causa dela se perde!
Se o semeador é Jesus e a semente é a Palavra, os diversos tipos de terrenos são os diversos tipos de coração. Sim, o terreno somos nós, caríssimos! E aqui está a nossa responsabilidade: tornar o nosso coração uma terra boa! Que não seja terra ruim, que não seja terra estéril. Não aconteça que sejamos daqueles que ouvindo, não escutam e vendo, não vêem! Por isso mesmo, essa Palavra deste hoje nos deve inquietar... Que tipo de terreno tenho sido? Que tipo de terreno tenho preparado no meu coração? Que fruto a Palavra está dando na minha vida? Recordemos, caríssimos em Cristo: se a Palavra não tiver fruto, ainda assim terá efeito!
Mas, há outro recado, outro ensinamento do Senhor nesta estória. Notem que a Palavra que anuncia o Reino é tão precária, a maior parte da semente parece ter um destino inglório, sem fruto! A Palavra onipotente aparece nesta parábola escandalosamente impotente – como na cruz! Mas, ao fim, ela triunfará, dará fruto: Ä semente que caiu na terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esse produz fruto: um dá cem, outro sessenta e outro, trinta". Não nos iludamos: ao final, o Reino triunfará, ainda que pareça inútil, ainda que muito da semente semeada pareça destinada ao fracasso e à esterilidade... A semente dará fruto... Que frutifique, pois, em nós!
Para isso, cuidemos do aqui e do agora de nossa existência, porque são nas coisas pequenas que o Reino aparece, que o Reino se faz, que a semente germina: no irmão que acolhi, na dor que suportei, na presença de Deus que descobri mesmo no meio das trevas da vida... Só quem ouve, só quem compreende pode acolher esse Reino e dar fruto de vida.
A humanidade inteira e a criação toda esperam o testemunho dos cristãos, esperam o nosso fruto no aqui e agora da existência, que antecipa e prepara a manifestação final da glória, que é a plena manifestação do Reino dos céus. A criação geme, a humanidade geme, tateando nas trevas em busca da luz, faminta em busca do alimento, mortal em busca da vida. Quem pode apontar a luz, quem pode trazer o pão, quem pode testemunhar a vida? Os cristãos, nós, se deixarmos que a semente da Palavra faça o Reino germinar em nós para que o Reino seja presença no mundo. Eis, portanto, que mistério tão grande: o Reino passa por nós, pela nossa pequena vida! Os cristãos, a Igreja, são como a respiração do mundo; sem nós, o mundo morreria asfixiado...
A parábola de hoje nos convida a preparar nossa existência para que o Reino possa brotar; convida-nos também ao espírito de fé para ouvir, para ver, para compreender mesmo nas coisas pequenas da vida; convida-nos à paciência e à fidelidade no dia a dia; convida-nos à consciência de que é Deus quem age, fazendo a semente crescer, desde que não impeçamos o dinamismo da semente. Eis! O Reino está em nós, está no meio de nós! Abramo-nos a ele...
dom Henrique Soares da Costa

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O que é a Palavra de Deus?
Vivemos em um mundo no qual há muitas palavras. Os meios de comunicação fazem que estas sejam abundantes. Canções, programas de rádio e televisão, jornais, revistas, vozes... Tanto que, às vezes, não somos capazes de entender nada daquilo que se diz, de tantas as palavras que nos rodeiam. A palavra deixou de comunicar e se converteu em ruído. No entanto, na Igreja continuamos dizendo que a Palavra de Deus ocupa o lugar mais importante e privilegiado que possa existir na nossa comunidade de fé. Mas, o que significa a Palavra de Deus?
De entrada, Palavra de Deus são as leituras realizadas a cada dia na Missa. São tiradas de uma coleção de livros que chamamos de Bíblia. Até aqui todos sabemos. Mas, e também o sabemos, não são livros comuns. Para nós, que acreditamos, esses livros que formam a Bíblia são inspirados pelo Espírito Santo. Contêm a história de Deus com a humanidade, as contínuas ofertas de salvação feitas a uma humanidade que parece sempre envolvida em seu labirinto de violência, dor, desamor e morte. São fruto - e isto é o mais importante – do amor que Deus tem por nós. São testemunho vivo desse amor. Ler esses livros significa nos encontrarmos com uma palavra que é portadora do amor de Deus. Por isso, os lemos com veneração. Sua palavra não é uma palavra comum, não é ruído, não é vazia de significado. Por isso a escrevemos com letra maiúscula. É a Palavra. Quando realmente a acolhemos em nosso coração, nos abre o entendimento e os sentidos nos levando a tomar consciência da vontade de Deus: que todos os homens e mulheres se salvem e encontrem a vida e a desfrutem em plenitude.
Hoje, é assim que a primeira leitura nos fala da Palavra de Deus. Como a chuva toma fecunda a terra e a enche de vida, a Palavra de Deus fará que se cumpra a sua vontade e nos encherá de vida. Mas, como diz o Evangelho, o efeito da Palavra em cada um de nós depende igualmente de nossa capacidade de recebê-la. Ante ouvidos fechados, não há palavra que valha. Ante ouvidos acolhedores, a Palavra é capaz de transformar o coração da pessoa e fazer que se produzam frutos para sua vida e da humanidade.
Domingo após domingo ouvimos a Palavra de Deus. Depende de nós abrirmos nossos ouvidos e nosso coração para que ela possa tomar realidade a vontade de Deus. Acolhê-la e aceitar suas exigências – que nos levarão a viver uma vida mais plena – é a atitude básica da vida cristã. Sem esse alimento, que é a Palavra, nossa vida acabará por ser infecundos como as pedras, as sarças ou o caminho.
Que lugar ocupa a Palavra de Deus em minha vida? Leio de vez em quando a Palavra de Deus além de ouvi-la na Missa? Preocupo-me em entendê-la e acolhê-la? Sigo os seus ensinamentos? Caso não a entenda, procuro informar-me?
Victor Hugo Oliveira
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“Contemplarei, justificado, a vossa face; e serei saciado
quando se manifestar a vossa glória” (cf. Sl. 16,15).
A sagrada liturgia nos levou, nos domingos precedentes, a reflexão do primeiro discurso de Jesus que foi o Sermão da Montanha e do seu segundo discurso que foi o sermão missionário. Mateus na sua exegese nos introduz hoje na leitura do terceiro discurso de Jesus que agrupa sete parábolas, que são as lições que Jesus nos ensina e que todos devemos aprender didaticamente a pedagogia do Reino de Deus.
Claras e simples as parábolas argumentam o dia a dia de todos os que querem seguir Jesus. Por isso Jesus hoje nos apresenta a parábola da Palavra de Deus que é semeada no coração humano. Encontrará a Palavra Divina um coração disposto a acolhê-la? Como nós nos portamos diante da Palavra de Deus? Nós somos corações que são como terra boa ou fértil para acolher a Palavra de Deus? Que Deus nos ajude a podermos cantar com grande entusiasmo o que o salmista nos pede: “A semente caiu em terra boa e deu fruto” (cf. Sl. 64).
Assim, iluminados pela santa liturgia, este dia é uma ação de graças à mãe-terra pelas sementeiras, pela colheita, pela prodigalidade que vem de Deus em favor de seus filhos e filhas. Quem trabalha nas lides rurais entende bem o que significa terra boa, terreno pedregoso, beira de caminho ou espinheiros. Por isso, o Evangelho dá um passo audacioso: ele quer alcançar o “terreno” do coração humano e afirmar que a Palavra de Deus é sempre fecunda e boa, e necessariamente brotará, se encontrar em nossos corações as disposições necessárias para crescer e dar frutos. E isso nós encontramos claramente na palavra do Profeta Isaías “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la” (cf. Is. 55,10-11).
Jesus está à beira do Lago de Genesaré, sentado na barca, contempla a multidão na praia entre a água e o trigal que espigava. Era tempo de espera da colheita e o povo queria ouvi-lo e foi buscar no campo o tema de sua pregação e muitos de seus ouvintes tinham feito a colheita manual e sabiam do que acontecia com o fruto que caia entre os pedregulhos, ou seja, que não serviam para nada. Jesus vê aquela gente como o campo a ser semeado. Jesus é o semeador. A Palavra que o Pai lhe dera para ensinar (cf. Jo. 14,10) era a semente. Há tempos tentava plantar a Palavra de Deus naqueles corações. Por muitos motivos a maioria resistia, embora gostassem de ouvir o que Deus tinha para falar. Tinham o coração como pedra. Outros duvidaram dele e, entre o certo e o incerto,  preferiam os seus negócios, os afazeres do mundo que muitas fezes são como espinheiros. Outros, ainda, não o levavam a sério, porque eram homens que sempre estavam na beira do caminho. Por fim, felizmente, havia os ouvintes que se comportavam como terra-boa, a exemplo dos apóstolos, e era nessa terra boa que Jesus queria multiplicar abundantemente o grão da doutrina e da graça que Ele era dispensador trazendo do Pai.
“Palavra” no antigo testamento tem o sentido de chamada, de investidura de uma missão, de mensagem, de prenúncio, ou por fim, de acontecimento. No Novo Testamento, por sua vez, o substantivo “Palavra” ocorre 331 vezes, com os mais diversificados sentidos, como vocábulo, afirmação, dito, informação, pedido, notícia, discurso, exortação. O próprio Jesus é chamado simplesmente de Palavra de Deus, ou Verbo (cf. Jo 1,1), e quando se encarnou, se disse que a Palavra de Deus se fez carne e veio morar em nosso meio (cf. Jo. 1,14).
Assim, no Evangelho de hoje (cf. Mt. 3,1-23), “palavra” terá uma mistura de sentidos, que vão desde as palavras pronunciadas por Jesus até a sua pessoa, passando pelos sinais – que chamamos de milagres – que comprovam a sua messianidade. Sua doutrina, expressa em palavras humanas, está ligada ao mistério divino-humano de sua pessoa. Sua doutrina se expressa pela Santíssima Trindade (cf. Jo 14.15.26), a paternidade de Deus (cf. Jo 20,17), o julgamento final da criatura humana (cf. Mt. 25, 31-46); ora por uma exortação: amai-vos uns aos outros (cf. Jo. 13,34); perdoai-vos as ofensas (cf. Lc. 17,4); amai vossos inimigos (cf. Mt. 5,44); ora ainda por um pedido: que todos sejam um (cf. Jo 17,21); seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não (cf. Mt. 5,37); aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (cf. Mt. 11, 29). Em vista de tudo isso está na centralidade da pregação a PESSOA DE JESUS, O SALVADOR.
Partindo da pessoa de Jesus, de sua pregação, cada um de nós, de acordo com o seu empenho, poderá produzir bons frutos. A semente que nos é apresentada é boa, porque é garantida por Deus. Se a semente de Deus criou o mundo e enviou o seu Filho Unigênito para recriá-lo a problemática da liturgia de hoje está na terra que recebe a semente, ou seja, no coração de cada um de nós. A solução desta plantação é de nossa inteira responsabilidade, se a semente vai ou não vai frutificar. Deus realmente é misericordioso e não quer o mal de ninguém. Mas nos concede o livre arbítrio para receber ou não receber a grande semente, Jesus, Mestre e Senhor. Por isso Deus nos chama em espírito e verdade. Na consciência reta de aquiescer ao seu convite, respeitando a nossa liberdade, somos chamados a voltarmos para o sumo BEM, ser terra boa, fazendo a distinção do que é bom e do que é mal ou perverso. A parábola de hoje é um elogio à Palavra divina, sempre fecunda e eficaz, e um elogio à liberdade humana, onipotente dentro dos limites impostos a toda e qualquer criatura. Nossas metas e sonhos podem ser insondáveis, mas nossa realidade tem margens como o rio. Cristão autenticamente responsável é aquele que conhece as suas condições, os seus limites, remove as pedras e os abrolhos, que se atravessam na vida cotidiana, abrindo-se como terra boa às sementes da graça divina e cultiva o campo de seu coração e produz os frutos queridos por Deus (cf. Jo 15,5).
A Palavra de Deus é eficaz: faz frutificar a gente (cf. Is. 55,10-11). Este trecho é uma chave de interpretação de tudo o que Deus faz por sua gente. Conclui o segundo Isaías – Is 40-55 – retomando a idéia do início: a Palavra de Deus permanece sempre. A Palavra de Deus e sua eterna vontade, que no tempo oportuno sai de seu silêncio majestoso e realiza a sua missão, como a chuva caindo do céu faz frutificar a terra.
A segunda leitura – Rm. 8,18-23, nos apresenta que a criação anseia pela manifestação dos filhos de Deus. Existir, para o homem, é sofrer. No seu sofrimento, reconhece o gemido da criação ainda não libertada. Talvez, por isso mesmo, trate de reprimir este gemido da criação ainda não libertada. Talvez, por isso mesmo, trate de reprimir este gemido pelo mito da transformação tecnológica. Mas não é sufocando a natureza e a criação que o homem se realiza e sim, intermediando, como sacerdote, seu pleno desabrochamento. No homem, a criação deve participar da realidade divina, da “liberdade dos filhos de Deus”. O sofrimento solidário do homem e da natureza são as dores de parto da nova criação. Como estamos celebrando o ano Paulino a “palavra de Paulo” hoje, tirada da sua epístola aos Romanos, nos apresenta o tema da vivificação do Espírito, a vida nova em Cristo. Paulo nos diz que recebemos o Espírito de Cristo, que clama em nós: “Abbá, Pai”. O Espírito que nos transforma em filhos adotivos, co-herdeiros com Cristo, chamados para a glória com ele (cf. Rm. 8,14-17). Mas ainda não se revelou em nós esta glória, embora já tenhamos recebido o Espírito como primícia. Por isso, nos e toda a criação estamos ansiando por essa plenitude, como uma mulher em dores de parto: o filho está aí, mas até que ele se manifeste, ela tem que passar pelo trabalho do parto. É essa a situação nossa e de nosso mundo, que é solidário conosco.
Somos chamados a um crescimento da fé e da salvação. Por isso vamos promover o encontro de uma semente garantida – a “Palavra de Deus” – com uma terra boa, acolhedora e generosa. Combatendo os motivos de endurecimento que nos abre a recebermos a Palavra fortificada em terra boa, como a dominação ideológica, a alienação, o consumismo, o culto da riqueza, do poder e do prazer, deixando de lado os fascínios de desejo, Deus nos chama a viver a autenticidade da simplicidade, a educação libertadora com olhos para o Evangelho.
Diante de corações duros, inconstantes, materialistas, Jesus nos chama a sermos corações abertos e disponíveis para escutar a sua Palavra de salvação. Se assim vivemos a Palavra, que é Jesus, será acolhida em cada um de nós como a chuva do céu, que penetra no chão e faz a semente da Palavra de Deus semear em nossos corações desejosos e abertos a fazer a sua vontade, que é sempre de santidade.
padre Wagner Augusto Portugal

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A semente
A Liturgia desse domingo nos convida a refletir sobre a importância da Palavra de Deus e nos exorta a ser uma "terra boa" que acolha a Palavra e produza frutos abundantes na vida de cada dia.
Na 1ª leitura, o profeta compara a Palavra de Deus à chuva. "Não voltará, sem ter cumprido a sua missão". (Is. 55,10-11)
Ao Povo no exílio, já cansado e desiludido de voltar à sua terra, o profeta anuncia que Deus é sempre fiel às suas promessas.
Sua Palavra é como a chuva e a neve: caem do céu e não voltam sem terem produzido o efeito. Deus não esquece o seu povo, sua Palavra nunca falha.
Na 2ª leitura, Paulo ensina que o tempo da semeadura sempre é difícil, sofre-se com a dor e a espera, mas não se trata de um grito de morte, e sim do início de uma nova vida que vem chegando. (Rm. 8,18-23)
No Evangelho, com a Parábola da semente e do semeador, vemos que o fruto da Palavra de Deus depende da qualidade da terra. (Mt. 13,1-23)
Com essa parábola, Mateus inicia o 3º discurso de Cristo, composto
de sete Parábolas do Reino, que escutaremos nos próximos 3 domingos.
"O Semeador saiu a semear... a semente". Parte caiu:
- no caminho... os pássaros vieram e as comeram...
- no terreno pedregoso: brotou e logo secou.
- no meio dos espinhos: os espinhos cresceram e sufocaram...
- na terra boa: produziu 30, 60, 100 por um...
Jesus estava encontrando dificuldade na aceitação de sua Palavra.
- Havia gente que não acreditava...
- Havia gente que embora simpatizasse com Jesus, logo desistia de segui-lo.
- Havia gente que via a mensagem de Jesus como uma ameaça:   devia mudar de vida, afastar-se do poder, largar as riquezas... Por isso, hostilizava e tramava a morte do próprio Jesus.
- No fim estavam ficando com ele só alguns discípulos. Até eles tinham as suas dúvidas... Será que a palavra de Jesus estava se tornando ineficaz, sem força?
Jesus responde com a parábola: apesar dos obstáculos, a semente não perde a sua força. Deus lança a sua semente em todas direções, não recusa:
- nem aos pecadores endurecidos;
- nem às pessoas superficiais;
- nem às pessoas imersas nas preocupações do mundo (prazeres, negócios)...
O homem pode fechar-se à Palavra de Deus, rejeitá-la, mas sempre haverá terreno onde produzirá 30, 60, 100.
O acolhimento do evangelho não depende nem da Semente, nem do Semeador, mas da qualidade da terra.
Diante da Palavra de Deus, há 4 tipos de ouvintes que existiam naquele tempo e que continuam existindo hoje:
- Há aqueles que têm um coração duro como a terra pisada de uma estrada: não permitem que a semente da Palavra de Deus penetre em seu coração. E satanás se encarrega de eliminar os grãos caídos que sobraram no chão.
Vem em seguida o coração inconstante, que se entusiasma com facilidade, mas depois desanima rapidamente diante das primeiras dificuldades. A Palavra de Jesus não pode criar aí raízes profundas.  
Há os que têm um coração materialista. São até "muito religiosos", mas dão prioridade à riqueza e aos bens deste mundo.
Essas preocupações são como espinheiros que sufocam a semente da Palavra.
Há também os que têm um coração aberto e disponível. Neles, a Palavra de Jesus é acolhida e dá muito fruto.
A Parábola nos propõe três perguntas:
1. Que terreno somos nós?
Muitas vezes questionamos o pregador ("semeador") da Palavra de Deus: "Foi comprido, foi repetitivo... foi pesado..." Qual tal questionar também a nossa atitude de ouvintes?
2. Que semeadores somos nós?
Cuidamos do nosso terreno, retiramos as pedras e espinhos que atrapalham? Procuramos aprimorar a semente que usamos, ou já tem validade vencida, porque não estudamos, não nos informamos, não nos atualizamos? (Na catequese, liturgia, canto, escola, família...)
3. Vale a pena semear?
A parábola de Jesus é uma parábola de esperança: Jesus é o semeador, e nós também o somos, junto com ele... Ele semeia em todos os terrenos, mesmo nos inférteis. E algumas sementes acabam germinando...
O importante é semear o grão da esperança. Semear o sorriso para que resplandeça ao redor de nós. Semear nossas energias para enfrentar as batalhas da vida. Semear nossa coragem para reerguer a coragem do outro. Semear o nosso entusiasmo, a nossa fé, o nosso amor...
O Evangelho de hoje nos garante, que apesar do aparente fracasso, o sucesso do "Reino" está garantido; e o resultado final será algo de surpreendente e de maravilhoso. Deus nos garante: "A palavra de Deus não voltará sem produzir o seu fruto"
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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A eficácia da palavra
A parábola evangélica ilustra a benevolência do Pai, no seu desejo de salvar a todos, sem distinção. Ninguém está, de antemão, excluído da salvação. Tudo dependerá da disposição e do empenho com que se acolhe a comunicação do Pai.
A semente caída à beira do caminho ilustra a atitude de quem se relaciona com o Pai, de maneira superficial e leviana. A que caiu em terreno pedregoso é símbolo de um coração impermeável aos apelos divinos. A que caiu entre os espinhos aponta para os corações preocupados com múltiplas tarefas, a ponto de faltar-lhes tempo para um diálogo amoroso com o Pai. Enfim, a semente lançada em terra fértil simboliza quem se abre para acolher a Palavra de Deus e se deixa transformar por ela.
A eficácia da Palavra de Deus no coração humano revela-se no modo de viver de quem a acolhe. Somente o testemunho de uma vida pautada no amor e na justiça é um indicativo seguro de que a Palavra está produzindo frutos. O percentual - cem, sessenta ou trinta - dependerá do maior ou menor enraizamento da Palavra na vida do discípulo do Reino. Isto irá ser diferente, de pessoa para pessoa. O importante é que a semente não se perca e produza os frutos esperados. O espaço para a generosidade fica sempre aberto. A eficácia da Palavra não tem limites.
padreJaldemir Vitório

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Nós somos o grande campo no qual a Palavra de Deus é semeada, nós, nossa família, nossa cidade, a sociedade que organizamos, o mundo em geral. Deus fala a este mundo constantemente e de diversas maneiras. Uns escutam e outros não.
A uns é dado escutar e outros não querem ouvir. Quem recebe a graça de ouvir e praticar a Palavra de Deus não se sente privilegiado e sim responsável pelos outros. Faz-se presente na beira do caminho, na terra pedregosa, no meio dos espinhos para que ninguém se perca.
Mt. 13,1-23 – Jesus saiu de casa e foi se sentar à beira-mar. Muita gente se reuniu em torno d’Ele. Então Ele foi se sentar num barco e de lá começou a falar ao povo que ficou na praia. Contou a história do semeador que estava trabalhando, jogando sementes na terra. Uma parte caiu na beira do caminho. Outras sementes caíram em terreno com muita pedra ou cheio de espinhos, e o resto caiu em terra boa. Os passarinhos comeram as sementes que estavam na beira do caminho, o sol queimou as que brotaram no terreno pedregoso. Elas não tinham raiz.
Os espinhos sufocaram as plantas que cresceram, e as que caíram em terra boa deram frutos. Uma deu 100, outra, 60, e outra, 30 frutos. Não foi tudo igual, mas houve uma boa colheita. Assim acontece conosco. Você ouve a Palavra e não a compreende. O maligno vem e a tira do seu coração. Ou você recebe a Palavra com alegria, mas sua firmeza não é permanente. Você desiste diante da primeira dificuldade. Ou você vive sufocado pelas preocupações deste mundo e pela ilusão da riqueza. A Palavra se sufoca em você e não produz fruto. Mas, você também pode ouvir a Palavra, compreendê-la e pô-la em prática produzindo frutos.
Jesus não fala em parábolas para os discípulos porque aos discípulos foi concedido conhecer os mistérios do Reino de Deus. Esta parábola contém uma crítica a quem não quer ouvi-lo. Em geral, as parábolas são logo entendidas por quem se sente atingido por elas. O evangelista São Mateus está criticando o povo do seu tempo, que não quis ouvir a Palavra de Jesus, e ao mesmo tempo está alertando as pessoas de todos os tempos para aquilo que as impede de aceitar Jesus e o seu Reino, como a não atenção à Palavra, o entusiasmo superficial, as ambições ilusórias. Quando Jesus diz que “o coração deste povo se tornou insensível”, a afirmação vale para todos os povos. Mas, no meio de todos os povos, há quem vê e quem ouve!
Is. 55,10-11 – Não pensemos, porém, que a Palavra de Deus se perde. Ele produzirá seu fruto no devido tempo porque a Palavra que sai da boca de Deus não volta a Ele vazia. A Palavra paira em cima do mundo e de cada pessoa, até ser ouvida.
Sl. 64 (65) – Deus faz a sua parte para que haja frutos abundantes e muita colheita em nossa terra. Por onde Ele passa há fartura e cantos de alegria.
Rm. 8,18-23 – Semear a semente em terra boa, cuidar de seu desenvolvimento e colher os frutos com cuidado, tudo isso supõe esforço, suor, sofrimento. O suor custa mais do que a lágrima. Lamentar-se é mais fácil do que enfrentar uma situação e assumir as consequências da atitude tomada. Não há, porém, comparação entre os sofrimentos desta vida e a glória que deve ser revelada em nós.
cônego Celso Pedro da Silva

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Dar frutos significa acolher a palavra
Esta parábola do semeador que semeia a semente em terrenos diversos, inicia uma série de sete parábolas de Jesus. Mateus reuniu-as na forma de um discurso de Jesus, esclarecedor do mistério do Reino dos Céus. A parábola, pela simplicidade das imagens a que recorre, é uma forma literária eficiente para a compreensão das palavras de Jesus. São também sugestivas para moverem os ouvintes a se comprometer com o Reino que lhes é revelado através destas palavras. É a palavra do Pai que é comunicada e não volta sem produzir frutos. Na parábola de hoje relacionam-se o semeador, a semente, e os diferentes tipos de terrenos. Facilmente se compreende que os tipos de terrenos correspondem às diversas maneiras como a semente (a palavra de Jesus) é recebida. Depois da narrativa da parábola, Mateus apresenta o porque falar em parábolas.
Diante da simplicidade da parábola e de sua compreensão, a explicação do porque da parábola deixa certa perplexidade. Mateus ainda apresenta um rígido e discriminatório texto atribuído ao profeta Isaías. É apresentado como desígnio divino que uns acolham a palavra de Jesus e outros não. O recurso ao juízo divino excludente e condenatório é uma característica comum no Primeiro Testamento, e não corresponde à índole de Jesus. Tal compreensão reflete a tradição do evangelista e não o sentimento de Jesus. Em seguida, é feita a explicação em detalhes do significado da parábola. Os terrenos em que as sementes caíram podem indicar tanto as várias disposições com que cada um recebe a palavra, como os vários comportamentos assumidos pelos membros da comunidade.
Dar frutos significa acolher a palavra com interesse e carinho e colocá-la em prática, como as aranhas com os fios de suas teias, tecendo laços humanos de fraternidade, de amor e misericórdia, de partilha e solidariedade, construindo a Paz do Reino neste mundo, como antecipação das promessas de um mundo futuro.
José Raimundo Oliva

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Saiu o semeador a semear
O Verbo de Deus se fez homem. É o mistério da Encarnação, que uniu o céu com a terra e fez Deus ficar mais perto de nós. Em Cristo, Deus é um de nós. Representante legítimo do gênero humano. Porém, é preciso lembrar que Ele se fez homem dentro de um determinado povo, numa cultura determinada, falando uma determinada língua, e espelhando os costumes de sua gente. Como declara São Mateus no primeiro versículo do primeiro capítulo de seu Evangelho: "Lista genealógica de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão". Mas, evidentemente, Jesus é a expressão mais pura de tudo o que há de melhor no seu povo. Seu espírito é aberto para a contemplação da natureza. E, como seu grande antepassado Salomão - que ficou como protótipo da sabedoria antiga -usa nos seus discursos a elegante arte das parábolas. De Salomão se dizia que havia pronunciado três mil parábolas. De Jesus não se diz quantas; mas se afirma que era esse o seu modo habitual de falar: "Nada Ihes falava senão em parábolas" (Mc. 4,34).
Na missa dominical de hoje - décimo quinto domingo do Tempo Comum - ressoa em nossas igrejas uma das parábolas mais conhecidas: a do semeador que saiu a semear a sua semente. Jesus a pronunciou de dentro de um barco - símbolo da nau da Igreja, de dentro da qual a palavra vai ser anunciada ao longo dos séculos. Falou para a multidão reunida à beira do lago de Genesaré. É uma lição definitiva sobre como nos comportarmos diante da palavra de Deus.
Jesus fala do semeador como era no seu tempo. Não havia então as técnicas agrícolas de hoje, nem as máquinas para preparar o solo, nem os fertilizantes para melhorar - lhe a qualidade. Era uma agricultura mais primitiva e mais espontânea, marcada como que por uma suave poesia de contato mais direto com a natureza. O semeador ia atirando à terra a semente, e os grãos iam caindo desordenadamente nos vários tipos de terreno que iam encontrando. Como foi enumerando Jesus, com toda a vivacidade própria de sua palavra.
Uma primeira parte da semente - disse Ele - caiu ao longo do caminho que atravessava o terreno; e os pássaros, sempre presentes, não deram nem tempo de os grãos penetrarem na terra; comeram-nos avidamente. Outra parte de grãos caiu em terreno pedregoso. Como não havia muita terra para enfrentar, os grãos brotaram logo; porém, mal se levantou o sol, como não tinham raízes, logo murcharam e secaram. Outros grãos caíram entre os espinhos. Os grãos germinaram, mas os espinhos logo cresceram e os sufocaram. Finalmente outros grãos caíram em terra boa. E brotaram, e cresceram, e deram fruto: cem, sessenta, trinta por um (cf. Mt 13,1-8).
Tenho a impressão de estar vendo o povo atento às palavras do Mestre. Mas muita gente não ouviu direito, ou ouviu e não quis entender. Já o profeta Isaías - Jesus o lembrou expressamente, comentando com os discípulos - havia predito a atitude desses corações indispostos. E o Divino Mestre disse estas consoladoras palavras ao grupo privilegiado dos discípulos: "Felizes os vossos olhos que vêem e os vossos ouvidos que ouvem. Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo e não o viram, e ouvir o que estais ouvindo e não o ouviram" (Ibid., 15s). E Ihes explicou ponto por ponto a parábola.
E foi esta a explicação: 0 caminho no qual caíram as sementes e vieram os passarinhos e as comeram, significa os que têm coração desatento e de má vontade. Ouvem a palavra, mas vem o demônio e a arrebata do seu coração. O terreno pedregoso representa os que ouvem a palavra apenas superficialmente. Podem até emocionar-se; mas diante da primeira tribulação logo abandonam o que tinham aprendido. O terreno com espinhos representa os corações cheios de cuidados mundanos e do fascínio das riquezas, que sufocam a palavra que ia germinando. Finalmente a terra boa na qual cai a semente significa os que ouvem a palavra de Deus e dão fruto: cem, sessenta, trinta por um (cf. ibid., 18-23).
É interessante notar que Marcos assinala estes frutos em ordem crescente: trinta, sessenta e cem por um. O que ilumina o final da parábola com uma luz de maior otimismo. Um convite à esperança. Como deve ser a atitude de todo aquele que ouve a palavra de Deus.
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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A liturgia do 15º domingo do tempo comum convida-nos a tomar consciência da importância da Palavra de Deus e da centralidade que ela deve assumir na vida dos crentes.
A primeira leitura garante-nos que a Palavra de Deus é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. Ela dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. É sempre eficaz e produz sempre efeito, embora não atue sempre de acordo com os nossos interesses e critérios.
O Evangelho propõe-nos, em primeiro lugar, uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e exorta-nos a ser uma “boa terra”, disponível para escutar as propostas de Jesus, para as acolher e para deixar que elas dêem abundantes frutos na nossa vida de cada dia. Garante-nos também que o “Reino” proposto por Jesus será uma realidade imparável, onde se manifestará em todo o seu esplendor e fecundidade a vida de Deus.
A segunda leitura apresenta uma temática (a solidariedade entre o homem e o resto da criação) que, à primeira vista, não está relacionada com o tema deste domingo – a Palavra de Deus. Podemos, no entanto, dizer que a Palavra de Deus é que fornece os critérios para que o homem possa viver “segundo o Espírito” e para que ele possa construir o “novo céu e a nova terra” com que sonhamos.
1ª leitura – Is. 55,10-11 – AMBIENTE
O Deutero-Isaías, autor deste texto, é um profeta que exerce a sua missão entre os exilados da Babilônia, procurando consolar e manter acesa a esperança no meio de um povo amargurado, desiludido e decepcionado. Os capítulos que recolhem a sua mensagem (Is 40-55) chamam-se, por isso, “livro da Consolação”.
Na primeira parte desse livro (cf. Is. 40-48), o profeta anuncia aos exilados a libertação do cativeiro e um “novo êxodo” do Povo de Deus rumo à Terra Prometida; na segunda parte (cf. Is 49-55), o profeta fala da reconstrução e da restauração de Jerusalém.
Estes três versículos que a primeira leitura de hoje nos propõem aparecem no final do “Livro da Consolação”. Depois de convidar o Povo (que ainda está na Babilônia) a buscar e invocar o Senhor (cf. Is. 55,6-9), o profeta relembra a eficácia da Palavra de Deus que acabou de ser proclamada aos exilados (cf. Is. 55,10-11).
Estamos na fase final do Exílio (à volta de 550/540 a.C.). A comunidade exilada está farta de belas palavras e de promessas de libertação que tardam a concretizar-se… A impaciência, a dúvida, o cepticismo vão minando lentamente a resistência e a fé dos exilados… Será que as promessas de Deus se concretizarão? Deus não está a ser demasiado lento, em relação a algo que exige uma intervenção imediata? Deus ter-se-á esquecido da situação do seu Povo?
MENSAGEM
Não – diz o profeta – Deus não se esqueceu do seu Povo. A sua Palavra não deixará de se concretizar, pois Deus é eternamente fiel às suas promessas. A Palavra de Deus é eficaz, transformadora, geradora de vida. Ela nunca falha.
Para expressar a idéia da eficácia da Palavra de Deus, o profeta utiliza o exemplo da chuva e da neve: assim como a chuva e a neve que descem do céu fecundam a terra e multiplicam a vida nos campos, assim a Palavra de Jahwéh não deixará de se concretizar e de criar vida plena para o Povo de Deus.
A imagem é extremamente sugestiva. Devia lembrar aos judeus exilados na Babilônia as chuvas que caem no norte de Israel e as neves do monte Hermon. Essa água caída do céu alimenta o rio Jordão; e este, por sua vez, corre por toda a terra de Israel, deixando um rasto de vida e de fecundidade.
A Palavra de Deus é como essa água bendita caída do céu que, inevitavelmente, gera essa vida que alimenta o Povo de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Quando escutamos a Palavra de Deus, sentimo-nos confiantes, otimistas, com o coração a transbordar de esperança; sentimos que o caminho que Deus nos indica é, efetivamente, um caminho de felicidade e de vida plena… “Que bom é estarmos aqui” – dizemos… Depois, voltamos à nossa vida do dia a dia e reencontramos a monotonia, os problemas, o desencanto; constatamos que os maus, os corruptos, os violentos, parecem triunfar sempre e nunca são castigados pelo seu egoísmo e prepotência, enquanto que os bons, os justos, os humildes, os pacíficos são continuamente vencidos, magoados, humilhados… Então perguntamos: podemos confiar nas promessas de Deus? Não estaremos a ser enganados? A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde a estas dúvidas. Ela garante-nos: a Palavra de Deus não falha; ela indica sempre caminhos de vida plena, de vida verdadeira, de liberdade, de felicidade, de paz sem fim.
• A Palavra de Deus não poderá ser uma espécie de ópio do Povo, no sentido de que projeta em Deus as esperanças e os sonhos que nos competem a nós concretizar? Atenção: é preciso estarmos bem conscientes de que Deus não prescinde de nós para atuar na história humana… A sua Palavra dá-nos esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e dá-nos o ânimo para intervirmos no mundo. A Palavra de Deus não só não adormece a nossa vontade de agir, mas revela-nos os projetos de Deus para o mundo e para os homens e convida-nos ao compromisso com a transformação e a renovação do mundo.
• Vivemos na era do relógio. “Tempo é dinheiro” – dizemos. Passamos a vida numa correria louca, contando os minutos, sem tempo para as pessoas, sem tempo para Deus, sem tempo para nós. Tornamo-nos impacientes e exigentes; achamos que ser eficiente é ter feito ontem aquilo que é pedido para hoje… E achamos que Deus também deve seguir os nossos ritmos. Queremos que Ele aja imediatamente, que nos resolva logo os problemas, que atue de imediato, ao sabor dos nossos desejos e projetos. É preciso, no entanto, aprender a respeitar o ritmo de Deus, o tempo de Deus. Não nos basta saber que a Palavra de Deus é sempre eficaz (embora não tenha os nossos prazos) e que não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a vontade de Deus, sem ter realizado a sua missão?
2ª leitura – Rom 8,18-23 – AMBIENTE
Paulo continua a oferecer-nos a sua catequese sobre o caminho que é preciso seguir para se poder acolher a salvação que Deus oferece. A salvação é um dom de Deus, dom gratuito, que é fruto da bondade e do amor de Deus (cf. Rm. 3,1-5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rm. 5,12-8,39); e atua em nós pelo Espírito que Jesus derrama sobre aqueles que aderem ao seu projeto e entram na sua comunidade (cf. Rm. 8,1-39).
Nos versículos anteriores ao texto que hoje nos é proposto (cf. Rm. 8,1-17), Paulo mostrou aos crentes o exemplo de Cristo e convidou os cristãos a seguirem o mesmo percurso. De forma especial, disse-lhes que seguir o exemplo de Cristo implica deixar a vida “segundo a carne” (isto é, a vida do egoísmo, do orgulho, da auto-suficiência) e aderir à vida “segundo o Espírito” (isto é, a vida de escuta de Deus, de obediência aos projetos de Deus, de doação aos homens).
MENSAGEM
Na perspectiva de Paulo, o homem não é o único interessado na opção por uma vida “segundo o Espírito”: toda a criação está dependente das escolhas que o homem faz. O que é que isto significa?
Como resultado do pecado do homem, a criação inteira ficou submetida ao império do egoísmo e da desordem (cf. Gn. 3,17) e está condenada à finitude e à caducidade. Se o homem aderir a Cristo e passar a viver “segundo o Espírito”, superará o destino de maldição e de morte em que o pecado o tinha lançado; então, também o resto da criação será libertado e nascerá o novo céu e a nova terra. É o tema da solidariedade entre o homem, os outros animais e a natureza, tão enraizado na Bíblia (cf. Gn. 9,12-13; Col. 1,20; 2Pe. 3,13; Ap. 21,1-15).
Portanto, toda a criação aguarda ansiosamente que o homem escolha a vida “segundo o Espírito”. Até lá, vai nascendo – no meio da dificuldade e da dor – esse Homem Novo, bem como esse Novo Céu e Nova Terra com que todos sonhamos. Porquê na dificuldade e na dor? Porque a vida “segundo o Espírito” supõe a renúncia ao egoísmo, aos interesses mesquinhos, ao comodismo, ao orgulho e a opção por um caminho de entrega e de dom da própria vida a Deus e aos outros. Paulo utiliza até o exemplo das dores do parto, para iluminar a mensagem que pretende transmitir… O nascimento de uma criança dá-se sempre através da dor; no entanto, essa dor é o caminho obrigatório para o nascimento de uma nova vida.
De resto, vale a pena viver “segundo o Espírito”. Os “padecimentos”, as renúncias, as dificuldades, não são nada, em comparação com a felicidade sem fim que espera os crentes no final do caminho.
ATUALIZAÇÃO
• Antes de mais, Paulo exorta os crentes a decidirem-se por uma vida “segundo o Espírito”. Essa opção terá uma dimensão cósmica e afetará a relação do homem com os outros homens e com toda a criação. Uma vida conduzida de acordo com critérios de egoísmo, de orgulho, de auto-suficiência, de pecado, gera escravidão, injustiça, arbitrariedade, morte, sofrimento, que se refletem na vida de todos os outros seres criados e criam desequilíbrios que desfeiam este mundo que Deus quis “bom”… Ao contrário, uma vida conduzida de acordo com os critérios de Deus gera respeito, amor, solidariedade, que se refletem na vida dos outros seres criados e criam harmonia, equilíbrio, bem-estar, felicidade. Tenho consciência de que as minhas opções afetam os outros meus irmãos, bem como o mundo que me rodeia? Tenho consciência de que o mundo será melhor ou pior, de acordo com as opções que eu fizer?
• No nosso tempo manifesta-se, cada vez mais, uma preocupação séria com a forma como usamos o mundo que Deus nos ofereceu. O homem de hoje já descobriu que a criação não é para ser explorada, violentada, usada de acordo com critérios de egoísmo e de exploração. Aquilo que nos deve mover, no entanto, não é a simples preocupação com o esgotamento dos recursos, ou com a destruição das condições de habitabilidade do nosso planeta; mas o que nos deve mover é a idéia da fraternidade que deve unir o homem e as outras coisas criadas por Deus. Só quando se instalar essa consciência de fraternidade, podemos libertar toda a criação do egoísmo e da exploração em que o homem a encerrou e fazer aparecer o “novo céu e a nova terra”.
• Muitas vezes sentimo-nos confusos com certas novidades que nos desconcertam e que parecem pôr em causa os velhos esquemas sobre os quais o mundo se tem edificado. Criticamos os mais jovens pela sua ousadia, pelos seus valores, pelas suas preocupações, pela sua visão do mundo… Não sabemos para onde vamos e parece que nada faz sentido… Sentimo-nos abalados e inseguros; lamentamo-nos porque tudo parece ir de mal a pior e não sabemos “onde isto vai parar”. Não é possível que, em muitos casos, a nossa rigidez esconda o comodismo, a instalação, o aburguesamento de quem tem medo da novidade?
• Aconteça o que acontecer, somos convidados a olhar para o futuro do mundo e da humanidade com os óculos da esperança. Não caminhamos para o holocausto, para a destruição, para o nada, mas para o “novo céu e a nova terra”, que já estão em gérmen presentes na nossa história e que, cada dia, se manifestam um pouco mais.
• Atenção: esse “novo céu e nova terra” não podem ser projetados para um futuro ideal, no céu… Eles estão já a construir-se na terra, na nossa história, sempre que os seguidores de Jesus aceitam o seu convite e se dispõem a viver “segundo o Espírito”.
Evangelho – Mt. 13,1-23 - AMBIENTE
Hoje e nos próximos dois domingos, o Evangelho apresenta-nos parábolas de Jesus. A “parábola” é uma imagem ou comparação, através da qual se ilustra uma determinada mensagem ou ensinamento.
A linguagem parabólica não foi inventada por Jesus. É uma linguagem habitual na literatura dos povos do Médio Oriente: o gênio oriental gosta mais de falar e de instruir através de imagens, de comparações e de alegorias, do que através dos discursos lógicos, frios e racionais, típicos da civilização ocidental.
A linguagem parabólica tem várias vantagens em relação a um discurso mais lógico e impositivo. Em primeiro lugar, porque a imagem ou comparação que caracteriza a linguagem parabólica é muito mais rica em força de comunicação e em poder de evocação, do que a simples exposição teórica: é mais profunda, mais carregada de sentido, mais evocadora e, por isso, mexe mais com os ouvintes. Em segundo lugar, porque é uma excelente arma de controvérsia: a linguagem figurada permite levar o interlocutor a admitir certos pontos que, de outro modo, nunca mereceriam a sua concordância. Em terceiro lugar, porque é um verdadeiro método pedagógico, que ensina as pessoas a refletir, a medir os prós e os contras, a encontrar soluções para os dilemas que a vida põe: espicaça a curiosidade, incita à busca, convida a descobrir a verdade.
No capítulo 13 do seu Evangelho, Mateus apresenta-nos sete parábolas, através das quais Jesus revela aos discípulos a realidade do “Reino”: são as “parábolas do Reino”.
Dessas sete parábolas, três procedem da tradição sinóptica (o semeador, o grão de mostarda, o fermento); as outras quatro (o trigo e o joio, o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede) não se encontram nem em Marcos, nem em Lucas. Provavelmente, são originárias da antiga fonte dos “ditos” de Jesus, que Mateus usou abundantemente na composição do seu Evangelho.
A preocupação do evangelista Mateus é sempre a vida da sua comunidade. Nestas sete parábolas e na interpretação que as acompanha, percebe-se a preocupação de um pastor que procura exortar, animar, ensinar e fortalecer a fé desses crentes a quem o Evangelho se destina.
MENSAGEM
A parábola que hoje nos é proposta – a do semeador e da semente – é uma das mais conhecidas e emblemáticas das parábolas de Jesus. No entanto, o texto do Evangelho de hoje vai um pouco mais além da parábola em si… Apresenta três partes: a parábola (vs. 1-9), um conjunto de “ditos” sobre a função das parábolas (vs. 10-17) e a explicação da parábola (vs. 18-23).
Na primeira parte temos, pois, a parábola propriamente dita (vs. 1-9). O quadro apresentado supõe as técnicas agrícolas usadas na Palestina de então: primeiro, o agricultor lançava a semente à terra; depois, é que passava a arar o terreno. Assim compreende-se porque é que uma parte da semente pôde cair “à beira do caminho”, outra em “sítios pedregosos onde não havia muita terra” e outra “entre os espinhos”.
Evidentemente, as diferenças do terreno significam, nesta “comparação”, as diferentes formas como é acolhida a semente. No entanto, nem sequer é isso que é mais significativo: o que aqui é verdadeiramente significativo é a quantidade espantosa de frutos que a semente lançada na “boa terra” produz… Tendo em conta que, na época, uma colheita de sete por um era considerada farta, os cem, sessenta e trinta por um deviam parecer aos ouvintes de Jesus algo de surpreendente, de exagerado, de milagroso…
Mateus coloca esta parábola num contexto em que a proposta de Jesus parece condenada ao malogro. As cidades do lago (Corozaim, Betsaida, Cafarnaum) tinham rejeitado a sua pregação (cf. Mt. 11,20-24); os fariseus atacavam-no por Ele não respeitar o sábado e queriam matá-l’O (cf. Mt 12,1-14); acusavam-n’O, além disso, de agir, não pelo poder de Deus, mas pelo poder de Belzebu, príncipe dos demônios (cf. Mt. 12,22-29); não acreditavam nas suas palavras e exigiam d’Ele “sinais” (cf. Mt. 12,38-45). O “Reino” anunciado sofria grande contestação e parecia, pois, encaminhar-se para um rotundo fracasso…
É muito possível que esta parábola tenha sido apresentada por Jesus neste contexto de “crise”. Àqueles que manifestavam desânimo e desconfiança em relação ao êxito do projeto do “Reino”, Jesus fala de um resultado final grandioso. Com esta parábola, Jesus diz aos discípulos desiludidos: “coragem! Não desanimeis, pois apesar do aparente fracasso, o ‘Reino’ é uma realidade imparável; e o resultado final será algo de surpreendente, de maravilhoso, de inimaginável”.
Na segunda parte temos uma reflexão sobre a função das parábolas (vs. 10-17). O ponto de partida é uma questão posta pelos discípulos: porque é que Jesus fala em parábolas?
Mateus vê nas parábolas a ocasião para que apareçam, com nitidez, o acolhimento e a recusa da mensagem proposta por Jesus. Que quer isto dizer?
As parábolas apresentam a proposta do “Reino” numa linguagem sugestiva, rica, clara, concreta, questionante, interpeladora… Tornam tudo claro e evidente para os ouvintes; por isso, após escutar a mensagem apresentada nas parábolas, só não aceita a mensagem quem tiver o coração endurecido e não estiver mesmo interessado na proposta. As parábolas são, portanto, o fator decisivo: propõem clara e inequivocamente a realidade do “Reino”. Quem acolher essa mensagem, receberá mais e “terá em abundância” (quer dizer, irá entrando, cada vez mais, na dinâmica do “Reino”); mas quem não a acolher (apesar da clareza e da acessibilidade da mensagem), está a rejeitar o “Reino” e a possibilidade de integrar a comunidade da salvação. Nos que rejeitam a proposta de Jesus, cumpre-se a profecia de Isaías: o profeta fala de um povo de coração endurecido, que quanto mais ouve a pregação profética, mais se irrita, agravando cada vez mais a sua culpa (cf. Is 6,9-10).
Os discípulos são aqueles que escutam a proposta do “Reino” e estão dispostos a acolhê-la. Eles compreendem, portanto, as parábolas e aceitam a realidade que elas propõem. Eles são “felizes”, porque abriram o coração às propostas de Jesus, escutaram as suas palavras, viram e entenderam os seus gestos e sinais; são “felizes” porque (ao contrário daqueles que endureceram o coração e fecharam os ouvidos à proposta de Jesus) já integram o “Reino”.
Na terceira parte, temos a explicação da parábola (vs. 18-23). Alguns indícios presentes no texto levam a pensar que esta explicação não fazia parte da parábola original, mas é uma adaptação posterior, que aplica a parábola à vida dos cristãos.
A explicação desloca, de forma evidente, o “centro de interesse”. Nessa explicação, a parábola deixa de ser uma apresentação da forma grandiosa como o “Reino” se vai manifestar, para passar a ser uma reflexão sobre as diversas atitudes com que a comunidade acolhe a Palavra de Jesus (na verdade, é essa a grande preocupação das comunidades cristãs).
Na perspectiva dos catequistas que prepararam esta aplicação da parábola, o acolhimento do Evangelho não depende, nem da semente, nem de quem semeia; mas depende da qualidade da terra.
Diante da Palavra de Jesus, há várias atitudes… Há aqueles que têm um coração duro como o chão de terra batida dos caminhos: a Palavra de Jesus não poderá penetrar nessa terra e dar fruto. Há aqueles que têm um coração inconstante, capaz de se entusiasmar instantaneamente, mas também de desanimar perante as primeiras dificuldades: a Palavra de Jesus não pode aí criar raízes. Há aqueles que têm um coração materialista, que dá sempre prioridade à riqueza e aos bens deste mundo: a Palavra de Jesus é aí facilmente sufocada por esses outros interesses dominantes. Há também aqueles que têm um coração disponível e bom, aberto aos desafios de Deus: a Palavra de Jesus é aí acolhida e dá muito fruto. Os verdadeiros discípulos (a “boa terra”) identificam-se com aqueles que escutam as parábolas, as entendem e acolhem a proposta do “Reino”.
Temos aqui, portanto, uma exortação aos cristãos no sentido de acolherem a Palavra de Jesus, sem deixarem que as dificuldades, os acidentes da vida, os outros valores a afoguem e a tornem uma semente estéril, sem vida.
ATUALIZAÇÃO
• No seu “estado atual”, a parábola do semeador e da semente é, sobretudo, um convite a refletir sobre a importância e o significado da Palavra de Jesus. É verdade que, nas nossas comunidades cristãs, a Palavra de Jesus é a referência fundamental, à volta do qual se constrói a vida da comunidade e dos crentes? Temos consciência de que é a Palavra anunciada, proclamada, meditada, partilhada, celebrada, que cria a comunidade e que a alimenta no dia a dia?
• A semente que caiu em terrenos duros, de terra batida, faz-nos pensar em corações insensíveis, egoístas, orgulhosos, onde não há lugar para a Palavra de Jesus e para os valores do “Reino”. É a realidade de tantos homens e mulheres que vêem no Evangelho um caminho para fracos e vencidos, e que preferem um caminho de independência e de auto-suficiência, à margem de Deus e das suas propostas. Este caminho de orgulho e de auto-suficiência alguma vez foi “o meu caminho”?
• A semente que caiu em sítios pedregosos, que brota nessa pequena camada de terra que aí há, mas que morre rapidamente por falta de raízes profundas, faz-nos pensar em corações inconstantes, capazes de se entusiasmarem com o “Reino”, mas incapazes de suportarem as contrariedades, as dificuldades, as perseguições. É a realidade de tantos homens e mulheres que vêem em Jesus uma verdadeira proposta de salvação e que a ela aderem, mas que rapidamente perdem a coragem e entram num jogo de cedências e de meias tintas quando são confrontados com a radicalidade do Evangelho. A Palavra de Deus é, para mim, uma realidade que eu levo a sério, ou algo que eu deixo cair quando me dá jeito?
• A semente que caiu entre os espinhos e que foi sufocada por eles, faz-nos pensar em corações materialistas, comodistas, instalados, para quem a proposta do “Reino” não é a prioridade fundamental. É a realidade de tantos homens e mulheres que, sem rejeitarem a proposta de Jesus (muitas vezes são “muito religiosos” e têm “a sua fé”) fazem do dinheiro, do poder, da fama, do êxito profissional ou social o verdadeiro Deus a que tudo sacrificam. As propostas de Jesus são a referência fundamental à volta da qual a minha vida se constrói, ou deixo que outros interesses e valores sufoquem os valores do Evangelho?
• A semente que caiu em boa terra e que deu fruto abundante faz-nos pensar em corações sensíveis e bons, capazes de aderirem às propostas de Jesus e de embarcarem na aventura do “Reino”. É a realidade de tantos homens e mulheres que encontraram na proposta de Jesus um caminho de libertação e de vida plena e que, como Jesus, aceitam fazer da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos homens. Este é o quadro ideal do verdadeiro discípulo; e é esta a proposta que o Evangelho de hoje me faz.
• A parábola, na sua forma original (vs. 1-9) refere-se à inevitável erupção do “Reino”, à sua força e aos resultados maravilhosos que o “Reino” alcançará… Com frequência, olhamos o mundo que nos rodeia e ficamos desanimados com o materialismo, a futilidade, os falsos valores que marcam a vida de muitos homens e mulheres do nosso tempo. Perguntamo-nos se vale a pena anunciar a proposta libertadora de Jesus num mundo que vive obcecado com as riquezas, com os prazeres, com os valores materiais… O Evangelho de hoje responde: “coragem! Não desanimeis pois, apesar do aparente fracasso, o ‘Reino’ é uma realidade imparável; e o resultado final será algo de surpreendente, de maravilhoso, de inimaginável”.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
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“Saiu o semeador a semear” Mt. 13,3
A sementeira e a espera
Quando abandonamos a rapidez das auto-estradas e passeamos um pouco pelos campos cultivados, por exemplo, da belíssima região do Oeste de Lisboa, compreendemos melhor o que significa semear e cultivar. Acima de tudo é sinal de muito trabalho e de muita espera, de muita canseira e de muita confiança. Semear é um ato de esperança radical: escolher a semente e preparar o campo é trabalho nosso, mas o tempo favorável e a qualidade da semente não dependem de nós. São surpresa e segredo que se colocam nas mãos de Deus. Mas há horas bem dolorosas: por entre intempéries e adversidades, quantas vezes uma belíssima produção não chega aos mercados pelas conjunturas econômicas ou pela força de uma notícia mal fundamentada?
Semear é um ato de generosidade. Desprender-se das sementes para que elas cumpram a sua vocação de multiplicar vida comporta uma certa dor. Mas é uma dor que traz felicidade; abre-nos e projeta-nos mais além. O semeador do evangelho não se preocupa muito com o terreno em que é lançada a semente. Era hábito revolver a terra só depois da sementeira. Mas ressalta nele esta imensa alegria em semear por todo o lado, pouco preocupado com a eficácia da sementeira e mais confiado na força da semente. É a mesma força que tem a palavra de Deus anunciada por Jesus e semeada na terra das nossas vidas. Ainda que demore a dar fruto, Deus é o semeador paciente que não se cansa de esperar!
Chocou-me a notícia de que a “nova” princesa do Mônaco, para casar com o príncipe Alberto, teve de “converter-se” do protestantismo ao catolicismo, para além do “contrato matrimonial “que a obriga a manter o casamento pelo menos durante cinco anos e ainda a dar um herdeiro varão ao marido”. “Coisa de príncipes” mas tão parecido com alguns casos de quem é batizado “à pressa” para casar na igreja! A pressa e a obrigação são contrárias à espera e ao amadurecimento, privilegiam o parecer e desvalorizam o ser. Mas não é isso também revelador deste tempo em que se deseja colher sem semear, mostrar resultados sem fundamentar escolhas, viver o imediato sem construir futuro?
Há um diálogo silencioso entre o agricultor, a semente e a terra. Feito de cumplicidade e aliança. Como deve ser o nosso diálogo com Deus e com a vida. Se Ele nos confia sementes e a terra dos nossos dias é porque nos ama. É no seu amor paciente e constante que alimentamos a generosidade de nos darmos a nós mesmos e dar Jesus como feliz Boa Nova. Sem nos entristecermos pelos frutos que ainda não vieram. Alguns já nasceram onde menos esperamos. Outros virão a seu tempo. O que nos é pedido é a alegria de semear!
padre Vítor Gonçalves - Voz da verdade
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O Evangelho dá-nos a parábola do semeador (Mt. 13,1-9). Começo por recordar que, na Palestina daquele tempo, o semeador lançava a semente e só depois lavrava a terra. Daí que algumas sementes caíssem sobre caminhos, outras no meio de pedras, outras entre espinhos, outras enfim em terra boa. Os comentadores recentes acham que a primeira intenção da parábola é sublinhar que a atividade do homem choca quase sempre com obstáculos, mas é preciso não desistir: só assim se consegue a colheita. Do mesmo modo, a palavra tem de ser semeada. Se vai dar fruto ou não, qual a qualidade desse fruto – são meditações que não podem deter o pregador nem diminuir o seu empenho.
A primeira leitura parece dizer que o próprio Deus tem este tipo de paciência: não corta conosco quando Lhe fugimos, tem esperança de que a sua palavra acabe por produzir efeito, realize a sua missão (Is. 55,10-11).
É curioso que, apesar desta lucidez da Bíblia, que nunca ignorou os obstáculos, a tradição cristã sonhou demasiadas vezes com um “paraíso térreas” onde não houvesse dificuldades nem perigos, tudo estivesse de antemão resolvido, como num jardim-de-infância ideal. É verdade que o cristianismo fala da vida eterna, onde o mal será superado; mas a vida eterna não será o “eterno descanso”, será a participação da própria vida de Deus. A vida na terra é feita de trabalho e de luta.
Mesmo quando aceitou pensar nos obstáculos, a tradição cristã tentou muitas vezes minimizá-los à custa da “explicação”. Toda a gente conhece – e toda a gente foge delas como o diabo da cruz – aquelas pessoas que, ao visitarem um doente ou ao fazerem uma visita de pêsames, supõem fazer uma obra boa “explicando” que tudo aconteceu para o maior bem das almas ou pelos secretos desígnios de Deus. Mais geralmente, os cristãos têm gasto muito tempo e muita energia a “explicar” por que é que Deus permite o mal no mundo. Para aperfeiçoar os bons, por castigo do pecado de Adão e Eva, porque o sofrimento é a moeda para comprar a salvação.
Os textos mais importantes da Bíblia fogem a esta tentação.
O livro de Job imagina a história dum homem que era bom e feliz, sobre quem desabam um dia todas as desgraças. Num primeiro momento, ele aceita sem discutir. Tinha-se habituado a pensar que importa viver na retidão, aceitando as alegrias e as dores na fidelidade a Deus. Depois, vêm os amigos e lançam-no na perturbação. Eles dizem que o que lhe está a acontecer é sinal de que na sua vida há muitos crimes ocultos; pois Deus premeia os justos e castiga os pecadores. Job ousa afirmar que, mesmo sem ser santo, tem menos pecados que a maioria dos homens. Mas eles insistem, e Job entra na revolta: se Deus castiga os seus pecados vulgares e deixa em paz os grandes pecadores, é injusto. Na sua amargura, diz coisas inconsideradas e desafia Deus a que lhe apareça e lhe explique o que quer dele. Finalmente, Deus revela-se e a sua palavra espanta todos. Diz aos amigos de Job que eles são estúpidos e maus. Reconhece que Job tem sido um homem muito bom e “finge que não ouviu”as inconveniências que ele acaba de proferir. Diz-lhe apenas que não vai explicar-lhe mais nada. Aquilo que gosta de ver é que cada homem seja fiel, na alegria ou na dor – como Job tem sido – e não fuja para o atoleiro das “explicações”.
Nos Evangelhos, lemos que constantemente Jesus nos lembra que este mundo está sujeito ao mal, e nos envia a lutar contra o mal. Por qualquer razão, não se deteve a “explicar”. Ou melhor, só nos explicou uma coisa: que a única maneira de lutar contra o pecado é procurar viver no amor: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Não explicou mais, deu exemplo.
padre João Resina - A Palavra no Tempo II
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Semeadores semeados
Por mais que o Evangelho seja anunciado, e hoje nas mais variadas formas, podemos constatar que muitas pessoas não o escutam, nem o acolhem, inclusive, acreditam que a mensagem de Jesus seja algo ultrapassado. Talvez este fato possa até suscitar em alguns de nós o seguinte questionamento: se o Evangelho significa boa notícia e se todo o mundo gosta de uma boa notícia, por que ela não está tocando o coração das pessoas?
Em primeiro lugar, devemos admitir que este problema não é de hoje; já no tempo de Jesus e mesmo bem antes, oito séculos antes, como o próprio Jesus cita o profeta Isaías, já havia essa dureza, esse fechamento em não acolher a Palavra de Deus. No tempo de Jesus, isto tocava mais aos doutores da Lei, que o criticavam e o rejeitavam. Mas, enfim, o que pensar de tudo isso, desse relativismo e secularismo que envolve cada vez mais um grande número de pessoas que não dá crédito algum à Palavra de Jesus e quer fazer pensar que a religião está com os dias contados?
No evangelho de hoje, com a parábola do semeador que lança sementes nos mais diferentes terrenos, dando frutos em quantidades diferentes, Jesus quer opor-se a esta opinião e nos mostrar que tal conclusão está errada. Na parábola do semeador, cada um é capaz de entender de imediato que o sucesso ou não do plantio depende de maneira decisiva da qualidade do terreno em que a semente caiu. Quem tem ouvidos, ouça! Jesus convida os seus ouvintes a refletirem que não podem atribuir o sucesso limitado de sua missão a uma insuficiência da sua mensagem (semente), mas devem bater no peito e descobrir que a causa do possível fracasso está na sua carente disposição a acolher a Palavra.
A mensagem de Jesus é boa. Quando esta é bem acolhida, muda a vida de quem a ouviu de modo que se percebe a força e a bênção que essa provoca. Isto se entende melhor ainda quando vemos que o semeador joga as sementes em qualquer lugar, tanto sobre terrenos bons quanto lugares não apropriados para plantar. Ele simplesmente não faz distinção. Talvez com a esperança de que brote algo dali, como às vezes vemos uma bela planta brotar num terreno pedregoso e que persiste ali. Assim, lida do ponto de vista do semeador, a parábola aparece dirigida aos anunciadores do Evangelho. Não temos o direito de escolher onde lançar a semente e onde não. Nós anunciadores da Palavra de Deus, devemos plantar a semente sem fazer distinção de pessoas e esperar pelo tempo de Deus; porque ninguém pode prever o que acontecerá.
A figura do semeador aparece no início do Evangelho e somente no final: o verdadeiro protagonista da parábola é, na realidade, a semente que aparece do início até o fim. A situação suposta da parábola é aquela na qual pareça (veja a insistência sobre isto) que tudo vai se perder, que o mau êxito da Palavra seja total. Pelo contrário, afirma Jesus com a sua palavra, não é assim. É verdade que há os maus resultados, especialmente devido a não abertura à escuta da Palavra de Deus. Mas é certo também que o êxito existe e de acordo com o acolhimento que se dá a Palavra (trinta, sessenta ou cem). Portanto, uma lição de confiança.
Já na explicação dada por Jesus aos discípulos a atenção se concentra não mais sobre a semente, mas sobre os diferentes terrenos. O discurso não parece mais dirigido aos anunciadores do Evangelho, mas aqueles que o escutam e o acolhem. E a explicação se detém não tanto sobre o primeiro ou o quarto tipo de terreno. No primeiro porque a semente desaparece por completo e no outro porque o sucesso é garantido. A ênfase está no segundo e no terceiro tipo de terreno. E o motivo é claro. É exatamente nestes dois tipos de terrenos que são evidenciadas as razões históricas e concretas pelas quais muitos na comunidade desanimavam diante das exigências da Palavra de Deus. São as mesmas dificuldades de hoje: o medo diante do sofrimento ou da perseguição por causa da Palavra e, sobretudo o fascínio pelas riquezas e as preocupações do mundo.
“A pessoa que tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a pessoa que não tem será tirado até o pouco que tem”. Este provérbio da vida comercial no qual quem já tem algo merece crédito para receber mais e quem não tem a tendência é falir mostra que os que se abrem ao Reino, produzirão frutos sempre mais e em abundância, já os que se fecham perderão até aquilo que têm.
Mas enfim, como explicar que a Palavra de Deus seja realmente rejeitada por muitos? A resposta é verdadeiramente surpreendente: justamente por ser de Deus, deixa ao homem a liberdade de abrir-se ou de fechar-se. A Palavra de Deus tem uma sua fraqueza, que em realidade é a sua grandeza: o respeito pela liberdade do homem. Abramos o nosso coração à Palavra do Senhor.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento
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Que tipo de Igreja vai sobreviver?
Hoje em dia, muita gente pergunta: Será que a Igreja católica tem jeito? Diante de tantos escândalos, retrocessos, perdas, conflitos e perseguições, se pergunta pela eficácia da semente da Boa-Nova do Reino.
“Como a chuva que cai e rega a terra, assim a Palavra de Deus não volta sem produzir seu fruto”, responde o profeta Isaias. Uma leitura superficial do evangelho de hoje também poderia dar a impressão de aparente fracasso. A eficácia da semente está assegurada apenas por uma das partes. Três partes refletem que a semente caiu em terreno estéril: o caminho, a terra pedregosa e repleta de inço. As possíveis perdas são compensadas pela abundância da terra fértil. No subsolo das palavras da parábola, esconde-se uma realidade vivida pela comunidade cristã. Em meio às hostilidades, perseguições e deserções de muitos convertidos, a comunidade se pergunta pela eficácia da Boa-Nova do Reino. A missão da Igreja é semear, inserindo-se em todos os setores em que atuam as pessoas a ser aí fermento de transformação, apesar da incredulidade e das rejeições. A parábola do semeador é uma exortação à comunidade de fé, em vista de sua perseverança e do bom testemunho (da produtividade) dos convertidos ao seguimento de Jesus e à
proposta do Reino. Contudo, cada um e cada comunidade devem se perguntar que tipo de terreno são: beira de caminho, pedregoso, cheio de pestes daninhas ou terra boa? Para o papa Bento XVI,“é condição indispensável (para a Igreja missionária) o conhecimento profundo e vivencial da Palavra de Deus. Por isso, é necessário educar o povo na leitura e na meditação da Palavra: que ela se converta em seu alimento para que, por experiência própria, veja que as palavras de Jesus são
espírito e vida. É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a vida na rocha da Palavra de Deus” (Documento de Aparecida, 247)
Há pelo menos dois recados para nós, hoje, nesta parábola do semeador: O primeiro é semelhante ao que Jesus deu aos seus discípulos, faz mais de dois mil anos. Não sejam pessimistas, não desesperem. Deus pode parecer tardar um pouco, mas não falha. A sua promessa é certa. A sua Palavra vai se realizar. O seu reinado já começou e logo vai crescer e se afirmar. Tenham fé! Isso tem uma aplicação bem concreta em tudo o que vocês fazem! Vocês estão continuamente semeando. Por quê? Porque têm sonhos e ideais a realizar. Cuidem então das sementes, para que elas cresçam e dêem o fruto, o resultado que vocês esperam. Há um segundo recado específico para o cristão. Nós, geralmente, acreditamos pouco na força da Palavra e só nos preocupamos com o terreno, ou seja, conosco mesmos. Mas a semente brota pela sua força interior. O terreno é necessário, mas não seria fecundo sem a semente. Acreditem mais na Palavra de Deus! Deixem-na penetrar em seu coração! Acolham-na com carinho. Meditem-na! Façam com que ela inspire sua conduta, seu modo de agir. Que ela se torne realidade em sua vida. Deixem que ela os transforme e os guie. Deixem que ela reine em seus corações e o Reino de Deus terá chegado!
São Tiago (Tg. 1,24) comparava a Palavra de Deus a um espelho. Se alguém passa apressadamente na frente do espelho, nem lembrará os traços do seu rosto. Se quiser examinar o seu aspecto, deverá demorar um pouco diante do espelho. Assim é com a Palavra: devemos nos mirar nela e deixar que ela revele quem somos e nos ofereça a oportunidade de uma mudança, de uma "conversão". E não precisamos fazer isso apenas sozinhos, às escondidas. Podemos nos reunir no círculo bíblico, no grupo de oração, no encontro de reflexão, e nos ajudar mutuamente, uns aos outros, a reconhecer e a assimilar em nossa vida a Palavra de Deus.
Em relação a sobrevivência da Igreja católica (e também das outras) podemos resumir:
Uma Igreja que só olha para trás e namora com a idade média, com o tempo da reforma ou com o iluminismo não se salvará. Sobreviver só pode uma Igreja se ela se orienta em suas origens e se concentra em suas tarefas atuais. Uma Igreja patriarcal, autoritária, eurocêntrica, anti-ecumêncica e anti-conciliar é como a semente que cai em terra pedregosa. Em terra boa cai uma Igreja servidora, acolhedora, pobre, mas dialogante, parceira do povo em suas lutas pela paz, pela justiça, pela preservação da criação, pela igualdade da mulher, transparente e respeitoso.
Neste sentido, todos nós temos a semente na mão. Que Deus nós dá inteligência e paciência de semear para todo nosso esforço seja muito eficiente. Que assim seja! Amém.
Wolfgang Müller
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2 comentários:

  1. Ola !!! Gostaria de saber se alguem em em audio ou letra completa do cantigo, a letra é a seguinte:

    Saiu o semeador, semendo a sua semente, e na teŕra ela foi caindo, cada vez em solo diferente....

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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