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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ASSUNÇÃO

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
 SOLENIDADE

17 de Agosto de 2014
Ano A

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho - Lc 1,39-56

-ASSUNÇÃO DE MARIA-José Salviano


      Neste domingo a Igreja celebra uma das festas mais importantes e mais antiga da sua história, que é Assunção de Maria ao céu.
         Com alegria e toda devoção nós festejamos hoje a grande festa da Mãe de Jesus e nossa mãe. Maria, a jovem de Nazaré, que foi escolhida do Alto para gerar em seu corpo o Messias, o Salvador. A Assunção de Maria é uma verdade professada desde os primeiros séculos, tanto no Oriente como no Ocidente, foi proclamada dogma pelo papa Pio XII como verdade de fé no dia 1 de novembro de 1950 pela bula Manificentissimus Deus.  Leia mais
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“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE!” – Olívia Coutinho

DOMINGO - ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA.

17 de Agosto de 2014

Evangelho Lc 1, 39-56

Com muita alegria, celebramos hoje, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora!
É importante não confundirmos assunção, com ascensão. A "assunção" é  de Nossa Senhora, vem nos falar que a Mãe de Jesus, foi levada ao céu, ela não subiu por si mesma e sim, pelo poder de  Deus!  Enquanto que a "ascensão" é de Nosso Senhor Jesus Cristo, vem nos falar da sua  subida ao céu, Ele sim, por ser  o próprio Deus, subiu ao céu  pelo seu próprio poder!
 A solenidade  de hoje, nos convida a refletir, sobre o sentido da  nossa vida,  o para “quê” viemos ao mundo e como devemos conduzir a nossa vida. Maria, com o seu testemunho, nos ensina que só alcançaremos a nossa realização plena, se nos deixarmos conduzir pelo seu Filho Jesus realizando a  vontade de Deus!  Maria realizou a vontade de Deus, abriu mão de todos os  seus projetos pessoais, para viver  o projeto de Deus, que tem como  fundamento o amor!
 O evangelho deste domingo  nos apresenta  Maria como  modelo de vida cristã,  um modelo a ser seguido por todos nós! Nossa vida, se pautada no  exemplo desta grande mulher, com certeza, será uma vida fecunda!
Maria foi puro amor e doação, assim que ela recebeu o anuncio de que seria ela a mãe de Jesus, ficou sabendo  também da gravidez de sua prima Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela se põem  à caminho, indo ao auxílio de Isabel, que certamente necessitaria de maiores cuidados devido a sua idade avançada. Com este gesto abnegado de amor, Maria  nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando que o amor é mais do que sentimento, mais do que palavras: o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades, para poder ajudá-lo.
Subindo montanhas, levando Jesus em seu ventre, Maria  tornou-se  a  primeira discípula de Jesus!
 A narrativa nos fala de dois encontros marcantes, o encontro de duas mães: Maria e Isabel,  uma se alegrando  com a alegria da outra, e juntas agradecendo  a Deus pelo dom da fecundidade, mostrando-nos  que o poder de Deus é infinito! Neste encontro de mães, acontece também o encontro de duas crianças, que estavam sendo geradas no ventre destas duas  mulheres distintas!  No ventre da jovenzinha de Nazaré, crescia Jesus, àquele que seria O Salvador do mundo! E no ventre, antes estéril de Isabel, crescia João Batista, àquele que  seria  o grande profeta, o precursor que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação.
Ao se entregar totalmente à vontade de Deus, Maria participou significativamente  da historia da salvação, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela  manteve-se  de pé aos pés da cruz. 
O papel  desempenhado por Maria  na encarnação e  na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, que ama, que não se deixa abater pelo sofrimento porque confia no imensurável  poder  de Deus! 
No canto do magnificat, o  seu coração  manifesta de modo transbordante a sua gratidão  pela  imensidão de maravilhas que Deus  realizou em sua vida!  Realizações, que Ela reconhecia não serem  somente em seu  favor, mas em favor de toda humanidade, uma vez que, pelo seu Filho Jesus, a salvação chegou a humanidade! 
Maria nos ensina que as maravilhas que Deus realiza em nós, é em favor  de todos! Não podemos guardar só para nós, as maravilhas que  recebemos de Deus, devemos partilhá-la com o outro!
 O  MAGNIFICAT é um canto de amor e de humildade, em que Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada.
Com Maria aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos  transforma em “grandes”  mesmo na nossa pequinês!
 Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus, dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a)  “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”
O canto  de Maria, diante do Seu Senhor, ecoa no coração de cada um de nós, nele está expresso  a confiança total no Deus misericordioso!
Que nossos corações estejam sempre iluminados com a luz da bondade que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores.
Com o  testemunho de Maria, aprendemos a dar passos ao encontro de Jesus, a sair   de nós mesmos para ir ao encontro do outro.
  Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele, se entregando por  inteira à seu serviço.

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia
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Evangelhos Dominicais Comentados

17/agosto/2014 – Assunção de Nossa Senhora

Evangelho: (Lc1, 39-56)

Hoje é um dia muito especial para todos nós, o nosso coração está alegre pela festa da Mãe de Deus e nossa Mãe. Hoje comemoramos a festa da Assunção de Maria. Gloriosamente, Maria é elevada ao céu em corpo e alma!

Parece-me que uma das coisas mais justas que Deus fez, foi levar Maria para perto de si, em corpo e alma. Não podia ser corrompido pelos vermes aquele corpo que gerou o Filho de Deus. Tinha que ser preservado o Santuário do Espírito Santo. Essa criatura especial tinha que receber um tratamento especial.

“Minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Assim Maria iniciou a sua oração em ação de graças ao Pai que Ela tanto amou e para quem nada negou. Toda sua vida foi marcada pela palavra sim.

Dois momentos muito importantes devem ser ressaltados no Evangelho de hoje: O primeiro nos mostra Maria dirigindo-se, apressadamente para visitar Isabel. Encontrou caminhos difíceis na região montanhosa. Entretanto, nenhum obstáculo serviu de pretexto para desistir. Corajosamente venceu todas as barreiras.

Vamos também gravar em nossos corações este outro momento: estas palavras de Maria nos mostram exatamente o seu caráter. São como um “Raio X” do seu coração: “Ele olhou para a humildade de sua serva”. Maria, obediente e desapegada dos bens materiais, é o Modelo de Humildade. 

A humildade da Santíssima Virgem é a causa da sua grandeza! Humilhou-se a ponto de reconhecer sua insignificância e o seu nada, como Ela própria dizia. Por tudo isso, o Senhor a exaltou à mais alta dignidade, pela qual será bendita por todas as gerações.

Maria soube enxergar a bondade de Deus e seu imenso amor ao escolhê-la para Mãe de seu próprio Filho. Ela, uma jovem pobre, desconhecida pela sociedade e residente na periferia de um lugarejo também desconhecido. Porque será que Deus não escolheu uma rainha para ser a mãe de Seu Filho?

Claro que escolheu! Deus deu à Maria uma realeza jamais encontrada em nenhuma rainha. O Salvador do mundo e Filho de Deus tinha que ter uma Mãe pura e majestosa. Por isso, Maria é a mais bela e perfeita criatura. A Assunção de Maria é uma prova da misericórdia divina.

Maria, glorificada na Assunção, é a imagem e o modelo da criatura plenamente salva, liberta e realizada. A Assunção de Nossa Senhora, é a união entre o céu e a terra, é uma amostra das maravilhas que Deus preparou para os seus filhos, é uma pequena amostra do que está reservado para os humildes servos do Senhor.

(2173)



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Maria cheia de Graça
Desde o consentimento que Ela dá, pela sua fé, no dia da Anunciação e que, firmemente, mantém até aos pés da cruz, a maternidade de Maria na economia da graça continua sem interrupção até à consumação definitiva de todos os eleitos.
Na verdade, depois da Assunção ao céu, o seu papel na salvação não é interrompido: pela sua contínua intercessão, continua a obter para nós os dons que asseguram a nossa salvação eterna.
O seu amor maternal torna-a atenta aos irmãos do seu Filho, cuja peregrinação não acabou e que estão no meio dos perigos e dificuldades, até que cheguem à pátria celeste.
É por esta razão que a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, refúgio, mediadora, tudo isso entretanto entendido de tal modo que nenhuma derrogação, nenhuma acréscimo daqui resulta quanto à dignidade e à eficácia do único Mediador, Jesus Cristo.
Concílio Vaticano II
Marie-dominiquemoliné, O.P.

Cristãos católicos e cristãos ortodoxos têm uma grande ternura por Maria, “de quem nasceu Jesus” (Mt. 1,16). Os cristãos protestantes “ignoram” Maria, com o argumento de que só Cristo é Senhor. Entendamo-nos, católicos e ortodoxos dizemos, no glória: «Só Tu és o Santo, só Tu o Senhor, só Tu o Altíssimo, Jesus Cristo». Mas não temos medo de acreditar que, sob a graça de Deus, o homem se vai tornando santo. Em particular, Aquela que o anjo Gabriel saudou como “cheia da graça”, a quem disse : “O Senhor está contigo.”
Veneramos esta rapariga que se entregou radicalmente a Deus, sem cálculos nem condições. Esta mulher que viveu como mais ninguém a proximidade de Deus e nunca tirou daí qualquer vaidade. Esta mulher que cumpriu a sua missão no silêncio, longe das luzes do mundo. Esta mulher a quem, à hora da morte, Jesus nos confiou (Jo 19,26-27).
Os primeiros textos do Novo Testamento são as epístolas de S. Paulo, escritas a partir do ano 50 [1]. São Paulo anuncia Jesus Cristo como o Filho de Deus, que o Pai enviou à Terra. Para são Paulo, é tão importante acentuar a transcendência de Jesus, a sua origem divina, como sublinhar que, para nos trazer a salvação, Ele assumiu a nossa condição.
“Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido duma mulher, nascido sob o domínio da Lei, ... a fim de recebermos a adoção de filhos.” (Gl. 4,4-6) (são Paulo, anos 55-57).
"...seu Filho, nascido da descendência de David segundo a carne, manifestado Filho de Deus em todo o poder, segundo o Espírito Santo, na sua ressurreição de entre os mortos, Jesus Cristo, Senhor nosso, ...” (Rm. 1,3-4) (são Paulo, anos 55-57).
“Ele (Cristo), que é de condição divina, esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo. Tendo-se tornado semelhante aos homens e sendo identificado como homem, rebaixou-se ainda mais, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fl. 2,6-8) (são Paulo, 57 ou 63).
“É Ele (Cristo) a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura; nele todas as coisas foram criadas, nos céus e na terra (...). Todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Ele é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele.” (Cl. 1,15-17). (Epístola escrita provavelmente por alguém do grupo de são Paulo, anos 60).
“Bendito seja o Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo (...) Ele nos  escolheu em Cristo antes da fundação do mundo (...) para sermos adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo. (...) Manifestou-nos o mistério da sua vontade (...): submeter todas as coisas a Cristo, reunindo nele o que há no céu e na terra” (Ef. 1,3-10). (Escrita provavelmente por alguém do grupo de são Paulo, anos 60).
Conta-se que, logo após a morte de são Pedro, em 66 ou 67, os cristãos de Roma pediram a Marcos, de há muito seu companheiro, que escrevesse tudo aquilo que ele costumava ensinar. Assim apareceu, por volta de 70, o primeiro Evangelho. Na década de 80, Mateus e Lucas, consultando os que tinham contatado com Jesus, procuraram completar a informação.
São Mateus retoma a palavra de são Paulo, segundo a qual Jesus é o Filho de Deus, que Deus enviou à Terra a nascer de uma mulher: “Maria, sua mãe, estava noiva de José. Antes de viverem em comum, concebeu pelo poder do Espírito Santo. (...). O anjo do Senhor apareceu a José e disse-lhe: «José, filho de David, não temas receber Maria por tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.” (Mt. 1,18-23).
São Lucas dá-nos um desenvolvimento maior: “Deus enviou o anjo Gabriel a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem noiva de um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Ave, ó cheia de graça, o Senhor está contigo. (...). Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo.(...)». Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?». O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus.(...).» Maria disse então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.»” (Lc. 1,26-38).
Escrito entre 90 e 100, o Evangelho de são João é mais uma teologia do que um relato: procura estabelecer relações entre os dados, sublinha os temas maiores, propõe significados. “Desde sempre (no princípio) era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Desde sempre o Verbo estava em Deus. Pelo Verbo tudo começou a existir e sem Ele nada veio à existência. Nele estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. (...) O Verbo era a luz verdadeira, que veio ao mundo iluminar todo o homem. (...). Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. (...). O Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. (Jo 1,1-14).
Estes textos ensinam que Deus amou tanto os homens que lhes entregou o seu Filho Único (Jo 3,16). Há aqui uma diferença fundamental entre a perspectiva cristã e as perspectivas judaica e islâmica. Judeus e maometanos acreditam num Deus único, transcendente, misericordioso, capaz de perdoar todos os pecados dos homens. Para eles, no entanto, a doutrina da encarnação do Verbo parece um absurdo: acham que Deus deixaria de ser Deus se entrasse na condição humana. Nós, cristãos, acreditamos nesse quase-absurdo: que o Verbo de Deus tomou a condição humana e veio morrer numa cruz.
Mas estes textos levam-nos muito mais longe. Deus não é só aquele Infinito absurdo que ama os homens até ao ponto de permitir que o seu Verbo morra por eles numa cruz. É o Infinito absurdo que elege uma criatura, uma mulher, e faz dela sua Mãe.
Sempre os crentes perguntaram como é que se ama a Deus. Os cristãos encontram aqui uma pista. Amar a Deus é entrar na disposição de dar tudo por Ele: querer que a minha vida seja sinal d'Ele para os outros homens, abrir-Lhe o coração e o olhar para Ele numa confiança sem fim. Como, acreditamos, fez Maria.
Desde o séc. II, a tradição católica e a tradição ortodoxa afirmam que, em honra deste mistério da Encarnação do Verbo, Maria e José continuaram a viver o casamento na virgindade. Nos evangelhos fala-se nos “irmãos” de Jesus; questão pouco significativa, por isso que, na língua da Bíblia, todo o parente próximo pode ser designado por irmão. No século XVI, o protestantismo decidiu que a Bíblia deve ser tomada à letra e, portanto, José e Maria tiveram, depois do nascimento de Jesus, outros filhos.
Maria viveu a infância, a juventude, a maturidade e a velhice nesta terra dos homens. Uma tradição, acolhida pelos católicos e pelos ortodoxos, afirma que, terminado o seu tempo de vida na terra, Maria foi “assumida” ao Céu. Gratidão de Deus àquela que Lhe tinha dito “sim”.
padre João Resina Rodrigues - A Palavra no tempo II - www.igrejacampogrande.pt
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[1] Jesus deve ter nascido 6 ou 7 anos antes da data que a tradição fixou como início da era cristã. Foi crucificado e ressuscitou no ano 30, portanto com 36 ou 37 anos.
Paulo era uns anos mais novo. O próprio Jesus o converte na estrada de Damasco, talvez em 37. Após longos meses de retiro, começou a trabalhar com Barnabé na evangelização de Antioquia, por volta de 43. Em três longas viagens, Paulo funda numerosas comunidades, na Ásia Menor e na Grécia. Com elas, e com a comunidade de Roma, troca epístolas.


1ª leitura: Apocalipse 11, 19a; 12, 1.3-6a.10ab
A primeira leitura descreve a luta entre a fraqueza de uma mulher grávida e a crueldade de um “grande Dragão” perverso e poderoso que domina boa parte do mundo. Ele está “pronto para lhe devorar o Filho, logo que ele nascer”.
A figura simbólica da mulher, que aparece aqui, representa as primeiras comunidades cristãs e mostra, ao mesmo tempo, a influência que teve nelas a pessoa de Maria como sustentáculo da fé. Por outro lado, o dragão representa o aparato imperial romano, que dominava o mundo com os tentáculos do poder civil, militar, cultural e, até, religioso. Ele tentava eliminar o cristianismo, que o incomodava.
São João escreveu o livro do Apocalipse num tempo em que a Igreja estava tentando descobrir o sentido da perseguição que sofria. Nele mostra confiança na presença do Reino de Deus na história (“apareceu no Templo a arca da aliança”) ao mesmo tempo que descreve o sofrimento causado pela perseguição.
O símbolo feminino que aparece acima de todos os elementos adorados como divindades pelo mundo pagão (“Uma Mulher vestida com o sol, tendo a lua debaixo dos pés, e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas”) é a personificação do bem que se realiza através da Igreja, da qual Maria é o máximo expoente. Assim como Maria, a Igreja tem a missão de fazer “nascer o Filho da Mulher” neste mundo. Tudo o que for realizado em termos de evangelização, sempre será a favor do crescimento de presença de Cristo e do bem da humanidade, porque Ele “nasceu para governar todas as nações”. O deserto é o momento atual de provação pelo qual passa a Igreja e o espaço hostil no qual Cristo deve ser gerado para a vida do mundo, como fez Maria.
2ª leitura: 1Corintios 15,20-27a
A segunda leitura começa com uma bela metáfora falando da ressurreição de Cristo “como primeiro fruto” da colheita. Logo a seguir, completa dizendo que “depois, aqueles que pertencem a Cristo” ressuscitarão. Quer dizer que, se assumirmos para valer a vida que Jesus nos propõe, participaremos da glória da ressurreição
Nesta passagem, a Igreja encontra um dos fundamentos da fé que professa em Maria ter sido a primeira dos cristãos na qual se aplicaram os frutos da Redenção e, portanto, a primeira em ressuscitar antecipadamente e ser levada aos céus, confirmando que “o último inimigo a ser destruído será a morte”.
Paulo entende que, a partir do pecado, existem na sociedade forças e estruturas que invertem os valores e o destino humano, desagregando, pervertendo, e até mesmo levando os homens à morte. Cristo foi morto justamente por essas estruturas, mas Deus o ressuscitou e lhe deu o poder de destruí-las.
A Ressurreição, por tanto, é a vitória sobre a morte, tanto física (no fim dos tempos) quanto espiritual, (pela vitória sobre o pecado e ação da graça em nós), pois a ressurreição de Cristo não foi só para Ele; foi para abrir novamente o mundo à vida. Unida a Cristo, a humanidade voltará à comunhão plena com Deus e o seu reinado se manifestará por completo.
Evangelho: Lucas 1,39-56
É realmente admirável a iniciativa de Maria de visitar sua prima Isabel, enfrentando uma viagem difícil e perigosa ”para a região montanhosa”. Não se tratava de uma visita de cortesia. Foi para servir Isabel durante os três meses que lhe faltavam para dar à luz. Ninguém pediu sua ajuda. Ela se antecipou à necessidade e o fez “às pressas” porque o amor não conhece preguiça nem demora. O encontro com o irmão necessitado é sempre o caminho que leva ao encontro com Deus.
Foi assim que o Espírito de Deus se fez presente e “Isabel ficou cheia do Espírito Santo” para proclamar parte de uma das orações mais comuns na Igreja (”Bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre!”), a oração da Ave Maria.
Existem dois motivos pelos quais Isabel, sob a inspiração do Espírito Santo, proclamou Maria como “bendita entre as mulheres”. O primeiro é por ser “a mãe do meu Senhor”. O segundo por Maria ser “aquela que acreditou” nessa promessa.
Como resposta às palavras de Isabel, Maria eleva um canto de alegria a Deus. É um canto de louvor e ação de graças. Maria responde deste modo, não porque se sinta grande e importante, mas porque reconhece o que Deus fez através dela. As suas palavras, inspiradas na espiritualidade do Antigo Testamento, expressam os sentimentos mais profundos de Maria diante da presença salvadora de Deus em sua vida.
Depois de uma introdução de louvor (“Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito se alegra em Deus, meu salvador”), Maria proclama o poder de Deus (“realizou grandes obras”), sua santidade (“seu nome é santo”) e sua misericórdia (“sua misericórdia chega aos que o temem”). Sente-se tocada por Deus (“porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor”). Deus entrou na sua vida, sustentando-a pela sua presença. Por isso diz: “Todas as gerações me felicitarão”; porque Deus encontrou nela aceitação e espaço para realizar a obra da salvação.
A seguir Maria, inspirando-se nos profetas, fala de um Deus libertador de uma forma um tanto revolucionária, denunciando a prepotência dos “soberbos de coração”, o orgulho do poder empoleirado no seu “trono” e a ambição dos “ricos” que não sabem o que é ficar “de mãos vazias”, para concluir que Deus é maior e permitirá o triunfo dos pobres sobre as estruturas da prepotência, do poder e da ambição, contaminadas pelo pecado, para estabelecer, em seu lugar, uma nova sociedade fundamentada na fraternidade, na participação e na partilha.
O cântico de Maria é o cântico dos pobres que esperam a intervenção de Deus em seu favor. Comentando isto o papa Paulo VI descreveu Maria como aquela que participa dos anseios dos homens do nosso tempo ao mesmo tempo que oferece um modelo perfeito para os discípulos do Senhor na sua missão de serem construtores de uma nova sociedade, promovendo a justiça que liberta o oprimido, a caridade que socorre o necessitado e o testemunho do amor de Cristo nos corações (“MarialisCultus” nº. 37).
Palavra de Deus na vida
Os que somos discípulos de Jesus consideramos sua Mãe, Maria, como mãe nossa. É, para nós, a pessoa mais querida depois do Filho de Deus. Todas as festas de Maria expressam o nosso amor pela Mãe do Senhor e são uma forma privilegiada de alimentar a nossa fé no Filho do qual ela, como mãe, recebe toda a sua dignidade.
Concretamente, na festa de hoje, não podemos deixar de perceber que, se Cristo ressuscitou como o primeiro de toda a humanidade redimida, ninguém melhor que Nossa Senhora para receber a salvação em primeiro lugar e estar para sempre ao seu lado. Ela que o recebeu em seu seio por obra do Espírito Santo, o cuidou com amor de mãe durante a infância, o acompanhou em toda a sua vida pública e ficou ao pé da cruz até o fim, como poderia ter ficado afastada d'Ele na sua glória?
O que celebramos, nesta festa da Assunção de Maria, é que Nossa Senhora já participa plenamente da comunhão com Deus, totalmente salva em corpo e alma, toda ela “bem-aventura”. Reconhecemos que devemos muito a esta mulher: nada menos que a Encarnação do Filho de Deus em nosso favor. Daí que estamos felizes por ela estar na Glória.
Ainda mais, isso mesmo que aconteceu com Maria, esperamos que, um dia, venha a acontecer conosco. Ela vai à nossa frente. Alguém que é totalmente humana, como nós, já floresceu em todo o seu esplendor. Nós, que estamos unidos a Cristo e a ela pela fé, esperamos poder participar dessa mesma glória. Por isso hoje é, também, a festa de nossa esperança.
Pensando bem...
É evidente que as diferenças apontadas por Maria, ainda não foram superadas. Os “soberbos de coração” continuam impondo a sua “lei” sobre a terra. Os “poderosos” continuam exercendo o seu poder enquanto tantas pessoas vivem marginalizadas. Os “ricos” se enriquecem cada dia mais enquanto os pobres passam fome, até mesmo em países considerados cristãos. Maior motivo ainda para considerar que a nossa tarefa continua no sentido de trabalhar por um mundo diferente onde aquilo que Nossa Senhora proclamou se torne realidade.
padreCiriaco Madrigal
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“Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada”
Domingo da Assunção de Maria ao céu. A Igreja celebra uma das festas mais importantes e mais antiga da Virgem Maria que é sua Assunção ao céu. No início do século IV esta festa era chamada de “DormitioVirginis”, isto é Dormição da Virgem (passagem para outra vida). A Assunção de Maria, verdade professada desde os primeiros séculos, tanto no Oriente como no Ocidente, foi proclamada dogma pelo papa Pio XII como verdade de fé no dia 1 de novembro de 1950 com a bula Manificentissimus Deus.
No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar...
Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, “primeira da fila”, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Salvador.
Somos chamados a participar desta gloriosa vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da vida, a força enganosa e aparente do dragão que devora e destrói todas as possibilidades de uma vida humana digna e feliz.
Hoje, cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua infinita misericórdia, liberta e exalta.
“Grande sinal apareceu no céu: uma mulher que tem o sol por manto, a lua sob os pés e coroa de doze estrelas na cabeça.” (Apocalipse 12,1)
Reflexão bíblico, Exegética e Litúrgica
Primeira leitura – Apocalipse 11,19a; 12,1-6a.10ab.
Esta leitura reagrupa elementos que não pertencem ao mesmo conjunto. O versículo 19 do capítulo 11 se liga aos versículos 1-3 do mesmo capítulo: o Templo de Deus é a Igreja (por oposição ao Templo de Jerusalém) e, conforme a tradição judaica (2Macabeus2,5-8), a arca da Aliança reaparece por ocasião da chegada do Reino de Deus.
A mulher ornada com o esplendor – o sol, a lua e 12 estrelas, imagens tradicionais – simboliza o povo de Deus: primeiramente o antigo Israel de que Jesus nasceu segundo a carne, em seguida o Israel novo, a Igreja, corpo de Cristo. A criança do sexo masculino posta no mundo pela Mulher é evidentemente o Messias, encarado tanto em sua realidade histórica quanto misticamente nos cristãos. Faz-se referencia à Ascensão e ao Cristo sentado á direita do Pai (versículo 6), que anuncia a queda definitiva do Dragão, ao passo que a mulher foge para o deserto onde Deus lhe preparou um refúgio. Desde o Primeiro Testamento o deserto é considerado como refúgio tradicional dos perseguidos (cf. 1 Reis 17,3-6; 1Macabeus 2,29).
O versículo 10 exprime a vitória de Deus e a dominação de seu Cristo, depois que o arcanjo Miguel e seus anjos tiverem vencido o Dragão (versículos 7-9).
A leitura do Apocalipse nos apresenta a mulher símbolo da comunidade. Ela está adornada de todo o seu esplendor: veste de sol, sinal da glória do Senhor, isto é, é protegida por Deus; tem aos pés a lua, símbolo de alguém que não será vencido pelo passar do tempo, isto é, já possui a eternidade de Deus; usa uma coroa de doze estrelas, simbolizando o povo de Deus, o antigo Israel, com suas doze tribos, do qual nasceu, e depois o novo Israel, a Comunidade-Igreja, Corpo de Cristo, Povo de Deus perseguido pelo dragão. Está grávida, na hora de dar à luz, como Maria e a Igreja, que fazem Jesus nascer na história e na vida das pessoas.
Não se trata, digamos logo, de uma reflexão em torno da figura de Maria e sim de um chamado endereçado a comunidades cristãs, sofredoras e desanimadas, para que descubram melhor tanto o significado do compromisso de sua fé no Ressuscitado como o sentido do desafio ao qual esta fé as mede no cotidiano de sua existência presente.
O autor do Apocalipse abre bem o horizonte de sua mensagem à Igreja inteira. Uma Igreja que, logo depois dos anos 70, defronta-se com uma série de problemas concretos: o atraso da volta do Senhor, as perseguições do Império Romano, as suas próprias divisões interna. Uma Igreja que, sem dúvida nenhuma, sofre, mas cujo primeiro impulso religioso parece também ter-se congelado.
Essa incompatibilidade entre a Mulher e o dragão remete diretamente ao Gênesis 3,15, e se fica claro que essa criança é o Messias esperado (Apocalipse 12,5) que já veio, andou no meio dos homens, morreu e ressuscitou, esse Messias assim como o Reino que inaugurou permanecem realidades que o próprio povo de Deus (a mulher-Igreja) tem ainda hoje que produzir.
A aplicação desse texto à Virgem Maria tem um fundamento tradicional. Santo Agostinho e São Bernardo viram na Mulher do Apocalipse o símbolo de Maria, embora um tal sentido seja estranho ao autor do Apocalipse. No entanto todos os textos da Escritura Sagrada que traz presente o mistério da Igreja podem ser aplicados à Virgem Maria, na medida em que o seu verdadeiro mistério se inscreve no mistério da Igreja e o ilumina ao mesmo tempo, conforme lembrou o Concílio Vaticano II. A “Mãe do Messias” representa assim muito mais que uma pessoa individual.
Quanto à imagem da arca da Aliança aplicada à Virgem Maria (Apocalipse 11,19), lembra o tema focalizado pela primeira leitura da Missa da Vigília.
Salmo responsorial44/45,10 bc. 11.12ab.16. Conforme alguns especialistas, este Salmo poderia ter sido canto profano para as núpcias do rei israelita, Salomão, Jeroboão II ou Acab (que desposou uma princesa da região pagã de Tiro, 1 Reis 16,31). Mas a tradição judaica e cristã o interpretam com referência às núpcias do Rei-Messias com Israel (figura da Igreja; cf. Cântico dos Cânticos 3,11; Isaias 62,5; Ezequiel 16,8-13 etc.), a liturgia por sua vez estende a alegoria, aplicando-a a Maria. O poeta dirige primeiramente ao Rei-Messias, aplicando-lhe os atributos de Deus (Salmo 145/144,4-7.12-13 etc.) e do Emanuel (Isaias 9,5-6), depois à rainha (vs. 11-17).
O Salmo de hoje, portanto, celebra a festa de casamento de um rei e uma princesa; mas para nós é a celebração da Aliança que Deus faz com seu povo. Costumamos rezá-lo pensando em Maria de Nazaré como lindíssima esposa e primeira da lista dos ressuscitados com Cristo.
Cantando este Salmo na celebração deste domingo, nós bendizemos a Deus que ficou do lado da Igreja perseguida pelo dragão e pedimos que Ele venha em socorro do seu povo em luta contra o sofrimento e a morte.
R: À vossa direita se encontra a rainha, com veste esplendente de ouro de ofir.
Segunda leitura – 1 Coríntios 15,20-27a.
A razão da escolha desta leitura para a liturgia de hoje é a idéia da ressurreição e da vitória sobre a morte, pela qual termina a perícope litúrgica (versículo 26), truncada de uma maneira que fere um pouco a sensibilidade do especialista em Bíblia que é o exegeta.
No contexto de 1 Coríntios, a idéia principal do texto em questão é a ressurreição. O capítulo inteiro é consagrado a esse tema. Uma das mais complexas passagens do capítulo 15 da primeira carta aos coríntios, em que Paulo elabora sua doutrina da ressurreição dos mortos. O apóstolo se dirige a correspondentes que crêem na imortalidade da alma e consideram a morte como uma libertação, para a alma, do corpo material e corruptível. Os gregos acreditavam na imortalidade da alma, por isso tinham dificuldade de acreditar na ressurreição da pessoa como um todo. Paulo defende a concepção judaica da unidade da pessoa: o homem não é composto de uma alma e de um corpo; é um ser pessoal, único, que, desde a ressurreição de Cristo, sabe que Deus lhe concederá a vida eterna.
O versículo 19 serve, de fato, de transição para os versículos 20ss. Não se trata somente da ressurreição de Cristo (que os coríntios parecem aceitar como querigma: vs. 11 e 13-14) e sim da nossa própria ressurreição.
Ora, aqui se situa o versículo que justificou a escolha deste trecho para a liturgia de hoje: o último inimigo a ser destruído é a morte (v. 26).
Paulo apresenta um conceito “não físico” da ressurreição: o corpo da ressurreição não é “animal” (biológico-psíquico, mundano), mas um “corpo espiritual”, isto é, pertencendo à esfera divina; já não é o corpo do homem terrestre (Adão), mas do homem celeste (Cristo) (vs. 42-50).
Desta transformação gloriosa em imagem do Novo Adão, Maria é a antecipação: este é o sentido da sua Assunção ao Céu, ou seja, da sua glorificação.
Evangelho – Lucas 1,39-56
O Evangelho desse domingo inicia com o relato da visita de Maria a Isabel (vs. 39-45) e o Magnificat que a ele se vincula (versículos 46-55) convêm perfeitamente à festa da Assunção, pois os temas que trazem presente são, antes de tudo, temas de vitória.
1) O relato da visitação traz presente a transferência da arca da aliança para Jerusalém (2 Samuel 6,2-11). Como a arca, Maria vai para o país de Judá, em direção a Jerusalém (v. 39; cf. 2 Samuel 6,2), e sua viagem suscita as mesmas manifestações de alegria (versículos 42 e 44; cf. 2 Samuel 6,2), isto é, “danças” sagradas (versículo 44, em que a criança “salta” no seio de sua mãe; cf. 2 Samuel 6,12). Ela repousa na casa de Zacarias (v. 40) assim como a arca na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,10), e é, assim como ela, fonte de bênçãos (v. 41; 2 Samuel 6,11-12). O “grito” de acolhida de Isabel (versículo 43) reproduz quase textualmente as palavras de Davi diante da arca (2Samul 6,9). Enfim, Maria, assim como a arca, permanece três meses na casa de seus hóspedes (v. 56; cf. 2 Samuel 6,11).
Na verdade, esse simbolismo vai ao encontro da idéia-mestra de São Lucas: para o evangelista, os fatos que cercam o nascimento de Jesus realizam ao mesmo tempo a profecia de Malaquias 3 (sobre a vinda de Javé em seu Templo) e a de Daniel 9 (a profecia das setenta semanas antes da aparição de Deus). Deus já enviou seu anjo ao templo na figura de Gabriel (Malaquias 3,1 e Lucas 1,5-25; cabe-lhe, agora, fazer sua aparição no Templo (Malaquias 3,2). A partida de Maria para a casa de Isabel e Zacarias é a primeira etapa que realiza as profecias; a segunda, a subida propriamente dita a Jerusalém (Lucas 2,22-38), se completará pela apresentação oficial do Menino no Templo de Jerusalém ao velho Simão.
A arca da Aliança simboliza principalmente a presença de Deus no meio de seu povo, mas igualmente levava o povo ao combate. Quando trazemos presente a arca da Aliança, portanto, nos situa num contexto guerreiro, e Maria se apresenta como mulher vitoriosa. O v. 42, em que Isabel abençoa sua prima e a criança que ela traz em si, lembra, certamente, as aclamações dirigidas a Iael (Juízes 5,2-31) e a Judite (Judite 13,17-18; 15,9-10 após suas respectivas vitórias sobre o inimigo. Maria, portanto, aparece aqui como a mulher que garante a seu povo a vitória definitiva sobre o mal e que inaugura a era messiânica em que o pecado e a desgraça serão abolidos.
2) Quanto ao Magnificat, faz de Maria a personificação do Israel escatológico, isto é, realidade nova e definitiva dos pobres, a verdadeira raça de Abraão tomando posse das promessas. Nesse sentido, Maria aparece como a imagem e o porta-voz da própria Igreja. Aliás, muitas expressões do Magnificat se encontram no vocabulário da comunidade primitiva, cantando seu próprio mistério (cf. o vocabulário “exaltar” em Lucas 1,46.48 e Atos 5,13; o vocabulário “salvador” em Lucas 1,47.69.71.77 e Atos 4,12; 5,31; 13,47; o salmo 88/89,11 em Lucas 1,51 e Atos 2,30; Lucas 1,52 e Atos 2,22-38; 3,13). A assembléia eucarística, célula do Israel escatológico e objeto das promessas feitas a Abraão, está, pois, autorizada a retomar o Magnificat por sua própria conta.
No encontro das duas mães faz sobressair o contraste entre as duas crianças: João Batista é o “profeta do Altíssimo” (Lucas 1,76); Jesus é o “Filho do Altíssimo” (Lucas 1,32). Ambos, contudo abrem os últimos tempos da história da salvação: o primeiro enquanto precursor e pregador de um caminho (Lucas 1,76 que seguirá o outro, o próprio Cristo Senhor (Lucas 2,11).
Nessa dinâmica geral, entende-se que o encontro das duas crianças “na região montanhosa da Judéia” (Lucas 1,39) não se limita a uma mera e piedosa cena de cortesia. Trata-se, na apresentação teológica da historia da salvação feita por Lucas, de um instante decisivo, um ponto central para o qual convergem João Batista “o maior dos profetas” (... entretanto, “o menor no Reino de Deus de Deus é maior do que ele” (Lucas 7,28) e Jesus, o próprio Salvador.
A bem-aventurança de Maria a si mesma no versículo 48b não é orgulho, mas maneira normal de expressar sua gratidão de pessoas que não sofrem de falsa humildade (cf. Gênesis 30,13; 29,32).
“Todas as gerações” (versículo 50) anuncia uma visão universal. No versículo 51, esta universalidade é projetada não só no sentido temporal, mas no sentido de salvação: todos, sem discriminação. Devemos entender aqui a “misericórdia” de Deus, não como piedade paternalista. É a hesed bíblica, a amizade leal do Deus da Aliança para com seu povo, estendendo a nova Aliança a todos.
Uma salvação do tipo que iniciou (depois de Ana) em Maria, é uma salvação dirigida e a realizada pelos que não confiam nas falsas riquezas, no sucesso, na violência etc. (cf. Lucas 6,17ss). Podemos notar que Maria já não fala do “meu” salvador. A salvação estende-se a todos os pobres de Deus. Ele dispensa os orgulhosos (Salmo 89/90,11, derruba os poderosos (Eclesiástico 10,14; Jó 12,19), mas sobretudo eleva os “humildes”: já sabemos quais são: Ana (cf. 1Samuel 2,8), Maria, todos os que colocam sua confiança no Senhor e se tornam seus “servos” (cf. Salmo 147/146,6). Ele sacia os famintos (versículo 53, cf. Salmo 113/112,7; 1Samuel 2,5)e rejeita os que já estão fartos (1Samuel 2,5). Podemos notar claramente de que temos aqui uma prefiguração das Bem-Aventuranças de Jesus (Lucas 6,17-26). O Magnificat anuncia a realização das promessas do Primeiro Testamento – por isso tinha que ser um amontoado de citações bíblicas – mas anuncia também a realidade nova e definitiva (escatológica) que começa em Jesus Cristo, não só a partir da sua primeira pregação (Lucas 4,16), mas a partir da concepção virginal. É supérfluo mostrar que esta salvação universal se realiza primeiro em Maria: ela apenas proclama a todos a salvação que ela sente em si mesma, isto é, partilha com todas as gerações.
O hino conclui com uma lembrança das promessas que agora se realizam. É o encerramento do Primeiro Testamento, pelo menos na boca de Maria (versículos 54-55). Maria era a “serva” em que cumpriram as promessas feitas ao antigo povo de Deus que o Dêutero-Isaias gosta de chamar de “servo” (Isaias 41,8). Deus não esquece a amizade (= misericórdia, hesed; Salmo 98/97,3, que tem com o povo e seus “pais” “desde os tempos antigos” (Miquéias 7,20).
Em Maria começa a realização “para sempre”. Ela é a obra prima na ordem da salvação eterna. Por isso, o Magnificat, entendido como inauguração do tempo novo e último, é o melhor comentário da festa de Maria glorificada, “garantida” na ordem definitiva de Deus.
O Evangelho de hoje é muito familiar. Maria, grávida, visita Isabel, também grávida. Encontram-se as duas mulheres do povo num lugarejo sem recursos e sem importância. Maria é aclamada pela prima como bendita entre as mulheres e recita uma oração de louvor pelas maravilhas que o Senhor realizará nela, as quais seriam plenificadas na vida da criança que estava no seu ventre.
Há uma explosão de alegria dessas mulheres, que reuniam duas impossibilidades humanas de ser mãe: Isabel era idosa e estéril; Maria, jovem e virgem.
Maria é aclamada como uma bem-aventurada: “Feliz és tu que acreditou, porque se cumprirá o que o Senhor te anunciou”.Seu coração trasborda em “canto-oração”. Sua resposta é ação de graças, é celebração profética e jubilosa, resumo de toda a história da salvação. Ela é filha de Abraão e pertence a seu povo. Em Maria, neste encontro entre o Primeiro Testamento e o Novo Testamento, se unem a promessa e a realização e, ao mesmo tempo, se manifesta a predileção histórica do Senhor pelos pobres e pequenos.
Maria fala de um Deus aliado dos pequenos: sacia de bens os famintos, derruba os poderosos e eleva os humildes. Esta é uma característica marcante do rosto de Deus que perpassa toda a Bíblia. O Deus de Israel, o Deus de Maria, é quem tira da humilhação as mulheres estéreis e escolhe justamente seus filhos para grandes tarefas. Envia profetas para defender os que não têm defesa; é o Deus que rejeita sacrifícios e ofertas no Templo se houver injustiça contra os pobres.
O cântico de Maria (Magnificat) apresenta um projeto, que é o mesmo de Jesus: transformar o mundo antigo e opressor de viver, onde a prepotência e a auto-afirmação humanas saem sempre ganhando, em uma ordem nova em que triunfa a justiça para os ofendidos, os desprezados e excluídos. O Filho de Maria veio para inaugurar o novo relacionamento entre todas as coisas.
A palavra celebrada vivida no cotidiano da vida
O Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Magnificat, por causa da primeira palavra na tradução latina, é um mosaico de citações de referencias do Primeiro Testamento.
Ela proclama que Deus cumpriu uma tríplice derrubada de situações opressoras e falsas para restaurar o projeto de Deus na humanidade: “No campo religioso”, Deus subjuga a auto-suficiência humana, a soberba. “No campo político”, Deus destituiu do trono os poderosos e enaltece os humildes, destrói as desigualdades humanas. “No campo social”, Deus elimina os privilégios estabelecidos pelo dinheiro e poder. Cumula de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos filhos e filhas de Deus.
Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza em Maria.
Será que temos devoção verdadeira à Maria do Apocalipse e do Magnificat, profeticamente do lado dos que nada têm?
Ao dizer: “Porque olhou para a humilhação de sua serva...”, Maria faz um paralelo entre o Espírito Criador de Deus e a situação sofrida da mulher oprimida. De um lado o desmando dos soberbos, ricos e poderosos deste mundo e, de outro, a misericórdia de Deus que envia seu Filho e revoluciona as relações desumanas e iníquas, elevando os humildes e dando comida farta aos famintos. Ele olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas e envia Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação nacional e de toda a humanidade.
Celebramos esta festa da Páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e nela, nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo.
A bula de definição dogmática não fala de argumentos bíblicos, pois a Sagrada Escritura não afirma a Assunção de Maria; mas sim do “último fundamento escriturístico” em que se baseiam os Santos Padres e teólogos, além do comum sentir do povo cristão. Ou seja, a Sagrada Escritura apresenta Maria intimamente vinculada à pessoa e obra do Redentor; então, desta união plena deriva a sua participação no triunfo glorioso do seu Filho.
Por sua vida e morte Jesus nos libertou. Por sua vida e morte Maria participou desta obra universal. A morte propicia ao ser humano um ato de absoluta entrega e amor a Deus. Por isso a morte permite uma extrema realização humana. A morte liberta a semente de ressurreição que se esconde dentro da vida mortal. Por isso no momento de sua morte, Maria ressuscitou.
Não se trata, como em Jesus, de Ascensão ao céu. Jesus, por própria força, em razão de sua divindade subiu ao céu, vale dizer, penetrou no Mistério insondável da vida eterna. Maria porque é criatura foi arrebatada por seu Filho e introduzida na glória celeste. A Assunção não é obra de Maria, mas obra de seu Filho em favor de sua Mãe.
Acentuamos, especialmente, a glorificação corporal de Maria. O corpo é mortal, frágil, opaco, pesado, sujeito a limitações, doenças; este corpo, assim estigmatizado, é transfigurado. O corpo de Maria só foi instrumento de graça e de bondade. Por isso ele não ficou entregue à corrupção como o nosso. Foi reassumido e entronizado no mistério do Deus Uno e Trino
A Assunção significa o definitivo reencontro entre a Mãe e o Filho. Maria contempla a divindade de seu Filho Jesus e desfruta de maneira sublime sua “maternidade divina e humana”. Ela se descobre inserida no mistério da Santíssima Trindade mediante o Espírito Santo que a fecundou e do Filho Eterno que ela, no tempo, gerou. Embora Mãe terrena do Filho encarnado, vê-se filha no Filho Eterno e Unigênito do Pai. Agora na glória dá-se plenamente conta de sua ligação com toda a humanidade e de sua vinculação com a salvação da humanidade.
Maria vive agora no corpo e na alma aquilo que nós iremos também viver quando morrermos e formos para o céu. Todos os que estão no Senhor (2Cor. 5,6) participam de sua ressurreição. Por isso ressuscitamos no Ressuscitado por ocasião de nossa morte.
A festa da Assunção de Maria diz respeito à vocação definitiva de toda a humanidade, que é um dia morar com Deus.
A exemplo de Maria e motivados por sua Assunção, respondemos imediatamente às necessidades dos irmãos e irmãs? Que espaço ocupam os pobres, as pessoas com deficiência, os idosos, os abandonados em nossa vida pessoal e comunitária?
A palavra se faz celebração
Embora o dogma da Assunção de Maria tenha sido definido no Ocidente pelo ano de 1950, o mistério a que ele se refere é mais antigo.
Há muito tempo, tanto no Oriente quanto no Ocidente, celebra-se a “Dormição da Virgem” ou o TransitumMariae, como também é conhecida esta festa. Os estudiosos a situam entre os séculos V e VI, com origem provavelmente oriental. O enfoque teológico está no fato de Maria ter sido santificada pela Encarnação do Verbo. Os cristãos enxergam a sua morte como dormição e passagem: melhor ainda, entrada na glória de Deus, como ensina São João Danasceno.
A Nova Eva
Se, temos um novo Adão, há também uma Nova Eva. O ícone da Dormição, com o qual a Igreja desde sempre celebrou a páscoa da Virgem, traz no centro não a Mãe, mas o Filho, para onde o olhar do fiel converge. À base do Cristo, está deitada (dormindo! = imagem da morte) a Virgem Maria. São dois movimentos que se cruzam: um vertical (o Cristo, simbolizando a amizade do Céu com a terra) e outro horizontal (a Virgem deitada, simbolizando a humanidade como terra fértil para receber a semente da Vida.
Morte e Ressurreição, portanto, são dois aspectos da Páscoa de Cristo que Maria, imagem do mundo remido, experimenta. Nesse sentido é que podemos denominá-la de Nova Eva, porque é Mãe da Nova Humanidade nascida da Páscoa de Cristo, Senhor.
O batismo da Virgem
No mesmo ícone ao qual fazemos referência, há três imagens da Virgem: uma deitada (a morte), outra no alto (o trânsito ou passagem para o céu) e uma terceira: uma criança envolta em faixas (recém-nascida!) é uma alusão à nova condição da Virgem e de todos aqueles que nascem da Páscoa de Jesus, os cristãos e cristãs. Estão no colo de Cristo (uma alusão do significado do Kyrie eleison ou Senhor, piedade) e portam uma nova identidade, a alma iluminada pelo batismo.
A celebração da Páscoa de Maria, portanto, toca-nos agora a todos, pois revela nosso destino como homens e mulheres nascidos em gérmem pascal, pois “Maria, a Mãe de Deus, primícia, do gênero humano, era terrena e corruptível, como filha de Adão. Porém, sendo incorporada a Cristo, também seu corpo devia ser glorificado e tornar-se imortal, mediante a ressurreição de seu Filho.
Ligando a palavra com a ação eucarística
Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus, nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria, que, vestida de sol e adornada de jóias bonitas, canta a esperança oferecida aos pobres e humildes.
Com ela entoamos, alegres, nossa ação de graças pela salvação realizada em Jesus Cristo, após termos ouvido e acolhido a Palavra, guardando-a em nosso coração para vivê-la, como Maria sempre fez.
Sentamos com ela à mesa do Pai e participamos do banquete do Reino, com seu Filho Jesus, saboreando antecipadamente a alegria de nossa elevação definitiva.
padre Benedito Mazeti
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Assunção de Maria: a ressuscitada, imagem da Igreja peregrina - Lc. 1,39-56
A festa que celebramos hoje, isto é, a do dogma da Assunção de Maria, que este ano completa 60 anos de sua definição, é uma verdade que de fato as Escrituras não nos falam absolutamente nada específico sobre tal. Entretanto, desde os primeiros séculos, os primeiros cristãos eram tão convencidos da extraordinária santidade de Maria, e assim como toda a vida dela foi excepcional, o seu fim também devia ser excepcional.
Essa devoção já existia desde os primeiros séculos e quase não era discutida nem no Oriente nem no Ocidente. Essa questão do fim da vida terrena de Maria só começou a ganhar importância nos concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451), pois na medida em que se ia afirmando a sua Maternidade divina, chamava-se a atenção sobre o corpo de Maria. Desta forma, foi se dando cada vez mais ênfase a idéia de glorificação desse corpo.
Assim, desde o século V, já havia uma forte convicção de que o corpo de Maria não se descompôs no túmulo e foi “levado” logo depois da morte. No século VI, por exemplo, a festa da “memória” de Maria, festa em que se comemora o dia da morte de um santo, se torna a festa da “Dormição” de Maria, um termo que, sem negar a realidade da morte de Maria, sugere uma morte cujo caráter é especial. Assim, o corpo que trouxe e gerou virginalmente o Verbo incorruptível de Deus não pôde conhecer a corrupção da morte carnal.
Muito tempo depois, em 1950, o Papa Pio XII num contexto histórico que é caracterizado por um desenvolvimento crescente da piedade mariana, define o dogma. Com a definição, surgem problemas é claro; as igrejas protestantes, por exemplo, apesar de terem seus fundadores (Lutero e outros) devotos convictos de Nossa Senhora, não aceitam o dogma, o que é de se estranhar de não acreditarem nessa tradição oral da Igreja quando ao mesmo tempo acreditam firmemente na mesma tradição oral da Igreja que definiu o cânon (lista) dos livros do NT, numa época em que haviam tantos escritos, tantos evangelhos que poderiam ter entrado nessa lista.
Outro problema com relação a aceitação por parte dos protestantes, é que estes achavam que tal compreensão do dogma dava a entender que Deus dava um dom exclusivo a Maria, que parecia tirá-la da condição comum de todos os humanos. Com certeza, Maria é um ser humano normal como os outros, mas que ela foi plenamente agraciada por Deus quando engravidou por obra do Espírito Santo de Jesus Cristo, o próprio Evangelho nos confirma e sem sombra de dúvidas, ela passa sim a ter um enorme privilégio dado por Deus e com relação ao resto da humanidade, mesmo que continue mais humilde do que nunca.
Já do lado católico, também existem problemas como, por exemplo, o risco da assunção ser confundida com a ascensão, coisa que pertence só ao Cristo ressuscitado. Sobretudo, a crença de que Maria não teria conhecido de modo algum a morte, coisa que de forma alguma é afirmada no dogma. Mal compreendida, esta doutrina da assunção de Maria favoreceria uma visão na qual Maria não teria partilhado plenamente da condição da nossa humanidade. Na realidade, Maria não foi isenta da morte, porém, a tradição da Igreja desde muito cedo viu na sua morte a introdução imediata na glória celeste. Mas ao mesmo tempo, o dogma implica que a mãe de Jesus não conheceu a corrupção do túmulo: preservada do pecado, Maria foi igualmente preservada da corrupção que acompanha a morte.
Para entendermos um pouco o dogma, convém recorrer à Ressurreição de Jesus. No sentido bíblico, a ressurreição não deve ser entendida como a reanimação de um cadáver, nem como a simples imortalidade desprovida de todo caráter corporal, nem como uma forma de reencarnação que estaria ainda submetida ao espaço e ao tempo. A ressurreição é a “ressurreição” da carne, ou seja, carne aqui designando a pessoa em sua unidade e sua integridade: espírito, alma e corpo. Assim, a ressurreição que esperamos não se refere somente a nossa alma, mas a toda a pessoa que foi marcada por sua vida corporal, por sua história, a pessoa completa.
Ora, a Assunção significa que essa esperança já se cumpriu no caso de Maria e que Deus a beneficiou com a ressurreição da carne, elevando-a “com seu corpo e sua alma a sua glória no céu”. O dogma da Assunção de Maria fala de nosso próprio futuro, designa o objeto de esperança que habita em nós no tempo da história, por isso que no livro do Ap. 12, ela aparece coroada, símbolo de que já chegou lá, onde toda a Igreja quer um dia chegar. A assunção atesta que Deus já antecipou para a mãe de seu Filho a salvação esperada pelos cristãos.
A definição do dogma afirma: “proclamamos e definimos ser um dogma revelado por Deus que, quando a etapa de sua vida terrena terminou, a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, foi elevada de corpo e alma à glória do céu”. Portanto, essa definição como vemos nada diz sobre a morte de Maria, nem como ela morreu, mas com cuidado fala sobre “quando a etapa da sua vida terrena terminou”. Pio XII fala da sua assunção: era apropriado que o santíssimo corpo de Maria...fosse confiado à terra por pouco tempo e fosse elevado na glória para o céu”.
Assim, essa definição sugere a ligação da Assunção com os mistérios da Imaculada Conceição, da Maternidade divina e da virgindade perpétua; a diferença entre a forma “foi elevada” e a expressão “subiu ao céu” própria de Cristo, mostra que a Assunção de Maria nunca pode ser confundida com a Ascensão de Cristo. E por fim, devemos entender que a expressão “elevada” em corpo e alma à glória celeste não indica uma mudança de lugar, mas sim uma transformação do corpo de Maria e a passagem do seu ser todo inteiro a condição gloriosa pela qual está unida ao corpo glorioso de seu Filho.
Falando um pouco do Evangelho do dia, na anunciação, o anjo informa a Maria a respeito da gravidez de Isabel, como uma garantia de que nada é impossível para Deus. Declarando-se serva do Senhor, Maria concebe Jesus, e como sinal do seu serviço, se dirige apressada para a casa de Zacarias, para encontrar sua parenta Isabel.
O Evangelho mostra o encontro das duas mães agradecidas pelo dom da fecundidade e da vida. O relato mostra também o encontro entre duas crianças, o precursor e o salvador. Jesus foi concebido por obra do Espírito Santo; João Batista exulta no ventre de Isabel que, cheia do Espírito Santo, proclama Maria bem-aventurada. O relato mostra, sobretudo, que a Santíssima Trindade se revela nos pobres e faz deles a sua morada permanente. O Pai tinha revelado a Maria o dom feito a Isabel, a excluída por causa de sua condição estéril; o Espírito revela a Isabel que Maria, a serva do Pai, tornara-se a “mãe do Senhor”. Assim, a Trindade entra na casa dos pobres humilhados que esperam a libertação.
A nossa oração mariana mais comum, a Ave Maria, na primeira parte é constituída exatamente pelas primeiras palavras do anjo a Maria. “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo”. A estas se seguem as primeiras palavras de Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. O anjo chama Maria “cheia de graça”, Isabel a chama “bendita”. Ambas as expressões indicam antes de tudo qual é a relação de Deus com Maria. É desta relação que depende tudo aquilo que podemos afirmar sobre Maria.
João pula no ventre de Isabel e esta proclama Maria “bendita”, isto é, bem-aventurada. As bênçãos do Antigo Testamento são renovadas definitivamente em Maria.
Pedir a bênção é pedir a vida. Só Deus em definitiva pode dar a bênção. E em toda benção humana se pede a bênção de Deus, costume que também nós herdamos dos judeus. Na Bíblia, as pessoas abençoam (dão a benção) quando descobrem a presença de Deus que salva. Maria é motivo de bênção de maneira especial porque se tornou o lugar privilegiado no qual se experimenta Deus. Ela trouxe ao mundo o Senhor da vida por meio do qual foi vencida a morte e chegou até nós à vida eterna. Proclamando-a bendita, Isabel reconhece que Maria é cheia da bênção de Deus. O seu grande grito é um louvor (típico semítico) à ação de Deus, mas também é um grito de alegria por Maria.
Em relação à Maria, Isabel experimenta a sua própria condição indigna: “quem sou eu, para merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”. Maria concebeu o Filho do Altíssimo, por isso, é a “mãe do Senhor”, a mãe de Deus. Na segunda parte da ave Maria, nós recitamos “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores”. Também nós, como Isabel, reconhecemos ser pecadores e indignos diante da mãe do Salvador. Como ela, reconhecemos a diferença, e temos por Maria o apreço e a veneração que a ela compete.
Enfim, Isabel reconhece a bem-aventurança de Maria por causa de sua atitude: “bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. Maria acolheu com fé a Palavra do Senhor. Levou a sério tudo o que Deus lhe anunciou. Assim, a fé se torna a forma fundamental da sua relação com Deus. Isabel é apresentada como aquela que por primeiro venerou Maria. Com as suas palavras, ela nos delineia os traços essenciais da figura de Maria.
Maria, diante de tudo isso, no canto do Magnificat, fala com júbilo de Deus, daquilo que ele operou nela. Maria fica impressionada pela grandiosidade do Senhor e da sua obra poderosa. E ao mesmo tempo reconhece a sua pequenez. Ela sabe que é pequena e insignificante diante dele. Reconhece tudo isso com sinceridade e não se ensoberbece. No cântico, Maria reconhece que todas as gerações a chamarão bem-aventurada. Não por orgulho, mas porque o motivo de sua bem-aventurança é a obra de Deus nela. Assim, não há nenhum motivo pelo qual nós não possamos venerá-la. O todo-poderoso fez grandes coisas nela desde a sua concepção imaculada até a sua assunção. E, como Isabel, nos enchemos de alegria. Com Maria, aprendemos a reconhecer que Deus é grande, poderoso e misericordioso, se dirige aos humildes e permanece absolutamente fiel a sua Palavra.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento
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1º leitura - Ap. 11,19a; 12,1-3 6a.10ab
Diante das perseguições sofridas pelas comunidades cristãs, o livro do Apocalipse procura dar uma resposta, um consolo, um incentivo à luta e à esperança. A linguagem é simbólica, apenas compreensível aos cristãos.
Nosso trecho traz praticamente 4 imagens simbólicas principais:
a) Arca da Aliança
O Templo, a arca, a aliança, os sinais cósmicos indicam que Deus vai falar, vai comunicar-se com os homens. A Arca, no Primeiro Testamento, trazia as tábuas da Lei, expressão de Deus para o povo. A arca, aqui, pode simbolizar aquela que traz em seu seio a própria Palavra de Deus. Ela pode ter o mesmo significado da mulher do capítulo 12.
b) A mulher
Ela estava vestida de glória e protegida por Deus (vestida como o sol) tem traços da eternidade divina (lua sob os pés) e na cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela representa a vitória da comunidade dos filhos de Deus do Primeiro e Segundo Testamento (12 tribos e 12 apóstolos). A mulher é uma imagem polivalente: É Eva, a mãe da humanidade, que vai dar à luz um descendente capaz de esmagar o mal (Gn. 3,14-15); é o povo de Deus do Primeiro Testamento (12 estrelas); é Sião-Jerusalém, que dará à luz o Messias; é Maria mãe de Jesus; é a comunidade-Igreja, mãe dos cristãos. A fuga da mulher para o deserto indica a vida da Igreja até o fim da história (= 1260 dias - tempo relativo) em meio às perseguições e na intimidade com Deus. A tradição da Igreja sempre aplicou Ap. 12 a Maria que é a Nova Eva, figura da humanidade, figura da Igreja geradora de cristãos. Assunta ao céu, ela antecipa na glória de Jesus o futuro vitorioso de cada cristão.
c) O dragão
É a personificação do mal, a auto-suficiência; é o poder totalitário dos impérios perseguidores da Igreja. No tempo de João, era o Império Romano que perseguia os cristãos. É sanguinário (vermelho), poderoso (sete cabeças, duas coroas), mas seu poder não é absoluto nem perfeito (10 chifres). Pretende lutar contra Deus (estrelas do céu) e quer devorar o Filho da Mulher, o Messias que veio para destruí-lo.
d) O Filho
É Jesus que, com sua ressurreição (= foi levado para junto de Deus e do seu trono) se tornou o vencedor do dragão, do pecado, do mal e da morte. O v. 10 apresenta "a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo"
2º leitura - 1Cor. 15,20-27a
A 1Cor. é uma resposta a diversos problemas e questionamentos da comunidade. O capítulo 15 é todo dedicado ao problema da ressurreição, que alguns estavam negando. Primeiro, ele recorda o anúncio fundamental: Cristo morreu e ressuscitou. Essa certeza da nossa fé é testemunhada por muitos que viram o Cristo ressuscitado. Se, como alguns estão afirmando, os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou e, então, é vã a nossa fé. Mas isso não é verdade. No trecho de hoje, Paulo apresenta dois argumentos.
a) Jesus é o Novo Adão (vv. 20-23)
Adão morreu e na sua morte todos morreram. Jesus é o novo Adão ressuscitado. Ele é o primeiro fruto de uma nova colheita (= primícias). Os primeiros frutos garantem a qualidade da colheita. Isto significa que se Cristo ressuscitou como primícias, todos nós ressuscitaremos depois dele. Em Adão a morte, em Cristo a vida.
b) A vitória de Cristo sobre o mal e a morte
Jesus vence todas as forças e estruturas injustas e inimigas da vida. Todos esses inimigos ele os colocará debaixo dos seus pés. Só depois que isso tiver acontecido é que ele entregará o Reino a Deus Pai. Aí será o fim. Mas qual será o maior inimigo da vida? É a própria morte. Este é o último inimigo a ser destruído. Cristo já o destruiu em seu próprio corpo, mas a vitória só será completa quando ele a destruir em cada um de nós. Aí sim. Aí ele entregará o Reino a seu Pai para que Deus seja tudo em todos. É bom lembrar que nesta luta de destruição de tudo que gera a morte cada cristão deve estar profundamente empenhado.
Evangelho – Lc. 1,39-56
Aqui temos dois encontros: o encontro de duas futuras mães e o encontro de duas crianças!
a) Maria se encontra com Isabel
Quem é Maria? Quem é Isabel? Duas pessoas pobres, mas agradecidas pelo dom de fecundidade. Isabel era estéril e Maria não teve relações com nenhum homem. Deus se manifesta nos pobres trazendo-lhes a riqueza da vida. As palavras de Isabel são inspiradas em textos do Primeiro Testamento.
Jz. 5,24 - "Seja bendita entre as mulheres, Jael".
Jt. 13,18 - "Tu és bendita, ó filha, pelo Deus altíssimo, mas que todas as mulheres da terra".
Dt. 28,1.4 - "Bendito seja o fruto do teu ventre".
2Sm. 6,9 - "Como entrará a Arca do Senhor em minha casa?"
Maria é vista aqui como a Arca da Aliança, pois ela traz em seu seio a salvação de Deus e Isabel reconhece o Salvador, que irá nascer do ventre de Maria (v. 43).
As palavras inspiradas de Isabel são repetidas, há dois mil anos, por milhões de lábios devotos todos os dias ao rezarem a Ave Maria (cf. v. 48). Maria é bem-aventurada, porque acreditou nas promessas do Senhor. Sua grandeza provém, sobretudo de sua fé assumida.
b) Jesus se encontra com João Batista
À saudação de Maria, João Batista se agita no seio de Isabel saltando de alegria, e ela se enche do Espírito Santo. É claro que Lucas quer mostrar a presença da Boa Nova no seio de Maria. A presença do Salvador já alegra o coração do precursor.
2) O cântico de Maria
O cântico é apresentado como resposta de Maria à saudação de Isabel. Lucas o compõe também com palavras do Primeiro Testamento, principalmente inspirado no cântico de Ana em 1Sm. 2,1-10, como expressão da gratidão dos pobres - resto de Israel - que aguardavam a libertação. O núcleo do cântico nos mostra uma espécie de inversão de valores. Na dimensão religiosa Deus destrói a auto-suficiência humana (dispensa os soberbos de coração). Na dimensão política, Deus derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes, refazendo as relações de opressão em relações de fraternidade. Na dimensão social, Deus despede os ricos de mãos vazias e enche de bens os famintos, transformando as relações de exploração em relações de partilha. É a misericórdia de Deus chegando na vida de todos os descendentes de Abraão, que conservaram seu temor ao Deus sempre fiel às sua promessas salvíficas.
dom Emanuel Messias de Oliveira
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1 – A meditação do rosário conclui-se com dois mistérios referentes a Nossa Senhora, a sua Assunção ao céu, em corpo e alma, e a sua coração como Rainha do céu e da terra, dos homens e dos anjos. É esta dimensão da vida de Nossa Senhora que celebramos neste dia 15 de agosto, que por vontade expressa e manifesta de muitos portugueses se manteve feriado civil para melhor acentuar o dia santo, para que os cristãos portugueses, emigrantes incluídos, pudessem aproveitar para celebrar a fé, honrando a Virgem Santa Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa, o que acontece em diversas comunidades com as suas festas populares agendadas para esta data.
sensusfidei tornou-se crucial para esta tomada de decisão. Nas negociações com o governo português para a suspensão ou supressão de dois feriados religiosos, o dia 15 de agosto seria um dos sacrificados. Os Bispos portugueses receberam muitos pedidos para que este feriado se mantivesse. De alguma forma o mesmo sucedeu com o próprio dogma, primeiro acolhido pela fé do povo de Deus, desde sempre, e só em 1950 sancionado pelo papa Pio XII. As comunidades cristãs entendiam que se Maria foi preservada de toda a mácula, também tinha que ser preservada da corrupção do túmulo, envolvida desde o primeiro instante com o mistério da morte e ressurreição de Jesus.
Ela foi o sacrário vivo para Jesus. Deus é Sacrário onde Se encontra Maria, junto de Jesus. Assunta em corpo e alma, isto é, por inteiro, pois inteiramente Se entregou à vontade de Deus.
2 – A ressurreição é o milagre maior da nossa fé, no qual se inscrevem todos os outros, desde a Imaculada Conceição da Virgem Mãe à Sua Assunção ao Céu, a Encarnação de Deus na história dos homens, e todos os prodígios realizados por Jesus ou pelos Seus discípulos.
Toda a vida de Jesus traduz, transluz, concretiza a vontade do Pai, num projeto de reconciliação dos homens entre si e com Deus. Vem na plenitude dos tempos para nos trazer a plenitude do Amor paterno. A Sua vida, corpo e alma e sangue, é dádiva. A cruz é sinal eloquente deste Amor que vai até ao fim, assumindo-nos totalmente para nos salvar por inteiro, também da morte. A Ressurreição coroa este projeto de vida nova no Espírito. Jesus assume e vive a vontade do Pai. Deus Pai assume o Filho e o Seu amor, para no-lo devolver no Espírito Santo.
A liturgia da Palavra proposta para esta solenidade, é garantia desta promessa que se realiza em Jesus: “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Uma vez que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos; porque, do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida. Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda”.
O apóstolo apresenta a ressurreição de Jesus como primícias. Ele é o primeiro, é a Porta que se abre para nós, garantindo-nos a morada eterna junto de Deus. Nossa Senhora, por privilégio da graça divina, é elevada ao céu, Ela que Se deu toda a Deus, Deus assume-A totalmente desde a concepção à ressurreição. Ela é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o povo de Deus, que peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há de consumar no século futuro» (LG. 68).
3 – Ela é coroada como Rainha. Uma Rainha que é Mãe da Igreja, da humanidade. No alto da Cruz Jesus no-l'A entregou por Mãe para que A levássemos conosco, para nossa casa, para a nossa vida, como discípulos amados.
Com a morte de Jesus, Ela torna-se a guardiã da memória, da fé e da esperança congregando os discípulos, a Igreja, em espera orante. Chegada a sua hora, Deus eleva-A para que junto do Filho possa continuar a exercer o seu ministério de amor e intercessão.
“Apareceu no céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade. Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e do seu trono e a mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. E ouvi uma voz poderosa que clamava no céu: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido».
Deus sempre nos socorre. A mulher sob a ameaça do dragão, que é símbolo de Maria e da Igreja. Deus vale-nos ainda que o mal pareça aniquilar-nos. Deus é mais forte, e não deixa que o mal nos devore.
4 – Maria, no seu SIM traz-nos Deus feito Homem. Um sim que se concretiza na procura constante por realizar a vontade de Deus.
“Enquanto Jesus falava à multidão, uma mulher levantou a voz no meio da multidão e disse: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Mas Jesus respondeu: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc. 11,27-28). No evangelho, proposto para a Missa da vigília, acentua-se a prioridade para a escuta da Palavra de Deus e o seu consequente cumprimento. Maria é feliz, bem-aventurada, porque acreditou, é feliz porque dessa forma Se torna Mãe de Deus, é feliz porque ousa responder ao amor de Deus com a pressa em ir ao encontro dos outros para auxiliar (Visitação), intercedendo (bodas de Canã), mantendo a Igreja em vigilância (depois da morte de Jesus) à espera do que há de vir (o Ressuscitado). Agora junto de Deus, aos pés de Jesus, Seu amado Filho, Ela assume a mesma missão de intercessão, de desafio – fazei tudo o que Ele vos disser –, de medianeira das graças divinas, de Mãe que nos acolhe, nos protege e no Seu olhar nos assume como filhos e nos embala no tempo de dor.
“A Igreja – palavras do papa Francisco no santuário de Nossa Senhora da Aparecida, no Brasil – quando busca Cristo, bate sempre à casa da Mãe e pede: «Mostrai-nos Jesus». É de Maria que se aprende o verdadeiro discipulado".
5 – Com os olhos postos no Alto, com a firmeza do peregrinar nesta terra, neste mundo e neste tempo, com a missão de sermos portadores da Salvação que nos é trazida em plenitude por Jesus, procurando imitar a Virgem Santa Maria, com a disponibilidade para escutar, para louvar, para nos integrarmos no Povo de Deus.
Ela é herdeira desta história da salvação. Herança que, juntamente com São José, deposita em Jesus Cristo. A sua oração coloca-a no coração do Povo de Deus, dando continuidade à profecia no seu próprio Corpo, no seu sim: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».
A oração integra o serviço, como facilmente se deduz do Evangelho. Maria vai apressadamente para ajudar a Sua prima Isabel, sem calculismos do tempo despendido, dos perigos do caminho, ou dos gastos a efetuar. Vai simplesmente. Por vocação. Por amor. Para servir. Para ser prestável. Leva com Ela o fruto do Seu ventre, Jesus, e começa a espalhar a alegria a todos os que Dela se aproximam. A oração fá-la permanecer junto de Isabel para a ajudar nos momentos mais difíceis da gravidez.
Maria acolhe do céu a graça que n'Ela Se faz carne, mas rapidamente se põe a caminho da montanha, a uma cidade que pode também ser a nossa, para levar ajuda e a melhor ajuda é a presença de Jesus.
Como em vida, também agora como ressuscitada em Cristo Jesus, continua zelosamente a interceder por nós, a olhar para nós, a dar-nos Jesus, a elevar o nosso coração para Deus mostrando-nos o caminho através do serviço aos irmãos. Ela seguiu Jesus em vida e logo depois para a eternidade. Agora nós, sigamos Jesus Cristo para depois n’Ele sermos herdeiros da bem-aventurança eterna.
padre Manuel Gonçalves
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De hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações
1ª leitura: Apocalipse 11,19a; 12,1-6.10
O céu espera-nos sempre!
1. Pretendeu-se começar esta leitura colocando a manifestação celestial da Arca da Aliança que tinha desaparecido do Templo de Jerusalém, provavelmente com a conquista dos babilônios. É impossível encontrá-la seja onde for, embora a lenda continue a ser alimentada de mil maneiras. No nosso texto é todo um símbolo de uma nova época escatológica que revela as novas relações entre Deus e a humanidade.
2. E se de signos se trata, o da mulher grávida, tem sido identificada com Maria durante muito tempo. Está leitura já não tem sentido, embora tenha sido escolhido para a festa da Assunção. Não é possível que o menino que háde nascer se identifique com Jesus arrebatado ao céu para evitar ser destruído pelo dragão. Se fosse assim, toda a história de Jesus de Nazaré, o Senhor encarnado que viveu como nós e foi crucificado, perderia todo o sentido. A transposição não seria muito acertada.
3. O símbolo do céu, desde logo apocalíptico, é da nova comunidade, a Igreja libertada e redimida por Deus que engendra filhos àqueles a quem espera uma vida nova, para lá da história. Também Maria é "filha" dessa Igreja libertada e salva que vive como nós, sente conosco e é ressuscitada, ainda que seja mãe do nosso Salvador. E por isso é também nossa "Mãe".
2ª leitura: 1º Coríntios 15,20-26
Em Cristo todos teremos uma vida nova
1. Quando Paulo se confronta com os que negam a ressurreição de entre os mortos, apoia-se na ressurreição de Cristo que proclamou como kerigma (proclamação) nos primeiros versículos desta carta (1Cor. 15,1-5). No versículo 20, o apóstolo dá um grito de vitória com uma afirmação de desafio face aos que afirmam que depois da morte não há nada. Se Cristo ressuscitou, há uma vida nova. De contrário, Cristo que é um homem como nós também não teria ressuscitado.
2. Poderíamos dizer muitas coisas que Paulo sugere neste momento. Ele chama-lhes "primícias" (aparché) não no sentido temporal, mas de plenitude. Foi em Cristo que Deus Se manifestou de verdade e o que nos espera enquanto filhos. Ele é o novo Adão, n'Ele se resolve o drama da humanidade; por isso é a partir daqui que se deve arrancar a verdadeira teologia da Assunção, isto é, da Ressurreição de Maria. Porque a Assunção não é outra coisa senão a ressurreição que tem na de Cristo a sua eficiência e o seu modelo. O mesmo sucederá conosco.
Evangelho: Lucas 1,39-56
Um canto de "enamorada" de Deus
1. A visitação permite um desafogo espiritual de Maria pelo que viveu em Nazaré – tinha sido demasiado! O Magnificat é um cântico sobre Deus e a Deus. Não seria adequado entrar agora em considerações sobre a originalidade literária do mesmo, nem o que poderia ser um "problema" de copistas que levou a alguns intérpretes a opinar que, na realidade, é um cântico de Israel, tirado do de Ana, a mãe de Samuel (1Sm. 2,1-10) quase com os mesmos benefícios de um filho que preenche a esterilidade materna. Na realidade existem indícios de que podia ser assim, mas a maioria pensa que Lucas atribui a Maria a causa da bênção como resposta às palavras de Isabel. Assim ficará para sempre sem que isso signifique que é um cântico próprio de Maria naquele momento e para aquela ocasião que hoje nos é relatada.
2. Diz-se que o cântico pode ser lido em quatro estrofes, com uns temas muito perfeitos, tanto do ponto de vista teológico como espiritual; com grande sabor bíblico que se atualiza na nova intervenção de Deus na história da humanidade, através de Maria que aceita, com fé, o projeto salvífico de Deus. Ela empresta a Deus o seu seio, a sua maternidade, o seu amor e a sua pessoa. Não se trata de uma mãe de aluguer, mas plenamente entregue à causa de Deus. Deveríamos ter muito presente, de onde quer que se observe, Lucas quis mostrar-nos com este cântico (não sabemos se antes os copistas o tinham transmitido de outra forma ou de outra maneira) que uma jovem, depois do que "passou" na Anunciação, é uma jovem "enamorada de Deus". Essa é a sua força.
3. Os temas, poderiam, portanto, expor-se assim:
(1) a gozosa exaltação, gratidão e louvor de Maria pela sua bênção pessoal;
(2) o caráter e a misericordiosa disposição de Deus para todos os que O aceitem;
(3) a sua soberania e o seu amor especial pelos humildes no mundo dos homens e das mulheres;
(4) a sua especial misericórdia para com Israel, não um Israel nacionalista.
A causa do cântico de Maria é que Deus se dignou elegê-la, donzela campesina, de condição social humilde, para cumprir a esperança de toda a donzela judia, mas representando todas as mães do mundo de qualquer raça e religião. E se no judaísmo a maternidade gozosa e esperançada era expectativa do Messias, em Maria a sua maternidade é na expectativa de um Libertador.
4. Este cântico libertador (não exatamente libertário) existe para mostrar que quando se conta com Deus na vida, tudo é possível. Deus é a força dos que não são nada, dos que não têm nada, dos que não pertencem à classe dos poderosos. É um cântico de "mulher" e, como tal, forte, penetrante, prudente, espiritual e teológico. É um cântico para sabermos que a morte não tem as últimas cartas na mão. É um cântico a Deus e isso nota-se. Não se trata de uma oração egocêntrica de Maria, mas sim uma expansão feminista e de maternidade na qual podem aprender homens e mulheres. É, desde logo, um canto de liberdade e, inclusivamente, um programa para o próprio Jesus.  De certo modo foi assim que o concebeu Lucas, não fosse ele o seu último autor.
frei Miguel de Burgos Núñez
tradução de Maria Madalena Carneiro
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O dogma da Assunção de Maria
A Assunção de Nossa Senhora é um dogma solenemente definido pelo papa Pio XII no dia primeiro de novembro de 1950 e, declara que Nossa Senhora, ao término de sua vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos. A festa é celebrada no calendário da Igreja, com a categoria de solenidade no dia 15 de Agosto.
O papa Bento XVI cita o dogma da Assunção de Nossa Senhora, declarado pelo papa Pio XII: “Em tal modo a augusta Mãe de Deus, misteriosamente unida a Jesus Cristo fim de toda eternidade com um mesmo decreto de predestinação, Imaculada na sua concepção, virgem casta na sua divina maternidade, generosa sócia do Divino Redentor, que conseguiu um pleno triunfo sobre o pecado e sobre suas consequências, ao fim, como supremo coroamento de seus privilégios, obtém de ser preservada da corrupção do sepulcro e, vence a morte, como outrora o seu Filho, de ser exaltada em alma e corpo à gloria do Céu, onde resplende Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos”.
O Catecismo (966) diz assim sobre a Assunção de Nossa Senhora: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme o seu Filho”.
Maria assunta ao céu antecipa a nossa entrada no céu, tendo em vista a participação de todos nós na morte de Cristo e também na sua Ressurreição. O Beato João Paulo II disse: “No mistério, que hoje contemplamos, revela-se claramente o destino de toda a criatura humana: isto é, a vitória sobre a morte, para viver eternamente com Deus. Maria é a mulher perfeita na qual se realiza desde agora o desígnio divino, como antecipação da nossa ressurreição. É o primeiro fruto da Misericórdia Divina, porque foi a primeira a participar do pacto salvífico aprovado e realizado plenamente em Cristo, morto e ressuscitado por nós”.
A liturgia da solenidade da Assunção de Nossa Senhora é o Evangelho que narra a visita de Maria à prima Isabel e o canto do Magnificat.
Vamos fazer a reflexão do Evangelho de São Lucas, dos versículos 39 a 45 e, o versículo 56. Já os versículos de 46 a 55 falam do canto do Magnificat.
Maria foi apressadamente á casa de Isabel, sua prima. Isabel era esposa de Zacarias e esperava no ventre o seu filho, e que veio a se chamar João (Batista), a pedido do anjo enviado por Deus. (Lc. 1,13) Quando Nossa Senhora entrou na casa, saudou Isabel. A criança que estava no ventre de Isabel estremeceu e Isabel cheia do Espírito Santo, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas”! (vs. 42-45) Então Maria canta um hino magnífico de louvor a Deus, em agradecimento às maravilhas que Ele realizou em seu favor e, de todas as gerações de filhos e filhas de Deus, dando-nos o salvador Jesus Cristo. (vs. 46-55) No Evangelho de Jesus Cristo desse domingo, segundo São Lucas, vamos encontrar duas importantes orações da Igreja, que os fiéis católicos tem por hábito rezarem: A oração da Ave Maria e a oração do Magnificat.
A visita de Maria à sua prima Isabel
Maria é exemplo de serviço e doação - Maria caminha apressada em direção à casa de Isabel e Zacarias. Mesmo grávida de Jesus, Nossa Senhora vai atender às necessidades de Isabel, que vai ter um filho por graça de Deus, já que Isabel estava em idade avançada. Maria nos dá exemplo de verdadeira serva de Deus, pois não olha as suas próprias dificuldades, mas coloca-as em segundo plano. Maria também nos ensina que servir é: estar em movimento; ir ao encontro do outro; cansar-se e desgastar-se pelo outro. É provável que Maria tenha caminhado alguns quilômetros para visitar Isabel, embora também estivesse grávida.
O cardeal Tarcísio Bertone disse assim: “Se o amor não se torna fadiga, se não te incomoda, se não te preocupa, se não te fizer conhecer qualquer privação, talvez não seja verdadeiro amor”. Quantos irmãos precisam de uma simples visita nossa, para não se desesperarem nas situações difíceis que se encontram. Basta olhar para Nossa Senhora e tirar da sua atitude de doação e despojamento, lição para nossas vidas.

A casa de Isabel e Zacarias
O beato João Paulo II explicou: “Maria quando, depois da anunciação cheia de Espírito Santo e cheia do Mistério realizado no seu seio por obra deste mesmo Espírito, entra na casa de Zacarias. Atravessa a soleira da casa de uma família que lhe está muito próxima por espírito e parentesco. E já na entrada recebe a saudação de Isabel que lhe exalta a fé: “Feliz de ti que acreditaste” (Lc. 1,45). E saúda Maria com as mesmas palavras com que todos nós a saudamos constantemente, quando recitamos a “Ave Maria”.
O versículo 56 narra que Maria ficou na casa de Isabel e Zacarias por três meses. O cardeal Tarcísio Bertone ensinou:  “Maria entra na casa de Zacarias. Enfrenta esta aventura. Transcorre tempo com Isabel, participa na vida simples desta família, faz-se companhia.  E é assim que ela doa Cristo, que faz explodir o cântico da boa nova, que torna todos participantes do mistério de Deus feito homem.”  Precisamos sair do comodismo e ir ao encontro do irmão que necessita de nós, como fez Maria com Isabel. É um gesto cristão de amor e solidariedade.
Bendita és tu entre as mulheres (v. 42a) – A bíblia está repleta de mulheres tementes a Deus e de grandes testemunhos de fé. Podemos destacar algumas dessas mulheres: Judite (Jt.  8,1-4); Ester (Est. 2,5-7); a profetiza Ana (Lc. 2,36-38); Maria Madalena; a própria Isabel, mãe de João Batista e muitas outras.  E continuando essa lista, a Igreja é sustentada pelo exemplo de muitas mulheres que viveram uma vida de santidade, como: Santa Teresinha do Menino Jesus; a beata Madre Teresa de Calcutá; santa Rita de Cássia… Mas nenhuma se compara a Mãe do salvador, que nasceu Imaculada e gerou em seu ventre, por obra do Espírito Santo, Jesus Cristo o Filho de Deus.
O papa Bento XVI explicou: “Em primeiro lugar, o pensamento dirige-se naturalmente à Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra materna, colaborou de modo único para a nossa Redenção, tanto que Isabel pôde proclamá-la “bendita és tu entre as mulheres” (Lc. 1,42), acrescentando: “Feliz de ti que acreditaste” (Lc 1,45). Tornando-se discípula do Filho, Maria manifestou em Caná a confiança total nele (Jo 2,5) e seguiu-o até aos pés da Cruz, onde recebeu dele uma missão materna para todos os seus discípulos de todos os tempos, representados por João” (Jo 19,25-27)

Bendito é o fruto do teu ventre (v. 42b)
O papa Bento XVI disse assim: “Imaginemos o estado de espírito da Virgem, a seguir à Anunciação, quando o Anjo a deixou. Maria encontrou-se com um grandioso mistério encerrado no seu ventre. Ela sabia que tinha acontecido algo de extraordinariamente singular; dava-se conta de que tinha finalizado o último capítulo da história da salvação do mundo. Mas ao seu redor tudo tinha permanecido como antes, e a aldeia de Nazaré desconhecia completamente o que lhe tinha acontecido”. Bendita é Maria, porque foi gerado no seu ventre por obra do Espírito Santo, o salvador Jesus Cristo, o filho amado do Pai.  Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!

Maria é mãe de nosso Senhor e nossa mãe (v. 43)
Quando ouviu a saudação de Maria, Isabel ficou cheia do Espírito Santo e dentre as palavras ditas por ela e que ressoam até hoje em nossos corações são: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor”? . Maria é a mãe de Nosso Senhor e também nossa mãe.
O papa Leão XIII disse: “Assim Maria, pelo fato de haver sido escolhida como Mãe de Jesus, Nosso Senhor – que é ao mesmo tempo nosso irmão – teve, entre todas as mães, a singular missão de manifestar e de derramar sobre nós a sua misericórdia. Além disto, assim como nós somos devedores a Cristo de nos haver, de certo modo, tornado participantes do seu próprio direito de chamar e de ter a Deus por Pai, assim também lhe somos igualmente devedores de nos haver amorosamente tornado participantes do seu direito de chamar e de ter Maria por Mãe”.
 E o Catecismo (968) ensina: “De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas.  Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça”.

A saudação de Maria causa alegria no filho que está no ventre de Isabel (V. 44)
O papa Bento XVI ensinou: “Como não observar que, no encontro entre a jovem Maria e a já idosa Isabel, o protagonista escondido é Jesus? Maria leva-o no seu seio como um tabernáculo sagrado e oferece-o como o dom maior a Zacarias, à sua esposa Isabel e também ao menino que se está a desenvolver no seu seio. Pois diz-lhe a mãe de João Batista logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. (Lc. 1,44) Onde Maria chega está presente Jesus. Quem abre o seu coração à Mãe encontra e acolhe o Filho e é repleto da sua alegria”.
 Deus sempre quer nos dar a alegria e quer nos consolar.  A Palavra de Deus diz que na missão de Jesus está incluída a doação da alegria e da felicidade. A palavra diz que o Senhor veio para nos dar “um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero”. (Is. 61,3) E essa promessa de alegria e felicidade, Jesus já começou a realizá-la no ventre de Maria e que terá seu ápice no momento da sua Ressurreição.
O papa Bento XVI falou: “Maria foi imediatamente transmitir a sua alegria à prima Isabel. E desde que foi elevada ao céu, distribui alegrias pelo mundo inteiro, tornando-se a grande Consoladora; a nossa Mãe, que transmite alegria, confiança e bondade, e que nos convida também a anunciar a alegria.”

A fé de Maria – “Bem-aventurada és tu que creste…” (v. 45)
O beato João Paulo II explicou: “Ao receber a mensagem do futuro nascimento do filho, Zacarias teve dificuldade em crer, julgando o fato irrealizável porque, tanto ele como a sua esposa, eram de idade avançada”.  Mas Maria acreditou, mesmo sem entender o tamanho da responsabilidade e do envolvimento do seu Sim. Creu em Deus a despeito de qualquer situação. Isabel sob a inspiração do Espírito de Deus profetizou: “Bem-aventurada és tu que creste…”  O Catecismo (967) diz: “ Por sua adesão total à vontade do Pai, à obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade”.
Concluímos essa reflexão com as palavras de são Germano: “Maria, tu és Aquela que, por meio da tua carne imaculada, uniste a Cristo o povo cristão… Como toda a pessoa sequiosa corre à fonte, assim também toda a alma corre a Ti, manancial de amor, e como todo o homem aspira a viver, a ver a luz que não conhece ocaso, assim também cada cristão aspira a entrar na luz da Santíssima Trindade, onde tu já entraste”.
Jane Amábile

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Ao terminar a sua missão na terra, Maria, a Imaculada Mãe de Deus "foi elevada em corpo e alma à glória do Céu", sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude da salvação.
São Bernardo e são Francisco de Sales estavam convencidos de que a Virgem Maria teria morrido de amor, e não de dor.
A morte mais nobre de todas é devida, por conseguinte, à mais nobre vida que jamais houve entre as criaturas; morte que mesmo os anjos desejariam apreciar, se fossem capazes de morrer.
É probabilíssima, e hoje bastante comum, a crença de que a Santíssima Virgem teria morrido antes que se realizasse a dispersão dos Apóstolos e a perseguição de Herodes Agripa no ano 42 ou 44. Teria então uns 60 anos de idade.
Embora a Sagrada Escritura nada diga, a crença universal da Igreja é que a Santíssima Virgem morreu, como tinha morrido também seu Filho.
A tradição antiga, tanto escrita como arqueológica, localiza a sua morte no Monte Sião, na mesma casa em que seu Filho celebrara os mistérios eucarísticos e, em seguida, tinha descido o Espírito Santo sobre os Apóstolos.
Já em época antiquíssima se chamou àquela primeira Igreja Santa Maria do Monte Sião.
E hoje, sobre parte da área que a Basílica de Constantinopla ocupou, levanta-se a Igreja da Dormição, magnífica rotunda de estilo gótico, consagrada em 1910, cujas torres pontiagudas se descobrem de todos os ângulos de Jerusalém.
A glorificação de Maria é uma consequência natural da sua Maternidade Divina:
Deus não quis que conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou o Senhor da vida.
É também o fruto da íntima e profunda união existente entre Maria e a sua missão, entre Cristo e a Sua obra salvadora.
Plenamente unida a Cristo, como sua Mãe e sua serva humilde, associada, estreitamente a Ele, na humilhação e no sofrimento, não podia deixar de vir a participar do mistério de Cristo ressuscitado e glorificado, numa conformação levada até às últimas consequências.
Por isso:
- ‘Maria foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores (cf. Ap. 19,16) e vencedor do pecado e da morte’ (LG. 59).
Este privilégio, concedido à Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, é Sinal de esperança e de alegria para todo o Povo de Deus, que peregrina pela terra, e luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida.
Com efeito, a Mãe de Jesus:
- “Glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro” (LG.68).
O triunfo de Maria, mãe e filha da Igreja, será o triunfo da Igreja, quando, juntamente com a Humanidade, atingir a glória plena, de que Maria já goza.
A Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma, é a garantia de que o homem se salvará todo : também o nosso corpo ressuscitará!
A Assunção de Maria é o penhor seguro de que o homem triunfará da morte!.
A primitiva tradição a respeito da saída de Nossa Senhora deste mundo é especialmente forte e bem arraigada nos cristãos da Igreja Oriental.
 Há escritos sobre a Dormição (dormida no sentido da morte de Nossa Senhora), desde os fins do século VII.
O título original de Dormição, foi substituído por Assunção, no sacramentário gregoriano, enviado pelo papa Adriano I (790) ao Imperador Carlos Magno, como texto litúrgico para ser usado no seu Império.
No fim do século VIII a festa da Assunção era celebrada universalmente no Ocidente em 15 de Agosto.
E, em 847, o papa Leão IV ordenou uma oitava para esta festa. Mais modernamente o movimento levantado para promover a definição da Assunção corporal de Maria ao Céu, pertenceu a santo António Maria Claret (1807-1870), o fundador dos Claretianos e bispo de Santiago de Cuba.
Milhares de petições de todas as partes do mundo foram enviadas a Roma, pedindo ao papa a definição do dogma da Assunção.
Finalmente, em 1946, o papa Pio XII dirigiu um inquérito oficial a todos os bispos da Igreja Católica, perguntando-lhes :
- Em vistas da sabedoria e prudência que vos reconheço, pensais que a Assunção corporal de Maria pode ser proposta ao mundo como definido dogma da fé, que vós, o vosso clero e os fiéis desejam ?
Durante meses o Papa foi recebendo uma quase unânime resposta afirmativa.
Em consequência disso, em 1 de novembro de 1950, o papa Pio XII publicou a seguinte definição:
- Pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela nossa própria autoridade pronunciamos, declaramos e definimos como dogma divinamente revelado: a Imaculada Mãe de Deus, Maria, sempre Virgem, depois da sua vida na terra, foi elevada em corpo e alma à glória do Céu (Decreto Munificentissimus Deus).
As razões ou fundamentos para a definição do dogma da Assunção de Maria como doutrina revelada foram, a sagrada Tradição com os mesmos fundamentos da Sagrada Escritura.
Uma razão importante para esta definição foi expressa pelo Papa, quando falou à assembleia dos bispos no dia seguinte à definição.
Ele disse que esta nova honra para Maria devia constituir uma esperança de que o espírito de penitência viesse substituir o prazer pelo amor, renovar a vida da família: estabilizada, onde era comum o divórcio, frutífera onde era praticada a limitação da natalidade.
A Assunção corporal de Nossa Senhora deveria ser um poderoso motivo para o controlo das nossas paixões corporais.
Porquê?
- Porque no último dia nós havemos de ressuscitar com um corpo glorioso, pelos méritos que tivermos alcançado durante a nossa vida na terra, sacrificando os nossos prazeres sensuais em obediência à vontade de Deus.
Diz-nos o Catecismo da Igreja Católica:
966. "Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte" (LG. 59). A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação dos outros cristãos.
John Nascimento
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