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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*:A mãe do meu Senhor (Lc1,43) - 17 agosto 2014

Festa de Maria
·                     Onde se faz memória da Virgem Maria no dia 15 de agosto – Assunção (na liturgia católica romana), festa da Virgem Maria (igreja anglicana), Maria, Mãe do Senhor (igreja luterana) ou Dormição da Theotókos (=Mãe de Deus, nas igrejas ortodoxas) – conservou-se antiga tradição cristã. Neste caso no dia 17, celebra-se o 10ºdomingo depois de Pentecostes. Exceto no Brasil, também no rito católico romano mantém-se a tradição do dia 15 de agosto para a solenidade da “Assunção” e, o domingo é o 20º do tempo Comum (10º pós-Pentecostes). No Lecionário Comum Revisado (usado por grande parte das igrejas cristãs) são leituras (Próprio 15): Isaías56.1,6-8; Romanos11.1-2a, 29-32; Mateus5.(10-20) 21-28. Por sua vez as igrejas ortodoxas leem:Coríntios4, 9-16 e Mateus 17,14-23.
·                     Para a solenidade da “Assunção” as leituras são: Apocalipse11,19a.13,1.3-6a.10ab; 1Coríntios15,20-27a; evangelho segundo Lucas1,39-56.

Dizemos com Isabel (cf.Lc 1): Maria é abençoada!
·                     [Observação: o texto a seguir é resumo e adaptação de comentários de dois teólogos publicados em croire.com]. Na festa de hoje celebra-se a exaltação da Virgem Maria como tendo sido elevada em corpo e alma à glória junto de Deus. Se Maria é beneficiada com a ressurreição, afirma-se que “já” foi agraciada com o que é prometido a todo aquele que crê. Reconhecer explicitamente esta elevação (ressurreição) de Maria, de um modo especial, explica-se porque ela teve uma resposta única à Graça, também única, que a colocou numa posição privilegiada entre todos os crentes, sendo-lhe dado o título de “Mãe de Deus”.
·                     [“Mãe de Deus” é expressão mais comum entre anglicanos e católicos romanos para traduzir o termo grego Theotókos (sempre usado pelos ortodoxos) e que se difundiu por toda a cristandade depois do século 5º (concílio de Éfeso), no contexto da discussão cristológica e queria sublinhar que seu filho Jesus é Deus e homem, Pessoa divina com duas “naturezas” em “união hipostática”.]. A reflexão hoje, portanto nos leva a meditar:
.1. Deixar-se habitar pelo Espírito, como Maria.
·                     Pois, não foi pelos próprios méritos que Maria se tornou a Mãe do Senhor, mas pela sua disponibilidade à ação do Espírito nela. “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra” – Lucas 1,35 – “Eu sou serva do Senhor, que seja feito como me disseste” – Lucas 1,38. Tomar consciência disso é muito importante, pois significa que cada um de nós, apesar das fraquezas, limites é com nossa finitude que podemos estar disponíveis ao Espírito de Deus, como Maria. E só quem se torna disponível ao Espírito escuta sua voz e pode levar a paz, o bem, a cura e a ajuda aos outros.
.2. Maria visita Isabel (cf.Lc1)
·                     Enquanto em nosso imaginário “Assunção” traça uma “subida” para o céu, a liturgia nos propõe um itinerário bem mais “horizontal”: o de uma mulher que vai à casa de outra mulher, ambas agraciadas especialmente por Deus. Maria, fecundada na fé, vai à casa de outra mãe: a do precursor, João Batista e ambas proclamam as maravilhas de Deus; Para ambas Deus manteve sua promessa e suas vidas foram transformadas completamente. Aquela que “leva Deus” em seu ventre saiu de sua casa e vaia à casa de sua prima, que, já idosa, antigamente se achava incapaz de gerar um filho. Não estaria Maria inaugurando neste momento o que será permanente (o que é próprio da Fé)? Ou seja, movimento de constante ida e saída em favor de outros? Cristo também não era daqui, nós também não o somos. Ele veio (saiu de sua condição igual a Deus, dirá Paulo) em busca dos que estavam perdidos. E sua mãe o seguiu nesta missão, até o fim. Nesta vida seguiu-o até chegar ao pé da cruz. E seguiu-o, depois, também. Ao falar de Assunção, portanto, pode-se contemplar simplesmente que Maria de novo vai, seguindo o Filho e a festa confirma sua caminhada.
·                     Isabel não diz a Maria: obrigado porque veio me visitar! Mas diz que ela é “bendita entre  todas as mulheres” e acrescentou: “de onde provém esta maravilha: que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?”. Também o anjo não lhe dissera ter vindo porque aquela donzela de Nazaré era melhor que as outras, mas disse: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo, abençoada és entre as mulheres!”
.3. Nós, como a mãe de Jesus...
·                     Também nós, cada qual de forma especial, não somos cumulados de graças? Não recebemos um corpo, uma inteligência, talentos próprios, um lugar? Não fomos criados numa família, e não temos nossos amigos, e tantos outros dons? Será, porém, que saberemos, como Maria, estar disponíveis diante das graças que nos constituem tais como somos? Saberemos nos deixar revestir pelo Espírito? Sabemos acreditar (crer, confiar) como Maria? “Bem-aventurada aquela que acreditou”, disse Isabel. Crer não é um movimento intelectual puro. Não se pode crer a partir de fora. Num projeto de Deus, se engaja toda uma vida. Como num casamento: entrega-se a própria confiança a alguém com quem se quer comprometer, sem saber antecipadamente aonde aquele gesto levará – pois não se conhece plenamente o outro – mas o objetivo é construir juntos um projeto de vida. Assim acontece na Fé. Maria não conhecia de antemão todas as espadas que iriam transpassar seu coração de mãe; um filho que estaria primeiro “ocupado nas coisas do seu Pai” (Lucas 3,49), um filho que reivindicará uma família universal (“quem é minha mãe, quem são meus irmãos? Mateus 12,48); um filho, enfim, que será crucificado como um marginal e bandido...
·                     Através destas provas, Maria passará de sua condição de mãe à de discípula. Mas ela sabia desde o início que o seu Sim não consistiria em escrever apenas uma história individual com seu Deus, mas abria um horizonte mais amplo do projeto de Deus para o mundo. É o que testemunha seu canto chamado “Magníficat”: “todas as gerações me chamarão bem-aventurada... seu amor se estende de geração em geração... ele dispersa os soberbos... ele eleva os humildes... ele está lembrado da promessa feita a nossos antepassados...” Estaremos nós, como Maria, preparados a nos tornar pessoas que creem? Prontos a entrar no projeto de Deus, mesmo não sabendo até onde isso nos levará? Estaremos dispostos, como Maria, a entrar na vida de Deus, como ele entrou na nossa?

Para concluir
Aqui está o núcleo da solene festa de hoje. Se Maria foi conduzida pela Graça a ser mãe, a tornar-se discípula e seguidora de Cristo até a cruz e, depois elevada até a glória de Deus, foi porque ela se deixou habitar pelo Espírito. Porque acreditou, como aconteceu com tantos outros mártires e com todos os santos justificados por Jesus Cristo na Fé. Este viver “em Deus” não é uma “recompensa”, mas já está acontecendo desde esta vida. É a isto que todo discípulo é chamado! Contrariamente ao que às vezes se ouve dizer, “Assunção” não quer dizer que Maria não morreu (o próprio Jesus morreu!), mas quer dizer que seu corpo não conheceu a corrupção (cf.Salmo16,10; Atos 2,27.31;13,35). Ela tem uma posição especial, mas não está fora de nossa humana condição. Ela simplesmente nos “precede” (se podemos falar em termos de tempo para quem já não vive no tempo-espaço onde nós estamos). Mas, todos somos chamados, como a mãe de Jesus, a entrar na vida de Deus, na família de Deus, que nos assegurou: “minha mãe e meus irmãos são os que escutam a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lucas 8,21).

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( * ) Prof.(1975 a 2012::filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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