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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 21ªsemana t.Comum(11ªpós-Pent) 24 agosto 2014
QUEM É O “HOMEM” (A PESSOA). QUEM É O “FILHO DO HOMEM”

Textos do dia: caminhos de busca
·                     A 1ª leitura é tirada de Isaías 22,19-23 que traz o único oráculo deste profeta dirigido a uma pessoa em particular e entra na liturgia de hoje como um paralelo à leitura do evangelho onde Pedro tem um papel particular entre os apóstolos. A segunda leitura; Romanos 11,33-36 conclui o bloco dos cap.9 a 11, e Paulo lembra que Deus orienta a história com sua sabedoria e providência mesmo por caminhos insondáveis a nós, criaturas. A fé é a esperança nesta presença misteriosa do amor, nosso caminho, verdade e nossa vida. A passagem evangelho (Mateus 16,13-20) está centrada na pergunta de Jesus: para vocês, quem sou eu?
·                     O Lecionário Comum (LCR) propõe o mesmo texto do Evangelho, mas outros textos alternativos (do A.Testamento e da mesma carta aos Romanos). Isaías51,1-6 é profecia de consolação: como fez com seus antepassados o Senhor não esquecerá seu povo em justiça e salvação. O capítulo 12, 1-8 de Romanos exorta ao aproveitamentos dos dons diferentes de cada um para a mútua ajuda na comunidade. No calendário ortodoxo neste 11º domingo pós-Pentecostes lê-se 1Coríntios 9,2-12 e Mateus 18: 23-35.

Os abusos da religião
·                     Na Nigéria, a identidade religiosa é mais importante que a cidadania. A população é formada praticamente meio a meio de cristãos e muçulmanos, mesmo assim o Islamismo ali tenta impor a todos a lei da Sharia. Desde 1990 estima-se em 20mil o número de pessoas mortas em nome de Deus. Atualmente acompanhamos as tristes notícias do norte do Iraque onde o movimento “Estado Islâmico” se propõe a criar um califado que pretende chegar até a península ibérica começando pela região Iraque-Síria. O fato é que já são mais de 150 mil os refugiados na região do Kurdistão, entre cristãos, iazides e membros de outras minorias religiosas ameaçados de morte. A ONU declarou nesta semana que já os conflitos na região criaram meio milhão de refugiados. Em Gaza prosseguem os bombardeios diários como continuam sendo lançados os mísseis contra Israel. No antigo Ceilão (Sri Lanka) o conflito já antigo é entre budistas e muçulmanos. Em muitos países, como no Canadá, os cristãos se dividem em questões relativas à homosexualidade. No Brasil as disputas religiosas parece ser mais de ordem comercial, em vista do controle de meios de comunicação, de mais poder político em bancadas ou blocos legislativos. São todos abusos da religião.

Crer ou reconhecer Deus presente
·                     Quando alguém diz: “quem sou eu para você?” geralmente é no contexto de relações em crise e, portanto, é necessário firmar posição entre as pessoas. É o que nos lembra o teólogo canadense A.Gilbert (que apontou, acima, alguns conflitos provocados pela religião no mundo), ao comentar o evangelho de hoje. A pergunta de Jesus “quem sou para as pessoas? Quem sou para vocês?” é feita no contexto da contestação de Jesus aos fariseus que davam mais valor à observância de costumes religiosos do que à caridade.

Afastar-se dos leigos “fariseus” e dos “eclesiásticos” saduceus
·                    Vozes que corriam entre o povo consideravam Jesus de Nazaré como um João Batista, ou um profeta (redivivo?) como Elias ou Jeremias. Mas a resposta dada por Pedro não é apenas para evidenciar a identidade própria do Messias, negando que ele fosse o “retorno” de um daqueles homens de Deus respeitados pelo povo. Com sua resposta (“Tu és o Messias, o filho de Deus vivo”) Pedro queria dizer: Tu és o rosto mesmo desse Deus que não podemos ver. Pedro responde no contexto das controvérsias de Jesus com fariseus, saduceus, e todos que colocavam as leis religiosas acima do relacionamento verdadeiro, seja com o “Pai”, o Deus de Moiséis e dos Profetas, seja com as outras pessoas, particularmente com os mais abandonados e desprezados da sociedade.
·                     É como se Pedro dissesse: Quando te opões (falando a Jesus) a todos estes homens religiosos criticando seu comportamento, é o próprio Deus que se opõe a essa caricatura de religião, porque queres restabelecer a verdadeira imagem de Deus. E qual é esta imagem? Lembremos que dias antes Jesus curava os coxos, os cegos, os aleijados e os mudos; disse que tinha enorme compaixão da multidão que o seguia; e, finalmente,  mandou que os próprios discípulos dessem de comer a todos: eram cerca de 4 mil os participantes do que hoje chamamos “multiplicação dos pães”.

O poder de “ligar e desligar”
·                     O texto de hoje conclui: “Feliz de ti Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.- E tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus”. Lembremos inicialmente que aqui a expressão “carne e sangue” opõe-se a uma revelação que não seja diretamente dada por Deus, assim como Paulo (aos Gálatas 1,15ss) ao se referir ao seu encontro com o ressuscitado: “quando ele (Deus) que... dignou-se revelar em mim seu Filho... sem consultar a carne e o sangue”).
·                     Outro teólogo (o espanhol, Sánchez Mielgo OP) comenta a conclusão do texto: Duas coisas promete Jesus à sua Igreja, por meio de Pedro. Em primeiro lugar é sobre esta “confissão de Pedro” que a Igreja se constrói. E o que Pedro confessou? Que Jesus é o definitivo embaixador do Pai dado a nós para salvação do mundo, declarando que o “filho do Homem” (título que Jesus preferia para si) é o real e verdadeiro “Filho de Deus”. Esta é a rocha sobre a qual se constrói com firmeza. Jesus e a fé em Jesus são o cimento de uma Igreja que permanecerá sempre, desde esta terra até chegar à condição de “cidade celeste”, habitada por povos de todo o mundo (cf. Ap 7,9s).
·                     Em segundo lugar usando o símbolo das “chaves” Jesus nomeia Pedro como uma espécie de Primeiro Ministro do seu Reino. Convém recordar que mais tarde esta missão fundamental é ampliada no cristianismo primitivo, segundo relata o próprio Mateus (18,18) a todo o grupo dos apóstolos. O contexto cultural religioso do pensamento rabínico usava a mesma imagem para definir a autoridade universal do Sinédrio. Os rabinos diziam que o Sinédrio tinha o privilégio de “atar e desatar” em matérias jurídicas e religiosas em todo o mundo. Assim também esta autoridade apostólica se estende por todo o mundo, é válida para toda a Igreja. Segundo a vontade de Jesus em sua despedida (Ascensão) a Igreja é continuadora de sua missão no mundo. Os discípulos atuais de Jesus precisam realizar sempre uma conversão profunda a fim de que a Igreja seja um instrumento de salvação e não um obstáculo para a experiência e vivência da fé em Jesus e em sua Boa Notícia.

Aquele que Criou o ser humano decidiu ser também “o Filho do Homem’
Oxalá possamos ajudar, com nossa oração e ação, a construir diálogo e respeito entre s seres humanos, abolindo as guerras, sobretudo se feitas sob pretexto da religião.

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( * ) Prof.(1975 a 2012::filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

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