.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 23ºdomingo (“tpo. Comum”/13ºpósPent) 7 set. 2014
O PODER EM NOSSAS MÃOS
.1.        conflito, guerra e paz
·                     Sim, o conflito existe. Pessoas se desentendem , se criticam. Há divisões até entre pessoas que se querem bem. Conhecemos a experiência do que chamamos “empatia”, da “simpatia” e da antipatia: espontaneamente nos aproximamos, ou gostamos ou não nos damos bem com outros. As pessoas são diferentes em sua história, temperamento, gostos e preferências. Tantas vezes somos ofendidos até por amigos e outras tantas nós fomos injustos com eles. Em todo grupo, da família à sociedade das nações, surgem conflitos.
·                     Conflitos podem levar até ao assassinato ou à guerra. A história paradigmática de Caim e Abel repete-se em muitas circunstâncias. E o “sangue” do irmão continua “clamando” aos céus. O ser humano “especializou-se” no Mistério do Mal multiplicando dores e guerras. A humanidade deseja a paz, mas ela é difícil de ser tecida, fio a fio, pedaço a pedaço. Vira utopia, desejo que nunca se realiza. Basta olhar à volta: alguns pontos do planeta chamam nossa atenção do que outros. Milhões de mortos, refugiados, outros esperando ajuda de organizações humanitárias. Muitos focos, diversas as causas, mas é visível a “terceira guerra mundial” (expressão usada pelo papa Francisco). Ela é visível no abandono, por parte dos “donos do mundo”, das populações pobres de países africanos, agora ainda mais debilitados pela virulência do Ebola. Visível também na chacina e ódio crescentes, como na Ucrânia, Afeganistão, Iraque e Síria. Nesses dois últimos acaba de surgir uma nova “guerra santa” do autodenominado “Estado Islâmico” – terroristas que assustam o próprio mundo muçulmano e todo o “Ocidente”. A outra guerra (Israel-palestina) parece interminável como ferida incurável.
·                      A paz é meta para todos, mas nem todos têm as mesmas tarefas para sua promoção. Não podemos resolver os problemas do mundo. Estamos limitados a pequena doações, como a “Médicos Sem Fronteiras” e não deixemos de clamar diariamente em nossa oração para que o Senhor derrame sua misericórdia, tanto em nosso coração e no dos que cultivam o ódio. Na Boa-Nova (=evangelho) segundo Mateus, hoje Jesus ensina algumas regras básicas para enfrentar a ruptura dentro das nossas próprias comunidades. Não é uma receita para solução de todos os conflitos ou guerras. Não é um código do processo nem de Direito Canônico... Jesus aponta para a raiz da paz conforme o sentido do perdão no qual se resume toda a experiência bíblica, particularmente o Mistério da Redenção. Esta nos foi dada na carne do Filho de Deus e inclui tudo o que designamos so os nomes de Encarnação, Paixão, Ressurreição, Ascensão e o Julgamento que corrigirá toda injustiça na “Segunda Vinda” do Cristo.

.2.        Todos são responsáveis pela “qualidade do ar” do amor
·                     Em todas as leituras, em diferentes liturgias cristãs, hoje se afirma a importância do amor que deveria presidir todas as relações na humanidade e, por outro lado, afirma-se que, no mistério da liberdade dada pelo criador, foi dado ao ser humano adquire um imenso poder: o de levar adiante a obra da criação para alegria e felicidade de todos. Mas temos também o poder de espalhar o vírus da maldade capaz de destruir e matar.
·                     Eis um resumo das Leituras do dia: filho do homem, eu te estabeleci como vigia - eu te pedirei contas da morte do ímpio, Ezequiel 33,7-9; os mandamentos se resumem neste: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo", Romanos 13,8-10; no texto de Mateus 18,15-20 lemos: "Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo... se ele não te ouvir, leva contigo uma ou duas pessoas... se ele ainda não ouvir, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir seja como um pagão ou um pecador público – tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu – onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles".
·                     O Lecionário Comum estende a 1ª leitura ao verso 11 e a 2ª, ao verso 14. A liturgia ortodoxa lê: 1Coríntios 16, 13-14 (vigiai, firmes na fé, todas as coisas feitas com amor) e Mateus 21,33-42 que apresenta a parábola dos lavradores assassinos de profetas e do próprio filho do Senhor da Vinha: e por último enviou-lhes seu filho dizendo: Terão respeito a meu filho. Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.
·                     Ezequiel diz que não podemos nos omitir diante dos maus. Paulo retoma o tema da centralidade do amor. A vigilância pedida por Ezequiel e o amor citado por Paulo também aparecem na leitura (1Coríntios) da liturgia ortodoxa. O evangelho do dia traz a parábola do maus lavradores da vinha, assassinos do próprio filho do dono da vinha!! A parábola aponta para o Mistério central de nossa fé, pois o filho inocente e condenado tornou-se com sua entrega da paixão e pela ressurreição o Redentor.

  • .3.        Um grande poder colocado em nossas mãos
·                     Ezequiel aponta a sua responsabilidade em diminuir o mal no mundo, também o teólogo francês Marcel Domergue (aqui em resumo) comenta o texto de hoje:
·                     Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu” significa que Deus acaba sendo afetado, “ligado” pelas decisões humanas e nossas palavras. Ao criar liberdades, Deus não pode agir como se elas não existissem. Ligar, amarrar... de certo modo nós podemos “impedir” Deus de agir. E por quê? Porque sua ação passa por meio de nós na terra.
·                      “Desligar”. Ele nos concedeu o poder de abrir os caminhos pelos quais Deus passa [cf. Ezequiel que também diz que tudo vem de Deus]. E são os caminhos do amor. A Palavra “sai de sua boca”, mas, para chegar aos outros, temos de fazer nossa esta Palavra divina. E de onde nos vem esta Palavra? Vem da comunidade dos que creem Ela, por sua vez, fala-nos ao transmitir uma palavra antiga que ela mesma recebeu do Livro, escrito a partir das mensagem dos sintonizaram Deus no A.Testamento e, em nossa era, pelos que foram companheiros de Cristo e ouviram a palavra diretamente dele. Não seja para nós uma decepção este caráter indireto da transmissão da Palavra: ele nos protege do individualismo e constrói a comunidade, a comunhão. E o Amor, em que consiste afinal?
·                      Não é experimentar um sentimento. E, ao querermos que o outro chegue à sua verdade, sabemos que não é necessariamente a verdade que sonhamos para ele, a que queríamos para ele. O primeiro movimento de amor é acolher. Inclusive quando corremos o risco de dizer ao “irmão” em que ponto ele errou contra mim (tema de hoje no evangelho). Dirigir-se a este irmão: não se trata da crítica pública [como é frequente em nossos noticiários policiais que expõem vítimas e acusados em padrões de escândalo ou fofoca...].
·                      Jesus pede uma conversa pessoal, em particular, levando à reflexão. Se for preciso: consultar 2 ou 3 pessoas, mas sempre em segredo. O amor que procura corrigir não quer publicidade. Em último caso pode haver recusa do “agressor” em relação a e0scutar a comunidade dos que creem. Dessa forma, ele mesmo se exclui da “Igreja”.
·                      Mesmo assim o Amor permanece, porque Jesus veio sentar-se à mesa com o “pagãos e publicanos”. Em Mateus 9,12-13 ele dizia: não são os sadios mas os doentes que precisam de médico. Aprendei: quero o amor, não o sacrifício, pois não vim chamar os justos, mas os pecadores. Lembremos que, diante de Deus, fazem parte de sua comunidade de “Igreja” todos os que são chamados pelo Pai e guiados por seu Espírito. Só Ele é a fonte do perdão; a nós cabe colaborar, usando o que está a nosso alcance e segundo nossa percepção. Isso pode levar-nos a pedir ao outro, sua reconsideração e correção. Esta é uma pedagogia progressiva que vai desde a conversa a sós com quem “pecou contra ti” até a sua recusa de ouvir a própria “comunidade” quando, então, ele mesmo se considera fora da “igreja” e, neste caso, aceitamos que fizemos tudo o que tínhamos a fazer, deixando aquela pessoa agora nas mãos do Deus da Misericórdia. Não podemos ser “controladores da graça”, mas apenas instrumentos da mesma graça, perdão e misericórdia que esperamos também para nós.
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

( * ) Prof.(1975 a 2012::filos/ educ/ teol/ ética)  fesomor2@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário