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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

CORREÇÃO FRATERNA

23º DOMINGO TEMPO COMUM


Evangelho - Mt 18,15-20

Comentários-Prof.Fernando


7 de Setembro de 2014 - Ano A

CORREÇÃO FRATERNA-José Salviano


Jesus nos apresenta uma sequência de procedimentos os quais devemos recorrer ou aplicar diante do desvio de conduta do nosso irmão, antes de condená-lo, antes de excluí-lo, antes de o considerar um pagão, um pecador público. CONTINUA


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Evangelhos Dominicais Comentados

07/setembro/2014 – 23o Domingo do Tempo Comum

Evangelho: (Mt 18, 15-20)

Novamente estamos juntos para meditar a Palavra de Deus. Hoje, Jesus nos fala das falhas humanas, fala daquele mundo de erros que cometemos no nosso dia-a-dia. Fala daquelas nossas falhas que nós achamos normais e chamamos de “errinhos”.

Jesus fala também de perdão e de reconhecer o erro. No entanto, temos uma dificuldade enorme para perdoar e raramente reconhecemos nossos erros. Reconhecer o próprio erro não é sinal de fraqueza, mas é acima de tudo sinal de respeito e amor.

“Se teu irmão pecar contra ti, se ele errar vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!” Jesus é bem claro, manda corrigir discretamente, sem fazer escândalo. Pede compreensão e amor diante do irmão que erra.

“Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão!” Nessas palavras de Jesus está presente o seu convite para a conversão. Se soubermos usar as palavras, se deixarmos transparecer nossos exemplos, certamente seremos entendidos.

É preciso coragem para alertar o irmão quanto aos seus erros. O verdadeiro amigo não fecha os olhos para as coisas erradas. O amigo de verdade vai lá e alerta, corrige com sabedoria. Convence e converte com respeito e com amor.

É preciso estar convencido e convertido para convencer e converter. Não basta filosofar e dizer que errar é humano e que perdoar é divino. É preciso coragem e honestidade para reconhecer que errou.

Realmente, não é fácil admitir nosso próprio erro. O orgulho nos impede de enxergar nossas falhas e nos impulsiona a observar somente o comportamento alheio. Não enxergamos nossas ações, muitas vezes, totalmente contrárias às atitudes cristãs.

Primeiro vá pessoalmente e converse com seu irmão, fale cara a cara. Não tenha receio, certamente você encontrará as palavras adequadas. É importante salientar que essa conversa franca, respeitosa e reservada, também é válida para pedirmos perdão.

Reconhecer o erro, pedir perdão e saber perdoar, são essas as virtudes que Deus espera encontrar em cada um de nós. São Francisco de Assis nos deixou uma bela mensagem quando disse que é perdoando que se é perdoado. Convém lembrar que: assemelha-se a Deus, quem sabe perdoar.

Celebramos o perdão através do Sacramento da Reconciliação. O perdão nos leva à conversão. Converter-se significa reconciliar-se com Deus e com os irmãos. Vamos caminhar juntos e, como Jesus disse; vamos nos reunir em dois, três, aos milhares e, de mãos dadas, vamos celebrar a constante presença de Deus em nosso meio.

(1019)      


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Entre irmãos
O que caracteriza a comunidade de Jesus é a pertença a Ele, a união no seu nome. Mas, entre os discípulos, podem surgir discórdias e conflitos que ameaçam a integridade deste vínculo. Quando isto ocorre, tudo tem que ser feito para recuperar esta união vital, mediante a reconciliação. E, para isso, todos têm que se empenhar. O fato de o texto dizer que após as fracassadas tentativas de reconciliação, se deve apelar para a Igreja, significa que esta unidade entre os discípulos é tão vital, que todos devem se empenhar para buscá‑la até às últimas conseqüências. E esta norma de conduta não é uma mera escolha subjetiva, mas é eclesial e sancionada pela autoridade divina, como se evidencia pela garantia do atendimento da oração dos dois discípulos que estão de acordo sobre alguma coisa, aqui na terra (cf. v. 19). Com efeito, o que se ressalta aqui não é, obviamente, o valor da oração comunitária, mas sim da concórdia restabelecida, que o texto original chama de "sinfonia". Esta é que dá eficácia à oração. A sublimidade da união dos discípulos é manifestada também na última frase que soa como uma promessa: "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles" (v. 20). Os cristãos reunidos em nome de Jesus formam a comunidade escatológica na qual o Senhor está presente, conforme predisseram os profetas. E esta reunião é constituída pela própria relação com Jesus, o Filho de Deus e Senhor, que é a razão profunda de eles estarem juntos e assim querem permanecer, superando divisões e discórdias que derivam do pecado. Uma comunidade que busca, a todo custo, viver reconciliada entre si e unir‑se ao Senhor, mediante a oração, é o lugar perfeito para a presença de Deus, que se revelou como Salvador em Jesus Cristo.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv
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Novamente estamos juntos para meditar a Palavra de Deus. Hoje, Jesus nos fala das falhas humanas, fala daquele mundo de erros que cometemos no nosso dia-a-dia. Fala daquelas nossas falhas que nós achamos normais e chamamos de “errinhos”.
Jesus fala também de perdão e de reconhecer o erro. No entanto, temos uma dificuldade enorme para perdoar e raramente reconhecemos nossos erros. Reconhecer o próprio erro não é sinal de fraqueza, mas é acima de tudo sinal de respeito e amor.
“Se teu irmão pecar contra ti, se ele errar, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo!” Jesus é bem claro, manda corrigir discretamente, sem fazer escândalo. Pede compreensão e amor diante do irmão que erra.
 “Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão!” Nessas palavras de Jesus está presente o seu convite para a conversão. Se soubermos usar as palavras, se deixarmos transparecer nossos exemplos, certamente seremos entendidos.
É preciso coragem para alertar o irmão quanto aos seus erros. O verdadeiro amigo não fecha os olhos para as coisas erradas. O amigo de verdade vai lá e alerta, corrige com sabedoria. Convence e converte com respeito e com amor.
É preciso estar convencido e convertido para convencer e converter. Não basta filosofar e dizer que errar é humano e que perdoar é divino. É preciso coragem e honestidade para reconhecer que errou.
Realmente, não é fácil admitir nosso próprio erro. O orgulho nos impede de enxergar nossas falhas e nos impulsiona a observar somente o comportamento alheio. Não enxergamos nossas ações, muitas vezes, totalmente contrárias às atitudes cristãs.
Primeiro vá pessoalmente e converse com seu irmão, fale cara a cara. Não tenha receio, certamente você encontrará as palavras adequadas. É importante salientar que essa conversa franca, respeitosa e reservada, também é válida para pedirmos perdão.
Reconhecer o erro, pedir perdão e saber perdoar, são essas as virtudes que Deus espera encontrar em cada um de nós. São Francisco de Assis nos deixou uma bela mensagem quando disse que é perdoando que se é perdoado. Convém lembrar que: assemelha-se a Deus, quem sabe perdoar.
Celebramos o perdão através do Sacramento da Reconciliação. O perdão nos leva à conversão. Converter-se significa reconciliar-se com Deus e com os irmãos. Vamos caminhar juntos e, como Jesus disse; vamos nos reunir em dois, três, aos milhares e, de mãos dadas, vamos celebrar a constante presença de Deus em nosso meio.
Jorge Lorente

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Correção fraterna
Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós. Se ele te ouvir, ganhaste teu irmão. Se não te ouvir, porém, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda questão seja decidida pela palavra de duas ou três testemunhas. Caso não lhes der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como o gentio ou o publicano.
Em verdade vos digo: tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.
Em verdade ainda vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.
O trecho do evangelho de Mateus abre uma espiral sobre a vida das primeiras comunidades cristãs.
A Igreja de São Mateus está organizada; tem líderes (cf. Mt. 16,18-19; 18,18), uma disciplina ou até mesmo um código de direito. O ideal, o fervor primitivo parece ter diminuído. Há inescrupulosos (Mt. 18,1-5), graves escândalos (Mt. 18,6-9), e também não faltam os pecadores públicos (Mt. 18,15). Os irmãos não podem ficar indiferentes diante de tais situações; precisam assumir as próprias responsabilidades a fim de dar um basta a essa difusão do mal.
“Corrigir”, “mostrar o erro” (grego: elenchein) significa tornar claro, mostrar com provas convincentes e irrefutáveis o mal de quem errou. A finalidade é, evidentemente, levar a pessoa a se rever, embora não seja usada a palavra conversão.
A recuperação do irmão é uma conquista e ao mesmo tempo uma aquisição, porque o tira das veredas do mal e o livra de uma eventual condenação. Não é um ato de autoridade, mas de caridade.
A tática oficial (não particular, de pessoa para pessoa) consiste em pôr a descoberto quem erra, fazendo que ele perceba claramente que o seu erro é conhecido também pelos outros e que, portanto, não pode se esconder, ficar no anonimato; ao contrário, vê-se obrigado a encontrar um caminho para sair, se não quiser ir ao encontro de uma condenação pública. A primeira admoestação diante de um tribunal tem essa finalidade.
A mudança, a conversão nem sempre são fáceis. Pode então acontecer que até mesmo a admoestação canônica não produza o efeito desejado e deixe o pecador mais ainda encastelado em suas falsas posições. A atitude a ser tomada é a convocação da assembleia, isto é, a admoestação feita da ekklesia, colocando o réu diante de todos os irmãos. O seu isolamento diante da discordância geral pode ter o efeito de uma intimidação e assim obter uma conversão salutar. Contudo, independentemente do fato que isso aconteça ou não, o legislador deve supor também o caso da obstinação continuar até o fim.
A comunidade, após a primeira e a segunda providências, fez tudo o que podia ser feito; o resto agora cabe ao pecador. Pode acontecer que este continue não entendendo ou não queira entender o seu erro. A palavra excomunhão não é pronunciada, e nem mesmo é emitida uma sentença diretamente contra o réu, mas somente é dada uma ordem à comunidade para que corte as relações com o pecador. Não é o empedernido que é expulso, mas é a ekklesia que se mantém longe, separada dele.
A comunidade de São Mateus se defende e defende a sua integridade impedindo que seus membros mantenham qualquer relação com os empedernidos no erro.
A Igreja conta os seus componentes e, como os pescadores da parábola, conserva os peixes bons e joga fora os maus. É uma discriminação, um ato de autoridade que chama em causa o poder concedido à comunidade pelo Cristo: “ligar e desligar”.
Todavia, essa autoridade que existe na Igreja não é um poder político, mas uma co-participação no próprio poder de Deus; por isso, seus atos são ratificados no céu. Essa coincidência entre aquilo que a comunidade faz e aquilo que Deus decide é uma visão otimista mais do que uma asserção histórico-teológica da autoridade eclesial. Os segredos de Deus são desconhecidos aos homens, inclusive para a Igreja de São Mateus.
A palavra céu relembra um outro dito do Senhor a respeito da eficácia da oração comunitária. Dois não indica um número preciso, mas uma pluralidade de pessoas, ao menos duas. A razão da eficácia da oração coletiva está expressa no versículo seguinte (v. 20), onde a presença de Jesus é garantida àqueles que estão reunidos em seu nome, isto é, em torno de sua pessoa.
A Igreja existe enquanto Deus Pai, Filho e o Espírito Santo estão presentes no meio dela, enquanto se comunicam, dialogam com seus membros. A sua realidade profunda é mística, isto é, invisível, mas real, pois são verdadeiros e autênticos os relacionamentos assinalados e reivindicados. Ser Igreja é estar unido a Cristo e, através de Cristo, comunicar-se com Deus e com o seu Espírito. Nessas condições, qualquer oração dirigida ao Pai certamente será ouvida.
Jesus está no coração da comunidade, mas não é uma simples constatação histórica e sim uma experiência de fé.
o Milite

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“Se ouvires minha voz!”
A redenção na comunidade
O povo de Deus teve dificuldades na caminhada pelo deserto porque fechou os ouvidos para não ouvir sua voz. Por isso o salmo alerta: “Não fecheis o vosso coração. Não fecheis os vossos corações como vossos pais, apesar de terem visto as minhas obras” (Sl 94). Mateus ensina sobre como deve ser o relacionamento dos irmãos na Igreja: Temos a presença de Cristo quando estamos unidos e Ele salva através da comunidade que continua sua presença e ação redentora. O que o evangelho diz sobre a correção dos irmãos dentro da caridade é uma metodologia para que a pessoa possa aceitar a redenção. Não se trata somente de chamar a atenção da pessoa, mas de salvá-la. Assim ouvimos o profeta Ezequiel com respeito ao sentinela, aquele que avisa dos perigos. Deus colocou o profeta como sentinela para o povo com a obrigação de corrigir. Se não o faz, ele é culpado. Se a pessoa não se corrige, a culpa fica com ela. Cada membro da comunidade é responsável pelo outro. Mateus ensina como se corrige: Deve-se primeiro fazer a advertência em particular, depois com mais duas testemunhas para ajudarem na recuperação e, só então, se a pessoa resiste, dizer à comunidade. Se nem a essa ouve, então está desligado com o poder que Jesus dá à comunidade: “Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu, tudo o que desligares na terra, será desligado no céu” (Mt. 18,18). Desligar não significa excluir, mas provocar a recuperação. A comunidade deve advertir os que se extraviam da verdade. Deve, contudo, agir na caridade. Não na fofoca ou na denúncia maldosa. E mesmo as autoridades da Igreja devem seguir esse caminho e não agir só para a condenação, mas para a salvação. A missão do anúncio do evangelho continua na comunidade dos fiéis que já vivem a fé. A conversão é um processo contínuo. Todos são responsáveis pela salvação de todos. Para que a Palavra se realize, é necessário ter os ouvidos abertos para ouvir a Palavra de Deus que se faz presente de tantos modos. Ouvir as advertências é uma atitude inteligente. A força da comunidade está na união que busca a redenção.
Presença de Cristo
“Jesus Cristo está realmente presente no altar”. Mas está também realmente presente na comunidade. É um tipo diferente de presença, mas é presença, pois esta união dos irmãos em nome de Jesus são palavras Dele. Jesus, pela ação do Espírito Santo, une as pessoas no Corpo de Cristo. Ao nos unirmos, estamos unidos a Ele. Por isso, a comunidade que se reúne para as celebrações é a matéria desta união, como o pão e o vinho são a matéria que se torna Corpo e Sangue de Cristo. Jesus diz que não precisamos de muitas palavras, muitos gritos, pois Deus sabe do que precisamos, pois é Jesus que reza conosco, é o conteúdo de nossa oração e sua finalidade.
Força da união
Cristo que se faz presente na união de todos para salvar, está presente também na união de todos para rezar. Por isso, rezamos juntos na comunidade. Este modo de rezar dá mais força à oração e garantia de ser ouvido. Muitos dizem que rezam melhor em particular e não precisam ir à comunidade. A força da oração não vem do sentir-se bem, mas do sentir-se unidos, pois Jesus prometeu presença quando estamos reunidos em seu nome. É fundamental a oração pessoal. Se for verdadeira, conduzirá à oração na comunidade para a celebração ou para as devoções.
Leituras: Ezequiel 33,7-9; Salmo 94; Romanos 13,8-1; Mateus 18,15-20.
Homilia do 23º Domingo Comum (04.09.11)
1. O povo de Deus foi convidado a não fechar os ouvidos. Mateus nos ensina que na comunidade devemos ouvir o chamado à salvação através dos irmãos que nos corrigem. Essa correção tem um método que não é a fofoca: fala-se em particular, depois com duas testemunhas e depois toda a comunidade. Todos somos responsáveis uns pelos outros no caminho da salvação.
2. Cristo está presente na Eucaristia e também na comunidade. Ao nos unirmos estamos unidos a Ele, pela ação do Espírito.
3. A força da união e da presença de Jesus garante a oração. Rezar em particular é necessário, juntos é fundamental. Por isso participamos das celebrações, pois Jesus prometeu estar presente. O amor é o cumprimento da lei.
1 + 1 = 3. Certa a resposta! Quando?
São Mateus ensina a viver em comunidade. Sabemos que o amor é o fundamento da comunidade. Paulo ensina que o amor resume todos os mandamentos.
O amor nos impulsiona a corrigir os irmãos em suas dificuldades e erros. Somos co-responsáveis uns pelos outros. Se eles não aceitam a correção, continuamos na responsabilidade de amá-los.
Jesus é prático e vai aos detalhes quando trata do modo de corrigir os irmãos. Nós fazemos fofoca, depois acusamos. Jesus ensina: primeiro se procure a pessoa e, a sós, e depois fale com ela. Se não aceita, chama mais duas pessoas para ver que o negócio não é pessoal. Só aí apresenta à comunidade. É duro ouvir que a Igreja não usa esse método e aceita denúncias sem confrontar os acusadores.
A comunidade vive da união. Cremos na presença real de Jesus na Eucaristia. Temos também que crer em sua presença real, de modo diferente, quando dois estão reunidos em seu nome. Por isso acertamos a soma; 1 + (Jesus) + 1 = 3.
padre Luiz Carlos de Oliveira

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Primeira leitura: Ezequiel 33,7-9
Texto tirado do início da 4ª parte de Ezequiel, que se refere à restauração de Israel. Foi escolhido em função da leitura evangélica que trata do aviso ou correção fraterna. O profeta é a «sentinela» de Deus, que tem o dever de avisar do bem e do mal, sob pena de se vir a tornar cúmplice da maldade do povo. De algum modo, todos nós nos devemos sentir responsáveis pelos nossos irmãos, avisando-os do mal que devem evitar (cf. Lv. 19,17).
Segunda leitura: Romanos 13, 8-10
O amor ao próximo é apresentado por são Paulo como uma dívida que nunca se pode saldar, pois, enquanto se não tiver dado a vida pelos irmãos, não se terá amado suficientemente, como Cristo nos amou (cf.Jo 13, 34). Por outro lado, a caridade é o resumo da Lei e o seu pleno cumprimento, pois quem ama verdadeiramente «não faz mal ao próximo» (v. 10).
Evangelho: Mateus 18,15-20
Nesta leitura de hoje temos duas perícopes sobre temas distintos: a correção fraterna (vv. 15-18) e a oração em comum (vv. 19-20). São tiradas do chamado discurso eclesiástico de Mateus, que aparece como mais uma agrupamento artificial do Evangelista, para nos oferecer um concentrado de instruções de Jesus referentes à vida da nova comunidade fundada por Ele, a sua Igreja (cf. Mt. 16,18), talvez (segundo pensam alguns) com o fim de propor uma espécie de regra da comunidade, à maneira da dos essênios de Qumrã (cf. 1 QS, VI, 62; VII, 25).
15-18 - «Se teu irmão te ofender…» Esta tradução não facilita o sentido que sempre se viu na passagem referente à correção fraterna, pois não se trata de meter na linha um irmão que me anda a aborrecer, ou a melindrar; o que está em causa é ajudar aquele irmão que peca (gravemente, como dá a entender o original grego: hamartêsê) e que põe em risco o bem da sua alma e o bem dos irmãos. Nesta linha estão os melhores manuscritos, como o Vaticano, o sinaítico e outros, que têm escrito apenas «pecar», omitindo o «contra ti». No entanto, na linha da Vulgata, a Neovulgata também não segue estes manuscritos.
17 «Comunica o caso à Igreja», isto é, à sua legítima autoridade, aos chefes que a governam, pois, desde o princípio, a Igreja nunca foi uma comunidade desorganizada e acéfala, sem autoridade (cf. At. 2,42; 4,34-35; 15; Gl. 2,2; 1,8-9: At. 20,28, etc.). É evidente que, para se regulamentar desta maneira todo este procedimento na correção, era por se encarar o caso de faltas graves e que trariam prejuízo à comunidade; no entanto o dever da correção fraterna não se pode limitar só a este tipo de faltas. «Considera-o como um pagão ou um publicano»: certamente não por desprezo ou má vontade, mas para que esse irmão reconsidere e lhe sirva de emenda (cf. 1Cor. 5,4-5), embora a expressão seja demasiado dura e pareça aludir mesmo uma exclusão definitiva.
18 - «Tudo o que ligardes na terra…» A passagem do «tu» ao «vós» neste texto sugere que não estamos perante uma sequência originária de sentenças de Jesus, o que ajuda a dirimir a velha questão entre protestantes e católicos, a saber, se este «vós» se refere a todo a comunidade, ou apenas aos chefes. Sem entrarmos em complicadas questões de crítica histórica e literária, basta-nos ver que se trata de uma aplicação ao círculo dos Doze daquilo que é dito a Pedro, sem tirar nada do que lhe é dito por Cristo (cf. Jo 20,21-23; Mt. 16,19; Jo 21,15-17).
19-20 - «Onde estão dois ou três reunidos em meu nome…» O texto vai mais além do encarecimento da oração em comum e em nome de Jesus, como corresponde ao contexto de um «discurso eclesiástico», que regula a vida em Igreja; com efeito, o paralelismo com uma máxima da Mixná – «onde estão dois sentados (juntos) e entre si falam as palavras da toráh, ali mora entre eles a xekhiná (Deus)» – sugere que Jesus é posto no mesmo plano de Deus, segundo uma técnica da hermenêutica rabínica (uma atualização deráxica chamada rémez, ou alusão).
Sugestões para a homilia
1. Importância de escutar a voz do Senhor.
Como a voz de Deus é a voz do melhor dos pais, é sempre caminho certo de felicidade para seus filhos. Do escutar e seguir essa voz, depende todo o bem-estar humano: paz, alegria, amor, tranqüilidade, verdadeiro progresso social, encontro da Verdade! A Palavra de Deus deste Domingo é particularmente importante. Por isso o refrão do Salmo intercalar nos recomenda: «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações».
2. Devemos imitar as sentinelas.
Através do Profeta Ezequiel o Senhor diz-nos que devemos ser como sentinelas perante nossos irmãos para os avisar, dos possíveis perigos, que podem correr. Não podemos ficar indiferentes perante o mal. Esta atenção e correção é de tal forma importante, que, se a não cumprirmos, diz-nos o Senhor, ficaremos responsáveis pelas desgraças terrenas e eternas dos outros «Eu pedir-te-ei contas da sua morte».
São infelizmente muitos os desvios doutrinais e morais que tão descarada e levianamente se divulgam, ao ponto de serem apresentados, por vezes, quase como virtudes. Perante tal descalabro ninguém poderá ficar indiferente. Os mandamentos do Senhor, que são sempre caminhos de felicidade, não mudaram. É urgente anunciar as leis santas do matrimônio, a fidelidade e castidade conjugal, a virgindade até ao casamento e denunciar os enganos que são os divórcios, a aberração das «uniões de fato» e «casamentos» homossexuais, o crime hediondo do aborto, o uso e divulgação dos mais variados anticonceptivos, mesmo junto da juventude a pretexto de uma educação sexual que, em tais circunstâncias, não existe; a pouca generosidade na aceitação dos filhos, a falta de uma educação integral de tantas crianças, o pouco e por vezes nenhum amor que se dá aos filhos, a leviandade no vestir com modas indecorosas, os namoros pecaminosos, a literatura e filmes imorais, a tão pouca atenção dada aos verdadeiros valores, as injustiças sociais por parte de patrões e operários, tanto tempo perdido, quando o Senhor, que tudo possui, não nos engana e é nosso Amigo, nos manda «procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua justiça, que tudo o mais nos será dado por acréscimo», etc. etc.
3. Tudo realizar com persistência, coragem e caridade.
«A caridade é o pleno cumprimento da lei», nos lembra são Paulo na segunda Leitura da Missa de hoje. Se não podemos ficar indiferentes perante os muitos caminhos errados que os nossos irmãos podem correr, também é certo que toda a nossa ação apostólica deverá ser exercida com muita caridade, persistência, coragem e compreensão. Sempre sem juízos precipitados. Nunca temos direito de julgar seja quem for. Os desvios por outros praticados, também poderiam ser nossos, se não tivéssemos recebido as graças que Deus, na Sua Bondade infinita, nos concedeu. Só Ele nos poderá verdadeiramente julgar.
Foi com muita bondade que Jesus falou com a Samaritana, com Zaqueu, a mulher adúltera e tantos outros pecadores. Ele mesmo nos apresenta no Evangelho de hoje os cuidados que devemos ter nesta abordagem: primeiro falar a sós com o irmão, depois, se o primeiro encontro não resultar, levar outro para ajudar, no diálogo, e só finalmente o comunicar à Igreja.
Todos estes passos devem ser precedidos de muita oração. Nossa Senhora em Fátima lembrou mesmo «que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas». À oração nos convida também Jesus na parte final do Evangelho de hoje «se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedido por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». Verdadeiramente a crise do mundo ´«é crise de santos», isto é, de quem se sacrifique e ore por si pelos outros.
Como é rica e particularmente importante a Palavra do Senhor deste domingo! Vamos guardá-la e transformá-la em vida. Temos, com certeza, muitos irmãos que esperam, sem saber, a nossa ajuda amiga, para a descoberta do verdadeiro sentido de suas vidas. «Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações».
Alves Moreno - Geraldo Morujão

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“Onde dois ou três estiverem reunidos no meu nome, eu estarei no meio deles”
O texto de hoje é tirado do Discurso Eclesiológico, que trata de problemas da vida cotidiana da comunidade dos discípulos, que Mateus chama de “Igreja” (nos Evangelhos, o termo “Igreja” só ocorre aqui e em Mt. 16,18). Entre esses problemas podemos detectar a busca do poder (vv. 1-5), o escândalo dado aos pobres e humildes (vv. 6-14), a questão do irmão que erra (vv. 15-20) e o perdão das ofensas (vv. 21-25). São questões ainda atuais para as comunidades de hoje. Um dos grandes assuntos que perpassa o capítulo é a preocupação com o irmão (irmã) que se desgarra ou se desvia. A lição é que os dirigentes - e a comunidade - devem ter a mesma atitude de Jesus diante de tais pessoas, ou seja, a compaixão, a compreensão, a vontade de reintegrá-las na comunidade. Somente em último caso o erro de um irmão deve ser levado à comunidade mais ampla (a Igreja), pois a caridade exige que primeiro se procure resolver a questão em particular. É nesse espírito que a comunidade recebe o poder que Pedro recebeu em Mt. 16, 19, o de excluir o infrator da comunidade. Porém, é essencial interpretar esse direito à luz de vv. 12-14, onde a busca da ovelha desgarrada é dever primordial dos dirigentes comunitários, a exemplo do Pai Celeste. Esse sentido da exclusão é ressaltado por Paulo em 1Cor. 5, 5: “humanamente ele será arrasado, mas o seu espírito será salvo no dia do Senhor”.
O texto conclui dizendo que “se dois de vocês estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido”. Certamente, “qualquer coisa” se situa dentro das preocupações desta seção de Mt. que trata do seguimento de Jesus e da vivência da comunidade. Não se refere a um pedido qualquer, ou que não fomenta a chegada do Reino, da justiça, da partilha, da fraternidade. Quantas vezes os nossos pedidos são nada mais do que expressões do nosso individualismo? Cumpre lembrar que o Deus da Bíblia ouve “o clamor do sofrido”, como tantos textos afirmam os salmos e os profetas. O Evangelho afirma que o Pai vai atender qualquer pedido em nome de Jesus, em favor da chegada do Reino. É claro que podemos e devemos rezar por nossas preocupações individuais e pessoais; mas, elas não podem dominar o horizonte da nossa fé. Devemos realmente lembrar a frase tão importante de Mateus, que nos ensina: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo isso será dado em acréscimo”. A nossa oração jamais poderá ser desvinculada dos grandes temas do Reino e do sofrimento de tantos irmãos e irmãs no mundo de hoje.

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Deus se inclina sobre o homem
Neste domingo, é o profeta Ezequiel e João que emitem um grito: "Infeliz, escuta! Estás a um passo de perder-te, foge do teu pecado!" Será que já ouvimos este grito retumbar em nós estando em alguma situação concreta?
Por exemplo, um amigo ou um colega empedernido em uma ilusão que o afasta da sua família e de seus filhos; um irmão, uma irmã que volta as costas aos seus amigos...O que fizemos então, na oportunidade desta situação que nos atingiu a alma?
Nossa palavra pode salvar "o mau", diz Ezequiel. Ela pode também salvar "o irmão"; diz João, pela solicitude de toda a comunidade. Nos dois casos, ela é uma forma do amor do próximo, que é também amor de si mesmo. Nós não podemos ficar cúmplices do mal e do pecado, sem que nos doa o nosso coração. Deus quer nos salvar deste perigo.
Mas, como manifestar ao meu próximo esta situação que nos incomoda?
Teríamos a coragem e a mansidão para dizer-lhe a verdade? Deus, na sua confiança, vem nos libertar. E começa esclarecendo para nós o que significa nossa liberdade: ‘‘Coragem! O pior já passou.’’ Esta atitude, tomada com ousadia, levanta a liberdade do meu próximo: ‘‘Sim, tu tens capacidade para mudar. Teu pecado não é uma fatalidade. Eu tenho confiança em ti.’’
E este próximo, com quem eu não estou de acordo, talvez use sua liberdade de filho de Deus. Talvez ambos nos voltemos para o Pai, para pedir-lhe ajuda...
Nós nos colocamos de acordo e Deus nos ouvirá!
Neste sentido, cada dia, ao recitarmos o Pai Nosso, encontraremos o caminho que nos liberta: "Livrai-nos do mal, para que venha a nós o vosso reino!’’
Tradução "PrionsenÉglise”
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O amor na vida da comunidade
O amável evangelista Mateus, que nos está guiando na Liturgia da Palavra deste ano, pondo-nos sempre tão perto de Jesus, nos oferece neste domingo três valiosas lições. A primeira se refere à correção fraterna. E só nomear o problema já nos faz lembrar que a Igreja é feita de homens, e que entre eles há santos e pecadores.
Como diz uma de nossas orações eucarísticas, "somos povo santo e pecador", como que para sentirmos a grandeza dos dons de Deus que nos santifica, e a imensidão da misericórdia de Deus que nos perdoa. Pois bem, o evangelista nos ensina que, se houver na comunidade alguém que com seu pecado está dando mau exemplo e escandalizando, é preciso corrigi-lo como dever de fraternidade. E orienta em três etapas o modo de realizar essa correção.
Primeiro, procurando uma conversa pessoal com o pecador. Se ele não se corrigir, leve- se mais uma ou duas pessoas para juntos conversarem com ele. Era a praxe do Antigo Testamento, como se pode ver no Deuteronômio (Dt. 17,6).
Só que o texto citado trata de uma providência jurídica, quase policial, ao passo que aqui é uma atitude de entendimento fraterno e com finalidade de edificação. Se, mesmo com a presença de mais irmãos, o pecador não se corrigir, então é preciso apontá-lo à comunidade. E a "última instância!" Se não quiser se corrigir, a comunidade terá que afastá-Io, como alguém que prejudica a todos e que desorganiza a comunhão. Cabe-Ihe aquilo que com o tempo se passou a chamar "excomunhão".
Uma pena dolorosa, que teve sua aplicação em vários casos e em formas diversas ao longo da História. E só lembrar o caso do incestuoso de Corinto, como está no capítulo V da primeira carta de São Paulo a essa comunidade. É claro que sem jamais fechar a porta a uma possível e desejável conversão. O que, porém, o evangelista quer - o que Jesus quer! - não é condenar a pessoa, mas salvá-la.
Daí todo o empenho de ir ao encontro do que erra, dialogar com ele - num diálogo pedagogicamente sábio -, tentar tudo o que for possível para convencê-lo de seu erro e fazê-Io voltar ao bom caminho. O Evangelho está repleto dessa idéia: Jesus é o Bom Pastor, que vai em busca da ovelha desgarrada. Não quer que ninguém se perca. Uma segunda lição que nos dá São Mateus é a do valor da oração em comum: “E eu vos digo também que, se dois dentre vós, na terra, se puserem de acordo sobre qualquer coisa para pedi-Io eles a obterão de meu Pai que está no céu” (Mt. 18,19).
E o grande valor da oração em comum. Se é verdade que Jesus ensina que tudo o que pedirmos ao Pai Ele atenderá – “pedi e recebereis, batei e abrir-se-vos-á” - aqui está solenemente ensinado o valor da oração em comum. Quando as pessoas se juntam para rezar, transformam-se numa grande força à qual se dobra a misericórdia de Deus. Que pensar então da oração de toda uma comunidade par9qufal ou diocesana? E da oração universal de toda a Igreja? E uma força que se ergue na direção do céu, com ímpeto suavemente forte de uma imensa confiança.
E Jesus ensina ainda, aqui em São Mateus, outra grande verdade: Onde, na verdade, dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles" (v. 20). Como os antigos hebreus acreditavam na presença de Deus - a "shekiná" - entre eles, nós, cristãos, acreditamos na presença de Cristo. Cristo é Deus! E é Deus - conosco. Que imenso conforto para nossa fé saber que Cristo nunca está longe dos seus! Onde nos reunimos em seu nome, “Ele está no meio de nós", como proclamamos numa das mais conhecidas fórmulas da oração litúrgica. Que esta verdade jamais seja esquecida por nós!
padre Lucas de Paula Almeida, CM

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"Sentinelas de Deus"
Estamos no mês de setembro, dedicado à Bíblia. A melhor homenagem que podemos fazer à Palavra de Deus é acolhê-la e procurar vivê-la na vida de cada dia. Nela sempre temos uma resposta, uma luz para todas as situações da vida.
Uma situação concreta, que muitas vezes nos aflige: diante de uma pessoa amiga que está no erro, que atitude devemos tomar: falar ou calar? As leituras bíblicas de hoje nos dão uma resposta...
Na 1ª leitura, o profeta Ezequiel aparece como uma "sentinela", que Deus colocou a vigiar a "Casa de Israel" (Ez. 33,7-9) Sentinela é o guarda atento, que perscruta o horizonte para prevenir o Povo de possíveis perigos. Quando percebe um perigo, deve tocar o berrante.
Assim a comunidade poderá preparar-se para enfrentar o inimigo. Se não o fizer, será responsável pela catástrofe. Profeta é a sentinela do Senhor no meio do Povo para perscrutar atentamente a realidade e alertar os perigos que a ameaçam. Como profundo conhecedor de Deus e das realidades dos homens, o profeta não pode ficar indiferente diante de uma pessoa má e corrupta. Ezequiel é conhecido como o "profeta da esperança".
Aos exilados, que estão em terra estrangeira, privados do templo, do sacerdócio e do culto, e duvidam da bondade e do amor de Deus, alimenta a esperança de que Deus não os abandonou nem esqueceu. Deus continua a amar o seu Povo e a enviar seus profetas.
Na Igreja, todos somos profetas ("sentinelas"), portanto responsáveis também pelo destino dos nossos irmãos.
Na 2ª leitura, Paulo ensina que o amor é a plenitude da Lei e caminho para corrigir o irmão que erra. (Rm. 13,8-10) O verdadeiro amor não deixa as pessoas como são com seus defeitos. Por isso, faz parte do amor corrigir com humildade o irmão, que está errado. A correção fraterna é fácil quando animada pela caridade e muito difícil quando a comunhão fraterna não existe.
O Evangelho sugere o modo de proceder com o irmão que errou. (Mt. 18,15-20). Iniciamos o "discurso eclesial" (o quarto), em Jesus apresenta uma catequese sobre correção fraterna na comunidade: como corrigir o irmão que errou e provocou conflitos na comunidade? O Evangelho propõe um caminho em várias etapas:
1º passo: um encontro pessoal a sós com esse irmão... Muitas vezes costumamos espalhar o erro aos quatro ventos... O amor é mais importante do que a verdade... A verdade nua e crua, muitas vezes destrói a convivência entre as pessoas, pode destruir uma pessoa... Arruinar uma família e destruir um casamento...
Convém dizer sempre toda a verdade? A verdade que não produz amor, mas provoca perturbações, gera discórdias, ódios e rancor, não deve ser dita. Ex.: mãe que esconde atitude dos filhos ao esposo, para evitar conflitos... Esposo convertido deve quer contar o passado infiel? Falando, "Vai ajudar?" (calando, quantos dissabores evitaríamos!) Saber quando devemos calar... Quando devemos falar... E como falar...
2º passo: se ele não ouvir, pedir a ajuda de outras pessoas, que tenham sensibilidade e sabedoria...
3º passo: se essa tentativa também falhar, levar o assunto à comunidade para recordar ao infrator as exigências do caminho cristão. Mas a intervenção deve ser guiada pelo amor.
Como vemos, recomenda-se que fique tudo em casa... Ex.: falar mal da própria comunidade: é negativo da família: pode aumentar os ressentimentos... "roupa suja..."
Você ouviu um "crente" falar mal da sua igreja ou do seu pastor? Você ouviu um católico falar mal da sua paróquia ou do seu padre? De que Igreja você é?
Finalmente: se persistir no erro, será considerado um gentio, um pagão. Não é a Igreja que exclui o infrator, é ele que recusa a proposta do Reino e se coloca à margem da comunidade. E o Evangelho acrescenta uma exortação à oração em comum: "Se dois estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhe será concedido por meu Pai que está nos céus. Pois, onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles".
Isso quer nos lembrar que, quando a correção não for possível por outros meios, ainda poderá ser possível pela oração, feita em comum, em nome de Jesus.
Deus pode contar com você como uma "sentinela" fiel?
Diante das diferenças, dos erros e das falhas dos irmãos, você é "tolerante", tenta ajudá-los... com misericórdia... e com caridade?
Você aceita com humildade as correções justas que os outros lhe fazem?
Ou acha que isso é uma intromissão?
As ações erradas devem ser condenadas; os que as cometeram devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, se acolhe e se dá sempre outra oportunidade para voltar...
padre Antônio Geraldo Dalla Costa
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Como educar? Para quê chamar a atenção de quem cometeu alguma falta? Como corrigir quem está no erro? Corrigir os outros é uma tarefa árdua; é difícil fazê-lo e fazê-lo bem; é mais fácil – e mais frequente, infelizmente! – falar dos erros e defeitos dos demais; ou limitar-se a humilhá-los e a ofendê-los com a reprovação… Ou então, porque não deixá-los no seu problema, para não termos a maçada de os advertir? Qual é a atitude missionária de caridade a assumir em tais circunstâncias? Muito provavelmente, o texto do Evangelho deste domingo sobre a correção fraterna é o espelho de situações concretas, que já se viviam na primeira comunidade cristã, para a qual Mateus escrevia o seu Evangelho. O trecho faz parte do chamado discurso eclesial (Mt 18), no qual o evangelista reagrupa diversos ensinamentos de Jesus acerca das relações no seio da comunidade, reguladas segundo os passos seguintes: a verdadeira grandeza consiste em tornar-se pequenos (v. 1-5), a gravidade do escândalo dos pequenos (v. 7-11), a procura de quem se afastou (v. 12-14), a correção fraterna (v. 15-18), a oração em comum (v. 19-20) e, finalmente, o perdão das ofensas e a reconciliação (v. 23-35).
O objetivo da correção fraterna (Evangelho) é a recuperação e a salvação do irmão/irmã que errou ou se extraviou. Para que a advertência alcance o objetivo desejado, Jesus convida a proceder por etapas: em primeiro lugar, a nível pessoal, a sós: tu a tu (v. 15); depois com a ajuda de uma ou duas pessoas (v. 16); por fim, o recurso à comunidade (v. 17). O fato de, no final, o irmão/irmã não escutar ninguém e por isso o considerarmos «como um pagão ou um publicano» (v. 17), não comporta e não autoriza a um abandono, mas antes a uma atenção especial para com tais pessoas, como fazia Jesus, que era «amigo de publicanos e pecadores» (Mt. 11, 19; cf. Lc. 15, 1-2). A chave para compreender esta obstinada preferência de Jesus está na parábola do bom pastor que deixa «as 99 ovelhas no monte para ir à procura da tresmalhada» (Mt. 18, 12). Jesus conclui esta parábola com uma afirmação vigorosa: «Assim também é da vontade do vosso Pai que está no Céu que não se perca um só destes pequeninos» (Mt. 18, 14). É a parábola que precede imediatamente o texto de hoje sobre a correção fraterna. Deus tem mais vontade e pressa em perdoar do que o homem em ser perdoado. É certamente verdade que Deus acredita na recuperação das pessoas: este é o fundamento e a esperança da pastoral missionária para os afastados. Embora com limites, erros e frustrações, mas sempre com misericórdia, porque é esse o verdadeiro rosto de Deus, que Jesus veio revelar-nos.
Deus recusa a atitude de Caim, que não se preocupa com o seu irmão (cf. Gn. 4, 9); pelo contrário (I leitura), constitui-nos sentinelas para os outros (v. 7) e pedirá contas a quem não falar «para afastar o ímpio do mau caminho» (v. 8). Não se trata de interferir na vida dos outros, nem de diminuir a sua liberdade pessoal (v. 9), mas de ser presença fraterna e amiga, inspirada no amor e na procura do verdadeiro bem do irmão/irmã. Porque o amor recíproco (II leitura) é a única dívida admissível para com os outros: de fato, «a caridade é o pleno cumprimento da Lei» (v. 10). São Paulo vivia apaixonado por Cristo e, portanto, estava preocupado com todas as Igrejas (2Cor. 11, 28), queria anunciar a todos o Evangelho de Jesus e não tinha medo de dirigir enérgicas e salutares advertências às suas comunidades. Mas sempre com amor! (*)
O amor mútuo, que tende à recuperação de quem erra, é a base sobre a qual se funda a correção fraterna. Com todos os riscos que esta comporta, sobretudo quando se devem advertir os poderosos da terra. O martírio de S. João Baptista (veja-se memória litúrgica a 29/8) foi o resultado derradeiro de uma necessária e corajosa advertência a um rei adúltero e corrupto. Também nas últimas décadas, sobretudo na América Latina, foram numerosos os testemunhos de pastores e de leigos cristãos que pagaram com o seu sangue a fidelidade ao Evangelho de Jesus, defendendo direitos dos mais fracos e denunciando injustiças dos poderosos. É claro que a mensagem de hoje não diz respeito apenas às pequenas indelicadezas ou incidentes na vida familiar ou comunitária, mas ilumina também o comportamento do cristão (dos pastores e dos fiéis) diante dos responsáveis dos males maiores da sociedade: leis perversas, degradação moral e social, injustiças graves, corrupção, sistemas mafiosos, escândalos públicos…, perante os quais o silêncio e a indiferença soam a fraqueza, medo, vileza, cumplicidade.
O delicado ministério da advertência-correção mútua é omitido com demasiada frequência, como constata o cardeal Carlos Maria Martini. Este difícil serviço da correção-reconciliação fraterna, feita na verdade e na caridade, resulta mais fácil e eficaz quando há o suporte de uma comunidade de irmãos que vivem em comunhão e na oração, gozando assim da presença do Senhor, porque estão reunidos no Seu nome (Mt 18, 20). Grande é a força missionária espontânea e explosiva de uma comunidade reconciliada e orante, que vive a fraternidade!

(*) «São Paulo escreve: “Faço tudo por causa do Evangelho” (1Cor. 9,23), exercendo com absoluta generosidade aquela à qual ele chama ‘solicitude por todas as Igrejas’ (2Cor. 11,28). Vemos um compromisso que só se explica com uma alma realmente fascinada pela luz do Evangelho, apaixonada por Cristo, uma alma sustentada por uma profunda convicção: é necessário levar ao mundo a luz de Cristo, anunciar o Evangelho a todos». (Bento XVI - Audiência geral 27 de agosto de 2008)
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“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome,
eu estarei ali no meio deles”
Jesus no capítulo 18 do Evangelho de são Mateus faz o famoso discurso Eclesiástico aos seus discípulos, mostrando como deve ser a vida na Igreja. Nos vv. 15-20, que contemplamos neste domingo, ensina sobre a correção fraterna e poderes transmitidos aos Apóstolos.
O Senhor Jesus nos exorta a cooperar com Ele na santificação de outros irmãos, através da correção fraterna. Pois, não raro, temos o hábito de “deixar prá lá” e cometemos o pecado da negligência, desleixo, menosprezo, omissão. Mas a verdadeira postura de Jesus foi de confrontar e denunciar o pecado, sempre que houver, e daí chamar o pecador ao arrependimento.
Jesus, na sua pedagogia, indica três categorias de correção: 1) A sós; 2) diante de uma ou duas testemunhas; 3) diante da Igreja.
A primeira refere-se aos escândalos, ou seja, induzir outrem ao mal, a erro ou pecado; mau exemplo. Neste caso deve-se conversar a sós, a fim de não anunciar em público ou em voz alta, algo que é particular; também para não ofender quem está sendo corrigido e facilitar a sua correção.
Mas, se a correção não der o resultado que se busca, e a causa for grave, Jesus sugere um segundo momento: buscar um ou dois amigos, cuja intermediação possa ser mais convincente.
Por final vem a correção diante da Igreja, em última instância, uma correção jurídica à frente da autoridade eclesiástica, para que o mal não contamine outros.
Mas, deve-se lembrar que todo este processo de confrontação é reservado para o pecado. Pois, as diferenças de opinião, de interpretação das Escrituras, de costumes e tradições, não precisam do confronto. Estas fontes de conflito entre os cristãos precisam de paciência, diálogo e muita compreensão. Que Deus nos ajude a distinguir as coisas e ter a reação certa para cada necessidade. Assim poderemos corrigir o pecado quando houver, e evitar provocar pecado onde não havia.
Jesus continua seu discurso, agora, falando do poder outorgado aos apóstolos: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”. Este versículo deve ser entendido em relação com o poder transmitido anteriormente a Pedro (cf. Mt. 16,13-19). Agora, se dirige a hierarquia da Igreja: Pedro, aos apóstolos e a seus legítimos sucessores: O Papa e os Bispos.
Por fim, Jesus fala da petição, onde duas ou mais pessoas pedem ao Pai em seu nome, Ele estará junto, intercedendo. Há uma antiga canção, onde se diz: “Onde o amor e a caridade, Deus aí está!”, que é baseada na Primeira Carta de São João, cf. 1Jo 4,12: “…Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu Amor em nós é levado à perfeição”. Pois o amor, não concebe onde há um só, mas para haver amor há que ter reciprocidade. Assim, quando vários cristãos se reúnem em nome de Cristo para orar, entre eles está presente o Senhor, que com agrado escuta a nossa oração. A participação da Santa Missa dominical, faz eco a este pedido de Jesus, onde uma comunidade inteira ora ao Pai, para pedir, dar graças, louvar e agradecer.
Desde as primeiras comunidades, à Igreja vive a oração em comum, cf. At. 1,14: “Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e com os irmãos dele”. Inclusive, orando uns pelos outros, cf. At. 12,5: “Mas, enquanto Pedro estava sendo mantido na prisão, fazia-se incessantemente oração a Deus, por parte da Igreja, em favor dele”.
Hoje, muitas famílias oram juntas e a oração precisa ser fortificada em cada lar, quem sabe estendida a outros locais. Um forte exemplo foi a criação do Grupo de oração “Oásis com Maria”, na catedral metropolitana do Rio de Janeiro, onde alguns trabalhadores trocam seu horário de almoço pela oração. Grupo que tive a graça de participar na sua criação. Continua com outras lideranças por mais de dez anos.
Que tal a bênção da mesa; a oração antes e depois das refeições; a recitação do Terço juntos. Também, as orações pessoais ao levantar e ao deitar. São pequenos hábitos que podemos fazer voltar. São atos de piedade, de forma simples, mas que nos farão estar de acordo com as Palavras de Jesus: “Onde, dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio de vós”.
caritatis.com.br

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Perdão dos pecados e oração em comum
Vamos refletir as palavras que Jesus Cristo disse aos seus discípulos e, também a uma grande multidão que o seguia, na Galileia. As palavras de Jesus nesse Evangelho ensina-nos como devemos nos apresentar diante de Deus com o coração puro, sem rancor e sem pecado. Convida-nos a reconciliar-nos com Deus, pela confissão dos pecados e a reconciliar-nos com os irmãos que nos ofenderam, através do entendimento misericordioso entre as partes seja “entre ti e ele somente” ou na presença “de duas ou três testemunhas”. E se houver recusa de entendimento é necessário recorrer à Igreja. A Igreja é a grande mãe que coopera para manter a unidade entre seus filhos, pela ação do Espírito Santo, especialmente no sacramento da confissão (reconciliação). A Igreja também dá orientação e corrige quando necessário.

Versículo 15
“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão”.   Somos todos pecadores, por isso não só nossos irmãos erram conosco, mas nós também erramos com nossos irmãos. Algumas vezes em nossos relacionamentos causamos feridas e dores nas pessoas que nos são próximas. Porque então não perdoarmos as feridas que nossos irmãos nos causam também?  Jesus nos ensinou a rezar ao Pai dizendo: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofenderam” (Mt. 6,12)
 A reconciliação com nosso próximo é muito importante tanto para nós quanto para ele. Por isso Jesus Cristo está sempre a nos lembrar dessa realidade. Precisamos nos reconciliar com nosso próximo, se ele nos ofendeu ou se sabemos que o ofendemos. Pelo ensinamento de Jesus Cristo é necessário buscar resolver a questão da melhor maneira, entre as duas pessoas envolvidas: quem ofendeu e o ofendido. Podemos dar um exemplo: poderiam ser evitadas muitas separações de casais se as duas partes tentassem o exercício do perdão e da reconciliação diariamente.  A Palavra de Deus diz: “Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento” (Ef. 4,26b). Também há situações parecidas de conflitos com parentes, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, membros de comunidade…

Versículo 16
“Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas”. Jesus nos convida através desse versículo a buscar a reconciliação mesmo que seja preciso convocar duas ou três  testemunhas como reza a Lei de Moisés. São Paulo disse assim sobre a convocação de testemunhas na lei de Moisés: “Quem transgride a lei de Moisés, é condenado à morte sem piedade, com base em duas ou três testemunhas. Podeis, então, imaginar que castigo mais severo ainda merecerá aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança no qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?… Quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo!” (Hb. 10,28-30).
Pois é melhor que se resolva tudo enquanto estamos nesse mundo. Porque depois caberá a Deus, Juiz dos juízes, dar a sentença final que sendo boa ou ruim durará a eternidade. Por isso precisamos viver sob a graça do perdão e da misericórdia.  O Senhor nos exorta na sua Palavra: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão”. (Mt. 5,23-25)

Versículos 17 e 18
“Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”.  Se as pessoas que se envolveram no desentendimento, não conseguiram chegar num acordo e não se reconciliaram, devem então recorrer à Igreja, que tem toda a autoridade para perdoar os pecados e assim trazer o pecador de volta ao caminho da santidade, da unidade e da paz. A paz do Senhor habita num coração reconciliado com Deus e com o próximo.
Em qualquer situação de ira, rancor e falta de perdão, devemos nos colocar diante do sacerdote humildemente e pedirmos o perdão de nossas ofensas cometidas a Deus e ao irmão. A Igreja, através do sacramento da Confissão, tem o poder e autoridade de Jesus Cristo para ligar e desligar na terra e também no Céu.
A falta de perdão nos prejudica espiritualmente, emocionalmente e fisicamente. “Não temos o direito de ficar magoados com as pessoas que nos ofenderam e nos feriram. Não podemos ficar ressentidos e desejar o mal a essas pessoas, porque fizeram algo errado. Se agirmos assim estaremos nos matando. Pois quando não perdoamos, nós estamos literalmente nos asfixiando. Não se trata de ter o direito de não perdoar, porque foi o outro que errou. O direito que nós temos é o de viver, não o de morrer. E o ressentimento mata! Mata a alma e o corpo” (monsenhor Jonas Abib)
O Catecismo (1444) diz: “Conferindo os apóstolos seu próprio poder de perdoar os pecados, o Senhor também lhes dá a autoridade de reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta dimensão eclesial de sua tarefa exprime-se principalmente na solene palavra de Cristo a Simão Pedro: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e o que ligares na terra ser ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. (Mt. 16,19) O Beato João Paulo II nos ensinou também: “A celebração do Sacramento da penitência é sempre um ato da Igreja, que nele proclama a sua fé e dá graças a Deus, que em Jesus Cristo nos libertou do pecado”.
Eis o que a Igreja diz sobre a importância do sacramento da confissão como instrumento de perdão, de amor e da misericórdia de Deus por nós: “A autoridade eclesial é chamada a desenvolver uma pedagogia do perdão e da misericórdia, isto é, a ser instrumento do amor de Deus que acolhe, corrige e oferece sempre uma nova oportunidade ao irmão ou à irmã que erram e caem em pecado. Deverá recordar, sobretudo, que, sem a esperança do perdão, a pessoa desiste de retomar o seu caminho e tende inevitavelmente a acrescentar mal sobre mal e queda sobre queda. A perspectiva da misericórdia, por outro lado, afirma que Deus é capaz de tirar um caminho de bem mesmo das situações de pecado”. (site do Vaticano)
O que o beato João Paulo II disse sobre o poder que a Igreja tem de ligar e desligar em nome de Deus: “A Igreja é, nos seus ministros ordenados, sujeito ativo da obra da reconciliação. Tal força vem só de Deus. Diretamente de Deus: Tal força é resgatada com o sangue do seu Redentor e Esposo. É força do Espírito Santo. E ela entra em aliança com o que no homem existe de mais profundo: mediante a fé, a esperança e a caridade, procura no Céu, as soluções daquilo que não pode ser resolvido plenamente na terra”.
 A Igreja também tem o dever de orientar e corrigir seus filhos para que não venham a cair de novo em pecado. A Palavra de Deus diz:  “Estais sendo provados para a vossa correção; é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?… É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela se exercitaram o melhor fruto de justiça e de paz”. (Hb. 12,7.11)

Versículos 19 e 20
“Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.  O Papa Bento XVI explicando esses versículos disse: “O amor age como princípio que une os cristãos e faz com que a sua oração unânime seja ouvida pelo Pai celeste. Por conseguinte, a sintonia na oração manifesta-se importante para as finalidades do seu acolhimento por parte do Pai celeste. Pedir juntos já assinala um passo rumo à unidade entre os que pedem. Isto certamente não significa que a resposta de Deus seja de qualquer forma determinada pelo nosso pedido”.
Jesus se faz presente no meio de nós seja com poucas pessoas (duas ou três) reunidas em oração, e também numa grande assembleia. O Beato João Paulo II disse: “Quão pouco é necessário para que esta Igreja exista, se multiplique e se difunda! Disto decidem aqueles dois ou três reunidos no nome de Cristo e unidos por meio d’Ele, na oração, com o Pai. Quão pouco é necessário para que esta Igreja exista em toda a parte, até mesmo ali, onde segundo as «leis» humanas não pode existir e onde é condenada à morte”!
O papa Bento XVI disse: “É a presença de Cristo que torna eficaz a oração comum de quantos estão reunidos no seu nome. Quando os cristãos se congregam para rezar, o próprio Jesus está no meio deles. Eles são um com Aquele que é o único mediador entre Deus e os homens”. A oração é sempre um momento especial de partilha do amor e da misericórdia de Deus por nós. Ela nos dá conforto e sustento espiritual nos momentos de aflição. Os primeiros cristãos participavam assiduamente de reuniões de oração nas casas, com um  pequeno número de pessoas. A Palavra diz: “Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações” (At. 2,42)
Nesses tempos atuais em vivemos há muitas dificuldades de comunicação e de entendimento entre os seres humanos, por isso a reunião de oração seja nas casas (rosário, as mil Ave marias, oração de louvor), seja na Igreja é muito importante para manter a unidade entre os fiéis, dentre tantos outros benefícios espirituais que nos proporcionam. A reunião de oração tem a presença amorosa de Deus, através do Espírito Santo, que é uma promessa do Senhor para nós .
O Beato João Paulo II falou assim: “O homem moderno mostra-se seguro de si, mas, sobretudo em momentos importantes, deve confrontar-se com a sua impotência: conhece a incapacidade de intervir e, por conseguinte, vive na incerteza e no receio. O segredo para enfrentar, não só nas emergências, mas no dia-a-dia, as canseiras e os problemas pessoais e sociais, encontra-se na oração. Quem reza não perde a coragem nem sequer face às dificuldades mais graves, porque sente que Deus está ao seu lado e encontra refúgio, serenidade e paz entre os seus braços paternos. Depois, ao abrirmo-nos com confiança a Deus, abrimo-nos também com mais generosidade ao próximo; tornamo-nos capazes de construir a história segundo o projeto divino”.
Jesus é presença viva no meio de nós permanentemente, pois ressuscitou dentre os mortos. Após a Ressurreição de  Jesus, os discípulos se encontravam reunidos e “Jesus veio e pôs-se no meio deles”. (Jo 20, 19) Jesus Cristo é presença principalmente na Igreja, onde Ele é a Cabeça dessa Igreja e olha por ela continuamente.
O Catecismo (1088) diz: “Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, pois aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz, quanto sobre tudo sob as espécies eucarísticas. Presente está por sua força nos sacramentos, a tal ponto que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza. Presente está por sua palavra, pois é ele mesmo quem fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja. Presente está, finalmente, quando a Igreja reza e salmodia, ele que prometeu: ‘Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles’ (Mt. 18,20).”
São Paulo convida a orarmos juntos com louvores, cantos e salmos: “Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor.  Rendei graças, sem cessar e por todas as coisas, a Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo!  (Ef 5, 19-20)
Jane Amábile

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A comunidade como experiência de perdão e de oração
1ª leitura: Ezequiel 33,7-9
O profeta sentinela da palavra de Deus
1.A primeira leitura pertence a um texto focado na recordação do cerco de Jerusalém pelos babilônios e, mais tarde, na Jerusalém já destruída. O profeta promete um futuro melhor. Não podia ser de outra maneira para uma comunidade que analisa a sua situação e pondera a sua responsabilidade. Mas é o próprio profeta que se converte em sentinela desta situação e, de uma chamada à responsabilidade pessoal, com todas as suas consequências. Ezequiel é um profeta que goza desta notoriedade teológica quando na sua obra defende que o mundo inteiro não é responsável por todo o mundo, mas cada um responde segundo as suas obras e a sua atitude.
2. Uma sentinela, que guarda a cidade, é uma bela imagem da leitura. Os demais podem descansar, trabalhar, mas quando ouvem a voz da sentinela, todos têm de acudir para salvar a cidade e, se alguém não o faz, está perdido, perdido pessoalmente. Deus é o guardião de Israel (segundo o salmo 121), mas precisa dos profetas como sentinelas para chamar e alertar. O próprio povo necessita deles também. Por isso, uma religião sem profetas vai enquistar-se no passado e morrer. É este o sentido profundo do texto de hoje. Que mal fica que os profetas tenham uma vida estruturada e estabelecida no seu próprio sistema!
3.No texto perfila-se, pois, a missão do profeta, de um profeta verdadeiro: é a sentinela da fidelidade do povo da Aliança. Tem de cumprir com firmeza e fé a missão de comunicar a palavra de Deus na sua integridade; quer seja uma palavra de esperança ou uma palavra de julgamento. E o profeta, como cada um de nós, é responsável por não ter anunciado a todos a palavra de Deus, de a ter silenciado. Por isso, é tão difícil que um verdadeiro profeta guarde silêncio. Efetivamente, põe-se a tónica na responsabilidade dos que escutam o profeta. É verdade que, neste caso, se deve considerar como uma chamada à responsabilidade comunitária e social que está diretamente associada a pecados e a estruturas injustas.
2ª leitura: Romanos 13,8-10
A felicidade de todos esgota-se no amor
1. Continuamos com a exortação da carta aos Romanos. Não é, pois, um texto doutrinal, mas parenético (de aconselhamento). Não se trata, no entanto, de qualquer norma prática, mas do que podemos considerar a “quinta-essência da toda a moral, de todo o compromisso, de todos os mandamentos, da lei e dos preceitos. O dever mais importante que têm os cristãos é amar a Deus e ao próximo; nisto consiste a lei e os profetas; nisto se resumem todos os mandamentos. E isto é tirado dos decálogos do AT, concretamente de Dt. 15, 17-21. Todos os mandamentos se resumem a um (redutio in unum), citando Lv. 19, 18b:amarás o teu próximo como te amas a ti mesmo. É muito possível que aqui se esteja a pensar na complicação de todos os preceitos da lei mosaica, uns 613; portanto, é melhor fazer a média: tudo se reduz a amar os outros tal como queremos ser amados. Não é uma simplificação, nem a discussão do famoso cumprimento (kelal) que entretinha os rabinos, mas uma proposta fundamental na moral e na praxis cristã.
2. É também muito importante ter em conta que o próximo, no contexto da Nova Aliança não são os que têm a mesma religião ou pensam como nós, mas todos os homens. O amor é a única virtude que integra os inimigos. Deus não os tem, porque ama todos os homens. Esta é a norma de vida que Paulo propõe a todos os cristãos e que devia ser a de todos os homens. Numa breve síntese, Paulo apresenta-nos toda a praxis dos que aprenderam a ser cristãos por aceitarem a graça salvadora de Deus.
Evangelho: Mateus 18,15-20
A comunidade como experiência de perdão e oração
1.O Evangelho de hoje faz parte de um dos discursos mais significativos do primeiro Evangelho. Mateus caracteriza-se por uma narrativa da actuação de Jesus que é composta por uma série de discursos. Neste caso, encontramos o chamado “discurso eclesiológico” (c. 18), porque nele estão contempladas as normas de comportamento básicas de uma comunidade. Hoje trata-se do que foi designado correção fraterna, o tema do perdão dos pecados no seio da comunidade e o valor da oração comum.
2 A correção fraterna é muito importante, porque todos somos pecadores e temos um certo direito à nossa intimidade. Mas trata-se de pecados graves que afetam a comunhão e para isso, deve seguir-se uma praxis de admonição, com necessidade de testemunhas, para que ninguém seja expulso da comunidade sem uma verdadeira pedagogia de caridade e de compreensão. O poder de “ligar e desligar”, que em Mateus (há dois domingos), era verificado com Pedro, completa o que se disse: é na comunidade que faz todo o sentido o perdão dos pecados. Isto exige criar a oportunidade para que o puritanismo não seja a característica de uma comunidade como muitas vezes pretenderam ao longo da história da Igreja. Não! O puritanismo não é o essencial, ainda que o nosso texto se ressinta disso, sem oferecer aos que se enganaram, inclusive ofendendo a comunidade, a oportunidade nova de se integrarem solidária e fraternalmente nela. Se apenas lermos o texto num registro disciplinar e jurídico, então baixamos muito o valor evangélico da comunidade.
3. Da mesma maneira, a oração enriquece sobremaneira a nossa oração pessoal: Tal não exclui a necessidade de que tenhamos experiências de perdão e de oração pessoais, mas faz mais sentido quando tudo isto se integra na comunidade. A religião enriquece a dimensão social da pessoa humana. Sem dúvida que estes aspectos têm outros matizes e interpretações, mas a dimensão comunitária é a mais rica em consequências.
fray Miguel de Burgos Núñez - Tradução de Maria Madalena Carneiro

SEGUNDA HOMILIA

A prova da verdade
Com certas almas sinto que tenho de me fazer pequenina, não ter medo de me humilhar, confessando os meus combates, as minhas derrotas; vendo que tenho as mesmas fraquezas que elas, as minhas irmãzinhas confessam-me, por sua vez, que se censuram e se alegram. Pela minha experiência, como as compreendo…
Com outras, reparei que, pelo contrário, para lhes fazer bem é preciso muita firmeza e nunca seria voltar atrás com uma coisa dita. Rebaixar-se não seria de maneira nenhuma humildade, mas fraqueza.
Às vezes, não consigo deixar de sorrir interiormente, vendo a mudança que se opera de um dia para o outro, é feérico… Vêm dizer-me “Ontem tinha razão para ser severa; a princípio isso revoltou-me, mas depois lembrei-me de tudo e vi que foi muito justa. “Estou muito feliz por poder seguir a inclinação do meu coração, não me servindo de nenhum prato amargo. Sim, mas…apercebo-me depressa de que não é preciso avançar demasiado, uma palavra poderia destruir depressa o belo edifício construído nas lágrimas. Se tenho a infelicidade de dizer uma palavra que parece atenuar o que disse na véspera, vejo a minha irmãzinha a agarrar-se a tudo, então rezo interiormente uma oração e a verdade triunfa sempre.
Ah! É a oração, é o sacrifício que fazem toda a minha força. São as armas invencíveis que Jesus me deu, e podem muito mais do que as palavras que tocam as almas; Disso tenho eu muita experiência!
santa Teresa do Menino Jesus



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