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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 18 de outubro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* 29ºdom.T.Com.(19ºp.Pent) - 19 out. 2014
“o homem que vive” (Irineu)
Tempo de eleições – Religião e Política
·                    Em tempos de campanha eleitoral vemos apelos (e apelações...) à fé ou à religião em vista da busca de votos. Em obras monumentais vemos a preocupação de alguns em criar espaço para reunir multidões, como ocorreu com a recente inauguração de um templo que reproduz o de Jerusalém. Assim os símbolos (arquitetônicos e outros) de uma religião servem para o marketing de outras.
·                    É nesse contexto que convém meditar na Palavra que nos chega por meio do evangelho lido hoje. “Devolvei a César o que é de César sem esquecer de dar a Deus o que é de Deus”, sempre foi uma frase de Cristo que se entende – no mínimo – como o reconhecimento da necessária separação entre Igreja e Estado. A mistura perigosa sempre serviu a interesses particulares de um ou de outro lado. Lembremos o que os “chefes do povo” fizeram a Jesus de Nazaré, em nome da Lei e do templo, mas também em aliança com os Herodes e Pilatos que lhes convinham. Recordemos os abusos das guerras religiosas ou da inquisição em tantos momentos da história na Europa dita cristã. Civilizações e povos foram dizimados pelos colonizadores, desde a América Central até nossos guaranis do Rio da Prata. Há menos de cem anos ainda havia perseguição aos judeus e a cristãos, entre outros, promovida pela política de Stalin, de Hitler e pelas ditaduras latino-americanos. Depois de 1910 o México fazia mártires criando conflitos entre religião e política. Os mesmos ódios hoje se repetem em outro contexto, contra palestinos ou israelenses, contra cristãos, iazides e outras minorias no Iraque e na Síria e contra etnias e povos inteiros – vítimas da intolerância de grupos como o Boko Haram em países como Nigéria, Camarões e Chade.

Tempo de Exílio em Babilônia – o Único Senhor deste mundo
·                    Levado ao exílio em Babilônia, o povo de Deus vivia ainda mais longe dos ideais de seus antepassados que iniciaram o projeto de uma sociedade formada na justiça e na paz. Vivemos de modo semelhante em modernas Babilônias, sob a opressão de armas ou pela naracotização das consciências, não só pelas drogas mas pela manipulação das massas. De qualquer forma é hoje um grande desafio viver a fé cristã num mundo que não depende mais desta ou daquela hegemonia religiosa.
·                     Os profetas de Israel aos poucos aprofundaram a convicção de que Deus age no mistério da história, e até “usando”, por assim dizer, instrumentos que são os reis e os impérios pagãos. Jeremias declara o rei babilônico Nabucodonosor (o que arrancou os judeus de sua terra natal) como uma “servo de Deus” (cf. Jr27,6). Depois, a nova política do império persa é considerada pelo Primeiro Isaías (cf.10,5) a “vara da cólera do Senhor’. Diante de Ciro –aquele que permite o retorno dos judeus à sua terra – o Segundo Isaías que lemos hoje julga esse novo “César” o imperador que realiza os desejos de Deus.
·                    Estamos diante da pregação de um universalismo total, não desta ou daquela religião, deste ou daquele poder político (os impérios nascem e morrem uns após outros...), mas afirma-se o universalismo do “poder” de Deus. Os pagãos (hoje diríamos os sem religião, mesmo os ateus) podem servir aos propósitos do Senhor, mesmo sem conhecê-lo ou reconhecê-lo. Aos exilados, Jeremias já tinha escrito numa carta: “Buscai a paz na cidade para onde vos desterrei; orai por ela ao Senhor porque na sua paz vós tereis paz” (Jr29,7). Este versículo é o lema bíblico 2014 proposto pela Igreja de confissão luterana no Brasil (a IECLB, assim como a Católica, é uma das igrejas participantes do Conselho nacional de igrejas cristãs).
·                    Voltando aos tempos proféticos em Israel: diante da cultura persa cuja religião dualista (um deus da luz era responsável pelo bem e um deus das trevas o responsável pelo mal), o profeta Amós (cf.3,6) chega a dizer em tom radical que se o mal atinge uma cidade o Senhor deve tê-lo causado. Assim os profetas afirmaram que o mal que atingiu Jerusalém foi “obra” do Senhor e, depois, que a ascensão de Ciro no cenário do oriente médio era a “mão” de Deus que vinha libertar seu povo. Ciro chega a ser chamado de “Ungido” (Messias).
·                    Todas as nações podem servir a Deus sem o saber, mas o Segundo Isaías acreditava que tinha chegado a hora do reconhecimento universal (J.J.Collins in: Bergant, Karris, Comentário Bíblico , v.II, SP,Loyola,1999). Notemos que a interpretação da “ação” de Deus não história não se confunde com a hegemonia desta ou daquela religião ou igreja como única e dominadora das demais. O Segundo Isaías, por ex., mesmo afirmando que toda a humanidade foi criada por Deus e todos são filhos de Deus (cf. verso 11 do cap 45 lido hoje), não abandona sua convicção de que Israel continua ocupando seu lugar nas promessas de Deus. (cf.Collins, acima); Confundir aceitação do senhorio universal do Criador (dentro de uma visão monoteísta da tradição judaico-cristã) com uma dominação política do poder, levou a muitos erros dentro do judaísmo ou do cristianismo que promoveram muitas “guerras santas”. Hoje conhecemos uma das mais radicais formas dessa tendência que se diz apoiada pelo Alcorão,mas serve a interesses diferentes. São rejeitados por grupos e líderes do próprio mundo muçulmano.

Ao Império o que é dele, mas onde está a imagem de Deus?
·                   Jesus responde com sabedoria e confunde os adversários fariseus e herodianos. O comentário do biblista Könings de B.Horizonte fala do tema de hoje: o Império Romano cobrava dos judeus um imposto pessoal em troca de um estatuto protegido no seio do Império. Em vista disso, os especialistas da Lei judaica perguntam a opinião de Jesus, querendo obrigá-lo a escolher entre os judeus e César, o imperador romano. Pensavam que sua pergunta fosse “queimar” Jesus de um ou de outro lado. Jesus deu a resposta que conhecemos. É como se dissesse: “Se vocês acham que o César tem direito a esse imposto, paguem-no, já que vocês aceitam o estatuto especial que ele lhes dá em compensação. Mas não esqueçam que também a Deus estais devendo, e não pouca coisa, já que lhes deu tudo!”.
·                   A organização da economia, a melhoria das condições de vida de nosso povo, a escolha de deputados, senadores, governadores e presidente, são tarefas nossas, não de Deus. Quem elege são os eleitores, quem produz riqueza são os trabalhadores nas empresas e microempresas deste país. Deus é Deus. Jesus de Nazaré é a imagem visível desse Deus invisível, como lembrou o apóstolo Paulo. Cabe a nós organizar a política, a economia, a educação e a vida neste mundo. Só não podemos esquecer de “devolver a Deus o que é de Deus”. Assim como a imagem do imperador estava na moeda, a imagem de Deus está impressa no ser humano, porque Deus se se alegra em dar vida, como disse um dos primeiros escritores cristãos, Irineu de Lyon: “A glória de Deus é o homem vivo” (Contra haereses IV,20,7).

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( * ) Prof.(1975 a 2012:filos/ educ/ teol/ ética) fesomor2@gmail.com


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