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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Mataram o Filho do dono da vinha

27º DOMINGO TEMPO COMUM

5 de Outubro de 2014


Evangelho - Mt 21,33-43

-MATARAM O FILHO DO DONO DA VINHA-José Salviano


          O proprietário da vinha é Deus. A vinha é o povo de Israel e o judaísmo, é o povo de Deus que foi libertado do Egito. Os empregados são os profetas. Os vinhateiros são os saduceus, ou a elite dos judeus. O filho do proprietário é Jesus Cristo. Leia mais


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COMO DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS SOMOS HOJE OS NOVOS VINHATEIROS! - Olívia Coutinho

27° DOMINGO COMUM

Dia 05 de Outubro de 2014

Evangelho de Mt 21,33-43

Estamos no mês de outubro, tempo em que a Igreja nos convida a refletir sobre a necessidade de difundir o evangelho! O mundo está cheio de conflitos, necessitando urgentemente de mais diálogo, de pessoas corajosas, que não se curvam diante dos desafios porque acredita na força da palavra de Deus e do testemunho!
É um tempo que chega repleto de apelos ao nosso coração, nos motivando a assumir o nosso compromisso missionário, seja na  família, na  comunidade  ou na sociedade.
Ser missionário é colocar-se à disposição de Deus como  instrumento a ser usado por Ele, como e onde se fizer necessário! É  além das palavras, dar  testemunho de Jesus com a própria vida!  O espírito missionário se fundamenta na experiência da vivencia com Jesus, é a  presença de Jesus atuando nele, que o motiva a assumir com maior intensidade e alegria a sua  cumplicidade no anuncio do Reino!
A todo instante, somos  chamados   a agirmos de um jeito diferente, transparente,  na vivencia e no anúncio  do amor de Deus, construindo um novo céu aqui na terra! 
Todos nós somos chamados a sermos  anunciadores da constatação de que a promessa de DEUS se realizou, com o Deus Filho nos resgatando do cativeiro!
No evangelho deste Domingo, Jesus continua criticando duramente os líderes religiosos do seu tempo. E na intenção de desmascará-los conta-lhes uma parábola na qual eles são os vilões.  Porém, fechados em si mesmos, sacerdotes e anciões do povo, não  assimilaram estes personagens como sendo eles. O que podemos constatar na resposta que eles dão a Jesus: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha  a outros vinhateiros, que lhes entregarão os frutos no tempo certo.” Mt 21,41. Com  estas palavras, estes líderes religiosos, assinam a  própria sentença, pois estes arrendatários  perversos eram eles mesmos.
O texto chama a nossa atenção, para  a responsabilidades que nós, como Igreja missionária nascida da ressurreição de  Jesus, devemos ter para com  a vinha do Senhor que é o povo! Ao assumirmos o compromisso com Jesus, nós nos tornamos os novos vinhateiros, e como tal, temos que devolver ao dono da vinha os frutos da missão que a nós foi confiada.   
Como discípulo missionário, devemos dar testemunho de Jesus, partilhando a vida, acolhendo o irmão na compreensão e na misericórdia!  Não podemos nos limitar em práticas religiosas, no legalismo, que é um instrumento de alienação e de opressão.  Mais do que tudo, precisamos   cuidar da vida, que é  o bem mais precioso para Deus!
Somos co-responsáveis pela vida do outro, até mesmo pelos frutos que eles hão de  produzir. Se não tivermos  preocupação com o bem do outro, não seremos colaborados fieis à prosperidade  da vinha, e consequentemente seremos advertidos por Jesus, como foram advertidos os arrendatários citados na parábola! Estes, não cuidaram devidamente da vinha, além de não entregarem os frutos pertencentes ao proprietário, quiseram apoderar-se  da vinha, matando todos os que vinham recolher os frutos, profetas e até mesmo o Filho do dono da vinha que é Jesus!
Infelizmente, ainda hoje, existem líderes em nossas comunidades, bem parecidos com os antigos, pessoas que ao invés de servir, servem-se do povo, transformando-o em   propriedade sua, desagradando assim, o proprietário da vinha.
Como povo de Deus, pertencemos a uma só vinha!  Entre nós, há diferenças, mas como filhos do mesmo Pai, devemos estar sempre unidos, ligados a seiva que é Jesus, pois somente irmanados, produziremos  frutos em abundancia, dando assim, a nossa resposta de fidelidade ao dono da vinha!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM 05/10/2014
1ª Leitura Isaias 5, 1-7
Salmo Isaias 5,7 a “A vinha do senhor dos exércitos é a casa de Israel”
2ª Leitura Filipenses 4, 6-9
EvangelhoMateus 21, 33-43


"OS FRUTOS DA VINHA"

Recorro a lembranças da minha adolescência ao iniciar esta reflexão, tínhamos no fundo do quintal um belo caramanchão de maracujá que meu pai zelava com carinho, lembro que as flores muito bonitas e perfumosas, pareciam os cravos com que Jesus foi crucificado. Na época dos frutos nos deliciávamos com o suco que era uma gostosura e isso sem contar com a sombra fresca em dia de muito calor, onde tínhamos um velho banco de madeira sendo o local preferido para um descanso ou uma leitura.
Lendo esse evangelho e lembrando-se do meu pai, nas manhãs de verão, cavocando, podando, fazendo limpeza nas folhas do maracujeiro, reflito que é isso que Deus espera de cada um a quem, através do seu Filho, confiou a missão de cuidar do seu reino no meio dos homens. A liderança religiosa daquele tempo se esquivava dessa missão, e ainda aproveitava-se dela, para levar vantagem, isso é como se tivéssemos no quintal um maracujeiro, que nos desse flores, folhas, sombra e frutos, sem que lhe déssemos qualquer atenção. Benefício sem dar nada em troca chama-se exploração.
É um pouco isso que acontece nos chamados crimes ambientais, onde o homem explora a natureza, tira dela todo lucro possível, e nada faz para restaurar a perda, daquilo que consumiu. Jesus confiou à igreja a missão de anunciar, e ser expressão do Reino de Deus, ele a arrendou, para que todos os batizados tomassem conta dela, cuidassem com carinho e produzisse os frutos que o mundo precisa.
A comunidade é essa vinha, como igreja ela é sinal e expressão do reino de Deus, a parábola fala que os vinhateiros homicidas, não só negaram dar os frutos aos enviados pelo proprietário, como também foram violentos para com eles, e quando acolheram acolherem o Filho, o fizeram com a intenção de matá-lo para se apossar da sua herança. “Em nossas comunidades cristãs, não espancamos ninguém, e muito menos matamos quem quer que seja” devem estar pensando os leitores, ninguém na comunidade quer apossar-se de algo que pertence a outro. Será que não?
Mas dá para se pensar que, matar alguém, nem sempre significa por um fim a sua vida biológica, podemos matar de muitas formas, desprezo, indiferença, preconceito, divisões, intrigas, calúnias, falta de paciência, compreensão, moralismo exagerado com os que erram. Deus confiou-nos a Igreja para que, como aquele maracujeiro do fundo do meu quintal, ela produza frutos doces, dê sombra, acolhendo e abrigando as pessoas, exale o perfume do amor verdadeiro, da retidão e da justiça, para que a comunidade seja um Oasis no meio desse imenso deserto quente e íngreme, que às vezes é a vida das pessoas, por conta de tantos fatores sociais, econômicos e familiares.
Nesse sentido, olhando por esse ângulo, a palavra de Deus nos questiona se em nossas comunidades as pessoas saem saciadas e felizes. Será que, pertencer a comunidade ou ir a nossas celebrações, é para as pessoas motivo de alegria e prazer? E trazendo a reflexão em nível pessoal, será que nós próprios somos uma videira viçosa, onde as pessoas encontram abrigo e refúgio? Nossos frutos são saborosos, as pessoas comentam sobre a doçura deles, ou trazem um azedume que gera maledicência e até reclamação?
Matar o Filho do Dono da vinha, é não anunciá-lo, não testemunhá-lo, esquecer seus ensinamentos e colocar em nossa vida outros valores e tendências ditadas pelo egoísmo. Na sexta feira santa da paixão, uma grande multidão sempre lota as igrejas e acompanha o Cristo morto, a gente se pergunta por que, e nesse evangelho encontramos a resposta, as vezes somos também meio homicidas e anunciamos um Cristo morto, em nome da modernidade, da ciência, da tecnologia, um Cristo morto pelo relativismo, em lugar de ser simples arrendatários muitas vezes nos achamos donos da vinha que é a igreja, é como se o cristianismo fosse apenas uma filosofia de vida, um pensamento e uma ideologia muito bonita, mas que logo é sufocada pelas ideologias que o mundo nos propõe.
O proprietário enviou servos para buscarem os frutos que lhe pertencem, enviou seu próprio Filho que veio para ser acolhido e nos ensinar como produzir os frutos. Estamos em um aprendizado constante com a sua palavra e a eucaristia, temos aulas práticas e o manual de como cuidar da Vinha, que é a Palavra de Deus. Esforcemo-nos para corresponder, e não deixemos que as pragas do pecado destruam ou torne inexpressiva a Vinha do Senhor, pois disso, nós todos, enquanto povo de Deus, iremos um dia prestar contas ao proprietário, que nos confiou sua vinha, seu reino, plantado por Jesus no meio dos homens.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP


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A Palavra de Deus deste XXVII domingo comum recorda-nos uma história de amor, misteriosa, triste e destinada a nos fazer pensar... É a história do Povo de Israel. Não sua história simplesmente na forma de crônica, de rosário de fatos, um após o outro, no correr do tempo. Aqui a história é apresentada em forma de parábola, uma parábola do amor de Deus, o Amado, por sua vinha; uma parábola de decepção, de vinhateiros assassinos, de um Filho querido jogado fora da vinha...
Na primeira leitura, de Isaías, Deus se queixa de sua vinha pela boca de seu profeta: “Um amigo meu plantou videiras escolhidas... esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens”. Eis a história de Israel, a vinha amada: o Senhor plantou seu povo: esperou bons frutos, mas vieram frutos azedos: “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá é sua amada plantação; eu esperava deles frutos de justiça – e eis a injustiça; esperava obras de bondade – e eis a iniqüidade”. Ante tal infidelidade, o Senhor diz pelo profeta: “Vou desmanchar a cerca, e ela será devastada, vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. Vou deixá-la inculta e selvagem...” Eis o triste resumo da história do Povo de Deus da antiga aliança. Tão amado, tão preferido, Israel não foi fiel à aliança, Israel não deu os frutos de amor, de sensibilidade para com seu Deus, de total dedicação a ele que o Senhor esperava.
Essa atitude do primeiro povo chegou ao extremo na atitude dos chefes judeus da época de Jesus: misteriosamente, eles rejeitaram Jesus, expulsaram-no da vinha de Deus e mataram-no. O fato é que Israel foi se fechando para aliança com o seu Deus e, quando o Messias veio, o Povo amado não teve a capacidade para reconhecê-lo e acolhê-lo... Recordemos como Jesus fala de seu próprio destino na parábola de hoje: o proprietário que planta a vinha é o Pai do céu, a vinha amada é a casa de Israel – essa vinha que, já vimos, deu frutos azedos; os vinhateiros são os chefes do povo, aos quais Deus confiou sua vinha; o Senhor enviou seus empregados para receber os frutos: são os profetas e todos aqueles que advertiram o povo de Deus para que se convertesse. Os vinhateiros espancaram e mataram esses enviados. O Pai, então, enviou o Filho, o Amado, o Herdeiro. “Vinde, vamos matá-lo!” – eis a terrível palavra dos vinhateiros, a sentença dos chefes judeus! E tomam o Filho amado, expulsam-no como um maldito e matam-no! Diante disso, a conclusão do Evangelho é tremenda, é misteriosa: a vinha será tirada e dada a outros. A eleição de Israel passará para um novo Povo, a Igreja; Jesus, a pedra rejeitada, será a pedra angular de uma nova construção – o Novo Povo de Deus, a Igreja do Novo Testamento, nascida do seu sangue.
Que história impressionante: um povo tão amado, um povo singular. Um povo de santos... e que perdeu a oportunidade de reconhecer e acolher o Messias tão esperado e tão desejado! Um povo que deveria ser ministro da salvação de toda a humanidade e não soube compreender sua missão... Ao mesmo tempo, nosso misterioso nascimento: somos a Igreja, resto de Israel, do qual Deus fez, em Cristo, um Novo Povo, para testemunhar o Senhor e levar seu nome aos confins da terra. Somos um povo, caríssimos: mais que brasileiros, somos Igreja; mais que tudo, somos o Povo de Deus da nova aliança, somos a vinha do Senhor, enxertada no verdadeiro tronco, que é Jesus, a verdadeira videira! Sem merecer, por graça de Deus, eis o que somos!
A Escritura nos diz que todas essas coisas aconteceram para nos servir de exemplo (cf. 1Cor. 10,6)... Não somos melhores que os judeus, não devemos desprezá-los nem condená-los! É verdade que jamais a aliança passará para um terceiro povo, jamais a Igreja perderá sua condição de Novo Povo de Deus. Compreendamos: a verdadeira vinha nova é o próprio Cristo: "Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor" (Jo 15,1). Vinha bendita, verdadeira cepa da antiga vinha, Israel! Jesus é a videira, nós, os ramos: "Eu sou a videira e vós os ramos" (Jo 15,5). Ele é o tronco bendito e nós, sua Igreja, os ramos que não se podem separar dele! É por isso que jamais essa Igreja, nova vinha unida ao tronco, poderá perder a condição de videira escolhida, amada e eleita. Mas, atenção: os ramos, individualmente, podem ser arrancados: "Todo ramo que em mim não produz fruto o Pai corta" (Jo 15,2). Eis, meus caros: devemos, sim, perguntar pela nossa fidelidade a Deus que, em Jesus, nos fez ramos da sua nova vinha! Que frutos, caríssimos, estamos dando? Uvas doces? Uvas azedas? Uvas nenhumas? Quais são nossos frutos? São nossas obras, são nossas atitudes, é nosso modo de viver? O Senhor espera de nós uma vida segundo a sua vontade, segundo aquilo que o Senhor Jesus nos mostrou e viveu; o Senhor espera de nós um testemunho de amor profundo a ele, para que o mundo descubra e corresponda ao seu amor! Na segunda leitura deste hoje, o Apóstolo nos exorta: "Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor. Praticai o que aprendestes e recebestes. Assim o Deus da paz estará convosco". Eis aqui um belo programa de frutos dados por um ramo enxertado em Cristo!
Igreja de Deus, aqui reunida para a Eucaristia, é a vinha amada do Senhor! Vinha por vezes ameaçada de devastação, seja pela perseguição do mundo que não crê, seja pelos seus próprios pecados, que azedam os frutos que deveriam ser doces! Convertei-vos, Igreja de Deus em Cristo; convertei-vos e dai frutos em vossa vida!
Quanto a vós, Senhor Deus, Senhor da vinha, “Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai! Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao Rebento que firmastes!” Olhai, Pai Santo, a face do vosso Filho Jesus, morto e ressuscitado, que oferecemos em sacrifício eucarístico: tende piedade de nós; dai-nos força, vida e paz!
dom Henrique Soares da Costa


Trabalhar na vinha do senhor
O tema da vinha é predominante na liturgia de hoje. Trata-se de parábola comum ao Antigo e ao Novo Testamentos da qual primeiro os profetas e, depois, Jesus se serviram para falar do amor de Deus e da ingratidão do ser humano. Na primeira leitura, Isaías descreve a história de Israel como a história da vinha que o Senhor plantou e à qual deu condições para que produzisse bons frutos. O evangelho resume a metáfora de Isaías e a desenvolve, falando de outros imensos benefícios feitos por Deus, primeiramente o envio dos profetas e, enfim, o envio do Filho como prova suprema de amor. A segunda leitura pode ser tomada como um convite à gratidão para com Deus e como compromisso de nossa parte para darmos abundantes frutos de boas obras.
Evangelho (Mt. 21,33-43)
Entregarão os frutos no tempo certo
Numa releitura do texto de Isaías, o evangelho de hoje vem acentuar a importância dos líderes religiosos no exercício de sua missão na comunidade: cuidar da vinha.
O cultivo da vinha exige muita dedicação, porque ela representa freqüentemente os escolhidos de Deus, que são muito valiosos para ele. O dono da vinha esteve distante até o tempo em que ela deveria dar frutos e a confiou a “empregados”. Jesus está dizendo a seus interlocutores que eles são apenas servos de Deus, que a função deles é entregar os frutos para o verdadeiro dono, mas eles quiseram fazer as coisas do jeito deles.
Os servos quiseram a parte que pertencia a Deus. Mas somente o Senhor tem a última palavra na condução do povo. E somente a Deus pertence o louvor, não aos líderes religiosos. Então a liderança religiosa já não estará com aquele grupo; caberá a quem fizer a vinha produzir frutos para Deus.
Essa realidade criticada pelo evangelho está presente na Igreja em todos os tempos, porque o ser humano é sempre tentado a usurpar o lugar de Deus. Para aprendermos a assumir nosso papel na liderança da comunidade, basta olhar para Jesus, que não se apegou a seu ser igual a Deus, mas assumiu a condição de servo (cf. Fl. 2,6-7). E ele é o herdeiro da vinha. Por isso, Jesus é o caminho a ser seguido não somente pelos líderes religiosos, mas por todos os cristãos que queiram realizar na sua vida a vocação humana e cristã: ser para Deus. Se realizarmos essa vocação, certamente a vinha do Senhor dará muitos frutos no seu tempo.
1ª leitura (Is. 5,1-7)
Esperava que produzisse uvas boas
O poeta canta em versos a história de amor entre seu Amigo e a vinha. Primeiramente destaca o cuidado que seu Amigo teve para com ela: preparou a terra, plantou mudas selecionadas; deu-lhe proteção permanente com vigias, construindo uma torre; evitou que as uvas se estragassem, fazendo um tanque de amassar uvas. Esses cuidados fizeram dela uma “vinha preciosa” (Jr. 2,21). Contudo a vinha não correspondeu às expectativas de seu proprietário. Para Isaías, a vinha é Israel e Judá, a totalidade do povo de Deus. Que expectativas não foram correspondidas? O exercício da justiça e do direito.
O poeta afirma que seu Amigo, o proprietário da vinha, identificado com o Senhor dos exércitos, convoca os moradores de Jerusalém para julgar a vinha. O proprietário faz duas perguntas: a primeira sobre as próprias atividades, e a segunda sobre a produção da vinha. No final, o proprietário dá uma sentença, anunciando o que fará. E suas atividades para com a vinha serão o oposto dos cuidados iniciais. O ápice é o v. 7, no qual estão em contraste as expectativas de Deus e a resposta negativa do povo.
A vinha não produz os frutos esperados, o povo não realiza obras que agradam a Deus, especificamente a justiça e o direito. Essas palavras da primeira leitura são bem atuais; hoje elas se dirigem a nós que somos povo de Deus em Jesus Cristo.
2ª leitura (Fl. 4,6-9)
Ocupai-vos com tudo o que é bom
O texto da segunda leitura traça um itinerário para que o cristão possa ter uma práxis que seja fruto de seu relacionamento com Deus.
Primeiramente diz: “Não vos preocupeis com coisa alguma”. Isso não significa ser irresponsáveis nas tarefas, nas atribuições, nas profissões, nos relacionamentos familiares etc., e sim que as preocupações com o cotidiano não devem tomar demasiado espaço em nossa vida. Quanto mais se confia em Deus, tanto mais os pensamentos ficam livres de aflições e ansiedades (cf. Mt. 6,25 e 1Tm. 5,8).
Se alguma situação se torna muito difícil para nós, então devemos nos reportar a Deus com orações e súplicas. A palavra “súplica”, no idioma em que o texto foi escrito, denota o sentido de algo do qual necessitamos muito, de alguma coisa vital para nós. Mas as orações e súplicas devem estar unidas à ação de graças, porque devemos agradecer a Deus antes mesmo de receber a resposta dos nossos pedidos. Talvez Deus não realize exatamente o que esperamos, mas sabemos que ele sempre responde às nossas orações e por isso devemos agradecer imediatamente.
Em seguida, após depositarmos nossas dificuldades nas mãos de Deus, então já não estaremos tão estressados como antes e poderemos saborear “a paz que supera todo entendimento” (v. 7). Sentimos paz não porque a situação foi resolvida, mas porque ela já não nos sufoca – afinal, somos a vinha bem cuidada de Deus.
E como nossa mente já não está sobrecarregada com preocupações e ansiedades, então podemos nos ocupar com o que é essencial (v. 8): levar uma vida exemplar no mundo (dar testemunho), sendo verdadeiros, sabendo respeitar a dignidade do outro, sendo amáveis, sendo puros, enfim, praticando as virtudes.
Paulo termina dizendo que esse comportamento os filipenses aprenderam observando o modo como ele, Paulo, se comportava. Quem dera as pessoas pudessem também aprender essas coisas pelo testemunho dos cristãos. Então o mundo inteiro seria uma vinha que produz frutos agradáveis para Deus.
Pistas para reflexão
Também para os membros da Igreja valem as palavras de Isaías e de Jesus; por isso a homilia deve evitar estabelecer contraposição entre Israel e Igreja, para não deixar os cristãos numa posição muito confortável. Se a vinha, que é a vida de cada fiel na Igreja, não der frutos, Jesus dirá hoje as mesmas palavras que dirigiu aos líderes religiosos da sua época.
Estamos iniciando o mês missionário, e todo batizado deve ser “vinha do Senhor”, dar frutos e evitar o comodismo que freia a missão. Esta não deve ser entendida como atividade individual e fruto de recursos e capacidades humanas, mas sempre como colaboração com a obra missionária de Cristo, pois ele é a origem e fonte de toda atividade missionária na Igreja.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj


"O Reino de Deus será tirado de vocês e será entregue a um povo,
que produzirá seus frutos"
1ª leitura: Is. 5,1-7
O poema da vinha do Senhor conta a decepção que Deus teve com o seu povo. Como o agricultor, Deus plantou uma vinha que é o povo de Israel e tomou todos os cuidados necessários, para que sua vinha produzisse uvas saborosas. Na hora da colheita só encontrou uvas azedas. O profeta, que fala em nome de Deus, convida os ouvintes a serem juízes entre o agricultor e a vinha; convida-os a responder a esta pergunta carregada de ternura e dedicação e ao mesmo tempo de ressentimento. O que poderia ainda ter sido feito por minha vinha e eu não o fiz? Eu contava com uvas gostosas, mas por que ela produziu uvas azedas? Os ouvintes, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, parecem responder: Na verdade o Senhor fez tudo! O Senhor só poderia esperar uvas saborosas! Os ouvintes, implicitamente, aprovam a decisão do Senhor da vinha. Que decisão ele tomará? Ele vai proceder exatamente ao contrário do que fez anteriormente. Vai deixar a vinha totalmente desprotegida, vai derrubar a sua cerca e vai entregá-la à devastação. Não vai cuidar dela mais. Inclusive, vai proibir às nuvens que a molhem com chuva. É aqui que começamos a descobrir que o agricultor é o próprio Deus. O verso seguinte de fato diz: "Pois a vinha do Senhor Todo Poderoso é a casa de Israel, e os cidadãos de Judá são sua plantação querida". Com todo zelo de agricultor, com todo o carinho de urna mãe, Deus liberta seu povo da escravidão egípcia e o planta na Terra Prometida, para produzir uma sociedade justa e fraterna. Deus não tinha mais nada a fazer senão esperar os frutos desejados. Mas, ao invés de reinar o direito, "domina a violação do direito", ao invés da justiça esperada, "só se ouvem os gritos dos injustiçados".
Em sua decisão o agricultor disse que vai deixar sua vinha "ser devastada e calcada aos pés". É uma referência à invasão do exército assírio que devastará o país de Israel, que é a vinha do Senhor. Israel não deu os frutos desejados do direito e da justiça, cerca protetora; agora não poderá reclamar da ruína. 
2ª leitura: Fl. 4,6-9
Qual o significado desse v 6? “Não se angustiem com nada: sempre em orações e súplicas com ação de graças apresentem suas necessidades a Deus”. O que angustiava a comunidade? Entre outras coisas temos uma referência no v 2, onde duas líderes da comunidade, Evódia e Síntique, estavam brigadas. Paulo pede que elas façam as pazes. Parece que o v 6 nos remete a um contexto de celebração comunitária, onde as necessidades devem ser apresentadas a Deus juntamente com orações, súplicas e agradecimentos. O momento da celebração eucarística traz para todos essa serenidade de espírito, essa tranquilidade de que todos precisamos para a boa convivência, para pedir e para agradecer a Deus. A celebração é uma espécie de oásis diante das angústias e dos conflitos em que vivemos. Como consequência de nossa celebração - nossas orações, súplicas e ação de graças - nos encheremos da paz de Deus em Cristo Jesus.
Finalmente, Paulo aponta o ideal do comportamento do cristão. O cristão deve estar sempre voltado para o que é virtude, o que merece louvor. Termina colocando-se como exemplo. Os filipenses devem se espelhar nas palavras e no comportamento de Paulo; assim o Deus da paz estará com a comunidade.
Evangelho: Mt. 21,33-43
Esta parábola, dirigida aos chefes do povo de Deus, se inspira no canto da vinha (Is 5, 1-7 – 1ª Leitura). O proprietário é Deus, a vinha é o povo e os vinhateiros são os chefes do povo, representados aqui pelos sumo-sacerdotes e anciãos. Como em Isaías, Deus cercou a vinha de todos os cuidados possíveis, ela tem tudo para produzir seus frutos de justiça e direito. Esses cuidados de proprietário pela sua vinha sintetizam todo o zelo de Deus ao longo da história do seu povo.
"Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos". Lembremos que os vinhateiros são os chefes do povo. E quem são os empregados? São os mensageiros - os profetas - que Deus vai enviando ao seu povo ao longo da história. Mas o que os vinhateiros fazem com os empregados? Não os acolhem. Pelo contrário vão sendo cada vez mais agressivos com eles: agarram, espancam, apedrejam e matam. O proprietário, paciente e incansavelmente, manda outros empregados. Mas a crueldade se repete. O proprietário, ainda esperançoso, envia seu próprio Filho, pensando que ao Filho eles respeitariam. É Deus esgotando todo o seu amor por nós, arriscando o que tinha de mais precioso. É a última tentativa de Deus, mas é também a última chance dos vinhateiros. E o que acontece? Deus sentiu de perto a trama da maldade humana nos representantes do povo. Perpetuam a injustiça, pisam no direito e eliminam os portadores destes ideais. Não respeitaram nem mesmo o Filho de Deus, mas ambicionaram sua herança; aqui está o sentido da ambição e poder sobre o povo. "Agarraram o Filho, jogaram-no fora da vinha e o mataram". Jesus, de fato, foi morto fora dos muros da cidade.
A essa altura Jesus lança para eles uma pergunta provocadora: "Quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" Eles responderam ingenuamente sobre o próprio destino: "com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão o fruto no tempo certo".
Jesus, primeiro, cita o SI. 118,22s, mostrando-se como a pedra angular sem a qual nenhuma construção se sustenta. Jesus é, portanto, a sustentação do povo de Deus, que vai produzir frutos de justiça e direito. Em segundo lugar, Jesus decreta a sentença contra os chefes do povo: "O Reino de Deus será tirado de vocês e será entregue a um povo, que produzirá seus frutos".
Os vinhateiros de hoje estão produzindo os frutos de justiça e de direito?
dom Emanuel Messias de Oliveira


A nossa responsabilidade diante dos apelos de Deus
Nos tempos de Jesus, havia nas colinas da Galiléia, ricos latifundiários estrangeiros que arrendavam suas propriedades a agricultores do lugar e que, na época das colheitas, mandavam representantes para receber a parte da produção que lhes tocava. Sucedia que, às vezes, esses representantes fossem maltratados, e até mesmo assassinados, pelos arrendatários. Este expediente extremo tornava‑se uma tentação maior quando a pessoa do representante se identificava com a do herdeiro. Pois segundo as leis do tempo sobre a herança, uma propriedade, quando da morte do seu dono sem herdeiros, passava para as mãos de quem a ocupasse por primeiro.  Portanto, combinando o canto da vinha de Isaías (5,1-7) e a situação social da época, Jesus conta uma parábola aos chefes judeus na qual Ele revela a clara consciência de ser o enviado de Deus, o Filho, que está sendo rejeitado pelos chefes de Israel e a grave responsabilidade deles.  As consequências serão terríveis. São livres e soberanos na decisão de acolhe-lo ou rejeita-lo, mas já não serão livres das conseqüências da própria escolha.  Como aparece já no canto de Isaías, a vinha é Israel, Deus é o seu dono e os enviados são os profetas que Ele mandou sucessivamente para fazer o seu povo recordar a Aliança. Porém, os profetas foram, em geral, perseguidos e, não raro, assassinados.  Na plenitude dos tempos, Deus mandou o seu próprio Filho, esperando que, por ele, Israel tivesse maior consideração e o acolhesse, mas rejeitou-o igualmente. Matou‑o, crucificando‑o fora dos muros de Jerusalém. O que Deus poderia ter feito ainda por este povo, Ele que, na imensidão do seu amor, deu o que de mais precioso tinha: seu próprio Filho único? Ele chegou à plenitude do seu dom dando‑se a si mesmo no Filho.  Nada mais lhe resta! O texto diz que Ele tomará a vinha àqueles arrendatários infiéis e dá-la-á a outros que a façam frutificar, significando que Deus rejeitará os chefes judeus e todos aqueles que não acolheram a mensagem de seu Filho e formará um novo povo eleito.  Na verdade, porém, não é Deus que rejeita. Ele é tão misericordioso e longânime que, para salvar o seu povo, enviou continuamente sucessivos mensageiros e, por fim, mandou o seu próprio Filho. Um Deus assim não rejeita ninguém, nem mesmo quem o rejeita tão descaradamente. Aqueles que não aceitam Jesus são excluídos em razão de sua própria escolha.  São Francisco de Assis, neste mês de outubro, seja exemplo de acolhida incondicional a Cristo e à mensagem do Evangelho.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv



“O Reino vos será tirado”
Uma história em parábola.
O ano litúrgico é uma grande escola para conhecermos Jesus, sua missão e os caminhos pelos quais corresponder ao Deus que se nos revelou. As celebrações têm um aspecto especular, isto é, são um espelho para nos vermos e ajustar nossos caminhos. Os primeiros cristãos, principalmente os de origem judaica, e eram muitos, colocavam-se diante do problema: Se Deus escolheu um povo para ser o depositário das promessas, das alianças, por que agora os pagãos entram em pé de igualdade na comunidade cristã? Jesus ensina que o Reino é aberto a todos os povos e igualmente aos judeus. Os judeus não perdem seu passado. Paulo é claro; “A eles pertence a adoção filial, a glória… e dos quais descende Cristo segundo a carne” (Rm. 9,1-5). E diz também: “Israel ficou endurecido” (Rm. 11,7).
Os judeus não foram recusados. Ao tronco da oliveira doméstica foi enxertada a oliveira selvagem. Se esta floresceu, quanto mais florescerá o ramo natural (16-36). O ensinamento de Jesus não se dirige ao povo, mas aos chefes que eram os responsáveis a quem Deus confiou este povo. Nesta parábola podem, sobretudo, os que têm alguma responsabilidade sobre o povo, seja religiosa, civil ou social, fazer um exame de consciência, pois a eles ela se dirige.
Deus quer os frutos.
A profecia de Isaias mostra o desencanto de Deus contra a falta de correspondência a seu plano. A parábola ensina que a vinha é o povo. Deus cuidou dela com tanto carinho e, quando veio buscar os frutos, só encontrou uvas azedas que são o sangue derramado e a injustiça. O texto da parábola é uma síntese da história do povo e de suas contínuas recusas. Ela é feita para os chefes do povo, que, tendo a responsabilidade sobre ele não o levou a produzir frutos para Deus. Os profetas foram mortos por cobrarem esses frutos. Deus mandou Jesus, o Filho, que veio anunciar a vontade de Deus. Também Ele foi morto e fora da vinha, isto é, fora das portas da cidade. Ele, que foi recusado, tornou a pedra angular do novo edifício. É Ele quem deu a Deus os resultados da vinha. O povo produzirá frutos. A vinha não é devastada, mas tem outro responsável que a faz produzir frutos para Deus.
O Reino vos será tirado
Deus fez muito por seu povo e agora faz por nós que recebemos a herança de Deus. Deus é fiel. Se formos infiéis, Ele pode confiar a outros o cuidado de sua plantação. Deus se comprometeu em fazer sua parte. Mas, se a Igreja e a sociedade, nas pessoas de seus responsáveis, a quem Deus seu povo e seu Reino, repetirem o que fizeram os chefes dos judeus, seremos todos excluídos. Muitas vezes nos questionamos sobre a fuga de tantos da Igreja. Temos as seitas, o ateísmo, o laicismo e outros nomes. Será que não estamos obstruindo o plano de Deus com leis, costumes, políticas religiosas, filosofias que pouco tem a ver com o Evangelho? A vinha será dada a outros que possam produzir para Deus. Daremos um testemunho melhor se formos mais coerentes. O que podemos fazer para corresponder aos compromissos que Deus fez para conosco? O que esta Palavra nos questiona? Paulo dizendo: “Praticai o que aprendestes e recebestes de mim ou que de mim vistes e ouvistes” (Fl. 4,9). Quando nos reunimos, é preciso ouvir o que Deus tem a nos dizer. A celebração não é só uma oração, mas um questionamento e uma missão.

1. Os cristãos vindos do judaísmo tinham dificuldades de aceitar os vindos do paganismo em pé de igualdade. Paulo ensina que, Jesus foi recusado pelos chefes do povo. Deus abriu a fé aos povos, mas não fechou a eles. A parábola se dirige aos chefes. Agora a parábola é uma chamada aos que dirigem o povo.
2. A parábola, como o texto de Isaias e salmo 79, comparam o povo à vinha. Deus pediu os frutos do povo e os chefes mataram os profetas e também a Jesus. Ele e agora o novo chefe, pedra de alicerce que dará os frutos a Deus.
3. Deus nos confiou esta vinha. Se não formos fiéis, Ele dará a outros. Os chefes da Igreja e da sociedade, se não derem os frutos a Deus, haverá a mesma exclusão. Vemos as saídas da Igreja. Não será por isso? E preciso dar os frutos a Deus
História bem contada.
A parábola narrada por Jesus é a história do povo de Deus. Ele e Isaias, como também o salmo, chamam o povo de “a vinha, a plantação do Senhor”. No dizer de Isaías, Deus escolheu este povo, como se escolhe uma boa muda para plantar. Depois regou, adubou e entregou aos meeiros para cuidar. Na hora de colher não deu fruto.
Jesus diz a razão porque o dono não recebeu os frutos. O dono mandou os empregados buscar a parte dele. Mas os meeiros bateram e mataram os empregados. Depois mandou o filho. Pegaram o filho e o mataram fora da vinha.
Quem eram os empregados? Os donos do povo, as autoridades religiosas e civis. Então a plantação vai ser tirada deles e dada a outros que possam entregar os frutos. Assim aconteceu com o povo. Deus cuidou tanto dele. Mas mataram os profetas e matam o Filho, Jesus.
Assim acontece: o Reino vai ser tirado deles e dado a outros povos produzam os frutos e entregá-los a Deus.
Assim, acontece com a Igreja e com a sociedade: Se não promovemos o povo e usamos o povo para nosso proveito, o Reino passa para outros. Será que não é essa a causa de tanta gente abandonar a Igreja? As autoridades tanto civis como religiosas devem se examinar.
padre Luiz Carlos de Oliveira


Primeira leitura: Isaías 5,1-7
O “cântico da vinha”, uma das mais belas passagens de toda a Sagrada Escritura, foi escolhido para hoje em função do Evangelho da parábola dos vinhateiros homicidas. É frequente, na Sagrada Escritura, o uso da imagem da vinha para designar o povo de Deus: Jr. 2,21; Ez. 15,1-8; 17,3-10; 19,10-14; Jl. 1,7; Sl. 79/80,9-17. Este texto põe em contraste a amorosíssima solicitude de Yahwéh para com o seu povo e a ingrata correspondência deste, o que lhe acarretará tremendas consequências: o amor de Deus, assim como o amor dos pais, não pode ser impunemente desprezado, pois é um amor criador de tudo o que somos e temos. Nos vv. 1-4, o profeta expõe a parábola, sob a forma de um amoroso idílio; nos vv. 5-6 é introduzido Deus a vituperar a negra ingratidão do seu povo, que não corresponde, ao não dar mais que uvas amargas; no v. 7 o Profeta explica a parábola.
2 A “torre” e o “lagar” não tem nenhum simbolismo especial. A torre servia para um guarda defender a vinha dos ladrões, chacais e raposas. O lagar era escavado no chão, nalgum sitio rochoso da zona da vinha.
Segunda Leitura: Filipenses 4, 6-9
No capítulo 4 «a carta atinge o ponto culminante do desenvolvimento do pensamento» (H. Schlier). «Em todas as circunstâncias…, orações com súplicas e ações de graças» (v. 6). A oração não é apenas para alguns momentos particulares da vida, ou do dia; a oração deve ser constante (cf. 1Ts. 1,2; 5,17; Lc. 18,1); e não se trata de uma vaga união a Deus, mas de uma oração concreta com súplicas e ações de graças. Para quem vive em união com Deus, não há lugar para andar aflito. Pouco antes, no v. 4, após um insistente apelo à alegria (4,4; 2,18; 3,1) – uma «alegria no Senhor», que é algo de fundamental na vida cristã – são Paulo adverte: «não vos inquieteis com coisa alguma» (v. 6); e, como consequência natural, «a paz de Deus» vos guardará, o que dito como uma bênção (v. 7). Esta «paz de Deus, que está acima de toda a inteligência» é «incompreensível: quem a recebe não a explica com reflexões racionais… Não há paz sem batalha, interna e externa; mas na batalha interna, por exemplo, na renúncia, na necessidade mais tremenda, na solidão, na dor, vem sobre nós a paz de Deus, a paz mandada por Deus, a paz que é o próprio Deus, como amor e bondade que Ele é» (H. Schlier).
8-9 «Tudo o que é virtude…» Temos aqui a canonização das virtudes morais naturais, ou humanas. O cristianismo assume e eleva à ordem sobrenatural os valores humanos. O Concílio encarece estas virtudes aos presbíteros, citando esta passagem (PO 3). São Paulo usa aqui – a única vez – o mesmo vocábulo da filosofia ética grega: «aretê». E O Apóstolo não receia apresentar-se como modelo a seguir: «o que aprendestes, recebestes e vistes em mim».
Evangelho: Mateus 21, 33-43
A parábola de hoje está na sequência da lida há oito dias, a dos dois filhos. O «proprietário» é Deus; a «vinha» é o povo de Israel; «uns agricultores» representam os chefes e orientadores do povo: «príncipes dos sacerdotes a anciãos do povo». «Os criados» são os profetas; estes foram, em geral, mal recebidos e maltratados pelos responsáveis do povo (cf. Mt. 23, 37; At. 7,42; Hb. 11,36-38). «Por fim, mandou-lhes o próprio filho». Fica aqui patente a natureza divina de Jesus, que não é mais um enviado de Deus, entre outros, mas é «o seu próprio Filho».
39 «Lançaram-no fora da vinha e mataram-no»: uma alusão à crucifixão de Jesus, que se veio a fazer fora dos muros de Jerusalém.
41 «Arrendará a vinha a outros vinhateiros»: assim, a Igreja é designada como o novo «Israel de Deus» (cf. Gl. 6,16).
Sugestões para a homilia
a. Das muitas imagens usadas pelos autores sagrados para falar do antigo Povo de Israel e da Igreja, a vinha é muito rica e sugestiva. Dela são hoje apresentados dois textos clássicos.
Tudo o que se relaciona com a vinha é especialmente delicado: a escolha do terreno, a plantação das cepas, a enxertia, o amparo da vinha e a colheita. Iguais atitudes devemos ter pela Igreja, que é a realização histórica de um mistério ou plano que Deus foi revelando ao longo da história. A Igreja foi prefigurada, preparada, fundada, manifestada e será um dia consumada na eternidade (LG 2).
A imagem da vinha aparece no salmista ao falar da saída do Povo de Israel do Egito como «videira que o Senhor transplantou» para a nova terra; aparece na luta de Elias com Nabot; e aparece no hino da liturgia da tarde de Sexta-feira santa.
É esse carinho pela Igreja que a 1ª leitura e o Evangelho nos querem transmitir: é a vinha do Senhor. Vinha, vinho e sangue de Jesus são palavras que se atraem na revelação bíblica e na piedade cristã.
A meditação sobre a Igreja como comunidade objetiva e mistério de salvação é muito oportuna. Numa cultura individualista e subjetivista, sente-se fatalmente uma desafeição das pessoas pela Igreja, apresentando como suficiente a consciência individual.
b. A Igreja é um dom de Deus, um dom para nos libertar dos labirintos dos sentimentos religiosos e guiar-nos no caminho da salvação, e para ajudar a sociedade civil. A esses dois aspectos se referem as duas grandes constituições conciliares sobre a Igreja: uma sobre a Igreja em si mesma, apresentada como obra da Trindade (LG.1-5); outra sobre a Igreja no mundo atual apresentada como sua colaboradora (GS. 1-3).
A Igreja ajudada a estabelecer com Deus relações robustas, seguras e frutuosas: é o caminho traçado pelo próprio Deus, é a nova vinha do Senhor. Sem a Igreja, essas relações tornar-se-iam nebulosas, geradoras de angústia, anárquicas, como vemos acontecer nos que se afastaram da Igreja. Os catequistas e educadores da fé têm aqui um momento para refletirem na sua ação catequética.
A Igreja ajuda o próprio mundo, cujas alegrias e esperanças deve fazer suas (GS 1). As realidades do mundo – família, cultura, trabalho, atividade econômica e política – sem a luz do Evangelho correm o perigo de entrar em anarquia, e por isso devem merecer dos cristãos apoio e ajuda específicos (GS 33-53). A resposta de Paulo aos Filipenses que, cheios de fervor escatológico, se interrogavam sobre o seu contributo na sociedade do tempo, pode ser um bom resumo da atitude cristã na sociedade civil: incutir na sociedade «tudo o que for verdadeiro, justo, amável, de boa reputação», numa palavra, os valores fundamentais da verdade e da justiça. Uma sociedade pode ser pobre, mas, se for construída sobre critérios de verdade e de justiça, será sempre uma sociedade humana e de paz.
Nesta sua relação com o mundo, a Igreja deve ser de serviço, de ajuda, sal e fermento, e não de proprietária: é que o mundo será sempre mundo, com valores e estruturas terrenas, frágeis, imperfeitas, evolutivas, e o sal e o fermento cristãos nunca lhe retirarão essa fragilidade. A Igreja deve contribuir para o progresso pois ele pode ajudar muito para o reino de Deus, mas o progresso nunca se confunde com o reino de Deus (GS. 39)
Na oração da anáfora eucarística rezaremos «pela Igreja dispersa pelo mundo para que se mantenha unida ao Papa e aos seus Bispos»; e, logo depois do Pai Nosso, pediremos para o mundo «a paz em nossos dias», paz que é fruto da justiça e da verdade.
Fernando Silva - Geraldo Morujão


A vinha que deus plantou
Um dia, no discurso da Última Ceia, na vigília de sua Morte, Jesus disse: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor ...Vós sois os ramos" (Jo. 15,1.5). Esse simbolismo vale não apenas para a vinha singular, que é Cristo, brotada das mãos do Divino Agricultor, mas vale também para toda a vinha do Povo de Deus, que o Senhor plantou com o maior carinho dentro da caminhada da História da salvação. Ele arrancou do Egito essa vinha e a transplantou para uma terra privilegiada. E ela cresceu, e estendeu seus ramos até o mar e seus rebentos até o rio ( cf. SI. 79). Isaías canta em grandes louvores os cuidados de Deus para com essa vinha. Fez tudo por ela! Pôde até perguntar: "Que mais podia fazer por minha vinha, que não o tenha feito (Is. 5,5)? Lamentavelmente ela foi ingrata. Em vez de uvas boas que dela se poderiam esperar, só produziu uvas azedas.
O simbolismo da vinha era muito usado pelos profetas e sábios do Antigo Testamento. Nem podia ser diversamente, vivendo como viviam numa terra singularmente caracterizada pelo cultivo da videira. Jesus - o maior de todos os profetas e o mais sábio de todos os sábios - não podia fugir a essa norma. E a imagem da vinha aparece freqüentemente no Evangelho. Sem falar que o próprio Evangelho é o vinho novo, fervilhante de vida, que Ele vai colocar nos odres novos dos corações renovados pela sua pregação.
Hoje lemos em São Mateus a dramática parábola dos vinhateiros criminosos, que maltrataram e mataram os enviados do dono da vinha que a tinha arrendado para eles. Os três sinópticos trazem a parábola. Está chegando a hora da prisão e morte de Cristo. Jesus o sabe. E a parábola mostra como Ele está a par de O Divino Mestre começa contando que o dono de um campo plantou uma vinha e a rodeou de todos os cuidados, para que ela pudesse crescer em segurança e a seu tempo dar frutos, que seriam transformados em vinho no lagar construído junto à própria vinha. Esse proprietário teve que viajar, e arrendou a vinha para vinhateiros que, no devido tempo, lhe entregariam os lucros obtidos com a produção.
Quando chegou a época, o proprietário mandou emissários seus para receber o que lhe era devido.
Mas os vinhateiros prenderam a uns, apedrejaram a outros e mataram a alguns. Um segundo grupo de emissários, mandados em seguida, foram tratados da mesma maneira. O dono pensou então: vou mandar meu próprio filho. A ele certamente o respeitarão. Mas foi pior. Os vinhateiros, malvados se alvoroçaram completamente: "É o herdeiro. vamos, matemo-lo. E ficaremos donos da herança" (Mt. 21,38); E assim fizeram. Arrastaram-no para fora da vinha e o mataram. É fácil ver aqui a alusão ao fato que Jesus foi crucificado fora dos muros de Jerusalém. Como é fácil ver a seqüência dos anunciadores da mensagem de Deus de acordo com as palavras , da carta aos hebreus: "muitas vezes e de muitas maneiras Deus falou a nossos pais por meio dos profetas; por último nos falou em seu Filho a quem constituiu herdeiro de tudo" (Hb. 1,1.2).
A conclusão da parábola, o próprio Jesus a faz dizer pelos seus ouvintes, entre os quais predominavam na ocasião fariseus e príncipes dos sacerdotes. Perguntou-lhes o Mestre que é que o dono da vinha iria fazer com esses vinhateiros criminosos. A resposta foi que iria liquidar esses malfeitores e arrendaria a vinha para outros vinhateiros que lhe pagassem o fruto no tempo devido.
E Jesus então conclui com uma proclamação que é o coroamento glorioso de todo o drama dos sofrimentos por que iria passar: "Não lestes acaso na Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular? Eis a obra do Senhor. Ela é admirável aos nossos olhos? Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será retirado e será dado a um povo que o faça frutificar" (Ibid., 42-43).
O Israel étnico, que prepara a chegada do Messias, cede lugar ao Israel universal, que é o novo povo de Deus! qualificado na carta aos gálatas.
padre Lucas de Paula Almeida, CM


A Vinha do Senhor...
Estamos no mês de outubro, dedicado ao rosário e às missões, com o tema: "Missão na ecologia".
A liturgia continua o tema da vinha, que representa Israel, o povo eleito, precursor da Igreja, o novo Povo de Deus.
Na 1ª leitura, Isaías, com o "cântico da vinha", narra a história do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo. (Is. 5,1-7) É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de vindima. Através do profeta (o trovador), Deus (o amigo) julga seu povo (a vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. Um agricultor escolheu o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os cuidados necessários.
O sonho dele era a colheita dos frutos do seu trabalho... Mas a decepção foi grande: só deu uvas azedas... "Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz?"
Reação: seu amor se transforma em ódio: derruba o muro de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o inço tome conta...
Os frutos, que o Senhor esperava, eram "o direito e a justiça", respeito pelos mandamentos e fidelidade à Aliança. Ao invés, viu "sangue derramado" e "gritos de horror": infidelidade, injustiça, corrupção, violência... Muitas manifestações religiosas solenes, sem uma verdadeira adesão a Deus.
Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilônios, que destruíram a vinha e deportaram os israelitas como escravos.
Hoje há ainda "sangue derramado" e gritos de horror"?
Na 2ª leitura, Paulo apresenta virtudes concretas, que os cristãos devem cultivar na própria vinha. São esses os frutos que Deus espera da sua "vinha". (Fl. 4,6-9)
No Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da vinha (Mt. 21,33-43)
Um Senhor planta uma vinha com todo o cuidado e tecnologia necessária e a confia a uns vinhateiros, conhecedores da profissão. Chega o tempo da vindima, manda buscar a colheita e vem a surpresa. Não entregam os frutos e maltratam os enviados. Não respeitam nem o próprio filho do dono. Chegam a matá-lo. A "vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos.
A parábola é uma releitura da história da Salvação: ilustra a recusa de Israel ao projeto de salvação de Deus. A vinha é o Povo de Deus (Israel). O dono é Deus, que manifestou muito amor pela sua vinha. Os vinhateiros são os líderes do povo judeu. Os enviados são os profetas... o próprio Cristo "morto fora da vinha".
Resultado: a "vinha" será retirada e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao "Senhor" os frutos devidos e acolham o "Filho" enviado.
Reação do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles...
Quem são esses "outros", aos quais é entregue a vinha? Somos todos nós, membros do novo Povo de Deus, a Igreja, que tem a missão de produzir seus frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.
Que tipo de frutos está faltando?
Os homens do tempo de Isaías e também de Jesus eram muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no respeito do sábado. Mas não foi da falta disso que Deus se queixou. Isaías resume a queixa de Deus nas palavras do dono da vinha: "Esperei deles justiça, e houve sangue derramado; esperei retidão de conduta e o que ouço são os gritos de socorro de gente que foi explorada e maltratada..."
Será que isso acontecia só no passado?
Ainda hoje devemos testemunhar diante do mundo, em gestos de amor, de acolhimento, de compreensão, de misericórdia, de partilha, de serviço, a realidade do Reino, que Jesus veio propor.
Não podemos reduzir tudo a apenas umas práticas religiosas?
Os guardas da vinha quiseram até se transformar em "donos". Esse perigo não pode estar presente ainda hoje em nossas comunidades? Não somos "donos", mas apenas administradores...
Deus nunca desiste de sua obra de amor e salvação!
Uma verdade consoladora, mas também um alerta: diante do fracasso com alguns... Deus não desiste... Mas Ele recomeça com outros.
Será que Deus está satisfeito dos frutos que estamos produzindo? 
Missão na ecologia! Nesse mês missionário, somos convidados a renovar com Deus a Aliança. Que frutos estamos produzindo para a realização do Reino de Deus?
Se hoje não somos missionários, não é esse um sinal de que estamos sendo maus vinhateiros. Não significa um desprezo para com a vinha do Senhor?
Nesse caso: "O Reino também nos será tirado e entregue a outros que produzam frutos".
padre Antônio Geraldo Dalla Costa



Dar vigor à fé - promover os frutos da Missão
A vinha tem o seu cantor. “A vinha do Senhor é o seu povo”, canta o salmo responsorial. Trata-se de uma vinha plantada com amor, cuidada e protegida com alegria e esperança, como canta o profeta Isaías (I leitura) num dos seus famosos cânticos poéticos, razão pela qual lhe chamam o “Dante da literatura bíblica”. Infelizmente, porém, a vinha – isto é o povo – foi infiel: chegado o tempo da colheita as esperanças deixam lugar a desilusões e amargura; em lugar de frutos de justiça e retidão o povo produziu frutos de sangue e de opressão (v. 7). De fato, na parábola de Jesus, os vinhateiros, além de se apropriarem da colheita, tornam-se homicidas: espancam, lapidam e matam não só os enviados do dono da vinha, mas o seu próprio filho. Não é difícil ver a semelhança com os acontecimentos da morte de Jesus (v. 39). Mas Deus recupera ‘a pedra’ – Jesus! – pedra rejeitada por alguns construtores, e faz dela  o fundamento da salvação, para todos os povos. Só quem o aceita e permanece nele produz muito fruto, porque sem ele nada podemos fazer (cf Jn. 15,5). Por isso mesmo, Deus não desiste, não cede perante a desilusão, volta a tentar depois de cada recusa, não renuncia aos frutos: Apresenta sempre a outros povos o mesmo Salvador para que, unidos a ele, dêem frutos de salvação (v. 34.41.43).
A história das missões vai registrando os acontecimentos e um contínuo suceder-se de povos que, uma época depois de outra, acolhem ou recusam o anúncio do Evangelho, com as respectivas conseqüências de bem ou de mal. Por certo que nenhum povo se pode definir como melhor do que os outros, mas sempre nos convida a uma séria reflexão missionária o fato do nascer e florescer de tantas comunidades cristãs que mais tarde desapareceram, em várias regiões do mundo. De tantas comunidades cristãs que em outros tempos floresciam no Norte de África e no Médio Oriente, hoje restam só os nomes. Entretanto, outros continentes se abriram ao Evangelho e continuam a dar frutos; enquanto que alguns povos que cresceram na fé agora dão sinais de cansaço e de decadência, com frutos que escasseiam. Como recuperar o vigor fresco da fé? É este o grande desafio para uma pastoral missionária eficaz.
Paulo, na carta aos Filipenses (II leitura) fala de uma comunidade que, a seu tempo, deu bons frutos. No texto de hoje ele oferece uma lista de oito frutos que urge cultivar e procurar: tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso, digno de louvor (v. 8), como garantia da paz dom Deus e uns com os outros (v.7.9). São valores que convidam a pensar positivamente, e que constituem as bases para os caminhos principais e mais urgentes da missão da Igreja no mundo:  o diálogo com as outras religiões, a inculturação, o diálogo ecumênico, a promoção da justiça, a defesa da criação...
Paulo recomenda estes valores humanos e religiosos aos cristãos da comunidade de Filipos, a primeira que ele mesmo fundou na Europa durante a sua segunda viagem missionária (nos anos 49-50); uma comunidade com a qual mantinha um relacionamento particularmente afetuoso. As origens desta comunidade de Filipos oferecem sugestões interessantes para a missão. Depois do concílio de Jerusalém, Paulo visitara de novo as comunidades do Médio Oriente, onde instituiu responsáveis de comunidade, e procurava novas zonas para evangelizar (Actos 16,6-7), até que uma vez, em Troas, a visão de um macedônio lhe abriu o caminho para entrar num mundo novo: “Passa à Macedônia e ajuda-nos!” (Actos 16,9.10). O mar a atravessar era estreito, mas ia ser uma passagem deveras significativa: para Paulo e os seus companheiros tratava-se da entrada na Europa; os projectos de Paulo apontavam já para Roma, a capital do império. Os inícios em Filipos e o convite do Macedônio (“Passa à Macedônia e ajuda-nos!”) constituem um fato emblemático e um chamamento missionário às comunidades eclesiais de todo o tempo e lugar, para que estejam atentas ao grito, claro ou silencioso, de tantos macedônios de hoje (pessoas, povos, acontecimentos e situações), sobretudo quando nos aproximamos do Dia Mundial das Missões.
A Palavra do Papa
 “Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja, a agressividade. Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem. Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios…  Permiti que Cristo arda em vós, ainda que isto possa às vezes implicar sacrifício e renúncia. Não tenhais medo de poder perder alguma coisa, ficando, no fim, por assim dizer de mãos vazias. Tende a coragem de empenhar os vossos talentos e os vossos dotes pelo Reino de Deus e de vos dar a vós mesmos – como a cera da vela –, para que o Senhor ilumine, por vosso meio, a escuridão. Sabei ousar ser santos ardorosos, em cujos olhos e coração brilha o amor de Cristo e que, deste modo, trazem luz ao mundo... «Onde há Deus, há futuro!».
Bento XVI
Aos Jovens, em Friburgo, na Alemanha, 24.09.2011


A nova vinha do Senhor
Deus escolheu o Povo de Israel como sua vinha predileta, libertou-o da escravidão do Egito, conduziu-o à terra prometida, cuidou dele com o mesmo carinho com que o vinhateiro cuida a sua vinha, defendeu-o dos inimigos que o cercavam… Que mais poderia ter feito por este povo, para que desse frutos abundantes e saborosos de boas obras: de fidelidade à Aliança, de cumprimento fiel dos Mandamentos, de amor misericordioso?...Porém, muitas vezes não foi assim. Israel deu frutos amargos, uvas más, obras perversas. Em lugar de frutos de justiça e de fidelidade, Israel abandonou o Senhor, desprezou o seu Deus, virou-se para os deuses dos povos pagãos que o rodeavam, caindo na idolatria. Revoltaram-se contra o dono da vinha, perseguiram e mataram muitos profetas e acabaram por matar o próprio Filho Unigênito, crucificando-O no Calvário.
A vinha do Senhor, por Israel ter abandonado o seu Deus, veio a ser vítima do seu próprio desregramento, até chegar à queda de Jerusalém, à destruição do seu Templo e à dispersão dos judeus por todas as nações.
Porém, as promessas de Deus permanecem.
O projeto salvífico do Senhor não mudou. A vinha do Senhor não acabou: foi dada a um outro povo que produza os seus frutos, ao novo Israel de Deus, à Igreja de Jesus Cristo. Esta eleição tem como ponto de partida um ato de pura benevolência da parte de Deus, sem qualquer mérito da nossa parte. A nova Vinha, a Igreja, o povo cristão é o Corpo de Jesus Cristo. E porque Cristo é fiel, a Igreja também o será e dará fruto e fruto abundante. Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem trazido todas as nações aos pés de Jesus Cristo.
Porém, cada um de nós, como membros que somos desta Igreja Santa, como ramos desta cepa que Jesus plantou, pode falhar e ser estéril e, o que é pior, pode ser infiel à sua vocação, ser cortado e ser lançado ao fogo. As próprias comunidades menores podem também desaparecer, se os seus membros não derem os frutos que Deus espera delas. Foi o drama das igrejas da Ásia Menor de que fala o Apocalipse, de algumas comunidades cristãs do norte de África tão florescentes nos primeiros séculos do cristianismo, é o drama de países inteiros que caíram na indiferença religiosa e até na incredulidade depois de muitos anos de fidelidade e de boas colheitas.
Deus espera de nós frutos saborosos de boas obras. Mas só os daremos na medida da nossa união a Cristo: «Eu sou a cepa, vós as varas. Aquele que permanece em Mim e em quem Eu permaneço é que dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer» (Jo. 15,5). Esta vida íntima de união com Cristo na Igreja é alimentada pelos auxílios espirituais comuns a todos os fiéis, de modo especial, pela participação ativa na sagrada Liturgia e pela oração contínua.
Perguntemo-nos: os lares cristãos estão dando os frutos de filhos que Deus espera deles? Os esposos cristãos estão dando frutos de fidelidade que os faça cada vez mais felizes? As comunidades cristãs estão dando os frutos apostólicos que o mundo necessita? Os cristãos estão dando frutos de entrega aos seus irmãos mais pobres e necessitados? Existem os frutos de generosidade e entrega neste mundo tão necessitado de mais vocações?
dom Antonio Carlos Rossi Keller


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