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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

1º DOMINGO ADVENTO

 

1º DOMINGO ADVENTO


Ano B
30 de Novembro de 2014

Evangelho - Mc 13,33-37

Comentários-Prof.Fernando

 

NÃO SABEIS O DIA-José Salviano

 


          Estamos começando mais um ano litúrgico, (Ano B), e agradecemos ao Pai celeste por ainda estarmos vivos, já que por sermos tão tolos, somos agarrados a esta vida  terrena, como se não soubéssemos das maravilhas da vida eterna. E para que possamos conquistá-la, Jesus hoje nos recomenda que devemos estar sempre vigilantes pois não sabemos o dia nem a hora... Leia mais


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“O QUE VOS DIGO, DIGO A TODOS:VIGIAI!” – Olívia Coutinho

1º  DOMINGO DO ADVENTO

Dia 30 de Novembro de 2014

Evangelho Mc 13, 33-37

Iniciamos hoje, o tempo do advento, um tempo de expectativa que deve ser marcado pelo nosso desejo de conversão, algo fundamental para quem deseja fazer do seu coração uma manjedoura para acolher Jesus! Sem um retorno de todo o nosso ser à  Jesus, não tem como viver as alegrias do  Natal!
O tempo do advento, não se limita na preparação para o Natal, mas também nos insere em toda história da salvação, levando-nos a  reviver a mesma esperança  da vinda do Messias,  vivida pelo povo de Deus no início de toda história, com uma diferença: o  Messias tão esperado por aquele povo, já veio, já está no meio de  nós!
O advento é um tempo de nascimento e renascimento que nos traz a confiança de que  novos horizontes são possíveis de  serem atingidos, quando  caminhamos na certeza de que Jesus  nasce e renasce  em nossos corações a cada vez que O enxergamos na pessoa do irmão!
Neste tempo de espera, o nosso coração se rejubila torna maleável aberto para acolher a Luz Maior que vem reacender nos nossos corações a chama da esperança! Uma esperança que transcende as nossas necessidades materiais, que inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores que mantém o equilíbrio da vida sustentado pela relação entre o humano e o Divino!
 Deixemo-nos tocar e nos envolver pelo advento do Senhor Jesus, redescobrindo a alegria, o sentido da fé e do viver segundo a vontade de Deus! 

No  evangelho escolhido para marcar o início deste Advento, Jesus exorta os discípulos,  e hoje a nós, sobre a importância de uma constante vigilância!

O texto vem nos acordar para algo que muitos de nós não gostamos de lembrar: a transitoriedade da  vida terrena. As palavras de Jesus  nos alerta sobre a importância de estarmos o tempo todo vigilantes, o que não significa ficarmos apáticos, tristes, esperando pelo o nosso fim. A nossa preparação, para o encontro com o Senhor, deve ocorrer num espírito de alegria, afinal, não caminhamos para um fim, pois há uma vida melhor por vir!
 A mensagem  do evangelho que chega até a nós no dia de hoje,  não é ameaçadora, pelo contrário, é confortadora,  é um alerta que Jesus nos faz, para que tenhamos um final feliz! Portanto não desperdicemos a graça de Deus trazida por Jesus! 
Ao nos preparar para o  Natal,  estamos também nos preparando  para a segunda vinda do Senhor Jesus, que pode acontecer num momento inesperado. Precisamos estar sempre vigilantes, vivendo o Natal a cada dia de nossas vidas!
Quem faz da sua vida um eterno Natal, está preparado para o encontro definitivo com o Pai!
        Preparemo-nos  para o Santo Natal, reconhecendo Jesus como o único Senhor da nossa vida, deixando-nos orientar pelas suas palavras como a estrela guia a nos conduzir ao coração do Pai!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Evangelhos Dominicais Comentados

(ano B – São Marcos)

30/novembro/2014 – 1o Domingo do Advento


Evangelho: (Mc 13, 33-37)

Feliz ano novo para você e para toda a sua família!!! - Feliz ano novo em pleno mês de novembro? É, apesar de faltar ainda um mês para terminar o ano civil, estamos no início de um novo ano, começa hoje o ano "B" do calendário litúrgico.

Já estamos vivendo o primeiro Domingo do Advento. Advento é tempo de espera e de preparação para a chegada do Messias que veio para nos libertar da escravidão do pecado. Aniversário de Jesus, o Salvador da humanidade.

O evangelho de hoje sugere cuidado e atenção. É preciso vigiar, estar atento para não ser encontrado dormindo. Ai daquele que não estiver em seu posto de trabalho e ajudando na construção de um mundo novo.

Estar atento, vigilante e cumprindo a tarefa é o nosso compromisso batismal. Compromisso com os pobres, humildes, marginalizados e injustiçados. Nossa tarefa é levar esperança e dignidade aos menos favorecidos.

O desemprego, as favelas, a violência, a precariedade nas áreas de educação e saúde demonstram o descaso para com o próximo. Demonstram que alguns "empregados" não estão assumindo as tarefas deixadas pelo "Patrão".

Qualquer hora é hora, portanto "ficai atento e vigiai". O Dono da casa poderá vir à tarde, à meia noite, de madrugada ou ao amanhecer... não sabemos a hora mas, que virá, virá! Virá de repente e poderá nos surpreender dormindo sobre um mundo de problemas sociais que procuramos não ver.

Poderá encontrar-nos com os olhos fechados para a superlotação das cadeias e com as costas voltadas para os milhares de menores abandonados. Poderá surpreender-nos fingindo não ver nossas crianças cheirando cola e fazendo do "craque" o seu refúgio. Poderá ainda, nos questionar sobre aquele mundo de jovens segregados e amontoados sob as marquises.
Feliz daquele que, nesse dia, tiver respostas satisfatórias, que assumiu as suas tarefas, que lutou por mudanças, por dignidade e por justiça. Bem-aventurado aquele que se comportou como aquele porteiro que não foi flagrado cochilando e que, nunca foi surpreendido dormindo.

Ainda há tempo, é agora a hora de mudar! O mundo precisa de cidadania, de paz, de justiça e de amor; o mundo precisa de Deus. Ainda temos a tarde toda e a meia-noite, temos a madrugada e o amanhecer...isso é tempo mais que suficiente para acordar e partir para a luta em favor da vida.
Vamos promover a união e a partilha, essa é a tarefa para quem almeja a Glória Eterna.
(1043)


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Tempo de Advento, tempo de esperança
O ano litúrgico começa com o ciclo do Natal. Nele celebramos o nascimento de Jesus. Tem porém três tempos: o Advento, que prepara para celebrar-se o Nascimento de Jesus, o Natal que permite reviver o mistério do Nascimento e a Epifania tempo da manifestação de Jesus como Messias Senhor. A espera do Salvador caracteriza os quatro primeiros domingos do ano litúrgico. São companheiros de caminho Isaías, João Batista e Maria, mãe de Jesus. Cada um destes à sua maneira, prepara a comunidade cristã para a memória do Nascimento. Isaías faz uma profecia “Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is. 7,14). João Batista é o precursor que vem aplanar os caminhos, despertando a comunidade para a chegada do Redentor. Maria, na sua disponibilidade para o projeto de Deus, soube dizer sim, e dela nasceu o Salvador. Neste primeiro domingo meditam-se três textos, indicando três atitudes fundamentais: a confiança em Deus, o profeta Isaías; a vigilância dos cristãos, no Evangelho de são Marcos; a esperança num mundo novo, na primeira Carta aos Coríntios.
1. A confiança no Pai Redentor
Com expressões muito fortes, Isaías reconhece em Deus o Senhor que vem para salvar o seu povo. Com uma súplica extremamente exigente, o profeta diz: “Voltai Senhor, por amor dos vossos servos” (Is. 63,17). É o amor a razão invocada pelo profeta para que o Senhor venha ao encontro dos seus servos. O Senhor pede-lhes que pratiquem a justiça. Isaías reconhece que todos são impuros, que todos caem, mas Deus que é Pai, e que conhece os seus servos, sabendo do barro em que cada um é feito, não deixa de acolher, de compreender, de apoiar, de salvar. Este amor de Deus é a razão de uma confiança ilimitada, qualquer que seja a história de cada um.
2. Estar vigilantes
Este apelo vai-se repetindo, ao longo de todos os Evangelhos. A expressão mais conhecida, na boca de Jesus é esta: “vigiai e orai para não entrardes em tentação”. Na fórmula de Marcos, o Evangelho do ano, a expressão é mais simples: “Estai sempre vigilantes” (Mc. 13,33). A razão desta atenção constante é apenas esta: “Não sabemos a que horas chega o Senhor”. Neste apelo repetido à vigilância, o evangelista quer despertar a atenção dos cristãos para a normal distração em que se anda envolvido. Na proximidade do Natal é preciso despertar, compreender as exigências do Senhor que vem, corresponder-lhe com toda a generosidade, abrir o coração para as exigências do Evangelho, a Boa Nova que o Senhor virá trazer.
3. Chamados a estar com Cristo
Não basta a confiança e a vigilância, é fundamental transformar tudo numa atitude de esperança no mundo novo que, a partir de Jesus, é possível construir. Na primeira carta aos Coríntios, Paulo começa por desejar a graça e a paz. Depois desafia a ter esperança na manifestação de Cristo, finalmente indica que o caminho é a comunhão radical com Cristo. Neste texto muito simples, são Paulo utiliza três expressões: a graça e a paz que vêm de Cristo, a manifestação de Cristo aos outros, a comunhão com Cristo que transforma todas as coisas. É nesta perspectiva que se constrói o mundo novo.
monsenhor Vitor Feytor Pinto in “Revista de Liturgia Diária”

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Pode parecer um pouco estranho dizer que, neste domingo estamos iniciando um novo ano litúrgico.
Nada de extraordinário se tivermos em conta que a programação da liturgia não coincide com o ano civil.
O que nós chamamos de “ano litúrgico” é o conjunto de celebrações dos mistérios da fé que realizaremos desde a preparação do Natal (Advento) até a festa de Cristo Rei.
A História da Salvação começou bem antes da vinda do Senhor, em nossa carne mortal. Todo o Antigo Testamento nada mais é do que a preparação para a chegada do Messias-Salvador enviado pelo Pai. É por isso que iniciamos o ano litúrgico celebrando o Advento: a longa espera daquilo que estava “ad-vindo” para nós.
O tempo de preparação para a chegada de Jesus.
Ele veio, realizou a sua missão e voltou para o Pai, mas acreditamos que Ele voltará no fim dos tempos e, enquanto esta volta não acontecer, todo ano trazemos para os nossos dias a vivência dessa espera secular, preparando-nos para a celebração do Natal com um olhar posto no passado (quando aconteceu a primeira vinda do Senhor), e outro olhar voltado para o futuro (quando Ele voltará para tomar posse de seu Reino).
Nas leituras desta celebração ouviremos o anseio do profeta Isaías pela vinda do Deus Redentor (1ª leitura). Marcos nos lembrará da necessidade de estar sempre vigilantes esperando a vinda do Senhor (evangelho) enquanto que Paulo mostrará sua alegria, elogiando a comunidade de Corinto por considerar que está preparada para a vinda do Senhor (2ª leitura) no fim dos tempos. Veremos que a Liturgia toda gira em volta da esperança, que é a espiritualidade própria do Advento.
1ª leitura: Isaías 63,16b-17.19b; 64,2b-7
Diante das dificuldades do Povo de Israel para restaurar sua vida em comunidade e reconstruir o Templo de Jerusalém depois do exílio, Isaías se dirige a Deus numa oração de súplica, reconhecendo que só Ele pode salvar seu povo porque, a pesar dos pecados, n'Ele confiam os seus fiéis.
Em primeiro lugar lembra que Deus é Pai e seu fieis não são súditos, mas filhos e membros da mesma família (“Tu és o nosso pai. Teu nome é, desde sempre, Nosso Redentor”). Por isso espera de Deus, nesse momento de dificuldade, o que se espera de um pai protetor, lembrando que, ao longo da história, Ele sempre saiu em defesa do seu povo a pesar dos pecados.
A seguir, o autor reconhece o pecado do povo (“Todos juntos nos tornamos como uma coisa imunda”) que consistia, basicamente, em não buscar a Deus (“Ninguém invocava o teu nome, nem se esforçava para apoiar-se em ti”) e não esforçar-se em cumprir a sua vontade. Diante disto, o profeta pergunta por que deixou que seus filhos se afastassem e, mesmo respeitando a liberdade humana, “nos entregavas ao poder da nossa culpa”, parecendo afastar-se e ocultar-se do seu povo.
A oração termina com palavras de súplica, pedindo a intervenção de Deus porque, a pesar de tudo, “Tu és o nosso pai; nós somos o barro, e tu és o nosso oleiro; todos nós somos obra de tuas mãos”. Expressões carregadas de sentimento e sustentadas por uma grande fé.
É, neste contexto, que faz um pedido insólito: nada menos que a manifestação visível de Deus: “Quem dera rasgasses o céu para descer!”. Se Deus habitasse no meio de seu povo, aqueles que abrissem o coração poderiam esquecer o caminho do mal e reencontrar-se com o “Deus-Salvador”.
Este desejo de um “Deus-conosco”, habitando de forma humana no meio de nós e mostrando o caminho da Salvação, irá realizar-se, plenamente, na pessoa de Jesus cujo nome, em hebraico, já diz o que Ele é: “Je-shuá” (que significa “Deus salva”). Jesus é a manifestação plena e perfeita do “Deus Salvador”.
A celebração do Natal será a celebração da realização perfeita do pedido de Isaías com a vinda do Senhor para o nosso meio, em nossa carne mortal. O amor de Deus por nós e a esperança do povo se entrelaçam no coração do Advento.
2ª leitura: 1 Corintios 1,3-9
Paulo inclui os cristãos de Corinto na ação de graças pela abundância de dons que Deus concedeu a esta comunidade, garantindo que Deus é fiel e que podem confiar em que foram chamados a viver em comunhão com Cristo.
A confiança que temos num Deus caminhando ao nosso lado não tem como fundamento os nossos próprios méritos e sim a certeza de que a fidelidade de Deus ao Plano de Salvação que estabeleceu para nós permanece para sempre mesmo que não sejamos dignos dele.
A “revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” e o “dia de nosso Senhor” se referem à vinda de Cristo no fim dos tempos. São Paulo não entende que seja o encontro com um Deus desconhecido, mas com Aquele que sempre nos “precede, acompanha e redime”, convidando-nos à prática das boas obras. Não se trata, portanto, de um tribunal para distribuir prêmios e castigos, mas da manifestação plena da Salvação de Deus e da “comunhão com o seu Filho Jesus Cristo” à qual todo ser humano é chamado.
Evangelho: Marcos 13,33-37
Jesus expõe a sua doutrina sobre o fim dos tempos. Trata-se da parábola de um homem que se ausenta de casa e distribui as responsabilidades entre os seus servidores. Ele voltará de forma inesperada. Por isso “mandou o porteiro ficar vigiando” sem esmorecer. A palavra “vigiar” encerra a mensagem principal do texto. Trata-se de estar acordado enquanto os outros dormem.
A parábola é um relato simbólico. O dono da casa é Cristo. A casa é sua comunidade de salvação ao longo da história. Sua ausência é o tempo da Igreja, que espera a volta do seu Senhor. Os servidores, cada um com sua tarefa, são os discípulos aos quais delega a sua autoridade. Virão tempos difíceis e é preciso estar preparado para o que possa acontecer. Daí o chamado para a fidelidade, a coragem e a vigilância.
Finalmente, é bom frisar que a mensagem não é só para aqueles discípulos que estavam com Ele, mas para os discípulos de todos os tempos (“O que eu digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando”). Neles estamos incluídos todos nós.
PALAVRA DE DEUS NA BÍBLIA
Neste início do Tempo do Advento, preparando-nos, de imediato, para o Natal do Senhor, queremos reavivar nossa esperança a pesar das dificuldades que a vida nos depara. Este Evangelho nos lembra que o motivo último de nossa esperança é que o Senhor voltará e viveremos em comunhão com Ele por sempre.
O Senhor vem, com certeza, mas isto não quer dizer que possamos esperá-lo passivamente. Nosso encontro com Ele quase sempre se dá no meio do caminho: Ele vem a nós, mas, ao mesmo tempo, nós devemos estar à sua procura de modo que, na medida em que sairmos ao encontro d'Ele e prepararmos o caminho, é que poderemos encontrá-lo porque Ele sempre vai ao encontro de quem pratica a justiça.
Ao celebrar a vinda de Jesus, pensamos no seu Natal, mas devemos pensar, também, em sua volta gloriosa. Entre estas duas vindas, transcorre a nossa existência:
Sabemos que Ele veio e celebramos cada ano esta boa notícia.
Sabemos que voltará e o veremos tal como Ele é, assemelhando-nos a Ele.
Sabemos que, neste intervalo de tempo, não estamos órfãos porque o Espírito Santo nos acompanha nos ensina e nos lembra que devemos estar sempre vigilantes, na mesma atitude de espera que deu sentido à espiritualidade dos grandes homens e mulheres da Bíblia, antes do nascimento do Senhor.
É assim que, quando celebrarmos a Eucaristia, “anunciamos sua morte e proclamamos sua ressurreição enquanto esperamos a sua vinda” e esta esperança nos faz exclamar com toda a Igreja: “Vem, Senhor Jesus!”.
A recomendação final do Evangelho de hoje: “O que eu digo a vocês, digo a todos: Fiquem vigiando” faz alusão a uma das virtudes características dos discípulos de Cristo: quem espera a volta do Senhor não dorme, não se deixa anestesiar pela rotina, está sempre atento aos acontecimentos para descobrir, neles, a mão de Deus.
Vigiar é o contrário de dormir. Quem dorme não percebe o momento certo, deixa escapar a oportunidade, perde a hora de Deus.
“Dormir”, para o cristão, é viver praticando a injustiça, desrespeitando os direitos alheios, maltratando o semelhante, deixando-se levar pela ambição na posse dos bens materiais, compactuando com a maldade, endurecendo o coração diante da miséria e da fome, entregando-se a toda sorte de vícios.
“Vigiar”, ao contrário, é viver sendo solidário para com todos, semeando a paz e a concórdia à nossa volta, cultivando laços de amizade e boa convivência, colaborando na construção de uma sociedade justa e fraterna, sendo fiel na vida e nos negócios, trabalhando honestamente e sem ambição, sendo acolhedor para com todos e ajudando quem precisa, usando os dons e o tempo que Deus nos deu para a prática do bem...
Vigiar supõe de nossa parte, além de uma firme esperança, vivermos pouco apegados a nós mesmos e mais dedicados aos outros numa atitude de constante sobriedade. Vigiar é tomar consciência de algo e de Alguém: da nossa realidade mais profunda e do espaço que Deus ocupa em nós.
A vigilância indica-nos que devemos aproveitar a força e assistência transmitida pelo Espírito Santo para manter-nos firmes na fé até a volta de nosso Senhor Jesus Cristo para que nos encontre acordados e dispostos a qualquer hora que Ele chegar; porque seguir Jesus, além de ser um ato de confiança, e também uma atitude de responsabilidade da nossa parte.
Muitas vezes, as pessoas de fé têm descrito a experiência de Deus como um despertar. De fato, Deus caminha em nossa direção e ao nosso lado, mas a maior parte das vezes estamos tão ocupados com os nossos afazeres que não somos conscientes disso e a percepção da sua presença se dilui até desaparecer.
Pois é, justamente, numa atitude de vigilância consciente e renovada que queremos celebrar o Natal, reviver a entrada de Jesus em nosso mundo e em nossa vida, recebê-lo, agradecidos, de braços e coração bem abertos.
PENSANDO BEM...
No início do ano litúrgico, contamos com quatro domingos para revivermos a espiritualidade do Advento que deu sentido à vida dos patriarcas e profetas (no Antigo Testamento) e de João Batista e Maria de Nazaré (no Novo Testamento).
Uma espera para ser feita em espírito de conversão e com um maior empenho na vivência da fé.
Surge aí uma profunda contradição com o ambiente que se vive em nossa sociedade.
Geralmente, o tempo antes do Natal é tomado por muitas luzes coloridas e propaganda comercial.
A liturgia, no entanto, usa a cor roxa, sinal de seriedade, penitência e conversão como preparação para um Natal que seja, antes de tudo, vivência profunda do encontro com Cristo. É a partir desse encontro, em comunhão com nossa família natural e com a grande família dos filhos de Deus, que celebramos a festa da alegria natalina por sentir-nos amados por Deus ao ponto d'Ele ter enviado o seu Filho para a nossa Salvação.
Como viver plenamente a espiritualidade do Natal neste ambiente consumista?
padre C. Madrigal

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"O que vos digo, digo a todos: vigiai"
Domingo da vigilância. Primeira celebração do tempo do Advento, mais centrada sobre a vinda definitiva do Senhor no fim dos tempos. Vem vindo aquele que sempre vem, e a atitude fundamental é vigiar, é renovar nossos corações na mesma esperança que animou, durante tantos séculos, a caminhada do povo de Deus.
O Advento manifesta as duas fisionomias da vida do Senhor: nas duas primeiras semanas, o "Advento escatológico", ou seja, sua vinda definitiva, e, nas duas últimas semanas, o "Advento natalício", ou seja, sua primeira vinda, o Natal. "Abre as portas, deixa entrar o rei da Glória. É o tempo, ele vem orientar a nossa História (Salmo 23). Com o profeta Isaias e com João Batista, acolhemos o apelo à conversão para que seja superadas todas as formas de dominação, exclusão e miséria, para que se realize uma sociedade com liberdade e dignidade para todos. Com Maria, vivemos a alegria e a confiança. "A Virgem, Mãe será, um Filho à luz dará. Seu nome, Emanuel: conosco Deus do céu; o mal desprezará, o bem acolherá" (Salmo 147). Com José, o justo, não deixemos a dúvida dominar a nossa vida. A dúvida deve ser vencida pela obediência da fé.
Mais um final de ano se aproxima. Percebe-se claramente que a propaganda comercial "natalina" começa a agitar por todo lado, prometendo muita alegria e felicidade, ilusoriamente "embutidas" nos produtos de consumo.
De nossa parte, como comunidade cristã, iniciamos hoje nosso tempo de preparação para o Natal. Chamamos esse tempo de Advento: tempo de espera, de expectativa, de esperança. "Quando virá, Senhor, o dia?... Expectativa de que, afinal? A Palavra de Deus proclamada no tempo do Advento vai nos dar a resposta.
Com a celebração do Advento, iniciamos não só um novo tempo litúrgico, mas também um novo ano litúrgico. Somos convocados a percorrer com Jesus Cristo um itinerário pascal. Nesse caminho, passamos pela espera ardente do Advento da definitiva vinda do Senhor, pela divinização, encarnação e manifestação do Filho de Deus em nossa humanidade, celebrada no Natal e na Epifania.
Hoje acendemos a primeira vela da coroa do Advento. Ela representa a luz que vem iluminar-nos para percebermos, em nossa vida, os sinais da manifestação de Deus e também enxergarmos o que nos afasta de seu caminho e, portanto, exige de nós conversão. Ela é a luz do Senhor pela qual queremos nos deixar guiar.
Primeira leitura - Isaias 63,16b-17.19b;64,2b-7
O trecho proposto para a leitura do Primeiro domingo do Advento, faz parte integrante de um conjunto maior que abrange Isaias 63,7-64,11. É uma oração muito comovente feita num momento particularmente delicado da história de Israel. A maior parte dos especialistas situa esta oração pelo fim do exílio, provavelmente depois mesmo do edito de Ciro (538 antes de Cristo) que permitiam aos hebreus retornarem à sua pátria. Deve ter sido composta antes da reconstrução de Jerusalém (520-515) porque supõe que o mesmo esteja ainda em ruínas (Isaias 64,11).
A oração é uma mistura de lamentação, de súplica ardente e de ato penitencial. O longo exílio com seus sofrimentos e humilhações, as maravilhosas promessas de Ezequiel e do Dêutero-Isaias (Isaias 40-55), tudo isto fazia os piedosos judeus prorromper nesta súplica a Deus.
O apelo à paternidade de Deus dá à leitura um tom íntimo e familiar e permite que o autor, para expressar os sentimentos de dor e angústia com o prolongamento da triste situação, prorrompa em interrogações a Deus e exclamações. Deus é pai e só Dele pode vir a salvação. Depois de reconhecer a Deus como Pai e Único capaz de salvar seu povo, exclama o profeta num tom emocionante: "Oh, se rompesses os céus e descesses...". A liturgia do Advento, assumindo essas palavras, expressa em nome de toda a humanidade os anseios profundos e veementes para que Deus apresse sua intervenção libertadora.
No pensamento do profeta estão presentes todas as maravilhas que Deus realizou ao longo da história do povo escolhido, especialmente a libertação do Egito e a conquista da Terra Prometida. De qualquer maneira é uma profissão de fé nas intervenções de Deus ao longo da história e que fundamenta a certeza de uma nova intervenção na dolorosa situação presente.
Nos versículos 5-7 Isaias faz uma confissão pública dos pecados do povo. É o reconhecimento de uma situação de impureza, de indignidade diante de Deus, por causa dos inúmeros pecados e infidelidades do povo. Só Deus pode nanar essa situação!
O profeta não se pronuncia aqui sobre a origem do mal; mas somente anuncia sua solução, pela intervenção de um Deus que romperá os céus e realizará na terra prodígios e maravilhas que, castigando os inimigos, tudo restabelecerão (Isaias 63,19b64,4a). É a Deus que o ser humano deve entregar-se para livrar-se do mal, pois ele é pequeno e limitado demais para conseguir isso sozinho.
O versículo 8 retorna ao pensamento inicial, completando-o com a tão conhecida imagem do oleiro e da argila (Isaias 29,6; Jeremias 18,6; Gênesis 2,7). A súplica retoma o tom afetuoso e confiante. Verdade é que os pecados cavaram um abismo entre o povo e Deus, mas Deus continua sendo Pai, Aquele que plasmou o seu povo, como o oleiro modela um vaso. Deus não pode abandonar a obra de suas mãos.
Salmo responsorial - Salmo 79/80,2ac-3b.15-16.18-19. O salmo 79/80 é uma súplica coletiva. Deus é pastor sobretudo no deserto. Os querubins são os animais que têm asas que sustentam o trono de Deus; o resplendor indica a aparição ou teofania. Deus deve atuar, pois trata-se da "tua vinha, que a tua mão direita plantou, que tu tornaste vigorosa.
Por que surgiu este Salmo? O salmo 79/80 é fruto de um conflito internacional. O reino do Norte (José, Efraim, Benjamim e Manassés, 2-3) está destruído por causa de uma invasão estrangeira, isto é, um conflito internacional. Tem ligação com os salmos 77 e 78.
"Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos para que sejamos salvos!" O povo clama a Deus, chamando-o de Pastor de Israel, pedindo que cuide de seu rebanho, que é o Reino do Norte. Este salmo surge na época da destruição das tribos do Reino do Norte conhecidas como Israel ou casa de José. Devido aos acontecimentos, Deus "parece estar dormindo" e o povo pede que Ele acorde. O salmo apresenta várias imagens: Deus-Pastor, povo-rebanho e vinha. Pede que o Senhor visite a vinha, mas reconhece que não foi Deus que abandonou a vinha, mas o rebanho que se afastou do Pastor.
A imagem da videira é assumida por Cristo no Novo Testamento, como concentração do Povo de Deus (João 15,5), e depois ela passa para a sua Igreja. Como Cristo, também a Igreja é pisada e entregue às contendas e gozações dos inimigos. Com Cristo a Igreja invoca a ajuda de Deus, e em Cristo ela contempla o rosto de Deus que brilha em poder e clemência.
Qual o rosto de Deus neste Salmo? A imagem do pastor é sugestiva. Pastor é quem tira dos currais e conduz para as pastagens. Foi o que Deus fez no passado, quando libertou seu povo do curral do Faraó levando seu rebanho para a Terra Prometida. Sem dúvida é uma das imagens mais bonitas do Primeiro Testamento que mostra Deus como pastor juntamente com o Salmo 22/23. Jesus no Evangelho de João, assume as características de Javé pastor, libertador e aliado (João 10).
As imagens de Deus pastor (vs. 2-3) e agricultor (vs. 9-16) são tiradas da terra. Com isso descobrimos que o Deus deste Salmo está comprometido com a defesa e a posse da terra. É o Deus aliado, representado na Arca da Aliança, sobre a qual estão os querubins (v. 2b), que tem as mãos e os pés ocupados na defesa de uma terra para o seu povo.
Quando rezar este Salmo? Sendo uma súplica coletiva, é oportuno rezá-lo juntos, reunindo todos os clamores explícitos ou abafados de hoje. Quando o povo come pranto e bebe lágrimas; quando é devastado e devorado pela ganância e pelo consumismo; pela guerra e pelo terrorismo; quando sentimos necessidade de ser "restaurados"; quando queremos que Deus, novamente, faça brilhar sobre nós a sua face...
Cantando este salmo na celebração deste domingo, peçamos ao Senhor que Ele nos visite, que não nos abandone, porque somos a sua vinha preciosa e precisamos de seu cuidado e carinho para produzirmos ótimas uvas. Por isso com o Salmo 79/80, pedimos que sejamos iluminados e convertidos pelo Senhor:
Convertei-nos, para que sejamos salvos!
Segunda leitura - 1 Coríntios 1,3-9
Paulo, de Éfeso, escreve sua primeira carta à comunidade cristã de Corinto, fundada por ele no final da segunda viagem. Deseja-lhes bens espirituais: a graça e a paz de Deus Pai e de Jesus Cristo. A "graça" é a benevolência de Deus, ao passo que a "paz" encerra o conjunto dos bens cristãos. Podem ser sinônimos, como saudação cristã grega (cháire!) e hebraica (shalôm!), como voto de bênçãos, desejando uma euforia geral de vida psicossomática. É uma saudação com uma dimensão universal da salvação. A graça pode também indicar a bondade de Deus, como causa da paz, ou os dons messiânicos, cuja fonte última é Deus Pai e Jesus Cristo. A fé cristã associou a Deus Pai o nome de Jesus Cristo, na mesma linha divina. O título "Senhor" indica ser Jesus Cristo Deus, como o Pai, visto que no Primeiro Testamento "Kýrios" se atribuía somente a Deus. além disso, "Senhor" considera Jesus em seu estado de glória, devida a ressurreição, em oposição ao estado de "kênose" ( esvaziamento) em que viveu desde a Encarnação até à morte (Filipenses 2,5-11).
Paulo sugere aos coríntios que não que ponha a confiança na suficiência humana, mas nos dons de Deus, conferidos em Cristo Jesus (versículo 4), graças aos seus méritos, em virtude de nossa incorporação  a Ele (romanos 3,24s; 6,2-11). Semelhantes dos se reduzem aos da "palavra" e aos do "conhecimento". A "palavra" seria a doutrina e a pregação evangélica (cf. Gálatas 6,6; Efésios 1,13; 1 Tessalonicenses 1,6), enquanto o "conhecimento" representaria o conteúdo, uma compreensão mais profunda do Evangelho.
A fidelidade divina é fator de salvação no dia do retorno glorioso de Cristo (vs. 7-9). A melhor definição do "cristão" está no versículo 9: "chamado à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor", isto é, chamado a participar da filiação do Filho em íntima comunhão de vida com Ele, como seu membro (Romanos 6,3-11; 8,17; Gálatas 3,26-28). Aqui está a base, o centro da vida cristã: fé, esperança, caridade. Tudo isto graças à união com Cristo (koinonia = comunhão).
Evangelho - Marcos 13,33-37
O primeiro versículo (33) e o último (37) obriga os cristãos à vigilância perpétua. Esta vigilância perpétua é ilustrada com o que originalmente eram duas parábolas, a saber, a parábola dos talentos e a parábola do porteiro.
As parábolas sobre a vigilância não faltam em Mateus, Marcos e Lucas. Em Mateus 24,42-44, a vigilância deveria ter sido a qualidade do dono da casa surpreendido pelo ladrão, assim como a dos judeus despreocupados no momento da queda de Jerusalém e do templo. Em Lucas 12,35-40, são os servos, pelo contrário, que devem vigiar, à espera de um patrão que lhes pedirá contas. Pensemos, imediatamente, na prestação das contas do fim do mundo (cf. Mateus 25). Na versão de Marcos, que contemplamos na liturgia de hoje, somente o porteiro foi encarregado de vigiar, enquanto os outros servos permanecem no trabalho. E vai além: o dono da casa, ao voltar, não exige nenhuma prestação de contas. Este último relato poderia, pois, inspirar-se numa reflexão referente a primazia de Pedro (o porteiro).
Na versão de Marcos, o fato de não haver nenhuma referencia à prestação de contas, permite supor que a parábola não visa uma vigilância indispensável como preparação para o julgamento. Refere-se àquela vigilância especial que repousa primeiramente sobre Pedro (cf. as palavras "casa", "porteiro" e "poder" acrescentadas por Marcos no v. 34 e a referencia à atitude de Pedro no Getsêmani nos vs. 45-36).
Pedro é encarregado de vigiar e firmar a fé dos seus irmãos (Lucas 22,32): não é ele a pedra sobre o qual Cristo edifica um templo muitíssimo mais sólido do que aquele de Sião destinado à destruição? (Mateus 16,18). O ensinamento de Marcos revela a parte que a hierarquia assume na atenção da Igreja inteira aos sinais da vinda do Senhor.  Enquanto o dono está ausente, cada servo tem a sua "tarefa" (versículo 34), e embora o dever de "vigiar" seja próprio do porteiro, a última palavra de Jesus estende-se a todos.
A última frase do texto: "O que vos digo, digo a todos: vigiai!" (v. 37), mostra bem que, na mente de Marcos o discurso já não se dirige somente aos discípulos de Jesus ou aos quatro deles mencionados em 13,3, mas a todos os cristãos. Esta nova orientação transparece também já no versículo 35, onde se exige vigilância de todos, e não somente do porteiro da parábola.
A combinação da Parábola do Porteiro com a dos Talentos pode ser resumida desta maneira: "fiquem vigiando, não somente esperando, mas trabalhando! Vigiem, não porém esperando a volta do Senhor de braços cruzados, permanecendo à toa (cf. 2 Tessolonicenses 3,6-12), mas trabalhando e valendo-se da "autoridade" que o Senhor delegou aos seus servos e desincumbindo-os das tarefas confiadas a cada um" (v. 34b).
A Palavra celebrada vivida no cotidiano da vida
É o primeiro domingo do Advento. Começo de mais um ano litúrgico. Início de mais um ciclo de leituras. Mais um Natal que nos é dado a celebrar. E para bem celebrá-lo somos convidados, através das celebrações litúrgicas deste período, a uma preparação séria, fecunda e renovadora. Como diz o refrão meditativo para o acendimento da coroa do Advento: "Arrumemos nossa casa co' alegria! Dentro dela o Senhor vai chegar...
Como vimos, vigiar é ter para com Jesus a atenção que suscita o amor. Essa atenção se expressa no "forte chamado para promover uma globalização diferente, que esteja marcada pela solidariedade, pela justiça e pelo respeito aos direitos humanos, fazendo da América Latina e do Caribe não só o Continente da esperança, mas também o Continente do amor" (Documento de Aparecida, 64).
O Advento, como tempo de preparação para o Natal, é um momento de alegria. A esperança da intervenção de Deus no mundo é repleta de amor por aquele que vem. Não há nada fácil nessa atitude, pois a vigilância é necessária. A confiança em Deus deve ser acompanhada da obediência à ordem do Mestre: "Vigiai".
Sentimos que esta voz de Deus é também dirigida a nós, que vivemos muitas vezes dormindo, sonolentos e desatentos ao que acontece a nossa volta. Por isso, hoje cantamos para Deus, com o salmo 79/80: "Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos, para que sejamos salvos! Despertai vosso poder, ó nosso Deus, e vinde logo nos trazer a salvação".
Tempo de Advento é período de renovar a fé no Deus que sempre quer nosso bem: "Visitai a vossa vinha e protegei-a! foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes!" (salmo 79/80).
Brote sinceramente de nosso coração o pedido do salmista: "Pousai a mão sobre vosso protegido, o filho do homem que escolhestes para vós! E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome!".
A Palavra se faz celebração
As três vindas do Senhor
Estamos acostumados a falar na segunda vinda de Jesus, esquecemos de considerar, em nossa espiritualidade e existência, uma outra vinda, a que São Bernardo de Claraval chama de "intermediária" e que nos liga à primeira e à ultima, quando Deus for tudo em todos.
Nossa vivência cristã do Advento deve haver um equilíbrio das três vindas do Senhor Jesus: passada, presente e futura, que se celebram e confluem no tempo de graça e bênção que começamos no primeiro domingo. Como a esperança cristã, o Advento é como um cheque ao portador que o cristão já tem na mão, mas que ainda não cobrou. Essa é a tensão escatológica da esperança cristã entre o "já sim" e o "ainda não". Isso não é motivo de desgosto ou falta de identidade para o cristão, mas de vigilância permanente, espera ativa e esperança alegre e segura na fé, que é a garantia do futuro esperado (Hebreus 11,1).
A oração do dia deste primeiro domingo do Advento fala do encontro que acontece entre o "Cristo que vem" e os fiéis que a Ele acorrem, portanto, consigo uma vida justa, segundo seus preceitos: "acorrendo com nossas boas obras." Falando desse encontro no presente, seu fruto também se dá no "hoje" de nossa existência: tomar parte na comunidade dos justos. Toda esta linguagem nos remete não para o cumprimento da promessa de comunhão com Deus num futuro desconhecido, mas no "hoje" da nossa existência, mediante o sinal eclesial: a Igreja.
Este encontro com o Senhor no "hoje" da nossa vida é o que se chama "vinda intermediária". Matias Auge fala das "vindas de Cristo" com muita clareza: "A liturgia celebra a vinda epifânica do Senhor colocando em evidencia as diversas fases em que ela se desenvolve entre memória, presença e expectativa: a preparação profética do Primeiro Testamento; a vinda histórica do Senhor no seu nascimento e manifestação sobre a terra; a realização mística desta vinda no presente da Igreja; e, finalmente, a ultima vinda do Senhor, no fim dos tempos, chamada de escatológica"
Vem, Senhor Jesus!
No coração da oração eucarística, que a reforma litúrgica explicitou na aclamação anamnética, a comunidade dos fiéis de pé entoa: "Anunciamos Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus." Esta súplica vem na linha de compreensão do pensamento patrístico a respeito do Advento do Senhor, que afirma as duas vindas de Cristo e que associam cruz-presépio (primeira vinda) a glória-fim dos tempos (segunda vinda). A aclamação memorial recorda este acontecimento, ápice e fonte da vida cristã. Mas tal memória não nos remete a um evento perdido no passado ou refém das nossas esperanças para o além-túmulo. Ela realiza sacramentalmente no seio da Igreja a vinda intermediária, na linguagem de são Bernardo de Claraval. Vinda esta que precisa ser buscada, percebida, acolhida e anunciada no "hoje" da nossa vida.
Ligando a Palavra com a ação eucarística
O eterno plano de amor e o caminho aberto da salvação foram para nós realizados pela vida, morte, ressurreição de Jesus e presença do seu Espírito em nós. Páscoa esta que nos garantiu e garante que, no final dos tempos, veremos concretizar plenamente seu Reino de justiça, paz e vida para todos os justos. Coragem! Vigiai!
Na celebração eucarística celebramos este mistério. Este é o "mistério da fé". Por isso cantamos em cada celebração eucarística: "Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!". Ou como rezamos no Pai Nosso: "Venha a nós o vosso Reino!". Ou ainda no embolismo, a oração que segue o Pai Nosso: "Vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador!"
Que nossa participação na Páscoa de Jesus, neste primeiro Domingo de preparação para o Natal, nos ajude a andar por este caminho transitório de tal maneira que, como peregrinos, abracemos o Reino que de fato nunca se acaba, eterno, e pelo qual vale a pena investir tudo o que temos! Assim rezamos na oração após a comunhão: "Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam".
padre Benedito Mazeti

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Vem Senhor Jesus!
Advento
Iniciamos um novo Ano Litúrgico, iniciamos o tempo do Advento. Primeiramente, Advento nos evoca: espera, conversão, promessas, libertação, Salvador, esperança e Maria Virgem grávida. Isto é, uma mensagem feliz. Recorda-nos os hinos litúrgicos: “Céus, chove a vossa justiça”, porque o mundo “envolvido em sombria noite, procurando vai uma esperança”.
Os seguidores de Jesus possuem uma capacidade infinita de Advento. Cremos num futuro ditoso marcado por Deus para o homem. Que estranho é que entre nós tenha tanta gente sonhando e lutando por um mundo melhor? Com o Evangelho na mão, as utopias são criveis.
Palavra do Advento
Sem adentrarmos em caminhos teológicos, distinguimos “três vindas do Senhor”: a vinda primeira para fazer-se carne entre nós; a vinda ao final da história; a vinda da cada hora e a cada acontecimento da graça.
No primeiro domingo de Advento, adquire relevo a vinda que chamamos do “final dos tempos”. Fica, todavia velado o gozo da vinda no Natal. Duas imagens - o ladrão e o tempo de Noé - ilustram a necessária atitude de vigilância ante a vinda: o momento é incerto e estamos a caminho. Os tempos de Noé, na Bíblia, eram exemplos de despreocupação, de frivolidade, de geração corrompida. Enquanto, o  alerta ante o ladrão ilumina o tempo de preparação, de vigilância, de preocupação. Estar sempre vigilantes nos permite ter bom tino em nossas decisões vitais.
De são Paulo recebemos a sacudida. “É hora de despertar, como em pleno dia”. O motivo é insistente: “a salvação está perto”. E o rubrica o profeta: “Ao final dos dias, estará firme a casa do Senhor”. Tão feliz será tudo que “das espadas forjarão arados e das lanças, foices”. Que reconfortante resulta contemplar estas palavras de Isaías na porta do edifício central da ONU. Cabe utopia mais sugestiva?
Para a vida
Toda uma mensagem de esperança.
Por que a agonia, o tempo final, tem dado suporte à pregação do medo, do temor, da angustia? Porém se o que esperamos é o que nos foi prometido pelo Senhor. Se Cristo já veio, e está conosco; se caminhamos para um momento último que já possuímos e para o qual já nos dirigimos, em esperança, para o êxito total.
Como Maria, ouvimos que nos é dito: “O que te disse o Senhor cumprir-se-á”. Ou escutamos do Mestre: “Quero que onde eu estou estejam também os que me deste”. Como não esperar que Deus nos diga ao final: “Vinde, benditos”?
Esta graça não é graça barata.
Como na espreita do ladrão, devemos estar vigilantes. Vigiar é estar acordado, procurar, cair em conta. O contrário é cansar, adormecer, cair na preguiça, na frivolidade. Não estamos na apatia de uma “sala de espera” senão na tensão prazerosa do encontro, a ponto de tocar às pessoas queridas, tão desejadas.
Não basta passar a vida, mais passá-la bem: sempre atentos na oração, na escuta dos que sofrem, sabendo discernir o que Deus quer de nós. Como não nos vai molestar, por exemplo, que tantos filhos de Deus estejam naufragados na dor, na solidão, na exploração, na miséria? Não podemos permanecer como abatidos enquanto cresce a maré dos que se afastam de Deus, às vezes, até, entre os nossos. Não é possível que sigamos adormecidos - ou procurando explicações ideológicas - quando as pesquisas produzem dados arrepiantes: a Igreja, em países do ocidente, está no nível mais baixo de credibilidade.
Diz-nos são Paulo: “É hora de despertar”. Apesar de tudo, é hora de utopias.
Claro que o mal, a morte, o medo, o fracasso nos acossam por todas as partes. Desde outro ângulo, inclusive nos os cristãos estamos, com freqüência, metidos em preocupações frívolas ou em inquietudes legítimas, sim, mas elementares: o trabalho, a economia, os meus, a saúde.
No entanto, a esperança cristã no Advento se lança acima: procura o excelente, o que mais se adapta ao que Deus quer. No cristão, as utopias tornam-se possíveis; há muitos crentes que sonham e lutam, que confiam num futuro mais justo. Que instituição pode apresentar, como a Igreja, um plantel de pessoas generosas, entregues, lutadoras, mártires? Quem disse que não é possível sonhar e alargar a esperança? Diz a Palavra e repete a liturgia: “Se aproxima nossa salvação”.
Vamos celebrar a eucaristia. Vinda real, misteriosa, do Senhor a nós. E o faremos como nos indica são Paulo: “até que o Senhor volte”, até o final da história.
Ciudad Redonda
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“Cuidado! Ficai atentos, pois não sabeis quando chegará o momento” (Mc. 13,33). É a partir deste versículo que começo esta primeira reflexão do novo ano litúrgico (B) que dedicaremos ao evangelho de são Marcos para as leituras dominicais. As quatro semanas do advento pretendem conduzir-nos a contemplar os acontecimentos mais importantes da manifestação de Deus na história, centrando-nos no nascimento do Emmanuel, Deus conosco, Jesus, o redentor do gênero humano.
Hoje iniciamos esta preparação da manifestação do Senhor. Deus se manifesta na fragilidade de um recém nascido. Cada ano fazemos memória deste grande marco na história da humanidade, assim aproximamos um pouco mais da divindade d’Aquele que assumiu a nossa condição humana menos no pecado. Poder reviver estes acontecimentos cada ano é emocionante, seja como seja: através de um cartão, de cantos, de um teatro, de uma celebração, de uma festa, um presente, de sentimentos de solidários, etc.
Nestes últimos domingos do tempo comum a liturgia nos convidava a estar de vigilância, tudo para educar e preparar-nos para os acontecimentos dos últimos tempos. Hoje as mensagens das leituras estão na mesma direção, com as mesmas idéias com um enfoque centrado na Boa Noticia, do Deus conosco.
Na primeira leitura do profeta Isaías (63,16-17.19; 64,2-7) nos fala da comunidade dos judeus que já tinham retornado do exílio e que agora enfrenta um grande desafio: reconstruir os fundamentos da nação, da cidade e do Templo destruídos, porém, será uma reconstrução da sua própria história como povo escolhido por Deus. Não seria uma tarefa tão fácil. Os profetas que eram suscitados por Deus, eram os responsáveis de animar e incentivar a todos em reconhecer os seus próprios erros, os mesmos que tinham conduzido à ruína, mas a maior parte dos desterrados não fazia caso dos mediadores de Deus. Aqui aparece o profeta e apresenta uma visão bastante positiva de Deus, se trata de uma oração confiada, humilde e de misericórdia do Senhor como pai e redentor: “Vens ao encontro daquele que, alegre, pratica a justiça, daqueles que, seguindo teus caminhos, sempre te celebram. Ficaste irritado quando nós pecamos, mas nos caminhos de sempre seremos salvos” (64,4). O povo de Israel é consciente que se tratava de um castigo merecido e que Deus tivesse que esconder: “Não há quem invoque o teu nome, quem acorde para em ti se apoiar, pois escondeste de nós a tua face, deixaste que, como onda, a força dos nossos pecados nos arrastasse” (64,6).
É uma leitura que nos ajudar não somente a reconhecer os nossos erros, mas aceitar as correções que nos envia por meio de inúmeros acontecimentos ao longo da vida e também da história de cada um de nós.
Ao ouvir uma vez mais as palavras de Jesus (Mc. 13,33-37) sobre a vigilância significa dar uma maior importância a mensagem do Advento, mas ao mesmo tempo é um toque de atenção, para não dormir quando chegar o momento da tentação, da comodidade e preferir não fazer nada, mas ao mesmo tempo nos dá ânimo e nos tira todo e qualquer tipo de medos.
“O advento é um despertador espiritual. É um impulsionar-nos na vigilância orientando o nosso horizonte”. “Vigiar é não se deixar vencer pelo cansaço. Vigiar significa estar atento a Deus, para as contínuas visitas na nossa vida, e acolher-lhe cada dia. Vigiar é ser consciente que não sabemos quando acabará este caminho. Deus pode chegar a qualquer momento, a qualquer dia. O importante não é saber quando chegará, mas como devemos preparar para que nos encontre dispostos a recebê-lo.”
O advento é uma verdadeira escola da esperança. Neste tempo tudo vem em cima, parecendo uma maratona no crescimento da esperança, que aprendamos a esperar, como os estudantes esperam as férias, quando a mulher espera o seu primeiro bebe, e a terra que espera a chuva para poder seguir dando vida. Porém, o importante é que não esqueçamos que não se trata de estar preocupados, por saber o dia, ou pelo medo, nada disso deveria nos deixar preocupados ou tirar a nossa esperança naquele que já veio, mas que renovamos esta manifestação como signo de renovação interior.
Para acabar gostaria de dedicar algumas linhas a segunda leitura (1Cor. 1,3-9) onde são Paulo afirma que o cristão recebe a sua fé, fortaleza e graça por meio de Jesus Cristo para que participemos um dia da vida do Filho de Deus.
padre Lucimar sf

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1ª leitura – Is. 63,16b-17.19b;64,2b-7
Este texto é uma espécie de salmo de súplica coletiva, ou seja, é a assembléia do povo que reza. A situação do povo é de sofrimento e abandono. O motivo são os pecados e transgressões, é o afastamento de Deus. Dentro da mentalidade, onde tudo é atribuído a Deus, o autor fala como se fosse o próprio Deus que quisesse endurecer o coração do povo, esconder dele a sua face e entregá-lo à mercê de suas maldades. É como se Deus estivesse fazendo silêncio diante do sofrimento do povo.
O povo tem saudades do tempos de outrora. “É nos caminhos de outrora é que seremos salvos”. Pede a Deus uma aproximação maior como aconteceu outrora no Sinai.
Aqui temos dois dados de fundamental importância. O primeiro é o reconhecimento da própria condição humana de pecador, as transgressões, as maldades, as impurezas e o afastamento de Deus. O segundo é o reconhecimento do ser de Deus. Ele é o Senhor, o criador, aquele que modelou o homem do barro da terra, é o Pai, o redentor. Redentor era o membro do clã encarregado de vingar o sangue derramado ou de resgatar membros da família escravizados. O povo então reconhece Deus como Aquele capaz de libertá-lo dessa situação pior lá no Egito.
A saída está portanto nesta confiança e esperança. Mas para acontecer mesmo a libertação é preciso que o povo se deixe de novo modelar pelas mãos de Deus, arrepender de sua maldade e buscar os caminhos da justiça, recomeçando mais uma vez sua vida com Deus.
2ª leitura - 1Cor. 1,3-9
Estamos no início da carta aos Coríntios. Normalmente depois do endereço e da saudação inicial vem o agradecimento a Deus pelos benefícios concedidos à comunidade, ou pela resposta que a comunidade está dando à pregação do apóstolo. Paulo costuma também aludir a alguns temas importantes que ele irá desenvolver. Aqui ele fala da graça divina, dos dons ou carismas que a comunidade recebeu em palavra e conhecimento. Ele diz que a comunidade foi enriquecida em tudo e não lhe falta nenhum dom.
Os carismas do Espírito Santo eram abundantes na comunidade, mas a comunidade não vai saber lidar adequadamente com eles. Entra a vaidade, o orgulho, a distorção da finalidade dos dons. Muitos achavam que estes dons, principalmente o dom das curas e o dom das línguas tinham finalidade em si mesmos. Estes grupos considerados carismáticos achavam-se perfeitos e satisfeitos espiritualmente. Os capítulos 12 a 14 vão chamar a atenção da comunidade a este respeito. Aqui com antecipação Paulo relembra dois pontos:
1º que a comunidade tem todos os dons, mas “ainda espera a revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Quer dizer, ninguém se considere perfeito, acabado, pois o que seremos ainda não se manifestou.
2º Que fomos chamados à comunhão com Jesus. É preciso ter senso crítico e revestir-se de humildade, pois uma comunidade carismática, enriquecida de todos os dons pode viver com tantos problemas e tanta falta de comunhão como vivia a comunidade de Corinto? Repasse a carta para você perceber a vida da comunidade. Confira por exemplo os capítulos 1; 5; 6; 11 etc. Se há um grupo que deveria viver a comunhão, a compreensão e não criar problemas, é o grupo carismático!
Evangelho – Mc. 13,33-37
Este trecho é tirado do capítulo 13 - todo ele escatológico - quer dizer, referente ao fim do mundo. No evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção sobre a vigilância. Estamos começando o Ano Litúrgico já nos preparando para o Natal com o Advento ou a chegada de Jesus, e a liturgia nos lembra a segunda vinda de Jesus - o tempo final. O importante mesmo é ficar vigilante.
A primeira frase já nos apresenta a mensagem total: “Cuidado! fiquem atentos, porque vocês não sabem quando chegará o momento”. Se esse versículo tivesse sido levado a sério (veja também 13,32) ter-se-ia evitado muito papel, tinta, trabalhos, escândalos, frustrações e transtornos ao longo da história da religião cristã, principalmente de seitas cristãs, ou pseudo-cristãs. Ninguém sabe o dia, nem a hora, nem o século do momento final. Para ilustrar isso Jesus faz uma comparação como se ele fosse um homem que tivesse feito uma longa viagem para o estrangeiro e tivesse deixado a sua casa sob a responsabilidade dos empregados, cada um com uma tarefa. E tivesse mandado o porteiro ficar vigiando. O porteiro, sem dúvida, representa os líderes das comunidades, mas a responsabilidade para zelar da casa de Deus que é o mundo, é tarefa de todos. “O que digo a vocês, digo a todos”. A qualquer momento da noite o dono da casa pode voltar e ninguém pode ser encontrado dormindo.
O que significa afinal, “vigiar ou não dormir”? Significa a tarefa de continuar com empenho a tarefa de Jesus, que, em uma palavra, é vida para todos, ou seja, lutar para que o homem viva com dignidade, tenha casa, terra, pão, educação e viva na justiça e na comunhão. Isso é vigiar, isso é não dormir. Vigiar ou estar vigilante não é algo passivo, mas um desempenho da tarefa recebida. Acho que há muita gente na comunidade cristã, que está participando das liturgias, mas mesmo assim está vivendo em total descuido, sem vigilância nenhuma e em profundo sono. Acho que muita gente está correndo o perigo de acordar assustado, quando Jesus chegar!
dom Emanuel Messias de Oliveira

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O Advento, que agora iniciamos, prepara-nos para a celebração do nascimento de Jesus, o Natal, expressão do Amor de Deus que vem até nós, encarnando, fazendo-Se homem no meio da humanidade, no tempo e na história.
Qual natureza, com as diversas estações, em que o outono e o inverno dão lugar à primavera e ao verão, em que tudo renasce e se renova, as folhas secam e caem, mas novos rebentos surgem, rebentam, florescem, abrindo-se em belíssimas flores e frutos saborosos!
Na liturgia fazemos um percurso espiritual similar, tudo se renova constantemente com a presença de Jesus Cristo e com o mistério da Sua morte e ressurreição. Ele veio, "limitando-Se" na nossa finitude e na nossa fragilidade, por amor levou até às últimas consequências o Seu amor para com a humanidade, morrendo numa cruz e ressuscitando, mas deixando-nos, no mistério da Eucaristia, o Seu corpo e o Seu sangue como memorial. Ele está sempre connosco. Celebramos os diversos momentos da Sua vida, para acolhermos o mistério de toda a Sua vida, que não conseguimos nunca abarcar totalmente.
O Evangelho neste primeiro domingo do Advento, mostra-nos o grito de Jesus: vigiai. "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento". Deste modo faz-se a ponte para a liturgia da palavra dos domingos anteriores, nos quais se acentuava o momento de encontro definitivo com Deus, a hora de acertar as nossas contas com Ele, num desafio permanente a que não nos deixemos adormecer. Enquanto é tempo, vigiemos, multipliquemos os talentos que Ele nos dá, vivamos com alegria, com garra, com sentido, sabendo que qualquer hora poderá será a última aqui na terra.
2 – Neste tempo litúrgico que vivemos, a Palavra de Deus testemunha a proximidade de Deus, que vem, que permanece, que caminha conosco. Por vezes, nas situações mais difíceis da nossa vida, parece que Deus Se esconde, Se ausenta, Se distancia de nós. Mas Ele está, os nossos olhos é que se tornam opacos pelo pecado, pela dúvida, pela desconfiança em relação ao Seu poder e ao Seu amor.
Mastiguemos as palavras do profeta Isaías: "Todos nós caímos como folhas secas, as nossas faltas nos levavam como o vento. Ninguém invocava o vosso nome, ninguém se levantava para se apoiar em Vós, porque nos tínheis escondido o vosso rosto e nos deixáveis à mercê das nossas faltas. Vós, porém, Senhor, sois nosso Pai e nós o barro de que sois o Oleiro; somos todos obra das vossas mãos".
Por um lado as maravilhas que operou ao longo da história a que nem sempre correspondeu a vivência do povo da Aliança. "Nunca os ouvidos escutaram, nem os olhos viram que um Deus, além de Vós, fizesse tanto em favor dos que n’Ele esperam. Vós saís ao encontro dos que praticam a justiça e recordam os vossos caminhos".
Com o Salmo não apenas respondemos à Palavra de Deus, não apenas suplicamos a Sua presença, mas preparamo-nos para nos deixarmos ver por Deus e nos deixamos envolver pela Sua salvação: "Senhor nosso Deus, fazei-nos voltar, mostrai-nos o vosso rosto e seremos salvos". O rosto de Deus salva-nos do nosso egoísmo e da nossa fragilidade.
3 – Jesus Cristo é o Rosto de Deus para nós. Ele dá-nos a conhecer Deus como Pai. Não vivemos nas trevas, mas na Luz que é Cristo, Ele ilumina a nossa vida, o nosso caminho. Com efeito, em Jesus Cristo Se revela o amor de Deus para conosco, e, em simultâneo se revela em nós a identidade divina, somos imagem e semelhança de Deus. Mais, somos templo de Deus vivo, somos filhos no Filho, em Cristo nos assumimos como irmãos, o que nos compromete com os outros e com o mundo que nos rodeia.
Diz-nos o apóstolos Paulo: "a graça e a paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento; e deste modo, tornou-se firme em vós o testemunho de Cristo... Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor".
Não vivemos no desconhecimento, ignorantes, no mundo das trevas. Jesus vem até nós e mostra-nos o rosto de Deus, que é Amor em movimento pela humanidade inteira. A fidelidade de Deus para conosco motiva-nos à mesma fidelidade para com Ele e n'Ele ao nosso semelhante.
padre Manuel Gonçalves

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O Senhor vai chegar, vamos esperá-lo vigilantes!
Advento quer dizer o "que está para vir", sendo, para toda a Igreja, momento de mergulhar na liturgia e sua mística cristã. Neste tempo de esperança, vigilantes preparamos a vinda do Senhor, como a noiva se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado. As duas primeiras semanas nos preparam para a vinda gloriosa de Jesus, o Senhor da história, no final dos tempos. As últimas, de 17 a 24 de dezembro, nos preparam para o Natal, a primeira vinda de Jesus. Tempo de Advento nos convoca uma piedosa e alegre expectativa. No entanto, diante dos sofrimentos e catástrofes sobre populações, a humanidade se pergunta sobre a ação de Deus, quando na realidade é a recusa do homem. As velas simbolizam as etapas de salvação em Cristo, sendo a primeira, o verde da esperança.
Iniciando o ano litúrgico com o Advento, desejamos louvar a ação libertadora de Deus na expectativa do Natal para, ardorosos, preparar nosso coração para Senhor fazer nele sua morada, celebrando com a Igreja a campanha pela Evangelização. Sejamos barro nas mãos de Deus para que Ele, como bom oleiro, transforme nossa vida em algo agradável e leve nossa caminhada à luz da certeza que o Senhor vem. Como suas obras, que Ele nos proteja e nos desperte para construir o mundo novo.
A liturgia é uma exortação à vigilância, como aquele que, antes de viajar, delega tarefas a seus outorgados, com um apelo a todo o cristão pela fidelidade ao Senhor, como meio de preparar Sua vinda. É tempo especial da graça de Deus revelada em Cristo, o Messias Salvador.
Primeira leitura: Isaías 63,16b-17. 19b; 64,2b-7
Ah! Se rompesses os céus e descesses!
O texto, em prece tipicamente judaica, num apelo a Javé, mostra que o povo reconhece que se desviou dos caminhos do Senhor e deseja sua vinda, na esperança de seu socorro paterno.  A seguir, brotam súplicas, lamentações e arrependimentos, concluindo com um ato de entrega a Deus que é Pai e Criador: “Senhor, tu és nosso Pai, nós somos barro, tu, nosso oleiro, e nós, obras de tuas mãos”. O profeta tem certeza que a bondade, o amor e a misericórdia de Deus são garantias da salvação de Seu Povo. Ele implora que o Senhor venha recriá-lo com um coração novo.
Isaias apresenta um Povo de coração duro, rebelde, indiferente, prescindindo de Deus e fugindo dos compromissos da Aliança. É época da reconstrução de Jerusalém e a população é pequena e pobre, além dos inimigos sondando, à espreita. Os profetas se preocupam, fazendo invocações dramáticas no sentido de alertar a reacender a lembrança da sua aliança com Deus. No entanto, está consciente de que o Povo é incapaz de sair, por si, dessa rotina de rebeldia e de infidelidades, implorando o socorro de Javé. O povo, crendo na ação Divina, reage a ponto de chamar Deus de Pai.
Este quadro não difere da vida de muitos homens e mulheres em nossos dias, quando deve entrar em ação os verdadeiros discípulos, estendendo a mão profética e sacerdotal de socorro e amor salvador.
Salmo Responsorial: Iluminai a vossa face sobre nós, convertei-nos, pra que sejamos salvos!
Segunda Leitura:  1 Coríntios 1,3-9
Somos chamados á comunhão plena com Cristo, esperando sua revelação.
Paulo, ao contemplar a fidelidade dos cristãos de Corinto, deseja à comunidade graça e paz, como a bênção messiânica concedida em Cristo, onde o sentido do Evangelho é orientar a pessoa para Cristo. Expressa ação de graças a Deus por tudo o que se realizou na comunidade por meio das mensagens evangélicas, apresentando sua mais profunda esperança. O texto mostra, ainda, que Deus se faz presente na história e na vida do cristão, por meio de dons e carismas derramados, fazendo com que povo fiel espere Sua manifestação plena da salvação.
Corinto, grande centro grego, uma cidade plural de raças, filosofias e religiões, com cerca de 500 mil habitantes, dos quais dois terços eram escravos. A cidade, influenciada por marinheiro e viajantes, ávidos por prazer e riqueza, contrastava com a miséria e a fome. Com sua pregação ardorosa, apesar dos atritos com os judeus e expulso da sinagoga, Paulo faz nascer uma comunidade fiel, viva e fervorosa, na maioria de origem grega e condições humildes. A comunidade nasceu em ambiente hostil, marcada pela cultura pagã e valores contrários às mensagens evangélicas. Por isso, Paulo, extasiado, renda graças a Deus pelos dons, por Jesus Cristo, que fez um povo fiel e modelo.  É uma comunidade rica pela vida de Deus que lhe manifesta seu amor fiel e salvífico, gerando vigilância permanente. Em outro texto ele chama de Carismas.
Evangelho:  Marcos 13,33-37
Estar vigilante é assumir a presença de Deus na vida!
Temos dois olhos, um para contemplar Jesus que vai nascer e outro para contemplar Jesus nos irmãos que nos rodeiam e fazem parte da nossa vida em família, comunidade e no trabalho. Os que permanecem atentos a modo de ver, experimentam a alegria da vinda do Senhor. Com razão Jesus adverte os discípulos a enfrentar tudo com coragem e esperança na certeza de Sua vinda, mas que esse tempo seja de vigilância e participação na construção do Reino. O batismo nos faz partícipes da missão de Jesus, “ai de mim se não evangelizar”, levando a boa novos a todos sem discriminação, atentos e preparados, pois Deus quer nos visitar.
O texto acontece em Jerusalém antes da Paixão e Morte de Jesus, dias polêmicos e radicais com os líderes judaicos que precederam o chamado Discurso Escatológico de Jesus, linguagem apocalíptica e profética da história humana até a instauração do novo céu e nova terra e sua vinda gloriosa. Jesus sabe que a missão de seus discípulos é penosa e exige fidelidade, coragem e vigilância até o reencontro definitivo com Ele, por isso deseja orientá-los a enfrentar a história com determinação e esperança. O parâmetro à parábola do “dono da casa” que confia seus bens é uma referência a fidelidade à missão de fazer frutificar o tesouro do Reino, confiado a cada um.
Todo batizado é missionário e “porteiro”, portanto, vigilante ativo da missão delegada pelo Senhor e atendo a seu cumprimento, não um burocrata que fiscaliza, mas um comprometido com a construção do Reino na realização da missão. A mensagem do Senhor assegura que o objetivo final do fiel discípulo é o encontro definitivo com o Mestre.  Mesmo que tudo pareça ruir, o discípulo deve fixar seu olhar e ver a realidade do mundo novo renascer, na certeza da vinda do Senhor, brotada da infalível palavra de Jesus, o que alegra a caminhada de cada um. Portanto, a palavra mágica do advento é vigilância, que deve ressoar no coração de todos nós, abertos e irmanados, como filhos do mesmo Pai que ama e espera que cada um cuide do irmão que Deus lhe confiou.
Nossa libertação está próxima: “Vem, Senhor Jesus”.


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Considerações iniciais sobre o evangelho de Marcos.
O evangelho de Marcos é o menor dos quatro que existem no NT. Composto de poucos capítulos, este evangelho também é o mais antigo, e, por isso, possui uma linguagem mais primitiva, e, conseqüentemente, mais difícil de se entender; mas, por outro lado, desde o seu início mostra a sua finalidade: “Início do Evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus” (Mc. 1,1). Ou seja, a obra inteira quer responder à questão: quem é Jesus? Além disso, por ser o mais antigo e por ter servido de fonte para os outros evangelistas, é o que mais se aproxima da realidade com relação aos fatos e palavras pronunciadas por Jesus.
Há muitos relatos em Mc. em que se nota a preocupação de ir revelando Jesus pouco a pouco, o que se chama normalmente de “segredo messiânico”, já que faz com que o interlocutor vá descobrindo o Cristo gradativamente e de maneira correta. E, justamente por essa razão, o evangelho de Marcos continua muito atual no mundo globalizado de hoje, em que muitos admiram a figura de Jesus, mas cada um com sua visão, o que pode gerar confusão no conceito que nós, cristãos, devemos ter de sua Pessoa.
De fato, Jesus é visto como um homem muito bom segundo alguns historiadores, um revolucionário segundo outros, um espírito iluminado segundo a doutrina espírita, um profeta que virá no juízo final segundo o islamismo, uma divindade entre tantas outras segundo as religiões afro-brasileiras. Muitas visões são positivas, mas não constituem a pregada pelo cristianismo. Por isso, é de grande urgência a leitura da obra de Marcos para nós cristãos católicos: pois devemos saber que Jesus é o Filho de Deus, é o próprio Deus feito homem.
E o evangelho de Marcos faz isso de maneira ímpar: fala do homem concreto Jesus de Nazaré dentro da história da salvação, e, ao mesmo tempo, mostra que esse homem é o Cristo, o Filho de Deus. Apresenta este fato como boa notícia num sentido insuperável. Não há uma causa mais forte e mais sólida de alegria e felicidade porque não há um fundamento e uma garantia mais segura para a vida e o futuro de cada pessoa. A causa desta alegria é Deus, só Ele pode fundamentar a nossa felicidade de modo confiável e inquebrável.
Com estas considerações, saibamos que terminado mais um ano litúrgico, neste domingo, começamos um novo. Liturgicamente falando, estamos no ano B; deixamos Mateus e meditaremos a partir de agora, predominantemente o evangelho de Marcos.
É interessante notarmos como todos os anos celebramos por completo todo o mistério da salvação com os tempos litúrgicos. Portanto, ao final do ano, voltamos novamente para o início. No domingo passado, celebramos Cristo Rei do Universo e o julgamento final, estávamos falando do final dos tempos. Hoje, com o primeiro domingo do Advento, celebramos o início da nossa história de redimidos porque “advento” significa quer a vinda quer a espera, e, portanto estamos sempre na espera da vinda Daquele que vem (mesmo se já veio) e, incognitamente, sempre está presente. Mas, ao mesmo tempo, cronologicamente falando, sempre estamos caminhando para esse dia.
Podemos ver como o tempo deixa um sinal que não pode ser cancelado em nossa face, e que ninguém pode parar esse processo. Basta um espelho para entendermos quanto o tempo passa e ver os seus “sinais”... Ninguém, por mais poderoso que seja, nunca poderá fazer voltar o dia de ontem que passou.
A nossa caminhada de vida no tempo tem uma única direção: andar sempre e somente para o futuro. O passado não volta mais. Tudo acontece de passagem para o futuro. Caminhamos para o futuro. Caminhamos para o final. Tudo que tem início, terá também um fim: terra, sol, mar. A finitude é inscrita em cada realidade criada. Só Deus é incriado, portanto, infinito e eterno. E para nós que temos uma alma, o fim da vida não será um final, mas um entrar numa nova dimensão onde não existirá mais luto, nem pranto, porque as coisas dessa vida terrena já não existem mais. E faremos experiência de novos céus e nova terra porque “eu faço novas todas as coisas”. É a promessa solene de Jesus cujas palavras nunca passarão!
O fim do ano é tempo de fazer balanços. Quais questionamentos podemos fazer para entrar no Advento? Como vai a minha vida? Há algo que deve ser revisto? Qual meu objetivo principal? Sei dar grandes orientações ao meu existir ou vivo o dia recorrendo a objetivos só contingentes: trabalho, estudo, diversão, sem nunca levantar o olhar para as coisas do alto? Se a nossa vida é privada de grandes horizontes, peçamos a graça de saber orientá-la para um final eterno.
A escatologia (do grego eschatos = realidades últimas) nos convida a olhar para o nosso destino futuro que será eterno e a sermos vigilantes para nos encontrar preparados para acolher o Senhor quando vier. “Vigiai, portanto, (…) a fim de que não aconteça que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo. O que vos digo, digo a todos: vigiai!” Lembremos que tudo passa, só Deus não passa. Quantas vezes Deus veio nos visitar com a sua graça e nós soubemos reconhecê-lo?
De fato, no seu último discurso, Jesus direciona o olhar dos seus discípulos para o futuro, mostrando de um modo geral, o que lhes aguarda. Ao final, diz: “Cuidado, ficai atentos” (13,33). Jesus repete por quatro vezes esta exortação no discurso escatológico (13,5.9.23.33). Seus discípulos necessitam de muita atenção e de inteligência aguda e crítica para não se deixarem enganar pelos falsos profetas (13,5-6.21-23), mas permanecer fiéis e firmes a Jesus e a sua palavra. Especificamente quando se trata do futuro, os falsos profetas com suas previsões e seus cálculos são particularmente articulados e por isso, são muito bem acolhidos. Mas nós devemos acreditar somente em Jesus. Ele afirma que o Filho do homem virá realmente (13,26), mas que só o Pai sabe o momento (13,32), e isso deve nos satisfazer. Mesmo quando a ansiedade ou a curiosidade nos atormentarem, não podemos saber nada além desta afirmação de Jesus. Devemos confiar na sua palavra que, por sua vez, nos dará segurança e conforto.
Outra exortação importante: “vigiai!”, Jesus a repete por quatro vezes no trecho evangélico deste I domingo do Advento. Interessante notar que na quarta vez, ele se dirige não só a seus discípulos, mas a todos: “vigiai” (13,37). Não se trata do fato que os discípulos, e todos os outros não possam dormir, mas se refere ao vínculo vivo que devemos manter com Nosso Senhor (através da oração: “vigiai e orai”) a ponto de nunca o esquecermos. Que nós o reconheçamos pela sua criação e pela sua palavra; que orientemos sempre a nossa vida de acordo com a sua palavra e o seu exemplo; que com alegria e fé nos aproximemos ao encontro com ele e à comunhão com ele. Se vivermos assim, o Senhor poderá vir em qualquer momento, e nos achará prontos para Ele.
padre Carlos Henrique de Jesus Nascimento

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