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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Talentos

33º DOMINGO TEMPO COMUM

Sejamos servos bons e fiéis!


16 de Novembro de 2014

Evangelho - Mt 25,14-30


-OS NOSSOS TALENTOS-José Salviano





A justiça de Deus não é como a nossa, e pode nos surpreender. Pois os últimos poderão ser os primeiros... Leia mais...





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DEUS CONFIA A NÓS A ADMINISTRAÇÃO DOS SEUS BENS! – Olívia Coutinho

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM
16 de Novembro de 2014
Evangelho de Mt 25,14-30

O comodismo paralisa-nos,  leva-nos  a passividade e consequentemente nos distancia de Deus! 
Quantos de nós, passamos pela vida escondidos no nosso  mundinho particular, não desenvolvendo os nossos talentos, ora, por comodismo, ora,  por medo de nos expor, de sermos criticados, o que não deixa de ser uma espécie de vaidade! 
Enquanto que a  vida de quem  se propõe a seguir Jesus, é regada o tempo de estímulo,  pois quem tem Jesus como Mestre,  tem gosto pela  vida!
A expansão do reino de Deus  aqui na terra, depende da nossa disposição  em colocar as nossas capacidades  e habilidades em prol  de um mundo melhor, afinal, somos nós, os contratados para a obra do Senhor, no Batismo assinamos este contrato 
A obra do Senhor é gigantesca, há trabalho para todos, ninguém pode dizer que não tem algo a oferecer nesta “empreitada”, pois o Senhor capacita a todos de acordo com a suas aptidões, cabendo  a cada   nós,  descobrir em que setor nos encaixamos nesta obra que nunca terá fim, pois o Reino de Deus,  é construção permanente!
A eficiência  de um  operário, está em fazer a diferença, em não ficar somente na sua obrigação, pois quem está ajustado no Senhor da Messe, pode fazer muito mais!
O  evangelho  que a  liturgia deste domingo nos apresenta,  faz-nos perceber através de uma parábola,  o  quão é grande a nossa responsabilidade para com o que é de Deus!  Seus bens estão em nossas mãos, e Ele bem sabe do que cada um é capaz!
 Deus confia a nós, a administração de todos os seus bens, e para que possamos ser bons administradores, Ele nos concede   “talentos,” um indicativo de  capacidade e de habilidade que Deus concede  a cada um de nós, diferentemente, cabendo  a quem  recebe, desenvolvê-lo!
A parábola nos fala de um patrão  que antes de viajar para o estrangeiro, entrega os seus bens a  três de seus empregados. A cada um deles, foi dada a responsabilidade destes bens de acordo com as suas capacidades e quando voltou, pediu conta destes bens a cada um deles.  Os dois primeiros, por terem alcançado  êxito na administração dos bens confiados a eles, receberem  elogios  do Patrão.  Já o terceiro empregado, que por medo de  arriscar enterrou o talento que recebera, não o fazendo multiplicar,  foi duramente castigado pelo patrão.
Este empregado,  simboliza todos os que tem medo de arriscar, os que vivem na passividade, que não agem e nem reagem, aquele que não fazem nada de errado, mas também não praticam o bem!
Na  administração dos bens de Deus, muitas vezes, precisamos ousar,  arriscar!  É importante conscientizarmos de que nós não seremos cobrados pelo não êxito do que fizemos, e sim, pelo  que deixamos de fazer! De nada  adianta, termos as  mãos limpas para apresentarmos a Deus no juízo final, se com elas nada fizemos em favor do Reino!
O empregado citado na parábola,  escondeu o seu talento no chão, e muitos de nós, escondemos os nossos  talentos dentro de nós mesmos, negando a  nossa contribuição na  construção do reino!
A consciência de que um dia teremos que prestar contas  a Deus dos frutos que produzimos aqui na terra, não deve nos intimidar, pelo contrário, deve nos estimular a ir em frente, a ousar...

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Servir ao Senhor com fidelidade e confiança
Com a parábola dos talentos, Jesus quer revelar‑nos nossa real condição. Pode­ríamos pensar que somos livres e independentes e usar de nós mesmos e do que dispomos como bem entendermos, sem ter de prestar contas a ninguém. Mas o exemplo dos servos que recebem os talentos indica que somos criaturas de Deus. Nós mesmos, com tudo o que somos e temos, pertencemos a Ele. Teremos de prestar‑lhe contas de tudo, e disso dependerá o êxito de nossa vida.
0 que distingue os servos não é a quantidade de talentos (com efeito, os dons de Deus são variados e multiformes), mas sim a atitude individual. Os dois servos bons, recebidos os talentos, põem logo mãos à obra, fazendo‑os render o dobro, e prestam contas a seu senhor com prontidão, o qual os reconhece como servos bons e fiéis. Um servo bom e fiel aceita de bom grado sua posição e coloca‑se plenamente a serviço do seu senhor. Não segue as próprias idéias e os próprios humores. Não se distancia de seu senhor, mas identifica‑se com seus objetivos e seus interesses. Um servo fiel tem consciência do tesouro que lhe foi confiado e cuida dele com esmero. Após terem superado a prova, aos dois servos bons são confiados bens maiores. 0 senhor os chama a participar da felicidade plena: "Entra na alegria do teu senhor" (Mt. 25,21.23). Freqüentemente no Evangelho se fala de "entrar no reino dos céus (Mt. 5,20; 7,21;18,3), "de entrar na vida" (Mt. 18,8‑9;19,6) e aqui se fala de "entrar na alegria".
Para os que foram admitidos a tomar parte do Reino dos Céus, isto significa plenitude de vida e felicidade sem fim. 0 senhor não afasta seus servos bons, mas os acolhe no seu âmbito de vida, na sua plena felicidade. Não podemos atingir esse fim, que é a realização plena da nossa vida somente com as forças, nem por meio de um caminho escolhido por nós mesmos, mas somente a partir do serviço ao Senhor. Ambos os servos bons recebem a mesma recompensa, que não é determinada pela medida do desempenho, mas sim pelo empenho e fidelidade. 0 servo mau, já de início, revela um relacionamento desfocado com o seu senhor. Sente sua dependência de maneira pesada, negativa, opressora. Fica indignado com ele como se fosse um explorador que vive do trabalho de outrem.
Por isso, não se lhe submete nem age de acordo com a vontade dele, Não desperdiça o que lhe foi confiado e não o usa para si mesmo. Deixa‑o intocável e o restitui tal como recebeu. O senhor o chama de servo mau, preguiçoso e inútil, alguém que fracassou completamente na sua missão. 
Por isso, não o admite à sua íntima comunhão de vida, mas manda que seja lançado fora nas trevas exteriores, onde não há alegria, mas choro por causa do sofrimento e ranger de dentes, por causa da raiva pela ruína que cada um atraiu para si mesmo (Mt. 8,12). 0 momento do confronto com o senhor só faz aparecer o abismo de separação que o próprio servo foi cavando. A exclusão da comunhão com Deus, significa trevas e escuridão, terror e desespero irremediáveis.
É somente colocando‑nos a serviço do Senhor, usando tudo o que nos deu e confiou de acordo com sua vontade, que podemos alcançar a nossa realização. Não podemos desperdiçar displicentemente nossa vida e nosso tempo, nossas possibilidades e capacidades. Deus nos pedirá conta de tudo. É na confiança, porém, que haveremos de servir a Deus, não no medo.
frei Aloísio Antônio de Oliveira OFV Conv


A parábola dos talentos é, sem dúvida, o texto capital entre os três de hoje. Um comentário pastoral a esta leitura poderá ir pela senda usual com este texto. Mateus acaba de falar da vinda futura do Filho do homem para o inicio e para a continuação nos diz quais as atitudes adequadas ante essa vinda, a saber, a vigilância (parábola das dez virgens) e o compromisso da caridade (parábolas dos talentos e do juízo das nações).
A parábola dos talentos é, nesse contexto interpretativo, um elogio ao compromisso, à efetividade, ao trabalho, ao rendimento. Poderá ser aplicada frutuosamente ao trabalho, à profissão, às realidades terrestres, ao compromisso dos leigos...
Contudo, o contexto da hora histórica que vivemos é tal que esta mensagem, em si mesmo boa e até ingênua, pode-se tornar funcional em relação à ideologia atualmente dominante, o neoliberalismo. Este, com efeito, prega, como seus valores, a eficácia, a competitividade, a criação de riqueza, o aumento da produtividade, o crescimento econômico, os altos rendimentos de juros bancários, a inversão em valores, etc. São nomes modernos bem adequados aos apresentados na parábola, ainda que se utilizados na homilia, não poucos ouvintes pensarão que o orador sagrado tenha saído de sua competência...
Por uma causalidade do destino, esta parábola se tornou atual e os teólogos neoconservadores (também existe os "neocons" em teologia) a valorizam altamente. Algumas de suas frases, sem necessidade sequer de interpretações rebuscadas, confirmam diretamente os princípios neoliberais. Pensemos, por exemplo, no enigmático versículo de Mt. 25, 29: "Ao que produz lhe será dado e terá em abundancia, porém ao que não produz, se lhe tirará até mesmo o que pensa ter". Não é fácil fazer uma pregação aplicada que não faça o jogo do sistema, o que, para muitos cristãos de hoje, está nos antípodas dos primeiros cristãos.
A eficácia, a produtividade, a eficiência... não são más em principio. Diríamos que não são valores em si mesmos, mas "quantificações" que podem ser aplicadas a outros valores. Pode-se ser eficiente em muitas coisas muito diferentes (umas boas e outras más) e com intenções muito diversas (más e boas também).
A eficácia em si mesma, abstraída de sua aplicação e de sua intenção... não existe, ou não nos interessa. O juízo que fazemos sobre a eficácia dependerá, pois, da matéria à qual apliquemos essa eficiência assim como do objetivo ao qual se oriente.
Cabe então imaginar uma "eficiência" (agrupando neste símbolo vários outros valores semelhantes) cristã. O próprio evangelho a apresenta em outros lugares, em sua célebre inclinação para a práxis: Nem todo o que diz Senhor, Senhor, mas o que faz..., a parábola dos dois irmãos, bem-aventurados os que escutam a palavra e a põem em prática... e mais paradigmaticamente, o mesmo texto que continua o de hoje, que vamos meditar no próximo domingo, Mateus 25, 32ss, onde o critério do juízo escatológico será precisamente o que tenhamos "feito" efetivamente aos pobres...
A eficiência aceita e até favorecida pelo evangelho é a eficiência "pelo Reino", a que é colocada a serviço da causa da solidariedade e do amor. Não é a eficiência do que consegue aumentar a rentabilidade (reduzindo trabalhadores pela adoção de novas tecnologias), ou a daquele que consegue conquistar mercados (reduzindo a capacidade de auto-subsistência dos países) de capital "andorinha"...
A eficiência pela eficiência não é um valor cristão, nem sequer humano. Talvez seja certo que o capitalismo, sobretudo em sua expressão selvagem atual, seja "o sistema econômico que mais riqueza cria"; porém, o certo é também que o faz aumentando simultaneamente o abismo que existe entre pobres e ricos, a concentração da riqueza, às custas da expulsão do mercado de massas crescentes de excluídos. O critério supremo para nós, não é uma eficiência econômica, que produz riqueza e distorce a sociedade e a torna mais desequilibrada e injusta. Não só de pão vive o ser humano.
De acordo com a doutrina cristã, não podemos aceitar um sistema que presta culto ao crescimento da riqueza, sacrifica (idolatricamente) a justiça, a fraternidade e a participação das massas humanas. Colocar a eficiência acima de tudo isto, é uma idolatria, a idolatria do culto ao dinheiro, verdadeiro deus neoliberal. Sobre a "idolatria do mercado" e o caráter sacrificial da ideologia neoliberal, muita coisa já foi escrita.
Não queremos ser eficientes, competentes (mais que competitivos), ou que não sejamos partidários da "qualidade total", ao contrário .... Somos partidários da maior eficácia no serviço ao reino, assim como da competitividade e da qualidade total no serviço ao Evangelho. (In ordinis non ordinarius, dizia um velho adágio da ascética clássica, querendo levar a qualidade total aos menores detalhes da vida ordinária ou oculta).
Pode-se reconhecer que com freqüência os mais "religiosos" foram omissos às implicações econômicas da vida real, pregando com facilidade uma generosa distribuição onde não se consegue uma produção suficiente, esperando tudo da esmola ou dos piedosos mecenas.
Também em um campo da economia teórica - sobretudo nesta hora - precisamos do compromisso dos cristãos. Se Jesus se lamentou de que os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz, isso significa que a "astucia" (outro tipo de eficácia) não é má; o mau seria colocá-la a serviço das trevas e não da luz.


Já estamos chegando ao final do ano litúrgico A. No próximo domingo estaremos celebrando a festa de Cristo Rei e com essa festa, acontece o encerramento deste ano litúrgico. Depois da festa de Cristo Rei, vem o primeiro domingo do Advento, quando então, iniciamos um novo ano litúrgico, o ano B.
No evangelho de hoje Jesus nos conta a parábola dos talentos. Esta parábola provoca ou pelo menos deveria provocar em nós uma profunda reflexão sobre a nossa missão e vivência cristã.
Jesus sempre procurou ensinar através de parábolas. Sabia que através de exemplos do dia-a-dia, ele seria mais bem entendido pelo povo. Jesus sempre foi talentoso na forma de ensinar. As parábolas são claros exemplos de seu talento didático.
Percebeu que dissemos que Jesus tem muito talento para ensinar e, o chamamos de talentoso? Verificando no dicionário, talento é uma antiga e valiosa moeda grega e romana. Talento também é um dom natural ou habilidade adquirida. Talento virou sinônimo de dom.
É dessa maneira que devemos entender o talento da parábola, como um dom. Um dom que recebemos de Deus e que devemos preservar, fazer crescer, multiplicar. Os talentos, os bens do Senhor, não podem ficar escondidos, enterrados, sem render o esperado.
Nascemos para produzir frutos, fomos criados para assumir a missão. Missão na família, na sociedade e na comunidade. Missão de evangelizar, de levar aos povos a Boa Nova da presença de Deus em nosso meio.
O empregado da parábola não perdeu nem multiplicou o seu talento. Na verdade, ele só não fez uso de seu dom. Ele cavou o chão, guardou-o muito bem guardado e deixou-o intacto. "Tive medo de arriscar, poderia perder tudo, aqui tens o que te pertence". Covardemente disse isso e devolveu o talento, sem uso.
Quantas e quantas vezes fazemos o mesmo. Os compromissos sociais, a televisão, as novelas, o comodismo, o medo de assumir, não nos deixam arriscar. Vem um desejo enorme de cavar o chão e enterrar os nossos dons e talentos.
Vem a vontade de enterrar tudo que quebra a rotina e que exige mudança de comportamento. Vontade de fugir de tudo que nos amarra aos compromissos. Como já dissemos, esta parábola deve servir de alerta e fazer-nos refletir.
É bom lembrar que virá a cobrança e, quem não multiplicou seus talentos será excluído e abandonado nas trevas. Em compensação, o muito será confiado para aquele que soube administrar o pouco. O talentoso será premiado.
Ainda é tempo, vamos enterrar o comodismo e a covardia. Vamos assumir a vocação cristã e o compromisso batismal. Vamos administrar o muito; esse muito que Deus nos deu e que, certamente, qualquer dia destes, virá pedir para prestarmos contas.
Jorge Lorente


Medo do risco
A parábola dos talentos é muito conhecida entre os cristãos. Segundo o relato, antes de viajar, um senhor confiou a gestão de seus bens a três empregados. A um deixa cinco talentos, a outro dois, e a um terceiro, um talento: “a cada um de acordo com a sua capacidade”. De todos espera uma resposta digna.
Os dois primeiros se põem “imediatamente” a negociar com seus talentos. Vê-se-lhes trabalhar com decisão, identificados com o projeto de seu senhor. Não temem correr riscos. Quando chega o senhor, lhe entregam os frutos com orgulho: conseguiram duplicar os talentos recebidos.
A reação do terceiro empregado é estranha. A única coisa que se lhe ocorre é “esconder debaixo da terra” o talento recebido para conservá-lo seguro. Quando o senhor volta, se justifica com estas palavras: “Senhor, eu sabia que és exigente e colhes onde não semeaste... Por isso, tive medo e fui esconder o teu talento debaixo da terra. Aqui tens o que é teu”. O senhor lhe condena como empregado “negligente”.
Na realidade, a raiz de seu comportamento é mais profunda. Este empregado tem uma imagem falsa do senhor. Imagina-o egoísta, injusto e arbitrário. É exigente e não admite erros. Não pode ser confiável. O melhor é defender-se dele.
Esta idéia mesquinha de seu senhor o paralisa. Não se atreve a correr risco algum. O medo lhe bloqueia. Não é livre para responder de maneira criativa à responsabilidade que se lhe foi confiada. O mais seguro é “conservar” o talento. Isso basta.
Provavelmente, os cristãos das primeiras gerações captavam melhor que nós a força interpeladora dessa parábola. Jesus deixou em nossas mãos o Projeto do Pai de fazer um mundo mais justo e humano. Deixou-nos como herança o mandamento do amor. Confiou-nos a grande Notícia de um Deus amigo do ser humano. Como nós hoje, seguidores de Jesus, estamos respondendo a isso?
Quando não se vive a fé cristã a partir da confiança, mas sim do medo, tudo se desvirtua. A fé se conserva, porém não contagia. A religião se converte em dever. O Evangelho é substituído pela observância. A celebração é dominada pela preocupação ritual.
Seria um erro nos apresentarmos, um dia, diante do Senhor com a atitude do terceiro empregado: “Aqui tens o que é teu. Aqui está teu Evangelho, aqui está o projeto de teu reino e tua mensagem de amor a todos que sofrem. Conservamos tudo fielmente. Pregamos corretamente. Não serviu muito para transformar nossa vida. Tampouco para abrir caminhos de justiça em vista de teu reino. Porém, aqui o tens intacto”.
Desperta na Igreja a confiança.
José Antonio Pagola


Com este 33° domingo do tempo comum, estamos chegando perto de mais um fim do ano litúrgico. Como sabemos, o ano da Igreja não segue o calendário civil, mas possui uma dinâmica própria que nos remete sempre à primazia não do homem e das suas coisas, mas de Deus e de suas intervenções na história. Nós, cristãos, vivemos um “tempo fora do tempo”, um lugar para o qual a santa liturgia nos leva e que chamamos “tempo da graça”; a vida do cristão não pode ser um suceder de horas e dias, mas uma vivência de sua fé, madura e autêntica. Quantos de nós não deixamos a vida passar sem nos preocupar com aquilo que apresentaremos a Deus? Podemos até estar na Igreja e participar de várias coisas nela, mas ainda impedir que esta Igreja e o Senhor dela, Jesus Cristo, entre em nossos corações. Neste quase final do ano litúrgico, devemos pensar em como aproveitamos as graças e as oportunidades de conversão que o Senhor nos concedeu ao longo das diversas celebrações. Hoje, de maneira particular, o Senhor nos chama a refletir sobre isso em sua “parábola dos talentos”.
A palavra “talento” chegou a nós como sinônimo de “qualidade humana”, “dom pessoal”, “jeito para tal coisa”. Para o Evangelho, no entanto, talento é uma unidade monetária, uma quantia em ouro ou prata. Assim, na parábola que ouvimos, estes “dons” não são dos empregados, mas do patrão; a alusão de Jesus é óbvia: os dons são de Deus e não das criaturas! Não somos donos de nada! Nem nossa vida nos pertence, nem mesmo o último alfinete que tivermos em casa é nosso, tudo é de Deus. Aqueles que vivem nesta dinâmica não perdem a paz na vida, não se preocupam de maneira intemperante com o futuro, são pessoas generosas, bondosas e não estressadas. Aqueles, ao contrário, que vivem presos ao que tem, preocupados em perder e que não se põem a trabalhar para multiplicar o que receberam de Deus, esses vivem mal, sempre cheios de preocupações, avarentos, nunca disponíveis e sempre irritados...
Devemos criar a consciência de que nada somos e nada temos; tudo vem de Deus e, se não for Ele nada teremos em nossas mãos. No entanto, ao receber os talentos que são de Deus, temos que fazer como os dois primeiros homens do Evangelho que “saíram logo, trabalharam com os talentos e lucraram o dobro”. Deus, em seu amor e bondade, concede a nós administrarmos coisas, pessoas e circunstâncias em Seu Nome. O Senhor é provedor de tudo, mas deixa aos seus filhos – nós – a responsabilidade de gerir, administrar, cuidar de tudo aquilo que foi posto em nossas mãos. Assim, o talento pode ser entendido também como a missão que Deus nos dá, aquilo que não pode ser delegado, mas cumprido fielmente por cada pessoa; visto assim, o talento é para a edificação do Reino de Deus e aquele que não se põe a trabalhar para a construção desse Reino, furta-se de deixar sua contribuição, sua parte, um pouco de sua vida e é chamado por Jesus, sem rodeios, de “servo mau e preguiçoso”.
Não sabemos quando o Senhor voltará; o próprio Apóstolo São Paulo escreveu acerca disso aos tessalonicenses. Para ele, o importante não é saber dia exato, mas que todos vivam em estado de vigilância esperando seu Senhor chegar. E como nos prepararemos? O que fazer para que o Senhor nos encontre dispostos para o Reino? Aqui não há surpresas: fazendo o bem! Fazendo o bem como aquela mulher solícita do livro dos Provérbios; fazendo o bem como os primeiros empregados do Evangelho. E em que consiste tal bem? Consiste em usar e valorizar os dons que Deus nos deu. Para Jesus não há meio termo: ou utilizamos e desenvolvemos o que recebemos como dádiva ou nos mantemos na inércia, na paralisia que não nos faz crescer como pessoas e como cristãos. Ou seremos “servos bons e fiéis” ou seremos “servos maus e preguiçosos”. Por mais que a nossa natureza humana queira sempre tender para a segunda opção, para o Reino de Jesus, só é válida a primeira.
Chegando a quase o fim de mais um ano litúrgico, examinemos a nós; vejamos como nos utilizamos dos talentos que Deus nos deu ao longo desse ano; perguntemo-nos pela nossa prática sacramental – como recebemos tais dons. Diante de Deus, com sinceridade e razão, devemos nos indagar sobre como temos vivido e atuado neste mundo como testemunhas da Palavra da verdade. Que sejamos tidos por “servos bons e fiéis”, para que um dia, nosso último dia, nosso “patrão celeste” possa nos dizer: “Como foste fiel na administração de tão pouco, Eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!”


“Muito bem, empregado bom e fiel”
O Evangelho de hoje situa-se no quinto e último grande discurso do Evangelho de Mateus - o Discurso Escatológico, ou aquele que trata do fim último das coisas. O tema básico do discurso é a vigilância, ilustrada pela leitura dos sinais dos tempos (24,1-44), a parábola do empregado responsável (24,45-51), a das virgens prudentes e imprudentes (25,1-13), e que vai terminar no próximo domingo, Festa de Cristo Rei, com o texto sobre o Juízo Final (25, 31-46).
O texto de hoje versa sobre os empregados e os talentos - no tempo de Jesus um talento era uma soma considerável de dinheiro, e hoje, no contexto da parábola, pode ser interpretado em termos de dons recebidos de Deus. O trecho demonstra que o importante é arriscar-se e lançar-se à ação em prol do crescimento do Reino de Deus, para que os dons que recebemos de Deus possam crescer e se frutificar (de forma alguma se deve interpretar o texto ao pé-da-letra, como se ela tratasse de investimentos e lucros financeiros, pois ele é uma parábola, que é uma comparação que usa imagens e símbolos conhecidos).
Jesus confiou à comunidade cristã a revelação dos segredos do Reino e a revelação de Deus como o “Abbá”, ou querido Pai. Esse dom é um privilégio, mas também um desafio e uma responsabilidade. Nem a comunidade cristã, nem o cristão individual podem guardar para si essa riqueza. Embora carreguemos “esse tesouro em vasos de barro” (2Cor. 4, 7), como disse São Paulo, temos que partir para a missão, para que o maior número possível chegue a essa experiência de Deus e do Reino. Não é suficiente que estejamos preparados para o encontro com o Senhor (mensagem do texto anterior a este, o das virgens) - o outro lado da medalha é a atividade missionária, que faz com que o Reino de Deus cresça, mediante o testemunho da nossa prática da justiça!
www.santuarioeucaristico.com.br


Dons que devem dar frutos
A parábola dos talentos é de propósito provocadora, apresentando uma imagem mitigada de Deus. Mas, não esqueçamos qual é o seu objetivo: levar cada um à conversão, ou seja, a uma mudança de vida, não se deixando dominar pela omissão e preguiça.
O questionamento pode ser assim resumido: como empregamos com proveito o tempo que nos é concedido enquanto esperamos o retorno do Cristo na glória? Nossa vida é vazia, "sem objetivo" (1Pd. 1,18) ou, ao contrário, rica daquela fecundidade, cujas raízes estão em Deus e em nossos corações?
Para responder a estas questões, tomemos a medida dos talentos recebidos examinando-os à luz da Escritura. O que nos diz esta parábola, senão o dom de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus (Gn. 1), o dom de sermos em Cristo filhos de Deus pelo batismo, nossa segunda criação ( Jo. 1,1-14)? Dons que nos tornam "capazes de Deus" ou seja, aptos para participar de sua vida, unidos a ele na oração, testemunhas de seu amor. E há outros talentos concedidos a nós individualmente, tais como nossa inteligência, intuição, criatividade...
Observemos que compete a cada um dar uma resposta pessoal, sem querer fazer comparação com os outros. Deus não exige daquele que recebeu cinco talentos lucrar quantitativamente tanto quanto lucrou o que recebeu dez...ele quer que fiquemos na faixa da lógica da vida, que supõe confiança no empregador e recusa de se deixar dominar pelo medo, que, na realidade, é desculpa para encobrir a preguiça. ("Sei que és um homem severo., fiquei com medo e escondi o teu talento no chão ")
Se cada um é julgado por aquilo que construiu (1Cor. 3,12) ou frutificou, lembremos que o amor é a medida de tudo. Sem ele, com efeito, as mais belas realizações não passam de "bronze que soa " (1Cor. 13,1)
E o que não podemos esquecer é que o desafio é entrar na alegria de nosso Senhor e Mestre: "entra na alegria do teu senhor!"
Tradução "Prions en Église”


Fazer render os dons de Deus
O ano litúrgico caminha rapidamente para o fim. Dentro de quinze dias estaremos entrando de novo no Advento.. E a liturgia deste domingo nos faz refletir sobre uma simpática parábola que faz pensar nas contas que iremos prestar a Deus que nos confiou tantos dons preciosos. É a parábola dos “talentos”, que na antiga cultura grega e romana era o nome de um peso e de uma moeda de altíssimo valor. Esse nome hoje significa um valor moral que se encontra numa pessoa. O uso do Evangelho deve ter influído  nessa transposição de significado.
A parábola está aí na limpidez de sua apresentação. Um homem, devendo ausentar-se para uma viagem, distribuiu dinheiro a três servos, para que tomassem conta dele e o fizessem frutificar. Quantias todas muito grandes, fazendo já alusão à generosidade de Deus nos seus dons. O servo que recebera cinco talentos negociou também e lucrou mais cinco. O que recebera dois, negociou também e lucrou outros dois. O terceiro, porém, sem coragem e omisso, escondeu debaixo da terra o talento recebido, para devolvê-lo na volta ao patrão. Na volta do patrão, os dois primeiros lhe entregaram o lucro conseguido, e foram elogiados pelo patrão , os dois primeiros lhe entregaram o lucro conseguido, e foram elogiados pelo patrão, que lhes confiou quantias maiores e os convidou a “entrar para a alegria do seu Senhor”. Ao terceiro, que entregou envergonhado o talento que guardara escondido, de medo das exigências do patrão, a acolhida deste foi dura: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei!” (O servo havia alegado isso). E continuou dizendo que o servo deveria ter posto seu dinheiro no banco para render juros. E mandou que lhe irassem o talento e o entregassem ao que tinha dez; pois quem tem, recebe mais ainda; e a ele, o lançassem nas trevas, onde haveria choro e ranger de dentes (cfr. Mt. 25,14-30).
Ninguém deve estranhar que Jesus se sirva de um tema comercial, e até de um tema comercial, e até de sabor do mundo capitalista, onde o assunto é ganhar, cobrar juros, lucrar, juntar dinheiro. Jesus não está com isso querendo inculcar o interesse pelo mundo do dinheiro. Sua filosofia é bem outra! Trata-se de uma parábola. E  na parábola é preciso olhar aquilo que, em linguagem de escola, chamamos de “tertium comparationis”; isto é, o terceiro elemento entre dois termos da comparação: Entre os negócios materiais e os bens espirituais que Deus nos dá, o que Jesus nos quer apontar é a diligência do negociante. Assim seremos recompensados por Deus.
A grande lição é que devemos fazer render em nossa vida os dons que Deus nos deu e dos quais havemos de prestar contas em nosso encontro final com o Senhor. A todos Ele deu seus dons: saúde, inteligência, habilidade para o trabalho. A alguns deu até dons especiais de criatividade, de comunicação, de visão dos caminhos do futuro. Muitos podem até dizer um pouco como a Virgem Maria: “O Onipotente fez em mim grandes coisas”.
O bem do mundo e da sociedade depende de todos nós. Ninguém deve ser uma peça negativa. Ninguém cometa o pecado de omissão. Ele é mais freqüente do que se pensa! Todos têm que se empenhar em ser construtores de um mundo melhor. Feliz de quem “fizer o bem e não o mal em todos os dias de sua vida” (Pv. 31,12). E puder dizer na sinceridade da humildade: o mundo está melhor, porque nele estou eu com os dons que Deus me deu. Esse ouvirá de Deus a grande palavra final: “Entra para a alegria do teu Senhor”.
padre Lucas de Paula Almeida, CM


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