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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 6 de dezembro de 2014

chronos e kairos

2º DOMINGO ADVENTO


7 de Dezembro de 2014
ANO  B

Comentários-Prof.Fernando

 

Evangelho - Mc 1,1-8


-ADVENTO E O TEMPO KAIROLÓGICO-José Salviano


       João Batista foi o último dos profetas que teve uma missão especial diferente da dos outros profetas. Ele tinha como projeto, preparar a vinda do Senhor Jesus. -LEIA MAIS


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EIS QUE ENVIO MEU MENSAGEIRO À TUA FRENTE, PARA PREPARAR O TEU CAMINHO – Olívia Coutinho.

II DOMINGO DO ADVENTO

Dia 07 de Dezembro de 2014

Evangelho de Mc 1,1-8

Neste segundo domingo do Advento, a liturgia nos convida  a intensificar o espírito da alegria de quem espera pela vinda  do Senhor!
O advento é um tempo reflexivo, que nos desperta para  a  importância de fazermos  uma revisão de vida,  uma espécie de balanço, afim de que possamos  retirar o que não agrada a Deus em nós, e aprimorar o que há de bom!
Precisamos  tomar consciência da importância de estarmos  sempre vigilantes, num processo contínuo de conversão, pois sem um retorno de todo o nosso ser  a Jesus, não tem como vivenciar  as alegrias do Santo Natal!
A nossa preparação para o Natal, não deve limitar-se na preparação da festa de confraternização entre amigos, familiares, isso tudo deve acontecer, desde  que Jesus não fique de fora, afinal, Ele é a razão desta festa!
Por maior que seja a nossa ingratidão, Deus não desiste do humano e   é através do próprio  humano, que ele age em favor do  humano.  Podemos perceber isso claramente  no evangelho de hoje, quando Deus  envia um  mensageiro, tirado do meio do povo, para preparar o encontro do humano com  o Divino!
O texto nos apresenta João Batista, o profeta que  veio realimentar a esperança dos sofredores, daqueles que já  haviam perdido a esperança no humano!
João Batista teve uma significante participação na história da Salvação, Ele é uma das figuras mais relevantes desta história, pois foi ele quem abriu o caminho para a entrada de Jesus no meio de nós! Ele preparou o povo para acolher a manifestação de Deus  na pessoa de Jesus!
João Batista foi um dos  protagonistas  da  história de amor que nunca terá fim! Suas palavras continuam  ecoando  em todos os confins da terra, de geração em geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”...
Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista,  foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitou de seu prestígio junto ao povo para se alto promover, reconheceu a sua pequenez  diante a grandiosidade de Jesus, bem antes do seu encontro com Ele, nas águas do rio Jordão,  quando Jesus é apresentado pelo Pai : “Este é o meu Filho amado que muito me agrada” Mt 3,17
João Batista, o profeta que aplainou o caminho do Senhor com a sua pregação e o testemunho de vida, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus! Ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário,  buscou algo novo, fazendo-se  anunciador de um tempo novo!
Imitemos o grande profeta João Batista, sendo a voz que grita no deserto contra todos  os  que insiste em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores.
Neste advento, façamos como João Batista, abramos caminho para a entrada de Jesus no coração daquele que ainda não experimentou a alegria de viver o verdadeiro sentido do Natal!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Evangelhos Dominicais Comentados

07/dezembro/2014– 2o Domingo do Advento

Evangelho: (Mc 1, 1-8)


Já estamos no segundo Domingo do Advento e o evangelho de hoje nos apresenta o precursor de Jesus. Verificando no dicionário, precursor é sinônimo de mensageiro, é aquele que vai à frente, que vai adiante, que anuncia um acontecimento ou a chegada de alguém. Mas quem é esse precursor de Jesus?

João Batista é o precursor, é aquele que veio, como um profeta, para anunciar a chegada do Messias Salvador. João prega e batiza, convidando o povo à conversão. Assim o Batista prepara o povo para a vinda de Jesus. Ele veio para "preparar os caminhos do Senhor".

"Eu batizei vocês com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo" - diz João, dando testemunho de Jesus. O batismo na água prepara o batismo sacramental e exige mudança, exige conversão porque, o Salvador vem vindo e já está muito próxima sua chegada.

João Batista prega o batismo como elemento indispensável para o perdão dos pecados. A proposta de João é clara; manda viver a retidão, a conversão e a justiça. João falava de forma enérgica e suas palavras convertiam milhares de pessoas.  

Multidões procuravam o batismo, e a conversão acontecia, porém nem tanto pelas palavras duras de João, mas muito mais, por causa dos seus exemplos. João vivia tudo aquilo que pregava, sempre foi um exemplo de justiça e humildade.


João sabia da importância da sua missão como precursor do Messias, mas se mantém íntegro e fiel. O Batista dá mais este testemunho de humildade, dizendo: "Depois de mim, virá alguém mais forte do que eu. E eu não sou digno sequer de me abaixar para desamarrar suas sandálias".

A voz que grita no deserto continua ecoando até hoje, precisa ser ouvida. Pede que sejamos os precursores, os anunciadores da presença do Deus Vivo. Devemos ser os João's da atualidade! Nossos gritos têm que ultrapassar o deserto que nos cerca e atingir as grandes cidades. Multidões precisam da conversão para encontrar e reconhecer Jesus.

João nos deixou uma grande lição. Ensinou que não basta falar, é preciso viver o que se diz. O exemplo converte mais que as duras palavras. Convertidos nós encontraremos o Messias nas pequenas coisas do dia-a-dia. Veremos sua presença no lixão da periferia, nas filas dos postos de saúde, nos corredores dos hospitais, na alegria e nas dores daqueles que nos rodeiam.

Jesus está presente no próximo, no maltrapilho, no pai desempregado e naquela mãe com suas panelas vazias. Ele pode ser encontrado no órfão abandonado. Jesus nos aparece a cada instante, mas nunca poderemos vê-lo, nem reconhecê-lo sem conversão. A conversão é o "colírio" que abre os olhos e nos faz viver a Palavra.

Conversão significa entrega e abandono. Converter-se significa entregar-se a Deus e abandonar tudo aquilo que nos afasta de Jesus. Conversão é deixar de lado o egoísmo e a inveja. Conversão é fraternidade e partilha; é trilhar o caminho do amor e trocar a própria vida por verdade, justiça e paz.

(1907)


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O tempo do Advento coloca-nos diante da miséria da humanidade, da pobreza e aperto da Igreja, da nossa própria miséria. Pobre humanidade: por mais que se julgue auto-suficiente, é tão insuficiente, por mais que deseje ser seu próprio deus, não passa de pó que o vento leva. Pobre Igreja, tão santa pela santidade de Cristo, o Santo de Deus, mas tão envergonhada pelos pecados de seus filhos e até de seus pastores, que deveriam ser exemplo e orgulho do rebanho; tão difamada, tão vilipendiada, tão humilhada nos dias atuais. Pobres de nós, que vivemos uma vida tão cheia de percalços e angústias, de lutas e lágrimas, de desafios que, às vezes, pararem mais fortes que nós! Eis a humanidade! Como no passado, ainda hoje precisamos de um Salvador; como Israel que esperou, nós, Igreja de Cristo, suplicamos: Vem, Senhor! Manifesta o teu poder! Que passe logo este mundo de tanta ambigüidade e provação; que venha a plenitude do teu Reino, que venha o teu Dia, que venha logo a plenitude da tua graça! É este o horizonte para contemplarmos a Palavra de Deus deste II Domingo do Advento. No Missal romano, as palavras de entrada da Missa, tiradas do Profeta Isaías, já nos são de tanto consolo: “Povo de Sião – somos nós, meus irmãos, somos nós! – o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz!” (Is. 30,19.30). Sim! O Senhor vem! Aquele que nunca nos deixou e vem sempre nas pequenas coisas e ocasiões da vida, ele mesmo virá, um Dia, no fulgor da sua glória: ele, nossa justiça, ele, nosso esperança, ele, nosso Salvador!
Escutemos o Profeta, falando em nome de Deus! Escutemos as palavras que ele manda dizer à sua Igreja sofredora e humilhada, tentada pelo desânimo: “Consolai, consolai o meu povo! Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que a sua servidão acabou!” O Senhor vem, cheio de mansidão e misericórdia, de bondade e compaixão! No Natal nós veremos que Deus é amor, veremos do que ele é capaz por nós: capaz de fazer-se pequeno, capaz de fazer-se criança, capaz de fazer-se pobre entre os pobres do mundo! “Sobe a um alto monte, tu que trazes a boa-nova a Sião, levanta com força a tua voz; dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus! Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne com a força dos braços os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas que amamentam'”.
Caríssimos, não desanimemos, não temamos, não percamos o rumo da nossa vida, não esfriemos na nossa fé e na nossa esperança: tudo caminha para esse encontro com Aquele que vem! Deus não se esqueceu de nós, não virou as costas para o mundo, não abandonou a sua Igreja! Recobremos o ânimo, renovemos as nossas forças, colocando no nosso Deus a nossa esperança e a nossa certeza! Se olharmos para nós, quanto desânimo e incapacidade; se olharmos para o nosso Deus, quanta esperança e certeza de salvação!
Mas, a Vinda do Senhor, Vinda salvadora, será também uma Vinda de julgamento: na sua luz, bem e mal, santidade e pecado, retidão e maldade, fidelidade e infidelidade aparecerão. Na sua Vinda, tudo será queimado, purificado no fogo devorador do seu Espírito Santo, aquele que argüirá o mundo quanto à justiça, quanto ao julgamento e quanto ao pecado (cf. Jo. 16,8-11). A Palavra de Deus hoje nos adverte severa e insistentemente sobre isso: “Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória! O Dia do Senhor chegará como um ladrão, e então os elementos, devorados pelas chamas, se dissolverão, e a terra será consumida com tudo o que nela se fez. O que nós esperamos são novos céus e nova terra, onde habitará a justiça!” O Senhor, portanto, julgará tudo: na luz, do seu Espírito Santo, tudo será colocado às claras; no fogo do seu Espírito Santo, tudo será purificado, e aquilo que não foi de acordo com o seu Evangelho, com a sua Verdade, com a sua Cruz, será consumido no nada, no pó, no choro e ranger de dentes. Na luz e no fogo do Espírito de Cristo, tudo será passado a limpo: a  história da humanidade e a nossa história pessoal...
Por isso mesmo, a insistente exortação que a Palavra nos faz hoje à vigilância. São Pedro, na segunda leitura, recorda-nos que este tempo de nossa vida é tempo da paciência de Deus, tempo de aproveitar para trabalhar para a nossa conversão: “O Senhor está usando de paciência para convosco. Pois não deseja que alguém se perca. Ao contrário, quer que todos venham a converter-se!" Bispos e padres, convertei-vos! Mudai vossa vida, abri vosso coração! Não vos iludais, pensando que podeis vos acostumar com o Senhor: pregais a Palavra dele e sereis julgados pela Palavra que pregais! Religiosos e religiosas, convertei-vos ou morrereis eternamente no fogo que não acaba! Não podeis fingir, não podeis enganar o Senhor! Povo todo de Deus: jovens e adultos, idosos e crianças, solteiros e pais e mães de família, convertei-vos, mudai vosso procedimento! Vivei de acordo com o que sois: sois a Igreja santa, sois o povo santo de Deus, sois a herança de Cristo! Convertei-vos todos, pois o Senhor a todos examinará! Com a vossa vida e o vosso procedimento, preparai no deserto de vossa vida o caminho do Senhor. Nivelem-se todos os vales de nossas baixezas e pecados, rebaixem-se todos os montes e colinas do nosso orgulho, soberba e prepotência; endireite-se o que é torto no nosso pensamento e no nosso procedimento e alisem-se as asperezas de nosso modo de tratar os irmãos. Então, a glória do Senhor se manifestará na nossa vida e nós seremos luz para a humanidade em trevas! Irmãos, não somos da noite, não somos das trevas! Somos filhos da Luz de Cristo, somos filhos do Dia do Senhor!
A figura de João Batista, com toda a sua austeridade e com suas palavras de advertência são um sério convite a que revisemos nosso modo de viver. Hoje, caríssimos, o mundo é todo paganizado; nosso País está se tornando cada vez mais pagão. Mas, isso não é o mais triste. O mais triste, o que nos corta o coração, é ver os cristãos vivendo como os pagãos, pensando como os pagãos, falando como os pagãos, agindo como os pagãos, gostando das coisas que agradam aos pagãos! Nós, que vimos a Luz; nós, que temos a consolação de Cristo; nós que temos o seu Espírito; nós, que nos alimentamos com o pão da sua Palavra e do seu Corpo e Sangue! Não fugiremos à Ira, caríssimos! Não escaparemos do tremendo tribunal de Cristo! João Batista é claro: “Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo!” Não se brinca com Cristo: se João - austero, piedoso e coerente - não se sentia digno de desamarrar suas sandálias, que será de nós? Ele nos batizará, nos mergulhará no fogo do seu Espírito... e, então, ai do infiel, ai do que fez pouco caso da sua Palavra, das suas exigências, do seu amor, ai do cristão e nome e pagão de vida!
Caríssimos, o Senhor está próximo: convertamo-nos! Amém.
dom Henrique Soares da Costa


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A boa noticia que o evangelho de Marcos traz hoje é a pessoa e a ação de Jesus, chamado de Cristo, o Messias, o Filho de Deus. A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos.
Esse evangelho deixa claro que a missão de João Batista é preparar para o grande momento da chegada de Jesus, a chegada de novos tempos, convidando as pessoas para a conversão. Também demonstra a força do Espírito Santo que age na vida dos homens.
Depois de muitos profetas que anunciaram Jesus, aparece agora João Batista, o profeta do presente, ele anuncia o que já está acontecendo: Jesus está entre o povo.
João Batista é o último profeta e sua função no Evangelho é: ser mensageiro imediato de Jesus. É ele quem prepara e conduz a humanidade ao encontro d’Aquele que traz consigo a concretização da espera, ou seja, chama a atenção para a pessoa de Jesus como o Messias.
Ele fala ao povo usando as profecias de Isaías sobre o batismo que faz o homem voltar-se para Deus e ser perdoado.
João Batista diz que Jesus vem depois dele, e que Jesus é mais forte do que ele, por isso, ele não pode ser o Messias. Ele sabe que Jesus é quem brilha na glória do Pai e por isso faz questão de dizer que não é digno nem de desamarrar as sandálias do Senhor.
E completa falando sobre o batismo, pois, ele batizava com água, sinal que predispunha as pessoas à aceitação da novidade prestes a chegar na pessoa de Jesus, o sinal de conversão e compromisso. Jesus batiza com o Espírito Santo, pois só através da efusão do Espírito Santo é que acontece a vontade da conversão, a esperança de novos tempos de liberdade e o conhecimento da verdadeira justiça.
Para encontrar Jesus, e saborear a boa notícia que Ele traz, é preciso recomeçar sempre a partir do olhar para os mais pobres e marginalizados da sociedade, aprendendo com as suas esperanças e lutas.
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A conversão, início da boa-nova
Do 2° domingo do Advento em diante, a perspectiva escatológica de nossa existência é iluminada a partir de sua “fonte”, a primeira vinda de Cristo. Enquanto o 1° domingo fala da segunda vinda de Cristo e esboça uma visão escatológica do dia de hoje à luz da segunda vinda, os demais domingos do Advento recordam e contemplam o acontecimento da primeira vinda. Na primeira vinda do Cristo está arraigado o sentido definitivo de nosso existir: é o momento fundador. Jesus Cristo é o início e o fim da existência humana plena, o Alfa e o Ômega (Ap. 22,13).
A chegada deste momento fundador é a grande notícia da História, a boa-nova por excelência. O evangelho “querigmático” de Mc vê como início desta boa-nova o apelo à conversão, lançado por João (evangelho), realizando plenamente o que o “Segundo Isaías” prefigurou, quando, pelo fim do exílio babilônico (535 a.C.), conclamou o povo para preparar um caminho para Deus, que ia reconduzir os cativos. Era um apelo à conversão, pois deviam preparar a volta, “voltando” (= convertendo-se) para Deus, agora que este determinou o fim do castigo (Is. 40,2) (1ª leitura). Deus reconduz os cativos. Ele mesmo vai com eles. Como um imperador na entrada gloriosa (“parusia”), ele se faz preceder pelos frutos de sua conquista: o povo resgatado (40,10). Como um pastor, reúne suas ovelhas. E com que ternura! Leva os cordeirinhos nos braços e conduz devagarinho as ovelhas que amamentam (40,11).
Esta era a boa-nova que Jerusalém, qual mensageira, devia publicar para o mundo (40,9). Assim, também, a conversão pregada por João é o início da perfeita boa-nova da vinda definitiva de Deus e seu Reino, em Jesus Cristo. A conversão faz parte da boa-nova, pois é nossa participação na salvação que Deus nos destinou. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos correspondermos. A conversão apregoada por João é simbolizada pelo batismo nas águas do Jordão. Se, naquela região semidesértica, a água tem por si mesma um sentido de salvação, ela lembra também a efusão escatológica do Espírito, e ainda a travessia do Mar Vennelho (Ex. 14) e a travessia do Jordão quando da entrada na Terra Prometida (Js. 3). A alusão a Is 40,3 lembra também a volta do exílio, concebida como um novo êxodo. O batismo de João é um símbolo da salvação, e a confissão dos pecados, pelos habitantes de Judá (Mc 1,5), significa a participação nesta salvação. Pois como pode o coração alegrar-se com a vinda do esperado, se não expulsar o pecado que lhe pesa (cf. SI. 51/50,5)?
Por seu modo de vestir e alimentar-se, João evoca o deserto (1,6), pois é a partir daí que o povo deve atravessar o Jordão e penetrar na Terra da Promessa. Evoca também Elias (cf. Mc. 9,13; Mt. 17,13), que os judeus esperavam voltar como precursor do Messias (Ml. 3,1.23-24; cf. Mc. 1,2). Anuncia um “mais forte”, que virá depois dele, para “batizar com o Espírito Santo (dom escatológico: cf. Jl. 3,1-2; Ez. 36,27 etc.).
O batismo de conversão fazia parte da chegada do Reino. Nossa existência se situa entre a chegada e a plenificação do Reino. Por isso, a conversão é “pão nosso de cada dia”, nossa contínua participação no Reino que vem de Deus. É o que expressa, de modo um tanto ingênuo, a 2ª leitura de hoje. Os cristãos das primeiras gerações esperavam a segunda vinda de Cristo para breve. Entretanto, o atraso tornava-se sempre mais notável e o escárnio do mundo sempre mais agressivo. Diante da impaciência e, quem sabe, desespero e desistência, que isso gerava, Pedro responde: Deus tem tempo: ele quer que todos se convertam, para que todos possam participar. Mas, mesmo assim, ele não desiste de seu projeto, pois ele deseja que tudo esteja em harmonia consigo. Só que ele não quer expurgar os “elementos nocivos” da criação antes que todos tenham a oportunidade de se converter, isto é, de se tomar participantes. Mas ele realizará, sem que saibamos o dia e a hora, seu “novo céu e nova terra” (2Pd. 3,13), e então será bom estarmos de acordo com esta nova realidade (3,14).
Talvez possamos traduzir este pensamento, expresso na linguagem apocalíptica do século I, numa linguagem mais adequada para hoje, dizendo que Deus exercerá, por Cristo, seu absoluto senhorio da História, dando, porém, aos homens chances para participar desta “sua” História, pela adesão pessoal à sua vontade, no empenho em construir um mundo compatível com Deus. A História não é um absoluto, uma espécie de deus, mas um projeto do Deus de Jesus Cristo, projeto que não acontece fatalmente, mas com participação do ser humano. Convertendo-se cada dia de novo a Deus, o homem-filho de Deus realiza uma vocação inalienável. O homem não é um agente impessoal da História que se constrói, mas um filho de Deus que constrói a História de Deus. Essa construção é fazer chegar o Reino, “apressar o Dia”, por nossa participação, desde já. Não esquecendo, porém, que Deus tem a última palavra sobre a História e sobre nós que a fazemos.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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João preparava o povo através de um batismo de conversão.
1ª leitura – Is. 40,1-5.9-11
O livro do profeta Isaías é dividido em 3 partes (1-39; 40-55; 56-66). Estamos lendo, portanto, o 2o Isaías, o profeta da consolação, sua missão é consolar o povo exilado e assegurar-lhe a esperança de um breve retorno à “pátria amada”, Jerusalém. Deus quer consolar seu povo e quer que o profeta grite ao coração da cidade-esposa que o tempo da escravidão terminou. “O pagamento dobrado que os judeus receberam é uma referência ao exílio, à escravidão e a todos os sofrimentos que tiveram. Agora já podem voltar. Já é hora de preparar a estrada do Senhor pois ele mesmo caminhará à frente de seu povo. Hoje se exigiria um asfalto de primeira qualidade e uma estrada sem curvas, com túneis e viadutos. Naquele tempo se preparava a chegada do rei, entulhando os vales e rebaixando montanhas. A ordem é fazer tudo o que for possível, pois a glória de Javé vai-se manifestar. Jerusalém tem que anunciar isto a todas as cidades de Judá. Afinal vai acontecer uma espécie de novo êxodo (Babilônia - Jerusalém), mas em meio a festas e alegrias, sem as dificuldades do primeiro (Egito-Palestina). A novidade é que o Senhor todo Poderoso caminhará junto com o seu povo e caminhará de um modo diferente. É que ele virá com amor e carinho de um pastor que cuida das ovelhas mais fracas, carregando ao colo os cordeirinhos.
2ª leitura - 2Pd. 3,8-14
Esta carta atribuída a são Pedro foi escrita provavelmente após a morte dos apóstolos no início do século II. Enquanto a Primeira carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Novo Testamento (ano 51), a 2Pd. é o último no tempo. Jesus estava demorando a voltar; parece que ele estava falhando em sua promessa. O autor transmite 5 ensinamentos. Primeiro, o modo de Deus medir o tempo é diferente do nosso. “Para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos é como um dia”. Segundo, ele virá de modo inesperado como o aparecimento de um ladrão. Terceiro, esta aparente demora faz parte do projeto da paciência de Deus. Deus está dando tempo para a nossa conversão. Quarto, o dia do Senhor depende não apenas de Deus, mas também dos homens. Deus usa de paciência para que haja a conversão de todos e todos possam alcançar a salvação. Quanto a nós, podemos apressar este dia mediante o esforço de conversão. Quinto, o autor usa uma linguagem apocalíptica, aproveitando uma idéia que está na cabeça do povo daquela época que pensava que o mundo seria destruído pelo fogo. O autor está revelando que o mundo vai ser destruído pelo fogo? Não. Ele está apenas usando uma figura de linguagem. O que ele afirma é a nossa esperança na promessa de uma transformação geral que virá do alto: novos céus, nova terra e justiça no meio do povo. A síntese destes ensinamentos é o esforço de uma vida santa e perfeita.
Evangelho – Mc. 1,1-8
A finalidade do evangelho de Marcos já aparece no primeiro versículo. Ele quer apresentar dois ensinamentos com a sua narração.
Primeiro, que Jesus é o Cristo, ou seja, o Messias prometido por Deus, o Salvador do mundo. Segundo que Jesus é o Filho de Deus. Para Marcos o Evangelho, ou seja, a Boa Notícia de Deus é o próprio Jesus não é uma notícia boa, um ensinamento, mas uma pessoa, a pessoa de Jesus que é homem e Deus. Jesus de fato, é a 2ª pessoa da Santíssima Trindade. O início do Evangelho de Jesus começa com o anúncio de João Batista no deserto. Em todo o seu Evangelho, Marcos vai responder: Quem é Jesus. Para isso ele começa respondendo quem é João Batista. João Batista é o precursor do Messias, aquele que veio para preparar o povo para receber o Messias. João Batista é o “anjo” anunciado em Ex. 23,20; é “a voz que grita” em Is. 40,3 (1ª leitura); “é o mensageiro” de Mt. 3,1, que virá para preparar o caminho do Senhor. João preparava o povo através de um batismo de conversão. Ele se vestia como Elias, comia e bebia como os pobres que vivem à margem e distante dos centros do poder.
Com humildade mas dentro da verdade João anunciava a chegada de Jesus como o mais forte e mais digno do que ele, como aquele que batiza, não com água mas com o Espírito Santo.
dom Emanuel Messias de Oliveira
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Deus se volta para nós, voltemos para ele!
A Boa Notícia começa com um grande chamado à conversão (Mc. 1,1-15; cf. Mt. 3,1-17; Lc. 3,1-22). Em que sentido a conversão é “boa notícia”? Conversão, na Bíblia, significa volta (como se faz uma conversão com o carro na estrada). Na 1ª leitura ressoa um magnífico texto do Segundo Isaías. O rei Ciro, depois de conquistar Babilônia, mandou os judeus que aí viviam exilados de volta para Jerusalém (em 538 a.C.). O profeta imagina Deus reconduzindo essa gente a Sião. Precede-lhe um mensageiro que proclama: “Preparai no deserto uma estrada” (Is. 40,3) – como para a entrada gloriosa (a “parusia”) do Grande Rei. Mas é um rei diferente, cheio de ternura: “Como um pastor, ele conduz seu rebanho; seu braço reúne os cordeiros, ele os carrega no colo, toca com cuidado as ovelhas prenhes” (v. 11). Essa era a boa notícia que Jerusalém, qual mensageira, devia anunciar ao mundo (v. 9).
Conversão não é coisa trágica. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos voltar o nosso para ele. Ao proclamar o batismo de conversão (evangelho), João Batista pressentia a proximidade de uma “entrada gloriosa” de Deus. Como símbolo da “volta” usava a água do rio Jordão, que lembrava a travessia do povo de Israel pelo mar Vermelho e pelo rio Jordão, rumo à terra prometida. Reforçava sua mensagem repetindo o texto de Is. 40,3: “Preparai uma estrada…”. Vestia-se com um rude manto feito de pêlos de camelo e alimentava-se com a comida do deserto – mel silvestre e gafanhotos –, como o profeta Elias, o grande profeta da conversão, cuja volta se esperava (cf. Ml. 3,1.23-24 e Eclo. 48,10). Mas João ainda não é aquele que deve vir, apenas prepara a chegada deste, o “mais forte”, que virá “batizar com o Espírito Santo” (cf. a efusão do Espírito de Deus no tempo do Fim: Jl. 3,1-2; Ez 36,27 etc.).
Devemos sempre viver à espera dessa “entrada gloriosa” de Deus. Jesus veio e inaugurou o reinado de Deus, mas deixou a nós a tarefa de materializá-lo na História. Entretanto, Deus já coroou com a glória a vida dele e a obra que ele realizou: reunir as ovelhas como o pastor descrito por Isaías.
No tempo dos primeiros cristãos, muitos imaginavam que Jesus ia voltar em breve com a glória do céu, para arrematar essa obra iniciada. Depois de alguns decênios, porém, começaram a se cansar e a viver sem a perspectiva da chegada de Deus, caindo nos mesmos abusos que vemos hoje em torno de nós. Por isso foi necessário que a voz da Igreja lembrasse a voz dos profetas: Deus pode tardar, mas não desiste de seu projeto. Mil anos são para ele como um dia (2Pd. 3,8), mas seu sonho, “um novo céu, uma nova terra, onde habitará a justiça”, fica de pé (2ª leitura).
Não vivamos como os que não têm esperança. Não desprezemos o fato de Deus estar voltado para nós. Voltemos sempre a ele.
padre Jaldemir Vitório
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Preparai o caminho do Senhor, tirai os obstáculos que dificultam sua chegada
O Tempo do Advento prepara a vinda do Senhor. Como ele já veio quando se encarnou e nasceu em Belém da Judéia, nós nos preparamos agora para a vinda definitiva, quando ele virá em sua glória para julgar os vivos e os mortos. Não sabemos nem o dia nem a hora em que ele virá, mas sabemos que ele está no meio de nós e todos os dias está chamando alguém para a sua casa. Quantos amigos nossos já se foram, quantos familiares partiram deixando saudade. É por isso que devemos estar sempre unidos a ele e preparados, Paulo explica aos cristãos de Tessalônica que o importante não é saber quando ele virá e sim viver agora unidos a ele. "Vivamos em união com ele (1Ts. 5,10).
Somos, no entanto, convidados a preparar constantemente o caminho do Senhor, tirando do caminho os obstáculos que poderiam dificultar a sua chegada. Isto significa que cada um deve fazer a sua parte, sabendo, em última análise, que tudo depende da graça de Deus. Deus não vem porque o caminho está arrumado. Ele vem arrumar o caminho, mas não o fará sem nós. Por isso quando pensamos em estar preparados para a hora da morte ou da vinda definitiva do Senhor, pedimos que Deus nos dê tempo para uma verdadeira conversão. São João Batista prega a conversão como sinal de que estamos levando a sério o encontro com o Senhor. Se não imitamos a inocência dos santos queremos imitar a penitência que não consiste em nos transformar em seres "bonzinhos", mas em trabalhar anunciando em voz alta que o Senhor está chegando.
Neste tempo de Advento somos chamados a trabalhar ativamente para que o Senhor chegue a todos os corações. A fé vem pelo ouvido, por isso falamos. Essa é a nossa penitência e o sinal de nossa conversão: o trabalho, em todos os sentidos. Sem ele não teremos um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. Fazemos o melhor que podemos e Deus faz o resto, ou, trabalhamos como se tudo dependesse apenas de nós, sabendo que, em última análise, tudo depende de Deus.
Por isso precisamos do batismo de Jesus que faz com que o amor seja derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos é dado. Ao morrer na cruz, Jesus batiza a humanidade inteira em seu sangue dando-lhe o Espírito Santo. Agora tudo é graça e nosso trabalho consistirá em revelar a atuação da graça de Deus. No batismo de Jesus, levantamos uma criança para dizer ao mundo aqui está um filho de Deus que merece respeito e tem direito à vida. Não fazemos magia com água. Estamos revelando a graça de Deus que lá está, dizendo que os outros também são filhos de Deus, mas não o sabem. Erguemos e falamos, com palavras e com sinais sacramentais.
Is. 40,1-5.9-11- Preparem o caminho do Senhor. Não tenham medo, ergam a voz e anunciem às nossas cidades que o Senhor está chegando.
Sl. 84/85 - A verdade e o amor vão se encontrar, a justiça e a paz vão se abraçar. A justiça desce do céu e a verdade brota da terra.
2P 3,8-14- Esperamos novos céus e uma nova terra onde habitará a justiça. Esperemos com paciência, vivendo em paz uma vida sem mancha.
Mc. 1,1-8 - João batizou com água, estimulando a penitência e a conversão. Jesus derrama o Espírito Santo sobre a humanidade toda renovando a face da terra.
cônego Celso Pedro da Silva

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