.

I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 13 de dezembro de 2014

3º DOMINGO ADVENTO

3º DOMINGO ADVENTO

14 de Dezembro de 2014
ANO   B

JOÃO, TESTEMUNHO DA LUZ - José Salviano


Evangelho - Jo 1,6-8.19-28



          A liturgia deste domingo nos trás motivos de alegria por causa da esperança, das promessas de Cristo, da prática da  justiça, do perdão dos nossos pecados, e do tempo de espera pelo aniversário da chegada  do Messias. Leia mais


============================
“EU SOU A VOZ QUE GRITA NO DESERTO: APLAINAI O CAMINHO DO SENHOR.”

III DOMINGO DO ADVENTO.

Dia 14 de Dezembro de 2014

Evangelho de Jo1,6-8.19-28


Na expectativa de vivenciarmos mais uma vez as alegrias do Santo Natal, o nosso coração se abre para acolher Jesus que já está no meio de nós, mas que muitas vezes nos distanciamos Dele, distanciando do nosso irmão, daquele que busca em nós  a sua presença!
O advento é um tempo de gratidão, de reafirmarmos o nosso desejo de estarmos sempre com Jesus, sabendo que para estarmos sempre com Ele, precisamos  estar  também com o nosso irmão, principalmente com os que necessitam do nosso auxílio!
Neste tempo de graça, em que o céu se aproxima da terra, tudo vem nos  falar de amor, de um amor que nos remete ao coração do  Pai que através do Filho  nos concede a graça de redescobrirmos  o caminho que nos levará a felicidade plena!
Em meio a este mundo tão conturbado, onde impera o egoísmo, a ganância, Deus vem reacender a chama da esperança nos corações daqueles, que mesmo vivendo às margem da sociedade, se  abrem  para acolher a oferta do amor e da alegria Daquele quem vem  para libertar a todos!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, vem nos falar  da forte figura de João Batista, o grande profeta  que continua falando ao nosso coração! João Batista  é, depois de Maria, a figura de maior relevo no tempo do advento, ele  surge como protagonista da história de amor que nunca terá fim! Foi ele quem abriu o caminho para a entrada de Jesus no meio de nós, quem  preparou o povo para acolher a manifestação de Deus  na pessoa de Jesus!
A cumplicidade de João  com o projeto de Deus o levou ser confundido com o próprio Messias, nos  mostrando que o projeto de Deus em favor do humano se desenvolve através do próprio humano divinizado pela cumplicidade com o Deus encarnado.
A narrativa vem nos mostrar o antigo testamento dando lugar ao novo! 
João Batista, o último profeta do antigo  testamento, àquele que aponta o novo,  nos apresenta Jesus, o Filho de Deus que se fez homem nascendo de uma mulher!  
A  pregação de João, tomou uma dimensão tão grande, chegando  ao conhecimento do poder  centralizado em Jerusalém que  enviaram  mensageiros para perguntar a João se ele era o Messias anunciado pelos profetas. João, na sua humildade deixou bem claro  que ele não era o messias, e que nem seria digno de desamarrar as sandálias do Messias que estava por vir.
 Uma das grandes virtudes que ficou  marcada  na vida de João Batista,  foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro, não aproveitou de seu prestígio junto ao povo para se alto promover, reconheceu a sua pequenez  diante a grandiosidade de Jesus bem antes do seu encontro com Ele, nas águas do rio Jordão,  quando Jesus foi apresentado pelo Pai : “Este é o meu Filho amado que muito me agrada” Mt 3,17
João Batista, o profeta que aplainou o caminho do Senhor com a sua pregação e o seu  testemunho de vida, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus, ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário,  buscou algo novo, fazendo-se  anunciador de um tempo novo!
Imitemos o grande profeta João Batista, abramos caminho para a entrada de Jesus nos  corações dos  que ainda não experimentaram  a alegria de viver o  verdadeiro sentido do Natal!
Neste tempo  luminoso,  sejamos um reflexo da luz de Deus  a iluminar os corações sombrios,  tirando das trevas aqueles que   ainda  não conhecem a luz!
Vem Senhor Jesus, vem realimentar a esperança dos desesperançados, dos que estão  cansados  de serem ignorados por  uma sociedade  que só pensa no ter e esquece o ser!
Vem Senhor Jesus, vem recolocar nos nossos lábios o sorrido desaparecido em meias as tribulações deste mundo tão desigual!
                               
DESEJO A TODOS UM FELIZ E SANTO NATAL!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
Venha fazer parte do meu grupo de reflexão no Facebook:

============================
A tradição litúrgica da Igreja chama este terceiro domingo do Advento de Gaudete, isto é “Alegrai-vos!” No Missal Romano, a antífona de entrada exclama: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl. 4,4.5). Como expressão dessa alegria, pode-se usar no lugar do roxo, o cor-de-rosa, no tom conhecido como “rosa antigo”. É um roxo suavizado, que exprime a exultação pela aproximação do Santo Natal. Alegrai-vos! Alegremo-nos! O Senhor está perto! Está próximo o Natal; está próxima a Vinda do Senhor; está próximo de nós o Salvador nosso nos diversos momentos de nossa existência! Ele não é Deus de longe; é Deus de perto: seu nome será para sempre Emanuel, Deus-conosco!
Alegrai-vos! Há quem se alegre no pecado, há quem se alegre em futilidades, há quem, mesmo alegrando-se com coisas que valem a pena, esquece que toda alegria é passageira. Quanto a vós, caríssimos, alegrai-vos com tudo quanto é bom e louvável, mas colocai vossa maior e definitiva alegria no Senhor! Somente nele o coração repousa plenamente, somente nele encontra-se a paz que dura mesmo em meio à tribulação mais dura, somente nele o anseio mais profundo de nossa alma. Alegrai-vos! Mas seja o Senhor o fundamento da vossa alegria, a causa última da vossa exultação!
Mas, quem é esse Senhor em quem nos mandam que nos alegremos? O Batista, neste hoje, nos adverte: “No meio de vós está Aquele que vós não conheceis!” Quem é ele? Quem é este “Aquele”? João Batista, como bom mensageiro faz questão de desaparecer: “Não sou o Messias, não sou Elias (coitados dos espíritas!), não sou o profeta anunciado por Moisés! Sou apenas a voz que grita no deserto: "Aplainai o caminho do Senhor!" Insistimos: quem é esse que está no nosso meio e que é preciso conhecer e reconhecer sempre de novo para ter a alegria verdadeira? Ele é o Messias, Jesus de Nazaré, o Ungido de Deus, o Enviado para trazer a salvação, a alegria e a paz para todos os pobres de todas as pobrezas do mundo. Ouçamo-lo, deixemos que ele se nos apresente: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a Boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção aos cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor!” Eis, o Messias que esperamos, o Salvador que Deus nos concedeu. Ele, que veio em Belém, que virá no final dos tempos, ele mesmo vem a cada dia de nossa atribulada existência! - Vem, Senhor Jesus! Vem, santo Messias! Teu povo suspira por ti, tua Igreja sofrida e caminheira precisa de ti! Não nos abandones, não nos deixes sozinhos! Vem, Ungido de Deus, prometido aos nossos pais, anunciado pelos profetas, apontado pelo Batista, colocado sob a guarda do carpinteiro José, concebido e dado à luz pela Virgem Mãe! Vem, e a Mãe Igreja exclamará (e nosso coração exclamará  com ela): “Exulto de alegria no Senhor e minha alma regozija-se no meu Deus; ele me vestiu com vestes de salvação; adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias!”
Eis a causa da nossa alegria. Nós, os cristãos, temos direito de nos alegrar, mesmo diante das tristezas do mundo; temos o dever de manter a esperança, mesmo quando as possibilidades humanas fracassam; temos a oportunidade de continuar esperando ainda quando os nossos cálculos mostrem-se errados. Porque nossa esperança e certeza não se fundam em nós nem em nossas possibilidades, mas naquele que vem, naquele que o Pai do céu nos envia, naquele que nunca conseguiremos conhecer totalmente, o Messias do Pai, Jesus, nosso Deus-Salvador!
Resta-nos, então, escutar com atenção o conselho do Apóstolo: estar sempre alegre em Cristo; com os olhos fixos nele; orar sem cessar, buscando realmente ser amigo íntimo do Senhor, dando graças em todas as circunstâncias, sabendo que ele está próximo de nós, nunca longe de nossas aflições e desafios. E mais: afastarmo-nos de toda maldade, procurando viver segundo Cristo e não segundo o mundo, santificando no Senhor nosso corpo, nossa alma e nosso espírito ou, em outras palavras, nossa dimensão física, nossa vida inteligente e nossa sede de Deus, nossa saudade de Infinito.
Num mundo que nos despreza porque somos cristãos, numa sociedade pagã, que nos ridiculariza e nos olha com indiferença, tenhamos esta certeza: “Quem vos chamou é fiel; ele mesmo realizará isso!” Ele nunca nos deixará!
Que a escuta da Palavra santa do Senhor e a participação no mistério do seu Corpo e do seu Sangue nos preparem não somente para as festas que se aproximam mas, sobretudo para o Dia da Vinda do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo!
dom Henrique Soares da Costa
============================

A Palavra do Senhor dirigida a nós hoje, fala de alegria, de esperança, de promessa, de justiça, de redenção dos cativos, de tempo de graça do Senhor, da chegada do Messias. O profeta Isaías, na primeira leitura, apresenta-se com a missão de anunciar a Boa-Nova às pessoas que sofrem por causa das injustiças, da pobreza, de prisões, perseguições; e de anunciar o ano da graça do Senhor.
Em um momento em que tudo parecia perdido e o povo não tinha mais ânimo para retomar o caminho para reconstruir a nação, e começar de novo, esse profeta vem cantando e falando de coisas novas que Deus fará. Ele anuncia uma nova era em que as relações humanas serão transformadas radicalmente e quem realizará essa transformação será Deus. Na segunda leitura, Paulo propõe aos cristãos cultivarem atitudes necessárias para a edificação da comunidade: alegria, oração e ação de graças. A verdadeira alegria nasce da oração, “rezai sem cessar, dai graças”. (vv. 17-18) O convite à alegria não significa esquecer os problemas, é antes de tudo um chamado a sair do desânimo e fazer alguma coisa. É um apelo a pôr-se a caminho, porque o novo vai acontecer, mas é preciso que preparemos a sua chegada. No Evangelho, João Batista é apresentado como aquele que deve “dar testemunho da luz”. (v. 7) O versículo 5 afirma que as trevas tentaram apagar a luz. É uma referência ao tipo de sociedade que busca sufocar a vida em todos os sentidos. Quando o mundo todo se unir em defesa da vida, então é que poderemos afirmar que a vida trazida por Jesus começa a se realizar de modo pleno. O versículo 8 define, com clareza, a missão de João Batista: “este homem não era a luz; veio apenas para dar testemunho da luz”. Dar testemunho da luz consistia em despertar o desejo e a esperança de vida, preparando a chegada daquele que era a vida luz.
João Batista não falava em festa, em alegria, mas convidava o povo a pôr-se a caminho, a arrumar a vida para encontrar-se com alguém muito especial, que “já estava no meio do povo”, e que viria trazer a alegria tão sonhada. Pois é a alegria de saber que Deus vem para salvar seu povo e plantar a justiça que ele veio proclamar. Indagado se era ele o Messias, ele foi claro: “Não sou!” De si mesmo João dizia ser apenas uma simples voz, alguém a anunciar uma mensagem, sem nem mesmo ter a pretensão de que todos o escutassem. Consciente de que seu papel era apontar o caminho, e que converter-se é uma decisão pessoal, João cumpre a sua missão e deixa que as pessoas decidam suas vidas. O Evangelho, então, nos ensina que é feliz somente aquele que escuta a “voz” de quem, como João Batista, aponta a única luz que vale a pena seguir: a de Jesus Cristo. E hoje, somos nós a “voz” que anuncia Cristo aos irmãos? Não acontece, às vezes, que, em vez de anunciar Cristo, colocamo-nos em primeiro plano e deste modo impedimos as pessoas de conhecer a “verdadeira luz” que é Cristo?
============================


As leituras do 3º domingo do Advento garantem-nos que Deus tem um projeto de salvação e de vida plena para propor aos homens e para os fazer passar das “trevas” à “luz”.
Na primeira leitura, um profeta pós-exílico apresenta-se aos habitantes de Jerusalém com uma “boa nova” de Deus. A missão deste “profeta”, ungido pelo Espírito, é anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação que Deus vai oferecer aos “pobres”.
O Evangelho apresenta-nos João Batista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus, a “luz” do mundo. O objetivo de João não é centrar sobre si próprio o foco da atenção pública; ele está apenas interessado em levar os seus interlocutores a acolher e a “conhecer” Jesus, “aquele” que o Pai enviou com uma proposta de vida definitiva e de liberdade plena para os homens.
Na segunda leitura Paulo explica aos cristãos da comunidade de Tessalônica a atitude que é preciso assumir enquanto se espera o Senhor que vem… Paulo pede-lhes que sejam uma comunidade “santa” e irrepreensível, isto é, que vivam alegres, em atitude de louvor e de adoração, abertos aos dons do Espírito e aos desafios de Deus.
1ª leitura – Is. 61,1-2a.10-11 - AMBIENTE
A liturgia deste domingo volta a propor-nos um texto do Trito-Isaías (capítulos 56-66 do livro do profeta Isaías). Os capítulos atribuídos a essa figura que se convencionou chamar Trito-Isaías apresentam-nos um conjunto de textos cuja proveniência não é totalmente clara… Para alguns, são textos de um profeta anônimo, pós-exílico, que exerceu o seu ministério em Jerusalém após o regresso dos exilados da Babilônia, nos anos 537/520 a.C.; para a maioria, trata-se de textos que provêm de diversos autores pós-exílicos e que foram redigidos ao longo de um arco de tempo relativamente longo (provavelmente, entre os sécs. VI e V a.C.).
Em qualquer caso, os textos do Trito-Isaías situam-nos na época posterior ao Exílio e numa Jerusalém em reconstrução. Para os retornados do Exílio, são tempos difíceis e incertos… A população da cidade é pouco numerosa, a reconstrução é lenta e modesta, os inimigos estão à espreita. Por outro lado, os retornados são recebidos com frieza e hostilidade pelos poucos habitantes de Jerusalém que tinham ficado na cidade e que não tinham ido para o exílio… Aos poucos, com a reorganização da vida na cidade, voltam as injustiças dos poderosos sobre os fracos e os pobres, bem como a corrupção, a venalidade e a prepotência dos chefes. O povo está desanimado e sem esperança.
Os profetas que desenvolvem a sua missão nesta fase vão tentar acordar a esperança num futuro de vida plena e de salvação definitiva. Nesse sentido, vão falar de uma época em que Deus vai voltar a residir em Jerusalém, oferecendo em cada dia ao seu Povo a vida e a salvação. Essa “salvação” implicará, não só a reconstrução de Jerusalém e a restauração das glórias passadas, mas também a libertação dos pobres, dos oprimidos, dos fracos, dos marginalizados.
O texto que hoje nos é proposto é o princípio (vs. 1-2) e o fim (vs. 10-11) do capítulo 61 do Livro de Isaías. A menção do “Senhor Deus” (em hebraico, Jahwéh-Adonai) no versículo 1 e no versículo 11 confirma que todo este capítulo apresenta uma clara unidade textual e temática. O capítulo está claramente dividido em três secções. Na primeira (vs. 1-3a), o profeta expressa o sentido da sua própria vocação; na segunda (vs. 3b-9), o profeta transmite palavras do Senhor, prometendo a restauração do Povo, da Aliança e de Jerusalém; na terceira (vs. 10-11), o profeta apresenta uma declaração de alegria, provavelmente de Jerusalém, em face da promessa de Deus.
MENSAGEM
A primeira parte do nosso texto (vs. 1-2a) pertence à primeira secção do capítulo. Aí, o profeta apresenta o sentido da sua vocação e missão. Antes de mais, ele apresenta-se como o “ungido” do Senhor, sobre quem repousa o Espírito; e é o mesmo Espírito que o move e o impele para a missão – como acontecia com os juízes e os antigos profetas (cf. Nm. 11,25-26; 24,2). Embora não se mencione o termo “profeta”, essa missão apresenta-se como eminentemente profética: ele é enviado por Deus e a missão tem a ver com o serviço da Palavra.
Em concreto, a missão do profeta consiste em anunciar uma “boa notícia” (“evangelho”), em curar os corações feridos, em proclamar a libertação aos prisioneiros, em promulgar “o ano da graça do Senhor”. O anúncio do “ano da graça” alude aos anos jubilares (celebrados de cinqüenta em cinqüenta anos – cf. Lv. 25,10-17) e aos anos sabáticos (celebrados de sete em sete anos). De acordo com a Lei de Deus, eram anos destinados a restaurar a situação original de justiça e implicavam, por isso, a libertação dos escravos (cf. Ex. 21,2; Dt. 15,12), o perdão das dívidas (cf. Dt. 15,1) e a restituição dos bens e propriedades alienados durante esse período.
Os destinatários dessa mensagem de esperança são os “pobres”. A categoria “pobres”, no contexto bíblico, é menos uma categoria sociológica e mais uma categoria espiritual… Os pobres são os carentes de bens, de dignidade, de liberdade e de direitos, mas que pela sua especial situação de miséria e de necessidade são considerados os preferidos de Deus e o objeto de uma especial proteção e ternura de Deus. Por isso, são olhados com simpatia e até, numa visão simplista e idealista, são retratados como pessoas pacíficas, humildes, simples, piedosas, cheias de “temor de Deus” (isto é, que se colocam diante de Jahwéh com serena confiança, em total obediência e entrega). Representam essa parte do Povo de Deus freqüentemente maltratada e oprimida pelos poderosos, mas que se entrega com fé, humildade e confiança nas mãos de Deus e que Deus ama de forma especial.
A missão deste “profeta” é, portanto, anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação que Deus vai oferecer aos “pobres”.
A segunda parte do texto que nos é proposto (vs. 10-11) pertence à terceira secção do capítulo. Trata-se da parte final do oráculo: após o anúncio de salvação apresentado pelo profeta, a cidade de Jerusalém manifesta o seu regozijo e contentamento porque Deus a vai revestir de salvação e de justiça, como o noivo que cinge o diadema ou a noiva que se adorna com suas jóias… A última imagem (“como a terra faz brotar os gérmenes e o jardim germinar as sementes”) sugere a vida e a fecundidade que resultarão da ação salvadora e libertadora de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• Neste trecho do Trito-Isaías afirma-se, de forma clara, a existência de um projeto de salvação que Deus tem para oferecer ao seu Povo, especialmente aos pobres – isto é, a todos aqueles que vivem numa situação intolerável de carência de bens, de dignidade, de liberdade, de justiça, de vida. O profeta garante-lhes que Deus os ama, que não os abandona à sua miséria e sofrimento e que tem um projeto de vida, de alegria, de felicidade para propor a cada homem ou a cada mulher que a vida magoou. Esta “boa notícia” deve encher de esperança todos aqueles que não têm acesso aos bens essenciais (educação, saúde, trabalho, justiça, amor), que não têm vez nem voz, que são injustiçados e explorados, que são mastigados e digeridos por um sistema econômico que gera exclusão, alienação e miséria… O Deus em quem acreditamos, diz o Trito-Isaías, não é um Deus indiferente, que pactua com o racismo, a exclusão, a violência, a exploração, o terrorismo, o imperialismo, a prepotência; mas é um Deus que ama cada “pobre” explorado e injustiçado, que está ao lado dos que sofrem e que dá aos pequenos, aos marginalizados, aos excluídos a força para vencer o desânimo, a miséria, as forças da opressão e da morte.
• Como é que Deus atua no mundo? Não é, normalmente, através de manifestações estrondosas e espetaculares, que deixam a humanidade abismada e assustada; mas é através dos gestos “banais” desses profetas a quem Ele confia a missão de lutar contra as forças da opressão e da morte e a quem Ele chama a testemunhar, no meio dos “pobres”, o amor, a liberdade, a justiça, a verdade, a vida. Cada crente é um profeta, chamado a ser testemunha de Deus e sinal vivo do seu amor, da sua justiça e da sua paz. Como é que eu me situo face a isto? Sinto-me profeta, chamado a testemunhar o amor, a vida, a liberdade de Deus? Os “pobres”, os oprimidos, os excluídos, encontram em mim um sinal vivo do amor de Deus? Tenho a coragem de arriscar, de lutar, de dar a cara para que o mundo seja melhor?
• Os versículos finais do nosso texto apresentam a reação agradecida e jubilosa do Povo à ação salvadora de Deus… A descoberta do amor e da presença libertadora de Deus não pode senão conduzir ao louvor, à adoração, à alegria. Sei ser grato ao Senhor pela sua presença amorosa, salvadora e libertadora na vida do mundo e na minha vida?
2ª leitura – 1Tes. 5,16-24 - AMBIENTE
Tessalônica era, no século I da nossa era, a cidade mais importante da Macedônia. Porto marítimo e cidade de intenso comércio era uma encruzilhada religiosa, na qual os cultos locais coexistiam lado a lado com todo o tipo de propostas religiosas vindas de todo o Mediterrâneo.
A cidade foi evangelizada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária, muito provavelmente no Inverno dos anos 49-50. Paulo chegou a Tessalônica acompanhado de Silvano e Timóteo, depois de ter sido forçado a deixar a cidade de Filipos. O tempo de evangelização foi curto – talvez uns três meses; mas foi o suficiente para fazer nascer uma comunidade cristã numerosa e entusiasta, constituída majoritariamente por pagãos convertidos. No entanto, a obra de Paulo foi brutalmente interrompida pela reação da colônia judaica… Os judeus acusaram Paulo de agir contra os decretos do imperador e levaram alguns cristãos diante dos magistrados da cidade (cf. At. 17,5-9). Paulo teve de deixar a cidade à pressa, de noite, indo para Bereia e, depois, para Atenas (cf. At. 17,10-15).
Entretanto, Paulo tinha a consciência de que a formação doutrinal da comunidade cristã de Tessalônica ainda deixava muito a desejar. A jovem comunidade, fundada há pouco tempo e ainda insuficientemente catequizada, estava quase desarmada nesse contexto adverso de perseguição e de provação (cf. 1Ts. 3,1-10). Preocupado, Paulo enviou Timóteo a Tessalônica, a fim de saber notícias e encorajar os tessalonicenses na fé (cf. 1Ts. 3,2-5). Quando Timóteo voltou e apresentou o seu relatório, Paulo estava em Corinto. Confortado pelas informações dadas por Timóteo, o apóstolo decidiu escrever aos cristãos de Tessalônica, felicitando-os pela sua fidelidade ao Evangelho. Aproveitou também para esclarecer algumas dúvidas doutrinais que inquietavam os tessalonicenses e para corrigir alguns aspectos menos exemplares da vida da comunidade.
A Primeira Carta aos Tessalonicenses é, com toda a probabilidade, o primeiro escrito do Novo Testamento. Apareceu na Primavera-Verão do ano 50 ou 51.
O texto que hoje nos é proposto faz parte das exortações com que Paulo encerra a carta. Depois dos ensinamentos sobre a segunda vinda do Senhor (cf. 1Tes. 4,13-18) e de um convite veemente a esperar, vigilantes, esse momento final da história humana (cf. 1Tes. 5,1-11), Paulo apresenta alguns elementos concretos que os tessalonicenses devem ter sempre em conta e que devem marcar a existência cristã nesse tempo de espera (cf. 1T.ss 5,12-28).
MENSAGEM
Como é que os cristãos devem, então, viver esse tempo de espera do Senhor?
No texto que a segunda leitura deste domingo nos propõe, Paulo não apresenta grandes desenvolvimentos nem reflexões muito elaboradas… No entanto, o apóstolo apresenta sugestões muito úteis para a vida cristã e para a construção da comunidade.
Paulo começa por pedir aos tessalonicenses que vivam alegres e que pautem a sua vida por uma intensa oração, sobretudo a oração de ação de graças. O cristão é sempre uma pessoa livre e feliz, consciente da presença salvadora e libertadora de Deus ao seu lado, que contempla permanentemente esse horizonte último de vida eterna e de felicidade definitiva que Deus lhe reserva e que, por isso, agradece e louva ao seu Senhor.
Depois, o apóstolo pede também aos tessalonicenses que abram o coração ao Espírito e que não desprezem os seus dons. Esta referência pode significar que as experiências carismáticas começavam a criar problemas na comunidade… Provavelmente, nem toda a gente entendia e estava aberta às interpelações que o Espírito fazia através de alguns membros da comunidade… O novo, o espontâneo, o criativo, chocavam com o rotineiro, o estabelecido, o pré-fixado. Paulo recomenda aos cristãos de Tessalônica que saibam tudo analisar com cuidado e discernimento, sem preconceitos, de coração aberto à novidade de Deus, guardando “o que é bom” e afastando-se de “toda a espécie de mal”.
Uma comunidade construída de acordo com estes princípios – que vive a sua existência histórica com alegria e serenidade, que louva o seu Senhor e que está permanentemente atenta para discernir e aceitar os dons do Espírito – é uma comunidade “santa” e irrepreensível, preparada para acolher, em qualquer momento, o Senhor que vem.
ATUALIZAÇÃO
• A existência cristã é uma caminhada ao encontro do Senhor que vem. Na sua peregrinação pela história, mergulhados na alegria e na tristeza, no sofrimento e na esperança, os crentes não podem perder de vista essa meta final que dá sentido a toda a caminhada. O caminho cristão deve ser percorrido na atenção e na vigilância, procurando viver com coerência os compromissos assumidos no dia do Batismo e na fidelidade às propostas de Deus.
• De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, esse caminho deve ser percorrido na alegria… O cristão é alegre, porque sabe para onde caminha e está certo de que no final da caminhada encontra os braços amorosos de Deus que o acolhem e o conduzem para a felicidade plena, para a vida definitiva. Nem os sofrimentos, nem as dificuldades, nem as incompreensões, nem as perseguições podem eliminar essa alegria serena de quem confia no encontro com o Senhor. É essa alegria serena e essa paz que marcam a nossa existência e que brilham nos nossos olhos, ou somos seres derrotados, desiludidos, que se arrastam pela vida mergulhados no desespero e na solidão, sem rumo e ao sabor da corrente e das marés?
• De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, esse caminho deve ser percorrido também num diálogo nunca acabado com Deus. O crente é alguém que “ora sem cessar” e “dá graças em todas as circunstâncias” pelos dons de Deus, pela sua presença amorosa, pela salvação que Deus não cessa de oferecer em cada passo da caminhada. Sabemos encontrar espaços para o diálogo com Deus? Sabemos sentir-nos gratos por esses dons que, a cada instante, Deus nos oferece?
• De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, esse caminho deve ser percorrido, ainda, numa atitude de permanente atenção aos dons e aos desafios do Espírito. Sabemos estar atentos às propostas de Deus, ou deixamo-nos prender num esquema de instalação, de rotina, de preconceitos que não nos deixam acolher e responder aos desafios e à novidade de Deus?
Evangelho Jo 1,6-8.19-28 - AMBIENTE
O Evangelho segundo João começa com uma composição que se convencionou chamar “prólogo” (cf. Jo 1,1-18). Trata-se, provavelmente, de um primitivo hino cristão conhecido da comunidade joânica, que o autor do Quarto Evangelho adaptou e onde se expressa a fé da comunidade em Cristo, Palavra viva de Deus, enviado ao mundo para concretizar o plano de salvação que Deus tinha para oferecer aos homens. Os primeiros três versículos do texto que hoje nos é proposto (cf. Jo 1,6-8) pertencem a esse “prólogo”.
Depois do “prólogo”, o autor do Quarto Evangelho desenvolve, em várias etapas, a sua catequese sobre Jesus. Na “secção introdutória” que se segue imediatamente ao “prólogo” (cf. Jo 11,19-3,36), ele procura dizer quem é Jesus e definir a sua missão, fazendo entrar sucessivamente em cena várias personagens cuja função é apresentar ao leitor a figura de Jesus. De entre estas personagens, sobressai a figura de João Baptista, o “apresentador” oficial de Jesus. Ele aparece no início (cf. Jo 1,19-37) e no fim (cf. Jo 3,22-36) dessa secção introdutória a dar testemunho sobre Jesus. O corpo central do texto evangélico que hoje nos é proposto apresenta, precisamente, um primeiro testemunho que João dá sobre Jesus, diante dos enviados das autoridades judaicas.
Para percebermos o alcance do diálogo entre João e os líderes judaicos, é preciso ter em conta o ambiente político, social e religioso da Palestina do século I… Dominado pelos romanos, humilhado e impossibilitado de definir o seu destino, afogado em impostos ruinosos, explorado por uma classe dirigente comodamente instalada nos seus privilégios, escravizado por um sistema religioso ritual e legalista, o Povo de Deus vivia na expectativa da chegada do Messias libertador, enviado por Deus para inaugurar uma nova era de liberdade, de alegria, de felicidade. Muitos israelitas estavam dispostos a aproveitar qualquer oportunidade de libertação e eram presa fácil dos falsos messias e dos vendedores de sonhos. As freqüentes aventuras messiânicas falhadas só aumentavam a violência, a miséria, a pobreza e a frustração nacional.
A hierarquia religiosa judaica não gostava demasiado de ouvir falar na chegada do Messias. De fato, um dos objetivos do Messias, segundo a concepção corrente, deveria ser a reforma das instituições da hierarquia religiosa judaica, considerada indigna. Não admira, pois, que as autoridades se inquietassem diante da atividade de João.
MENSAGEM
Na primeira parte do nosso texto (vs. 6-8), apresenta-se João. Dele dizem-se duas coisas: que é “um homem” e que foi “enviado por Deus”. O agente principal nesta história é, naturalmente, Deus: é Deus que escolhe esse homem e o envia ao mundo com uma missão concreta. É, habitualmente, esse o “método” de Deus: chama homens, confia-lhes uma missão e, através deles, intervém no mundo. A missão de João é “dar testemunho da luz”. A “luz”, no Quarto Evangelho, representa essa realidade que vem de Deus e com a qual Deus se propõe construir para os homens um mundo novo de vida definitiva e de felicidade total. João não atua por sua própria iniciativa, mas em resposta à escolha divina e para concretizar uma missão que Deus lhe confiou.
Por outro lado, embora enviado por Deus, João não é “a luz” – isto é, ele não tem a capacidade de eliminar as trevas que escurecem e desfeiam a vida dos homens, porque não tem a capacidade de dar vida aos homens. João é apenas “a testemunha” que vem preparar os homens para acolher esse que vai chegar e que será “a luz/vida”.
Na segunda parte do nosso texto (vs. 19-28), temos o “testemunho” de João. A cena coloca-nos diante de uma comissão oficial, enviada de Jerusalém para investigar João e constituída por sacerdotes e levitas (encarregados, entre outras coisas, de vigiar a ortodoxia e a fidelidade à ordem religiosa judaica). No ambiente de messianismo exacerbado da época, a figura de João e o seu testemunho resultam inquietantes para os líderes religiosos judeus…
A comissão investigadora começa por interrogar João com uma pergunta aparentemente inócua: “quem és tu?”. Os interrogadores não tomam posição. Limitam-se a esperar que o próprio João declare a sua posição e as suas intenções. João descarta totalmente a hipótese de ser o Messias. Também não aceita identificar-se com Elias (de acordo com Mal. 3,22-23, Elias devia vir preparar o “dia de Jahwéh” – que, no século I era o dia da vinda do Messias libertador, enviado por Deus para construir um mundo novo). Tampouco aceita assumir o título de “o profeta” (este título parece aludir a Dt 18,15 e significava, na época de Jesus, um “segundo Moisés” que deveria aparecer nos últimos tempos). Na verdade, João não aceita que lhe atribuam nenhuma função que possa centrar a atenção na sua própria pessoa. As suas três respostas são rotundas negativas. Ele não busca a sua glória ou a sua afirmação, nem vem em seu próprio nome; a sua missão é meramente dar testemunho da “luz” e é para essa “luz” que os holofotes devem ser apontados.
É dentro deste enquadramento que devemos entender a resposta de João, quando os seus interlocutores o convidam a definir-se: “eu sou uma voz”. “Voz” é um termo relacional que supõe ouvintes a quem é comunicada uma mensagem… A “voz” não tem rosto, é anônima e passa despercebida; o importante é o conteúdo da mensagem. É isso que João é: uma “voz” através da qual Deus passa aos homens uma mensagem. É à mensagem e não à “voz” que os homens devem dar atenção.
A mensagem que a “voz” veicula é: “endireitai o caminho do Senhor”. A expressão é tomada de Is. 40,3, numa versão livre. Em Isaías, a expressão é usada no contexto da intervenção salvadora de Deus para fazer regressar à Terra da Liberdade os judeus cativos na Babilônia. Pedia que o Povo instalado e acomodado, desanimado e frustrado fizesse um esforço para acolher os desafios de Deus e aceitasse pôr-se a caminho com Deus em direção a um futuro novo de vida e de esperança. É essa mesma realidade que João é chamado a acordar no coração do seu Povo.
As respostas negativas de João desconcertam a comissão… Se João não reivindica nenhum dos títulos tradicionais – “Messias”, “Elias”, “o profeta” – a que título é que ele batiza?
O batismo ou imersão na água era um símbolo relativamente freqüente no judaísmo. Era usado como rito de purificação (por exemplo, para um enfermo curado da sua doença – cf. Lev. 14,8) ou para significar a mudança de estado de vida (podia significar, por exemplo, a passagem de uma situação de escravidão a uma situação de liberdade; para os prosélitos, significava o abandono das práticas e crenças pagãs e a adesão ao judaísmo). O batismo de João significava, provavelmente, a ruptura com a vida das trevas e o desejo de aderir a uma nova vida. Para João seria, apenas, um primeiro passo para acolher “a luz”.
João evita responder diretamente à objeção que os fariseus lhe colocam. Ele prefere desvalorizar o seu batismo com água e apontar para “aquele” que vem e a quem João não é digno “de desatar as correias das sandálias”. Esse é que é “a luz” que vai libertar o homem da escuridão, da cegueira, da mentira, do egoísmo, do pecado. É como se João dissesse: “não vos preocupeis com o batismo com água que eu administro, pois ele é, apenas, um símbolo de transformação e de adesão a uma nova realidade; mas olhai antes para essa nova realidade que já está no meio de vós e que o Messias vos vai oferecer. É o batismo do Messias (o batismo no Espírito) que transformará totalmente os corações dos homens, os fará livres e lhes dará a vida definitiva. Esse que vem batizar no Espírito já está presente, a fim de iniciar a sua obra libertadora. Procurai conhecê-lo – isto é, escutá-lo e acolher a sua proposta de vida e de libertação”.
A indicação de que os líderes não “conhecem” esse “alguém” que já chegou e do qual João apenas é “a voz” é, provavelmente, uma denúncia da situação em que se encontra a classe dirigente judaica, instalada nos seus privilégios, certezas e preconceitos e muito pouco aberta à novidade e aos desafios de Deus.
ATUALIZAÇÃO
• A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar “o caminho do Senhor”. É, na linguagem do Evangelho segundo João, um convite a deixar “as trevas” e a nascer para “a luz”. Implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, a instalação, o comodismo, a auto-suficiência, tudo o que desfeia a nossa vida, nos torna escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade. Em termos pessoais, quais são as mudanças que eu tenho de operar na minha existência para passar das “trevas” para a “luz”? O que é que me escraviza e me impede de ser plenamente feliz? O que é que na minha vida gera desilusão, frustração, desencanto, sofrimento?
• A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a olhar para Jesus, pois só Ele é “a luz” e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para apresentar aos homens. À nossa volta abundam os “vendedores de sonhos”, com propostas de felicidade “absolutamente garantida”. Atraem-nos, seduzem-nos, manipulam-nos, escravizam-nos e, quase sempre, deixam-nos decepcionados e infelizes, mais angustiados, mais perdidos, mais frustrados. João garante-nos: só Jesus é “a luz” que liberta os homens da escravidão e das trevas e lhes oferece a vida verdadeira e definitiva. A quem dou ouvidos: às propostas de Jesus, ou às propostas da moda, do politicamente correto, das pessoas “in” que aparecem dia a dia nas colunas sociais e que ditam o que está certo e está errado à luz dos critérios do mundo? Que significado é que Jesus e a sua proposta assumem no meu dia a dia?
• Jesus marca, realmente, a minha existência? Os valores que Ele veio propor têm peso e impacto nas minhas decisões e opções? Quando celebro o nascimento de Jesus, celebro um acontecimento do passado que deixou a sua marca na história, ou celebro o encontro com alguém que é “a luz” que ilumina a minha existência e que enche a minha vida de paz, de alegria, de liberdade?
• O “homem chamado João”, enviado por Deus “para dar testemunho da luz”, convida-nos a pensar sobre a forma de Deus atuar na história humana e sobre as responsabilidades que Deus nos atribui na recriação do mundo… Deus não utiliza métodos espetaculares e assombrosos para intervir na nossa história e para recriar o mundo; mas Ele vem ao encontro dos homens e do mundo para os envolver no seu amor através de pessoas concretas, com um nome e uma história, pessoas “normais” a quem Deus chama e a quem confia determinada missão. A todos nós, seus filhos, Deus confia uma missão no mundo – a missão de dar testemunho da “luz” e de tornar presente, para os nossos irmãos, a proposta libertadora de Jesus. Tenho consciência de que Deus me chama e me envia ao mundo? Como é que eu respondo ao chamamento de Deus: com disponibilidade e entrega, ou com preguiça, comodismo e instalação?
• A atitude simples e discreta com que João se apresenta é muito sugestiva: ele não procura atrair sobre si as atenções, não usa a missão para a sua glória ou promoção pessoal, não busca a satisfação de interesses egoístas; ele é apenas uma “voz” anônima e discreta que recorda, na sombra, as realidades importantes. João é uma tremenda interpelação para todos aqueles a quem Deus chama e envia… Com ele, o profeta (isto é, todo aquele a quem Deus chama e a quem confia uma missão) deve aprender a ficar na sombra, a ser discreto e simples, de forma a que as pessoas não o vejam a ele mas às realidades importantes que ele propõe.
• A atitude dos fariseus e dos líderes judaicos, cheios de preconceitos, preocupados em manter os seus esquemas de poder e instalação, instalados no seu comodismo e nos seus privilégios, impede-os de “conhecer” “a luz” que está a chegar. Trata-se de um aviso, para nós: quando nos instalamos no nosso comodismo, no nosso bem-estar, na nossa auto-suficiência, fechamos o coração à novidade e aos desafios que Deus nos faz… Dessa forma, não reconhecemos Jesus quando Ele vem ao nosso encontro e não O deixamos entrar na nossa vida. A liturgia convida-nos, neste Advento, à desinstalação, a fim de que o Senhor que vem possa nascer na nossa vida.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
============================

"Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo:
alegrai-vos! O Senhor está perto!" (Fl. 4,4-5).
Deus vem para a alegria dos pobres. Estamos na metade do tempo do Advento, este bonito tempo de espera, de vigilância e de mudança de vida em que a Igreja Católica nos convida a abrir os nossos corações para a vinda iminente do Filho de Deus.
O Senhor está no meio de nós, por isso a liturgia de hoje exulta: “Alegrai-vos, o Senhor está próximo”.
Refletimos hodiernamente sobre a figura do precursor, ou seja, de são João Batista. Hoje, a liturgia nos faz sair da reflexão da penitência e da conversão e exulta em nossos corações a alegria do testemunho.
Antigamente, o domingo de hoje era denominado domingo Gaudete, por causa da antífona de entrada que começa com esse imperativo “Alegrai-vos”. O celebrante reveste-se de vestes róseas, anunciando a alegria e a luz que deve permear toda a nossa vida cristã.
A alegria desta liturgia nos anima a recordar a alegria do povo de Israel que, retornando do exílio no Egito, anseiam por dias melhores, ou seja, esperam pela Boa Nova do Senhor que vem.
A primeira leitura da celebração (cf. Is. 61,1-2a.10-11) nos apresenta palavras animadoras, de uma dessas pessoas que surgiram na vida do povo de Deus. Ela preferiu ficar no anonimato e sua mensagem acabou sendo incorporada ao livro do profeta Isaías. Num momento de desolação, um profeta anônimo vem cantando e falando de coisas novas que Deus fará: onde reinava a tristeza, brilhará a alegria; onde campeava a desolação, virá a paz do Senhor; onde grassava o desânimo, vem o ânimo do próprio Senhor, anunciando a virtude básica da vida cristã: que Deus plantará justiça entre os homens e mulheres de boa vontade.
Assim, vale a pena recordar Isaías: “Exulto de alegria no Senhor e minh’alma regozija-se em meu Deus; ele me vestiu com as vestes da salvação, envolveu-me com o manto da justiça e adornou-me como um noivo com sua coroa ou uma noiva com suas jóias”.
Problemas todos nós temos. A alegria anunciada é aquela que foi proclamada pelo precursor João Batista, que veio aplainar os caminhos do Senhor: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”.
A  primeira frase do Evangelho (cf. Jo. 1,6-8.19-28) resume a pessoa e a missão de João Batista: é um homem, diferentemente de Jesus que, desde o início, é chamado de Filho de Deus. É um enviado de Deus, isto é, um profeta, que falará em nome de Deus aos homens.
Jesus também se dirá enviado (Jo. 3,34), mas falará com autoridade própria e se identificará com o Pai (Jo. 10,30). Chama-se João, que quer dizer “Deus usa de misericórdia”. A missão de João é proclamar que a misericórdia divina se encarnou na pessoa de Jesus de Nazaré, que veio “tirar o pecado do mundo” (Jo. 1,29).
João Batista veio dar uma sacudida no povo de Deus, por isso ele é profeta que anuncia a palavra de Deus e dá a sua vida por este projeto de salvação. João se preocupou com o testemunho do Senhor que virá, abrindo como precursor os seus caminhos. João certamente deu testemunho de uma verdade: “Que Ele cresça e eu diminua”.
Aí está, pois, a novidade de ser cristão e de ser católico: que o clero e as lideranças do povo reconheçam a sua miséria e deixem que Cristo encaminhe e guie as comunidades para a vivência da alegria e do gozo do Senhor que vem.
João Batista nos deixou um testemunho brilhante de humildade e também de fé absoluta em Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não se intitulou Messias, mas sim precursor, o que abre os caminhos. João Batista não disse uma palavra a seu respeito, mas somente a respeito do que Vem. O seu papel era apontar o caminho da salvação, proclamando a grandeza daquele que estava por vir, ao mesmo tempo em que se punha no seu lugar, sabendo que sua missão era só de abrir as veredas. João Batista aponta as luzes para o mundo, mas parece que o mundo não quer conhecer a luz que é Jesus, como ele próprio lamentou depois: “A luz veio a este mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que luz” (Jo. 3,19).
A segunda leitura (cf. 1Ts. 5,16-24) nos apresenta a alegria e a ação de graças sempre. São Paulo envia uma exortação aos Tessalonisses para que a alegria e a contínua ação de graças sejam a nota determinante desta comunidade eclesial, pois é para ver-nos assim felizes que Deus nos fez participar do Evento de Jesus Cristo. Daí, as orientações práticas para a querida comunidade eclesial: não apagar os dons do Espírito Santo, avaliar tudo e guardar o que serve, eliminar todo o mal. Termina a carta com um voto ou ósculo da paz, o que significa a perfeição escatológica, pois Deus é fiel.
Alegrai-vos! Alegrai-vos sempre no Senhor, incessantemente.
Todos nós somos convidados a examinar nosso relacionamento com Deus, afastando-nos do espírito do mal e nos aproximando do espírito de Deus, o espírito do bem e da paz, conservando a santidade de vida e de estado. A razão desta alegria está enfeixada na segunda leitura: o que Deus quis, afinal, com Jesus Cristo e sua obra é que sempre possamos estar alegres e agradecidos a Ele. Ser felizes e animados pelo projeto do Evangelho é a nossa missão.
Na Igreja, muitos são os carismas, mas todos convergem para Jesus Cristo. O importante de hoje não é somente a conversão, mas é iluminar a sociedade com a fé que vem de Jesus Cristo luz do mundo, dando testemunho deste Jesus, único caminho de salvação, desejoso de ver aquele que está no meio de nós, como salvador e vivificador.
Que a festa do Natal que se aproxima nos faça cada vez mais abertos, especialmente ao apelo de nossos Bispos que hoje pedem a nossa generosa participação na campanha da evangelização. Ajudando, desta forma, as necessidades da Igreja no Brasil, estaremos fazendo com que o Natal se realize cada vez mais digno nas Igrejas irmãs, pobres e necessitadas, carregando as sementes da Esperança que se renovam a cada natal do divino infante.
padre Wagner Augusto Portugal
============================

A alegria do advento
I. A liturgia da missa deste domingo traz-nos a repetida recomendação que são Paulo dirige aos primeiros cristãos de Filipos: Estai sempre alegres no Senhor; de novo vos digo, estai alegres1. E a seguir o Apóstolo enuncia a razão fundamental dessa alegria profunda: O Senhor está perto.
É também a alegria do Advento e a de cada dia: Jesus está muito perto de nós. Está cada vez mais perto. E Ele nos chega sempre na alegria e não na aflição. “Seus mistérios são todos mistérios de alegria; quanto aos mistérios dolorosos, fomos nós que os provocamos”2.
Alegra-te, cheia de graça, porque o Senhor está contigo3, diz o Anjo a Maria. A causa da alegria na Virgem é a proximidade de Deus. E o Batista, ainda não nascido, saltará de alegria no seio de Isabel ante a proximidade do Messias4. E o Anjo dirá aos pastores: Não temais, trago-vos uma boa nova, uma grande alegria que é para todo o povo, pois nasceu-vos hoje um Salvador...5 A alegria é ter Jesus, a tristeza é perdê-lo.
A multidão seguia Jesus e as crianças aproximavam-se dEle (as crianças não se aproximam das pessoas tristes), e todos se alegravam vendo as maravilhas que Ele fazia6.
Depois dos dias de trevas que se seguiram à Paixão, Jesus ressuscitado aparecerá aos seus discípulos em diversas ocasiões. E o evangelista irá sublinhando repetidas vezes que os Apóstolos se alegraram vendo o Senhor7. Eles não esquecerão nunca esses encontros em que as suas almas experimentaram uma alegria indescritível.
Alegrai-vos, diz-nos hoje São Paulo. E temos motivos suficientes para isso. Mais ainda, temos o único motivo: O Senhor está perto. Podemos aproximar-nos dEle quanto queiramos. Dentro de poucos dias, terá chegado o Natal, a nossa festa, a festa dos cristãos e da humanidade, que sem o saber está à procura de Cristo. Chegará o Natal, e Deus quererá ver-nos alegres, como os pastores, como os Magos, como José e Maria.
Poderemos estar alegres se o Senhor estiver verdadeiramente presente na nossa vida, se não o tivermos perdido, se não tivermos os olhos turvados pela tibieza ou pela falta de generosidade. Quando, para encontrar a felicidade, se experimentam outros caminhos fora daquele que leva a Deus, no fim só se acha infelicidade e tristeza. A experiência de todos os que, de uma forma ou de outra, voltaram o rosto para outro lado (onde Deus não estava), foi sempre a mesma: verificaram que fora de Deus não há alegria verdadeira. Não pode havê-la. Encontrar Cristo, ou tornar a encontrá-lo, é fonte de uma alegria profunda e sempre nova.
II. ALEGRAI-VOS, CÉUS; alegra-te, ó terra; prorrompam em cânticos as montanhas, porque o nosso Senhor virá8.Em seus dias florescerão a justiça e a paz9.
O cristão deve ser um homem essencialmente alegre. Mas a sua alegria não é uma alegria qualquer, é a alegria de Cristo, que traz a justiça e a paz, e que só Ele pode dar e conservar, porque o mundo não possui o seu segredo.
A alegria do mundo procede de coisas exteriores: nasce precisamente quando o homem consegue escapar de si próprio, quando olha para fora, quando consegue desviar o olhar do seu mundo interior, que produz solidão porque é olhar para o vazio. O cristão leva a alegria dentro de si, porque encontra a Deus na sua alma em graça. Esta é a fonte da sua alegria. Não nos é difícil imaginar a Virgem Maria, nestes dias do Advento, radiante de alegria com o Filho de Deus no seu seio. A alegria do mundo é pobre e passageira. A alegria do cristão é profunda e capaz de subsistir no meio das dificuldades. É compatível com a dor, com a doença, com o fracasso e as contradições. Eu vos darei uma alegria que ninguém vos poderá tirar10, prometeu o Senhor. Nada nem ninguém nos arrebatará essa paz gozosa, se não nos separarmos da sua fonte.
Ter a certeza de que Deus é nosso Pai e quer o melhor para nós, leva-nos a uma confiança serena e alegre, mesmo perante a dureza de certas situações inesperadas. Nesses momentos, que um homem sem fé consideraria golpes da fatalidade sem nenhum sentido, o cristão descobre o Senhor e, com Ele, um bem muito mais alto. “Quantas contrariedades desaparecem, se interiormente nos colocamos bem próximo desse nosso Deus que nunca nos abandona! Renova-se com diferentes matizes o amor que Jesus tem pelos seus, pelos enfermos, pelos paralíticos, e que o faz perguntar: – O que é que tens? – Sinto-me... E imediatamente luz ou, pelo menos, aceitação e paz”11. “O que é que tens?”, pergunta-nos o Senhor. E olhamos para Ele, e já não temos nada. Junto dEle, recuperamos a paz e a alegria.
Teremos dificuldades, como as têm todos os homens; mas essas contrariedades – grandes ou pequenas – não nos hão de tirar a alegria. As dificuldades são uma realidade com a qual devemos contar, e a nossa alegria não pode ficar à espera de épocas sem contratempos, sem tentações e sem dor. Mais ainda, sem os obstáculos que encontramos na nossa vida, não teríamos a menor possibilidade de crescer nas virtudes.
A nossa alegria deve ter um fundamento sólido. Não se pode apoiar exclusivamente em coisas passageiras: notícias agradáveis, saúde, tranqüilidade, situação econômica desafogada, etc., coisas que em si são boas se não estiverem desligadas de Deus, mas que por si mesmas são insuficientes para nos proporcionarem a verdadeira alegria.
O Senhor pede que estejamos alegres sempre. Cada um olhe como edifica, pois quanto ao fundamento ninguém pode ter outro senão aquele que está posto, que é Jesus Cristo12. Só Ele é capaz de sustentar tudo na nossa vida. Não há tristeza que Ele não possa curar: Não temas, diz-nos o Senhor, mas apenas crê13. Ele conta com todas as situações pelas quais há de passar a nossa vida, e também com aquelas que resultam da nossa insensatez e da nossa falta de santidade. Para todas tem o remédio.
Em muitas ocasiões, como neste tempo de oração, será necessário que nos dirijamos ao Senhor num diálogo íntimo e profundo diante do Sacrário, e que lhe abramos a nossa alma com toda a confiança. É aí que encontraremos a fonte da alegria.
Dentro de pouco, de muito pouco, Aquele que vem chegará e não tardará14, e com Ele chegarão a paz e a alegria; em Jesus encontraremos o sentido da nossa vida.
III. UMA ALMA TRISTE está à mercê de muitas tentações. Quantos pecados se têm cometido à sombra da tristeza! Por outro lado, quando a alma está alegre, abre-se e é estímulo para os outros; quando está triste, obscurece o ambiente e faz mal aos que tem à sua volta.
A tristeza nasce do egoísmo, de pensarmos em nós mesmos esquecendo os outros. Quem anda excessivamente preocupado consigo próprio dificilmente encontrará a alegria da abertura para Deus e para os outros. Em contrapartida, com o cumprimento alegre dos nossos deveres, podemos fazer muito bem à nossa volta, pois essa alegria leva a Deus. São Paulo recomendava aos primeiros cristãos: Levai uns as cargas dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo15.
Para tornarmos a vida mais amável aos outros, basta-nos proporcionar-lhes essas pequenas alegrias que, ainda que de pouca monta, mostram claramente que os consideramos e apreciamos: um sorriso, uma palavra cordial, um pequeno elogio, o esforço por evitar tragédias por coisas sem importância... Assim contribuímos para tornar a vida mais grata às pessoas que nos rodeiam. Essa é uma das grandes missões do cristão: levar a alegria a um mundo que está triste porque se vai afastando de Deus. Não poucas vezes o regato leva à fonte. Essas demonstrações de alegria conduzirão aqueles com quem nos relacionamos à fonte de toda a alegria verdadeira, a Cristo Nosso Senhor.
Preparemos o Natal junto de Santa Maria. Procuremos também prepará-lo no nosso ambiente, fomentando um clima de paz cristã e propiciando muitas pequenas alegrias e demonstrações de afeto aos que nos rodeiam. Os homens necessitam de que lhes provemos que Cristo nasceu em Belém, e poucas provas são tão convincentes como a alegria habitual do cristão, uma alegria que persiste mesmo quando chegam a dor e a contradição.
A Virgem teve muitos contratempos ao chegar a Belém, cansada de uma viagem tão longa e sem encontrar um lugar digno onde o seu Filho pudesse nascer; mas esses problemas não a fizeram perder a alegria da boa nova de que Deus se fez homem e habitou entre nós.
Francisco Fernández-Carvajal

============================
Um convite à alegria
Hoje, terceiro domingo do Advento, é o domingo da Alegria (também chamadoDominica Gaudete), e as nossas igrejas serão ornamentadas com rosas. Pode também ser o róseo a cor das vestes litúrgicas. Deste modo, o sinal penitencial do Advento (cor roxa), atenua-se (rosa) para indicar a proximidade do Natal. Por outro lado, a presença das rosas no altar indicam também a alegria espiritual pela próxima vinda do Senhor.
A Igreja nos convida à alegria. O apóstolo Paulo exorta os tessalonicenses com estas palavras: “Ficai sempre alegres. Orai sem cessar. Por tudo, dai graças, pois esta é a vontade de Deus a vosso respeito, em Cristo Jesus” (1Ts. 5,16). O texto paulino apresenta sete belíssimas frases (vv. 16-22) quase desenhando a menorah – o candelabro com sete braços – cujas luzes devemos manter sempre acesas em nossa vida espiritual:
1. Alegrar-se sempre (v. 16);
2. Orar sem cessar (v. 17);
3. Por tudo, dar graças (v. 18);
4. Não extinguir o Espírito (v. 19);
5. Não desprezar as profecias (v. 20);
6. Discernir sobre tudo e escolher o que é bom (v. 21);
7. Evitar toda maldade (v. 22).
A luz central desta menorah imaginária, refere-se ao Espírito Santo (v. 19), particularmente aos dons concedidos aos seus fiéis. Estas luzes jamais devem ser apagadas. Assim, no Advento – que normalmente coincide com a Festa das Luzes no judaismo (Hannukhah), esta imagem paulina pode significar para nós um excelente programa para viver com intensidade o tempo de preparação para o Natal.
A luz do discernimento (v. 21) merece uma consideração particular. O significado do verbo “dokimázo” é aprovar após um teste. Algumas traduções trazem o significado de “discernimento” mas é ainda limitado. Ele deve ser entendido com o verbo seguinte, “katékho” (reter, manter, tomar posse de).
No que diz respeito à vivência espiritual, Paulo exorta a “manter, conservar” o que é bom – “ton kalon” (que significa igualmente “belo”). É o mandamento do encanto pelas coisas de Deus, uma vez discernidas daquilo que o mundo igualmente pode oferecer.
Está diretamente ligada à sétima luz desta menorah, no v. 22 que se trata de evitar toda maldade. A partícula eidon (eidos – visível, espécie, forma aparente, classe) está indicando as múltiplas possibilidades de malignidade (ponerou) que igualmente pedimos no “Pai Nosso”: mas livrai-nos do maligno.
A presença do Espírito Santo, na liturgia de hoje, é indicada desde a primeira leitura. Um texto conhecido lido por Jesus na Sinagoga de Nazaré (Lc. 4,18-19): “O Espírito do Senhor [Deus] está sobre mim, porque [o Senhor] me ungiu; enviou-me para anunciar a Boa Nova...» (Is. 61,1), onde a insistência do verbo “proclamar” domina o texto. De fato, o verbo [utilizado em hebraico], assume diversas traduções no contexto (proclamar, chamar, anunciar), mostrando a dinâmica e a força da Palavra de Deus que deve ser anunciada pela força do Espírito do Senhor.
Depois desse precioso prólogo, o Evangelho que será proclamado hoje, colocará em evidência a figura de João Batista. No texto joanino, o Precursor será a única testemunha no longo processo contra Jesus que vem apresentado desde as primeiras páginas. Ele repete com vigor que não é o Messias, nem Elias, nem “o Profeta” e nem quer passar por alguém que pudesse ter um direito jurídico sobre a sua pessoa (a figura da sandália que foi apresentada no domingo passado). João Batista se apresenta como “a voz que clama” e como “o amigo do esposo” (Lc. 3,29).
Esse mesmo versículo, um longo discurso de João Batista aos seus discípulos, fala da alegria do amigo do esposo ao ouvir a sua voz: “Essa é a minha alegria e ela é completa”, diz o Precursor.
Com a proximidade do Natal, estes pensamentos devem enfeitar o nosso Domingo. Também nós somos chamados a ser “amigos do Esposo” e sentir a imensa e completa alegria em ouvir a sua voz. Ele fala sempre conosco, principalmente através dos acontecimentos, das pequenas e quase imperceptíveis gentilezas de Deus durante o nosso dia. Ainda é tempo de vigilância. Podemos seguir as palavras de São Bento dirigidas àqueles que desejam entrar na Escola do serviço do Senhor: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre e inclina o ouvido do teu coração” (Regula, 1).
R. Dias Neto
============================


Nenhum comentário:

Postar um comentário