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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*      É NATAL !!!       = 24/25 dez. 2014
O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam (dia de Natal, ano A, do evang.João 1, 1-18)

Não haveria Páscoa se não houvesse Natal
·                 Nos comentários a textos de celebração em grandes festas (também a cada domingo) procuro autores que tragam uma reflexão original, de modo a escapar do já conhecido. Sobre o Natal achei texto (“Não haveria Páscoa sem o Natal”) muito interessante, de um canadense, o teólogo A.Gilbert, escrito em 2001, que adiante resumo para os leitores do blog (acrescentei os subtítulos para melhor compreensão).
·                 Ele tem razão em lembrar que há dois grandes momentos no ano cristão. Primeiro, o Natal, festa mais popular que transbordou para a cultura da cidade e do mundo. A Páscoa, embora a principal celebração e o centro da vida cristão, é menos divulgada, certamente porque inclui na alegria da ressurreição a recordação da paixão e morte, isto é, do sofrimento e dos limites da vida humana. Se a Páscoa aponta para a Esperança do ultrapassar as dores deste mundo e da condição humana (o fim da vida), por outro lado, é o Natal que nos abre a porta para compreender o Mistério total que, afinal, começa (início da vida) pelo mistério do parto e do nascimento. O Natal é a madrugada onde aparece a luz da Esperança.

Entre festas, luzes e sombras
·                 No Natal experimentamos uma certa ambiguidade. Muitos esperam por este tempo de festas, clima de alegria, com direito a comilança e bebidas, de encontros de familiares e amigos e troca de presentes. Parece que para o trabalho e se abre um espaço de gratuidade.
·                 Outros, ao contrário, sentem-se invadidos pelo sentimento de solidão, ou às vezes pela lembrança dolorosa dos filhos que não estão mais presentes ou que não virão. Sensação de ficar fora da festa. Lembro-me de ter viajado certa vez  no período natalino e alguém voltava de longe. Ele era separado e, abrindo seu coração sobre esta época do ano, tinha uma ferida não cicatrizada pela saudade de uma família que não existia mais.
·                 Seria talvez a mesma ambiguidade que reencontramos no texto do evangelho da liturgia prevista para este Natal? A luz brilha nas trevas e as trevas não a perceberam... e foi por ela que este mundo veio a existir, mas infelizmente este mundo não a reconheceu... O natal coincide com dias mais longos e noites menores: como falar em recusa da luz? Que significa que o mundo não reconheceu a luz? Há qualquer coisa de trágico nisso, que precisamos compreender. O texto de João diz que a alienação de nosso verdadeiro ser faz parte de nosso mundo. Ele fala de uma faceta inevitável de nossa vida.
·                 O que você diria se lhe perguntassem: qual a maior dificuldade na vida? Eu responderia que é a própria vida, o fato mesmo de existir. Porque existe alegria de viver e também a preocupação com envelhecer e morrer. Há o prazer da descoberta e também os limites de situações em que cada pequena resposta é obtida com esforço, a conta-gotas. Existe o prazer em nosso corpo que pode correr e dançar e divertir-se; mas também há doença, deficiências físicas, um corpo mais ou menos gordo, às vezes alto ou baixo demais... Há a maravilha do amor, mas muitas vezes também solidão, ódios, violência. Temos esta coisa única e misteriosa a que chamamos liberdade, mas ela também dá lugar a uma porção de escolhas terríveis, a ponto de ser a primeira a eliminada quando o ser humano se torna muito poderoso.

Natal e Páscoa
·                 Celebrar o Natal é entrar neste mundo de sombra e de luz. A aceitar de novo este longo nascimento de si e deste mundo que habitamos, não como o imaginamos pegando um caminho de fuga, mas como ele é. Onde, afinal, construiu-se a personalidade de Jesus tal como será revelada nos últimos 3 anos de sua vida? Foi no dia a dia de Nazaré. Onde teria ele conseguido a “sintonia fina” para a percepção de quem é Deus? Foi na oração e e em contato com os acontecimentos e as outras pessoas com seus sorrisos e suas dores.
·                 Frente ao corpo humano (amado e às vezes desprezado, ao mesmo tempo fonte de tantas alegrias e dores) temos a atitude que é símbolo ou resumo de nossa relação com todo o universo. Cada qual experimenta esse movimento de vai e vem entre a aceitação plena e a recusa, entre engajamento consciente e passividade total. A terra prometida para a qual nos fez caminhar o período de preparação para o Natal (Advento) continua à frente. A Páscoa só pode acontecer porque, primeiro, é preciso nascer, para si e para o mundo. É preciso entrar na Carne para poder viver a “ressurreição da carne”. Esta carne onde o Verbo da vida armou sua tenda e acampou entre nós.

Tem Natal dentro de nós e em volta de nós
·                 É comum, em ambientes religiosos, a gente escutar críticas ao lado comercial do Natal. Mas não seria melhor ir além das sombras dos condicionamentos sociais que acompanham as este tempo? Podemos – em tantas festas de fim de ano – que também há luz num lado revelador do ser humano, que é mais do que simples produzir, trabalhar, consumir; que também organiza distribuição de brinquedos e alimentos que, afinal, olhando e precisando dos outros, aprende a viver. Quando as crianças ocupam o centro do palco, mesmo que haja excessos, percebemos que a pessoa não se define primeiro pelo seu trabalho, status social, tamanho de sua renda ou salário, mas por este seu lado único que é a necessidade de estar sempre em crescimento e aprendizagem
·                 Que o Natal possa ser este momento de reconciliação com a pessoa que somos, e com este mundo, que é nosso mundo. Porque não há outro caminho para chegar à Páscoa.

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( * ) Prof.(1975-2012:filos/educ/teol/ética) fesomor2@gmail.com

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