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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando*      A família de Jesus de Nazaré = 28 dezembro de 2014
Salvação ou ruína
A família e as famílias
·                 Há alguns anos eu estava numa pequena igreja numa praia ao norte de Florianópolis num domingo em que se celebrava a Sagrada Família. Guardei na memória o intenso calor que muitos ventiladores não conseguiam amenizar no apertado espaço. Muitos eram turistas argentinos que, espero, devem ter compreendido a proposta do pregador: “não adianta comparar, porque a melhor família é aquela que nós temos’.
·                 De lá para cá tenho observado que à minha volta há dezenas de situações familiares diferentes. Num comentário, falamos dessa família sagrada que é modelo ideal para nossas famílias. Mas a família real é a de cada que vive na sua “melhor família”.
o     Há famílias grandes e pequenas; umas ruidosas, outras mais recatadas e discretas.
o     Existe a família “nuclear” de pai, mãe e filho(s?). Outras são mais extensas, quase tribais ou étnicas, cultivando suas reuniões frequentes, festas e tradições.
o     Muitas incluem o convívio com um avô ou uma tia velhinha; uma avó ou um cunhado viúvo que veio morar com a gente.
o     Às vezes os membros da família imediata ou outros parentes moram próximos; às vezes, em outras cidades ou países distantes.
o     Pode haver ou pais ou filhos que vivem longe, em geral emigrantes com vontade de mandar algum dinheiro para casa.
o     Algumas têm crianças em casa; outras, só adultos (agora).
o     Se em todas as famílias experimenta-se deficiências e dificuldades, algumas têm deficientes que precisam de cuidados especiais, físicos ou mentais.
o     Alguns, em algumas famílias, assistem quem padece doença crônica ou é muito idoso.
o     Há os que se ajudam, apesar do desemprego de uns.
o     Há conflitos, há beijos, há um jovem lutando com a droga.
o     Algumas famílias conhecem a situação de pais separados, ou recasamentos e novas convivências. Há os casados no civil ou no religioso e também os que simplesmente passam a morar juntos. A
o     Algumas famílias se sentem confortadas e protegidas por seus membros ou por famílias de vizinhos na comunidade da favela. Outras apesar de toda a segurança do condomínio de luxo, sentem-se isoladas e sem amigos.
·                 Poderíamos continuar descrevendo milhares de situações, se cada um observasse e acrescentasse à lista, o exemplo de tantas situações diferentes nas famílias que conhece.

Entre tradições e mudanças
·                 O trecho do evangelho proposto (ao menos na liturgia romana que celebra a festa da família de Jesus de Nazaré) é Lucas 2, 22-40. Como judeus os pais de Jesus seguiam os rituais previstos na lei mosaica. Maria – 40 dias após o nascido Jesus – vai ao Templo para a chamada Purificação e para consagrar seu primogênito a Jahwé. Segundo era costume, a mulher que tinha tido um filho homem não podia por 40 dias frequentar o templo. Em seguida ia oferecer um cordeirinho ou – no caso de famílias pobres – duas rolinhas ou pombinho. Um pássaro era a oferta por sua Purificação,  outro era dado para o “resgate” do primogênito para recordar o Êxodo, quando Deus protegeu a vida dos primogênitos hebreus ao castigar os egípcios. Como toda família, a de Jesus viveu também no condicionamento de sua cultura, de sua religião, de seu povo. Tal submissão é parte da Encarnação do Verbo.
·                 Não cabe aqui analisar os avanços e as dificuldades das famílias de nosso tempo (por um lado, maior liberdade e responsabilidade, e a busca de igualdade de direitos; por outro lado, novas dificuldades e dúvidas no contexto plural, por ex., quanto ao exercício da sexualidade e quanto a muitas pressões do contexto cultural – variando entre materialistas, fundamentalistas, tradicionalistas, anarquistas, etc.). A discussão do tema (ou temas) envolve inúmeros aspectos culturais, psicológicos, sociológicos, religiosos. Só por fomentar a aberta discussão do assunto, o papa Francisco teve críticas publicadas feitas por alguns de seus auxiliares e cardeais, ao mesmo tempo que há quem pense que é ele quem “fará” grandes revoluções, como se fosse possível uma só pessoa decidir em questões tão complexas. Cabe-nos, na meditação sobre o evangelho, procurar o centro da mensagem. Por um lado, como vimos, José e Maria estão submetidos aos condicionamentos de seu povo e sua religião (no caso, os rituais de “purificação” que derivam do medo – cultivado em várias civilizações antigas – frente aos mistérios do sexo e da maternidade). Por outro lado, porém, até eles mesmos estavam estupefatos pelas coisas que Simeão e Ana falavam sobre Jesus. Simeão chega a anunciar: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma”.
·                 “Este menino” que nasceu para nós no Natal será sinal de salvação para os que aceitam sua luz, mas a queda para os que fogem da luz. Diante dele o mundo se divide, nós diríamos a favor ou contra a humanidade que ele tanto amor a ponto de fazer-se Carne.
·                 Rezemos para que o Espírito, que iluminou Maria, José, Simeão e Ana, também nos dê luz para saber viver. Em nossa família, e ajudando todas as famílias. Não importa que problemas tenhamos de enfrentar em nossas famílias e nossa cultura: a entrega (confiança, fé) deve ser total, conforme o modelo desta família na “Apresentação do Menino”.

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( * ) Prof.(1975-2012:filos/educ/teol/ética) fesomor2@gmail.com

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