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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Comentários-Prof.Fernando

Comentários-Prof.Fernando* Segundo domTempoComum-18 janeiro 2015
Vinde e vede
A “Missão impossível” de cada um
·                 Missão Impossível é título de filme de ação no qual se destaca o herói, espião do serviço secreto, capaz de realizar feitos incríveis, ou o impossível. Missão já foi um termo mais conhecido no contexto de igrejas e seus “missionários”. Hoje, além do cinema, fala muito em “missão” as Empresas, que se apresentam com a sua “missão” e sua “Visão” de futuro de onde derivam objetivos metas e estratégias no mercado para assim realizar seus lucros.
·                 No contexto judaico-cristão “missão” é o que realizamos na vida, entendida como caminhada em direção ao futuro de felicidade com o Criador. Cada um tem sua Vocação (termo que vem do latim “vocare”=chamar). Habitualmente pensamos que missão impossível só no cinema. E assim como todos os povos e culturas, antigas e atuais, gostamos mais de nos identificar com mitos e ideologias. Hoje acompanhamos na Mídia as fotos e as aventuras dos “famosos” (artistas, políticos, atletas). Em geral estão são os “Heróis” contemporâneos, as “Divas” e demais figuras que se destacam. Entre novos deuses e semi-deuses.
·                 O Mestre de Nazaré seguiu outro caminho. Uma vida curta: não mais do que 30 e poucos anos. Dessa vida 10 por cento apenas serviu para ficar conhecido em sua Missão: anunciou a Boa Notícia para seu povo e para toda a humanidade,enquanto curava doentes e preferia os pobres. Passou fazendo o bem (Atos cap.10). Na maior parte de sua vida foi um simples habitante de sua aldeia. Afinal sua missão básica era ser como qualquer um de nós (isso que o vocabulário teológico vai chamar de “Encarnação”, do Filho de Deus). É o que temos contemplado neste Mistério do Deus que resolveu ser igual aos humanos. É o que tentamos compreender, desde o Advento/Natal no ciclo que iniciou o ano (litúrgico) 2014-15.
·                 A “vocação”, o “chamado”, a “missão” de cada um não depende, portanto, de ações espetaculare, extraordinárias, mundialmente conhecidas. Até os terroristas precisam ser espetáculo para realizar o que chamam sua “missão”, que é divulgar o ódio radical alimentado por ideologias ou interesses localizados, numa espécie de “vingança” pelo tempo em que foram “colônias” do Ocidente. Aliás, nem todos têm apio da Mídia. Há poucos dias, por exemplo, o grupo Boko Haram da Nigéria matou num só dia duas mil pessoas (quantidade semelhante ao 11 de setembro nas torres gêmeas...) que não conseguiram fugir de sua aldeia. É só mais um grupo entre dezenas de outros como os terroristas do Brasil, que sitiam as grandes cidades com vários PCCs, Primeiros comandos, Comandos vermelhos... Ou formam quadrilha entre alguns empresários, partidos e ocupantes de cargos públicos: escolheram ser criminosos “de colarinho branco”, adotando por “missão” trocar vidas humanas pelo dinheiro público.
·                 Os outros (99vírgula99 por cento da humanidade) vivem anônimamente, lutando com as dificuldades corriqueiras em sua família, bairro, emprego (ou desemprego); em sua vila ou cidade; nos ônibus ou trens, rotineiros como o pão de cada dia. Cada um vai realizar sua missão no anonimato da fila do supermercado, da fila do SUS, da fila do banco. Afinal, a vida comum é o lugar certo para responder àquela voz, íntima e terna, do Criador. Aceitar esse chamado é o começo da missão. Sem trombetas, nem palcos em aplausos.

Vinde e vede
·                 A 1ª leitura (1ºlivro de Samuel 3,3b-10.19) refere-se à “vocação para ser profeta. A 2ª leitura aponta para a vocação humana cujo grande “destino” é a ressurreição (1ª.carta aos Coríntios 6,13c-15a.17-20). No Evangelho joanino (1,35-42) o Batista encaminha seus discípulos para procurar outro Mestre. Eles foram e ouviram o convite: Vinde e vede.
·                 No tempo de Cristo, os discípulos – conforme a tradição rabínica existente – escolhiam seu mestre; eram por ele instruídos para saber interpretar as Escrituras numa atividade mais de tipo intelectual. Numa “Escola” de discípulos o mestre era conhecido pelo saber e o discípulo pelo desejo de conhecer. O método de Jesus ensinava mais um modo de viver, não era uma ciência. Os discípulos não ficavam numa “Escola”, mas andavam em seguimento do Mestre; aprendiam de suas palavras, mas, principalmente, viam e acompanhavam o que ele fazia em favor das  pessoas. No aprendizado “vivencial” o discípulo livremente progredia pela assimilação sem lavagem cerebral nem dependência fanática. Via o Mestre falando e agindo: ele passou fazendo o bem (cf.Atos 10,38; Lucas 9,6).
·                 O primeiro momento do discipulado é "Vinde": a iniciativa é dele que chama para o “Seguimento”. O segundo momento é “Vede": significa prestar atenção nesta pessoa, no que diz e como se comporta. Os primeiros discípulos, empolgados com sua experiência, levaram adiante a comunicação do que vivenciaram. É o que se resume no convite a Simão Pedro feito por seu irmão André.

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( * ) Prof.(1975-2012) Edu,Teo,Filo,Ética. fesomor2@gmail.com

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