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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 10 de janeiro de 2015

O Batismo de Jesus

O BATISMO DE JESUS

Comentários-Prof.Fernando


11 de Janeiro de 201 - Ano B

Evangelho - Mc 1,7-11


O BATISMO DE JESUS-José Slaviano


         Com o Batismo de Jesus, a Igreja encerra o tempo natalino e inicia o tempo da vida pública de Jesus, na qual Ele cumpre a vontade do Pai.Contina


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“TU ÉS O MEU FILHO AMADO EM TI ENCONTRO O MEU AGRADO”. – Olívia Coutinho

O BATISMO DO SENHOR!

Dia 11 de Janeiro de 2015

Evangelho de  Mc 1,7-11

          Neste domingo, depois de celebrarmos a Epifania do Senhor, somos agraciados com a solenidade do Batismo de Jesus, festa que marca a passagem  do tempo Natalino para o Tempo Comum, sinalizando o início do ministério de Jesus, quando Ele sai da sua vida oculta e entra para a vida pública.
O ponto forte da liturgia desta solenidade é a declaração de amor e confiança que o Pai transmite ao Filho no momento decisivo de sua vida:  “Tu és o meu filho amado, em ti encontro o meu agrado.”
O evangelho de hoje, nos coloca às margens do rio Jordão, precisamente, onde Jesus se  misturou  aos  pecadores para também receber o Batismo de  João, que era  um Batismo de conversão, o qual Jesus não precisaria, afinal, Ele não tinha pecado. Jesus quis se igualar a nós, menos no pecado.
Vendo Jesus se aproximar para receber o Batismo, João se surpreende, a  princípio  recusa Batizá-Lo dizendo: “Eu preciso ser Batizado por ti, e tu vens a mim?”( Mt3,13-14).  Mas os argumentos de Jesus,  convencem João,  e o seu  Batismo  acontece mesmo não sendo necessário.
Ao entrar na fila para receber o  Batismo de João,  Jesus  assume publicamente  a nossa  humanidade, estabelecendo desde já, um vínculo de proximidade com os pecadores  ao solidarizar-se  com eles. Com este gesto de total humildade, Jesus experimenta a fragilidade humana, deixando claro que Ele  não faria uso de suas prerrogativas divina na sua trajetória terrena. No ato do seu Batismo, Jesus  se mostra  totalmente  humano, “descendo” até a nossa realidade.  Conosco, acontece o inverso no nosso Batismo,  nós  “subimos” para nos aproximar do Divino!
No Batismo de Jesus, acontece a manifestação da Trindade Santa: O Pai faz uma declaração ao Filho e o Espírito se manifesta de forma  visível sobre Ele, em forma de pomba, o que retrata claramente a harmonia  entre as três pessoas da  Santíssima Trindade: Pai, Filho, Espírito Santo.
Ao sair das águas do rio Jordão, Jesus, ungido pelo Espírito do Senhor, dá início ao seu ministério, se fazendo nosso redentor, apagando o  nosso passado, transformando o  nosso presente,  e  garantindo o nosso futuro!
Assim como Jesus, recebeu  no momento do seu Batismo,  uma declaração de  amor e confiança do Pai,  que o encorajou,  nós também,  conscientes do nosso Batismo, devemos nos encorajar, abraçando a nossa missão. E pela força do Espírito Santo que recebemos no nosso Batismo, que  adquirimos coragem, motivação  para realizar a nossa missão, nos tornando grandes na nossa pequenez.
 O Batismo de Jesus amplia-se na vida de cada um de nós, é um chamado a vivencia da fé, a assumirmos  o compromisso de servidores  do Reino e simultaneamente  herdeiros deste tesouro. 
É importante  termos  um entendimento melhor da dimensão do nosso Batismo. O Batismo não deve ser visto como  tradição, como bênção para que a criança tenha mais saúde, ou para o perdão dos pecados, como era o Batismo de João.  O Batismo,  é compromisso, ele nos insere em Cristo, torna-nos participantes da vida Dele.
  Quando criança nossos pais e padrinhos assumem este compromisso, nos orientando  no  campo da fé, quando crescemos, a responsabilidade passa para nós.
 Como Batizados comprometidos com o  evangelho, sigamos o exemplo de fidelidade e  de humildade do profeta João Batista que fazia questão de enfatizar a sua pequinês diante a grandeza do Messias: “eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias.”
No nosso trabalho missionário, deixemos  que Jesus  apareça e não a nossa pessoa, afinal, o poder está Nele e não em nós, somos apenas instrumentos em suas mãos, é Ele quem age através de nós!
 Batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, somos inseridos na família Divina! Configurados nesta família, haveremos de  ver repetir no coração da Igreja  a mesma manifestação de Deus, como  no Batismo de Jesus: “ Você  é o meu filho (a) amado!”   
Celebrar o batismo de Jesus é  fazer memória do nosso próprio Batismo! Somos filhos amados do Pai configurados no Filho, tornaremos templos vivo do Espírito Santo!  

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A festa de hoje encerra o sagrado tempo do Natal: o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus:“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!” (3,17).
Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!
Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz.
Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt. 3,14s).Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!
Uma última observação, muito importante: João diz: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Para os cristãos, não há batismo nas águas, mas somente Batismo no Espírito, simbolizado pela água (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao se fazer homem igual a nós! Mas este testemunho não é festivo, não é de oba-oba, mas um testemunho dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia!
Eis! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de sua Estrela atraiu a si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: ele é o Filho querido, ele é o Servo sofredor, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-o, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com ele e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa


O batismo de Jesus é o ponto inicial do evangelho e dos evangelhos. A palavra grega evangelho significa boa notícia. Daí veio o título dado aos quatro livros que nos apresentam as diferentes faces de Jesus. É o ponto inicial dos evangelhos porque foi por aí que começou o Evangelho segundo Marcos, o primeiro dos quatro, dando a entender que a pregação do Batista era o “começo da boa notícia do Messias Jesus”.
É o ponto inicial do evangelho porque a “boa notícia do Messias Jesus” ou “do reinado de Deus” tem início ou começa a se divulgar a partir do momento em que Jesus se faz discípulo do Batista. Se, no contexto do império romano, evangelho era a “boa” notícia da chegada do imperador ou do reinado de Roma a determinado lugar, agora significa a boa notícia da chegada de Jesus e do reinado de Deus.
Hoje sofremos com o reinado do dinheiro e da competição. Ai dos vencidos, dos incompetentes. Até a natureza vai sendo arrasada pela cobiça. O reinado de Deus é boa notícia porque é diferente, é outra coisa, aponta em outra direção. É o reinado da vida, da alegria de servir e dar a vida em favor de todos; é o reinado da mesa universal de irmãos, a qual celebramos na eucaristia.
1º leitura (Is. 42,1-4.6-7)
No episódio do batismo de Jesus, a descida do Espírito Santo e a voz do céu lembram este poema do livro de Isaías. Isso quer dizer que Jesus veio realizar plenamente o que vamos ouvir na 1ª leitura.
É o primeiro de quatro poemas que se encontram na segunda parte do livro de Isaías e cantam um servo do Senhor que, com sua maneira de agir, une o povo de Deus e se torna luz para todas as nações. Ele é humilhado, massacrado, mas vence pela resistência. Ao final, no quarto poema, seus opressores reconhecem que ele estava certo e eles errados. (Esses poemas ou cânticos podem ser encontrados em Is. 42,1-7; Is. 49,1-6; 50,4-9; 52,13–53,12.)
O texto de hoje é o poema que anuncia a vocação do Servo do Senhor. Ele é o escolhido, o querido, alegria do coração de Deus. O Senhor faz descer sobre ele o seu espírito para que ele leve o direito a todas as nações, a partir da sua terra, o país de Judá, até as ilhas ou continentes mais distantes.
Sua maneira de agir é coerente com sua mensagem; para ele, o método é o conteúdo. “Não grita, não levanta a voz, lá fora, na rua, ninguém escuta o que ele está dizendo”. Não oprime o mais fraco, “não quebra o ramo já machucado nem apaga o pavio já fraco de chama. Fielmente promoverá o que é de direito, sem amolecer e sem oprimir”.
O Senhor o encarregou de promover a união, a aliança do seu povo, e ser luz para as nações (v. 6)
Os outros poemas vão dizer que ele é fiel a Deus, todo dia e o dia todo atento à sua palavra. Que encara a violência sem fazer violência, é coerente e tem a certeza de que, nas piores situações, Deus está do seu lado. Ele sofre, sofre terrivelmente, mas resiste, não se deixa abater, não perde a coragem nem desiste de sua missão. Por fim, os opressores, os mesmos que o fizeram sofrer e o consideravam o lixo da sociedade, reconhecem que ele estava certo e eles errados. Esse é o projeto de Deus.
O quarto poema ainda diz que, pelo caminho da coerência e da resistência, o Servo Sofredor, perseguido por ser justo, há de fazer que as multidões se tornem justas. Ninguém como Jesus preenche essas palavras.
2º leitura (At. 10,34-38)
A leitura resume as primeiras pregações dos apóstolos. A trajetória missionária de Jesus começa quando, companheiro dos pobres e dos pecadores, ele se faz batizar por João. O batismo de João não é só o início dos livros dos evangelhos, mas também marca o começo da chamada “vida pública” de Jesus, o evangelho, a boa notícia do reinado de Deus.
O livro dos Atos dos Apóstolos faz de Pedro o primeiro a levar a boa notícia de Jesus como Messias aos que não eram do povo judeu. Pedro está na casa de Cornélio, um oficial do exército romano na Judéia. Beneficiado por uma intervenção especial de Deus, que, por meio de uma visão, o orientou a procurar Pedro, Cornélio tinha mandado pedir que o apóstolo viesse à sua casa. Ele e seus dependentes estão prontos para ouvir a mensagem do evangelho.
Pedro fala: o começo de tudo foi o batismo de João. A partir daí, ungido por Deus com o Espírito Santo, Jesus passou fazendo o bem a todos os sofredores (todos os sofrimentos eram então atribuídos ao diabo, o inimigo do reinado de Deus). Deus estava com ele. O início do evangelho, a verdadeira boa notícia, foi o batismo de João.
Evangelho (Lc. 3,15-16.21-22)
O evangelho nos diz que Jesus começou por baixo, fazendo-se discípulo de João.
A versão do Evangelho segundo Lucas, que lemos ou ouvimos hoje, começa com uma alusão ao batismo de toda a gente. Jesus se fez batizar como tantos que iam a João, reconhecendo seus pecados e tornando-se seus discípulos. O entrar e sair da água significava o começo de uma vida nova. Na água eram sepultados os pecados do passado e o subir do rio significava o começo de nova vida como discípulo do Batista.
Segundo Marcos e Mateus, também Jesus vem à procura do batismo de João; como diz uma oração do Ritual do batismo, vem “solidário com os pobres e pecadores”. Até então, é apenas mais um que se faz batizar por João. Quando Jesus sobe do rio, porém, ocorrem outros acontecimentos significativos.
Lucas, como é do seu feitio, mostra Jesus em oração. Todos estavam se apresentando ao batismo. Depois de batizado, Jesus se põe a orar, momento em que os céus se abrem.
Zacarias era considerado o último profeta; depois dele teria se encerrado a profecia. Deus não falava mais, o céu estava fechado. O que se podia fazer, então, era apenas seguir o que diziam aqueles que conheciam a Lei de Deus e a explicavam – os escribas ou mestres da Lei de Deus. Tudo estava previsto, nada de novo podia ou devia acontecer.
Agora o céu se abre novamente, o que significa que Deus volta a falar. Jesus é o missionário do Pai, aquele que vem trazer novas revelações de Deus. Ele é um novo profeta, uma fala nova de Deus; traz na sua pessoa a mensagem de Deus para hoje, um recado diferente, novo e atual. Chega de submissão cega aos que se apoderaram da palavra de Deus! Deus abre a boca novamente: de agora em diante, vai falar por meio de Jesus.
Abrindo-se o céu, o Espírito, segundo Marcos, o Espírito de Deus, segundo Mateus, o Espírito Santo, segundo Lucas, desce sobre Jesus. É o Espírito que falou pelos profetas, que ungiu os profetas.
Nesse mesmo Evangelho de Lucas, em sua homilia programática na sinagoga de Nazaré, Jesus vai aplicar a si o texto de Isaías: “O Espírito do Senhor está em mim, ele me ungiu para eu anunciar a boa-nova...”. Se Deus agora fala, Jesus é o seu profeta, animado pelo seu Espírito.
Lucas diz que o Espírito Santo desceu “em forma corporal de pomba”. Na história de Noé, a pomba que volta à arca com um ramo de oliveira no bico é sinal de paz, de que o dilúvio terminou e novamente a vida é possível na terra. Na tradição judaica, porém, a pomba é também símbolo da shekiná, a morada, a presença de Deus. É, sem dúvida, o que ela aqui significa. Reforça a idéia do Espírito de Deus que desce sobre Jesus.
Com a descida do Espírito, a voz vinda do céu: “Tu és o meu Filho amado, em ti está a minha alegria” acentua mais ainda a ligação do episódio com o texto do livro de Isaías lido na 1ª leitura. Ali se diz: “É o meu escolhido, alegria do meu coração, eu pus nele o meu espírito, ele vai levar o direito às nações”. Tudo aponta para Jesus como aquele Servo de Javé ou do Senhor de cuja vocação e missão falam os quatro poemas.
O primeiro poema, 1ª leitura de hoje, já diz praticamente tudo; como já comentamos, fala da vocação, da missão e da maneira de agir do Servo. Sua missão é dupla: unir o povo de Deus e iluminar todas as nações, implantar o direito no país de modo que as ilhas distantes aguardem suas instruções. Tudo isso está sendo dito agora de Jesus no evangelho.


O Filho muito amado do Pai nas águas do Jordão
Com a festa do Batismo do Senhor no rio Jordão fecham-se as cortinas do tempo do Natal. Celebramos aquele momento da história  do Messias  em que ele se  associa aos pecadores que iam ao Jordão receber o  batismo de água de João Batista.
Havia no ar interrogações. Todos perguntavam no seu íntimo se João Batista não seria o Messias. O filho da velhice de  Isabel e Zacarias  afirmou claramente que viria um outro que batizaria  na água e no Espírito. Ele não era o Messias.
“Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo”.
O Jordão corria placidamente. As pessoas chegavam de um canto de e outro. Vinham receber o batismo das mãos daquele que, precisamente  se chamava de João Batizador.
O filho de Maria é um homem feito. Ele se dá conta que sua missão de anunciador de um mundo novo da parte do Senhor está para começar. Sua vida pública seria inaugurada com o batismo. Ele, aquele que era toda transparência e toda pureza se  junta ao cortejo dos pecadores. Ele chega. Observa a movimentação. Pessoas que iam chegando de todos os cantos. Ele acerta o passo com esses todos que se dirigem às águas. Não chama atenção. É um penitente como os outros penitentes. Aos poucos vai entrando nas águas… Essas águas que lembravam as águas do Mar Vermelho, as águas que jorraram do rochedo no deserto, as águas que saiam o templo. Enquanto  vai entrando e penetrando lembra-se de todas as águas. Um dia, de seu peito aberto, haveriam de brotar sangue e água.  Passo após passo vai se aproximando do Batista.
Jesus é o servo de Javé. “Eis o meu servo, eis o meu eleito… ele não levanta a voz… Eu o tomei pela mão… eu te formei e te constitui com centro da aliança com o povo… para seres luz das nações, abrires os olhos dos cegos, libertar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que  vivem na trevas”.
“E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito  Santo desceu sobre Jesus em  forma visível, como pomba.  E do céu  veio uma voz: “Tu és o meu  Filho amado,  em ti ponho o meu benquerer”.
O Filho amado que era todo transparência se fez pecado e ingressou no cortejo dos pecadores para ser o cordeiro imaculado que tira o pecado do mundo…
Deixando o Jordão Jesus se deixou possuir por sua missão.
frei Almir Ribeiro Guimarães


Jesus recebe sua missão na oração
O relato lucano do batismo de Jesus se caracteriza pela menção da oração, feição constante do evangelho de Lucas. Jesus, exemplo do cristão, procura na oração a vontade do Pai, vontade que se manifesta na visão do céu aberto e da vinda do Espírito Santo (cf. comentário ano B). No conjunto da obra lucana, o batismo é o início da atuação messiânica de Jesus (cf. At. 10,37 - 1ª leitura). Por isso, segue-se a genealogia, como convém quando se descreve a investidura de um alto dignitário.
Quanto a nós, podemos ver no fato de Jesus receber sua missão na oração um exemplo para nossa vida. Recebemos nossa missão de Deus no encontro com ele no silêncio, imersos no mistério da vida divina. Não por razões humanas (sucesso, insistência de partidários etc.), mas por ter buscado a vontade de Deus é que Jesus assume a missão messiânica.
Observe-se que, embora contemplando Deus, Jesus não está separado do povo, mas participa com todo o povo no movimento que surgiu em tomo do Batista. Cristo é o protótipo do fiel na Igreja e na humanidade. (A genealogia inserida por Lucas remonta até “Adão, filho de Deus”.) Assim seja o cristão: participando com seus irmãos na comunidade do batismo, esteja em contínua união com o Pai e assuma sua missão para a salvação de todos.
Tomado do meio do povo e enviado por Deus
Às vezes se percebe, na Igreja, certo conflito entre os agentes de evangelização que procuram inserir-se nas lutas do povo e os que tentam puxar o povo para a igreja, para rezar. Será que, necessariamente, essas duas coisas são incompatíveis?
Com trinta anos de idade, Jesus se deixou batizar por João Batista (evangelho). Ele aderiu ao movimento de conversão lançado por João. Nem todos os judeus aderiam a esse movimento. Os fariseus e os sacerdotes o criticavam. Mas os pecadores, os publicanos, os soldados e as prostitutas, estes se deixavam purificar por João, para poderem participar do Reino de Deus. E também Jesus, solidário com os que se queriam converter, se deixou batizar. Batizado assim junto com todo o povo e encontrando-se em oração – encontrando-se junto a Deus no meio do povo – Jesus ouviu a voz: “Tu és o meu filho amado, em ti encontro o meu agrado”. E recebeu o Espírito de Deus, para cumprir a sua missão, para anunciar a boa-nova do Reino aos pobres e libertar os oprimidos (1ª leitura). Deus o chamou e o enviou, exatamente, no momento em que ele vivia em total solidariedade com o povo e com Deus mesmo. Por isso, enviado por Deus do meio do povo, ele podia ser o libertador desse povo.
Houve um tempo em que a Igreja não entendia bem essas coisas. Considerava o povo como mero objeto de evangelização. Mandava evangelizadores que não viviam em solidariedade com o povo; havia até padres que sentiam nojo, não só do pecado como também do pecador … Nossa Igreja redescobriu a importância de seus evangelizadores viverem solidários com os que devem ser evangelizados, sentirem seus problemas e dificuldades … e sua boa vontade. Mas, para poderem transmitir a sua mensagem evangelizadora, é preciso também que estejam perto de Deus e, na oração, escutem a sua voz. E isso vale não só para os padres e os religiosos, mas para todos os que Deus quiser enviar para levar sua palavra a seus irmãos: catequistas, ministros leigos, líderes, pessoas que ocasionalmente têm que transmitir um recado de Deus … Têm de ser solidários com o povo e unidos a Deus. Então, seu batismo – ao modelo do batismo de Jesus – será realmente a base de sua missão.
Johan Konings "Liturgia dominical"


Comemoramos, hoje, o Batismo de Jesus pelas mãos de João Batista nas águas do rio Jordão. O relato do evangelista Lucas sobre o batismo de Jesus se caracteriza pelo destaque da oração, onde Jesus, exemplo de cristão, procura na oração a vontade do Pai.
Este momento é também considerado uma Epifania, pois a divindade de Jesus é manifestada a todos diretamente dos céus.
João proclamava “um batismo de arrependimento” para aqueles que esperavam o Messias e desejavam uma mudança de vida, pois vivam oprimidos. Muitos se tornaram discípulos de João Batista e depois seguiram a Jesus.
Uma multidão de pecadores – publicanos, soldados, fariseus, saduceus e prostitutas – o procuravam para ser batizados, e pensavam que ele pudesse ser o Enviado. Porém, ele declara não ser o Messias, afirmando sua condição menor que um escravo: “não sou digno de desamarrar as sandálias dele.” E fala do tipo de Batismo de Jesus: no Espírito Santo (um ato de Deus que traz salvação) e no fogo (aquele que transforma o que toca).
Jesus também quis submeter-se ao batismo de João, pois sempre seguiu as leis de Moisés. Esse momento era o marco do início de sua vida pública. O seu Batismo não foi de conversão, mas o primeiro passo para realizar a sua missão.
João hesita, pois não se sente digno de batizar o Salvador do mundo, porém Jesus insiste e recebe o Batismo. Enquanto Jesus rezava o Espírito Santo desceu sobre Ele depois que foi batizado. Esse detalhe é importante porque apresenta Jesus como aquele que reza, ensinando aos homens que o dom do Espírito Santo é a resposta de Deus à oração. O céu se abre, como sinal de Deus que entra em comunhão com a humanidade. Neste ato, a Trindade se faz presente: ouve-se a voz do Pai, o Filho é apresentado na pessoa de Jesus e o Espírito Santo desce visivelmente sobre Ele. Confirmado pelo Pai e fortalecido pelo Espírito Santo, Jesus inicia, então, a sua vida pública.

O filho amado
A cena do batismo revela o traço fundamental da identidade de Jesus: sua condição de Filho amado de Deus. Outro elemento importante desta identidade é oferecido pelo quadro trinitário no qual a revelação é feita. Do céu, o Pai se dirige ao Filho, e o Espírito Santo desce sobre ele, em forma de pomba. A origem divina de Jesus fica, assim, perfeitamente evidenciada. Ele provém do seio da Trindade, em cujo nome exercerá sua missão.
Daqui decorrem dois eixos da ação histórica de Jesus. Ela se desenrolará na mais absoluta fidelidade a Deus, refletindo-se nela o agir divino em favor da humanidade. Da fidelidade decorrerá a liberdade. Jesus não suportará que criatura alguma, nem mesmo as tradições religiosas se imponham em sua vida, de forma absoluta. Ele jamais suportou a tirania da Lei e dos costumes do povo quando, contrastavam com o projeto do Reino de Deus.
A pessoa e a ação de Jesus, sendo baseadas na fidelidade e na liberdade, suscitarão constantes conflitos. Apesar disto, como Filho amado, ele não abrirá mão do projeto traçado pelo Pai.
padre Jaldemir Vitório

Jesus foi batizado no rio Jordão por João Batista. A Santíssima Trindade se manifestou. O Pai falou do céu, o Filho estava na água e o Espírito apareceu em forma de pomba. Jesus é o Filho amado e sobre ele pousa o Espírito. O Menino que nasceu em Belém já está com trinta anos. Tornou-se adulto e vai agora começar a sua vida pública, sua ação missionária, sua pregação.
Trinta anos se passaram. O que Jesus fez nesse tempo? Nada, ou nada de especial. Ele viveu simplesmente como qualquer um de nós. Viveu a vida de cada dia. Quando dizemos viveu, significa que viveu intensamente. Tomou a existência nas mãos e a viveu com entusiasmo. Dele se diz que fez bem tudo o que fez. Jesus não vegetou durante 30 anos. Na vida oculta de Nazaré, Ele já era o Salvador feito homem. Esse período da vida de Jesus ilumina a nossa vida de cada dia e mostra o valor que ela tem diante de Deus. Viver intensamente esta vida neste mundo é louvar o Criador de todas as coisas. Nossa vida às vezes parece monótona e comum demais, sem nada de extraordinário. O extraordinário é a própria vida e, se bem vivida, é um bem extraordinário.
Passado o tempo de Nazaré, Jesus entra nas águas do Jordão, revela-se ao mundo como o Filho amado do Pai. Depois é levado pelo Espírito ao deserto, de novo a Nazaré, e por toda parte, para o cumprimento de sua missão. Esse período é bem mais curto, de dois a três anos. Nós o chamamos de "a vida pública de Jesus". É um tempo especial, marcadamente missionário, de pregações e sinais.
João pregava um batismo de penitência para preparar a vinda do Senhor. Jesus é o Senhor, que santifica com o seu corpo as águas do rio Jordão. Seu batismo real será na cruz, quando o sangue correr de seu coração para lavar o pecado do mundo. Ele se referiu a esse batismo quando perguntou a Tiago e João: "Vocês podem beber o cálice que eu vou beber e ser batizados com o batismo com que serei batizado?" (Mc. 10,38).
João Batista dizia que Jesus veio batizar no Espírito Santo e no fogo. Com sua morte e ressurreição, Jesus nos dá o Espírito que nos faz passar pelo fogo da purificação. O mundo inteiro recebe o Espírito, mas só os que têm a revelação sabem disso. Eles são chamados a compor o corpo visível de Cristo neste mundo, que é a sua Igreja, e conscientes pela revelação dada, como fogo iluminam o mundo e o purificam enquanto eles mesmos passam pela provação da purificação. São Paulo os chama de "comprovados" com diversas formas do verbo provar-aprovar. Você é escolhido e provado e assim se torna apto para a missão.
O Espírito Santo é Amor criativo e o fogo ilumina, aquece e queima. No batismo recebemos o Espírito para iluminar, aquecer e queimar. Uma comunidade cheia do Espírito Santo é criativa e construtiva, está sempre em movimento e pensa sempre no bem dos outros. Quem foi batizado no batismo de Jesus não é turista na Igreja nem mero espectador. Não passa para ver o que está acontecendo ou entra para assistir a um espetáculo. A celebração litúrgica na comunidade é um momento forte na vida do batizado, que age no mundo.
cônego Celso Pedro da Silva


O batismo de Jesus
A solenidade do batismo é a primeira solenidade do Senhor no tempo comum. Os sinóticos coincidem em afirmar que o batismo é a ocasião da investidura messiânica de Jesus. Quanto à extensão, os relatos diferem entre si: o de Marcos é o mais breve, o de Mateus o mais longo. Há, ainda, entre eles, diferenças de detalhes importantes. Dada a exiguidade do espaço, fica para o leitor o apaixonante exercício do estudo comparativo entre os três evangelhos. Normalmente, dizemos que o gênero literário é a "visão interpretativa".
Fixemo-nos, agora, em Lucas. Um dado interessante é que, no terceiro evangelho, a cena do batismo de Jesus é apresentada depois da prisão de João. Talvez Lucas queira distinguir o tempo de João do tempo de Jesus. Distinção que ele faz em 16,16: "A Lei e os profetas vão até João. Daí em diante é anunciada a Boa-Nova do Reino de Deus". A cena do batismo é precedida da pregação de João Batista que, em coerência com a teologia lucana dos evangelhos da infância, afirma que ele não é o Messias. Ele batiza com água, mas o Messias, que vem depois dele, "batizará com o Espírito Santo e com fogo" (v. 26). O que purifica é a presença do Espírito do qual Jesus é portador.
O céu se abre! O céu pode se abrir? Na linguagem simbólica, o céu se abre para que desça o que é celeste. É na oração de Jesus que o céu se abre, isto é, na oração de Jesus é que se dá uma verdadeira comunicação entre o céu e a terra. E o Espírito Santo, do qual Jesus é revestido para a sua missão, faz com que a terra não seja estranha ao céu, e o céu ilumine o que é da terra. Há, ainda, um outro detalhe a ser considerado, próprio a Lucas: "o Espírito Santo desceu sobre ele, em forma corpórea." (v. 22). Para Lucas, a expressão "em forma corpórea" significa que o Espírito Santo não é considerado uma realidade invisível ou intangível. Ele pode ser tocado e visto na pessoa de Jesus. O sentido do que foi narrado é dado pela voz celeste, que evoca o Sl. 2,7: "Tu és o meu filho amado, em ti eu me agrado". Esse Salmo evoca o triunfo do Ressuscitado e afirma a filiação divina de Jesus.
Carlos Alberto Contieri, sj


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