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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pescadores de homens

3º DOMINGO TEMPO COMUM

Comentários-Prof.Fernando


Evangelho - Mc 1,14-20


-PESCADORES DE HOMENS-José Salviano


25 de Janeiro de 2015
ANO B

Convertei-vos e crede no Evangelho!...  Irmãos. É isso que precisamos dizer ao mundo de hoje.  Porque é essa a frase que todos precisam ouvir!  Continua


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“SEGUI-ME E EU FAREI DE VÓS PESCADORES DE HOMENS.”- Olívia Coutinho

3º DOMINGO COMUM

Dia 25 de Janeiro de 2015

Evangelho Mc 1,14-20

Deus, ao nos criar, quis também fazer parte da nossa vida! Ele não nos criou para sermos meros viventes, fomos criados para  relacionar com Ele e esta relação amorosa, se faz por meio de Jesus!
No nosso encontro com Jesus, descortina-se diante de nós, um novo horizonte ampliando a nossa visão, nos fazendo enxergar  possibilidades que antes não víamos!
O evangelho que a liturgia deste domingo nos apresenta, narra os primeiros passos da vida pública de Jesus, o que aconteceu  num momento conflituoso, logo após a prisão de João Batista. Ao contrário do que muitos pensavam, a prisão de João Batista não intimidou Jesus, pelo contrário, o encorajou ainda mais!
A prisão de João Batista, ao mesmo tempo que marcou um tempo de grandes turbulências,  marcou também, o início de um tempo novo, as  promessas de Deus, começam a se cumprirem com a entrada de Jesus no coração da humanidade! 
 “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho.” Com estas palavras, Jesus se apresenta como sendo Ele a presença do Reino, Ele é o Reino de Deus!  Para fazer parte deste Reino, ou seja: da vida de Jesus, só nos é exigida uma condição: a conversão do coração! Sem uma mudança radical de vida, não tem como pertencer a este Reino, que é um reino de amor de Paz e de justiça! Graças ao testemunho de João, Jesus não entra na história como um simples forasteiro, o povo já sabia que Ele era o enviado de Deus, o Messias anunciado pelos profetas!
Constata-se a partir daí, um tempo de graça, a  palavra de Deus começa a ganhar vida nas ações vivificantes de Jesus! Se quisesse, Jesus poderia realizar as obras do Pai, sozinho, mas Ele quis contar com um  pequeno grupo de pessoas que participando diretamente  do seu cotidiano, presenciando os seus feitos, poderiam mais tarde dar testemunho Dele.  Para formar este grupo, que recebera o nome de Apóstolos, (enviados), Jesus não vai  atrás de pessoas letradas, as suas primeiras escolhas, paira sobre os pescadores, homens simples, porém corajosos, trabalhadores, acostumados com os desafios de buscar o sustento de cada dia, nas profundezas do mar, às vezes revolto!
Mediante o chamado de Jesus, estes pescadores, não hesitaram  em  deixar  tudo  para seguir Jesus! De pescadores de peixes, eles passam a ser  pescadores de homens, dispostos a lançar suas redes nas profundezas do mar humano!
  Graças ao testemunho desta pequena comunidade fundada por Jesus,  a mensagem salvífica de Jesus continua  ecoando no coração da humanidade, de geração em geração!
 Hoje, somos nós, os convocados  a dar continuidade ao projeto de Deus, nos tornando  presença viva de Jesus em meio aos conflitos! É urgente a necessidade de homens e mulheres  corajosos, dispostos a lançar suas redes em águas mais profundas, a devolver a esperança aos corações desesperançados!  É apontando Jesus ao outro,  abrindo caminho, construindo ponte entre irmãos que daremos testemunho de Jesus, sendo sal e luz do mundo, como Ele mesmo afirma que o somos. Mt5,13-14
 A caminhada de um verdadeiro seguidor de Jesus  é árdua, pois nela está presente  cruz, mas a certeza  da presença contínua de Jesus junto dele,  o motiva,  o faz confiar no êxito da sua missão!
Mais importante do que ser Cristão, é ser discípulo de Jesus, pois o discípulo, não somente crê em Jesus, ele  torna-se íntimo Dele, um seu aprendiz! A convivência com Jesus, transforma  a vida  discípulo, o inquieta, o faz   ter pressa de levar ao outro o que aprendeu do Mestre.
Deus quer salvar a humanidade convocando cada um de nós para uma missão, Ele quer contar com a nossa disposição, com o nosso serviço na construção de um mundo melhor, ser indiferente ao chamado de Jesus, é ignorar o projeto de Deus que tem como prioridade, a vida! 

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Nestes inícios do tempo comum, a liturgia apresenta-nos também os inícios do Evangelho segundo Marcos. Hoje Jesus aparece inaugurando seu ministério público. Suas palavras são consoladoras: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo!” Eis! A esperança de Israel até que enfim iria realizar-se: o Messias, o Salvador esperado estava chegando para instaurar o Reino! Com Jesus, com sua Pessoa, seus gestos e sua pregação, o Reinado de Deus, a proximidade do Santo de Israel, seria realmente tocada pelo povo de Deus. É isso o Reino de Deus: em Jesus, Deus fez-se próximo, Deus veio acolher, consolar, indicar o caminho, salvar! Em Jesus, o Filho amado, Deus veio revelar sua paternidade, debruçando-se sobre o aflito, o pobre, o pecador. Chegou o Reino: Deus veio consolar o seu povo!
Mas, há algo surpreendente nesse alegre anúncio de Jesus: logo após afirmar que o Reino chegou, o Senhor intima o povo: “Convertei-vos e crede no Evangelho!” Por que Jesus dá esta ordem? Os israelitas não estavam esperando o Reino? Por que precisam se converter?
O Reino que Jesus veio trazer não é de encomenda, não é sob medida, como gostaríamos. O Senhor não vem nos trazer um Deus à nossa medida, à medida do mundo, um deus moderninho para consumo das nossas necessidades, interesses e expectativas. No mundo do fácil, do prático e do descartável, gostaríamos de um deusinho assim... Jesus nos grita: “Convertei-vos! Crede no Evangelho!” O Reino somente será Boa-Notícia para quem abrir-se à surpresa inquietante do Deus que Jesus anuncia. Acolher a novidade, a Boa-notícia, o Evangelho, acolher esse Deus que chega, exige que saiamos de nós mesmos, como os ninivitas que, escutando o apelo de Jonas, converteram-se! Mais tarde, Jesus irá criticar duramente o seu povo: “Os habitantes de Nínive se levantarão no Julgamento, juntamente com esta geração, e a condenarão, porque eles se converteram pela pregação de Jonas. Mas aqui está algo mais do que Jonas!” (Mt. 12,41). Como é atual a Palavra deste domingo! Cheios de nós, adormecidos e satisfeitos com nossos pensamentos, com nossa lógica cômoda e pagã, jamais poderemos acolher o Reino em nós e experimentar sua alegria e sua paz! Não esqueçamos, caros em Cristo: a primeira palavra do Senhor no Evangelho é “convertei-vos!” Não é possível domar Jesus, não é possível um cristianismo sob medida! Não é por acaso que o Evangelho de hoje começa falando da prisão de João Batista, aquele santo profeta que preparou a vinda do Reino. O Reino sofre violência; violência do mundo, violência do nosso coração envelhecido pelo pecado, da nossa razão tanta vez fechada para a luz do Cristo. Por isso mesmo, logo após apresentar o apelo de Jesus, são Marcos nos fala da vocação dos quatro primeiros discípulos. Certamente, esse chamado deve ser compreendido de modo muito particular como referindo-se à vocação sacerdotal, que faz dos chamados “pescadores de homens”. Mas, esse chamamento indica também a vocação de todo cristão: seguir Jesus no caminho da vida. Nesse sentido, a lição é clara: seguir Jesus exige deixar tudo, deixar-se e colocar a vida em relação com o Senhor! Somente assim poderemos acolher o Reino!
Nunca esqueçamos: diante da urgência de estar com Jesus, de viver unido a ele, de acolher sua pessoa, tudo o mais é relativo! Daí a advertência de São Paulo na segunda leitura de hoje: “O tempo está abreviado. Então que, doravante os que têm mulher vivam como se não tivessem, os que choram, como se não chorassem e os que estão alegres, como se não estivessem; os que fazem compras como se não possuíssem; e os que usam do mundo, como se dele não estivessem gozando. Pois passa a figura deste mundo”. Aqui, não se trata de desvalorizar o mundo e o que de belo e de bom há nele. Trata-se, sim, de colocar as coisas na sua real perspectiva, na perspectiva do Infinito de Deus e da urgência do Reino. O mundo atual, com sua cultura pagã, deseja que esqueçamos os verdadeiros valores, que absolutizemos aquelas coisas que são relativas, que deixemos de lado aquilo que realmente importa. E o que importa? Escutai, caríssimos: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado!” (Mt. 6,33). Somos chamados a abrir nossa existência, abrir nosso coração, nossa vida, nossos valores para o Cristo que nos traz o Reino do Pai do Céu! Mas somente poderemos acolhê-lo de fato se nos colocarmos diante dele com um coração de pobre, com a consciência de que precisamos realmente do Senhor, que, sozinhos, não nos realizaremos, não seremos felizes, não alcançaremos a verdadeira vida!
É triste perceber hoje quantos cristãos se sentem tão à vontade nessa sociedade consumista, secularizada, pagã e satisfeita consigo própria. Esses, infelizmente, jamais experimentarão a doçura do Reino, que somente poderá ser compreendido por quem chorou, quem teve fome e sede de justiça (isto é de amizade com Deus), quem foi puro, que foi perseguido... É por isso que tantas vezes ouviremos, nos domingos deste ano, o Senhor afirmar que somente poderá compreender e acolher o Reino quem tiver um coração de pobre.
Convertamo-nos! Levemos a sério que o modo de pensar e sentir de Deus não são o nosso! Tenhamos a coragem de nos deixar por Cristo. São Jerônimo, comentando a atitude dos quatro primeiros discípulos chamados pelo Senhor, afirma: “A verdadeira fé não conhece hesitação: imediatamente ouve, imediatamente crê, imediatamente segue...” Seja assim a nossa fé no Senhor, seja assim nossa adesão ao nosso Salvador! Então, seremos felizes de verdade, porque perceberemos que o que Cristo nos trouxe é uma Boa Notícia, a melhor de todas: Deus nos ama, caminha conosco e, no seu bendito Filho, nos convida à amizade íntima com ele, nesta vida e por toda eternidade!
dom Henrique Soares da Costa
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 O Reino de Deus está aí:  convertei-vos
Encerrado o tempo natalino, os evangelhos da liturgia dominical apresentam em lectio continua o início da pregação de Jesus segundo o evangelista do ano, no caso, Marcos. Assim, ouvimos hoje a proclamação da chegada do reino de Deus e da conversão que deve acompanhar essa boa notícia. Isso não deixa de suscitar algumas perguntas. Por que “conversão” ao receber uma boa notícia?
De fato, na 1ª leitura e no evangelho de hoje, a pregação da conversão ressoa em duas articulações bem diferentes, revelando a distinção entre o antigo e o novo. Na 1ª leitura, de Jonas, trata-se de pregação ameaçadora, dirigida à “grande cidade” Nínive, capital da Assíria. Diante do medo que a pregação inspira, a população abandona o pecado e faz penitência, proclamando o jejum e vestindo-se de saco; e Deus, demonstrando sua misericórdia universal, poupa a cidade.
O Evangelho de Marcos, por outro lado, resume a pregação inicial de Jesus, não na capital do mundo, nem mesmo no centro do judaísmo, mas na periferia da Palestina. Não anuncia uma catástrofe, mas a plenitude do tempo. “O tempo está cumprido”. Chega de castigo: o “reino de Deus” está aí. É uma mensagem de salvação, dirigida aos pobres da Galileia. O “Filho”, que no batismo recebeu toda a afeição do Pai e foi ungido com o Espírito profético e messiânico, leva a boa-nova aos pobres, partilhando a opressão e demonstrando a compreensão verdadeira do amor universal de Deus, que começa pelos últimos. 
Enquanto a mensagem de Jonas logrou êxito por causa do medo, a mensagem de Cristo solicita conversão pela fé na boa-nova. Enquanto na história de Jonas a aceitação da mensagem faz Deus desistir de seus planos e a história continua como antes, no Novo Testamento vemos que a proclamação da boa-nova exige fé e participação ativa no reino cuja presença é anunciada.
Como no domingo passado, a 2ª leitura tem um tema independente, tomado das “questões particulares” da primeira carta aos Coríntios, a visão de Paulo a respeito dos diversos estados de vida.
1ª leitura (Jn 3,1-5.10)
A 1ª leitura de hoje narra, no estilo profético-sapiencial, a conversão de Nínive segundo o livro de Jonas. Deus quer a conversão de todos, e não só do povo de Israel. Por isso, Jonas deve pregar a conversão em Nínive, capital do império dos gentios (a Assíria). E acontece o que um judeu piedoso não poderia imaginar: a cidade se converte em consequência da pregação do profeta fujão. Deus chama à conversão, e quem aceita o chamado é salvo.
O salmo responsorial (Sl. 25[24],4ab-5ab.6-7bc.8-9) sublinha a importância da conversão: Deus guia ao bom caminho os pecadores.
Evangelho (Mc. 1,14-20)
Devidamente introduzido pela aclamação, o evangelho narra o início da pregação de Jesus como anúncio da chegada do reino de Deus e exortação à correspondente conversão. O Evangelho de Marcos é o evangelho da “irrupção do reino de Deus”. Como Jonas, na 1ª leitura, Jesus aparece como profeta apocalíptico, mas, em vez de uma catástrofe, anuncia a boa-nova da chegada do reino e pede conversão e fé. E isso com a “autoridade” do reino que se revela na expulsão de demônios e outros sinais (Mc. 1,22.27). Ele é o “Filho de Deus” (1,1; 9,7; 15,39; cf. 1,11).
Mas por que essa mensagem exige conversão? A mensagem de Jonas logrou êxito e produziu penitência à base do medo, a mensagem de Cristo solicita conversão à base da fé na boa-nova. Observe-se que conversão não é a mesma coisa que penitência. Certas Bíblias traduzem, erroneamente, Mc. 1,15 como “fazei penitência” em vez de “convertei-vos”. Penitência tem a ver com pena, castigo. Conversão é dar nova virada à vida. O grego metanoia sugere uma mudança de mentalidade. Por trás disso está o hebraico shuv, “voltar” (a Deus), não por causa do medo, mas por causa da confiança no dom de Deus, o “reino de Deus”, que é o acontecer da vontade amorosa do Pai, como reza o pai-nosso: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade”. Onde reinam o amor e a justiça, conforme a vontade de Deus, acontece o reino de Deus. Na medida em que Jesus se identifica com essa vontade e a cumpre até o fim, até a morte, ele realiza e traz presente esse reino em sua própria pessoa. Ele é o reino de Deus que se torna presente. Todo o Evangelho de Marcos desenvolve essa verdade.
No início, o significado de Jesus e de sua pregação está envolto no mistério, mas, aos poucos, há de revelar-se para quem acreditar na boa-nova, sobretudo quando esta se tornar cruz e ressurreição.
Por isso, enquanto na história de Jonas a aceitação da mensagem faz Deus desistir do castigo anunciado, em Mc 1 a proclamação da boa-nova exige fé e participação ativa no reino que a partir de agora abre espaço. A aceitação da pregação de Jesus faz o homem participar do reino que ele traz presente. Essa adesão ativa é exemplificada no chamamento dos primeiros seguidores. Imediatamente depois de ter evocado a primeira pregação de Jesus, Marcos narra a vocação dos primeiros discípulos, vocação que os transforma, pois faz dos pescadores de peixe “pescadores de homens”. Eles são uma espécie de parábola viva: sua profissão é símbolo da realidade do reino à qual eles estão sendo convidados. E eles abandonam o que eram e o que tinham – até mesmo o pai no barco...
2ª leitura (1Cor. 7,29-31)
Em 1Cor. 7, Paulo responde a perguntas com relação ao casamento. As respostas, cheias de bom senso e sem desprezo algum da sexualidade (cf. comentário do domingo passado), revelam um tom de “reserva escatológica”; ou seja: tudo isso não é o mais importante para quem vive na expectativa da parúsia. Porque “o tempo é breve” (7,29), matrimônio ou celibato, dor ou alegria, posse ou pobreza são, em certo sentido, indiferentes. Paulo se estende a respeito do matrimônio (recordando as palavras do Senhor) e a respeito do celibato (expressando seus próprios conselhos). O estado de vida é realidade provisória, que perde sua importância diante do definitivo que se aproxima depressa (Paulo, como os primeiros cristãos em geral, acreditava que Cristo voltaria em breve). Na continuação do texto, Paulo mostra o valor de seu celibato como plena disponibilidade para as coisas de Cristo – uma espécie de antecipação da parúsia (7,32).
Casamento, prazer, posse, como também o contrário de tudo isso, são o revestimento provisório da vida, o “esquema” (como diz o texto grego) que desaparecerá. Já temos em nós o germe de uma realidade nova, e esta é que importa. Assim, Paulo evoca a dialética entre o provisório e o definitivo, o necessário e o significativo, o urgente e o importante. Mas essa dialética deve ser formulada novamente em cada geração e em cada pessoa. Nossa maneira de articulá-la não precisa ser, necessariamente, a mesma de Paulo, que pensa na vinda próxima do Cristo glorioso. Podemos repartir com ele um sadio “relativismo escatológico” (Quid hoc ad aeternitatem?), porém, a maneira de relativizar o provisório pode ser diferente da sua. Relativizar significa “tornar relativo”, “pôr em relação”. O cuidado de viver bem o casamento ou qualquer outra realidade humana – o trabalho, o bem-estar etc. – deve ser posto em relação com o reino de Deus e sua justiça.
Dicas para reflexão
O evangelho contém os temas do anúncio do reino, da conversão e do seguimento. Como o tema da conversão será aprofundado na Quaresma, podemos orientar a reflexão para o tema do seguimento dos discípulos, pensando também no lema da Conferência de Aparecida: “discípulos-missionários”.
Muitos jovens entre os que demonstram sensibilidade aos problemas dos seus semelhantes encontram-se diante de um dilema: continuar dentro do projeto de sua família ou dispor-se a um serviço mais amplo, lá onde a solidariedade o exige. Foi um dilema semelhante que Jesus fez surgir para seus primeiros discípulos (evangelho). Ele andava anunciando o reinado do Pai celeste, enquanto eles estavam trabalhando na empresa de pesca do pai terrestre. Jesus os convidou a deixar o barco e o pai e a tornar-se pescadores de gente. O reino de Deus precisa de colaboradores que abandonem tudo, para que cativem a massa humana que necessita do carinho de Deus.
Esse carinho de Deus é aceito na conversão e na fé: conversão para sair de uma atitude não sincronizada com seu amor e fé como confiança no cumprimento de sua promessa. Deus quer proporcionar ao mundo seu carinho, sua graça. Não quer a morte do pecador, e sim que ele se converta e viva. Jesus convida à conversão porque o reino de Deus chegou (Mc. 1,14-15). Para ajudar, chama pescadores de gente. Tiramos daí três considerações:
• Deus espera a conversão de todos, para que possam participar de seu reino de amor, justiça e paz.
• Para proclamar a chegada do seu reinado e suscitar a conversão, o coração novo, capaz de acolhê-lo, Deus precisa de colaboradores que façam de sua missão a sua vida, até mesmo à custa de outras ocupações (honestas em si).
• Mas, além dos que largam seus afazeres no mundo, também os outros – todos – são chamados a participar ativamente na construção desse reino, exercendo o amor e a justiça em toda e qualquer atividade humana.
É este o programa da Igreja, chamada a continuar a missão de Jesus: o anúncio da vontade de Deus e de sua oferta de graça ao mundo; a vocação, formação e envio de pes-soas que se dediquem ao anúncio; e a orientação de todos para a participação no reino de Deus, vivendo na justiça e no amor.

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O tempo se completou
Marcos descreve assim o começo da atividade pública de Jesus: “Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho”.
Terminara o tempo das preparações.  O povo, durante séculos, foi sendo acompanhado pelos profetas, por líderes do povo, por homens carismáticos.   Páginas admiráveis do Testamento Antigo nos falam de pessoas que foram profundamente tocadas  em seu interior pelos profetas. “Os ninivitas acreditaram em Deus; aceitaram  fazer jejum e vestiram sacos, desde o superior ao inferior. Vendo Deus suas obras de conversão e que os ninivitas se afastavam do mau caminho, compadeceu-se  e suspendeu o mal que tinha ameaço fazer-lhes, e não o fez”. Os que mudam e conduta tocam as fibras da bondade de Deus.
O coração de Deus, as atenções do Altíssimo se voltaram sempre para suas criaturas querendo-as voltadas para seu amor.  Conversão significa realizar uma reorientação da vida. Procurar um outro horizonte, diferente dos interesses pequenos e mesquinhos  que suplica o ego.  Dinheiro, poder, prestígio, força passam a não ser as coisas mais importantes da vida. Significa ver a vida com os olhos de Deus, transformar o interior para que o exterior seja sacramento de bondade.
Segundo Marcos a atividade pública de Jesus começa  depois da prisão do Batista.  Ele havia preparado os caminhos do Senhor.  Como hoje ainda o Senhor irrompe na vida de muitos  depois que familiares, pessoas boas, missionários andaram trabalhando seu coração.  A conversão é obra de Deus em corações abertos à sua ação, em  pessoas que foram levadas ao olhar de Deus por preparadores dos caminhos do  Senhor, por servos inúteis  que fizeram o que tinham que fazer e desapareceram como o Batista.
Trata-se de mudar de vida, de inverter as  coisas.  Francisco de Assis falava do doce que se tornou amargo e do amargo que veio a ser transformar em doce. Mas não basta.  Não seremos apenas “atletas”  espirituais, gente orgulhosa de seus feitos ascéticos.  Será preciso ainda crer no evangelho, na boa nova que se chama Jesus, nas palavras do sermão da montanha, na força que se esconde na semente  pequena,  na colherinha de fermento e numa pitada e sal. Será preciso aqui e ali e sempre ir dando a vida pelos irmãos, acolher as diferenças, perdoar os que nos cospem no rosto,  viver na força, no dinamismo do Evangelho, dinamismo de morte e vida, de cruz e ressurreição.  Crer no Evangelho é deixar que essa força tome conta de nossa vida, das comunidades de vida consagrada, das paróquias.  Uma comunidade que abandona o empenho da conversão está fadada a desaparecer.  Ela se torna uma mera  agência de coisas sagradas e não   parábola do reino.
E Jesus chama colaboradores para sua missão. Os pescadores daqueles cantos serão pescadores de gente. O tempo se completou e agora Jesus conta com Simão e André, Tiago e João e todos os seus discípulos de todos os tempos.
frei Almir Ribeiro Guimarães


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O Reino de Deus está aí: convertei-vos
Conversão é uma mensagem freqüente na Bíblia. Mas ela não tem sempre o mesmo conteúdo. Na 1ª leitura e no evangelho de hoje encontramos a mensagem da conversão em duas articulações bem diferentes, revelando a distinção entre o antigo e o novo. Em Jn. 3 (1ª leitura), trata-se de uma pregação ameaçadora, dirigida à maior cidade que o autor conhecia, Nínive, capital da Assíria; diante do medo que a pregação inspira, a população abandona o pecado e faz penitência, proclamando o jejum e vestindo-se de saco; e Deus, demonstrando à “capital do mundo” sua misericórdia universal, poupa a cidade.
No N.T., trata-se da pregação inaugural de Jesus, não no centro do mundo, nem mesmo no centro do judaísmo, Jerusalém, mas num canto perdido, meio pagão, da Palestina: os arredores do lago de Genesaré, na Galiléia. Não anuncia uma catástrofe, mas a plenitude do tempo. “Está cumprido o tempo”: chega de castigo (cf. Is. 40,2), cumpriu-se o tempo das profecias, das promessas: o “Reino de Deus” está aí. É uma mensagem de salvação, dirigida não aos cidadãos da capital do império, mas aos pobres da Galiléia. Realizando as profecias de Is. (40,1-2.9; 42,1;61,1-2), o Filho que recebe toda a afeição do Pai, ungido com seu Espírito profético e messiânico (cf. Mc. 1,11, batismo de Jesus), leva a Boa-Nova aos pobres, assumindo sua opressão e demonstrando assim a compreensão verdadeira do amor universal de Deus, que começa pelos últimos.
Enquanto a mensagem de Jonas logrou êxito por causa do medo, a mensagem de Cristo solicita conversão na base da fé na boa-nova (evangelho).
A gente deve voltar a Deus, não por causa do medo de perder o bem-estar, mas levado por uma profunda confiança nos bens que ainda não conhece e que se tornam próximos em seu Enviado, resumidos no termo “Reino de Deus”. Este é o acontecer da vontade amorosa do Pai, como reza o Pai-nosso: “Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade”. A pregação da proximidade do Reino, por Jesus, significa: lá onde reina o amor, que é a vontade de Deus para com seus filhos e filhas, acontece o Reino de Deus. Na medida em que Jesus se identifica com esta vontade e a cumpre até o fim, até a morte, ele realiza e traz presente em sua própria pessoa esse Reino. Ele é o Reino de Deus que se torna presente. Todo o evangelho de Mc desenvolve esta verdade fundamental, que, nesta primeira mensagem do Cristo, está envolta no mistério de sua personalidade e palavra, mas, aos poucos, revelará seu significado para quem acreditar na Boa-Nova, sobretudo quando esta se tomar Cruz e Ressurreição.
Por isso, enquanto na história de Jonas a aceitação da mensagem faz Deus desistir de seus planos, sem que o povo se envolva com estes, em Mc 1 vemos que a proclamação da Boa-Nova exige fé e participação ativa no Reino, cuja presença é anunciada. A aceitação da pregação de Jesus faz o homem participar do Reino que ele traz presente. Essa adesão ativa, no evangelho de Mc, é exemplificada por diversas perícopes dedicadas ao seguimento. Aderir ao Cristo é seguí-lo. Por isso, imediatamente depois de ter evocado a primeira pregação de Jesus, Mc narra a vocação dos primeiros discípulos. Vocação esta que é uma transformação, pois faz dos pescadores de peixe “pescadores de homens”. E eles abandonam o que eram e o que tinham – até mesmo o pai no barco…
A 2ª leitura é tomada da secção das “questões particulares” da 1 Coríntios. Ao fim de toda uma exposição sobre o matrimônio (recordando as palavras do Senhor) e o celibato (oferecendo seus próprios conselhos), Paulo esboça uma visão global referente aos estados de vida. O estado de vida é uma realidade provisória, perdendo sua importância diante do definitivo, que se aproxima depressa (Paulo, como os primeiros cristãos em geral, acreditava que Cristo voltaria em breve). Casamento, prazer, posse, como também o contrário de tudo isso, são o revestimento provisório da vida, o “esquema” (como diz o texto grego) que desaparecerá. Já temos em nós o germe de uma realidade completamente nova, e esta é que importa. Assim, Paulo evoca a dialética entre o provisório e o definitivo, o necessário e o significativo, o urgente e o importante. Mas esta dialética deve ser formulada novamente por cada geração e cada pessoa (4).
(4) Nossa maneira de articular não precisa ser, necessariamente, a da “santa indiferença”que Paulo demonstra, tendo em vista a vinda próxima do Cristo glorioso. Certo, repartiremos com ele um sadio “relativismo escatológico” (Quid hoc ad aeternitatem?”), porém, a maneira de relativizar o provisório pode ser diferente da sua. Relativizar significa “tornar relativo”, “pôr em relação”. Também o cuidado de viver bem o casamento, como qualquer outra realidade humana, como sejam o trabalho, o bem-estar etc., é uma maneira de relativizar, se este “vivem bem”significa: conforme a vontade de Deus, procurando em primeiro lugar seu Reino e sua justiça.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Pregação de Jesus
* 14-15: são as primeiras palavras de Jesus: elas apresentam a chave para interpretar toda a sua atividade. Cumprimento: em Jesus, Deus se entrega totalmente. Não é mais tempo de esperar. É hora de agir. O Reino é o amor de Deus que provoca a transformação radical da situação injusta que domina os homens. Está próximo: o Reino é dinâmico e está sempre crescendo. Conversão: a ação de Jesus exige mudança radical da orientação de vida. Acreditar na Boa Notícia: é aceitar o que Jesus realiza e empenhar-se com ele.
* 16-20: o chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família… Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora.
Bíblia Sagrada – Edição Pastoral

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Inícios em Cafarnaum
João Batista, o mensageiro de Jesus, foi preso, pois mexeu com os interesses e privilégios dos poderosos. O que irá acontecer com Jesus? Aos poucos o Evangelho mostrará que Jesus não se deixa amedrontar por ninguém, vencendo tudo aquilo que gera a morte para o povo.
Depois disso, Jesus vai para a Galiléia, lugar onde se encontram as pessoas pobres que vivem à margem da sociedade, gente considerada sem valor e impura, pelos poderosos. É no meio dessa gente e a partir dela que Jesus inicia seus ensinamentos, anunciando o Reino de Deus e pedindo que se convertam e creiam no Evangelho.
Jesus escolhe pessoas simples e as chama a partir da realidade do dia a dia. Simão e André são trabalhadores que ganhavam a vida pescando. E Jesus convida-os para serem pescadores de homens. Mas o que significa pescar homens? Afinal, homens não vivem no mar!
O mar é um mistério para todos e, embora os pescadores vivessem nele, tinham medo do desconhecido. A expressão pescar homens significa tirar o homem do medo, do escuro, da insegurança, e os discípulos escolhidos se animaram com a idéia. Ser pescador de homens, portanto, é anunciar o Reino de Deus que Jesus veio ensinar.
O povo, naquela época, vivia um período de reinado opressor e sofrido, que lhes tirava as esperanças de uma vida melhor, portanto, a proposta era levá-los para um encontro pessoal com o projeto de Deus.
Jesus também chama Tiago e João, que a partir daquele momento ouvem o chamado e se tornam discípulos dando uma resposta imediata. Deixam seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partem seguindo a Jesus.
Converter-se é sinônimo de aceitar a prática de vida que Jesus mostra. O Reino de Deus precisa de discípulos que se convertam e se comprometam em anunciar a vontade e o Amor de Deus ao mundo. E, o inicio da Boa Nova trazida por Jesus, se tornará realidade mediante o compromisso das pessoas e das comunidades que dizem sim ao Mestre.
Jesus escolhe as pessoas e as chama a partir da realidade do dia a dia. Não importa se o que fazem é honesto ou desonesto, certo ou errado. O apelo é igual para todos, e a resposta precisa ser imediata: “seguir a Jesus.”

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Os seguidores de Jesus
Dois traços marcaram o ministério de Jesus desde os seus primórdios. Ele não foi um pregador solitário, apegado à tarefa recebida do Pai, sem partilhá-la com ninguém. Pelo contrário, quis contar com colaboradores que o ajudassem a levar a cabo sua missão. Os escolhidos foram pessoas simples, pescadores do lago da Galiléia, cujas vidas se transformaram totalmente, a partir do encontro com o Senhor. Eles foram convidados a deixar tudo e seguir o Mestre, que lhes deu como missão saírem pelo mundo, atraindo as pessoas para Deus. Um horizonte novo despontou para eles. O desafio lançado por Jesus foi acolhido com generosidade. Nada os impediu de romper com o mundo e seguir o Mestre.
Outro traço do ministério de Jesus: ao chamar os discípulos e confiar-lhes uma missão, o Senhor deu a entender que sua obra deveria ser levada adiante e expandir-se, a partir da sementinha lançada por ele.
Jesus anunciou a chegada do Reino e realizou sinais indicadores de sua presença. Durante sua vida terrena, não se poupou para fazer o Reino acontecer. Agora, cabia aos discípulos levar adiante o anúncio da Boa-Nova, para que o apelo do Reino atingisse a todos, sem distinção. Jesus colocou diante deles um mar diferente, a humanidade inteira, onde a função de pescadores haveria de continuar. Era hora de pescar muitas pessoas para Deus.
padre Jaldemir Vitório


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