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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando* 6ºdom(pós-Epif.)/Tempo Comum
15fevereiro 2015
Os 2 doentes
·                    Dois leprosos são curados. No texto do livro 2 de Reis, é o estrangeiro Naaman. O profeta Eliseu tem a palavra, o poder e a cura que vêm de Deus. Os rituais simbólicos são o meio usado para receber o milagre. Como disseram os próprios escravos de Naaman, afinal não importa o método terapêutico porque o importante é acreditar no poder que acompanhava o representante do poder divino.
·                    No texto de Marcos, evangelista, o leproso anônimo pede ser curado por Jesus de Nazaré. Não há rituais complicados, mas basta a autoridade (poder) do próprio Jesus que, depois de ter compaixão daquele homem marginalizado decidiu por sua cura, lembrando-lhe que, segundo a lei de Moisés, deveria comparecer diante da autoridade legal (no caso, um sacerdote) encarregado de dar o devido “atestado médico” ao curado da lepra. A lei era muito severa neste caso e afastava o leproso do convívio social, provavelmente como medida higiênica (como no isolamento que se faz com os atingidos pelo vírus Ebola e no caso de outras doenças infecto-contagiosas) mas também por tabu ou, quem sabe, pela ideia (muito frequente até hoje) de que o doente é “impuro” já que foi castigado por seus pecados...
Dificuldade para lidar com os doentes
·                    Em geral o ser humano não tem muito jeito de lidar com o doente. Certamente porque não aceita a doença. O que é bom pois não podemos gostar do mal. Contudo, o Mestre de Nazaré procurava quanto podia, aliviar o sofrimento, curar os doentes, confortar os aflitos e enlutados, aproximar-se dos pobres e os afastados pela exclusão econômica e social (de origem política ou religiosa). Apresenta a face de Deus, seu Pai, como aquele que está perto e acompanha todos, mas, especialmente, os marcados pela dor na vida ou pela rejeição social.
·                    Não é fácil encontrar um “sentido” nas situações de dor na vida. “A palavra ‘sentido’ vivencia-se de forma bem diferente, a partir da saúde e da força, e a partir da doença” (M.Fraijó). É diferente chorar a morte de alguém vítima de um acidente ou vitimado por um assaltante, a vítima da bala perdida ou as vítimas das armas na Ucrânia, no Iraque ou na Nigéria. Não devemos nos iludir com uma certa resignação que vem da “teoria” fácil de que tudo é “vontade de Deus”. Nossa linguagem é assim: numa tragédia tem sempre alguém dizendo que “graças a Deus” ele se salvou, o que, leva a crer que as vítimas fatais foram, afinal, assassinadas... por Deus. É claro que “graças a Deus” aqui é uma expressão corrente de alívio e até mesmo de ação de graças. O que não se pode nem pensar é que Deus é “autor” de terremotos, acidentes, doenças e da morte.
Fé e esperança para não tratar os outros como “descartáveis”
·                    Como o personagem do livro de Jó (que antecipa a fé do Cristo na perseguição e na condenação: “Pai, por quê me abandonaste?” a cujo grito acrescentou: “em tuas mãos me entrego”) não podemos entender o que não tem “sentido”, não há respostas para o problema do mal e do sofrimento. Além de nos ter sido dada a fé como ”garantia das coisas que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11 – ver o profundo comentário teológico de Ratzinger em Spe Salvi, n.7) é, pela fé, que temos a esperança de uma superação definitiva de todo mal, apoiados na ressurreição (de Cristo, que garante a nossa).
·                    A esperança é, sim, de coisas futuras, mas a partir de um dom já presente (id.ibid.n.9). Por isso, é pela fé e na esperança que devemos “praticar a caridade”, isto é, procurar por todos os meios a nosso alcance, a cura para nossos doentes, a consolação para os angustiados com quem convivemos, a solidariedade que conhecemos. Vamos concluir com a frase de Tereza de Calcutá (cf. Something beautiful for God) O próprio Cristo está presente em todos aqueles que são dispensáveis, naqueles a quem não damos emprego, nos que deixamos de tratar, nos que têm fome, nos que não têm roupa ou habitação. Todos eles parecem inúteis aos olhos da sociedade e do Estado. Ninguém tem tempo para eles. É por isso que, a nós, cristãos como tu e eu, se o nosso amor for verdadeiro e digno do amor de Cristo, cabe a tarefa de os encontrar e ajudar. Eles existem para que nós os encontremos.
[ Textos hoje: lcr= 2 Rs 5.1-14   1 Co 9.24-27  Mc 1.40-45 Para as igrejas cristãs que seguem o LCR: Domingo da Transfiguração: 2Reis 2.1-12; 2Coríntios 4.3-6 e Marcos 9,2-9 ]
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( * ) Prof.(1975-2012) Edu,Teo,Filo,Ética. fesomor2@gmail.com

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