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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando* QUARESMA, 1º domingo - 22 fev. 2015
Ali esteve quarenta dias, tentado pelo demônio,no meio de animais selvagens.E os anjos o serviam (Marcos 1,13)
40 dias – quarenta anos – a eternidade no tempo
·                    Quaresma, iniciada na “4ª.feira de cinzas” são os quarenta dias antes da Páscoa. Quarenta é número simbólico na bíblia. 40 anos representa o tempo da caminhada dos hebreus desde a libertação do Egito até chegar à “terra da promessa”. 40 anos representa uma geração inteira, pois a média de vida na época era bem menor que hoje, isto é: toda uma vida. A Quaresma lembra que toda a vida é uma caminhada até a Páscoa da Ressurreição, que é, para nós, a plenitude da vida na Eternidade, que ainda não conhecemos, porque vivemos no Tempo, mas sabemos que “Vida eterna” é estar “face a face” com o Criador (inimaginável!!!).
·                    Entramos na Quaresma e logo (J.Compazieu) pensamos em “Penitência”, “Privação”, “Sacrifícios” e “Pecado”. De fato entrou em nossa cultura, desde os tempos da colonização, a memória de jejum, abstinência de carne, purificação de pecados. Alguns costumes têm sentidos diferentes conforme os contextos. Peixe e bacalhau em nosso país não é propriamente um prato que combine com sobriedade.. mas com festa! Muitos pobres fazem um verdadeiro jejum o ano todo porque não podem comprar muita comida e, pior: muitos passam fome! É preciso ajustar o foco; descobrir sentidos gestos e ritos, no contexto.
3 “ritos” típicos da Quaresma
·                    Quaresma serve em primeiro lugar para redescobrir quem é Deus, aquele que amou primeiro e cuja presença é constante, embora misteriosa e silenciosa. Desde a antiguidade o cristianismo propõe, na Quaresma, 3 práticas, uma diante de Deus, outra em relação a nós mesmos. E todas as 3 também destinadas a descobrir o rosto do outro, do próximo. São elas: a “Oração, o Jejum e a Esmola”.
·                    Primeiro, reservar um tempo para contemplar o Mistério, diante do Criador. Depois, praticar o autodomínio sobre nós mesmos, o que logo se exprime em forma de “dieta” ou jejum alimentar. Finalmente praticar a “Esmola”, o que não se reduz à distribuição de moedinhas a mendigos: nada contra, mas há mil formas de praticar a doação, aos mais pobres que nós. Tem o sentido de compartilhar os próprio bens com outros, a quem podemos ajudar.
·                    Nos três casos – é bom lembrar (cf. cap.6 de Mateus) – tais atitudes e gestos não são para “publicar”: Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens... Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens (...) Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo... Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que mostram um semblante abatido para manifestar aos homens que jejuam.
·                    O que cada cristão deve fazer sempre deve agora ser procurado com mais urgência e generosidade. Cumpriremos o jejum de quarenta dias instituído pelos apóstolos, não só pela redução de alimentos, mas sobretudo, abstendo-nos de pecar. […] Nada nos aproveita mais do que juntar aos jejuns, razoáveis e santos, a prática da esmola; sob a designação de obras de misericórdia ela abarca muitas ações bondosas (Gregório Magno, 6º sermão da quaresma,1-2).
·                    Os 3 “lembretes” desse tempo quaresmal servem para qualquer época, mas este é um período especial. Todos os rituais, das cinzas até a semana santa, têm seu valor, desde que ajudem à “conversão”, isto é, à correção de rumos no estilo e modo de viver. A Quaresma pode servir como uma alerta e um tempo de reflexão. Por muitas condições de vida somos exauridos: a rotina, a velocidade da tecnologia, as dificuldades financeiras de um mundo em crise. Estamos também no deserto, rodeados de animais selvagens. Rodeados por inflação, desemprego, “austeridade” e pobreza (do tipo grego), violência de guerras e extremismos (do tipo Ucrânia, Iraque, Síria, Nigéria). Diante de tantos “entornos” selvagens, até parece que nós mesmo não temos que nos reformar. De fato somos formiguinhas, diante, por exemplo, da corrupção, da desorganização dos serviços de saúde, do medo da violência urbana. A “Esmola” é uma ajuda direta. Mas “Oração” e “Jejum” só alcançam sentido em conexão com a comunidade humana: faz parte da solidariedade nos lembrar dos outros. Até o Jejum deve ser uma forma de nos solidarizarmos com os que sofrem a fome. De comida, de justiça e de paz.
Penitência
·                    “Penitência” é um termo que adquiriu muitos sentidos e conotações. A palavra refere-se a “Arrependimento”, e à proposta de alterar o que fizemos. “Pentimento”, da mesma raiz, por exemplo, já foi muito usado para indicar anotações do escritor à margem do texto; uma espécie de revisão para lembrar ulterior modificação do trecho. Como as correções ao texto, assim também se pode corrigir um estilo de vida. “Penitente” refere-se a “pena”, punição, penalidade: aquele que paga por uma infração. O termo original em grego (“arrepender-se”, cf.Marcos1,15) poderia ser traduzido por “Conversão” (=retorno, meia-volta) com o sentido de “mudança de mentalidade”. No contexto da fé cristã: olhar melhor para o centro divino que habita em nós.
·                    Desde a antiguidade há ritos exteriores (eram até públicos) destinados a manifestar arrependimento, penitência, reconhecimento das próprias maldades e pecados. Tirei minhas vestes dos dias de paz para revestir-me do saco dos suplicantes (Baruc4,20). Em nossos dias estamos mais acostumados a outros ritos públicos, como passeatas e manifestações de protesto social ou político. Mas, tanto sociedade como os indivíduos, todos precisam atender primeiramente à conversão interior, mudança de rumo na vida, voltar-se para o bem e para a solidariedade com os mais necessitados. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes. Convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade (Joel 2,13).
Nos “quarenta anos” de toda nossa vida
·                    Práticas, celebrações e rituais pode ajudar a viver melhor o espírito quaresmal. O núcleo de tudo, porém, procurar o olhar de Deus com confiança para prestar atenção à sua presença silenciosa no “miolo” de nossa vida. A vida humana é, de certo modo, habitar no “deserto”, por suas próprias dificuldades. É sofrer tentações e provações, impostas por tantos “demônios”, que são os inimigos que nos perseguem. É conviver entre “feras selvagens”: as desordens econômicas, políticas, sociais, culturais, espirituais, afetivas do mundo que aí está.
·                    Na segunda leitura Pedro convida a redescobrir Jesus como um novo Noé. Com efeito, o Cristo, por sua ressurreição, garante a nossa, garantindo-nos garante “terra firme” na casa do Pai, A nós cabe testemunhar para todos à nossa volta a esperança que dá força à nossa vida. A Quaresma é tempo de redescobrir o caráter vitorioso desta esperança, que não se esgota nem se confunde com meras “vitórias” nos negócios ou “milagres” na vida sentimental, familiar, econômica, como insiste certa propaganda “religiosa” obsessiva de muitos programas na TV.
·                    Como Jesus, vivemos no deserto (onde não vemos Deus); somos tentados (tanto no sentido de atraídos para a maldade, como no sentido de provados e testados pela vida) por muitos “demônios” ou especialistas em mentiras (“donos do poder” e representantes dos interesses particulares). Mas, diz Marcos ao final de sua narrativa: “os anjos o serviam”. E nós – além dos “anjos” e muitos “mensageiros” de Deus – temos conosco o próprio Cristo, que se fez servidor nosso! Seu Espirito geme em nosso nome junto ao Pai (cf. Romanos8). Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. (João17,15). No mundo haveis de ter aflições - Coragem! Eu venci o mundo (João16,33).
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( * ) Prof.(1975-2012) Edu,Teo,Filo,Ética. fesomor2@gmail.com

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