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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 21 de março de 2015

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando*QUARESMA, 5º domingo22 de MARÇO
de 2015
Não vão mais ensinar seu próximo ou seu irmão dizendo:
Conhecei a Deus,
porque todos me conhecerão, grandes e pequenos (Jeremias 31,34)

Agonia de Jesus diante da morte
·                    João não traz um relato da agonia no horto. Onde os outros evangelistas trazem resumos, o autor do evangelho joanino apresenta reflexões teológicas. Seu livro é todo estruturado criteriosamente e os estudiosos da bíblia apresentam diversos esquemas procurando identificar as intenções do autor. Um esquema importante identifica em João duas partes: o Livro dos Sinais e o Livro da Glória. Os sinais-milagres subdividem-se em sete partes também estruturados em seu interior. O trecho de hoje é á última parte do livro de João antes da entrada de Jesus no auge de sua missão: na glória do Cristo, Filho de Deus. A sexta parte mostrou que Jesus domina a morte: a ressurreição de Lázaro serve para o autor prefigurar a de Cristo. A sétima parte mostra que Jesus dá a Vida, exatamente por meio da morte. João não traz o relato da “Agonia no horto” e este é o trecho que lhe corresponde.
·                    Aproxima-se o fim da vida. O Mestre sente sua alma sacudida por muitas angústias. O trecho na leitura de hoje primeiro mostra primeiro o pedido de não crentes que, desejando “seguir” o Mestre, recorrem a Felipe (conterrâneo da mesma região “cosmopolita” porque habitada por estrangeiros, provenientes de outras culturas não judaicas). Na cena anterior do cap.12 aparece a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Segue Jesus a “multidão” de judeus. Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal. Disseram, pois, os fariseus entre si: (...) Eis que todo mundo vai após ele” (12,18-19). E também os não judeus querem seguir Jesus: é o “todo mundo” conforme a boca dos inimigos.
·                    Em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. Agora a minha alma está angustiada. Mas que direi? Pai, salva-me desta hora? (João12,24.27). Ao “quereremos ver Jesus”, o Mestre responde com a famosa comparação da semente que morre. É manifestação da clara consciência que tinha a respeito das ameaças fechando o cerco da perseguição: desde a ressurreição de Lázaro os chefes do povo decidem sobre sua morte e procuram prendê-lo. A contradição é expressão do mistério do mal: diante do milagre da vida, o ciúme e a busca de poder prefere a morte. Diante do dom da vida, pretendem matar. E matando inocentes.
Alma perturbada e angustiada
·                    Esta reação violenta dos inimigos – precisamente dos sacerdotes (encarregados do culto e do templo) e dos fariseus (exigentes cumpridores da Lei e costumes da religião) – seria talvez o que mais “agitou” a alma de Jesus. A perturbação da alma seria o medo da morte? Ou seria antes a frustração de seu projeto, missão que não deu certo, não foi acolhida pelos seus ouvintes, amigos e pelo povo em geral? Ao Mestre só restará a oração e a súplica.
·                    Como no livro de Jó – o “justo sofredor” – ou como a figura do “servo” de Isaías (cf.Is53), Jesus enfrenta o mistério do mal e da morte. Resta-lhe apresentar sua oração angustiada a Deus. A “Carta aos Hebreus” traz com realismo: Nos dias de sua vida na carne, dirigiu pedidos e súplicas entre clamores e lágrimas, àquele que tinha o poder de salvá-lo da morte (Hb5,7-9). A agonia no horto é a tentação de pedir para que passe aquela “hora”. Mas Jesus, como o “Servo”, como o pobre Jò (como todo ser humano no mistério da Fé) tem de superar a tentação acreditando que Deus é Deus e sabendo que o mistério do mal continua sem explicação. Mas crê: Deus tem o poder da dar a vida e – mais – tirar o bem do mal.
·                    Por isso a “voz” que vem do céu mostra que a força do Pai vem atender aos gritos e e lágrimas” (Hebreus) do Mestre de Nazaré, já glorificado (pelos “sinais” do poder, apresentados em capítulos anteriores de João) e vai glorificá-lo mais ainda (o sinal maior da Ressurreição).
Páscoa ou Passagem pela morte e além da morte
·                    A comparação de Jesus, tirada da natureza está na experiência humana: do grão nasce a vida, “através” da morte. Nós todos morremos muitas vezes até a “última” morte. Em cada “morte” dá-se a passagem para uma nova vida. O feto morre para o útero nascendo a criança. Morre a crina, nasce o jovem. Este morre e surge o adulto. Morremos num emprego, numa casa, numa cidade, num país, num trabalho e encontramos sempre novas etapas na vida.
·                    É possível compreender a comparação do grão enterrado na terra. Mas aí ainda não temos a dimensão do que é Paixão e Ressurreição de Cristo. A Paixão é Deus aceitando ser perseguido até a morte, por amor, numa vida humana como outra qualquer (“nos dias de sua vida na Carne – Hebreus)... Ressurreição é acreditar na esperança de que a morte não é o fim, mas transição para Vida de eternidade. Nesta não haverá mais o desafio do Mistério do mal porque o ser humano mergulhará na Vida divina, sem véus nem sombras da condição de tempo-espaço que conhecemos.
·                    Enquanto a Quaresma serva para preparar a Páscoa (Semana da Paixão que leva à Ressurreição), apresentemos como Jeus, nossos pedidos por nós mesmos, mas, em especial, por todos os que vivem situações de angústia com a alma cheia de aflição. Há poucos dias a tragédia de 50 mortos num acidente de ônibus em Santa Catarina nos faz pensar: como andará a alma dos familiares das vítimas?
·                   Apresentemos nossos “pedidos e súplicas, entre clamores e lágrimas” como o Cristo da Paixão cujo rosto de Cristo hoje está em tantas pessoas:
·                   nossos amigos e parentes em tratamento, às vezes dolorosos, buscando a cura;
·                   os que vivem na solidão, na prisão, na deficiência física ou mental, na miséria ou no abandono da pobreza;
·                   os demitidos e desempregados no quadro atual da sociedade brasileira.
·                   os refugiados que se afogam no mediterrâneo ou chegam à Europa, procurando trabalho e emprego longe da terra natal;
·                   os que choram seus mortos e seus bens, por causa de tsunamis e furacões;
·                   os perseguidos e assassinados (crianças e adultos) por fanáticos da Boko Haram (em países da África) e outros terroristas do Estado Islâmico (Síria, Iraque, Líbia, Tunísia, etc.),  em particular pelos eliminados por serem cristãos ou membros de minorias religiosas;
·                   as vítimas do terrorismo urbano nas grandes cidades, pelas vítimas de violência do crack e de outras drogas, pelas vítimas de assaltantes e assassinos;
·                   os que sofrem as consequências do roubo do dinheiro público que não chegou ao salários dos profissionais de saúde e educação nem ao atendimento em hospitais e escolas.
·                   Não esqueçamos nessa lista de pessoas com a alma atribulada os que vivem hoje a “agonia do horto” na multidão de povo humilde. Por causa suas aflições, sabemos que tantas vezes são enganados por líderes (que se dizem religiosos) são objeto de marketing dessas instituições, cujo propósito é extrair vantagens do sofrimento alheio.

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( * ) Prof.(1975-2012) Edu,Teo,Filo,Ética. fesomor2@gmail.com

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