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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sábado, 28 de março de 2015

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando* Início Semana Santa (Ramos e Paixão)
 29 de MARÇO de 2015
riem de mim todos aqueles que me vêem,...
cães numerosos me rodeiam furiosos...
por um bando de malvados fui cercado...
eles repartem entre si as minhas vestes
(Salmo21/22)
Sentido da vida, sentido da morte
1-   A leitura inicial é de Isaías. Começamos contemplando o mistério da vida humana que só completa seu sentido quando serve para ajudar outras vidas humanas. Ser discípulo, seguir um Mestre, significa saber reconfortar pela palavra o que está abatido. Às vezes não podemos fazer muito pelo outro. Mas sempre podemos ter uma palavra, mesmo não pronunciada pela boca, mas por outros sinais de presença e atenção. Os pais confortam os filhos, esposos e esposas uns aos outros, os filhos cuidam dos pais na velhice. Amigos dão a vida por seus amigos. Ninguém tem maior amor, disse Jesus.
2-   A segunda leitura – um dos resumos mais fantásticos sobre o sentido da vida de Jesus, e de sua morte até a vitória final – mostra o Mestre que se tornou discípulo. Um de nós. Menor que nós. Escravo. Resgatado da morte, Deus o exaltou para ser o único Senhor, por isso não aceitamos nenhuma ditadura nem domínio dos inimigos contra nossa liberdade. Ele é o único.
3-   A leitura do evangelho, segundo Marcos, introduz a semana santa. O sofrimento do justo e inocente Jesus de Nazaré que, por inveja, foi preso e morto pelos que se achavam donos de outras vidas humanas. O domingo de Ramos diz que Deus entra em nossa vida não como os antigos generais e reis na Cidade. Até as pedras podem reconhecer quem é o único “Rei” que, no entanto, vem para aceitar todos os riscos de suas atitudes de bondade.

Leitura da Paixão
·                    Na 6ªfeira lê-se outro relato (o joanino) da Paixão, carregado de reflexões teológicas sobre os últimos dias e horas da vida de Jesus, aquele que lavou os pés de seus discípulos como os escravos faziam, indicando até que ponto entrega sua vida entrega pelos seus. Ninguém tem maior amor... Hoje a Paixão é descrita por Marcos.
·                    Relato cruel, seco, direto, sem mencionar a ressurreição (as pessoas que ouvem seus líderes e seus companheiros nas primeiras décadas, conhecem os resumos que circulam nas comunidades e ser cristão já significava acreditar nas testemunhas da Ressurreição). Tristeza e angústia do Mestre diante da frustração de suas pregações anunciando um mundo novo – o Reino. Dor pela traição de amigos (sobretudo Judas e Pedro) e a fuga de todos na hora difícil. Medo ao enfrentar a certeza de seria preso com a perspectiva de ser morto. Depois a crucificação – tortura reservada aos bandidos mais desprezíveis.
·                    Da agonia na oração do Horto à agonia da cruz, ele passa pela experiência do vazio, gritando a Deus sentindo-se abandonado. Ele é, em carne e osso, o “Servo Sofredor” pré-figurado por Isaías, ou Inocente injustiçado pré-figurado em Jó e em outras comparações como as do salmo 21 que hoje lemos. O resumo duro de Marcos não relata nem mesmo as palavras de entrega nas mãos do Pai, conhecidas a partir de outros relatórios (cf.Lucas23,46).
·                    No evangelho de Marcos, será pela voz de um soldado do exército romano de ocupação que o autor revela o “segredo” indicado desde o início deste livro: o reconhecimento de que Jesus é o próprio Filho de Deus. Num canto das cenas algumas mulheres realizam a solidariedade prevista nos profetas e indicada por Jesus Nazareno em suas pregações. Numa sociedade machista e patriarcal elas serão as primeiras discípulas a anunciar a Ressurreição.
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Ramos e Semana Santa
·                    Assim começa a Semana da Paixão e Ressurreição: pela meditação dura e seca da condição humana, agitada, de um lado pelas perguntas que não têm resposta e, por outro lado,  pelas dores de muitos em favor dos quais, na Ceia, o Mestre disse que oferecia sua vida. A paixão também continua em muitos, na doença, na angústia e na morte. Até na morte “inesperada” como a dos estilhaçados entre o avião e a pedra. Aclamar “aquele que vem em nome de Deus” ou crer nessa entrada “triunfal em Jerusalém” é perceber que Deus vem para ser... humano. É Deus entrando na Cidade humana, que o vai matar. Mas é neste paradoxo misterioso que se tem acesso à Vida total e plena. O que chamamos também de “Salvação”. Ela passa a ser “Eterna”, na recuperação do projeto indicado no Paraíso do Gênesis. Aclamar o “Rei” seguindo o cortejo de ramos e bandeiras, seguindo um pobre rabino de Nazaré, é aceitar Glória não se resume a prosperidades, mas passa pelos tribunais políticos de Pilatos ou pelos Sinédrios religiosos dos donos do Poder. Semana Santa é passagem para a Ressurreição., podendo chegar à injustiça e à morte. Passagens para a Ressurreição. A entrada na Cidade humana é só o começo, pois a conclusão é um salto no escuro. “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus” (título de zombaria dado por Pilatos) passa a ser o “Ecce Homo” (“profecia” do mesmo covarde governador romano), isto é, passa a ser o Homem das Dores que, no entanto, ao final da vida se joga nas mãos do Pai, ao acreditar naquele “hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (dito ao companheiro de cruz) e ao crer, no seu último grito, que não será desapontado por Deus.
·                    Terminemos com a palavra do profeta Isaías, lida no início da liturgia de hoje: Mas Deus vem em meu auxílio: por isso resisti com o rosto feito uma pedra, convicto que não serei frustrado (Isaías50,7).

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( * ) Prof.(1975-2012)Edu/Teo/Filo/Ética, fesomor2@gmail.com

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