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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Comentários Prof.Fernando

Comentários Prof.Fernando* Seman santa:5ª,6ª,Sáb.e Domingo
Páscoa de 2015 -  5abril 2015

>Caridade: A 5ªFEIRA SANTA nos convida a meditar sobre o AMOR
·                    A convicção da igualdade fundamental entre os seres humanos começou a ser “normal” entre as nações (ainda não em todas) desde a famosa declaração universal dos direitos humanos aprovada na Assembléia das Nações (ONU) há menos de 100 anos (1948). Mais difícil seria discutir essa ética nos tempos de Jesus. Ele, no entanto, reuniu alguns discípulos mais próximos e na noite anterior à páscoa judaica, em sua última ceia, ensinou o que se viria a ser verdade “universal” só em 1948. E o fez de forma prática e concreta. Fez o que, naquela sociedade era tido como serviço de escravos: lavar os pés de outros.
·                    A Pedro, e aos demais, afirmou que só assim poderiam viver de acordo com o novo Reino que ele pregava. O gesto e o ensino (“deveis lavar os pés uns aos outros”) corresponde em João, à ceia em que outros redatores (Mateus, Marcos e Lucas) falam do vinho/meu sangue “derramado por vós” e o pão/meu corpo “dado por vós”. O 4º evangelho reflete a convicção amadurecida na compreensão da Eucaristia desde o início praticada nas comunidades. Jesus era o “Servo” e em toda a vida, na última refeição com os amigos, até chegar à humilhação e morte, abandonado e crucificado, sempre se entregou, de corpo e alma, com todo seu coração, suor e sangue, para oferecer Libertação às pessoas. Duas conclusões: 1) A ceia da Páscoa dos hebreus celebrava a libertação do Egito no rito do sangue do cordeiro. (verá o sangue [nas portas]... passará adiante –Ex.12,23). 2) A Eucaristia cristã celebra a nova Páscoa (Jesus vai até o fim, mas ressuscita) que se traduz em Serviço.
·                    A nova Aliança consiste em participar desta Ceia (plenamente no banquete celeste com o Pai, mas desde agora, nesta vida ao menos de forma esboçada e inicial – “Fazei isto em minha memória”- cf.Lucas e Paulo-1Cor10. No tempo-espaço desta vida, para ter lugar neste refeição, é preciso participar primeiro do serviço, mesmo no  sofrimento, para o resgate da “multidão”. Lavar os pés é o único caminho para compartilhar o pão e a taça da única “ação de Graças” (=Eucaristia) que ele pediu para fazermos em sua “memória”. É o único meio de ter comunhão com Ele e com o Pai, e permite gerar comunhão na humanidade. “Eu dei o exemplo para que, como eu fiz, também vocês façam”. Curioso notar que Jesus não ligou a Eucaristia a símbolos de sacrifício, tão comuns no culto judaico, mas a uma refeição, que, em todas as culturas, significa união, intimidade, comunhão entre os convidados. Jesus já fora acusado de “comer com os pecadores” (cf. Marcos2,16). Uma vez ressuscitado voltará às refeições com os discípulos. Paulo chega a dizer: sem AMOR não há “ceia do Senhor” – 1Coríntios 11,20.

>Fé: SEXTA-FEIRA: o “batismo de sangue” vai permitir ao ser humano ter o batismo da FÉ
·                    Segundo a maioria dos pesquisadores a data provável da morte de Jesus foi numa sexta-feira, provavelmente no dia 7 de abril do ano 30, embora outros estudos prefiram a data de 3 de abril do ano 33. Mas foi pouco antes do anoitecer do dia 14 de Nisan (no calendário hebraico) quando começava a celebração da Páscoa hebraica, ceia em que se comia o cordeiro, segundo prescrição do livro do Êxodo: ali começava o fim da escravidão.
·                    Na cruz estando para morrer, Jesus dirá sua última palavra: Tudo está consumado. Porque ali sua confiança no Pai chega ao ponto máximo da FÉ. Era como se saltasse no escuro acreditando que o Pai o receberia. Sua Fé tinha passado já pelas dúvidas, pelo sentimento de abandono, por angústia e medo diante do fim iminente. Ali o mistério da Encarnação é levado ao extremo, pois a morte faz parte da vida humana.
·                    Em Jesus de Nazaré Deus assumiu tudo que era humano: viver no tempo-espaço, com alegrias e dores deste mundo. Em Jesus Deus assume principalmente o “projeto” da criação do ser humano: bondade e solidariedade para que todos sejam um. “Passou fazendo o bem” dirá Pedro nos atos dos apóstolos, a respeito de Jesus.
·                   Diante da agonia e do último suspiro de Jesus não temos o que falar. É hora de silêncio e de solidariedade, pois sabemos: 1) que, “por suas chagas fomos curados” – cf. 1ªcarta de Pedro2,24 - citando Isaías53,5 – ENTÂO: Ele nos revela o verdadeiro rosto de Deus; 2) que, na cruz continuam multidões, pois completamos na própria carne o que “está faltando às tribulações de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja (=comunidade dos que ele salvou) – cf. Colossenses1,24 – ENTÂO: haveria um sentido para o que não tem sentido?
Se não nos damos conta desses significados (em 1 e 2) a Semana Santa – particularmente a memória que se faz nesta Sexta-feira da Paixão – corre o risco de virar só folclore.

>Esperança: SÁBADO DEPOIS DO ENTERRO
·                    O luto dos discípulos, depois do sepultamento (promovido pelo corajoso José de Arimateia que até era membro do Tribunal: ele pediu a Pilatos o corpo de Jesus) foi, para alguns, chorar a ausência do Mestre. Para outros era o remorso por fuga e traição. Para a grande maioria era a frustração de um projeto de messianismo, que não se concretizou. Poucos certamente terão continuado, como o Jó do Antigo Testamento, crendo que Deus é Deus, insondável nos mistérios da vida e da morte.
·                    Para os discípulos de hoje (os que esperam a manifestação da glória de Deus), o Sábado da semana santa pode ser um dia de meditação sobre a ESPERANÇA. Em muitas comunidades cristãs, celebra-se a solene Vigília em que se anuncia que Deus não está morto. Crer na ressurreição de Jesus de Nazaré será o núcleo central da Fé. É o que vai caracterizar a origem e o diferencial do cristianismo na história humana.

5 de abril de 2015 - DOMINGO DA PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO
·                    Diante do túmulo vazio começa a despertar a consciência dos discípulos sobre o significado de tudo o que tinham presenciado e com quem tinham convivido. Processo lento e repetido nos encontros e refeições do ressuscitado com seus amigos.
Entendem agora que o corpo ressuscitado é a recriação (que o Apocalipse expressou em sua linguagem típica)
um novo céu e uma nova terra” – Apocalipse 21. É acabamento e conclusão do projeto inicial (ver livro do Gênesis): “No princípio Deus criou os céus e a terra”. Esse é o “núcleo” e o diferencial do cristianismo, novidade sem precedentes. Note-se que as filosofias e religiões, em todas as culturas chegaram, no máximo, a afirmar uma alma imortal. O corpo humano continuaria sendo desprezível chegando a ser objeto de escravidão e tortura.
·                    As primeiras testemunhas ouviram e viram o Mestre em sua nova condição de ressuscitado. Chegaram à integralidade da fé, da esperança e do amor somente depois de 50 dias, desde aquela difícil “semana santa”. Ao final foram “inundados” de luz especial, como lhes fora prometido: “O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” - João 14,26. Ao compreender que morte não é o fim, mas passagem – Páscoa – começaram a divulgar seu movimento, que ficou conhecido como “o cristianismo”. Resumos de sua pregação originária podemos estão em Atos: “Jesus de Nazaré foi o homem credenciado por Deus... com poderes, milagres e prodígios – Entregue às mãos dos ímpios. E vós o crucificastes e matastes. Mas Deus o ressuscitou, livrando-o da escravidão da morte – disso nós somos testemunhas” – cf. Atos 2,22ss.
·                    Nas primeiras comunidades era costume batizar novos cristãos no sábado pascal. Porque (cf. texto de Atos) à pergunta “que devemos fazer?” respondia-se: “Convertei-vos. E cada um peça o batismo em nome de Jesus Cristo para o perdão – assim recebereis o dom do Espírito Santo” (cf.2,37ss). Paulo resumirá o significado do Batismo: mergulhados na morte com Cristo, com ele ressuscitamos – cf. Romanos 6. É bom lembrar: não é o ritual que produz perdão para ressurreição, mas é o perdão de Cristo (dado aos ser “aniquilado” e ressuscitado) que está expresso no sinal do batismo. Para os ouvintes judeus de Pedro a Páscoa celebrava a libertação da escravidão. Pedro diz que Deus libertou Jesus de Nazaré da escravidão da morte. Por isso Pedro e João foram presos e levados perante o Conselho dos sacerdotes no Templo, pois estes “estavam indignados porque ensinavam o povo e – a partir do que se deu com Jesus – anunciavam a ressurreição dos mortos” – cf. Atos cap. 4.
·                    E os cristãos atuais? creem na ressurreição? A Páscoa é o divisor de águas entre a FÉ e descrédito, a ESPERANÇA e o ficar confinado no tempo-espaço; entre o AMOR e o “mundo” descrito na 1ª.carta de João 2,16. Juntos na “conversão” (voltar a olhar o Criador), cristãos e quantos vierem, de muitas nações, línguas, crenças, culturas diferentes, talvez possamos criar um mundo mais humano e solidário.
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( * ) Prof.(1975-2012 – Educ.Teol.Filos.) fesomor2@gmail.com

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