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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 11 de junho de 2015

11º DOMINGO TEMPO COMUM

11º DOMINGO TEMPO COMUM

Evangelho - Mc 4,26-34

A SEMENTE CRESCE PELO PODER DE DEUS-José Salviano


14 de Junho de 2015
Ano   B

Caríssimos. Semear a palavra de Deus primeiro nas nossas mentes, depois nas mentes  dos nossos irmãos. E faremos isso através da leitura do Evangelho, das epístolas, das encíclicas ? (cartas papais), etc.   Leia mais

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O CAMINHO DA SALVAÇÃO COMEÇA A PARTIR DE UMA PEQUENA SEMENTE! - Olivia Coutinho

11º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 14 de Junho de 2015

Evangelho Mc 4,26-34

O jeito simples de Jesus falar do Reino de Deus era de fácil compreensão para os pequenos e de difícil entendimento para os “grandes” que  não viviam a realidade dos pequenos!
Através das parábolas, Jesus falava da grandiosidade do  Reino de Deus, comparando-o com as coisas simples, presentes no cotidiano dos pequenos! E assim, Ele confundia os grandes, aqueles que queriam apenas confrontá-los, os que não tinham contato com as coisas simples, como o plantio da  semente!
A grandiosidade do Reino de Deus se faz através dos pequenos, foram  eles, os primeiros a acolhê-lo e a vivenciá-lo no seu dia a dia!
Quem não observa as coisas simples, tem dificuldades para entender as comparações que Jesus costumava fazer do seu  Reino!
Enquanto ficamos na expectativa de momentos extraordinários para sentir a presença do Reino de Deus, perdemos a oportunidade  de vivenciá-lo no aconchego da família, na vida de comunidade, em todos os lugares onde  o amor se faz presente!
No evangelho de hoje, Jesus fala fundo ao nosso coração, respondendo as  indagações de muitos de nós, que ainda hoje, tem muitas  duvidas a respeito  do Reino de Deus, porque o imagina distante da nossa realidade! No texto colocado diante de nós,  Jesus vem clarear a nossa mente, apresentando-nos  uma das mais belas características que é  própria do Reino de Deus: Ele é algo que  cresce  silenciosamente dentro de nós! O processo deste crescimento é lento, foge ao nosso entendimento, mas  sentimos o seu efeito!
Que maravilha! Jesus não compara o Reino de Deus com algo extraordinário, e sim, com a dinâmica de uma semente que germina e cresce silenciosamente  debaixo da terra, sem ser perceptível aos nossos olhos! E para reafirmar que a grandeza do Reino de Deus  não se mede geograficamente, Ele o compara também  com  uma minúscula   semente de mostarda, que apesar da aparência frágil,  tem a força de romper a terra para germinar, crescer,  florescer e ser abrigo para os pássaros!
Mesmo não tendo a experiência de um agricultor,  todos  nós sabemos que do plantio à colheita, há  um processo lento que requer muita paciência de quem planta, pois a semente precisa mergulhar nas profundezas da terra, para  adquirir  raízes, sem raiz, ela não tem como sustentar-se!
Assim como uma  semente,  a palavra de Deus, quando acolhida no coração humano, germina, cresce e produz  frutos, fazendo  acontecer o Reino De Deus aqui na terra! Daí, a importância, de acolher e de semear esta palavra de vida!
A  palavra de Deus é semente de vida que  trás dentro de si, a  força do Senhor Jesus  que ao longo dos tempos, vem trazendo novas sementes,  confiante de que nós saberemos cultivá-la no espírito da fé e da fidelidade a  Deus!
As coisas grandes nos fascinam, mas são nas pequenas coisas, que estão escondidos os nossos  verdadeiros  tesouros! Quem não observa as coisas simples do seu cotidiano, tem dificuldades para entender as comparações que Jesus faz do Reino de Deus!
Enquanto ficamos na expectativa de grandes momentos de emoção, para sentir a presença do Reino, perdemos a oportunidade  de vivenciá-lo na simplicidade do nosso dia a dia, na família, na comunidade, em todos os lugares onde o amor e a justiça se fazem presente!
O anuncio do Reino só encontra resposta naquele que  se faz pequeno, que  esvazia de si mesmo, para se tornar dependente  de Deus!
O crescimento de um Reino de amor, de paz e  de justiça, tão desejado por Deus, não depende somente da qualidade da semente, como também, da disposição dos semeadores! Sementes, existem, e muitas,  o que falta mesmo, são semeadores!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia
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Ação de Deus
Haverá um tempo de colheita. Englobará todos os povos.
Tão simples o evangelho de hoje; tão doce, tão cheio de sabedoria! Estejamos atentos, porque o Senhor nos falado Reino de Deus, Reino que começa aqui, experimentado quando nos abrimos para o anúncio de Jesus; Reino que será pleno na glória, quando cada um de nós e toda a humanidade, com a sua história, entrar, um dia, na plenitude do coração da Trindade santa.
O que nos diz o Senhor? Diz-nos que o Reino de Deus não é daquelas coisas vistosas, midiáticas, de sucesso humano. O Reino vem de modo humilde e se manifesta nas coisas pequenas... Pequenas como um grãozinho jogado na terra, como uma semente de mostarda, como um brotinho frágil e sem aparente valor... Quantas vezes buscamos os sinais da força de Deus na força humana, nos grandes eventos, nas realidades grandiloqüentes. Não, na é aí que se encontra o Reino. O Reino é como o próprio Jesus: aquele brotinho, retirado da ponta da grande árvore da dinastia de Davi... aquele brotinho pobre, da carpintaria de Nazaré, donde nada que prestasse poderia vir... Ah, irmãos! Os modos de Deus, a lógica de Deus, o jeito de Deus! Como tudo é tão diverso de nossas expectativas!
Outra lição de hoje: o Reino vem aos poucos. Inaugurado e plantado definitivamente no chão deste mundo pelo nosso Jesus, ele irá crescendo como a semente, como o grão de mostarda, aos poucos. Somos tão impacientes, gostaríamos tanto que Deus respeitasse nossos prazos. Mas, não! Se os pensamentos do Senhor não são os nossos, tampouco seus tempos são iguais aos da gente! Atentos, irmãos, porque somente perseverará na paciência aquele que souber adequar-se aos tempos de Deus. E Deus contempla o tempo na perspectiva da eternidade e não das nossas pressas... Assim vai o Reino, brotando humildemente na história e no coração do mundo, de um modo que somente quem reza e contempla pode perceber...
Ainda uma outra lição do Senhor: Nós, filhos de um mundo tão pragmático e auto-suficiente, temos tanta dificuldade em perceber a ação de Deus. Coitados que somos! Pensamos que nós é que fazemos, que nós é que somos os sujeitos últimos do mundo e da história! Presunçosa ilusão! É Deus quem, humilde, forte e fielmente, faz o Reino desenvolver-se na potência do Espírito. Que diz o Senhor? "O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece!" Que imagem doce, bela, delicada... Nós, com a graça de Deus, vamos plantando o Reino que Cristo trouxe. Como plantamo-lo? Plantamos quando nos abrimos à graça, plantamos com nosso exemplo, plantamos com nossa palavra, plantamos com nossa ação... Mas, cuidado! É o próprio Deus, com a energia do Santo Espírito, quem faz o Reino crescer: é obra dele, não nossa. São Paulo não nos dizia? Um é o que planta, outro, o que rega, mas é Deus quem faz crescer... É assim, caríssimos, que, num mundo aparentemente esquecido por Deus, Deus vai agindo, tomando nossas pobres sementes e fazendo-as desabrochar no seu Reino, vigor, paciência e suavidade...
Um dia, diz Jesus, chegará o momento da colheita. Haverá um fim na história humana, caríssimos e, então, "todos deveremos comparecer às claras ante o tribunal de Cristo, para cada um receber a devida recompensa – prêmio ou castigo - do que tiver feito na sua vida corporal". Não adiante querer esquecer, de nada serve fingir que não sabemos: aqui estamos de passagem, aqui, vamos semeando o Reino que Jesus trouxe e que Deus mesmo faz crescer; mas, a colheita definitiva não será nesta vida, pois o Reino que começa no tempo, haverá de espraiar-se na eternidade; o Reino que deve fecundar a história somente será pleno e definitivo na glória. Quanta é grande a tentação, hoje em dia, de nos ocuparmos com tantas futilidades, esquecendo que aqui estamos de passagem e somente lá é que permaneceremos para sempre! Como seríamos mais livres, equilibrados, seremos, se recordássemos essa realidade. Como teríamos o cuidado de viver de tal modo, que não perdêssemos o Reino. Sim, caros, porque é possível ficar fora do Reino! Não entrará no Reino quem não permitir que o Reino entre em si. Em certo sentido, não somos nós quem entramos no Reino, mas o Reino que entra em nós! Abrir-se para o Reino, é abrir-se para o Cristo Jesus! Abramo-nos para ele e ele nos abrirá o sue Reino!
Uma última lição de Jesus para nós, hoje: o seu sonho é que todos entrem no seu Reino, naquela casa do Pai, na qual há muitas moradas! É por isso que, na primeira leitura, pousarão todos os pássaros à sombra da ramagem da árvore que é o Messias, e as aves aí farão ninhos. O mesmo Jesus diz do Reino, comparado ao pequeno grão de mostarda que germina e se torna arvora frondosa. Eis, caríssimos, o Senhor nos ama a todos, nos deseja a todos, nos chama a todos! Se lhe dermos ouvidos, se aprendermos o compasso do seu coração, experimentaremos a alegria do Reino já nesta vida, com provações, e, um dia, haveremos de saboreá-lo por toda a eternidade! – Senhor Jesus, dá-nos, pois, a graça de abrir as portas do nosso coração e do coração do mundo para o Reino do Pai que anunciaste e inauguraste! Venha o Reino na potência do teu Espírito que habita em nós e no coração da Igreja! E que através de nós, ele se faça sempre mais presente no mundo. Amém.



O Reino de Deus, semente que germina e cresce
A primeira leitura e o evangelho de hoje tratam do desejo do povo judeu exilado de tornar-se liberto, uma grande e soberana árvore, e da definição que Jesus deu do reino de Deus. As duas posturas incomodam; a primeira exige coragem e esperança, a segunda, desinstalação. O reino, por si só, mostra sua força a quem o acolhe e a quem o rejeita.
1ª leitura (Ez. 17,22-24)
Israel é como uma árvore frondosa e liberta do reino opressor
Ezequiel, o homem que se tornou profeta no exílio da Babilônia (597-536 a.C.), animou o seu povo a permanecer firme na aliança com Deus, pois o sofrimento do desterro haveria de chegar ao fim com o advento da era messiânica e de um novo tempo para os judeus. Deus haveria de extirpar o inimigo. 
Fazendo uso do simbolismo do broto de cedro, árvore de boa qualidade, que seria colhido e plantado sobre o alto monte de Israel, o profeta explicita a sua mensagem de fé. Essa árvore, Israel, tornar-se-ia grande, produziria frutos e serviria de abrigo para os pássaros. A comparação serviu de consolo para os oprimidos. Um novo tempo haveria de surgir, não obstante os sofrimentos. E assim ocorreu: a Pérsia dominou a Babilônia e o seu rei, Ciro, permitiu ao povo retornar e recomeçar a vida em Judá. Desse modo, concretizou-se a profecia: “Deus abaixa a árvore grande (império babilônico) e eleva a árvore pequena (os israelitas oprimidos)”. Ademais, o Deus de Israel, por ter poder sobre a vida, é capaz de secar a árvore verde e fazer brotar a árvore seca. Deus fala e realiza a sua promessa.
Evangelho (Mc. 4,26-34)
O reino de Deus é como a semente
O evangelho do domingo passado tratou da crise entre Jesus, seus irmãos e os escribas, que se opunham ao seu ensinamento. Em continuidade a esse episódio, hoje Jesus aparece, conforme o relato da comunidade de Marcos, ensinando de novo (Mc 4,1), mas em forma de parábola, isto é, de modo comparativo. Jesus faz uso da realidade agrária da Palestina para fazer os seus seguidores entenderem a sua mensagem. Ele não explica a comparação, mas deixa o ouvinte pensando sobre o fato. Aos seus discípulos(as), no entanto, ele explicava em particular (4,34). 
O evangelho de hoje trata de duas parábolas do reino: a da semente e a do grão de mostarda. Cada uma delas tem um centro, um entendimento possível.
A semente que germina por si só: crescer por si só é o centro dessa parábola. A mensagem é simples: basta semear o reino e ele crescerá, mesmo que os opositores não queiram. O importante é semear sempre. Jesus incentiva os seus seguidores, seus irmãos na fé, a permanecer no árduo trabalho de semear o reino. A semente, o reino, cresce por si só. Não há como impedi-lo.
A pequena semente: essa interpretação é a mais recorrente. O centro da parábola consiste na passagem do pequeno para o grande. A pequena semente de mostarda é o novo Israel, isto é, os seguidores de Jesus, os quais se tornarão “grandes árvores”. Cada seguidor do reino é chamado a lavrar constantemente o seu interior para deixar a semente do reino crescer e produzir abundantes frutos. 
A mostarda que cresce e incomoda: a mostarda é uma planta medicinal e culinária que chega a medir, no máximo, 1,5 mt. de altura. Ela se desenvolve melhor ao ser transplantada. Temos dois tipos de mostarda, a selvagem e a culinária. Por ser uma planta impura, o código deuteronômico (Dt. 22,9) proíbe a sua plantação. Assim é o reino de Deus, como a erva que chega e se esparrama. Não pode ser controlada, torna-se abundante como a nossa tiririca. Assim como o reino, a mostarda é motivo de escândalo e incômodo para muitos. O reino é indesejável para muitos e questionador das regras de pureza. Essa interpretação nos ajuda a compreender o valor do reino e sua ação transformadora em nossa vida, mesmo para aqueles que nele não acreditam.
2ª leitura (2Cor. 5,6-10)
A fé no reino exige responsabilidades
Em oposição ao pensamento de muitos irmãos de Corinto, que, diante do sofrimento e das perseguições, pensavam que o melhor seria morrer, Paulo afirma que esse poderia ser, sim, um bom caminho, mas melhor ainda é assumir as responsabilidades inerentes à fé até o dia de nossa prestação de contas no tribunal de Cristo (v. 10). A fé no reino exige responsabilidades. Esse pensamento complementa as leituras anteriores, quando nos mostra o valor da fé e suas consequências em nossa vida e até mesmo em nosso corpo mortal.
Pistas para reflexão
– Levar as comunidades a perceber que o fruto do reino de Deus aparece lentamente. Quando menos esperamos, algo acontece. 
– Demonstrar, por outro lado, que, quando agimos em prol do reino, somos como a tiririca, que cresce sem pedir licença, ao incomodar os inimigos do reino da justiça e da paz. 
– Por sermos cristãos, temos uma força advinda do reino da qual não nos damos conta. Deus se dá a conhecer por sua força libertadora que se encontra no povo e em cada cristão.


O Reino de Deus em parábolas
O evangelho de hoje completa o ”Sermão das parábolas”, lido, no texto de Mateus,nos 15º, 16º e 17º domingos do ano A. Acrescenta as parábolas da semente que cresce por si (própria de Marcos) e do grão de mostarda (cf. Mateus e Lucas). Em Mt, as parábolas formam uma espécie de catequese (Mt. 13,51-52). Em Marcos, integram a revelação velada do Filho do Homem (4,10-12 e 33-34). Quando Jesus fala em parábolas e o povo não entende, realiza-se plenamente o que já foi a missão de Isaías: falar a um povo sem compreensão (Is. 6,9-10). Aos discípulos, porém, ensina em particular, iniciando-os no “mistério do Reino” (4,11; cf. 4,34). Este esquema de Mc se explica a partir de seu contexto histórico: pelos meados do século I d.C., a grande maioria do povo ainda não se convertera, mas uns poucos “iniciados” continuam a pregação do evangelho de Jesus, aqueles que, depois da Ressurreição, entenderam o “segredo messiânico”: que Jesus foi o Filho do Homem padecente (cf. 24° domingo).
Jesus não pronunciou as parábolas para não ser entendido. Mc. 4,33 aponta que Jesus procurou compreensão na medida em que o povo fosse capaz. O falar em parábolas é um meio didático que caracteriza Jesus de Nazaré. A parábola é linguagem figurativa, apresenta por uma imagem a realidade visada. Jesus mostra aos ouvintes o que acontece no seu dia-a-dia (na vida comercial, social, agreste etc.), para que eles conscientizem de que, de modo semelhante, está acontecendo o Reino no meio dele “É como quando um homem lança a semente no campo … ” (4,26). Pode-se considerar a parábola como um enigma apresentado de tal modo que a resposta logo aparece. Nós diríamos: “Qual é a semelhança entre o Reino de Deus e uma semente? É que ambos crescem por si mesmos, pois não se precisa puxar o caule para que o trigo cresça”.
Jesus procura entrar em diálogo com a convicção íntima do homem. Para implantar no coração dos ouvintes uma sementinha de sua experiência de Deus, ele apela para a experiência deles, embora num outro terreno. No caso: para fazer com que os ouvintes se desliguem de sua ideologia de um Reino de Deus vindo ostensivamente com as forças celestes e implantando um “império davídico” para Israel, mediante o zelo dos “zelotes” ou dos cumpridores da Lei (fariseus), Jesus apela para uma experiência da vida campestre: a semente cresce sem intervenção humana. Aí, coloca uma pulga atrás da orelha dos ouvintes. Eles ficam refletindo e, aos poucos, se sentirão convidados a participar da misteriosa e única experiência do Reino de Deus que Jesus mesmo tem como “filho de Deus”; ou, então, recusarão. A parábola, em última análise, nos coloca diante da opção de repartir a experiência de Jesus ou não.
De modo análogo podemos entender a outra parábola, a do grão de mostarda. Esta desfaz uma ideologia de falso universalismo a respeito do Reino, mostrando que o universalismo não está na grandeza visível, numérica, mas na força de crescimento invisível como a que está no grão de mostarda. Embora não se veja quase nada, Jesus revela que o Reino está acontecendo, e bem este Reino universal que é sugerido pelo próprio termo de comparação, o arbusto frondoso no qual se aninham os pássaros do céu (como Ezequiel descreveu o futuro reino de Israel restaurado; cf. 1ª leitura). “Qual é a semelhança entre o Reino de Deus e um grão de mostarda? Ambos parecem quase nada no começo e se tomam muito grandes no fim”. Depois dessa, se pode optar: prefere-se um Reino de Deus que se anuncie com espalhafato, ou aquele que cresça organicamente a partir de uma pequena semente?
A 2ª  leitura dificilmente se integra no tema principal, mas sua mensagem toca o coração. Enquanto estamos neste corpo, diz Paulo, estamos exilados do Senhor. Podemos suspeitar que Paulo, escrevendo a gregos, se lembrou da alegoria da caverna, de Platão … ). Preferiria estar exilado do corpo, perto do Senhor (*). A liturgia de hoje oferece o apoio veterotestamentário desta idéia no canto da comunhão: Sl. 27[26],4 e outros; por isso, seria muito adequado ler a 2ª  leitura depois da comunhão.
(*) A expressão de Paulo não fica livre do dualismo platônico, caro aos gregos. Mas a idéia fundamental, presente no fim da leitura, é profundamente bíblica: o importante não é estar fora ou dentro do corpo, mas agradar a Deus por nossa práxis (que é necessariamente “no corpo”), pois encontrá-lo-emos como juiz de nossa vida.
Johan Konings "Liturgia dominical"


O Reino de Deus
O povo diz que Deus tarda, mas não falha. Em tudo é preciso dar tempo ao tempo e esperar com paciência. Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus. O profeta Ezequiel vê uma árvore frondosa que o próprio Deus plantou. Ninguém acreditava que isso pudesse acontecer, no entanto, lá está a árvore, cheia de pássaros e de ninhos. Ainda não vemos com clareza. Estamos nesta terra e caminhamos na fé, mas caminhamos cheios de confiança, diz São Paulo. Para Deus nada é impossível. Faço minha parte como se tudo dependesse só de mim, sabendo que, em última análise, tudo depende de Deus. E assim caminhamos juntos. 
Jesus fala muitas vezes do Reino de Deus sem dizer claramente o que ele é. As comparações usadas por Jesus ajudam a entender algo da natureza do Reino. Assim, o Reino pode ser comparado com uma semente lançada em terra. Supondo que a terra seja boa e irrigada, o resto a própria natureza fará. O semeador deve dar tempo ao tempo e esperar até o momento da colheita dos frutos. O semeador fez a sua parte. A natureza por Deus criada fará o resto. O semeador pode não saber como a semente germina e cresce, como aparecem as folhas e os frutos. Sabe quando estão maduros, mas não pode saber como amadurecem. Nenhum problema. A colheita aí está. É hora de colher os frutos. Dois agentes trabalharam: Deus e nós. É assim na Terra Prometida, onde correm rios de leite e mel quando se trabalha.
O Reino é também comparado com o pequeno grão de mostarda que se torna depois um arbusto frondoso com ramos que dão sombra aos pássaros. Parece nada no início. Com o passar do tempo, algo esperado ou inesperado acontece e se torna uma maravilha aos nossos olhos. A gente se lembra da história de José do Egito. Foi vendido como escravo por seus próprios irmãos. Levado para o Egito, sofreu bastante até ocupar um alto posto no governo e poder socorrer os irmãos que o prejudicaram. Por que tudo isso aconteceu dessa maneira?
O próprio José dá a sua interpretação: “Deus me mandou na frente de vocês para salvar as suas vidas e garantir a continuidade de seus descendentes na terra. Portanto, não foram vocês que me enviaram para o Egito e sim Deus, que me tornou um pai para o faraó...” (Gn. 45,7). Não se perca com o acontecimento de hoje, não se desespere nem desanime. Não estrague agora o que pode acontecer de bom lá na frente.
Na obra do Evangelho, muitas vezes nos perguntamos se vale a pena o trabalho que fazemos, seja porque o resultado não aparece, seja porque ele desaparece rapidamente. Lembre o semeador de que a semente está na terra, foi colocada com amor e carinho num terreno preparado, e espere. Se por alguma razão o fruto não surgir, semeie de novo. “Tenha paciência. O que vale a pena possuir, vale a pena esperar.”
Há uma distância entre a semeadura e a colheita. Há uma distância entre a ascensão e a parusia. O Senhor que subiu voltará, mas quando? E enquanto não volta o que fazemos? É preciso “pacientar”, sofrer ativamente a distância que se encurta na serenidade. A semente começou a brotar, já se vê a plantinha. Não dê tempo ao tempo e puxe a plantinha para que cresça logo, e veja o que acontece!
“Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor, pois caminhamos na fé e não na visão clara.”
cônego Celso Pedro da Silva


O grão de mostarda
I. Eis o que diz o Senhor: Eu mesmo arrancarei um ramo do grande cedro [...] e o plantarei no cimo da montanha. Eu o plantarei na mais alta montanha de Israel para que estenda os seus rebentos e dê fruto e se torne um cedro magnífico, onde se aninharão aves de toda a espécie. Com estas belas imagens, o profeta Ezequiel (1) recorda-nos, na primeira Leitura da Missa, como Deus se serve do que é pequeno para agir no mundo e nas almas. É também o ensinamento que Jesus nos propõe no Evangelho: O Reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda que, quando semeado na terra, é a menor de todas as sementes; mas depois brota e torna-se maior do que todas as hortaliças e deita ramos tão grandes, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra (2).
O Senhor escolheu um punhado de homens para instaurar o seu reinado no mundo. A maioria deles eram humildes pescadores de pouca cultura, cheios de defeitos e sem meios materiais: escolheu a fraqueza do mundo para confundir os fortes (3). À luz de considerações meramente humanas, é incompreensível que esses homens tivessem chegado a difundir a doutrina de Cristo por toda a terra em tempo tão curto e tendo que enfrentar tantos obstáculos e contradições. Com a parábola do grão de mostarda – comenta são João Crisóstomo –, o Senhor moveu-os à fé e fez-lhes ver que a pregação do Evangelho se propagaria apesar de todas as dificuldades (4).
Nós também somos esse grão de mostarda em relação à tarefa que o Senhor nos confia no meio do mundo. Não devemos esquecer a desproporção entre os meios ao nosso alcance – os nossos poucos talentos – e a vastidão do apostolado que devemos realizar; mas também não podemos esquecer que sempre teremos a ajuda do Senhor. Surgirão dificuldades, e então seremos mais conscientes da nossa insignificância e não teremos outro remédio senão confiar mais no Mestre e no caráter sobrenatural da obra que nos encomenda.
“Nas horas de luta e contradição, quando talvez «os bons» encham de obstáculos o teu caminho, levanta o teu coração de apóstolo; ouve Jesus que fala do grão de mostarda e do fermento. – E diz-lhe: «Edissere nobis parabolam» – explica-me a parábola.
“E sentirás a alegria de contemplar a vitória futura: aves do céu à sombra do teu apostolado, agora incipiente; e toda a massa fermentada” (5).
Se não perdermos de vista a nossa pouca valia e a ajuda da graça, permaneceremos sempre firmes e fiéis, e saberemos corresponder às expectativas do Senhor em relação a cada um de nós. Com Ele, podemos tudo.
II. Os apóstolos e os primeiros cristãos encontraram uma sociedade minada nos seus próprios alicerces, sobre os quais era praticamente impossível construir qualquer ideal. São Paulo descreve assim a sociedade romana e o mundo pagão em geral, que em muitos aspectos perdera a própria luz natural da razão e ficara como que cego para a dignidade do homem: Por isso Deus os abandonou aos desejos do seu coração, à impureza [...]. Por isso os entregou a paixões infames [...]. E, como não quiseram reconhecer a Deus, Ele os entregou aos seus sentimentos depravados, de sorte que cometeram torpezas indignas do homem e se encheram de toda a injustiça, malícia, fornicação, avareza, perversidade; dados à inveja, ao homicídio, às contendas, às fraudes, à malignidade; murmuradores, caluniadores, inimigos de Deus, ultrajadores, orgulhosos, arrogantes, inventores de vícios, rebeldes aos pais, sem bom-senso, sem coração, desleais, sem piedade6. E os cristãos transformaram essa sociedade atuando no seu próprio âmago; ali caiu a semente e, embora fosse insignificante, a partir dali propagou-se pelo mundo inteiro, porque trazia em si uma força divina, porque era de Cristo.
Os primeiros cristãos que chegaram a Roma não eram diferentes de nós, e com a ajuda da graça exerceram um apostolado eficaz, trabalhando nas mesmas profissões que os demais concidadãos, debatendo-se com os mesmos problemas, acatando as mesmas leis, a não ser que fossem diretamente contra as leis de Deus. A cristandade primitiva, em Jerusalém, em Antioquia ou em Roma, era verdadeiramente como um grão de mostarda perdido na imensidade do campo.
Os obstáculos do ambiente não nos devem desanimar, ainda que vejamos na nossa sociedade sinais semelhantes – ou idênticos – aos do tempo de São Paulo. Deus conta conosco para transformar o ambiente em que se desenrola a nossa vida diária. Não deixemos de fazer o que estiver ao nosso alcance, ainda que nos pareça pouco – tão pouco como uns insignificantes grãos de mostarda –, porque o próprio Senhor fará crescer o nosso empenho; e a oração e os sacrifícios que tenhamos feito darão os seus frutos.
Talvez esse “pouco” que está realmente ao nosso alcance possa ser aconselhar à vizinha ou ao colega da Faculdade um bom livro que lemos; ser amáveis com o cliente, com o subordinado; comentar um bom artigo do jornal; rezar pelo amigo doente, pedir-lhe que reze por nós, falar-lhe da Confissão... e, sempre, uma vida exemplar e sorridente.
Toda a vida pode e deve ser apostolado discreto e simples, mas audaz. E esses pequenos gestos, semeados com naturalidade e perseverança, serão como a pequena semente que a graça de Deus transformará em árvore frondosa, como a chispa que dá lugar a um incêndio divino por toda a face da terra.
III. O anúncio do Evangelho, feito a maioria das vezes entre os companheiros de ofício ou entre os vizinhos, significou nos primeiros tempos uma mudança radical de vida e a salvação eterna para famílias inteiras. Para outros, porém, foi escândalo e, para muitos, loucura7.
São Paulo declara aos cristãos de Roma que não se envergonha do Evangelho, porque é uma força de Deus para a salvação de todo aquele que crê (8). E são João Crisóstomo comenta: “Se hoje alguém se aproxima de ti e te diz: «Mas adoras um crucificado?», longe de baixares a cabeça e ficares ruborizado, tira dessa zombaria ocasião de glória, e que o brilho dos teus olhos e o aspecto do teu rosto mostrem que não tens vergonha. Se tornam a perguntar-te ao ouvido: «Como!, adoras um crucificado?», responde: «Sim, eu o adoro» [...]. Eu adoro e glorio-me de um Deus crucificado que, com a sua Cruz, reduziu ao silêncio os demônios e eliminou toda a superstição: para mim, a sua Cruz é o indizível troféu da sua benevolência e do seu amor!”9 É uma bela resposta, que tem plena aplicação nos nossos dias.
Devemos aprender dos primeiros cristãos a não ter falsos respeitos humanos, a não temer o “que podem dizer”, mantendo viva a preocupação de dar a conhecer Cristo em qualquer situação, com a consciência clara de que se trata do tesouro que achamos (10), da pérola preciosa (11) que encontramos depois de muito procurar. A luta contra o respeito humano não deve cessar em momento algum, pois não será infreqüente chocarmos com um clima adverso quando não escondemos a nossa condição de cristãos que seguem Jesus de perto e querem ser conseqüentes com a doutrina que professam. Muitos que se dizem cristãos, mas se mostram pouco valentes à hora de afirmarem com desassombro a sua fé, parecem dar mais valor à opinião dos outros que à de Cristo, ou deixam-se levar pela comodidade fácil de seguir a corrente, de não se singularizarem, etc. Semelhante atitude revela fraqueza de caráter, falta de convicções profundas, pouco amor a Deus.
É lógico que por vezes nos custe comportar-nos como aquilo que somos, como cristãos que querem viver a fé que professam em todos os momentos e situações da sua vida. E essas ocasiões serão excelentes para mostrarmos o nosso amor a Deus deixando de lado os respeitos humanos, a opinião do ambiente, etc., pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de coragem, de amor e de temperança. Jamais te envergonhes do testemunho do nosso Senhor (12), exortava São Paulo a Timóteo, a quem ele próprio tinha aproximado da fé.
Foi esta a atitude daqueles que nos precederam na tarefa de recristianizar o mundo. E mesmo antes. Temos o exemplo de Judas Macabeu em momentos muito difíceis, quando o santuário ficou desolado como o deserto e muitos em Israel se acomodaram a esse culto, sacrificando aos ídolos e profanando o sábado (13). Judas, à frente dos seus irmãos – seguindo o exemplo de seu pai, Matatias –, revolta-se contra aquela iniqüidade e sabe combater alegremente os combates de Israel (14) pela honra de Deus. Judas Macabeu proclamou-nos a razão da sua vitória: Para o Deus dos céus, não há diferença entre salvar uma multidão ou um punhado de homens, porque a vitória na guerra não depende do número dos que combatem, mas da força de uns poucos15. Sempre foi assim nas coisas de Deus, desde os primórdios da Igreja até os nossos dias. Deus vale-se do pouco para as suas obras. Nunca nos faltará também a sua ajuda. Ele fará com que o pouco se torne uma força grande precisamente nesse lugar em que estamos.
E também nós encontraremos na Cruz o poder e a valentia de que necessitamos. Olhamos para Santa Maria: “Não a arreda o clamor da multidão, nem deixa de acompanhar o Redentor enquanto todos os do cortejo, no anonimato, se fazem covardemente valentes para maltratar Cristo. – Invoca-a com força: «Virgo fidelis!» Virgem fiel! –, e pede-lhe que nós, que nos dizemos amigos de Deus, o sejamos deveras e a todas as horas”16.
Francisco Fernández-Carvajal



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