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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 8 de julho de 2015

15º DOMINGO TEMPO COMUM

15º DOMINGO TEMPO COMUM


12 de Julho de 201
Ano   B

-O ENVIO-José Salviano


Evangelho - Mc 6,7-13

Jesus  envia os discípulos para a sublime missão de evangelizar, e recomendou a eles que não levassem malas cheias de roupa e outros objetos, pois aqueles que os acolheriam, tinham a obrigação de servi-los, em tudo o que necessitassem.  Continua
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ENTÃO OS DOZE PARTIRAM E PREGARAM QUE TODOS SE CONVERTESSEM – Olivia Coutinho.

15º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 12 de Julho de 2015

Evangelho de Mc6,7-13

A todo instante, somos chamados a sermos  missionários do Senhor, anunciadores da Boa Nova do Reino! Ninguém fica de fora deste convite, todos são chamados, Jesus não faz restrições de pessoas, Ele nos provou isso, quando chamou os primeiros discípulos, homens dotados de qualidades e defeitos, assim como nós!
Para sermos mensageiro da palavra de Deus, não precisamos de nenhuma formação acadêmica, precisamos apenas, de ter um coração aberto para acolher a graça de Deus e estarmos disponíveis para servir!
O caminho do missionário começa com o seu discipulado, ou seja, antes de  tornar   missionário, ele se faz discípulo de Jesus, torna intimo Dele, conhece os seus ensinamentos, afinal, o missionário, leva ao outro o que aprendeu com o Mestre!
A certeza de que Jesus age através de quem se dispõe a trabalhar em favor do Reino, é o que  motiva o missionário a assumir com maior intensidade e alegria a cumplicidade no anuncio do Reino, um serviço que deve se desenvolver em clima de gratuidade e humildade. 
O Evangelho de hoje, narra o envio dos doze primeiros discípulos. O texto nos apresenta as características centrais do discípulo que se faz missionário! 
O envio de dois a dois, vem nos falar da importância da missão realizada em comunidade, dois a dois, represente uma comunidade, além de fortalecer a credibilidade do testemunho, contribui para o encorajamento, ou seja, um, está sempre animando o outro.
Os discípulos recebem de Jesus, recomendações fundamentais para que a missão deles tenha êxito: “Não leveis nada pelo caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro”. O que significa estar totalmente livre para o serviço!
Jesus recomenda aos discípulos: “Quando entrares numa casa, ficai ali até vossa partida." O que significa, não ficar falando um pouquinho de casa em casa, pois a eficácia da evangelização está mais no testemunho do que nas palavras, uma estadia maior numa só casa, vai possibilitar  ao missionário a falar de Jesus não somente com palavras, mas também com o seu testemunho de vida, na convivência com a  família a ser evangelizada! Uma família bem evangelizada, com certeza, evangelizará  outras famílias  com o seu testemunho!
Para dar continuidade a missão de Jesus, o missionário precisa experimentar a pobreza total, o esvaziar-se de si mesmo para ir ao encontro do outro, confiando somente na sua providencia.
Todas as orientações passadas para os discípulos, deixa-os numa situação de total dependência de Deus, e é justamente na dependência de Deus que o missionário torna forte, afinal, é Deus quem irá  agir nele!
Jesus não ilude os seus enviados prometendo-lhes facilidades, pelo contrário, Ele descreve o futuro da missão, usando a metáfora: “ser cordeiros no meio dos lobos”: Lc10, 3. Por tanto, os discípulos estavam cientes de que a missão deles seria árdua! 
Deus quer salvar a humanidade contando com a nossa disposição, com o nosso serviço, por isto Ele convoca cada um de nós para uma missão, ser indiferente a esta convocação, é ignorar o projeto de Deus!
Para desempenharmos bem a nossa missão, precisamos primeiramente nos libertar dos nossos apegos, só assim, estaremos livres para servir!
Ser missionário do Senhor, é a melhor resposta de amor que podemos dar a quem nos amou primeiro!
O mundo carece de amor, de pessoas dispostas  a levar ao outro a proposta de Jesus! 
Propaguemos o amor de Deus com o nosso testemunho, tornando viva e atuante a presença de Jesus no mundo!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Hoje, a santa Palavra que Deus nos dirige nos fala de duas realidades: nossa missão de profetas e a mensagem de devemos comunicar.
Primeiro, a vocação de profeta. Escutamos na primeira leitura como Amós não poderia se calar. Ele mesmo reconhece: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo!’” Amós não era profeta profissional nem era de uma família tradicional de profetas. E, no entanto, o Senhor o tirou de trás do rebanho, tirou-o da sua vida, e o mandou falar em seu nome ao povo de Israel. No evangelho, vimos Jesus chamando os Doze e os mandando em missão: sem levar nada, confiando somente em Deus, correndo o risco de serem incompreendidos e rejeitados, eles deveriam ir, anunciando o Reino de Deus, que exige mudança de vida, conversão de pensamento, atitudes e modo de agir...'
Meus caros, ainda hoje é assim; entre nós é assim! Deus continua falando, Deus continua escolhendo profetas, Deus continua dirigindo seu chamado ao mundo e a cada pessoa. Se escutarmos com atitude de fé a Palavra santa, se na oração nos abrirmos aos seus apelos, se estivermos atentos ao que ele nos fala no nosso coração, descobriremos que o Senhor também nos envia! Isso mesmo: todo cristão, pelo Batismo e a Crisma, participa da missão do Cristo Jesus, a missão de anunciar o Reino de Deus, revelando a face do Pai, que Jesus nos veio mostrar! É verdade que, na Igreja, há aqueles chamados para o ministério ordenado: Bispos, padres e diáconos que, em nome de Cristo, apascentam o rebanho e anunciam o Evangelho. Eles são os primeiros responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus. Mas, todo o povo de Deus, todos os batizados e crismados, cada um de nós, tem a missão de falar em nome do Senhor e, em nome de Cristo, levar a luz nas trevas, a paz nas tensões e angústias, a esperança no desespero, a vida nova nas situações de morte. Somos todos um povo de profetas, caríssimos e, se nos calarmos, se nos omitirmos, seremos culpados de escondermos e sufocarmos a Palavra do Senhor de que o mundo tanto necessita! 
Aqui cabe um urgente exame de consciência. Quantas oportunidades temos de falar de Cristo, de anunciar a vontade e o plano de Deus, de dar testemunho do seu amor e da sua presença – e nos calamos, nos omitimos, como se Cristo não fosse uma questão nossa! Quantas vezes somos cristãos cansados, cristãos omissos, cristãos comodistas! Os pais aqui presentes têm anunciado Jesus a seus filhos, têm sido seus primeiros evangelizadores e catequistas? Têm rezado com eles? Têm procurado lavá-los à Igreja? Marido e mulher, têm sido um para o outro um sinal de Deus, uma palavra e uma presença de Cristo? Têm procurado construir o lar como um sinal do Reino dos Céus? E os jovens cristãos, têm sido sinal de Nosso Senhor no mundo em que vivem? Têm feito e vivido as várias experiências da vida como discípulos de Cristo? Eis, meus caros irmãos! Não esqueçamos que nós somos os profetas, nós somos os enviados do Senhor! É esta a primeira lição que hoje a Palavra de Deus nos dá. No trabalho, no amor, no descanso, no estudo, nas relações sociais somos as testemunhas do Senhor nosso! Um dia, certamente seremos cobrados por isso; o Senhor nos pedirá contas!
Um segundo aspecto para nossa meditação é o que diz São Paulo na segunda leitura. Aí ele apresenta de modo maravilhoso aquilo que devemos comunicar ao mundo com a palavra e com a vida, isto é, o conteúdo da nossa fé cristã, o grande sonho de Deus para o mundo e para a humanidade. O que nos diz o Apóstolo? Diz-nos que antes da criação do mundo, o Pai sonhou conosco! As montanhas ainda não existiam, as estrelas ainda não brilhavam e o Pai, em Cristo, já sonhava em criar tudo, em nos criar – a mim e a você – e nos mandar o seu Filho amado. Por ele, o Pai criou tudo, por ele, na força do Santo Espírito, o Pai, desde o princípio, cumulou de bênçãos a sua criação. Seu maior sonho era nos mandar Jesus, o Filho feito um de nós, para que ele nos levasse à plenitude da amizade com o Pai na potência do Espírito. E quando nós pecamos, quando a humanidade, desde o princípio, fechou-se para Deus e para o seu sonho, o Pai nem assim desistiu do seu amor: na plenitude dos tempos ele enviou o seu Cristo para que, morrendo na cruz, ele nos libertasse do nosso pecado de teimosia e fechamento e, enchendo-nos do seu Espírito Santo, nos desse já o gostinho, as primícias da vida eterna. Essa vida, nós já a experimentamos aqui, em Jesus, ouvindo sua Palavra, convivendo com os irmãos como membros da Santa Igreja e, sobretudo, participando dos santos sacramentos, de modo especial da Eucaristia, que é Pão do céu, alimento que nos traz já o sabor da vida de Deus.
Eis, caríssimos! Somos enviados por Jesus ao mundo para testemunhar o plano, o sonho de amor para toda a humanidade, que o Pai desde toda eternidade acalentou e realizou em Cristo Jesus, tornando-o presente para nós pelo ministério da Igreja! Estejamos certos de uma coisa: somos parte desse sonho, somos cooperadores desse sonho! Que nossa vida, nossas palavras, nosso compromisso, testemunhem tornem presente esse sonho lindo de Deus!
Olhemos a cruz, conseqüência do nosso pecado, e tomemos consciência do quanto somos caros a Deus, do quanto somos preciosos, do quanto somos amados e do quanto somos chamados a amá-lo e participar da obra de salvação do mundo!
É esta a mensagem deste Domingo, é este o apelo do Senhor! Não sejamos surdos, mas como Amós, como os Doze primeiros, sejamos sementes do Reino de Deus.
dom Henrique Soares da Costa

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Jesus envia seus mensageiros
Num contexto amplo que evoca a preparação dos discípulos, Jesus manda estes para uma missão urgente, não permitindo que levem mais do que o estritamente necessário: um par de sandálias e o bastão do profeta itinerante. Comparando com 2Rs. 4,29 (a pressa de Giezi,levando o bastão de Eliseu), temos a impressão de que se trata de uma coisa de vida ou morte. (Esta pressa ficou melhor conservada ainda na outra ver­são, em Lc. 10,4: não devem entrar em casa de ninguém só para saudá-lo, nem mesmo podem saudar alguém no caminho.) A efervescência da missão de Jesus, anunciando a proximidade do Reino de Deus, teve esta característica: a última chance!
Mc. insiste, porém, sobretudo na “imitação de Cristo”. Os apóstolos recebem dele “autoridade” (assim como Eliseu, da parte de Elias: 2Rs. 2,9-15) para curar, exorcizar e fazer os sinais que ele fazia. Essa imitação inclui também o ser rejeitado (Mc. 6,11; cf. 6,1-6a). Nesse caso, deverão sacudir o pó de suas sandálias em testemunho contra a cidade que não os receber: a cidade teve sua chance (cf. Ez. 2,5).
Neste ponto, o evangelho tem ligação com a 1ª leitura: o profeta Amós, rejeitado pelo sacerdote Amasias de Betel (em Israel, reino do Norte) e intimado a voltar à sua região de origem, Judá (reino do Sul). As razões do sacerdote são razoáveis; Amós parece um daqueles nabis profissionais, videntes carismáticos, muitas vezes pouco fide­dignos e desprezados pelo povo (cf. 1Sm. 10,11). “Não, diz Amós, eu não sou um vidente profissional, não viro a cabeça das pessoas para ganhar dinheiro. Sou um homem com duas profissões bem honestas: pastor e cultivador de sicômoros. Mas Deus é que me tirou de trás do rebanho e me forçou a profetizar, fora de minha terra, em Israel”.
Amós pertence a um novo tipo de profetas, não mais os tradicionais videntes, mas representantes dos movimentos de renovação religiosa, dos quais o mais marcante é o que produziu o livro do Deuteronômio. Eles se sabem enviados por Deus, mesmo a regiões fora de sua jurisdição natural, com uma mensagem de conversão. Conhecidos são os oráculos pouco reverentes de Amós contra a aristocracia de Samaria (cf. a seqüência da presente leitura: Am. 7,16-17; ou as advertências às senhoras de Samaria em Am 4). É este o tipo de missão que a liturgia de hoje evoca, na 1ª leitura e no evangelho: uma advertência ao povo instalado, para provocar sua conversão. Missão por inicia­tiva de Deus, muitas vezes contra a vontade do próprio profeta, para denunciar e assim lograr conversão. Ora, no N.T. esta missão é acompanhada por sinais de benevolência, pois o Reino que eles manifestam presente é um Reino de graça e misericórdia.
O enviado não executa sua missão como ganha-pão. Deus revoluciona sua vida, e tem uma mensagem revolucionária a lhe confiar. Impelido por Deus, acolhido ou rejeitado pelos homens, eis a vida do enviado, ao modelo de Jesus Cristo. Na Igreja, como no antigo Israel, os porta-vozes oficiais transformaram, às vezes, a missão em ganha-pão. Mas cada época da história da Igreja é marcada por movimentos de renovação pro­fética, para que se realize sempre de novo o que Paulo resume vigorosamente em 2Cor 5,14: ”A caridade de Cristo nos impele”.
A 2ª leitura é o rico início de Ef, resumindo a palavra que deve ser anunciada, o “evangelho” de Paulo (1,13), como bênção de Deus em Jesus Cristo, eleição e vocação à santidade, “projeto”(predestinação) de adoção filial, e tudo isso, graças ao sangue do Cristo, que nos remiu. Ele remiu tudo para Deus; tudo é agora dele. Por isso, o plano de Deus é: recapitular tudo em Cristo. Dando crédito à realidade anunciada no evangelho (a “Palavra da Verdade”, 1,13), recebendo a garantia de Deus: seu Espírito, penhor de nossa herança, antegosto daquilo que esperamos. É notável o contraste entre a situação original da pregação de Jesus (a efervescência apocalíptica da iminente irrupção do Reino) e a interpretação bem mais espiritual da realidade escatológica em Ef. Há mais de trinta anos de distância; dirige-se a uma outra cultura. Mas é substancialmente a mesma mensagem: não deixeis escapar a realização da promessa. A aclamação ao evangelho sublinha bem a atitude que devemos adotar diante dessa mensagem.


Evangelizar
Amós não era profeta nem “filho de profeta”– termo bíblico para dizer discípulo (1ª leitura). Não ganhava seu pão profetizando. Era pastor e agricultor. Tampouco era cidadão da Samaria; era de Judá, que vivia em conflito com os samaritanos. Mesmo assim, Deus o escolheu para dar um sério aviso ao sacerdote de Betel, santuário da Samaria.
Tampouco eram missionários profissionais os doze que Jesus enviou a anunciar a proximidade do Reino de Deus (evangelho). Estavam entregues à sua missão, à boa-nova que  deviam anunciar. Estavam entregues à hospitalidade das casas que encontrassem. Recebiam, sim, de Deus, o poder de fazer uns discretos sinais, curas, exorcismos. Nada  deviam ter de si mesmos: nem dinheiro, nem roupa de reserva. Só sandálias e um bom cajado para caminhar. Pois deviam avançar com pressa. O tempo se cumpriu!
Na encíclica Evangelii nuntiandi, o papa Paulo VI escreveu que cada evangelizado deve ser evangelizador. Se acreditamos na boa-nova do Reino, não a podemos esconder aos nossos irmãos. Se acreditamos que a prática de Jesus inaugurou a salvação do mundo e mostrou o caminho para todas as gerações, não podemos guardar isso para nós. O mundo tem de ouvir isso. “Como poderão crer, se não ouvirem” (Rm. 10,14). Quem crê verdadeiramente, tem de evangelizar. Mas como?
Não precisa ser especialista, capaz de discutir nas ruas e nas praças. Nem precisa de treinamento para aprender a enrolar as pessoas ingênuas e tirar um “dízimo” ou uma “aposta” de quem nem tem dinheiro pra criar os seus filhos… Jesus deu aos doze galileus poder de curar e de expulsar demônios. (Naquele tempo chamava-se demônio qualquer doença inexplicável, sobretudo de ordem psíquica). Ou seja, Jesus lhes deu força para fazer bem ao povo ao qual anunciavam a proximidade do Reino. Esses gestos eram um aperitivo do Reino. O bem que muitas pessoas fazem em sua generosa simplicidade é um aperitivo do Reino de Deus. Já  tem o gostinho daquilo que chamamos o Reino – quando é feita a vontade do Pai, como rezamos no Pai-Nosso.
A própria prática do Reino é anúncio do Reino – provavelmente, o anúncio mais eficaz. Vendo a prática do Reino, as pessoas vão perguntar o porquê: as “razões de nossa esperança” (1Pd. 3,15). Se nos comportarmos com simplicidade, entregues àquilo em que acreditamos, ajudando onde pudermos – mas sem apoiarmos causas erradas, estruturas injustas – o mundo perguntará que esperança está por trás disso, que fé nos move, que amor nos envolve. Então, responderemos: o amor que aprendemos de Jesus, que deu sua vida por nós.
A palavra do pregador será fidedigna, se acompanhada de uma prática que mostre o Reino… na prática.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Missão dos doze apóstolos
Jesus, desde o início de sua vida pública chama os discípulos de modo pessoal, particular e escolhe doze para acompanhá-Lo durante suas viagens, testemunhando as curas e os Seus milagres. Agora os convoca e os inclui na Sua missão, fazendo com que participem do Seu poder, mas também de Sua sorte e, por isso, dá-lhes uma série de orientações muito significativas.
Neste momento, os discípulos deixam de ser apenas ouvintes e participam da ação evangelizadora na comunidade. O fato de Jesus enviá-los de dois em dois, significa que a missão deles é exclusivamente um serviço comunitário, coletivo, devendo ajudar-se mutuamente, e não para se promoverem pessoalmente.
O fato de receberem o poder para expulsar demônios significa a prática libertadora da ação de Jesus e, agora também, de todos os que O seguem, pois Evangelizar não é simplesmente uma teoria sobre a religião, ou sobre Deus. Jesus os orienta para iniciarem a missão partindo do princípio que, para ser livre é preciso evitar o apego as coisas materiais e confiar na providência de Deus que sempre agiu na história através de sua ação no meio dos homens. Uma missão evangelizadora não deve estar vinculada a grandes investimentos porque o compromisso evangelizador é com Deus e não com os homens.
O modo de vestir também é uma instrução de Jesus, mostrando que é preciso estar inserido no mesmo contexto cultural e social das pessoas para que não haja diferença entre os discípulos e o povo. O vestir-se deve ser simples, como aquele que serve e se coloca sempre disponível, pois assim não cria um rótulo, ou uma definição de um “status” social. Além de que nada deve pesar sobre eles a não ser a responsabilidade da missão. Devem estar leves e desembaraçados de interesses humanos, despojados de si mesmos, para não se enfraquecerem durante a ação missionária, e serem dependentes do cuidado divino.
Jesus pede para que fiquem na casa em que forem bem recebidos. Ficar em uma casa, quando se é acolhido, é formar uma comunidade, pois, se são bem recebidos conseguem criar um ambiente receptivo para outros também, a fim de darem continuidade aos encontros depois que forem embora.
Nesta ocasião João Batista, aquele que anunciou a chegada de Jesus, se encontra preso e, partindo-se da realidade perseguidora da cúpula religiosa e social da época contra a pessoa e os ensinamentos de Jesus, demonstrada inclusive neste fato, os discípulos também podem ser mal recebidos durante a missão. São orientados para que, se alguém recusar recebê-los, devem deixá-los com a responsabilidade da recusa e sacudir a poeira dos pés, gesto simbólico dos Israelitas quando voltavam de terras pagãs, como um gesto que testemunha o julgamento de Deus sobre aqueles que não aceitam o projeto do Pai por meio do Filho, além da tristeza de não poderem apresentar o verdadeiro Amor e a verdadeira felicidade ali.
Os discípulos saem em missão com a responsabilidade de pregar a Boa Notícia do Reino de Deus entre os homens e pedir a conversão das pessoas; expulsar os demônios, ou seja, livrar os homens de toda a escravidão que sufoca a vida; e curar os doentes de toda espécie de degradação gerada pela escravidão, como a fome e a miséria, os sofrimentos e as próprias doenças ungindo com óleo que era usado para ajudar a restaurar o corpo.


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A liturgia do 15º domingo do tempo comum recorda-nos que Deus atua no mundo através dos homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do seu projeto de salvação. Esses “enviados” devem ter como grande prioridade a fidelidade ao projeto de Deus e não a defesa dos seus próprios interesses ou privilégios.
A primeira leitura apresenta-nos o exemplo do profeta Amós. Escolhido, chamado e enviado por Deus, o profeta vive para propor aos homens – com verdade e coerência – os projetos e os sonhos de Deus para o mundo. Atuando com total liberdade, o profeta não se deixa manipular pelos poderosos nem amordaçar pelos seus próprios interesses pessoais.
A segunda leitura garante-nos que Deus tem um projeto de vida plena, verdadeira e total para cada homem e para cada mulher – um projeto que desde sempre esteve na mente do próprio Deus. Esse projeto, apresentado aos homens através de Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida, total e sem subterfúgios.
No Evangelho, Jesus envia os discípulos em missão. Essa missão – que está no prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Antes da partida dos discípulos, Jesus dá-lhes algumas instruções acerca da forma de realizar a missão… Convida-os especialmente à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais.
1ª leitura: Am. 7,12-15 - AMBIENTE
Amós, o “profeta da justiça social”, exerceu o seu ministério profético no reino do Norte (Israel) em meados do séc. VIII a.C. (possivelmente, por volta de 762 a. C.), durante o reinado de Jeroboão II. É uma época de prosperidade econômica e de tranquilidade política: as conquistas de Jeroboão II alargaram consideravelmente os limites do reino e permitiram a entrada de tributos dos povos vencidos; o comércio e a indústria (mineira e têxtil) desenvolveram-se significativamente… As construções da burguesia urbana atingiram um luxo e magnificência até então desconhecidos.
A prosperidade e bem-estar das classes favorecidas contrastavam, porém, com a miséria das classes baixas. O sistema de distribuição estava nas mãos de comerciantes sem escrúpulos que, aproveitando o bem-estar económico, especulavam com os preços. Com o aumento dos preços dos bens essenciais, as famílias de menores recursos endividavam-se e acabavam por se ver espoliadas das suas terras em favor dos grandes latifundiários. A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os juízes, impedindo que o tribunal fizesse justiça aos mais pobres e defendesse os direitos dos menos poderosos.
Entretanto, a religião florescia num esplendor ritual nunca visto. Magníficas festas, abundantes sacrifícios de animais, um culto esplendoroso, marcavam a vida religiosa dos israelitas… O problema é que esse culto não tinha nada a ver com a vida: no dia a dia, os mesmos que participavam nesses ritos cultuais majestosos praticavam injustiças contra o pobre e cometiam toda a espécie de atropelos ao direito. Ainda mais: os ricos ofereciam a Deus abundantes ofertas, a fim de serenar as suas consciências culpadas e a fim de assegurar a cumplicidade de Deus para os seus negócios escuros… Além disso, a influência da religião cananeia estava a levar os israelitas para o sincretismo religioso: o culto a Jahwéh misturava-se com rituais pagãos provenientes dos cultos a Baal e Astarte. Essa confusão religiosa punha em sérios riscos a pureza da fé jahwista.
É neste contexto que aparece o profeta Amós. Natural de Técua (uma pequena aldeia situada no deserto de Judá), Amós não é profeta profissional; mas, chamado por Deus, deixa a sua terra e parte para o reino vizinho para gritar à classe dirigente a sua denúncia profética. A rudeza do seu discurso, aliada à integridade e afoiteza da sua fé, traz algo do ambiente duro do deserto e contrasta com a indolência e o luxo da sociedade israelita da época.
O episódio que a primeira leitura deste domingo nos propõe leva-nos até ao santuário de Betel, no centro da Palestina. Trata-se de um lugar considerado sagrado, desde tempos imemoriais. De acordo com Gn 35,1-8, Jacob construiu aí um altar e dedicou-o a Jahwéh. Mais tarde, Betel aparece como o local onde se reúne a assembléia de “todo o Israel” para “consultar Deus” (cf. Jz. 20,18), para chorar diante de Deus a sua infelicidade (cf. Jz. 20,26) e para se encontrar com Deus (cf. Jz. 21,2). Tudo isto reflete a importância cultual do lugar.
Quando o Povo de Deus se dividiu em dois reinos, após a morte de Salomão (932 a.C.), os reis do norte (Israel) potenciaram o culto em Betel, para impedir que os seus súbditos tivessem de deslocar-se a Jerusalém, situado no reino inimigo do sul (Judá). Então, Betel transformou-se numa espécie de “santuário oficial” do regime, onde o culto era financiado, em grande parte, pelo próprio rei. O sacerdote que presidia ao culto era uma espécie de “funcionário real”, encarregado de zelar para que os interesses do rei fossem defendidos, nesse local por onde passava uma parte significativa dos fiéis de Israel. Na época em que Amós exerce o seu ministério profético em Betel, o sacerdote encarregado do santuário era um tal Amasias. Alguns elementos que chegaram até nós parecem indiciar também a existência em Betel de uma imagem de um bezerro, que representava Jahwéh e que era adorado pelos fiéis (cf. Os. 10,5).
Betel é um dos lugares onde ecoa a denúncia profética de Amós. Provavelmente, Amós criticou as injustiças cometidas pelo rei e pela classe dirigente; e, certamente, denunciou, nesse lugar, um culto que era aliado da injustiça e que procurava comprometer Deus com os esquemas corruptos dos poderosos.
MENSAGEM
O nosso texto descreve o confronto entre o sacerdote Amasias e o profeta Amós. É um texto fundamental para entendermos a missão do profeta, a sua liberdade face aos interesses do mundo e dos poderes instituídos.
O sacerdote Amasias é o homem da religião oficial, enfeudada aos interesses do rei e da ordem estabelecida, comprometida com o poder político. Para ele, o que interessa é manter intocável um sistema que assegura benefícios mútuos, quer ao trono, quer ao altar. Nesse sistema, o rei é o guardião supremo da ordem instituída e não há lugar (nem necessidade) de uma intervenção que ponha em causa a ordem estabelecida. A tarefa da religião é, na perspectiva de Amasias, proteger e legitimar os interesses do rei; em troca, o rei sustenta o santuário. Trono e religião são, assim, cúmplices ligados por interesses mútuos, que fazem tudo para manter o “statu quo” e os privilégios. O próprio Amasias tem muito a perder, se as coisas não correrem bem, já que é um funcionário real cuja função é defender os interesses do rei. A religião de Amasias é uma religião escrava dos interesses, que se ajoelha diante dos poderosos e que está completamente fechada aos desafios de Deus (que, se fossem escutados e acolhidos, poderiam desarranjar o sistema). Nesta perspectiva, a denúncia de Amós soa a rebelião contra os interesses enlaçados do poder e da religião, a doutrina subversiva que põe em causa as estruturas e que abala os fundamentos da ordem estabelecida. Por isso, há que usar toda a força do sistema para calar a voz incômoda do profeta. Amós é, portanto, denunciado, convidado a deixar o santuário e a voltar à sua terra para “ganhar aí o seu pão”.
A resposta de Amós deixa claro que o profeta é um homem livre, que não atua por interesses humanos (próprios ou alheios), mas por mandato de Deus. A iniciativa de ser profeta não foi sua… Deus é que veio ao seu encontro, interrompeu a normalidade da sua vida e convocou-o para a missão. De resto, a profecia não é, para ele, uma ocupação profissional, ou uma forma de realizar interesses pessoais. Amós é profeta porque Deus irrompeu na sua vida com uma força irresistível, tomou conta dele e enviou-o a Israel. O profeta não está, portanto, preocupado com os interesses do rei ou com os interesses do sacerdote Amasias, ou com a perpetuação de uma ordem social injusta e opressora… Ele foi convocado para ser a voz de Deus e só lhe interessa cumprir a missão que Deus lhe confiou. Doa a quem doer, é isso que Amós procurará fazer. Ele não pode, nem quer ficar calado… A sua missão (ainda que isso custe a Amasias e ao rei) tem autoridade por si própria, porque vem de Deus e Deus é infinitamente maior do que o rei. Munido dessa autoridade (que não só o legitima na sua ação profética, mas até o obriga a ser fiel à missão que lhe foi confiada), Amós anuncia (num desenvolvimento que o texto que nos é proposto não conservou – cf. Am. 7,16-17) o castigo para o rei, para Amasias e para toda a nação infiel.
ATUALIZAÇÃO
• Neste texto – como em tantos outros textos proféticos – transparece a absoluta convicção de que o profeta é um homem de Deus, escolhido por Deus, chamado por Deus, enviado por Deus, legitimado por Deus. Deus está na origem da vocação profética; e a atuação do profeta só faz sentido se partir de Deus e se tiver como objetivo apresentar aos homens as propostas de Deus. É preciso que nós crentes – constituídos profetas pelo batismo – tenhamos Deus como a referência de onde parte e para onde se orienta a nossa ação e missão proféticas. Nenhum profeta o é por sua iniciativa pessoal, ou para anunciar propostas pessoais; mas é Deus que nos chama, que nos envia e que está na base desse testemunho que somos chamados a dar no meio dos homens.
• O profeta é um homem livre, que não se amedronta nem se dobra face aos interesses dos poderosos. Por isso, o profeta não pode calar-se perante a injustiça, a opressão, a exploração, tudo o que rouba a vida e impede a realização plena do homem. Amasias – o sacerdote que alinha ao lado dos poderosos, que defende intransigentemente a ordem estabelecida, que se compromete com ela, que vende a sua consciência para manter o lugar e que transige com a injustiça para não incomodar os poderosos – é um exemplo a não seguir… Amós, o profeta que não se cala nem se vende, que está disposto a arriscar tudo (inclusive a própria vida) para defender os pequenos e os fracos e que não hesita em propor os projetos de Deus para o homem e para o mundo, deve ser o modelo para qualquer crente a quem Deus chama a cumprir uma missão profética no meio do mundo.
• Amasias é o homem comodamente instalado nos seus privilégios, benesses, que cala a voz da própria consciência porque tem muito a perder e não quer arriscar; Amós é o profeta livre da preocupação com os bens materiais, que não está preocupado com a defesa dos próprios interesses, mas sim com a defesa intransigente dos interesses dos pobres e marginalizados, que são os interesses de Deus. A diferença entre os dois é a diferença entre aquele para quem os valores materiais são a prioridade fundamental e aquele para quem os valores de Deus são a prioridade fundamental. O verdadeiro profeta não pode colocar os bens materiais como a sua prioridade fundamental; se isso acontecer, perderá a sua liberdade profética e tornar-se-á um escravo de quem lhe paga.
• Este texto fala-nos também da promiscuidade entre a religião e o poder. Trata-se de uma combinação que não produz bons frutos (como, aliás, a história da Igreja tem demonstrado nas mais diversas épocas e lugares). A Igreja, para poder exercer com fidelidade a sua missão profética, tem de evitar colar-se aos poderosos e depender deles, sob pena de ser infiel à missão que Deus lhe confiou. Uma Igreja que está preocupada em não incomodar o poder para manter privilégios fiscais, ou para continuar a receber dinheiro para as instituições que tutela, será uma Igreja escrava, de mãos atadas, dependente, que está longe de Jesus Cristo e da sua proposta libertadora.
2 leitura: Ef. 1,3-14 - AMBIENTE
A cidade de Éfeso, capital da Província romana da Ásia, estava situada na costa ocidental da Ásia Menor. O seu importante porto e a sua numerosa população faziam dela uma cidade florescente. Paulo passou em Éfeso na sua segunda viagem missionária (cf. At. 18,19-21) e, durante a sua terceira viagem missionária, fez de Éfeso o quartel-general, a partir do qual evangelizou toda a zona ocidental da Ásia Menor.
A nossa Carta aos Efésios é, provavelmente, um dos exemplares de uma “carta circular” enviada a várias igrejas da Ásia Menor, numa altura em que Paulo está na prisão (em Cesareia? Em Roma?). O seu portador é um tal Tíquico.
Alguns vêem nesta carta uma espécie de síntese da teologia paulina, numa altura em que a missão do apóstolo está praticamente terminada no oriente. O tema mais importante da carta aos Efésios é aquilo que o autor chama “o mistério”: trata-se do projeto salvador de Deus, definido e elaborado desde sempre, escondido durante séculos, revelado e concretizado plenamente em Jesus, comunicado aos apóstolos e, nos “últimos tempos”, tornado presente no mundo pela Igreja.
O texto que nos é hoje proposto aparece no início da carta. É um hino litúrgico que deve ter circulado nas comunidades cristãs antes de ser enxertado aqui por Paulo. Este hino dá graças pela ação do Pai (cf. Ef. 1,3-6), do Filho (cf. Ef. 1,7-12) e do Espírito Santo (cf. Ef. 1,13-14), no sentido de oferecer aos homens a salvação.
MENSAGEM
A ação de graças dirige-se a Deus, pois Ele é a fonte última de todas as graças concedidas aos homens. Essas graças atingiram os homens através do Filho, Jesus Cristo.
Qual é então, segundo este hino, a ação do Pai?
O Pai, no seu amor, elegeu-nos desde sempre (“antes da criação do mundo”). Elegeu-nos para quê? A resposta é: “para sermos santos e irrepreensíveis”. A palavra “santo” indica a situação de alguém que foi separado do mundo e consagrado a Deus, para o serviço de Deus; a palavra “irrepreensível” era usada para falar das vítimas oferecidas em sacrifício a Deus, que deviam ser imaculadas e sem defeito… Significa, pois, uma santidade (isto é, uma consagração a Deus) verdadeira e radical.
Além de nos eleger, o Pai predestinou-nos “para sermos seus filhos adotivos”. Através de Cristo, o Pai ofereceu-nos a sua vida e integrou-nos na sua família na qualidade de filhos. O fim desta ação de Deus é o louvor da sua glória.
“Eleição” e “adoção como filhos” resultam do imenso amor de Deus pelos homens – um amor que é gratuito, incondicional e radical.
E Jesus Cristo, o Filho, que papel teve neste processo?
Nos vs. 7-10, o autor do hino refere-se ao sangue derramado de Cristo e ao seu significado redentor. A morte de Jesus na cruz é o sinal evidente do espantoso amor de Deus pelos homens; e dessa forma, Deus ensinou-nos a viver no amor, no amor total e radical. Através de Cristo, Deus derramou sobre nós a sua graça, tornando-nos pessoas novas e diferentes, capazes de viver no amor. Assim, Deus manifestou-nos o seu projeto de salvação (que o hino chama “o mistério”) e que consiste em levar-nos a uma identificação plena com Jesus (na sua ilimitada capacidade de amar e de dar vida), a uma unidade e harmonia totais com Jesus. Identificando-nos com Cristo e ensinando-nos a viver no amor total e radical, Deus reconciliou-nos consigo, com todos os outros e com a própria natureza. Da ação redentora de Cristo nasceu, pois, um Homem Novo, capaz de um novo tipo de relacionamento (não marcado pelo egoísmo, pelo orgulho, pela auto-suficiência, mas marcado pelo amor e pelo dom da vida) com Deus, com os outros homens e mulheres e com toda a criação.
Dessa forma, em Cristo fomos constituídos filhos de Deus e herdeiros da salvação, conforme o projeto de Deus preparado desde toda a eternidade em nosso favor (vs. 11-12).
Os crentes que aderiram a Jesus foram marcados pelo “selo” do Espírito. Esse “selo” é a marca que atesta a nossa integração na família divina e a garantia de que um dia participaremos na vida eterna, plena e verdadeira, conforme o plano que Deus tem para nós (vs. 13-14).
ATUALIZAÇÃO
• O nosso texto afirma, de forma clara, que Deus tem um projeto de vida plena e total para os homens, um projeto que desde sempre esteve na mente de Deus. É muito importante termos isto em conta: não somos um acidente de percurso na evolução inexorável do cosmos, mas somos atores principais de uma história de amor que o nosso Deus sempre sonhou e que Ele quis escrever e viver conosco… No meio das nossas desilusões e dos nossos sofrimentos, da nossa finitude e do nosso pecado, dos nossos medos e dos nossos dramas, não esqueçamos que somos filhos amados de Deus, a quem Ele oferece continuamente a vida definitiva, a verdadeira felicidade.
• De acordo com o nosso texto, Deus “elegeu-nos… para sermos santos e irrepreensíveis”. Já vimos que “ser santo” significa ser consagrado para o serviço de Deus. O que é que isto implica em termos concretos? Entre outras coisas, implica tentar descobrir o plano de Deus, o projeto que Ele tem para cada um de nós e concretizá-lo dia a dia com verdade, fidelidade e radicalidade. No meio das solicitações do mundo e das exigências da nossa vida profissional, social e familiar, temos tempo para Deus, para dialogar com Ele e para tentar perceber os seus projetos e propostas? E temos disponibilidade e vontade de concretizar as suas propostas, mesmo quando elas não são conciliáveis com os nossos interesses pessoais?
• O nosso texto afirma ainda a centralidade de Cristo nesta história de amor que Deus quis viver conosco… Jesus veio ao nosso encontro, cumprindo com radicalidade a vontade do Pai e oferecendo-Se até à morte para nos ensinar a viver no amor. Como é que assumimos e vivemos essa proposta de amor que Jesus nos apresentou? Aprendemos com Ele a amar sem exceção e com radicalidade? Somos profetas que testemunham, diante do mundo, o projeto de Deus? Aqueles que caminham pelo mundo ao nosso lado encontram nos nossos gestos e atitudes sinais vivos do amor de Deus revelado em Jesus?
Evangelho: Mc. 6,7-13 - AMBIENTE
Toda a primeira parte do Evangelho segundo Marcos (cf. Mc. 1,14-8,30) está montada à volta da ideia de que Jesus é o Messias que proclama o Reino de Deus. Como ponto de partida está um sumário-anúncio inicial (cf. Mc. 1,14-15) onde se proclama a chegada do Reino; em seguida, Jesus apresenta a proposta do Reino a um grupo de discípulos, que escutam o apelo e aceitam embarcar na aventura do Reino de Deus (cf. Mc. 1,16-20); depois, Marcos descreve como Jesus, com palavras e com gestos concretos, vai propondo essa nova realidade que é o Reino e vai intercalando as propostas de Jesus com as respostas positivas ou negativas dos fariseus, do povo e dos próprios discípulos (cf. Mc. 1,21-8,30).
À medida que o “caminho do Reino” avança, os discípulos vão aparecendo cada vez mais ligados a Jesus e cada vez mais implicados no projeto do Reino. Chamados por Jesus, eles responderam positivamente a esse chamamento e seguiram-n’O; depois, durante a caminhada que fizeram com Jesus, eles escutaram os ensinamentos de Jesus e testemunharam os seus gestos e sinais. Formados por Jesus na “escola do Reino”, os discípulos podem agora ser enviados ao mundo, a fim de anunciar a todos os homens a chegada desse mundo novo que Jesus chamava o “Reino de Deus”.
MENSAGEM
O nosso texto é uma autêntica catequese sobre a missão dos discípulos de Jesus no meio do mundo. As instruções postas aqui na boca de Jesus conservam o seu sentido e valor para os discípulos de todo o tempo e lugar.
Marcos começa por deixar claro que a iniciativa do chamamento dos discípulos é de Jesus: Ele “chamou-os” (v. 7). Não há qualquer explicação sobre os critérios que levaram a essa escolha: falar de vocação e de eleição é falar de um mistério insondável, que depende de Deus e que o homem nem sempre consegue compreender e explicar.
Depois, Marcos aponta o número dos discípulos que são enviados (“doze”). Porquê exatamente “doze”? Trata-se de um número simbólico, que lembra as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus. Estes “doze” discípulos representam simbolicamente a totalidade do Povo de Deus, do novo Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus que é enviada em missão.
Os “doze” são enviados “dois a dois”. É provável que o envio “dois a dois” tenha a ver com o costume judaico de viajar acompanhado, para ter ajuda e apoio em caso de necessidade; pode também pensar-se que esta exigência de partir em missão “dois a dois” tenha a ver com as exigências da lei judaica, de acordo com a qual eram necessárias duas testemunhas para dar credibilidade a um qualquer anúncio (cf. Dt. 19,15; Mt. 18,16). Em qualquer caso, a exigência de partir em missão “dois a dois” sugere também que a evangelização tem sempre uma dimensão comunitária. Os discípulos nunca devem trabalhar sós, à margem do resto da comunidade; não devem anunciar as suas ideias, mas a fé da Igreja. Quem anuncia o Evangelho, anuncia-o em nome da comunidade; e o seu anúncio deve estar em sintonia com a fé da comunidade.
Em seguida, Marcos define a missão que Jesus lhes confiou (“deu-lhes poder sobre os espíritos impuros). Os espíritos impuros representam aqui tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de chegar à vida em plenitude. A missão dos discípulos é, pois, lutar contra tudo aquilo – seja de caráter físico, seja de caráter espiritual – que destrói a vida e a felicidade do homem (podemos dizer que a missão dos discípulos é lutar contra o “pecado”). É da ação libertadora dos discípulos (que atuam por mandato de Jesus) que nasce um mundo novo, de homens livres – o mundo do “Reino”.
Em seguida, vêm as instruções para a missão (vs. 8-9). Na perspectiva de Jesus, os discípulos devem partir para a missão, num despojamento total de todos os bens e seguranças humanas… Podem levar um cajado (na versão de Mateus e de Lucas, os discípulos não deviam levar cajado – cf. Mt. 10,10; Lc. 9,3); mas não devem levar nem pão, nem alforje, nem moedas (essas pequenas moedas de cobre que o viajante levava sempre consigo para as suas pequenas necessidades), nem duas túnicas. Os discípulos devem ser totalmente livres e não estar amarrados a bens materiais; caso contrário, a preocupação com os bens materiais pode roubar-lhes a liberdade e a disponibilidade para a missão. Por outro lado, essa atitude de pobreza e de despojamento ajudará também os discípulos a perceber que a eficácia da missão não depende da abundância dos bens materiais, mas sim da ação de Deus. Finalmente, a sobriedade e o desapego são sinais de que o discípulo confia em Deus e contribuem para dar credibilidade ao testemunho.
Um outro gênero de instruções refere-se ao comportamento dos discípulos diante da hospitalidade que lhes for oferecida (vs. 10-11). Quando forem acolhidos numa casa, devem aí permanecer algum tempo (seguramente para formar uma comunidade) e não devem saltar de um lugar para o outro, ao sabor das amizades, dos interesses próprios ou alheios ou das suas próprias conveniências pessoais. Quando não forem recebidos num lugar, devem “sacudir o pó dos pés” ao abandonar esse lugar: trata-se de um gesto que os judeus praticavam quando regressavam do território pagão e que simboliza a renúncia à impureza. Aqui, deve significar o repúdio pelo fechamento às propostas libertadoras de Deus.
Finalmente, Marcos descreve a realização da missão dos discípulos (vs. 12-13): pregavam a conversão (“metanoia” – isto é, uma mudança radical de mentalidade, de valores, de atitudes, um voltar-se para Jesus Cristo e um acolher o seu projeto), expulsavam demônios, curavam os doentes. Trata-se de continuar a missão de Jesus: libertar o homem de tudo aquilo que o oprime e lhe rouba a vida, para fazer aparecer um mundo de homens livres e salvos (“Reino de Deus”).
O anúncio que é confiado aos discípulos é o anúncio que Jesus fazia (o “Reino”); os gestos que os discípulos são convidados a fazer para anunciar o “Reino” são os mesmos que Jesus fez. Ao apresentar a missão dos discípulos em paralelo e em absoluta continuidade com a missão de Jesus, Jesus convida a Igreja (os discípulos) a continuar na história a obra libertadora que Ele começou em favor do homem.
ATUALIZAÇÃO
• Como é que Deus age, hoje, no mundo? A resposta que o Evangelho deste domingo dá é: através desses discípulos que aceitaram responder positivamente ao chamamento de Jesus e embarcaram na aventura do “Reino”. Eles continuam hoje no mundo a obra de Jesus e anunciam – com palavras e com gestos – esse mundo novo de felicidade sem fim que Deus quer oferecer aos homens.
• Atenção: Jesus não chama apenas um grupo de “especialistas” para o seguir e para dar testemunho do “Reino”. Os “doze” representam a totalidade do Povo de Deus. É a totalidade do Povo de Deus (os “doze”) que é enviada, a fim de continuar a obra de Jesus no meio dos homens e anunciar-lhes o “Reino”. Tenho consciência de que isto me diz respeito e que eu pertenço à comunidade que Jesus envia em missão?
• Qual é a missão dos discípulos de Jesus? É lutar objetivamente contra tudo aquilo que escraviza o homem e que o impede de ser feliz. Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las; hoje há “valores” (apresentados como o “último grito” da moda, do avanço cultural ou científico) que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los; hoje há esquemas de exploração (disfarçados de sistemas econômicos geradores de bem estar) que geram miséria, marginalização, debilidade, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los. A proposta libertadora de Jesus tem de estar presente (através dos discípulos) em qualquer lado onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça. É isso que eu procuro fazer?
• As advertências de Jesus para que os discípulos se apresentem sempre numa atitude de sobriedade e de despojamento significam, em primeiro lugar, que o discípulo nunca deve fazer dos bens materiais a sua prioridade fundamental. Se o discípulo estiver obcecado pelo “ter”, tornar-se-á escravo dos bens, acomodar-se-á e não terá espaço nem disponibilidade para se lançar na aventura do anúncio do Reino. Por outro lado, o discípulo que erige os bens materiais como a prioridade da sua vida sentirá sempre a tentação de se calar, de não incomodar os poderosos, a fim de preservar os seus interesses econômicos e os seus benefícios particulares.
• As advertências de Jesus para que os discípulos se apresentem sempre numa atitude de sobriedade e de despojamento significam também o desapego das ideias e preconceitos, dos hábitos e costumes, das paixões e afetos que podem constituir um obstáculo para a missão de anunciar o Reino.
• As palavras de Jesus recomendam ainda aos discípulos que atuam por um tempo prolongado num determinado lugar, a moderação e o agradecimento para com aqueles que os acolhem. Quem é recebido numa casa ou num lugar como hóspede, deve converter-se numa bênção para essa casa e comportar-se com sobriedade, equilíbrio e maturidade.
• Com frequência os discípulos de Jesus têm de lidar com a oposição e a recusa da proposta que eles testemunham. É um fato que deve ser visto com normalidade e compreensão. No entanto, quando isto suceder, é missão dos discípulos alertar os implicados para a gravidade da recusa. Quem recusa as propostas de Deus, deve estar plenamente consciente de que está a perder oportunidades únicas e a afastar-se da sua realização plena, da vida verdadeira.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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Amor e veneração pelo sacerdócio
– Identidade e missão do sacerdote.
– Administrador dos tesouros divinos. Dignidade do sacerdote.
– Ajudas que podemos prestar-lhes. Oração. Veneração pelo estado sacerdotal.
I. TODOS OS BATIZADOS podem aplicar a si próprios as palavras de São Paulo aos cristãos de Éfeso, recolhidas na segunda Leitura da Missa1: O Senhor escolheu‑nos antes da constituição do mundo para que fôssemos santos e imaculados na sua presença, pelo amor. Graças ao Batismo e à Confirmação, todos os fiéis cristãos são linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo de conquista2, “destinados a oferecer vítimas que sejam agradáveis a Deus por Jesus Cristo”3.
Pela participação no sacerdócio de Cristo, os fiéis cristãos tomam parte ativa na celebração do Sacrifício do Altar e, através das suas tarefas seculares, santificam o mundo, participando dessa missão única da Igreja e realizando-a por meio da peculiar vocação recebida de Deus: cada um nas suas atividades e nas suas circunstâncias, convertidas dia a dia numa oferenda gratíssima ao Senhor.
Por vontade divina, dentre os fiéis, que possuem o sacerdócio comum, alguns são chamados – mediante o sacramento da Ordem – a exercer o sacerdócio ministerial. Este pressupõe o sacerdócio comum dos fiéis, mas distingue‑se dele essencialmente: pela consagração recebida no sacramento da Ordem, o sacerdote converte‑se em instrumento de Jesus Cristo, a quem empresta todo o seu ser, para levar a todos a graça da Redenção. É um homem escolhido entre os homens, constituído em favor dos homens no que se refere a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados4. Qual é, pois, a identidade do sacerdote? “A de Cristo. Todos os cristãos podem e devem ser não já alter Christus, mas ipse Christus: outros Cristos, o próprio Cristo! Mas no sacerdote isto se dá imediatamente, de forma sacramental”5.
O Senhor, presente de muitas maneiras entre nós, mostra‑se muito próximo na figura do sacerdote. Cada sacerdote é um imenso dom de Deus ao mundo; é Cristo que passa fazendo o bem, curando doenças, dando paz e alegria às consciências; é “o instrumento vivo de Cristo” no mundo6, empresta a Nosso Senhor a sua voz, as mãos, todo o seu ser7. Na Santa Missa, renova – in persona Christi – o próprio Sacrifício redentor do Calvário. Torna presente e eficaz no tempo a Redenção levada a cabo por Cristo. “Jesus – recordava João Paulo II aos sacerdotes brasileiros – identifica‑nos de tal modo consigo no exercício dos poderes que nos conferiu, que a nossa personalidade como que desaparece diante da sua, já que é Ele quem atua por meio de nós”8.
Na Santa Missa, é Jesus Cristo quem muda a substância do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue. E “é o próprio Jesus quem, no sacramento da Penitência, pronuncia a palavra autorizada e paterna: Eu te absolvo dos teus pecados. E é Ele quem fala quando o sacerdote, exercendo o seu ministério em nome e no espírito da Igreja, anuncia a palavra de Deus. É o próprio Cristo quem cuida dos doentes, das crianças e dos pecadores, quando o amor e a solicitude pastoral dos ministros sagrados os envolvem”9.
Um sacerdote é mais valioso para a humanidade que todos os bens materiais e humanos juntos. Temos de rezar muito pela santidade dos sacerdotes, temos que ajuda-los e ampara-los com a nossa oração e a nossa estima. Devemos ver neles o próprio Cristo.
II. JESUS ESCOLHE os apóstolos como seus representantes pessoais, e não apenas como seus mensageiros, profetas e testemunhas.
Esta nova identidade – atuar in persona Christi – deve manifestar‑se numa vida simples e austera, santa. O Evangelho da Missa10 relata‑nos que, quando Jesus enviou os Apóstolos para a primeira missão, recomendou lhes que levassem para a caminhada um bastão e nada mais: nem pão, nem alforje, nem dinheiro no cinto...
Deus toma posse daquele-que-chamou-ao-sacerdócio,-consagra‑o-para-o-serviço-dos-outros-homens, seus irmãos, e confere lhe uma nova personalidade. E este homem,-eleito-e-consagrado-ao-serviço-de-Deus-e-dos-outros,-não-o-é-somente-em-algumas-ocasiões-determinadas,-por-exemplo,-quando-realiza-uma-função-sagrada,-mas-“sempre,-em-todos-os-momentos,-tanto-quando-exerce-o-mais-alto-e-sublime-ofício-como-no-ato-mais-vulgar-e-humilde-da-vida-quotidiana.-Exatamente-da-mesma-maneira-que-um-cristão-não-pode-deixar-de-lado-o-seu-caráter-de-homem-novo,-recebido-no-Batismo,-para-comportar‑se-«como-se-fosse»-um-simples-homem,-também-o-sacerdote-não-pode-abstrair-do-seu-caráter-sacerdotal-para-se-comportar-«como-se»-não-fosse-sacerdote.-Qualquer-coisa-que-faça,-qualquer-atitude-que-tome,-quer-queira,-quer-não,-será-sempre-a-ação-e-a-atitude-de-um-sacerdote,-porque-ele-o-é-sempre,-em-todas-as-horas-e-até-à-raiz-do-seu-ser,-faça-o-que-fizer-e-pense-o-que-pensar”11.
O-sacerdote-é-um-enviado-de-Deus-ao-mundo-para-que-lhe-fale-da-sua-salvação,-e-é-constituído-administrador-dos-tesouros-de-Deus12:-o-Corpo-e-o-Sangue-de-Cristo,-bem-como-a-graça-de-Deus-por-meio-dos-sacramentos,-a-palavra-divina-mediante-a-pregação,-a-catequese,-os-conselhos-da-Confissão.-Está-confiada-ao sacerdote-“a-mais-divina-das-obras-divinas”,-que-é-a-salvação das almas; foi constituído embaixador e medianeiro-entre-Deus-e-os-homens.
“Saboreio-a-dignidade-da-finura-humana-e-sobrenatural-destes-meus-irmãos,-espalhados-por-toda-a-terra.-É-de-justiça-que-se-vejam-rodeados-já-agora-da-amizade,-da-ajuda-e-do-carinho-de-muitos-cristãos.-E-quando-chegar-o-momento-de-se-apresentarem-diante-de-Deus,-Jesus-Cristo-ir‑lhes‑á-ao-encontro,-para-glorificar-eternamente-aqueles-que,-no-tempo,-atuaram-em-seu-nome-e-na-sua-Pessoa,-derramando-com-generosidade-a-graça-da-qual-eram-administradores”13.
Meditemos-hoje-junto-do-Senhor-como-é-a-nossa-oração-pelos-sacerdotes,-com-que-delicadeza-os-tratamos,-como-lhes-agradecemos-que-tenham-querido-corresponder-à-chamada-do-Senhor,-como-os-ajudamos-a-ser-fiéis-e-santos.-Peçamos-hoje-“a-Deus-Nosso-Senhor-que-nos-dê-a-todos-nós,-sacerdotes,-a-graça-de-realizarmos-santamente-as-coisas-santas,-de-refletirmos,-também-na-nossa-vida,-as-maravilhas-das-grandezas-do-Senhor”14.
III.-TENDO-PARTIDO,-pregavam-às-gentes-que-se-convertessem,-expulsavam-muitos-demônios,-ungiam-com-óleo-muitos-doentes-e-curavam‑nos...-Os-sacerdotes-são-também-como-que-um-prolongamento-da-Santíssima-Humanidade-de-Cristo,-pois-através-deles-continuam-a-realizar‑se-nas-almas-os-mesmos-milagres-que-o-Senhor-realizou-ao-passar-pela-terra:-os-cegos-vêem,-os-que-não-podiam-andar-recuperam-as-forças,-os-que-morreram-pelo-pecado-mortal-renascem-para-a-vida-da-graça-pelo-sacramento-da-Confissão...
O-sacerdote-não-procura-compensações-humanas,-nem-honra-pessoal,-nem-prestígio-humano,-nem-mede-o-seu-trabalho-pelos-critérios-humanos-deste-mundo...-Não-é-árbitro-na-partilha-de-heranças15-entre-os-homens,-nem-veio-libertá‑los-das-suas-carências-materiais-–-essa-é-uma-tarefa-de-todos-os-homens-de-boa-vontade-–,-mas-veio-trazer‑nos-a-vida-eterna.-Isto-é-que-é-especificamente-seu;-é-também-aquilo-de-que-o-mundo-mais-necessita.
Por-isso-temos-que-rezar-tanto-para-que-a-Igreja-conte-sempre-com-os-sacerdotes-necessários,-com-sacerdotes-que-lutem-por-ser-santos.-Temos-que-rezar-e-fomentar-essas-vocações,-se-é-possível,-entre-os-membros-da-própria-família,-entre-os-filhos,-entre-os-irmãos...-Que-imensa-alegria-para-uma-família-se-Deus-a-abençoa-com-este-dom!
Todos-os-fiéis-têm-a-gratíssima-obrigação-de-ajudar-os-sacerdotes,-especialmente-com-a-oração:-para-que-celebrem-com-dignidade-a-Santa-Missa-e-dediquem-muitas-horas-ao-confessionário;-para-que-tenham-no-coração-a-tarefa-de-administrar-os-sacramentos-aos-doentes-e-anciãos-e-cuidem-com-esmero-da-catequese;-para-que-se-preocupem-com-o-decoro-da-Casa-de-Deus-e-sejam-alegres,-pacientes,-generosos,-amáveis,-trabalhadores-infatigáveis-na-missão-de-dilatar-o-Reino-de-Cristo.-Ajuda-los-emos-generosamente-nas-suas-necessidades-econômicas,-procuraremos-prestar-lhes-a-nossa-colaboração-naquilo que estiver ao nosso alcance... E jamais falaremos mal deles. “Dos sacerdotes de Cristo não se deve falar-senão-para-louvá-los!” (16)
Se-vez-por-outra-vemos-faltas-e defeitos em alguns deles, procuraremos-desculpá-los,-e-fazer-como-aqueles-bons-filhos-de-Noé: cobri-los-com-o-manto-da-caridade17.-Será-mais-um-motivo-para ajudá‑los com o nosso-comportamento-exemplar-e-com-a-nossa-oração-e, sempre que oportuno, com-uma-correção-fraterna-e-filial-ao-mesmo-tempo.
Para-crescermos-em-amor-e-veneração pelos sacerdotes, podem ajudar nos-estas-palavras-que-Santa-Catarina de-Sena-coloca-na-boca do Senhor: “Não-quero-que-diminua-a-reverência que-se-deve professar pelos sacerdotes,-porque-a-reverência-e-o-respeito-que se-lhes-manifesta-não-se-dirige-a-eles,-mas-a-Mim,-em-virtude-do-Sangue que-eu-lhes-dei-para-que-o-administrem.-Se-não-fosse por isso, deveríeis dedicar‑lhes-a-mesma-reverência-que-aos-leigos,-e-não-mais [...]. Não se-deve-ofendê‑los:-ofendendo‑os,-ofende‑se-a-Mim,-e-não-a-eles. Por isso proibi e-disse-que-não-admito-que-sejam-tocados-os-meus-Cristos” (18).
Francisco Fernández-Carvajal



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