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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA. SOLENIDADE

-MINHA ALMA ENGRANDECE O SENHOR-José Salviano


16 de Agosto de 2015
Ano  B

Evangelho - Lc 1,39-56



       E Maria disse: Minha alma engrandece ao Senhor .  Paulo também disse coisa parecida:  Eu engrandeço a Cristo no meu corpo.  Paulo escreveu estas palavra nos dias em que estava preso. E portanto, correndo risco de vida. Continua

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“BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE!” – Olívia Coutinho.

DOMINGO - ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA.

Dia 16 de Agosto de 2015

Evangelho Lc 1, 39-56

 

Com muita alegria, celebramos hoje, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora!

É importante não confundirmos assunção com ascensão.  A "assunção" é  de Nossa Senhora, vem nos falar que a Mãe de Jesus foi levada ao céu, ela não subiu por si mesma e sim, pelo poder de  Deus!  Enquanto que a "ascensão" é de Nosso Senhor Jesus Cristo, vem nos falar da sua subida ao céu, Ele sim, por ser  o próprio Deus, subiu ao céu  pelo seu  próprio poder!

 A solenidade  de hoje, nos convida a refletir, sobre o sentido da  nossa vida,  o para “quê” viemos ao mundo e como devemos conduzir a nossa vida. Maria, com o seu testemunho, nos ensina que só alcançaremos a nossa realização plena, se nos deixarmos conduzir pelo seu Filho Jesus, realizando a  vontade de Deus!  Ela, mais do que ninguém,  realizou a vontade de Deus, abrindo mão de todos os  seus projetos pessoais  para viver  o projeto de Deus!

 O evangelho deste domingo nos apresenta  Maria como  modelo de vida cristã,  um modelo a ser seguido por todos nós! Nossa vida, se pautada no  exemplo desta grande mulher, com certeza, será uma vida frutuosa!

Maria foi puro amor e doação, assim que ela recebeu o anuncio de que ela seria a mãe de Jesus, ela ficou sabendo  também da gravidez de sua prima Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, Maria se põem  à caminho, indo ao auxílio de Isabel, que certamente necessitaria de maiores cuidados devido a sua idade avançada. Com este gesto abnegado de amor, ela nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando que o amor é mais do que sentimento, mais do que palavras: o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades para poder ajudá-lo.

Subindo montanhas, carregando Jesus no seu ventre, Maria  tornou-se  a  primeira pessoa a levar  Jesus ao outro!

 A narrativa nos fala de  dois encontros marcantes, o encontro de duas mães: Maria e Isabel,  uma, se alegrando  com a alegria da outra e juntas agradecendo  a Deus pelo dom da fecundidade, mostrando-nos o poder  infinito de Deus! Neste encontro de mães, acontece também o encontro  de duas crianças que estavam sendo geradas no ventre destas duas  mulheres distintas!  No ventre da jovenzinha de Nazaré, crescia o menino Jesus, àquele que seria o Salvador do mundo! E no ventre, antes estéril de Isabel, crescia  o menino João Batista, àquele que  seria  o grande profeta, o precursor que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação.

Ao entregar-se como serva do Senhor, Maria participou significativamente  da historia da salvação, enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela não se entregou, manteve-se  de pé aos pés da cruz. 

O papel  desempenhado por Maria,  na encarnação e  na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, uma mulher que ama, que não se deixa abater pelo sofrimento porque confia no poder  de Deus! 

No canto do magnificat, o coração de Maria  expressa  de modo transbordante a sua gratidão  pelas  maravilhas que Deus  realizou em sua vida!  Realizações, que Ela reconhecia não serem  somente em seu  favor, mas em favor de toda humanidade, uma vez que pelo seu Filho Jesus, a salvação chegaria à humanidade! Maria nos ensina que as maravilhas que Deus realiza em nós, é em favor  de todos!

Não podemos guardar só para nós, as maravilhas que  recebemos de Deus, devemos partilhá-la com o outro!

 O  MAGNIFICAT é um canto de amor e de humildade, em que Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada.

Com Maria aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos  transforma em “grandes”  mesmo na nossa pequinês!

 Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus, dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a)  “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”

O canto de Maria, diante do Seu Senhor, ecoa  no coração de cada um de nós, nele está expresso  a confiança total no Deus misericordioso!

Que nossos corações, estejam sempre iluminados com a luz da bondade que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores.

Com o  testemunho de Maria, aprendemos a dar passos ao encontro de Jesus, a sair   de nós mesmos para ir ao encontro do outro.

  Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele, se entregando por  inteira à seu serviço.

 

 FIQUE NA PAZ DE JESUS! - Olívia

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       MARIA, SINAL DE ESPERANÇA PARA TODOS NÓS – Maria de Lourdes Cury Macedo.
       Domingo, 16 de agosto de 2015.
       Evangelho de Lc 1, 39-56

       Maria era uma moça como as outras. Uma jovem socialmente desconhecida, residente num lugarejo também desconhecido. Pertencia a uma família simples da cidade de Nazaré, na Palestina. Seus pais eram: Joaquim e Ana.
       Maria era bondosa, humilde, trabalhadora e cheia de coragem. Sua preocupação era de ajudar os outros, ser amiga de todas as pessoas. Ela procurava viver a Aliança, por isso observava os 10 Mandamentos.
       O chamado de Deus e o Sim de Maria. (Lc 1,36-38)
       Maria recebe a visita do Anjo que lhe diz: “Alegra-te Maria... eis que conceberás por obra do Espírito Santo. Maria diz: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Com  essa resposta Maria se coloca a disposição de Deus, ao Plano de Deus. Neste diálogo com o anjo vemos a intimidade de Maria com Deus. Deus não quis escolher para mãe do Messias uma rainha. Escolheu uma “serva” desconhecida, pobre, humilde para ser a mãe do Salvador.
       O Sim de Maria significa aceitação, abertura, pobreza. Isto demonstra a Fé que é a virtude que Maria praticou em mais alto grau. Fé é aceitação e abertura à vontade de Deus estar a serviço e ter compromisso com os irmãos.
       A grandeza de Maria consiste muito mais em fazer a vontade de Deus do que em ser sua mãe. Maria, foi totalmente aberta à Palavra de Deus. Ela era estudiosa e conhecedora da Palavra. Disse “sim”.  Por isso, Deus nasceu no seu coração, Deus morou nela e a fez mãe do seu Filho único, Jesus.
       Maria visita e ajuda sua prima Isabel. (Lc 1,39-46)
       Maria, sabendo que ia ser mãe de Deus, não ficou orgulhosa, não se considerou maior que as outras mulheres. Ela sabia que, quando uma pessoa diz “sim” a Deus, deve dizer “sim” ao irmão necessitado. Foi isso que Maria fez, quando soube que sua prima Isabel precisava de ajuda. Foi às pressas à casa de Isabel para ajudá-la. A ajuda ao próximo é algo urgente, que não dá pra esperar, porque a vida nem sempre espera.
       Quando Maria chega na casa de Zacarias e saúda Isabel estendendo-lhe a mão, a criança que estava no ventre de Isabel estremeceu e ela ficou repleta do Espírito Santo. Maria trazia em seu ventre, Deus, e esse Deus entrou na vida de Isabel e pela ação do Espírito Santo, ela pode proclamar Maria como bendita entre as todas as mulheres e também bendito o fruto do seu ventre. Havia uma sintonia entre as duas, assim elas testemunhavam Deus todo poderoso.
       Maria canta um hino profético chamado Magnificat demonstrando toda a sua preocupação com a situação do seu povo e toda  sua esperança de libertação. Diz da alegria de ter recebido a graça de Deus para ser sua mãe, que sua alma cresceu em Deus. A graça de ter sido escolhida, percebida na sua humildade. Reconhece que Deus olha para os pequenos e humildes e os engrandece. Profetiza que as gerações a chamarão bem aventurada, por causa desse olhar de Deus, na sua vida.
       Nós os católicos seguidores fieis de Jesus reconhecemos Maria como santa, a que gerou Jesus. Por isso nós a exaltamos, nós a veneramos, porque ela gerou no seu corpo puro e santo o nosso Deus, Jesus, nosso redentor. Hoje celebrando a Assunção de Maria nos alegramos e reconhecemos  que ela precisava mesmo ser assunta ao céu em corpo e alma, seu corpo virginal, santíssimo não poderia ser comido pelos vermes, pois ela nunca pecou, ela foi isenta do pecado desde a sua concepção. Maria só pode estar ao lado de Deus, aquela que gerou seu Filho. Ela merece, portanto, todas as homenagens e toda a nossa devoção.
       Maria revelou para nós um Deus poderoso e misericordioso e nós devemos cada vez mais crer, confiar n’Ele. Um Deus que mostra a força de seu braço contra as injustiças; um Deus que dispersa os soberbos de coração; um Deus que derruba dos seus tronos os poderosos e eleva os humildes; um Deus que enche de bens os famintos e despede de mãos vazias os que se enriquecem a custa do empobrecimento e da miséria alheia; um Deus que socorre os seus filhos e que se lembra de ser misericordioso; um Deus fiel às promessas feitas aos antepassados, enfim, um Deus de ontem, de hoje e sempre.
       A visita de Maria a Isabel, sua presença solidária no momento difícil da prima representou a presença de Deus na vida dela, Maria ajudou-a lavando roupa, cozinhando, limpando a casa, fazendo pão, enfim tudo o que precisava. Provavelmente as duas puderam dialogar bastante a respeito da missão de seus filhos. Isso nos mostra que toda vez que somos solidários com nossos irmãos estamos levando a presença de Deus para eles.  E Deus nos fortalece enchendo a nossa vida com o Espírito Santo.
       Que a Assunção de Nossa Senhora venha nos dar a certeza e a esperança que um dia também ressuscitaremos para viver juntos da Santíssima Trindade.
       Maria, assunta ao céu, rogai por nós!

       Abraços em Cristo!
       Maria de Lourdes
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Um grande sinal para a igreja e para a humanidade
A festa da Assunção de Maria é a festa da assunção da Igreja. Maria colabora no mistério da redenção, associando-se a seu Filho (LG 56). Sua assunção é figura do que acontecerá com todos os seguidores de Jesus no fim dos tempos. Porque Maria não é apenas a imagem (o reflexo), mas também a imagem típica (o protótipo) da Igreja. A Igreja deve ser aquilo que Maria é. E, enquanto peregrina neste mundo, a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68).
O que celebramos na festa de hoje é a vitória de Cristo sobre todos os poderes que tentam impedir o reino de Deus. Celebramos, tendo Maria como sinal, a vitória da Igreja inteira sobre a morte e o pecado.
Evangelho: Lc. 1,39-56
Feliz aquela que acreditou, pois a palavra do Senhor se cumprirá
Esse trecho do evangelho está vinculado ao texto da anunciação, como seu desenvolvimento.
Ao ouvir a mensagem do anjo Gabriel em relação à encarnação do Filho de Deus, tendo como sinal a gravidez de Isabel, Maria se dirige prontamente para a região montanhosa.
A conexão entre esses trechos nos aponta duas verdades sobre Maria: sua fé e seu compromisso com o reino. Com a fé que ela demonstra na palavra de Deus, temos em Maria a verdadeira discípula, que ouve a Palavra e a põe em prática. A fé na palavra de Deus gera compromisso, que leva o discípulo a realizar na vida o que ouviu. É o que Maria nos mostra com seu exemplo.
Maria é exemplo de discípula para quem acredita no cumprimento das promessas divinas, porque ela mesma está à disposição de Deus para servi-lo como instrumento dócil.
Foi isso o que aconteceu quando disse: “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (1,38). E, imediatamente, saiu para visitar sua prima. Ao chegar, é saudada por Isabel, e algo de revelador acontece. O teor da saudação diz respeito a duas realidades.
A primeira refere-se à atitude crente de Maria. Ela é bendita porque acreditou.
Aqui é exaltada a sua fé. Foi sua total adesão à palavra de Deus que operou um milagre em sua vida e na vida da humanidade: a encarnação do Filho. Daqui passamos para a outra realidade da saudação: “e bendito é o fruto do teu ventre!” Maria, que carrega no útero o Filho de Deus, é identificada com a arca da aliança. No Antigo Testamento, a arca da aliança era símbolo do encontro entre Deus e a humanidade. No útero de Maria dá-se o encontro entre Deus e a humanidade, pois Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Maria representa a Igreja, que se compromete com o reino pela fé na palavra de Deus e pela exigência de gerar o Cristo para o mundo por meio do anúncio, do testemunho e do serviço.
1ª leitura: Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab
No deserto, Deus preparou um lugar para a Mulher A principal personagem que aparece no grande sinal do céu não tem sua identidade imediatamente revelada pelo livro do Apocalipse, é chamada apenas de “mulher”. Somente no desenrolar da narrativa é que sua identidade fica clara.
A mulher é adornada pelos astros que a envolvem, o que significa que ela é a coroação de todas as obras da criação. Essa representação alude ao sonho de José, filho de Jacó (Gn. 37,9), interpretado pelos sábios judeus como referência à vinda do reino onde tudo na natureza e na história estaria submetido ao poder de Deus.
Em oposição à mulher está a figura tenebrosa do dragão, descrito com características horripilantes, adornado pelos principais símbolos do poder humano: chifres e diademas. O significado dessa figura nos é dado pelo texto de Dn 7,24; trata-se dos governantes dos impérios, são os poderes do mundo.
O dragão intenta fazer mal à mulher, mas ela é levada para o deserto, lugar que Deus lhe tinha preparado, e ali é cuidada. Então a mulher representa o novo povo de Deus. A Igreja, comunidade dos seguidores de Cristo, enquanto aguarda a segunda vinda do Senhor, suporta as dificuldades do deserto, situação na qual o novo povo de Deus esperou para entrar na terra prometida.
Enquanto essa cena se desenrola na terra, especificamente no deserto, uma voz proclama que há uma nova realidade no céu: ali o reino de Deus já acontece plenamente (v. 10). Cristo, o ser humano plenificado e vitorioso, é a garantia de nosso acesso ao céu. Isso significa que a mulher que ainda permanece no deserto pode ter certeza da vitória em sua luta contra o dragão.
2ª leitura: 1Cor. 15,20-27a
Cristo ressuscitou como primícias dos que morreram
A Lei, em Dt. 26,2, exigia que os primeiros frutos (as primícias) fossem oferecidos ao Senhor para expressar a gratidão do agricultor e o reconhecimento de que Deus era o responsável pela colheita. Quando o israelita oferecia os primeiros frutos a Deus, estava agradecendo pela colheita inteira. Os primeiros frutos saídos da terra eram parte da colheita, e tão certo quanto as primícias são a prova de que há uma colheita, a ressurreição de Cristo é a garantia de nossa ressurreição nele.
Cristo, primícias dentre os mortos, ascendeu ao céu e ofertou a si mesmo a Deus como o representante de seus seguidores, ou seja, da Igreja, que ascenderá depois dele.
Não é somente o primeiro na ordem do tempo que ressuscitou dos mortos (primeiro a sair de dentro da terra), mas é o principal no que se refere a dignidade e importância, estando conectado com todos os demais que vão ressuscitar. Cristo é o ser humano ressuscitado, e nossa ressurreição é a partir dele. Portanto, nossas esperanças não são vãs, nossa fé não é inútil e nós não seremos desapontados.
Pistas para reflexão
– Em 1974, o papa Paulo VI escreveu um documento sobre a devoção a Maria (Marialis Cultus) que continua a ser a norma para a devoção mariana entre os católicos. Depois de normatizar a devoção mariana em função de Cristo, o papa destaca em dois números (Mc. 26 e 27) a mesma devoção em relação ao Espírito Santo. Isso significa primeiramente que não pode haver culto a Maria em si mesma.
– O texto retirado do livro do Apocalipse é claramente cristológico, como se pode ver nos seguintes trechos: “Nasceu-lhe, pois, um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro. E o seu filho foi elevado para Deus até o seu trono” (v. 5). “Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo” (v. 10).
– Portanto, a homilia não deve contribuir para um devocionismo exagerado (não fundamentado nem na Escritura nem na tradição genuína) a respeito da mãe do Senhor e nossa mãe, modelo daquilo que devemos ser e que seremos na plenitude dos tempos.
Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj



A assunção de Maria e nossa esperança na ressurreição
Neste terceiro domingo do mês de agosto, em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora ao céu, celebramos também a vocação à vida religiosa. Pessoas chamadas por Deus para formar uma comunidade de fé, seguindo os princípios do evangelho e o carisma de um(a) fundador(a). As leituras de hoje iluminam o papel de Maria na história da salvação e o dogma de fé na assunção de Maria. Qual o significado da assunção para os cristãos católicos? Por que a Igreja transformou em dogma de fé a tradição popular e apócrifa sobre a assunção de Maria?
É nos evangelhos apócrifos que encontramos a tradição sobre a assunção de Maria. Três anos antes de morrer, ela recebeu de Jesus o anúncio de sua morte, no monte das Oliveiras. Em sua casa, em Jerusalém, ela dormiu – daí, a tradição da Dormição de Maria. Jesus veio ao seu encontro nesse momento. Ele pede aos apóstolos que preparem o corpo e o levem até um lugar indicado por ele, no vale de Josafá. Quando ali chegam, eles depositam o corpo de Maria e se sentam à porta do sepulcro. Jesus aparece rodeado de anjos, saúda-os com o desejo de paz, reafirma a escolha de Maria para que dela ele pudesse nascer e pede aos anjos que levem a sua alma para o céu. Jesus ressuscita o seu corpo. Quando o corpo chega ao céu, Jesus coloca a alma novamente no corpo glorioso e a coroa como rainha do céu (cf. a tradição apócrifa sobre Maria, agrupada com base em 15 evangelhos apócrifos, em nosso livro História de Maria, mãe e apóstola de seu Filho, nos evangelhos apócrifos - 2006b).
A Dormição de Maria nasce da fé em que Maria não morreu, mas dormiu. E, por ter sido levada ao céu, assunta, nasceu a terminologia Assunção, usada a partir do século VIII. Essa festa começou a ser celebrada liturgicamente na Igreja do Oriente, no século VI, isto é, entre os anos 600 e 700, propriamente no dia 15 de agosto, a mando do imperador Maurício. A Roma, a festa chegou no século VII.
O dogma da Assunção de Maria, diferentemente da maioria dos dogmas da Igreja Católica, foi proclamado recentemente, em 1950, pelo papa Pio XII, com a bula Munificentíssimo Deus. O texto diz o seguinte: “Definimos ser dogma divinamente revelado: que a imaculada mãe de Deus, sempre virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.
Mesmo que não esteja dito expressamente no dogma, a Assunção de Maria é o mais apócrifo dos dogmas. Para a fé, acreditar que Maria foi assunta ao céu de corpo e alma significa crer, como afirma Afonso Murad, que “Maria não precisou esperar o fim dos tempos para receber um corpo glorificado. Depois de sua vida terrena, ela já está junto de Deus com o corpo transformado, cheio de graça e de luz. Deus antecipou nela o que vai dar a todas as pessoas de bem, no final dos tempos” (cf. citado por Faria, 2006b, p.181).
1ª leitura (Ap. 11,19a; 12,1.3-6a.10ab)
A mulher vestida com o sol.
Escrito por volta do ano 95 da nossa era, o livro do Apocalipse não tem nada a ver como “fim dos tempos”, visto de modo trágico e terrível, mas, sim, com a “esperança” dita de forma figurada, velada. A perseguição romana era grande. Imagine que à época desse texto, Nero, o imperador romano, mandava queimar cristãos para iluminar as noites romanas. Os cristãos não tinham outro caminho que não fosse dizer e celebrar de forma velada e figurada a esperança que os animava na caminhada. A mulher que aparece vestida com o sol (Deus) representa a nova Eva, a Igreja e também Maria, que deu à luz Jesus, o novo Moisés e libertador do novo povo de cristãos, simbolizado pela coroa de 12 estrelas sobre a sua cabeça. O dragão é a “antiga serpente” que cresceu até tornar-se um imenso dragão, isto é, o império romano que oprimia os seguidores de Jesus. O dragão é também a famosa besta do Apocalipse (Ap. 13), cunhada com o número 666, que provém da soma das letras hebraicas de César e Nero, simbolizando, portanto, tais imperadores; a força do mal. O dragão quis devorar o filho da mulher, o que simboliza a opressão vivida pelos cristãos. A mulher foge para o deserto, lugar de refúgio e da presença de Deus. Uma mulher, Maria, na memória e na resistência dos cristãos, é sinal de libertação. O fraco se tornava forte. Era nisso que as comunidades precisavam acreditar. Jesus e Maria estavam presentes na vida deles, encorajando-os a vencer as forças do mal, o dragão.
Evangelho (Lc. 1,39-56)
Maria: símbolo da ação libertadora de Deus
Celebrando, hoje, a Assunção de Maria, nada melhor que recordar o famoso canto do Magnificat, atribuído a Maria, e entoado no momento em que ela se encontra com a prima Isabel, nas montanhas de Ein Karen, nome que significa “fonte da vinha”, e que hoje é um bairro judeu de Jerusalém. Já não existem cristãos nessa região que um dia foi berço do cristianismo. Encravado nas montanhas, esse lugarejo preserva a memória de João Batista, o precursor do Messias. Perto da casa de João Batista, no alto de uma montanha, está a memória do encontro de Isabel com Maria, que viera de Nazaré para visitar a prima. Os evangelhos narram que Isabel aclamou Maria como bem-aventurada por ser ela a escolhida para ser a mãe do Messias. Nesse contexto, Maria entoa o cântico do Magnificat, obra literária de rara beleza teológica (Faria, 2010c, p. 74-75).
Duas mulheres se encontram. Uma (Isabel) louva a grandeza da outra (Maria) – que se vê pequena diante do grande mistério que toma conta de sua vida. O cântico pode ser dividido em duas partes: a) Maria, que se vê como a serva bem-aventurada; b) dois grupos, os orgulhosos e ricos e os que temem a Deus. Os fatos se desenrolam em duas ações: a) como o povo de Deus, Maria é sua serva; b) Deus, o poderoso, derruba os poderosos e ricos de seus tronos. Maria torna-se o símbolo da ação libertadora de Deus no Egito. Séculos mais tarde, depois da morte e ressurreição de Jesus, a comunidade reivindicou da Igreja o reconhecimento do papel de Maria como Nossa Senhora e Rainha poderosa. Dessa intuição nasceram literaturas apócrifas, segundo as quais, à sua chegada ao céu, foi coroada rainha por Jesus. A tradição popular perpetuou essa devoção com as celebrações marianas no mês de maio.
2ª leitura (1Cor. 15,20-27a)
Deus venceu a morte
Paulo, escrevendo aos coríntios, faz uma bela teologia da vitória da vida sobre a morte. Membros da comunidade de Corinto não acreditavam na ressurreição dos mortos (15,12). Ainda hoje muitos se perguntam: como o nosso corpo há de ressuscitar? Isso é possível? Paulo fala de um corpo espiritual, tal como o Cristo ressuscitado.
Mais do que aprofundar, neste momento homilético, o grande significado da ressurreição para o cristão, vale ligar a leitura à festa da assunção de Maria. Como dissemos anteriormente, o grande mérito da tradição popular em relação à Assunção de Maria, transformada em dogma pela Igreja, foi demonstrar pela fé que Maria foi a primeira dos mortais que encontrou a ressurreição do corpo, levado para o céu pelo seu próprio Filho e nosso salvador, Jesus Cristo.
Pistas para reflexão
1. Iluminar a vocação à vida religiosa com o exemplo de Maria, a mulher que proclamou a libertação dos oprimidos.
2. Demonstrar à comunidade que Maria – por ter vivido a experiência amorosa de ser a mãe de Jesus, Deus que se fez carne no meio de nós – foi agraciada por Jesus como a primeira pessoa, depois dele, a receber a glória da ressurreição. Nisso tudo está o amor maternal e filial de Deus Pai e Mãe de todos nós. Em Maria e com Maria, vivemos a esperança de também nós chegarmos lá. Ela foi, mas não partiu, pois continua próxima de nós. Ela é a nossa origem, é nossa mãe na fé, para a qual queremos voltar sempre. Ela é desejo! Ela é mãe! Caminhar com ela, na fé, é acreditar que também seremos assuntos ao céu. Antes, porém, devemos transformar nossa realidade de sofrimento, angústia, dores, exploração social etc. em situações de vida, de glória. A assunção já começa aqui. Maria vive. Ela não morreu.
frei Jacir de Freitas Faria, ofm



A Assunção de Maria, a festa de Maria entrando na glória, no final de sua vida terrestre, corresponde à Imaculada Conceição no início de sua vida. De um lado Maria foi preservada da morte espiritual do pecado, e de outro da corrupção do túmulo. Em 1950, o papa Pio XII definiu solenemente que a Imaculada Mãe de Deus, Maria sempre virgem, terminada sua carreira terrestre, foi elevada em alma e corpo à glória do céu. Deus não quis que conhecesse corrupção, aquela que havia gerado do Senhor da vida. Cremos na Assunção de Maria a partir da fé tradicional da igreja que interpretou os dados do Novo Testamento.
Assim canta o prefácio da solenidade de hoje: “Hoje, a Virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou, de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”. Preces e orações a Maria exprimem bem a verdade de sua assunção:
• Salve, Filha dos homens, nossa irmã em humanidade. Salve, Mãe de Jesus Cristo que deste a luz a Deus feito homem. O Senhor te cumulou de ternura. Salve, ó mulher aureolada de estrelas. Tens como manto o sol e a lua aos teus pés. Venceste as potências do mal. Geraste Cristo, vencedor da morte e foste elevada à glória junto de teu Filho ressuscitado. Roga por nós, Mãe dos homens, leva-nos para o caminho da vida para que possamos caminhar com alegria rumo à nossa ressurreição (Philippe Warnier, in Prier, n 193, p. 15).
João, o Geômetra, nos oferece um belo texto a respeito daquela que partindo para o céu não abandona a terra:
• Nós te damos graças, Senhor, que provês a todo o criado, por todos os teus mistérios e sobretudo porque escolheste Maria, como ministra de teus mistérios. Nós te damos graças por tua inefável sabedoria, pela tua força e o teu amor pelos homens, porque não somente quiseste unir a ti a nossa natureza e em ti glorificá-la e divinizá-la, mas sobretudo porque não consideraste indigno tomar como mãe uma das nossas e fazê-la rainha do céu e da terra. Nós te damos graças, Pai de todos, porque quiseste que a tua mãe se tornasse também nossa mãe (...) Acolhe nossa oração de agradecimento! Por nós muito sofreste e dispuseste que também tua mãe sofresse por ti e por nós, para que a honra de participar na tua paixão fosse preparação para comunhão em tua glória, e também porque recordando os sofrimentos experimentados por nós, se dedicasse ainda com maior solicitude em prol da nossa salvação e perseverasse no seu amor para conosco não somente em razão da nossa natureza mas também em recordação de tudo o que sofreste por nos...
A ti também, Senhora, manifestamos nosso reconhecimento pelos sofrimentos e tribulações que experimentaste por nós. Para ti não cantamos hinos fúnebres, mas cânticos nupciais. Não lamentamos tua partida, mas cantamos de alegria porque penetraste no céu.
Subiste ao céu, mas não abandonaste a terra: livre das penúrias desta terra e alçada à felicidade inefável e infinita não esqueceste a miséria de nossa condição. Da glória mais ainda te lembras de nós e te mostras solícita para com nossas tribulações.
Não nos deixaste duplamente órfãos, mas decretaste o fim de nossa orfandade e, junto a ti, tornaste teu Filho a nos propicio, bem como ao Pai que é nosso e com ele nos reconciliaste.
Agora estás constituída rainha ao lado do Rei, circundada de outras esplendias rainhas (cf. Sl. 45,10.15), isto é, das almas virgens e reais, com veste tecida de ouro pelo Espírito, envolta do manto real de tua dignidade, de tuas muitas virtudes e de teus carismas.
Recebeste das mãos de teu filho e Deus o diadema da graça, o cetro do Reino, o cinto e a púrpura, ou seja um poder universal e uma luz que mana da tua pessoa e da tua divinização.



Maria, senhora da glória
Com alegria e toda devoção nos aproximamos hoje da Mãe de Jesus. Maria, a jovem de Nazaré, chamada pelo Alto a ser a Mãe do Senhor depois de percorrer os tempos da história foi assunta na glória dos céus. Esta a solenidade bela da Senhora da Gloria. A Constituição Apostólica Munificentissimus Deus de Pio XII assim se exprime: “Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira no divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, ela alcançou ser guardada imune das corrupções do sepulcro, como suprema coroa de seus privilégios. Semelhante a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde rainha, refulgente à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos”.
Uma mulher privilegiada. Maria, uma judia piedosa que buscava a Deus e percorria os caminhos da Palestina. Uma mulher que vivia a espiritualidade dos pobres de Javé, que caminhava à luz do jeito de viver de Abraão buscando a terra da prometida, de caminho em caminho, de etapa em etapa. Uma peregrina e aquela que convivia com a espiritualidade dos salmos. Uma buscadora de Deus que foi olhada de modo especial pelo Altíssimo.O anjo do Senhor se aproxima dela e pede que ele aceite acolher em seu seio Aquele que os céus não podem conter. Toda transparência, feita com o tecido da harmonia desde sua conceição, cheia de graça por privilegio do Alto, ela aceita ser a Mãe transparente do Transparente.
Deus luminoso passa a ser o hóspede de seu Seio. A Imaculada é templo daquele que vem para dominar as forças do pecado e do mal.
Ela acolhe a chegada do filho na simplicidade das coisas simples. Contempla, olha. Vê os pastores que chegam, coloca-se perto do silencioso José, vê depois o Menino crescer em idade e sabedoria diante de Deus e dos homens. Mulher escondida durante os anos de vida escondida de Jesus. Guardava as coisas no fundo do coração. Fez-se discretamente presente na vida publica do Filho, sempre discretamente.
Vamos encontrá-la ao pé da cruz na hora das horas de seu Filho. Ali, a imaculada, permanece feito um soldado na fidelidade. Os escritores sacros dizem que ela ali se ofereceu com o Filho. Ali ela deve ter compreendido as palavras de Simeão que havia dito que uma espada de dor haveria de atravessar seu coração. Ale ela, muito unida ao Filho, sempre unida ao Filho, se associava à entrega do Gólgota. Maria Imaculada, Maria do Calvário.
Ora, essa mulher transparente e toda harmonia, a predestinada, a mulher do sim irrestrito, segundo o ensinamento da Igreja, não conheceu a corrupção da morte, mas vive hoje na pátria da gloria com seu corpo glorificado.
frei Almir Ribeiro Guimaeães



A presente festa é uma grande felicitação de Maria da parte dos fiéis, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto de Ap 12 (1ª leitura), originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto (a Igreja perseguida do 1° século) até a vitória final do Cristo. Na 2ª leitura, a Assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós.
Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia de Deus: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Deus escolhe o lado de quem, aos olhos do inundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico, isto é, rebaixadas, humilhadas, oprimidas (a “humildade” não como aplaudida virtude, mas como baixo estado social): Maria, que nem tinha o status de casada, e toda uma comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do evangelho de Lc. (cf. 12,32, peculiar de Lc.). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra através dos poderosos: antecipação da realidade escatológica, em que será grande quem confiou em Deus e se tomou seu servo (sua serva), e não quem quis ser grande por suas próprias forças, pisando em cima dos outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).
Pois bem, a glorificação de Maria no céu é a realização desta visão escatológica. Nela, é coroada a fé e a disponibilidade de quem se toma servo da justiça e bondade de Deus, impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus, que hoje é coroada.
A “arte” litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir estes dois momentos é colocar tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé de que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.
Em Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida. É o jeito…
padre Johan Konings "Liturgia dominical"



Assunção da Virgem Maria
A presente festa é uma grande felicitação de Maria da parte dos fiéis, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto de Ap 12 (1ª leitura), originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto (a Igreja perseguida do 1° século) até a vitória final do Cristo. Na 2ª leitura, a Assunção de Maria ao céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós.
Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia de Deus: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Deus escolhe o lado de quem, aos olhos do inundo, é insignificante. Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas “humildes” no sentido bíblico, isto é, rebaixadas, humilhadas, oprimidas (a “humildade” não como aplaudida virtude, mas como baixo estado social): Maria, que nem tinha o status de casada, e toda uma comunidade de humildes, o “pequeno rebanho” tão característico do evangelho de Lc. (cf. 12,32, peculiar de Lc). Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não obra através dos poderosos: antecipação da realidade escatológica, em que será grande quem confiou em Deus e se tomou seu servo (sua serva), e não quem quis ser grande por suas próprias forças, pisando em cima dos outros. Assim, realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).
Pois bem, a glorificação de Maria no céu é a realização desta visão escatológica. Nela, é coroada a fé e a disponibilidade de quem se toma servo da justiça e bondade de Deus, impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Deus realiza. É a Igreja dos pobres de Deus, que hoje é coroada.
A “arte” litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: o triunfo e a humildade. O único meio para unir estes dois momentos é colocar tudo nas mãos de Deus, ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé de que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.
Em Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida. É o jeito...
Johan Konings "Liturgia dominical"



A festa da vitória de Deus
A solenidade da Assunção da Mãe de Deus é, em primeiro lugar, a festa da vitória de Deus e do seu Cristo sobre o mal e a morte. Deus é o Senhor da vida. “Por um só homem a morte entrou no mundo, também por um só homem vem a ressurreição dos mortos. Assim como todos morrem em Adão, em Cristo todos receberão a vida” (1Cor. 15,21-22).
A festa da Assunção da Mãe de Deus é a festa da Páscoa do ser humano, da participação da nossa humanidade na Páscoa de Cristo.
O trecho do livro do Apocalipse é uma visão, uma revelação de um grande sinal. Como se trata de um sinal, ele precisa ser interpretado e bem compreendido. Este grande sinal é o da Igreja triunfante, na eternidade (“lua debaixo dos pés – v. 1), vitoriosa (“coroa de doze estrelas” – v. 1), iluminada com a luz do Cristo Ressuscitado (“vestida com o sol” – v. 1), pronta para dar à luz (v. 2); a Igreja fiel ao seu Senhor gera, pela fé, novos filhos. É ameaçada pelo Dragão (vv. 3-4), e protegida, ela e seu filho (v. 5-6). Essa imagem não foi aplicada imediatamente a Maria, somente mais tarde e como fruto do amadurecimento da fé da Igreja na ressurreição de Jesus Cristo. A mãe de Deus é modelo do discípulo que, não obstante a perseguição e o sofrimento, guarda fielmente a palavra de Cristo. O texto do Apocalipse tem como finalidade manter viva a esperança da Igreja peregrina e sustentar o seu testemunho. A mãe do Senhor é ícone da Igreja.
O dogma da Assunção, defendido em 1950 pelo papa Pio XII, afirma que Maria foi “elevada à glória celeste”. Não se trata de um deslocamento espacial. Não se afirma uma nova localização, mas a transfiguração do corpo e a passagem de sua condição terrestre para a condição gloriosa da totalidade de sua pessoa (= corpo e alma).
A festa da Assunção é a festa do destino do ser humano: destinado à plenitude da felicidade – isto é, à “glória celeste”. A vida de Maria, como a nossa vida, não se encerra nos limites desta história, mas tende plenamente para Deus, por quem ela é atraída desde sua concepção. A Assunção de Maria é sinal concreto de esperança para todo o gênero humano; é sinal da dignidade presente e futura do homem criado e redimido por Deus.
Carlos Alberto Contieri,sj



Hoje celebramos a maior de todas as solenidades da Mãe de Deus: a sua Assunção gloriosa ao céu.
A oração inicial da missa hodierna pediu: “Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. A liturgia da Igreja, sempre tão sábia e tão sóbria, resumiu aqui o essencial desta solenidade santíssima. Com efeito, Deus elevou à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, ela, tão pequena, tão humilde, foi eleva a Deus, ao céu, à plenitude em todo o seu ser, corpo e alma! Como isso é possível? Não é a morte o destino comum e final de tudo quanto vive? Isso dizem os pagãos, isso dizem os descrentes, os sábios segundo o mundo, que se conformam com a morte... Mas, nós, nós sabemos que não é assim! Nosso destino é a vida, nosso ponto final é a glória no coração de Deus: glória no corpo, glória na alma, glória em tudo que somos! Foi isso que Deus nos preparou – bendito seja ele para sempre!
Mas, como isso é possível? A Palavra de Deus deste hoje no-lo afirma, de modo admirável. Escutai, irmãos, escutai, irmãs, consolai-vos todos vós: “Cristo ressuscitou dos mortos, primícia dos que morreram. Em Cristo todos reviverão, cada qual segundo uma ordem determinada; em primeiro lugar Cristo, como primícia!” Eis por que, eis como ressuscitaremos: Cristo ressuscitou! Jesus de Nazaré, caríssimos, é o Senhor! O nosso Jesus é Deus bendito e foi ressuscitado pela glória do Pai! O nosso Senhor Jesus venceu e no faz participantes da sua vitória, dando-nos o seu Espírito Santo! Credes nisso, meus caros? Neste mundo que só crê no que vê, que só leva a sério o que toca, que só dá valor ao que cai no âmbito dos sentidos, credes que Cristo está vivo e é Senhor, primícia, princípio de todos os que morrem unidos a ele? Pois bem, escutai: o Cristo que ressuscitou, que venceu, concedeu plenamente a sua vitória à sua Mãe, à Santíssima Virgem Maria, que esteve sempre unida a ele. Ela, totalmente imaculada, nunca afastou-se do filho: nem na longa espera do parto, nem na pobreza de Belém, nem na fuga para o Egito, nem no período de exílio, nem na angústia de procura-lo no Templo, nem nos anos obscuros de Nazaré, nem nos tempos dolorosos da pregação do Reino, nem no desastre da cruz, nem na solidão do sepulcro no Sábado Santo... nem mesmo após, nos dias da Igreja, quando discretamente, ela permanecia em oração com os irmãos do Senhor... Sempre imaculada, sempre perfeitamente unida ao Senhor. Assim, após a sua preciosa morte, ela foi elevada à glória do céu, isto é, à glória de Cristo que ressuscitou e é primícia da nossa ressurreição!
A presente solenidade é, então, primeiramente, exaltação da glória do Cristo: nele está a vida e a ressurreição; nele, a esperança de libertação definitiva! Por isso, todo aquele que crê em Jesus e é batizado no seu Espírito Santo no sacramento do batismo, morrerá com Cristo e com Cristo ressuscitará. Imediatamente após a morte, nossa alma será glorificada e estaremos para sempre com o Senhor. Quanto ao nosso corpo, será destruído e, no final dos tempos, quando Cristo nossa vida aparecer, será também ressuscitado em glória e unido à nossa alma. Será assim com todos nós. Mas, não foi assim com a Virgem Maria! Aquela que não teve pecado também não foi tocada pela corrupção da morte! Imediatamente após a sua passagem para Deus, ela foi ressuscitada, glorificada em corpo e alma, foi elevada ao céu! Podemos, portanto, exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”
Esta é, portanto, a festa de plenitude de Nossa Senhora, a sua chegada a glória, no seu destino pleno de criatura. Nela aparece claro a obra da salvação que Cristo realizou! Ela é aquela Mulher vestida do sol, que é Cristo, pisando a instabilidade deste mundo, representada pela lua inconstante, toda coroada de doze estrelas, número da Israel e da Igreja! A leitura do Apocalipse mostra-nos tudo isso; mas, termina afirmando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus e o poder do seu Cristo!” Eis: a plenitude da Virgem é realização da obra de Cristo, da vitória de Cristo nela!
Quanto nos diz esta solenidade! A oração inicial, citada no início desta homilia, pedia a Deus: “Dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória dai-nos viver atentos às coisas do alto, a fim de participarmos da sua glória”. Eis aqui qual deve ser o nosso modo de viver: atentos às coisas do alto, onde está Cristo, onde contemplamos a Virgem totalmente glorificada em Cristo. Caminhar neste mundo sem no prendermos a ele. Aqui somos estrangeiros, aqui estamos de passagem, aqui somos peregrinos; lá é que permaneceremos para sempre: nossa pátria é o céu, onde está Cristo, nossa vida! O grande mal do mundo atual é entreter-se com seu consumismo, com sua tecnologia, com seu bem-estar, com seu divertimento excessivo e esquecer de viver atento às coisas do alto. Mas, pior ainda, os cristãos também muitas vezes são infectados por essa doença! Nós, que deveríamos ser as testemunhas do mundo que há de vir, quantas vezes vivemos imersos, metidos somente nas ocupações deste mundo – muitos até com o pretexto de que estão trabalhando pelos irmãos e por uma sociedade melhor. Nada disso! Os pés devem estar na terra, mas o coração deve estar sempre voltado para o alto! Não esqueçamos: nosso destino é o céu, participando da glória de Cristo, da qual a Virgem Maria já participa plenamente! Aí, sim, poderemos cantar com ela e como ela: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador: o poderoso fez em mim maravilhas!” Seja ele bendito agora e para sempre.
dom Henrique Soares da Costa










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