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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

30º DOMINGO TEMPO COMUM-B

­­30º DOMINGO TEMPO COMUM


25 de Outubro de 2015
Ano B

Evangelho - Mc 10,46-52

Comentários Prof.Fernando




A cegueira  de Bartimeu reflete ou representa os muitos cegos dos dias atuais, aqueles que não conseguem ver que somente Deus nos liberta dos nossos sofrimentos... Leia mais
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“O QUE QUERES QUE EU TE FAÇA?”- Olivia Coutinho

 

30º DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

Dia 25 de Outubro de 2015

 

Evangelho de Mc10, 46-52

Nesta cultura do aceleramento em que vivemos, nem sempre enxergamos os irmãos que sofrem, os que estão as margens do caminho, necessitados urgentemente do nosso amor!  

Precisamos rever  esta nossa postura de impassibilidade ao sofrimento alheio, de  assumirmos o nosso compromisso cristão, afinal, somos corresponsáveis pela vida do nosso irmão! É amando concretamente ao próximo que damos testemunho do nosso amor a Deus! 

O evangelho de hoje, nos presenteia com o belo relato de uma cura realizada por Jesus, no qual é revelada a ação libertadora de Deus, manifestada na pessoa de Jesus!

Na sua Caminhada rumo a Jerusalém, passando pela cidade de Jericó, Jesus sente ressoar  nos seus ouvidos, um pedido de socorro, um grito que partia de um cego chamado Bartimeu! Um cego, cuja  cegueira era apenas a privação de um dos seus sentidos, ou seja, uma cegueira física e não espiritual!

Sentado à beira do caminho, aquele cego percebe o que muitos de nós ainda hoje não percebemos: a passagem de Jesus pela nossa vida!

A fé do cego de Jericó, ainda que imperfeita, era mais luminosa do que as vistas daqueles  que enxergavam normalmente!

Bartimeu, mesmo sem enxergar fisicamente, sente  a presença   transformadora do poder de Jesus, um poder que liberta os excluídos, os que são abandonados por uma sociedade que tenta abafar o sua voz.

O grito do cego incomodou aqueles que queriam  reter Jesus só  para si, estes, não queriam que Jesus interrompesse a sua caminhada para socorrer aquele homem, mas quanto mais eles tentavam abafar o seu grito, mais alto ele gritava! E o  grito de fé daquele cego, chegou ao coração de Jesus: “Filho de Davi tende piedade de mim”!

Tomado de compaixão, Jesus diz: “Chamai-o”! As mesmas pessoas, que tentaram calar a voz do cego, agora, mediante a ordem de Jesus, o encorajam: “Coragem, levante-te, porque Jesus está chamando você". Movido pela fé, Bartimeu larga tudo, isto é, o único bem que  possuía, um manto e vai ao encontro de Jesus Dirigindo-lhe a palavra, Jesus pergunta: “O que você quer que eu te faça?” - “ Mestre, que eu veja”! A resposta de Jesus, como sempre, uma resposta de amor, transforma a vida daquele homem! "Vai a tua fé te curou." No mesmo instante aquele que era cego, passou a enxergar!  A  sua cura foi fruto da sua fé! Curado, ele faz do caminho de Jesus o seu caminho, tornando assim,  um dos seus seguidores, um verdadeiro modelo para todos nós que queremos “seguir Jesus, rumo a uma nova Jerusalém.

A princípio, pode nos parecer estranho Jesus ter lhe perguntado o cego: ”O que queres que eu te faça ”? Ora, certamente, Jesus sabia o que ele queria, mas Jesus  desejou ouvir isso (oração) dos seus próprios lábios! Com isso, Ele nos ensina que a oração é um caminho para chegarmos a Ele, é um exercício de fé que aprimora também o nosso relacionamento com Deus, um pedido: é sempre uma oração!

Para Jesus, era importante curar o cego por inteiro, colocá-lo de pé, inseri-lo na sociedade, foi o que Ele fez!

Ao ser curado, Bartimeu sente ampliar também a sua visão espiritual, ele não fora embora para viver a vida à sua maneira, passou a seguir Jesus, não ficou mais sentado à beira do caminho e sim, à caminho!

Por onde Jesus passava, Ele atraia multidões, as pessoas gostavam de ouvi-Lo, de buscar Nele, a cura dos seus males, mas nem todos eram curados, muitos ainda não tinham uma fé suficientemente madura, que tocasse Jesus: “Vai, a tua fé te curou”.

A presença de Jesus, acalenta, inspira confiança aos que sofrem! Mesmo em meio ao barulho ensurdecedor do mundo, Jesus  escuta o grito dos excluídos e nos convoca a sermos a presença vivificadora Dele, na vida destes irmãos!


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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Comecemos nossa meditação da Palavra de Deus com a primeira leitura. Muitas vezes, na sua história, o povo de Deus experimentou a escravidão, o exílio e a opressão. Muitas vezes Israel experimentou-se como um nada e viu-se numa escuridão tremenda. Parecia que o povo iria acabar-se! Assim, por exemplo, em 722 a.C., quando os assírios varreram do mapa o reino do Norte, o Reino de Israel e, em 597 e 587 a.C., quando os israelitas do Reino de Judá foram levados para o exílio em Babilônia. É quase um escândalo, mas é verdade: a história do povo de Deus é uma história de dor e de angústia! Pois bem, é no meio de tal angústia e escuridão que o profeta fala hoje e diz palavras de esperança, de ânimo e de alegria: “Exultai de alegria, aclamai a primeira entre as nações!
Eis que os trarei do país do Norte e os reunirei desde as extremidades da terra”. No meio da desgraça, Deus consola o seu povo: irá salvá-lo, reuni-lo, fazê-lo reviver. Mas, quem é esse povo? No que se tornou? Quem somos nós, povo de Deus? “Entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes. Eles chegarão entre lágrimas e eu os receberei entre preces, eu os conduzirei por torrentes d’água por um caminho reto onde não tropeçarão... tornei-me um pai para Israel e Efraim é o meu primogênito”. O Israel que vai experimentar a salvação de Deus é um povo pobre, capenga, humilde... um povo que não conta nada aos olhos do mundo! Como não recordar as palavras de São Paulo aos coríntios? “Vede quem sois, irmãos, vós que recebestes o chamado de Deus; não há entre vós muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de família prestigiosa. Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e, o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é” (1Cor. 1,26-28).
Quando pensamos na nossa civilização atual, nos nossos valores, exaltando a eficiência, a riqueza, o conforto, o bem-estar, o vigor e forma física, a saúde... Como os critérios de Deus são diferentes! Israel é imagem da Igreja e é imagem de cada um de nós, membro do povo de Deus da nova Aliança. À medida que descobrirmos nossas pobrezas pessoais e eclesiais, podemos também ter certeza que o Senhor não nos abandona: ele nos chama, ele nos reúne, ele nos salva: “Entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes”, gente fraca, gente sem força, gente incapaz de se defender... Mas, Deus é nossa defesa: defesa da Igreja, defesa de cada um de nós! Se caminharmos, muitas vezes, chorando, semeando com lágrimas o caminho de nosso seguimento de Cristo, haveremos de voltar cantando, na força e na graça do Senhor: “Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria. Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes”. Somente pode experimentar isso aqueles que sabem e experimentam que são pobres diante de Deus, aqueles que sentem sua própria fraqueza! Esta é a experiência que o cristão deve fazer sempre na sua vida, seja pessoalmente, seja como Igreja! Somos pobres, mas Deus é nossa riqueza; somos fracos, mas Deus é nossa força!
Agora podemos deter-nos no Evangelho de hoje, que mostra de modo maravilhoso essa experiência cristã de ser salvo por Deus em Jesus Cristo. Jesus está saindo de Jericó, já está perto de Jerusalém, onde morrerá. Uma multidão o acompanha: barulho, empurra-empurra, aglomeração, aperreio... À beira do caminho, havia um cego mendigo... Ele era ninguém, nem nome tinha... Marcos só diz que era o “bar-Timeu”, o filho de Timeu... Cego, incapaz de caminhar sozinho, esmolando, sentado à margem do caminho de Jericó e da vida. Este cego é a humanidade; este cego é cada um de nós! Mas, ele ouve o rumor, a confusão no caminho e quando ouviu dizer que Jesus estava passando, não perde tempo; é a chance de sua vida! Ele grita alto: “Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!” Repreendem o cego, mas ele grita com voz mais forte! Ele sabe que é a chance da sua vida. Santo Agostinho dizia: “Eu temo o Cristo que passa”... É preciso não perder a chance, é preciso gritar... não deixar o Cristo passar em vão no caminho da nossa existência!
O grito do cego é já um grito de fé. Chamando Jesus “filho de Davi”, o Bartimeu está dizendo que crê que Jesus é o messias: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Repreendem o cego... como o mundo quer nos repreender, quer nos impedir e ridicularizar quando nos reconhecemos cegos, pobres e coxos e gritamos por Jesus: “Filho de Davi, tem piedade de mim!” Mas o cego insiste; grita mais alto ainda! Então, apesar da distância, apesar da multidão, apesar do empurra-empurra, Jesus escuta o clamor do cego! Como não recordar, comovidos, as palavras do salmo 129? “Das profundezas eu clamo a vós, Senhor; escutai a minha súplica!” Ninguém grita pelo Senhor do fundo da sua miséria e fica sem ser ouvido! “Então, Jesus parou e disse: ‘Chamai-o’. O cego jogou o manto, deu um pulo e foi até Jesus”. Cego esperto, esse: não perde tempo, dá um pulo, deixa tudo, desembaraça-se do manto e corre para Jesus! Ele segue o conselho do Autor da Carta aos Hebreus: “Também nós, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos naquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus” (12,1s). Quem dera, fizéssemos assim também: largássemos tudo, deixássemos nossas tralhas e bagulhos, nossos apegos e quinquilharias e corrêssemos para Jesus!
E Jesus? Que delicadeza! Não vai logo curando, como esses curadores de televisão, os falsos profetas da telinha, os RR Soares e Edir Macedos da vida! O Senhor deseja encontrar as pessoas, ouvi-las, com todo respeito: “O que queres que eu te faça?” O pedido do cego é comovente; é o nosso pedido: “’Mestre, que eu veja!’ Jesus disse: ‘Vai, a tua fé te curou’”. Este deve ser o nosso pedido, mas, para isso é necessário ter a humildade de se reconhecer cego, pobre, necessitado! “Senhor, eu sou o cego do caminho! Cura-me, eu te quero ver!”
O cego foi curado... “e seguia Jesus pelo caminho”. Curado, iluminado por Jesus, agora seguia Jesus como discípulo, caminhando com ele para Jerusalém, para com ele morrer e com ele ressuscitar. Esta é a nossa vocação, este deve ser o nosso itinerário, a nossa experiência de fé!
“Senhor, tua Igreja, peregrina no mundo, é um povo de pobres, de frágeis seres humanos. Mas confiamos em ti! Não queremos colocar nossas força ou esperança no nosso prestígio, ou nas riquezas ou nos amigos poderosos o nos elogios do mundo. Não! Tu somente és nossa força! Salva-nos, Senhor! Reúne-nos, Senhor! Ilumina-nos, Senhor! Dá-nos a graça de reconhecer que somente na tua luz poderemos ver a luz! O mundo chama luz, sabedoria e esperteza a coisas que são inaceitáveis aos teus olhos! Senhor, abre nossos olhos para caminharmos na tua luz até a cruz, até a ressurreição, até à vida. Senhor, arranca-nos da nossa cegueira.”

SEGUNDA HOMILIA

Tomemos hoje a Palavra de Deus pensando na nossa pobreza; na minha como sacerdote, na sua como leigo, na pobreza de toda a Igreja, povo santo de Deus.
Amados no Senhor, a nossa fé, a nossa salvação, toda a experiência do cristianismo dá-se num misterioso encontro entre a riqueza misericordiosa de Deus e a humana pobreza, a nossa pobreza. E isto é dificílimo de ser compreendido, aceito e vivenciado por uma humanidade que se julga material e racionalmente auto-suficiente, por nós, que dizemos que temos direito a tudo, não devemos nada e não queremos favores de ninguém. E, no entanto, a Palavra santa no diz que diante de Deus somos pobres, necessitados, deficientes. E somente reconhecendo esta realidade encontramos a nossa verdade mais profunda e a salvação! Somos pobres, mas amados; somos frágeis, mas aconchegados entre as benditas mãos do Senhor. É ele nossa riqueza, é ele nossa esperança e auxílio. Mas, vejamos isso na Palavra de Deus que acabemos de ouvir...
Comecemos pelo Evangelho, com esta comovente história do cego de Jericó. Esse cego nos representa; ele é cada um de nós, ele é a Igreja toda. Não tem nome, este homem: é somente o bar Timeu, isto é, o filho de Timeu; é cego e mendigo, sentado à margem da estrada da vida. Esta, meus caros, é a nossa situação sem Cristo. Em certo sentido, esta será sempre a nossa situação, pois somos sempre necessitados de Cristo, sempre pobres, sempre dependentes. Esta é também a situação da Igreja toda. Não é ela aquele povo de Deus que o Senhor liberta do cativeiro e vai conduzindo? Não é ela aquele pobre resto, formado por cegos, aleijados e mulheres em estado de fragilidade? Recordem, meus irmãos, as características daqueles a quem o Senhor chama na primeira leitura desta missa: “Salva, Senhor, o teu povo, o resto de Israel. Entre eles há cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes. Eles chegarão entre lágrimas...” A Igreja será sempre isto: um resto, feito de pobres, formado por pessoas frágeis, que experimentam as lágrimas e provas da vida, as quedas e debilidades na estrada da existência... A Igreja de Cristo será sempre aqueles que caminham entre preces, colocando no Senhor sua esperança. Nosso arrimo, caríssimos, é somente o Senhor!
Pobre cada um de nós, pobre a Igreja, pobres também os que o Senhor constitui como seus sacerdotes... A segunda leitura os apresenta tendo como modelo o único e perfeito sacerdote, modelo de todo sacerdote do povo cristão: Jesus Cristo. Quem é o sacerdote? Um pobre homem, vaso de eleição e vaso de argila, tirado do meio dos homens e colocado em favor dos homens não em qualquer assunto, mas nas coisas de Deus. Qual a sua missão central? Oferecer o Santo Sacrifício de Cristo pelos pecados próprios e do mundo inteiro. Mas, aqui, compreendamos bem: o Sacrifício eucarístico oferecido sobre o Altar não se resume ou se esgota no Altar, mas deve ser vivenciado e prolongado no serviço total ao povo de Deus e à humanidade. Serviço na pregação, serviço de pastoreio na coordenação e animação dos irmãos, serviço na oração, na celebração dos santos mistérios, na orientação espiritual, na promoção humana dos irmãos... Como Cristo, o sacerdote deve ser cheio de compaixão pelas fraquezas humanas, pois ele próprio é fraco. Assim, como a Igreja e como cada um de nós, também o sacerdote deve ser consciente de sua total dependência e necessidade do Senhor. Ele não tem nada de próprio para dar. Pelo contrário: sua missão será tanto mais eficaz, tanto mais verdadeira, quanto mais ele deixar que Cristo transpareça nele. O Sacrifício da Missa, por ele oferecido todos os dias, com o povo santo e em nome do povo santo, é expressão clara de que tanto ele quanto toda a Igreja não vivem de suas próprias forças e virtudes, mas somente da graça de Cristo, que brota continuamente do sacrifício pascal do Senhor. Portanto, nós padres somos pobres sacerdotes no meio de um povo de pobres, que deve vencer a tentação da auto-suficiência, da soberba, tão característica do mundo atual, e colocar sua esperança somente no Senhor, comprometendo-se com toda a vida somente com ele e com a sua vontade. Quão grande é a tentação de ser padre do nosso jeito, como se fôssemos donos do ministério e do rebanho! Que tentação manipular a doutrina, a liturgia, os conselhos... Não! Somos apenas servos, somos apenas embaixadores de Deus e administradores do seu mistério. O que se espera de nós é que sejamos fiéis! E que tentação do rebanho, a de querer fazer uma doutrina do seu modo, sob medida, uma moral a gosto da moda, um cristianismo fácil e burguês, sem exigências e sem conversão contínua...
Mas voltemos ao cego do caminho. Aprendamos com ele, porque ele hoje nos serve de modelo no modo como agir diante do Cristo que passa pela estada da nossa vida! Esse cego reconhece sua miséria e grita a Jesus com todas as suas forças. Seu grito é uma profissão de fé em Jesus: “Filho de Davi, ele exclama, tem piedade de mim!” Ele tem consciência que é pobre, necessitado, precisado da misericórdia e da cura de Jesus. Ele sabe que é cego... Bem diferente do mundo atual, bem diferente de nós, às vezes, que teimamos que estamos vendo quando agimos como cegos... Observem como querem calá-lo, como querem que ele não grite por Jesus! Não é a mesma coisa que a Igreja sofre do mundo? Não é a mesma coisa que o nosso orgulho deseja fazer conosco? Querem nos calar, querem que não reconheçamos que somos pobres cegos e precisamos de Jesus! Querem reprimir nossa sede, sufocar nossa procura, matar nosso desejo! – Nós, no entanto, continuemos a gritar: Senhor Jesus, Filho santo e bendito de Deus, tem piedade de mim, tem piedade da tua Igreja! Sê nosso socorro, nosso perdão, nossa força! Sê a luz dos nossos olhos, tu que venceste o Maligno e a Morte e fizeste brilhar para nós a luz e a vida imperecível (cf. 2Tm. 1,10). Senhor, que eu possa ver novamente: ver com teu olhar, ver na tua luz, ver a tua verdade, que faz a vida valer a pena e não ser uma existência vazia!
Observem, como Jesus, apesar do ruído da multidão, escuta o cego, ouve aquele que grita das profundezas de sua miséria! Ouve e o chama para si! E o cego, dando um pulo e deixando cair o manto no qual guardava seu dinheiro, corre para Jesus! Bendito cego: primeiro soube reconhecer a cegueira, depois teve discernimento para reconhecer o Cristo que passava na sua vida, em seguida teve a coragem de gritar por Jesus pedindo ajuda; e agora, tem a sabedoria de deixar tudo: pula apressado, não perde tempo com o manto, e vai ao encontro do essencial: encontrar Jesus! Eis, então: a miséria diante da Misericórdia, o cego diante  de Jesus. E a Misericórdia pergunta  à miséria: “Que queres que eu te faça?” E a miséria não perde tempo, não pensa em futilidades; vai direto ao essencial: “Mestre, que eu veja!” – Senhor, abre os meus olhos às maravilhas do teu amor! Eu sou o cego do caminho: cura-me, eu te quero ver! – E Jesus, a Misericórdia infinita, responde: “A tua fé te curou!” Eis o fruto da humildade de quem se reconhece pobre e pequeno, de quem se reconhece pecador: a cura, a luz, o poder contemplar Jesus. Que alegria daquele Bartimeu poder ver Jesus, dirigir o olhar para o Senhor, manter seus olhos no Senhor, que alegra a nossa vida! E não só. Vejam como termina a narrativa do Evangelho: “Recuperou a vista e seguia-o pelo caminho!” Que também nós nos deixemos curar de nossa cegueira e possamos ver Jesus e tenhamos a coragem de segui-lo pelo caminho!
“Salva, Senhor, o teu povo, o resto de Israel!“por torrentes d’água, por um caminho reto onde não tropecemos!
dom Henrique Soares da Costa






Jesus abre os olhos a quem procura ver
Embora caminho do Servo Padecente, a subida de Jesus a Jerusalém não deixa de ser também a chegada do Messias. Se, nos domingos anteriores, a liturgia acentuou, no paradoxal messianismo de Jesus, o lado da aniquilação, hoje ela insiste num sinal messiânico evidente: a cura de um cego (evangelho). A revelação de Jesus como messias “diferente” surge, portanto, da dialética entre o que se esperava do Messias e o que não se esperava dele. Depois da incompreensão dos discípulos em Mc. 8,14-21, Jesus se manifesta como Messias abrindo os olhos ao cego de Betsaida (8,22-26). Se, por um lado, Jesus proíbe a publicidade (8,26), por outro, os “iniciados” (os discípulos) já viram bastante para que, logo depois, Pedro profira a profissão de fé: “Tu és o Messias” (8,29). Mas ele não sabe o que isso significa, pois ele pensa em categorias humanas (8,33). Ao fim das predições da Paixão, secção em que os discípulos são ensinados a respeito da natureza da missão do Cristo, embora sem a entender plenamente (8,27-10,52), Jesus cura novamente um cego: Bartimeu, o cego de Jericó. A este, Jesus não lhe proíbe publicar o acontecido; pelo contrário, o homem “segue Jesus”. Pois é chegada a hora de revelar seu messianismo, não só aos iniciados, mas à multidão reunida em Jerusalém. A cura de Bartimeu acontece na saída de Jesus de Jericó, na direção de Jerusalém, onde Jesus será acolhido, logo depois, como o rei messiânico (embora a multidão em 11,1 ss. saiba o que isso implica…). Portanto, podemos dizer que, ao abrir os olhos a Bartimeu, Jesus deixa entrever seu messianismo a todo o povo de Israel.
Abrir os olhos dos cegos era um sinal messiânico de destaque. A 1ª leitura traz uma profecia, escrita por Jr para animar o “resto de Israel”, as tribos do Norte, deportadas pelos assírios em 721 a.C., sugerindo-lhes a perspectiva da volta (pois no tempo de Josias, ao iniciar Jeremias seu ministério profético, a Assíria estava muito fraca e Josias reconquistando a Samaria). As tribos serão reunidas. Mesmo os cegos e coxos estarão aí. Bartimeu é o representante desta profecia, quando Jesus sai de Jericó, na direção de Jerusalém, centro da antiga Aliança.
Mas Bartimeu é também o protótipo dos que querem ver. Esta é a condição para salvação. Ele é salvo, porque tem fé (10,52). Ele a demonstrou de modo palpável, insistindo em chamar a atenção de Jesus, apesar das reprimendas da multidão e dos próprios discípulos. Ele invoca Jesus como Messias (“Filho de Davi”), em plena multidão e Jesus confirma sua invocação pelo atendimento que lhe concede. Pressentimos aqui as multidões de Jerusalém aclamando Jesus como o que traz presente o “Reino de nosso pai Davi” (11,10). Mas, apesar de todo o entusiasmo, ele continuará seu caminho até o Gólgota.
A liturgia dos domingos do tempo comum não acompanha Jesus no resto do caminho da cruz: a Semana Santa é que faz isto. Portanto, será bom, neste 30° domingo, fazer uma meditação sintética sobre este caminho, que a alguns domingos estamos acompanhando. Caminho paradoxal, de sinais e desconhecimento, fé e incompreensão, entusiasmo e aniquilação… Cada um traz em si alguma esperança messiânica, alguma utopia. Será que ela corresponde ao critério de Cristo, que mostra ser, ao mesmo tempo, a negação e a plenitude daquilo que esperamos? Para receber em plenitude, precisamos admitir uma revisão daquilo que esperamos. Talvez seja isso que sugere a oração do dia: amar o que Deus ordena e receber o que ele promete.
A 2ª leitura é semelhante à de domingo passado. Situa o ser sacerdote de Jesus na sua solidariedade com os homens e com Deus ao mesmo tempo. Participando de nossa condição, santifica-a. É o pontífice por excelência. Não Jesus mesmo, mas também nenhuma instituição humana, lhe conferiu este poder. Ele pertence a uma linhagem sacerdotal que supera até a de Aarão, por ser primeira e de origem desconhecida, misteriosa: a linhagem de Melquisedec (cf. 14,18-20).
Johan Konings "Liturgia dominical"



O cego de Jericó
Jesus está saindo da cidade de Jericó a caminho de Jerusalém, quando encontra um homem à beira da estrada. Era um excluído, estava à beira, deixado de lado, na saída da cidade, ou seja, fora do convívio da comunidade.
Bartimeu era cego fisicamente, mas isso não inibe a sua fé. Ele chama a atenção, grita por iniciativa própria e, embora excluído, sente-se livre das amarras da escravidão da sociedade e chama Jesus de Filho de Davi, indicando que ele, mesmo cego, vê quem é Jesus com mais clareza do que os discípulos e todos aqueles que têm estado com Ele todo o tempo. Essa foi a sua primeira confissão consciente de que Jesus é o Messias.
Algumas pessoas querem que Bartimeu se cale, mas ele não desiste, não se sente intimidado, porque tem certeza do que quer. A fé não o deixa calar!
Jesus ouve seu apelo e o atende! Este foi o último milagre de Jesus.
O cego joga a sua capa para o lado, pois não precisa mais dela, embora fosse tudo o que ele tinha. Ela servia para que as pessoas jogassem esmolas e, naquele momento, Bartimeu corta o vínculo dessa dependência esvaziando-se de seus apegos, e vai até Jesus. Ele rompe com o seu passado dependente e, totalmente despojado, aberto para poder enxergar, sem nada que pudesse lhe travar os olhos e a alma, consciente de querer algo novo, ele chama Jesus de Mestre – sua segunda confissão – é curado e depois O segue.
O diálogo entre o cego e Jesus é muito breve, mas essencial para que o milagre aconteça, não se fazendo necessário o toque de Jesus, pois da parte Dele existe a onipotência, o poder de tudo; e da parte do doente, a verdadeira fé; e foi essa fé que lhe abriu os olhos e ele pode ver a verdadeira Luz à sua frente e, por isso, seguiu Jesus.
O cego que quer ver representa todos aqueles que buscam reconhecer na pessoa de Jesus, o Cristo, o Filho de Deus. Ele quer ver, ou seja, deseja ser salvo! Com esta passagem, Marcos quer mostrar para a sua comunidade um exemplo de esperança e coragem, atitudes que libertam da escuridão e iluminam o caminho para a Salvação.



A grandeza de servir
O Reino de Deus introduziu nova ordem de relações entre as pessoas, muito diferente da mentalidade do mundo. Para quem é mundano, a grandeza consiste em exercer o domínio sobre as pessoas, e mostrar-se cheio de poder, porque a submissão lhe parece fruto do medo. O serviço prestado ao tirano não resulta de um ato amoroso, mas revela-se uma pesada obrigação.
O Reino, pelo contrário, segue na direção oposta. O domínio transforma-se em serviço. O dominado assume a feição do irmão a quem se deve amar e servir. O poder não é utilizado para oprimir, antes, para libertar. A relação de escravidão transforma-se em relação de fraternidade. A grandeza, portanto, para o discípulo do Reino não consiste em ser servido mas em servir e oferecer a própria vida para que o outro possa crescer.
Foi por esta razão que Jesus convidou Tiago e João a mudarem de mentalidade e pensarem segundo os critérios do Reino. O pedido que fizeram ao Mestre talvez escondesse o desejo de exercerem poder sobre os demais companheiros de discipulado, numa espécie de dominação. Pretendiam ocupar um lugar de destaque junto de Jesus, para usufruir do poder. Jesus denunciou esta maneira errada de pensar.
O discípulo deve espelhar-se nele, enviado pelo Pai para colocar-se a serviço da humanidade e dar a vida pela salvação de todos. Esta é a sua grandeza!
padre Jaldemir Vitório



A liturgia do 30° domingo do tempo comum fala-nos da preocupação de Deus em que o homem alcance a vida verdadeira e aponta o caminho que é preciso seguir para atingir essa meta. De acordo com a Palavra de Deus que nos é proposta, o homem chega à vida plena, aderindo a Jesus e acolhendo a proposta de salvação que Ele nos veio apresentar.
A primeira leitura afirma que, mesmo nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel, quando o Povo parecia privado definitivamente de luz e de liberdade, Deus estava lá, preocupando-se em libertar o seu Povo e em conduzi-lo pela mão, com amor de pai, ao encontro da liberdade e da vida plena.
A segunda leitura apresenta Jesus como o sumo-sacerdote que o Pai chamou e enviou ao mundo a fim de conduzir os homens à comunhão com Deus. Com esta apresentação, o autor deste texto sugere, antes de mais, o amor de Deus pelo seu Povo; e, em segundo lugar, pede aos crentes que "acreditem" em Jesus - isto é, que escutem atentamente as propostas que Ele veio fazer, que as acolham no coração e que as transformem em gestos concretos de vida.
No Evangelho, o catequista Marcos propõe-nos o caminho de Deus para libertar o homem das trevas e para o fazer nascer para a luz. Como Bartimeu, o cego, os crentes são convidados a acolher a proposta que Jesus lhes veio trazer, a deixar decididamente a vida velha e a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. Dessa forma, garante-nos Marcos, poderemos passar da escravidão à liberdade, da morte à vida.
1ª leitura (Jr. 31,7-9) - Ambiente
Jeremias, o profeta nascido em Anatot por volta de 650 a.C., exerceu a sua missão profética desde 627/626 a.C., até depois da destruição de Jerusalém pelos Babilônios (586 a.C.). O cenário da atividade do profeta é, em geral, o reino de Judá (e, sobretudo, a cidade de Jerusalém).
A primeira fase da pregação de Jeremias abrange parte do reinado de Josias. Este rei - preocupado em defender a identidade política e religiosa do Povo de Deus - leva a cabo uma impressionante reforma religiosa, destinada a banir do país os cultos aos deuses estrangeiros. A mensagem de Jeremias, neste período, traduz-se num constante apelo à conversão, à fidelidade a Jahwéh e à aliança.
No entanto, em 609 a.C., Josias é morto, em combate contra os egípcios. Joaquim sucede-lhe no trono. A segunda fase da atividade profética de Jeremias abrange o tempo de reinado de Joaquim (609-597 a.C.).
O reinado de Joaquim é um tempo de desgraça e de pecado para o Povo, e de incompreensão e sofrimento para Jeremias. Nesta fase, o profeta aparece a criticar as injustiças sociais (às vezes fomentadas pelo próprio rei) e a infidelidade religiosa (traduzida, sobretudo, na busca das alianças políticas: procurar a ajuda dos egípcios significava não confiar em Deus e, em contrapartida, colocar a esperança do Povo em exércitos estrangeiros). Jeremias está convencido de que Judá já ultrapassou todas as medidas e que está iminente uma invasão babilônica que castigará os pecados do Povo de Deus. É, sobretudo, isso que ele diz aos habitantes de Jerusalém ... As previsões funestas de Jeremias concretizam-se: em 597 a.C., Nabucodonosor invade Judá e deporta para a Babilônia uma parte da população de Jerusalém.
No trono de Judá fica, então, Sedecias (597-586 a.C.). A terceira fase da missão profética de Jeremias desenrola-se, precisamente, durante este reinado.
Após alguns anos de calma submissão à Babilônia, Sedecias volta a experimentar a velha política das alianças com o Egito. Jeremias não está de acordo que se confie em exércitos estrangeiros mais do que em Jahwéh ... Mas, nem o rei, nem os notáveis prestam qualquer atenção à opinião do profeta.
Em 587 a.C., Nabucodonosor põe cerco a Jerusalém; no entanto, um exército egípcio vem em socorro de Judá e os babilônios retiram-se. Nesse momento de euforia nacional, Jeremias aparece a anunciar o recomeço do cerco e a destruição de Jerusalém (cf. Jr. 32,2-5). Acusado de traição, o profeta é encarcerado (cf. Jr. 37,11-16) e corre, inclusive, perigo de vida (cf. Jr. 38,11-13). Enquanto Jeremias continua a pregar a rendição, Nabucodonosor apossa-se, de fato, de Jerusalém, destrói a cidade e deporta a sua população para a Babilônia (586 a.C.).
É impossível dizer com segurança o contexto em que apareceu essa mensagem que o texto que nos é hoje proposto apresenta.
Para alguns comentadores, trata-se de um oráculo que poderia situar-se na primeira fase da atividade profética de Jeremias (reinado de Josias) e dirigir-se-ia aos israelitas do Reino do Norte. Seria uma mensagem de esperança, destinada a animar esse povo que há cerca de cem anos tinha perdido a independência e estava sob o domínio assírio.
Para outros, contudo, este texto será da época de Sedecias, algures entre a primeira e a segunda deportação do Povo para a Babilônia (597-586 a.C.). É a época em que Jeremias descobre perspectivas teológicas novas e começa a refletir sobre um tempo novo que Deus irá oferecer ao seu Povo: após a catástrofe, será possível recomeçar tudo, pois Deus tem em mente fazer uma nova Aliança com Judá.
Mensagem
O texto que nos é proposto começa com um convite à alegria e ao louvor (v. 7). Porquê? Porque Jahwéh vai reunir o seu Povo (disperso na Assíria? Na Babilônia?), vai conduzi-lo através do deserto e vai fazê-lo retornar à sua pátria. Reunir, conduzir e fazer retornar à pátria são os três verbos que, tradicionalmente, definem a ação de Deus em favor do seu Povo, durante o Êxodo.
Depois da afirmação geral, o profeta apresenta alguns pormenores deste Novo Êxodo. Da comitiva farão parte "o cego e o coxo, a mulher grávida e a que deu à luz" (v. 8b). O cego e o coxo são figuras tradicionais ligadas ao tema do Êxodo (cf. Is. 35,5), onde relembram a situação de necessidade e de carência em que os exilados jazem e, ao mesmo tempo, evocam a ação extraordinária de Deus no sentido de libertar o seu Povo dessa carência e dessa necessidade. Na imagem da mulher grávida e na da mulher que deu à luz, o profeta representa a dor e o sofrimento, mas também a fecundidade, a alegria, a esperança num futuro novo e cheio de vida.
No último versículo do nosso texto (v. 9), Jahwéh apresenta-Se como um pai cheio de amor pelo seu filho/Povo. Esse amor irá traduzir-se no final do Exílio e no regresso dos exilados à sua terra "entre grande consolação", por "caminhos direitos" e fáceis. No final desse Êxodo triunfal, Jahwéh vai oferecer ao seu Povo vida abundante e fecunda ("conduzi-Ios-ei às torrentes de água").
O texto dá conta da preocupação de Deus com a vida, a felicidade e a realização plena do seu Povo. Mesmo nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel, quando o Povo parecia privado definitivamente de luz e de liberdade (o "cego" e o "coxo"), Deus estava lá, preocupando-se em libertar o seu Povo e em conduzi-lo pela mão, com amor de pai, ao encontro da liberdade e da vida plena.
Atualização
O que este texto nos diz, antes de mais, é que o Deus em quem acreditamos não é um Deus insensível e alheado das dores e dificuldades dos homens; mas é um Deus sensível e atento, que cuida dos seus filhos com cuidados de pai. Ao longo do percurso que vamos percorrendo pela história, também nós fazemos, como os antigos israelitas, a experiência da escravidão, da dependência, do medo, do desespero, da decepção ... A Palavra de Deus que hoje nos é servida garante-nos: não estamos sozinhos frente aos nossos dramas e sofrimentos; Deus vai ao nosso lado e, com amor de pai, cuida de nós, dá-nos a mão, conduz-nos ao encontro da vida eterna e verdadeira. A nós resta-nos reconhecer a sua presença (às vezes tão discreta que nem a notamos) e, com humildade e simplicidade, aceitar o seu amor.
• Na perspectiva do profeta, a ação salvadora e libertadora de Deus estender-se-á a todos, inclusive aos "cegos" e aos "coxos". Os "coxos" e os "cegos representam, aqui, aqueles que estão numa situação de fragilidade, de debilidade, de dependência e que são incapazes, por si sós, de deixar essa condição. Também com esses - ou especialmente com esses - Deus quer caminhar. Na verdade, Deus não marginaliza ninguém, nem coloca ninguém à margem da sua proposta de salvação ... Os fracos, os débeis, os limitados, os marginalizados ocupam um lugar especial no coração de Deus e são objeto privilegiado do seu amor e da sua misericórdia. Na nossa sociedade, os pequenos, os pobres, os doentes, os velhos, os estrangeiros sem papéis são, frequentemente, marginalizados e ultrapassados pelo comboio da história. A sociedade edifica-se sem eles ou, pelo menos, sem ter em conta as suas necessidades e carências... Nós, os crentes, formados na escola de Deus, precisamos olhar para eles com o mesmo olhar de Deus, descobrir que também eles são filhos queridos e amados de Deus, denunciar as estruturas que os marginalizam, criar mecanismos de inclusão e de integração. É preciso ver em cada homem ou mulher - no "coxo", no "cego", no velho, no doente, no marginal - um irmão que Deus ama e a quem quer oferecer, por nosso intermédio, a vida plena, a salvação definitiva.
Em todo o capítulo 31 do profeta Jeremias (de onde é retirado o texto que nos é proposto), há um impressionante apelo à esperança, à confiança em Deus. Por vezes, somos tentados a olhar para a nossa vida e para a história do nosso mundo, com os óculos do pessimismo, do medo e do desespero ... O terrorismo, os crimes ambientais, as dificuldades econômicas, as doenças incuráveis, a fome, a miséria, os valores efêmeros, parecem pintar de negro o nosso futuro e o futuro do nosso planeta ... Contudo, a Palavra de Deus que hoje nos é proposta garante-nos: não tenhais medo, pois Deus caminha convosco pela história e, como um pai cheio de bondade que ensina o filho a caminhar, há-de conduzir-vos pela mão ao encontro da vida verdadeira. Há, certamente, um futuro para nós, pois Deus ama-nos e caminha conosco.
2ª leitura (Hb. 5,1-6) - Ambiente
Continuamos, neste 30° domingo do tempo comum, a ler a carta aos Hebreus - uma reflexão destinada a comunidades cristãs em situação difícil, expostas a perigos vários e que, por isso mesmo, estão numa situação de fragilidade, de cansaço e de desalento. O objetivo do autor da carta é ajudar esses cristãos a redescobrir o seu entusiasmo inicial, a revitalizar o seu compromisso com Cristo e a empenhar-se numa fé mais coerente e mais comprometida.
Nesse sentido, o autor desta reflexão convida os crentes a apreciar o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência, que o Pai enviou ao mundo com a missão de convidar todos os homens a integrar a comunidade do povo sacerdotal. Uma vez comprometidos com Cristo, os crentes - membros desse povo sacerdotal - devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de entrega e de amor. Ao lembrar aos crentes o seu compromisso com Cristo e com a comunidade do Povo sacerdotal, o autor oferece aos cristãos a base para revitalizarem a sua experiência de fé, enfraquecida pela hostilidade do ambiente, pela acomodação, pela monotonia.
O texto que nos é proposto está incluído na segunda parte da carta aos Hebreus (cf. Hb. 3,1-5,10). Aí, o autor apresenta Jesus como o sacerdote fiel e misericordioso que o Pai enviou ao mundo para mudar os corações dos homens e para os aproximar de Deus. Aos crentes pede-se que "acreditem" em Jesus - isto é, que escutem atentamente as propostas que Cristo veio fazer, que as acolham no coração e que as transformem em gestos concretos de vida.
Mensagem
No universo religioso judaico, o sumo-sacerdote ocupava o lugar cimeiro na hierarquia do clero do Templo e, de alguma forma, presidia à instituição sacerdotal. Era ele o único a entrar, uma vez no ano, no lugar mais sagrado do Templo ("Debir" ou "Santo dos Santos"), no solene "Dia das Expiações" ("Yom Kippurim"), com o sangue de um animal imolado, para aspergir o "propiciatório" ("kapporet") e conseguir o perdão de Deus para os pecados do Povo. Dessa forma, o sumo-sacerdote tornava-se o intermediário por excelência da relação entre os homens e Deus.
Para a mentalidade judaica, há três elementos fundamentais ligados à figura do sumo-sacerdote. Em primeiro lugar, ele é um escolhido de Deus: o sumo-sacerdote não é alguém que, por sua iniciativa pessoal, se propõe para o cargo; mas é alguém a quem Deus chama e a quem confia esta missão (foi Deus que, por sua iniciativa, chamou Aarão e toda a sua descendência). Em segundo lugar, o sumo-sacerdote é um homem tomado de entre os homens: a sua humanidade não o torna inapto para uma missão tão sublime; pelo contrário, a fragilidade e debilidade que resultam da sua humanidade tornam-no apto para compreender os erros e os pecados dos outros homens por quem intercede. Em terceiro lugar, o sumo-sacerdote tem uma função mediadora: a sua missão é "oferecer dons e sacrifícios pelos pecados", apresentando diante de Deus o arrependimento dos homens e trazendo aos homens o perdão de Deus; dessa forma, ele refaz a relação dos homens com Deus.
Na perspectiva do autor da carta aos Hebreus, Jesus é o sumo-sacerdote por excelência. Em primeiro lugar, porque Ele foi chamado e destinado por Deus a esta missão (apesar de não ser da linhagem do sacerdote Aarão); o fato de ser Filho de Deus dá ao seu sacerdócio uma categoria, uma dignidade e uma qualidade suprema, uma vez que o coloca em contacto pessoal e íntimo com o Pai, dando dessa forma uma expressão mais completa a essa mediação que Ele é chamado a realizar entre Deus e os homens.
Em segundo lugar, porque Ele foi homem, também. Ao assumir a nossa humanidade, Ele experimentou a nossa debilidade e fragilidade e tornou-Se capaz de entender as nossas fraquezas e os nossos pecados e de Se tornar o nosso mediador e intercessor junto do Pai.
A sua proximidade e intimidade com o Pai, por um lado, e a sua humanidade, por outro tornam-n'O, finalmente, o perfeito mediador e intercessor, capaz de restabelecer definitivamente a comunhão entre Deus e os homens. De fato, Ele veio ao nosso encontro, mostrou-nos o amor do Pai, convidou-nos a eliminar o egoísmo e o pecado que nos afastavam da comunhão com Deus, chamou-nos a integrar a família de Deus e ensinou-nos o que fazer para sermos filhos de Deus.
Atualização
Ao apresentar Jesus como o sumo-sacerdote, chamado pelo Pai e enviado ao mundo para libertar os homens do egoísmo e do pecado e para os conduzir à comunhão com Deus, o autor da Carta aos Hebreus convida-nos (todos os textos que a liturgia deste domingo nos propõe apontam no mesmo sentido) a contemplar a grandeza do amor que Deus nos dedica. A contemplação da encarnação de Jesus e de tudo o que Ele realizou enquanto percorreu os caminhos e aldeias da Palestina fala-nos de um amor sem limites, expresso em gestos concretos e que culmina na entrega total, na cruz. A nós resta-nos olhar para Jesus, escutá-I'O, aceitar a sua proposta, banir da nossa vida o egoísmo e o pecado, segui-l'O nesse caminho do dom e da entrega que irá levar-nos a integrar a família de Deus e a possuir a vida verdadeira.
Para o autor do nosso texto, ao assumir a nossa humanidade, Jesus experimentou a nossa fragilidade, a nossa debilidade, a nossa dependência; tornou-Se, portanto, capaz de compreender os nossos erros e falhas e de olhar para as nossas insuficiências com bondade e misericórdia. Para a nossa vida concreta, há duas consequências que resultam daqui... A primeira leva-nos à confiança e à esperança: junto de Deus nosso Pai, temos um intercessor que entende as nossas dificuldades e que, apesar das nossas falhas, continua apostado em integrar-nos na família de Deus. A segunda leva-nos ao compromisso com os irmãos: a solidariedade de Cristo conosco convida-nos à solidariedade com os pequenos, com os últimos, com os pobres, com aqueles que o mundo rejeita e marginaliza; convida-nos a identificarmo-nos com os sofrimentos e angústias, com as alegrias e esperanças de cada homem ou mulher; convida-nos a fazer o que estiver ao nosso alcance para promover aqueles que são humilhados, explorados, incompreendidos, colocados à margem da vida ...
Os planos de Deus para salvar e libertar os homens concretizaram-se porque Cristo, o Filho, assumiu os projetos do Pai e viveu sempre na obediência incondicional às propostas de Deus. Hoje, os projetos de salvação e de libertação que Deus tem para os homens continuam a concretizar-se através daqueles que aderiram a Jesus e querem, como Ele, viver na estrita obediência aos planos de Deus. Sinto-me, como Jesus, testemunha da salvação de Deus diante dos meus irmãos? Meu egoísmo e a minha acomodação alguma vez me desviaram do cumprimento dos projetos de Deus? Aqueles que eu encontro, a cada passo, nos caminhos do mundo, têm encontrado em mim uma proposta credível de vida e de libertação?
Evangelho: Mc. 10,46-52 - Ambiente
O Evangelho deste domingo propõe-nos a última etapa desse caminho (geográfico, mas também espiritual) que Jesus iniciou com os discípulos na Galileia e que irá leva-lo a Jerusalém, ao encontro da paixão, morte e ressurreição. É a última cena de um percurso que não tem sido fácil e no qual os discípulos, como cegos, se aferram às suas idéias e projetos próprios, recusando-se a entender e a aceitar que o caminho do Reino deva passar pela cruz e pelo dom da vida.
O episódio que hoje nos é proposto situa-nos à saída da cidade de Jericó. Jericó, a "cidade das Palmeiras", é um oásis situado na margem do rio Jordão, a norte do mar Morto, e que dista cerca de 30 quilômetros de Jerusalém. Na época de Jesus, era uma cidade relativamente importante, onde Herodes, o Grande, tinha edificado um luxuoso palácio de inverno.
Além de Jesus, Marcos coloca no centro da cena um mendigo cego com o nome de Bartimeu ("filho de Timeu"). Este nome, meio aramaico ("bar") e meio grego ("timaios"), é um nome perfeitamente inusual no ambiente hebraico-palestinense onde a história é situada (nunca aparece entre os cerca de 2.000 nomes próprios que ocorrem no Antigo Testamento); aos leitores romanos de Marcos, contudo, o nome devia evocar o "Timeo", um dos mais conhecidos "diálogos" de Platão. Alguns autores pensam que, mais do que um personagem histórico, o cego Bartimeu seria uma figura simbólica.
Os "cegos" faziam parte do grupo dos excluídos da sociedade palestina de então. As deficiências físicas eram consideradas - pela teologia oficial - como resultado do pecado. Segundo a concepção da época, Deus castigava de acordo com a gravidade da culpa. A cegueira era considerada o resultado de um pecado especialmente grave: uma doença que impedisse o homem de estudar a Lei era considerada uma maldição de Deus por excelência. Pela sua condição de impureza notória, os cegos eram impedidos de servir de testemunhas no tribunal e de participar nas cerimônias religiosas no Templo.
Mensagem
É natural que Jesus tenha encontrado, quando saía de Jericó, um cego que mendigava junto da estrada... No entanto, parece claro que, à volta desse acontecimento fundamental, Marcos construiu uma catequese para os seus leitores. Quem é, na catequese de Marcos, este "cego" que Jesus encontra ao longo do caminho, quando se dirige para Jerusalém? Ele representa todos esses a quem a teologia oficial considerava pecadores, malditos, impuros, marginais, longe de Deus e da sua proposta de salvação.
O cego da nossa história está sentado à beira do caminho, provavelmente a pedir esmola. O estar sentado significa acomodação, instalação, conformismo. Ele está privado da luz e da liberdade e está conformado com a sua triste situação, sabendo que, por si só, é incapaz de sair dela. O pedir esmola (o texto refere explicitamente a sua condição de mendigo - v. 46) indica a situação de escravidão e de dependência em que o homem se encontra.
Contudo, a passagem de Jesus de Nazaré dá ao cego a consciência da sua situação de miséria, de dependência, de escravidão. Então, Bartimeu percebe o sem sentido da sua situação e sente a vontade de apostar numa outra experiência. A passagem de Jesus na vida de alguém é sempre um momento de tomada de consciência, de questionamento, de desafio, que leva a pôr em causa a vida velha e a sentir o imperativo de ir mais além ... No entanto, Bartimeu está consciente da sua debilidade e sente que, sem a ajuda de Jesus, continuará envolvido pelas trevas da dependência, da escravidão, da instalação ... Por isso, pede: "Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim" (v. 47). O título "filho de David" é um título messiânico. Portanto, Bartimeu vê em Jesus esse Messias libertador que, segundo a mentalidade judaica, havia de vir não só para salvar Israel dos opressores, mas também para dar vida em plenitude a cada membro do Povo de Deus.
Antes de referir a intervenção de Jesus, Marcos dá conta da reação dos que estão à volta de Jesus: repreendiam o cego e queriam fazê-lo calar (v. 48). Quando alguém encontra Jesus e resolve deixar a vida antiga para aderir ao Reino que Jesus veio propor, encontra sempre resistências (que vêm, por vezes, dos familiares, dos amigos, dos colegas). Estes que repreendem e mandam calar o cego representam, portanto, todos aqueles que colocam obstáculos a quem quer deixar a sua situação de miséria e de escravidão para aderir à proposta libertadora que Cristo faz. No entanto, a oposição não só não desarma o cego, como o leva a gritar ainda mais forte: "filho de David, tem misericórdia de mim".
A incompreensão ou a oposição dos homens nunca fazem desistir aquele que viu Jesus passar e que viu n'Ele uma proposta de vida e de liberdade.
Jesus parou e mandou chamar o cego. A cena recorda-nos os relatos do chamamento dos discípulos (cf. Mc. 1,16-20; 2,14; 3,13). Os mediadores que transmitem ao cego as palavras de Jesus dizem-lhe: "coragem, levanta-te que Ele chama-te" (v. 49). Ou seja: deixa a tua situação de miséria, de escravidão e de dependência, porque Jesus chama-te. O chamamento é sempre, nestes casos, a tornar-se discípulo, a seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida.
Em resposta, o cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus (v. 50). A capa podia estar colocada debaixo do cego, como almofada, ou nos seus joelhos, para recolher as moedas que lhe atiravam; em qualquer caso, a capa é tudo o que um mendigo possui, a única coisa de que ele pode separar-se (outros deixaram o barco, as redes ou a banca onde recolhiam impostos). O deitar fora a capa significa, portanto, o deixar tudo o que se possui para ir ao encontro de Jesus. É um corte radical com o passado, com a vida velha, com a anterior situação, com tudo aquilo em que se apostou anteriormente, a fim de começar uma vida nova ao lado de Jesus.
Jesus perguntou ao cego: "que queres que te faça?". É a mesma pergunta que, pouco antes, Jesus fizera a João e Tiago (cf. Mc. 10,36). A identidade da pergunta acentua, contudo, a diferença da resposta... Os dois irmãos queriam sentar-se ao lado de Jesus e ver concretizados os seus sonhos de grandeza e de poder; o cego Bartimeu, ao contrário, cansado de estar sentado numa vida de escravidão e de cegueira, quer encontrar a luz para seguir Jesus (v. 51).
Jesus responde a Bartimeu: "vai, a tua fé te salvou" (v. 52). A fé não é a simples adesão a determinadas verdades abstratas, que o crente aceita acriticamente; mas, no contexto neo-testamentário, a fé é a adesão a Jesus e à sua proposta de salvação. Por isso, Marcos termina a sua história dizendo que o cego recuperou a vista e seguiu Jesus - isto é, fez-se discípulo de Jesus. Ao aderir a Jesus e à sua proposta de salvação, ao aceitar seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida (Jesus prepara-Se para entrar em Jerusalém, onde vai fazer dom da sua vida em favor dos homens), Bartimeu encontrou a salvação: deixou a vida da escuridão, da escravidão, da dependência em que estava e nasceu para essa vida verdadeira e eterna que, através de Jesus, Deus oferece aos homens.
O cego Bartimeu que encontráramos a mendigar, sentado à beira do caminho, à saída de Jericó representava, inicialmente, os pecadores que viviam longe de Deus e à margem da salvação. Depois de encontrar Jesus, Bartimeu transforma-se e torna-se o protótipo do verdadeiro discípulo... Destinatário privilegiado da proposta de salvação que Jesus traz, ele proclama sem hesitações a sua fé, invoca a ajuda e a misericórdia de Jesus, acolhe sem hesitações o chamamento que lhe é feito, liberta-se da vida velha e, com alegria, decisão e entusiasmo, aceita, sem condições, seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida. É com Bartimeu que os discípulos de Jesus são convidados a identificar-se.
Atualização
A situação inicial do cego Bartimeu (que jaz na escuridão, dependente, acomodado, conformado) evoca uma realidade que conhecemos bem... Evoca a condição do homem escravo, prisioneiro do egoísmo, do orgulho, dos bens materiais, da preguiça, da vaidade, do êxito; evoca a condição daquele que está acomodado na sua situação de miséria, instalado nos seus preconceitos e projetos pessoais, conformado com uma vida de horizontes limitados; evoca a condição daquele que se sente refém dos seus vícios, hábitos e paixões e que sente a sua incapacidade em romper, por si só, as cadeias que o impedem de ser livre... Esta situação será uma situação insuperável, a que o homem está condenado de forma permanente?
A Palavra de Deus que nos é proposta garante-nos que a situação do homem cego, prisioneiro da escuridão, não é uma situação incontornável, obrigatória, sem remédio... Jesus veio ao mundo, enviado pelo Pai, com uma proposta de libertação destinada a todos aqueles que procuram a luz e a vida verdadeira. Esse Jesus de Nazaré que Se cruzou com o cego à saída de Jericó continua a cruzar-Se hoje, de forma continuada, com cada homem e com cada mulher nos caminhos da vida e oferece-lhes, sem cessar, a proposta libertadora de Deus... É preciso, no entanto, que não nos fechemos no nosso egoísmo e na nossa auto-suficiência, surdos e cegos aos apelos de Deus; é preciso que as nossas preocupações com os valores efêmeros não nos distraiam do essencial; é preciso que aprendamos a reconhecer os desafios de Deus nesses acontecimentos banais com que, tantas vezes, Deus nos interpela e questiona...
O que é que implica aceitar a proposta que Jesus faz? Fundamentalmente implica - como aconteceu com Bartimeu - tornar-se discípulo... Ser discípulo de Jesus é aderir à sua pessoa, acolher os seus valores, viver na obediência aos projetos do Pai, fazer da vida um dom de amor aos irmãos; é solidarizar-se com os pequenos, com os pobres, com os perseguidos, com os marginalizados e lutar por um mundo onde todos sejam acolhidos como filhos de Deus, iguais em direitos e em dignidade; é lutar contra as estruturas que geram injustiça, opressão e morte; é ser testemunha, com palavras e com gestos, da verdade, da justiça, da paz, da reconciliação. Quem aceita seguir o caminho do discípulo escolhe viver na luz e está a contribuir para a construção de um mundo novo.
Quando reconhecemos o "chamamento" de Deus, qual deve ser a nossa resposta?
Bartimeu, logo que ouviu dizer que Jesus o chamava, atirou fora a sua capa e correu ao encontro de Jesus. O gesto de Bartimeu representa, aqui, a renúncia imediata à vida antiga, ao egoísmo, ao comodismo, à escravidão, aos comportamentos incompatíveis com a adesão a Cristo e a esse caminho novo que Jesus o convida a percorrer. É isso, também, que é pedido a todos aqueles a quem Jesus chama à vida nova...
Na história do encontro de Bartimeu com Cristo, aparecem outros personagens, com papéis vários. Uns constituem obstáculos à adesão de Bartimeu a Cristo; outros apresentam-se como intermediários entre Cristo e Bartimeu e transmitem ao cego as palavras de Jesus... Este fato serve para nos tornar conscientes do papel daqueles que nos rodeiam no nosso caminho da fé... Ao longo da nossa caminhada, encontraremos sempre pessoas que nos ajudam a ir ao encontro de Cristo e pessoas que (muitas vezes com ótimas intenções) tentam impedir-nos de encontrar Cristo. Precisamos de aprender a discernir entre as várias opiniões que nos são propostas e a dar a devida importância a quem nos ajuda a descobrir o caminho para a verdadeira vida.
Quem encontra Cristo e aceita o desafio para viver como discípulo tem, a partir daí, um caminho fácil? De forma nenhuma. Tem de abandonar a vida cômoda e instalada em que vivia e enfrentar uma nova realidade, num desafio permanente, num questionamento constante; tem de aprender a enfrentar as críticas, as incompreensões, os confrontos com aqueles que não compreendem a sua opção; tem de percorrer, dia a dia, o difícil caminho do amor, do serviço, da entrega, do dom da vida... É preciso, no entanto, que o discípulo esteja consciente de que o caminho de Jesus não é um caminho que leva à morte, mas é um caminho que leva à ressurreição, à vida verdadeira e eterna.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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