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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2º DOMINGO Advento – Ano C

2º DOMINGO Advento – Ano C

6 de Dezembro de 2015
-AQUELE QUE CLAMA NO DESERTO- José Salviano

Evangelho - Lc 3,1-6


A nossa vida é uma caminhada rumo à casa do Pai. Assim, temos de preparar os caminhos para que possamos chegar e chegar bem.  Leia mais

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“ESTA É A VOZ DAQUELE QUE GRITA NO DESERTO”... - Olívia Coutinho

2º DOMINGO DO ADVENTO

Dia 06 de Dezembro de 2015

Evangelho Lc 3,1-6

Neste segundo domingo do Advento, somos chamados a intensificar o nosso espírito de espera, espera pelo o Senhor Jesus, que vem realimentar em nós a esperança de um tempo novo, de um mundo mais justo e mais fraterno!
O Espírito Natalino nos convida a desacelerarmos um pouco da nossa rotina, a fazermos um retiro interior, intensificando o nosso relacionamento com Deus, na relação com o outro!
 Precisamos  tomar consciência da importância de estarmos, sempre vigilantes, num processo contínuo de conversão, pois sem um retorno de todo o nosso ser, a Jesus, não tem como vivermos  o verdadeiro sentido do Natal!
O evangelho que a liturgia deste domingo  nos apresenta, começa citando o nome das lideranças políticas religiosas do tempo de Jesus, certamente,  para nos mostrar em que contexto o projeto de Deus em favor da humanidade, começa a se desenvolver!
Jesus está prestes a entrar na  história! Ele vai entrar, não, pelos caminhos dos  grandes  e sim, pela via dos pequenos, daqueles  que aprendem a caminhar fazendo o caminho!
Deus não desiste do humano  é através do próprio  humano, que Ele age em favor do  humano! Podemos perceber isso claramente, quando Deus insere João Batista na história da salvação! João Batista foi o grande profeta, aquele que  veio realimentar a  esperança dos  “pequenos”, dos que haviam perdido a esperança no humano!
A liturgia deste tempo, está sempre destacando  a forte figura de João Batista, que continua a nos falar! Ele é, depois de Maria, a figura de maior relevo no tempo do advento! João Batista surge como protagonista da história, pois  é a partir dele, que Jesus inicia o seu ministério!   
Assim como  João Batista  apontou Jesus ao povo,  um dia,  alguém  nos apontou Jesus, mas nós, só o conhecemos de fato, quando  fazemos a experiência pessoal  com Ele!
Imitemos o grande profeta João Batista, sendo  a voz que grita no deserto contra tudo e contra todos  que insistem em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores!
O nosso caminho, é um caminho traçado por Deus, um caminho de fé, de esperança e  de alegria, é trilhando  este caminho, que encontraremos a felicidade plena!
Que a alegria da espera, possa nos dar a força que nos levará a vencer todas  as adversidades  da vida e assim,  poder esperar  confiantes a vinda do Emanuel: O Deus conosco”.
João Batista, foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus,  não se acomodando nas tradições do seu povo, nem de sua  Família, pelo contrário, ele buscou algo novo, fazendo-se  anunciador de um novo tempo!
Assim como João Batista, preparemos  os caminhos do Senhor,  nos abrindo  a tudo que é bom e que  nos aproxima de Deus! Temos  uma missão: continuar apontando Jesus ao outro! Para isso, é importante cultivarmos em nossos corações uma constante disposição de nos renovarmos a cada dia mediante a Palavra de Deus.
Colocar Jesus, como o centro da nossa vida, é pensar, é viver, é falar é mover-se em função do amor!
Na nossa vivencia de comunidade, devemos  levar ao outro, uma mensagem de esperança, afinal, o Senhor vem, vem  inaugurar um  tempo novo!
Deus escolheu os mais simples dos simples para desenvolver o seu projeto de vida plena para todos!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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Estamos no domingo II do Advento. Este é um tempo de espera. Um tempo a nos recordar que a humanidade toda espera, mesmo sem saber: neste mudo cansado e ferido, o coração humano espera um sentido pra vida, espera a paz, espera o amor, espera a plenitude... Para usar a linguagem da Bíblia: espera a salvação! A humanidade esperou e espera... Também o povo de Israel esperou. Nos momentos de escuridão da sua história, Israel levantou-se e continuou o caminho, porque alicerçado na promessa do seu Deus. A primeira leitura da missa de hoje apresenta-nos esta realidade de modo comovente: quando o povo estava na maior escuridão do exílio de Babilônia, Deus lhe falou de esperança. Estas palavras ainda hoje nos tocam e comovem, ainda hoje são para nós: “Depõe a veste de luto, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus! Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno!” Deus promete ao seu povo a felicidade, a bênção, a glória – não quaisquer umas, mas aquelas que vêm de Deus! Nosso Deus foi e sempre será o Deus da promessa, o Deus que nos aponta para um futuro de bênção, que nos enche de esperança, que faz nosso coração palpitar, sonhando com a paz que ele dará!
Ora, esta esperança, esta bênção, esta paz, esta plenitude, este futuro, têm um nome: Jesus Cristo! Tudo se cumpre nele, tudo se resume nele; nele, tudo é pleno e duradouro: ele é o Sim de Deus para Israel e para toda a humanidade!
A salvação que a humanidade esperou e os profetas prometeram a Israel, no Evangelho deste Domingo aparece tão próxima: ela entra na história humana; não fica lá em cima, no céu; entra nas coordenadas dos nossos pobres dias: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes...” Nossa fé não é um mito, nossa esperança não é uma quimera: ela veio, entrou no nosso mundo, no nosso tempo, no nosso espaço, na nossa pobre vida, nos nossos dias tão pequenos: “... foi então que a Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto”. Como é belo o Advento! João anuncia que chegou o tempo, que com Aquele que vem, o próprio Deus, em pessoa, faz-se presente: tempo de salvação, tempo de decisão, tempo de acolher o convite para o Reino! Deus cumpriu sua promessa, ao enviar Jesus; Deus satisfez o sonho que ele mesmo colocara no coração humano, no nosso coração, ao nos dar Jesus. Deus é fiel!
Mas, este Jesus que veio – e estamos nos preparando para celebrar o seu santo Natal - é o mesmo que ainda esperamos para consumar a sua obra no Dia final. Na Epístola aos Filipenses, segunda leitura da Missa de hoje, São Paulo nos fala do Dia de Cristo – aquele dia que começou em Belém, brilhou na Ressurreição e será pleno na Vinda do Senhor. Deus nos prometeu este Dia bendito, no qual todas as esperanças humanas serão realizadas! O cristão vive os dias deste mundo na esperança deste bendito e eterno Dia. Por isso, o Apóstolo deseja que permaneçamos puros e sem defeito “para o Dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus”. Ele confia que, no que depender do Pai do céu, nós cresceremos na obra de Deus até “à perfeição até ao Dia do Cristo Jesus”. O Advento, portanto, é tempo de esperança, de espera, de sonho... mas é também tempo de compromisso em nos preparar para o Senhor que vem e vem vindo sempre. É tempo de preparar os caminhos do Senhor, endireitar suas veredas! Que todo vale de nossos pecados e baixezas seja aterrado; que as colinas do nosso orgulho, da nossa auto-suficiência e prepotência sejam aplainadas. Que, numa vida de conversão, vejamos a salvação de Deus... E os outros, os de fora, vejam em nós a obra desta salvação! 
Não percamos tempo! A oração da Missa pediu a Deus que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do Filho que vem. Por favor, em nome de Cristo: levantemos os olhos de nossa mediocridade, de nossas preocupações pequenas e mesquinhas! Levantai a cabeça: a vossa Salvação se aproxima! Não sejamos desatentos, a ponto de não perceber e não acolher Aquele que veio, vem vindo e virá na Glória!
Terminemos esta meditação com as palavras de um poeta pagão, mas que exprimem bem o que a Palavra de Deus, que ouvimos hoje, nos quer dizer. É um poema de Tagore:
Não ouvistes os passos silenciosos?
Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
A cada momento e a cada estação,
a cada dia e a cada noite,
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre! 
Várias cantigas cantei,
em vários disposições de espírito,
mas as suas notas sempre proclamaram:
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
Nos dias perfumados de abril luminoso,
pelo caminho do bosque
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!
Na sombra chuvosa das noites de junho,
na carruagem trovejante das nuvens,
ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre! 
De tristeza em tristeza,
são os seus passos que pisam o meu coração!
E é o contato de ouro de seus pés
que faz brilhar minha alegria! 
Pois bem!
Vem, Senhor Jesus, vem sempre! Vem nas alegrias, mas vem também nas tristezas da vida! Que saibamos discernir as tuas vindas e os rastros de ouro que teus pés benditos deixam na nossa vida!
Vem, Senhor, porque somos frágeis! Vem, Senhor, porque somos pobres! Vem, Senhor, porque muitas vezes o peso da vida é grande demais! Vem, Senhor, porque temos medo da noite! Vem, Senhor Jesus!



SEGUNDA HOMILIA

Na segunda leitura da liturgia da Palavra deste 2º domingo do Advento, por duas vezes são Paulo refere-se ao dia de Cristo: “Aquele que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição até ao Dia de Cristo”; “que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. Assim ficareis puros e sem defeito para o Dia de Cristo”. Para este Dia de Cristo, meus caros, estamos nos preparando no santo Tempo do Advento. Dia de Cristo é o Natal; Dia de Cristo é o “todo-dia”, quando sabemos reconhecer suas visitas; Dia de Cristo será a sua Vinda gloriosa no final dos tempos. Quem celebra piedosamente o  Dia de Cristo no Natal e é atento pela vigilância ao Dia de Cristo de “todo-dia”, estará pronto na perfeição do amor, estará puro e sem defeito para o Dia de Cristo no final dos tempos!
É certo que não poderemos fugir do Cristo Jesus: diante dele todos nós estaremos um dia porque através dele e para ele fomos criados e somente nele nossa existência chegará à sua plenitude. A primeira leitura de hoje ilustra de modo comovente a situação da humanidade e também a situação da Igreja, pequeno resto peregrino e acabrunhado sobre esta terra: trata-se de uma humanidade sofrida, de uma Igreja em exílio, mas que será consolada pelo Senhor. Recordemos a palavra de Baruc profeta “Despe, ó Jerusalém, a veste de luto e de aflição, e reveste, para sempre, os adornos da glória vinda de Deus!” Que belo convite, que sonho, que felicidade, meus caros! Pensemos na nossa vida, pensemos nas ânsias da Mãe Igreja, e alegremo-nos com o consolo que Deus nos promete! “Cobre-te com o manto da justiça que vem de Deus e põe na cabeça o diadema da glória do Eterno. Deus mostrará teu esplendor, ó Jerusalém, a todos os que estão debaixo do céu!” Vede, caríssimos, o nosso Deus como é: um Deus que promete, um Deus que abre a estrada da esperança, um Deus que consola, um Deus que nos prepara um futuro de bênção, de paz e de vida! Mas, quando será esta paz, de onde virá? Escutai, caríssimos: “Levanta-te, Jerusalém – levanta-te, irmão; levanta-te, irmã! Levanta-te, Mãe católica! – põe-te no alto e olha para o Oriente!” O Oriente, meus caros é o lugar da luz, o lado no qual o sol nasce e o dia começa; o Oriente é o próprio Cristo Jesus! Olhar para o Oriente é esperar o Dia de Cristo, o Dia sem fim, a Luz que não tem ocaso! Quem caminha sem olhar o Oriente, caminha sem saber para onde vai; quem avança noutra direção, não caminha para a luz, mas vai ao encontro das trevas: "desorienta-se"! “Levanta-te, põe-te no alto e olha para o Oriente!” Olha para o Cristo, vai ao seu encontro! Então, tu verás a salvação de Deus; tu experimentarás que o Senhor não é Deus de longe, mas de perto; tu experimentarás o quanto o Senhor é capaz de consolar o que chorava, de acalmar o que estava aflito, de reconduzir o transviado: “Vê teus filhos reunidos pela voz do Santo, desde o poente até o levante, jubilosos por Deus ter-se lembrado deles. Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel sua Igreja santa, seu povo eleito, caminhe com segurança sob a glória de Deus!”
Vede, caríssimos, que é de paz que o Senhor nos fala, é a salvação que nos promete! Se agora lançarmos as sementes da vida entre lágrimas, haveremos de colher com alegria; se agora muitas vezes na tristeza formos espalhando as sementes, um dia, no Dia de Cristo, nosso Oriente bendito, com alegria voltaremos carregados com os frutos em feixes! As promessas do Senhor, meus caros, fazem-nos compreender que nossa vida tem sentido, que tudo quanto nos acontece pode e deve ser vivido à luz de Deus! Uma das grandes misérias do nosso tempo é a solidão humana. Não se trata de uma solidão qualquer, mas de uma sensação mortal de viver a vida diante de ninguém, de caminhar a lugar nenhum, de gastar energia e sonho para produzir vazio... Mas, quando voltamos o rosto para o Oriente, quando nos deixamos banhar por sua luz que, como uma aurora bendita já começa a difundir seus raios, então tudo se enche de paz e de alegria, porque tudo ganha um novo sentido!
Caríssimos no Senhor, pensai na vossa vida concreta, nas vossas semanas e dias feitos de experiências bem reais e miúdas... Pois bem, Deus, em Cristo, visita a nossa vida! No Evangelho de hoje, quando são Lucas narra o aparecimento de João Batista, o precursor do Messias, ele começa mostrando como a palavra do Senhor, como a sua salvação nos atinge e nos encontra bem no concreto de nossa vida, no nosso aqui e no nosso agora. A salvação não é um mito, a vinda do Senhor até nós não é uma estória de trancoso... Escutai como é concreta a sua vinda, como tem uma história e uma geografia: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias, a Abilene; quando Anás e Caifás eram sumo sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.” Vede, irmãos, e compreendei: a Palavra de Deus vem nós num “quando” e num “onde”. O “quando” é hoje, agora, neste período da nossa vida; o “onde” é aí onde você vive: na sua casa, no seu trabalho, nas suas relações, nos seus conflitos! É neste agora e neste aqui, neste “quando” e neste “onde” que Deus vem ao nosso encontro em Cristo Jesus! E o que devemos fazer para acolhê-lo? Como devemos proceder para que não venha na os em vão? Como agir para que a sua luz nos possa iluminar? Escutai ainda o Evangelho: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E toda carne verá a salvação de Deus”. Vê, meu irmão; presta atenção, minha irmã! É de ti que o Senhor fala; é à tua vida que ele se refere: queres ver a luz do Oriente? Queres dirigir-te para o Dia eterno? Queres realmente estar pronto para o Dia de Cristo no Natal, no “todo-dia” e no Último Dia? Então, endireita agora teus caminhos, abaixa as montanhas da soberba e do orgulho, aterá os vales do medo, da covardia e do vão temor, e endireita as tortuosas estradas de teus vícios e de teus pecados! Aí sim, tu e toda carne verão a salvação de Deus: na celebração do Natal vamos vê-la reclinada num pobre presépio, no “todo-dia” vamos experimentá-la de tantos modos e em tantos momentos e, no Último Dia, Dia de Cristo, iremos vê-la face a face como eterna delícia, alegria sem fim e vida imperecível! Vamos, irmãos, caminhemos com fé ao encontro do Senhor! E para que o nosso caminho não seja sem rumo e em vão, endireitemos desde agora as estradas de nossa vida! Levantemo-nos, ponhamo-nos no alto da virtude e vejamos: vem a nós a alegria do nosso Deus! A ele a glória pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa

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Advento é tomada de consciência: Deus é Pai e libertador. Ele convida seus filhos, as comunidades cristãs, a se levantar e perceber que a libertação está próxima (1º leitura). O nascimento de Cristo e sua missão marcam o acontecimento central da história da salvação. O caminho de Jesus é proposta aberta a todos. Mas não nos iludamos: o caminho de Jesus não é o dos poderosos, e a história da salvação não passa pela “história oficial” dos que dominam e oprimem (evangelho).
Celebrar a eucaristia é reviver a presença do Deus que é Pai libertador, que salva em Cristo Jesus. A comunidade cristã que celebra o memorial da morte e ressurreição de Cristo é convidada ao discernimento: só o amor dinâmico que conduz à prática da solidariedade e da justiça é capaz de atualizar a vinda de Jesus (II leitura).
1º leitura (Br. 5,1-9)
Deus é fiel. Por isso vai salvar os que sofrem
Os versículos desta leitura – atribuídos a Baruc – são uma mensagem de esperança endereçada a Jerusalém, despojada de seus filhos. O texto recorda uma fase trágica na história do povo de Deus: o tempo em que os habitantes de Judá e da capital foram levados para o cativeiro na Babilônia. Diante da maior catástrofe nacional, perguntava-se: teria Deus abandonado definitivamente seu povo? Teria repudiado sua esposa, Jerusalém e seus filhos? Será que Javé, o Deus libertador, deixaria seu povo para sempre nas mãos dos opressores?
O oráculo de salvação e consolo que lemos na liturgia de hoje procura responder a essas inquietações. O autor personifica Jerusalém: ela é uma esposa abandonada por Javé, seu marido, que deportou para longe seus filhos. Agora, porém, é convidada a trocar as roupas de luto e revestir-se para sempre com a glória esplendorosa que vem de Deus (5,1). Mudar de roupa é o início da libertação. A cidade é chamada a vestir o manto da justiça que Deus lhe oferece (v. 2a). Justiça, aqui, é a reabilitação do povo exilado, convocado a viver a nova justiça: a que vem não do poder das armas, mas da misericórdia do Deus, que se põe ao lado dos oprimidos. É a típica justiça bíblica, a que restabelece o equilíbrio desfeito pela injustiça. É reabilitando-os e ensinando-os a praticar a justiça que ele “há de mostrar o teu esplendor a toda criatura debaixo do céu” (v. 3).
Deus dá ao povo e à cidade um nome novo, uma nova identidade: “Paz-da-justiça e Glória-da-religião” (v. 4). Qual é o alcance desse nome? Ele revela que, na nova comunidade, as relações humanas serão fundadas na justiça e voltadas para a paz. Dessa forma as pessoas poderão se relacionar de modo perfeito com Deus (religião), e o próprio Deus habitará no meio deles (glória).
seguir, Jerusalém recebe a ordem de se levantar do pó onde está sentada cheia de dor, subir a um lugar elevado e contemplar o alegre retorno de seus filhos, pois Deus se lembrou deles (v. 5). O contraste entre a partida e o retorno é evidente: saíram de Jerusalém a pé, como escravos; agora retornam, conduzidos por Deus, transportados em tronos (v. 6). O cortejo é magnífico e supera de modo extraordinário a saída dos hebreus da escravidão egípcia: lá, tiveram de enfrentar o deserto sem estradas e o calor; agora, o próprio Deus manda rebaixar as altas montanhas e as colinas que se perdem de vista; manda encher os buracos, a fim de que o caminho seja plano (v. 7). Por ordem divina, as florestas e árvores perfumosas vão oferecer abrigo ao povo que retorna (v. 8), pois quem o reconduz é o próprio Deus (v. 9).
Esse texto serviu para animar o povo de Deus em tempos de crise. A lição que aprendemos é esta: a misericórdia de Deus é maior que todas as crises e tragédias humanas. Por ser Pai e esposo, ele não abandona seus filhos, mas os reconduz para as fontes de vida, a fim de que saibam viver a justiça e a paz, criando assim uma sociedade em que já não se repitam os erros que levaram o povo de Deus à ruína quase total.
Evangelho (Lc. 3,1-6)
A salvação é para todos
Os versículos escolhidos para a liturgia deste domingo pertencem a uma unidade maior dentro do Evangelho de Lucas (1,1-4,13). O tema dessa unidade é a pessoa de Jesus (a narrativa da infância) e sua missão.
Para falar da missão de Jesus, o evangelista começa falando da missão de João Batista, o precursor. Este é como uma ponte que une o Antigo e o Novo Testamento.
a. A história da salvação não passa pela “história oficial” (vv. 1-2)
Lucas quis apresentar a nova história que nasce de Jesus e dos seus discípulos. Por isso elaborou sua obra em dois momentos: no evangelho, mostrou o caminho de Jesus e, nos Atos, o caminho da comunidade cristã, impulsionada pelo Espírito de Jesus. O caminho de Jesus termina em Jerusalém, onde ele dá o testemunho definitivo, entregando sua vida. A partir de Jerusalém, a comunidade cristã percorrerá todos os lugares, levando até os confins do mundo a mensagem de salvação. As duas obras – evangelho e Atos – formam a nova história da humanidade, uma história de liberdade e vida.
O texto de hoje mostra como se inicia o caminho de Jesus e como se inicia a nova história por ele trazida. Lucas apresenta a atividade libertadora de Jesus como caminho alternativo que não passa pela “história oficial”, pois esta é marcada pela ambição e exploração que geram a morte. O caminho de Jesus é diferente: em vez de tirar a vida das pessoas, entrega a própria, a fim de que todos possam viver.
O evangelista mostra como era a sociedade daquele tempo. Há um imperador – Tibério – que domina o mundo inteiro (14-37 d.C.). Há um procurador – Pôncio Pilatos (25-35 d.C.) – que governa a Judeia. Pilatos é romano e está a serviço do poder central. Herodes Antipas administra a Galileia (4 a.C. - 39 d.C.), lugar da pregação de Jesus. É filho de Herodes o Grande, que, sentindo-se ameaçado de perder o poder, mandou matar as crianças de Belém (cf. Mt. 2,13-18). Filipe, irmão de Herodes Antipas, administra a Itureia e a Traconítide. Lisânias administra Abilene. Essa é a “história oficial”, feita de opressões, abuso do poder e morte.
A seguir, Lucas apresenta as lideranças religiosas judaicas: Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Anás foi sumo sacerdote de 6 a 15, e Caifás de 17 a 37 da nossa era. Segundo o historiador Flávio Josefo, depois de perder o sumo sacerdócio, Anás continuou a ser, por muitos anos, o homem forte da aristocracia sacerdotal e do Sinédrio.
Direta ou indiretamente, Jesus vai se confrontar com essas personagens nos dias da paixão. Ele se defronta com o sumo sacerdote (22,54), com o Sinédrio (22,66ss), com Pilatos (23,2ss.13ss) e com Herodes (23,8ss). Daí tiramos a seguinte conclusão: o caminho de Jesus não passa pela “história oficial”, pois esta é marcada pela ambição, por jogo de interesses e pela morte. O caminho de Jesus não é como o caminho dos grandes. Sua missão também não.
b. O caminho de Jesus (vv. 3 - 4)
O caminho de Jesus é diferente. Inicia-se com João, filho de Zacarias, no deserto. A menção do deserto é importante para entendermos o caminho de Jesus. O deserto evoca o êxodo, a saída do Egito rumo à nova terra, à forma diferente de viver. A “história oficial” repete a opressão do faraó. E Jesus é o novo e definitivo líder que conduz, por caminho diferente, à posse da vida.
João prega um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Convida a iniciar nova história. O batismo era o sinal que marcava o novo início. Faz-se necessário voltar atrás, aceitar a novidade que está para chegar, a fim de ter vida e liberdade.
c. “Preparem o caminho do Senhor” (v. 5)
Lucas quis apresentar João Batista na qualidade de profeta que prepara o caminho de Jesus. Isso se torna claro se levarmos em conta o modo pelo qual eram apresentados os profetas do Antigo Testamento (cf. Jr. 1,1ss; Os. 1,1; Jl. 1,1): situados no tempo, mostrando quem governava o país quando foram chamados por Deus. A missão de João é situada no tempo e no espaço, e sua pregação se assenta sobre a do Segundo Isaías (Is. 40-55), do qual ele cita as palavras: “Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as passagens tortuosas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados” (vv. 4b-5). Esse trecho, síntese da pregação do Precursor, retoma a pregação do Segundo Isaías (Is. 40,3 - 5), profeta que anunciava o fim do exílio e o início de vida nova para o povo sofrido. Assim entendemos a finalidade da missão de João: proclamar o fim da “história oficial” e o início da história que Jesus vai construir com os pobres e a partir deles.
d. A salvação é oferta gratuita para todos (v. 6)
Diferentemente dos demais evangelistas, Lucas prolonga a citação de Isaías, acrescentando, como parte da pregação de João, esta frase: “E todo homem verá a salvação de Deus” (v. 6; cf. Is 40,5). Com isso quis mostrar que o caminho de Jesus é proposta aberta a todos, também aos que pertencem à “história oficial”, desde que se convertam e endireitem o próprio caminho para serem salvos.
2º leitura (Fl. 1,4-6.8-11)
Amor e discernimento preparam a vinda de Cristo
Os Atos dos Apóstolos (16,11-40) mostram como foi a fundação da comunidade de Filipos. Ela nasceu na casa de uma senhora de nome Lídia e em torno da família do carcereiro do qual Paulo salvou a vida. Filipos foi a primeira cidade da Europa a receber o anúncio do evangelho. A comunidade cristã nascida nessa cidade se caracterizou por estabelecer relacionamento estreito e solidário com a missão de Paulo, que tinha como norma não receber bens em troca de pregação. Mas com os filipenses foi diferente.
A comunidade ficou sabendo da prisão de Paulo (provavelmente em Éfeso, entre os anos 56 e 57) e lhe mandou uma ajuda, manifestando assim a solidariedade com o apóstolo e, sobretudo, com a causa do evangelho.
A carta aos Filipenses é uma coleção de três bilhetes que Paulo escreveu a essa comunidade em breve espaço de tempo. Cada um desses bilhetes tem preocupação própria. O texto de hoje pertence à segunda comunicação escrita entre Paulo e a comunidade. Nele, o apóstolo reza e faz um pedido.
A oração de Paulo é marcada pela alegria proveniente da participação da comunidade na difusão do evangelho desde o primeiro dia até o presente momento, quando ele está na cadeia (vv. 4-5) O apóstolo não reza por si nem põe suas preocupações em primeiro lugar. Sua oração é ação de graças a Deus pela perseverança da comunidade e pela solidariedade que a caracteriza. Ele tem uma convicção: quem está agindo nas pessoas é o próprio Deus, capaz de levar sua obra à perfeição até o Dia de Cristo Jesus (v. 6). Paulo crê que o evangelho é uma força extraordinária capaz de criar o mundo novo, levando a comunidade a se comprometer em profundidade com o projeto de Deus. Sua oração é movida pelo amor que sente pela comunidade como um todo: amor que traduz a ternura do próprio Cristo (v. 8).
A seguir, vem o pedido: “O que eu peço a Deus é isto: que o amor de vocês cresça sempre mais em todo conhecimento e clareza” (v. 9). Para crescer o amor requer discernimento. O caminho da comunidade de Filipos já está em sintonia com o evangelho (note-se que Paulo não possui um evangelho escrito para mostrá-lo à comunidade; o evangelho se manifesta numa vivência concreta, traduzida no amor e na solidariedade dentro e fora da comunidade); contudo, o projeto de Deus é algo que está à frente, como ideal e desafio. Como, pois, atingir esse ideal? Mediante o discernimento que leva a escolher, no amor, o que é melhor para todos (v. 10).
O amor gera a santidade. Esta, por sua vez, traduz-se na prática daquela justiça que caracterizou a vida de Cristo. Assim Deus habitará na comunidade: “Assim vocês estarão cheios da justiça que nos vem de Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (v. 11)


Paulus

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Preparando os caminhos do Senhor
A estrada do Advento que nos leva ao Natal vai sendo rasgada pelos corações dos pobres, dos que constituem o resto fiel de Javé.
Baruc fala de uma grande alegria.  O profeta não encontra palavras adequadas para descrever o que está para acontecer depois da catástrofe. Jerusalém é convidada a deixar a veste luto, veste de saco, veste esfarrapada.  O povo que passou pela purificação deverá agora revestir-se de trajes de glória e colocar na cabeça um diadema de ouro.  Quanta diferença! O povo havia saído escorraçado.  O profeta pede que Jerusalém levante a cabeça e aprecie o espetáculo que faz a mão do Senhor:  “Saíram de ti, caminhando a pé,  levados pelos inimigos. Deus os devolve a ti, conduzidos com honras, como príncipes reais. Deis ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas externas e se enchessem  os vales para aplainar a terra para que  Israel  caminhe com segurança  sob a glória de Deus”.  Que vereda santa é esta?  A trilha da conversão e da bondade.
Volta, volta jubilosa dos cativos a Israel!
“Quando o Senhor reconduziu  nossos cativos, parecíamos sonhar, encheu-se de sorriso nossa boca, nossos lábios de canções” (Salmo 135).
O trecho de Paulo aos Filipenses proclamado na liturgia deste domingo é cheio de ternura e de alegria.  Desde os primeiros dias os cristãos de Filipos estiveram unidos a  Paulo na pregação do Evangelho.  Paulo tem a todos em suas orações.  Ele faz uma declaração consoladora: “Aquele que começou uma obra  boa em vós há de leva-la até à perfeição até o dia de Cristo Jesus”.  Advento, tempo de reflexão, para contemplarmos a ação de Deus em nós e na Igreja, levando-nos à perfeição.
Tempo de advento, tempo de espera do Senhor, tempo em que deixamos nosso coração se voltar para o primeiro amor, em que temos saudade do tempo em que tínhamos grande e forte desejo de santidade e andávamos empenhamos  nesse sentido.  O dia de Cristo Jesus, no quadro da liturgia, é o de sua vinda entre nós no mistério do Natal.
Paulo escolhe as mais belas expressões para falar de seu amor pelos filipenses: “Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus”.
Lucas se compraz em descrever o dia em que todos verão a salvação de Deus.  Era o décimo quinto ano do império de Tibério  César, Pilatos era governador  na Judéia,  Herodes administrava a Galileia.. nesse tempo a palavra foi dirigida a João que morava no deserto, o esguio filho de Zacarias… Ele fora convocado a percorrer os caminhos dos homens pedindo-lhes conversão e assim  enchia os vales e abaixava as colinas para que houvesse uma estrada santa para Deus ser recebido no coração dos homens.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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Preparação para a vinda do Senhor
Somos chamados a crescer até estarmos na altura de receber Deus; mas, nesse crescimento, a força que nos anima é o próprio fato de Deus se voltar para nós. O que faz um aluno crescer é a atenção que o professor lhe dedica. O que faz uma criança andar é a mão estendida de sua mãe. Por isso, nosso crescimento para a perfeição se alimenta da contemplação do Deus que vem até nós. Na liturgia de hoje, esta perspectiva é considerada, por assim dizer, a médio prazo (no próximo domingo será a curto prazo). Lc. situa no decurso da história humana o despontar do Reino de Deus, na atividade do Precursor, João Batista (evangelho). Ainda não se enxerga o “Sol da Justiça”, mas seus raios já abrasam o horizonte. A perspectiva é ainda distante, mas segura: “Toda a humanidade enxergará a salvação que vem de Deus” (Lc. 3,6; cf. 1ª leitura). Para isso, João Batista prega um batismo que significa conversão, lembrando a renovação pelas águas do dilúvio, do Mar Vermelho, do Jordão atravessado por Josué.
João Batista usa a imagem do aplanar o terreno, abrir uma estrada para que o Reino de Deus possa chegar sem obstáculos. É a imagem com a qual o Segundo Isaías anunciou a volta dos exilados, liderados por Deus mesmo (Is. 40,3-4; 42,16-17 etc.) e que, mais tarde, o livro de Baruc utilizou para incentivar a “conversão permanente” do povo à confiança em Deus (Br. 5,7; 1ª leitura). Deus realiza sua obra, convoca seus filhos de todos os lados (Br. 3,4), deixa sua luz brilhar sobre o mundo inteiro (3,3). A volta do Exílio foi prova disso (cf. salmo responsorial). Mas agora, anuncia João, vem a plenitude. Agora é preciso “aplanar” radicalmente o caminho no coração da gente.
A oração do dia fala no mesmo sentido: tirar de nosso coração todas as preocupações que possam impedir Deus de chegar até nós. Alguém pode entender isso num sentido individual. Mas não só isso. Vale também para a sociedade. Devemos tirar os obstáculos do homem e das estruturas que o condicionam. Renovação interior de cada um e renovação de nossa sociedade são as condições que a chegada do Reino, a médio prazo, nos impõe.
Portanto, o Reino não age sem nós. Não somos nós que o fazemos, mas oferecemo-lhe condições de se implantar, como um governo oferece condições a indústrias de fora para se implantar. Só que, no caso do Reino, podemos contar com os lucros do investimento … Estes lucros são “o fruto da justiça” de que Paulo fala (Fl. 1,11; 2ª leitura). O Reino de Deus não vem somente pedir contas de nós; leva-nos a produzir, para nosso bem, o que Deus ama (pois ele nos ama).
O Reino já começou sua produção entre nós, desde a primeira vinda de Jesus. Porém, fica ainda para se completar. O que João pregou naquela oportunidade continua válido enquanto a obra não for completada. Somente, estamos numa situação melhor do que os ouvintes de João. Nós já podemos contemplar os frutos da justiça brotados de um verdadeiro cristianismo. Seja isso mais uma razão para dar ouvido à sua mensagem. Na medida em que transformarmos nossa existência histórica em fruto do Reino, entenderemos melhor a perspectiva que transcende nossa história, a plenitude cuja esperança celebramos em cada Advento (oração final).
Johan Konings "Liturgia dominical"


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O Precursor
O Evangelho nos mostra o contexto da época em que Jesus viveu entre nós, dominada pelo império romano, e cuja vida religiosa era dominada pelo sumo sacerdote Caifás; e a preparação para o ministério de João.
João tem a vocação de profeta desde o seu nascimento, e é o último deles, servindo-se de ponte para a vinda do Messias. Com João Batista, Deus vai visitar seu povo.
Ele prepara o caminho para a Verdade, vive e age no deserto, o que lembra o primeiro êxodo e como foi preparado o caminho para o povo de Israel na sua saída do Egito; ele é o precursor, aquele que prepara o povo e o caminho para a vinda de Jesus. O caminho não é material, mas convoca à preparação do coração para acolher o Messias que vai chegar e iniciar a Sua obra. Essa preparação é percebida pela natureza da salvação oferecida pelo Messias que é a reconciliação com Deus em Jesus Cristo, e que exige conversão.
João pregava, com voz severa, a conversão que quer dizer purificação do pecado, e também o batismo que era um ritual que demonstrava a disponibilidade para uma nova vida.
Ele realizou em si as palavras do profeta Isaías: ‘alguém está gritando no deserto pedindo para endireitar os caminhos tortos do coração e da mente, amansar o capricho e fugir do orgulho, vencer as barreiras do egoísmo e destruir as dificuldades nos relacionamentos, enfim, buscar um caminho reto para chegar a Deus.’
O homem que quiser seguir a Jesus é chamado a esvaziar-se de si mesmo, e esse chamado é para todas as pessoas, pois todas são consideradas pecadoras, e Jesus declara que veio para os pecadores. Todos são chamados a crescer até estar ‘à altura’ de receber Deus, alimentados pela contemplação do próprio Deus que vem como homem para estar com a humanidade.
 Pequeninos do Senhor

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O meu mensageiro
A vinda de Jesus foi devidamente preparada pela pregação e pelo testemunho de João Batista. O batismo de conversão para o perdão dos pecados, anunciado pelo Precursor, predispunha o coração das pessoas para a proposta do Reino que Jesus iria anunciar. A figura os costumes austeros do Batista constituíam um questionamento contínuo para quem buscava algo melhor e se dispunha a acolher o Messias que estava para vir.
O Precursor tinha consciência de ser um simples mensageiro de quem era mais forte do que ele e cuja grandeza tornava-o indigno até mesmo de desatar-lhe as sandálias. Tinha consciência da provisoriedade de sua missão. O batismo com água, que ele ministrava, seria substituído pelo batismo com o Espírito Santo, que seria conferido pelo Messias vindouro. Sua pessoa, pois, estava fadada a cair no esquecimento.
Contudo, o Batista não se sentia diminuído no exercício da missão que lhe fora confiada. Preparar os caminhos do Senhor era sua tarefa. Aplicava-se a ele, perfeitamente, o texto em que o profeta se referira ao mensageiro enviado por Deus para preparar o caminho do povo, de volta do exílio babilônico. Tratava-se, agora, de preparar o povo para entrar no Reino que seria instaurado por Jesus. O desempenho do Batista foi exemplar. Jesus podia caminhar seguro, nos caminhos preparados por ele.
Oração
Senhor Jesus, a exemplo de João Batista, faze-me teu mensageiro, que prepare tua chegada no coração de quem precisa de ti.
padre Jaldemir Vitório

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O evangelho deste domingo começa nomeando os líderes políticos e religiosos daquele tempo, em uma data bem definida – o 15º. Ano do imperador Tibério: o poder central, com o imperador Tibério e o seu prefeito Pôncio Pilatos; o poder local, com Herodes, Filipe e Lisânias; o poder religioso, com os sumos sacerdotes Anás e Caifás. Estes personagens pertencem à história, e com eles podemos fazer a cronologia de Jesus, de forma aproximada. O 15º. ano do imperador Tibério César coincide com o ano 27/28 de nossa era. Lucas afirma que Jesus começou sua pregação com cerca de 30 anos. Herodes administrou a Galiléia até 39 d.C. Caifás ficou sumo sacerdote entre 18-36 d.C. Pôncio Pilatos foi procurador romano entre 14 e 37 d.C.
Portanto, o evangelho nos evidencia que Jesus viveu em um contexto bem determinado, ou seja, Ele é parte de nossa história, ainda que muitos queiram reduzir a uma fábula. Situar a pregação de João (e depois a de Jesus) entre os grandes poderosos da época ainda tem outro significado: o profeta do deserto é mais importante do que os poderosos; mais importante do que todos eles é o Cristo, aquele que veio nos trazer a salvação. O que aconteceu com Tibério, Herodes, Pilatos, Caifás, Anás? Morreram todos eles e os seus reinos. Por outro lado, a mensagem suave de Jesus de Nazaré, sua pessoa, sua vida, a salvação por ele oferecida continua.
Neste quadro histórico se encontra João Batista. Trata-se de um profeta que surge depois de 300 anos sem profetismo em Israel. Ele rompe o silêncio para preparar o maior acontecimento da história. Asceta do deserto, ele prega um caminho de conversão. Seu estilo nos lembra personagens históricos como Antônio Conselheiro: de barbas longas e roupas pobres, que prega a conversão com severidade. Certamente, Jesus foi mais suave, mas não menos radical.
A voz de João Batista é a grande mensagem deste 2º. domingo do advento: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale será aterrado, os montes e as colinas serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados!” (Lc. 3,4-5). É como arrumar um armário. Por vezes, é preciso tirar toda a bagunça, para depois colocar tudo em seu lugar. Se alguma coisa está desarrumada na nossa vida, quando chega a um nível crítico, agente resolve colocar no lugar. João resgata a palavra de Isaías, um convite para se aplainar o caminho, para se nivelar as montanhas. O que está precisando ser arrumado na sua vida? O que precisa ser convertido? Será que existe um armário tão desarrumado, do qual caem todas as coisas? Se existe, que tal dar uma arrumada no armário? Que tal dar uma aparada nos montes da vida? O advento é uma oportunidade preciosa que não podemos desperdiçar.
O advento nos convida para um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Deixar as cadeias que nos prendem e voltar para a bondade de Deus que nos ama, na alegria da certeza de que Deus se lembra de nós, de que não se esquece, como nos diz o profeta Baruc.
Na segunda leitura, depois de saudar a comunidade e render graças por tudo o que Deus fez em Filipos, Paulo faz uma prece: “que o vosso amor cresça sempre mais, em todo conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor” (Fl. 1,9-10). Para crescer é preciso saber discernir, ou seja, olhar para a vida com sabedoria, para fazer as melhores escolhas. Note-se que a exortação não é para discernir entre o bem e o mal, mas para escolher o que é tem mais valor (diria outra tradução). A melhor escolha certamente é amor. Para que haja conversão neste advento, o amor deve ser o critério. O que é melhor para a nossa vida? É preciso responder com sinceridade, sem mascarar a verdade. E onde não há amor? Lá certamente poderá haver o que realmente prepara os caminhos para se receber o Salvador. Preparai o caminho do Senhor!
padre Roberto Nentwig

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Podemos situar o tema deste domingo à volta da missão profética. Ela é um apelo à conversão, à renovação, no sentido de eliminar todos os obstáculos que impedem a chegada do Senhor ao nosso mundo e ao coração dos homens. Esta missão é uma exigência que é feita a todos os batizados, chamados – neste tempo em especial – a dar testemunho da salvação/libertação que Jesus Cristo veio trazer.
O Evangelho apresenta-nos o profeta João Batista, que convida os homens a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da vida. Para que Jesus possa caminhar ao encontro de cada homem e apresentar-lhe uma proposta de salvação, é necessário que os corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.
A primeira leitura sugere que este “caminho” de conversão é um verdadeiro êxodo da terra da escravidão para a terra da felicidade e da liberdade. Durante o percurso, somos convidados a despir-nos de todas as cadeias que nos impedem de acolher a proposta libertadora que Deus nos faz. A leitura convida-nos, ainda, a viver este tempo numa serena alegria, confiantes no Deus que não desiste de nos apresentar uma proposta de salvação, apesar dos nossos erros e dificuldades.
A segunda leitura chama a atenção para o fato de a comunidade se dever preocupar com o anúncio profético e dever manifestar, em concreto, a sua solidariedade para com todos aqueles que fazem sua a causa do Evangelho. Sugere, também, que a comunidade deve dar um verdadeiro testemunho de caridade, banindo as divisões e os conflitos: só assim ela dará testemunho do Senhor que vem.
1ª leitura: Bar. 5,1-9 - Ambiente
O “livro de Baruc” é um texto de autor desconhecido, embora se apresente como tendo sido redigido por Baruc, “secretário” de Jeremias, durante o exílio na Babilônia (cf. Bar. 1,1-2). No entanto, a crítica interna revela (pelos dados pessoais que não quadram com aquilo que conhecemos de Jeremias, bem como pelo desenvolvimento de ideias e de perspectivas que são claramente posteriores à época do exílio) que é impossível atribuir esta obra ao “secretário” de Jeremias. O mais provável é que seja um texto escrito durante o séc. II a.C. na diáspora judaica. O autor convida os habitantes de Jerusalém a celebrar uma liturgia penitencial e exorta-os à reconciliação com Jahwéh.
O texto que nos é proposto está inserido na 4ª parte do livro, integrado numa exortação e consolação a Jerusalém - muito ao estilo do Deutero-Isaías. Depois de convidar à confissão dos pecados (cf. Bar. 1,15-3,8), o autor manifesta a certeza de que Israel, iluminado pela luz da sabedoria, voltará ao “temor de Deus” (cf. Bar. 3,9-4,4). Seguir-se-á o perdão; por isso, o profeta convida Jerusalém a ter coragem (cf. Bar. 4,5-37) e a alegrar-se com a atitude misericordiosa de Jahwéh, em favor do seu Povo pecador (cf. Bar. 5,1-9).
Mensagem
O profeta começa por comparar Jerusalém infiel a uma mulher de luto, desanimada e aflita, sem razões para ter esperança. No entanto, a mensagem fundamental deste texto é: “esse tempo de luto terminou; Deus perdoou-te todas as tuas faltas e quer devolver-te a vida e a esperança”. Para dar corpo a essa promessa de um futuro novo, o autor fala do regresso dos “filhos” exilados, utilizando a linguagem do Deutero-Isaías e apresentando esse regresso como um novo êxodo da terra da escravidão (do pecado?) para a Jerusalém nova da justiça e da piedade. Tal ação resulta - apenas - do amor de Deus, sempre disposto a perdoar o afastamento dos filhos rebeldes e a reatar com eles uma história de libertação e de salvação.
Atualização
O Advento é um tempo favorável para o êxodo da terra da escravidão para a terra da liberdade. Neste tempo somos especialmente confrontados com as cadeias que ainda nos prendem e convidados a percorrer esse caminho de regresso que a bondade e a ternura de Deus vão aplanar, a fim de que possamos regressar à cidade nova da alegria e da liberdade. Em termos pessoais, quais são as escravidões que ainda nos prendem e nos impedem de acolher o Senhor que vem?
As nossas comunidades são, verdadeiramente, oásis de justiça, de fraternidade, de comunhão, de partilha e de serviço? Que falta fazer, a nível comunitário, para acolher o dom de Deus e tornar realidade essa cidade da justiça e da piedade?
“Vê os teus filhos… estão cheios de alegria porque Deus se lembrou deles” (Bar 5,5). É nesta atmosfera de alegria e de confiança serena na ação salvadora do nosso Deus que somos convidados a viver este tempo de mudança e a preparar a vinda do Senhor às nossas vidas.
2ª leitura: Fl. 1,4-6.8-11 - Ambiente
A carta aos Filipenses é, talvez, a mais afetuosa das cartas de Paulo. É dirigida a uma comunidade a que Paulo se afeiçoou, que ama Paulo, que o ajuda e que se preocupa com ele.
No momento em que escreve, Paulo está na prisão (em Éfeso?). Dos Filipenses, recebeu dinheiro e o envio de Epafrodito, um membro da comunidade, encarregado de ajudar Paulo em tudo o que fosse necessário. Enviando de volta Epafrodito, Paulo agradece, dá notícias, informa a comunidade sobre a sua própria sorte e exorta os Filipenses à fidelidade ao Evangelho.
O texto da segunda leitura faz parte da “ação de graças” com que Paulo inicia a carta: ele agradece a Deus a fidelidade dos Filipenses e o seu empenho na difusão do Evangelho.
Mensagem
Paulo começa por manifestar a sua comoção pelo empenho dos Filipenses na difusão do Evangelho e na ajuda àqueles que se empenham no anúncio da Boa Nova (e de forma especial ao próprio Paulo, prisioneiro por causa do seu testemunho). Paulo sente uma grande ternura por esta comunidade atenta às necessidades dos evangelizadores, solidária com todos os que dão a sua vida à causa do Evangelho.
Depois, Paulo pede a Deus que aumente a caridade dos Filipenses (apesar de ser uma comunidade modelo, nem tudo era perfeito a este nível: Paulo tem que pedir a duas senhoras para fazerem as pazes e não dividirem a comunidade - cf. Flp. 4,2-3). A vivência da caridade é fundamental para que os Filipenses possam aguardar, puros e irrepreensíveis, o dia da vinda de Cristo.
Atualização
A essência da Igreja de Jesus é ser missionária. “Ide e anunciai” - diz Jesus. Para que Jesus venha, para que a sua proposta de salvação chegue a todos os povos da terra, é necessário este compromisso contínuo com a evangelização. As nossas comunidades sentem este imperativo missionário? Sentem a necessidade de fazer Jesus nascer para todos os povos? Estão atentas às necessidades e são solidárias com aqueles que dão a sua vida à causa do anúncio de Jesus? É com ternura e carinho que acolhemos os catequistas das crianças, dos jovens, dos adultos da nossa comunidade?
Só é possível acolher, com um coração puro e irrepreensível, o Senhor que vem se a caridade for, entre nós, uma realidade viva. Mas, frequentemente, a vida das nossas comunidades cristãs é marcada pelas divisões, pelas murmurações, pelas lutas pelo poder, pelas tentativas de manipular, pelos interesses mesquinhos e egoístas, pelas guerras de sacristia… Será possível “esperar com coração puro e irrepreensível o Senhor que vem” num contexto de divisão? Será possível à comunidade ser o espaço onde Jesus nasce, se não se aceitam todas as pessoas e em especial os pequenos e os pobres?
É possível que a nossa comunidade não seja, ainda, um modelo de perfeição: somos um grupo de irmãos com os nossos limites e defeitos… Sem desânimo, devemos ter presente que somos uma comunidade “a caminho”, em processo de construção. O que é importante é que saibamos acolher o Senhor que vem e deixar que Ele nos conduza à plenitude da vida e do amor.
Evangelho: Lc. 3,1-6 - Ambiente
O texto de hoje segue-se imediatamente ao “evangelho da infância”, na versão lucana. Aqui começa, oficialmente, o Evangelho – isto é, o anúncio da Boa Nova de Jesus. Antes de começar a descrever a ação libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens, Lucas vai apresentar João Batista, o profeta que veio preparar a chegada do Messias de Deus.
Mensagem
Lucas, como compete a alguém que “tudo investigou cuidadosamente desde a origem” (Lc. 1,3), começa por situar o quadro de João Baptista num determinado enquadramento histórico. Nomeia 7 personagens (desde o imperador Tibério César, até ao sumo sacerdote Caifás), num esforço de situar no tempo os acontecimentos da salvação (estaremos aí pelos anos 27/28). Ele sugere, assim, que esta aventura do Deus que vem ao encontro dos homens para lhes apresentar um projeto de salvação e de felicidade não é uma lenda, perdida nas brumas do tempo e da memória dos homens… Mas é uma história concreta, com acontecimentos concretos, que podem ser ligados a um determinado momento histórico e a uma terra concreta.
Num segundo momento, Lucas apresenta a figura de João Baptista. Ele é “uma voz que grita no deserto” e que convida a preparar os caminhos do coração para que Jesus, o Messias de Deus, possa ir ao encontro de cada homem. Lucas começa por sugerir que a missão profética de João lhe é confiada por Deus: o chamamento de João é apresentado com as mesmas palavras do chamamento de Jeremias (cf. Jr. 1,1, no texto grego), para marcar o caráter profético do seu anúncio. Depois, Lucas situa num espaço geográfico a atividade profética de João: ele prega em “toda a zona do rio Jordão” (Mateus e Marcos, situam-no no deserto)… Trata-se de uma região bastante povoada, sobretudo depois das construções de Herodes e de Arquelau: o anúncio profético de João destina-se aos homens, que são convidados a acolher o Messias que está para fazer a sua aparição no mundo. Finalmente, concretiza-se o âmbito da missão: João “proclama um batismo de conversão (“baptisma metanoias”), para a remissão dos pecados”… A palavra “metanoias” sugere uma revolução total da mentalidade que leva a uma transformação total da forma de pensar e de agir… Para acolher o Messias que está para chegar, é necessário um processo de conversão que leve a um re-equacionar a vida, as prioridades, os valores; só nos corações verdadeiramente transformados, o Messias encontrará lugar.
O Evangelho de hoje conclui-se com uma citação tomada do Deutero-Isaías (cf. Is. 40,3-5), onde serve para anunciar aos exilados na Babilônia a libertação e o regresso a casa, num novo e triunfal êxodo. Lucas sugere, desta forma, que está para chegar a libertação: é necessário, no entanto, que os destinatários do projeto libertador de Deus aceitem percorrer esse caminho, se deixem transformar e acolham “a salvação de Deus”.
Atualização
João é o profeta, cujo anúncio prepara o coração dos homens para acolher o Messias. A dimensão profética está sempre presente na comunidade dos batizados. A todos nós, constituídos profetas pelo batismo, Deus chama a dar testemunho de que o Senhor vem e a preparar os caminhos por meio dos quais Jesus há-de chegar ao coração do mundo e dos homens.
Preparar o caminho do Senhor é convidar a uma conversão urgente, que elimine o egoísmo, que destrua os esquemas de injustiça e de opressão, que derrote as cadeias que mantêm os homens prisioneiros do pecado… Preparar o caminho do Senhor é um re-orientar a vida para Deus, de forma a que Deus e os seus valores passem a ocupar o primeiro lugar no nosso coração e nas nossas prioridades de vida.
Esse processo de conversão é um verdadeiro êxodo, que nos transportará da terra da opressão para a terra nova da liberdade, da graça e da paz. Só quem aceita percorrer esse “caminho” experimentará a “salvação de Deus”.
A preocupação de Lucas em situar concretamente, no espaço e no tempo, os acontecimentos da salvação chama a atenção aos profetas que anunciam a “vinda do Senhor”, no sentido de encarnar o seu anúncio no contexto cultural e político onde estão inseridos, a ir ao encontro do homem concreto, com a sua linguagem, os seus problemas concretos, as suas ânsias, os seus dramas, sonhos e esperanças. A linguagem com que o profeta anuncia a salvação não pode ser uma linguagem desencarnada, mas tem se ser uma linguagem viva, questionante, interpelativa.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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