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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

4º DOMINGO ADVENTO-C


4º DOMINGO ADVENTO



1ª Leitura - Mq 5,1-4a

Salmo - Sl 79 2ac.3b.15-16.18-19

2ª Leitura - Hb 10,5-10

Evangelho - Lc 1,39-45


Seu jeito de ser precisa ser copiado pelas garotas de hoje!
20 de Dezembro de 2015- Ano C


Maria é santa porque o seu fruto é santíssimo. Maria é pura, porque carregou no seu corpo a pura pureza! Maria é bendita porque trouxe o bendito fruto para salvar a humanidade...Continua
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COM MARIA, APRENDEMOS QUE A HUMILDADE NOS APROXIMA DA PERFEIÇÃO! – Olívia Coutinho

4º DOMINGO DO ADVENTO

Dia 20 de Dezembro de 2015

Evangelho de Lc1,39-45

O tempo se estreita e o nosso coração se alarga para acolher Jesus, que já está no meio de nós, mas que às vezes, não o acolhemos como devíamos, não reservamos espaço para Ele na nossa vida!
O Natal é de Jesus, mas a festa é de todos, é a festa da vida, que será tanto maior quanto melhor para quem se preparou ao longo destes dias, se espelhando em Maria, que tão bem preparou para que o Natal de Jesus acontecesse na vida de Todos!

É importante conscientizarmos, de que mais do que uma festa, em que se partilha presentes, o Natal, é a presença  de Jesus em nós! Sem a presença Dele, na nossa vida, não há Natal!
Em todos os anos, o Natal em si, é sempre o mesmo,  novo, diferente, deve ser as nossas atitudes, o nosso olhar para a face Jesus, estampada nos rostos desfigurados de tantos irmãos esquecidos às margens do caminho!
O evangelho de hoje nos apresenta Maria como modelo de vida cristã, um modelo a ser seguido por todos nós! Nossa vida, se pautada no exemplo desta grande mulher, com certeza será uma vida fecunda!
Maria nos ensina, com o seu exemplo, como aproveitar bem estes últimos dias que antecedem a grande festa do amor, como transformar o nosso coração em manjedoura para acolher Jesus que escolheu o coração humano para fazer sua morada!
Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele! Assim que recebeu o anuncio do Anjo, de que ela seria a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo também da gravidez de sua prima Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela se pôs à caminho, indo ao seu auxílio!
Com este gesto abnegado, Maria nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos ensinando, que o amor, é muito mais do que sentimento, muito mais do que palavras, o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades, para poder ajuda-lo.
Subindo montanhas, carregando Jesus no seu ventre, Maria torna-se a primeira pessoa a levar Jesus ao outro, ou seja, a primeira discípula de Jesus!
O texto narra dois encontros marcantes, o encontro de duas mães; Maria e Isabel, uma se alegrando com a alegria da outra e juntas agradecendo a Deus pelo dom da fecundidade, mostrando-nos que o poder de Deus é infinito!
Neste encontro de mães, acontece também o encontro de duas crianças que estavam sendo gestadas no ventre destas duas mulheres distintas, um encontro invisível, mas, intenso!
No ventre da jovenzinha de Nazaré, crescia Jesus, àquele que viria nos libertar das correntes do mal. E no ventre antes estéril de Isabel, crescia João Batista, aquele que seria o precursor, que iria preparar o caminho para a entrada de Jesus na historia da salvação!
Ao entregar-se totalmente à serviço de Deus, Maria participou da historia da redenção, tornando nossa corredentora! Para que o plano de Deus, se concretizasse, ela não hesitou em enfrentar os inúmeros desafios, desde a concepção de Jesus até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, Maria, manteve-se de pé aos pés da cruz.
O papel  desempenhado por Maria na encarnação, na morte e na Ressurreição de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, que ama, que não se deixa abater pelo sofrimento, porque confia no poder grandioso de Pai!Ela  é a voz que grita na defesa dos pobres, de todos aqueles que necessitam de força e de coragem para lutar e vencer os “poderosos!”
Com Maria, aprendemos um jeito simples de sermos  felizes, que é amar! Como ela, podemos também, louvar a Deus, dizendo: “A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador”.
Que nossos corações estejam sempre iluminados com a luz da bondade que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores.

DESEJO A TODOS UM FELIZ E SANTO NATAL!


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olivia Coutinho
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Estamos no último domingo do Advento e a Palavra de Deus, na ânsia de bem nos preparar para o santo Natal, apresenta-nos o Mistério de modo estupendo. E quando o Mistério é grande, antes, infinito, como é difícil falar dele!
Comecemos nossa meditação com a Epístola aos Hebreus, que de modo impressionante nos desvela os sentimentos do Filho eterno do Pai no momento da sua Encarnação: Pai, “Tu não quiseste vítima nem oferenda”, aquelas do Templo, aquelas vítimas simplesmente rituais, “mas formaste-me um corpo”, tu me fizeste humano, deste-me uma natureza humana! Não foram do teu agrado os sacrifícios de animais irracionais, os ritos meramente formais, “por isso eu disse: ‘Eis que eu venho! Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade’”. Eis o primeiro aspecto que nos é dado hoje meditar! O Filho eterno, igual ao Pai, Deus igual a Deus, luz gerada pela luz, por puro amor, por pura obediência ao Pai que tanto nos amou, dignou-se fazer-se homem! Sem deixar de ser Deus verdadeiro, ele realmente se tornou homem verdadeiro, em tudo igual a nós, menos no pecado. Mas, como pode? Como é possível? Aquele que é a luz, assumiu a escuridão humilde do seio materno; Aquele que abarca o universo, foi abarcado pelo útero de uma Virgem; Aquele que é a Palavra eterna do Pai, passou nove meses no silêncio da gestação! Como pode ser? Num mundo que se contenta com mentirinhas, com fábulas, mitos e lendas, eis uma realidade que nos deixa maravilhados! E tudo isso por nós, para nossa salvação, para nos elevar! Ele veio viver em tudo nossa aventura humana, em tudo, nossas angústias, em tudo, nossas procuras, em tudo, nosso sonho de ser felizes! “É graças a esta vontade que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas!”. O Filho eterno, fazendo-se um de nós, assumindo nosso corpo, isto é, nossa humanidade, nossa história, nossas limitações, foi homem perfeito, perfeitamente dedicado ao Pai, perfeitamente obediente, perfeitamente abandonado nas mãos do Pai, e, assim, nos salvou, mereceu-nos o perdão para a humanidade que Adão havia estragado!
Ó Cristo Deus, ó Cristo homem! Bendito sejas, porque te fizeste um de nós! Bendito sejas, porque em tudo viveste como nós, para encher de novo sentido a nossa pobre vida, para iluminar nossas trevas, para nos mostrar o caminho, para em nosso nome seres totalmente obediente ao Pai e, assim, nos fazer também a nós, obedientes como tu! Bendito sejas, hoje e sempre, pelo teu Advento, pelo mistério da tua Encarnação! Tu és a razão da nossa esperança, tu és o fundamento do nosso sorriso, tu és o nosso consolo, tu és a nossa paz! Em ti, Santo Emanuel, cumpriu-se a profecia de Miquéias: “Tu, Belém de Éfrata, pequenina entre os mil povoados de Judá, de tu sairá aquele que dominará em Israel; sua origem vem de tempos remotos, desde os dias da eternidade. Ele não recuará,  apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus... ele estenderá o poder até aos confins da terra, e ele mesmo será a Paz!” Ó Santo Messias, nossa paz, rei eterno! Bendito sejas para sempre porque vieste! 
Mas, há mais, no Mistério deste IV Domingo! Além do “sim” eterno e divino do Filho que disse “ó Pai, eis que eu venho para fazer tua vontade”, nas montanhas da Galiléia, em Nazaré, um outro “sim” ecoou: o sim de uma criaturazinha frágil, o sim apaixonado e total à proposta inaudita de Deus: “Gabriel, vai dizer Àquele que te enviou que eu sou a Serva, que se faça conforme a tua palavra!” Que mistério tão impenetrável, que inteligência alguma humana poderá compreender plenamente! O sim do Filho eterno somente realizou-se no nosso mundo graças ao sim de uma pobre Virgem de Nazaré! Como pode o Criador depender da criatura? Que mistério tão grande o plano eterno de Deus depender de nós! A Virgem disse sim: sim total, sim sem condições, sim absoluto, sim sem reservas, sim de corpo e alma! E, depois do sim, ela corre para a região montanhosa de Judá, para ver o sinal que o anjo havia dado: a parenta idosa e estéril havia concebido! Como a arca da aliança, contendo as tábuas da Lei, foi transportada para a região montanhosa de Judá (cf. 2Sm. 6,1-8), também Maria, contendo em si Aquele que é a nova Lei, vai para a região de Judá, como Davi admira-se e exclama: “Donde me vem que a arca do meu Senhor fique em minha casa?” (2Sm. 6,9) Isabel também derrama-se em júbilo admirado: “Donde me vem que a Mãe do meu Senhor venha visitar-me?” Como a arca ficou três meses na casa de Obed-Edom (cf. 2Sm. 6,11), a Virgem ficou três meses na casa de Isabel! Que projeto admirável de Deus, que sim tão bonito da Virgem! Quanta generosidade, quanta fé, quanta entrega, quanto abandono!
Ó Virgem toda santa e toda pura! Obrigado pelo teu sim, obrigado pelo sim que é eco no tempo do sim que o Filho pronunciou na eternidade! Como poderíamos te saudar, ó Toda Santa? Saudamos-te como a Escritura nos ensina: saudamos-te Cheia de Graça, saudamos-te Bendita entre as mulheres, saudamos-te Arca da Aliança, saudamos-te Mãe do Senhor, saudamos-te portadora do Salvador, saudamos-te Causa da nossa alegria, saudamos-te Esposa do Espírito, saudamos-te Bendita por ter acreditado! Saudamos-te assim, Mãe de Jesus, e toda a saudação do mundo ainda seria pouca para exprimir a grandeza do teu sim e nossa gratidão pela tua disponibilidade! Ensina-nos, Virgem Maria, a dizer o sim como tu disseste; ensina-nos a tornar nossa vida disponível ao plano do Senhor; ensina-nos a viver em nós a obediência do Filho, como tu viveste! 
Mas, há ainda um terceiro aspecto do Mistério que é necessário ponderar. É da Belém pequenina entre os mil povoados de Judá que sairá o Dominador de Israel; é de uma Virgem pobre, frágil e humilde que virá o Salvador, aquele que “estenderá o poder até aos confins da terra”. Deus é assim: onde não há vida, onde não há esperança, onde não há grandeza aos olhos do mundo, ele faz a vida brotar, a esperança surgir, a grandeza aparecer! Não é esta uma das maiores lições do Natal? Um Deus que escolhe o caminho da fraqueza, da pobreza, da humildade, da debilidade? Convertamo-nos ao modo de agir de Deus, tão distante dos nossos modos magalomaníacos, dos nossos projetos grandiloqüentes! Para nossa vergonha e confusão, para nossa conversão, é preciso dizer sem medo: Deus não está primeiro no que é forte, mas no que é fraco; Deus não está antes no que é potente, mas no que não pode nada; Deus não está na riqueza, mas na pobreza; Deus não está em cima, mas embaixo; Deus não está com os vencedores, mas com os vencidos; Deus não está com os que riem pelas glórias do mundo, mas com os que choram porque se sentem sós, pisados, humilhados e triturados pela vida!
Ó Santo Messias, converte-nos pela graça do teu bendito Advento! Converte-nos com as lições do teu Natal! Ajuda-nos a cantar, com a tua Mãe Santíssima, que enches os pobres de bens, que dispersas sem nada os ricos, que exaltas os humilhados e humilhas os soberbos!
dom Henrique Soares da Costa
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Maria do Natal
Nas vésperas do Natal mais um encontro com Maria, com a cidade de Belém e com esse Jesus que, ao entrar no mundo afirma, segundo a carta aos Hebreus,  que veio fazer a vontade do Pai.
Vamos transcrever algumas passagens dos Padres da Igreja a respeito da glória e da beleza da Mãe  de Jesus, de Maria do Natal.
“Esteja em cada um de vós a alma de Maria para engrandecer o  Senhor: em cada um esteja o espírito de Maria para exultar em Deus. Embora segundo a natureza haja uma só Mãe do Cristo, segundo a fé o Cristo é fruto de todos; pois toda alma recebe o Verbo de Deus desde que sem mancha e libertada do pecado, guarda a castidade com inteira pureza” (santo Ambrósio de Milão).
“Abre, ó Virgem Santa,  teu coração à fé, teus lábios ao consentimento,  teu seio ao Criador.  Eis que o desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah!  Se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama!  Levanta-te, corre, abre. Levanta-se pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem,  a serva do Senhor;  faça-se em mim segundo a tua palavra” (são  Bernardo de Claraval).
“Amamenta, ó Mãe, o nosso alimento; amamenta o pão vindo do céu e posto no presépio para ser a comida  dos santos que tomam o lugar dos animais. É ali que o boi reconhece o seu dono e o jumento a manjedoura de seu Senhor;  trata-se dos circuncisos  e incircuncisos, unidos na pedra angular, cujas primícias foram os pastores e os magos.  Amamenta  quem te fez tal que pudesse ele mesmo se fazer em ti, que ao ser concebido te trouxe o dom da  fecundidade e que, uma vez nascido, não te privou da honra da virgindade;  que antes de nascer escolheu para si tanto o seio do qual nasceria, como o dia em que nasceria. E ele mesmo realizou o que escolheu, para ser como esposo  que sai da câmara nupcial, visível aos olhos dos homens, e testemunhar que ele é a luz espiritual, juntamente no dia do ano em que a luz começa a aumentar” (santo Agostinho).
“Maria, imensamente digna de ser Mãe do  Filho de Deus, depois do colóquio com o anjo, devia também subir a montanha e permanecer nas alturas.  Por isso  está escrito: Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa (Lc.  1,39).   Porque era solícita e diligente, devia igualmente apressar-se com zelo e, cheia do Espírito Santo, ser conduzida às alturas, protegida pelo poder de Deus, cuja sombra já a envolvera” (Orígenes).
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A irrupção do Mistério de Deus em nossa vida
Se, no domingo anterior, se podia dizer que os raios do Sol Iustitiae já abrasavam o horizonte, na liturgia de hoje, rodeada pelas antífonas “Ó” (2), se abrem as nuvens da madrugada. Irrompe em nossa humanidade, de modo indescritível e fascinante, a atuação definitiva do amor de Deus.
A oração do dia evoca todo o Mistério da Salvação, desde a anunciação do anjo a Maria até a Ressurreição do Cristo. O que celebramos no Natal não é apenas o nascimento de um menino, mas a irrupção da obra de Deus como realização definitiva da história humana.
A 1ª leitura tem o efeito de um aperitivo. Evoca o paradoxo da minúscula cidade de Belém, que, porém, é grande por causa de Javé, que cumprirá sua promessa de chamar novamente um “pastor” da casa de Jessé (pai de Davi). A pequena cidade toma-se sinal do plano inicial de Deus (“suas origens remontam a tempos antigos”; Mq. 5,1). Não é a grandeza segundo critérios humanos, que é decisiva para Deus. Isso se mostra plenamente no mistério que se manifesta em Maria.
O evangelho de hoje abraça dois extremos: a humildade de uma serva, que vai ajudar sua prima no fim da gravidez, reforçada nesta disponibilidade por estar ela mesma grávida; e a grandeza de seu Senhor, que ela exalta no júbilo do Magnificat. Esta complectio oppositorum revela o mistério de Deus nela. Sua prima, Isabel, ou melhor, o filho desta, João, ainda no útero, toma-se porta-voz deste Mistério. Pois ele é profeta, ”chamado desde o útero de sua mãe”. Saltando no seio de sua mãe, aponta o Salvador escondido sob o coração de Maria. E Isabel traduz: “Tu és a mulher mais bendita do mundo e bendito é também o fruto de teu seio … Feliz és tu, que acreditaste”. Isabel sabe que o mistério de Deus só acontece onde é acolhido na fé, na confiança posta nele. Esta fé não é um frio e intelectual “Amém” a obscuridades lógicas, mas engajamento pessoal numa obra de dimensões insondáveis. Um risco: uma mocinha do povo carrega em si o restaurador da humanidade. Mas Maria conhece o modo de agir de Deus. O Magnificat o demonstra (vale ler mais do que somente as palavras iniciais). Deus opera suas grandes obras naqueles que são pequenos, porque não são cheios de si mesmos e lhe deixam espaço. O espaço de um útero virginal. O espaço de uma disponibilidade despojada de si.
O próprio enviado de Deus confirma esta maneira. “Eis-me que venho para fazer tua vontade”. Esta frase de Sl. 40[39] realiza-se em plenitude no Servo por excelência, Jesus, que vem ao mundo para tomar supérfluos todos os sacrifícios e holocaustos, já que ele mesmo imola de modo insuperável sua existência, em prol dos seus irmãos (2ª leitura).
Serviço e grandeza, duas faces inseparáveis do Mistério de Deus cuja manifestação celebraremos dentro de poucos dias. Mistério do amor. Claro, amor é uma palavra humana. Deus é sempre mais do que conseguimos dizer. Dizem que o amor movimenta o mundo, mas é preciso ver de que amor se trata. O amor autêntico recebe sua força da doação. Num sentido infinitamente superior, se pode dizer isso de Deus também. O que aconteceu em Jesus no-lo revela. Este amor de Deus para os homens ultrapassa o que entendemos pelo termo amor, mas é um amor verdadeiro, comparável quase com o amor dos esposos, quando autêntico: os céus que fecundam a terra, Deus que cobre uma humilde criatura com sua sombra. A liturgia não tem medo destas imagens. Fecundada pelo orvalho do Céu, a terra se abre para que brote o Salvador.
(2) Sugerimos que se procure reaproveitar as tradicionais “antífonas Ó” (17 a 23 de dez.), por causa de sua densidade simbólica e valor musical.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Eis a serva do senhor
Maria ocupou um lugar de destaque no advento da salvação, aceitando acolher a proposta de Deus de assumir a maternidade do Messias Jesus. A escolha de Maria não se explica, no plano humano. Era uma jovem, já prometida em casamento a um descendente da casa de Davi. Não pertencia a nenhuma família nobre e rica, e habitava numa cidade escondida e mal-afamada. Não passava por sua mente ligar-se, de algum modo, ao Messias. Humanamente falando, ela não possuía os requisitos necessários para ser mãe do Salvador.
O diálogo de Maria com o anjo revelou a imagem que ela fazia de si mesma, bem como o que Deus pensava a respeito dela. Da parte de Deus, era considerada repleta de graça, amada por ele, bendita entre todas as mulheres. Em outras palavras, possuidora dos requisitos necessários para ser colaboradora de seu plano de salvação. Este requeria alguém totalmente disponível para Deus, despojado de si mesmo e dos próprios interesses, e disposto a assumir uma missão superior a tudo que se possa imaginar. Maria, por sua vez, tinha consciência de suas limitações. Não podia imaginar que Deus a tivesse em tão alta conta. Não conseguia conciliar a concepção do Messias com o fato de não ter conhecido homem algum. Estava longe de compreender o que significa conceber por obra do Espírito Santo. Contudo, como se sabia serva, não receou aceitar cegamente o projeto de Deus.
padre Jaldemir Vitório

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O evangelho deste domingo nos traz uma visita. São muitas as visitas: dos parentes, dos vizinhos, dos amigos... A visita é a oportunidade do encontro: dos amigos e parentes na noite de natal, dos namorados, das pessoas que não vemos há muito tempo... A missa é uma oportunidade para nos encontramos como comunidade de fé. O advento nos prepara para o grande encontro e para a grande visita, porque Deus resolveu visitar o seu povo. Bateu na porta, uma mulher abriu e deixou entrar o Salvador, e agora Ele está entre nós.  Embora já esteja em nosso meio, Ele quer visitar o nosso coração e quer espaço para entrar. Podemos abrir também mais uma vez a porta para o Salvador.
A visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel é a visita do próprio Deus. O acolhimento do Senhor neste tempo de graça se realiza quando acolhemos no coração os dons trazidos por Maria. A mesma graça do encontro entre Maria e Isabel deve acontecer neste natal em nossa vida. E o que Maria traz em sua visita?
Maria traz a paz. A saudação que chega aos ouvidos de Isabel é o Shalom, saudação própria dos judeus. Shalom é a abundância de vida e felicidade, a realização das promessas divinas, ou seja, a presença do Messias com todas as suas bênçãos. Precisamos ter a certeza de que as promessas já se realizaram, que não é preciso temer. Que neste advento o Cristo seja o nosso shalom e que sejamos portadores de sua paz.
Maria traz a alegria e a presença do Senhor. A presença de Jesus provoca a alegria, o estremecimento gozoso de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus. A verdadeira alegria é a presença de Deus, a realização de suas bênçãos em nossa vida. O estremecimento de alegria de João Batista no seio de Isabel é o sinal de que o mundo espera com ânsia uma proposta verdadeiramente libertadora do Evangelho. É também a alegria do Espírito provocada pelo encontro com o Senhor. Encontremos e acolhamos o Senhor que vem.
Maria traz o Espírito. Em Isabel o pentecostes é antecipado. Num êxtase do espírito ela estremece e profetiza: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar?” Maria provocou a descida do Espírito e a primeira profecia do novo testamento; e esta profecia exaltou Maria como mãe de Deus e compôs a primeira parte da Ave- Maria. Sejamos moradas do Espírito de Deus.
A Carta aos Hebreus nos ensina o significado da Nova Aliança. A acolhida do Senhor em nossa vida não pode ser apenas um ritualismo vazio, pois não são os sacrifícios externos que nos redimem, mas sim a intenção que reside em nosso coração. O Senhor veio para realizar a vontade do Pai, do mesmo, modo no natal que se aproxima, devemos nos abrir para a obediência da vontade de Deus. Que este natal não seja apenas das luzes, dos presentes, das orações da boca pra fora, mas que realmente possamos fazer deste tempo a oportunidade para afirmar: “Eu vim para fazer a tua vontade”.
padre Roberto Nentwig

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Nestes últimos dias antes do Natal, a mensagem fundamental da Palavra de Deus gira à volta da definição da missão de Jesus: propor um projeto de salvação e de libertação que leve os homens à descoberta da verdadeira felicidade.
O Evangelho sugere que esse projeto de Deus tem um rosto: Jesus de Nazaré veio ao encontro dos homens para apresentar aos prisioneiros e aos que jazem na escravidão uma proposta de vida e de liberdade. Ele propõe um mundo novo, onde os marginalizados e oprimidos têm lugar e onde os que sofrem encontram a dignidade e a felicidade. Este é um anúncio de alegria e de salvação, que faz rejubilar todos os que reconhecem em Jesus a proposta libertadora que Deus lhes faz. Essa proposta chega, tantas vezes, através dos limites e da fragilidade dos “instrumentos” humanos de Deus; mas é sempre uma proposta que tem o selo e a força de Deus.
A primeira leitura sugere que este mundo novo que Jesus, o descendente de David, veio propor é um dom do amor de Deus. O nome de Jesus é “a Paz”: Ele veio apresentar uma proposta de um “reino” de paz e de amor, não construído com a força das armas, mas construído e acolhido nos corações dos homens.
A segunda leitura sugere que a missão libertadora de Jesus visa o estabelecimento de uma relação de comunhão e de proximidade entre Deus e os homens. É necessário que os homens acolham esta proposta com disponibilidade e obediência – à imagem de Jesus Cristo – num “sim” total ao projeto de Deus.
1ª leitura: Mq. 5,1-4a - AMBIENTE
O profeta Miqueias viveu e exerceu o seu ministério em Judá, nos sécs. VIII/VII a.C. É originário de um meio campesino e conhece bem os problemas dos pequenos agricultores, vítimas de latifundiários sem escrúpulos. Por outro lado, a sua terra natal (Moreset Gat) está rodeada de fortalezas militares; e a presença nessas fortalezas de militares e de funcionários reais faz com que os habitantes dessa região conheçam um quadro de violência, de roubos, de impostos excessivos, de trabalhos forçados… O mais grave é que os opressores consideram que Deus está do seu lado e invocam as grandes tradições religiosas de Israel para justificar a opressão.
O livro de Miqueias começa por descrever (cap. 1-3) os graves pecados de Israel e de Judá sublinhando, sobretudo, os pecados sociais, apresentando-os como infidelidade grave aos compromissos assumidos no âmbito da “aliança” e denunciando esta “teologia da opressão”. No entanto, o texto que nos é hoje proposto está integrado na segunda parte do livro (que a maior parte dos comentadores admite não vir de Miqueias, mas sim de um profeta anônimo da época do exílio na Babilônia), onde se apresenta um conjunto de oráculos de salvação, destinados a animar a esperança do Povo (cap. 4-5).
MENSAGEM
O texto que nos é proposto retoma as promessas messiânicas. Num quadro de injustiça e de sofrimento – e, portanto, de frustração e de desânimo – o profeta anuncia a chegada de um personagem, no futuro, que reinará sobre o Povo de Deus. Esse personagem, enviado por Deus, será da descendência davídica, supondo-se, portanto, que poderá restaurar esse tempo de paz, de justiça e de abundância que o Povo de Deus conheceu na época ideal do rei David. A última frase desta leitura (“Ele será a Paz”) define o conteúdo concreto desta esperança: a palavra “shalom” aqui utilizada significa tranquilidade, ausência de violência e de conflito, mas também bem-estar, abundância de vida, numa palavra, felicidade plena.
ATUALIZAÇÃO
• A releitura cristã vê nesta promessa de Deus veiculada por Miqueias uma referência a Jesus, o descendente de David, nascido em Belém. A missão de Jesus não passa, no entanto, pela instauração do trono político de David (um reino que se impõe pela força, pela riqueza, pelas jogadas políticas e diplomáticas), mas sim pela proposta de um reino de paz e de amor no coração dos homens.
• Os cristãos, seguidores de Jesus, são a comunidade que aceitou o convite para integrar esse “reino” de paz e de amor que Jesus veio propor. É esse o “reino” que nos esforçamos por construir? Somos, verdadeiramente, comprometidos com a causa da paz, preocupamo-nos em eliminar tudo aquilo que destrói a vida ou a dignidade de qualquer homem ou qualquer mulher? Como reagimos diante das injustiças, das arbitrariedades, do sofrimento, da miséria: com conformismo e medo, ou com o espírito profético de membros da comunidade do “reino” de Jesus?
• A mensagem deste texto faz-nos constatar, também, a presença contínua de Deus na história humana. Apesar do egoísmo e do pecado dos homens, Deus continua a preocupar-Se connosco, a querer indicar-nos que caminhos percorrer para encontrar a felicidade. A vinda de Cristo, Aquele que é “a Paz”, insere-se nesta dinâmica.
2ª leitura: Hb. 10,5-10 - AMBIENTE
A “carta aos Hebreus” é um texto anônimo, escrito, provavelmente, pouco antes do ano 70 e destinado a uma comunidade cristã constituída maioritariamente por cristãos vindos do judaísmo. É uma comunidade que já não é de fundação recente e onde o entusiasmo inicial parece ter dado lugar a uma fé “morninha” e pouco comprometida; a perspectiva de novas dificuldades provoca o desânimo; e começa a haver um real perigo de desvios doutrinais.
A “carta” é uma apresentação do mistério de Cristo, sublinhando especialmente a dimensão sacerdotal da sua missão. Recorrendo à linguagem litúrgica judaica, o autor apresenta Jesus como o “sumo sacerdote” da nova “aliança”, que faz a mediação entre Deus e os homens. Na sequência, o autor aproveita para refletir sobre a condição cristã que deriva da missão sacerdotal de Cristo: os crentes, postos em relação com o Pai por Cristo sacerdote, são inseridos nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã e devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte da carta (Hb. 5,11-10,39). Aí, o autor reflete sobre os traços primordiais do sacerdócio de Cristo.
MENSAGEM
No mundo vétero-testamentário, quem queria celebrar a sua comunhão com Deus, ou manifestar a sua entrega absoluta a Deus, ou obter o perdão dos seus pecados, oferecia em sacrifício um animal, que o sacerdote entregava nas mãos de Jahwéh… No entanto, a inutilidade e a ineficácia destes sacrifícios tinha sido já afirmada pelos profetas (cf. Is. 1,11-13; Jr. 6,20; 7,22; Os. 6,6; Am. 5,21-25; Mq. 6,6-8), porque se tratava de ritos externos, que nem sempre correspondiam a uma atitude sincera do coração do oferente.
Pondo na boca de Jesus as palavras de um salmista (cf. Sl. 40,7-9), o autor da “Carta aos Hebreus” afirma que, no mundo da nova “aliança”, não é já o sacrifício de animais que realiza a comunhão com Deus, a entrega absoluta do crente a Deus, o perdão dos pecados; é a encarnação de Jesus, a entrega total da vida do próprio Cristo, o seu respeito absoluto pelo projeto e pela vontade do Pai que permitem a aproximação e a relação do homem com Deus. Quem quiser descobrir o Pai e aproximar-se d’Ele, olhe para Jesus; porque Jesus ensinou-nos, com a sua obediência ao projeto do Pai, como deve ser essa relação de filiação com Deus.
ATUALIZAÇÃO
• A encarnação de Jesus e o seu “eis-Me aqui, Pai” correspondem ao projeto de Deus de aproximar os homens de Si, de estabelecer com eles uma relação de filiação e de amor. Nestes dias em que preparamos o Natal, somos convidados a contemplar a ação de um Deus que ama de tal forma os homens que envia ao nosso encontro o Filho, a fim de nos conduzir à comunhão com Ele.
• O encontro com Deus não é feito a partir de rituais externos (as prendas, a comida, os cânticos, as procissões, as orações, as liturgias solenes, o incenso, os paramentos suntuosos), mas é feito a partir de Cristo, o Filho que entrega a vida, a fim de que o projeto do Pai se torne presente na vida dos homens e de que os homens, aprendendo o amor e a entrega total, aceitem tornar-se “filhos de Deus”.
• O encontro com Cristo significa aprender com Ele a obediência e a disponibilidade ao projeto de Deus. Como nos situamos, diante desta proposta: contam mais os nossos interesses pessoais (ainda que legítimos), ou o projeto de Deus?
Evangelho: Lc. 1,39-47 - AMBIENTE
O texto que nos é proposto faz parte do chamado “Evangelho da Infância”. Os estudos atuais falam do “Evangelho da Infância” como um gênero literário especial, que se pode chamar “homologese”: é um gênero que não pretende ser um relato fidedigno sobre acontecimentos, mas antes uma catequese destinada a proclamar as realidades salvíficas que a fé prega sobre Jesus (que Ele é o Messias, o Filho de Deus, o Deus connosco). Desenvolve-se em forma de narração e recorre às técnicas do midrash haggádico (uma técnica de leitura e de interpretação do Antigo Testamento usada pelos rabbis judeus na época em que foi escrito o Novo Testamento). A “homologese” utiliza, de preferência, tipologias: fatos e pessoas do Antigo Testamento encontram a sua correspondência em fatos e pessoas do Novo Testamento. Pelo meio, misturam-se elementos apocalípticos (aparições, anjos, sonhos), destinados a fazer avançar a narração e a explicitar as idéias teológicas e a catequese sobre Jesus. É esta mistura de elementos que podemos encontrar no Evangelho de hoje: mais do que uma informação “jornalística” sobre fatos concretos, trata-se de uma catequese sobre Jesus, feita a partir de um conjunto de referências tiradas da mensagem e das promessas do Antigo Testamento.
MENSAGEM
A primeira referência vai para a indicação de que, à saudação de Maria, o menino (João Batista) saltou de alegria no seio da mãe. Trata-se, evidentemente, de uma indicação teológica: para Lucas, Jesus é o Deus que vem ao encontro dos homens, e que tem uma mensagem de salvação/libertação que concretiza as promessas feitas por Deus aos antepassados; logo, a presença de Jesus provoca a alegria, o estremecimento gozoso de todos aqueles que esperam a concretização das promessas de Deus e que vêem na chegada de Jesus a realização das promessas de um mundo de justiça, de amor, de paz e de felicidade para todos os homens. Através de Jesus, Deus vai oferecer a salvação a todos; e isso provoca um estremecimento incontrolável de alegria, por parte de todos os que anseiam pela concretização das promessas de Deus.
Temos, depois, a resposta de Isabel à saudação de Maria: “Bendita és tu entre as mulheres”. Trata-se de palavras que aparecem no “cântico de Débora” (cf. Jz. 5,24) para celebrar Jael, a mulher que, apesar da sua fragilidade, foi o instrumento de Deus para libertar o Povo das mãos de Sísera, o opressor. Maria é, assim, apresentada – apesar da sua fragilidade – como o instrumento de Deus para concretizar a salvação/libertação dos homens.
Finalmente, temos a resposta de Maria: “a minha alma enaltece o Senhor…”. A resposta de Maria retoma um salmo de ação de graças (cf. Sl. 34,4), destinado a dar graças a Jahwéh porque protege os humildes e os salva, apesar da prepotência dos opressores. É um salmo de esperança e de confiança, que exalta a preocupação de Deus para com os pobres que são vítimas da injustiça e da opressão. Sugere-se, claramente, que a presença de Jesus, através dessa mulher simples e frágil que é Maria, é um sinal do amor de Deus, preocupado em trazer a libertação a todos os que são vítimas da prepotência e da injustiça dos homens. Com Jesus, chegou esse tempo novo de libertação, de paz e de felicidade anunciado pelos profetas.
ATUALIZAÇÃO
• A presença de Jesus neste mundo é, claramente, a concretização das promessas de salvação e de libertação feitas por Deus ao seu Povo. Com Jesus, anuncia-se a eliminação da opressão, da injustiça, de tudo aquilo que rouba e que limita a vida e a felicidade dos homens. Jesus, ao “nascer” entre nós, tem por missão propor um mundo onde a justiça, os direitos humanos, a dignidade, a vida e a felicidade das pessoas são absolutamente respeitados. Dizer que Jesus, hoje, nasce no nosso mundo significa propor esta mensagem libertadora e salvadora.
• Nós, que somos no mundo o rosto vivo de Jesus, propomos esta boa notícia? Os pobres, os que sofrem, todos os que são vítimas de opressão e suspiram ansiosamente por um mundo novo encontram no nosso anúncio esta proposta? Esta mensagem libertadora é a nossa proposta fundamental, ou dispersamo-nos em propostas laterais (o dinheiro que a comunidade tem em caixa para construir novas igrejas, a apresentação dos novos paramentos, as “bocas” que atiramos aos nossos opositores na comunidade, as questões de organização), que dizem muito pouco acerca do essencial?
• O “estremecimento” de alegria de João Baptista no seio de Isabel é o sinal de que o mundo espera com ânsia uma proposta verdadeiramente libertadora. Nós, os cristãos, somos verdadeiramente o veículo desta mensagem?
• A proposta libertadora de Deus para os homens alcança o mundo através da fragilidade de uma mulher (recordar o contexto social de uma sociedade patriarcal, onde a mulher pertence à classe dos que não gozam de todos os direitos civis e religiosos) que aceita dizer “sim” a Deus. É necessário ter consciência de que é através dos nossos limites e da nossa fragilidade que Deus alcança os homens e propõe o seu projeto ao mundo.
• Maria, após ter conhecimento de que vai acolher Jesus no seu seio, parte ao encontro de Isabel e fica com ela, solidária com ela, até ao nascimento de João. Temos consciência de que acolher Jesus é estar atento às necessidades dos irmãos, partir ao seu encontro, partilhar com eles a nossa amizade e ser solidário com as suas necessidades?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

















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