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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

FESTA DO BATISMO DE JESUS - C

FESTA DO BATISMO DE JESUS

Dia 10 de janeiro-Ano C



Hoje festejamos o início oficial da vida pública de Jesus, no acontecimento inesperado, no qual o próprio Filho de Deus entrou na fila dos pagãos, dos pecadores, como soldados, prostitutas, e demais arrependidos, para ser redimido e batizado pelo “batizador”, o João Batista, no Rio Jordão. Leia mais...

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SOLENIDADE DO BATISMO DO SENHOR!- Olívia Coutinho

DOMINGO – DIA  10 DE JANEIRO  DE  2016

Evangelho de Lc3,15-16.21-22

Neste domingo, depois de celebrarmos a Epifania do Senhor, somos agraciados com a solenidade do Batismo de Jesus, festa que marca a passagem  do tempo Natalino para o Tempo Comum, sinalizando o início do ministério de Jesus, quando Ele sai da sua vida oculta e entra para a vida pública!
O ponto forte da liturgia desta solenidade é a declaração de amor e confiança que o Pai transmite ao Filho no momento decisivo de sua vida!
O evangelho de hoje, nos coloca às margens do rio Jordão, precisamente, onde Jesus se  misturou  aos  pecadores para também receber o Batismo de  João. O texto começa  falando da expectativa do povo quanto a vinda do Messias! O povo sofrido, não suportava mais o peso da dominação,  por isto, a vinda do Messias era aguardada com ansiedade!
Muitos, num anseio por dias melhores, chegavam a si perguntarem, se João não seria o  Messias!  Porém João,  jamais  aproveitou-se disso, ele  era taxativo em dizer que ele não era o Messias,  não era sua pretensão  atrair pessoas   para si e sim,  para o Messias que haveria de chegar.
Ao dar testemunho  de Jesus, João fazia questão de enfatizar a sua pequenez  diante a grandeza do Messias : “eu não sou digno de desamarrar as suas sandálias.”
Vendo Jesus aproximar dele  para receber o batismo, João se surpreende,  a  princípio, ele  recusa a batizá-Lo dizendo: “Eu preciso ser Batizado por ti, e tu vens a mim?”( Mt3,13-14).  Mas os argumentos de Jesus convencem João e o  Batismo de conversão acontece, mesmo não sendo necessário, já que Jesus não  tinha pecados.
Ao entrar na fila para receber o  Batismo de João,  Jesus  assume publicamente  a nossa humanidade, estabelecendo desde já, um vínculo de proximidade com os pecadores  ao solidarizar-se  com eles!
 Com este gesto de total humildade, Jesus experimenta a fragilidade humana, deixando claro que Ele, na sua trajetória terrena,  não faria uso de suas prerrogativas divinas! 
No ato do seu Batismo, Jesus se revela totalmente  humano, Ele “desce”  até a  fragilidade humana, já conosco, acontece o inverso: no nosso Batismo,  “subimos” para nos aproximar do Divino!
No batismo de Jesus, acontece a manifestação da Trindade Divina: O Pai faz uma declaração ao Filho e o Espírito se manifesta Nele de forma  visível, em forma de pomba, o que retrata claramente a harmonia  entre as três pessoas da  Trindade Santa: Pai, Filho, Espírito Santo!
Ao sair das águas do rio Jordão, Jesus, ungido pelo Espírito do Senhor que o apresentou à humanidade, dá início ao Seu ministério! Como  o nosso redentor, Ele veio  transformar o  nosso presente  e  garantir o nosso futuro!
Passando pelas águas do Batismo, Jesus  abre  para a humanidade um caminho novo, por meio Dele, as portas do céu se abriram!
Assim como Jesus, que no momento do seu batismo, recebeu do Pai uma declaração de  amor e confiança que o encorajou  para dar início a sua missão, nós também, abastecidos pela força do Espírito Santo que recebemos no nosso batismo, adquirimos coragem para realizarmos  grandes coisas com pequenos gestos! 
O batismo de Jesus, é ampliado na vida de cada um de nós, é um chamado a vivencia da fé, a assumirmos  o compromisso de servidores e simultaneamente herdeiros do Reino!
É importante  termos  um entendimento melhor da dimensão do nosso Batismo. O Batismo não deve ser visto como  tradição, como bênção para que uma criança tenha mais saúde, ou para o perdão dos pecados,  o Batismo,  é compromisso, ele  nos insere em Cristo, torna-nos participantes da sua vida!
 Quando criança, nossos pais e padrinhos assumem este compromisso, nos orientando  no  campo da fé, quando crescemos, a responsabilidade é transferida  para nós!
Como Batizados,  somos inseridos na família Divina, convocados a darmos  testemunho de Jesus em qualquer circunstancia.
Batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,  haveremos de  ver repetir no coração da Igreja  a mesma manifestação de Deus como  no Batismo de Jesus: “ Este é o meu filho (a) amado!”     
Ser Batizado, é  ser como Jesus: pessoas para outras pessoas!

Celebrar a solenidade do Batismo de Jesus é  fazer memória do nosso Batismo! Você guardou a data do seu Batismo? 

 

FIQUE NA PAZ DE JESUS!- Olívia Coutinho

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A festa de hoje encerra o sagrado tempo do Natal: o Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!” (3,17).
Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como o Servo, que deverá exercer sua missão de modo humilde e doloroso!
Hoje, às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão, ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que ele pregará, fará seus milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai e doação aos irmãos até a morte e morte de cruz.
Mas, atenção: como já dissemos, esse Jesus que é o Filho, é também o Servo sofredor, anunciado por Isaías. Hoje, o Pai revela a Jesus qual o modo, qual o caminho que ele deve seguir para ser o Messias como Deus quer: na pobreza, na humildade, no despojamento, no serviço! É assim que o Reino de Deus será anunciado no mundo. Jesus deverá ser manso: “Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas”. Deve ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança: “Não quebra a cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega”. Ele irá sofrer, ser tentado ao desânimo, mas colocará no seu Deus e Pai toda a sua esperança, toda a sua confiança: “Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra”. O Senhor Deus estará sempre com ele e ele veio não somente para Israel, mas para todas as nações da terra: “Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.
E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: ele entra na fila dos pecadores, para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt. 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!
Uma última observação, muito importante: João diz: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. O batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida! Para os cristãos, não há batismo nas águas, mas somente Batismo no Espírito, simbolizado pela água (cf. Jo 3,5; 7,37-39). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo de Jesus e, por isso, somos participantes de sua missão de viver, testemunhar e anunciar o Reino de Deus, a Vida eterna, a Vida no amor a Deus e aos irmãos, que Jesus veio anunciar ao se fazer homem igual a nós! Mas este testemunho não é festivo, não é de oba-oba, mas um testemunho dado na simplicidade, na pobreza e na humildade do dia a dia!
Eis! O Menino que nasceu para nós, a Criança admirável que cresceu em sabedoria, idade e graça, submisso aos seus pais na família de Nazaré, o Deus perfeito, filho da Toda Santa Mãe de Deus, Aquele que com o brilho de sua Estrela atraiu a si todos os povos, hoje é apresentado pelo Pai: ele é o Filho querido, ele é o Servo sofredor, ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, ele é o Messias, o Ungido de Deus! Acolhamo-lo na nossa existência e no nosso coração e nossa vida terá um novo sentido. Seguindo-o, chegaremos ao coração do Pai que o enviou e é Deus com ele e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos.
dom Henrique Soares da Costa
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Comemoramos, hoje, o Batismo de Jesus pelas mãos de João Batista nas águas do rio Jordão. O relato do evangelista Lucas sobre o batismo de Jesus se caracteriza pelo destaque da oração, onde Jesus, exemplo de cristão, procura na oração a vontade do Pai.
Este momento é também considerado uma Epifania, pois a divindade de Jesus é manifestada a todos diretamente dos céus.
João proclamava “um batismo de arrependimento” para aqueles que esperavam o Messias e desejavam uma mudança de vida, pois vivam oprimidos. Muitos se tornaram discípulos de João Batista e depois seguiram a Jesus.
Uma multidão de pecadores – publicanos, soldados, fariseus, saduceus e prostitutas – o procuravam para ser batizados, e pensavam que ele pudesse ser o Enviado. Porém, ele declara não ser o Messias, afirmando sua condição menor que um escravo: “não sou digno de desamarrar as sandálias dele.” E fala do tipo de Batismo de Jesus: no Espírito Santo (um ato de Deus que traz salvação) e no fogo (aquele que transforma o que toca).
Jesus também quis submeter-se ao batismo de João, pois sempre seguiu as leis de Moisés. Esse momento era o marco do início de sua vida pública. O seu Batismo não foi de conversão, mas o primeiro passo para realizar a sua missão.
João hesita, pois não se sente digno de batizar o Salvador do mundo, porém Jesus insiste e recebe o Batismo. Enquanto Jesus rezava o Espírito Santo desceu sobre Ele depois que foi batizado. Esse detalhe é importante porque apresenta Jesus como aquele que reza, ensinando aos homens que o dom do Espírito Santo é a resposta de Deus à oração. O céu se abre, como sinal de Deus que entra em comunhão com a humanidade. Neste ato, a Trindade se faz presente: ouve-se a voz do Pai, o Filho é apresentado na pessoa de Jesus e o Espírito Santo desce visivelmente sobre Ele. Confirmado pelo Pai e fortalecido pelo Espírito Santo, Jesus inicia, então, a sua vida pública.
Pequeninos do Senhor

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Jesus foi batizado no rio Jordão por João Batista. A Santíssima Trindade se manifestou. O Pai falou do céu, o Filho estava na água e o Espírito apareceu em forma de pomba. Jesus é o Filho amado e sobre ele pousa o Espírito. O Menino que nasceu em Belém já está com trinta anos. Tornou-se adulto e vai agora começar a sua vida pública, sua ação missionária, sua pregação.
Trinta anos se passaram. O que Jesus fez nesse tempo? Nada, ou nada de especial. Ele viveu simplesmente como qualquer um de nós. Viveu a vida de cada dia. Quando dizemos viveu, significa que viveu intensamente. Tomou a existência nas mãos e a viveu com entusiasmo. Dele se diz que fez bem tudo o que fez. Jesus não vegetou durante 30 anos. Na vida oculta de Nazaré, Ele já era o Salvador feito homem. Esse período da vida de Jesus ilumina a nossa vida de cada dia e mostra o valor que ela tem diante de Deus. Viver intensamente esta vida neste mundo é louvar o Criador de todas as coisas. Nossa vida às vezes parece monótona e comum demais, sem nada de extraordinário. O extraordinário é a própria vida e, se bem vivida, é um bem extraordinário.
Passado o tempo de Nazaré, Jesus entra nas águas do Jordão, revela-se ao mundo como o Filho amado do Pai. Depois é levado pelo Espírito ao deserto, de novo a Nazaré, e por toda parte, para o cumprimento de sua missão. Esse período é bem mais curto, de dois a três anos. Nós o chamamos de "a vida pública de Jesus". É um tempo especial, marcadamente missionário, de pregações e sinais.
João pregava um batismo de penitência para preparar a vinda do Senhor. Jesus é o Senhor, que santifica com o seu corpo as águas do rio Jordão. Seu batismo real será na cruz, quando o sangue correr de seu coração para lavar o pecado do mundo. Ele se referiu a esse batismo quando perguntou a Tiago e João: "Vocês podem beber o cálice que eu vou beber e ser batizados com o batismo com que serei batizado?" (Mc. 10,38).
João Batista dizia que Jesus veio batizar no Espírito Santo e no fogo. Com sua morte e ressurreição, Jesus nos dá o Espírito que nos faz passar pelo fogo da purificação. O mundo inteiro recebe o Espírito, mas só os que têm a revelação sabem disso. Eles são chamados a compor o corpo visível de Cristo neste mundo, que é a sua Igreja, e conscientes pela revelação dada, como fogo iluminam o mundo e o purificam enquanto eles mesmos passam pela provação da purificação. São Paulo os chama de "comprovados" com diversas formas do verbo provar-aprovar. Você é escolhido e provado e assim se torna apto para a missão.
O Espírito Santo é Amor criativo e o fogo ilumina, aquece e queima. No batismo recebemos o Espírito para iluminar, aquecer e queimar. Uma comunidade cheia do Espírito Santo é criativa e construtiva, está sempre em movimento e pensa sempre no bem dos outros. Quem foi batizado no batismo de Jesus não é turista na Igreja nem mero espectador. Não passa para ver o que está acontecendo ou entra para assistir a um espetáculo. A celebração litúrgica na comunidade é um momento forte na vida do batizado, que age no mundo.

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A liturgia deste domingo tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No Batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Jesus fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado, empenhou-Se em promover-nos para que pudéssemos chegar à vida plena.
A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Animado pelo Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.
No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética veiculada pela primeira leitura: Jesus é o Filho/”Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito, e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.
A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.
1ª leitura: Is. 42,1-4.6-7 - AMBIENTE
O nosso texto pertence ao “livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is. 40-55). “Deutero-Isaías” é um nome convencional com que os biblistas designam um profeta anônimo da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética na Babilônia, entre os exilados judeus. Estamos na fase final do Exílio, entre 550 e 539 a.C.; os judeus exilados estão frustrados e desorientados pois, apesar das promessas do profeta Ezequiel, a libertação tarda… Será que Deus se esqueceu do seu Povo? Será que as promessas proféticas eram apenas “conversa fiada”?
O Deutero-Isaías aparece, então, com uma mensagem destinada a consolar os exilados. Começa por anunciar a iminência da libertação e por comparar a saída da Babilônia ao antigo êxodo, quando Deus libertou o seu Povo da escravidão do Egito (cf. Is. 40-48); depois, anuncia a reconstrução de Jerusalém, essa cidade que a guerra reduziu a cinzas, mas à qual Deus vai fazer regressar a alegria e a paz sem fim (cf. Is. 49-55).
No meio desta proposta “consoladora” aparecem, contudo, quatro textos (cf. Is. 42,1-9; 49,1-13; 50,4-11; 52,13-53,12) que fogem um tanto a esta temática. São cânticos que falam de uma personagem misteriosa e enigmática, que os biblistas designam como o “Servo de Jahwéh”: ele é um predileto de Jahwéh, a quem Deus chamou, a quem confiou uma missão profética e a quem enviou aos homens de todo o mundo; a sua missão cumpre-se no sofrimento e numa entrega incondicional à Palavra; o sofrimento do profeta tem, contudo, um valor expiatório e redentor, pois dele resulta o perdão para o pecado do Povo; Deus aprecia o sacrifício deste “Servo” e recompensá-lo-á, fazendo-o triunfar diante dos seus detratores e adversários.
O texto que hoje nos é proposto é parte do primeiro cântico do “Servo” (cf. Is. 42,1-9). É possível que a personagem a quem este primeiro cântico se refere seja Ciro, rei dos persas, o homem a quem Deus confiou a libertação do seu Povo…
MENSAGEM
O nosso texto tem duas partes; ambas afirmam – como se estivéssemos diante de dois movimentos concêntricos, que partem do mesmo lugar e terminam da mesma forma – a eleição do “Servo” e a sua missão. No entanto, a primeira desenvolve mais o aspecto do chamamento; a segunda define melhor a questão da missão.
Na primeira parte (vers. 1-4), afirma-se que o “Servo” é um “eleito” (“behir”) de Deus, isto é, alguém que Deus Se dignou “escolher” (“bahar”) entre muitos, em vista de uma função ou missão especial (cf. Nm. 16,5.7; 17,20; Dt. 4,37; 7,6.7; 10,15; 14,2; 18,5; 21,5; 1 Sm. 2,28; 10,24; 2Sm. 6,21; 1Re. 3,8; etc.). Estamos no contexto da “eleição”, isto é, no contexto em que Deus destaca alguém de entre muitos para o seu serviço.
A “ordenação” do “Servo” realiza-se através do dom do Espírito (“ruah”), que dará ao “Servo” o alento de Jahwéh, a capacidade para levar a cabo a missão: é o mesmo Espírito que Deus derrama sobre os chefes carismáticos do Povo de Deus (cf. Jz. 33,10; 1Sm. 9,17; 16,12-13). Animado por esse Espírito, o “Servo” irá levar “a justiça (‘mishpat’) às nações”: será uma missão de âmbito universal, que consistirá na implementação das decisões justas dos tribunais, base de uma ordem social consentânea com os esquemas e os projetos de Deus. A implementação dessa “nova ordem” não se dará com o recurso à força, à violência, ao espetáculo, mas com a bondade, a mansidão e a simplicidade que definem a lógica de Deus. Sobretudo, o “Servo” atuará com simplicidade, sem nada impor e sem desanimar perante as dificuldades da missão.
Na segunda parte (vs. 6-7), começa-se por afirmar que o “Servo” foi “chamado” pelo Senhor e, imediatamente, passa-se à finalidade desse chamamento: instaurar “a justiça” (“tzedeq”) – isto é, a missão do “Servo” é o estabelecimento de uma reta ordem social. Explicitando melhor a missão do “Servo”, Deus convida-o a ser “a luz das nações” e, em concreto, a abrir os olhos aos cegos, a tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas. É, portanto, uma missão de libertação e de salvação.
Nas duas partes, fica claro que o “Servo” é um instrumento através do qual Deus atua no mundo para levar a salvação aos homens: ele é alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz. Deus não só está na origem (escolha, chamamento e envio) da missão do “Servo”, mas acompanhará a concretização da missão e possibilitará o seu êxito: para levar a cabo a missão, o “Servo” contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de a concretizar.
ATUALIZAÇÃO
• A figura misteriosa e enigmática do “Servo” de que fala o Deutero-Isaías apresenta evidentes pontos de contacto com a figura de Jesus… Os primeiros cristãos – colocados perante a dificuldade de explicar como é que o Messias tinha sido condenado pelos homens e pregado na cruz – irão utilizar os cânticos do “Servo” para justificar o sofrimento e o aparente fracasso humano de Jesus: Ele é esse “eleito de Deus”, que recebeu a plenitude do Espírito, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça e a paz definitivas, que sofreu e morreu para ser fiel a essa missão que o Pai lhe confiou.
• A história do “Servo” mostra-nos, desde já, que Deus atua através de instrumentos a quem Ele confia a transformação do mundo e a libertação dos homens. Tenho consciência de que cada batizado é um instrumento de Deus na renovação e transformação do mundo? Estou disposto a corresponder ao chamamento de Deus e a assumir os meus compromissos quanto a esta questão, ou prefiro fechar-me no meu canto e demitir-me da minha responsabilidade profética? Os pobres, os oprimidos, todos os que “jazem nas trevas e nas sobras da morte” podem contar com o meu apoio e empenho?
• Convém não esquecer que a missão profética só faz sentido à luz de Deus e que tudo parte da iniciativa de Deus: é Ele que escolhe, que chama, que envia e que capacita para a missão… Aquilo que eu faço, por mais válido que seja, não é obra minha, mas sim de Deus; o meu êxito na missão não resulta das minhas qualidades, mas da iniciativa de Deus que age em mim e através de mim.
• Atentemos, ainda, na forma de atuar do “Servo”: ele não se impõe pela força, pela violência, pelo dinheiro, ou pelos amigos poderosos; mas atua com suavidade, com mansidão, no respeito pela liberdade dos outros… É esta lógica – a lógica de Deus – que eu utilizo no desempenho da missão profética que Deus me confiou?
2ª leitura: Atos 10, 34-38 - AMBIENTE
Os “Atos dos Apóstolos” são uma catequese sobre a “etapa da Igreja”, isto é, sobre a forma como os discípulos assumiram e continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram – após a partida de Jesus deste mundo – a todos os homens.
O livro divide-se em duas partes. Na primeira (cf. At. 1-12), a reflexão apresenta-nos a difusão do Evangelho dentro das fronteiras palestinas, por ação de Pedro e dos Doze; a segunda (cf. At. 13-28) apresenta-nos a expansão do Evangelho fora da Palestina (até Roma), sobretudo por ação de Paulo.
O nosso texto de hoje está integrado na primeira parte dos “Atos”. Insere-se numa perícope que descreve a atividade missionária de Pedro na planície do Sharon (cf. At. 9,32-11,18) – isto é, na planície junto da orla mediterrânica palestina. Em concreto, o texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centurião romano Cornélio. Convocado pelo Espírito (cf. At. 10,19-20), Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At. 10,23b-48). O episódio é importante porque Cornélio é o primeiro pagão a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova que nasce de Jesus se destina a todos os homens, sem exceção.
MENSAGEM
No seu discurso, Pedro começa por reconhecer que a proposta de salvação oferecida por Deus e trazida por Cristo é universal e se destina a todas as pessoas, sem distinção de qualquer tipo (vers. 34-36). Israel foi, na verdade, o primeiro receptor privilegiado da Palavra de Deus; mas Cristo veio trazer a “boa nova da paz” (salvação) a todos os homens; e agora, por intermédio das testemunhas de Jesus, essa proposta de salvação que o Pai faz chega “a qualquer nação que o teme e põe em prática a justiça” – ou seja, a todo o homem e mulher, sem distinção de raça, de cor, de estatuto social, que aceita a proposta e adere a Jesus.
Depois de definir os contornos universais da proposta salvadora de Deus, Pedro apresenta uma espécie do resumo da fé primitiva (vs. 37-38). É, nem mais nem menos, do que o pôr em ato a missão fundamental dos discípulos: anunciar Jesus e testemunhar essa salvação que deve chegar a todos os homens. A leitura que nos é proposta conserva apenas a parte inicial do “kerigma” primitivo e resume a atividade de Jesus que “passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demônio, porque Deus estava com Ele” (vers. 38). No entanto, o anúncio de Pedro continua (embora a nossa leitura de hoje não o refira) com a catequese sobre a morte (v. 39), sobre a ressurreição (vers. 40) e sobre a dimensão salvífica da vida de Jesus (v. 43).
ATUALIZAÇÃO
• Jesus de Nazaré “passou pelo mundo fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo demônio”. Nos seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade, de amor, os homens encontraram o projeto libertador de Deus em ação… Esse projeto continua, hoje, em ação no mundo? Nós, cristãos, comprometidos com Cristo e com a sua missão desde o nosso Batismo, testemunhamos, em gestos concretos, a bondade, a misericórdia, o perdão e o amor de Deus pelos homens? Empenhamo-nos em libertar todos os que são oprimidos pelo demônio do egoísmo, da injustiça, da exploração, da solidão, da doença, do analfabetismo, do sofrimento?
• “Reconheço que Deus não faz acepção de pessoas” – diz Pedro no seu discurso em casa de Cornélio. E nós, filhos deste Deus que ama a todos da mesma forma e que a todos oferece, igualmente a salvação, aceitamos todos os irmãos da mesma forma, reconhecendo a igualdade fundamental de todos os homens em direitos e dignidade? Que sentido fazem, então, as discriminações por causa da cor da pele, da raça, do sexo, da orientação sexual ou do estatuto social?
Evangelho: Lc. 3,15-16.21-22 - AMBIENTE
O Evangelho deste domingo apresenta o encontro entre Jesus e João Batista, nas margens do rio Jordão. Na circunstância, Jesus foi batizado por João.
João Batista foi o guia carismático de um movimento de cariz popular, que anunciava a proximidade do “juízo de Deus”. A sua mensagem estava centrada na urgência da conversão (pois, na opinião de João, a intervenção definitiva de Deus na história para destruir o mal estava iminente) e incluía um rito de purificação pela água.
O “batismo” proposto por João não era, na verdade, uma novidade insólita. O judaísmo conhecia ritos diversos de imersão na água, sempre ligados a contextos de purificação ou de mudança de vida. O “mergulhar na água” era, inclusive, um rito usado na integração dos “prosélitos” (os pagãos que aderiam ao judaísmo) na comunidade do Povo de Deus.
Na perspectiva de João, provavelmente, este “batismo” era um rito de iniciação à comunidade messiânica: quem aceitava este “batismo” renunciava ao pecado, convertia-se a uma vida nova e passava a integrar a comunidade do Messias.
O que é que Jesus tem a ver com isto? Que sentido faz Ele apresentar-se a João para receber este “batismo” de purificação, de arrependimento e de perdão dos pecados?
Para Lucas, João Baptista é a última testemunha de um tempo salvífico que está a chegar ao fim: o tempo da antiga Aliança (cf. Lc. 16,16). O aparecimento em cena de Jesus significa o começo de um novo tempo, o tempo em que o próprio Deus vem ao mundo, feito pessoa humana, para oferecer à humanidade escravizada a vida e a salvação. No episódio do “batismo” revela-se, desde logo, a missão específica e a verdadeira identidade de Jesus.
Em toda a secção (cf. Lc. 3,1-4,13), Lucas segue o texto  de Marcos (cf. Mc. 1,1-13), completado com algumas tradições provenientes de uma outra “fonte”, formada por “ditos” de Jesus.
MENSAGEM
Numa Palestina em plena efervescência messiânica, a figura e a atividade de João fazem que surjam conjecturas sobre o seu possível messianismo. Será João esse “ungido de Deus” (“messias”), cuja missão é libertar Israel da dominação estrangeira e assegurar ao Povo de Deus vida em abundância e paz sem fim?
João rejeita, de forma categórica, essa possibilidade. Ele não é o “messias”; a sua missão (inclusive como administrador de um “batismo” de penitência e de purificação) é, apenas, preparar o Povo para esse tempo novo que vai começar com a chegada do verdadeiro “messias” (vers. 15-16). O “messias” que “vai chegar” é definido por João como “aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno desatar as correias das sandálias”. “Desatar as correias das sandálias” era tarefa dos escravos (por isso, a tradição rabínica proibia ao discípulo desatar as correias das sandálias do seu mestre). A imagem utilizada define, pois, João como um “escravo” cuja missão é estar ao serviço desse “messias” que está para chegar. O “messias”, além de ser “mais forte” do que João, irá “batizar com o Espírito e com o fogo”. Tanto a fortaleza, como o batismo no Espírito, são prerrogativas que caracterizam o Messias que Israel esperava (cf. Is. 9,5-6; 11,2). O testemunho de João não oferece dúvidas: chegou o tempo do “messias”, o tempo da libertação que os profetas anunciaram, o tempo em que o Povo de Deus irá receber o Espírito. Na perspectiva de Lucas, esta “profecia” de João concretizar-se-á no dia de Pentecostes: o “fogo” do “messias”, derramado sobre os discípulos reunidos no cenáculo, fará nascer um Povo novo e livre, a comunidade da nova Aliança.
A cena do “batismo” irá identificar claramente esse “messias” anunciado por João com o próprio Jesus (vs. 21-22). O Espírito Santo, que desce sobre Jesus “como uma pomba”, leva-nos a essa figura de “Servo de Jahwéh” apresentada na primeira leitura, que recebe o Espírito de Deus para levar “a justiça às nações”. Por outro lado, a “voz vinda do céu” apresenta Jesus como “o Filho muito amado” de Deus (v. 22). A missão de Jesus será, como a do “Servo”, “abrir os olhos aos cegos, tirar do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas” (Is. 42,7); para concretizar esse projeto, Ele irá “batizar no Espírito” e inserir os homens numa dinâmica de vida nova – a vida no Espírito.
Na cena do “batismo” de Jesus, o testemunho de Deus acerca de Jesus é acompanhado por três fatos estranhos que, no entanto, devem ser entendidos em referência a fatos e símbolos do Antigo Testamento…
Assim, a abertura do céu significa a união da terra e do céu. A imagem inspira-se, provavelmente, em Is. 63,19, onde o profeta pede a Deus que “abra os céus” e desça ao encontro do seu Povo, refazendo essa relação que o pecado do Povo interrompeu. Desta forma, Lucas anuncia que a atividade de Jesus vai reconciliar o céu e a terra, vai refazer a comunhão entre Deus e os homens.
O símbolo da pomba não é imediatamente claro… Provavelmente, não se trata de uma alusão à pomba que Noé libertou e que retornou à arca (cf. Gn. 8,8-12); é mais provável que a pomba (em certas tradições judaicas, símbolo do Espírito de Deus que, no início, pairava sobre as águas – cf. Gn 1,2) evoque a nova criação que terá lugar a partir da atividade que Jesus vai iniciar. A missão de Jesus é, portanto, fazer aparecer um Homem Novo, animado pelo Espírito de Deus.
Temos, finalmente, a voz do céu. Trata-se de uma forma muito usada pelos rabbis para expressar a opinião de Deus acerca de uma pessoa ou de um acontecimento. Essa voz declara que Jesus é o Filho de Deus; e fá-lo com uma fórmula tomada desse cântico do “Servo de Jahwéh” que vimos na primeira leitura de hoje (cf. Is. 42,1)… A referência ao Servo de Jahwéh sugere que a missão de Jesus, o Filho de Deus, não se desenrolará no triunfalismo, mas na obediência total ao Pai; não se cumprirá com poder e prepotência, mas na suavidade, na simplicidade, no respeito pelos homens (“não gritará, nem levantará a voz; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega” – Is. 42,2-3).
Porque é que Jesus quis ser batizado por João? Jesus necessitava de um batismo cujo significado primordial estava ligado à penitência, ao perdão dos pecados e à mudança de vida? Ao receber este batismo de penitência e de perdão dos pecados (do qual não precisava, porque Ele não conheceu o pecado), Jesus solidarizou-Se com o homem limitado e pecador, assumiu a sua condição, colocou-Se ao lado dos homens para os ajudar a sair dessa situação e para percorrer com eles o caminho da libertação, o caminho da vida plena. Esse era o projeto do Pai, que Jesus cumpriu integralmente.
A cena do Batismo de Jesus revela, portanto, essencialmente, que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projeto de libertação em favor dos homens. Como verdadeiro Filho, Ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai; por isso, vem ao encontro dos homens, solidariza-Se com eles, assume as suas fragilidades, caminha com eles, refaz a comunhão entre Deus e os homens que o pecado havia interrompido e conduz os homens ao encontro da vida em plenitude. Da atividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade.
ATUALIZAÇÃO
• No episódio do Batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica… É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens e que, através da ação do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. Aquilo que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida. Ora, no dia do nosso Batismo, comprometemo-nos com esse projeto… Temos, depois disso, renovado diariamente o nosso compromisso e percorrido, com coerência, esse caminho que Jesus nos veio propor?
• A celebração do batismo do Senhor leva-nos até um Jesus que assume plenamente a sua condição de “Filho” e que Se faz obediente ao Pai, cumprindo integralmente o projeto do Pai de dar vida ao homem. É esta mesma atitude de obediência radical, de entrega incondicional, de confiança absoluta que eu assumo na minha relação com Deus? O projeto de Deus é, para mim, mais importante de que os meus projetos pessoais ou do que os desafios que o mundo me faz?
• O episódio do Batismo de Jesus coloca-nos frente a frente com um Deus que aceitou identificar-Se com o homem, partilhar a sua humanidade e fragilidade, a fim de oferecer ao homem um caminho de liberdade e de vida plena. Eu, filho deste Deus, aceito ir ao encontro dos meus irmãos mais desfavorecidos e estender-lhes a mão? Partilho a sorte dos pobres, dos sofredores, dos injustiçados, sofro na alma as suas dores, aceito identificar-me com eles e participar dos seus sofrimentos, a fim de melhor os ajudar a conquistar a liberdade e a vida plena? Não tenho medo de me sujar ao lado dos pecadores, dos marginalizados, se isso contribuir para os promover e para lhes dar mais dignidade e mais esperança?
• No Batismo, Jesus tomou consciência da sua missão (essa missão que o Pai Lhe confiou), recebeu o Espírito e partiu em viagem pelos caminhos poeirentos da Palestina, a testemunhar o projeto libertador do Pai. Eu, que no Batismo aderi a Jesus e recebi o Espírito que me capacitou para a missão, tenho sido uma testemunha séria e comprometida desse programa em que Jesus Se empenhou e pelo qual Ele deu a vida?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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Jesus é batizado. o nosso batismo
– Jesus quis ser batizado. Instituição do Batismo cristão. Agradecimento.
– Efeitos do Batismo: limpa o pecado original, nova vida, filiação divina, etc.
– Incorporação à Igreja. Chamada à santidade e ao apostolado. Batismo das crianças.
I. NA SOLENIDADE DE HOJE, comemoramos o batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter mancha alguma que purificar, Jesus quis submeter-se a esse rito tal como se submetera às observâncias da Lei de Moisés, que também não o obrigavam.
O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”1. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo o poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo2.
O dia em que fomos batizados foi o mais importante da nossa vida, pois nele recebemos a fé e a graça. Assim como “a terra árida não dá fruto se não recebe água, assim também nós, que éramos como lenha seca, nunca daríamos frutos de vida sem esta chuva gratuita do alto”3. Antes de recebermos o batismo, todos nós nos encontrávamos com a porta do Céu fechada e sem nenhuma possibilidade de dar o menor fruto sobrenatural.
A nossa oração pode ajudar-nos hoje a agradecer por termos recebido esse dom imerecido e a alegrar-nos por tantos bens que Deus nos concedeu. “A gratidão é o primeiro sentimento que deve nascer em nós da graça batismal”4. Devemos agradecer a Deus que nos tenha purificado a alma da mancha do pecado original, bem como de qualquer outro pecado que tivéssemos naquele momento. Todos nós somos membros da família humana, que foi danificada na sua origem pelo pecado dos nossos primeiros pais. Este “pecado original transmite-se juntamente com a natureza humana, por propagação, não por imitação, e está em cada um como algo próprio”5. Mas Jesus dotou o Batismo de uma eficácia especialíssima para purificar a natureza humana e libertá-la desse pecado com que nascemos. A água batismal significa e atualiza de um modo real o que é evocado pela água natural: a limpeza e a purificação de toda a mancha e impureza6.
“Graças ao sacramento do Batismo tu te converteste em templo do Espírito Santo: não te passe pela cabeça – exorta-nos São Leão Magno – afugentar com as tuas más ações um hóspede tão nobre, nem voltar a submeter-te à servidão do demônio, porque o teu preço é o sangue de Cristo”7.
II. DEUS ETERNO e todo-poderoso, que, quando Cristo foi batizado no Jordão, e sobre ele pairou o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, a perseverança contínua no vosso amor8.
O Batismo iniciou-nos na vida cristã. Foi um verdadeiro nascimento para a vida sobrenatural. É a nova vida pregada pelos Apóstolos e da qual Jesus falara a Nicodemos: Em verdade te digo que quem não nascer do alto não poderá ver o Reino de Deus... O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito9. O resultado desta nova vida é uma certa divinização do homem e a capacidade de produzir frutos sobrenaturais.
A nossa dignidade mais alta – a condição de filhos de Deus, que nos é comunicada ao sermos batizados – é conseqüência dessa nova geração. Se a geração humana dá origem à “paternidade” e à “filiação”, de maneira semelhante aqueles que são gerados por Deus são realmente seus filhos: Vede que amor nos teve o Pai em querer que nos chamássemos filhos de Deus, e que o sejamos realmente! Caríssimos, agora nós somos filhos de Deus...10
No momento do batismo, pela efusão do Espírito Santo, produz-se, pois, o milagre de um novo nascimento. Numa das orações que se rezam quando a água batismal é abençoada na noite da Páscoa, pede-se que assim como o Espírito Santo desceu sobre Maria e produziu nEla o nascimento de Cristo, da mesma forma desça Ele sobre a sua Igreja e produza no seu seio materno (a pia batismal) o renascimento dos filhos de Deus. Estas palavras tão expressivas correspondem a uma profunda realidade: o batizado renasce para uma vida nova, a vida de Deus, e por isso é seu “filho”. E se somos filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo11.
Agradeçamos ao nosso Pai-Deus que tenha querido conceder-nos dons tão incomensuráveis, tão fora de qualquer padrão. Como pode fazer-nos bem considerar freqüentemente estas realidades! “«Padre» – dizia-me aquele rapagão (que será feito dele?), bom estudante da [Universidade] Central –, «estava pensando no que o senhor me falou..., que sou filho de Deus! E me surpreendi, pela rua, de corpo «emproado» e soberbo por dentro... Filho de Deus!» – Aconselhei-o, com segura consciência, a fomentar a «soberba»”12.
III. NA IGREJA, ninguém é um cristão isolado. A partir do batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. “Foi vontade de Deus que a santificação e a salvação dos homens não se dessem isoladamente, sem nenhuma conexão entre uns e outros, mas constituindo todos um povo que o confessasse em verdade e o servisse santamente”13. Ora, o Batismo é a porta por onde se entra na Igreja14.
“E na Igreja, precisamente pelo Batismo, somos todos chamados à santidade”15, cada um no seu próprio estado e condição. “A chamada à santidade e a conseqüente exigência de santificação pessoal são universais: todos, sacerdotes e leigos, estamos chamados à santidade; e todos recebemos, com o batismo, as primícias dessa vida espiritual que, por sua própria natureza, tende à plenitude”16.
Outra verdade intimamente unida a esta, a da condição de membros da Igreja, é a do caráter sacramental do Batismo, “um certo sinal espiritual e indelével” impresso na alma17. É como um selo que exprime o domínio de Cristo sobre a alma do batizado. Cristo tomou posse da nossa alma no momento em que fomos batizados. Ele nos resgatou do pecado com a sua Paixão e Morte.
Com estas considerações, compreendemos bem por que é de desejar que as crianças recebam sem demora esses dons de Deus18. Desde sempre a Igreja pediu aos pais que batizassem os seus filhos quanto antes. É uma demonstração prática de fé. Não é um atentado contra a liberdade da criança, da mesma forma que não foi uma ofensa dar-lhe a vida natural, nem alimentá-la, limpá-la, curá-la, quando ela própria não podia pedir esses bens. Pelo contrário, a criança tem direito a receber essa graça. No Batismo está em jogo um bem infinitamente maior do que qualquer outro: a graça e a fé; talvez a salvação eterna. Só por ignorância e por uma fé adormecida se pode explicar que muitas crianças sejam privadas pelos seus próprios pais, já cristãos, do maior dom da sua vida.
A nossa oração dirige-se hoje a Deus, para que não permita que isso aconteça. Que bom apostolado podemos e devemos fazer, em tantos casos, com amigos, colegas, conhecidos...
Francisco Fernández-Carvajal


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