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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

1º DOMINGO QUARESMA Ano C

1º DOMINGO QUARESMA
Ano C

Cor: Roxo

14 de Fevereiro de 2016

1ª Leitura - Dt 26,4-10


Salmo - Sl 90,1-2.10-11.12-13.14-15 (R. cf.15b)


2ª Leitura - Rm 10,8-13



Evangelho - Lc 4,1-13




Este é o primeiro domingo da quaresma, tempo de penitência, oração e conversão. E a Igreja começa nos lembrando de que para conseguir a purificação, a conversão, precisamos começar pelo combate às tentações. Pois é por elas que nos perdemos na estrada, e podemos nunca alcançar o caminho certo da casa do Pai, nossa morada eterna. Continua


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FIEIS A CRISTO VENCEREMOS TODAS AS TENTAÇÕES! – Olivia Coutinho

1º DOMINGO DA QUARESMA

Dia 14 de Fevereiro de 2016

Evangelho Lc4,1-13

Estamos no início da quaresma, um tempo forte na vida da Igreja e de todos que se dispõe a caminhar com o Cristo vencedor!
A liturgia deste tempo Quaresmal, tem como propósito, despertar em nós, o desejo de mudança, de reavermos os valores  que deixamos de lado, por estarmos iludidos com as propostas  do mundo!
Nas palavras de Jesus, durante este  tempo, há sempre um apelo de conversão! E todos nós sabemos que não é fácil percorrer o caminho da conversão, afinal, mudanças, é sempre um grande desafio, requer muita coragem, determinação, renuncias e acima de tudo, o constante exercício do perdão! Mas mesmo sendo um caminho difícil, vale apena segui-lo, afinal, não tem alegria maior do que o nosso retorno ao coração do Pai!
Somos chamados a viver esse tempo no espírito da fé, deixando para trás a  escuridão do passado que nos impedia de aproximarmos da Luz! O pecado, interrompe o nosso relacionamento com Deus, mas a porta do seu coração misericordioso nunca fecha, ela está sempre aberta para nos receber de volta, basta querermos voltar!
No evangelho de hoje, vemos que Jesus, na sua condição humana, foi tentado a desistir da sua missão, a trocar o projeto de Deus por bens materiais, mas a sua resposta foi taxativa: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Jesus foi tentado a aceitar e a confiar no poder do demônio, mas Ele respondeu com firmeza: ”Não tentarás o Senhor teu Deus.”
O Filho de Deus venceu o inimigo por estar fortalecido no Espírito do Pai, Ele se manteve firme no propósito de levar em frente a sua missão: libertar a humanidade da escravidão do pecado!
Assim como aconteceu com Jesus, acontece também conosco, a tentação do TER, e do PODER, está sempre a nos rondar, precisamos  estarmos  sempre  vigilantes para não sermos pegos de surpresa, pois a tentação é oportunista, ela surge inesperadamente, principalmente quando nos propomos a mudar de vida ou quando estamos enfraquecidos na fé! Para nos seduzir, o mal chega até a nós disfarçado do bem, por isto, precisamos  estar  sempre atentos para não tornarmos presas fácies, deixando-nos enganar pelas aparências!
Ninguém está livre das tentações, elas estão presentes em toda parte, principalmente onde existe o bem, para vencê-la, é importante estarmos sempre em sintonia com Deus, perseverantes na fé, munidos da arma mais poderosa que temos ao nosso alcance: a oração!
Ser tentado, não significa pecar, pecar é cair na tentação! Todos nós, já passamos pela experiência de ser tentado, o próprio Jesus viveu esta experiência,  é a nossa ligação com Deus que nos torna resistentes as tentações, que não nos deixa cair nas ciladas preparadas pelo o inimigo!
Que o Espírito de Deus, que fortaleceu Jesus nas tentações, nos fortaleça também,  e que nenhuma proposta do mundo, nos convença a trocar o SER pelo TER.
Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai: “E não nos deixeis cair em tentação”... Peçamos a Ele todos os dias esta graça!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho   
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Neste início de Quaresma, a liturgia faz-nos pensar na Páscoa. Isto porque o tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, maior de todas as festas cristãs.
Na primeira leitura, o Deuteronômio apresenta-nos o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita piedoso confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito... Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos oprimiram. Clamamos ao Senhor... e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão... E o Senhor nos tirou do Egito... E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra... Por isso eu trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”. Éramos ninguém e o Senhor nos libertou, deu-nos uma vida nova – eis o resumo da história e da experiência de Israel! Esta também é a nossa experiência, como Igreja, Novo Israel: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Também a nossa história é de libertação: éramos escravos, todos nós, do grande Faraó, o Pecado que nos destrói e destrói o mundo. Mas Deus enviou o seu Filho numa carne de pecado (numa natureza sujeita às conseqüências do pecado): ele desceu a este mundo e entrou na nossa miséria, até a morte, a nossa morte. Deus o arrancou da morte; ressuscitou-o e fez dele Senhor e Cristo e quem nele crer e confessá-lo como Senhor na sua vida, encontra a salvação; encontra um novo modo de viver, encontra a paz, encontra já agora a comunhão com Deus e, depois, a Vida eterna! Assim, Israel nasceu da Páscoa do deserto; a Igreja nasceu da Páscoa de Cristo. Israel era escravo, atravessou o mar e o deserto e tornou-se um povo livre para o Senhor. Nós éramos escravos, éramos ninguém, atravessamos as águas do Batismo com Cristo, e ainda que caminhemos neste deserto da vida, somos um povo livre para o Senhor nosso Deus.
O tempo da Quaresma prepara-nos para celebrar este mistério tão grande! Recordemos que a ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição, é motivo da nossa comunhão com Deus é a razão da nossa fé cristã! Há apenas dois domingos, são Paulo dizia abertamente: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a vossa fé, ainda estais em vossos pecados!” (1Cor. 15,17). Pois bem, neste sagrado tempo quaresmal, a Igreja nos quer preparar para a santa Páscoa, para que revivamos em nós, pessoal e comunitariamente, a libertação que Cristo nos trouxe com a sua vitória. Por isso, a Quaresma é um tempo de combate espiritual e de luta contra o pecado. É um tempo de exame de consciência e de reorientação de nossa adesão ao Cristo Jesus. Só assim, atravessaremos o deserto dos quarenta dias rumo à Terra Prometida da Páscoa de Cristo, que se torna nossa Páscoa. Nosso caminho quaresmal recorda e celebra tantas quaresmas: a do dilúvio, quando durante quarenta dias e quarenta noites o Senhor Deus purificou a terra e a humanidade; a de Moisés, que durante quarenta dias e quarenta noites jejuou e orou sobre o Sinai para encontrar o Senhor que lhe daria a Lei; a de Israel, que caminhou no deserto durante quarenta anos; a de Elias profeta, que caminhou quarenta dias pelo deserto rumo ao Horeb, monte de Deus; a quaresma de Jesus, que antes de iniciar publicamente seu ministério, jejuou e orou quarenta dias e quarenta noites. Eis o caminho de Deus, eis o nosso caminho: caminho de combate espiritual, de busca de Deus, de luta interior, de conversão! Sem Quaresma ninguém celebra verdadeiramente a Páscoa do Senhor!
O evangelho de hoje, apresentando-nos as tentações de Jesus, nos ensina a combater: ele venceu Satanás ali, onde Israel fora vencido: Israel pecou contra Deus murmurando por pão; Jesus abandonou-se ao Pai e venceu; Israel pecou adorando o bezerro de ouro; Jesus venceu recusando dobrar os joelhos diante da proposta de Satanás; Israel pecou tentando a Deus em Massa e Meriba; Jesus rejeitou colocar Deus à prova. Nas tentações de Cristo estão simbolizadas as nossas tentações: a concupiscência da carne (o prazer e a satisfação desregrada dos sentidos), a concupiscência dos olhos (a riqueza e o apego aos bens materiais) e a soberba da vida (o poder e o orgulho auto-suficiente e dominador). Ora, Jesus foi tentado como nós, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”. A tentação de Jesus foi até a cruz, quando ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós, que nele cremos, que o seguimos, com ele combatemos e o proclamamos Senhor ressuscitado.
Caminhemos neste santo tempo rumo à Páscoa; usemos como armas de combate no caminho quaresmal a oração, a penitência e a esmola do amor fraterno para que, ao final do caminho, sejamos mais conformes à imagem bendita do Cristo Jesus ressuscitado, nosso Senhor e Deus, vencedor do maligno e da morte, a quem seja a glória pelos séculos.
dom Henrique Soares da Costa

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A Quaresma era, nos seus inícios, um tempo forte de preparação para o batismo. Na Quaresma, a pessoa que se tornaria cristã tinha a oportunidade de refletir mais e mais na nova vida que estava assumindo, assim como nas dificuldades que haveria de enfrentar para ser fiel ao evangelho no meio de um mundo pagão.
Hoje a situação não é muito diferente para todos os que pretendem viver de modo cristão. Se nos inícios, para celebrarem a sua fé, aconteceu aos cristãos ter de se esconder nos subterrâneos das catacumbas, atualmente podem celebrar o mais sagrado dos seus mistérios diante das câmeras bisbilhoteiras da televisão. Isso, porém, não quer dizer que tenha ficado fácil viver hoje de maneira autenticamente cristã.
As tentações de reduzir o sentido da vida ao bem-estar, ao consumismo fácil e até ao desperdício, as tentações dos ídolos do dinheiro e do mercado e os da religião milagreira, que põe a fé a serviço de interesses pessoais, estão fortemente presentes hoje, mais até do que no passado. E esses demônios se vencem com o jejum, com a oração, pela fé e por uma práxis centrada no evangelho.
1º leitura: Dt. 26,4-10
Os donativos das primícias, os primeiros frutos da colheita, eram ocasião para o judeu devoto recordar a presença de Deus na sua história e reconhecê-lo como único Senhor. A Quaresma também é ocasião de recordar as origens de nossa fé, lembrar-nos de onde viemos, para onde vamos e do Deus em que cremos.
O texto escolhido para a 1ª leitura de hoje deixa fora os primeiros versículos, que falam da entrega das primícias. Em outras religiões antigas, a entrega em um templo dos primeiros frutos da colheita celebrava um rito de fecundidade, como se fosse a nova descida de um deus ao interior da terra para torná-la fecunda.
A religião de Israel, porém, é uma religião histórica. Seu Deus não está na natureza nem tem que ver com um mito que apenas repete os ciclos naturais. Seu Deus é Javé, que se manifesta na história. E essa história tem começo e tem destino.
É uma história de libertação. Começa com um arameu errante, passa pela opressão sofrida no Egito e avança para a entrada na terra, com a posse de uma terra onde correm leite e mel. O errante se torna estável, o escravo se torna livre, o carente se torna senhor.
A solidariedade horizontal explicitada no v. 11, ausente do texto de hoje, inclui uma solidariedade vertical, que remete até a um primeiro pai de todos. Tudo o que sucedeu a cada geração faz parte da nossa vida.
2º leitura: Rm. 10,8-13
Falando a cristãos não judeus e tendo em vista cristãos judeus que retornavam para Roma em situação de inferioridade, Paulo insiste na igualdade entre todos perante a oportunidade de salvação.
Extremamente pobres, os judeus que viviam em Roma tinham sido expulsos da cidade, como diz um historiador daqueles tempos, “por causa das frequentes agitações provocadas (em seus bairros) por certo Crestos”. As agitações aconteciam por discussões em torno de Jesus, se seria ele o Messias (Cristo) ou não.
O fato é que agora Nero permitiu a volta dos judeus. Os cristãos judeus vão querer novamente se integrar nas comunidades de onde saíram, as quais agora só têm cristãos não judeus, também chamados simplesmente de gregos. Será fácil se entrosar com eles? Não serão os judeus humilhados mais uma vez? Por que a maioria deles não aceitou a fé em Jesus? A salvação é um privilégio dos não judeus?
Essas e outras perguntas fervilhavam na cabeça de Paulo quando escreveu aos romanos. No trecho lido hoje, ele fala da esperança de os judeus também chegarem à fé e à salvação em Jesus. Não há diferença: todos, judeus e não judeus, ou gregos, podem alcançar a salvação em Jesus.
Na liturgia da Quaresma, essas palavras vêm falar fortemente aos que se preparam para receber o batismo na Vigília de Páscoa.
Evangelho: Lc. 4,1-13
Jesus começa a sua missão com uma “quaresma”, 40 dias de provação e jejum. É só um ensaio e uma amostra. As forças do mal continuam lutando contra ele durante toda a sua vida e missão.
Bem característico do Evangelho de Lucas é a referência constante ao Espírito Santo. Repleto dele, Jesus se afasta do rio Jordão: pelo mesmo Espírito ali ele fora ungido como Messias e agora é conduzido pelo deserto por 40 dias de tentação ou prova. A luta é entre o Espírito, que é vida e liberdade, e o diabo, que é fanatismo e opressão.
É também próprio de Lucas indicar que essas tentações foram apenas um ensaio e amostra. Ele termina o episódio dizendo que o diabo se afastou para voltar no momento oportuno. Esse momento oportuno seria durante o tempo de atividade de Jesus, especialmente a ocasião da sua morte? Pode ser também a volta frequente das mesmas tentações sobre os discípulos de ontem e também de hoje.
A “quaresma” de Jesus se espelha nos 40 anos do êxodo, os 40 anos em que o povo de Deus viveu acampado no deserto, mudando de um lugar para outro em busca da terra prometida. O deserto e as tentações se assemelham. Podemos, assim, traçar um paralelo entre as tentações dos hebreus acampados no deserto, as tentações de Jesus e as tentações de hoje.
Tentações dos hebreus
Fome: Pedem pão, pedem carne, lembram as cebolas do Egito.
Idolatria: Ajuntam seus objetos de ouro para fazer um bezerro de ouro e adorá-lo.
Moisés cai na tentação e pergunta: “Será que Deus pode fazer brotar água desta pedra?”
Tentações de Jesus
Fome: “Manda que esta pedra se transforme em pão!”
Poder: “Toda essa riqueza será tua se te prostrares para me adorar!”
Providencialismo: “Joga-te daqui a baixo que Deus mandará seus anjos te carregarem!”
Tentações de hoje
Consumismo.
Poder, riqueza, aparência: “Em política e em negócios só não vale perder!”.
Religião de curas: “Joga fora esses remédios que Jesus vai te curar!”
Seria possível ver também, durante a atividade de Jesus no Evangelho segundo Lucas, a volta dessas mesmas tentações? Em 22,28, Jesus diz que os discípulos estiveram com ele em todas as suas tentações ou provações. Quais teriam sido essas provações? Não será muito difícil identificá-las em todo o evangelho e observar sua correspondência com as três amostras que temos aqui.
Quando, diante do entusiasmo da multidão por causa de suas curas, Jesus se retira para a montanha em oração, não está a indicar que não quer ser simples curandeiro? Quando diz que não tem sequer uma pedra onde reclinar a cabeça, não está falando de uma vitória contra a tentação do conforto, do consumismo? Quando, com muitíssima frequência no Evangelho segundo Lucas, Jesus critica os ricos e a riqueza, não estaria também vencendo essa tentação? E a última provação, corajosamente vencida, foi, sem dúvida, a morte de cruz.
A “Quaresma” de Jesus prepara-o para a missão. Aqui ele se treina para superar todas as dificuldades que hão de vir. Assim, aquele que se prepara para o batismo se exercita na Quaresma para, com Jesus, “vencer o mundo”.
Pistas para reflexão
Não seremos batizados novamente, mas a renovação do nosso batismo na Vigília de Páscoa tem de ter um significado verdadeiro. A cada dia temos de nos batizar novamente. E a “Quaresma” de Jesus deve ser modelo da nossa Quaresma.
O jejum significa domínio sobre o primeiro e mais forte instinto, o de sobrevivência. Significa coisas hoje muito esquecidas, como austeridade, respeito, saber seus limites, impor-se limites. A grande tentação hoje tem que ver com a palavra de ordem: “tem vontade, faz!”. Em nome da liberdade, impõe-se a libertinagem. O “senhor Mercado” exige isso, porque jejum, moderação, educação não dão lucro, e libertinagem dá.
As tentações que Jesus venceu estão nos vencendo. “Transforma essa pedra em pão!” As necessidades básicas, o pão, são primordiais, tanto que está o pão no centro do pai-nosso. Mas transformar as pessoas em consumidoras e reduzir o sentido da vida ao conforto e ao consumo nada tem que ver com o pão necessário para hoje. Não obstante, é a ordem do senhor Mercado e é o que mais se vê. Não é mentalidade comum a idéia de que viver bem significa gozar de todos os prazeres que a vida pode oferecer?
Poder e dinheiro: essas tentações existem hoje? É até difícil falar sobre isso; todos estão cansados de ver e saber. Mas não escapam a elas. O dinheiro se pode contar, somar ou diminuir. É muito visível. Outros valores, como honra, dignidade, respeito, solidariedade, não se podem contar nem somar, desaparecem diante do dinheiro. Dinheiro não tem qualidade, só quantidade. Em negócios e em política vale tudo, só não vale perder.
A religião de curas e milagres cresce como uma avalanche. O individualismo e a busca de soluções na religião para problemas psicológicos, afetivos, de saúde a até econômicos são fenômenos que parecem característicos dos nossos tempos. A fé já não é o comprometer-se com um Messias crucificado, mas acreditar na cura, acreditar que Jesus me livra das dificuldades. O centro da religião passa a ser eu.
Quaresma é lutar e vencer essas tentações como fez Jesus.

SEGUNDA HOMILIA

A Palavra faz vencer as tentações
Os quarenta dias de Jesus no deserto fazem lembrar os quarenta anos de caminhada do povo hebreu rumo à Terra Prometida. Tempo de provação, de superação das tentações, ainda que as tentações na vida de Jesus não tenham aparecido apenas nesses quarenta dias. O Evangelho de Lucas, de fato, diz que o diabo se afastou de Jesus para retornar no momento oportuno, na hora da decisão de entregar a vida na cruz, em Jerusalém.
Jesus venceu a tentação de ter comida e vida fáceis, recusando-se a transformar pedra em pão. Venceu a tentação de ter poder e prestígio, negando-se a se submeter ao que é satânico, ou seja, contrário ao projeto de Deus. Venceu a tentação de tentar o próprio Deus, recusando ações e atitudes que distorceriam a palavra de vida.
Obedecendo à palavra, Jesus vai vencendo as tentações e continuando a missão que o Pai lhe havia confiado. E a palavra que iluminou a vida de Jesus ilumina também a nossa. É a palavra que nos alimenta e nos torna comprometidos com a missão de Jesus, para trabalharmos pelo pão para todos. É a palavra que nos recorda que somente a Deus devemos adorar, relativizando todas as outras coisas. É a palavra que dá sentido à nossa existência, quando servimos a Deus servindo os menores de nossos irmãos, tal como fez Jesus.
Iniciando a Quaresma, somos como que convidados a ir com Jesus ao deserto, fazer silêncio dentro de nós mesmos, ouvir sua palavra e deixar que aí ela ecoe, para superarmos a tentação de aceitar o que é contrário aos valores que o Mestre nos ensinou. Assim a Quaresma se tornará, de fato, tempo de preparação para a Páscoa, tempo de provação da nossa fé e do nosso compromisso com Jesus. O mesmo Espírito que guiou Jesus continua nos guiando. Obedientes à palavra de Deus, confiamos que o Mestre está conosco, ajudando-nos a superar as tentações do dia a dia.
padre Paulo Bazaglia, ssp

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Treinamento da fé
Mais uma vez o primeiro domingo da Quaresma, domingo da tentação de Jesus no deserto. Foi tentado pelo demônio e saiu-se vitorioso de todas as invectivas do pai da mentira.  Estamos, efetivamente, vivendo os dias favoráveis e oportunos da Quaresma.
● “A Quaresma  é uma subida à Páscoa, como os israelitas subiam a Jerusalém para apresentar suas ofertas e como Jesus  subiu para oferecer sua vida.  Nossa subida à Páscoa está sob o signo da  provação e a comprovação de  nossa fé. Encaminhamo-nos para uma grande renovação de nossa opção de fé. Se, nos primeiros tempos da Igreja, a Quaresma era a preparação para o batismo e a profissão de fé, para nós  é caminhada de aprofundamento e renovação de nossa fé.  Pois uma fé que não passa por nenhuma prova e não vence nenhuma tentação pode se tornar acomodada, morta. Ora, a renovação de nossa opção de fé não acontece na base de algum exercício piedoso ou cursinho teórico. É uma luta, como foi a tentação  de Jesus no deserto, ao longo de quarenta dias. A fé se confirma e se aprofunda em sucessivas decisões, como as de Jesus, quando resistia com firmeza e perspicácia às tentações mais sutis: riqueza, poder, sucesso.
Precisamos de treinamento em nossa opção por Deus. Antigamente, esse treinamento consistia no jejum, na mortificação corporal. Mas em nossa situação de América Latina, empobrecida e desigual, o treinamento da opção da fé se realiza  sobretudo na sempre renovada opção pelos pobres e excluídos, no adestramento para a solidariedade cristã. A Campanha da Fraternidade nos treina  para colocar nossa fé em prática. Adestra-nos para  enfrentar os demônios de hoje, a tentação da idolatria da riqueza, da dominação, da discriminação, da competição.  Exercitamos nossa opção de fé, praticando-a na solidariedade fraterna para, com Jesus, chegar à doação  da própria vida, na hora da grande prova. Quem não se exercitar, talvez não saberá resistir” (Johan Koning, Liturgia dominical, Vozes, p. 367).
● A Quaresma é um tempo de ascese.  “A ascese cristã  nunca foi fim em si mesma; é apenas um meio, um método a serviço da vida e como tal procurará adaptar-se às novas necessidades. Outrora, a ascese dos  Padres  do deserto impunha jejuns e privações intensas e extenuantes;  hoje a luta é outra. O homem não tem necessidade de sofrimento suplementar: cilício, cadeias de ferro, flagelações correriam o risco de extenuá-lo inutilmente.  A mortificação de nossa época  consistirá na libertação da necessidade de entorpecentes, pressa, ruídos, estimulantes, drogas, álcool sob todas as formas. A ascese consistirá acima de tudo no repouso imposto a si mesmo, na disciplina da tranquilidade, no silêncio  onde o homem pode concentrar-se para a oração, mesmo em meio a todos os ruídos  do mundo, no metrô, entre a multidão, nos cruzamentos de uma cidade.  Consistirá principalmente na capacidade de compreender dos outros, dos amigos, em cada encontro. O jejum,  ao contrário,  da maceração imposta, será a renúncia alegre do supérfluo, a sua repartição  com os pobres, um equilíbrio espontâneo, tranquilo” (Paul Evdokimow).
frei Almir Ribeiro Guimarães



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Jesus resiste à tentação
Quaresma, quadragésimo dia antes da Páscoa. Na Igreja das origens, era o tempo de preparação para o batismo na noite pascal. Aprendia-se o Credo. Por isso, a 1ª leitura de hoje cita o “credo do israelita”. Ao oferecer as primícias da terra, na primavera (= março-maio, na Palestina), o israelita se lembrava dos quarenta anos passados no deserto, sob a firme condução de Javé Deus, conclusão da peregrinação iniciada por Abraão nas origens do povo. Para ser liberto da escravidão, Israel atravessou o deserto durante quarenta anos, tempo de uma geração: o povo saiu renovado. Tudo isso, o israelita o recordava anualmente ao oferecer suas primícias a Deus.
O cristão, ao apresentar-se diante de Deus, seja na comunidade reunida em assembléia, seja no silêncio de seu coração, recorda uma outra libertação: a que libertou Jesus da morte e o fez passar para a glória, a “passagem” não do anjo exterminador, mas do Cristo, que significa também nossa passagem da morte para a vida. “Jesus é o Senhor… Deus o ressuscitou dos mortos” (Rm. 8,10; 2ª  leitura). Para poder proclamar esta fé, na noite do “novo dia”, Páscoa, o cristão passa um “tempo de quarentena”, para sair completamente renovado.
Também Jesus passou por um “tempo de quarentena” (evangelho). Reviveu toda a história do povo. Conheceu a tentação da fome (cf. Nm. 14), mas recordou o ensinamento de Deus: “Não se vive só de pão” (Dt. 8,3). Conheceu a tentação do bezerro de ouro, ou seja, de adorar um falso deus, que fornecesse riqueza (cf. Ex. 32); mas respondeu, com a palavra de Deus: “Só a Deus adorarás” (Dt. 6,13). Conheceu a tentação mais refinada que se pode imaginar, a de manipular o poder de Deus para encurtar o caminho; mas a experiência de Israel, resumida em Dt. lhe oferece novamente a resposta: “Não tentarás o Senhor, teu Deus” (Dt. 6,16). Jesus venceu o tentador no seu próprio terreno, o deserto, onde moram as serpentes e os escorpiões, onde Deus provou Israel, mas também Israel tinha colocado o próprio Deus à prova (Sl. 95[94],9). Jesus não tentou Deus, mas venceu o tentador. Pelo menos por enquanto, pois a grande tentação ficou para “a hora determinada” (cf. Lc. 22,3.31.39).
Em Lc, Jesus é o grande orante, o modelo do fiel. Jesus resistiu à tentação de tentar Deus: sinal de sua imensa confiança no Pai. Ele professa a fé no único Deus como regra de sua vida. Ele se alimenta com a palavra que sai da boca do Altíssimo. Nossa quaresma deve ser um estar com Jesus no deserto, para, como ele, dar a Deus o lugar central de nossa vida. Como ele, com ele e por ele, pois é dando a Jesus o lugar central, que o damos a Deus também. Neste sentido, a quaresma é realmente “ser sepultado com Cristo”, para, na noite pascal, com ele ressuscitar.
Lc. traz as tentações em ordem diferente de Mt. (cf. ano A). Em Mt. o auge é a tentação de adorar o demônio; em Lc. o “transporte” para Jerusalém. Ora, todo o evangelho de Lc. é uma migração de Jesus para Jerusalém, e a tentação decisiva será a “tentação de Jerusalém”. Jesus resistirá a esse ataque decisivo, na mesma cidade de Jerusalém. Assim, as tentações prefiguram o caminho de Jesus. Por isso é tão importante que nós nos unamos a ele neste “tempo de quarenta”, em espírito de prova de nossa fé e vida.
É isso que lembra a oração do dia: tornar nossa vida conforme à do Cristo. O salmo responsorial é o Sl. 91 [90], que inspirou o Satanás para a terceira tentação, mas que também contém em si a resposta ao Satanás: a ilimitada confiança em Deus.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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Durante o período da Quaresma, o cristão, quer seja na comunidade ou em um encontro pessoal com Deus, prepara seu coração para estar com Jesus no deserto, e dá a Deus o poder de conduzir sua vida.
Após ser batizado no Rio Jordão e apresentado por Lucas na Sua genealogia, Jesus é levado pelo Espírito Santo para o deserto e fica ali durante 40 dias antes de iniciar sua missão de evangelizar e curar. Esses quarenta dias são simbólicos, lembram os 40 dias que Moisés ficou na montanha para firmar aliança com Deus (onde recebeu os 10 mandamentos), os 40 dias que Elias permaneceu no monte Horeb, e ainda, os 40 anos do povo de Israel no deserto.
O deserto Palestino era um lugar perigoso, não era explorado e era habitado por animais selvagens, além de bandidos. Na Sagrada Escritura, é um lugar privilegiado de encontro com Deus, mas foi, para o povo de Israel, um tempo de prova e fracasso no êxodo durante 40 anos, e também para João Batista que ali viveu desde a adolescência. Porém, no que se refere ao tempo de Jesus, o deserto não foi somente um retiro de intimidade com o Pai, mas um lugar de luta extrema.
Jesus é o novo Adão. Ele é tentado como todo homem na carne, nos olhos e na soberba da vida, mas Sua fidelidade ao Pai se mantém preservada. Ele ficou sem comer durante os 40 dias e, sendo reconhecido como Filho de Deus, foi tentado pelo diabo a usar Seus poderes divinos para Seu benefício próprio.
A primeira tentação foi transformar as pedras em pães para saciar Sua fome. Mas Ele responde com as Palavras da Sagrada Escritura, sustento da fé. Ele se recusa a ser o Messias da abundância.
A segunda tentação é um esforço de fazer Jesus adorar outra pessoa que não seja Deus. O diabo afirma que o poder e a glória estão à disposição d’Ele, pois é mentiroso e enganador e muitos caíram nessa conversa antes e depois de Jesus que se manteve fiel ao Pai, e responde novamente com as Palavras do livro do Deuteronômio.  Ele se recusa a ser o Messias do poder.
Lucas apresenta a terceira tentação como o ápice de todas, focada em Jerusalém, centro de todo o poder, realçada como o lugar principal da obra da salvação de Jesus e da vida da Igreja primitiva. O diabo tenta fazer Jesus se desviar do caminho de obediência ao Pai, insultando-O para pôr a Palavra de Deus à prova. Ele se recusa a ser o Messias da vaidade.
Sem nada conseguir, o diabo afasta-se de Jesus até o tempo oportuno, quando voltará a tentá-Lo para testar a Sua condição de Filho amado de Deus na Sua Paixão.
A cena das tentações é simbólica e resume as dificuldades que a humanidade enfrenta desde sempre até hoje no que se refere ao projeto de Deus, e que Jesus teve que enfrentar e superar durante toda a sua vida. A palavra diabo significa empecilho, obstáculos que são apresentados nesta passagem como: a tentação da abundância de alimento que parece resolver tudo, a tentação do poder e da riqueza que gera a ambição, e a tentação do prestígio e da vaidade que se transforma em abuso de poder e da confiança em si mesmo.
Pequeninos do Senhor.

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Vencendo as tentações
Os evangelhos não escamoteiam o fato da tentação na vida de Jesus. Se, por um lado, ao ser tentado, a humanidade do Messias fica patente, uma vez que todo ser humano é passível de tentação, por outro lado, a tentação evidencia a sua santidade.
Ao encarnar-se, Jesus assumiu plenamente a condição humana, sem exigir privilégios por ser Filho de Deus. Sendo assim, esteve sujeito a toda sorte de provações, como: abandonar o itinerário traçado pelo Pai para escolher um projeto de vida baseado no orgulho e na vanglória; usar mal o poder recebido do Pai, e realizar milagres para fazer-se reconhecido pelo povo. Foi tentado a desviar-se da cruz, e escolher o caminho fácil do pacto com as potências mundanas, a fim de realizar sua missão. Foi tentado a buscar fama e admiração, por meio de feitos espetaculares.
A santidade de Jesus revela-se na capacidade de vencer toda sorte de tentação, sem abrir mão do projeto do Pai, embora, devendo sofrer as conseqüências da ousadia de ser fiel.
A cruz será a suprema provação de Jesus. Não lhe faltará o desejo de ser poupado dela. Nem estará imune do pavor gerado por esta cruel circunstância. Todavia, ao superá-la, estará provado, mais do que nunca, ser ele o Filho de Deus, santo e fiel.
Oração
Espírito de fortaleza, permanece sempre comigo, nas horas da tentação, para que, como Jesus, eu seja firme em superá-las.
padre Jaldemir Vitório


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