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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 3 de março de 2016

4º DOMINGO QUARESMA-C

4º DOMINGO QUARESMA

6 de Março de 2016 – C

 

1ª Leitura - Js 5,9a.10-12

Salmo - Sl 33,2-3.4-5.6-7 (R.9a)

2ª Leitura - 2Cor 5,17-21


Evangelho - Lc 15,1-3.11-32






A liturgia deste domingo nos conduz ao arrependimento, a conversão, e a reconciliação com o Pai que nos ama, e sempre facilita e prepara tudo para que voltemos para Ele. Leia mais.


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“... PORQUE ESTE TEU IRMÃO ESTAVA MORTO E TORNOU A VIVER...”
4º DOMINGO DA QUARESMA
Dia 06 de Março de 2016
Evangelho - Lc15,1-3.11-32
 Neste quarto domingo da quaresma, já podemos alargar um pouco mais os nossos passos, pois já temos uma visão clara do caminho que temos pela frente! 
Aprendemos muito nesta nossa caminhada de preparação para a Páscoa, mas  ainda há muito que aprender, afinal, precisamos aprimorar na fé!
A liturgia deste tempo Quaresmal, nos  possibilitou um aprofundamento maior na palavra de Deus, a mergulhamos  no mistério do seu amor, um amor que ultrapassou todos os limites, que não levou em conta as nossas ingratidões!
A realização plena do homem sempre foi e sempre a prioridade de Deus, Ele provou isto, investindo alto no resgate  deste bem que lhe é precioso,  permitindo  que o seu  Filho pagasse com a vida  o preço da nossa liberdade.
Aproveitemos  estes dias que nos separa da grande Festa da vida, para revisar o quanto há de luz e sombras em nossa vida,  pois ainda há tempo de abandonarmos tudo que nos distancia da Luz!
No evangelho de hoje, vemos  que os   fariseus e mestres da lei,criticavam  Jesus  por Ele acolher os pecadores, como se eles não fossem  pecadores também! 
  Em resposta a essas criticas, Jesus conta-lhes uma parábola conhecida, como a parábola do filho pródigo.
 A história  nos mostra com detalhes, a conduta de dois filhos e a atitude misericordiosa de um  pai, diante à ingratidão do filho mais novo e a dureza de coração do filho mais velho.
É interessante observarmos, que o Pai, da história, não interfere  na decisão do filho mais novo quando ele decide sair de casa tomando um rumo diferente  do irmão mais velho. A postura deste pai, que não impediu que o seu filho fizesse a sua escolha,  vem nos falar de Deus, Deus  também é assim conosco, Ele nos deixa livres para fazermos  as nossas escolhas, não interfere nas nossas decisões! 
Na história, fica evidente,  a  paciência de um pai que ama, que não desiste do filho, que espera dia pós dia com os olhos fixos no caminho  a volta do  filho que  havia se enveredado  por caminhos contrários.  
A repreensão, deste  pai,  ao filho mais velho que  sentiu enciumado em relação  ao caloroso acolhimento ao irmão mais novo, que volta pra casa depois de gastar futilmente   os seus  bens, vem nos falar da misericórdia de Deus, Deus  ama a todos igualmente sem distinção! 
O propósito de Jesus, ao contar esta parábola, era mostrar aos fariseus e mestres da lei, a atitude de  Deus diante as nossas imperfeiçoes, o seu olhar de  Pai, é um olhar de misericórdia, um olhar que vê a pessoa e não o seu pecado!
Sabemos que são muitos os que  estão sobre a terra, mas que se sentem soterrados, pessoas que pagam um preço muito alto pelos seus erros, assim com o filho mais novo da historia, pagou. E quantos de nós, que dizemos seguidores de Jesus,  temos  a mesma atitude do filho mais velho, ao invés  de acolhermos  estes irmãos, contribuímos para que eles  se percam cada vez mais com a nossa indiferença, com o nosso preconceito, não lhe dando sequer uma chance para que ele retome o caminho da vida!
Precisamos ter um coração misericordioso, semelhante ao coração do Pai, um coração aberto para acolher  aqueles que erraram, mas que querem redimir-se, o que não significa concordar  com os seus erros e sim,  acreditar que uma pessoa criada a imagem e semelhança de Deus, é merecedora de uma nova chance para refazer a sua vida.  
Enganamos quando pensamos que somente aquele que se dispersou e que aos nossos olhos se afastou  de Deus, são os necessitados de conversão, todos nós somos necessitados de conversão,  até mesmo os que se consideram bons,  como o filho mais velho da parábola!
Para Deus, não existe caminho sem volta e nem ponto final para uma história de amor iniciada na criação.
O amor tem uma força irresistível, é caminho que  traz de volta àquele que dispersou! Sejamos, pois, a força deste amor na vida do outro!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho   
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A alegria da reconciliação e renovação
Hoje é Laetare, dia das rosas em Roma e dia de alegria no meio da penitência. Como combinar alegria e penitência? A penitência tem por fim a alegria, porque é inspirada pelo desejo de Deus. A penitência, no A.T., chama-se “volta”. O que isso significa, descreve-nos o mestre-narrador Lucas, na parábola do Filho Pródigo (evangelho).
O filho pródigo foi longe, geográfica e moralmente. Mas sentindo falta do amor autêntico de seu pai e indigno a seus próprios olhos de ser chamado filho de tão bondoso pai, voltou para sua casa. Essa volta foi uma alegria, em primeiro lugar, para o pai! Este é o mistério do domingo Laetare. Enquanto nós estamos ainda impressionados com nossas desistências, egoísmos e rejeições passadas, Deus já enxerga a vida nova que brota em nós, e alegra-se. O que estava morto, voltou a viver; o que estava perdido, foi encontrado (Lc. 15,32; cf. 19,10).
A 2ª leitura nos ajuda a penetrar no sentido destas palavras finais do pai do filho pródigo: a reconciliação (em Cristo) é uma nova criação. O velho passou, tudo é novo. A vergonha de nosso pecado é apagada. Deus mesmo tornou “(sacrifício pelo) pecado” seu Filho (que não conheceu o pecado), para que nós fôssemos sem pecado. Nestas palavras, percebemos um eco da 1ª leitura: assim como Israel, no fim do êxodo da escravidão, celebrou, já na Terra prometida, a sua “passagem” com o pão novo, sem o velho fermento, agora tudo é novo (cf. 1Cor. 5,7-8).
Para muita gente, o que Jesus conta no evangelho parece fácil demais. O filho pródigo, “esse sem-vergonha”, esbanja tudo, depois volta para casa, Deus perdoa e tudo está bem de novo. É fácil demais e, além disso, injusto para quem acha que fez tudo direitinho e não ganhou nada por isso. Ora, quem fala assim não entende nada de Deus. Deus não é um fiscal. É um criador. Ele criou sem estar devendo nada a ninguém. Ele também não fica devendo ao pecado que nós fazemos, quando decide recriar-nos. Basta que o deixemos fazer. Esse “deixar Deus fazer” é, exatamente, a conversão. E é exatamente o que o filho mais velho não faz. Não dá a Deus a alegria de fazer uma nova criação!
A conversão de um pecador é difícil. Exige que ele queira sair “da sua”. Mais difícil, porém, é a conversão de quem se considera justo. Será então melhor ser pecador? Eu até diria que sim, num certo sentido: é menos perigoso ser autêntico na desobediência e no egoísmo do que, por medo ou por implícito cálculo de compensação, esconder o que se tem por dentro e ficar endurecido pelo fato de agir sem convicção, sem ânimo …
Ora, como muitos fiéis que vêm às nossas igrejas estão na posição do filho mais velho, a tarefa da catequese litúrgica para este domingo é bastante difícil: como tirar o calo da autossuficiência dos corações dos bons cristãos? Porém, se isto não acontecer, não poderão participar da alegria do Laetare… “Ilumina, Senhor, nossos corações com o esplendor de tua graça” (oração final).
Johan Konings "Liturgia dominical"


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O quarto domingo da Quaresma é conhecido como Laetare, dia da alegria no meio da penitência, o dia das rosas, onde os cristãos antigos presenteavam-se com as primeiras rosas da primavera.
No Evangelho de hoje os fariseus e mestres da Lei não entendem o conceito e os princípios que regem os ensinamentos de Jesus e por isso criticam suas atitudes com os pobres, pagãos e cobradores de impostos.
Jesus responde a eles com três parábolas: “A ovelha perdida” a partir da realidade do homem, “A moeda perdida” a partir da realidade da mulher e “O filho pródigo”, onde Ele fala não somente do filho que se perdeu, mas do também do filho mais velho que tem dificuldades em aceitá-lo de volta.
A parábola do filho pródigo que Jesus lhes conta é muito conhecida pelos cristãos porque traz a mensagem do amor e do verdadeiro perdão do Pai. Seu foco é a misericórdia de Deus para com os seus filhos que erram e se arrependem. Para os hebreus o filho que abandona o pai está abaixo até dos porcos que têm acesso a alimentação, e ele não. O filho mais novo abandonou sua família, levou seus bens de herança antecipadamente e sua volta era improvável. Ele perde tudo, se arrepende porque está sofrendo, volta pelo mesmo caminho que foi embora e este fato mostra a verdadeira conversão, porque vem ao encontro da fonte primeira de vida que é o Amor. Seu irmão reage como os fariseus e, opostamente ao amor do pai, sente-se traído, não entende a psicologia e a reação da acolhida do filho que havia abandonado o pai e desperdiçado seus bens. O orgulho e o ressentimento não permitem a aceitação da volta do irmão. Mas o pai ama seus filhos igualmente e vai ao encontro dos dois. Ele está feliz com a volta daquele que ele considerava perdido, pois é mais importante ele estar vivo do que qualquer erro omitido, pois agora estava arrependido, assim também como vai amorosamente ao encontro do filho mais velho chamando-o para participar da reunião familiar. Nesta atitude alegre do Pai se encontra o verdadeiro Amor e a necessária misericórdia para a vida dos cristãos. Jesus quer mostrar o nova relação que Deus deseja ter com os homens, uma relação do arrependimento do pecador com a Sua misericórdia.
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A mesquinhez censurada
É flagrante o contraste entre a misericórdia do pai que recebe o filho arrependido de volta à casa paterna, e a mesquinhez do filho mais velho. A alegria contagiante de um choca-se com a irritação do outro. A capacidade de perdoar de um não corresponde à dureza de coração do outro. A largueza de visão de um não bate com o egoísmo do outro.
A parábola do pai cheio de amor - Deus - é uma aberta denúncia a determinado tipo de cristãos que, fechados na segurança de sua vida devota, acabam por cultivar atitudes contrárias ao modo de ser divino. Entre elas, a incapacidade de se alegrar com a conversão dos pecadores, quiçá preferindo que continuem em seu meu caminho, a fim de não se misturarem com os que se consideram justos diante de Deus. Tais pessoas parecem cultivar um desejo mórbido de ver os pecadores devidamente castigados por suas faltas. Tudo pelo falso orgulho de ser julgarem perfeitos e impecáveis diante de Deus.
Pensando bem, embora tendo permanecido na casa paterna, também o filho mais velho deveria passar por um processo de conversão. Sua recusa em alegrar-se com a volta do irmão manifestou o quanto estava distante do pai. A proximidade física não correspondia à proximidade espiritual. Estava mais distante do pai do que o filho mais novo, em sua fase de vida desregrada. Por isto, devia, ele também, empreender o caminho de volta para a casa paterna.
padre Jaldemir Vitório

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Converter-se parece ser alguma coisa difícil. De fato não é fácil aceitar que estejamos errados, que tenhamos cometido alguma falta ou pecado, reconhecer que o outro tem razão; não é fácil aceitar que alguma coisa deve ser mudada em nossa vida pessoal ou que devemos nos esforçar para mudar sistemas e estruturas que impedem a realização plena do ser humano. No entanto, converter-se ao Senhor nosso Deus não é difícil, por ser Ele quem é.
Todos conhecemos a parábola do filho pródigo no Evangelho de São Lucas. São três personagens em cena: um pai e dois filhos. O filho mais novo é o filho pródigo, isto é, esbanjador. Ele pega a parte da sua herança e sai de casa. Vive uma vida desregrada e, como não tinha mais com que sobreviver, decide voltar para a casa do pai. Inventa uma frase para pedir desculpas e poder ser aceito de volta.
O filho mais velho fica em casa, é trabalhador, ajuda o pai, mas não compreende nem aceita que o pai receba de volta o irmão esbanjador. A atitude do que saiu de casa não foi boa, como não foi boa a atitude do que ficou. Nessa história somente o pai é bom. Ele é a figura de Deus. A gente se lembra do que Jesus disse um dia: "Só Deus é bom". O pai acolhe de braços abertos o filho pródigo. Nem presta atenção à frase decorada que ele tem a lhe dizer para se desculpar.
O pai também se aproxima do filho mais velho, o que ficou em casa, para ajudá-lo a se abrir, a superar a raiva e aceitar tanto o irmão mais novo quanto o pai em sua atitude de acolhida.
 Ninguém precisa ter medo de Deus. Podemos voltar a qualquer momento e a partir de qualquer situação. Nem será preciso inventar desculpas. Basta voltar, estar lá de novo diante d'Ele, que Ele nos acolherá de braços abertos, nos dará roupa nova, fará uma festa. Acolhidos em Cristo, somos uma nova criatura.
Tudo agora é novo. Jesus assumiu a nossa falta. Ele se fez pecado por nós para nos tornarmos justiça de Deus, ensina São Paulo. Podemos nos aproximar com confiança do trono da graça. Ninguém vai ter dificuldade de se encontrar com o Pai. Poderá haver alguma dificuldade no encontro com o irmão. É o irmão que precisa da nossa conversão. Quando nos convertemos a Deus, nós nos convertemos aos outros. Uma vez acolhidos, abraçados, perdoados, nossa atitude para com os outros deverá ser totalmente nova.
Os chefes do mundo, senhores da guerra e donos do dinheiro podem ser tocados por Deus no mais íntimo de suas vidas. Rezamos para que isso aconteça, como já aconteceu, que um poderoso deste mundo seja tocado pela graça de Deus e se converta aos outros. Deus, porém, age pelas causas segundas.
O testemunho cristão da liberdade diante dos bens deste mundo e da tranquilidade de um coração que repousa em Deus é o caminho normal das conversões. O ambicioso deve perceber que é possível ser feliz sem precisar de muita coisa. A Igreja está no mundo como sacramento de salvação. Seu testemunho alegre e despojado, a simplicidade de sua vida e a grandeza de seu coração tornam alegre seu testemunho que diz ao mundo: "Vejam de quanta coisa eu não preciso".
cônego Celso Pedro da Silva


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A fidelidade de Deus
A Sagrada Escritura recorda a história da obra de Deus em favor do seu povo para que Israel, nascido do êxodo, viva a fidelidade a seu Deus. A fidelidade de Israel ao Deus único e verdadeiro se apoia na memória da obra de Deus em seu favor. No Antigo Testamento, o povo é sustentado pela fidelidade de Deus.
O protagonista da parábola dos dois filhos é o pai misericordioso e compassivo. O filho mais novo, depois de esbanjar tudo o que ele tinha recebido do pai, volta para a casa do pai, não por consideração a ele, propriamente, mas porque queria matar a fome (cf. vv. 6-17). Tudo o que pensa dizer e dirá ao pai é meio para alcançar o que efetivamente queria: matar a fome. Mas o pai conhece profundamente o seu filho (ver: Sl. 138[139]), por isso não leva em conta a sua artimanha: acolhe-o e devolve a ele a dignidade que o pecado o fizera perder (cf. vv. 20b-24). A atitude de compaixão do pai provoca a reação surpreendente do filho mais velho: a raiva e a recusa de participar da festa (cf. v. 28). O filho mais velho é convidado a entrar no coração do pai, pois "há mais alegria no céu por um pecador que se converte do que noventa e nove justos que não precisam de conversão" (cf. vv. 7.10.23-24).
A acolhida, o perdão e o cuidado de Deus, expressão da sua fidelidade, é o que permite ao filho mais novo, que esbanjou os bens recebidos, entrar na casa do pai e receber, como dom, a esperança de uma vida transfigurada pelo amor, manifestado também no abraço e nos beijos paternos (cf. Lc. 15,20). O filho mais velho, resistente, fechado na sua própria "justiça", é convidado a entrar no coração do mistério do amor misericordioso de Deus, e tirar as consequências práticas de sua filiação (cf. v. 31). A um e outro filho, a todos, é instigante esta palavra: "Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo" (2Cor. 5,17).
Carlos Alberto Contieri,sj

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Este domingo hodierno marca como que o início de uma segunda parte da Santa Quaresma. Primeiramente é chamado “domingo laetare”, isto é “domingo alegra-te”, porque, no Missal, a antífona de entrada traz as palavras do Profeta Isaías: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações!” Um tom de júbilo na sobriedade quaresmal! É que já estamos às portas “das festas que se aproximam”. A Igreja é essa Jerusalém, convidada a reunir seus filhos na alegria, pela abundância das consolações que a Páscoa nos traz! Este tom de júbilo aparece nas flores que são colocadas hoje na igreja e na cor rosa dos paramentos do celebrante.
Depois deste domingo, o tom da Quaresma muda. A partir de amanhã, até a Semana Santa, todos os evangelhos da Missa serão de são João. Isto porque o Quarto Evangelho é, todo ele, como um processo entre os judeus e Jesus: os judeus levarão Jesus ao tribunal de Pilatos. Este condená-lo-á, mas Deus haverá de absolvê-lo e ressuscitá-lo! A partir de amanhã também, a ênfase da Palavra de Deus que ouviremos na Missa da cada dia, deixa de ser a conversão, a penitência, a oração e a esmola, para ser o Cristo no mistério de sua entrega de amor, de sua angústia, ante a paixão e morte que se aproximam.
Em todo caso, não esqueçamos: a Quaresma conduz à Páscoa. A primeira leitura da Missa pô-lo recorda ao nos falar da chegada dos israelitas à Terra Prometida. Eles celebraram a Páscoa ao partirem do Egito e, agora, chegando à Terra Santa, celebram-na novamente. Aí, então, o maná deixou de cair do céu. Coragem, também nós: estamos a caminho: nossa Terra Prometida é Cristo, nossa Páscoa é Cristo, nosso maná é Cristo! Ele, para nós, é, simplesmente, tudo! Estão chegando os dias solenes de celebração de sua Páscoa!
Quanto à liturgia da Palavra, chama-nos atenção hoje a parábola do filho pródigo. Por que está ela aí, na Quaresma? Recordemos como Lucas começa: “Naquele tempo, os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para escutá-lo. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”. Então: de um lado, os pecadores, miseráveis sem esperança ante Deus e ante os homens, que, agora, cheios de esperança nova e alegria, aproximam-se de Jesus, que se mostra tão misericordioso e compassivo. Do outro lado, os homens de religião, os praticantes, que sentem como que ciúme e recriminam duramente a Jesus! É para estes que Jesus conta a parábola, para explicar-lhes que o seu modo de agir, ao receber os pecadores, é o modo de agir de Deus!
Quem é o Pai da parábola? É o Deus de Israel, o Pai de Jesus. Quem é o filho mais novo? São os pecadores e publicanos. Este filho sem juízo deixou o Pai, largou tudo, pensando poder ser feliz por si mesmo, longe de Deus, procurando uma liberdade que não passava de ilusão. Como ele termina? Longe do Pai, sozinho, humilhado e maltrapilho, sem poder nem mesmo comer lavagem de porcos - recordemos que, para os judeus, os porcos são animais impuros! Mas, no seu pecado, na sua loucura e na sua miséria, esse jovem é sincero e generoso: caiu em si, reconheceu que o Pai é bom (como ele nunca tinha parado para perceber), reconheceu também que era culpado, que fora ingrato... e teve coragem de voltar: confiou no amor do Pai. Cheio de humildade, ele queria ser tratado ao menos como um empregado! Esse moço tem muito a nos ensinar: a capacidade de reconhecer as próprias culpas, a maturidade de não jogar a responsabilidade nos outros, a coragem de arrepender-se, a disposição de voltar, confiando no amor do Pai! Para cada filho que volta assim, o Pai prepara uma festa (a Páscoa) e o novilho cevado (o próprio Cristo, cordeiro de Deus) e um banquete (a Eucaristia) e a melhor veste (a veste alva do batismo, cuja graça é renovada na reconciliação).
E o filho mais velho, quem é? São os escribas e fariseus, são os que pensam que estão em ordem com o Pai e não lhe devem nada, são os que se acham no direito de pensar que são melhores que os demais e, por isso, merecem a salvação. O filho mais velho nunca amou de verdade o Pai: trabalhou com ele, nunca saiu do lado dele, mas fazendo conta de tudo, jamais se sentindo íntimo do Pai, de tudo foi fazendo conta para, um dia, cobrar a fatura: “Eu trabalho para ti a tantos anos, jamais desobedeci qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos” O filho nunca compreendera que tudo quanto era do Pai era seu... porque nunca amara o Pai de verdade: agia de modo legalista, exterior, fazendo conta de tudo... E, agora, rancoroso, não aceitava entrar na festa do Pai, no coração do Pai, no amor do Pai, para festejar com o Pai a vida do irmão! O Pai insiste para que entre... mas, os escribas e os fariseus não quiseram entrar na festa do Pai, que Jesus veio celebrar neste mundo...
Quem somos nós, nesta parábola? Somos o filho mais novo e somos também o mais velho! Somos, às vezes, loucos, como o mais jovem, e duros e egoístas, como o mais velho. Pedimos perdão como o mais novo, e negamos a misericórdia, como o mais velho. Queremos entrar na festa do Pai como o mais novo, e, às vezes, temos raiva da bondade de Deus para com os pecadores, como o mais velho! Convertamo-nos!
São Paulo nos ensinou na epístola que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo com ele e fez de nós, criaturas novas. O mundo velho, marcado pelo pecado, desapareceu. Em nome de Cristo, Paulo pediu – e eu vos suplico também: “Deixai-vos reconciliar com Deus! Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus!”
Alegremo-nos, pois! Cuidemos de entrar na festa do Pai, que Cristo veio trazer: peçamos perdão a Deus, demos perdão aos irmãos! “Como o Senhor vos perdoou e acolheu, perdoai e acolhei vossos irmãos!” Deixemos que Cristo nos renove, ele que é Deus bendito pelos séculos.
A liturgia de hoje convida-nos à descoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida de comunhão com Ele.
O Evangelho apresenta-nos o Deus/Pai que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça dos homens.
A segunda leitura convida-nos a acolher a oferta de amor que Deus nos faz através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em quem se manifesta o homem Novo.
A primeira leitura, a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.
1ª leitura: Js. 5,9a.10-12 - AMBIENTE
O livro de Josué narra a entrada e a instalação do Povo de Deus na Terra Prometida. Recorrendo ao gênero épico (relatos enfáticos, exagerados, maravilhosos) e apresentando idealmente a tomada de posse da Terra como um passeio triunfal do Povo com Deus à frente, os autores deuteronomistas vão sublinhar a ação maravilhosa de Jahwéh que, através do seu poder, cumpre as promessas feitas aos antepassados e entrega a Terra Prometida ao seu Povo. Não é um livro muito preciso do ponto de vista histórico; mas é uma extraordinária catequese sobre o amor de Deus ao seu Povo.
No texto que a liturgia de hoje nos propõe, os israelitas, vindos do deserto, acabaram de atravessar o rio Jordão. Estão em Guilgal, um lugar que não foi ainda localizado, mas que devia situar-se não longe do Jordão, a nordeste de Jericó. Aproxima-se a celebração da primeira Páscoa na Terra Prometida e só os circuncidados podem celebrar a Páscoa (cf. Ex. 12,44.48); por isso, Josué faz o Povo passar pelo rito da circuncisão, sinal da aliança de Deus com Abraão e, portanto, sinal de pertença ao Povo eleito de Jahwéh (cf. Gn. 17,10-11). É neste contexto que aparecem as palavras de Deus a Josué referidas na primeira leitura.
MENSAGEM
O rito da circuncisão, destinado a todos “os que nasceram no deserto, durante a viagem, depois do êxodo” (Js. 5,5), terminou e todos fazem, agora, parte do Povo de Deus. É um Povo renovado, que dessa forma reafirmou a sua ligação ao Deus da aliança. O rito levado a cabo por Josué faz-nos pensar numa espécie de “conversão” coletiva, que põe um ponto final no “opróbrio do Egito” e assinala um “tempo novo” para o Povo de Deus.
A questão central deste texto gira à volta da vida nova que começa para o Povo de Deus. A Páscoa, celebrada nessa terra livre, marca o início dessa nova etapa. Israel é, agora, um Povo novo, o Povo eleito, comprometido com Jahwéh, definitivamente livre da escravidão, que inicia uma vida nova nessa Terra de Deus onde “corre o leite e o mel”.
ATUALIZAÇÃO
• Somos convidados, neste tempo de Quaresma, a uma experiência semelhante à que fez o Povo de Deus de que fala a primeira leitura: é preciso pôr fim à etapa da escravidão e do deserto, a fim de passar, decisivamente, à vida nova, à vida da liberdade e da paz. E a circuncisão? A circuncisão física é um rito externo, que nada significa… O que é preciso é aquilo a que os profetas chamaram a “circuncisão do coração” (Dt. 10,16; Jr. 4,4; cf. Jr. 9,25): trata-se da adesão plena da pessoa a Deus e às suas propostas; trata-se de uma verdadeira transformação interior que se chama “conversão”. O que é que é preciso “cortar” na minha vida ou na vida da minha comunidade cristã (ou religiosa) para que se dê início a essa nova etapa? O que é que ainda nos impede de celebrar um verdadeiro compromisso com o nosso Deus?
• A partir dessa “circuncisão do coração”, podemos celebrar com verdade a vida nova, a ressurreição. A celebração da Páscoa será, dessa forma, o anúncio e a preparação dessa Páscoa definitiva (a Páscoa escatológica), que nos trará a vida plena.
2ª leitura: 2Cor. 5,17-21 - AMBIENTE
Por volta de 56/57, chegam a Corinto missionários itinerantes que se apresentam como apóstolos e criticam Paulo, lançando a confusão. Provavelmente, trata-se ainda desses “judaizantes” que queriam impor aos pagãos convertidos as práticas da Lei de Moisés (embora também possam ser cristãos que condenam a severidade de Paulo e que apoiam o laxismo da vida dos coríntios). De qualquer forma, Paulo é informado de que a validade do seu ministério está a ser desafiada e dirige-se a toda a pressa para Corinto, disposto a enfrentar o problema. O confronto é violento e Paulo é gravemente injuriado por um membro da comunidade (cf. 2Cor. 2,5-11;7,11). Na sequência, Paulo abandona Corinto e parte para Éfeso. Passado algum tempo, Paulo envia Tito a Corinto, a fim de tentar a reconciliação. Quando Tito regressa, traz notícias animadoras: o diferendo foi ultrapassado e os coríntios estão, outra vez, em comunhão com Paulo. É nessa altura que Paulo, aliviado e com o coração em paz, escreve esta Carta aos Coríntios, fazendo uma tranquila apologia do seu apostolado.
O texto que nos é proposto está incluído na primeira parte da carta (2Cor. 1,3-7,16), onde Paulo analisa as suas relações com os cristãos de Corinto. Neste texto em concreto, transparece essa necessidade premente de reconciliação que vai no coração de Paulo.
MENSAGEM
A palavra-chave desta leitura é “reconciliação” (das dez vezes que Paulo utiliza o verbo “reconciliar” e o substantivo “reconciliação”, cinco correspondem a esta passagem). Transparece, portanto, aqui, a angústia de Paulo pelo “distanciamento” dos seus queridos filhos de Corinto e a sua vontade de refazer a comunhão com eles.
Mas, para além da reconciliação entre os coríntios e Paulo, é necessária a reconciliação entre os coríntios e Deus. Daí a ardente chamada do apóstolo a que os coríntios se deixem reconciliar com Deus. “Em Cristo”, Deus ofereceu aos homens a reconciliação; aderir à proposta de Cristo é acolher a oferta de reconciliação que Deus fez. Ser cristão implica, portanto, estar reconciliado com Deus (isto é, aceitar viver com Ele uma relação autêntica de comunhão, de intimidade, de amor) e com os outros homens. Isto significa, na prática, ser uma criatura nova, um homem renovado.
É desta reconciliação que Paulo se fez “embaixador” e arauto; o ministério de Paulo passa por pedir aos coríntios que se reconciliem com Deus e que nasçam, assim, para a vida nova de Deus. É evidente que esta chamada não é só válida para os cristãos de Corinto, mas serve para os cristãos de todos os tempos: os homens têm necessidade de viver em paz uns com os outros; mas dificilmente o conseguirão, se não viverem em paz com Deus.
O texto termina (v. 21) com uma referência à eficácia reconciliadora da morte de Cristo: pela cruz, Deus arrancou-nos do domínio do pecado e transformou-nos em homens novos. Que quer isto dizer? Ao ser morto na cruz pela Lei, Cristo mostrou como a Lei só produz morte, desqualificou-a e afastou-nos dela, permitindo-nos o verdadeiro encontro com Deus; e pela cruz, Jesus ensinou-nos o amor total, o amor que se dá, libertando-nos do egoísmo que impede a reconciliação com Deus e com os irmãos.
ATUALIZAÇÃO
• Ser cristão é, antes de mais, aceitar essa proposta de reconciliação que Deus nos faz em Jesus. Significa que Deus, apesar das nossas infidelidades, continua a propor-nos um projeto de comunhão e de amor. Como é que eu respondo a essa oferta de Deus: com uma vida de obediência aos seus projetos e de entrega confiada nas suas mãos, ou com egoísmo, autossuficiência e fechamento ao Deus da comunhão?
• É “em Cristo” – e, de forma privilegiada, na cruz de Cristo – que somos reconciliados com Deus. Na cruz, Cristo ensinou-nos a obediência total ao Pai, a entrega confiada aos projetos do Pai e o amor total aos homens nossos irmãos. Dessa lição decisiva deve nascer o Homem Novo, o homem que vive na obediência aos projetos de Deus e no amor aos outros. É desta forma que eu procuro viver?
• A comunhão com Deus exige a reconciliação com os outros meus irmãos. Não é uma conclusão a que Paulo dê um relevo explícito neste texto, mas é uma perspectiva que está implícita em todo o discurso. Como me situo face a esta obrigatoriedade (para o cristão) de me reconciliar com os que me rodeiam?
Evangelho: Lc. 15,1-3.11-32 - AMBIENTE
Continuamos no “caminho de Jerusalém”, esse caminho espiritual que Jesus percorre com os discípulos, preparando-os para serem as testemunhas do Reino diante de todos os homens.
Todo o capítulo 15 é dedicado ao ensinamento sobre a misericórdia: em três parábolas, Lucas apresenta uma catequese sobre a bondade e o amor de um Deus que quer estender a mão a todos os que a teologia oficial excluía e marginalizava. O ponto de partida é a murmuração dos fariseus e dos escribas que, diante da avalanche de publicanos e pecadores que escutam Jesus, comentam: “este homem acolhe os pecadores e come com eles”. Acolher os publicanos e pecadores é algo de escandaloso, na perspectiva dos fariseus; no entanto, comer com eles, estabelecer laços de familiaridade e de irmandade com eles à volta da mesa, é algo de inaudito… A conclusão dos fariseus é óbvia: Jesus não pode vir de Deus pois, na perspectiva da doutrina tradicional, os pecadores não podem aproximar-se de Deus.
É neste contexto que Jesus apresenta a “parábola do filho pródigo”, uma parábola que é exclusiva de Lucas (nem Marcos, nem Mateus, nem João a referem).
MENSAGEM
A parábola apresenta-nos três personagens de referência: o pai, o filho mais novo e o filho mais velho. Detenhamo-nos um pouco nestas figuras.
A personagem central é o pai. Trata-se de uma figura excepcional, que conjuga o respeito pelas decisões e pela liberdade dos filhos, com um amor gratuito e sem limites. Esse amor manifesta-se na emoção com que abraça o filho que volta, mesmo sem saber se esse filho mudou a sua atitude de orgulho e de autossuficiência em relação ao pai e à casa. Trata-se de um amor que permaneceu inalterado, apesar da rebeldia do filho; trata-se de um pai que continuou a amar, apesar da ausência e da infidelidade do filho. A consequência do amor do pai simboliza-se no “anel” que é símbolo da autoridade (cf. Gn. 41,42; Es. 3,10; 8,2) e nas sandálias, que é o calçado do homem livre.
Depois, vem o filho mais novo. É um filho ingrato, insolente e obstinado, que exige do pai muito mais do que aquilo a que tem direito (a lei judaica previa que o filho mais novo recebesse apenas um terço da fortuna do pai – cf. Dt. 21,15-17; mas, ainda que a divisão das propriedades pudesse fazer-se em vida do pai, os filhos não acediam à sua posse senão depois da morte deste – cf. Sir. 33,20-24). Além disso, abandona a casa e o amor do pai e dissipa os bens que o pai colocou à sua disposição. É uma imagem de egoísmo, de orgulho, de autossuficiência, de frivolidade, de total irresponsabilidade. Acaba, no entanto, por perceber o vazio, o sem sentido, o desespero dessa vida de egoísmo e de autossuficiência e por ter a coragem de voltar ao encontro do amor do pai.
Finalmente, temos o filho mais velho. É o filho “certinho”, que sempre fez o que o pai mandou, que cumpriu todas as regras e que nunca pensou em deixar esse espaço cômodo e acolhedor que é a casa do pai. No entanto, a sua lógica é a lógica da “justiça” e não a lógica da “misericórdia”. Ele acha que tem créditos superiores aos do irmão e não compreende nem aceita que o pai queira exercer o seu direito à misericórdia e acolha, feliz, o filho rebelde. É a imagem desses fariseus e escribas que interpelaram Jesus: porque cumpriam à risca as exigências da Lei, desprezavam os pecadores e achavam que essa devia ser também a lógica de Deus.
A “parábola do pai bondoso e misericordioso” pretende apresentar-nos a lógica de Deus. Deus é o Pai bondoso, que respeita absolutamente a liberdade e as decisões dos seus filhos, mesmo que eles usem essa liberdade para procurar a felicidade em caminhos errados; e, aconteça o que acontecer, continua a amar e a esperar ansiosamente o regresso dos filhos rebeldes. Quando os reencontra, acolhe-os com amor e reintegra-os na sua família. Essa é a alegria de Deus. É esse Deus de amor, de bondade, de misericórdia, que se alegra quando o filho regressa que nós, às vezes filhos rebeldes, temos a certeza de encontrar quando voltamos.
A parábola pretende ser também um convite a deixarmo-nos arrastar por esta dinâmica de amor no julgamento que fazemos dos nossos irmãos. Mais do que pela “justiça”, que nos deixemos guiar pela misericórdia, na linha de Deus.
ATUALIZAÇÃO
Ter em conta os seguintes elementos, para reflexão:
• A primeira chamada de atenção vai para o amor do Pai: um amor que respeita absolutamente as decisões – mesmo absurdas – desse filho que abandona a casa paterna; um amor que está sempre lá, fiel e inquebrável, preparado para abraçar o filho que volta. Repare-se: mesmo antes de o filho falar e mostrar o seu arrependimento, o Pai manifesta-lhe o seu amor; é um amor que precede a conversão e que se manifesta antes da conversão. É num Deus que nos ama desta forma que somos chamados a confiar neste tempo de “metanoia”.
• Esta parábola alerta-nos também para o sem sentido e a frustração de uma vida vivida longe do amor do “Pai”, no egoísmo, no materialismo, na autossuficiência. Convida-nos a reconhecer que não é nos bens deste mundo, mas é na comunhão com o “Pai” que encontramos a felicidade, a serenidade e a paz.
• Esta parábola convida-nos, finalmente, a não nos deixarmos dominar pela lógica do que é “justo” aos olhos do mundo, mas pela “justiça de Deus”, que é misericórdia, compreensão, tolerância, amor. Com que critérios julgamos os nossos irmãos: com os critérios da justiça do mundo, ou com os critérios da misericórdia de Deus? A nossa comunidade é, verdadeiramente, o espaço onde se manifesta a misericórdia de Deus?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho



dom Henrique Soares da Costa






Este é o IV domingo da Quaresma, chamado de domingo “Laetare”. “Laetare”” – alegra-te, em latim... Na antífona de Entrada do Missal Romano, está escrito, para a Missa deste hoje: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. São palavras do Profeta Isaías, no capítulo 66... Tão oportuno, amados meus, este convite à alegria a esta altura da Quaresma... Pensando nos nossos pecados, pensando nos pecados de tantos na Igreja, pensando em tantas de nossas infidelidades e em tantos escândalos que nos cortam o coração, vem-nos a tentação do desânimo, de pensar até que a graça de Deus não é forte o bastante para debelar o mal que se incrusta no nosso coração e no coração do mundo... E, no entanto, o Senhor nos convida à alegria; convida a Igreja, nova e eterna Jerusalém, à alegria, convida-nos a nós, que amamos a Mãe católica - tão sofrida pelas fraquezas de seus filhos -, convida-nos a nós à alegria: “Reuni-vos, vós todos que a amais; vós, que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações”. Que consolações são essas, irmãos? Que consolações são as da Igreja entre tanta desolação? Eis quais são: aquelas que vêm do Senhor que é fiel, que se entregou por nós, que amou a sua Igreja e nela permanece sempre com invencível fidelidade! E todo aquele que se une ao Senhor e nele permanece pode experimentar tal consolação!
Na tribulação do combate desta vida, não é ilusória a afirmação do Apóstolo na segunda leitura de hoje: “Se alguém está em Cristo, é uma criatura nova. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo!” Quem, nesta santa Quaresma, estiver se entregando ao exercício espiritual, quem combatendo, quem rezando mais, quem lutando contra os vícios, quem exercitando-se no amor fraterno, pode experimentar a realidade dessa bendita novidade que Cristo nos proporciona e gera em nós com a sua graça!
Somos frágeis, caríssimos! Às vezes, como o filho mais novo da parábola de hoje, caímos na ilusão de pensar que longe de Deus, fazendo por nossa conta e vivendo do nosso modo, seríamos mais felizes. E, no entanto, somente perto dele é que teremos a paz e a alegria e viver de verdade! Por isso mesmo o Pai entregou por nós o Filho único, o Filho bendito, o Filho amado! Como é bom o nosso Deus! Ele não mata para nós o novilho cevado; ele faz mais, faz o impensável, o inesperado: “Aquele Filho bendito que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez vítima de pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus”. Eis, que mistério: na morte do Cristo, no sangue do Filho amado nós fomos feitos justos, santos, diante de Deus! A todos nós e a Igreja inteira o Senhor Deus pode dizer o que disse ao povo de Israel na primeira leitura deste Domingo santo: “Hoje tirei de cima de vós o opróbrio do Egito”. Sim, Senhor, tiraste de cima de nós o opróbrio de nossa escravidão, aquela pior de todas, aquela do pecado! Obrigado, Senhor Deus, que nos livraste da miséria na qual caímos por nossa própria culpa quando nos afastamos de ti! Obrigado porque tiveste compaixão, e correste ao nosso encontro com os braços abertos do teu Jesus, e nos calçaste as sandálias da salvação, e nos deste a melhor roupa, aquela do nosso Batismo e nos deste o banquete da eucaristia, corpo do Cordeiro verdadeiro, que tira o pecado do mundo e é alimento de vida eterna!
Queridos irmãos, reconheçamo-nos pecadores. Mas, antes, reconheçamo-nos amados e acolhidos pelos braços abertos do Senhor! Experimentemos com toda certeza que “em Cristo crucificado Deus reconciliou o mundo consigo”, Deus nos deu o perdão e a paz verdadeira! E este amor experimentado de modo interior, profundo e verdadeiro, seja transbordado para os irmãos. Não sejamos de coração duro como o filho mais velho da parábola: estava junto do pai exteriormente, era exteriormente obediente ao pai e, no entanto, seu coração era sem afeto, sem amor, coração frio, calculista, pronto para cobrar, ponto por ponto, tudo quanto fizera no trabalho do pai... Tão distante, aquele moço, que não se sentia à vontade para pegar um cordeiro do pai e festejar com os amigos; tão duro de coração, que não era capaz de chamar o irmão que voltou de irmão...
Em Cristo Deus nos perdoou, em Cristo ele nos acolheu! Recebamos esse perdão bendito no sacramento da Penitência e sejamos testemunhas desse perdão e da benevolência e benignidade do nosso Deus pelo nosso modo de proceder em relação aos irmãos! Eis aqui o motivo da alegria e do júbilo da Igreja, nossa Mãe católica: ver seus filhos reconciliados com o Esposo Jesus, experimentar seus filhos vivendo como irmãos! Alegra-te, Jerusalém do Alto, cidade dos cristãos, Templo do Senhor! Alegra-te! Que teus filhos em ti vivam todos como irmãos!
dom Henrique Soares da Costa


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