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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 10 de março de 2016

5º DOMINGO QUARESMA-C

5º DOMINGO QUARESMA

13 de Março de 2016- Ao C

1ª Leitura - Is 43,16-21

Salmo - Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)

2ª Leitura - Fl 3,8-14

Evangelho - Jo 8,1-11


Os fariseus colocaram Jesus numa situação muito difícil!...

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“... EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO...”- Olivia Coutinho

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 13 de Março de 2016

Evangelho de Jo8,1-11

Estamos no quinto domingo da quaresma, nos aproximando  do ponto  mais alto da  nossa caminhada cristã: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
A riqueza da liturgia deste tempo de recolhimento, produziu frutos em nós, levou-nos  a  redescobrir os  valores que devem nortear a nossa vida.
Muitos, querem aproximar da Luz, mas desconhecem o caminho para chegar até Ela, e nós, que vivenciamos esta experiência, temos o compromisso de nos tornar caminho, para que estes possam vivenciar esta alegria!
Ninguém consegue se encontrar, sem antes ter um encontro Jesus! Conhecer Jesus, é descobrir o verdadeiro sentido da vida, é enriquecer-se preservando o coração “pobre”!
Em todos os ensinamentos de Jesus, há sempre um apelo de conversão! É o seu  amor querendo falar mais forte ao nosso coração, no desejo de nos recolocar no nosso verdadeiro lugar que é o coração do Pai!                                                                                                      
Jesus não quer que nenhum de nós se perca, por isto, Ele está sempre nos chamando  à conversão, a uma mudança de vida, que nos leve ao arrependimento e ao perdão!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, Jesus sempre colocou a pessoa humana acima de toda e qualquer lei! Ele nos mostra com as  suas atitudes, que não é através da intolerância, do castigo que se liberta alguém da escravidão do pecado, e sim, através do amor!  O amor transforma corações, faz uma pessoa "nascer de novo!" 
De um lado, o texto nos mostra claramente o amor misericordioso de Jesus para com uma mulher que fora colocada diante Dele, pelos mestres da lei e fariseus, acusada de adultério. 
A narrativa destaca a atitude de Jesus frente ao pecado e ao pecador!
Jesus não exime aquela mulher de sua culpa, afinal, o pecado tem consequências, Ele não aceita o pecado, mas acolhe o pecador, que neste caso era uma mulher!
Jesus jamais aceitaria pactuar com uma lei que mata em nome de Deus, seria contradizer todas as suas pregações que tem fator primordial, a vida humana!
Do outro lado, o texto nos mostra a hipocrisia dos mestres da lei e dos fariseus que escondiam atrás de uma intolerância contra uma mulher, a intenção de incriminar Jesus!
Para os mestres da lei e fariseus,  qualquer decisão tomada por Jesus, em relação àquela mulher, seria motivo para incriminá-Lo. No pensar deles, Jesus não tinha saída: se Ele condenasse a mulher, a multidão se voltaria contra Ele, afinal, onde ficaria o  amor, a misericórdia que Ele tanto pregava?  E se Jesus a  absolvesse, Ele estaria infligindo a lei de Moisés.
À princípio, Jesus se mostra indiferente a tudo aquilo, mas diante ao insistente interrogatório, Ele reage dizendo: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe a primeira pedra. Com isto, Jesus transfere para os seus adversários a responsabilidade de condenar ou não, aquela mulher.
Podemos tirar daí, uma grande lição: diante de Jesus e de todos os que estão com Ele, o mal não tem vez! O mal, planejado pelos doutores da lei e fariseus, usando uma mulher como armadilha para pegar Jesus, reverteu num bem para ela, o amor de Jesus, a tirou de sua vida errante,  fez com que ela retomasse o caminho da vida!
Ao ser levada para a morte, aquela mulher encontra  vida num  encontro pessoal  com Jesus! Um encontro transformador, que a tirou das  trevas para a  luz!
Se fosse prevalecer o que Jesus disse à aqueles homens, o único que poderia apedrejá-la, seria Ele, pois somente Ele não tinha pecado!
Jesus não condenou a mulher, pelo contrário, a libertou da pior de todas as escravidões: a escravidão do pecado! “Ninguém a condenou? Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante não peques mais.”
Completamente livre da escravidão do pecado, aquela mulher sem nome, certamente tornou-se uma fiel seguidora de Jesus, comprometida com o projeto de Deus!
A lógica de Deus é o amor! O amor gera vida, o amor salva!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
   
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Não peques mais!
Os inimigos de Jesus viviam criando armadilhas para pegá-lo, mas eles mesmos é que acabavam caindo nelas. Não tendo motivos plausíveis para condená-lo, buscavam, inutilmente, uma deixa para levá-lo às barras do tribunal.
O confronto com a mulher surpreendida em flagrante adultério não deixou Jesus embaraçado. Seus adversários, tão espertos para flagrar o pecado alheio, não foram capazes de esconder de Jesus os próprios pecados. Afinal, não é a mulher a grande pecadora, e sim, os escribas e fariseus que a acusavam. Não só: estes, quanto mais velhos, mais se encontravam atolados no pecado. A idade não os levou a amadurecer na virtude. Pelo contrário, cresceram na maldade e na malícia. Conseqüentemente, faltava-lhes moral para acusar aquela pobre mulher.
A exortação final que o Mestre lhe dirigiu - "Não peques mais!" - aplica-se perfeitamente bem aos seus inimigos. Estes intencionavam pôr Jesus à prova. Mostraram-se impiedosos com uma mulher, de cuja fraqueza se prevaleceram. Quiseram parecer honestos, quando, na verdade, viviam no pecado, uma vez que se insurgiam contra o enviado do próprio Deus. Antes de mais ninguém, eles é que deveriam converter-se. A única coisa boa que fizeram foi colocar a pecadora em contato com o coração misericordioso de Jesus.
padre Jaldemir Vitório
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Jesus é posto à prova
Neste quinto domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra está centrada no apelo de não permitir que a recordação do passado impeça o progresso no caminho de Deus: ". esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente." (Fl. 3,13).
O evangelho descreve uma cena dramática: uma mulher pega em adultério está para ser apedrejada até a morte. O Levítico prescreve: "o homem que cometer adultério com a mulher do próximo deverá morrer, tanto ele como a mulher com quem cometeu o delito" (Lv. 20,10; ver também: Dt. 22,22-24).
Os escribas e os fariseus, que se dizem justos, são os que conduzem a mulher até Jesus. Mas onde está o homem envolvido no mal? De fato, a Lei de Moisés interditava o adultério (Ex. 20,14; Dt. 5,18), como eles diziam. A pergunta deles a Jesus é para colocá-lo à prova. O silêncio de Jesus revela o pecado dos acusadores - vão se retirando um a um. No face a face entre a mulher e Jesus, em que a verdade de cada um é iluminada, a palavra de Jesus liberta, mostra a misericórdia de Deus e abre um caminho novo: "Ninguém te condenou? Eu também não te condeno! Vai, e de agora em diante não peques mais" (vv. 10-11).
Carlos Alberto Contieri,sj

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Vai se intensificando a preparação para o Tríduo sacro que nos faz celebrar a santa Páscoa. Desde a segunda-feira passada, as leituras do Evangelho de João apresentam-nos Cristo em tensão com os judeus, tensão que culminará com sua morte. Hoje, a liturgia permite que cubramos as imagens de roxo ou branco, exprimindo o jejum dos nossos olhos: a necessidade de purificar o olhar de nosso coração, para irmos direto ao essencial: “a caridade, que levou o Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” (oração da coleta). A partir de amanhã, segunda-feira, este clima de preparação para o mistério pascal intensifica-se ainda mais com o Prefácio da Paixão, rezado em cada missa.
Por tudo isso, o profeta Isaías, em nome do Senhor, nos convida a olhar para frente, para o mistério que é maior que qualquer outra ação de Deus: o mistério do Filho em sua paixão, morte e ressurreição: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis”. Mais que a criação, mais que a travessia do mar Vermelho, mais que a água jorrada da rocha... o Senhor fará algo definitivo! Ele abrirá uma estrada no deserto, fará correr rios em terra seca! Pensemos estas imagens à luz da Páscoa: o Senhor Jesus nos abrirá no deserto da morte – e das mortes da vida – uma estrada de vida, um caminho para o Pai: “Vós me ensinareis o caminho da vida!” O Senhor Jesus fará brotar de seu lado aberto o rio da graça, o rio dos sacramentos, do batismo (água) e da Eucaristia (sangue) que regam e fertilizam a nossa pobre existência! “Eis que eu farei coisas novas!”
Nunca esqueçamos que a Páscoa do Senhor – Passagem deste mundo para o Pai, atravessando o tenebroso vale da morte – é também a nossa Páscoa: Passagem pela vida neste mundo, que terminará com Cristo na plenitude do Pai; mas também, já agora, Passagem sempre renovada do pecado para a graça, dos vícios para a virtude, de uma vida centrada em nós mesmos, para uma vida centrada com Cristo em Deus. É este, precisamente, o sentido do Evangelho deste Domingo: a mulher pecadora, renovada pelo perdão do único que poderia condená-la, porque o único Inocente: “Eu não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Diante do Cristo, o Inocente que por nós será entregue e por nós livremente entregar-se-á, como não nos reconhecermos culpados? Como não termos vergonha de julgar e condenar os demais? Como não nos sentirmos amados, acolhidos e perdoados por Aquele que nos lavou com o seu sangue, nos aliviou com suas dores e nos revivificou com a sua Ressurreição? Afinal, quem é essa mulher adúltera? Não é Israel, que se prostituiu? Não é a Igreja, quando nos seus filhos pecadores, trai o Evangelho? Não somos nós, cada um de nós, com nossas infidelidades, covardias e incoerências? Todos pecadores, todos necessitados do perdão, todos perdoados e acolhidos por Aquele que não tem pecado!
Pensemos no Senhor Jesus, naquela sua caridade, naquele seu amor, que o levou a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo! Pensemos com o comovente pensamento de São Paulo. É um testemunho comovente de um amor apaixonado: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”. Conhecer a Cristo significa unir-se a ele, participar de sua experiência, de seu caminho, de seu destino... “Por ele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele... experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos.” São palavras estupendas! Perder tudo por Cristo, perder-se em Cristo, tudo relativizar por Cristo e em relação a Cristo, ter na vida e fazer da vida uma única paixão: estar unido a Cristo no seu sofrimento e na sua ressurreição, completando em mim o que falta de suas dores e experimentando já agora - e um dia, de modo pleno -, o poder vitorioso da sua Ressurreição. O que são Paulo deseja? Viver na sua vida, na sua carne, nos seus dias, a Páscoa do Senhor. Deseja que seus sofrimentos e desafios estejam unidos aos de Cristo e sejam vividos em Cristo e no amor de Cristo para também experimentar na carne e na vida – na carne da vida! – a vitória de Cristo. Isto é conhecer Jesus Cristo! Não um conhecimento teórico, exterior, mas um conhecimento coração a coração, vida a vida, lágrima a lágrima, vitória a vitória! Este deve – deveria – ser o caminho normal de todo o cristão! Esta é a verdadeira ciência, que transcende qualquer outra ciência; esta, a verdadeira teologia, o verdadeiro conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo!
Está próxima a Páscoa, a festa dos cristãos! Nestes dias santíssimos, unamo-nos intimamente ao Senhor Jesus Cristo, deixemos que o Santo Espírito reproduza em nós os seus sentimentos de total confiança no Pai e total entrega amorosa aos irmãos, à humanidade. Sigamos o exemplo do Apóstolo: “Uma coisa eu faço: esquecendo o que ficou para trás, eu me lanço para o que está à frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”. Cristo Jesus! Que nome tão doce, que consolo tão grande, que esperança tão certa, que prêmio tão imperecível. A ele – e só a ele – toda a glória e toda a honra!
dom Henrique Soares da Costa


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A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
A segunda leitura é um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram ativamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.

1º leitura: Is. 43,16–21 - AMBIENTE

O Deutero-Isaías (autor deste texto) é um profeta anônimo, da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética entre os exilados. Estamos no séc. VI a.C., na Babilônia. Os judeus exilados estão frustrados e desorientados, pois a libertação tarda e Deus parece ter-Se esquecido do seu Povo. Sonham com um novo êxodo, no qual Jahwéh Se manifeste, outra vez, como o Deus libertador.
Na primeira parte do “livro da consolação” (Is. 40-48), o profeta anuncia a iminência da libertação e compara a saída da Babilônia e a volta à Terra Prometida com o êxodo do
Egito. É neste contexto que deve ser enquadrada a primeira leitura de hoje.
MENSAGEM
Este oráculo de salvação começa por recordar a “mãe de todas as libertações” (a libertação da escravidão do Egito). Mas evocar essa realidade não pode ser uma fuga nostálgica para o passado, um repousar inerte na saudade, um refúgio contra o medo do presente (se assim for, esse passado vai obscurecer a perspectiva do Povo, impedindo-o de reconhecer os sinais que já se manifestam e que anunciam um futuro de liberdade e de vida nova)… A lembrança do passado é válida quando alimenta a esperança e prepara para um futuro novo. Na ação libertadora de Deus em favor do Povo oprimido pelo faraó, o judeu crente descobre um padrão: o Deus que assim agiu é o Deus que não tolera a opressão e que está do lado dos oprimidos; por isso, não deixará de Se manifestar em circunstâncias análogas, operando a salvação do Povo escravizado.
De fato – diz o profeta – o Deus libertador em quem acreditamos e em quem esperamos não demorará a atuar. Aproxima-se o dia de um novo êxodo, de uma nova libertação. No entanto, esse novo êxodo será algo de grandioso, que eclipsará o antigo êxodo: o Povo libertado percorrerá um caminho fácil no regresso à sua Terra e não conhecerá o desespero da sede e da falta de comida porque Jahwéh vai fazer brotar rios na paisagem desolada do deserto. A atuação de Deus manifestará, de forma clara, o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Diante da ação de Jahwéh, o Povo tomará consciência de que é o Povo eleito e dará a resposta adequada: louvará o seu Deus pelos dons recebidos.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso Deus é o Deus libertador, que não Se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem e que nos pede, permanentemente, que lutemos contra todas as formas de sujeição. Quais são as grandes formas de escravidão que impedem, hoje, a liberdade e a vida? Neste tempo de transformação e de mudança, o que posso eu fazer para que a escravidão e a injustiça não mais destruam a vida dos homens meus irmãos?
♦ A vida cristã é uma caminhada permanente, rumo à Páscoa, rumo à ressurreição.
Neste tempo de Quaresma, somos convidados a deixar definitivamente para trás o passado e a aderir à vida nova que Deus nos propõe. Cada Quaresma é um abalo que nos desinstala, que põe em causa o nosso comodismo, que nos convida a olhar para o futuro e a ir além de nós mesmos, na busca do Homem Novo. O que é que, na minha vida, necessita de ser transformado? O que é que ainda me mantém alienado, prisioneiro e escravo? O que é que me impede de imprimir à minha vida um novo dinamismo, de forma que o Homem Novo se manifeste em mim?

2º leitura: Fl. 3,8–14 - AMBIENTE

A carta aos Filipenses é uma carta “afetuosa e terna” que Paulo escreve da prisão aos seus amigos de Filipos. Os cristãos desta cidade, preocupados com a situação de Paulo, enviaram-lhe dinheiro e um membro da comunidade (Epafrodito), que cuidou de Paulo e o acompanhou na solidão do cárcere. Com o coração cheio de afeto, Paulo agradece aos seus queridos filhos de Filipos; e, por outro lado, avisa-os para que não se deixem levar pelos “cães”, pelos “maus obreiros” (Fl. 3,2) que, em Filipos como em todo o lado, semeiam a dúvida e a confusão. Quem são estes? São ainda esses “judaizantes”, “os da mutilação” (Fl. 3,2), que proclamavam a obrigatoriedade da circuncisão e da obediência à Lei de Moisés.
O texto que nos é proposto insere-se nesse discurso de polêmica contra os adversários “judaizantes” (cf. Fl. 3). Paulo pede aos Filipenses que não se deixem enganar por esses falsos pregadores, super-entusiastas, que se apresentam com títulos de glória e que parecem esquecer que só Cristo é importante.
MENSAGEM
Ao exemplo e à pregação desses “judaizantes”, que alardeiam os mais diversos títulos de glória, Paulo contrapõe o seu próprio exemplo. Ele tem mais razões do que os outros para apresentar títulos (ele que foi circuncidado com oito dias; que é hebreu genuíno, filho de hebreus, da tribo de Benjamim; que foi fariseu e que viveu irrepreensivelmente como filho da Lei – cf. Fl. 3,5-6); mas a única coisa que lhe interessa – porque é a única coisa que tem eficácia salvadora – é conhecer Jesus Cristo. É claro que os termos conhecer e conhecimento devem ser aqui entendidos no mais genuíno sentido da tradição bíblica, quer dizer, no sentido de “entrar em comunhão de vida e de destino” com uma pessoa. Aquilo que ele procura agora e que é o fundamental é identificar-se com Cristo, a fim de com Ele ressuscitar para a vida nova.
Os Filipenses – e, claro, os crentes de todas as épocas – farão bem em imitar Paulo e esquecer tudo o resto (a circuncisão, os ritos da Lei, os títulos de glória são apenas “prejuízo” ou “lixo” – v. 8). Só a identificação com Cristo, a comunhão de vida e de destino com Cristo é importante; só uma vida vivida na entrega, no dom, no amor que se faz serviço aos outros, ao jeito de Cristo, conduz à ressurreição, à vida nova.
Mais um dado importante: Paulo está consciente que partilhar a vida e o destino de Cristo implica um esforço diário, nunca terminado; é, até, possível o fracasso, pois o nosso orgulho e egoísmo estão sempre à espreita e o caminho da entrega e do dom da vida é exigente. Mas é o único caminho possível, o único que faz sentido, para quem descobre a novidade de Cristo se apaixona por ela. Quem quer chegar à vida nova, à ressurreição, tem de seguir esse caminho.
ATUALIZAÇÃO
♦ Neste tempo favorável à conversão, é importante revermos aquilo que dá sentido à nossa vida. É possível que detectemos no centro dos nossos interesses algum desse “lixo” de que Paulo fala (interesses materiais e egoístas, preocupações com honras ou com títulos humanos, apostas incondicionais em pessoas ou ideologias…); mas Paulo convida a dar prioridade ao que é importante – a uma vida de comunhão com Cristo, que nos leve a uma identificação com o seu amor, o seu serviço, a sua entrega. Qual é o “lixo” que me impede de nascer, com Cristo, para a vida nova?
♦ É preciso, igualmente, ter consciência de que este caminho de conversão a Cristo é um caminho que está, permanentemente, a fazer-se. O cristão está consciente de que, enquanto caminha neste mundo, “ainda não chegou à meta”. A identificação com Cristo deve ser, pois, um desafio constante, que exige um empenho diário, até chegarmos à meta do Homem Novo.

Evangelho – Jo 8,1-11 - AMBIENTE

Esta pequena unidade literária não pertencia, inicialmente, ao Evangelho de João: ela rompe o contexto de Jo. 7-8, não possui as características do estilo joânico e o seu conteúdo não se encaixa neste Evangelho (que não se interessa por problemas deste gênero). Além disso, é omitida pela maior parte dos manuscritos antigos; e as referências dos Padres da Igreja a este episódio são muito escassas. Outros manuscritos colocam-no dentro do Evangelho, mas em sítios diversos, por exemplo, no final do mesmo – como fazem algumas versões modernas da Bíblia. Numa série de manuscritos, encontramo-la no Evangelho de Lucas (após Lc. 21,38), que seria um dos lugares mais adequados, dado o interesse de Lucas em destacar a misericórdia de Jesus. Trata-se de uma tradição independente que, no entanto, foi considerada pela Igreja como inspirada por Deus: não há dúvida que deve ser vista como “Palavra de Deus”.
Seja como for, o cenário de fundo coloca-nos frente a uma mulher apanhada a cometer adultério. De acordo com Lv. 20,10 e Dt. 22,22-24, a mulher devia ser morta. A Lei deve ser aplicada? É este problema que é apresentado a Jesus.
MENSAGEM
Temos, portanto, diante de Jesus uma mulher que, de acordo com a Lei, tinha cometido uma falta que merecia a morte. Para os escribas e fariseus, trata-se de uma oportunidade de ouro para testar a ortodoxia de Jesus e a sua fidelidade às exigências da Lei; para Jesus, trata-se de revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
Apresentada a questão, Jesus não procura branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado não é um caminho aceitável, pois gera infelicidade e rouba a paz… No entanto, também não aceita pactuar com uma Lei que, em nome de Deus, gera morte. Porque os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa. Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”).
A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem.
O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros. Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens.
Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais. Os pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os, apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena. A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso Deus – di-lo de forma clara o Evangelho de hoje – funciona na lógica da misericórdia e não na lógica da Lei; Ele não quer a morte daquele que errou, mas a libertação plena do homem. Nesta lógica, só a misericórdia e o amor se encaixam: só eles são capazes de mostrar o sem sentido da escravidão e de soprar a esperança, a ânsia de superação, o desejo de uma vida nova. A força de Deus (essa força que nos projeta para a vida em plenitude) não está no castigo, mas está no amor.
♦ No nosso mundo, o fundamentalismo e a intransigência falam frequentemente mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes… Esta lógica (bem longe da misericórdia e do amor de Deus) leva-nos a algum lado? A intolerância alguma vez gerou alguma coisa, além de violência, de morte, de lágrimas, de sofrimento?
♦ Quantas vezes nas nossas comunidades cristãs (ou religiosas) a absolutização da lei causa marginalização e sofrimento. Quantas vezes se atiram pedras aos outros, esquecendo os nossos próprios telhados de vidro… Quantas vezes marcamos os outros com o estigma da culpa e queimamos a pessoa em “julgamentos sumários” sem direito a defesa… Esta é a lógica de Deus? O que nos interessa: a libertação do nosso irmão, ou o seu afundamento?
♦ Neste caminho quaresmal, há duas coisas a considerar: Deus desafia-nos à superação de todas as realidades que nos escravizam e sublinha esse desafio com o seu amor e a sua misericórdia; e convida-nos a despir as roupagens da hipocrisia e da intolerância, para vestir as do amor.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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"Vai e não peques mais"
A liturgia, sempre sábia e elegante na sua linguagem, exprime numa das coletas do tempo comum esta consoladora verdade: Deus manifesta seu poder principalmente no perdão e na misericórdia (cf. 26ª domingo do T.C.). É o que aparece de maneira muito clara na bela perícope de São João que estamos lendo neste quinto domingo da Quaresma. É o episódio da mulher adúltera. É uma espécie de encontro da justiça dos homens, frágil e incoerente, com a misericórdia de Jesus, límpida e cheia de majestoso poder.
Seria interessante notar, como o sabem todos os que conhecem a fundo o texto do Evangelho, que esta passagem falta nos mais importantes manuscritos antigos de São João, ou está deslocada para outros pontos do texto, e mesmo para o texto do evangelho de são Lucas. Mas não há nenhuma dúvida sobre a sua autenticidade. É um fragmento genuíno da tradição apostólica, que no momento oportuno encontrou seu lugar definitivo em São João, embora pelo assunto e pelo estilo seja mais provavelmente de são Lucas.
Eram os dias da festa dos Tabernáculos. Jesus estava ensinando a um grupo de ouvintes, num dos átrios do Templo. Estava sentado. Não numa cátedra solene como a dos doutores, mas num banquinho modesto, ou talvez mesmo numa esteira ou num pequeno tapete, como faziam as pessoas do povo para ouvir os mestres.
Foi quando os escribas e os fariseus trouxeram à sua presença uma mulher que ia ser executada por apedrejamento, por ter sido apreendida em adultério. Assim mandava a lei de Moisés. E eles queriam saber o que Jesus pensava disso. Nem era preciso dizer que, tratando-se de escribas e fariseus, o que eles estavam querendo era armar uma cilada para Jesus. Se ele respondesse que não concordava com a aplicação de tão bárbara sentença de morte, diriam que Ele era rebelde à lei de Moisés. Se dissesse que concordava, fariam ruir diante do povo sua fama de misericórdia.
Jesus não respondeu. Inclinou-se para um lado e começou a escrever no chão. Houve sempre curiosidade de saber o que é que Jesus escreveu. Espalhou – se uma hipótese - sugerida por São Jerônimo - que Jesus ia escrevendo o nome de cada um daqueles acusadores e seus respectivos pecados. Essa explicação foi até acolhida por algum manuscrito antigo. Mas o mais simples era que Jesus estava apenas rabiscando despreocupado no chão, para mostrar seu desapreço pelo que lhe diziam aqueles homens. Como acontece muitas vezes, no decorrer de uma conferência enfadonha, que alguns ouvintes se põem a garantujar numa folha de papel, em sinal de tédio. Sabem- no muito bem os que freqüentam os parlamentos.
Mas os homens insistiram na pergunta. Foi quando Jesus, aprumando-se, disse pausadamente: "Aquele dentre vós que não tiver nenhum pecado, atire a primeira pedra". E se inclinou de novo e continuou a rabiscar no chão. Aqueles homens, um a um, se foram retirando, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho. Na sua frente, a mulher. Ao redor, seus humildes ouvintes. Então Jesus perguntou à mulher: "Onde estão eles, aqueles que te acusavam? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor". Vem então a palavra final de Jesus, solene e poderosa: "Eu também não te condeno. Vai! E, de agora em diante, não peques mais" (cf. Jo 8,1-11).
É de uma beleza cintilante essa palavra final de Jesus. É a misericórdia e o perdão, não indo contra a justiça, mas envolvendo-a e superando-a. É inacreditável a força dessa palavra: "Não peques mais!"
Certamente essa mulher nunca havia sentido tão vivo o peso de seu pecado. Mas também nunca tinha sentido a coragem de levantar-se do abismo de sua culpa. A palavra de Jesus não era apenas uma ordem ou um conselho. Era uma força do céu que caía sobre ela para dar-Ihe a coragem da conversão. E a certeza de ser salva. Quem sabe ela não terá entrado para o grupo dos discípulos?
Quem pode duvidar que ela não se tenha tornado uma santa? Na Igreja grega este evangelho é lido na festa de santas convertidas, como santa Maria do Egito e santa Pelágia.
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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A primeira pedra
A liturgia de hoje nos lembra que a Quaresma não é um tempo para atirar pedras, mas para construir a fraternidade. O problema do mal e do pecado não se resolve com o castigo e a intolerância, mas pelo amor e a misericórdia.
Na 1ª leitura, Isaías anuncia a libertação do exílio e o retorno a Israel como um novo Êxodo para a Terra Prometida. (Is. 43,16-21) Esse "caminho" é imagem de outra libertação, que Deus nos convida a fazer na Quaresma e que também nos levará à Terra Prometida, onde corre a vida nova.
- Quais são as escravidões  que impedem, hoje, a liberdade e a vida?
- O que ainda nos mantém alienados, presos e escravos?
Na 2ª leitura são Paulo afirma que a única coisa que lhe interessa é conhecer Jesus Cristo. Tudo o resto é lixo. (Fl. 3,8-14)
Qual é o lixo que me impede de nascer com Cristo para a vida nova?
No Evangelho temos uma comovente cena da vida de Jesus, diante de uma mulher pecadora (Jo. 8,1-11) No domingo passado, com a parábola do Filho pródigo, Jesus nos mostrou o amor misericordioso de Deus. Hoje, Ele dá o exemplo, passando das palavras aos fatos...
- Jesus ensinava no templo.
- Os escribas fiscalizavam o Mestre, buscando pretextos para acusá-lo.
Trouxeram uma mulher surpreendida em pecado de adultério e segundo a lei de Moisés tais pessoas deviam ser apedrejadas.
Aproveitaram a situação, para deixar o Cristo numa situação embaraçosa: "Mestre, que vamos fazer dessa mulher, perdoá-la ou apedrejá-la, como manda a nossa lei?"
- Para os escribas e fariseus, era uma oportunidade para testar a fidelidade de Jesus às exigências da Lei.
- Para Jesus, foi uma oportunidade para revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
- Jesus sabia que era apenas um pretexto para incriminá-lo, por isso não respondeu e ficou rabiscando no chão.
Diante da insistência dos acusadores, ele se levantou e os desafiou: "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra..."
- E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Não sabemos o que. Segundo uma tradição, Jesus escrevia os pecados de cada um deles. E então aqueles "cumpridores" da lei, envergonhados, foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. Só ficaram no pátio do templo a mulher, os discípulos e ele, Jesus. Então Jesus perguntou: "Mulher, ninguém te condenou? Nem eu te condeno... Vai e não peques mais..."
A mulher não tinha manifestado nenhum sinal de arrependimento. Assim mesmo, Jesus a convida a seguir um caminho novo de liberdade e paz. Jesus não aprova o pecado, mas não condena a pecadora. Mostra que o importante é a conversão das pessoas, não sua condenação. E ainda hoje, no sacramento da reconciliação, Deus continua nos dizendo: "Teus pecados estão perdoados. Vai em paz e não peques mais."
No episódio, Jesus mostra:
+ Uma imagem de Deus: o rosto misericordioso de Deus. Um Deus que é mais misericórdia, do que 5º DOMINGO QUARESMA

13 de Março de 2016- Ao C

1ª Leitura - Is 43,16-21

Salmo - Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)

2ª Leitura - Fl 3,8-14

Evangelho - Jo 8,1-11


Os fariseus colocaram Jesus numa situação muito difícil!...

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“... EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO...”- Olivia Coutinho

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 13 de Março de 2016

Evangelho de Jo8,1-11

Estamos no quinto domingo da quaresma, nos aproximando  do ponto  mais alto da  nossa caminhada cristã: A PÁSCOA DO SENHOR JESUS!
A riqueza da liturgia deste tempo de recolhimento, produziu frutos em nós, levou-nos  a  redescobrir os  valores que devem nortear a nossa vida.
Muitos, querem aproximar da Luz, mas desconhecem o caminho para chegar até Ela, e nós, que vivenciamos esta experiência, temos o compromisso de nos tornar caminho, para que estes possam vivenciar esta alegria!
Ninguém consegue se encontrar, sem antes ter um encontro Jesus! Conhecer Jesus, é descobrir o verdadeiro sentido da vida, é enriquecer-se preservando o coração “pobre”!
Em todos os ensinamentos de Jesus, há sempre um apelo de conversão! É o seu  amor querendo falar mais forte ao nosso coração, no desejo de nos recolocar no nosso verdadeiro lugar que é o coração do Pai!                                                                                                      
Jesus não quer que nenhum de nós se perca, por isto, Ele está sempre nos chamando  à conversão, a uma mudança de vida, que nos leve ao arrependimento e ao perdão!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos convida a pautar a nossa vida no exemplo de Jesus, Jesus sempre colocou a pessoa humana acima de toda e qualquer lei! Ele nos mostra com as  suas atitudes, que não é através da intolerância, do castigo que se liberta alguém da escravidão do pecado, e sim, através do amor!  O amor transforma corações, faz uma pessoa "nascer de novo!" 
De um lado, o texto nos mostra claramente o amor misericordioso de Jesus para com uma mulher que fora colocada diante Dele, pelos mestres da lei e fariseus, acusada de adultério. 
A narrativa destaca a atitude de Jesus frente ao pecado e ao pecador!
Jesus não exime aquela mulher de sua culpa, afinal, o pecado tem consequências, Ele não aceita o pecado, mas acolhe o pecador, que neste caso era uma mulher!
Jesus jamais aceitaria pactuar com uma lei que mata em nome de Deus, seria contradizer todas as suas pregações que tem fator primordial, a vida humana!
Do outro lado, o texto nos mostra a hipocrisia dos mestres da lei e dos fariseus que escondiam atrás de uma intolerância contra uma mulher, a intenção de incriminar Jesus!
Para os mestres da lei e fariseus,  qualquer decisão tomada por Jesus, em relação àquela mulher, seria motivo para incriminá-Lo. No pensar deles, Jesus não tinha saída: se Ele condenasse a mulher, a multidão se voltaria contra Ele, afinal, onde ficaria o  amor, a misericórdia que Ele tanto pregava?  E se Jesus a  absolvesse, Ele estaria infligindo a lei de Moisés.
À princípio, Jesus se mostra indiferente a tudo aquilo, mas diante ao insistente interrogatório, Ele reage dizendo: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe a primeira pedra. Com isto, Jesus transfere para os seus adversários a responsabilidade de condenar ou não, aquela mulher.
Podemos tirar daí, uma grande lição: diante de Jesus e de todos os que estão com Ele, o mal não tem vez! O mal, planejado pelos doutores da lei e fariseus, usando uma mulher como armadilha para pegar Jesus, reverteu num bem para ela, o amor de Jesus, a tirou de sua vida errante,  fez com que ela retomasse o caminho da vida!
Ao ser levada para a morte, aquela mulher encontra  vida num  encontro pessoal  com Jesus! Um encontro transformador, que a tirou das  trevas para a  luz!
Se fosse prevalecer o que Jesus disse à aqueles homens, o único que poderia apedrejá-la, seria Ele, pois somente Ele não tinha pecado!
Jesus não condenou a mulher, pelo contrário, a libertou da pior de todas as escravidões: a escravidão do pecado! “Ninguém a condenou? Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante não peques mais.”
Completamente livre da escravidão do pecado, aquela mulher sem nome, certamente tornou-se uma fiel seguidora de Jesus, comprometida com o projeto de Deus!
A lógica de Deus é o amor! O amor gera vida, o amor salva!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
   
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Não peques mais!
Os inimigos de Jesus viviam criando armadilhas para pegá-lo, mas eles mesmos é que acabavam caindo nelas. Não tendo motivos plausíveis para condená-lo, buscavam, inutilmente, uma deixa para levá-lo às barras do tribunal.
O confronto com a mulher surpreendida em flagrante adultério não deixou Jesus embaraçado. Seus adversários, tão espertos para flagrar o pecado alheio, não foram capazes de esconder de Jesus os próprios pecados. Afinal, não é a mulher a grande pecadora, e sim, os escribas e fariseus que a acusavam. Não só: estes, quanto mais velhos, mais se encontravam atolados no pecado. A idade não os levou a amadurecer na virtude. Pelo contrário, cresceram na maldade e na malícia. Conseqüentemente, faltava-lhes moral para acusar aquela pobre mulher.
A exortação final que o Mestre lhe dirigiu - "Não peques mais!" - aplica-se perfeitamente bem aos seus inimigos. Estes intencionavam pôr Jesus à prova. Mostraram-se impiedosos com uma mulher, de cuja fraqueza se prevaleceram. Quiseram parecer honestos, quando, na verdade, viviam no pecado, uma vez que se insurgiam contra o enviado do próprio Deus. Antes de mais ninguém, eles é que deveriam converter-se. A única coisa boa que fizeram foi colocar a pecadora em contato com o coração misericordioso de Jesus.
padre Jaldemir Vitório
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Jesus é posto à prova
Neste quinto domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra está centrada no apelo de não permitir que a recordação do passado impeça o progresso no caminho de Deus: ". esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente." (Fl. 3,13).
O evangelho descreve uma cena dramática: uma mulher pega em adultério está para ser apedrejada até a morte. O Levítico prescreve: "o homem que cometer adultério com a mulher do próximo deverá morrer, tanto ele como a mulher com quem cometeu o delito" (Lv. 20,10; ver também: Dt. 22,22-24).
Os escribas e os fariseus, que se dizem justos, são os que conduzem a mulher até Jesus. Mas onde está o homem envolvido no mal? De fato, a Lei de Moisés interditava o adultério (Ex. 20,14; Dt. 5,18), como eles diziam. A pergunta deles a Jesus é para colocá-lo à prova. O silêncio de Jesus revela o pecado dos acusadores - vão se retirando um a um. No face a face entre a mulher e Jesus, em que a verdade de cada um é iluminada, a palavra de Jesus liberta, mostra a misericórdia de Deus e abre um caminho novo: "Ninguém te condenou? Eu também não te condeno! Vai, e de agora em diante não peques mais" (vv. 10-11).
Carlos Alberto Contieri,sj

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Vai se intensificando a preparação para o Tríduo sacro que nos faz celebrar a santa Páscoa. Desde a segunda-feira passada, as leituras do Evangelho de João apresentam-nos Cristo em tensão com os judeus, tensão que culminará com sua morte. Hoje, a liturgia permite que cubramos as imagens de roxo ou branco, exprimindo o jejum dos nossos olhos: a necessidade de purificar o olhar de nosso coração, para irmos direto ao essencial: “a caridade, que levou o Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo” (oração da coleta). A partir de amanhã, segunda-feira, este clima de preparação para o mistério pascal intensifica-se ainda mais com o Prefácio da Paixão, rezado em cada missa.
Por tudo isso, o profeta Isaías, em nome do Senhor, nos convida a olhar para frente, para o mistério que é maior que qualquer outra ação de Deus: o mistério do Filho em sua paixão, morte e ressurreição: “Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis”. Mais que a criação, mais que a travessia do mar Vermelho, mais que a água jorrada da rocha... o Senhor fará algo definitivo! Ele abrirá uma estrada no deserto, fará correr rios em terra seca! Pensemos estas imagens à luz da Páscoa: o Senhor Jesus nos abrirá no deserto da morte – e das mortes da vida – uma estrada de vida, um caminho para o Pai: “Vós me ensinareis o caminho da vida!” O Senhor Jesus fará brotar de seu lado aberto o rio da graça, o rio dos sacramentos, do batismo (água) e da Eucaristia (sangue) que regam e fertilizam a nossa pobre existência! “Eis que eu farei coisas novas!”
Nunca esqueçamos que a Páscoa do Senhor – Passagem deste mundo para o Pai, atravessando o tenebroso vale da morte – é também a nossa Páscoa: Passagem pela vida neste mundo, que terminará com Cristo na plenitude do Pai; mas também, já agora, Passagem sempre renovada do pecado para a graça, dos vícios para a virtude, de uma vida centrada em nós mesmos, para uma vida centrada com Cristo em Deus. É este, precisamente, o sentido do Evangelho deste Domingo: a mulher pecadora, renovada pelo perdão do único que poderia condená-la, porque o único Inocente: “Eu não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”. Diante do Cristo, o Inocente que por nós será entregue e por nós livremente entregar-se-á, como não nos reconhecermos culpados? Como não termos vergonha de julgar e condenar os demais? Como não nos sentirmos amados, acolhidos e perdoados por Aquele que nos lavou com o seu sangue, nos aliviou com suas dores e nos revivificou com a sua Ressurreição? Afinal, quem é essa mulher adúltera? Não é Israel, que se prostituiu? Não é a Igreja, quando nos seus filhos pecadores, trai o Evangelho? Não somos nós, cada um de nós, com nossas infidelidades, covardias e incoerências? Todos pecadores, todos necessitados do perdão, todos perdoados e acolhidos por Aquele que não tem pecado!
Pensemos no Senhor Jesus, naquela sua caridade, naquele seu amor, que o levou a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo! Pensemos com o comovente pensamento de São Paulo. É um testemunho comovente de um amor apaixonado: “Considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor”. Conhecer a Cristo significa unir-se a ele, participar de sua experiência, de seu caminho, de seu destino... “Por ele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele... experimentar a força da sua ressurreição, ficar em comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos.” São palavras estupendas! Perder tudo por Cristo, perder-se em Cristo, tudo relativizar por Cristo e em relação a Cristo, ter na vida e fazer da vida uma única paixão: estar unido a Cristo no seu sofrimento e na sua ressurreição, completando em mim o que falta de suas dores e experimentando já agora - e um dia, de modo pleno -, o poder vitorioso da sua Ressurreição. O que são Paulo deseja? Viver na sua vida, na sua carne, nos seus dias, a Páscoa do Senhor. Deseja que seus sofrimentos e desafios estejam unidos aos de Cristo e sejam vividos em Cristo e no amor de Cristo para também experimentar na carne e na vida – na carne da vida! – a vitória de Cristo. Isto é conhecer Jesus Cristo! Não um conhecimento teórico, exterior, mas um conhecimento coração a coração, vida a vida, lágrima a lágrima, vitória a vitória! Este deve – deveria – ser o caminho normal de todo o cristão! Esta é a verdadeira ciência, que transcende qualquer outra ciência; esta, a verdadeira teologia, o verdadeiro conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo!
Está próxima a Páscoa, a festa dos cristãos! Nestes dias santíssimos, unamo-nos intimamente ao Senhor Jesus Cristo, deixemos que o Santo Espírito reproduza em nós os seus sentimentos de total confiança no Pai e total entrega amorosa aos irmãos, à humanidade. Sigamos o exemplo do Apóstolo: “Uma coisa eu faço: esquecendo o que ficou para trás, eu me lanço para o que está à frente. Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus”. Cristo Jesus! Que nome tão doce, que consolo tão grande, que esperança tão certa, que prêmio tão imperecível. A ele – e só a ele – toda a glória e toda a honra!
dom Henrique Soares da Costa


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A liturgia de hoje fala-nos (outra vez) de um Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.
A primeira leitura apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
A segunda leitura é um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram ativamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos.

1º leitura: Is. 43,16–21 - AMBIENTE

O Deutero-Isaías (autor deste texto) é um profeta anônimo, da escola de Isaías, que cumpriu a sua missão profética entre os exilados. Estamos no séc. VI a.C., na Babilônia. Os judeus exilados estão frustrados e desorientados, pois a libertação tarda e Deus parece ter-Se esquecido do seu Povo. Sonham com um novo êxodo, no qual Jahwéh Se manifeste, outra vez, como o Deus libertador.
Na primeira parte do “livro da consolação” (Is. 40-48), o profeta anuncia a iminência da libertação e compara a saída da Babilônia e a volta à Terra Prometida com o êxodo do
Egito. É neste contexto que deve ser enquadrada a primeira leitura de hoje.
MENSAGEM
Este oráculo de salvação começa por recordar a “mãe de todas as libertações” (a libertação da escravidão do Egito). Mas evocar essa realidade não pode ser uma fuga nostálgica para o passado, um repousar inerte na saudade, um refúgio contra o medo do presente (se assim for, esse passado vai obscurecer a perspectiva do Povo, impedindo-o de reconhecer os sinais que já se manifestam e que anunciam um futuro de liberdade e de vida nova)… A lembrança do passado é válida quando alimenta a esperança e prepara para um futuro novo. Na ação libertadora de Deus em favor do Povo oprimido pelo faraó, o judeu crente descobre um padrão: o Deus que assim agiu é o Deus que não tolera a opressão e que está do lado dos oprimidos; por isso, não deixará de Se manifestar em circunstâncias análogas, operando a salvação do Povo escravizado.
De fato – diz o profeta – o Deus libertador em quem acreditamos e em quem esperamos não demorará a atuar. Aproxima-se o dia de um novo êxodo, de uma nova libertação. No entanto, esse novo êxodo será algo de grandioso, que eclipsará o antigo êxodo: o Povo libertado percorrerá um caminho fácil no regresso à sua Terra e não conhecerá o desespero da sede e da falta de comida porque Jahwéh vai fazer brotar rios na paisagem desolada do deserto. A atuação de Deus manifestará, de forma clara, o amor e a solicitude de Deus pelo seu Povo. Diante da ação de Jahwéh, o Povo tomará consciência de que é o Povo eleito e dará a resposta adequada: louvará o seu Deus pelos dons recebidos.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso Deus é o Deus libertador, que não Se conforma com qualquer escravidão que roube a vida e a dignidade do homem e que nos pede, permanentemente, que lutemos contra todas as formas de sujeição. Quais são as grandes formas de escravidão que impedem, hoje, a liberdade e a vida? Neste tempo de transformação e de mudança, o que posso eu fazer para que a escravidão e a injustiça não mais destruam a vida dos homens meus irmãos?
♦ A vida cristã é uma caminhada permanente, rumo à Páscoa, rumo à ressurreição.
Neste tempo de Quaresma, somos convidados a deixar definitivamente para trás o passado e a aderir à vida nova que Deus nos propõe. Cada Quaresma é um abalo que nos desinstala, que põe em causa o nosso comodismo, que nos convida a olhar para o futuro e a ir além de nós mesmos, na busca do Homem Novo. O que é que, na minha vida, necessita de ser transformado? O que é que ainda me mantém alienado, prisioneiro e escravo? O que é que me impede de imprimir à minha vida um novo dinamismo, de forma que o Homem Novo se manifeste em mim?

2º leitura: Fl. 3,8–14 - AMBIENTE

A carta aos Filipenses é uma carta “afetuosa e terna” que Paulo escreve da prisão aos seus amigos de Filipos. Os cristãos desta cidade, preocupados com a situação de Paulo, enviaram-lhe dinheiro e um membro da comunidade (Epafrodito), que cuidou de Paulo e o acompanhou na solidão do cárcere. Com o coração cheio de afeto, Paulo agradece aos seus queridos filhos de Filipos; e, por outro lado, avisa-os para que não se deixem levar pelos “cães”, pelos “maus obreiros” (Fl. 3,2) que, em Filipos como em todo o lado, semeiam a dúvida e a confusão. Quem são estes? São ainda esses “judaizantes”, “os da mutilação” (Fl. 3,2), que proclamavam a obrigatoriedade da circuncisão e da obediência à Lei de Moisés.
O texto que nos é proposto insere-se nesse discurso de polêmica contra os adversários “judaizantes” (cf. Fl. 3). Paulo pede aos Filipenses que não se deixem enganar por esses falsos pregadores, super-entusiastas, que se apresentam com títulos de glória e que parecem esquecer que só Cristo é importante.
MENSAGEM
Ao exemplo e à pregação desses “judaizantes”, que alardeiam os mais diversos títulos de glória, Paulo contrapõe o seu próprio exemplo. Ele tem mais razões do que os outros para apresentar títulos (ele que foi circuncidado com oito dias; que é hebreu genuíno, filho de hebreus, da tribo de Benjamim; que foi fariseu e que viveu irrepreensivelmente como filho da Lei – cf. Fl. 3,5-6); mas a única coisa que lhe interessa – porque é a única coisa que tem eficácia salvadora – é conhecer Jesus Cristo. É claro que os termos conhecer e conhecimento devem ser aqui entendidos no mais genuíno sentido da tradição bíblica, quer dizer, no sentido de “entrar em comunhão de vida e de destino” com uma pessoa. Aquilo que ele procura agora e que é o fundamental é identificar-se com Cristo, a fim de com Ele ressuscitar para a vida nova.
Os Filipenses – e, claro, os crentes de todas as épocas – farão bem em imitar Paulo e esquecer tudo o resto (a circuncisão, os ritos da Lei, os títulos de glória são apenas “prejuízo” ou “lixo” – v. 8). Só a identificação com Cristo, a comunhão de vida e de destino com Cristo é importante; só uma vida vivida na entrega, no dom, no amor que se faz serviço aos outros, ao jeito de Cristo, conduz à ressurreição, à vida nova.
Mais um dado importante: Paulo está consciente que partilhar a vida e o destino de Cristo implica um esforço diário, nunca terminado; é, até, possível o fracasso, pois o nosso orgulho e egoísmo estão sempre à espreita e o caminho da entrega e do dom da vida é exigente. Mas é o único caminho possível, o único que faz sentido, para quem descobre a novidade de Cristo se apaixona por ela. Quem quer chegar à vida nova, à ressurreição, tem de seguir esse caminho.
ATUALIZAÇÃO
♦ Neste tempo favorável à conversão, é importante revermos aquilo que dá sentido à nossa vida. É possível que detectemos no centro dos nossos interesses algum desse “lixo” de que Paulo fala (interesses materiais e egoístas, preocupações com honras ou com títulos humanos, apostas incondicionais em pessoas ou ideologias…); mas Paulo convida a dar prioridade ao que é importante – a uma vida de comunhão com Cristo, que nos leve a uma identificação com o seu amor, o seu serviço, a sua entrega. Qual é o “lixo” que me impede de nascer, com Cristo, para a vida nova?
♦ É preciso, igualmente, ter consciência de que este caminho de conversão a Cristo é um caminho que está, permanentemente, a fazer-se. O cristão está consciente de que, enquanto caminha neste mundo, “ainda não chegou à meta”. A identificação com Cristo deve ser, pois, um desafio constante, que exige um empenho diário, até chegarmos à meta do Homem Novo.

Evangelho – Jo 8,1-11 - AMBIENTE

Esta pequena unidade literária não pertencia, inicialmente, ao Evangelho de João: ela rompe o contexto de Jo. 7-8, não possui as características do estilo joânico e o seu conteúdo não se encaixa neste Evangelho (que não se interessa por problemas deste gênero). Além disso, é omitida pela maior parte dos manuscritos antigos; e as referências dos Padres da Igreja a este episódio são muito escassas. Outros manuscritos colocam-no dentro do Evangelho, mas em sítios diversos, por exemplo, no final do mesmo – como fazem algumas versões modernas da Bíblia. Numa série de manuscritos, encontramo-la no Evangelho de Lucas (após Lc. 21,38), que seria um dos lugares mais adequados, dado o interesse de Lucas em destacar a misericórdia de Jesus. Trata-se de uma tradição independente que, no entanto, foi considerada pela Igreja como inspirada por Deus: não há dúvida que deve ser vista como “Palavra de Deus”.
Seja como for, o cenário de fundo coloca-nos frente a uma mulher apanhada a cometer adultério. De acordo com Lv. 20,10 e Dt. 22,22-24, a mulher devia ser morta. A Lei deve ser aplicada? É este problema que é apresentado a Jesus.
MENSAGEM
Temos, portanto, diante de Jesus uma mulher que, de acordo com a Lei, tinha cometido uma falta que merecia a morte. Para os escribas e fariseus, trata-se de uma oportunidade de ouro para testar a ortodoxia de Jesus e a sua fidelidade às exigências da Lei; para Jesus, trata-se de revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
Apresentada a questão, Jesus não procura branquear o pecado ou desculpabilizar o comportamento da mulher. Ele sabe que o pecado não é um caminho aceitável, pois gera infelicidade e rouba a paz… No entanto, também não aceita pactuar com uma Lei que, em nome de Deus, gera morte. Porque os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa. Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”).
A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem.
O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros. Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e auto-suficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens.
Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais. Os pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os, apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena. A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus.
ATUALIZAÇÃO
♦ O nosso Deus – di-lo de forma clara o Evangelho de hoje – funciona na lógica da misericórdia e não na lógica da Lei; Ele não quer a morte daquele que errou, mas a libertação plena do homem. Nesta lógica, só a misericórdia e o amor se encaixam: só eles são capazes de mostrar o sem sentido da escravidão e de soprar a esperança, a ânsia de superação, o desejo de uma vida nova. A força de Deus (essa força que nos projeta para a vida em plenitude) não está no castigo, mas está no amor.
♦ No nosso mundo, o fundamentalismo e a intransigência falam frequentemente mais alto do que o amor: mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus; desacredita-se, calunia-se, em razão de preconceitos; marginaliza-se em nome da moral e dos bons costumes… Esta lógica (bem longe da misericórdia e do amor de Deus) leva-nos a algum lado? A intolerância alguma vez gerou alguma coisa, além de violência, de morte, de lágrimas, de sofrimento?
♦ Quantas vezes nas nossas comunidades cristãs (ou religiosas) a absolutização da lei causa marginalização e sofrimento. Quantas vezes se atiram pedras aos outros, esquecendo os nossos próprios telhados de vidro… Quantas vezes marcamos os outros com o estigma da culpa e queimamos a pessoa em “julgamentos sumários” sem direito a defesa… Esta é a lógica de Deus? O que nos interessa: a libertação do nosso irmão, ou o seu afundamento?
♦ Neste caminho quaresmal, há duas coisas a considerar: Deus desafia-nos à superação de todas as realidades que nos escravizam e sublinha esse desafio com o seu amor e a sua misericórdia; e convida-nos a despir as roupagens da hipocrisia e da intolerância, para vestir as do amor.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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"Vai e não peques mais"
A liturgia, sempre sábia e elegante na sua linguagem, exprime numa das coletas do tempo comum esta consoladora verdade: Deus manifesta seu poder principalmente no perdão e na misericórdia (cf. 26ª domingo do T.C.). É o que aparece de maneira muito clara na bela perícope de São João que estamos lendo neste quinto domingo da Quaresma. É o episódio da mulher adúltera. É uma espécie de encontro da justiça dos homens, frágil e incoerente, com a misericórdia de Jesus, límpida e cheia de majestoso poder.
Seria interessante notar, como o sabem todos os que conhecem a fundo o texto do Evangelho, que esta passagem falta nos mais importantes manuscritos antigos de São João, ou está deslocada para outros pontos do texto, e mesmo para o texto do evangelho de são Lucas. Mas não há nenhuma dúvida sobre a sua autenticidade. É um fragmento genuíno da tradição apostólica, que no momento oportuno encontrou seu lugar definitivo em São João, embora pelo assunto e pelo estilo seja mais provavelmente de são Lucas.
Eram os dias da festa dos Tabernáculos. Jesus estava ensinando a um grupo de ouvintes, num dos átrios do Templo. Estava sentado. Não numa cátedra solene como a dos doutores, mas num banquinho modesto, ou talvez mesmo numa esteira ou num pequeno tapete, como faziam as pessoas do povo para ouvir os mestres.
Foi quando os escribas e os fariseus trouxeram à sua presença uma mulher que ia ser executada por apedrejamento, por ter sido apreendida em adultério. Assim mandava a lei de Moisés. E eles queriam saber o que Jesus pensava disso. Nem era preciso dizer que, tratando-se de escribas e fariseus, o que eles estavam querendo era armar uma cilada para Jesus. Se ele respondesse que não concordava com a aplicação de tão bárbara sentença de morte, diriam que Ele era rebelde à lei de Moisés. Se dissesse que concordava, fariam ruir diante do povo sua fama de misericórdia.
Jesus não respondeu. Inclinou-se para um lado e começou a escrever no chão. Houve sempre curiosidade de saber o que é que Jesus escreveu. Espalhou – se uma hipótese - sugerida por São Jerônimo - que Jesus ia escrevendo o nome de cada um daqueles acusadores e seus respectivos pecados. Essa explicação foi até acolhida por algum manuscrito antigo. Mas o mais simples era que Jesus estava apenas rabiscando despreocupado no chão, para mostrar seu desapreço pelo que lhe diziam aqueles homens. Como acontece muitas vezes, no decorrer de uma conferência enfadonha, que alguns ouvintes se põem a garantujar numa folha de papel, em sinal de tédio. Sabem- no muito bem os que freqüentam os parlamentos.
Mas os homens insistiram na pergunta. Foi quando Jesus, aprumando-se, disse pausadamente: "Aquele dentre vós que não tiver nenhum pecado, atire a primeira pedra". E se inclinou de novo e continuou a rabiscar no chão. Aqueles homens, um a um, se foram retirando, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho. Na sua frente, a mulher. Ao redor, seus humildes ouvintes. Então Jesus perguntou à mulher: "Onde estão eles, aqueles que te acusavam? Ninguém te condenou?" Ela respondeu: "Ninguém, Senhor". Vem então a palavra final de Jesus, solene e poderosa: "Eu também não te condeno. Vai! E, de agora em diante, não peques mais" (cf. Jo 8,1-11).
É de uma beleza cintilante essa palavra final de Jesus. É a misericórdia e o perdão, não indo contra a justiça, mas envolvendo-a e superando-a. É inacreditável a força dessa palavra: "Não peques mais!"
Certamente essa mulher nunca havia sentido tão vivo o peso de seu pecado. Mas também nunca tinha sentido a coragem de levantar-se do abismo de sua culpa. A palavra de Jesus não era apenas uma ordem ou um conselho. Era uma força do céu que caía sobre ela para dar-Ihe a coragem da conversão. E a certeza de ser salva. Quem sabe ela não terá entrado para o grupo dos discípulos?
Quem pode duvidar que ela não se tenha tornado uma santa? Na Igreja grega este evangelho é lido na festa de santas convertidas, como santa Maria do Egito e santa Pelágia.
padre Lucas de Paula Almeida, CM
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A primeira pedra
A liturgia de hoje nos lembra que a Quaresma não é um tempo para atirar pedras, mas para construir a fraternidade. O problema do mal e do pecado não se resolve com o castigo e a intolerância, mas pelo amor e a misericórdia.
Na 1ª leitura, Isaías anuncia a libertação do exílio e o retorno a Israel como um novo Êxodo para a Terra Prometida. (Is. 43,16-21) Esse "caminho" é imagem de outra libertação, que Deus nos convida a fazer na Quaresma e que também nos levará à Terra Prometida, onde corre a vida nova.
- Quais são as escravidões  que impedem, hoje, a liberdade e a vida?
- O que ainda nos mantém alienados, presos e escravos?
Na 2ª leitura são Paulo afirma que a única coisa que lhe interessa é conhecer Jesus Cristo. Tudo o resto é lixo. (Fl. 3,8-14)
Qual é o lixo que me impede de nascer com Cristo para a vida nova?
No Evangelho temos uma comovente cena da vida de Jesus, diante de uma mulher pecadora (Jo. 8,1-11) No domingo passado, com a parábola do Filho pródigo, Jesus nos mostrou o amor misericordioso de Deus. Hoje, Ele dá o exemplo, passando das palavras aos fatos...
- Jesus ensinava no templo.
- Os escribas fiscalizavam o Mestre, buscando pretextos para acusá-lo.
Trouxeram uma mulher surpreendida em pecado de adultério e segundo a lei de Moisés tais pessoas deviam ser apedrejadas.
Aproveitaram a situação, para deixar o Cristo numa situação embaraçosa: "Mestre, que vamos fazer dessa mulher, perdoá-la ou apedrejá-la, como manda a nossa lei?"
- Para os escribas e fariseus, era uma oportunidade para testar a fidelidade de Jesus às exigências da Lei.
- Para Jesus, foi uma oportunidade para revelar a atitude de Deus frente ao pecado e ao pecador.
- Jesus sabia que era apenas um pretexto para incriminá-lo, por isso não respondeu e ficou rabiscando no chão.
Diante da insistência dos acusadores, ele se levantou e os desafiou: "Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra..."
- E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Não sabemos o que. Segundo uma tradição, Jesus escrevia os pecados de cada um deles. E então aqueles "cumpridores" da lei, envergonhados, foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. Só ficaram no pátio do templo a mulher, os discípulos e ele, Jesus. Então Jesus perguntou: "Mulher, ninguém te condenou? Nem eu te condeno... Vai e não peques mais..."
A mulher não tinha manifestado nenhum sinal de arrependimento. Assim mesmo, Jesus a convida a seguir um caminho novo de liberdade e paz. Jesus não aprova o pecado, mas não condena a pecadora. Mostra que o importante é a conversão das pessoas, não sua condenação. E ainda hoje, no sacramento da reconciliação, Deus continua nos dizendo: "Teus pecados estão perdoados. Vai em paz e não peques mais."
No episódio, Jesus mostra:
+ Uma imagem de Deus: o rosto misericordioso de Deus. Um Deus que é mais misericórdia, do que justiça. Não quer a morte do pecador, mas a sua plena libertação. A força de Deus não está no castigo, mas no Amor.
+ Um "NÃO" à hipocrisia fiscalizadora dos escribas, de ontem e de hoje. Ainda hoje a intransigência fala mais forte do que o amor. Mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus. Todos somos pecadores e não temos o direito de condenar, de nos tornar fiscais dos outros.
- Nessa caminhada quaresmal, Deus nos convida a despir as roupagens da hipocrisia para vestir as do amor.
+ Um apelo: não devemos discriminar e condenar a gente caída à beira do caminho. Eles não precisam de juizes... mas de salvadores...
* Qual é a nossa atitude, diante dessas pessoas?
- A de Cristo? Ele teve "compaixão e compreensão" Ele não aprovou o pecado... mas não condenou a pessoa... "Eu também não te condeno... Vai e não peques mais...”
- Ou a dos escribas? (com pedras nas mãos... ou melhor na língua...)
* Em Nossas comunidades, há ainda hoje pessoas, que continuam atirando pedras?
- Quais seriam as pedras, que ainda hoje continuamos atirando, machucando... e às vezes até destruindo o bom nome delas?
- E o que Cristo poderia estar rabiscando hoje, de nós, no chão?
Poderíamos enfrentar o desafio de Cristo: "Quem não tiver pecado pode atirar a primeira pedra?"
padre Antônio Geraldo Dalla Costa

 justiça. Não quer a morte do pecador, mas a sua plena libertação. A força de Deus não está no castigo, mas no Amor.
+ Um "NÃO" à hipocrisia fiscalizadora dos escribas, de ontem e de hoje. Ainda hoje a intransigência fala mais forte do que o amor. Mata-se, oprime-se, escraviza-se em nome de Deus. Todos somos pecadores e não temos o direito de condenar, de nos tornar fiscais dos outros.
- Nessa caminhada quaresmal, Deus nos convida a despir as roupagens da hipocrisia para vestir as do amor.
+ Um apelo: não devemos discriminar e condenar a gente caída à beira do caminho. Eles não precisam de juizes... mas de salvadores...
* Qual é a nossa atitude, diante dessas pessoas?
- A de Cristo? Ele teve "compaixão e compreensão" Ele não aprovou o pecado... mas não condenou a pessoa... "Eu também não te condeno... Vai e não peques mais...”
- Ou a dos escribas? (com pedras nas mãos... ou melhor na língua...)
* Em Nossas comunidades, há ainda hoje pessoas, que continuam atirando pedras?
- Quais seriam as pedras, que ainda hoje continuamos atirando, machucando... e às vezes até destruindo o bom nome delas?
- E o que Cristo poderia estar rabiscando hoje, de nós, no chão?
Poderíamos enfrentar o desafio de Cristo: "Quem não tiver pecado pode atirar a primeira pedra?"
padre Antônio Geraldo Dalla Costa



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