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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 22 de março de 2016

DOMINGO DA PÁSCOA-C

DOMINGO DA PÁSCOA

Cor: Branco


27 de Março de 2016
Ano C


1ª Leitura - At 10,34a.37-43

Salmo - Sl 117

2ª Leitura - Cl 3,1-4



Evangelho - Jo 20,1-9


Amigos! Hoje é dia de alegria, é dia de comemorar a volta de Jesus à vida, é dia de nos alegrar com a sua ressurreição de Jesus e a nossa também. Continua

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DOMINGO DA PÁSCOA!

JESUS CRISTO RESSUSCITOU ELE VIVE ENTRE NÓS! – Olivia Coutinho

Dia 27 de Março de 2016

Angustia, sofrimento, morte, era sempre noite na humanidade, até que na noite mais clara que o dia, a vida vence a morte, as trevas dão lugar a luz!
O acontecimento mais belo que já se viu na terra, tirou das trevas uma  humanidade corrompida pelo pecado, tornando o céu mais próximo da terra! 
Agora, não vivemos mais ao léu, encontramos uma direção, a nossa vida ganhou um novo sentido, temos em quem confiar  a quem seguir, as promessas de Deus se cumpriram: Jesus Ressuscitou, pagou com o seu sangue, o preço da nossa liberdade! 
Inseridos no mistério Pascal, que é a vida de Jesus em nós e a nossa vida Nele, tornamos continuadores  da presença  de Jesus no mundo! 
Na ressurreição de Jesus, está expresso o amor de Deus por nós, um amor tão grande que o levou a entregar o seu filho como prenda para pagar o preço do nosso resgate!
A ressurreição de Jesus, retirou as vendas dos nossos olhos, nos fez enxergar possibilidades que antes não víamos,  a vislumbrarmos  novos horizontes!
O ressuscitado devolveu o brilho ao nosso olhar, transformou o nosso medo em coragem, as nossas noites escuras em dias claros!
É no encontro com O Cristo Ressuscitado, que nós também ressuscitamos saindo do sofrimento para vivermos  um recomeço, as alegrias de um novo dia!
A todo instante, somos chamados a fazermos a experiência do Cristo ressuscitado, indo ao encontro do outro, pois é através da relação humano, com humano, experimentada também por Jesus, que nós  nos envolvemos no Mistério Pascal, deixando Jesus entrar em nós, possibilitando-nos viver a nossa humanidade de forma Divina!
O coração humano, quando se deixa tocar pelo o amor Divino, torna fonte de luz no mundo a tirar das trevas muitos corações sombrios! 
A alegria, é a marca de quem vive no seu dia a dia a ressurreição de Jesus, é o sinal de sua adesão à Ele! Quem se deixa iluminar pela Luz de Cristo, irradia alegria por onde passa uma alegria, que não se resume num sentimento superficial, inconsistente, pelo contrário, é uma alegria duradora, consistente, porque é uma alegria de origem Divina que independe das circunstancia em que se vive!
O evangelho que a liturgia deste domingo nos convida a refletir, nos fala da alegria vivenciada pelas primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus, da alegria de Maria Madalena que ao visitar o sepulcro de Jesus naquela manhã de domingo, pode testemunhar, diante do túmulo vazio, a mais bela de todas as verdades cristãs: JESUS CRISTO RESSUSCITOU!
A princípio, pode ser, que o medo e a alegria, tenha se misturado no coração de Maria Madalena, afinal, tudo aquilo era grande demais para o seu entendimento, mas  em pouco tempo, ela, certamente, se sentiu segura ao lembrar destas palavras de Jesus: “O Filho do homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado, e ressuscitar no terceiro dia.”(Lc24,7)
 Maria Madalena teve pressa em partilhar esta sua alegria, por isto, ela vai apressadamente levar esta Boa Notícia aos outros discípulos, que se alegram com ela!Assim como ela e os outros dois discípulos que correram até o sepulcro, onde puderam constatar o acontecimento mais importante de toda história, também nós, deveríamos ter pressa em levar ao outro, esta Boa Notícia: Jesus Cristo ressuscitou, Ele está no meio de nós!
A liturgia deste domingo, fala fundo ao nosso coração, faz ressoar nos nossos ouvidos a saudação dos primeiros cristãos que diziam alegremente:  “Jesus ressuscitou Aleluia!” Saudação esta , que nós devemos  responder com a mesma alegria deles: Sim, verdadeiramente Jesus Cristo ressuscitou, Ele vive entre nós!
Muito mais do que compreendermos o que é a Páscoa, é celebrá-la, é sermos Pascais,  é viver como o ressuscitado alimentando dentro de nós, o amor do Pai expresso nas ações do Filho!
Viver a Páscoa, não significa somente crer no Deus que em Cristo nos redimiu e nos ressuscitará, mas se trata de saber quem é Jesus para nós, qual é o lugar que Ele ocupa em nossa vida, somente assim, seremos Pascais e viveremos verdadeiramente a ressurreição de Jesus.
O melhor meio de anunciar a Ressurreição de Jesus, é dar testemunho de fé, no serviço ao outro, como Ele fez na última ceia, lavando os pés dos Apóstolos numa atitude de humildade e de serviço.
Deixemos para trás, a escuridão do passado, para vivermos as alegrias de um novo dia, na certeza de que Jesus nunca mais separará de nós!

MEUS QUERIDOS IRMÃOS EM CRISTO: DESEJO A TODOS UMA FELIZ PÁSCOA!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho   
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Chegamos à celebração da Páscoa. A Páscoa, palavra que significa “passagem” e “pulo” (salto) em hebraico, não é simplesmente a comemoração de uma festa religiosa, muito mais que isso é um processo de contínuo esforço para sempre “passarmos para condições mais humanas” e pularmos (saltarmos) sobre os males da vida; portanto, mais que uma solene celebração litúrgica, a Páscoa é uma espiritualidade que devemos sempre cultivar inspirando-nos na Ressurreição de Jesus da qual deriva a visão otimista da vida e de sempre fazermos uma releitura dos fatos da nossa história pessoal e social. Vivenciar a espiritualidade pascal significa nos esforçarmos para viver de cabeça erguida, “aspirando às coisas do alto” (II leitura), é testemunhar com nossas opções que Jesus Cristo é o Senhor da Vida (I leitura) e testemunhá-lo com uma vida dinâmica, numa contínua corrida pela promoção do Bem (Evangelho)!
1ª leitura: Atos 10,34.37-43
Páscoa é testemunhar o ressuscitado!
Na primeira semana após a festa da Páscoa, chamada oitava da páscoa – oito dias de solenidade litúrgica, Pedro, líder dos discípulos, é quem toma a palavra testemunhando sua fé no Ressuscitado. Com firmeza e clareza, estimula os judeus à conversão por causa da morte de Jesus: “o mataram pregando numa cruz” (Atos 10,39). Os fatos históricos da paixão, morte e ressurreição de Jesus estão ao centro do conteúdo dos seus discursos. Pedro também afirma sua experiência concreta, pois “comeu e bebeu” (símbolos de comunhão, de relação de amizade, de intimidade) com Jesus. O “comer e beber” com Jesus é a experiência fundamental que marcou profundamente a mente e o coração de Pedro (e dos demais) que o fazia testemunhá-lo com alegria e coragem. A comunhão com Jesus, a experiência do encontro do Ele, deve preceder o anúncio por parte do bom discípulo. Assim aconteceu com os apóstolos. Não se pode anunciar quem não conhecemos e quem não amamos. Do texto que nos é apresentado hoje Pedro testemunha que:
Jesus de Nazaré foi ungido por Deus (= agia movido pelo Espírito Santo);
Andou por toda parte fazendo o bem e curando (= promoção do Reino de Deus);
Os judeus o mataram pregando-o numa cruz (= o Reino de Deus incomoda);
Deus o ressuscitou ao terceiro dia (= Deus é o Senhor da história, Deus responde à violência sofrida);
Pedro e os demais discípulos comeram e beberam com Ele (= é a experiência de comunhão e amizade);
Jesus mandou pregar e testemunhar (= compromisso atual de ser discípulos, a história deve continuar);
Quem crê Nele, recebe o perdão dos pecados! (= obtém a salvação: crer é viver com Ele...).
 Na verdade esse é o programa de vida de toda a missão da Igreja que se alicerça da experiência de vida e testemunho dos apóstolos e chega até nós que devemos continuar esse anúncio e com o mesmo dinamismo.
Nossa vida
O texto que lemos fazia parte do credo fundamental das primeiras comunidades cristãs e é por isso que fala de experiência. 1. A importância da experiência: Pedro não é um teórico, não é um romancista, um escritor, um pensador, não descreve contos de ficção; Pedro é um narrador que conta a sua própria história; dá com alegria e convicção o testemunho de sua experiência com Jesus Cristo. Fala quem é Jesus a partir do seu relacionamento com Ele, da sua amizade, pois “comeu e bebeu com Ele”. Também nós somos chamados a narrar aos outros a nossa experiência de fé, da nossa comunhão com Jesus. Essa Amizade deve marcar nossa o ritmo da nossa vida. Evangelizar, mas que falar de Jesus, é narrar aos outros uma experiência. 2. A experiência compromete: a proclamação da Páscoa se identifica com a narração de uma experiência inquietante, provocadora, entusiasmante, comprometedora; trata-se de uma experiência que se faz missão, responsabilidade! A proclamação da Ressurreição de Jesus gera uma decidida opção pelo Reino de Deus anunciado e vivido por Jesus; é um modo de viver em nível pessoal e comunitário. A narração é relato do compromisso de continuação da missão de Jesus com a mesma seriedade com a qual ele assumiu a sua. 3. A resposta Divina: a ressurreição é a resposta divina à violência humana: “mas Deus o ressuscitou!”. Significa que apesar de ter padecido, não triunfou sobre si a maldade humana, o ódio, a criminalidade. A última palavra não pode ser a do homem, mas de Deus! É sempre Deus que tem a última palavra diante das decisões humanas.
Salmo 118 (117)
Este é um salmo de gratidão a Deus pela sua bondade e seu amor que se estende para sempre (cf. Sl 117,1-4.21.28-29). Esse sentimento de gratidão é a resposta do salmista a Deus por causa dos benefícios recebidos: pelo socorro na angústia (cf. Sl 117,5), pela presença que lhe trouxe segurança livrando-o dos inimigos que são vistos como espinhos e vespas (cf. Sl 117,6-7.11-13). Tudo isso se transforma em convicções profundas: “É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança no homem. É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança nos chefes” (Sl 117,8-9). Liberto dos males e ameaças o salmista assume um sério compromisso: “Viverei para contar as obras de Javé” (cf. Sl 117,17).
2ª leitura: Cl. 3,1-4
Páscoa é esforço permanente de prática da virtude!
Paulo, à semelhança de Pedro, comunica aos cristãos de Éfeso o que significa proclamar a Ressurreição de Jesus. Para ele, neste texto, a Páscoa significa:
a) Esforçar-se para “alcançar as coisas do alto”;
b) Aspirar às coisas celestes e não às coisas terrestres. (cf. Ef. 3,2). Proclamar a Ressurreição é fazer morrer em nós tudo aquilo que não se harmoniza com os valores do Reino de Jesus Cristo. Buscar as coisas do “alto” é deixar-se envolver e dinamizar-se pelas conseqüências das virtudes da Fé, da Esperança e do Amor. Isso significa, por outro lado, combater a nossa tendência a fechar-nos nas “coisas terrenas”, ou seja, deixando-nos orientar pela lógica da razão humana e dos instintos egoístas (cf. Rm 8,1-13). Quando seguimos esse caminho, não sobra espaço para o perdão, para o sacrifício, para a experiência da cruz da qual provém a glória.
Nossa vida
1. Esforço: compromisso ético-espiritual - é muito significativa a perspectiva paulina de fé na Ressurreição. Depositar Fé na Ressurreição não é um puro ato intelectivo de compreensão de um fato histórico, mas, sobretudo, reviver a mesma experiência na dimensão moral (comportamento) e espiritual (interioridade); trata-se de um compromisso espiritual e ético (de consciência e ação). É por isso que ele usa um verbo que tem uma conotação profundamente moral e subjetiva: “esforçar-se”. O esforço é o empenho de energia pessoal em busca da prática de algo (neste caso, a busca das coisas do alto): aqueles que nos ajudam a entrar na Vida Eterna. 2. Querer e agir: prática da virtude - Paulo está falando da necessidade da prática da virtude como tradução da fé na Ressurreição. Dessa feita, a fé na Ressurreição compromete a totalidade das dimensões da vida do cristão: sua vontade, a liberdade, a responsabilidade, a afetividade, a sociabilidade, a inteligibilidade, sexualidade etc. Tudo ganha um sentido diferente, uma finalidade específica: a manifestação da glória de Deus (cf. Ef. 1,4) – comunicação do Amor. Nesse trecho Paulo fala do “esforço” (ligado ao agir) e do “aspirar” (ligado à vontade). Trata-se do querer e do agir que devem sempre estar juntos: uma vontade que aspira, mas não se esforça para que as coisas possam acontecer, fica no vazio. 3. A inevitável experiência do conflito: Paulo, implicitamente neste texto, adverte os efésios quanto ao conflito entre a “busca das coisas do alto” e a “aspiração às coisas terrestres”. Hoje em nossa sociedade “olhar para as coisas do alto” e a “aspiração às coisas terrestres” entram em profundo e explícito conflito. Os fortes estímulos da cultura hedonista (prazer acima de tudo), do sensacionalismo, do automatismo, do imediatismo, do sucesso a todo custo, do materialismo, se distanciam da espiritualidade pascal. Isso gera grandes desafios para o crente: o crescimento espiritual exige o empenho da razão e até, às vezes, contrastes com as suas naturais tendências; a fé requer escolhas capazes de transcender a lógica dos sentidos deste mundo. O próprio Paulo deu o seu testemunho: “ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita” (Rm 7,20). Essa ambivalência está dentro de nós, por isso devemos sempre lutar para não nos deixarmos escravizar pelas atrações terrenas.
Evangelho: João 20,1-9
O dinamismo da fé no ressuscitado
Este trecho, no qual João descreve a primeira constatação do sepulcro aberto e vazio por parte de Madalena e logo comunicada a Pedro e João, serve como paradigma (modelo) para toda comunidade cristã: a acolhida da ressurreição (fé!) deve gerar na comunidade um dinamismo de comunicação, comunhão, reconhecimento e respeito pelas competências e responsabilidades de cada um. Vejamos as atitudes dos personagens: a) Maria Madalena: representa a pessoa sem fé! Madalena vai cedo ao túmulo de Jesus, “bem de madrugada”, no primeiro dia da semana (domingo). Constata que a pedra tinha sido retirada do túmulo, então ela saiu correndo e foi encontrar Pedro e João (cf. Jo 20,1-2). Madalena, contudo, não se encontrou com o Ressuscitado! Ela representa a comunidade ou a pessoa sem fé, que ainda não assimilou ou não compreendeu o significado da Ressurreição. Madalena está presa ao passado materialista: não vai ao encontro do Ressuscitado, mas deseja é encontrar o corpo do senhor morto no túmulo. Quem já fez a experiência da fé na Ressurreição vai ao encontro da Vida e dos Vivos e projeta-se para o futuro! A corrida de Madalena representa o dinamismo ativista (= sem espiritualidade) que pára de repente num encontro e só comunica susto, frustração, decepção, perplexidade, confusão, angústia... Madalena só descreve os fatos que vê (é humanamente honesta), mas não interpreta seu significado: falta-lhe a experiência da fé. Está presa aos seus sentimentos. b) Pedro e João: estão juntos e ao receberem a comunicação de Madalena saem correndo rumo ao túmulo. João chega primeiro que Pedro, mas não entra, Pedro chegando, entra no túmulo. Logo percebe algo que Madalena não viu: os sinais da ressurreição, ou seja, “as faixas de linho e o pano enrolado num lugar à parte” (cf. Jo 20,6). “Ele viu e acreditou”! (Jo 20,8). Madalena só viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo! Pedro e João representam a comunidade que já assimilou a Ressurreição de Jesus e, portanto, sabe dar significado para aquilo que faz memória de Jesus Cristo. Para quem tem fé, tudo tem um significado, não só descreve, mas lê, interpreta, decodifica, tira lições de vida, acolhe perspectivas, deduz consequências! Pedro e João representam a comunidade cristã composta de multíplices sujeitos e responsabilidades. É o discípulo que ama a Jesus (João) que respeita as competências dos demais; o discípulo amado e que ama, corre, tem dinamismo proativo (corrida), não conflita e nem debocha do “velho Pedro”... o respeita! A fé gera amor e o amor, sempre sendo uma realidade dinâmica, produz harmonia e respeito entre as pessoas.
Nossa vida
Somos chamados a encarnar o que representa Pedro e João: compreensão do significado da ressurreição, capacidade de interpretar os sinais da história e dos tempos, respeito pelas competências, senso de comunhão.  Somos por outro lado, tantas vezes, comparados à Madalena, míopes diante dos sinais da ressurreição, fechados nos nossos próprios dramas, presos ao passado (corpo), incapazes de dar significado para aquilo que vemos ao nosso redor...
Mensagens e compromissos
Reviver a ressurreição é testemunhar a Amizade com Jesus Cristo... “Comer e Beber com Ele hoje”!
Aspirar e agir em função das coisas do alto é exercitar-se na prática das virtudes: bondade, solidariedade, justiça...!
Buscar a comunhão, acolhida, o respeito pelas atribuições do outro na vida em grupo, família, trabalho...
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (Pe. Bira)


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Ele devia ressuscitar dos mortos
A Ressurreição de Jesus comporta um “não decidido à impunidade e à violência. Jesus não ressuscita para reivindicar sua morte, mas para proclamar que a Vida plena é a vontade de Deus. Nele os verdugos, nem os acusadores, nem os traidores tem a última palavra. Somente Deus leva a voz constante, pois somente ele é capaz de dirigir a história de maneira imprevista e insuspeita.
A festa cristã da Páscoa é, sobretudo, uma festa da vida recuperada, da vida autentica, da capacidade de manter a proposta de Deus por cima da mesquinhez que impõem certas instituições sociais. A páscoa não é uma festa que nasce do desejo de celebrar algum sentimento, mas do desejo de reivindicar uma esperança sustentada com a intransigência da generosidade.
A comunidade se reúne para proclamar que a existência desse simples homem de Nazaré ilumina e muda toda historia humana. Uma historia feita de violências intermináveis, sobre uma terra sedenta de esperança na qual despontam permanentemente as flores recônditas da solidariedade.
A ressurreição nos convida a não sufocar com a sórdida amargura os intermináveis afãs cotidianos. A Páscoa de Jesus nos mostra outro mundo, um mundo que começa justamente nos limites da precariedade de nossa existência; um mundo que não nos alheia, mas que abre nossos olhos para uma vida nova. Uma via que não nasce do voluntarismo  ou do desejo de querer impor uma opinião ou um ponto de vista. Antes o contrário: a ressurreição é primícia de uma vida que nasce do perdão, da misericórdia e da reconciliação. Porque somente quem é capaz de reconhecer o germe da vida futura em meio deste vale de lágrimas, será capaz de recolher a colheita do reino.
A Páscoa é a festa da reconciliação, da esperança, da resistência. Com a ressurreição, Jesus rompe o cerco da impunidade. Sua atitude de reconciliação é um grito de justiça. Jesus perdoa seus algozes porque sabendo que eles estão fanatizados por uma moral que legitima a injustiça. As instituições religiosas e políticas “somente fazem o que sabem”. Instauram a violência e a intolerância como os únicos meios para legitimar seu poder.
Porém, com a ressurreição, Jesus apela para a justiça de Deus que é o absoluto respeito pela vida humana e pela liberdade de todo ser humano. O perdão, então, nasce de uma consciência soberanamente madura e tolerante e os prepara para uma reconciliação verdadeira. Porque a injustiça cometida não é reparada com uma agressão maior. Porque a injustiça cometida no se remedia con una agresión mayor.
Jesus sabe que o perdão não atenua a atrocidade do crime. O perdão questiona a consciência do agressor e a resposta do ofendido. Pois o perdão não é um recurso de emergência para tapar com flores brancas a irremediável fatalidade do crime. Nem é tampouco a vã pretensão de querer superar a violência com a violência. A reconciliação e o perdão nascem de uma fé muito profunda, de uma confiança radial no Deus da Vida, de uma nova maneira de ver a realidade.
A atitude conciliadora é consciente de que a vida social não se rege pela força bruta. A realidade é percebida como um infinidade de laços afetivos que sustentam a existência humana. Desse modo, a história humana, sob a luz do novo dia, mostra um rosto desconhecido no qual predomina o encontro, a generosidade, a entrega, a confiança, a tolerância e o amor. Uma realidade que não se identifica pela mecânica eficácia dos gestos conhecidos, mas que nos mostra uma nova humanidade com os braços abertos ao mundo. De um lado fica o punho cerrado pela fúria e pela violência e agora as mãos acariciam com suavidade, oferecendo sua palma como gesto de abertura sincera.
Com a ressurreição, a vida humana supera a mera estatística das intermináveis fatalidades para converter-se em uma alternativa irrenunciável: a vida é um direito que não se negocia; a vida é única e cada existência tem um valor infinito. A sacralidade da existência humana se revela como o dado absoluto e inalienável que constitui a vida social. Por esta via é possível propiciar um diálogo criativo, único modo de resolver os irremediáveis conflitos que surgem na convivência inter-humana.
Isto nos leva a meditar sobre um aspecto da ressurreição de Jesus que as vezes esquecemos, porém que é essencial para compreender como uns transformação pessoal, uma transformação interior de um pequeno grupo, é capaz de mudar o rumo da história dessa comunidade, desse grupo. Isto foi o que aconteceu aos discípulos e discípulas de Jesus quando se encontraram de repente com uma realidade surpreendente que se lhes impôs: Jesus havia ressuscitado.
Não era a ocorrência de algumas mulheres desconsoladas ou de alguns discípulos confundidos. Era a potente experiência de uma comunidade que havia descoberto que Jesus os estava chamando para continuar a missão de anunciar o evangelho aos pobres. Então a ressurreição se converteu em uma experiência tão desconcertante como novidadeira, uma realidade que obrigou a toda a comunidade a revisar suas expectativas e a colocar-se de novo a caminho.
A ação mais palpável da ressurreição de Jesus foi sua capacidade de transformar o interior dos discípulos. O ressuscitado convoca sua comunidade ao redor do evangelho e a enche de seu espírito de perdão. Os corações de todos estavam feridos. Na hora da verdade, todos eram dignos de reprovação: ninguém havia entendido corretamente a proposta do Mestre.
Por isso, quem não havia traído Jesus, o havia abandonado à sua sorte. E se todos eram dignos de reprovação todos estavam necessitados de perdão. Voltar a dar coesão à comunidade de seguidores, dar-lhes coesão interna no perdão mútuo, na solidariedade, na fraternidade e na igualdade... era humanamente impossível. Contudo, a presença e a força interior do ressuscitado conseguiu esse intento.
Quando os discípulos desta primeira comunidade sentem interiormente esta presença transformadora de Jesus e quando a comunicam, é quando realmente experimentam sua ressurreição. E é então quando já lhes sobram todas as provas exteriores da mesma. A imprevista e intempestiva novidade do ressuscitado arranca desde os cimentos das falsas seguranças e anca a toda a comunidade a encarar a missão com uma força e uma dignidade até esse momento desconhecida.
Apresentamos também uma segunda proposta para as homilias de Páscoa, que pode ser intitulada “O Ressuscitado e o Crucificado”.
O que não é a ressurreição de Jesus
Pode-se dizer teologicamente que a ressurreição de Jesus não é um fato “histórico”, com isto não se quer dizer que seja um fato irreal, mas que sua realidade está mais além do físico. A ressurreição de Jesus não é um fato realmente que possa ser registrado pela história: ninguém teria a possibilidade de fotografar a ressurreição. Objeto de nossa fé, a ressurreição de Jesus é mais que um fenômeno físico. De fato, os evangelhos não narram a ressurreição: ninguém a viu. As testemunhas falam a partir de suas experiências de crentes: sentem que o ressuscitado “está vivo”, porém não são testemunhas do fato mesmo da ressurreição.
A ressurreição de Jesus não tem semelhança alguma com o “reavivamento” de Lázaro. Jesus não voltou a esta vida nem aconteceu a reanimação de um cadáver (de fato, em teoria, não teríamos problema em acreditar na ressurreição de Jesus ainda que seu cadáver houvesse ficado entre nós, porque o corpo ressuscitado não é, sem mais, o cadáver). A ressurreição (tanto de Jesus quanto a nossa) não é uma volta para trás, mas um passo adiante, um passo para outra forma de vida, a vida de Deus.
Importa realçar este aspecto para que nos demos conta de que nossa fé na ressurreição não é a adesão a um “mito” como ocorre em tantas religiões, que possuem seus mitos de ressurreição. Nossa afirmação da ressurreição não tem por objetivo um fato físico, mas uma verdade de fé com um sentido mais profundo, que é o que queremos desenvolver.
A “boa noticia” da ressurreição foi conflitiva
Uma primeira leitura de Atos provoca estranheza: por que a notícia da ressurreição suscitou a ira e a perseguição por parte dos judeus? Noticias de ressurreição não eram tão infreqüentes naquele mundo religioso. Não deveria ofender a ninguém a noticia de que alguém tivesse tido a sorte de ser ressuscitado por Deus. Contudo, a ressurreição de Jesus foi recebida com uma gravidade extrema por parte das autoridades judaicas. Faz pensar no forte contraste com a situação atual: hoje ninguém se irrita ao escutar essa notícia. A ressurreição de Jesus hoje provoca indiferença? Por que esta indiferença? Será que não anunciamos a mesma ressurreição? Ou não anunciamos a mesma coisa no anúncio da ressurreição de Jesus?
Lendo mais atentamente o livro de Atos, percebe-se que o anúncio mesmo que faziam os apóstolos tinha um ar polêmico: anunciavam a ressurreição “desse Jesus a quem vocês crucificaram”. Isto é, não anunciavam a ressurreição em abstrato, como se a ressurreição de Jesus fosse simplesmente a afirmação do prolongamento da vida depois da morte. Tampouco estavam anunciando a ressurreição de alguém qualquer, como se o que importante fosse simplesmente que um ser humano, qualquer que fosse, havia transpassado as portas da morte.
O crucificado e o ressuscitado
Os apóstolos anunciavam uma ressurreição muito concreta: a daquele homem chamado Jesus, a quem as autoridades civis e religiosas haviam rejeitado, excomungado e condenado. Quando Jesus foi atacado pelas autoridades, ficou só. Seus discípulos o abandonaram, e Deus mesmo guardou silencio como se estivesse de acordo. Tudo parecia concluir com a crucificação.
Porém, aí ocorreu algo. Uma experiência nova e poderosa se lhes impôs: sentiram que estava vivo. Foram invadidos por uma certeza estranha: que Deus confirmava a missão de Jesus e se empenhava em reivindicar seu nome e sua honra. “Jesus está vivo; não puderam vencê-lo com a morte. Deus o ressuscitou, sentou-o à sua direita, confirmando a veracidade e o valor de sua vida, de sua palavra, de sua Causa. Jesus tinha razão e não as autoridades que o expulsaram deste mundo e desprezaram sua Causa. Deus está do lado de Jesus, Deus respalda a Causa do Crucificado. O crucificado ressuscitou e vive!
E foi isto que verdadeiramente irritou as autoridades judaicas: Jesus deixou-as irritadas estando vivo e, igualmente, estando ressuscitado. Também a elas, o que as irritava não era o fato físico mesmo de uma ressurreição, que um ser humano morra ou ressuscite; o que não podiam tolerar era pensar que a Causa de Jesus, seu projeto, sua utopia, que já haviam considerado tão perigosa em vida e que já acreditavam enterrada, voltasse e se colocasse novamente em pé, isto é, que houvesse ressuscitado. E não podiam aceitar que Deus estivesse se comprometendo por aquele crucificado, condenado e excomungado. Eles acreditavam em outro Deus.
Crer com a fé de Jesus
Porém, os discípulos que redescobriram em Jesus o rosto de Deus (como o Deus de Jesus) compreenderam que Jesus era o Filho, o Senhor, a Verdade, o Caminho, a Vida, o Alfa, o Ômega. A morte não tinha nenhum poder sobre ele. Estava vivo. Havia ressuscitado. E não podiam senão confessá-lo e “segui-lo”, “aderindo à sua Causa”, obedecendo a Deus antes que aos homens, ainda que custasse a vida.
Trata-se de crer que a ressurreição não é para eles a afirmação de um fato físico-histórico, que aconteceu ou não, nem uma verdade teórica abstrata (a vida pós-morte), mas a afirmação contundente da validez suprema da Causa de Jesus, à altura mesma de Deus (à direita de Deus Pai), pela qual é necessário viver e lutar até a doação da própria vida.
E se nossa fé reproduz realmente a fé de Jesus (sua visão da vida, sua opção diante da historia, sua atitude diante dos pobres... ), será tão conflitiva como o foi na pregação dos apóstolos ou na vida mesma de Jesus.
Se, no entanto, reduzimos a ressurreição de Jesus a um símbolo universal da vida pós-morte, ou à simples afirmação de uma vida para além da morte, ou a um fato físico-histórico que ocorreu há vinte séculos... então essa ressurreição fica esvaziada do conteúdo que teve em Jesus e já não diz nada a ninguém, nem irrita os poderes deste mundo, mas chega até a desmotivar ou desmobilizar o seguimento e o compromisso pala causa de Jesus.
O importante não é crer em Jesus, mas crer como Jesus. Não é ter fé em Jesus, mas ter a fé de Jesus: sua atitude diante da história, sua opção pelos pobres, sua proposta, sua luta decidida, sua Causa...
Crer lucidamente em Jesus na América Latina, ou neste continente “cristão”, onde a noticia de sua ressurreição já não irrita a tantos que invocam seu nome para justificar inclusive as atitudes contrarias às de Jesus, implica voltar a descobrir o Jesus histórico e o sentido da fé na ressurreição.
Crendo com essa fé de Jesus, as “coisas de cima” e as da terra não são já duas direções opostas, nem sequer distintas. As “coisas de cima” são da Terra Nova que está enxertada já aqui embaixo. É preciso fazê-la nascer no doloroso parto da História, sabendo que nunca será fruto adequado de nossa planificação, mas dom gratuito daquele que vem. Buscar as “coisas de cima” não é esperar passivamente que soe a hora escatológica (que já soou na ressurreição de Jesus), mas tornar realidade em nosso mundo o reinado do Ressuscitado e sua causa: Reino de vida, de justiça, de amor e de paz.
Portal Claret

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Que Jesus ressuscitado abençoe você e todos os seus familiares neste dia de festa, de alegria e de paz! Hoje celebramos a vitória de Jesus sobre a morte. Por isso a imagem de Jesus ressuscitado é representada empunhando uma bandeira branca, sinal de vitória.
O Senhor Ressuscitou, venceu a morte! Como Jesus, e em Jesus, nós também venceremos as forças do mal. Certamente podemos vencer tudo aquilo que se contrapõe à nossa vida, ao nosso bem. Venceremos as forças que estimulam o desemprego, o salário de fome e a opressão. Venceremos tudo que é contrário ao nosso desenvolvimento, à saúde, alegria, à justiça e à paz.
Jesus faz questão de deixar transparecer que veio para mudar! Também aqui, numa sociedade em que as mulheres não tinham espaço, não tinham vez e nem voz. Uma sociedade que não aceitava sequer o testemunho das mulheres, elas eram discriminadas como os escravos e as crianças, no entanto, são elas as primeiras testemunhas da ressurreição.
Jesus, que já havia reabilitado a mulher em sua dignidade, a eleva também na capacidade de dar testemunho do maior acontecimento da história da salvação. As mulheres ficam assustadas, mas são envolvidas por uma grande alegria.
Correm, comunicam o fato a Pedro e a João e os convidam para verem o sepulcro vazio. Voltaram ao túmulo e nada encontraram. Ainda não tinham compreendido a escritura, segundo a qual Jesus deveria ressuscitar dos mortos.
“Não tenham medo” - diz o anjo às mulheres que vão ao sepulcro. “Alegrem-se!” - diz Jesus, que vem ao encontro delas. Alegria e ausência de medo são notas dominantes na ressurreição. Pouco depois, ao se apresentar aos apóstolos reunidos no cenáculo, Jesus lhes diz: “A paz esteja com vocês”. Alegria e paz são características de quem crê em Jesus e vive a sua proposta.
O cristão tem que se alegrar! Tem tudo para ser como o discípulo que Jesus amava. Foi ele o primeiro a perceber que o Mestre ressuscitara. Enxergou de imediato a Vida explodindo com toda sua força. Percebeu a intervenção de Deus “escancarando” o sepulcro e fazendo brotar a Vida Plena.
Precisamos permanentemente enxergar a vida e torná-la presente em todas as coisas. O desânimo, a acomodação, a aceitação das injustiças sociais, a exclusão dos idosos, crianças e doentes, são sinais de morte. A vida é a meta do cristão.
Pelo batismo nos unimos a Jesus Cristo e assumimos sua proposta de vida nova, pois fomos batizados na sua morte e ressurreição. Em Jesus passamos para uma vida nova, uma vida plena. Como diz São Paulo, deixamos de ser “filhos das trevas” e passamos a ser “filhos da luz”. Uma vida verdadeiramente cristã, não termina com a morte, mas se abre para a plenitude da vida em Jesus.
Neste período pascal, a Igreja convida os fiéis a fazerem a confissão e comunhão pascal. Todos somos convidados a participar dos sacramentos da reconciliação e da eucaristia. É uma ocasião de nos reaproximarmos de Deus. É uma boa hora para revermos nossa caminhada de fé.
Vamos rever nossos compromissos com a comunidade, com a família e com os doentes. Vamos nos aproximar dos excluídos e ressuscitar o Amor.

padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”
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Ressuscitou ao terceiro dia
Um elegante escritor de coisas do espírito escreveu que, assim como Deus criou dois grande luzeiros - o sol para presidir ao dia, e a lua para presidir à noite - assim fez no mundo espiritual: a Virgem Maria, o sol da santidade, para presidir ao dia da inocência; e Maria Madalena, a lua serena da contrição, para presidir à noite da penitência. E foi tão grande o valor da penitência de Madalena, que Jesus a escolheu para ser a primeira testemunha de sua vida de ressuscitado.
Foi na madrugada do primeiro dia da semana - esse "dia do sol" que hoje se chama "domingo", isto é, o "dia do Senhor". Madalena, com mais outra companheira, foi ao sepulcro, levando aromas para ungir o corpo de Jesus. No caminho, estavam preocupadas, perguntando quem rolaria para elas a pedra do sepulcro. Mas não foi preciso. O sepulcro estava aberto e vazio! Tinha acontecido o prodígio: Jesus tinha ressuscitado! Pedro e João, avisados por elas, vieram ver o que acontecera. Entraram. Viram os lençóis largados no chão. Não se tratava, portanto, de um roubo. E entenderam. E creram! Eles, "que até aquele momento não haviam compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos" (Jo 20,9).
Os apóstolos voltaram para a cidade. Madalena ficou junto do sepulcro, chorando.
Nisso viu dois anjos no lugar onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira, o outro aos pés. E viu alguém perto dela. Porém, com os olhos marejados de lágrimas como estava, não distinguiu quem era. Era Jesus! E Ele lhe perguntou por que chorava. Ela, pensando que fosse o jardineiro, respondeu: "Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste, que eu o irei buscar. Jesus lhe disse. "Maria! "E ela, voltando-se, lhe disse em hebraico: "Rabboni!", que quer dizer Mestre" (Ibid., 15-16). Qualquer escritor de hoje gastaria aqui infinitas palavras, tentando descrever a emoção desse momento. Mas o evangelista é extremamente sóbrio. Deixa que o próprio fato, pela sua grandeza, transmita a emoção. Jesus pediu a Madalena que não o detivesse, pois não havia ainda subido ao Pai. E encarregou-a de dizer aos discípulos que Ele ia subir ao Pai.
Madalena foi logo contar aos discípulos tudo o que acontecera... Depois, vieram as outras aparições. Como estrelas que se fossem acendendo no céu. Apareceu a Pedro, aos discípulos de Emaús, aos doze reunidos no Cenáculo, a um grupo de discípulos à beira do lago de Tiberíades, a uma multidão de mais de quinhentos irmãos de uma vez, como narra São Paulo, acrescentando que muitos desses ainda viviam na data em que estava escrevendo (cf. 1Cor. 15,6). Os autores dos evangelhos não escreveram uma crônica ordenada dos acontecimentos, como faria um jornalista de hoje. Eles registraram alguns exemplos de aparições, como se tinham transmitido na catequese primitiva. E é nessa ótica que temos que saber ler seus escritos. Mas de tudo triunfa a grande verdade: Jesus ressuscitou, como havia predito. Não voltou à vida anterior, numa pura revivificação de um corpo morto, como no caso da ressurreição de Lázaro. É uma vida completamente nova a que Ele vive agora. A morte foi totalmente absorvida pela vitória da Ressurreição.
Ele vive agora a vida do alto. Essa vida que São Paulo tenta descrever na primeira carta aos coríntios, quando fala da ressurreição que vai acontecer conosco, à semelhança da ressurreição de Jesus. E tenta explicar a natureza do corpo ressuscitado em relação com o que foi sepultado, partindo da comparação com uma bela flor que nasce de uma rude semente que foi semeada: "semeia-se um corpo corruptível, ressuscita um corpo incorruptível ; semeia-se um corpo desprezível, ressuscita um corpo reluzente de glória; semeia-se um corpo marcado pela debilidade, ressuscita um corpo vigoroso; semeia-se um corpo material, ressuscita um corpo espiritual" (1Cor. 15,42 -44), Assim é o corpo de Jesus ressuscitado.
E nós cristãos, que pelo batismo ressuscitamos com Cristo, devemos viver a vida do alto. Não rastejar na terra. Saber saborear não mais a material idade das coisas da terra, mas as coisas do céu. Cidadãos desde agora de uma nova Pátria! É a grande mensagem que a liturgia nos transmite, entre os aleluias do domingo da Páscoa.

padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”

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E se Cristo não tivesse ressuscitado?
Luz sem sombras
Há muitos anos atrás, correu por todos os cinemas do mundo o filme americano intitulado “Trevas sem Luz”, que deu muito o que falar.
Aí se abordava o seguinte tema: “Um sábio arqueólogo empreendeu escavações nos arredores de Jerusalém, onde hoje se encontra a basílica do Santíssimo Calvário”.
Certo dia comunica ele a todos os meios da Imprensa: ‘Eu encontrei a sepultura de Jesus de Nazaré, crucificado no ano 33.
’A sepultura, porém não está vazia, mas dentro dela se encontra um cadáver mumificado; Cristo, pois, não pode ter ressuscitado; Cristo não ressuscitou.’
Esta novidade se espalha aos quatro ventos por rádios, televisão e Imprensa. O mundo entra numa densa treva.
Tudo o que recordava Cristo foi feito desaparecer.
Igrejas foram destruídas, conventos fechados, padres abandonam suas paróquias, missionários do mundo inteiro retornaram às suas pátrias, irmãs abandonaram suas escolas e hospitais.
Enfim, o mundo entrou numa enorme confusão até que enfim é desmascarado o impostor, comentavam alguns.
Abaixo com a moral cristã e com a cruz, símbolo do sacrifício e da aceitação da morte, gritavam outros.
Outros tantos não deixaram de observar; É muita pena que tudo isso tenha sido uma falsidade, pois o ressuscitado ainda nos dava um sentido e esperança de enfrentar a vida e de superar os seus absurdos.
Agora ,porém, com dor, temos que verificar nossa frustração.
Assim, e com outros tantos pormenores, o filme Trevas sem luz vai mostrando o que significa o mundo sem o fato e a fé na ressurreição de Cristo: Verdadeiramente trevas, confusão, frustração e angústias nos corações humanos.
Porém, no final, o filme mostra o sábio arqueólogo no leito de morte. Antes de entrar em agonia, ele quer ainda uma vez falar.
E então revela ao médico, professor da universidade que sua descoberta fora uma falsidade, que ele interpretou mal o cadáver mumificado. Este não era do ano 33, mas do ano 333 d.C.

Essa história de um filme moderno, mostra-nos o que seria o mundo sem a fé na ressurreição.
São Paulo já nos dizia em sua epístola aos coríntios: se Cristo não ressuscitou, vã é nossa pregação, vã é nossa fé: Nós seríamos falsos testemunhos e os mais miseráveis de todos os homens (Cor. 15,15 ss.). Quereríamos viver de fantasia em vez de enfrentar a vida e a morte, procuraríamos fugir da dureza com falsas projeções de nossos desejos. Porém com o fato da ressurreição de Cristo, entrou uma novidade total em nosso mundo fechado pelo círculo da morte. Alguém rompeu este círculo e deu esperança a todos nós. E dizia são Paulo, novamente na sua carta aos Coríntios: “Se Cristo ressuscitou haveremos nós de ressuscitar também. Ele é apenas o primeiro da enorme cadeia dos mortos que um dia hão de ressurgir para a vida que jamais conhecerá a morte.
Com a ressurreição nasce nova vida
Mas, no terceiro dia, após a morte de Jesus, aqueles onze homens tiveram a experiência certa e inconfundível de que Jesus estava vivo (Lc. 24,5-34). Era Ele mesmo, o mesmo Jesus com o qual
tinham convivido durante três anos (At. 10,40-41). As aparições o confirmavam. Era ele mesmo. Jesus
transpôs uma barreira que jamais homem algum tinha transposto. Agora, não havia motivo para sentir-
se derrotado diante da realidade. Eles também ressuscitaram. O véu do futuro abriu-se de novo, para nunca mais fechar-se. Uma nova esperança nasceu. Uma nova força entrou na vida deles, a força de
Deus, força tão grande que conseguia tirar a vida da morte (Ef 1,19-20). Força ligada à pessoa viva de Jesus Cristo invisível em si mesmo, mas visível nos seus efeitos. Ressuscitando dos mortos Deus concretizou a sua boa vontade para com os homens; exprimiu o poder irresistível dessa vontade salvadora e libertadora; afirmou a fidelidade da mesma e nos fez saber, até que ponto, na nossa ação, podemos confiar nessa sua boa vontade para conosco: até o ponto de poder realizar o impossível, ou seja, até o ponto de esperar que possa nascer vida da morte. Deus vinha mostrando essa sua boa vontade, desde que começou a trabalhar com os homens, chamando Abraão e libertando o povo do Egito. Veio mostrando através da história que o homem, quando tiver a coragem de se comprometer com Ele, encontrará aquilo que procura, encontrará a felicidade. O conteúdo pleno desta palavra que começou a soar nos ouvidos de Abraão e a força total que ela possui, apareceram na ressurreição de Cristo. Em Cristo, um homem igual a nós, que viveu na total abertura e obediência ao Pai, atingiu a meta final na sua ressurreição. E Deus não só o ressuscitou, mas o introduziu junto de si, dando-lhe todo poder e entregou-lhe o destino da humanidade. (Fl. 2,8-11) .Agora, eternamente, um irmão nosso está junto de Deus como prova cabal e definitiva de que Deus leva a sério a sua palavra, uma vez
dada (Is. 40,7-8) e de que a gente pode confiar mesmo naquilo que ele diz e promete. A Ressurreição de Cristo é a expressão permanente de compromisso irrevogável de Deus conosco. É a prova permanente e suprema da garantia que acompanha a promessa e a “Nova e Eterna aliança de Deus com os homens”. Com Cristo ressuscitado, ele nos faz saber que esta vida que vivemos é destinada a uma vida sem fim. Ele veio para que tenhamos a vida e a tenhamos em abundância (Jo 10,10). Ele é realmente, o libertador.
Agora, “apesar de tudo, a esperança já não se desfaz. Olhamos o mal que existe no mundo e cantamos: apesar de você amanhã há de ser outro dia! Ainda pago prá ver o jardim florescer qual você não queria.” (Chico Buarque). Já não desanimamos. Uma força nasceu. Mais forte do que a morte. Já é a ressurreição em atuação dentro daqueles que tem fé (Ef. 1,19). Antes, olhávamos a vida, e não sabíamos para onde ia nem qual o sentido tinha e cantávamos: “Olho pró céu e vejo uma nuvem branca que vai passando... Olho prá terra e vejo uma multidão que vai caminhando... Como esta nuvem branca, essa gente não sabe aonde vai. Quem poderá dizer o caminho certo é você meu Pai” (Roberto Carlos). E o Pai atendeu ao nosso canto e veio dizer-s o caminho certo em Jesus Cristo.
O pai que criou e plantou a árvore da vida veio dizer, em Jesus Cristo, a última palavra sobre essa árvore: “Foi feita não para morrer e fracassar, mas para que tenha a vida” (Jo 10,10) “Foi plantada para dar fruto e frutos que permaneçam para sempre” (Jo 15,16).
A ressurreição é a festa da luz
Nesta vigília pascal não celebramos trevas sem luz, não estamos na sexta-feira santa, mas na Páscoa, a festa da luz sem sombra. É pena que estejamos já por demais acostumados a ouvir estas verdades e já tenhamos perdido o senso pela novidade que elas trazem. O homem, antes de Cristo não sabia nada disso. Ele sabia apenas sobre a incoercibilidade da morte. O homem de hoje, sem Cristo, é como o pagão: Nada sabe da absoluta esperança. A crença na ressurreição futura dos mortos é mais uma bela hipótese que uma verdade possível de verificação. Em Cristo ressuscitado os apóstolos e nós,
experimentamos e vimos a realidade de um sonho, o fato de um desejo querido ao coração humano.
Então, compreendemos porque Paulo escarnece da morte e triunfante lhe pergunta: “Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o espantalho com que amedrontavas os homens ? (1Cr. 15,55). A morte foi tragada pela vitória de Cristo. A festa da ressurreição desta noite, é festa de alegria; e de se cantar e de ouvir o Aleluia. A nossa vida está assegurada; essa vida que aqui vivemos não nos será tirada com a morte; a morte será apenas um fenômeno biológico, mas que não poderá destruir o nosso verdadeiro ser. O nosso amor jamais poderá ser destruído. Com a ressurreição de Cristo viemos saber que a vida é mais forte que a morte, que a morte é só uma passagem forçada mas que não nos poderá fazer mal algum. Levemos um pouco de luz, dessa noite, para dentro de nossas vidas. Seremos sementes de ressurreição no chão escuro dos nossos problemas e alegremo-nos: Cristo Ressuscitou!
Nós ressuscitaremos com ele. Aleluia!

DOMINGO DA PÁSCOA

Cor: Branco


27 de Março de 2016
Ano C


1ª Leitura - At 10,34a.37-43

Salmo - Sl 117

2ª Leitura - Cl 3,1-4



Evangelho - Jo 20,1-9


Amigos! Hoje é dia de alegria, é dia de comemorar a volta de Jesus à vida, é dia de nos alegrar com a sua ressurreição de Jesus e a nossa também. Continua

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DOMINGO DA PÁSCOA!

JESUS CRISTO RESSUSCITOU ELE VIVE ENTRE NÓS! – Olivia Coutinho

Dia 27 de Março de 2016

Angustia, sofrimento, morte, era sempre noite na humanidade, até que na noite mais clara que o dia, a vida vence a morte, as trevas dão lugar a luz!
O acontecimento mais belo que já se viu na terra, tirou das trevas uma  humanidade corrompida pelo pecado, tornando o céu mais próximo da terra! 
Agora, não vivemos mais ao léu, encontramos uma direção, a nossa vida ganhou um novo sentido, temos em quem confiar  a quem seguir, as promessas de Deus se cumpriram: Jesus Ressuscitou, pagou com o seu sangue, o preço da nossa liberdade! 
Inseridos no mistério Pascal, que é a vida de Jesus em nós e a nossa vida Nele, tornamos continuadores  da presença  de Jesus no mundo! 
Na ressurreição de Jesus, está expresso o amor de Deus por nós, um amor tão grande que o levou a entregar o seu filho como prenda para pagar o preço do nosso resgate!
A ressurreição de Jesus, retirou as vendas dos nossos olhos, nos fez enxergar possibilidades que antes não víamos,  a vislumbrarmos  novos horizontes!
O ressuscitado devolveu o brilho ao nosso olhar, transformou o nosso medo em coragem, as nossas noites escuras em dias claros!
É no encontro com O Cristo Ressuscitado, que nós também ressuscitamos saindo do sofrimento para vivermos  um recomeço, as alegrias de um novo dia!
A todo instante, somos chamados a fazermos a experiência do Cristo ressuscitado, indo ao encontro do outro, pois é através da relação humano, com humano, experimentada também por Jesus, que nós  nos envolvemos no Mistério Pascal, deixando Jesus entrar em nós, possibilitando-nos viver a nossa humanidade de forma Divina!
O coração humano, quando se deixa tocar pelo o amor Divino, torna fonte de luz no mundo a tirar das trevas muitos corações sombrios! 
A alegria, é a marca de quem vive no seu dia a dia a ressurreição de Jesus, é o sinal de sua adesão à Ele! Quem se deixa iluminar pela Luz de Cristo, irradia alegria por onde passa uma alegria, que não se resume num sentimento superficial, inconsistente, pelo contrário, é uma alegria duradora, consistente, porque é uma alegria de origem Divina que independe das circunstancia em que se vive!
O evangelho que a liturgia deste domingo nos convida a refletir, nos fala da alegria vivenciada pelas primeiras testemunhas da ressurreição de Jesus, da alegria de Maria Madalena que ao visitar o sepulcro de Jesus naquela manhã de domingo, pode testemunhar, diante do túmulo vazio, a mais bela de todas as verdades cristãs: JESUS CRISTO RESSUSCITOU!
A princípio, pode ser, que o medo e a alegria, tenha se misturado no coração de Maria Madalena, afinal, tudo aquilo era grande demais para o seu entendimento, mas  em pouco tempo, ela, certamente, se sentiu segura ao lembrar destas palavras de Jesus: “O Filho do homem deve ser entregue nas mãos dos pecadores, ser crucificado, e ressuscitar no terceiro dia.”(Lc24,7)
 Maria Madalena teve pressa em partilhar esta sua alegria, por isto, ela vai apressadamente levar esta Boa Notícia aos outros discípulos, que se alegram com ela!Assim como ela e os outros dois discípulos que correram até o sepulcro, onde puderam constatar o acontecimento mais importante de toda história, também nós, deveríamos ter pressa em levar ao outro, esta Boa Notícia: Jesus Cristo ressuscitou, Ele está no meio de nós!
A liturgia deste domingo, fala fundo ao nosso coração, faz ressoar nos nossos ouvidos a saudação dos primeiros cristãos que diziam alegremente:  “Jesus ressuscitou Aleluia!” Saudação esta , que nós devemos  responder com a mesma alegria deles: Sim, verdadeiramente Jesus Cristo ressuscitou, Ele vive entre nós!
Muito mais do que compreendermos o que é a Páscoa, é celebrá-la, é sermos Pascais,  é viver como o ressuscitado alimentando dentro de nós, o amor do Pai expresso nas ações do Filho!
Viver a Páscoa, não significa somente crer no Deus que em Cristo nos redimiu e nos ressuscitará, mas se trata de saber quem é Jesus para nós, qual é o lugar que Ele ocupa em nossa vida, somente assim, seremos Pascais e viveremos verdadeiramente a ressurreição de Jesus.
O melhor meio de anunciar a Ressurreição de Jesus, é dar testemunho de fé, no serviço ao outro, como Ele fez na última ceia, lavando os pés dos Apóstolos numa atitude de humildade e de serviço.
Deixemos para trás, a escuridão do passado, para vivermos as alegrias de um novo dia, na certeza de que Jesus nunca mais separará de nós!

MEUS QUERIDOS IRMÃOS EM CRISTO: DESEJO A TODOS UMA FELIZ PÁSCOA!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho   
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Chegamos à celebração da Páscoa. A Páscoa, palavra que significa “passagem” e “pulo” (salto) em hebraico, não é simplesmente a comemoração de uma festa religiosa, muito mais que isso é um processo de contínuo esforço para sempre “passarmos para condições mais humanas” e pularmos (saltarmos) sobre os males da vida; portanto, mais que uma solene celebração litúrgica, a Páscoa é uma espiritualidade que devemos sempre cultivar inspirando-nos na Ressurreição de Jesus da qual deriva a visão otimista da vida e de sempre fazermos uma releitura dos fatos da nossa história pessoal e social. Vivenciar a espiritualidade pascal significa nos esforçarmos para viver de cabeça erguida, “aspirando às coisas do alto” (II leitura), é testemunhar com nossas opções que Jesus Cristo é o Senhor da Vida (I leitura) e testemunhá-lo com uma vida dinâmica, numa contínua corrida pela promoção do Bem (Evangelho)!
1ª leitura: Atos 10,34.37-43
Páscoa é testemunhar o ressuscitado!
Na primeira semana após a festa da Páscoa, chamada oitava da páscoa – oito dias de solenidade litúrgica, Pedro, líder dos discípulos, é quem toma a palavra testemunhando sua fé no Ressuscitado. Com firmeza e clareza, estimula os judeus à conversão por causa da morte de Jesus: “o mataram pregando numa cruz” (Atos 10,39). Os fatos históricos da paixão, morte e ressurreição de Jesus estão ao centro do conteúdo dos seus discursos. Pedro também afirma sua experiência concreta, pois “comeu e bebeu” (símbolos de comunhão, de relação de amizade, de intimidade) com Jesus. O “comer e beber” com Jesus é a experiência fundamental que marcou profundamente a mente e o coração de Pedro (e dos demais) que o fazia testemunhá-lo com alegria e coragem. A comunhão com Jesus, a experiência do encontro do Ele, deve preceder o anúncio por parte do bom discípulo. Assim aconteceu com os apóstolos. Não se pode anunciar quem não conhecemos e quem não amamos. Do texto que nos é apresentado hoje Pedro testemunha que:
Jesus de Nazaré foi ungido por Deus (= agia movido pelo Espírito Santo);
Andou por toda parte fazendo o bem e curando (= promoção do Reino de Deus);
Os judeus o mataram pregando-o numa cruz (= o Reino de Deus incomoda);
Deus o ressuscitou ao terceiro dia (= Deus é o Senhor da história, Deus responde à violência sofrida);
Pedro e os demais discípulos comeram e beberam com Ele (= é a experiência de comunhão e amizade);
Jesus mandou pregar e testemunhar (= compromisso atual de ser discípulos, a história deve continuar);
Quem crê Nele, recebe o perdão dos pecados! (= obtém a salvação: crer é viver com Ele...).
 Na verdade esse é o programa de vida de toda a missão da Igreja que se alicerça da experiência de vida e testemunho dos apóstolos e chega até nós que devemos continuar esse anúncio e com o mesmo dinamismo.
Nossa vida
O texto que lemos fazia parte do credo fundamental das primeiras comunidades cristãs e é por isso que fala de experiência. 1. A importância da experiência: Pedro não é um teórico, não é um romancista, um escritor, um pensador, não descreve contos de ficção; Pedro é um narrador que conta a sua própria história; dá com alegria e convicção o testemunho de sua experiência com Jesus Cristo. Fala quem é Jesus a partir do seu relacionamento com Ele, da sua amizade, pois “comeu e bebeu com Ele”. Também nós somos chamados a narrar aos outros a nossa experiência de fé, da nossa comunhão com Jesus. Essa Amizade deve marcar nossa o ritmo da nossa vida. Evangelizar, mas que falar de Jesus, é narrar aos outros uma experiência. 2. A experiência compromete: a proclamação da Páscoa se identifica com a narração de uma experiência inquietante, provocadora, entusiasmante, comprometedora; trata-se de uma experiência que se faz missão, responsabilidade! A proclamação da Ressurreição de Jesus gera uma decidida opção pelo Reino de Deus anunciado e vivido por Jesus; é um modo de viver em nível pessoal e comunitário. A narração é relato do compromisso de continuação da missão de Jesus com a mesma seriedade com a qual ele assumiu a sua. 3. A resposta Divina: a ressurreição é a resposta divina à violência humana: “mas Deus o ressuscitou!”. Significa que apesar de ter padecido, não triunfou sobre si a maldade humana, o ódio, a criminalidade. A última palavra não pode ser a do homem, mas de Deus! É sempre Deus que tem a última palavra diante das decisões humanas.
Salmo 118 (117)
Este é um salmo de gratidão a Deus pela sua bondade e seu amor que se estende para sempre (cf. Sl 117,1-4.21.28-29). Esse sentimento de gratidão é a resposta do salmista a Deus por causa dos benefícios recebidos: pelo socorro na angústia (cf. Sl 117,5), pela presença que lhe trouxe segurança livrando-o dos inimigos que são vistos como espinhos e vespas (cf. Sl 117,6-7.11-13). Tudo isso se transforma em convicções profundas: “É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança no homem. É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança nos chefes” (Sl 117,8-9). Liberto dos males e ameaças o salmista assume um sério compromisso: “Viverei para contar as obras de Javé” (cf. Sl 117,17).
2ª leitura: Cl. 3,1-4
Páscoa é esforço permanente de prática da virtude!
Paulo, à semelhança de Pedro, comunica aos cristãos de Éfeso o que significa proclamar a Ressurreição de Jesus. Para ele, neste texto, a Páscoa significa:
a) Esforçar-se para “alcançar as coisas do alto”;
b) Aspirar às coisas celestes e não às coisas terrestres. (cf. Ef. 3,2). Proclamar a Ressurreição é fazer morrer em nós tudo aquilo que não se harmoniza com os valores do Reino de Jesus Cristo. Buscar as coisas do “alto” é deixar-se envolver e dinamizar-se pelas conseqüências das virtudes da Fé, da Esperança e do Amor. Isso significa, por outro lado, combater a nossa tendência a fechar-nos nas “coisas terrenas”, ou seja, deixando-nos orientar pela lógica da razão humana e dos instintos egoístas (cf. Rm 8,1-13). Quando seguimos esse caminho, não sobra espaço para o perdão, para o sacrifício, para a experiência da cruz da qual provém a glória.
Nossa vida
1. Esforço: compromisso ético-espiritual - é muito significativa a perspectiva paulina de fé na Ressurreição. Depositar Fé na Ressurreição não é um puro ato intelectivo de compreensão de um fato histórico, mas, sobretudo, reviver a mesma experiência na dimensão moral (comportamento) e espiritual (interioridade); trata-se de um compromisso espiritual e ético (de consciência e ação). É por isso que ele usa um verbo que tem uma conotação profundamente moral e subjetiva: “esforçar-se”. O esforço é o empenho de energia pessoal em busca da prática de algo (neste caso, a busca das coisas do alto): aqueles que nos ajudam a entrar na Vida Eterna. 2. Querer e agir: prática da virtude - Paulo está falando da necessidade da prática da virtude como tradução da fé na Ressurreição. Dessa feita, a fé na Ressurreição compromete a totalidade das dimensões da vida do cristão: sua vontade, a liberdade, a responsabilidade, a afetividade, a sociabilidade, a inteligibilidade, sexualidade etc. Tudo ganha um sentido diferente, uma finalidade específica: a manifestação da glória de Deus (cf. Ef. 1,4) – comunicação do Amor. Nesse trecho Paulo fala do “esforço” (ligado ao agir) e do “aspirar” (ligado à vontade). Trata-se do querer e do agir que devem sempre estar juntos: uma vontade que aspira, mas não se esforça para que as coisas possam acontecer, fica no vazio. 3. A inevitável experiência do conflito: Paulo, implicitamente neste texto, adverte os efésios quanto ao conflito entre a “busca das coisas do alto” e a “aspiração às coisas terrestres”. Hoje em nossa sociedade “olhar para as coisas do alto” e a “aspiração às coisas terrestres” entram em profundo e explícito conflito. Os fortes estímulos da cultura hedonista (prazer acima de tudo), do sensacionalismo, do automatismo, do imediatismo, do sucesso a todo custo, do materialismo, se distanciam da espiritualidade pascal. Isso gera grandes desafios para o crente: o crescimento espiritual exige o empenho da razão e até, às vezes, contrastes com as suas naturais tendências; a fé requer escolhas capazes de transcender a lógica dos sentidos deste mundo. O próprio Paulo deu o seu testemunho: “ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita” (Rm 7,20). Essa ambivalência está dentro de nós, por isso devemos sempre lutar para não nos deixarmos escravizar pelas atrações terrenas.
Evangelho: João 20,1-9
O dinamismo da fé no ressuscitado
Este trecho, no qual João descreve a primeira constatação do sepulcro aberto e vazio por parte de Madalena e logo comunicada a Pedro e João, serve como paradigma (modelo) para toda comunidade cristã: a acolhida da ressurreição (fé!) deve gerar na comunidade um dinamismo de comunicação, comunhão, reconhecimento e respeito pelas competências e responsabilidades de cada um. Vejamos as atitudes dos personagens: a) Maria Madalena: representa a pessoa sem fé! Madalena vai cedo ao túmulo de Jesus, “bem de madrugada”, no primeiro dia da semana (domingo). Constata que a pedra tinha sido retirada do túmulo, então ela saiu correndo e foi encontrar Pedro e João (cf. Jo 20,1-2). Madalena, contudo, não se encontrou com o Ressuscitado! Ela representa a comunidade ou a pessoa sem fé, que ainda não assimilou ou não compreendeu o significado da Ressurreição. Madalena está presa ao passado materialista: não vai ao encontro do Ressuscitado, mas deseja é encontrar o corpo do senhor morto no túmulo. Quem já fez a experiência da fé na Ressurreição vai ao encontro da Vida e dos Vivos e projeta-se para o futuro! A corrida de Madalena representa o dinamismo ativista (= sem espiritualidade) que pára de repente num encontro e só comunica susto, frustração, decepção, perplexidade, confusão, angústia... Madalena só descreve os fatos que vê (é humanamente honesta), mas não interpreta seu significado: falta-lhe a experiência da fé. Está presa aos seus sentimentos. b) Pedro e João: estão juntos e ao receberem a comunicação de Madalena saem correndo rumo ao túmulo. João chega primeiro que Pedro, mas não entra, Pedro chegando, entra no túmulo. Logo percebe algo que Madalena não viu: os sinais da ressurreição, ou seja, “as faixas de linho e o pano enrolado num lugar à parte” (cf. Jo 20,6). “Ele viu e acreditou”! (Jo 20,8). Madalena só viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo! Pedro e João representam a comunidade que já assimilou a Ressurreição de Jesus e, portanto, sabe dar significado para aquilo que faz memória de Jesus Cristo. Para quem tem fé, tudo tem um significado, não só descreve, mas lê, interpreta, decodifica, tira lições de vida, acolhe perspectivas, deduz consequências! Pedro e João representam a comunidade cristã composta de multíplices sujeitos e responsabilidades. É o discípulo que ama a Jesus (João) que respeita as competências dos demais; o discípulo amado e que ama, corre, tem dinamismo proativo (corrida), não conflita e nem debocha do “velho Pedro”... o respeita! A fé gera amor e o amor, sempre sendo uma realidade dinâmica, produz harmonia e respeito entre as pessoas.
Nossa vida
Somos chamados a encarnar o que representa Pedro e João: compreensão do significado da ressurreição, capacidade de interpretar os sinais da história e dos tempos, respeito pelas competências, senso de comunhão.  Somos por outro lado, tantas vezes, comparados à Madalena, míopes diante dos sinais da ressurreição, fechados nos nossos próprios dramas, presos ao passado (corpo), incapazes de dar significado para aquilo que vemos ao nosso redor...
Mensagens e compromissos
Reviver a ressurreição é testemunhar a Amizade com Jesus Cristo... “Comer e Beber com Ele hoje”!
Aspirar e agir em função das coisas do alto é exercitar-se na prática das virtudes: bondade, solidariedade, justiça...!
Buscar a comunhão, acolhida, o respeito pelas atribuições do outro na vida em grupo, família, trabalho...
Antônio de Assis Ribeiro - SDB (Pe. Bira)


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Ele devia ressuscitar dos mortos
A Ressurreição de Jesus comporta um “não decidido à impunidade e à violência. Jesus não ressuscita para reivindicar sua morte, mas para proclamar que a Vida plena é a vontade de Deus. Nele os verdugos, nem os acusadores, nem os traidores tem a última palavra. Somente Deus leva a voz constante, pois somente ele é capaz de dirigir a história de maneira imprevista e insuspeita.
A festa cristã da Páscoa é, sobretudo, uma festa da vida recuperada, da vida autentica, da capacidade de manter a proposta de Deus por cima da mesquinhez que impõem certas instituições sociais. A páscoa não é uma festa que nasce do desejo de celebrar algum sentimento, mas do desejo de reivindicar uma esperança sustentada com a intransigência da generosidade.
A comunidade se reúne para proclamar que a existência desse simples homem de Nazaré ilumina e muda toda historia humana. Uma historia feita de violências intermináveis, sobre uma terra sedenta de esperança na qual despontam permanentemente as flores recônditas da solidariedade.
A ressurreição nos convida a não sufocar com a sórdida amargura os intermináveis afãs cotidianos. A Páscoa de Jesus nos mostra outro mundo, um mundo que começa justamente nos limites da precariedade de nossa existência; um mundo que não nos alheia, mas que abre nossos olhos para uma vida nova. Uma via que não nasce do voluntarismo  ou do desejo de querer impor uma opinião ou um ponto de vista. Antes o contrário: a ressurreição é primícia de uma vida que nasce do perdão, da misericórdia e da reconciliação. Porque somente quem é capaz de reconhecer o germe da vida futura em meio deste vale de lágrimas, será capaz de recolher a colheita do reino.
A Páscoa é a festa da reconciliação, da esperança, da resistência. Com a ressurreição, Jesus rompe o cerco da impunidade. Sua atitude de reconciliação é um grito de justiça. Jesus perdoa seus algozes porque sabendo que eles estão fanatizados por uma moral que legitima a injustiça. As instituições religiosas e políticas “somente fazem o que sabem”. Instauram a violência e a intolerância como os únicos meios para legitimar seu poder.
Porém, com a ressurreição, Jesus apela para a justiça de Deus que é o absoluto respeito pela vida humana e pela liberdade de todo ser humano. O perdão, então, nasce de uma consciência soberanamente madura e tolerante e os prepara para uma reconciliação verdadeira. Porque a injustiça cometida não é reparada com uma agressão maior. Porque a injustiça cometida no se remedia con una agresión mayor.
Jesus sabe que o perdão não atenua a atrocidade do crime. O perdão questiona a consciência do agressor e a resposta do ofendido. Pois o perdão não é um recurso de emergência para tapar com flores brancas a irremediável fatalidade do crime. Nem é tampouco a vã pretensão de querer superar a violência com a violência. A reconciliação e o perdão nascem de uma fé muito profunda, de uma confiança radial no Deus da Vida, de uma nova maneira de ver a realidade.
A atitude conciliadora é consciente de que a vida social não se rege pela força bruta. A realidade é percebida como um infinidade de laços afetivos que sustentam a existência humana. Desse modo, a história humana, sob a luz do novo dia, mostra um rosto desconhecido no qual predomina o encontro, a generosidade, a entrega, a confiança, a tolerância e o amor. Uma realidade que não se identifica pela mecânica eficácia dos gestos conhecidos, mas que nos mostra uma nova humanidade com os braços abertos ao mundo. De um lado fica o punho cerrado pela fúria e pela violência e agora as mãos acariciam com suavidade, oferecendo sua palma como gesto de abertura sincera.
Com a ressurreição, a vida humana supera a mera estatística das intermináveis fatalidades para converter-se em uma alternativa irrenunciável: a vida é um direito que não se negocia; a vida é única e cada existência tem um valor infinito. A sacralidade da existência humana se revela como o dado absoluto e inalienável que constitui a vida social. Por esta via é possível propiciar um diálogo criativo, único modo de resolver os irremediáveis conflitos que surgem na convivência inter-humana.
Isto nos leva a meditar sobre um aspecto da ressurreição de Jesus que as vezes esquecemos, porém que é essencial para compreender como uns transformação pessoal, uma transformação interior de um pequeno grupo, é capaz de mudar o rumo da história dessa comunidade, desse grupo. Isto foi o que aconteceu aos discípulos e discípulas de Jesus quando se encontraram de repente com uma realidade surpreendente que se lhes impôs: Jesus havia ressuscitado.
Não era a ocorrência de algumas mulheres desconsoladas ou de alguns discípulos confundidos. Era a potente experiência de uma comunidade que havia descoberto que Jesus os estava chamando para continuar a missão de anunciar o evangelho aos pobres. Então a ressurreição se converteu em uma experiência tão desconcertante como novidadeira, uma realidade que obrigou a toda a comunidade a revisar suas expectativas e a colocar-se de novo a caminho.
A ação mais palpável da ressurreição de Jesus foi sua capacidade de transformar o interior dos discípulos. O ressuscitado convoca sua comunidade ao redor do evangelho e a enche de seu espírito de perdão. Os corações de todos estavam feridos. Na hora da verdade, todos eram dignos de reprovação: ninguém havia entendido corretamente a proposta do Mestre.
Por isso, quem não havia traído Jesus, o havia abandonado à sua sorte. E se todos eram dignos de reprovação todos estavam necessitados de perdão. Voltar a dar coesão à comunidade de seguidores, dar-lhes coesão interna no perdão mútuo, na solidariedade, na fraternidade e na igualdade... era humanamente impossível. Contudo, a presença e a força interior do ressuscitado conseguiu esse intento.
Quando os discípulos desta primeira comunidade sentem interiormente esta presença transformadora de Jesus e quando a comunicam, é quando realmente experimentam sua ressurreição. E é então quando já lhes sobram todas as provas exteriores da mesma. A imprevista e intempestiva novidade do ressuscitado arranca desde os cimentos das falsas seguranças e anca a toda a comunidade a encarar a missão com uma força e uma dignidade até esse momento desconhecida.
Apresentamos também uma segunda proposta para as homilias de Páscoa, que pode ser intitulada “O Ressuscitado e o Crucificado”.
O que não é a ressurreição de Jesus
Pode-se dizer teologicamente que a ressurreição de Jesus não é um fato “histórico”, com isto não se quer dizer que seja um fato irreal, mas que sua realidade está mais além do físico. A ressurreição de Jesus não é um fato realmente que possa ser registrado pela história: ninguém teria a possibilidade de fotografar a ressurreição. Objeto de nossa fé, a ressurreição de Jesus é mais que um fenômeno físico. De fato, os evangelhos não narram a ressurreição: ninguém a viu. As testemunhas falam a partir de suas experiências de crentes: sentem que o ressuscitado “está vivo”, porém não são testemunhas do fato mesmo da ressurreição.
A ressurreição de Jesus não tem semelhança alguma com o “reavivamento” de Lázaro. Jesus não voltou a esta vida nem aconteceu a reanimação de um cadáver (de fato, em teoria, não teríamos problema em acreditar na ressurreição de Jesus ainda que seu cadáver houvesse ficado entre nós, porque o corpo ressuscitado não é, sem mais, o cadáver). A ressurreição (tanto de Jesus quanto a nossa) não é uma volta para trás, mas um passo adiante, um passo para outra forma de vida, a vida de Deus.
Importa realçar este aspecto para que nos demos conta de que nossa fé na ressurreição não é a adesão a um “mito” como ocorre em tantas religiões, que possuem seus mitos de ressurreição. Nossa afirmação da ressurreição não tem por objetivo um fato físico, mas uma verdade de fé com um sentido mais profundo, que é o que queremos desenvolver.
A “boa noticia” da ressurreição foi conflitiva
Uma primeira leitura de Atos provoca estranheza: por que a notícia da ressurreição suscitou a ira e a perseguição por parte dos judeus? Noticias de ressurreição não eram tão infreqüentes naquele mundo religioso. Não deveria ofender a ninguém a noticia de que alguém tivesse tido a sorte de ser ressuscitado por Deus. Contudo, a ressurreição de Jesus foi recebida com uma gravidade extrema por parte das autoridades judaicas. Faz pensar no forte contraste com a situação atual: hoje ninguém se irrita ao escutar essa notícia. A ressurreição de Jesus hoje provoca indiferença? Por que esta indiferença? Será que não anunciamos a mesma ressurreição? Ou não anunciamos a mesma coisa no anúncio da ressurreição de Jesus?
Lendo mais atentamente o livro de Atos, percebe-se que o anúncio mesmo que faziam os apóstolos tinha um ar polêmico: anunciavam a ressurreição “desse Jesus a quem vocês crucificaram”. Isto é, não anunciavam a ressurreição em abstrato, como se a ressurreição de Jesus fosse simplesmente a afirmação do prolongamento da vida depois da morte. Tampouco estavam anunciando a ressurreição de alguém qualquer, como se o que importante fosse simplesmente que um ser humano, qualquer que fosse, havia transpassado as portas da morte.
O crucificado e o ressuscitado
Os apóstolos anunciavam uma ressurreição muito concreta: a daquele homem chamado Jesus, a quem as autoridades civis e religiosas haviam rejeitado, excomungado e condenado. Quando Jesus foi atacado pelas autoridades, ficou só. Seus discípulos o abandonaram, e Deus mesmo guardou silencio como se estivesse de acordo. Tudo parecia concluir com a crucificação.
Porém, aí ocorreu algo. Uma experiência nova e poderosa se lhes impôs: sentiram que estava vivo. Foram invadidos por uma certeza estranha: que Deus confirmava a missão de Jesus e se empenhava em reivindicar seu nome e sua honra. “Jesus está vivo; não puderam vencê-lo com a morte. Deus o ressuscitou, sentou-o à sua direita, confirmando a veracidade e o valor de sua vida, de sua palavra, de sua Causa. Jesus tinha razão e não as autoridades que o expulsaram deste mundo e desprezaram sua Causa. Deus está do lado de Jesus, Deus respalda a Causa do Crucificado. O crucificado ressuscitou e vive!
E foi isto que verdadeiramente irritou as autoridades judaicas: Jesus deixou-as irritadas estando vivo e, igualmente, estando ressuscitado. Também a elas, o que as irritava não era o fato físico mesmo de uma ressurreição, que um ser humano morra ou ressuscite; o que não podiam tolerar era pensar que a Causa de Jesus, seu projeto, sua utopia, que já haviam considerado tão perigosa em vida e que já acreditavam enterrada, voltasse e se colocasse novamente em pé, isto é, que houvesse ressuscitado. E não podiam aceitar que Deus estivesse se comprometendo por aquele crucificado, condenado e excomungado. Eles acreditavam em outro Deus.
Crer com a fé de Jesus
Porém, os discípulos que redescobriram em Jesus o rosto de Deus (como o Deus de Jesus) compreenderam que Jesus era o Filho, o Senhor, a Verdade, o Caminho, a Vida, o Alfa, o Ômega. A morte não tinha nenhum poder sobre ele. Estava vivo. Havia ressuscitado. E não podiam senão confessá-lo e “segui-lo”, “aderindo à sua Causa”, obedecendo a Deus antes que aos homens, ainda que custasse a vida.
Trata-se de crer que a ressurreição não é para eles a afirmação de um fato físico-histórico, que aconteceu ou não, nem uma verdade teórica abstrata (a vida pós-morte), mas a afirmação contundente da validez suprema da Causa de Jesus, à altura mesma de Deus (à direita de Deus Pai), pela qual é necessário viver e lutar até a doação da própria vida.
E se nossa fé reproduz realmente a fé de Jesus (sua visão da vida, sua opção diante da historia, sua atitude diante dos pobres... ), será tão conflitiva como o foi na pregação dos apóstolos ou na vida mesma de Jesus.
Se, no entanto, reduzimos a ressurreição de Jesus a um símbolo universal da vida pós-morte, ou à simples afirmação de uma vida para além da morte, ou a um fato físico-histórico que ocorreu há vinte séculos... então essa ressurreição fica esvaziada do conteúdo que teve em Jesus e já não diz nada a ninguém, nem irrita os poderes deste mundo, mas chega até a desmotivar ou desmobilizar o seguimento e o compromisso pala causa de Jesus.
O importante não é crer em Jesus, mas crer como Jesus. Não é ter fé em Jesus, mas ter a fé de Jesus: sua atitude diante da história, sua opção pelos pobres, sua proposta, sua luta decidida, sua Causa...
Crer lucidamente em Jesus na América Latina, ou neste continente “cristão”, onde a noticia de sua ressurreição já não irrita a tantos que invocam seu nome para justificar inclusive as atitudes contrarias às de Jesus, implica voltar a descobrir o Jesus histórico e o sentido da fé na ressurreição.
Crendo com essa fé de Jesus, as “coisas de cima” e as da terra não são já duas direções opostas, nem sequer distintas. As “coisas de cima” são da Terra Nova que está enxertada já aqui embaixo. É preciso fazê-la nascer no doloroso parto da História, sabendo que nunca será fruto adequado de nossa planificação, mas dom gratuito daquele que vem. Buscar as “coisas de cima” não é esperar passivamente que soe a hora escatológica (que já soou na ressurreição de Jesus), mas tornar realidade em nosso mundo o reinado do Ressuscitado e sua causa: Reino de vida, de justiça, de amor e de paz.
Portal Claret

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Que Jesus ressuscitado abençoe você e todos os seus familiares neste dia de festa, de alegria e de paz! Hoje celebramos a vitória de Jesus sobre a morte. Por isso a imagem de Jesus ressuscitado é representada empunhando uma bandeira branca, sinal de vitória.
O Senhor Ressuscitou, venceu a morte! Como Jesus, e em Jesus, nós também venceremos as forças do mal. Certamente podemos vencer tudo aquilo que se contrapõe à nossa vida, ao nosso bem. Venceremos as forças que estimulam o desemprego, o salário de fome e a opressão. Venceremos tudo que é contrário ao nosso desenvolvimento, à saúde, alegria, à justiça e à paz.
Jesus faz questão de deixar transparecer que veio para mudar! Também aqui, numa sociedade em que as mulheres não tinham espaço, não tinham vez e nem voz. Uma sociedade que não aceitava sequer o testemunho das mulheres, elas eram discriminadas como os escravos e as crianças, no entanto, são elas as primeiras testemunhas da ressurreição.
Jesus, que já havia reabilitado a mulher em sua dignidade, a eleva também na capacidade de dar testemunho do maior acontecimento da história da salvação. As mulheres ficam assustadas, mas são envolvidas por uma grande alegria.
Correm, comunicam o fato a Pedro e a João e os convidam para verem o sepulcro vazio. Voltaram ao túmulo e nada encontraram. Ainda não tinham compreendido a escritura, segundo a qual Jesus deveria ressuscitar dos mortos.
“Não tenham medo” - diz o anjo às mulheres que vão ao sepulcro. “Alegrem-se!” - diz Jesus, que vem ao encontro delas. Alegria e ausência de medo são notas dominantes na ressurreição. Pouco depois, ao se apresentar aos apóstolos reunidos no cenáculo, Jesus lhes diz: “A paz esteja com vocês”. Alegria e paz são características de quem crê em Jesus e vive a sua proposta.
O cristão tem que se alegrar! Tem tudo para ser como o discípulo que Jesus amava. Foi ele o primeiro a perceber que o Mestre ressuscitara. Enxergou de imediato a Vida explodindo com toda sua força. Percebeu a intervenção de Deus “escancarando” o sepulcro e fazendo brotar a Vida Plena.
Precisamos permanentemente enxergar a vida e torná-la presente em todas as coisas. O desânimo, a acomodação, a aceitação das injustiças sociais, a exclusão dos idosos, crianças e doentes, são sinais de morte. A vida é a meta do cristão.
Pelo batismo nos unimos a Jesus Cristo e assumimos sua proposta de vida nova, pois fomos batizados na sua morte e ressurreição. Em Jesus passamos para uma vida nova, uma vida plena. Como diz São Paulo, deixamos de ser “filhos das trevas” e passamos a ser “filhos da luz”. Uma vida verdadeiramente cristã, não termina com a morte, mas se abre para a plenitude da vida em Jesus.
Neste período pascal, a Igreja convida os fiéis a fazerem a confissão e comunhão pascal. Todos somos convidados a participar dos sacramentos da reconciliação e da eucaristia. É uma ocasião de nos reaproximarmos de Deus. É uma boa hora para revermos nossa caminhada de fé.
Vamos rever nossos compromissos com a comunidade, com a família e com os doentes. Vamos nos aproximar dos excluídos e ressuscitar o Amor.

padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”
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Ressuscitou ao terceiro dia
Um elegante escritor de coisas do espírito escreveu que, assim como Deus criou dois grande luzeiros - o sol para presidir ao dia, e a lua para presidir à noite - assim fez no mundo espiritual: a Virgem Maria, o sol da santidade, para presidir ao dia da inocência; e Maria Madalena, a lua serena da contrição, para presidir à noite da penitência. E foi tão grande o valor da penitência de Madalena, que Jesus a escolheu para ser a primeira testemunha de sua vida de ressuscitado.
Foi na madrugada do primeiro dia da semana - esse "dia do sol" que hoje se chama "domingo", isto é, o "dia do Senhor". Madalena, com mais outra companheira, foi ao sepulcro, levando aromas para ungir o corpo de Jesus. No caminho, estavam preocupadas, perguntando quem rolaria para elas a pedra do sepulcro. Mas não foi preciso. O sepulcro estava aberto e vazio! Tinha acontecido o prodígio: Jesus tinha ressuscitado! Pedro e João, avisados por elas, vieram ver o que acontecera. Entraram. Viram os lençóis largados no chão. Não se tratava, portanto, de um roubo. E entenderam. E creram! Eles, "que até aquele momento não haviam compreendido a Escritura, segundo a qual Ele devia ressuscitar dos mortos" (Jo 20,9).
Os apóstolos voltaram para a cidade. Madalena ficou junto do sepulcro, chorando.
Nisso viu dois anjos no lugar onde tinha estado o corpo de Jesus, um à cabeceira, o outro aos pés. E viu alguém perto dela. Porém, com os olhos marejados de lágrimas como estava, não distinguiu quem era. Era Jesus! E Ele lhe perguntou por que chorava. Ela, pensando que fosse o jardineiro, respondeu: "Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste, que eu o irei buscar. Jesus lhe disse. "Maria! "E ela, voltando-se, lhe disse em hebraico: "Rabboni!", que quer dizer Mestre" (Ibid., 15-16). Qualquer escritor de hoje gastaria aqui infinitas palavras, tentando descrever a emoção desse momento. Mas o evangelista é extremamente sóbrio. Deixa que o próprio fato, pela sua grandeza, transmita a emoção. Jesus pediu a Madalena que não o detivesse, pois não havia ainda subido ao Pai. E encarregou-a de dizer aos discípulos que Ele ia subir ao Pai.
Madalena foi logo contar aos discípulos tudo o que acontecera... Depois, vieram as outras aparições. Como estrelas que se fossem acendendo no céu. Apareceu a Pedro, aos discípulos de Emaús, aos doze reunidos no Cenáculo, a um grupo de discípulos à beira do lago de Tiberíades, a uma multidão de mais de quinhentos irmãos de uma vez, como narra São Paulo, acrescentando que muitos desses ainda viviam na data em que estava escrevendo (cf. 1Cor. 15,6). Os autores dos evangelhos não escreveram uma crônica ordenada dos acontecimentos, como faria um jornalista de hoje. Eles registraram alguns exemplos de aparições, como se tinham transmitido na catequese primitiva. E é nessa ótica que temos que saber ler seus escritos. Mas de tudo triunfa a grande verdade: Jesus ressuscitou, como havia predito. Não voltou à vida anterior, numa pura revivificação de um corpo morto, como no caso da ressurreição de Lázaro. É uma vida completamente nova a que Ele vive agora. A morte foi totalmente absorvida pela vitória da Ressurreição.
Ele vive agora a vida do alto. Essa vida que São Paulo tenta descrever na primeira carta aos coríntios, quando fala da ressurreição que vai acontecer conosco, à semelhança da ressurreição de Jesus. E tenta explicar a natureza do corpo ressuscitado em relação com o que foi sepultado, partindo da comparação com uma bela flor que nasce de uma rude semente que foi semeada: "semeia-se um corpo corruptível, ressuscita um corpo incorruptível ; semeia-se um corpo desprezível, ressuscita um corpo reluzente de glória; semeia-se um corpo marcado pela debilidade, ressuscita um corpo vigoroso; semeia-se um corpo material, ressuscita um corpo espiritual" (1Cor. 15,42 -44), Assim é o corpo de Jesus ressuscitado.
E nós cristãos, que pelo batismo ressuscitamos com Cristo, devemos viver a vida do alto. Não rastejar na terra. Saber saborear não mais a material idade das coisas da terra, mas as coisas do céu. Cidadãos desde agora de uma nova Pátria! É a grande mensagem que a liturgia nos transmite, entre os aleluias do domingo da Páscoa.

padre Fernando Armellini - Celebrando a Palavra
 temas de pregação dos padres dominicanos
Revista “O Mílite”

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E se Cristo não tivesse ressuscitado?
Luz sem sombras
Há muitos anos atrás, correu por todos os cinemas do mundo o filme americano intitulado “Trevas sem Luz”, que deu muito o que falar.
Aí se abordava o seguinte tema: “Um sábio arqueólogo empreendeu escavações nos arredores de Jerusalém, onde hoje se encontra a basílica do Santíssimo Calvário”.
Certo dia comunica ele a todos os meios da Imprensa: ‘Eu encontrei a sepultura de Jesus de Nazaré, crucificado no ano 33.
’A sepultura, porém não está vazia, mas dentro dela se encontra um cadáver mumificado; Cristo, pois, não pode ter ressuscitado; Cristo não ressuscitou.’
Esta novidade se espalha aos quatro ventos por rádios, televisão e Imprensa. O mundo entra numa densa treva.
Tudo o que recordava Cristo foi feito desaparecer.
Igrejas foram destruídas, conventos fechados, padres abandonam suas paróquias, missionários do mundo inteiro retornaram às suas pátrias, irmãs abandonaram suas escolas e hospitais.
Enfim, o mundo entrou numa enorme confusão até que enfim é desmascarado o impostor, comentavam alguns.
Abaixo com a moral cristã e com a cruz, símbolo do sacrifício e da aceitação da morte, gritavam outros.
Outros tantos não deixaram de observar; É muita pena que tudo isso tenha sido uma falsidade, pois o ressuscitado ainda nos dava um sentido e esperança de enfrentar a vida e de superar os seus absurdos.
Agora ,porém, com dor, temos que verificar nossa frustração.
Assim, e com outros tantos pormenores, o filme Trevas sem luz vai mostrando o que significa o mundo sem o fato e a fé na ressurreição de Cristo: Verdadeiramente trevas, confusão, frustração e angústias nos corações humanos.
Porém, no final, o filme mostra o sábio arqueólogo no leito de morte. Antes de entrar em agonia, ele quer ainda uma vez falar.
E então revela ao médico, professor da universidade que sua descoberta fora uma falsidade, que ele interpretou mal o cadáver mumificado. Este não era do ano 33, mas do ano 333 d.C.

Essa história de um filme moderno, mostra-nos o que seria o mundo sem a fé na ressurreição.
São Paulo já nos dizia em sua epístola aos coríntios: se Cristo não ressuscitou, vã é nossa pregação, vã é nossa fé: Nós seríamos falsos testemunhos e os mais miseráveis de todos os homens (Cor. 15,15 ss.). Quereríamos viver de fantasia em vez de enfrentar a vida e a morte, procuraríamos fugir da dureza com falsas projeções de nossos desejos. Porém com o fato da ressurreição de Cristo, entrou uma novidade total em nosso mundo fechado pelo círculo da morte. Alguém rompeu este círculo e deu esperança a todos nós. E dizia são Paulo, novamente na sua carta aos Coríntios: “Se Cristo ressuscitou haveremos nós de ressuscitar também. Ele é apenas o primeiro da enorme cadeia dos mortos que um dia hão de ressurgir para a vida que jamais conhecerá a morte.
Com a ressurreição nasce nova vida
Mas, no terceiro dia, após a morte de Jesus, aqueles onze homens tiveram a experiência certa e inconfundível de que Jesus estava vivo (Lc. 24,5-34). Era Ele mesmo, o mesmo Jesus com o qual
tinham convivido durante três anos (At. 10,40-41). As aparições o confirmavam. Era ele mesmo. Jesus
transpôs uma barreira que jamais homem algum tinha transposto. Agora, não havia motivo para sentir-
se derrotado diante da realidade. Eles também ressuscitaram. O véu do futuro abriu-se de novo, para nunca mais fechar-se. Uma nova esperança nasceu. Uma nova força entrou na vida deles, a força de
Deus, força tão grande que conseguia tirar a vida da morte (Ef 1,19-20). Força ligada à pessoa viva de Jesus Cristo invisível em si mesmo, mas visível nos seus efeitos. Ressuscitando dos mortos Deus concretizou a sua boa vontade para com os homens; exprimiu o poder irresistível dessa vontade salvadora e libertadora; afirmou a fidelidade da mesma e nos fez saber, até que ponto, na nossa ação, podemos confiar nessa sua boa vontade para conosco: até o ponto de poder realizar o impossível, ou seja, até o ponto de esperar que possa nascer vida da morte. Deus vinha mostrando essa sua boa vontade, desde que começou a trabalhar com os homens, chamando Abraão e libertando o povo do Egito. Veio mostrando através da história que o homem, quando tiver a coragem de se comprometer com Ele, encontrará aquilo que procura, encontrará a felicidade. O conteúdo pleno desta palavra que começou a soar nos ouvidos de Abraão e a força total que ela possui, apareceram na ressurreição de Cristo. Em Cristo, um homem igual a nós, que viveu na total abertura e obediência ao Pai, atingiu a meta final na sua ressurreição. E Deus não só o ressuscitou, mas o introduziu junto de si, dando-lhe todo poder e entregou-lhe o destino da humanidade. (Fl. 2,8-11) .Agora, eternamente, um irmão nosso está junto de Deus como prova cabal e definitiva de que Deus leva a sério a sua palavra, uma vez
dada (Is. 40,7-8) e de que a gente pode confiar mesmo naquilo que ele diz e promete. A Ressurreição de Cristo é a expressão permanente de compromisso irrevogável de Deus conosco. É a prova permanente e suprema da garantia que acompanha a promessa e a “Nova e Eterna aliança de Deus com os homens”. Com Cristo ressuscitado, ele nos faz saber que esta vida que vivemos é destinada a uma vida sem fim. Ele veio para que tenhamos a vida e a tenhamos em abundância (Jo 10,10). Ele é realmente, o libertador.
Agora, “apesar de tudo, a esperança já não se desfaz. Olhamos o mal que existe no mundo e cantamos: apesar de você amanhã há de ser outro dia! Ainda pago prá ver o jardim florescer qual você não queria.” (Chico Buarque). Já não desanimamos. Uma força nasceu. Mais forte do que a morte. Já é a ressurreição em atuação dentro daqueles que tem fé (Ef. 1,19). Antes, olhávamos a vida, e não sabíamos para onde ia nem qual o sentido tinha e cantávamos: “Olho pró céu e vejo uma nuvem branca que vai passando... Olho prá terra e vejo uma multidão que vai caminhando... Como esta nuvem branca, essa gente não sabe aonde vai. Quem poderá dizer o caminho certo é você meu Pai” (Roberto Carlos). E o Pai atendeu ao nosso canto e veio dizer-s o caminho certo em Jesus Cristo.
O pai que criou e plantou a árvore da vida veio dizer, em Jesus Cristo, a última palavra sobre essa árvore: “Foi feita não para morrer e fracassar, mas para que tenha a vida” (Jo 10,10) “Foi plantada para dar fruto e frutos que permaneçam para sempre” (Jo 15,16).
A ressurreição é a festa da luz
Nesta vigília pascal não celebramos trevas sem luz, não estamos na sexta-feira santa, mas na Páscoa, a festa da luz sem sombra. É pena que estejamos já por demais acostumados a ouvir estas verdades e já tenhamos perdido o senso pela novidade que elas trazem. O homem, antes de Cristo não sabia nada disso. Ele sabia apenas sobre a incoercibilidade da morte. O homem de hoje, sem Cristo, é como o pagão: Nada sabe da absoluta esperança. A crença na ressurreição futura dos mortos é mais uma bela hipótese que uma verdade possível de verificação. Em Cristo ressuscitado os apóstolos e nós,
experimentamos e vimos a realidade de um sonho, o fato de um desejo querido ao coração humano.
Então, compreendemos porque Paulo escarnece da morte e triunfante lhe pergunta: “Ó morte, onde está a tua vitória? Ó morte, onde está o espantalho com que amedrontavas os homens ? (1Cr. 15,55). A morte foi tragada pela vitória de Cristo. A festa da ressurreição desta noite, é festa de alegria; e de se cantar e de ouvir o Aleluia. A nossa vida está assegurada; essa vida que aqui vivemos não nos será tirada com a morte; a morte será apenas um fenômeno biológico, mas que não poderá destruir o nosso verdadeiro ser. O nosso amor jamais poderá ser destruído. Com a ressurreição de Cristo viemos saber que a vida é mais forte que a morte, que a morte é só uma passagem forçada mas que não nos poderá fazer mal algum. Levemos um pouco de luz, dessa noite, para dentro de nossas vidas. Seremos sementes de ressurreição no chão escuro dos nossos problemas e alegremo-nos: Cristo Ressuscitou!
Nós ressuscitaremos com ele. Aleluia!
padre Lucas de Paula Almeida, CMpadre Lucas de Paula Almeida, CM

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