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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 1 de abril de 2016

2º DOMINGO DA PÁSCOA-C

2º DOMINGO DA PÁSCOA


3 de Abril de 2016
Ano C

1ª Leitura - At 5,12-16

Salmo - Sl 117

2ª Leitura - Jo 1,9-11a.12-13.17-19




Evangelho - Jo 20,19-31


Este é um trecho do Evangelho que contém uma rica catequese:
Jesus com seu novo corpo glorioso atravessa a porta mesmo ela estando fechada, e disse: A PAZ ESTEJA CONVOSCO!  Continua


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COMO O PAI ME ENVIOU TAMBÉM EU VOS ENVIO. – Olívia Coutinho

II DOMINGO DA PÁSCOA.

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA.

Dia 03 De Abril de 2016

Evangelho de Jo,19-31


Neste Segundo  domingo da Páscoa, escolhido pela Igreja como o  DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA, somos chamados a renovar a nossa fé, tornando-nos misericordiosos uns para com  os outros, como Jesus é   misericordioso para conosco.
Todas as palavras, todas as ações de Jesus expressam  misericórdia. A  misericórdia sempre foi a centralidade da vida de Jesus! Misericórdia e perdão estão  entrelaçadas, pois não existe perdão sem   misericórdia e nem misericórdia sem perdão.
 “A liturgia de hoje, nos apresenta a comunidade de Homens Novos, que nasce da cruz e da ressurreição de Jesus, que é a Igreja! A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição”.
Assim que Jesus aparece para os discípulos, o medo que os mantinha presos deu lugar a coragem! A paz do Cristo Ressuscitado, não os isentou da cruz, mas ofereceu a eles, força a coragem para assumirem o desafio da missão.
Ao soprar o Espírito Santo sobre os discípulos, Jesus nos recorda o sopro de Deus, que deu vida a criatura humana, gesto que Jesus  repete como início de uma nova criação. “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem não perdoardes, eles lhe serão retidos”. Aqui, se trata da transmissão do Espírito Santo para uma missão particular. (Somente em Pentecostes, que a descida do Espírito Santo, seria sobre todo o povo de Deus). Com o sopro do Espírito Santo, Jesus concede o poder de perdoar ou não perdoar os pecados, a um grupo específico de pessoas (apóstolos) que hoje nós chamamos de sacerdote ou padre. É Deus quem tem o poder de perdoar os pecados, mas Jesus, o Sacerdote Maior, concede este poder, e o transmite à sua Igreja através dos apóstolos. Trata-se do sacramento da reconciliação.
É importante termos em mente, que quando Jesus se refere a “pecados retidos” não significa condenação, e sim, um renovado apelo a conversão.
No sopro do Espírito Santo sobre os apóstolos, é expressa a criação renovada! É o Espírito Santo que recria a comunidade dos apóstolos e descerra suas portas para a missão!
Os apóstolos, só conseguiram tomar atitudes corajosas para anunciar o evangelho, depois que receberam o Espírito Santo!
O Texto nos fala também da incredulidade de Tomé. Muitos de nós, vemos Tomé, como um homem sem fé, pois o próprio Jesus o exortou dizendo: “Não sejas incrédulo, mas fiel”! Além do mais, ele não aderiu a fé quando os discípulos atestaram que haviam visto Jesus, Tomé não acreditou no testemunho deles, pretendendo uma constatação pessoal. Esta postura de Tomé, simboliza todos que precisam ver para crer.  Entretanto, foi por meio de Tomé, que recebemos a belíssima promessa de Jesus: “Bem-aventurados os que creram sem terem visto”. Mesmo antes da nossa existência, já estávamos incluídos nesta Bem aventurança! Somos felizes porque cremos na ressurreição de Cristo sem termos vistos!
“As pessoas de todos os tempos e lugares encontram nas Escrituras o testemunho dos discípulos, mas isso não dispensa a necessidade de um encontro pessoal e íntimo com o Ressuscitado”! O encontro com Jesus, é transformador, foi o que aconteceu com Tomé,  depois do seu vacilo na fé, ele se prostrou diante do Cristo Ressuscitado e fez a belíssima profissão de fé: “MEU SENHOR E MEU DEUS”! Profissão esta, profissão esta, que muitos de nós fazemos na celebração Eucarística.
Com a ressurreição de Jesus, a vida divina entrou na vida humana e assim como as sementes espalhadas pelo vento, o anúncio da ressurreição  de Jesus se espalhou por todos os rincões da terra, como fagulhas de fogo incendiando os corações sedentos de amor, de paz e de justiça.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Os cristãos são testemunhas da ressurreição de Jesus
Faz uma semana que estamos celebrando a Páscoa da ressurreição de N. S. Jesus Cristo. Hoje é o dia da segunda aparição de Jesus aos apóstolos reunidos. Jesus dá uma ajuda a são Tomé, que não queria acreditar. Essa Palavra de Deus também vai ser uma ajuda que Jesus Cristo vai dar a todos nós para a gente crescer na fé. Com os olhos da fé a gente vê novamente os acontecimentos da vida, morte e ressurreição de Cristo. E vai testemunhar isto para todo mundo. Os apóstolos eram testemunhas de Cristo ressuscitado. Eles viram Jesus e conversaram com ele, depois da ressurreição. A missão deles era dar testemunho da ressurreição de Cristo. Contavam a todo mundo, que Jesus tinha ressuscitado. Ensinavam isso com suas palavras e com a sua vida. Isso a gente entende. Mas nós, que vivemos dois mil anos depois, não vimos Jesus com nossos olhos.
Como a gente vai poder ser testemunha da ressurreição dele? A gente pode enxergar também com os olhos da fé. Quem tem fé, enxerga muita coisa que os outros não enxergam. Os olhos da fé enxergam longe. Assim por exemplo, todo mundo admira uma flor, sua beleza, seu perfume. Mas quem tem fé, logo vê ali a bondade de Deus alegrando a vida de seus filhos. Na Eucaristia, os nossos olhos enxergam um pedaço de pão, mas os olhos da fé enxergam muito mais: ali está o próprio Jesus Cristo.
Também os olhos da fé nos fazem descobrir a pessoa de Cristo na pessoa de nosso irmão. Quem tem fé em Jesus ressuscitado, e procura viver de acordo com esta fé, então experimenta uma vida nova. Jesus fica sendo o esteio da sua vida. A gente começa a viver ressuscitado com Cristo.
A gente sente Jesus vivo unto de nós. Muito mais do que se o enxergasse com nossos olhos. Se eu vejo Jesus com os olhos da fé, eu posso devo dar esse testemunho para todo mundo.
Jesus ressuscitado faz crescer a nossa fé
Interessante. Quanto mais eu vivo pela fé, mais ela cresce em mim. Se eu acredito mesmo, que Jesus está presente em meu irmão, eu vou confiar nele e acreditar no que ele me falar.
Foi a falta de são Tomé. Os outros apóstolos contaram a ele que viram Jesus ressuscitado e ele não acreditou. Foi preciso Jesus aparecer de novo para ele acreditar. Até hoje é a mesma coisa. Jesus não pára de ajudar a gente a crescer na fé. Nossa fé é tão pequena. Quase todos nós temos um pouquinho de São Tomé dentro da gente. Então, Jesus dá muitos sinais da sua presença viva junto de nós. É um doente que sara por milagres. São graças e mais graças que Deus nos concede. Tudo para ajudar a nossa fé.
A nossa fé cresce com a vida em comunidade. O evangelho de hoje conta duas aparições de Jesus. Ele faz questão de aparecer na hora em que os apóstolos estavam reunidos. A primeira vez, foi no dia da ressurreição.
Era o primeiro dia da semana, que corresponde ao nosso domingo. A segunda vez, foi oito dias depois. No outro domingo. Na hora da reunião dos apóstolos. Há gente que fala que é católico mas não vai à missa, não freqüenta o culto dominical e nem participa das reuniões da comunidade. Foi o que aconteceu com São Tomé. Ele falhou da reunião. E quase perdeu a fé.
Nas reuniões e celebrações da comunidade, nossa fé aumenta. Temos mais força para viver de acordo com a fé. E levamos uma vida de  verdadeira paz. Foi isto que ouvimos hoje várias vezes, da boca de Jesus Cristo: “A paz esteja com vocês ! “Quem tem a paz de Deus, vive ressuscitado com Cristo. E se torna testemunha da ressurreição para o mundo.
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A Palavra de Deus
Era de tarde, naquele primeiro dia da semana. Os discípulos estavam reunidos de portas fechadas, com medo dos judeus.
Jesus entrou, chegou para o meio deles, e disse: “A paz esteja com vocês!” E mostrou para eles as suas mãos e o seu lado. Os discípulos, quando viram o Senhor, ficaram cheios de alegria. Jesus falou de novo com eles: “A paz esteja com vocês! Assim como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês”. Depois, soprou sobre eles e disse: “Recebam o Espírito Santo. Se vocês perdoarem os pecados de alguém esses pecados vão ficar perdoados. Mas se vocês não perdoarem eles não vão ficar perdoados”. Tomé, um dos 12, apelidado o Dídimo, não estava com eles, quando Jesus veio. Os outros discípulos vieram contar para eles: “Nós vimos o Senhor!” Mas ele falou: “Olhem!
Se eu não enxergar com os meus olhos o sinal dos pregos nas mãos dele, se eu não puser o meu dedo no lugar dos pregos e se eu não encostar a minha mão no lado dele, eu não acredito”.
Oito dias depois, os discípulos estavam de novo reunidos naquela casa, com as portas fechadas. Tomé estava com eles. Jesus entrou, chegou para o meio deles e disse: “A paz esteja com vocês!”
Logo em seguida, virou-se para Tomé e disse: “Põe aqui o seu dedo! Olhe as minhas mãos! Estique o seu braço e coloque a sua mão aqui no meu lado! Não fique mais duvidando! Tenha fé!” Tomé exclamou: “Meu Senhor e meu Deus!” E Jesus então disse: “Olhe, Tomé! Você acreditou, porque você me viu. Felizes os que acreditam sem precisar de ver!” Jesus ainda fez, na presença de seus discípulos, muitos outros milagres, que não estão escritos, neste livro. Mas esses foram escritos para que vocês acreditem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. E, acreditando nele, vocês tem uma vida em seu nome!
O núcleo central da mensagem cristã - o "querigma" - é a Ressurreição de Jesus. Bastaria ouvir são Pedro no seu primeiro discurso ao povo, no dia de Pentecostes: "Esse homem, que fora entregue segundo o desígnio bem determinado e a presciência de Deus, vós o entregastes, crucificando-o por mãos de ímpios. Deus, porém, o ressuscitou, livrando-o das dores da mansão dos mortos" (At. 2,23-24). Isso mesmo vamos encontrar em muitos outros lugares, especialmente em São Paulo, que declara solenemente: "Se Cristo não ressuscitou é ilusória a vossa fé; ainda estais nos vossos pecados" (1Cor. 15,17). Por onde se vê que a Ressurreição não é apenas objeto de nossa fé, mas é o próprio fundamento da fé cristã.
A Ressurreição é um fato histórico, embora com referências para além da História: é um mistério da ação de Deus, que se projeta na eternidade. E o principal argumento de nossa certeza, além da morte de Jesus, de seu sepultamento e do sepulcro encontrado vazio, são as aparições. Sem elas, seria inexplicável a fé inabalável da comunidade cristã. E é a narração dessas aparições que vão enriquecendo as leituras da liturgia nestes domingos da Páscoa. Jesus se mostra na sua identidade conhecida da sua vida pública.
Era Ele mesmo! Mas, ao mesmo tempo, seu modo de ser era diferente. Não dependia mais do tempo e do espaço. Entrava na sala, sem que se precisasse abrir as portas. Apareceu na mesma tarde da Ressurreição aos apóstolos reunidos sem a presença de Tomé.
E oito dias depois, apareceu de novo, contando com a presença de Tomé. A dúvida desse apóstolo só serviu para confirmar em todos a fé. Sua palavra de adoração diante de Jesus -"Meu Senhor e meu Deus" - era um prelúdio de toda a adoração que a Igreja iria prestar ao longo dos séculos ao Senhor ressuscitado.
Não podemos deixar de sublinhar a palavra de Jesus, tanto na primeira como na segunda aparição: "A paz esteja convosco!". Era um eco da palavra dos anjos no dia em que Jesus apareceu no mundo, em Belém: "Paz na terra aos homens de boa vontade". Não era apenas a saudação tradicional dos hebreus. Tinha um sentido de promessa de paz para aqueles que acolhessem a verdade da Ressurreição. E a promessa de paz se completou com o grande dom do perdão que nesse dia Jesus deixou nas mãos da Igreja, quando disse aos apóstolos: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-Ihes-ão perdoados; aqueles aos quais não perdoardes, ser-Ihes-ão re- tidos" (Jo 20,22-23). Jesus é o Salvador. E, agora que está glorificado, deixa aos ministros da Igreja o poder do perdão que Ele exercera durante sua vida aqui na terra. É como que um imenso gesto de gentileza do Redentor. Quer que brilhe para todos a luz da Ressurreição e a alegria da paz que ele nos trouxe.
Pela Ressurreição é que Cristo é glorificado e se senta à direita de Deus Pai, como está no salmo 109: "O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu faça de teus inimigos escabelo de teus pés". E São Pedro - no sermão já citado acima - o diz explicitamente ao povo de Jerusalém: "Saiba, portanto, toda a casa de Israel, com certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes" (At. 2,36).
Como que para pôr em evidência essa verdade tão consoladora, a Igreja nos faz ler a passagem, do Apocalipse, onde São João vê a glória de Cristo, rei e juiz definitivo do mundo.
Foi num dia de domingo que João teve a visão. No meio de sete candelabros de ouro, ele viu "alguém semelhante a um filho de Homem. Vestido com uma túnica longa - o sacerdócio - e cingido à altura do peito com um cinto de ouro - a realeza. Os cabelos de sua cabeça eram brancos como lã branca, como neve - a eternidade; e seus olhos pareciam uma chama de fogo - ciência divina. Os pés tinham o aspecto do bronze quando está incandescente no forno - estabilidade; e sua voz era como o estrondo de águas torrenciais - autoridade" (Ap. 1,12-15). Vamos guardar esse quadro grandioso, e as palavras que o personagem disse, testemunho da Ressurreição: "Não temas! Eu sou o Primeiro e o último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da Morte e do Reino dos mortos" (Ibid. , 17-18).
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"A Paz esteja convosco"
Um olhar, ainda que rápido, para as belas leituras da Liturgia da Palavra deste II domingo da Páscoa - o antigo domingo "in albis", em que os recém-batizados da Vigília Pascal depunham as vestes alvas que tinham usado durante a semana - pode mostrar-nos facilmente três ricos elementos: a fé, o perdão dos pecados, a perfeita vida cristã da comunidade nascente de Jerusalém. Afinal, tudo irradia do grande mistério pascal, da glória de Cristo Ressuscitado.
Em primeiro lugar, a fé que brotou alegre no coração dos discípulos, ao verem o Senhor ressuscitado e ao contemplarem no seu corpo glorioso os sinais dos cravos que lhe tinham atravessado as mãos e os pés, e o sinal da lança que lhe tinha traspassado o lado. Aliás, esses sinais são agora eternos, a lembrar que foi pela morte que Ele alcançou a glória. No Apocalipse, São João vai contemplá-lo na glória da eternidade. Ele é "o Cordeiro imolado". Está de pé, mas traz os sinais da imolação (cf. Ap. 5,6). Mas, por isso mesmo, "é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor" (ibid., 12).
A fé pascal é o núcleo mais íntimo de nossa fé cristã. Ela iluminou a vida dos apóstolos e dos primeiros discípulos, e ilumina toda a vida da Igreja. Costumam os comentaristas notar que a própria incredulidade inicial de Tomé acabou provocando uma confirmação da verdade da Ressurreição. E foi, em todo o caso, uma prova de que os apóstolos não eram homens crédulos, que aceitassem puras aparências. Todos eles tinham tido seu momento de dúvida, quando chegaram as primeiras notícias do sepulcro vazio e da aparição a Madalena. Mas o esplendor do Ressuscitado os convenceu.
O perdão dos pecados é a segunda nota que brilha na página do Evangelho, no episódio da primeira aparição. Jesus, depois de saudá-Ios com a saudação habitual" A paz esteja convosco", - mas evidentemente com um desejo de paz muito mais eficaz do que uma simples saudação de cortesia - declarou:
"Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. Soprou em seguida sobre eles - um prelúdio de Pentecostes! -e disse: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados. A quem os retiverdes, serão retidos" (Jo 20,21-23). É o grande presente pascal do perdão. Dele precisa tanto a Igreja, que é feita de homens sujeitos ao pecado, e que precisam ser perdoados, não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Por isso Jesus deixa na Igreja o sacramento do perdão. É o dom da redenção, que se vai distribuindo ao longo dos séculos, na medida da nossa necessidade. O próprio contexto pascal em que Jesus nos outorga esse sacramento está a nos dizer que ele é um sacramento portador de paz, de festa e de alegria. Não é de tristeza e de humilhação. Triste e humilhante é o pecado. O perdão, que traz a paz de Deus, só pode ser causa de alegria. De festa. Como aquela que alegrou a casa do filho pródigo, no dia em que ele voltou para junto do Pai.
E temos que olhar para o terceiro quadro. É uma pintura em rápidas pinceladas do estilo de vida, exemplarmente evangélica, em que vivia a primeira comunidade cristã de Jerusalém. Unidos. Na oração e na escuta atenta do testemunho dos apóstolos a respeito da Ressurreição de Jesus. Desapegados de seus bens, de sorte que o que era de um era de todos. Formando uma comunidade tão harmoniosa, que toda aquela multidão era como um só coração e uma só alma. Como conseqüência - como consta de outra passagem dos Atos (2,47) - eram estimados por todos, e o número dos fiéis ia crescendo dia a dia (cf. At. 4,32-35).
Não estavam pondo em prática nenhum plano sofisticado de economia política. Estavam simplesmente vivendo o Evangelho. Vivendo o "Sermão da Montanha". Seguindo os passos de Cristo. Como os seguiu São Francisco. E muita gente com ele. Aí está o segredo da felicidade. Da paz, da harmonia, do bem-estar. Até da coragem, da paciência e da esperança, para suportar os sofrimentos, companheiros inseparáveis de nossa peregrinação. A famosa "Ilha da Utopia", imaginada por Tomás More, pode no cristianismo tornar-se de algum modo realidade. Não caricatural, mas sincera.
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Na Páscoa, Deus recria o homem
Numa cena parecida com a da criação do mundo, e parecida com a manhã de Pentecostes, João nos conta como na tarde de Páscoa, Jesus apareceu aos apóstolos e os enviou com a mesma missão salvadora com que ele fora enviado para o Pai. Oito dias depois, dá mais uma prova de sua ressurreição e pede a Tomé que creia nele, mesmo sem vê-lo fisicamente.
Com o episódio, o evangelista nos dá uma lição: Jesus está presente e atuante no meio da comunidade, ainda que não possamos vê-lo com os olhos do corpo. Carregados de fé no Senhor Jesus e revestidos pela força do Espírito Santo, recebemos o poder de perdoar pecados. E quantas ocasiões de perdoar se nos oferecem cada dia! Quem sabe perdoar, e perdoa de fato e de coração, experimenta a alegria e a paz da presença de Cristo, que tira e apaga os pecados de do mundo.
A partir da páscoa os cristãos guardam o domingo
Os dois episódios narrados hoje, acontecem numa tarde da Páscoa e no domingo seguinte. Para os Hebreus, era o Primeiro dia da semana, já que o sábado, que era guardado como santo, era o último. Foi a partir da Páscoa, que aconteceu no primeiro dia da semana, que os cristãos passaram a guardar, não mais o último dia, mas o primeiro, que chamaram de dies Domini ou dies Dominica (dia do Senhor), de onde se originou nossa palavra Domingo. Jesus vem. Para não sobrar dúvida, mostra as mãos e o lado chagados. Depois de ressuscitado, Jesus tem outro modo de existir. Mas é Ele verdadeiramente. Hoje, quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, Jesus também vem e se põe em nosso meio. Não com seu corpo físico visível. Mas de forma misteriosa. Verdadeira.
É o Cristo vivo que estará sempre conosco (Mt. 28,20) e é percebido e recebido pela fé. Os mesmos dois sentimentos dos apóstolos nos invadem hoje. Sem Jesus, enche-nos o medo da perseguição, da incompreensão, da decepção e da morte; e por causa dessas e de outras razões fechamo-nos em nossa casa e em nós mesmos. Fechar-se é morrer. Com a presença de Jesus enche-nos a alegria, o contentamento e a paz. E abrimo-nos como flor de quintal. O catolicismo é abertura para os outros. É porta aberta para receber e ir ao encontro.
Somos embaixadores de cristo ressuscitado
A presença de Jesus em nosso meio não nos deixa parado. Ele faz de nós seus braços, pés e coração. Ele reparte conosco sua missão salvadora. Sua presença de ressuscitado tem a força de recriar o homem. Observe-se quanta semelhança tem a cena da aparição de Jesus na tarde da Páscoa, com a cena da criação do mundo. (Gn. 2,7). De fato, a paixão e a ressurreição de Cristo  criaram uma nova humanidade, onde o Espírito Santo de Deus faz de cada discípulo de Jesus um continuador responsável da missão de Cristo.
Hoje ele reparte com os apóstolos seu poder de salvar e condenar. E o faz em forma de envio. Como o Pai do céu o enviara para salvar os homens, assim ele envia os apóstolos a todos os povos. Nós somos os apóstolos. Apóstolo quer dizer “enviado”. Quando Jesus diz: “Eu vos envio”, está dizendo: “Eu vos faço apóstolo”. Para isso nos dá o Espírito Santo. Deveríamos ter a convicção de São Paulo que escrevia ao Coríntios: “Desempenhamos o cargo de embaixadores em nome de Cristo, e é Deus mesmo quem exorta por nosso intermédio”(2Cor 5,20). Embaixadores do perdão e da misericórdia, da fraternidade e da paz, da justiça e do amor, da pessoa de Jesus ressuscitado e de sua doutrina contida no Evangelho.
A fé nos dá olhos para ver Cristo glorioso
Quase sempre se fala de Tomé como símbolo de incredulidade. O episódio de hoje, antes de tudo, é mais uma prova da ressurreição de Jesus. Ninguém diga que os apóstolos combinaram o milagre. Ninguém diga que eles criaram a ressurreição para dar certo. A ressurreição foi um fenômeno inteiramente novo.
A incredulidade de Tomé é normal. E ao narrá-la, o evangelista quer dar mais uma prova. Tomé, hoje, sente Jesus ressuscitado pelo olho (viu), pelo ouvido (escutou) e pelo tato (o tocou). Os principais sentidos do homem atestam a ressurreição. A segunda grande lição do episódio de Tomé é a nova forma de perceber Jesus presente na comunidade. Antes, Jesus estava fisicamente presente.
A Tomé ele está gloriosamente presente. Hoje, ele continua na comunidade, presente com outra forma de presença - invisível - , mas tão verdadeira quanto a física e a gloriosa. A fé nos dá olhos suficientes para vê-lo.
Somos bem-aventurados, se cremos sem vê-Lo fisicamente. Somos bem-aventurados se, com a mesma fé de Tomé, com nosso coração, isto é, com nosso ser inteiro, invocarmos a este Cristo presente como “Meu Senhor e Meu Deus”. Todo o Evangelho foi escrito para que reconheçamos Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, como “O Cristo, Filho de Deus”, e nele “tenhamos a vida”.
padre Lucas de Paula Almeida, CM



A liturgia deste domingo põe em relevo o papel da comunidade cristã como espaço privilegiado de encontro com Jesus ressuscitado.
O Evangelho sublinha a ideia de que Jesus vivo e ressuscitado é o centro da comunidade cristã; é à volta d’Ele que a comunidade se estrutura e é d’Ele que ela recebe a vida que a anima e que lhe permite enfrentar as dificuldades e as perseguições. Por outro lado, é na vida da comunidade (na sua liturgia, no seu amor, no seu testemunho) que os homens encontram as provas de que Jesus está vivo.
A segunda leitura insiste no motivo da centralidade de Jesus como referência fundamental da comunidade cristã: apresenta-O a caminhar lado a lado com a sua Igreja nos caminhos da história e sugere que é n’Ele que a comunidade encontra a força para caminhar e para vencer as forças que se opõem à vida nova de Deus.
A primeira leitura sugere que a comunidade cristã continua no mundo a missão salvadora e libertadora de Jesus; e quando ela é capaz de o fazer, está a dar testemunho desse Cristo vivo que continua a apresentar uma proposta de redenção para os homens.
1ª leitura: Atos dos Apóstolos 5,12-16 - AMBIENTE
O livro dos Atos dos Apóstolos apresenta o “caminho” que a Igreja de Jesus percorreu, desde Jerusalém até Roma, o coração do império. No entanto, foi de Jerusalém, o lugar onde irrompeu a salvação – isto é, onde Jesus sofreu, morreu, ressuscitou e subiu ao céu –, que tudo partiu. Foi aí que nasceu a primeira comunidade cristã e que essa comunidade, pela primeira vez, se assumiu como testemunha de Jesus diante do mundo.
O texto que nos é proposto é um dos três sumários que aparecem na primeira parte dos “Atos”; esses sumários apresentam temas comuns e afinidades de estrutura que convidam a considerá-los conjuntamente. No conjunto, esses sumários pretendem apresentar as várias facetas do testemunho dado pela Igreja de Jerusalém. O primeiro aparece em 2,42-47 e é dedicado ao tema da unidade e ao impacto que o estilo cristão de vida provocou no povo da cidade; o segundo aparece em 4,32-37 e é dedicado ao tema da partilha dos bens; o terceiro (a primeira leitura de hoje) apresenta o testemunho da Igreja através da atividade miraculosa dos apóstolos.
MENSAGEM
A primeira frase desta leitura apresenta o tema: “pelas mãos dos apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo”.
A descrição da ação dos apóstolos e da reação do povo é, neste contexto, muito parecida com certos relatos de curas e certos resumos da atividade taumatúrgica de Jesus que encontramos nos evangelhos sinópticos. Isso diz-nos, desde logo, duas coisas: que não se trata de uma reportagem fotográfica de acontecimentos, mas de um resumo teológico; e que Lucas vê uma continuidade entre a missão de Jesus e a missão da comunidade cristã (a mesma atividade salvadora e libertadora de Jesus em favor dos pobres e dos oprimidos é continuada agora no mundo pela sua Igreja).
Um desenvolvimento especialmente interessante é a atribuição à “sombra” de Pedro de virtudes curativas (cf. At. 5,15b). Isso nunca foi dito acerca de Cristo… Significa que Pedro tinha mais poder do que Cristo? Não. Significa, provavelmente, que nada é impossível àquele que se coloca na órbita de Cristo e recebe d’Ele a força para testemunhar.
Devemos ter presente, para entender a mensagem, o cenário de fundo deste texto: os apóstolos são as testemunhas de Jesus ressuscitado e do seu projeto libertador para o mundo; os gestos realizados servem para dar testemunho da ressurreição, isto é, dessa vida nova que em Cristo começou e que, através dos seguidores de Cristo ressuscitado, deve chegar a todos os homens.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã tem de ser, fundamentalmente, uma comunidade que testemunha Cristo ressuscitado. Se formarmos uma família de irmãos “unidos pelos mesmos sentimentos”, solidários uns com os outros, capazes de partilhar, estaremos a anunciar esse mundo novo que Jesus propôs e a interpelar os nossos conterrâneos. É isso que acontece habitualmente com o testemunho das nossas comunidades? O que nos falta para sermos – como a comunidade primitiva – uma comunidade que testemunha Jesus ressuscitado?
• Os milagres não são, fundamentalmente, acontecimentos espantosos que subvertem as leis da natureza; mas são sinais que mostram a presença libertadora e salvadora de Deus e que anunciam essa vida plena que Deus quer dar a todos os homens. Não são, portanto, coisas reservadas a certos feiticeiros ou super-heróis, mas são coisas que eu posso fazer todos os dias: sempre que os meus gestos falam de amor, de partilha, de reconciliação, eu estou a realizar um “milagre” que leva aos irmãos a vida nova de Deus, estou a anunciar e a fazer acontecer a ressurreição. Tenho consciência disto e procuro, com gestos concretos, anunciar que Jesus ressuscitou e continua a querer salvar os homens? Os meus gestos são “sinais” de Deus?
2ª leitura: Ap. 1,9-11a.12-13.17-19 - AMBIENTE
Estamos nos finais do reinado de Domiciano (à volta do ano 95); os cristãos eram perseguidos de forma violenta e organizada e parecia que todos os poderes do mundo se voltavam contra os seguidores de Cristo. Muitos cristãos, cheios de medo, abandonavam o Evangelho e passavam para o lado do império. Na comunidade dizia-se: “Jesus é o Senhor”; mas lá fora, quem mandava mesmo como senhor todo-poderoso era o Imperador de Roma.
É neste contexto de perseguição, de medo e de martírio que vai ser escrito o Apocalipse. O objetivo do autor é apresentar aos crentes um convite à conversão (primeira parte – Ap 1-3) e uma leitura profética da história que os ajude a enfrentar a tempestade com esperança e a acreditar na vitória final de Deus e dos crentes (segunda parte – Ap. 4-22).
O texto da primeira leitura de hoje pertence à primeira parte do livro. Nele, apresenta-se – recorrendo à linguagem simbólica, pois é através dos símbolos que melhor se expressa a realidade do mistério – o “Filho do Homem”: é Ele o Senhor da história e Aquele através de quem Deus revela aos homens o seu projeto.
MENSAGEM
Esse “Filho do Homem” é Cristo ressuscitado. Para o descrever em pormenor, o autor (um tal João, exilado na ilha de Patmos por causa do Evangelho) vai recorrer a símbolos herdados do mundo vétero-testamentário que sublinham, antes de mais, a divindade de Jesus.
O texto que hoje a liturgia nos propõe não apresenta a descrição original completa (faltam os versículos 14-16). Nos versículos que nos são propostos, este “Filho do Homem” é apresentado como o Senhor que preside à sua Igreja (no v. 12, os sete candelabros representam a totalidade da Igreja de Jesus; recordar que o sete é o número que indica plenitude, totalidade) e que caminha no meio dela e com ela (vers. 13a); Ele está revestido de dignidade sacerdotal (a longa túnica, distintivo da dignidade sacerdotal revela que Ele é, agora, o verdadeiro intermediário entre Deus e os homens – v. 13b) e possui dignidade real (o cinto de ouro, porque n’Ele reside a realeza e a autoridade sobre a história, o mundo e a Igreja – v. 13c). Sobretudo, Ele é o Cristo do mistério pascal: esteve morto, voltou à vida e é agora o Senhor da vida que derrotou a morte (v. 18). A história começa e acaba n’Ele (v. 17b). Por isso, os cristãos nada terão a temer.
A João, Cristo ressuscitado confia a missão profética de testemunhar. O fato de João cair por terra como morto e o fato de o Senhor o reanimar com um gesto (v. 17) fazem-nos pensar em vários relatos de vocação profética do Antigo Testamento. O “profeta” João é, pois, enviado às igrejas; a sua missão é anunciar uma mensagem de esperança que permita enfrentar o medo e a perseguição. Sobretudo, é chamado a anunciar a todos os cristãos que Jesus ressuscitado está vivo, que caminha no meio da sua Igreja e que, com Ele, nenhum mal nos acontecerá pois é Ele que preside à história.
ATUALIZAÇÃO
• Há muitas coisas e interesses que hoje são erigidos em deuses, que recebem a nossa adoração, que nos desviam do essencial e que acabam por nos destruir e escravizar. Que coisas são essas? É Jesus, vivo e ressuscitado que está no centro das nossas vidas e das nossas comunidades?
• O medo aliena, escraviza, impede-nos de construir de forma positiva… Temos consciência de que nada temos a temer porque Cristo, o Senhor da história, caminha conosco?
• Os homens de hoje, apesar de todas as descobertas e conquistas, têm, muitas vezes, uma perspectiva pessimista que lhes envenena o coração e a existência. Se a esperança está em crise, nós, testemunhas do ressuscitado, temos uma proposta de novidade e de salvação a apresentar ao mundo. Sentimo-nos profetas, enviados – como João – a anunciar uma mensagem de esperança, a dar testemunho de Jesus ressuscitado e a dizer que esse mundo novo já está a fazer-se?
Evangelho Jo 20,19-31 - AMBIENTE
Continuamos na segunda parte do Quarto Evangelho, onde nos é apresentada a comunidade da Nova Aliança. A indicação de que estamos no “primeiro dia da semana” faz, outra vez, referência ao tempo novo, a esse tempo que se segue à morte/ressurreição de Jesus, ao tempo da nova criação.
A comunidade criada a partir da ação de Jesus está reunida no cenáculo, em Jerusalém. Está desamparada e insegura, cercada por um ambiente hostil. O medo vem do fato de não terem, ainda, feito a experiência de Cristo ressuscitado.
MENSAGEM
O texto que nos é proposto divide-se em duas partes bem distintas.
Na primeira parte (cf. Jo 20,19-23), descreve-se uma “aparição” de Jesus aos discípulos. Depois de sugerir a situação de insegurança e fragilidade que dominava a comunidade (o “anoitecer”, “as portas fechadas”, o “medo”), o autor deste texto apresenta Jesus “no centro” da comunidade (v. 19b). Ao aparecer “no meio deles”, Jesus assume-Se como ponto de referência, fator de unidade, a videira à volta da qual se enxertam os ramos. A comunidade está reunida à volta d’Ele, pois Ele é o centro onde todos vão beber a vida.
A esta comunidade fechada, com medo, mergulhada nas trevas de um mundo hostil, Jesus transmite duplamente a paz (vs. 19 e 21: é o “shalom” hebraico, no sentido de harmonia, serenidade, tranquilidade, confiança). Assegura-se, assim, aos discípulos que Jesus venceu aquilo que os assustava: a morte, a opressão, a hostilidade do “mundo”.
Depois (v. 20a), Jesus revela a sua “identidade”: nas mãos e no lado trespassado, estão os sinais do seu amor e da sua entrega. É nesses sinais de amor e doação que a comunidade reconhece Jesus vivo e presente no seu meio. A permanência desses “sinais” indica a permanência do amor de Jesus: Ele será sempre o Messias que ama, e do qual brotarão a água e o sangue que constituem e alimentam a comunidade.
Em seguida (v. 22), Jesus “soprou sobre eles”. O verbo aqui utilizado é o mesmo do texto grego de Gn. 2,7 (quando se diz que Deus soprou sobre o homem de argila, infundindo-lhe a vida de Deus). Com o “sopro” de Gn. 2,7, o homem tornou-se um ser vivente; com este “sopro”, Jesus transmite aos discípulos a vida nova que fará deles homens novos. Agora, os discípulos possuem o Espírito, a vida de Deus, para poderem – como Jesus – dar-se generosamente aos outros. É este Espírito que constitui e anima a comunidade.
As palavras de Jesus à comunidade contêm ainda uma referência à missão (v. 23). Os discípulos são enviados a prolongar o oferecimento de vida que o Pai apresenta à humanidade em Jesus. Quem aceitar essa proposta de vida, será integrado na comunidade; quem a rejeitar, ficará à margem da comunidade de Jesus.
Na segunda parte (cf. Jo 20,24-29), apresenta-se uma catequese sobre a fé. Como é que se chega à fé em Cristo ressuscitado? João responde: podemos fazer a experiência da fé em Jesus vivo e ressuscitado na comunidade dos crentes, que é o lugar natural onde se manifesta e irradia o amor de Jesus. Tomé representa aqueles que vivem fechados em si próprios (está fora) e que não faz caso do testemunho da comunidade nem percebe os sinais de vida nova que nela se manifestam. Em lugar de se integrar e participar da mesma experiência, pretende obter uma demonstração particular de Deus.
Tomé acaba, no entanto, por fazer a experiência de Cristo vivo no interior da comunidade. Porquê? Porque, no “dia do Senhor”, volta a estar com a sua comunidade. É uma alusão clara ao domingo, ao dia em que a comunidade é convocada para celebrar a Eucaristia: é no encontro com o amor fraterno, com o perdão dos irmãos, com a Palavra proclamada, com o pão de Jesus partilhado, que se descobre Jesus ressuscitado.
A experiência de Tomé não é exclusiva das primeiras testemunhas; mas todos os cristãos de todos os tempos podem fazer esta mesma experiência.
ATUALIZAÇÃO
• A comunidade cristã gira em torno de Jesus, constrói-se à volta de Jesus e é d’Ele que recebe vida, amor e paz. Sem Jesus, estaremos secos e estéreis, incapazes de encontrar a vida em plenitude; sem Ele, seremos um rebanho de gente assustada, incapaz de enfrentar o mundo e de ter uma atitude construtiva e transformadora; sem Ele, estaremos divididos, em conflito e não seremos uma comunidade de irmãos… Na nossa comunidade, Cristo é verdadeiramente o centro? É para Ele que tudo tende e é d’Ele que tudo parte?
• A comunidade tem de ser o lugar onde fazemos, verdadeiramente, a experiência de Jesus ressuscitado. É nos gestos de amor, de partilha, de serviço, de encontro, de fraternidade, que encontramos Jesus vivo, a transformar e a renovar o mundo. É isso que a nossa comunidade testemunha? Quem procura Cristo encontra-O em nós?
• Não é em experiências pessoais, íntimas, fechadas, egoístas que encontramos Jesus ressuscitado; mas encontramo-l’O no diálogo comunitário, na Palavra partilhada, no pão repartido, no amor que une os irmãos em comunidade de vida. O que é que significa, para mim, a Eucaristia?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho




A fé de Tomé
– Aparição de Jesus aos Apóstolos quando Tomé estava ausente. Comunicam-lhe que Jesus ressuscitou. Apostolado com os que conheceram o Senhor, mas não procuram relacionar-se com Ele.
– O ato de fé do Apóstolo Tomé. A nossa fé deve ser operativa: atos de fé, confiança no Senhor, apostolado.
– A Ressurreição é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Cristo vive. Necessidade de nos formarmos bem.
I. O PRIMEIRO DIA da semana1, o dia em que o Senhor ressuscitou, o primeiro dia do novo mundo, está repleto de acontecimentos: desde a manhã, muito cedo2, quando as mulheres vão ao sepulcro, até à noite, muito tarde3, quando Jesus vem confortar os amigos mais íntimos: A paz esteja convosco, disse-lhes. Depois mostrou-lhes as mãos e o lado. Nesta ocasião, Tomé não estava com os demais Apóstolos; não pôde, pois, ver o Senhor nem ouvir as suas palavras consoladoras.
Fora este Apóstolo que dissera uma vez: Vamos também nós e morramos com Ele4. E na Última Ceia manifestara ao Senhor a sua ignorância com a maior simplicidade: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?5 Cheios de um profundo júbilo, os Apóstolos devem ter procurado Tomé por toda a Jerusalém naquela mesma noite ou no dia seguinte. Mal o encontraram, disseram-lhe: Vimos o Senhor! Mas Tomé continuava profundamente abalado com a crucifixão e a morte do Mestre. Não dá nenhum crédito ao que lhe dizem: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos e a minha mão no seu lado, não acreditarei6. Os que tinham compartilhado com ele aqueles três anos, e que lhe estavam unidos por tantos laços, devem ter-lhe repetido então, de mil maneiras diferentes, a mesma verdade que era agora a sua alegria e a sua certeza: Vimos o Senhor!
Nós temos que fazer o mesmo: para muitos homens e para muitas mulheres, é como se Cristo estivesse morto, porque pouco significa para eles e quase não conta nas suas vidas. A nossa fé em Cristo ressuscitado anima-nos a ir ao encontro dessas pessoas e a dizer-lhes de mil maneiras diferentes que Cristo vive, que estamos unidos a Ele pela fé e permanecemos com Ele todos os dias, que Ele orienta e dá sentido à nossa vida.
Desta maneira, cumprindo essa exigência da fé que é difundi-la com o exemplo e a palavra, contribuímos pessoalmente para a edificação da Igreja, como aqueles primeiros cristãos de que falam os Atos dos Apóstolos: Cada vez mais aumentava o número dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor7.
II. OITO DIAS DEPOIS, encontravam-se os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco. Depois disse a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima também a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel8.
A resposta de Tomé é um ato de fé, de adoração e de entrega sem limites: Meu Senhor e meu Deus! São quatro palavras inesgotáveis. A fé do Apóstolo brota, não tanto da evidência de Jesus, mas de uma dor imensa. O que o leva à adoração e ao retorno ao apostolado não são tanto as provas como o amor. Diz a Tradição que o Apóstolo Tomé morreu mártir pela fé no seu Senhor. Consumiu a vida a seu serviço.
As dúvidas de Tomé viriam a servir para confirmar a fé dos que mais tarde haviam de crer nEle. “Porventura pensais – comenta São Gregório Magno – que foi um simples acaso que aquele discípulo escolhido estivesse ausente, e que depois, ao voltar, ouvisse relatar a aparição e, ao ouvir, duvidasse, e, duvidando, apalpasse, e, apalpando, acreditasse? Não foi por acaso, mas por disposição divina que isso aconteceu. A divina clemência agiu de modo admirável quando este discípulo que duvidava tocou as feridas da carne do seu Mestre, pois assim curava em nós as chagas da incredulidade [...]. Foi assim, duvidando e tocando, que o discípulo se tornou testemunha da verdadeira ressurreição”9.
Se a nossa fé for firme, também haverá muitos que se apoiarão nela. É necessário que essa virtude teologal vá crescendo em nós de dia para dia, que aprendamos a olhar as pessoas e os acontecimentos como o Senhor os olha, que a nossa atuação no meio do mundo esteja vivificada pela doutrina de Jesus. Por vezes, ver-nos-emos faltos de fé, como o Apóstolo. Teremos então de crescer em confiança no Senhor, seja em face das dificuldades no apostolado, ou de acontecimentos que não sabemos interpretar do ponto de vista sobrenatural, ou de momentos de escuridão, que Deus permite para que se firmem em nós outras virtudes.
A virtude da fé é a que nos dá a verdadeira dimensão dos acontecimentos e a que nos permite julgar retamente todas as coisas. “Somente com a luz da fé e a meditação da palavra divina é que é possível reconhecer Deus sempre e por toda a parte, esse Deus em quem vivemos e nos movemos e existimos (At 17, 28). Somente assim é possível procurar a vontade divina em todos os acontecimentos, ver Cristo em todos os homens, sejam parentes ou estranhos, proferir juízos corretos sobre o verdadeiro significado e valor das coisas temporais, tanto em si mesmas como em relação ao fim do homem”10.
Meditemos o Evangelho da Missa de hoje. “Fixemos de novo o olhar no Mestre. Talvez também nós escutemos neste momento a censura dirigida a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima também a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas fiel (Ioh XX, 27). E, com o Apóstolo, sairá da nossa alma, com sincera contrição, aquele grito: Meu Senhor e meu Deus! (Ioh XX, 28), eu te reconheço definitivamente por Mestre, e já para sempre – com o teu auxílio – vou entesourar os teus ensinamentos e esforçar-me por segui-los com lealdade”11.
Meu Senhor e meu Deus! Estas palavras têm servido de jaculatória a muitos cristãos, e como ato de fé na presença real de Jesus Cristo na Sagrada Eucaristia, quando se passa diante de um sacrário ou no momento da Consagração da Missa... Também nos podem ajudar a nós a tornar atual a nossa fé e o nosso amor por Cristo ressuscitado.
III. O SENHOR RESPONDEU a Tomé: Creste porque me viste. Felizes os que crêem sem terem visto12. “É uma frase – diz São Gregório Magno – que se refere sem dúvida a nós, que confessamos com a alma Aquele que não vimos na carne. Mas refere-se a nós se vivermos de acordo com a fé, pois só crê verdadeiramente aquele que nas suas ações pratica o que crê”13. A Ressurreição do Senhor é um apelo para que manifestemos com a nossa vida que Ele vive. As obras do cristão devem ser fruto e manifestação da sua fé em Cristo.
Nos primeiros séculos, a difusão do cristianismo realizou-se principalmente pelo testemunho pessoal dos cristãos que se convertiam. Era uma pregação singela da Boa Nova: de homem para homem, de família para família; entre os que tinham o mesmo ofício, entre vizinhos; nos bairros, nos mercados, nas ruas. Hoje também o Senhor quer que o mundo, a rua, o trabalho, as famílias sejam veículo para a transmissão da fé.
Para confessarmos a nossa fé com a palavra, é necessário que conheçamos o seu conteúdo com clareza e precisão. Por isso, a nossa Mãe a Igreja tem feito tanto fincapé ao longo dos séculos em que se estudasse o Catecismo, pois contém de uma maneira breve e simples as verdades essenciais que temos de conhecer para podermos depois vivê-las. Já Santo Agostinho insistia com os catecúmenos que estavam prestes a receber o Batismo: “No próximo sábado, em que, se Deus quiser, celebraremos a vigília, recitareis não a oração (o Pai-Nosso), mas o símbolo (o Credo); porque, se não o aprenderdes agora, depois, na Igreja, não o ouvireis todos os dias da boca do povo. E, aprendendo-o bem, dizei-o diariamente para não o esquecerdes: ao levantar-vos da cama, ao ir dormir, recitai o vosso símbolo, oferecei-o a Deus, procurando memorizá-lo e repetindo-o sem preguiça. Para não esquecer, é bom repetir. Não digais: «Já o disse ontem, e digo-o hoje, e repito-o diariamente; tenho-o bem gravado na memória». Que seja para ti como um recordatório da tua fé e um espelho em que te possas olhar. Olha-te nele, verifica se continuas a acreditar em todas as verdades que de palavra dizes crer, e alegra-te diariamente na tua fé. Que essas verdades sejam a tua riqueza; que sejam como que o adorno da tua alma”14. Teríamos que dizer estas mesmas palavras a muitos cristãos, pois são muitos os que andam esquecidos do conteúdo essencial da sua fé.
Jesus Cristo pede-nos também que o confessemos com obras diante dos homens. Por isso, pensemos: não teríamos que ser mais valentes nesta ou naquela ocasião? Pensemos no nosso trabalho, no ambiente à nossa volta: somos conhecidos como pessoas que têm vida de fé? Não nos faltará audácia no apostolado?
Terminamos a nossa oração pedindo à Virgem, Sede da Sabedoria, Rainha dos Apóstolos, que nos ajude a manifestar com a nossa conduta e com as nossas palavras que Cristo vive.
Francisco Fernández-Carvajal



TOMÉ, um enfoque diferente da fé.
Convém, desta vez, fazer um enfoque diferente do comportamento do apóstolo Tomé, ou seja, não mais considerando-o como alguém que ousou duvidar da manifestação do Cristo ressuscitado, mas, ao contrário, como uma pessoa sincera que se posiciona em confronto com seus próprios questionamentos. Se assim o fizermos talvez compreenderíamos que este apóstolo nos oferece oportunidade para avaliar sua fé bem mais para lá de seus limites...
Neste domingo, quando a Igreja celebra a festa da Divina Misericórdia do Senhor Jesus, isto é, o seu perdão, sua ternura e seu coração fonte de todo amor, Tomé nos impulsiona a utilizar todos os nossos sentidos para viver a presença do Cristo, que voltou à vida. Para partilhar a alegria de seus irmãos, ele tem necessidade de ver o seu Senhor e seu Deus e tocar nele. Este enfoque não o é de todos. Compete a cada um fazer o seu próprio caminho. As leituras deste domingo atribuem uma importante colocação ao corpo em suas múltiplas dimensões. Somos convidados a perceber que, para entender a ação do Espírito, o corpo não pode estar ausente.
Esta realidade nossos irmãos e irmãs enfermos ou deficientes já a entenderam há muito tempo. A esperança da cura, ou mesmo de um alívio, foi sempre desejada e passa por gestos e palavras de consolação. A paz que o Cristo propõe vai nesta direção e não tem outro objetivo se não trazer a paz e encorajar aquelas e aqueles, cujo fardo é demasiado pesado.
Se o Ressuscitado apareceu em numerosas oportunidades foi talvez para dizer ao homem que ele nunca o abandonou, que está sempre presente nos sacramentos para aliviar e reconciliar.
No coração de nossas vidas.
"Todos os fiéis se reuniam com muita união no Pórtico de Salomão" (1ª leitura); "Eu João [...] fui levado à ilha de Patmos" (2ª leitura). "Ao anoitecer daquele dia, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam [...] Oito dias depois, encontravam-se de novo reunidos em casa" (Evangelho). Deus reúne os homens, ali, "onde eles estão". Jesus faz o mesmo e nos reúne no coração de nossa assembléia, no coração de nossa vida e de nossa fraqueza. "Não busquemos encontrar fora de nossas vidas a sua passagem". Sim, é no mais real de nossas vidas que é preciso abrirmo-nos para as maravilhas já cumpridas e que se renovam hoje. E é preciso que nos abramos para o Vivente ao mesmo tempo em comunidade e num engajamento íntimo, pessoal, como faz Tomé, o incrédulo que se torna crente: "Meu Senhor e meu Deus!"
tradução "Prions en Église”



O livro dos Atos dos Apóstolos, o Apocalipse e o evangelho de João foram escritos quase na mesma época. A Igreja de Jesus, formada por muitas e diferentes comunidades, estava recolhendo as diversas tradições sobre o Jesus histórico e cada comunidade as reelaborava e contava de acordo com as novas situações que estavam vivendo. Eram tempos de grandes conflitos com o império romano e com os fariseus de Yamnia, o único grupo oficial judeu que havia sobrevivido à destruição do templo no ano 70. As igrejas estavam descobrindo sua própria identidade e Pedro (que por este tempo já havia sido martirizado em Roma), já era reconhecido como autoridade dentro e fora da Igreja. Com textos destes três livros, a liturgia de hoje nos oferece a oportunidade de refletir sobre o fundamento da nossa fé.
Assim como em nossas ruas necessitamos de sinais que nos indiquem as curvas, as pontes, os caminhos estreitos, também no caminho da Igreja necessitamos desses sinais que nos indicam se andamos no bom caminho ou não. Os sinais são os mesmos de sempre: a prática libertadora de Jesus, sua opção pelos mais necessitados e seu trabalho pela vida. Começando pela boa sombra de Pedro que curava os enfermos, vemos como, em meio aos conflitos, as primeiras comunidades repetiam a prática libertadora de Jesus. Também o Apocalipse nos convida a olhar o Filho do Homem, centro da vida da Igreja.
O evangelho de João nos remete a um dia como o de hoje, oito dias depois da páscoa. Jesus entra e se coloca no meio da comunidade. Sopra sobre eles e lhes concede o Espírito Santo. Para a comunidade de João, a Páscoa da Ressurreição e Pentecostes aconteceram no mesmo dia em que Jesus ressuscitou. Para Lucas, que tem outra teologia, e que talvez por razões catequéticas tenha sido a única recolhida pela Igreja, é preciso esperar 50 dias para o Pentecostes. E nessa Páscoa-Pentecostes toda a comunidade de discípulos e discípulas recebe a autoridade para perdoar os pecados. Isto corresponde à tradição que também Mateus conservou em seu evangelho (Mt. 18,18) e que logo a Igreja, em seu processo de clericalização, foi perdendo, mas que foi recuperada por algumas Igrejas evangélicas.
Na segunda parte deste evangelho, encontramos o diálogo de Jesus e Tomé. Olhos que não vêem, coração que não sente, diz o refrão. Contam que quando July Gagarin, o astronauta russo que regressou daquele primeiro passeio na lua, disse: "Andei pelo céu e não vi a Deus". Pobre July, tão parecido a Tomé, que poderia chamar-se seu irmão gêmeo.
É que fora da comunidade não se vê Jesus, nem no céu nem na terra. É na comunidade onde se percebe a presença do Senhor. É aí onde se realiza o seguimento de Jesus. A comunidade não é optativa. É parte essencial da mensagem cristã, o mesmo se diga da opção pelos pobres. Nas Comunidades Eclesiais de Base temos experiências que se assemelham às vividas nas primeiras comunidades. Avaliamos o caminho retomando sempre a prática libertadora de Jesus e suas opções; experimentamos na luta pela vida a força da Páscoa-Pentecostes e também temos a experiência do perdão na comunidade, porque recortar o perdão se a alegria de Deus é perdoar, curar e salvar.
Quando Jesus não está no centro, perde-se parte de sua mensagem libertadora, impedindo a novidade que brota do Espírito.




Estamos no período Pascal e vivendo ainda a alegria da Ressurreição de Jesus. O evangelho de hoje nos fala que os apóstolos estavam escondidos, trancados e com muito medo dos anciãos e dos chefes dos sacerdotes.
Não somente eles, todos nós! Observe como vivemos com medo e assustados com a violência, assaltos, sequestros, balas perdidas... o medo faz parte do nosso dia-a-dia. É um sentimento que nos acompanha sempre. Somos medrosos por natureza.
O medo de encarar um mundo novo, perigoso e bem diferente daquele em que estivemos durante nove meses, nos leva a chorar logo ao nascer. Lentamente, porém, o carinho materno, a mão forte e amiga do pai nos transformam, trazem-nos confiança e segurança para superarmos os obstáculos que o medo coloca em nosso caminho.
Certamente, também os grandes heróis sentiram medo um dia. Herói não é aquele que não tem medo de coisa alguma, herói é aquele que supera o medo e parte para a luta. Jesus transmite essa força! Tomé não acreditou, mas os discípulos criaram coragem e foram anunciar que o Mestre estava vivo,
É isso que Jesus espera de seus discípulos. Coragem, sair e anunciar, essa é a receita. Não podemos ficar trancados. Ainda hoje os fariseus e chefes dos sacerdotes estão por ai, disfarçados em aliciadores de menores, distribuidores de drogas e pregadores da prostituição.
É preciso coragem e persistência para proclamar o nome de Jesus. Os riscos são enormes, a perseguição é constante, porém, o discípulo comprometido com o Mestre, sente a firmeza de sua mão e não desiste nunca.
Parece que tínhamos razão de chorar ao nascer, pois nosso mundo é maldoso e cheio de mentiras. No entanto, não podemos ficar chorando a vida toda sem agir. Milhares de “Tomés” desconhecem a verdade e duvidam que Jesus esteja realmente vivo. São frágeis vítimas dos predadores, são filhos de Deus que dependem da nossa ação para reencontrar o Pai.
Evangelizar, levar paz ao mundo, é a nossa missão. Se anunciarmos que Jesus não morreu, se mostrarmos para esses milhares de irmãos as chagas do Salvador, e se lhes dermos a oportunidade de reencontrar o Mestre e tocá-lo, certamente seus olhos irão brilhar e exclamarão: "Meu Senhor e meu Deus!"
Jesus disse: "A paz esteja com vocês!" essa saudação era muito comum entre os judeus. Deveria também ser mais usada entre nós, pois desejar a paz ao próximo é desejar o melhor. Nada supera a paz. Paz é a ausência de conflito e violência. Paz é sinônimo de serenidade e de amor. Jesus é a verdadeira Paz!
A paz deve ser procurada permanentemente. Em Belém, no nascimento de Jesus, os anjos anunciaram a paz de Deus para todas as pessoas. Antes de sua paixão, Jesus disse aos seus apóstolos: "Eu vos deixo a paz, Eu vos dou a minha paz". Agora, o Vencedor da morte confirma a sua promessa e anuncia a paz aos apóstolos e a todos nós.
A verdadeira paz está reservada para quem acreditar, para quem colocar em prática a sua fé e que transformar em gestos concretos a sua crença. Portanto, paz é o prêmio para quem vive o evangelho. Vamos construir a paz, transformar e inovar. Vamos mudar o mundo e a nós mesmos! Um mundo de paz é um mundo renovado... um coração de paz é um coração novo.
Jorge Lorente








           

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