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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 6 de abril de 2016

3º DOMINGO DA PÁSCOA-C

3º DOMINGO DA PÁSCOA
10 de Abril de 2016-Ano C

1ª Leitura - At 5,27b-32.40b-41

Salmo - Sl 29,

Salmo - AP 5,11-14

2ª Leitura (Apocalipse 5,11-14)

 

Evangelho - Jo 21,1-19


Prezadas irmãs, prezados irmãos. Hoje estamos diante da terceira aparição de Jesus ressuscitado aos apóstolos.  Continua

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“SENHOR, TU SABES TUDO; TU SABES QUE EU TE AMO.” – Olivia Coutinho.

3º DOMINGO DA PÁSCOA.

Dia 10 de Março de 2016

Evangelho de Jo21,1-19
Estamos vivendo o tempo Pascal, um tempo propício para um reencontro com as raízes da nossa fé e a partir deste encontro, fazermos um confronto pessoal de crescimento, uma análise do quanto há de luz e sombras em nossa vida avaliando a qualidade da nossa fé!
“O Mistério Pascal é de tal importância na vida litúrgica da Igreja e na vida e atividade apostólica de todos os redimidos pelo Sangue de Cristo, que a sua celebração se prolonga por cinquenta dias, número cheio de significado, pois exprime a plenitude da salvação definitivamente alcançada por Jesus Ressuscitado e por Ele oferecida aos homens”.
A ressurreição de Jesus, é um acontecimento marcante na vida do cristão, um acontecimento que não deve ser vivido somente nestes dias em que a igreja sabiamente nos oferece a oportunidade de mergulharmos no mistério do amor de Deus através da riqueza da liturgia deste tempo. Como cristãos verdadeiros, devemos viver a ressurreição de Jesus todos os dias de nossa vida!
A ressurreição de Jesus marcou o início da sua presença definitiva no meio de nós, o início de um novo tempo!
Todos nós, somos chamados a dar testemunho da ressurreição de Jesus, não, com provas históricas, e sim, com o nosso testemunho de vida! Quem vive a ressurreição de Jesus no seu dia a dia, irradia a sua Luz por onde passa!
O evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, nos coloca diante o mar de Tiberíades onde se deu a terceira aparição de Jesus, segundo o evangelista João.
A narrativa nos leva a crer, que mesmo depois de certificarem da  ressurreição de Jesus, de terem estado com Ele por duas vezes, de Jesus ter soprado sobre Eles o Espirito Santo, os discípulos, ainda não conseguiam dar passos na evangelização. Sem a presença física de Jesus, o grupo, parecia um pouco que perdido, sem  liderança, sem saber por onde começar a missão que a eles fora confiada! Talvez, um vacilo na fé, apagara o brilho da Luz De Cristo que brilhava neles, os fazendo retroceder, isto é: voltar a profissão de antes! Por um momento, seguindo a iniciativa de Pedro   (" Eu vou Pescar") os discípulos, abandonam o Barco de Jesus, ou seja,  abandonam a missão de pescadores de homens e voltam a profissão de antes: pescadores de peixes, opção  fracassada, pois eles não alcançaram êxito na pesca.
Da primeira parte deste evangelho cheio de simbolismo, podemos tirar várias lições, lições,  que poderão nos ajudar muito na nossa caminhada missionária!
O mar de Tiberíades significa o mundo, ou seja, o campo de trabalho onde o discípulo de Jesus deve atuar. O numero grande de peixes (153) significa o grande numero de pessoas a serem “pescadas”, ou seja, pessoas, a serem atraídas para o Reino de Deus! O insucesso da pesca vem nos alertar sobre o perigo da autossuficiência, de tomarmos atitudes sozinhos, sem buscarmos  o auxílio de Deus.  
A pesca abundante, fala-nos da importância da nossa obediência a Deus, os discípulos, só tiveram sucesso na pesca, quando foram obedientes a Jesus, fazendo o que  Ele disse: “Lançai a rede à direita da barca e achareis.”
A segunda parte do texto, nos mostra a compreensão de Jesus diante a fragilidade humana! Jesus foi compreensivo para com os discípulos que ainda encontravam muitas dificuldade em dar continuidade  a  missão que a eles fora confiada. Para ajuda-los, Jesus convoca   Pedro para a liderança do grupo, que com Ele à frente, ganharia força, dinamismo, pois Pedro, apesar ter falhado  algumas vezes, era o mais  forte, o mais  ousado, o mais corajoso. Para esta liderança, Jesus exige de Pedro um único requisito: amar, amar, amar!
Com esta convocação, além de garantir a continuidade do anuncio do Reino,  Jesus faz um passeio amoroso no coração de Pedro, um coração duramente castigado pelo remorso de tê-Lo negado por  três vês vezes no momento derradeiro a sua morte.
Entregando a Pedro a responsabilidade de conduzir o seu rebanho, Jesus dava-lhe a entender que Ele já o havia perdoado,  que Ele conhecia a grandiosidade do seu coração, razão pela qual, Ele o escolheu como o Pastor das ovelhas do Pai!
A partir do mar de Tiberíades, a igreja missionária, fundamentada no amor de Jesus, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, dá o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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O Cordeiro e o Rebanho
Aparecem, na liturgia de hoje, duas tônicas principais: o Cordeiro glorioso e Pedro, pastor e porta-voz do rebanho. A origem destes temas parece diferente, mas sendo a liturgia uma interpretação eclesial dos temas bíblicos, vale a pena interpretar um tema pelo outro. Aparece então que o Cordeiro do Ap (2ª leitura) deve ser visto como o Cordeiro que guia o rebanho (cf. 7,17; 14,4 etc.). Não é um cordeirinho, mas um carneiro. Solidário com o rebanho, o conduz à vitória. A este Cordeiro vencedor são dados os atributos de Deus (os mesmos que são dados ao “Filho do Homem” em Dn 7): honra, glória, poder e louvor.
Por que Jesus é chamado o Cordeiro? A literatura apocalíptica (Ez., Dn., os apócrifos, Ap.) gosta de indicar pessoas e potências por figuras de animais. Além disso, Jesus foi logo considerado vítima expiatória e vítima pascal, como mostram o evangelho e 1ª carta de Jo, oriundos do mesmo ambiente que o Ap. (cf. Jo 1,29.35 e a representação de Jesus morto na hora de imolar o cordeiro pascal – cf. festa do Sagrado Coração/B). Como vítima expiatória, Jesus vence os poderes do pecado, representados, no Ap, por feras (como os impérios deste mundo em Dn). Portanto, o Cordeiro é um vencedor, não pelas armas, mas pela solidariedade com o rebanho, assumindo a morte por ele.
O rebanho é o tema central do evangelho de hoje. Uma linha de interpretação importante, na tradição evangélica, vê a ressurreição de Cristo antes de tudo como a reconstituição do rebanho (disperso pelos acontecimentos da Páscoa em Jerusalém), na Galiléia, onde Cristo novamente o “precederá” (conduzirá como pastor), segundo Mc. 14,27-28; 16,7. A aparição pascal de Jesus na Galiléia, tanto em Mt. 28,16-20 como em Jo 21 é a encenação deste “preceder na Galiléia”. Certos exegetas pensam que a pesca milagrosa de Lc. 5,1-11 seria uma antecipação para dentro da vida de Jesus de uma experiência pós-pascal, mas pode ser também que um milagre da atividade galiléia de Jesus foi retomado em Jo 21 para encenar a “retomada” do rebanho depois da dispersão o “preceder” de Jesus, na Galiléia. A descrição tem nítidas reminiscências das refeições pós-pascais, narradas em Lc. 24 e Jo 20. A pesca parece que deveria servir para uma refeição de Jesus com os seus, mas, entretanto, ele mesmo já prepara a comida, que é tomada num espírito de eucaristia, e os discípulos podem acrescentar à refeição de Jesus os frutos de sua “pesca” … Simbolismo não falta.
Na segunda parte da narração – que, conforme o Lecionário, pode ser dispensada, mas em nossa interpretação é indispensável – encontramos, em situação pós-pascal, o episódio de Cesaréia de Filipe (cf. Mc. 8,27-29): a profissão de fé de Pedro. A narração em Jo 21,15-19 é influenciada pela história da Paixão de Cristo: às três negações de Pedro correspondem as três afirmações de sua amizade. O rebanho só pode ser confiado a quem ama Jesus com o maior amor possível. Isso, porém, não exclui que, ao lado do Pastor assim escolhido, exista o discípulo-amigo, o primeiro a reconhecer o Ressuscitado (21,6; cf. 20,8). Talvez ambas as figuras, Pedro e o discípulo-amigo, representem carismas ou até comunidades diferentes do cristianismo iniciante. Jo 21 parece descrever um pouco da história da primitiva Igreja, vista à luz da Páscoa.
De fato, na história da Igreja, Pedro aparece como líder e porta-voz. É ele que, diante do Sinédrio, em nome dos outros apóstolos, dirige ao sumo sacerdote a atrevida palavra, que parece ter sido um slogan dos primeiros cristãos: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At. 5,29; cf. 4,19), e pronuncia mais um testemunho da ressurreição de Cristo, que os chefes judeus mataram (1ª leitura).
Como o Cordeiro, por solidariedade e amor, deu sua vida em prol do rebanho, assim também o pastor que recebe seu encargo por seu amor não deixará de dar sua vida (At. 5,40-41; Jo 21,18-19).
Johan Konings "Liturgia dominical"





Penitência
O capítulo 21 do Evangelho de João foi acrescentado um pouco mais tarde, e um dos motivos dessa adição se deve ao fato da importância de Simão Pedro para os cristãos. Nesta passagem Jesus aparece no momento em que seus discípulos estão pescando, semelhante ao momento em que convida Pedro, André, Tiago e João para serem seus discípulos “pescadores de homens” (Lc. 5,1-11).
A pesca é usada por várias vezes nos textos bíblicos, como sinônimo de missão, nesta passagem em especial no lago de Genesaré também conhecido como mar de Tiberíades, as margens da cidade de Tiberíades, uma cidade pagã erguida em homenagem ao imperador Tibério, demonstra a importância da missão evangelizadora junto aos pagãos, missão que não tem sucesso durante a noite com a ausência de Jesus, e só ao amanhece com a luz do dia e a orientação de Jesus a pescaria tem sucesso. O resultado da pescaria são exatos 153 peixes, que é o número conhecido pelos gregos de espécies de peixes da época, o que simboliza uma pescaria completa. João descreve ainda nesta passagem o uso de apenas uma barca, símbolo de uma única Igreja: um só rebanho, um só Pastor. E a iniciativa de Pedro ao arrastar para a praia a rede repleta de peixes sem romper mostra a sua responsabilidade perante este seu compromisso com Jesus e com a Igreja. 
Quando Jesus é reconhecido através de Suas Palavras por João, seu discípulo amado, Pedro veste suas roupas e mergulha na água para ir a seu encontro. Qual o significado desta atitude uma vez que o mais certo seria tirar as roupas para entrar na água? Colocar as roupas simboliza o respeito e ao mesmo tempo prontidão para estar a serviço, e a atitude de mergulhar na água representa o mergulho na missão que o Senhor vai lhe confiar.
Ao chegarem as margens Jesus já havia preparado o braseiro com peixes e pão para que se alimentasse, mas ainda assim pede a eles alguns peixes fruto de seu trabalho, e assim firma o sentido da missão, a comunhão entre os dons de Deus e o fruto do esforço humano.
A partir deste ponto a atenção de Jesus se volta para Pedro, dando-lhe a oportunidade de confessar publicamente seu amor por Ele ao interpelar-lo por três vezes, contrastando com as três negações de Pedro no momento da crucificação de Cristo. A afirmativa de Pedro faz com que Jesus entregue a ele a missão de Pastor, conduzindo suas ovelhas, pois só quem tem por Jesus um amor incondicional está pronto para essa missão.
Este capítulo foi escrito após a morte de Pedro. Ele já havia estendido as mãos para morrer e elas já haviam sido amarradas, presas à cruz.
Pequeninos do Senhor

Cuida das minhas ovelhas
A morte de cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: "Tudo está consumado!", ele proclamou ter levado a termo a missão recebida do Pai.
Todavia, restava muito a ser feito. O Evangelho deveria ser anunciado a todos os povos, e a salvação chegar até os confins da Terra. A sementinha do Reino não podia ficar infrutífera. Era preciso fazê-la desabrochar para tornar-se uma árvore frondosa.
A missão, agora, seria tarefa dos discípulos. Com que condições? A primeira delas consistia em estar unido ao Senhor por um amor entranhado, numa proximidade tal que lhes permitisse assimilar a vida do Mestre. Esta centralidade de Jesus na vida do discípulo seria garantia de sua presença no decorrer da missão. A segunda consistia em estar consciente de ter sido encarregado de uma missão recebida do Senhor. O discípulo atuaria como servidor dessa missão, e não como dono do rebanho!
Ao ser três vezes interrogado, Pedro confessou seu amor a Jesus. Este, então, confiou-lhe o encargo de cuidar de suas ovelhas. O rebanho não é propriedade do discípulo, e a relação entre ambos deve ser permeada pelo amor do Senhor.
O ministério, portanto, teria três pólos: Jesus que confia a missão - o discípulo que a executa, por amor - e o rebanho a ser conduzido pelos caminhos do Senhor.
padre Jaldemir Vitório



Pedro, Tomé, Natanael, Tiago e João e dois outros
Jesus ressuscitado se encontra com sete de seus discípulos nas margens do mar de Tiberíades, na Galileia. O relato nos é feito pelo quarto Evangelho. Na lista dos sete discípulos aparecem em primeiro lugar Pedro, Tomé e Natanael. Quando os evangelistas apresentam os nomes dos apóstolos, costumam colocar em primeiro lugar Pedro, Tiago e João. Aqui aparecem Pedro, Tomé e Natanael.
Quando Jesus estava sendo interrogado na casa de Anás, sogro do sumo sacerdote Caifás, Pedro, que se encontrava do lado de fora, negou Jesus Cristo. Disse duas vezes que não era seu discípulo. Uma negação muito séria porque o importante é ser discípulo de Jesus. E Pedro disse que não era. O outro apóstolo, são Tomé, não acreditou que Jesus tivesse ressuscitado dos mortos. Ele só acreditaria se pudesse tocar nas chagas de Jesus. Natanael era um bom israelita, conhecia bem a Bíblia e esperava a chegada do Messias.
Quando Filipe lhe comunicou que tinha encontrado o Messias, e que era Jesus, filho de José, de Nazaré, Natanael reagiu com força e disse que de Nazaré não podia sair coisa boa. Esses três encabeçam a lista dos que se encontraram com Jesus ressuscitado na beira do lago e comeram o peixe e o pão que Jesus tinha preparado.
A cena continua com uma conversa particular de Jesus com Pedro, uma longa conversa. Estavam andando na praia e Jesus insistiu em saber de Pedro se este o amava, e até mais do que os outros. Com a resposta positiva, dada três vezes, Jesus o confirmou como Pastor de todo o rebanho, isto é, o condutor de todos os discípulos de Jesus no mundo inteiro. Pedro recebeu a função de apascentar os cordeiros e as ovelhas de Jesus porque o amava. Jesus deixou bem claro que na sua Igreja a condição para se ter alguma função é amar. Amar Jesus Cristo é a condição para se ter qualquer cargo na Igreja. Cargos que se obtêm de outra maneira não são legítimos.
A conversa de Jesus e Pedro continua, e Pedro parece incomodado com o discípulo, aquele cujo nome não conhecemos e que é chamado de discípulo amado. Então, Jesus vai dizer a Pedro, que negou ser seu discípulo, que o importante é ser discípulo e seguir Jesus. A última palavra de Jesus a Pedro é: "Segue-me", e isso basta.
O discípulo segue Jesus Cristo. Todos os discípulos seguem Jesus Cristo. Isto é o fundamental para todos. É isto que chamamos em teologia de sacerdócio comum dos fiéis. Todos somos igualmente participantes do único sacerdócio que é o de Cristo. Depois disso vem o sacerdócio ministerial, as funções, os cargos, os títulos, e tudo o que quisermos. O Novo Testamento evita a palavra "sacerdócio". Somente a carta aos Hebreus fala de Cristo como sumo sacerdote. O Novo Testamento prefere falar de seguimento, de discipulado.
Tiago e João são os filhos de Zebedeu. Eles também estavam lá. O evangelista não menciona o nome dos dois irmãos; prefere dizer que são filhos de Zebedeu, seu pai, talvez porque o quarto Evangelho seja fruto da comunidade iniciada pelo apóstolo e evangelista são João.
E há ainda dois outros, sem nome, para que você e eu possamos colocar o nosso nome entre os sete.
cônego Celso Pedro da Silva




Jesus se dá a conhecer pela fé
O capítulo 21 do evangelho segundo João é um acréscimo posterior. Estamos diante de mais um relato da aparição do Cristo Ressuscitado. Agora, às margens do mar de Tiberíades. Aparição, aqui, não deve nos induzir a erro, pois não é o órgão da visão que é exigido, mas a fé. Por isso, ao ouvir ou ler “aparição”, devemos compreender que “ele se dá a reconhecer”. Depois da morte e ressurreição do Senhor, a vida dos discípulos continua. É na lida do dia a dia que o Senhor se faz sentir (alguns dos discípulos saem para pescar – cf. v. 3) e oferece os sinais de sua presença. Simão Pedro, que ao longo de todo o quarto evangelho não é propriamente o homem da fé, porque depende do “discípulo que Jesus amava”, será quem alguns versículos adiante dirá: “É o Senhor!” (v. 7). O diálogo de Jesus com Simão Pedro (vv. 15-19) adquire, então, toda importância, pois se trata de fundar a missão de Pedro como “primeiro entre iguais” num mandato do Senhor: “Apascenta minhas ovelhas (cordeiros)” (vv. 15.16.17); “Segue-me” (v. 19). Porque essa missão lhe é confiada pelo Senhor, será necessário que Pedro o ame mais do que tudo. É nesse sentido que deve ser compreendida a pergunta de Jesus: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” (v. 15).
Carlos Alberto Contieri,sj




A liturgia, neste tempo pascal, concentra nossa atenção naquele que por nós morreu e ressuscitou; na glória que ele agora possui, como Senhor do céu e da terra: “O Cordeiro imolado é digno de receber o poder, a riqueza, a sabedoria e a força, a honra, a glória e o louvor. Ao que está sentado no trono e ao Cordeiro, o louvor e a honra, a glória e o poder para sempre!” Estejamos atentos, porém: afirmar a glória de Cristo, não é algo de folclórico ou triunfalístico, mas é uma proclamação convicta e clara do seu senhorio sobre nós, sobre nossa pobre vida, sobre a vida da Igreja, sobre o mundo e sobre toda a história. A Igreja e cada cristão vivem desta certeza: Jesus ressuscitou dos mortos, é o Vivente, é o Senhor; nós existimos nele e para ele; ele é o referencial último absoluto de nossa existência!
É este Jesus vitorioso, que vem ao encontro dos seus às margens do mar da Galiléia; é este Senhor nosso que os apóstolos experimentam no evangelho de hoje. Cada detalhe deste texto de João é cheio de significado. Vejamos: os apóstolos pescam e nada conseguem apanhar... A pescaria é imagem da ação missionária da Igreja. Sem Jesus, estamos sozinhos, sem Jesus a pescaria é estéril, as tentativas são vãs... Sem Jesus, pescamos na noite escura... Mas, pela manhã, Jesus vem ao encontro dos seus. Notemos que os discípulos não conseguem reconhecer o Senhor ressuscitado. Somente quando Cristo se dá a conhecer é que os seus conseguem compreender e experimentar sua presença viva e atuante. E Jesus dá-se a conhecer sempre na Palavra e no Pão partido, na refeição em comum, isto é, na celebração eucarística. É aqui, é agora, nesta Eucaristia sagrada, que o Senhor nos fala e parte o Pão conosco. Toda celebração eucarística é celebração pascal, é encontro com o ressuscitado! Como seria bom que, a cada domingo, revivêssemos esta experiência, esta certeza da presença do Senhor vivo entre nós!
Os discípulos ainda não haviam reconhecido Jesus. Este lhes ordenou: “Lançai a rede!” Eles lançaram-na e já “não conseguiam puxá-la para fora, por causa da quantidade de peixes”. Notem: o discípulo amado, diante do sinal, reconhece o Ressuscitado: “É o Senhor!” Mas, é Simão Pedro – sempre ele, o chefe do grupo, o chefe da comunidade dos discípulos, o que comanda a pescaria – faz-se ao mar, para encontrar Jesus. Jesus ordena que arrastem a rede para a terra. Notemos: o barco é um só, como uma só é a Igreja de Cristo; também a rede é uma só, como única é a obra da evangelização; e quem comanda a pescaria é Pedro, sob a ordem de Jesus! E a rede não se rompe, apesar de cheia de 150 peixes grandes. O número é exagerado, significando a plenitude da obra evangelizadora. E, então, Jesus repete, diante dos discípulos, os gestos da Eucaristia: “tomou o pão e distribuiu entre eles”.
Depois, três vezes, o Ressuscitado pergunta a Pedro – e pergunta aos sucessores de Pedro, os bispos de Roma, pergunta a João Paulo II: “Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes?” Pedro responde que sim, e abandona-se no Senhor: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo!” Senhor, antes coloquei minha confiança em minhas próprias forças, em meu próprio amor e terminei te traindo... Tu disseste que oravas por mim para que minha fé não desfalecesse, mas fui presunçoso, e contei mais com minhas forças que com tua oração... Mas, agora, te digo: “Tu sabes tudo; tu sabes que te amo”, apesar de minha fraqueza! É naquilo que tu sabes, que tu podes, que tu em mim realizas que te digo: te amo! - E três vezes, Jesus o incumbe, diante dos outros, de uma missão toda particular: “Apascenta as minhas ovelhas!” Que ninguém duvide – a menos que deseje fazer pouco da vontade do Senhor nosso – que Pedro é o primeiro pastor do rebanho de Cristo. O rebanho é de Cristo, o Bom Pastor, e Cristo o confiou a Pedro! Quem não está em comunhão com o sucessor de Pedro, certamente, age de modo contrário ao que Cristo desejou para a sua Igreja e para seus discípulos. Pouco adianta uma bíblia debaixo do braço, se contrariando a Palavra de Deus, se nega a presença real do Cristo na Eucaristia (cf. Jo 6,53-57), o papel materno de Maria Virgem junto a cada discípulo amado do Senhor (cf. Jo 19,25-27), a indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc. 10,1-12) , a sucessão apostólica e o papel de Pedro e seus sucessores na Igreja de Cristo (cf. Mt 16,13-20)! Estejamos atentos: não é a Pedro super-homem que o Senhor confia a sua Igreja; mas a Pedro frágil, a Pedro que o negou, a Pedro humilhado... a Pedro que pode servir até de pedra de tropeço (cf. Mt. 16,23). Pedro é a pedra da Igreja, mas a rocha inabalável é somente Cristo! E Cristo o convida a segui-lo até o martírio, até levantar as mãos na cruz...
Assim foi com Pedro, assim com os discípulos, assim, agora, conosco... Não tenhamos medo! É possível que muitas vezes nos sintamos sozinhos, desamparados, pescando numa pescaria estéril de noite escura... Coragem: o Senhor está conosco: é ele quem nos manda à pesca, é ele quem pode encher nossas redes e dá-lhes consistência para que não se rompam, é ele quem nos revela sua presença e nos enche de coragem! Recordemos dos nossos primórdios, da coragem dos santos apóstolos que se sentiam “contentes por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do nome de Jesus”. É que eles sabiam por experiência que o Senhor estava vivo, que o Senhor caminhava com eles. Também nós, hoje, podemos escutá-lo nas Escrituras e reconhecê-lo entre nós no pão partido da Eucaristia. É este Jesus que nos envia à pesca, é este Jesus que caminhará sempre com sua Igreja, nossa Mãe católica, até o fim dos tempos!
A ele a glória e o louvor, a adoração, a riqueza e a sabedoria, a força e a honra para sempre.
dom Henrique Soares da Costa




A liturgia deste 3º domingo do tempo pascal recorda-nos que a comunidade cristã tem por missão testemunhar e concretizar o projeto libertador que Jesus iniciou; e que Jesus, vivo e ressuscitado, acompanhará sempre a sua Igreja em missão, vivificando-a com a sua presença e orientando-a com a sua Palavra.
A primeira leitura apresenta-nos o testemunho que a comunidade de Jerusalém dá de Jesus ressuscitado. Embora o mundo se oponha ao projeto libertador de Jesus testemunhado pelos discípulos, o cristão deve antes obedecer a Deus do que aos homens.
A segunda leitura apresenta Jesus, o “cordeiro” imolado que venceu a morte e que trouxe aos homens a libertação definitiva; em contexto litúrgico, o autor põe a criação inteira a manifestar diante do “cordeiro” vitorioso a sua alegria e o seu louvor.
O Evangelho apresenta os discípulos em missão, continuando o projeto libertador de Jesus; mas avisa que a ação dos discípulos só será coroada de êxito se eles souberem reconhecer o Ressuscitado junto deles e se deixarem guiar pela sua Palavra.
1ª leitura: Atos 5,27b-32.40b-41 - AMBIENTE
Entre 2,1 e 8,3, o Livro dos Atos apresenta o testemunho da Igreja de Jerusalém acerca de Jesus. Os comentadores costumam chamar aos capítulos 3-5 a “secção do nome”, pois eles incidem no anúncio do “nome” de Jesus (cf. At. 3,6.16;4,7.10.12.30;5,28.41), isto é, do próprio Jesus (o “nome” era uma apelação com que os judeus designavam o próprio Deus; designar Jesus dessa forma equivalia a dizer que Ele era “o Senhor”). Esse anúncio, feito em condições de extrema dificuldade (por causa da oposição dos líderes judeus), é, sobretudo, obra dos apóstolos.
No texto que nos é proposto, apresenta-se o testemunho de Pedro e dos outros apóstolos acerca de Jesus. Presos e miraculosamente libertados (cf. Act 5,17-19), os apóstolos voltaram ao Templo para dar testemunho de Cristo ressuscitado (cf. Act 5,20-25). De novo presos, conduzidos à presença da suprema autoridade religiosa da nação (o Sinédrio) e formalmente proibidos de dar testemunho de Jesus, os apóstolos responderam apresentando um resumo do kerigma primitivo.
MENSAGEM
A questão principal gira à volta do confronto entre o cristianismo nascente e as autoridades judaicas. A frase de Pedro “deve obedecer-se antes a Deus do que aos homens” (v. 29) deve ser vista como o tema central; define a atitude que os cristãos são convidados a assumir diante da oposição do mundo.
Quanto ao resumo doutrinal dos vs. 30-32, ele não apresenta grandes novidades doutrinais em relação a outras formulações do kerigma primitivo acerca de Jesus (apresentado de forma mais desenvolvida em At. 2,17-36, 3,13-26 e 10,36-43): morte na cruz, ressurreição, exaltação à direita de Deus, a sua apresentação como salvador e o testemunho dos apóstolos por ação do Espírito. Neste contexto, apenas se acentua – mais do que noutras formulações – a responsabilidade do Sinédrio no escândalo da cruz e a contraposição entre a ação de Deus e a ação das autoridades judaicas em relação a Jesus.
De resto, a oposição humana põe em relevo a realidade sobre-humana da mensagem, a sua força que não pode ser detida e o dinamismo dessa comunidade animada pelo Espírito. Se Jesus encontrou oponentes e morreu na cruz, é natural que os apóstolos, fiéis a Jesus e ao seu projeto, se defrontem com a oposição desses mesmos que mataram Jesus. No entanto, os verdadeiros seguidores do projeto de Jesus – animados pelo Espírito – estão mais preocupados com a fidelidade ao “caminho” de Jesus do que às ordens ou interesses dos homens – mesmo que sejam os que mandam no mundo.
ATUALIZAÇÃO
Para refletir e atualizar a Palavra, considerar os seguintes dados:
• A proposta de Jesus é uma proposta libertadora, que não se compadece nem pactua com esquemas egoístas, injustos, opressores. É uma mensagem questionante, transformadora, revolucionária, que põe em causa tudo o que gera injustiça, morte, opressão; por isso, é uma proposta que é rejeitada e combatida por aqueles que dominam o mundo e que oprimem os débeis e os pobres. Isto explica bem porque é que o testemunho sobre Jesus (se é coerente e verdadeiro) não é um caminho fácil de glória, de aplausos, de honras, de popularidade, mas um caminho de cruz. Não temos, portanto, que nos admirar se a mensagem que propomos e o testemunho que damos não encontram eco entre os que dominam o mundo; temos é de nos questionar e de nos inquietar se não somos importunados por aqueles que oprimem e que escravizam os irmãos: isso quererá dizer que o nosso testemunho não é coerente com a proposta de Jesus.
• Qual a nossa atitude, em concreto, diante daqueles que “assassinam” a proposta de Jesus e que constroem um mundo de onde a lógica de Deus está ausente: é de medo, de fraqueza, de submissão, ou de denúncia firme, corajosa e desassombrada? Para nós, o que é mais importante: obedecer a Deus ou aos homens?
2ª leitura: Ap. 5,11-14 - AMBIENTE
A segunda parte do Livro do Apocalipse (cap. 4-22) apresenta-nos aquilo que poderíamos chamar “uma leitura profética da história”: o autor vai apresentar a história humana numa perspectiva de esperança, demonstrando aos cristãos perseguidos pelo império que não há nada a temer pois a vitória final será de Deus e dos que se mantiverem fiéis aos projetos de Deus.
O texto que nos é proposto faz parte da visão inicial, onde o “profeta” João nos apresenta as personagens centrais que vão intervir na história humana: Deus, transcendente e onipotente, sentado no seu trono, rodeado pelo Povo de Deus e por toda a criação (cf. Ap. 4,1-11); depois, o “livro” onde, simbolicamente, está o desígnio de Deus acerca da humanidade (cf. Ap. 5,1-4); finalmente, é-nos apresentado “o cordeiro” (Jesus), aquele que detém a totalidade do poder (“sete cornos”) e do conhecimento (“sete olhos”); só ele é digno de ler o livro (ou seja, de revelar, de proclamar, de concretizar para os homens o projeto divino de salvação).
MENSAGEM
A personagem fundamental deste pequeno extrato que nos é proposto como segunda leitura é “o cordeiro”. É um símbolo usado pelo autor do Livro do Apocalipse para falar de Jesus.
O símbolo do “cordeiro” é um símbolo com uma grande densidade teológica, que concentra e evoca três figuras: a do “servo de Jahwéh” – figura de imolação – que, qual manso cordeiro é levado ao matadouro (Is. 53,6-7; cf. Jr. 11,19; At. 8,26-38); a do “cordeiro pascal” – figura de libertação – cujo sangue foi sinal eficaz de vitória sobre a escravidão (Ex. 12,12-13.27;24,8; cf. Jo 1,29; 1Cor. 5,7; 1Pe. 1,18-19); e a do “cordeiro apocalíptico” – figura de poder real – vencedor da morte (esta imagem é característica da literatura apocalíptica, onde aparece um cordeiro vencedor, guia do rebanho, dotado de poder e de autoridade real – cf. 1º livro de Henoc, 89,41-46; 90,6-10.37; Testamento de José, 19,8; Testamento de Benjamim, 3,8; Targum de Jerusalém sobre Ex. 1,5). O autor do Apocalipse apresenta, portanto, de uma maneira original e sintética, a plenitude do mistério de imolação, de libertação e de vitória régia, que corresponde a Cristo morto, ressuscitado e glorificado.
O “cordeiro” (Cristo) é entronizado: ele assumiu a realeza e sentou-se no próprio trono de Deus. Aí, recebe todo o poder e glória divina. A entronização régia de Cristo, ponto culminante da aventura divino-humana de Jesus, desencadeia uma verdadeira torrente de louvores: dos viventes, dos anciãos (vs. 5-8) e dos anjos (vs. 11-12). E todas as criaturas (v. 13), a partir dos lugares mais esconsos da terra, juntam a sua voz ao louvor. O Templo onde ressoam estas incessantes aclamações alargou as suas fronteiras e tem, agora, as dimensões do mundo. É uma liturgia cósmica, na qual a criação inteira celebra o Cristo imolado, ressuscitado, vencedor e faz dele o centro do “cosmos”.
ATUALIZAÇÃO
• A mensagem final do Livro do Apocalipse pode resumir-se na frase: “não tenhais medo, pois a vossa libertação está a chegar”. É uma mensagem “eterna”, que revigora a nossa fé, que renova a nossa esperança e que fortalece a nossa capacidade de enfrentar a injustiça, o egoísmo, o sofrimento e o pecado. Diante deste “cordeiro” vencedor, que nos trouxe a libertação, os cristãos vêem renovada a sua confiança nesse Deus salvador e libertador em quem acreditam.
• Esta “liturgia” celebra Cristo, aquele que venceu a morte, que ressuscitou, que nos apresentou o plano libertador de Deus em nosso favor e que, hoje, continua a dar sentido aos nossos dramas e aos nossos sofrimentos, a iluminar a história humana com a luz de Deus. Ele é, de fato (como esta liturgia no-lo apresenta), o centro, a referência fundamental à volta do qual tudo se constrói? Temos consciência desta centralidade de Cristo na nossa experiência de fé? Manifestamos a nossa gratidão, unindo a nossa voz ao louvor da criação inteira?
Evangelho: Jo 21,1-19 - AMBIENTE
O último capítulo do Evangelho segundo João não faz parte da obra original (a obra original terminava com a conclusão de 20,30-31); é um texto acrescentado posteriormente, que apresenta diferenças de linguagem, de estilo e mesmo de teologia, em relação aos outros vinte capítulos. A sua origem não é clara; no entanto, a existência de alguns traços literários tipicamente joânicos poderia fazer-nos pensar num complemento redigido pelos discípulos do evangelista.
Neste capítulo, já não se referem notícias sobre a vida, a morte ou a ressurreição de Jesus. Os protagonistas são, agora, um grupo de discípulos, dedicados à atividade missionária. O autor descreve a relação que esta “comunidade em missão” tem com Jesus, reflete sobre o lugar de Jesus na atividade missionária da Igreja e assinala quais as condições para que a missão dê frutos.
MENSAGEM
O texto está claramente dividido em duas partes.
A primeira parte (vs. 1-14) é uma parábola sobre a missão da comunidade. Utiliza a linguagem simbólica e tem caráter de “signo”.
Começa por apresentar os discípulos: são sete. Representam a totalidade (“sete”) da Igreja, empenhada na missão e aberta a todas as nações e a todos os povos.
Esta comunidade é apresentada a pescar: sob a imagem da pesca, os evangelhos sinópticos representam a missão que Jesus confia aos discípulos (cf. Mc. 1,17; Mt. 4,19; Lc. 5,10): libertar todos os homens que vivem mergulhados no mar do sofrimento e da escravidão. Pedro preside à missão: é ele que toma a iniciativa; os outros seguem-no incondicionalmente. Aqui faz-se referência ao lugar proeminente que Pedro ocupava na animação da Igreja primitiva.
A pesca é feita durante a noite. A noite é o tempo das trevas, da escuridão: significa a ausência de Jesus (“enquanto é de dia, temos de trabalhar, realizando as obras daquele que Me enviou: aproxima-se a noite, quando ninguém pode trabalhar; enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo” – Jo 9,4-5). O resultado da ação dos discípulos (de noite, sem Jesus) é um fracasso rotundo (“sem Mim, nada podeis fazer” – Jo 15,5).
A chegada da manhã (da luz) coincide com a presença de Jesus (Ele é a luz do mundo). Jesus não está com eles no barco, mas sim em terra: Ele não acompanha os discípulos na pesca; a sua ação no mundo exerce-se por meio dos discípulos.
Concentrados no seu esforço inútil, os discípulos nem reconhecem Jesus quando Ele Se apresenta. O grupo está desorientado e decepcionado pelo fracasso, posto em evidência pela pergunta de Jesus (“tendes alguma coisa de comer?”). Mas Jesus dá-lhes indicações e as redes enchem-se de peixes: o fruto deve-se à docilidade com que os discípulos seguem as indicações de Jesus. Acentua-se que o êxito da missão não se deve ao esforço humano, mas sim à presença viva e à Palavra do Senhor ressuscitado.
O surpreendente resultado da pesca faz com que um discípulo o reconheça. Este discípulo – o discípulo amado – é aquele que está sempre próximo de Jesus, em sintonia com Jesus e que faz, de forma intensa, a experiência do amor de Jesus: só quem faz essa experiência é capaz de ler os sinais que identificam Jesus e perceber a sua presença por detrás da vida que brota da ação da comunidade em missão.
Os pães com que Jesus acolhe os discípulos em terra são um sinal do amor, do serviço, da solicitude de Jesus pela sua comunidade em missão no mundo: deve haver aqui uma alusão à Eucaristia, ao pão que Jesus oferece, à vida com que Ele continua a alimentar a comunidade em missão.
O número dos peixes apanhados na rede (153) é de difícil explicação. É um número triangular, que resulta da soma dos números um a dezessete. O número dezessete não é um número bíblico… Mas o dez e o sete são: ambos simbolizam a plenitude e a universalidade. Outra explicação é dada por são Jerônimo… Segundo ele, os naturalistas antigos distinguiam 153 espécies de peixes: assim, o número faria alusão à totalidade da humanidade, reunida na mesma Igreja. Em qualquer caso, significa totalidade e universalidade.
Na segunda parte do texto (vs. 15-19), Pedro confessa por três vezes o seu amor a Jesus (durante a paixão, o mesmo discípulo negou Jesus por três vezes, recusando dessa forma “embarcar” com o “mestre” na aventura do amor que se faz dom). Pedro – recordemo-lo – foi o discípulo que, na última ceia, recusou que Jesus lhe lavasse os pés porque, para ele, o Messias devia ser um rei poderoso, dominador, e não um rei de serviço e de dom da vida. Nessa altura, ao raciocinar em termos de superioridade e de autoridade, Pedro mostrou que ainda não percebera que a lei suprema da comunidade de Jesus é o amor total, o amor que se faz serviço e que vai até à entrega da vida. Jesus disse claramente a Pedro que quem tem uma mentalidade de domínio e de autoridade não tem lugar na comunidade cristã (cf. Jo 13,6-9).
A tríplice confissão de amor pedida a Pedro por Jesus corresponde, portanto, a um convite a que ele mude definitivamente a mentalidade. Pedro é convidado a perceber que, na comunidade de Jesus, o valor fundamental é o amor; não existe verdadeira adesão a Jesus, se não se estiver disposto a seguir esse caminho de amor e de entrega da vida que Jesus percorreu. Só assim Pedro poderá “seguir” Jesus (cf. Jo 21,19).
Ao mesmo tempo, Jesus confia a Pedro a missão de presidir à comunidade e de a animar; mas convida-o também a perceber onde é que reside, na comunidade cristã, a verdadeira fonte da autoridade: só quem ama muito e aceita a lógica do serviço e da doação da vida poderá presidir à comunidade de Jesus.
ATUALIZAÇÃO
• A mensagem fundamental que brota deste texto convida-nos a constatar a centralidade de Cristo, vivo e ressuscitado, na missão que nos foi confiada. Podemos esforçar-nos imenso e dedicar todas as horas do dia ao esforço de mudar o mundo; mas se Cristo não estiver presente, se não escutarmos a sua voz, se não ouvirmos as suas propostas, se não estivermos atentos à Palavra que Ele continuamente nos dirige, os nossos esforços não farão qualquer sentido e não terão qualquer êxito duradouro. É preciso ter a consciência nítida de que o êxito da missão cristã não depende do esforço humano, mas da presença viva do Senhor Jesus.
• É preciso ter, também, a consciência da solicitude e do amor do Senhor que, continuamente, acompanha os nossos esforços, os anima, os orienta e que conosco reparte o pão da vida. Quando o cansaço, o sofrimento, o desânimo tomarem posse de nós, Ele lá estará, dando-nos o alimento que nos fortalece. É necessário ter consciência da sua constante presença, amorosa e vivificadora ao nosso lado e celebrá-la na Eucaristia.
• A figura do “discípulo amado”, que reconhece o Senhor nos sinais de vitalidade que brotam da missão comunitária, convida-nos a ser sensíveis aos sinais de esperança e de vida nova que acontecem à nossa volta e a ler neles a presença salvadora e vivificadora do Ressuscitado. Ele está presente, vivo e ressuscitado, em qualquer lado onde houver amor, partilha, doação que geram vida nova.
• O diálogo final de Jesus com Pedro chama a atenção para uma dimensão essencial do discipulado: “seguir” o “mestre” é amá-l’O muito e, portanto, ser capaz de, como Ele, percorrer o caminho do amor total e da doação da vida.
• Na comunidade cristã, o essencial não é a exibição da autoridade, mas o amor que se faz serviço, ao jeito de Jesus. As vestes de púrpura, os tronos, os privilégios, as dignidades, os sinais de poder favorecem e tornam mais visível o essencial (o amor que se faz serviço), ou afastam e assustam os pobres e os débeis?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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