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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 14 de abril de 2016

4º DOMINGO DA PÁSCOA-C

4º DOMINGO DA PÁSCOA

1ª Leitura - At 13,14.43-52

Salmo - Sl 99,

2ª Leitura - Ap 7,9.14b-17




Evangelho - Jo 10,27-30



No Antigo Testamento, os judeus eram comparados a um rebanho de ovelhas, e Deus o Pastor. Ao usar essa linguagem, Jesus indiretamente está se apresentando como o Messias. E isso causa uma revolta nos líderes judaicos, pois não conseguiam acreditar plenamente que Ele fosse o Enviado do Pai.  Leia mais

 “AS MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ.” - Olívia Coutinho

 4º DOMINGO DA PÁSCOA.

 Dia 17 de Abril de 2016

Evangelho de Jo10,27-30

Quando ouvimos falar da figura do Bom Pastor, nos vem logo na mente, a imagem de um  protetor, de alguém que cuida de nós, que nos carrega no colo enquanto atravessamos os desertos de nossa vida!
Quantas coisas bonitas  nos falam ao coração, aquela  tão conhecida imagem de um  Pastor carregando cuidadosamente uma ovelha sobre os ombros, certamente, uma ovelha frágil necessitada de maiores cuidados! Quantos de nós, já  nos sentimos como àquela ovelha, tão frágil, tão carente, tão dependente do Pastor!
No  evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir, Jesus se apresenta  como o Bom Pastor, aquele  que cuida de nós, que cura nossas feridas, que nos carrega nos ombros quando não conseguimos dar passos.
A todo instante, Jesus nos convida a fazer  parte do seu rebanho e o que é decisivo para este ingresso ao coração do Bom Pastor é  o nosso propósito de conversão!  A conversão  nos abre  a escuta e ao entendimento da  palavra  do Bom Pastor e  a nos  inteirarmos  da sua proposta!
O texto que nos é apresentado,  nos desperta sobre  a importância da “escuta”,  de uma  escuta atenta, que não corresponda apenas na nossa audição física, mas que nos leve a interiorizar o que escutamos  e assim podermos viver de acordo com os ensinamentos Jesus!
Jesus quer nos colocar no coração do Pai! Ele é  o caminho que nos faz chegar a este oásis repousante, caminho que começamos a trilhar a partir da  escuta da voz suave e paciente  do Bom Pastor que chamando-nos pelo nome, vai nos conduzindo passo a passo ao encontro da  felicidade plena!
 O Pai, no seu infinito amor, nos entregou aos cuidados do Filho que nos acolheu com o mesmo amor do Pai e nos colocou acima de sua própria vida! Como resposta a este amor sem limites, nós também, devemos  nos acolher  mutuamente cuidando  uns dos outros!    
 A figura do Bom Pastor, é uma das mais belas imagens que Jesus usava em suas pregações, para nos  mostrar a extensão do coração amoroso do Pai, do Pai, que no seu amor sem medida, permitiu que Ele, pagasse com a vida o preço da nossa liberdade.
Jesus é um Pastor zeloso que nunca nos perde de vista! O seu amor por cada uma de suas ovelhas é um amor “ciumento” um amor tão grande que O levou a cruz!
 ”Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão”. Eis aí, a grande comunicação de amor!
Jesus é o único Pastor que nos conduz para as "pastagens verdadeiras" onde encontramos vida em plenitude!  As ovelhas fieis, pertencente ao seu rebanho, conhecem a sua  voz, não se deixam levar pelas propostas enganosas de outros pastores!
Quando Jesus diz que o Bom Pastor, dá a vida pelas suas ovelhas, Ele fala da entrega da sua vida, com essa entrega,  Ele se tornou a prenda do nosso resgate! Foi graças a entrega de sua vida, que todos  nós fomos resgatados, tragos  de volta à vida!
Mesmo diante a tão grande prova de amor, muitos de nós, ao invés de comportarmos como ovelhas dóceis obedientes, esquivamos do Pastor, tornando-nos ovelhas rebeldes, desatentas, é a nossa ingratidão ao Bom Pastor, que tem como maior desejo, nos defender dos “lobos” vorazes que estão por aí, a nos espreitar!
Quem coloca em prática os ensinamentos de Jesus, quem  se torna íntimo Dele, não tem dificuldades em reconhecer a voz do Bom Pastor em meio as vozes dos falsos pastores!
Como ovelhas pertencentes ao rebanho do Senhor, devemos testemunhar a nossa adesão ao projeto de Deus sem nos intimidar diante os falsos pastores, aqueles que tentam sobrepor a voz do Pastor verdadeiro! 
O evangelho ressalta a intimidade de Jesus com o Pai, a  sua fidelidade ao seu projeto! Suas palavras  falam  fundo ao nosso coração, ao nos assegurar: “ “Meu Pai que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.”
Do que temer, se Jesus nos dá esta segurança?
A certeza, de que nunca seremos arrancados das mãos do  Bom Pastor, nos motiva a celebrar a vida, a viver a nossa humanidade de forma divina testemunhando  a nossa fé.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A primeira leitura nos apresenta hoje Paulo e Barnabé em todo o seu apogeu evangelizador. Nela se pode comprovar o processo que vai percorrendo a expansão do Evangelho. Por uma parte, o espaço físico da proclamação da Boa Nova é a sinagoga judaica; o meio é a escritura antiga; a partir desses espaços as promessas são proclamadas e confirmadas com o anúncio da morte e ressurreição de Jesus. Isto quer dizer que os destinatários originais são os israelitas; assim o formula Paulo e o corroboram os demais apóstolos. Há, certamente, acolhida da nova mensagem por parte de muitos, porém também há rejeição até violenta à pregação de Paulo e, antes dele, à pregação de Pedro e dos demais. A rejeição oficial não fica somente em não aceitar a mensagem, mas inclui também a expulsão da sinagoga e as ameaças a quem, sendo judeu, se havia convertido ao novo caminho e pretende participar, por qualquer circunstancia, a sinagoga. Tudo isto serve para oferecer-nos uma idéia das dificuldades que o anúncio do Evangelho teve de enfrentar em suas origens, e a forma como Paulo, chamado com tanta razão “o apóstolo dos gentios”, vai abrindo caminho para que o evangelho de Jesus seja anunciado e conhecido por todo o mundo, sem importar fronteiras, raças ou classes sociais.
Este é outro dos efeitos da ressurreição de Jesus: o conhecimento, por parte de todos os seres humanos, da Boa Notícia do amor de Deus, que em Jesus resgatou toda a humanidade e colocou sob o amparo e a orientação de um só Pai de todos, o Pai de Jesus.
Em consonância com isto, a visão apocalíptica que João descreve na segunda leitura não se limita a um simples sonho nacionalista judeu. A intenção é fazer conhecer a nova idéia de Deus que Jesus revela no Novo Testamento: seu Pai é o Deus Pai de todos os homens e mulheres, sem exceção alguma. Todos são recebidos na nova realidade instaurada pelo Cordeiro, já que nele foram superadas todas as fronteiras construídas pelos humanos para viver separados e divididos. Já não haverá divisão nem rejeição, porque em Jesus Cristo todos fomos recebidos como irmãos. O Cordeiro imolado será o pastor que conduzirá todos os eleitos para as fontes de água viva – vindos de todas as nações – porque assimilaram o projeto do Pai; e aí será onde Deus enxugará suas lágrimas (Ap. 7,17).
Cristo assume as duas funções: a de vítima que se imola e a de Pastor. De forma congruente, o evangelho nos propõe o relato de João no qual Jesus se apresenta como o pastor que cuida de suas ovelhas. Ele anunciou sua missão como o pastor que não somente cuida das ovelhas de seu aprisco, mas também as de outros redis, os não-judaicos (cf Jo 10,16). Jesus é o Pastor universal, que chama inclusive os que não pertencem ao judaísmo para que venham a formar parte do rebanho escatológico, o dos que assumem como ele a esperança do reino de Deus.
A figura mais terna que Jesus adota como pastor é a do que busca a ovelha desgarrada, a perdida, e quando a encontra se alegra, recolhe-a e a leva de volta ao aprisco (cf. Lc. 15,2-7). Essa sua alegria faz com que homens e mulheres de boa vontade acolham e assumam o seu projeto de vida eterna. Jesus se identifica de forma diametral dos pastores mercenários que ao verem o perigo, simplesmente fogem, abandonando o redil e deixando as ovelhas a mercê de sua própria sorte.
O evangelho reforça também esse efeito tão importante da ressurreição de Jesus que é a paternidade universal de Deus. Os que estavam com Jesus e que o haviam visto agir, são os primeiros chamados a pertencer ao reino que ele proclama e, ao mesmo tempo, estão no dever moral de anunciá-lo aos outros. Esses são os que, diz Jesus, “o pai me deu”; os que entenderam sua proposta e o seguem. Em tal seguimento, não há equívoco nem extravio, porque justamente a palavra de Jesus – que é a palavra do Pai – é o caminho seguro por onde o homem pode alcançar sua máxima plenitude.
Cristo faz um chamado a todos, como supremo Pastor, para que compreendam que ele propõe é essência, uma realidade de unidade e de irmandade que não é possível destruir, já que como a for;a do Espírito podemos todos os batizados transparecer Jesus ressuscitado e ser no mundo instrumento de paz e de unidade. Haverá assim, finalmente, “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16).
A homilia deste domingo pode ser orientada por algumas dessas opções:
a) Os pastores da Igreja. Nela sempre houve um papel de direção e ou de organização; todos os que exercem algum “ministério” (serviço) são, de alguma forma, “pastores” dos demais. Essa atividade “pastoral”, logicamente, deve tomar como exemplo as características do “bom pastor” Jesus: que não se serve das ovelhas, mas que dá a vida por elas. Basta salientar todas essas características. Este tema pode prolongar-se – se for oportuno – no tema dos ministérios da Igreja: seu estado atual, a possibilidade de mudança, a necessidade de encontrar novas formas, a crise de algumas formas atuais, etc.
b) As vocações ao ministério pastoral. Em muitos países celebra-se a “Jornada mundial de oração pelas vocações”, o que é muito bom, contanto que não se dê a impressão de que as vocações são somente as sacerdotais e à vida religiosa, e se esclareça que “todos temos vocação” e que “todas as vocações são importantes”, também a laical (e muito), e que “para cada um, a melhor vocação é a sua”. Além disso, a pastoral não deve ser identificada como atividade sacerdotal apenas: todos somos chamados a ser “pastores” de outros.
c) Jesus, “o” bom pastor e o pastor universal. De fato, no evangelho de João o tema não é a bondade do pastor Jesus, mas sua veracidade diante de outros “pastores” ou mediadores divinos, que seriam falsos... Algo assim como a “unicidade” de Jesus como salvador. Jesus é o “único pastor de nossas almas”? Não há outro nome no qual possamos ser salvos? (At 4,12). É o tema do pluralismo religioso, e a releitura do cristianismo todo que essa nova visão teológica exige. Não é um tema para qualquer auditório, mas um tema que deveria estar presente na mente de todo o que fala ao povo sobre o bom Pastor Jesus, ainda que não toque no tema explicitamente. A simplicidade e a singeleza não significa dizer muitas coisas que incertas, que já não devemos mais abordar. Quando possível é bom abrir a visão de nossos irmãos e irmãs a respeito da presença e ação salvadora de Deus, para mais além da interpretação estreita de “um só rebanho e um só pastor”.




O Bom Pastor
A experiência pascal fez com que as comunidades cristãs sentissem Jesus Ressuscitado como Cordeiro, Senhor, Rei, Pedra angular, Filho do Homem, Luz, Servo, Porta, entre outros. Hoje, Ele vem ao nosso encontro e é acolhido pela comunidade reunida sob o título de Bom Pastor, uma denominação muito apreciada pelas comunidades cristãs de todos os tempos.
O quarto domingo da Páscoa é conhecido como o "domingo do Bom Pastor". A liturgia, memorial da Morte e da Ressurreição do Senhor, o apresenta como o "verdadeiro pastor" que doou a vida pelo rebanho. Os acontecimentos de Jerusalém desorientaram e dispersaram os discípulos, que ficaram como ovelhas sem pastor. A ressurreição e a percepção de que Jesus está vivo reúne e congrega os dispersos, formando comunidades. É o pastor que reúne suas ovelhas num único rebanho.
A imagem do Bom Pastor que o evangelista Lucas transmite à comunidade é a do Mestre carregando com ternura em seus ombros uma ovelhinha ferida. Sim! Jesus é o Bom Pastor que busca a ovelha que se desgarrou (Lc. 15,4-8). Por sua vez, o Evangelho de João, inspirando-se na figura de Davi pastor (1Sm. 17,34 ss.), apresenta o Bom Pastor como um personagem enérgico, forte e decidido que luta contra tudo o que possa prejudicar o rebanho. Associado a essa imagem, Jesus é o Bom Pastor por não temer o conflito, a ponto de entregar a própria vida pelo rebanho... "Eu dou a vida pelas ovelhas" (Jo. 10,15b).
Entre o pastor e as ovelhas, há uma íntima sintonia de vida. "Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem". A proximidade caracteriza a convivência entre pastor e rebanho. Percorrem os mesmos caminhos, enfrentam os mesmos perigos e partilham da mesma vida. O pastor é solidário com seu rebanho até as últimas conseqüências. O amor do Bom Pastor é gratuito e incondicional. "O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas" (Jo. 10,11).
O critério e a exigência para alguém se tornar membro do rebanho de Jesus, o Bom Pastor, consistem em "escutar sua voz" e acolher seu chamado. Hoje, a palavra do Bom Pastor ecoa em meio à multiplicidade de apelos e de mensagens enganosas dos "pseudo-pastores" que prometem vida, conforto, prosperidade econômica, felicidade fácil aos que os seguirem. É preciso apurar os ouvidos para identificar a voz do Bom Pastor. Escutar sua voz e seguir seus passos requer afinidade, íntima comunhão. "Eu as conheço!"
Na linguagem típica do Evangelista João, o "escutar" se entrelaça com o "ver". Vendo, as pessoas tomam maior consciência da presença do Cristo Ressuscitado. Todavia, é por meio da escuta da palavra que percebem o sentido da presença e dos acontecimentos que envolvem a pessoa de Jesus. Assim, tanto o ver quanto o escutar são igualmente reveladores e, por essas duas atitudes, aprofunda-se o dom da fé. Jesus não se limita a proclamar a palavra do Pai. Sua pessoa e seu agir revelam o Pai. "O Pai e eu somos um". Portanto, quem escuta a Palavra e vê Jesus escuta e vê o Pai. Palavras, obras e gestos revelam a íntima unidade que existe entre Jesus e o Pai.
frei Faustino Paludo, OFMCap




Para a vida eterna
TRINTA MINUTOS de caminhada por dia para conservar a forma, protetor solar para pele, estímulos para os neurônios... As pesquisas científicas nos mostram à evidência que Deus colocou em nós profunda aspiração para gozar a vida como se ela fosse eterna. E nossas pesquisas espirituais correspondem a esta ambição?
Em um dia de sábado na sinagoga de Antioquia da Pisídia, Paulo e Barnabé concluem que seus interlocutores não se julgam dignos da vida eterna. Entretanto Deus, fonte de toda vida, não para de comunicar o seu dom à humanidade. A Boa Nova se difunde. É o que deixa perceber a narrativa do livro do Apocalipse na visão de uma "imensa multidão". Os chamados para a vida eterna provêm de todas as nações, são de todas as cores, falam todas as línguas. É imensa a esperança!
Mas, a vida eterna é agora. Cada um de nós a implanta onde vive, onde ele ama, lá onde ele escolheu, lá onde sofre. Qual o segredo? - Investir como se tudo dependesse de si mesmo. E, ao mesmo tempo, tudo esperar de Deus, uma vez que tudo provém dele. Qual a condição? Colocar-se unido, em volta do Cristo, o único que faz um com o Pai e pode no-lo revelar. Ele é o Filho e o Pastor, a Porta e o Caminho, a Verdade e a Vida. Qual o preço? Seguir o Cristo e anunciar sua promessa. Fazer-se pobre e acolher Deus que se convida para fazer parte de nossa vida...para que ela se torne eterna.
Neste dia de orações pelas vocações, lembremo-nos do jovem rico (Mt. 10,17-22). Mesmo que ele não tenha sido capaz de se decidir e voltou triste, ele soube dirigir sua busca da vida eterna ao "bom mestre". Nisto ele tinha visto com clareza o profundo problema em que está envolvida a vida do homem.
Três escutas importantes
Este quarto domingo da Páscoa pede uma atenção especial diante de três escutas que devemos fazer.
1) Escutando Paulo e Barnabé. Eles falam com segurança. Não com autossuficiência, mas com uma convicção recebida do Espírito Santo.
2) Escutando João, o Vidente. "Deus enxugará as lágrimas de seus olhos". Verdadeiramente?  Para Deus nada é impossível. Mas, ele conta também conosco para, na nossa fraqueza,  amenizar os sofrimentos de seus filhos.
3) Escutando Jesus Cristo. "Eu sou o Bom Pastor". Que esta palavra more em cada um de nós.  Que ela nos fortifique em nossas turbulências e em nossas dúvidas do tempo presente.
tradução "Prions en Église”




O Senhor é o meu pastor
Nascida no meio de um povo de pastores, nada mais natural que a Bíblia aplique a Deus e aos dirigentes do povo o título de "pastor". A Deus, sobretudo, esse título é aplicado com uma elaboração muito rica no clássico salmo 22: "O Senhor é meu pastor". Com o carinho de um solícito pastor de ovelhas, Deus cuida de seu povo. Seus cuidados são bem simbolizados no cuidado do pastor, que guia suas ovelhas, leva-as para fontes de águas tranqüilas e para pastagens verdes. Seu cajado lhe dá confiança. Embora caminhem por vales sombrios, não sentem medo: estão protegidas contra as feras e contra os assaltantes. Todas essas imagens são depois transferidas para Jesus. Ele próprio se declara "o bom Pastor que dá a vida pelas suas ovelhas". E fala da Igreja como de um grande rebanho, que é preciso manter unido. E fala de seu zelo em reconduzir ao redil a ovelha desgarrada.
Á luz da Páscoa, reaparecem essas imagens neste quarto domingo, que é chamado o "domingo do Bom Pastor", e é consagrado pela Igreja como o "dia mundial de oração pelas vocações". No desejo - é óbvio - de que surjam no povo de Deus muitas vocações sacerdotais e religiosas, e que em todas elas se torne presente a imagem multiplicada do Bom Pastor.
Não faltam pessoas, principalmente entre os jovens, que não acolhem com muita simpatia a imagem do pastor e do rebanho. Ficam com a idéia de que se está inculcando na comunidade cristã uma atitude de passividade e de inconsciência como a dos carneiros de um rebanho. Nada mais falso! Os discípulos de Cristo são iluminados pela luz da verdade. E a verdade liberta. Sua obediência é uma obediência lúcida.
De quem sabe que está sendo guiado por um chefe sábio e rico de bondade. 0 que se quer indicar é a dedicação total do pastor, e a segurança tranqüila das ovelhas por ele guiadas. "Minhas ovelhas ouvem a minha voz - diz Jesus; e eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna: elas não perecerão Jamais, e ninguém as arrancará de minha mão" (Jo. 10,27-28).
Essa reciprocidade de dedicação e confiança, que caracteriza o relacionamento de Jesus com seus discípulos e o exemplo que cada pastor da Igreja deve ter diante dos olhos. Uma dedicação total, que leva a dar a vida pelo rebanho; senão na grandiosidade trágica da crucifixão no Calvário, ao menos nos sacrifícios pequeninos de cada dia, onde todos os valores do espírito e todas as energias do corpo se vão gastando para o bem dos fiéis. E assim nascerá neles a confiança, por descobrirem que seus pastores não desejam outra coisa senão seu bem no tempo e na eternidade.
Um dia o rebanho estará transportado para a vida eterna que Cristo já Ihes dá em germe aqui na terra e que um dia será consumada no céu. O Vidente do Apocalipse contemplou essa "imensa multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, raças, povos e línguas, de pé diante do Trono e diante do Cordeiro, vestidos com vestes brancas e com palmas nas mãos". E um ancião dos que rodeiam o trono de Deus lhe explicou que "esses são os que vêm da grande tribulação: eles lavaram as suas vestes e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro... Nunca mais sofrerão fome nem sede; jamais serão acabrunhados pelo sol nem pelo vento ardente. Pois o Cordeiro que está no meio do Trono será o seu Pastor, e os conduzirá às fontes de água viva. E Deus enxugará as lágrimas de seus olhos" (Ap. 7,9-14.16-17). É o eco da terra no céu. E de novo a figura do Pastor- que é o divino Cordeiro - na mesma atitude de guiar o rebanho na segurança e na paz. Primores dos mistérios de Deus!
Vale a pena sublinhar que, nessa visão do céu, os bem- aventurados estão na atitude de prestar adoração e louvor diante do Trono de Deus e do Cordeiro. Honras iguais. "Glória ao Pai e ao Filho", como dizemos tantas vezes em nossa oração. Como disse Jesus no final do trecho evangélico que estamos lendo na liturgia de hoje: "Eu e o Pai somos um" (Jo. 10, 30).
padre Lucas de Paula Almeida, CM




O Bom Pastor
O 4º domingo de Páscoa é conhecido como o "domingo do Bom Pastor" porque todos os anos a liturgia propõe uma passagem do capítulo 10º de são João, na qual Jesus é apresentado como "Bom Pastor".
Pastor é aquele que vai à frente do rebanho para indicar o caminho, que conduz às pastagens e às nascentes de água.
No Antigo Testamento essa imagem era muito familiar ao povo judeu. Muitos líderes foram pastores: Jacó, Moisés, Davi...
Freqüentemente Israel é comparado a um rebanho, do qual Deus é o Pastor.
Ezequiel afirma que o próprio Deus assumirá a condução do seu povo. Ele porá à sua frente um Bom Pastor, que o livrará da escravidão e o conduzirá à vida. Essa promessa se cumpre em Jesus.
A 1ª leitura narra a 1ª viagem apostólica de Pedro e Barnabé (At. 13,14.43-52)
Diante da proposta cristã, surgem duas reações bem diversas:
- os judeus pensam ter o monopólio de Deus e da verdade: são ovelhas fechadas, que ficam indiferentes às propostas cristãs;
- os pagãos respondem com alegria e entusiasmo: são ovelhas atentas à voz do Pastor e dispostas a segui-lo.
Representam os "praticantes" acomodados, que tem medo da novidade de Deus, e os "afastados" na caminhada da fé, mas abertos à novidade de Deus...
Na 2ª leitura, Cristo, o Cordeiro pascal, vencedor da morte, é o Pastor que conduz o seu povo às fontes de água viva."  (Ap. 7,9.14b-17)
No Evangelho, Cristo se apresenta como o "Bom Pastor" (Jo 10,27-30).
O texto é uma catequese sobre a missão de Jesus: consiste em conduzir os homens às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota a vida em plenitude.
Na parábola, vemos duas atitudes:
1. A atitude do Pastor (Cristo):
- "Dá a vida pelas ovelhas..."
- conhece: "Eu conheço as minhas ovelhas..."
- cuida delas: "Jamais se perderão, ninguém vai arrancá-las de minhas mãos"
Muitos ficam perturbados diante das falhas de representantes da Igreja... das crises e confusões, que percebem nas comunidades. A Igreja não está confiada apenas nas mãos de pastores humanos... Estes são apenas instrumentos, necessários e imperfeitos, do único pastor que guia a Igreja e que nos garante: "Eu mesmo dou a vida para elas, e ninguém vai arrancá-las de minhas mãos..."
Quem são os "verdadeiros Pastores"?
Hoje muitos se apresentam como pastores, prometendo vida, conforto, felicidade...
Em quem devemos confiar? Quem são os "verdadeiros pastores"?
Cristo: é o único Pastor dos cristãos, da Igreja, na qual os demais pastores são apenas instrumentos.
Pessoas que presidem e animam nossas comunidades cristãs: bispos, padres, ministros... apesar dos seus limites e imperfeições; mas o único Pastor, que devemos a escutar e a seguir sem condições, é Cristo.
Pessoas que ensinam a mensagem de Cristo:
. os pais, os mestres, os catequistas...
. os companheiros de trabalho que se comportam com honestidade;
. a mãe, que marcada pela dor, tudo suporta com paciência e com amor;
. o Pai que educa o filho para o perdão, para a reconciliação, para a partilha...
Características do Bom Pastor: o Bom Pastor... abre caminho... conhece suas ovelhas...  é providente... vigia as ovelhas e as cura... deseja salvar todo o rebanho; é missionário... é coração. O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas...
2. As atitudes das ovelhas:
- elas escutam: supõe a alegre adesão ao conteúdo do que se escuta, a obediência à pessoa que fala, a escolha de vida daquele que se dirige a nós...
- elas conhecem: envolve toda a pessoa humana (mente, coração, vontade), deixando-se transformar pela sua voz no caminho da vida;
- elas seguem: Cristo torna-se o único guia de sua vida...
Quem são as ovelhas desse rebanho?
- Só os que foram batizados e estão associados a uma paróquia? Só os que freqüentam regularmente a igreja?
- São todas as pessoas que escutam a sua voz e o seguem...
Pode ser discípulo do bom Pastor também aquele que, embora não conheça Cristo, se sacrifica pelo pobre, pratica a justiça, a fraternidade, a partilha dos bens, a hospitalidade, a fidelidade, a sinceridade, a recusa à violência, o perdão aos inimigos, o compromisso com a paz.
Celebramos hoje o Dia mundial de oração pelas vocações. Na mensagem para hoje, o papa convida a todos para refletir sobre o tema "As vocações, sinal da esperança fundada na fé”, no contexto do Ano da fé e no cinqüentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II.
padre Antônio Geraldo Dalla Costa




Jesus ama suas ovelhas
Quando Jesus diz que ele conhece suas ovelhas, segundo o papa são Gregório Magno, isto quer dizer: “Eu as amo” (Jo 10,27-30).  De fato, no Evangelho de São João conhecer e amar são a mesma coisa. Maravilhosas e ternas as palavras deste Bom Pastor: “Eu dou-lhes a vida eterna e jamais perecerão e ninguém as arrancará de minhas mãos”. Cada ovelha lhe é  preciosa, pois lhe é um presente do Pai.
Cristo então dá a cada uma segurança e total confiança. O Pai e eu somos um, afirmou Jesus. Eles são um no Espírito de Amor.  Em outra oportunidade Cristo afirma: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). Disto deve resultar uma certeza inabalável em seu amor, em sua ternura e em sua misericórdia. Entretanto, nunca se deve esquecer que o caminho do Bom Pastor  se encontra na sua Igreja na qual no dia do Batismo cada um foi acolhido. É nela que as ovelhas se reúnem para escutar Sua Palavra  para depois sair e atrair as que se acham longe do divino Redentor. O carisma das ovelhas deve se difundir por toda parte. É por meio de seus seguidores que o Bom Pastor se faz presente no mundo.
Quando Ele disse que ninguém arranca Sua ovelha de suas mãos é porque há os que  tentam arrebatá-la dele. Jesus com isto deixa a todos de prontidão, ou seja, cumpre estar atento para não O abandonar, mesmo porque Ele respeita sempre a liberdade de cada um. Ele luta sempre a favor das ovelhas que lhe são fiéis, mas não força nenhuma a estar no seu redil. Quem lhe é fiel tem a garantia absoluta de que Jesus está vivo e não se aparta dos que ouvem a sua voz.
Deve, em consequência,  existir uma espécie de convivência entre a ovelha e o Pastor. A voz deste Pastor é um clamor que se impõe. Quem, porém, é capaz de captar sua presença percebe sua mensagem contínua: “Eu estou contigo, te conheço, te darei a vida eterna e jamais perecerás”. Ele quer conduzir a todos para a vida, enquanto o mundo quer atrair suas ovelhas  para as levar à morte e isto com todas as seduções que a tantos enganam. Eis porque Ele conta com as ovelhas fiéis para irradiar seu amor e a dileção do Pai. O que foi dito ao Apóstolo Paulo vale para todos que lhe pertencem: “Eu fiz de ti a luz das nações, para que, graças a ti, a salvação chegue às extremidades da terra” (At 13,47). Isto porque o cristão verdadeiro é portador da mensagem deste Bom Pastor por toda parte.
Não há então limites no horizonte de quem foi batizado, pois no lar, no trabalho, nos ambientes de diversão, onde quer que esteja, deve  ser o testemunho da felicidade de pertencer ao Bom Pastor. Não basta estar cristão, mas ser cristão em plenitude. Jesus conduz para as fontes das águas vivas, mas é preciso a cooperação generosa com Ele nesta tarefa sublime. Ele mesmo afirmara: “Eu tenho  ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. A elas também tenho eu de reunir e elas ouvirão a minha voz e então haverá um só rebanho e um só Pastor” (Jo 10,16). Para que isto ocorra é necessário que existam  ovelhas, autênticos epígonos de Jesus, homens e mulheres, jovens, crianças atraídos pelo verdadeiro Pastor. A ele aderidos livremente por terem percebido nele a fonte da verdadeira felicidade. Esta, porém, deve ser levada àqueles que a desconhecem. Para tanto é preciso uma fé profunda, não meramente decorativa conformista, mas viva, vibrante. É a fé  daqueles que sabem sempre escutar a voz de Jesus, não obstante o bulício do mundo.
Vivência na comunhão total com Ele numa existência integralmente pautada por seu Evangelho. Com efeito, se os cristãos não têm um liame vital com Ele, mas uma mera profissão de fé conformista sem engajamento concreto, o anúncio da Boa Nova não se concretiza. As palavras do Bom Pastor podem até se tornar idéias interessantes, utópicas. Quem está convicto da veracidade da assertiva de Jesus: “Eu e o Pai somos um” tem certeza de que possui a vida eterna e esta vida eterna consiste em conhecer a Deus e aquele que enviou. Tal realidade, contudo, não depois da morte, mas agora por entre as vicissitudes da passagem por este exílio terreno até que se possa estar para sempre com Ele na Casa do Pai, tendo arrastado a muitos para junto deste Deus que quer que todos tenham a vida e a tenham em abundância.
cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho




Desejar a vida eterna
A voz de Jesus é uma voz que nos toca no mais fundo da existência e faz de cada pessoa humana, um caminho de realização do seu amor pela vida. A salvação não tem outra possibilidade senão essa do amor que Jesus nos oferece e nos manda viver em todos os momentos da nossa existência. No Evangelho de João aprendemos esta condição formidável que Deus nos deu através de Jesus. Deus é Pai e tomou-nos a todos como seus filhos, deu-nos a vida eterna, nunca havemos de morrer, nunca sairemos da mão de Deus, fomos dados a Jesus – Filho de Deus – para que com Ele nos tornássemos também filhos muito amados deste Deus que é Pai/Mãe, que Jesus nos mostra.
Outra coisa extraordinária que Jesus nos revela é que «Eu e o Pai somos um só» – diz Jesus. Esta frase revela-nos como é forte a comunhão que existe entre o Deus Pai/Mãe e o Filho. Até hoje nenhum filho foi capaz de pronunciar uma coisa tão formidável em termos de relação entre paternidade/ maternidade e filiação. Só Jesus, porque sabendo de onde vinha podia pronunciar esta riqueza de relação entre pai/mãe e filho. Como viver hoje esta intimidade com Deus? – É o próprio Jesus que nos vai ensinar. Todos os que souberem escutar a sua voz irão aprender como viver essa intimidade de amor. Mas a nossa vida, por vezes, está tão envolta em necessidades ou na falta delas que não nos predispõe para um verdadeiro encontro de intimidade que Jesus nos oferece. As tribulações da vida não permitem descobrir a verdade dessa descoberta.
Jesus é o Bom Pastor, que nos chama e nos convoca para a verdade da vida como dom do seu amor. E aceitar este dom maravilhoso de Deus Pai, é acolher a verdade plena na nossa existência e, sobretudo, prepara-nos desde logo o caminho da eternidade. Pois, reparemos no que dizem as palavras de Jesus: «Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer». Esta certeza de salvação é pronunciada pela voz de Jesus, que se mostra mestre da vida e da libertação total de tudo o que ponha em causa o amor, a paz e a inquietação interior do pecado.
Tudo o que seja verdade radical do amor, nunca é demais para ser vivido no dia a dia, porém, não podemos dizer que essa possibilidade salvadora seja realmente fácil de ser vivida. Não, não é fácil enquadrar o nosso viver com esses valores que a mensagem de Jesus nos mostra, porque as circunstâncias do nosso quotidiano estão sempre marcadas por tantas tentações que nos desviam do caminho certo do amor e da felicidade. No entanto, nada de bom se consegue sem uma força de vontade interior muito grande. As coisas boas conquistam-se a pulso, com muita paciência e muita persistência. Os cristãos, são chamados a serem gente de esperança e nada os deverá demover do caminho de Deus e do seu projeto de salvação.
É fácil ser enganado por charlatães ou por pessoas sem escrúpulos que não se importam nada com a distinção entre o que é certo e o que é errado. Assim, será sempre muito mais importante cada um de nós escutar profundamente a voz da verdade e do amor.
Por isso, onde existe a teimosia soberba para a vivência constante do ódio e do rancor não pode haver lugar no coração para o encontro da intimidade de Deus nem pode haver predisposição para a escuta da voz do Senhor Jesus. Neste dom extraordinário que é a vida, Jesus convoca-nos para a procura do sentido último radicado na transcendência para que viver neste mundo não seja apenas estar sem horizonte, mas fixados no céu.
padre José Luís Rodrigues




Celebramos hoje em toda a Igreja o domingo do Bom Pastor. Jesus é o modelo de pastor, não se trata de qualquer pastor, porém, o melhor, porque ninguém tem maior amor que aquele que entrega a sua vida, de forma livre e totalmente gratuita aos demais, sacrificando a sua vida para resgatar a outros que estão passando por momentos delicados ou que não encontraram o caminho de volta à casa do Pai. A missão do Bom Pastor não é somente cuidar de si mesmo como também e principalmente cuidar do seu rebanho, até mesmo de dá a sua própria vida por elas, por mais que elas não mereçam! Amar aquelas que obedecem e seguem perfeitamente o que diz o seu pastor e ir atrás daquelas que decidiram desbravar outros terrenos. Todas fazem parte do mesmo rebanho, não existe exceção, preferidas ou melhor que as demais.
Aquele que é um bom pastor conhece cada uma das suas ovelhas, tanto por dentro como por fora, por isso que ele trata de protegê-las ao máximo, porque sabe das debilidades de cada uma, sabe que por mais que estejam adestradas, trata de protegê-las contra os lobos. Mas que tipos de lobos podemos encontrar no nosso mundo? Todos são iguais? Tem a mesma intenção? Quem governa a manada de lobos? Quantos lobos existem? Porque querem desestabilizar o rebanho? Que mau provoca a o pastor ou as ovelhas para deixar os lobos tão furiosos?
O único que deseja realizar os lobos no meio do rebanho é o maior dano possível, porém, devemos ser coerentes, quantas destas ovelhas guardam dentro de si, no seu interior, uma fantasia de lobo? Assim que devemos ter bastante cuidado, porque no meio de um rebanho de ovelhas poderemos encontrar surpresas desagradáveis. Um lobo camuflado, com fantasia, pensamento, palavras, gestos de ovelhas, que acaba utilizando das suas artimanhas para conseguir o seu prêmio. Assim que o bom pastor deve estar sempre atento, para saber detectar quem está desordenando ou desviando as ovelhas do redil, porque o lobo não mora fora, mas pelo contrário, está no meio do rebanho para aproveitar a oportunidade.
Por outra parte o contexto do evangelho (Jo 10,27-30) de hoje entra diretamente no interior do Templo. E que de forma surpreendente um grupo de judeus acaba colocando-se ao redor de Jesus, transmitindo certo ambiente ameaçador. Porém, Jesus não se deixa intimidar, mas aproveitar a oportunidade para deixar as coisas claras pela falta de fé daqueles homens: “vocês não creem porque não são as minhas ovelhas”. A maior tristeza é quando a verdade entra no fundo do coração de cada um, e o próprio são João relata que todos começaram a pegar pedras… e já sabemos porque tiveram esta atitude, não estavam de acordo com tais palavras de Jesus, porque Jesus não era ninguém ara dar lição de moral.
Jesus gostava de enfrentar os conflitos de cara, por isso ele aproveita para explicar porque os judeus não fazem parte do seu rebanho. Jesus remarca duas idéias de grande calibre: “as minhas ovelhas ouvem a minha voz e elas me seguem” (v. 27). Estas afirmações de Jesus não devem ficar somente como uma boa explicação, mas deve entrar profundamente dentro das nossas vidas e das nossas comunidades, porque se realmente dizemos que fazemos parte do rebanho de Cristo, que fazemos parte dos discípulos missionários, devemos deixar estas palavras fazer-se realidade: saber ouvir o pastor, o Messias, o enviado por Deus, e que nós temos como privilegiados na eucaristia e na Sagrada Escritura, dois presentes que, todavia não estamos usufruindo pelo seu grande valor para as nossas almas.
Somente quem alimenta bem, poderá seguir os seus passos, os passos do pastor, ele vai à frente, vai abrindo caminho. Seguir o que nos está indicando é uma decisão e que deve ser tomada em consciência e de forma livre.
Se realmente queremos ser seguidores de Jesus não basta estar batizados, mas em crê n’Ele, ouvir a sua voz, esforçar para que a nossa mentalidade contemporânea vá por outro caminho e mensagem de Jesus por outro. Não basta caminhar com Jesus quando as coisas estão bem, mas principalmente quando os momentos de crises, tempestades, de perseguição estão à porta a ponto de acaba com tudo. Aqui é a hora da manifestação esplendorosa da luz divina que transmite força por seguir lutando e caminhando passo a passo.
Na segunda leitura (Ap. 7,9.14b-17) nos indica quem é o Pastor, deixando claro que é o próprio Cordeiro -figura que encarna o cordeiro pascal que comiam os judeus na páscoa, que é substituído pela pessoa de Jesus Cristo: o cordeiro de Deus que entregando-se a si mesmo como vítima que tira o pecado do mundo-. Como ha experimentado a humanidade está preparada para ser seu guia.
Mas devemos estar bem atentos numa coisa, o que nos convida ás leituras deste domingo: convida-nos a ser “ovelhas” do redil de Jesus; ou seja, escutar a sua voz e segui-la. Isso significa saber ouvir com o coração e levar em prática tudo aquilo que ouvimos. Seguir a Jesus Cristo é tentar se identificar com ele, assemelhar-se a ele.
Também não deixa de ser um convite a ser “pastores”; isto é, mostrar o lado amoroso de Deus por todos os seus filhos, levando o olhar a força mensagem de Jesus.
Hoje também é motivo de orar muito pelo nosso santo padre o papa, para que siga conduzindo o rebanho do Senhor com sabedoria.
Meus queridos irmãos, peçamos neste dia ao Senhor que nos envie muitas e santas vocações à vida religiosa e sacerdotal, e para que sejamos conscientes que somos chamados a servir e não ser servidos.
padre Lucimar, sf




O quarto domingo de Páscoa é conhecido como o domingo do bom pastor. Isto acontece porque o evangelho deste domingo é retirado do capítulo 10 do evangelista São João onde se encontra o discurso do bom, melhor dizendo, do belo pastor.
No entanto, falar, hoje em dia, de pastor parece anacrônico e descontextualizado. A grande maioria de nós nunca viu um rebanho com o seu pastor a não ser na televisão ou através de alguma imagem. Numa sociedade industrial e com grande concentração urbana, a imagem do pastor e do seu rebanho é uma imagem bucólica e não suscita em nós as ressonâncias pastorícias e bíblicas que deveria suscitar. Assim sendo, torna-se necessário, para compreendermos melhor a comparação que Jesus utiliza do pastor e do rebanho, indicar alguns dados.
O pastor não é só aquele que guia e conduz o rebanho. A função de guia não separa mas une o pastor à sorte do rebanho. O pastor é um companheiro de viagem que partilha com as suas ovelhas a sede, as longas caminhadas em busca dos melhores pastos, o calor do sol e as noites frias. O pastor é aquele que se sacrifica pelas suas ovelhas. O pastor é aquele que arrisca a sua vida pelas ovelhas.
Além deste elemento pastoril, existe um outro elemento teológico que no Antigo Testamento caracteriza o pastor. Na verdade, o Antigo Testamento aplica a imagem do pastor aos chefes, ao rei e a Deus. No contexto assírio-babilónico o rei era designado como um pastor investido por Deus e o seu governo era visto como o ato de apascentar o rebanho. No Antigo Testamento também encontramos alusões a imagem do bom pastor. O próprio Deus é designado como o Pastor de Israel (cf. Sl. 23). Esta designação plasmou a piedade de Israel e tornou-se uma mensagem de consolação e de confiança sobretudo nos períodos de calamidades de Israel.
No entanto, o texto veterotestamentário que mais influenciou o trecho evangélico de hoje foi Ezequiel 33-34. Neste texto, Deus promete ao seu povo, exilado na Babilónia e vítima de tantos líderes que foram maus pastores, que Ele próprio assumirá a condução do seu povo e colocará à frente do povo o Messias, o bom pastor.   
O contexto em que o discurso do bom pastor aparece no evangelho de São João também não deixa de ser esclarecedor. O discurso do bom pastor surge depois da polêmica entre Jesus e alguns líderes judaicos, resultante da cura do cego de nascença (Jo. 9, 1-41). Estes líderes, especialmente os fariseus, impediam o povo de aceder a qualquer possibilidade de vida e de libertação. Estes líderes não eram verdadeiros pastores pois só se preocupavam consigo próprios e não serviam mas serviam-se do povo para os seus interesses. 
Depois destas notas introdutórias, que facilitam a nossa compreensão da imagem do pastor e do rebanho utilizadas por Jesus, podemos entender melhor o trecho do décimo capítulo do Evangelho de S. João que foi proclamado este Domingo. No evangelho deste Domingo, Jesus mostra a relação que existe entre Ele e as suas ovelhas: “As minhas ovelhas escutam a minha voz. Eu conheço as minhas ovelhas e elas seguem-me. Eu dou-lhes a vida eterna e nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão”. Vejamos mais esquematicamente. Jesus, o belo/bom Pastor, conhece as ovelhas, dá-lhes a vida eterna e não permite que as arrebatam da sua mão. O Povo do Senhor, as suas ovelhas, escutam a voz do Senhor e seguem-no. Iluminados, pelas outras leituras proclamadas neste domingo, prestemos atenção a estas cinco atitudes começando pelas atitudes de Jesus o nosso belo e bom pastor.
A primeira atitude do belo/bom pastor é o conhecimento das suas ovelhas. Para Jesus não há multidões anônimas, massas unificadas. Para Jesus cada ser humano é uma pessoa única e irrepetível e não um número mais. Assim sendo, Jesus conhece cada uma das suas ovelhas. Com cada uma das suas ovelhas, Ele estabelece uma relação de intimidade. Conhecer na mentalidade bíblica não se reduz a uma mera atividade intelectual. Conhecer, na Sagrada Escritura, envolve a mente, o coração, a paixão, o afeto, a vontade, a inteligência e a acção. Ao dizer que conhece as suas ovelhas, Jesus está a dizer que entre Ele e as suas ovelhas existe uma forte comunhão de vida. “Entre os fiéis e Cristo existe uma comunhão real e intensa que não se quebra com as debandadas do rebanho, que não se apaga com a solidão e o isolamento criado pelas ovelhas rebeldes ” (Ravasi). Podemos agora compreender outra das atitudes que Jesus tem para com as suas ovelhas: “nunca hão-de perecer e ninguém as arrebatará da minha mão”. Se entre o Senhor e cada um de nós, ovelhas do seu rebanho, há tão forte relação de intimidade, comunhão e amor nada e ninguém nos poderá separar d’Ele (cf. Rm. 8,31-39). “A sua salvação [das ovelhas] é garantida não pela sua docilidade, pela sua fidelidade, a sua coragem, o seu amor gratuito e incondicional. Este é o grande anúncio! Esta é a grande notícia que vem da Páscoa e que o cristão deve comunicar a cada pessoa. Também a quem errou tudo na vida Ele deve assegurar: as tuas misérias, as tuas faltas, as tuas escolhas de morte não conseguirão derrotar o amor de Cristo” (Armellini).
A última atitude do belo/bom pastor para com as suas ovelhas é a dádiva da vida eterna. Na verdade, como nos dizia a segunda leitura deste dia, retirada do livro do Apocalipse, “O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva”. Assim como o pastor do rebanho conduz as suas ovelhas para os prados verdejantes e para as fontes das águas cristalinas, assim o Senhor Ressuscitado a todos nos conduz à felicidade plena e total: “Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á na sua tenda. Nunca mais terão fome nem sede, nem o sol ou o vento ardente cairão sobre eles. O Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água viva. E Deus enxugará todas as lágrimas dos seus olhos”.  
Por sua vez, as ovelhas do rebanho do Senhor, o seu povo devem escutar a sua voz e segui-lo. Escutar a voz do belo/pastor não se limita a ouvir as palavras que Ele nos dirige mas acolhe-las e aceita-las. Nem sempre as ovelhas escutam a voz do Pastor que lhes fala e que as quer conduzir à vida plena e feliz, à alegria. Exemplo concreto disto é a primeira leitura deste domingo, retirada dos Atos dos Apóstolos, que nos mostra duas atitudes bem distintas ante a Palavra de Deus anunciada por Paulo e Barnabé. Os judeus recusam o Evangelho. Por sua vez, os pagãos ouvem a Palavra do Senhor e aceitam-na e isso enche-os de alegria. Nem sempre escutar a Palavra que o Senhor nos dirige é fácil e agradável. Na verdade, a sua Palavra é uma Palavra que muitas vezes denuncia situações erradas e nos desinstala ao pedir-nos para irmos mais além. Mas devemos estar seguros que só escutando a sua Palavra podemos chegar à verdadeira alegria. 
No entanto, não basta escutar a Palavra do Senhor. É necessário segui-lo. S. Tiago exorta-nos com grande claridade neste sentido: “Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la, enganando-vos a vós mesmos. Porque, quem se contenta com ouvir a palavra, sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que contempla a sua fisionomia num espelho; mal acaba de se contemplar, sai dali e esquece-se de como era. Aquele, porém, que medita com atenção a lei perfeita, a lei da liberdade, e nela persevera - não como quem a ouve e logo se esquece, mas como quem a cumpre - esse encontrará a felicidade ao pô-la em prática” (Tg. 1, 22-25).
Neste domingo celebramos também o 50º Dia mundial de oração pelas vocações. É um dia para pedirmos que o belo/bom Pastor dê sempre ao seu rebanho pastores segundo o seu coração. No entanto, também é um dia para nos interrogarmos com seriedade: por qual caminho é que o Senhor quer que o siga: sacerdócio, vida consagrada ou matrimônio? Não fechemos os ouvidos ao convite do Senhor. Só aceitando o seu convite teremos a vida eterna.
padre Nuno Ventura Martins



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