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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 25 de maio de 2016

9º DOMINGO TEMPO COMUM-C

9º DOMINGO TEMPO COMUM

29 de Maio de 2016

1ª Leitura - 1Rs 8,41-43

Salmo – 116

2ª Leitura - Gl 1,1-2.6-10


Evangelho - Lc 7,1-10


Jesus ficou admirado com a fé daquele homem que não se julgava digno da sua visita na casa dele para curar o seu criado. Continua


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A NOSSA LIBERTAÇÃO SÓ ACONTECE PELOS CAMINHOS DA FÉ! – Olivia Coutinho


9º DOMINGO DO TEMPO COMUM


Dia 29 de Maio de 2016


Evangelho de Lc7,1-10


As ações libertadoras de Jesus, é a prova concreta da imensidão do amor Deus, que para nos libertar, se fez um de nós!
Em todas as suas ações libertadoras, Jesus sempre deixava claro, que a cura de quem recorria a Ele, era fruto de sua fé, o que vem nos reafirmar que a nossa libertação, só acontece pelos caminhos da fé!
A fé, não é algo que se tem e pronto, a fé é construção, uma construção que se desenvolve através de um processo lento que vai se solidificando à medida em que intensificamos a nossa relação com Deus, relação, que parte da nossa relação com o irmão!
Fé, não se guarda na gaveta, fé, é vivencia no amor! É na relação humano com humano, que damos testemunho da nossa fé!
Quem vive a fé, nunca perde a esperança, não se deixa abater diante às dificuldades, pois carrega consigo a certeza de que em Deus  está o seu porto seguro!
O Evangelho deste Domingo nos convida a refletir sobre a essencialidade da fé! 
A narrativa nos mostra um belíssimo testemunho de fé, de uma fé que encantou Jesus!
Um oficial romano, movido pelo amor ao próximo e a confiança no poder libertador de Jesus, recorre a Ele em favor do seu empregado!
O texto chama a nossa atenção, para três virtudes que devem nortear a nossa vida: FÉ, FRATERNIDADE E HUMILDADE! 
O oficial romano, embora não fizesse parte do grupo dos seguidores de Jesus, dá um grande testemunho de fé, ao acreditar que bastava uma palavra  de Jesus, mesmo à distancia, para que o seu empregado ficasse curado!
 Intercedendo em favor do seu empregado, ele dá também, um testemunho do seu amor ao próximo  ( Fraternidade). E ao reconhecer indigno de receber Jesus em sua casa ele demonstra  a sua humildade: "Senhor não te incomodes, pois não  sou digno que entreis em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro. "
Deste episódio, podemos tirar uma grande lição que irá nos ajudar a conviver bem com as diferenças religiosas! Ao curar o empregado de alguém que não fazia parte do grupo dos seus seguidores, Jesus nos mostra, que não é pela religião que se dá testemunho de fé, e sim, pelo amor ao próximo e pela confiança no poder libertador de Deus!
A fé é um dom de Deus, é uma semente que fora plantada no nosso coração, cabe a nós, acolher e desenvolver este dom, fazendo com que esta semente germine, cresça e produza frutos!
 Não é Deus quem vai fazer crescer a nossa fé, somos nós mesmos que devemos desenvolvê-la, através do nosso relacionamento com Deus e com os irmãos!
Fé e vida, são inseparáveis, viver a fé, é cuidar da vida, é ser vida para o outro!
Ter fé é crer naquilo que não se vê, é caminhar como se visse o invisível!
Exercitemos, pois, a nossa fé, através da oração, da reflexão da palavra, da vivencia fraterna, da eucaristia que nos torna outros Cristos!
Ao nos criar, Deus nos moldou na forma do seu amor colocando centelhas Dele em nós! Se nos desvirtuamos, é porque não preservamos a essência de Deus em nós!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 
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"Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé"
Domingo da cura do servo do oficial romano. A assembléia reunida no Dia do Senhor é um sinal visível da salvação universal de Deus, que convoca gratuitamente a todos, independente de merecimento ou de raça. O que se requer é abertura de coração e adesão de fé, sem a qual Deus não pode agir.
Primeira leitura - 1Reis 8,41-43
Durante a solene dedicação do novo e grandioso Templo de Jerusalém, Salomão profere uma longa e intensa oração (cf. 1 Reis 8,22-53). A prece de Salomão, da qual é tirada o trecho para a primeira leitura deste Domingo, é muito rica de conteúdo teológico. Aparece aí a importância do Templo, como lugar de oração e onde Deus atende o seu povo em qualquer necessidade, e, ao mesmo tempo, a misericórdia desse mesmo Deus que condescende em atender seu povo que aí vier para suas súplicas.
O Templo aqui apresenta-se mais como "Casa de Oração" do que lugar onde se oferecem sacrifícios. A prece de Salomão salienta a idéia da relação estreita entre Templo e céu, entre a oração e o povo e a escuta da parte de Deus. Através do Templo as orações das pessoas chegam ao céu. O Templo as eleva, as torna acessíveis. No início, o Templo é o lugar onde se reza (1 Reis 8,33-43; depois, é o lugar em direção ao qual se reza (8,44-51).
Os vs. 41-43, da leitura de hoje, contém a súplica de Salomão em favor dos estrangeiros que aqui vierem invocar o Senhor. O texto manifesta um espírito largo e universalista, não muito freqüente no Primeiro Testamento. É verdade que, em muitas passagens, o Primeiro Testamento mostra benevolência para com os estrangeiros, mas isto por causa da maneira estreita e fechada como, geralmente, os estrangeiros eram vistos pelo povo judeu. Os profetas e legisladores viam-se obrigados a dar normas para que o povo respeitasse os estrangeiros. Em Êxodo 12,48 há uma dispositivo para o estrangeiro que queira celebrar a páscoa com os hebreus. Com a condição, porém, que aceite a circuncisão. Aqui, em 1 Reis 8,31-43, não se faz esta exigência para ser escutado por Deus.
A oração de Salomão prevê uma grande novidade que deveria figurar entre as mais surpreendentes para o antigo Israel: o Templo de Jerusalém, lugar exclusivo do seu culto, abre-se de forma inesperada aos estrangeiros e estes encontram acolhimento da parte do Senhor
Os estrangeiros, residentes na Palestina, como não podiam possuir terras, eram considerados pobres e conseqüentemente havia na Lei, em favor deles, muitos dispositivos que os favoreciam. Eram igualados aos órfãos e viúvas (Levítico 19,10; 23,22; Jeremias 7,6). Sabe-se que o espírito geral do povo judeu não era de muita simpatia para com os estrangeiros, pagãos. Geralmente eram desprezados e até odiados, talvez, mais por razões políticas do que por motivos religiosos. Aqui Salomão pede a Deus que os atenda sempre que eles vieram rezar no Templo, para que todos os povos conheçam e temam o Deus de Israel, que é o único Deus verdadeiro. O Templo torna-se assim o lugar da epifania de Deus aos povos que ainda não conhecem O Senhor.
Só com o passar dos anos, devido as inúmeras atitude de oposição, é que o povo judeu perceberá que a Humanidade inteira é convidada à intimidade com Deus, e por isso mesmo compreenderá que querer apropriar-se da amizade exclusiva com Deus equivaleria a um atentado à sua paternidade universal. Por acaso o próprio Senhor não tinha prometido a Abraão: "Em ti serão abençoadas todas as nações da terra? (Gênesis 22,18). Deste modo, as expressões religiosas mais amadurecidas de Israel abrem um largo caminho que encontrará pelo cumprimento no esforço missionário da Igreja de Jesus Cristo, atestado pelos Atos dos Apóstolos e pelas Cartas de São Paulo.
Salmo responsorial: 116/117,1-2
É o menor de todos os salmos é um hino de louvor. Esse tipo de salmo celebra algumas ações significativas de Javé na vida e na história do povo de Deus. a comunidade israelita  reconhece Deus como Senhor do mundo, e por isso sente a necessidade de alargar a "todos os povos" o convite ao "louvor" (v. 1). Com efeito, é firme "a sua misericórdia" para com todos, e a sua "fidelidade" permanece para sempre (v. 2).
O rosto de Deus neste salmo. Javé é citado no começo (v. 1a) e no fim do salmo (2b), e é apresentado como o aliado de Israel. Ele se comprometeu com amor fiel, firme e perpétuo. Aceitando o convite ao louvor feito por Israel, os povos e nações descobrem o rosto de Deus e farão também eles a experiência de um Deus que ama fielmente e para sempre. Não chegarão a isso porque o louvor de Israel seja perfeito, ou porque o povo de Deus seja melhor do que os outros. Descobrirão Deus naquilo que Israel confessa como fruto de experiência histórica: nosso caminha conosco, é nosso aliado, aquele que nos ama com fidelidade extrema. Aqui está bem claro o rosto de Deus: amor, fiel, aliado para sempre.
Jesus, no Evangelho de João, é apresentado exatamente com as características do deus do salmo: "A Lei dói dada por Moisés, mas o amor e a fidelidade vieram através de Jesus Cristo" (João 1,17); "Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo aquele que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna" (João 3,16); "antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora... ele, que tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim"(João 13,1). Além disso, chama a atenção o modo como Jesus agiu em relação aos pagãos (João 4,4-42; 12,20-22; Mateus 8,5-13; 15,21-28), e a forma como os pagãos responderam ao apelo de Jesus.
2ª leitura: Gálatas 1,1-2.6-10
A carta enviada pelo Apóstolo às comunidades da Galácia, na atual Turquia setentrional, pode denominar-se, juntamente com a Carta aos Romanos e aos Filipenses, o "evangelho" de Paulo, ou seja, o anúncio da atuação de Deus na nossa vida através do dom do Espírito de Jesus.
Antes de abordarmos a exegese do texto, é preciso lembrar que a comunidade estava com um problema com os judaizantes (cf. Gálatas 1,6; 3,1; 4,1b; 6,12a). Judaizantes são aqueles judeus convertidos que querem conciliar judaísmo com Cristianismo e pretendem forçar os pagãos a passar pelo judaísmo para serem cristãos. No fundo os judaizantes desorientavam a comunidade sob dois aspectos:
- Questionavam a autoridade apostólica de Paulo.
- Colocavam em dúvida o conteúdo do seu evangelho. Isto porque Paulo isentava os pagãos das obrigações da Lei. Eles, entretanto, pregavam o retorno à Lei: a necessidade da circuncisão e outras práticas legais.
Alguns judeus neo-convertidos tinham começado a agitar as jovens comunidades cristãs, reclamando a circuncisão enquanto sinal da filiação divina, como se o "evangelho" não fosse suficiente. Por isso a repreensão de Paulo. O primeiro ato que Paulo realizava quando escrevia as suas cartas era "dar graças" a Deus pelo dom da fé (cf. por exemplo, Romanos 1,8-9; 1 Coríntios 1,4-9; Filipenses 1,3-11). Esta é a única Carta que não começa com uma ação de graças, mas com uma repreensão ("Surpreende-me": versículo 6), que em seguida se tornará ainda mais forte, dizendo aos Gálatas que são "insensatos" (Gálatas 3,1).
Estes são os motivos da carta aos Gálatas. Diante disso Paulo se propõe a uma dupla defesa:
1º defender seu apostolado;
2º defender seu evangelho.
Estes dois itens são esboçados no trecho da liturgia de hoje.
Já no primeiro versículo Paulo se preocupa em dar ênfase à sua vocação apostólica, salientando sua origem divina. O versículo 1 é bastante enfático e já se percebe a nota polêmica e o tom em que a Carta está escrita. Está distante do tom afetivo, amável e cordial da Carta aos Filipenses. O versículo 2 confirma esta idéia, pois não faz nenhum elogio aos gálatas, o que Paulo costuma fazer normalmente no início de suas cartas.
Paulo estima muito a sua jovem comunidade e quer preservá-la do perigo de procurar a salvação fora de Cristo, em coisas e ações humanas que não garantem a liberdade, mas amarram a Igreja a tradições mortas. Ele denuncia o integralismo de que, querendo levar o Cristianismo para os ambientes de uma seita judaizante, de fato arrisca a afastar as comunidades da Galácia do Evangelho de Cristo para "passar a outro evangelho" (cf. versículo 6b).
Evangelho: Lucas 7,1-10
O capítulo 7 de Lucas apresenta uma série de encontros que acontecem fora do povo de Israel: um soldado estrangeiro; uma viúva; uma delegação enviada por João Batista; uma mulher julgada pecadora na cidade. A cada uma destas pessoas Jesus manifesta-Se como o Messias de misericórdia. No texto de hoje insere-se a vida privada de um centurião pagão cuja "fé", estupenda e total, Jesus elogia, dizendo que não encontrou semelhante fé "nem mesmo em Israel" (v. 9).
Os dois recados enviados ao Mestre (vs. 3,6a) permitem-nos descobrir neste homem uma "fé" exemplar, que é confiança na Palavra de Jesus, que ele julga capaz de curar mesmo à distância (v. 7-8), e através da qual é reconhecido como pertencente de pleno direito ao Povo do Reino (v. 9).
O Evangelho começa dizendo que Jesus entrou em Cafarnaum. Esta cidade era centro de trânsito das caravanas vindo do Oriente; cidade fronteiriça, tinha alfândega das caravanas (Marcos 2,14). Encontra-se na região setentrional da Palestina, nas margens do lago de Genesaré (208 metros abaixo do nível do mar!), na Galiléia meridional. Com a sua população autônoma tinha-se abundantemente misturado com os estrangeiros pagãos, era chamada pejorativamente "Galiléia das Nações (pagãs)" Isaias 8,23-9,1; Mateus 4,15).
Cafarnaum dependia politicamente de Herodes Antipas (a.C. - 39 d.C.), tetrarca da Galiléia e da Peréia, sujeitado a Roma. O "centurião" ou "centenário" era o comandante de uma de uma centúria, companhia de cem soldados na milícia hebraica, grega e romana. Admite-se geralmente que o nosso centurião defendia os interesses de Herodes Antipas.
De qualquer maneira, trata-se de um incentivo dado por Lucas para os pagãos-cristãos e de uma delicada advertência para os judeus-cristãos, de mentalidade muito fechada, que provocavam permanente intrigas no seio da comunidade missionária: "Eu vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé" (Lucas 7,9). Lucas apresenta os judeus de maneira conciliadora e simpática para que aceitem mais facilmente o seu objetivo: a dimensão universal da fé.
Paulo e Lucas tinham a mesma convicção: a Igreja não podia restringir-se aos limites da nação judaica, mas devia abrir-se para o mundo pagão. "Aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por sua graça, houve por bem revelar em mim o seu Filho, para que eu evangelizasse entre os gentios" (Gálatas 1,15-16). Jesus é o Libertador que o Senhor preparou "em face de todos os povos, luz para iluminar as Nações (pagãs), e glória de Israel teu povo" (Lucas 2,31-32). Aliás, toda a tradição sinótica sublinhou também a importância peculiar dos encontros ocasionais de Jesus com pagãos isolados: seja com a samaritana (João 4,1-42).
Em Lucas e em Mateus, é a fé do centurião romano que provoca o milagre por parte de Jesus: "Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé". Em João, ao contrário, é o milagre de Jesus que provoca a fé do centurião: "Vai, o réu filho vive [...] acreditou ele, e todos os da sua casa (cf. João 4,53). As duas versões, porém, não se excluem, mas se enriquecem mutuamente: a fé - uma certa fé! - obtém o milagre e o milagre, uma vez acontecido, suscita uma fé nova, uma fé maior e comprometida.
Por este milagre, Jesus abriu o caminho para um outro centurião pagão, Cornélio, também "piedoso e temente a Deus" (Atos 10,2), que receberá o Espírito Santo e será batizado sem sujeitar-se à Lei judaica porque "Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem teme e pratica a justiça lhe é agradável" (Atos 10,34). O dom do Espírito Santo não é reservado aos fiéis circuncisos; também é derramado sobre os pagãos (Atos 10,44-48), de ontem e de hoje. Será que os maiores testemunhos se encontram na Igreja Católica.
Da Palavra celebrada ao cotidiano da vida
A liturgia de hoje nos mostra que a fé de pessoas estrangeiras, reconhecida e proclamada nas leituras deste 9º domingo do tempo comum, surpreende-nos e interpela-nos. Chamados, justamente com a Igreja do nosso tempo, a passar da "manutenção da missão" e comprometidos "a anunciar o Evangelho num mundo em mudança", sentimo-nos de modo especial submetidos à afeição dessa Palavra.
Existe um fio condutor único e claro que percorre os textos propostos hoje pela liturgia: o Pai pensou e quis todas as pessoas como Seus filhos e filhas reunidos numa só família. O Espírito de Jesus atua misteriosamente no coração de cada um. Se existem pessoas "diferentes" e "afastadas", isso corresponde a categorias que pertencem apenas aos nossos pontos de vista e às nossas classificações, produzidos pelas reservas que freqüentemente acompanham a experiência religiosa e pelas que uma certa mesquinhez levantou - e porventura continua a levantar - para proteger identidades ambíguas, conservar privilégios, mascarar interesses partidários. A Palavra de Deus conduz-nos para outras direções. Inflige um golpe mortal a todas as tentativas e seqüestrar a salvação, de excluir por preconceitos "os que não estão inscritos" nosso nossos registros. A celebração de hoje pede-nos, sobretudo, um olhar e um pensamento positivos, uma abertura às "surpresas" que Deus está atuando através dos acontecimentos da nossa História. Jesus Cristo se encarnando quer fazer da nossa História uma História de salvação.
Na oração de Salomão (primeira leitura) sentimos vibrar tons universalistas e aberturas ecumênicas, que convidam a ver com olhos novos os muitos irmãos e irmãs  que pertencem a outras religiões que as migrações, voluntárias ou forçadas, trouxeram para os lugares da nossa vida e do nosso trabalho. Porventura também em ambientes cristãos se erguem contra eles mecanismos defensivos. Certamente são irmãos e irmãs que Deus coloca no nosso caminho também para nos ajudarem a rever os motivos da nossa fé e do nosso amor.
Também o elogio feito por Jesus ao centurião pagão, por acaso não é para nós como que um convite a reconhecermos e a descobrirmos os valores presentes em pessoas que pertencem a áreas desconhecidas, a mundo inexplorados, a olharmos com os olhos e o coração? Será que dentro de nós cristãos não existem áreas pagãs? É o estilo que nos ensina o Concílio Vaticano II quando, nas claras páginas da Declaração Nostra Aetate, sobre o diálogo com as religiões não cristãs, mostra antes de mais nada as particularidades e as riquezas presentes em cada um dos sistemas religiosos. É o convite a uma convivência que vivifica e fermenta mutuamente, de modo que cada um seja ajudado a responder diante de Deus, segundo a sua própria vocação.
Finalmente, as palavras angustiadas de Paulo (segunda leitura) fazem-nos descobrir que a fidelidade ao Senhor passa através da aceitação do que é "novo", das contribuições culturais e étnicas que chegam das pessoas pagãs, dos seus usos e costumes tão diferentes e, no entanto, chamadas pela Palavra do Evangelho a formarem a única Igreja de Jesus Cristo. É um convite preciso, dirigido também a nós, a não trocar o "Evangelho da liberdade" pelo pseudo-evangelho das nossas tradições rituais.
A Palavra se faz celebração
Fé humilde
A fé do centurião é uma fé "humilde". A humildade deste homem é realmente surpreendente e transparece em tantos particulares (não só nas famosas palavras: Eu não sou digno [...], antes de tudo na relação que há entre ele e seu servo: aquele servo não é uma coisa mas uma pessoa, um amigo ("a quem prezava"); por ele, se dispõe pessoalmente, e esta é humildade, da melhor qualidade! Indica que, também na vida, ele não é um homem que olha os outros do alto do seu cargo, não faz pesar sua superioridade, mas abe colocar-se ao lado dos mais humildes, em pé de igualdade.
É a própria fé deste homem que é humilde; tem uma fé capaz de deslocar montanhas, uma fé de mestre de teologia, e não o percebe, aliás, parece até se envergonhar, porque tenta justificá-la. Mas exatamente aqui está o milagre de sua fé que arranca a admiração de Jesus: "Eu também estou debaixo de autoridade, mas tenho soldados que obedecem às minhas ordens. Se ordeno a um: 'Vai!', ele vai; e a outro: 'Vem!', ele vem; e ao meu empregado: 'Faze isto!', ele o faz". Este homem entendeu - certamente pelo dom do Espírito Santo - que os milagres de Jesus brotam de sua obediência ao Pai e isto, em Israel, ninguém o tinha entendido, nem mesmo os discípulos mais íntimos.
A coisa mais importante é a fé do centurião; a qualidade daquela fé! É uma fé humilde, sim, mas corajosa; pode-se dizer até mal-educada, indiscreta, segura demais de si.
A salvação é universal
Deus é o Deus de todos, não somente daqueles que pertencem ao seu povo, e também Cristo é o Salvador de todos, não só dos cristãos e dos que crêem; qualquer pessoa que se achega a Jesus, Ele a acolhe, e também Seus discípulos devem acolhê-la. Há hoje também tantos que se aproximam de Jesus como aquele centurião: vêm "de longe"; militaram ou militam em outras frentes; estão à procura de uma fé ou estão angustiados; ouviram falar dele e intuíram que não há outro nome debaixo do sol no qual se possa ser salvo. Não se sentem dignos de participar da celebração eucarística, por isso, escolhem outras horas para vir à Igreja, quando não há ninguém, e muitas vezes são vistos ajoelhados diante da imagem de Nossa Senhora e dos santos.
Foi o que fez precisamente o centurião romano; pensou na coisa mais simples: colocou seu servo nas mãos de Jesus; sabia que não podia fazer outra coisa a não ser o bem: e voltando para a casa do centurião os que haviam sido enviados, encontraram o servo curado.
Ousadia da fé
Eis o que temos de aprender do Evangelho de hoje: crer de maneira simples e corajosa, ousar muito em matéria de fé, pedir "sem duvidar". Nossa fé é, muitas vezes, extremamente intelectual, muito cerebral; consiste em crer que aquilo que Deus falou seja verdadeiro (crer na veracidade de Deus), mas não em crer que o que prometeu acontecerá (crer no poder de Deus). enfim, falta-nos a fé nos milagres.
Ligando a palavra com a ação eucarística
A providência de Deus nunca falha. Não é por acaso que, concluímos nos ritos iniciais da celebração de hoje com esta oração: "Ó Deus, cuja providência jamais falha, nós vos suplicamos humildemente: afastai de nós o que é nocivo, e concedei-nos tudo o que for útil". Em outras palavras, que Deus nos ajude a limpar do nosso coração tudo o que nos impede de ver mais longe, à luz da Palavra de Deus.
Enfim, depois de proclamarmos o mistério máximo de nossa fé - "Anunciamos, Senhor, a vossa morte, e proclamamos a vossa ressurreição!..." - e entrarmos em comunhão com este mistério pela sagrada comunhão, então o presidente conclui com esta oração que se articula perfeitamente com o Evangelho de hoje: "Ó Deus, governai pelo vosso Espírito aos que nutris com o Corpo e o Sangue do vosso Filho. Dai-nos proclamar nossa fé não somente com palavras, mas também na verdade de nossas ações". Toda a assembléia dá o seu assentimento, dizendo: 'Amém'.
Que esta Eucaristia nos ajude a termos, sim, a fé do oficial pagão, amorosamente acolhida por Jesus, uma fé que não conhece fronteiras, isto é uma fé adulta e comprometida.
padre Benedito Mazeti
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Coisas de corações retos
“Quando acabou de falar ao povo  Jesus  que o escutava Jesus entrou  em Cafarnaum”. Sempre andando, sempre falando aquilo que o coração mandava falar. E, livre de preocupações e cuidados consigo mesmo, Jesus estava disponível. Tinha tempo para acolher pessoas com suas  alegrias e seus dramas.  Havia aquele oficial romano que tinha um empregado a quem aprendera a estimar.  Estava ele doente às portas da morte.  O romano ouvira falar de Jesus e pediu que influentes judeus fossem ter com ele e pedissem que ele viesse  salvar o empregado que tanto estimava.
Os enviados judeus não pestanejaram: “O oficial merece que lhe faças esse favor  porque ele estima o nosso povo.  Ele até nos construiu uma sinagoga”.
Jesus se põe a caminho, sempre em frente, sempre a caminho. Talvez Jesus andou se informando a respeito do tipo de doença, detalhes e circunstâncias.
E lá vem outra embaixada da parte do oficial romano. Esses  novos emissários não pedem a presença ou a força de Jesus. Parece que o homem se sentiu invadido por um sentimento de admiração pela disponibilidade  de  Jesus. O que o oficial mandou dizer a  Jesus  continua ressoando aos nossos ouvidos. “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente ao teu encontro, mas ordena com tua palavra e meu empregado ficará curado”. Mesmo à distância o oficial romano ia sendo trabalhado interiormente pela força e pela pessoa de Jesus.  Hoje ainda, ao recebermos o Corpo e Sangue do Senhor, dizemos que não somos dignos de receber  a  visita do Senhor.  Mas que ele diga uma só palavra e seremos salvos. Esse episódio se reveste de confiança, fé, respeito.   Jesus chega mesmo a dizer que um pagão demonstrou mais fé do que seus  irmãos na fé judaica: “Eu vos declaro que nem mesmo em  Israel encontrei tamanha fé”. Estamos diante de pessoas com consciência delicada e coração reto. Precisamente com esses predicados é que se constrói  uma humanidade renovada. Nesses corações pode começar a existir o  Reino novo de Jesus.
Lucas observa: “Os mensageiros voltaram para casa do oficial  e encontraram  o empregado em perfeita saúde”.
frei Almir Ribeiro Guimarães

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A fé do pagão e a cura de seu empregado
A fé do centurião de Cafarnaum é emocionante (evangelho). É tenente do exército romano, “pagão”, mas estima muito o judaísmo. Sendo Jesus judeu, o centurião se julga indigno de fazer-lhe um pedido direto e manda os anciãos da comunidade judaica (afinal, ajudara-os a construir a sinagoga). Estes insistem com Jesus, e ele vai com eles. Ainda no caminho, o centurião lhes corre ao encontro: “Não, Senhor, não entre em minha casa. Eu não sou digno. Mas fale só uma palavra, que meu servo já fica bom. Pois eu sou militar, eu sei o que uma palavra é capaz de fazer quando a gente tem poder de mandar!” E Jesus cura o servo, à distância.
História emocionante, porque mostra a grande fé do homem e também sua expressão tão espontânea, nascida de sua vida profissional. “Eu sei o que é mandar!” Emocionante ainda é a simplicidade com que, primeiro, procura intermediários e, depois, corre ao encontro de Jesus. Para o evangelista dos “pagãos”, Lucas, porém, a maior emoção se encontra na palavra de Jesus: “Nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (v. 9).
O universalismo transparece na 1ª leitura, tirada da bela oração de Salomão por ocasião da Dedicação do Templo. Salomão pede a Deus que também os que vêm de longe encontrem ouvido quando rogarem no templo de Jerusalém. Mas há certa ambiguidade. Pode ser uma maneira de promover o templo que ele, Salomão, construiu inclusive, para atrair interesses estrangeiros, colocou estátuas de divindades estrangeiras em Jerusalém (1Rs. 11,7-8). Um universalismo que cheira a propaganda barata. Universalismo para promover as próprias instituições. Nesta atitude, a gente se mistura um pouco com Deus. O verdadeiro universalismo faz abstração do ganho próprio, mas deseja que cada um encontre Deus no caminho que lhe é próprio. No encontro de Jesus com o centurião romano, Jesus faz abstração das instituições judaicas.
São Paulo, nas suas viagens, evangelizara uma região bem “subdesenvolvida”, de pouca cultura, lá no interior da Turquia: a Galácia (2ª leitura). Eram bárbaros, que mal falavam um pouco de grego. Mas, uma vez que Paulo abriu o caminho, outros judeus, valendo-se do nome de Jesus de Nazaré, começaram a pregar para os gálatas, ávidos por qualquer novidade do mundo das grandes culturas e religiões. Estes novos missionários consideravam o cristianismo como sendo apenas uma variante do judaísmo. Segundo eles, Jesus era um grande mestre, mas não tinha iniciado algo realmente novo; o judaísmo permanecia o único caminho seguro de salvação. Quando fica sabendo disso, Paulo inflama-se e escreve uma carta severa para explicar aos gálatas que Jesus pôs fim ao judaísmo. O judaísmo tinha crucificado Jesus e, com ele, suas próprias prerrogativas e privilégios. O judaísmo servia para os judeus (Paulo o observava ainda), mas não devia ser imposto aos não-judeus: ou Jesus salva o homem, ou o judaísmo, mas não ambos ao mesmo tempo; se a Lei salva, Jesus morreu em vão (cf. Gl. 2,21).
As leituras de hoje evocam, portanto, um problema bastante crucial entre nós também. Por um lado, temos pessoas que acham que fora do catolicismo romano (de preferência na sua forma mais tradicional) não existe salvação. Por outro, o povão quer garantir sua salvação por uma combinação de várias crenças (o sincretismo). Nenhuma das duas maneiras entende o universalismo da salvação de Deus. Deus salva a quem o procura de modo sincero e autêntico, no caminho que lhe é próprio, seja esse caminho budista, animista, espírita, ou seja lá o que for. Mas Deus se manifestou também para ser conhecido melhor em Jesus Cristo, de maneira única. Quem tem a felicidade de conhecer Jesus Cristo deve, por isso, ajudar a todos a crescerem lá onde Deus os fez brotar. Se assim eles descobrirem que é Jesus quem os coloca em contato com o Deus que buscam, tanto melhor. Mas não desejemos um monopólio para as nossas instituições religiosas. Isso é contraproducente, como mostra a “implantação” da Igreja no Brasil, que talvez não tenha sido uma verdadeira evangelização.
Johan Konings "Liturgia dominical"

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A cura do empregado do oficial romano
Os oficiais romanos da época de Jesus eram pagãos, porém, este oficial, diferentemente da maioria, acredita em Jesus, e pede que O tragam para curar o empregado o qual ele tem muita estima.
Ele mesmo não se sente digno de ir pessoalmente ao encontro de Jesus e, por isso, manda mensageiros. Primeiramente, foram os anciãos Judeus até Jesus e falam da bondade do oficial e de sua estima pelo judaísmo, o que o torna digno de receber a graça pedida. No entanto, o oficial sabe que os judeus se sentem impuros ao entrar na casa de um pagão, e mesmo Jesus tendo se colocado a caminho para atender o seu chamado, ele envia outro grupo de mensageiros, desta vez alguns amigos para dizerem a Jesus que ele se sente indigno de recebê-Lo em sua casa, e até mesmo de falar com Ele, mas que acredita que, com Suas palavras, mesmo sem estar próximo, Jesus pode salvar seu empregado.
Chega-se então ao ponto principal deste Evangelho, no versículo 9, quando Jesus diz: "Eu afirmo que nem mesmo em Israel vi tanta fé!"
Esta afirmação de Jesus demonstra que a fé não é maior ou menor em quem se declara ou não cristão, mas são as atitudes que dão o verdadeiro testemunho da fé de cada um. Jesus mostra que atende sempre aqueles que O invocam de forma sincera e autêntica, demonstrando uma fé verdadeira.
Sendo pagão, o oficial não só respeita a religião dos outros, como também incentiva-a e proporciona- lhe um espaço celebrativo. O respeito é ressaltado no momento em que o oficial envia amigos ao encontro de Jesus pensando ser Ele, um judeu tradicional. O oficial quer poupar-lhe do vexame da contaminação ritual e reconhece em Jesus, alguém que tem poderes especiais, apelando para a Sua autoridade.
A cura do empregado do oficial romano se reveste de sentido especial por tratar-se de um não-judeu, e Jesus atende ao pedido do estrangeiro porque a fé não conhece fronteiras.



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Fé e universalidade da salvação
O tema deste nono domingo do tempo comum é a fé e a universalidade da salvação.
O trecho do primeiro livro dos Reis é a resposta à questão posta imediatamente depois do exílio na Babilônia, quando do retorno dos deportados à terra de Israel. Os que voltam do exílio encontram na terra um “povo mesclado”. A pergunta é: que atitude adotar quanto aos estrangeiros que habitavam a terra? Pode-se admitir na sinagoga todos os que o desejam? Se algum estrangeiro se aproxima do Templo e busca o Deus de Israel, é porque reconhece a sua grandeza. Deus não rejeitaria a sua oração, pois ele acolhe a todos. Se Deus assim procede, convém não fechar as portas a quem quer que seja.
O perícope de Lucas, situada na primeira parte do evangelho, em que a questão é a identidade de Jesus, vai para a mesma direção. A menção de Cafarnaum já é importante, pois, simbolicamente, esta cidade, às margens do lago de Genesaré, abre a mensagem de Jesus aos pagãos, em face de Nazaré, cidade de Jesus (cf. 4,23). O centurião, chefe de cem soldados, é um pagão. A súplica do centurião a Jesus é por um servo seu, que ele estimava muito (v. 2). Para o centurião, o valor essencial parece ser a vida do seu servo (cf. v. 3). Estando a serviço do império romano, ele é considerado impuro. Mas ele mesmo não se diz impuro, pois isso é um conceito judaico-religioso; ele diz ser indigno: “Eu não sou digno de que entres sob o meu teto” (Lc. 7,6). Ele conhece as normas dos judeus quanto à pureza, por isso não vai pessoalmente ter com Jesus, mas envia anciãos judeus para intercederem por ele junto a Jesus. Dizer-se indigno é reconhecer a autoridade de Jesus. O Senhor acolhe a todos e toma a iniciativa de querer ir à casa do centurião. No entanto, o chefe pede que Jesus simplesmente dê uma ordem, pois é o poder da palavra que importa (cf. vv. 7-8). A fé do centurião causa uma profunda admiração em Jesus (v. 9). A fé do pagão ultrapassa a manifestada em Israel. A constatação da cura revela o poder vivificante e eficaz da palavra do Senhor (cf. v. 10).
Carlos Alberto Contieri,sj

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Foi narrado no Evangelho desse domingo, que um centurião (comandante de cem soldados) mandou a Jesus alguns anciãos, rogando-lhe que viesse na sua casa a fim de curar um empregado doente. E Jesus foi se dirigindo a casa dele... quando então o centurião mandou alguns amigos para lhe dizer: Senhor, não te incomodes tanto assim, porque não sou digno de que entres em minha casa... mas dize somente uma palavra e o meu servo será curado! E acrescenta que ele, centurião, também é subalterno e que tem soldados às suas ordens e quando lhes dá ordens, eles obedecem e fazem o solicitado.
Diante disso, Jesus admira e elogia a fé do centurião, pois, não tinha encontrado uma fé assim em Israel. E o empregado foi curado.
Anotemos para nós alguns pontos de fé nisso. A importância da FÉ em Jesus Cristo. O centurião aceita sem reservas a autoridade de Jesus em sua vida. É uma fé humilde e sincera em Jesus Cristo e em sua Palavra. E isso nos deve levar a testemunhar Jesus Cristo em nosso meio.
O evangelista Lucas quer nos mostrar como é importante e decisiva para a existência cristã a fé no Senhor Jesus, que se deixa conhecer e quer ser acreditado.
Outra conclusão: Para Deus, deve haver um só e novo povo de Deus, a partir de Jesus Cristo, e então deverá desaparecer qualquer fronteira, seja social, racial, cultural. É só deixar Deus agir em nossa vida e fará novas todas as coisas....
dom Sérgio Henrique.
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A fé não conhece fronteiras
O tema central da liturgia deste domingo é a fé que não conhece fronteiras, raças e línguas. Reunidos em comunidade no dia do Senhor, queremos rezar pelos irmãos e irmãs que não crêem ou que seguem alguma denominação religiosa diferente da nossa. Segundo Escritos Sagrados do Antigo Testamento, Deus (Javé) desde sempre foi o Deus de todos os povos. Na era cristã, segundo o Evangelho de Jesus Cristo cada povo pode expressar a sua fé a partir de sua cultura e realidade (Gl. 1,1-12).
O texto do Evangelho de hoje (Lucas 7,1-10) relata que Jesus encontrou mais fé fora que dentro do ambiente religioso. Vejamos a fé do centurião oficial do exercito romano. Naquele tempo Jesus entrou em Cafarnaum às margens do lago de Genesaré e um oficial romano que estava aflito em virtude da doença de seu empregado, enviou mensageiros para pedirem que Jesus viesse curar seu servo. Sabemos que pelo conceito judaico quem estava a serviço do exército romano era considerado impuro.
O centurião (oficial), portanto autoridade militar reconhece a autoridade de Jesus dizendo: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entreis em minha casa...” Dizer-se indigno já é reconhecer a autoridade, ou seja, o Senhorio de Jesus. Ciente de sua condição de pagão, mas com uma fé segura o centurião se aproxima de Jesus e o milagre da cura de seu servo acontece. Admirado com a fé do centurião Jesus disse: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé!” Para nós hoje esta passagem bíblica é um convite à conversão e ao acolhimento de todos. A nossa comunidade é uma comunidade acolhedora? Rotulamos as pessoas pela aparência ou por participarem deste ou daquele grupo; muitas vezes colocamos barreiras entre batizados e não batizados, entre os que têm participação ativa e aqueles que aparecem só na Semana Santa. Com a Nova e Eterna Aliança Jesus abriu as portas da salvação para todos.
Pedro Scherer

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Nesta semana o papa Francisco fez um alerta contra o triunfalismo: “Nós queremos o triunfo imediato, sem passar pela cruz, um triunfo mundano, um triunfo razoável”. A Igreja não pode ser triunfalista, não pode se sentir dona de Deus e da salvação. É chamada a ser sinal de salvação no mundo e a reconhecer os sinais de fé e de amor em todas as realidades e mesmo naqueles que não fazem parte do número dos batizados ou não frequentam nossas paróquias.
O próprio Jesus teve esta atitude diante da religião de sua época. No evangelho deste domingo, deixa claro que a instituição e a pertença religiosa não são garantias de nada. O que importa é a atitude da pessoa, sua abertura de coração. Aliás, os de fora parecem ser mais abertos do que os teólogos e sacerdotes que tiveram contato com Jesus, no Evangelho.
O centurião era um pagão. Se tantos se impressionaram com Jesus, desta vez, o próprio Cristo se impressiona com a atitude de uma personagem. E diante dele, declara algo inaudito, uma verdadeira heresia para qualquer judeu ortodoxo: “Eu vos declaro que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé” (Lc. 7,9). Em Israel, a maior fé não era de um saduceu, mestre da lei, escriba, fariseu, ou varão piedoso, frequentador do templo e da sinagoga. Para Jesus, a fé maior estava no coração de um pagão. Talvez também nós, que nos consideramos “católicos praticantes”, tenhamos também uma fé mísera, ou, ao menos, podemos nos envergonhar diante de tantos que nem conhecem nossos templos, mas que cultivam gestos de piedade e amor. Talvez alguns que até mesmo consideremos pecadores públicos.
Ninguém é dono da fé. E ela vem pelo caminho da humildade. Jesus nem precisou entrar na casa deste homem. Ele que tinha consciência de que podia dar ordens aos seus empregados, no entanto considerou que a simples palavra do Senhor poderia curar o seu funcionário. Pela humilde súplica da fé vem a graça do Senhor.
As instituições humanas e os seres humanos são caminhos para que cheguemos até Deus. Contudo, somos todos falhos, pecadores. Por isso, sem negar que a Igreja seja caminho de salvação, como também afirma o papa Francisco, colocamos a nossa confiança em Deus. É nesta linha que são Paulo nos diz que a iniciativa da graça não é humana, mas divina. Adverte que os homens podem falar em nome de Deus como pregadores, mas podem até mesmo pregar um evangelho diferente do Evangelho de Jesus. Que ninguém utilize o Evangelho para defender seus próprios princípios: triunfalismo, zelo agressivo, legitimação de poder, guerra religiosa, fanatismo... Nada disso tem a ver com a Boa Nova.
A coragem, sempre com caridade, com a doçura nos lábios, é necessária. Agradar a todos e sempre é caminho para a falta de autenticidade que trai princípios. São Paulo nos exorta a buscar sempre a verdade a todo custo: “Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl. 1,10).

Catequese e Bíblia
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A fé não tem fronteiras
Neste domingo a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a beleza da experiência de fé que não é um produto exclusivo de quem tem religião, pois há pagãos, pessoas sem religião e cheias de fé (1º leitura e evangelho). Na segunda leitura o apóstolo Paulo denuncia os pregadores que, em vez de estarem a serviço da promoção da autêntica fé dos fieis, são desonestos e deturpam o evangelho promovendo a confusão.
1. Oração: experiência de quem tem fé (1 Reis 8,41-43) 
O breve texto que lemos hoje nesta primeira leitura é parte de uma longa oração de súplica feita pelo Rei Salomão por ocasião da inauguração do grande templo de Jerusalém. O templo aparece como o lugar sagrado do encontro com Deus através da oração. A oração, consequente da fé, não é vista como uma experiência reservada aos judeus. Também um pagão, estrangeiro, poderia entrar no templo para orar dialogando com Deus (cf. 1Re. 8,41). Mas sempre foram excluídos. A oração não é uma experiência exclusiva do judaísmo, mas de todos aqueles que reconhecem a grandeza de Deus e contemplam as suas maravilhas (cf. 1Re 8,42). A fé gera a experiência da oração e isso não depende de uma religião específica. O templo para Salomão, deveria ser ambiente de referência do reconhecimento da grandeza de Deus (cf. 1Re. 8,43), e também os pagãos podem manifestar essa atitude, pois Deus está presente em todos os seres humanos, seus filhos e sua manifestação é gratuita. Em sua oração do rei Salomão manifesta uma clara consciência de que a fé não está refém de nenhuma religião e, por outro lado, também a experiência da oração não depende de uma religião institucionalizada. Do texto do capítulo oitavo podemos colher, em diversos versículos, a função do templo a partir da autêntica fé.
Salmo 118 (117): este é um salmo de gratidão a Deus pela sua bondade e seu amor que se estende para sempre (cf. Sl. 117,1-4.21.28-29). Esse sentimento de gratidão é a resposta do salmista a Deus por causa dos benefícios recebidos: pelo socorro na angústia (cf. Sl. 117,5), pela presença que lhe trouxe segurança livrando-o dos inimigos que são vistos como espinhos e vespas (cf. Sl. 117,6-7.11-13). Tudo isso se transforma em convicções profundas: “É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança no homem. É melhor refugiar-se em Javé do que depositar confiança nos chefes” (Sl. 117,8-9). Liberto dos males e ameaças o salmista assume um sério compromisso: “Viverei para contar as obras de Javé” (cf. Sl. 117,17). Essa bondade de Deus contemplada pelo pio judeu se estende para todos os seus filhos.
2. A autenticidade do Anúncio
O apóstolo Paulo afirma convictamente que a sua missão evangelizadora entre os gálatas não lhe foi confiada por parte dos homens, mas tem sua fonte em Deus (cf. Gl. 1,1-2). Inicia a carta chamando a atenção dos seus interlocutores sobre a legitimidade e autenticidade da mensagem anunciada defendendo a origem divina do seu encargo e do conteúdo da mensagem anunciada: o evangelho de Jesus Cristo. Após falar da origem da sua mensagem, Paulo manifesta sua admiração para com o povo que, tão cedo, abandonou o autêntico Evangelho por ele anunciado para aceitar outra proposta religiosa (cf. Gl. 1,6). Paulo, com firmeza, denuncia dizendo que outro evangelho não existe,  por isso seu conteúdo é falso (cf. Gl. 1,7), e quem o estava semeando a confusão, deturpando o Evangelho de Jesus Cristo, sua verdadeira história;  por isso, sentencia o apóstolo: é um maldito (cf. Gl 1,7-9). E qual poderia ser a motivação para tal atitude desses pregadores? O próprio apóstolo acusa: para ganhar o aplauso dos homens… Todavia, essa não deve ser a postura honesta do fiel servo de Jesus Cristo (cf. Gl. 1,9-10).
A promoção da fé depende da pregação que é o anúncio da Palavra de Cristo (cf. Rm. 10,17). O pregador, portanto, deve estar a serviço de Cristo. O pregador, portanto, é servo da Verdade! Mas nem sempre isso acontece. Estamos vivendo hoje num mundo com grande sensibilidade religiosa. No que diz respeito ao cristianismo, acontece em nossos dias justamente aquilo que Paulo denuncia. Nem sempre a figura de Jesus Cristo é apresentada com fidelidade aos evangelhos. Em nome da fé, muitos pregadores avulsos, inventam uma caricatura de Jesus ressaltando apenas alguns aspectos de sua personalidade, fragmentando sua história e evidenciam aspectos segundos os seus interesses. O Jesus histórico na sua integridade presente nos evangelhos desaparece. Paulo nos estimula a sermos críticos diante das artimanhas do charlatanismo religioso. Em muitos casos, na verdade, a religião é um bom negócio.
Diante dos embusteiros da religião, é preciso firmeza e muito discernimento diante de suas propostas enganadoras em nome de Deus. Para Paulo eles são considerados falsos apóstolos (cf. Rm. 16,17), operários fraudulentos (cf. 2 Coríntios 11,13), cães, maus operários, falsos circuncidados (cf. Fl. 3,2-3); são inimigos da cruz de Cristo (cf. Fl. 3,18), a glória deles é o próprio ventre (cf. Fl. 3,19) pois  atraem a simpatia do povo para si mesmos promovendo doutrinas depravadas, são amantes do dinheiro, astuciosos e induzem as pessoas simples ao erro (cf. Ef. 4,13-140; 2 Pedro 2,1-3; Rm. 16,17-18). É preciso ter esclarecimento, formação, conhecimento da Palavra de Deus, pois eles se aproveitam da ignorância do povo.
 3. A profunda fé de um pagão
Lucas descreve de modo maravilhoso o perfil de um oficial romano: homem sensível ao sofrimento do outro e capaz de estima para com seu empregado (cf. Lc 7,1); homem querido pelo povo por ser caridoso e religiosamente sensível, pois mesmo sem ter religião, construiu uma sinagoga para os judeus (cf. Lc 7,5); apesar de não conhecer Jesus pessoalmente acredita nele como o Senhor da Vida e radicalmente crê na sua Palavra. A fé não tem fronteiras. Jesus elogia a fé do oficial romano, de um pagão, de um homem taxado de impuro pela religião oficial, portanto não beneficiário das bênçãos de Deus. É justamente o contrário do que aconteceu! Estamos diante de um pagão de fé e o mais elogiado; bem distante de alguns dos doze chamados a atenção pela falta de fé. Por suas atitudes reconhecidas por Jesus, o oficial romano nos demonstra que a fé vai muito além dos ritos e das palavras proferidas nos cultos; a fé vai muito além das emoções e dos momentos de êxtase. Tem fé quem é sensível às necessidades do próximo e busca alívio para seu sofrimento; tem fé quem é capaz de estimar os outros, sobretudo, os mais próximos; tem fé quem é capaz de superar barreiras religiosas e substituí-las pela ponte da caridade; tem fé quem coloca sua esperança na Palavra do mestre; tem fé quem é capaz de reconhecer sua pequenez, indignidade diante de Deus e não orgulhosamente para o direito de ser salvo.
padre Antônio de Assis Ribeiro (Bira)

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Deus se revela a todos os povos
As leituras deste domingo nos proporcionam a oportunidade de refletir quem é Deus, onde ele mora e qual o seu plano para a humanidade. O rei Salomão constrói um grandioso templo em Jerusalém como habitação para Deus. Neste lugar, pelo que se percebe na oração de Salomão, todos os povos teriam oportunidade de conhecer o nome de Deus conforme revelado ao povo de Israel. (I leitura). A abertura a todos os povos completa-se com a vinda de Jesus. Ele (e não mais o templo) é a fonte e o caminho de salvação universal. Jesus é “Deus conosco”, independente do templo. Ele revela o verdadeiro nome de Deus que não se circunscreve num recinto sagrado, mas comunica-se no lugar social das pessoas necessitadas, libertando-as (evangelho). Deus não faz acepção de pessoas, ultrapassa barreiras culturais e manifesta-se a todos os povos oferecendo-lhes gratuitamente a salvação em Jesus Cristo. Este é o evangelho assumido e pregado pelo apóstolo Paulo. Na defesa desta boa notícia da salvação gratuita, Paulo enfrenta toda espécie de conflitos (2ª leitura). Para nós hoje, como discípulos missionários de Jesus, é importante compreender, acolher e anunciar com ousadia o Evangelho da vida plena para todos, sem exclusão.
1ª leitura (1Rs. 8,41-43): A grandeza do nome de Deus
Esta pequena oração de Salomão situa-se no contexto da festa da Dedicação do Templo de Jerusalém. Lendo todo o capítulo 8 de 1Reis, percebe-se que a Arca da Aliança que acompanhou o povo de Israel desde a sua saída da escravidão no Egito, é agora transportada para dentro do templo num cerimonial de grande pompa. Salomão, além de rei, exerce a função de sacerdote. Declara que edificou uma casa para residência eterna de Deus (8,13), cumprindo-se assim a promessa feita ao seu pai Davi. Em sua oração, o rei Salomão exalta o templo como o centro gravitacional de todos os povos. Apesar de confessar que nem “os céus dos céus podem conter Deus” (8,27), é para o templo de Jerusalém que os estrangeiros poderão acorrer para reconhecer “a grandeza do vosso nome, a força de vossa mão e o poder do vosso braço”, conforme expressa o texto deste domingo. Ainda mais, é a partir deste lugar que “todos os povos da terra conhecerão o vosso nome, vos temerão como o vosso povo de Israel e saberão que o vosso nome é invocado sobre esta casa que edifiquei”.
Sabe-se que a construção do templo e a centralização do culto em Jerusalém tiveram por objetivo legitimar o poder monárquico e, mais tarde, o sistema sacerdotal de pureza que excluiu a maioria das pessoas da pertença ao povo eleito. No entanto, a teologia do texto indica uma abertura universal. A experiência religiosa de Israel não pode ser exclusivista. Deve irradiá-la a todos os povos. O Deus da vida pode ser conhecido e invocado por judeus e estrangeiros. Afinal, todos são seus filhos e filhas.
Evangelho (Lc. 7,1-10): Jesus e a fé de um estrangeiro
Deus encarnou-se em Jesus de Nazaré. Fez sua morada no meio da humanidade. Solidarizou-se com as vítimas do sistema religioso de pureza organizado pela casta sacerdotal do templo de Jerusalém. Ao invés de promover a abertura universalista segundo a vocação que Deus dera a Israel, a elite religiosa fechou-se em suas concepções de pureza e impureza, mantendo o povo sob o jugo de um emaranhado de leis.
A prática de Jesus, porém, não corresponde à doutrina disseminada pelos doutores da lei. Enquanto estes consideram os pobres e estrangeiros como impuros e excluídos do povo santo de Deus, Jesus promove a vida sem exclusão, como se constata no relato evangélico deste domingo. Um centurião romano dirige-se a Jesus, cheio de confiança, para fazer-lhe um pedido a favor de um servo. Os centuriões normalmente não eram bem vistos pelos judeus. Representavam a opressão que o império romano exercia sobre o povo. Aquele centurião, porém, sabia manter boas relações com a população de Cafarnaum e manifestava simpatia pela própria religião judaica. Não só construiu uma sinagoga, mas interessou-se pelo que diziam de Jesus.
Este centurião, segundo o evangelho de Lucas, não vai pessoalmente ao encontro de Jesus. Envia anciãos judeus para fazer-lhe um pedido. Na versão de Marcos (8,5-13) é o próprio centurião que se dirige a Jesus. Temos a impressão de que Lucas enfatiza a consciência de “indignidade” manifestada pelo centurião diante da grandeza do nome de Jesus que ele ouvira falar.
O centurião representa aqui o povo gentio. A mediação dos anciãos judeus resgata a vocação de Israel de promover a inclusão também dos estrangeiros na graça libertadora de Deus. A missão de Jesus não se restringe ao povo de Israel. Ele veio para todos. Tem o coração aberto para acolher e valorizar o testemunho de amor, de humildade, de respeito e de fé dado por um estrangeiro. Testemunho de amor porque o centurião manifesta cuidado pela vida de um servo; de humildade porque se sente indigno de achegar-se a Jesus; de respeito porque sabe que um judeu ficaria impuro se entrasse na casa de um pagão; e finalmente o testemunho de fé porque, a partir de sua própria experiência de obedecer e de dar ordens, reconhece o poder das palavras. Pelo que ele ouviu falar de Jesus, tem certeza da eficácia de suas palavras. Jesus impressiona-se com a atitude daquele centurião. Volta-se para o povo e declara: “Em verdade vos digo: nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé”.
O texto enfatiza a importância da Palavra de Jesus. As comunidades cristãs, organizadas após a morte e a ressurreição de Jesus, alimentam-se essencialmente da Palavra. “Dize somente uma palavra e meu servo será curado”. As comunidades de fé e de amor são o novo templo, o lugar da presença libertadora de Jesus. Nelas não pode haver discriminação de pessoas. Judeus e estrangeiros são igualmente portadores da Boa Notícia da vida em plenitude. É missão dos cristãos difundir o evangelho pelo mundo afora. Lucas vai dedicar o livro de Atos dos Apóstolos para mostrar a trajetória da Palavra, “de Jerusalém aos confins do mundo” (At 1,8). A Palavra que liberta não tem fronteiras. Não é um sistema religioso, nem os laços de sangue que determinam a pertença ao Reino de Deus e sim a prática da justiça, como vai expressar o apóstolo Pedro na casa de outro centurião, chamado Cornélio: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz discriminação entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença” (At. 10,34-35).
2ª leitura (Gl. 1,1-2.6-10): Não há dois evangelhos
Paulo, após seu encontro com Jesus ressuscitado, entregou-se por inteiro na missão de evangelizar os povos. Entre os diversos problemas pelos quais ele passou está o conflito com os chamados “judaizantes” que pregavam a necessidade da circuncisão e do cumprimento de outras leis judaicas para os cristãos provindos do paganismo. Muitos se deixavam influenciar por estes judaizantes. A autoridade de Paulo, como apóstolo e fundador daquelas comunidades cristãs, estava sendo desprestigiada. Ao ser informado destas coisas, Paulo fica muito indignado. A indignação é manifestada até mesmo no modo como escreve a carta: não começa com a costumeira ação de graças e nem termina com a bênção. Ele escreve num tom de muita firmeza, gravidade e convicção. Já de início esclarece que seu apostolado não é por uma decisão humana, mas “por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos”. Portanto, a carta aos Gálatas se reveste de uma profunda seriedade. Caracteriza-se como uma forte advertência com a intenção de fazer que aquelas comunidades cristãs retomem o caminho do único evangelho.
A que evangelho Paulo se refere? No conjunto da carta constata-se que se refere ao “evangelho da liberdade” que se baseia na certeza de que a salvação é obra gratuita de Deus por Jesus Cristo. Não tem mais sentido a obrigatoriedade da circuncisão nem do legalismo. Não tem mais sentido as barreiras entre povos. Agora todos fazem parte do corpo de Cristo: “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre pessoa escrava e livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo” (3,28). Cristo uniu a todos numa única família e concedeu a todos a verdadeira liberdade: “É para sermos livres que Cristo nos libertou. Portanto, fiquem firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão” (5,1).
Para Paulo é fundamental compreender e assumir este evangelho que torna as pessoas maduras, convictas, responsáveis e não mais dependentes de normas externas. É uma vida pautada segundo o Espírito de Deus. Não há outro evangelho. Caso contrário coloca-se a perder o significado da vida, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo.
Pistas para reflexão
Deus revelou-se na história do povo de Israel como aquele que liberta os oprimidos de todo tipo de escravidão. A aliança que fez com o seu povo visou abranger toda a humanidade. A vocação de Israel é irradiar o nome do Deus da vida e da libertação para todos os povos. Apesar das tentativas de centralização e de exclusividade da eleição do povo de Israel, Deus sempre manifestou através dos movimentos proféticos e sapienciais o seu plano de salvação universal. Enviou o seu filho, Jesus Cristo, cuja proposta de Reino de Deus visa a inclusão de todos na vida em plenitude. O episódio do evangelho deste domingo – Jesus e o centurião romano – caracteriza-se como um apelo a todos os discípulos de Jesus, no sentido de abrir-se ao “outro”, acolhendo e valorizando sua fé. Outro dado importante é a autoridade da Palavra de Jesus: o que ele diz acontece. A Palavra de Deus é viva e eficaz! Jesus rompe com as barreiras impostas pelo sistema do templo, supera o legalismo, ensina com autoridade e oferece seu amor e salvação a todos.
A salvação gratuita de Deus a todos os povos – ofertada através da vida, morte e ressurreição de Jesus - foi assumida pelo apóstolo Paulo como “único evangelho”. O seu testemunho de total entrega por esta causa de inclusão de todos os povos no plano de salvação de Deus, ilumina e fortalece a nossa missão hoje como discípulos missionários de Jesus.
► Pode-se ligar a Palavra de Deus da liturgia deste domingo com a primeira urgência da ação evangelizadora da Igreja no Brasil: Igreja em estado permanente de missão (cf. Diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015)

Paulus



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