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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 2 de junho de 2016

10º DOMINGO TEMPO COMUM-C

10º DOMINGO TEMPO COMUM


5 de Junho de 2016

1ª Leitura - 1Rs 17,17-24

Salmo - Sl 29

2ª Leitura - Gl 1,11-19


Evangelho - Lc 7,11-17




Aquele mesmo Jesus que disse para aquele jovem. Jovem, eu te ordeno. Levanta!   Está querendo dizer aos nossos jovens: Levanta! Saia dessa vida!  Leia mais

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“AO VÊ-LA, O SENHOR SENTIU COMPAIXÃO PARA COM ELA...”- Olívia Coutinho.

10º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 05 de Junho de 2016

Evangelho Lc 7,11-17

Por onde  passamos, é comum depararmos com pessoas tristes, sem esperanças, pessoas carregando pesadas cruzes, necessitadas do nosso amparo, e muitos de nós, fingimos não vê-las!  
Quando nos inteiramos dos ensinamentos de Jesus, vamos mudando esta nossa postura de indiferença  diante dos que sofrem!
Os ensinamentos de Jesus, vão  mudando o nosso conceito sobre a vida, nos despertando  para  a  importância de sermos solidários!
É Jesus em nós, quem vai direcionando o nosso olhar para os que sofrem, que nos faz passar de indiferentes  a atentos a  suas necessidades!
O amor à Jesus, nos move, nos torna sensíveis, nos aproxima do irmão que sofre!
O  evangelho que a liturgia de  hoje nos convida a refletir, nos fala de um encontro entre dois cortejos que seguiam em direção contrária!
De um lado, seguia  o cortejo da vida, da alegria, da esperança, tendo Jesus à Frente!  Do outro lado, o cortejo da dor, da amargura, do sofrimento, tendo à frente, um morto.
Esses dois cortejos, ao  se encontrarem, passam a caminhar no  mesmo sentido, o sentido da vida!
A iniciativa da aproximação do cortejo da  vida com o cortejo da morte, parte de Jesus.  Naquele encontro, Jesus depara com uma viúva levando  seu  único filho para ser sepultado!
Tomada pelo o sofrimento da perda do seu único filho, aquela mãe, nem percebe a presença de Jesus, mas Ele a enxerga e se compadece dela!
Jesus  sabia, que além da dor da perda do seu  único filho, aquela  viúva,  teria  pela frente sérias dificuldades quanto a sua sobrevivência.
   É que naquela época, quando uma mulher ficava viúva, ela  não herdava os bens deixados pelo marido, quem ficava responsável por estes  bens,  era o filho mais velho, era este filho quem ficava encarregado de prover o  sustento de sua  mãe. E quando a viúva  não tinha filhos, ela era condenada a viver na miséria, pois  estes  bens, eram confiscados pelas autoridades e a viúva ficava a mercê da caridade alheia.
Jesus traz de volta  a vida, aquele que estava morto! Ao levantar aquele jovem, Jesus levanta  também, aquela mulher que estava condenada a marginalização a depender  da caridade alheia para sobreviver.
O relato chama a nossa atenção sobre a importância de termos um olhar sensível, um olhar semelhante  ao olhar de Jesus, um olhar que  não somente constata  a necessidade do outro, como busca meios de amenizar o seu sofrimento!
Em toda sua trajetória terrena, Jesus sempre teve um cuidado  especial para com os pequenos, principalmente para com os órfãos e as viúvas. Estes,  tinham e continuam tendo muitas dificuldades para retomarem a vida depois das perdas.
O texto, nos alerta sobre a importância de sermos solidários com as pessoas que sofrem. Como filhos do mesmo Pai, irmãos em Cristo, somos corresponsáveis  pela vida do outro, temos o dever de ser apoio para ele nos momentos difíceis, como nas perdas de entes queridos.  
Tão importante quanto providenciar o sepultamento daquele que se vai, é cuidar daqueles que ficam, principalmente em se tratando de órfão, ou viúva.
   O que  deve chamar mais a nossa atenção neste episódio, não é  o milagre em si, e sim, o que moveu Jesus a realizar aquele  milagre, que foi a sua sensibilidade diante daquele que sofre!
 Devolvendo a vida ao filho daquela viúva, Jesus devolve a ela a sua dignidade, o seu sustento, poupando-a de ser mais uma vítima dos fariseus, acostumados a explorar as viúvas apoderando-se de tudo que por  direito lhe pertencia.
Assim como Jesus compadeceu da viúva de Naim, ele compadece de todos, que hoje se sentem cansados, aflitos, marginalizadas...
É confortante saber que Jesus  assume a  dor de cada um de nós, que Ele nos ajuda a carregar as  nossas cruzes.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia 
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A dimensão profética percorre a liturgia da Palavra deste domingo, em Elias, o profeta da esperança e da vida, em Paulo, o profeta do Evangelho recebido de Deus, e, particularmente, em Jesus, o grande profeta que visita o seu povo em atitude de total oblação.
A primeira leitura apresenta-nos a figura da mulher de Sarepta, que significa a perda da esperança e o sentimento de derrota e de procura de um culpado, e a figura do profeta Elias, que acredita no Deus da vida, que não abandona o homem ao poder da morte, ressuscitando o filho da viúva.
No Evangelho, temos a revelação de Deus expressa na atitude de piedade e compaixão de Jesus no milagre da ressurreição do filho da viúva. Deus visita o seu povo em Jesus, “um grande profeta”, realizando o reino pela ressurreição, oferecendo a sua vida e dando-lhe pleno sentido.
Na segunda leitura, acolhemos a absoluta gratuidade da conversão de Paulo, para quem o Evangelho é uma força vital e criadora, que produz o que anuncia; a sua força é Deus. É uma força vital, uma dinâmica profética que ele recebeu diretamente de Deus.
1º leitura: 1 Reis 17,17-24 - COMENTÁRIO
O episódio de hoje, a ressurreição do filho da viúva de Sarepta, é um dos milagres atribuídos a Elias e enquadra-se na polemica contra a religião cananeia do deus Baal.
Este era considerado o senhor e o esposo da terra e simbolizava a fertilidade dos campos, dos animais, das famílias. Enfim, era o deus da fecundidade e da vida.
Portanto, em Canaan, celebrava-se todos os anos a festa da morte e da ressurreição da natureza na figura de Baal.
O milagre de Elias, como outros a eles atribuídos, significa fundamentalmente que Yahveh é a única fonte da vida e da fertilidade. A vida vem de Deus. Toda a vida e ação de Elias apontam nesse sentido; o próprio nome Elias significa “Yahveh é o meu Deus”. Portanto, todos os elementos da mensagem devem ser vistos à luz desta centralidade. Todo o relato, que pode denotar referências mágicas na relação entre pecado e doença, baseia-se na oração de Elias, que deixa clara a sua fé num Deus pessoal, senhor e fonte de vida.
A viúva de Sarepta, uma mulher estrangeira, confessa a fé em Elias como “homem de Deus”, “porta-voz de Deus”: “Agora vejo que és um homem de Deus e que se encontra verdadeiramente nos teus lábios a palavra do Senhor”. Naamã confessará uma fé semelhante, depois de ser curado e se ter lavado no Jordão por indicação de Eliseu (cf. 2 Re. 5,15). Jesus fará referência à viúva de Sarepta e ao sírio Naamã como representante dos gentios que entram n Igreja, após receber o Evangelho (cf. Lc. 4,25 27).
A figura da mulher significa a perda da esperança e o sentimento de derrota e de procurar um culpado. O profeta Elias é a figura que acredita no Deus da vida, que não abandona o homem ao poder da morte.
Como pensamos e agimos hoje, nós que somos cristãos? Não ficamos muitas vezes no paganismo, na falta de esperança, no derrotismo das desgraças que nos atingem? Quando é que, verdadeiramente, agimos como se Deus fosse verdadeiramente o único Deus da vida e da bondade? Quanto caminho a fazer para sermos profetas à maneira de Elias…
2º leitura: Gl. 1,11-19 - COMENTÁRIO
O texto de hoje enquadra-se na acentuação muito forte da absoluta gratuidade da conversão de Paulo. A essa luz Paulo prega um Evangelho que não é de origem humana. Poder-se-ia pensar que este Evangelho tem um conteúdo da catequese sobre os fatos e os ditos de Jesus. Ora, Paulo, quando perseguia ferozmente os cristãos, conhecia bem o conteúdo da sua doutrina. Para Paulo, o Evangelho é uma força vital e criadora, que produz o que anuncia; a sua força é Deus. É uma força vital, uma dinâmica profética que Paulo recebeu diretamente de Deus.
Para Paulo, a sua conversão é obra exclusiva de Deus. Temos aqui um equilíbrio dinâmico entre a gratuidade da fé e a adesão à tradição e magistério eclesiástico.
Somos convidados a estarmos sempre abertos à revelação de Deus, à autêntica conversão, ao acolhimento do Evangelho vivo de Deus.
Evangelho: Lc. 7,11-17 - COMENTÁRIO
Temos aqui o episódio da ressurreição do filho de uma viúva, em paralelismo com o da primeira leitura. O milagre relatado neste texto, assim como o dos versículos anteriores, respondem à pergunta de João de Baptista a Jesus: “és Tu que hás-de vir ou devemos esperar outro?” Jesus oferece a salvação (cf. Lc. 7,1-10) e mostra o verdadeiro triunfo da vida (cf. Lc. 7,11-17). Não é o relato em si que é o mais importante, mas o sentido que nos transmite.
Antes de mais, temos aqui uma revelação de Deus. Diante da atitude de piedade e compaixão de Jesus, neste milagre de ressurreição, vemos a exclamação do povo:
“Deus visitou o seu povo”. Jesus é “um grande profeta”, não apenas porque transmite a Palavra de Deus e anuncia o reino com palavras, mas sobretudo porque veio realizar o reino pela ressurreição, oferecendo a sua vida.
Em seguida, vemos aqui o sentido da vida. Jesus veio criar, oferecer ao homem a alegria de uma vida aberta com todo o sentido.
Percebemos ainda todo o caráter de sinal presente no milagre. A ressurreição do filho da viúva testemunha Jesus que há-de vir, cuja vida triunfa plenamente sobre a morte.
Significa que para nós, hoje como então, Deus Se encontra onde há o sentido da piedade, do amor vivificante. Significa ainda que, seguindo Jesus, só podemos também suscitar vida, ter piedade dos que sofrem, oferecer a nossa ajuda, ter uma atitude de oblação.
Das duas, uma: ou fazemos da nossa vida um cortejo de morte, dos sem esperança, que acompanham o cadáver, em atitude de choro, de luto, de desespero; ou fazemos do nosso peregrinar um caminho de esperança, de ressurreição, de transformação do choro e da morte em sentido de vida. Podemos escolher, é certo. Mas se somos seguidores de Cristo e nos deixamos visitar por esta grande profeta, não temos alternativa!
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho

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“Não chores!”
Os evangelhos apresentam-nos três ressurreições que Jesus realizou. Uma criança, a filha de Jairo, chefe de uma sinagoga; um jovem, o único filho da viúva de Naim, que hoje nos é narrada; e Lázaro, o irmão de Marta e de Maria, a família de irmãos de Betânia onde Jesus gostava de ficar. Em todas se descreve a comoção de Jesus e pressentimos a sua comunhão na dor dos que sofrem. É o Deus cheio de compaixão que Jesus revela, sempre do lado da vida, a libertar, a perdoar, a abraçar, a comprometer na luta pela justiça. Porque veio para que tenhamos vida.
Estar vivo apela a uma atenção constante ao que é mais essencial, a não desperdiçar o tempo sem contemplar o que é belo, e sem fazer o maior bem possível. É estar aberto ao lado luminoso de tudo o que existe, ainda que haja dias menos bons e muitos males no mundo. É acreditar que não temos a solução de tudo, mas quando nos abrimos a Deus e aos outros, vamos dando uma mãozinha para que o bem triunfe. É desenvolver todas as capacidades que temos e que os outros têm, sem guardar para um futuro longíquo os sonhos que crescem conosco, e nunca desistir de ainda dar, um dia, uma volta ao mundo. É descobrir que tudo é mais feliz quando se partilha e coopera, quando a morte deixa de ser um fim mas o momento máximo de uma vida dada!
“Não chores” podia ser um verdadeiro “slogan” da nova evangelização. Não como uma promessa vazia ou um convite a fugir do sofrimento, mas como atitude de verdadeira compaixão por quem sofre, como Jesus fez em toda a sua vida terrena. Não como numa “solução” para os problemas mas como uma presença que transforma a solidão da dor na comunhão da esperança. Como se pode acreditar n’Ele sem viver a mesma misericórdia diante da dor humana, a mesma paixão por cuidar da vida, a mesma entrega em ressuscitar e salvar?
 Dizia o filósofo Gabriel Marcel: “Amar alguém é dizer-lhe: Tu não morrerás jamais!” É esse o centro da mensagem e da vida de Jesus. É amando e cuidando desta vida que sabemos passageira, é enchendo-nos de compaixão e agindo no que é possível em favor de quem sofre, aqui e agora, que a ressurreição irrompe já na história. Viver não é aprender a morrer, mas tudo fazer para viver bem! Esse é o grande programa pastoral que a Igreja sempre terá. Ser cheia de compaixão como o Mestre, enfrentar o sofrimento e a morte com palavras e atitudes de vida abundante, assumir a fragilidade e a confiança de quem ama o Senhor e sabe que Ele abraça todos. A compaixão é a condição necessária para que todas as estruturas humanas não esqueçam que estão ao serviço de todas as pessoas, e que Deus quer enxugar as lágrimas de todas as faces!
padre Vitor Gonçalves

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Diante da dor e da necessidade
I. Contemplamos no Evangelho da missa (1) a chegada de Jesus a uma pequena cidade chamada Naim, acompanhado pelos seus discípulos e por um grupo numeroso de pessoas que o seguem.
Perto da porta da cidade, a comitiva que rodeava o Senhor cruzou-se com outra que levava a enterrar o filho único de uma mulher viúva. Segundo o costume judaico, levavam o corpo envolvido num lençol, sobre uma padiola. Formavam o cortejo a mãe e grande multidão de pessoas da cidade.
A caravana que entrava na cidade parou diante do defunto e Jesus, ao ver a mãe que chorava o seu filho, compadeceu-se dela e avançou ao seu encontro. “Jesus vê a angústia daquelas pessoas com quem se cruzou ocasionalmente. Podia ter passado ao largo, ou esperar por um chamado, por um pedido. Mas nem se afasta nem espera. Toma Ele próprio a iniciativa, movido pela aflição de uma viúva que havia perdido tudo o que lhe restava: o filho.
“O evangelista explica que Jesus se compadeceu: talvez se tivesse emocionado externamente, como por ocasião da morte de Lázaro. Jesus Cristo não é insensível ao sofrimento [...].
“Cristo tem consciência de estar rodeado de uma multidão que ficará atônita perante o milagre e irá apregoando o acontecido por toda a região. Mas o Senhor não se comporta artificialmente, não pretende realizar um grande gesto: sente-se simplesmente afetado pelo sofrimento daquela mulher e não pode deixar de consolá-la. Aproximou-se dela e disse-lhe: Não chores (Lc. 7,13). Foi como se lhe dissesse: não te quero ver em lágrimas, porque eu vim trazer a alegria e a paz à terra. A seguir vem o milagre, manifestação do poder de Cristo-Deus. Mas antes tivera lugar a comoção da sua alma, manifestação da ternura do coração de Cristo-Homem” (2). Tocou o corpo do jovem e ordenou-lhe que se levantasse. E sentou-se o que estava morto, e começou a falar. E Jesus entregou-o à sua mãe.
O milagre é, ao mesmo tempo, um grande exemplo dos sentimentos que devemos ter diante das desgraças alheias. Devemos aprender de Jesus. E para termos um coração semelhante ao seu, devemos recorrer em primeiro lugar à oração: “Temos de pedir ao Senhor que nos conceda um coração bom, capaz de se compadecer das penas das criaturas, capaz de compreender que, para remediar os tormentos que acompanham e não poucas vezes angustiam as almas neste mundo, o verdadeiro bálsamo é o amor, a caridade: todos os outros consolos apenas servem para distrair por um momento e deixar mais tarde um saldo de amargura e desespero” (3).
Podemos perguntar-nos na nossa oração de hoje se sabemos amar todos aqueles que vamos encontrando pelos caminhos da vida, se nos detemos eficazmente diante das suas desgraças, e, portanto, se no fim de cada dia, ao examinarmos a nossa consciência, temos as nossas mãos repletas de obras de caridade e de misericórdia para oferecer ao Senhor.
II. Jesus Cristo vem salvar o que estava perdido (4), vem carregar as nossas misérias para nos aliviar delas, vem compadecer-se dos que sofrem e dos necessitados. Ele não passa ao largo; detém-se, como vemos no Evangelho da missa de hoje, consola, salva. “Jesus faz da misericórdia um dos principais temas da sua pregação [...]. São muitas as passagens dos ensinamentos de Cristo que manifestam o seu amor-misericórdia sob um aspecto sempre novo. Basta ter diante dos olhos o bom pastor que vai à procura da ovelha tresmalhada, ou a mulher que varre a casa à procura da dracma perdida” (5). E Ele próprio nos ensinou com o seu exemplo constante como devemos comportar-nos diante do próximo, particularmente diante do próximo que sofre.
Pois bem, assim como o amor a Deus não se reduz a um sentimento, mas leva a obras que o manifestem, assim também o nosso amor ao próximo deve ser um amor eficaz. É o que nos diz são João: Não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e de verdade (6). E “essas obras de amor – serviço – têm também uma ordem precisa. Já que o amor leva a desejar e a procurar o bem daquele a quem se ama, a ordem da caridade deve levar-nos a desejar e procurar principalmente a união dos outros com Deus, pois nisso está o máximo bem, o definitivo, fora do qual nenhum outro bem parcial tem sentido” (7). O contrário – buscar em primeiro lugar os bens materiais, mesmo que seja para os outros – é próprio dos pagãos ou daqueles cristãos que deixaram esfriar a sua fé.
Juntamente com a primazia do bem espiritual sobre qualquer bem material, não se deve esquecer, no entanto, o compromisso que todos os cristãos de consciência reta têm de promover uma ordem social mais justa, pois a caridade refere-se também, ainda que secundariamente, ao bem material de todos os homens. A importância da caridade no atendimento às necessidades materiais do próximo – caridade que pressupõe a justiça e a informa – é tal que o próprio Jesus Cristo, ao falar do Juízo, declarou: Vinde, benditos de meu Pai... porque tive fome e me destes de comer... tive sede e me destes de beber... estive nu e me vestistes... (8)
Peçamos a Deus uma caridade vigilante, porque para se conseguir a salvação é necessário “reconhecer Cristo que nos sai ao encontro nos nossos irmãos, os homens” (9). Todos os dias Ele sai ao nosso encontro: na família, no trabalho, na rua... Ele, Jesus.
III. O episódio da viúva de Naim põe de manifesto que Jesus se apercebe imediatamente da dor e compreende os sentimentos daquela mãe que perdeu o seu único filho. Jesus compartilha o sofrimento daquela mulher. Pedimos hoje ao Senhor que nos dê uma alma grande, cheia de compreensão, para sabermos sofrer com quem sofre, alegrar-nos com quem se alegra..., e para procurarmos evitar esse sofrimento e sustentar e promover essa alegria à nossa volta.
Compreensão também para entendermos que o verdadeiro e principal bem dos outros, sem comparação alguma, é a sua união com Deus, que os levará à felicidade plena do Céu. Não se trata de distribuir “consolos fáceis” entre os desamparados deste mundo ou entre os que sofrem ou fracassam, mas de incutir em todos a esperança profunda do homem que se sabe filho de Deus e co-herdeiro com Cristo da vida eterna, seja qual for a sua condição. Roubar essa esperança aos homens, substituindo-a por outra de felicidade puramente natural, material, é uma fraude que, pela sua precariedade ou utopia, cedo ou tarde conduz esses homens ao desespero mais profundo (10).
A nossa atitude compassiva e misericordiosa – feita de obras – deve exercer-se em primeiro lugar com aqueles com quem nos relacionamos habitualmente, com aqueles que Deus pôs ao nosso lado. Dificilmente poderá ser grata a Deus uma compaixão pelos que estão mais longe se desprezarmos as inúmeras oportunidades que se apresentam cada dia de praticarmos a justiça e a caridade com aqueles que pertencem à nossa família ou trabalham conosco.
Por outro lado, a Igreja sabe muito bem que não pode separar a verdade sobre Deus que salva da manifestação do seu amor preferencial pelos pobres e pelos mais necessitados11. “As obras de misericórdia, além do alívio que trazem aos necessitados, servem-nos para melhorar as nossas próprias almas e as dos que nos acompanham nessas atividades. Todos experimentamos que o contacto com os doentes, com os pobres, com as crianças e os adultos famintos de verdade, constitui sempre um encontro com Cristo nos seus membros mais fracos ou desamparados e, exatamente por isso, um enriquecimento espiritual: o Senhor entra mais intimamente na alma daquele que se aproxima dos seus irmãos mais pequenos, movido não apenas por um simples desejo altruísta – nobre, porém ineficaz do ponto de vista sobrenatural –, mas pelos mesmos sentimentos de Jesus Cristo, Bom Pastor e Médico das almas” (12).
Peçamos ao Coração Sacratíssimo de Jesus e ao de sua Mãe Santa Maria que nunca permaneçamos passivos diante dos apelos da caridade. Desse modo, poderemos invocar Nossa Senhora com as palavras da liturgia: Recordare, Virgo Mater... Lembrai-vos, ó Virgem Mãe de Deus, quando estiveres na presença do Senhor, ut loquaris pro nobis bona, de dizer-lhe coisas boas em nosso favor e pelas nossas necessidades (13).
Francisco Fernández-Carvajal

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O Senhor encheu-se de compaixão
O relato do evangelho é próprio a Lucas. Inspira-se em 1Rs. 17,8-24, no episódio do filho de uma viúva, em Sarepta.
Jesus vai para Naim, pequeno vilarejo entre Cafarnaum e a Samaria. É acompanhado de seus discípulos e grande multidão (v. 11). Às portas da cidade, Jesus e seus discípulos se encontram com outro grupo: “... levavam um morto para enterrar, um filho único, cuja mãe era viúva. Uma grande multidão da cidade a acompanhava” (v. 12). O paralelo é evidente: os dois grupos caminham em direções opostas; o primeiro segue um homem poderoso em gestos e palavras, o segundo grupo, um morto. Até este ponto a descrição da cena e dos personagens é puramente objetiva. De repente somos surpreendidos por uma focalização interna, a menção da compaixão de Jesus: “Ao vê-la, o Senhor encheu-se de compaixão por ela e disse: ‘Não chores!’” (v. 13). A iniciativa de Jesus é provocada pela sua compaixão. A palavra de Jesus permite entrar no coração das pessoas. É por Jesus que somos informados do sofrimento da mulher: “Não chores” (v. 13), e da idade do morto: um “jovem” (v. 14). Não é da morte que Jesus tem compaixão, nem do morto, mas da pessoa que sofre. O acento de todo o episódio é posto em Jesus, sobre sua compaixão e sua palavra poderosa. Nomeando Jesus como senhor no versículo 13, o narrador nos informa que se trata do Senhor da vida que se dirige à viúva.
Nesta passagem não é a morte nem o morto que importam, nem mesmo o retorno à vida, mas que uma mãe já viúva tenha perdido o seu filho único. O retorno à vida não é o objetivo da iniciativa de Jesus, mas a consolação da mãe que chora. A ação de Jesus termina com uma observação: “E Jesus o entregou à sua mãe” (v. 15b). O texto apresenta uma transformação que se dá não somente pelo retorno de um jovem à vida, mas das duas multidões que, primeiramente separadas, são reunidas, num segundo momento, no louvor a Deus. A passagem de Jesus por Naim possibilita um duplo reconhecimento, a saber: da identidade de Jesus (profeta) e da visita salvífica de Deus (cf. v. 16).
Lucas situou o episódio do filho da viúva de Naim antes do da mulher pecadora (7,36-50). A razão: ele quer ir da morte física à espiritual, da ressurreição física à espiritual. Procedimento semelhante ele utilizará com relação aos dois tipos de cegueira (18,35-43; 19,1-10).
Carlos Alberto Contieri,sj

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A vida restaurada
A ressurreição do filho único da viúva de Naim revela Jesus como o Messias, prenunciado pelos profetas, restaurador da vida fragilizada pelo pecado. Esta será uma chave de leitura importante de seu ministério.
O profeta Elias havia ressuscitado o filho de uma pobre viúva, que lhe havia dado de comer, num tempo de seca e de carestia. A expectativa da volta desse profeta, no fim dos tempos, levava muitos a nutrir a esperança de que ele realizaria a mesma sorte de milagres. No apocalipse de Isaías, os habitantes do pó - os mortos - são convocados para despertar e se alegrar, já que, pela força de Deus, os defuntos reviverão e os cadáveres ressurgirão. Estes e outros textos do Antigo Testamento levavam os judeus a esperar uma era messiânica, na qual haveria uma ressurreição geral de todos os justos de Israel.
O milagre evangélico projeta-se neste pano de fundo. Em Jesus, as esperanças messiânicas atingem seu pleno cumprimento. Ele é o Messias esperado. Mas, seu modo de ser superava em muito os esquemas messiânicos acalentados pela piedade popular. Tinham razão as testemunhas do milagre, quando proclamaram: "um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou seu povo!" Entre eles, porém, estava o Filho querido do Pai, com a missão de oferecer vida nova à humanidade. O rapaz ressuscitado tornava-se um símbolo desta realidade.
padre Jaldemir Vitório

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Ressurreição do filho da viúva de Naim
Na época de Jesus, as mulheres eram sempre dependentes, primeiramente de seu pai e depois do marido. E quando uma mulher ficava viúva, todos os bens do marido eram herdados pelo filho mais velho, e ela passava a ser dependente deste filho. As viúvas eram uma parte desprotegida da sociedade e estavam expostas à ganância dos poderosos que, principalmente com a morte de um filho único, seus bens corriam o risco de passar para as mãos de juízes gananciosos.
No evangelho de hoje encontramos uma viúva levando para a sepultura o seu único filho, aliando o sofrimento da perda ao do desamparo.
Jesus sempre se mostrou sensível ao sofrimento humano, tendo compaixão dos que sofrem, demonstrando assim sua natureza humana e, ao contrário do que normalmente acontece, Ele não espera que a viúva ou outra pessoa interceda pela vida do jovem. Quando Ele se depara com tamanho sofrimento, se compadece e compartilha de seus sentimentos, o que O leva a trazer o jovem de volta à vida, mostrando agora Sua grande natureza divina. Jesus não invoca a Deus por várias vezes como Elias e os outros profetas para realizar o milagre, Ele apenas ordena que o jovem se levante: “Moço, eu ordeno a você: Levante-se!”.
A compaixão é feita de palavras e gesto, pois quem tocava num morto naquela cultura era contaminado pela impureza, mas Jesus quebra o tabu e cria as suas próprias leis, e o povo reage com medo diante do extraordinário e maravilhoso.
O povo de Deus esperava pela volta de um profeta e alguns achavam que seria Elias, outros que seria Moisés. Quando Jesus ressuscita o filho da viúva, a multidão que o acompanhava vê Nele o novo profeta que traz toda a graça e a misericórdia de Deus.
 Pequeninos do Senhor
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A confiança da viúva e a ressurreição de seu filho
No tempo de Jesus, Israel esperava a volta do profeta por excelência, para preparar a “visita” de Deus. Havia certa dúvida se o profeta seria Moisés (Dt. 18,16, interpretado no sentido de um novo Moisés) ou Elias (Ml. 3,23-24). Mas, quando Jesus ressuscita o filho de uma viúva (evangelho), não hesitam em reconhecer nele o novo Elias: “Um grande profeta levantou-se entre nós!
Deus visitou seu povo!” Jesus é sinal da presença de Deus, com sua graça e misericórdia. Ele se “comiserou” (Lc. 7,13), como o povo esperava de Deus, no seu Dia. No quadro do evangelho de Lc. esta narração tem ainda outra função: logo depois segue o episódio do Batista, que pergunta se Jesus é aquele que deve vir (o profeta escatológico). E a resposta de Jesus é: “Olha só o que está acontecendo: todas as categorias mencionadas nas profecias messiânicas (especialmente em Is. 35,5-6) encontram cura, e até mortos são ressuscitados (Lc. 7,11-17); e aos pobres é anunciada a Boa Nova (programa de Jesus, cf. Lc. 4,16-19 e Is. 61,1); será que existe ainda dúvida?”
A 1ª  leitura é narrada para ilustrar como em Jesus se realiza a esperança do novo Elias (tema especialmente caro a Lucas). É uma tipologia: Elias é o “primeiro esboço” (tipo) que é levado à perfeição em Cristo (antítipo). Por trás destas tipologias, frequentes na antiga teologia cristã, está a fé na continuidade da obra de Deus: o que ele tinha iniciado em Israel, levou-o a termo em Jesus Cristo. Que Jesus supera Elias aparece nos detalhes da narração: ele não é apenas “homem de Deus”, mas “o Senhor”; não precisa fazer todos os “trabalhos” que Elias fez para reanimar a criança…
Tanto a 1ª leitura como o evangelho revelam grande valorização da vida. Deus quer conservar seus filhos em vida. Isso está em violento contraste com a leviandade e até o desprezo que a vida humana enfrente em nossa sociedade. Deus se comisera para fazer reviver uma criança, enquanto nossa sociedade as mata ainda no útero. Será que poderemos novamente falar de uma visita de Deus, quando restaurarmos o sentido do valor da vida, não só no caso do aborto, mas também das guerras, repressão, torturas, poluição do ambiente, dos alimentos, do trânsito assassino, e, sobretudo, da fome? O salmo responsorial destaca também o valor da vida, que Deus dá.
A 2ª leitura continua a leitura de Gálatas, iniciada no domingo passado. Para refutar as teorias dos “judaizantes”, não basta que Paulo recorra ao fato de pregar Jesus Cristo, pois também eles o pregam, ainda que com outras intenções. Então, para provar que seu “evangelho” é o verdadeiro, Paulo mostra a sua origem. Não foi ele mesmo, nem outro ser humano, que o inventou (1,11.16.19). Paulo faz questão de dizer que não foi instruído por homem algum. Quem fez de Paulo seu mensageiro foi Cristo mesmo, que o “fez cair do cavalo”; a transformação operada em Paulo, tomando o antigo rabino, fariseu e perseguidor, um apóstolo de Cristo, não é obra humana. E também seu evangelho não é obra humana. Por isso, este resumo de sua história pessoal é história da salvação …
A oração do dia e a oração final sublinham a iniciativa e transformação que Deus assume em nossa vida. Num mundo do “ter e vencer” é bom lembrar esta realidade fundamental, não para levar ao fatalismo, mas à responsabilidade pelo plano de Deus, que é: que o homem viva, em todos os sentidos.
Johan Konings "Liturgia dominical"
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Deus se dá a conhecer como aquele que caminha com seu povo e o liberta de toda opressão. Demonstra sua ternura e misericórdia especialmente às pessoas que se encontram em situação de sofrimento. Escolhe e envia os profetas que, inseridos no lugar social dos excluídos, abrem caminhos novos, suscitando-lhes esperança e vida. O profeta é o portador da palavra de Deus, capaz de transformar radicalmente a realidade pessoal e social (1ª leitura). Deus envia o seu próprio Filho, que, junto às pessoas marginalizadas e exauridas, lhes devolve a vida e a garantia de um futuro feliz. Sua prática revela o caminho alternativo para uma sociedade justa (evangelho). Jesus escolhe e envia discípulos missionários, como Paulo, para anunciar a palavra que liberta e salva a todos os povos. É a proposta de vida plena, revelada por Jesus (2ª leitura). Os discípulos e discípulas de Jesus, hoje, estão convidados a acolher a palavra de Deus como boa notícia e torná-la boa realidade por meio de gestos concretos de compaixão e solidariedade.
1º leitura (1Rs. 17,17-24): A profecia vence a morte
A missão profética de Elias revela-se como fundamento de todo o movimento profético ao longo da Bíblia. Ele é considerado o pai dos profetas. Sua prática serve, ademais, de inspiração para a prática libertadora de Jesus.
A atuação do profeta Elias se dá no Reino do Norte, durante o reinado de Acab e de Ocozias, entre os anos de 874 e 852 a.C. Elias demonstra profundo zelo pela vontade de Iahweh, de quem se põe totalmente a serviço, conforme ele mesmo declara no início de sua missão: “Pela vida de Iahweh, a quem sirvo...” (1Rs. 17,1). Faz jus, assim, ao significado de seu nome: “Meu Deus é Iahweh”.
Suas ações, de forma predominante, são desdobramento do compromisso com a solução dos problemas que afetam o cotidiano das pessoas necessitadas. A necessidade é o critério-chave que faz o profeta aproximar-se e pôr-se a serviço de quem precisa de ajuda. Essas pessoas são vítimas de um sistema monárquico que produz alto índice de exclusão social. O desenvolvimento econômico se dá com a exploração do povo. O fortalecimento político do Estado privilegia um grupo que concentra poder e dinheiro. A expropriação dos bens (cf. 1Rs. 21) e o abuso da mão de obra dos pequenos causam empobrecimento, miséria, fome e morte.
A viúva de Sarepta e seu filho sintetizam a situação da maioria do povo, cujo futuro permanece fechado. As viúvas, os órfãos e os estrangeiros (Sarepta não faz parte do território de Israel) representam, na Bíblia, as categorias de necessitados. Deus não os quer abandonados nem quer a morte de ninguém. Elias põe-se a serviço de Deus, acolhe o clamor das pessoas que sofrem, vai ao seu encontro para defender e promover o direito à vida digna.
O profeta se hospeda na casa da viúva pobre e estrangeira: a profecia é acolhida pelas pessoas empobrecidas e elas se tornam o lugar teológico-social onde são gestados novos caminhos. Essa gente marginalizada é capaz de solidariedade e partilha. A proximidade com as pessoas sofredoras, o anúncio da palavra que liberta, a oração confiante ao Deus da vida, a insistência em passar a energia profética ao que já se encontra em situação de morte são atitudes que revelam o método de restauração, transformação e ressurreição. Na verdade, a profecia é a manifestação da presença e da misericórdia de Deus, que age por meio do amor afetivo e efetivo. É boa notícia para os pobres. É o projeto de Deus sendo acolhido a partir da casa. Constitui-se em fidelidade à aliança sagrada. Os protagonistas são as próprias pessoas excluídas do sistema oficial. Nelas reside a força e a criatividade divinas, capazes de mudanças radicais. A palavra profética infunde nelas essa consciência.
Evangelho (Lc. 7,11-17): Jesus liberta das garras da morte
O relato do episódio da ressurreição do filho da viúva de Naim encontra-se somente no Evangelho de Lucas. Tem estreita ligação com o episódio de Elias: ambos tratam da morte do filho único, cuja mãe é viúva. Os filhos únicos representam a garantia de futuro para as famílias. A situação de morte não pode deixar acomodadas as pessoas que servem a Deus.
Nos evangelhos, os sinais de cura e libertação, em sua maior parte, são realizados por Jesus em atendimento à súplica dos necessitados. No caso da viúva de Naim, porém, é Jesus mesmo que toma a iniciativa de ir ao seu encontro. “Seus discípulos e numerosa multidão caminhavam com ele.”
Naim é uma cidade amuralhada. Do seu interior para a porta vem uma procissão, acompanhando o enterro do filho único de uma viúva. “Grande multidão da cidade estava com ela.” Duas procissões em sentido contrário. Encontram-se na “porta da cidade”. Jesus vê a situação em que se encontra aquela mãe e fica comovido, isto é, “ele é movido em suas entranhas”, conforme o verbo grego (splanchnizomai). É o mesmo sentimento de amor e compaixão que leva o samaritano a socorrer a pessoa espancada e abandonada à beira do caminho (10,33); é também o mesmo sentimento que leva o pai do filho pródigo a ir correndo ao seu encontro, acolhê-lo nos braços e beijá-lo (15,20).
Jesus, movido pela compaixão, dirige-se à mulher com palavras de consolação e esperança: “Não chores”. Não são palavras de meras condolências. Ele se aproxima, toca no esquife e pede que o jovem se levante. Percebe-se, aqui também, como na narrativa de Elias, alguns verbos-chave reveladores da metodologia que proporciona a transformação de uma realidade de morte.
As pessoas que testemunham o fato glorificam a Deus, reconhecem Jesus como profeta e exclamam: “Deus visitou o seu povo”. É o eco do cântico de Zacarias, que bendiz a Deus “porque visitou e redimiu o seu povo e suscitou-nos uma força de salvação” (1,68s). Não é por acaso que Lucas situa o féretro vindo da cidade, lugar onde o poder se articula e se organiza. É como um seio que, ao invés de gerar a vida, provoca a morte. Jesus, força de salvação, vem com outro projeto que faz parar essa procissão de gente sem vitalidade. Junto com a vida, também restitui ao jovem a palavra. O povo, assim, é chamado a resgatar o direito à palavra e à vida e tornar-se protagonista de uma nova sociedade.
2º leitura (Gl. 1,11-19) - A graça da conversão
Na carta aos Gálatas, Paulo aprofunda, especialmente, o evangelho da liberdade: “Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). A primeira dimensão dessa liberdade se verifica na própria pessoa. Neste sentido, Paulo dá o seu próprio testemunho. Quando arraigado no judaísmo, era ferrenho perseguidor das comunidades cristãs com o intuito de destruí-las. Como judeu, seguia zelosamente as tradições de Israel. Conhecia muito bem as leis e se esforçava por praticá-las, pois aprendera que a salvação de Deus seria concedida por meio da observância legalista.
Com a conversão, porém, muda radicalmente a sua visão teológica. Adquire a consciência de que Deus o escolheu desde o seio materno e o chamou por sua graça. Em seu itinerário pessoal, sempre com maior clareza e profundidade, percebe que a salvação oferecida por Deus se fundamenta na total gratuidade. A sua experiência pessoal o comprova: ele foi agraciado por Deus quando ainda era pecador e confiava nas seguranças humanas. Com essa nova compreensão, Paulo se desvencilha de seu apego à raça de Israel e lança-se ao anúncio do evangelho da salvação a todos os povos. Encontra, nessa missão, forte oposição, especialmente da parte de alguns pregadores judeu-cristãos. É o que se depreende ao ler o texto imediatamente anterior ao da liturgia de hoje (cf. Gl. 1,6-10).
Esses pregadores, também conhecidos como “judaizantes”, procuravam convencer os gentio-cristãos a aderir a certas normas judaicas, especialmente à circuncisão. Certamente diziam que o evangelho pregado por Paulo não era verdadeiro. Vários cristãos deixam-se influenciar por tais pregadores. Paulo põe-se veementemente contra a doutrina desses missionários e alerta as comunidades da Galácia para não se deixarem enganar (cf. Gl. 1,6-10).
Ao enfatizar o seu próprio testemunho de conversão, Paulo quer reafirmar a ação da graça de Deus, revelada em Jesus Cristo. A salvação por ele trazida estende-se a todos os povos sem discriminação. Este é o evangelho da liberdade a que todos podem ter acesso pela fé. É dom de Deus!
Pistas para reflexão
Deus, desde a criação do mundo, estabeleceu um plano de amor e salvação para toda a humanidade. Firmou uma aliança com o seu povo, protegendo-o e amando-o com fidelidade. O egoísmo humano, porém, quebra a aliança sagrada e organiza sistemas que excluem e matam. Deus, no entanto, não abandona o seu povo. Chama pessoas, como o profeta Elias, capazes de ouvir o grito dos necessitados e comprometer-se com sua libertação. Deus envia o seu próprio Filho, Jesus, que assume o programa de anunciar a boa notícia aos pobres, proclamar a liberdade aos presos, recuperar a vista aos cegos e libertar as pessoas oprimidas (cf. Lc. 4,18s). Tanto o profeta Elias como Jesus de Nazaré revelam o caminho que deve ser seguido por todas as pessoas que amam a Deus.
O desafio de uma sociedade justa e fraterna permanece atual. Os discípulos missionários do Senhor não podem acomodar-se. O testemunho de Paulo nos alerta para a necessidade do desapego das seguranças baseadas no poder, normalmente legitimado por sistemas religiosos. A liberdade em Cristo nos leva a acolher a graça da salvação que ele nos trouxe e, por isso mesmo, a amar gratuitamente os irmãos. “O povo pobre das periferias urbanas ou do campo necessitam sentir a proximidade da Igreja, seja no socorro de suas necessidades mais urgentes, como também na defesa de seus direitos e na promoção comum de uma sociedade fundamentada na justiça e na paz. Os pobres são os destinatários privilegiados do evangelho” (DAp 550).
Pode-se fazer a memória dos profetas e profetisas de nossos tempos...
Pode-se também levantar as situações de morte que nos desafiam hoje e valorizar as diversas ações que estão sendo desenvolvidas em favor da vida, estimulando a participação e a criatividade para novas iniciativas...
Celso Loraschi







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