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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 30 de junho de 2016

SÃO PEDRO E SÃO PAULO-ANO C


SÃO PEDRO E SÃO PAULO
SOLENIDADE

3 de Julho – c

1ª Leitura - At 12,1-11

Salmo 33

2ª Leitura - 2Tm 4,6-8.17-18


Evangelho - Mt 16,13-19


Hoje a Igreja celebra a festa de Pedro e Paulo, duas colunas básicas da nossa fé. Depois de Jesus, são eles que representam a força da nossa crença. Por que a fé que professamos hoje, é uma herança do trabalho missionário dos apóstolos, especialmente de Pedro e de Paulo. Continua


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“TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO!” – Olivia Coutinho


SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO.

Dia 03 de Julho de 2016

Evangelho de Mt16,13-19

Com imensa  alegria, celebramos hoje, a festa de São Pedro e São Paulo, dois pilares que sustentam a nossa Igreja!
Vindos de realidades completamente diferentes, estes dois homens, Pedro, um simples pescador  e Paulo, um Judeu culto de origem romana, deixaram-se conquistar por Jesus se entregando por inteiros a serviço do Reino de Deus! E assim, como o próprio Jesus, deram a vida  pela causa deste Reino!
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir,  vem nos despertar sobre  a importância de conhecermos bem Jesus, de nos tornarmos íntimos Dele!
Sem aprofundarmos no conhecimento a Jesus, não vamos entrar na dinâmica do Reino, não vamos  compreender,  que para ganhar a vida, é preciso passar pela cruz!
O texto nos diz, que Jesus, no desejo de saber se o povo e os discípulos, já  haviam entendido o seu messianismo, pergunta-lhes: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do homem? Para esta pergunta, surgiram várias respostas, afinal, é  fácil responder em nome do outro, não compromete! Já quando esta mesma pergunta, é direcionada aos discípulos, vem o silencio, pois desta vez, a pergunta requer uma resposta pessoal, o que exige comprometimento!
Pedro foi o único que respondeu, e respondeu com firmeza: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.”  Esta resposta, agradou Jesus, pois Ele sabia que esta afirmação de Pedro, era fruto da sua convivência com Ele! Por esta profissão de fé, Pedro é convocado para uma missão desafiadora: ser a pedra sobre a qual, Jesus construiria a sua Igreja! “... Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja...”
Este episódio, chama a nossa atenção sobre a responsabilidade de quem afirma conhecer Jesus! Saber quem é Jesus é muito mais do que saber que Ele é Deus, afirmar que conhece Jesus, implica em dar testemunho Dele, em comprometer com a sua causa!
Olhando a escolha de Pedro, para conduzir a sua Igreja, podemos perceber, que Jesus construiu  a sua Igreja sobre a fragilidade humana!  Jesus  não edificou a sua igreja a partir de homens considerados grandes pelo o mundo, mas sobre Pedro, um homem frágil, sujeito a falhas, que representa os homens de toda a história da Igreja: homens santos e pecadores!
Antes de entregar a Pedro, a responsabilidade de conduzir a sua Igreja, Jesus não questiona o seu passado, não lhe faz nenhuma exigência, a não ser, o seu compromisso em transformar o seu amor por Ele em cuidado para com o que lhe é de mais precioso: o povo!
Ao escolher  Pedro para a liderança da sua Igreja,  Jesus demonstra a  sua compreensão para com a fragilidade humana!  Pedro, era de um temperamento extremamente  forte, Jesus sabia que mais tarde, ele o negaria, mas mesmo assim, Ele confiou no seu dinamismo, na sua fidelidade!
A escolha de quem conduziria a barca de Jesus, não caíra sobre um homem especial, e sim, sobre um homem comum, dotado de virtudes e defeitos, como qualquer um de nós, o que  nos mostra, quão é grande a diferença entre os critérios dos homens e os critérios de Deus; os homens, escolhem pessoas capacitadas para os  cargos de lideranças, enquanto que Deus, capacita aquele   que Ele escolhe. 
Com a volta de  Jesus para o Pai, Pedro assume o seu legado e a igreja missionária, fundamentada no amor a Jesus, conduzida pelo Espírito Santo, sobre a liderança de Pedro, dá o seu primeiro passo rumo a uma nova Jerusalém, tendo mais tarde, a grande colaboração de Paulo, que representa a igreja itinerante!
O amor a Jesus, é o fundamento de toda comunidade cristã, numa comunidade cujo centro é Jesus, um líder não se destaca pela sua autoridade, e sim, pelo o seu amor a Jesus transformado em serviço!
A missão da Igreja consiste em revelar aos homens a vida nova que brota da ressurreição de Jesus! Sua grande riqueza está na abertura a todos os povos e culturas!
A Igreja é unidade, ela é a guardiã do amor, do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Pedro e Paulo são modelos de discípulos missionários, com suas virtudes e fraquezas, mas sobre tudo, pelo o seu amor e fidelidade a Cristo e a sua Igreja.


Nesta solenidade, unamos em oração pelo nosso Pastor, o sucessor de Pedro, represente legítimo de Jesus aqui na terra: o Papa Francisco. 


São Pedro e São Paulo roguem a Deus por nós!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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VÍDEO – PEDRO E PAULO
IRMÃ ROSÁRIA E IRMÃ JÚLIA
“Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”.
Estas palavras que o missal propõe como antífona de entrada desta solenidade, resumem admiravelmente o significado de são Pedro e são Paulo. A Igreja chama a ambos de “corifeus”, isto é líderes, chefes, colunas. E eles o são.
Primeiramente, porque são apóstolos. Isto é, são testemunhas do Cristo morto e ressuscitado. Sua pregação plantou a Igreja, que vive do testemunho que eles deram. Pedro, discípulo da primeira hora, seguiu Jesus nos dias de sua pregação, recebeu do Senhor o nome de Pedra e foi colocado à frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Generoso e ao mesmo tempo frágil, chegou a negar o Mestre e, após a ressurreição, teve confirmada a missão de apascentar o rebanho de Cristo. Pregou o Evangelho e deu seu último testemunho em Roma, onde foi crucificado sob o imperador Nero. Paulo não conhecera Jesus segundo a carne. Foi perseguidor ferrenho dos cristãos, até ser alcançado pelo Senhor ressuscitado na estrada de Damasco. Jesus o fez se apóstolo. Pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do império romano e fundou inúmeras igrejas. Combateu ardentemente pela fidelidade à novidade cristã, separando a Igreja da sinagoga. Por fim, foi preso e decapitado em Roma, sob o imperador Nero.
O que nos encanta nestes gigantes da fé não é somente o fruto de sua obra, tão fecunda. Encanta-nos igualmente a fidelidade à missão. As palavras de Paulo servem também para Pedro: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Ambos foram perseverantes e generosos na missão que o Senhor lhes confiara: entre provações e lágrimas, eles fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. Não largaram o arado, não olharam para trás, não desanimaram no caminho... Ambos experimentaram também, dia após dia, a presença e o socorro do Senhor. Paulo, como Pedro, pôde dizer: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar...”
Ambos viveram profundamente o que pregaram: pregaram o Cristo com a palavra e a vida, tudo dando por Cristo. Pedro disse com acerto: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo”; Paulo exclamou com verdade: “Para mim, viver é Cristo. Minha vida presente na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. Dois homens, um amor apaixonado: Jesus Cristo! Duas vidas, um só ideal: anunciar Jesus Cristo! Em Jesus eles apostaram tudo; por Jesus, gastaram a própria vida; da loucura da cruz e da esperança da ressurreição de Jesus, eles fizeram seu tesouro e seu critério de vida.
Finalmente, ambos derramaram o sangue pelo Senhor: “Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Eis a maior de todas a honras e de todas as glórias de Pedro e de Paulo: beberam o cálice do Senhor, participando dos seus sofrimentos, unido a ele suas vidas até o martírio em Roma, para serem herdeiros de sua glória. Eis por que eles são modelo para todos os cristãos; eis por que celebramos hoje, com alegria e solenidade o seu glorioso martírio junto ao altar de Deus! Que eles intercedam por nós na glória de Cristo, para que sejamos fiéis como eles foram.
Hoje também, nossos olhos e corações voltam-se para a Igreja de Roma, aquela que foi regada com o sangue dos bem-aventurados Pedro e Paulo, aquela, que guarda seus túmulos, aquela, que é e será sempre a Igreja de Pedro. Nós sabemos que ela é a esposa do Cordeiro, imagem da Jerusalém celeste. Conhecemos e veneramos o ministério que o Senhor Jesus confiou a Pedro e seus sucessores em benefício de toda a Igreja: ser o pastor de todo o rebanho de Cristo e a primeira testemunha da verdadeira fé naquele que é o “Cristo, Filho do Deus vivo”. Sabemos com certeza de fé que a missão de Pedro perdura nos seus sucessores em Roma. Hoje, a missão de Pedro é exercida por Bento XVI. Ao santo Padre, nossa adesão filial, por fidelidade a Jesus, que o constituiu pastor do rebanho. Não esqueçamos: o papa será sempre, para nós, o referencial seguro da comunhão na verdadeira fé apostólica e na unidade da Igreja de Cristo. Quando surgem, como ervas daninhas, tantas e tantas seitas cristãs e pseudo-cristãs, nossa comunhão com Pedro é garantia de permanência seguríssima na verdadeira fé. Quando o mundo já não mais se constrói nem se regula pelos critérios do Evangelho, a palavra segura de Pedro é, para nós, uma referência segura daquilo que é ou não é conforme o Evangelho.
Rezemos, hoje, pelo nosso santo Padre, Bento. Que Deus lhe conceda saúde de alma e de corpo, firmeza na fé, constância na caridade e uma esperança invencível. E a nós, o Senhor, por misericórdia, conceda permanecer fiéis até a morte na profissão da fé católica, a fé de Pedro e de Paulo, pala qual, em nome de Jesus, “Cristo Filho do Deus vivo”, os santos apóstolos derramaram o próprio sangue.
Ao Senhor, que é admirável nos seus santos e nos dá a força para o martírio, a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Solenidade de são Pedro e são Paulo
Hoje celebramos o glorioso martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo, aqueles“santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus”. Pedro, aquele a quem o Senhor constituiu como fundamento da unidade visível da sua Igreja e a quem concedeu as chaves do Reino; Paulo, chamado para ser apóstolo de um modo único e especial, tornou-se o Doutor das nações pagãs, levando o Evangelho aos povos que viviam nas trevas. Um pela cruz e o outro pela espada, deram o testemunho perfeito de Cristo, derramando seu sangue e entregando a vida em Roma, por volta do ano 67 da nossa era.
Esta solenidade hodierna dá-nos a oportunidade para algumas ponderações importantes.
A Igreja é apostólica. Esta é uma sua propriedade essencial. João, no Apocalipse, vê a Jerusalém celeste fundada sobre doze alicerces com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (cf. 21,14). Eis: a Igreja não pode ser fundada por ninguém, a não ser pelo próprio Senhor, que a estabeleceu sobre o testemunho daqueles Doze primeiros que ele mesmo escolheu. Seu alicerce, portanto, sua origem, seu fundamento são o ministério e a pregação apostólicas que, na força do Espírito Santo, deverão perdurar até o fim dos tempos graças à sucessão apostólica dos bispos católicos, transmitida na consagração episcopal. Dizer que nossa fé é apostólica significa crer firmemente que a fé não pode ser inventada nem tampouco deixada ao bel-prazer das modas de cada época; crer que a Igreja tem como fundamento os apóstolos significa afirmar que não somos nós, mas o Cristo no Espírito Santo, quem pastoreia e santifica a Igreja pelo ministério dos legítimos sucessores dos apóstolos. O critério daquilo que cremos, a regra da nossa adesão ao Senhor Jesus, a norma da nossa fé é aquilo que recebemos dos santos apóstolos uma vez para sempre. Só a eles e aos seus legítimos sucessores o Senhor confiou a sua Igreja, concedendo-lhes a autoridade com a unção do Espírito para desempenharem o ofício de guiar o seu rebanho pelos séculos a fora. Olhemos para Pedro e Paulo e renovemos nosso firme propósito de nos manter alicerçados na fé católica e apostólica que eles plantaram juntamente com os demais discípulos do Senhor. Hoje, quando surgem tantas comunidades cristãs que se auto-intitulam “igrejas” e se auto-denominam “apostólicas”, estejamos atentos para não perder a comunhão com a verdadeira fé, transmitida de modo ininterrupto e fiel na única Igreja de Cristo, santa, católica e apostólica.
Um outro aspecto importante é o significado de ser apóstolo: ele não é somente aquele que prega Jesus, mas, sobretudo, aquele que, escolhido pelo Senhor, com ele conviveu, nele viveu e, por ele, entregou sua vida. Os apóstolos testemunharam Jesus não somente com a palavra, mas também com o modo de viver e com a própria morte. Por isso mesmo, seu martírio é uma festa para a Igreja, pois é o selo de tudo quanto anunciaram. O próprio são Paulo reconhecia: “Não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor. Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila para que esse incomparável poder seja de Deus e não nosso. Incessantemente trazemos em nosso corpo a agonia de Jesus, a fim de que a vida de Jesus seja também manifestada em nosso corpo. Assim, a morte trabalha em nós; a vida, porém, em vós” (2Cor. 4,5.7.10.12). Eis o sinal do verdadeiro apóstolo: dar a vida pelo rebanho, com Jesus e como Jesus, gastando-se, morrendo, pra que os irmãos vivam no Senhor! Por isso a alegria da Igreja na festa de hoje: Pedro e Paulo não só falaram, não só viveram, mas também morreram pelo seu Senhor; e já sabemos pelo próprio Cristo-Deus que não há maior prova de amor que dá a vida por quem amamos! Bem-aventurado é Pedro, bendito é Paulo, que amaram tanto o Senhor a ponto de darem a vida por ele! Nisto são um exemplo, um modelo, uma norma de vida para todos nós. Aprendamos com eles!
Um terceiro aspecto que hoje podemos considerar é a ação fecunda da graça de Cristo na vida dos seus servos. O exemplo de Pedro, o exemplo de Paulo servem muito bem para nós. Bento XVI, ao ser eleito, afirmou humildemente que se consolava com o fato de Deus saber trabalhar com instrumentos insuficientes: quem era Simão, chamado Pedro? Um pescador sincero, mas rude, impulsivo e de temperamento movediço. No entanto, foi fiel à graça, e tornou-se Pedra sólida da Igreja, tão apegado ao seu Senhor, a ponto de exclamar, cheio de tímida humildade: “Senhor tu sabes tudo; tu sabes que te amo” (Jo 21,17). Quem era Saulo de Tarso, chamado Paulo? Um douto, mas teimoso e radical fariseu, inimigo de Cristo. Tendo sido fiel à graça, tornou-se o grande Apóstolo de Jesus Cristo, tão apaixonado pelo seu Senhor, a ponto de nos desafiar: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo!” (1Cor. 11,1). Eis, caros meus, abramo-nos também nós à graça que o Senhor nos concede para a edificação da sua obra, para a construção do seu Reino, e digamos como são Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou, e sua graça em mim não foi em vão” (1Cor. 15,10).
Ainda um derradeiro aspecto, amados no Senhor. Nesta hodierna solenidade somos chamados a refletir sobre o ministério de Pedro na Igreja. Simão por natureza foi feito Pedro pela graça. Pedro quer dizer pedra. Eis, portanto, Simão Pedra. “Tu és Pedro e sobre esta Pedra eu edificarei a minha Igreja. Eu te darei as chaves do Reino” (Mt. 16,16 ss). O ministério petrino é mais que a pessoa de Pedro. Seu serviço será sempre o de confirmar os irmãos na fé em Cristo, Filho do Deus vivo, mantendo a Igreja unida na verdadeira fé apostólica e na unidade católica. É este o ministério que até o fim dos tempos, por vontade do Senhor, estará presente na Igreja na pessoa do sucessor de Pedro, o bispo de Roma, a quem chamamos carinhosamente de papa, pai. O papa é o Pastor supremo da Igreja de Cristo porque somente a ele o Senhor entregou de modo supremo o seu rebanho. Aquilo que entregou aos doze e a seus sucessores, os bispos, entregou de modo especial a Pedro e a seus sucessores, o papa: “Tu me amas mais que estes? Apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21,15). Estejamos atentos, caríssimos: nossa obediência, nossa adesão, nosso respeito, nossa veneração pelo santo Padre não é porque o achamos simpático, sábio, ou de pensamento igual ao nosso, mas porque ele é aquele a quem o Senhor confiou a missão de confirmar os irmãos. Nossa certeza de que ele nos guia em nome de Cristo vem da promessa do próprio Senhor: “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos” (Lc. 22,31-32). É porque temos certeza da eficácia da oração de Jesus por Pedro e seus sucessores, que aderimos com fé ao ensinamento do santo Padre. Estejamos certos de uma coisa: quem não está em comunhão com o papa está fora da plena comunhão visível com a Igreja de Cristo, que é a Igreja católica.
dom Henrique Soares da Costa - www.padrehenrique.com


Tu és Pedro...
O diálogo com os discípulos introduz as palavras dramáticas com que Jesus anuncia pela primeira vez sua paixão e faz sua proposta: o dom da vida (vv. 21-28).
Quem dizeis que eu sou? (vv. 13-16). Se em nossos dias Jesus nos perguntasse: “Quem sou eu para você?”, certamente responderíamos com as palavras de Pedro, pois olharíamos para ele com satisfação, como fazem os alunos que estão convencidos de ter superado com sucesso a prova do exame. Mas ele, provavelmente, insistiria: isto não é o que você pensa, é ainda o que você ouviu os outros dizerem, os padres, as irmãs, os catequistas; mas para você, pessoalmente, quem sou eu? Que influência eu tenho na sua vida, quais as mudanças que a fé em mim operou em você?
Na segunda parte da passagem de hoje, vemos que Jesus diz a Simão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...”. Então, o que é que Jesus entende quando afirma: “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”? Ele se refere à fé nele professada por Pedro. Essa fé constitui o fundamento sólido da Igreja. Torna-a invencível e capaz de dominar as forças contrárias. Todos aqueles que, como Pedro, professam a fé em Jesus Cristo Filho do Deus vivo passam a fazer parte deste edifício solidíssimo que jamais ruirá.
A expressão “as portas do inferno” não deve ser entendida em sentido material. Indica as forças do mal, o que é contrário à vida e ao bem do homem. Nada poderá impedir a Igreja, que acredita firmemente em Cristo, de realizar sua missão de salvação.
Pedro recebe também “as chaves e o poder de ligar e de desligar”. Antes de procurar entender o significado dessas duas imagens, notemos que o poder de ligar e de desligar não é reservado a Pedro, é conferido, logo depois, a toda a comunidade (Mt. 18,18; cf. Jo 20,23).
Essas imagens, usadas frequentemente pelos rabinos do tempo de Jesus, indicam a autoridade de transmitir os ensinamentos do mestre e de decidir o que é conforme e o que é contrário ao evangelho.
Pedro, que apenas manifestou sua fé em Cristo, representa os apóstolos e todos os cristãos que professam a mesma fé.
Mas qual é seu ministério específico? É este o ponto que divide as comunidades cristãs de todo o mundo. Essa divisão é provocada certamente pelo pecado dos homens, não pela palavra de Jesus. Para reconstruir a unidade, não podemos pretender que sejam os outros que se devam converter para nós, nem os irmãos das outras confissões exigir que nos convertamos a eles. Todos devemos converter-nos: para Cristo e para a sua palavra.
No Novo Testamento, esse apóstolo aparece sempre em primeiro lugar e é ele que deve confirmar a fé dos outros (Mt 10,2; Lc 22,32; Jo 21,15-17). Isso indica que a Igreja tem, no bispo de Roma, o encarregado de manter a unidade na fé em Cristo, professada por Pedro.
“O Mílite”



No mês de junho celebram-se alguns dos santos mais queridos da devoção popular: santo Antônio, são João Batista e são Pedro. São festas marcadas por elementos de sabor folclórico, como as fogueiras, as quadrilhas, as comidas típicas: as festas juninas. A Igreja olha tudo isso com maternal compreensão, dentro daquela linha pedagógica ensinada por Jesus: não apagar a mecha que ainda está fumegando, nem quebrar o caniço que está apenas rachado (cf. Mt. 12,20). Ela sabe que por debaixo dessas manifestações menos "canônicas" há sempre implícito algum traço de fé. E os santos festejados acabam sendo uma espécie de padrinhos da fé, que levam o povo à Igreja nos dias de suas festas.
Mas evidentemente a Igreja espera e deseja resgatar cada vez mais o verdadeiro valor dessas festas, para que apresentem aos fiéis o sentido da vida desses santos na caminhada do Povo de Deus. Agora, por exemplo, estamos celebrando São Pedro - transferido de 29 de junho. Na verdade, a festa é de são Pedro e são Paulo, os dois apóstolos que estão nas raízes da Igreja de Roma e do mundo, como está anunciado no cântico de sua festa, lembrando o martírio dos dois, na perseguição de Nero: “Roma feliz, tornada cor de púrpura - destes heróis no sangue tão fecundo". Mas, por motivos óbvios, prevalece nesta data a homenagem a são Pedro, ficando são Paulo para ser mais festejado no dia de sua conversão, que é 25 de janeiro.
Hoje festejamos, então, são Pedro. Aquele que Jesus constituiu chefe visível da Igreja na terra, quando lhe disse: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja" (Mt. 16,18); e a quem confiou a guarda universal do rebanho, na aparição à beira do lago de Tiberíades, depois da Ressurreição: "Apascenta as minhas ovelhas ...apascenta os meus cordeiros" (Jo 21,15.16). E é importante conferir no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos a indiscutível posição primacial de Pedro entre os Apóstolos. Como - só para dar um exemplo - quando ele convocou a comunidade para escolher um apóstolo que ocupasse o lugar de Judas, o traidor.
E, na festa de são Pedro, a Igreja espontaneamente volta seu olhar para o Papa, o sucessor de Pedro no governo da Igreja. E é uma porfia de orações, "para que o Senhor o conserve, lhe dê longa vida, e o faça feliz na terra, e jamais permita que as forças inimigas prevaleçam contra ele" .E é uma tomada de consciência sobre o sentido da autoridade do Papa na Igreja.
Começa pela figura da "pedra", de que se serviu Jesus, mudando até o nome de “Simão" para "Cefas", palavra hebraica que significa "pedra" , possibilitando o jogo de palavras na fórmula da promessa do primado, que em nossas línguas ocidentais encontra similar em francês, onde "Pierre" é Pedro, e "pierre" é pedra. Pedra é sinônimo de unidade e de firmeza. A autoridade do Papa é como um robusto bloco de granito, que simboliza a firmeza e a unidade da Igreja; e que dá aos fiéis uma profunda sensação de segurança, em face das investidas do erro e da violência. O Papa João Paulo gosta de usar a expressão consagrada pelo Vaticano II: "(Cristo) propôs aos demais apóstolos o bem-aventurado Pedro, e nele instituiu o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade de fé e comunhão (LG 18/41 a).
Essas duas palavras - fé e comunhão - foram sabiamente escolhidas para definir a natureza da autoridade do Papa. Ela é uma autoridade de fé. Para que se conserve na Igreja sem confusão nem dubiedades a pureza da doutrina que Jesus nos ensinou. É a autoridade de magistério que o Papa exerce na Igreja. Para nossa total confiança. Jesus dissera a Pedro: "Eu roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos na fé" (Lc. 22,32). Sua palavra é para nós sinal da verdade. Mesmo fora dos casos em que ele declare estar praticando um ato definitivo de pastor e mestre supremo da Igreja - caso em que ele goza pessoalmente da infalibilidade que Cristo prometeu a sua Igreja - sua palavra é sempre luz que guia o Povo de Deus pelo caminho da verdade.
E a sua é uma autoridade de comunhão. Que une a Igreja como uma grande família. O papa é o vigário do amor pastoral de Cristo. Cristo lhe confiou o seu rebanho. E, antes desse gesto de entrega de tão grande poder, quis ouvira declaração de Pedro: "Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo" (Jo 21,29). E nossa obediência ao papa é uma obediência de filhos. Uma obediência de amor. Não a subserviência de bajuladores. Nem mesmo a obediência fria de meros observadores de leis. É a entrega nas mãos da paternidade universal do Santo Padre.
padre Lucas de Paula Almeida, CM





1) Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos (evangelho). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser pedra, rocha, para que Jesus edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc. 22,32). Esta “nomeação” vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (= cidade, reino) do inferno (o poder do mal, da morte) não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do “Reino do Céu” (de Deus).
A libertação da prisão ilustra esta promessa (1ª leitura). Jesus lhe confia também “o poder das chaves”, i.é, o serviço de “mordomo” ou administrador de sua casa, de sua família, de sua comunidade ou “cidade”. Na medida em que a Igreja é realização (provisória, parcial) do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os Papas, são “administradores” dessa parcela do Reino de Deus (dos “Céus” no sentido de “Deus”... nada a ver com a figura de Pedro como porteiro do céu no sentido do “além”..).
Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro, sendo aquele que “responde pelos Doze”, administra ou governa as responsabilidades da evangelização (não a administração material...). Quem exerce este serviço hoje é o papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma (de Roma, por causa das circunstâncias históricas).
Pedro recebe também o poder de “ligar e desligar” - o poder da decisão, de obrigar ou deixar livre -, exatamente como último responsável da comunidade (em Mt. 18,18, esse poder é dado à comunidade como tal, evidentemente sob a coordenação de quem responde por ela). Não se trata de um poder ilimitado, mas da responsabilidade pastoral, que concerne à orientação dos fiéis para a vida em Deus, no caminho de Cristo.
2) Paulo: Se Pedro aparece como fundamento institucional da Igreja, Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão do Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo; “apóstolo”. É ele que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos, de serem testemunhas de Cristo “até aos extremos da terra” (At. 1,8).
As cartas a Tímóteo, escritas da prisão em Roma, são a prova disto, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Ele é o “apóstolo das nações”. No fim da sua vida, pode oferecer sua vida como “oferenda adequada” a Deus, assim como ele ensinou (Rm 12,1). Como Pedro, ele experimenta Deus como um Deus que liberta da tribulação (2ª leitura).
Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os fundadores da Igreja universal. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária.
Essa complementaridade pode provocar tensões (cf. Gl. 2); as preocupações de uma “teologia romana” podem não ser as mesmas que as de uma “teologia latino-americana”. A recente polêmica em tomo da Teologia da Libertação mostrou que tal tensão pode ser extremamente fecunda e vital para a Igreja toda.
Hoje, celebra-se especialmente o “Dia do Papa”. Enseja uma reflexão sobre o serviço da responsabilidade última. Importa libertar-nos de um complexo antiautoritário de adolescentes. Devemos crescer para a obediência adulta, sem mistificação da autoridade, nem anarquia. O “governo” pastoral é um serviço legítimo e necessário na Igreja. Mas importa observar também que aquele que tem a última palavra deve escutar as penúltimas palavras de muita gente.
padre Johan Konings, sj



A liturgia de hoje, celebra são Pedro e são Paulo, os dois pilares de fundação da Igreja que, de formas diferentes e complementares, edificaram a Igreja de Jesus. É a festa da fé de são Pedro que reconheceu, antes de qualquer outro, Jesus como o Messias, e foi escolhido por Ele para ser a pedra fundamental da Igreja, por isso comemoramos também hoje o dia do papa, e de são Paulo que passou de perseguidor a perseguido por aceitar a missão para qual Jesus o convidou, de levar seus ensinamentos a todos: pagãos, reis e também ao povo de Israel, missão esta que ele cumpriu com dedicação e especial criatividade missionária.
Pedro, um homem simples, um pescador sem cultura que ao longo dos evangelhos se revela cheio de contrastes, se recusa a ter os pés lavados por Jesus, mas de imediato pede que Ele o lave por completo; diz que jamais abandonaria Jesus, mas em seguida quando Jesus é condenado, ele o nega três vezes. No entanto, o poder do Espírito Santo transforma esse homem simples e intempestivo em um líder sensato e dinâmico que, juntamente com seus irmãos em Cristo, funda a igreja de Jesus e a comanda com firmeza, como uma rocha. Jesus confiou também a ele as chaves do Reino dos céus, conferindo-lhe autoridade para governar Sua igreja, Seu povo. Já o poder de ligar e desliga, é o poder de tomar decisões e de absolver ou não os pecados.
Paulo, por sua vez, não era um discípulo que caminhou com Jesus durante sua vida terrena, ou se quer era seu seguidor, na verdade perseguia os cristãos e, no caminho de Damasco, na sua última perseguição a eles, Jesus o convida a conversão, e mais do que isto, quer que ele seja Seu apóstolo para levar a Sua palavra a todas as nações, missão esta que Paulo cumpre com coragem e determinação. Mas, seu marco principal é a criatividade de sua catequese, que faz brotar a fé em Cristo em todos os que o escutam, quer seja oralmente ou através de suas cartas repletas do Espírito Santo. Perto de sua morte, Paulo deixa em sua segunda carta a Timóteo 4,7, o seu mais belo ensinamento: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé”, pois não importa as adversidades que se tem no dia a dia, a Fé deve ser sempre conservada.
São Pedro e são Paulo eram muito unidos na missão, e o compromisso de Evangelizar eles cumpriram à risca, correndo risco de vida, sem medo, iluminados com a força do Espírito de Jesus que os fortalecia a cada dia, em todos os lugares.

Pequeninos do Senhor


Fé e missão
A missão de liderança confiada a Pedro exigiu dele uma explicitação de sua fé. Antes de assumir o papel de guia da comunidade, foi preciso deixar claro seu pensamento a respeito de Jesus, de forma a prevenir futuros desvios.
Se tivesse Jesus na conta de um messias puramente humano, correria o risco de transformar a comunidade numa espécie de grupo guerrilheiro, disposto a impor o Reino de Deus a ferro e fogo. A violência seria o caminho escolhido para fazer o Reino acontecer.
Se o considerasse um dos antigos profetas reencarnados, transformaria a Boa-Nova do Reino numa proclamação apocalíptica do fim do mundo, impondo medo e terror. De fato, pensava-se que, no final dos tempos, muitos profetas do passado haveriam de reaparecer.Se a fé de Pedro fosse imprecisa, não sabendo bem a quem havia confiado a sua vida, correria o risco de proclamar uma mensagem insossa, e levar a comunidade a ser como um sal que perdeu seu sabor, ou uma luz posta no lugar indevido.
Só depois que Pedro professou sua fé em Jesus, como o “Messias, o Filho do Deus vivo”, foi-lhe confiada a tarefa de ser “pedra” sobre a qual seria construída a comunidade dos discípulos: a sua Igreja. Entre muitos percalços, esse apóstolo deu provas de sua adesão a Jesus, selando o seu testemunho com a própria vida, demonstração suprema de sua fé. Portanto, sua missão foi levada até o fim.
padre Jaldemir Vitório



Mártires pelo testemunho do amor à pessoa de Jesus Cristo.
Ao celebrarmos a festa de Pedro e Paulo, celebramos a festa do que a Igreja é: Corpo de Cristo, testemunha de Jesus Cristo (At. 1,8), testemunha da vitória de Cristo sobre o mal e todas as suas manifestações e sobre a morte. Ao celebrarmos num mesmo dia a festa desses dois mártires, tão diferentes entre si mas unidos pelo mesmo amor à pessoa de Jesus, amor que os levou a entregar as próprias vidas, celebramos a diversidade da Igreja e o desafio de construir a comunhão eclesial. Um e outro puderam experimentar uma profunda e radical transformação em suas vidas. Pedro foi encontrado pelo Senhor às margens do mar da Galileia, enquanto com seu irmão André lavava as redes, depois de uma noite de pesca. A partir desse primeiro encontro, teve início um longo caminho de transformação radical da vida, que o levou a essa magnífica expressão de adesão radical a Jesus: “… Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17). Paulo, de perseguidor implacável da Igreja de Cristo, foi iluminado pelo Senhor no caminho de Damasco. Essa iluminação, num primeiro momento, o cegou para fazê-lo compreender que todo o passado dele sem Cristo era uma grande cegueira. A luz que surpreendeu Paulo o cegou para dar a ele uma nova luz, a luz do Cristo ressuscitado, a iluminação que é dada como fruto da fé no Senhor, vencedor do mal e da morte.
A fé da Igreja está apoiada na rocha da fé de Pedro e no testemunho daqueles que com Pedro foram testemunhas oculares de tudo o que Jesus fez e ensinou. Pela fé a Igreja é revestida da luz do Cristo ressuscitado e, pela graça do mesmo Cristo, é herdeira de sua vitória (cf. Ap. 12,1-6). Deles e de todos os que viveram o tesouro da fé a ponto de darem suas vidas, pode-se dizer que nada foi capaz de separá-los do amor de Cristo (Rm. 8,35-37). Por razões diferentes, a Igreja de todos os tempos sempre foi perseguida e ameaçada. Sempre tivemos mártires. O nosso tempo, nesse aspecto, não faz exceção. Atrás do discurso da tolerância religiosa, esconde-se uma verdadeira rejeição aos valores verdadeiramente cristãos. Que Deus nos dê a graça e a força do Ressuscitado para que, apoiados na fé dos Apóstolos, possamos, não obstante o mundo que nos cerca, dar o verdadeiro testemunho de Cristo.
Carlos Alberto Contieri, sj

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Confissão de Pedro
Esta narrativa da "confissão de Pedro" se completa e encontra seu sentido pleno com a narrativa seguinte sobre o primeiro "anúncio da paixão", com o diálogo conflitivo entre Jesus e Pedro. Estas narrativas são encontradas nos três evangelhos sinóticos, Marcos, Mateus, e Lucas, porém com destaques próprios em cada um destes evangelistas.
Marcos, que é o primeiro dos evangelhos canônicos a ser escrito, situa a passagem narrada no momento em que Jesus encerra seu ministério entre os gentios da Galiléia e das regiões vizinhas, iniciando o caminho para Jerusalém, em ambiente de exclusividade judaica, onde se dará o confronto final com os chefes de Israel. Marcos se preocupa em mostrar que Jesus rejeita o título messiânico, indicativo de ambição e poder, afirmando-se como o simples e humilde humano, cheio do amor de Deus e comunicador deste amor que dura para sempre. Um sinal de seu despojamento é a sua vulnerabilidade à morte programada pelos chefes do Templo e das sinagogas. Lucas, por sua vez, despreocupa-se com a situação temporal e geográfica do episódio narrado, colocando-o em um momento de oração de Jesus, e conclui sua narrativa, como Marcos, registrando a rejeição sumária de Jesus ao título messiânico.
No texto de Mateus, acima, encontramos duas de suas características dominantes. Mateus acentua a dimensão messiânica de Jesus e já apresenta sinais da instituição eclesial nascente. Mateus escreve na década de 80, quando os discípulos de Jesus oriundos do judaísmo estavam sendo expulsos das sinagogas que até então freqüentavam. Mateus pretende convencer estes discípulos de que em Jesus se realizavam suas esperanças messiânicas moldadas sob a antiga tradição de Israel. Daí o acentuado caráter messiânico atribuído a Jesus por Mateus. Os cristãos, afastados das sinagogas, começam a estruturar-se em uma instituição religiosa própria, na qual a figura de referência é Pedro, já martirizado em Roma. Embora no Segundo Testamento se perceba conflitos entre Pedro e Paulo (cf. Gl. 2,11-14), a liturgia os reúne em uma só festa. Pedro é lembrado pelo seu testemunho corajoso diante da perseguição e Paulo, por seu empenho missionário em territórios da diáspora judaica.
José Raimundo Oliva












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