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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

19º DOMINGO TEMPO COMUM-C


19º DOMINGO TEMPO COMUM
7 de Agosto de 2016

Ano C

1ª Leitura - Sb 18,6-9

Salmo - Sl 32

Leitura - Hb 11,1-2.8-19

Evangelho - Lc 12,32-48



Jesus nos aconselha a não ter medo do futuro, medo da morte.  Nos fala que foi do agrado do Pai nos dar uma vida dedicada ao Reino os Céus.  Continuar lendo


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“... O FILHO DO HOMEM VAI CHEGAR NA HORA EM QUE MENOS ESPERARDES.”- Olivia Coutinho

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 07 de Agosto de 2016

Evangelho de Lc12,32-48

Estamos no mês de Agosto, refletindo sobre a importância de vivermos bem a nossa vocação!
Ao nos chamar para um determinado serviço, Jesus nos propõe algo de concreto, isto é: a darmos um sentido novo à nossa existência, uma única e fundamental direção que é idêntica para todas as vocações: a santidade como meta para chegarmos a eternidade!
O mundo atual, não pensa mais encima de valores humanos, religiosos, familiares, hoje, a  pessoa não é vista pelo o que é, e sim pelo o que tem!
O homem, na sua insensatez, ignora o projeto de Deus,  buscando  a felicidade fora do seu plano optando por caminhos incertos que não o faz chegar a lugar nenhum. O ter e o poder, o enlouquece, dando-lhe uma falsa alegria, que mascara a pior doença da atualidade: a indiferença ao amor de Deus! 
E mesmo com tantas respostas ingratas a este amor sem limites, Deus não desiste do humano, não cansa de esperar pelo o seu retorno a vida!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos convida a refletir quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena, a conscientizarmos de que o nosso tempo presente deve ser um tempo útil à nossa caminhada rumo à eternidade. É importante aproveitamos bem este tempo, pois ele é o único  espaço sagrado que Deus nos concede para adquirirmos um tesouro no céu.
O texto vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da transitoriedade da vida terrena, a vida que passa! Quanto ao dia e hora da nossa passagem, Deus preferiu ocultar de nós, só nos deixou uma pista, que nos foi revelada por Jesus: vai acontecer num momento  inesperado, o que pode nos deixar apreensivos. No entanto, para quem vive dentro do plano de Deus, o dia e hora não importa, o importante é estar o tempo todo em sintonia com Deus, ciente de que há uma vida melhor por vir, uma vida em plenitude que é  a vida eterna! 
No início do evangelho, Jesus encoraja os discípulos: “Não tenhais medo pequenino rebanho...” Com essas palavras, Jesus assegura-lhes que embora sendo um grupo pequeno, para uma missão tão grande, eles não precisariam ficar temerosos, pois a força do alto estaria sobre eles! 
Jesus convidou os discípulos de ontem, e convida a nós, discípulos de hoje, a abrir mão dos bens terrenos, para tomarmos posse dos bens eternos, convidou-nos, a abandonar a mentalidade do mundo para vivermos a dinâmica do reino, que tem como fio condutor o amor, o amor  que culmina na entrega da vida!
“Vós também ficais preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes!” Jesus compara este “ficais preparados,” com a postura de um empregado, que mesmo sem saber a hora que o patrão irá chegar, ele está sempre preparado, pronto para servi-lo!
O evangelho nos alerta sobre a importância de estarmos atentos, vigilantes o tempo todo, o que não significa ficarmos parados, pelo contrário, devemos esperar pela segunda vinda de Jesus, no exercício da nossa missão, no lugar onde fomos plantados por Deus para produzir frutos!
“Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas.” No contexto do tempo de Jesus, estar com os rins cingidos, significava colocar sobre as vestes largas, um cinto, ou uma corda na altura da cintura, o que facilitaria os movimentos do corpo, possibilitando mais agilidade no trabalho. Rins cingidos, fala de estar pronto para o  serviço, foi o que o próprio Jesus fez; cingiu-se para lavar os pés dos apóstolos, numa atitude de humildade e de serviço!
Manter as lâmpadas acesas, fala de vigilância, uma vigilância constante, dia e noite, ou seja, todo o tempo de nossa vida terrena.
Ao longo do texto, Pedro, o discípulo que não guardava dúvida, pergunta à Jesus: “Senhor tu contas essa parábola para nós ou para todos? Jesus responde com outro pergunta; “ Quem é o administrador que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa?”
Ao que tudo indica, aquela parábola, dentro daquele contexto, era primeiramente endereçada aos discípulos (pequeno rebanho), especialmente à Pedro, que mais tarde, seria o administrador, à serviço do povo de Deus.
Hoje, esta parábola, é para cada um de nós, discípulo missionário, todos nós, de uma forma ou de outra,  somos administradores do que é de Deus, exercendo algum tipo de serviço, de liderança, e como tal, precisamos nos conscientizar de que ser líder, não é  privilégio, ser líder é missão, é estar a serviço!
O desafio de quem busca a eternidade, é não desanimar e nem se isolar, é servindo ao outro, é partilhando a vida, que estaremos nos preparando para o nosso encontro definitivo com o Pai!
Em Jesus encontramos força e coragem para enfrentar e superar as inúmeras adversidades da vida! Com Ele, em vez de medo, cultivemos em nossos corações, a semente da esperança, que é fruto da  fé! 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A vigilância escatológica
A vigilância é uma atitude bíblica. A liturgia de hoje nos lembra a noite em que Deus libertou seu povo da escravidão do Egito – quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé e cajado na mão, celebravam o Senhor pela refeição pascal. Estavam prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do mar Vermelho até o deserto (primeira leitura). Segundo o evangelho, a vigilância é também a atitude do cristão que espera a volta de “seu senhor”, o qual, encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim, na ceia que precedeu o dom de sua vida (cf. Lc. 22,27). Jesus é o Senhor servo.
Convém, portanto, abrir os olhos para a realidade que está ainda escondida por trás do horizonte, mas é decisiva para a nossa vida. Sintetizando o espírito da liturgia de hoje, poderíamos dizer: o mundo nos é confiado não como uma propriedade, mas como um serviço a um “Senhor” que está “escondido em Deus”, porém, na hora decisiva, se revelará ser nosso amigo e servo de tanto que nos ama, a nós e os que confiou à nossa solicitude vigilante. “Minha vida não é propriedade a que me apegar, mas dom a serviço de todos” poderia ser um lema adequado para esta celebração.
1º leitura: Sb. 18,6-9
Segundo Ex. 12,42, Deus passou a noite em vigília para libertar Israel e por isso Israel lhe dedica a vigília pascal. Na primeira leitura de hoje, ouvimos a meditação do livro da Sabedoria sobre essa memória do povo. Sb. 10,19 descreve a atuação da divina Sabedoria na história de Israel. Na “noite” (Sb. 18,6) do êxodo, Deus castigou o Egito, fazendo morrer seus primogênitos; foi o juízo de Deus, para salvar Israel (Sb 18,14-19; cf. Ex. 12,12.29). O texto lembra que os “pais” (os antigos israelitas) preparavam-se para essa noite (Ex. 11,4-6), a noite da vigilância (Ex. 12,42), celebrando Javé no escondido (Sb. 18,9). Tal vigilância e fidelidade são tarefa para todas as gerações, até a libertação final.
Salmo responsorial: 33[32],1.12.18-19.20.22)
O salmo responsorial louva essa fidelidade de Israel em recordar-se dos benefícios do Senhor: feliz o povo que Deus escolheu por herança. “Nele esperamos confiantes.”
Evangelho: Lc. 12,32-48
O evangelho “atualiza” a lembrança da vigília de Israel no tema da vigilância escatológica. A comunidade cristã era uma minoria vulnerável, um “pequeno rebanho” (12,32). Porém, a ela pertence o Reino, a comunhão com Deus. Nisso entram diversas considerações. Lembrando o ensino de Jesus sobre a riqueza (Lc. 12,33-34; cf. domingo passado), o evangelho ensina que o discípulo deve estar livre, procurando só o que está guardado ou depositado (a tradução diz “tesouro”) junto a Deus. Os versos seguintes, Lc. 12,35-48, ensinam então a vigilância (cf. primeira leitura): perceber o momento! Os servos devem estar prontos para a volta do seu Senhor, pois essa volta será o juízo tanto sobre os que estiverem atentos quanto sobre os despreocupados. E essa vigilância consiste na fidelidade no serviço confiado a cada um (cf. Mt. 24,43-51; 25,1-13; Mc. 13,35).
Lucas nos faz ver nossa vida em sua dimensão verdadeira. Vivendo no ambiente mercantilista do império romano, o evangelista vê constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome (cf. 16,19-31). Se escrevesse hoje, não precisaria mudar muito. Ensina-nos a vigilância no meio das vãs ilusões.
A leitura continua com outras sentenças e parábolas referentes à parusia. Elas explicam, de maneira prática, o que a vigilância implica. Com a imagem do administrador sensato e fiel (12,42), Lucas ensina a cuidar do bem de todos os que estão em casa. Pela pergunta introdutória de Simão Pedro (12,41), parece que isso se dirige sobretudo aos líderes da comunidade. A vigilância não significa ficar de braços cruzados, esperando a parusia acontecer, mas assumir o bem da comunidade (cf. 1Ts. 5). Lucas fala também da responsabilidade de cada um (12,47-48). Quem conhecia a vontade do Senhor e, contudo, não se preparou será castigado severamente, e o que não conhecia essa vontade se salva pela ignorância; a quem muito se deu, muito lhe será pedido; a quem pouco se deu, pouco lhe será pedido.
O importante dessa mensagem é que cada um, ao assumir no dia a dia as tarefas e, sobretudo, as pessoas que Deus lhe confiou, está preparando sua eterna e feliz presença junto a Cristo, que é, conforme Lc. 13,37 e 22,27, “o Senhor que serve” (o único que serve de verdade). Cristo ama efusivamente a gente que ele confia à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar a esperança em nós depositada.
A visão da vigilância como responsabilidade mostra bem que a religião do evangelho não é ópio do povo, como Marx a chamou. A fé, vista na perspectiva do evangelho de hoje, implica até a conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, se descobre que bem administrar a casa não é passar de vez em quando uma cera ou um verniz nos móveis, mas também, e sobretudo, mexer com as estruturas tomadas pelos cupins...
Tal vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil viver despreocupado, aproveitar o momento... pois, afinal, “quem sabe quando o patrão vai voltar?” (cf. Lc. 12,45).
2ª leitura: Hb. 11,1-2.8-19
Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé. Nesse sentido, a segunda leitura vem sustentar a mensagem do evangelho. Traz a bela apologia da fé de Hb. 11: A fé é a esperança daquilo que não se vê. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê (11,1).
Hb. 11-12 é dedicado ao tema da fé. A fé olha para o futuro, como Abraão, como os israelitas no tempo do êxodo, como o discípulo que espera a vinda do Senhor; é esperança. Não deixa a pessoa instalar-se no presente. Este mundo não é o termo do caminho do ser humano. Deus preparou-lhe uma pátria melhor. O cristão é um estrangeiro neste mundo. Decerto leva este mundo a sério, mas isso se exprime exatamente no fato de ficar livre diante dele (o que não exclui o compromisso com os filhos de Deus neste mundo!).
Quando concebida como esperança vigilante, percebe-se o teor escatológico da fé. Ela não é, em primeira instância, a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência no que não é visível nem palpável, porém tão real que pode absorver o mais profundo do meu ser. Hebreus cita toda uma lista de exemplos dessa fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava. O caso mais marcante é a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus (11,8-19; cf. Gn 15,6). O texto continua: muitos deram a vida por essa fé, que fez Israel peregrinar qual estrangeiro neste mundo (11,35b-38). Mas o grande exemplo fica reservado para o próximo domingo: Jesus mesmo.
Se se procura uma leitura mais afinada com a primeira e o evangelho, pode-se considerar Ef. 6,13-18, sobre “a armadura da fé”.
Viver para aquilo que é definitivo
O fim para o qual vivemos reflete-se em cada uma de nossas ações. A cada momento pode chegar o fim de nossa vida. Que esse fim seja aquilo que vigilantes esperamos, como os hebreus vigiaram na noite da libertação, preparados para sair da escravidão; então não será uma noite de morte e condenação, como foi para o empregado malandro surpreendido pela volta inesperada de seu patrão.
Preparemo-nos para o definitivo de nossa vida, aquilo que permanece, mesmo depois da morte. Essa é uma mensagem difícil para o nosso tempo de imediatismo. Muitos nem querem pensar no que vem depois; contudo, a perspectiva do fim é inevitável. Já outros veem o sentido da vida na construção de um mundo novo, ainda que não seja para si mesmos, mas para seus filhos ou para as gerações futuras. Assim como os antigos judeus depositavam sua esperança de sobrevivência nos filhos, essas pessoas a depositam na sociedade do futuro. É nobre. Mas será suficiente?
Jesus abre uma perspectiva mais abrangente: um “tesouro” no céu, uma vida guardada junto a Deus. Até lá não chega a desintegração a que diariamente assistimos. Mas será que olhar para o céu não desvia nosso olhar da terra? Não leva à negação da realidade histórica, desta terra, da nova sociedade que construímos? Ou será, pelo contrário, uma valorização de tudo isso? Com efeito, mostrando como são provisórias a vida e a história, Jesus nos ensina a usá-las bem, para produzir o que ultrapassa a vida e a história: o amor, que nos torna semelhantes a Deus. Esse é o tesouro do céu, mas ele precisa ser granjeado aqui na terra.
Tal visão cristã acompanha os que se empenham pela construção de um mundo novo, solidário e igualitário, a fim de suplantar a atual sociedade, baseada no lucro individual. Contudo, não basta simplesmente manter-se nesse nível material, por mais que ele dê realismo ao empenho do amor e da justiça. A visão cristã acredita que a solidariedade exercida aqui e agora, na história, é confirmada para além dela. Ultrapassa nosso alcance humano. É a causa de Deus mesmo, confirmada por quem nos chamou à vida e nos faz existir. À utopia histórica, a visão cristã acrescenta a fé, “prova de realidades que não se veem”. A fé, baseada na realidade definitiva que se revelou na ressurreição de Cristo, dá-nos a firmeza necessária para abandonar tudo em prol da realização última – a razão de nosso existir.
padre Johan Konings, sj.




Preparando os discípulos
O Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes (Lc. 12,40)
O tom desta página de Lucas é de delicadeza. O Mestre previne. Prepara os seus para poderem fazer parte, efetivamente, desse mundo novo que se chama Reino.
A Igreja, a comunidade do discípulos, não tem que temer. Mesmo sendo ela um pequeno rebanho, o Senhor dela arranca o medo. Pensamos nos dias de hoje. Cidades imensas, milhões de habitantes, manifestações populares contando com  mais de um milhão de participantes. Muitas de nossas paróquias  sentem sensível diminuição de seus membros.  Alguns dos nossos buscam outras religiões. Muitas das famílias têm poucos filhos. E as famílias não são profundamente cristãs. E lá estamos nós. Somos um pequeno rebanho. Participamos da missa, levamos a comunhão aos doentes, tentamos ser cristãos no modo de viver a família, a política e a vida.  Mas temos medo. Por vezes dá-nos a impressão que o Senhor desaparece de nosso horizonte.
Lucas encandeia, então, uma série de instruções-advertências.
Primeiro se trata de ter um tesouro verdadeiro. Seria a fé e a confiança. Fé e confiança nas promessas do Senhor.  Somos convidados a vender nossas bolsas, a dar esmolas. No fundo somos levados a ser pobres que confiam no Senhor. Lucas gosta do tema da pobreza.  Os que se desfazem dos bens e de sua auto-suficiência  conseguem um tesouro no céu, que o ladrão não rouba e que a traça não corrói.
Um pensamento cheio de sabedoria:  onde está o vosso tesouro, aí está o vosso coração. Se o dinheiro conta muito, se buscamos aplausos, se somos catadores de todos os prazeres, se  queremos sentir o odor de todas as flores, se  nos apegamos a tudo aquilo que tem aparência de brilho, então tudo isso constituirá o nosso tesouro.  Ou, quem sabe, em momentos de verdade mais profunda, temos como tesouro a preocupação pelo bem estar dos mais fracos, pela difusão da fé que nos dá alento, pelas coisas de Jesus. Onde está o nosso tesouro?
Num determinado momento Lucas nos coloca em clima de advento.
Conta a parábola dos servos que deverão estar com os rins cingidos e ter lâmpadas acesas. Pode ser que a comunidade lucana estivesse estranhando a demora do retorno de Jesus. Como conseqüência estava perdendo o ânimo, acomodando-se. Jesus vem, vem de verdade. Vem no final dos tempos, mas vem nas encruzilhadas de nossas vidas. Será preciso aquietar o coração para poder perceber o ruído dos seus passos. Se estivermos com o coração aturdido não ouviremos o murmúrio de sua chegada. Por isso, vigilância, estado de conversão e de generosidade.
Os conselhos de pastoral, os grupos de catequistas, leigos e sacerdotes, nesses tempos diferentes, saberão rever seu modo de serem discípulos do Senhor e entrarão num clima de vigilância e de atenção interiores.
frei Almir Ribeiro Guimarães





A vigilância escatológica
Lucas nos faz ver nossa vida em sua dimensão verdadeira. Vivendo no ambiente mercantilista do Império Romano, Lc. vê constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome (cf. 16,19-31). Se escrevesse hoje, não precisaria mudar muito. No evangelho, nos ensina a vigilância no meio dessas vãs ilusões. A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do Egito, quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé, cajado na mão, celebravam Javé pela refeição pascal, prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do Mar Vermelho até o deserto (1ª  leitura). A vigilância é também a atitude do cristão, que espera a volta de seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim (cf. 22,27). Jesus é o Senhor servo.
O trecho - se adota a leitura extensa - continua com outras sentenças e parábolas referentes à Parusia. Explicam, de maneira prática, o que essa vigilância implica.
Ser um administrador sensato e fiel (12,42): cuidar do bem de todos os que estão em casa (pela pergunta introdutória de Simão Pedro, 12,41, parece que isto se dirige sobretudo aos líderes da comunidade). A vigilância não é ficar de braços cruzados, esperando a Parusia acontecer, mas assumir o bem da comunidade (cf. 1Ts. 5). Lc fala também da responsabilidade de cada um (12,47-48). Quem conhecia a vontade do Senhor e, contudo, não se preparou, será castigado severamente, ao invés do que não conhecia a vontade de seu senhor; este se salva pela ignorância... a quem muito se deu, muito lhe será pedido; a quem pouco se deu, pouco lhe será pedido.
O importante desta mensagem é que cada um, assumindo a gente que Deus lhe confiou no dia-a-dia, está preparando sua eterna e alegre companhia junto a Cristo, o Senhor que serve (o único que serve de verdade...). Pois Cristo ama efusivamente a gente que ele confia à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar a esperança, que ele coloca em nós. A visão da vigilância como responsabilidade mostra bem que a religião do Evangelho não é ópio do povo. Implica até a conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, a gente descobre que bem administrar a casa não é passar de vez em quando uma cera ou um verniz, mas também e sobretudo mexer com as estruturas tomadas pelos cupins ...
Essa vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil viver despreocupado, aproveitar o momento... pois quem sabe quando o senhor vem? (Lc. 12,45). Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé. Neste sentido, a 2ª leitura vem sustentar a mensagem do evangelho. É a bela apologia da fé, de Hb. 11. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê (11,1). Com esta "definição", é claramente enunciado o teor escatológico da fé. O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que não é visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo do meu ser. Hb. cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava. O caso mais marcante é a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus (11,8-19). O texto continua: muitos deram sua vida por essa fé, que fez Israel peregrinar qual estrangeiro neste mundo (11,35b-38). Mas o grande exemplo fica reservado para o próximo domingo: Jesus mesmo.
Convém, portanto, abrir os olhos para aquela realidade que não aparece e, contudo, é decisiva para a nossa vida. Sintetizando o espírito da liturgia de hoje, poderíamos dizer: o mundo nos é confiado não como uma propriedade, mas como um serviço a um Senhor que está "escondido em Deus", porém na hora decisiva se revelará ser nosso amigo e servo, de tanto que nos ama, a nós e aos que nos confiou. Ou seja: já não vivemos para nós, mas para ele que por nós morreu e ressuscitou (para nos reencontrar como amigos) (Oração eucarística IV). Nesta perspectiva, entende-se a bela oração do dia: somos adotados como filhos por Deus e esperamos sua herança eterna; ideia que volta no salmo responsorial, que descreve Israel como a herança que Deus escolheu para si; nós somos os responsáveis da herança de Deus, sua gente neste mundo.
Johan Konings "Liturgia dominical"






Vigilância
O Evangelho de Lucas tem uma preocupação bastante pontual com as ilusões que a riqueza traz, não condenando a prosperidade, mas, sim, alertando para o devido lugar que deve ter na vida de cada pessoa os bens materiais e os espirituais, sendo que a riqueza que realmente importa é aquela guardada junto a Deus. No versículo trinta e três, Jesus diz: ”Vendam os bens e dêem esmolas”. A palavra esmola no Evangelho de Lucas não tem o significado de dar pouco, mas, sim, partilhar tudo que temos e principalmente o que somos.
Hoje, Jesus convida ao desprendimento dos bens materiais sem medo do futuro. Ele garante que o Pai proverá tudo o que for necessário para sustento de seus seguidores e, principalmente, apresenta a necessidade da vigilância constante. Aliás, a vigilância é ensinada na bíblia desde o livro do Êxodo no capítulo 12, onde o anjo exterminador mata todos os primogênitos das casas onde as famílias não estavam vigilantes, celebrando Javé como Ele mesmo havia ordenado. A vigilância é uma atitude necessária na vida do Cristão que espera a volta de Jesus.
A pergunta de Pedro: “Senhor, esta comparação é só para nós, ou para todos?” leva a pensar que este texto é dirigido diretamente aos líderes da comunidade, àqueles que conduzem o povo de Deus, e que devem assumir a responsabilidade de vigiar, pelo bem de toda a comunidade que eles conduzem. Essa vigilância não tira a responsabilidade de cada membro dessa comunidade em cumprir suas tarefas de acordo com a missão recebida, pois ela se refere ao serviço, em colocar-se a serviço de Deus, e não, em policiar a ação pastoral da comunidade.
Essa vigilância não compreende uma maquiagem superficial para passar a impressão de que tudo está bem. Ela significa zelar pela estrutura, pela essência do ser cristão. Não é uma atitude fácil, mas é necessário não se omitir e nem adiar a sua realização, mesmo quando a missão dada por Deus parece impossível de ser realizada, pois nunca se sabe a hora em que Jesus virá, e o bom servo é aquele que espera vigilante com a tarefa cumprida.
Quando virá o Senhor? Quando e como entraremos no Reino prometido? Isso é segredo de Deus, e como Abraão, nós cristãos devemos aguardar com fé, com vigilância e com esperança, sem saber como e quando se cumprirão as promessas.

Pequeninos do Senhor



Convite a permanecer alerta
A longa espera do Senhor poderia ter como efeito, no coração do discípulo, a lassidão. E, com ela, o risco de agir em total desconformidade com o projeto do Reino. Daí a importância da exortação de Jesus.
A maneira conveniente de esperar o Senhor consiste em desapegar-se dos bens deste mundo, buscando apenas o tesouro inesgotável no céu, que está a salvo da ação dos ladrões e das traças. A maneira prática de desfazer-se das coisas desnecessárias, às quais o coração se apega, resume-se em vendê-las e dá-las aos pobres.
O Evangelho alerta para o risco da posse avarenta de bens. Agindo assim, o discípulo desloca o centro de seus interesses do Reino para os bens materiais. E, com isso, torna-se despreparado para o encontro com o Senhor. Seu coração não estará no Reino, e sim nos bens acumulados. É atitude insensata de quem desconhece a hora em que virá o Senhor.
O discípulo que permanece de prontidão predispõe-se para encontrar o Senhor, qualquer que seja a hora em que ele chegue. Quem age assim, é chamado de "bem-aventurado", pois experimentará a alegria de ser acolhido pelo Senhor que vem. Por conseguinte, nada de se deixar seduzir pelas riquezas, a ponto de se esquecer desse encontro com ele.
padre Jaldemir Vitório





Quando Jesus subiu ao céu, os apóstolos ficaram olhando para cima, até que apareceram dois anjos e lhes perguntaram por que estavam olhando para o alto. Jesus, que naquele momento estava subindo, voltaria um dia. Naquela hora estava acontecendo a ascensão do Senhor e se anunciava a sua parusia, isto é, a sua vinda nos últimos tempos. Os apóstolos ficaram entre dois termos, a ida e a vinda final. Entre esses dois termos estava toda a existência dos discípulos de Jesus neste mundo. O que fazer nesse tempo? Ficar olhando para o céu? Ficar dormindo? Cruzar os braços e esperar? Desfrutar a vida, comendo, bebendo e aproveitando-se dos outros? E, no último momento, antes da chegada do Senhor, aprumar-se, ajeitar-se, arrumar a casa, arrumar a vida, confessar-se, receber os sacramentos e morrer em paz!?
Jesus nos diz no evangelho de hoje que é melhor estar preparado porque ele não tem hora certa para voltar. O Filho do Homem vai chegar na hora em que menos esperarmos! Para não sermos pegos de surpresa e termos que arcar com as consequências de nosso mau comportamento, o melhor é praticar sempre o bem.
Enquanto aguardamos a vinda definitiva de Jesus, temos que trabalhar na construção do Reino, dando origem a um mundo melhor através da criação de laços positivos de relacionamento, favorecendo a vida e o bem-estar de todos, socorrendo os mais fracos, controlando os poderosos, construindo, enfim, o mundo que Deus pensou para todos nós na criação.
Os que estiverem preparados serão recompensados, mas os que não estiverem receberão uma punição. Jesus é tão bom e compreensivo que aceita nosso desejo de recompensa e nosso medo de castigo. Se não formos capazes de um pouco mais, isso já será o suficiente. É possível, porém, agirmos neste mundo com base em convicções e objetivos mais nobres e gratuitos. Podemos ser intrépidos, lutadores corajosos, pela consciência que temos da Aliança que Deus fez com todos nós no sangue de seu Filho Jesus. Podemos fazer parte de uma comunidade corajosa, na qual todos participam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos em favor da humanidade.
Estamos esperando a parusia do Senhor, que deve acontecer no fim dos tempos. Sabemos, porém, que a fé é um modo de possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem. Não é um simples medo de castigo que nos anima a estar preparados. Temos uma certeza de fé que nos faz não só ver agora o que ainda irá acontecer, como também esperar, com alegria e entusiasmo, pelo Senhor que vem.
Enquanto aguardamos, nós nos exercitamos na prática do bem. Exercite a sua sensibilidade fraterna realizando ações concretas e gratuitas em favor dos outros; admire, num ato contemplativo, os atos de sensibilidade feitos por alguém; ensine os que lhe são próximos a ajudar os outros gratuitamente. Esta prática levará você a agir movido pelo Espírito, e não pelo medo ou desejo de recompensa. Pratique atos gratuitos, admire quem os realiza e ensine a fazê-los.
cônego Celso Pedro da Silva






O Reino de Deus é o tesouro!
O Senhor sobe para Jerusalém. Não nos esqueçamos de que a subida tem uma função didática: enquanto sobe para a sua morte (cf. Lc. 9,51), Jesus ensina e instrui os discípulos. Subindo para sua morte ele vai, por seus gestos e palavras, semeando a vida.
É bastante provável que o “atraso da parúsia” tenha criado na comunidade cristã primitiva um clima de desânimo e de laxismo. Isto pode ser verificado pela insistência e pelo espaço que o tema da vigilância ocupa no relato (vv. 35.40.43). Nosso texto é constituído por uma série de conselhos que Jesus dá aos discípulos; compreenda-se que eram os responsáveis pela vida da comunidade.
Trata-se de agir em conformidade com a vontade de Deus – isto é o essencial para a comunidade cristã. A história, nosso caminho para a pátria celeste, é o lugar do testemunho dos cristãos.
Antes de tudo é preciso ter presente que o Reino é dom de Deus e que, por isso mesmo, ninguém pode tirá-lo ou se apropriar dele como sendo seu. Daí que não há o que temer. Da comunidade é exigido não se dispersar, nem ser assimilada pelos bens terrenos, mas viver o valor fundamental de sua vocação: buscar o Reino de Deus. Este é o seu tesouro! Esta busca exige “vigilância” e, como toda busca, empenho para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus.
A comunidade cristã deve ser caracterizada pela disponibilidade cultivada pela iluminação da Palavra de Deus: “Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as lâmpadas acesas” (v. 35). O Senhor vem continuamente ao encontro do seu povo. A imprevisibilidade desse encontro exige a atitude religiosa da vigilância. É ela que possibilita viver a expectativa e o desejo permanentes desse encontro vital para a vida e o testemunho cristão.
Carlos Alberto Contieri,sj




Quando o Evangelho não nos é exigente? Quando a Palavra de Deus não nos questiona? A Escritura diz que “a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do qualquer espada de dois gumes; penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ele julga as disposições e intenções do coração” (Hb. 4,12). A cada domingo, fazemos experiência dessa exigência viva e eficaz da Palavra do Senhor em nossa vida. É o caso também deste hoje.
Comecemos com a advertência consoladora e carinhosa do Senhor Jesus: "Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino”. Tão atual e necessária esta palavra! A fé cristã e a Igreja são tão combatidas atualmente, tão incompreendidas! Cada vez mais nossa sociedade se paganiza, cada vez mais rejeita o cristianismo, cada vez mais fortemente apostata da fé na qual foi plasmada e cada vez menos compreende o Evangelho e suas exigências. Com quanta força se contesta a moral cristã; com quanta ênfase se ressalta e propaga a fraqueza desse ou daquele membro da Igreja, sobretudo do clero... O interesse é um só: desmoralizar a Igreja como porta-voz do Evangelho. Desmoraliza-se a Igreja para calar-se e desmoralizar-se a moral cristã e suas exigências. Olhem o Crucificado, pensem nas suas exigências e recordem o que o mundo pensa e diz: “Não queremos que ele reine sobre nós!” Pois a nós, pequeno rebanho - rebanho cada vez menor -, o Senhor exorta: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!” Não temais o mundo pagão, não temais os escândalos, não temais vossas próprias infidelidades e fraquezas, não temais os sábios da sabedoria deste mundo, que não podem compreender as coisas de Deus (cf. 1Cor. 1,21) e crucificaram e crucificam ainda o Senhor da Glória (cf. 1Cor. 2,8). Não temais ante as dificuldades da vida!
Mas, como é possível resistir? É tão grande o combate; é tão dramática a batalha! As leituras da missa de hoje dão-nos uma resposta emocionante. O livro da Sabedoria nos recorda a noite da saída do Egito. Israel era um povinho, um bando de escravos, menos que nada, menos que ninguém... Como suportou o sofrimento? Como se conservou fiel a Deus? Como resistiu? Como não se dispersou? Resistiu porque colocou somente em Deus sua esperança: “A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos”. O povo de Deus, escravo no Egito, não duvidou da promessa que Deus fizera a Abraão; o povo esperou contra toda esperança e esperou no julgamento de Deus: “Os piedosos filhos dos bons fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos”. Um povo unido pela esperança e pela fé na Palavra de Deus.
A segunda leitura, da carta aos Hebreus, também nos responde: a fé, mãe da esperança, foi a forçados amigos de Deus. “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem”. Na fé, já possuímos; na fé, já tocamos com as mãos aquilo que o Senhor nos prometeu e nos preparou. Foi pela fé que nossos antepassados partiram, deixaram tudo; pela fé tiveram a coragem de viver errantes, morando em tendas, daqui para ali... Pela fé, viveram como estrangeiros nesse mundo, colocando toda esperança em Deus, que nos prepara uma Pátria melhor no céu; pela fé, Abraão, nosso pai, foi capaz de sacrificar seu filho único... Pela fé deles "Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus”.
Vejam: o caminho que o Senhor nos propõe nunca foi fácil... Somente aqueles que tiveram a coragem de se deixar, de se abandonar, de se entregar, perseveraram até o fim. É o que o Senhor nosso, Jesus Cristo, nos propõe hoje:“Vendei vossos bens e dai esmola... Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu... Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas, como homens esperando seu senhor voltar. Ficai preparados!” Todas essas palavras nos convidam ao desapego, à vigilância, à atitude de disponibilidade, de entrega e esperança diante de Deus. E como tudo isso é difícil, num mundo que propõe como ideal de vida o conforto, a fartura de bens, o individualismo, a confiança somente no que se vê, a dispersão interior e exterior! Digam: como as crianças podem ter amor a Deus passando horas e horas diante dos filmes e desenhos animados pagãos? Como os adultos podem prender o coração às coisas de Deus, empanturrando-se de dispersão, de novelas e de futilidades mundanas? Como rezar bem se nos apegamos ao conforto desmesurado? Como manteremos nosso fervor dispersos em mil bobagens? Como seremos realmente fortes na fé sem combater nossos vícios? Como estaremos prontos para levar cruz na doença, nas dificuldades da vida conjugal, no desafio da educação dos filhos, na luta do combate aos vícios, na busca sincera de sermos retos, decentes e honestos por amor de Cristo? Como viver tudo isso sem a vigilância? Como permanecer firmes na fé católica sem a oração e a procura das coisas de Deus? O Senhor virá na noite desse mundo: “E caso chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão” se nos encontrar vigilantes! Vigiemos, portanto!
Esta advertência é para todos, e de modo especial, para nós, pastores do rebanho, a quem o Senhor constituiu “administrador fiel e prudente”. Que não caiamos na ilusão de pensar: “Meu patrão está demorando” e nos entreguemos à infidelidade! Não temamos; vigiemos, sejamos fiéis até o fim! Não reneguemos o Evangelho! – Eis o apelo do Senhor hoje!
Esta palavra vale também para os pais, servos que o Senhor colocou à frente de sua família. Que sejam conscientes da missão que receberam e transmitam aos seus filhos o testemunho de uma fé robusta e dos verdadeiros valores humanos e cristãos. E possam receber a recompensa dos servos bons e fiéis, aqui e por toda a eternidade.
dom Henrique Soares da Costa






A Palavra de Deus que a liturgia de hoje nos propõe convida-nos à vigilância: o verdadeiro discípulo não vive de braços cruzados, numa existência de comodismo e resignação, mas está sempre atento e disponível para acolher o Senhor, para escutar os seus apelos e para construir o “Reino”.
A primeira leitura apresenta-nos as palavras de um “sábio” anônimo, para quem só a atenção aos valores de Deus gera vida e felicidade. A comunidade israelita – confrontada com um mundo pagão e imoral, que questiona os valores sobre os quais se constrói a comunidade do Povo de Deus – deve, portanto, ser uma comunidade “vigilante”, que consegue discernir entre os valores efêmeros e os valores duradouros.
A segunda leitura apresenta Abraão e Sara, modelos de fé para os crentes de todas as épocas. Atentos aos apelos de Deus, empenhados em responder aos seus desafios, conseguiram descobrir os bens futuros nas limitações e na caducidade da vida presente. É essa atitude que o autor da Carta aos Hebreus recomenda aos crentes, em geral.
O Evangelho apresenta uma catequese sobre a vigilância. Propõe aos discípulos de todas as épocas uma atitude de espera serena e atenta do Senhor, que vem ao nosso encontro para nos libertar e para nos inserir numa dinâmica de comunhão com Deus. O verdadeiro discípulo é aquele que está sempre preparado para acolher os dons de Deus, para responder aos seus apelos e para se empenhar na construção do “Reino”.
1º leitura: Sb. 18,6-9 - AMBIENTE
O “livro da Sabedoria” é uma obra de um autor anônimo, redigida na primeira metade do séc. I a.C., provavelmente em Alexandria – um dos centros culturais mais importantes da Diáspora judaica. Dirigindo-se aos judeus (que vivem mergulhados num ambiente de idolatria e de imoralidade), o autor faz o elogio da “sabedoria” israelita, a fim de animar os israelitas fiéis e fazer voltar ao bom caminho os que tinham abandonado os valores da fé judaica; dirigindo-se aos pagãos, o autor (que se exprime em termos e concepções do mundo helênico, para que a sua mensagem chegue a todos) apresenta-lhes a superioridade da cultura e da religião israelitas, ridicularizando os ídolos e convidando, implicitamente, à adesão a essa fé mais pura que é a fé judaica.
O texto que nos é proposto pertence à terceira parte do livro (Sb. 10,1-19,22). Aí, recorrendo a fatos concretos e a exemplos de figuras tiradas da história, o autor exalta as maravilhas operadas pela “sabedoria” na história do Povo de Deus. Nos últimos capítulos desta terceira parte (Sb. 16-19), passando do geral ao particular, o autor mostra como a própria natureza divinizada pelos ímpios se volta contra eles, enquanto que essa mesma natureza se torna salvação para o Povo de Deus… O cenário desta reflexão é a comparação entre o que um dia (na altura do Êxodo) aconteceu aos egípcios e o que, em contrapartida, aconteceu ao Povo de Deus: as pragas de animais castigaram os egípcios, mas as codornizes foram alimento para os israelitas (cf. Sb. 16,1-4); as moscas e gafanhotos atormentaram os egípcios, mas a serpente de bronze erguida por Moisés no deserto salvou o Povo de perecer (cf. Sb. 16,5-15); as chuvas e a saraiva destruíram as culturas egípcias, mas o maná alimentou o Povo de Deus (cf. Sb. 16,15-29); as trevas cegaram os egípcios que perseguiam os israelitas, mas a coluna de fogo iluminou a caminhada do Povo de Deus para a liberdade (cf. Sb. 17,1-18,4); os primogênitos dos egípcios foram mortos, mas Deus salvou a vida do seu Povo (cf. Sb. 18,5-25)
MENSAGEM
O nosso texto refere-se, em concreto, à noite em que foram mortos os primogênitos dos egípcios, à noite do êxodo (cf. Ex. 12,29-30). O autor interpreta essa noite (cf. Sab 18,5) como a “resposta de Deus” ao decreto do faraó que ordenava a matança das crianças hebréias do sexo masculino (cf. Ex. 1,22). Para os egípcios, foi uma noite trágica, de ruína, de pesadelo, de destruição, de morte e de luto; para os judeus, foi uma noite de salvação, de glória e de louvor do Deus libertador. Na perspectiva do autor deste texto, Deus não só esteve na origem da libertação mas, através de Moisés, fez saber com antecedência aos hebreus os acontecimentos da noite pascal (cf. Ex 12,21-28), a fim de que eles ganhassem ânimo. Tudo isto foi entendido pelo Povo como ação de Deus.
Confrontado com a atuação de Deus em favor do seu Povo, Israel encontrou forma de responder a Jahwéh e de Lhe manifestar o seu louvor e agradecimento: os sacrifícios (aqui faz-se alusão ao sacrifício do cordeiro pascal, entendido como celebração da libertação operada por Deus), a solidariedade (o autor faz remontar a este momento do Êxodo as leis sobre a participação de todas as tribos na conquista – cf. Nm. 32,16-24 – e sobre a partilha igual dos despojos – cf. Nm. 31,27; Js. 22,8), o cântico de hinos (alusão ao Hallel – Sl. 113-118 – cantados todos os anos durante a ceia pascal) definem a resposta do Povo à ação de Deus.
A conclusão é óbvia: enquanto que os egípcios – que divinizavam a natureza e que corriam atrás dos deuses falsos – se deixaram conduzir por esquemas de opressão e de injustiça e receberam de Jahwéh o justo castigo, os israelitas – fiéis a Jahwéh e à Lei, que sempre louvaram Deus e Lhe agradeceram seus dons e benefícios – viram Deus a atuar em seu favor e encontraram a liberdade e a paz.
ATUALIZAÇÃO
• A leitura chama a atenção para a diferença que há entre o viver de acordo com os valores da fé e o viver de acordo com propostas quiméricas de felicidade e de bem-estar… O “sábio” que nos fala na primeira leitura assegura que só a fidelidade aos caminhos de Deus gera vida e libertação; e que a cedência aos deuses do egoísmo e da injustiça gera sofrimento e morte. Hoje, como ontem, nem sempre parece fazer sentido trilhar o caminho do bem, da verdade, do amor, do dom da vida… Na realidade, onde é que está o caminho da verdadeira felicidade? Na cedência ao mais fácil, à moda, ao “politicamente correto”, ou na fidelidade aos valores duradouros, aos valores do Evangelho, ao projeto de Jesus? Como é que eu me situo face às pressões que, todos os dias, a opinião pública ou a moda me impõem?
• O tema da liturgia deste domingo gira à volta da “vigilância”. Não se trata de estar sempre com “a alminha em paz”, “na graça de Deus” para que a morte não me surpreenda e eu não seja atirado, sem querer, para o inferno; trata-se de eu saber o que quero, de ter idéias claras quanto ao sentido da minha vida e de, em cada instante, atuar em conformidade. É esta “vigilância” serena, de quem sabe o que quer e está atento ao caminho que percorre, que me é pedida. É esse o caminho que eu tenho vindo a percorrer? A minha vida tem sido uma busca atenta do que Deus quer de mim?
• O autor do “livro da Sabedoria” descreve a resposta do Povo à ação libertadora de Deus como celebração, solidariedade, louvor e ação de graças. Diante do Deus libertador, que todos os dias intervém na minha vida e que me aponta caminhos de vida plena e de felicidade, sinto também a vontade de celebrar, de amar, de comungar, de louvar, como resposta ao amor de Deus?
2º leitura: Hb. 11,1-2.8-19 - AMBIENTE
A carta aos Hebreus é um texto anônimo, escrito nos anos que antecederam a destruição do Templo de Jerusalém (ano 70). Destina-se a comunidades cristãs (de origem judaica?) em que a generosidade dos inícios dera lugar ao cansaço, ao tédio, ao desinteresse e que, por causa das perseguições e da hostilidade dos não crentes, estavam expostas ao desalento e ao retrocesso na sua caminhada cristã. Neste contexto, o autor pretende apresentar aos crentes um estímulo, no sentido de aprofundar a vocação cristã, até à identificação total com Cristo.
A carta apresenta – recorrendo à linguagem da teologia judaica – o mistério de Cristo, o sacerdote por excelência – através de quem os homens têm acesso livre a Deus e são inseridos na comunhão real e definitiva com Deus. O autor aproveita, na sequência, para reflectir nas implicações desse facto: postos em relação com o Pai por Cristo/sacerdote, os crentes são inseridos nesse Povo sacerdotal que é a comunidade cristã e devem fazer da sua vida um contínuo sacrifício de louvor, de entrega e de amor. Desta forma, o autor oferece aos cristãos um aprofundamento e uma ampliação da fé primitiva, capaz de revitalizar a experiência de fé, enfraquecida pela acomodação e pela perseguição.
O texto que nos é proposto está incluído na quarta parte da epístola (cf. Heb. 11,1-12,13). Nessa parte, o autor insiste em dois aspectos básicos da vida cristã: a fé e a constância ou perseverança. No que diz respeito à fé, o autor convida a percorrer o caminho dos “antigos” (cf. Hb. 11,1-40); no que diz respeito à constância, exorta a aceitar com paciência os sofrimentos que a vida do cristão comporta, pois esses sofrimentos fazem parte das provas pedagógicas através das quais Deus nos faz chegar à perfeição (cf. Hb. 12,1-13).
MENSAGEM
A exposição começa com a descrição da fé, aqui entendida como a “garantia dos bens que se esperam e a certeza das realidades que não se vêem” (Heb. 11,1). A “fé” é, nesta perspectiva, posta em relação com a esperança; ela dirige-se ao futuro e ao invisível. Alguns autores entendem esta “garantia” (“hypóstasis”) no sentido de “firme confiança” (Lutero, Erasmo e numerosos autores recentes). A fé seria, nesta perspectiva, a firme confiança na possessão dos bens futuros, invisíveis por agora. É uma perspectiva diferente (embora complementar) da que transparece nos textos paulinos, onde a fé é, sobretudo, a adesão a Jesus – quer dizer, o estabelecimento de uma relação pessoal entre os crentes e o Senhor.
Na sequência, o autor vai apresentar uma autêntica galeria de figuras vétero-testamentárias que, por terem vivido na fé e da fé, são modelo para todos os crentes.
Em concreto, o nosso texto apresenta-nos as figuras de Abraão e de Sara. Pela fé, Abraão acolheu o chamamento de Deus, deixou a sua casa e partiu ao encontro do desconhecido e do incomodo; pela fé, Abraão aceitou estabelecer-se numa terra estranha e aí habitar; pela fé, Sara pôde conceber e dar à luz Isaac, apesar da sua avançada idade; pela fé, Abraão não duvidou quando Deus o mandou sacrificar, no alto de um monte, o filho Isaac, o herdeiro das promessas e o continuador da descendência… Abraão não viu concretizar-se a promessa da posse da terra, nem a promessa de um povo numeroso; mas, pela fé, ele contemplou antecipadamente a realização das promessas de Deus, “saudando-as de longe”. Assim, Abraão assumiu a sua condição de peregrino e estrangeiro, ansiando constantemente pela cidade futura, e caminhando ao encontro do céu, a sua pátria definitiva. É precisamente esse exemplo que o autor da carta quer propor a esses cristãos perseguidos e desanimados: vivam na fé, esperando a concretização dos dons futuros que Deus vos reserva e caminhem pela vida como peregrinos, sem desanimar, de olhos postos na pátria definitiva.
ATUALIZAÇÃO
• O autor deste texto convida o crente a confiar firmemente na possessão dos bens futuros, anunciados por Deus, mas invisíveis para já. A nossa caminhada nesta terra está marcada pela finitude, pelas nossas limitações, pelo nosso pecado; mas isso não pode fazer-nos desanimar e desistir: viver na fé é, apesar disso, apontar à vida plena que Deus nos prometeu e caminhar ao seu encontro. É esta esperança que nos anima e que marca a nossa caminhada, sobretudo nos momentos mais difíceis, em que tudo parece desmoronar-se e as coisas deixam de fazer sentido?
• A nossa tendência vai, tantas vezes, do “oito ao oitenta”, da euforia ao desânimo total. Num dia, tudo faz sentido; no outro, a tristeza e a dúvida afogam-nos e deixam-nos mergulhados no mais negro pessimismo… No entanto, o cristão deve ser o homem da serenidade e da paz; ele sabe que a sua existência não se conduz ao sabor das marés, mas que o sentido da vida está para além dos êxitos ou dos fracassos que o dia a dia traz. Guiado pela fé, ele tem sempre diante dos olhos essas realidades últimas, que dão sentido pleno àquilo que aqui acontece.
Evangelho: Lc. 12,32-48 - AMBIENTE
Continuamos a percorrer o “caminho de Jerusalém”. Desta vez, Jesus dirige-Se explicitamente ao grupo dos discípulos (designado como “pequeno rebanho” – cf. Lc. 12,32). Nas catequeses anteriores, Jesus falou sobre o desprendimento face aos bens da terra (cf. Lc. 12,13-21) e sobre o abandono nas mãos de Deus (cf. Lc. 12,22-34); agora, Jesus vai mostrar o que é necessário fazer para que o “Reino” seja sempre uma realidade presente na vida dos discípulos e para que os “tesouros” deste mundo não sejam a prioridade: trata-se de estar sempre vigilante, à espera da vinda do Senhor. Na realidade, Lucas junta aqui parábolas que devem ter aparecido em contextos diversos; mas todas estão ligadas pelo tema da vigilância.
MENSAGEM
O nosso texto começa com uma referência ao “verdadeiro tesouro” que os discípulos devem procurar e que não está nos bens deste mundo (vs. 33-34): trata-se do “Reino” e dos seus valores. A questão fundamental é: como descobrir e guardar esse “tesouro”? A resposta é dada em três quadros ou “parábolas”, que apelam à vigilância.
A primeira parábola (vs. 35-38) convida a ter os rins cingidos e as lâmpadas acesas (o que parece aludir a Ex. 12,11 e à noite da primeira Páscoa, celebrada de pé e “com os rins cingidos”, antes da viagem para a liberdade), como homens que esperam o senhor que volta da sua festa de casamento. Os crentes são, assim, convidados a estarem preparados para acolher a libertação que Jesus veio trazer e que os levará da terra da escravidão para a terra da liberdade; e são também convidados a acolherem “o noivo” (Jesus) que veio propor à “noiva” (os homens) a comunhão plena com Deus (a “nova aliança”, representada na teologia judaica através da imagem do casamento).
A segunda parábola (vs. 39-40) aponta para a incerteza da hora em que o Senhor virá. A imagem do ladrão que chega a qualquer hora, sem ser esperado, é uma imagem estranha para falar de Deus; mas é uma imagem sugestiva para mostrar que o discípulo fiel é aquele que está sempre preparado, a qualquer hora e em qualquer circunstância, para acolher o Senhor que vem.
A terceira parábola (vs. 41-48) parece dirigir-se (é nesse contexto que a pergunta de Pedro nos coloca) aos responsáveis da comunidade. Nas palavras originais de Jesus, a parábola devia ser uma crítica aos responsáveis do Povo de Israel; mas, na interpretação de Lucas, a parábola dirige-se aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer fiéis às suas tarefas de animação e de serviço: se algum deles descuida as suas responsabilidades no serviço aos irmãos e usa as funções que lhe foram confiadas de forma negligente ou em benefício próprio, será castigado. Nos dois últimos versículos, o castigo diversifica-se de acordo o tipo de desobediência: os que desobedeceram intencionalmente serão mais castigados; os que desobedeceram não intencionalmente serão menos castigados. A referência às “vergastadas” deve ser entendida no contexto da linguagem dos pregadores da época e manifesta a repulsa de Deus por aqueles que negligenciam a missão que lhes foi confiada. Provavelmente Lucas tem diante dos olhos o exemplo de alguns animadores cristãos que, pela sua preguiça ou pela sua maldade, perturbavam seriamente a vida das comunidades a que presidiam. Em qualquer caso, estas linhas sublinham a maior responsabilidade daqueles que, na Igreja, desempenham funções de responsabilidade… A última afirmação (“a quem muito foi dado, muito será exigido, a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá – v. 48b) é claramente dirigida aos responsáveis da comunidade; mas pode aplicar-se a todos os que receberam dons materiais ou espirituais.
ATUALIZAÇÃO
• A vida dos discípulos de Jesus tem de ser uma espera vigilante e atenta, pois o Senhor está permanentemente a vir ao nosso encontro e a desafiar-nos para nos despirmos das cadeias que nos escravizam e para percorrermos, com Ele, o caminho da libertação. O que é que nos distrai, que nos prende, que nos aliena e que nos impede de acolher esse dom contínuo de vida?
• Ser cristão não é um trabalho “das nove às cinco”, ou um “hobby” de fim-de-semana; mas é um compromisso a tempo inteiro, que deve marcar cada pensamento, cada atitude, cada opção, vinte e quatro horas por dia… Estou consciente dessa exigência e suficientemente atento para marcar, com o selo do meu compromisso cristão, todas as minhas ações e palavras?
• Estou suficientemente atento e disponível para acolher e responder aos apelos que Deus me faz e aos desafios que Ele me apresenta através das necessidades dos irmãos? Estou suficientemente atento e disponível para escutar os sinais, através dos quais Deus me apresenta as suas propostas?
• Por vezes, os discípulos de Jesus manifestam a convicção de que tudo vai de mal a pior, que esta “geração rasca” está perdida e que não é possível fazer mais nada para tornar o mundo mais humano e mais feliz… Isso não será, apenas, uma forma de mascararmos o nosso egoísmo e comodismo e de recusarmos ser protagonistas empenhados na construção desse “Reino” que é o tesouro mais valioso?
• A Palavra de Deus que hoje nos é proposta contém uma interpelação especial a todos aqueles que desempenham funções de responsabilidade, quer na Igreja, quer no governo, quer nas autarquias, quer nas empresas, quer nas repartições… Convida cada um a assumir as suas responsabilidades e a desempenhar, com atenção e empenho as funções que lhe foram confiadas. A todos aqueles a quem foi confiado o serviço da autoridade, a Palavra de Deus pergunta sobre o modo como nos comportamos: como servos que, com humildade e simplicidade cumprem as tarefas que lhes foram confiadas, ou como ditadores que manipulam os outros a seu bel-prazer? Estamos atentos às necessidades – sobretudo dos pobres, dos pequenos e dos débeis – ou instalamo-nos no egoísmo e no comodismo e deixamos que as coisas se arrastem, sem entusiasmo, sem vida, sem desafios, sem esperança?
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho








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