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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA-C

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
 SOLENIDADE

21 de Agosto de 2016 – Ano C

1ª Leitura - Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab

Salmo 44

2ª Leitura - 1Cor 15,20-26.28

Evangelho - Lc 1,39-56


·     Salvemos a grande Rainha a mãe do Senhor, a cheia de graças que ofereceu o seu corpo para a encarnação do Filho de Deus que veio até nós. Leia mais


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"BENDITA ÉS TU ENTRE AS MULHERES..." – Olivia Coutinho

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA – SOLENIDADE

Dia 21 de Agosto de 2016

Evangelho de Lc1,39-56

              Com muita alegria, celebramos hoje, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora! É importante não confundirmos assunção, com ascensão, a "assunção" é de Nossa Senhora, vem nos  falar que a Mãe de Jesus foi “levada” ao céu, ela não subiu por si mesma e sim, pelo poder de Deus! Enquanto que a "ascensão" é de  Jesus, vem nos falar da sua subida ao céu, Ele sim, sendo Deus, subiu ao céu pelo seu próprio poder.
A solenidade de hoje, nos convida a refletir, sobre o sentido da nossa vida, o para “quê” viemos ao mundo e como devemos conduzir a nossa vida. Maria, com o seu exemplo, nos ensina que só alcançaremos a nossa realização plena, se nos deixarmos conduzir pelo o seu Filho, realizando a vontade de Deus. Ela, mais do que ninguém, realizou a vontade de Deus, abrindo mão de todos os seus projetos pessoais para viver o projeto de Deus!
O evangelho que a liturgia desta solenidade nos convida a refletir, nos apresenta  Maria como modelo de vida cristã, um modelo que deve ser seguido por cada um de nós! Nossa vida, se pautada no seu exemplo, com certeza, será uma vida frutuosa!
Assim que recebera o anuncio, de que ela seria a mãe de Jesus, Maria ficou sabendo também da gravidez de sua prima Isabel. Movida pelo o amor ao próximo, ela não pensa mais em si, pensa primeiro, em Isabel, uma mulher de idade avançada que certamente precisaria de ajuda! Sem hesitar, ela  se põe à caminho, indo ao auxílio da prima! Com este gesto abnegado, Maria nos dá um grande exemplo de solidariedade, nos mostrando, que o amor é mais do que sentimento, muito mais do que palavras, o amor é gesto concreto, é decisão de ir ao encontro do outro, de inteirar-se de suas necessidades para poder ajudá-lo!
Subindo montanhas, carregando  Jesus em seu ventre, Maria se torna a primeira discípula de Jesus,  a primeira missionária do Pai a levar Jesus ao outro!
A narrativa nos fala ainda, de dois encontros marcantes, o encontro de duas mães: Maria e Isabel, uma se alegrando com a alegria da outra, e juntas agradecendo a Deus pelo dom da fecundidade, mostrando-nos que o poder de Deus é infinito!
No  encontro destas duas  mães, acontece também, o encontro de duas crianças que estavam sendo geradas  no ventre destas duas mulheres distintas, no ventre da jovenzinha de Nazaré, estava sendo gestado Jesus e no ventre antes estéril  de Isabel, joão Batista! Foi  um encontro invisível, porém sentido por estas crianças! "Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre.(Lc1, 41." 
"Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor prometeu." Ao ouvir estas palavras de sua prima Isabel, Maria, diz: " A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para a humildade de sua serva..." É o canto do MAGNIFICAT, quando Maria expressa de modo transbordante a sua gratidão pela imensidão de maravilhas que Deus realizou em sua vida! Realizações, que Ela reconhecia não serem somente em seu favor, mas em favor de todos, uma vez que, pelo o Filho que ela carregava no ventre, a salvação entraria na humanidade! O canto do MAGNIFICAT, é um canto de amor e de humildade, nele, Maria reconhece o poder, a majestade do Senhor e se submete humildemente à sua vontade, proclamando-se bem aventurada!
Com Maria, aprendemos que a humildade nos aproxima da perfeição e que ao dizermos "sim" a Deus, Ele nos transforma em “grandes” mesmo dentro da nossa pequinês!
Podemos também, assim como Maria, louvar a Deus, dizendo: A minha alma engrandece o Senhor, porque olhou para a humildade de seu servo ( a) “ O Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor...”
Ao se entregar inteiramente à serviço de Deus, Maria participou ativamente da história da salvação enfrentando todos os desafios, desde a concepção de Jesus, até a sua morte de cruz! E mesmo com o coração transpassado de dor, ela manteve-se de pé aos pés da cruz! 
O papel desempenhado por Maria na encarnação e na morte de Jesus, nos deixa um grande exemplo de mulher forte, de alguém que ama, que não se deixa abater pelo sofrimento, porque confia poder e na misericórdia de Deus!
Com o testemunho de Maria, aprendemos a sermos inteiros no amor, a dar passos ao encontro de Jesus, indo  ao encontro do outro!
Que nossos corações sejam iluminados com a luz da bondade que iluminou o coração de Maria, a grande defensora dos pobres e sofredores!
"Deus cativou Maria e ela se deixou cativar por Ele!" 
Com o seu "sim" Maria colocou o Filho de Deus no meu, no seu coração!


FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Depois de ter sido ordenado diácono, um amigo meu foi pregar sobre Nossa Senhora e disse uma coisa muito curiosa: “A Nossa Senhora lhe chamam porta do céu e muitas outras coisas, eu vou chamá-la ‘janela’. Maria é a janela. Conta-se que certa vez são Pedro foi chamado à atenção por Nosso Senhor porque estavam entrando muitas pessoas pela porta do céu. Jesus lhe disse: ‘Pedro, é preciso ser um pouco mais rigoroso’. São Pedro respondeu: ‘Senhor, não adianta. Eu posso até ser rigoroso aqui na porta do céu, mas a tua mãe abre a janela e muitos estão passando por ela’”.
É uma grande alegria contemplar Nossa Senhora subindo ao céu. Ela, sendo porta do céu, está disposta a abri-nos também a janela do céu, contanto que lhe sejamos devotos. Imaginemos por um momento a cena: os apóstolos, ao saberem que a Santíssima Virgem morreu, ou dormiu, reúnem-se todos ao redor do seu corpo inanimado. Alguns inclusive, têm que fazer uma longa viagem até Éfeso, onde provavelmente estaria Maria, já que, ao parecer, era São João quem cuidava dela, pois segundo a tradição, Nossa Senhora foi morar nessa cidade da Ásia Menor. Outros, talvez, nem conseguiram vê-la, pois quando lá chegaram, ela já teria subido aos céus. Deve ter sido surpreendente vê-la subindo aos céus! Assim como os Apóstolos viram o Senhor subindo aos céus, parece conveniente que vissem também Nossa Senhora subir aos céus. Deve ter sido também doloroso para os mesmos saber que a Mãe de Jesus já não estaria no meio deles em carne mortal, sentiriam saudades da presença materna daquela que eles consideravam sua mãe. Como é doloroso ver a mãe morrer! Mas como é maravilhoso vê-la sendo glorificada. Hoje, temos dois sentimentos: saudade de Nossa Senhora que se foi e alegria porque ela foi para ser nossa advogada lá no céu, pertinho do seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo.
De muitos santos conservamos relíquias que nós veneramos com grande devoção, de Nossa Senhora não conservamos nenhuma relíquia, nenhum pedaço do seu corpo santo. O seu corpo não sofreu a corrupção. O santo Padre, o papa Pio XII, na definição desse dogma, o da assunção de Nossa Senhora, expressou-se da seguinte maneira: “(…) pela autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e nossa, proclamamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado: a imaculada Mãe de Deus, sempre virgem Maria, cumprido o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial. Por isso, se alguém, e que Deus não o permita, se atrevesse a negar ou voluntariamente colocar em dúvida o que por Nós foi definido, saiba que separou-se totalmente da fé divina e católica” (Constituição Dogmática “Munificentissimus Deus”, 01-11-1950). Aos dogmas da Maternidade divina, da sempre Virgem, da Imaculada, juntava-se esse novo: a Assunção em corpo e alma de Nossa Senhora aos céus.
Maria subiu aos céus. Como é a nossa devoção para com ela, nossa Mãe e advogada? Muitos irmãos nossos, que demonstram pouco amor à Mãe de Jesus, não devem nunca atrapalhar a nossa fé no que diz respeito aos privilégios de Maria Santíssima. Não devem ser escutados! Como é a nossa devoção mariana? Deixamo-nos influenciar por idéias não-católicas no que se refere à Santíssima Virgem? A minha devoção a Nossa Senhora deve ser terna, ou seja, uma devoção na qual o coração tenha o seu espaço. Preciso tratá-la como mãe com aquelas práticas de devoções tão valorizadas pela tradição cristã: pelo menos uma parte do rosário, as saudações aos quadros da Santíssima Virgem, o “anjo do Senhor” ao meio-dia, as três Ave-Maria da noite pedindo a santa pureza, e tantos outros atos de devoção rijos, não adocicados, que mantêm o nosso fervor para com aquela que é a Mãe de Deus e nossa.
padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa


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No dia 15 de agosto a Igreja celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora, ou Nossa Senhora da Glória.
Diz o prefácio da solenidade que proclama maravilhosamente o mistério celebrado: “Hoje, a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança do vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável o vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida”.
Trata-se de uma verdade de fé, um dogma, proclamada pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950: “Terminando o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Ali a esperava o seu Filho Jesus, com o seu corpo glorioso, tal como Ela o tinha contemplado depois da Ressurreição.
As leituras contemplam esta realidade. A 1ª leitura (Ap. 11,19; 12,1-10) apresenta uma mulher vestida com o sol, tendo a lua sob os pés, e do Filho que ela deu à luz, um varão, que irá reger todas as nações. Nesta imagem a Mulher e o Filho representam Jesus Cristo e a Igreja, mais a mulher confunde-se também com Maria, pois nela realizou-se plenamente a Igreja.
A 2ª leitura (1Cor. 15,20-27) completa a idéia da 1ª. Paulo, falando de Cristo, primícias dos ressuscitados, termina dizendo que, um dia, todos os que crêem terão parte na Sua glorificação, mas em proporção diversa: “Primeiro, Cristo, como os primeiros frutos da seara; e a seguir, os que pertencem a Cristo” (1Cor. 15,23). Entre os cristãos, o primeiro lugar pertence, sem dúvida, a Nossa Senhora, que foi sempre de Deus, porque jamais conheceu o pecado. É a única criatura em quem o esplendor da imagem de Deus nunca se viu ofuscado; é a Imaculada Conceição, a obra prima e intacta da Santíssima Trindade em quem o Pai, o Filho e o Espírito Santo sentiram as suas complacências, encontrando nela uma resposta total ao Seu amor.
A resposta de Maria ao amor de Deus ressoa no Evangelho (Lc. 1,35-56), tanto nas palavras de Isabel que exaltam a grande fé que levou Maria a aderir, sem vacilação alguma à vontade de Deus, como nas palavras da própria Virgem, que entoa um hino de louvor ao Altíssimo pelas maravilhas que realizou nela.
Ela é a nossa grande intercessora junto do Altíssimo. Maria nunca deixa de ajudar os que recorrem ao seu amparo: “Nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção fosse por Vós desamparado”, rezava São Bernardo. Procuremos confiar mais na sua intercessão, persuadidos de que Ela é a Rainha dos céus e da terra, o refúgio dos pecadores, e peçamos-lhe com simplicidade: Mostrai-nos Jesus!
A Assunção de Maria é uma preciosa antecipação da nossa ressurreição e baseia-se na ressurreição de Cristo, que transformará o nosso corpo corruptível, fazendo-o semelhante ao seu corpo glorioso. Por isso são Paulo recorda-nos (1Cor. 15,20-26): “Se a morte veio por um homem (pelo pecado de Adão), também por um homem, Cristo, veio a ressurreição. Por Ele, todos retornarão à vida, mas cada um a seu tempo: como primícias, Cristo; em seguida, quando Ele voltar, todos os que são de Cristo; depois , os últimos, quando Cristo devolver a Deus Pai o seu reino… Essa vinda de Cristo, de que fala o Apóstolo, disse o Papa João Paulo II, “não devia por acaso cumprir-se, neste único caso (o da Virgem), de modo excepcional, por dizê-lo assim, imediatamente, quer dizer, no momento da conclusão da sua vida terrena? Esse final da vida que para todos os homens é a morte, a Tradição, no caso de Maria, chama-o com mais propriedade dormição.  Para nós, a Solenidade de hoje é como uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão do Senhor. E é, ao mesmo tempo, o sinal e a fonte da esperança da vida eterna e da futura ressurreição”.
A solenidade de hoje enche-nos de confiança nas nossas súplicas. Pois, diz são Bernardo, “subiu aos céus a nossa advogada para, como Mãe do Juiz e Mãe de misericórdia, tratar dos negócios da nossa esperança.” Ela alenta continuamente a nossa esperança. Ensina são Josemaria Escrivá: “Somos ainda peregrinos, mas a nossa Mãe precedeu-nos e indica-nos já o termo do caminho: repete-nos que é possível lá chegarmos, e que lá chegaremos, se formos fiéis. Porque a Santíssima Virgem não é apenas nosso exemplo: é auxílio dos cristãos. E ante a nossa súplica – mostra que és Mãe – , não sabe nem quer negar-se a cuidar dos seus filhos com solicitude maternal.
Fixemos o nosso olhar em Maria, já assunta aos céus. Ela é a certeza e a prova de que os seus filhos estarão um dia com o corpo glorificado junto de Cristo glorioso. A nossa aspiração à vida eterna ganha asas ao meditarmos que a nossa Mãe celeste está lá em cima, que nos vê e nos contempla com o seu olhar cheio de ternura, com tanto mais amor quanto mais necessitados nos vê.
mons. José Maria Pereira


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Celebramos hoje – nesta solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria – o último mistério da vida terrena da Mãe de Deus e nossa Mãe.
Terminada a sua vida mortal, foi conduzida em corpo e alma, desta vida mortal ao mundo da imortalidade, revestida de glória.
Perante este acontecimento único, extraordinário, multiplicam-se as nossas perguntas: como se passou este mistério? Por que razão e com que finalidade o quis Deus?
Unamo-nos à alegria com que os bem-aventurados do Céu cantam os louvores da Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Preparemo-nos para acolher a Palavra de Deus que nos ajudará a responder a todas estas perguntas.
Primeira Leitura: Apocalipse 11,19a 12, 1-6a.10ab
Sob a imagem da Arca (v. 19) e da mulher (vv. 1-17) é-nos apresentada, na intenção da Liturgia, a Virgem Maria. Entretanto os exegetas continuam a discutir, sem chegar a acordo, se estas imagens se referem à Igreja ou a Maria. Sem nos metermos numa questão tão discutida, podemos pensar com alguns estudiosos que a Mulher simboliza, num primeiro plano, a Igreja, mas, tendo em conta as relações tão estreitas entre a Igreja e Maria -«membro eminente e único da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade… sua Mãe amorosíssima» (Vaticano II, LG 53) – podemos englobar a Virgem Maria nesta imagem da mulher do Apocalipse. Tendo isto em conta, citamos o comentário de Santo Agostinho ao Apocalipse (Homilia IX):
4-5 - «O Dragão colocou-se diante da mulher…»: «A Igreja dá à luz sempre no meio de sofrimentos, e o Dragão está sempre de vigia a ver se devora Cristo, quando nascem os seus membros. Disse-se que deu à luz um filho varão, vencedor do diabo».
6 - «E a mulher fugiu para o deserto»: «O mundo é um deserto, onde Cristo governa e alimenta a Igreja até ao fim, e nele a Igreja calca e esmaga, com o auxílio de Cristo, os soberbos e os ímpios, como escorpiões e víboras, e todo o poder de Satanás».
Segunda leitura: 1 Coríntios 15, 20-27
É a partir deste texto e do de Romanos 5 que os Padres da Igreja estabelecem a tipologia baseada num paralelismo antiético, entre Eva e Maria: Eva, associada a Adão no pecado e na morte; Maria, associada a Cristo na obra de reparação do pecado e na ressurreição.
20-23 - São Paulo, começando por se apoiar no facto real da Ressurreição de Cristo, procura demonstrar a verdade da ressurreição dos já falecidos (vv. 1-19). Nestes versículos, diz que «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (v. 20). As primícias eram os primeiros frutos do campo que se deviam oferecer a Deus e só depois se podia comer deles (cf. Ex. 28; Lv. 23,10-14; Nm. 15,20-21). De igual modo, Cristo nos precede na ressurreição. Nós (excetuando pelo menos a Virgem Maria) havemos de ressuscitar «por ocasião da sua vinda» (v. 23). Não se pode confundir esta ressurreição sobrenatural e misteriosa de que aqui se fala com a imortalidade da alma. O Credo do Povo de Deus de Paulo VI, no nº. 28, diz: «Cremos que as almas de todos aqueles que morrem na graça de Cristo - tanto as que ainda devem ser purificadas com o fogo do Purgatório, como as que são recebidas por Jesus no Paraíso logo que se separem do corpo, como o Bom Ladrão - constituem o Povo de Deus depois da morte, a qual será destruída por completo no dia da Ressurreição, em que as almas se unirão com os seus corpos». Por seu turno, a S. Congregação para a Doutrina da Fé, na carta de 17-5-79, declara: «A Igreja, ao expor a sua doutrina sobre a sorte do homem depois da morte, exclui qualquer explicação com que se tirasse o seu sentido à Assunção de Nossa Senhora, naquilo que esta tem de único, ou seja, o facto de ser a glorificação que está destinada a todos os outros eleitos».
Evangelho: Lucas 1,39-56
Os estudiosos descobrem neste relato uma série de ressonâncias vetero-testementárias, o que corresponde não apenas ao estilo do hagiógrafo, mas sobretudo à sua intenção teológica de mostrar como na Mãe de Jesus se cumprem as figuras do A.T.: Maria é a verdadeira e nova Arca da Aliança (comparar Lc. 1,43 com 2Sm. 6,9 e Lc. 1,56 com 2Sm. 6,11) e a verdadeira salvadora do povo, qual nova Judite (comparar Lc. 1,42 com Jd. 13, 18-19) e qual nova Ester (Lc. 1,52 e Est. 1–2).
39 - «Uma cidade de Judá». A tradição documentada a partir do séc. IV diz que é Ain Karem (fonte da vinha), uma povoação a uns 6 km. a oeste da cidade nova de Jerusalém. De qualquer modo, ficaria a uns quatro ou cinco dias de caminho em caravana desde Nazaré (130 Km.). Maria empreende a viagem movida pela caridade e espírito de serviço. A «Mãe do meu Senhor» (v. 43) não fica em casa à espera de que os Anjos e os homens venham servir a sua rainha; e Ela mesma, que se chama «escrava do Senhor» (v. 38), «a sua humilde serva» (v. 48), apressa-se em se fazer a criada da sua prima e de acudir em sua ajuda. Ali permanece, provavelmente, até depois do nascimento de João, uma vez que Lucas nos diz que «ficou junto de Isabel cerca de três meses».
42 - «Bendita és Tu entre as mulheres». Superlativo hebraico: a mais bendita de todas as mulheres.
43-44 - «A Mãe do meu Senhor». As palavras de Isabel são proféticas: o mexer-se do menino no seu seio (v. 41) não era casual, mas «exultou de alegria» para também ele saudar o Messias e sua Mãe.
46-55 - O cântico de Nossa Senhora, o Magnificat, é um poema de extraordinária beleza poética e elevação religiosa. Dificilmente poderiam ficar melhor expressos os sentimentos do coração da Virgem Maria – «a mais humilde e a mais sublime das criaturas» (DANTE, Paraíso, 33, 2) –, em resposta à saudação mais elogiosa (vv. 42-45) que jamais se viu em toda a Escritura. É como se Maria dissesse que não havia motivo para uma tal felicitação; tudo se deve à benevolência, à misericórdia e à omnipotência de Deus. Sem qualquer referência ao Messias, refulge aqui a alegria messiânica da sua Mãe e a sua humildade num extraordinário hino de louvor e de agradecimento. O cântico está todo entretecido de reminiscências bíblicas, sobretudo do cântico de Ana (1Sm. 2,1-10) e dos Salmos (35,9; 31,8; 111,9; 103,17; 118,15; 89,11; 107,9; 98,3); cf. também Hb. 3,18; Gn. 29,32; 30,13; Ez. 21,31; Si. 10,14; Mi. 7,20. Ao longo dos tempos, muitos e belos comentários se fizeram ao Magnificat; mas também é conhecida a abordagem libertacionista, abundando leituras materialistas utópicas, falsificadoras do genuíno sentido bíblico, com base no princípio marxista da luta de classes. Com efeito, a transformação social que é urgente realizar, não se consegue com o inverter a ordem social, o «derrubar os poderosos dos seus tronos» e o «despedir os ricos de mãos vazias». Eis o comentário da Encíclica Redemptoris Mater, nº. 36: «Nestas sublimes palavras… vislumbra-se a experiência pessoal de Maria, o êxtase do seu coração; nelas resplandece um raio do mistério de Deus, a glória da sua santidade inefável, o amor eterno que, como um dom irrevogável, entra na história do homem».
Sugestões para a homilia
A Assunção de Maria é um dogma solenemente definido por Pio XII em 1 de Novembro de 1950, segundo o qual Nossa Senhora, no termo da sua vida mortal, foi elevada ao céu em corpo e alma.
Definido o dogma só em nossos dias, a sua festa começou logo no princípio da Igreja, a seguir à sua Assunção ao Céu.
A Assunção da Virgem Santa Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos (Catecismo da Igreja Católica, n.º 966).
Os Orientais celebram este mistério desde o século V com o nome de «Dormição de Maria». No calendário da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade, a 15 de agosto.
1. Maria, Sinal do Amor de Deus
Ao terminar a Sua missão na terra, Maria, a Imaculada Mãe de Deus, «foi elevada em corpo e alma à glória do céu» (Pio XII), sendo assim a primeira criatura humana a alcançar a plenitude da salvação.
Esta glorificação de Maria é uma consequência natural da Sua Maternidade divina: Deus «não quis que conhecesse a corrupção do túmulo Aquela que gerou o Senhor da vida».
É também o fruto da íntima e profunda união existente entre Maria e a Sua missão e Cristo e a Sua obra salvadora. Plenamente unida a Cristo, como Sua Mãe e Sua serva humilde, associada, estreitamente a Ele, na humilhação e no sofrimento, não podia deixar de vir a participar do mistério de Cristo ressuscitado e glorificado, numa conformação levada até às últimas consequências. Por isso, Maria é «elevada ao Céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha, para assim Se conformar mais plenamente com Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte» (Concílio Vaticano II, Lumen Gentium n.º 59).
Este privilégio, concedido à Virgem Imaculada, preservada e imune de toda a mancha da culpa original, é «Sinal» de esperança e de alegria para todo o Povo de Deus, que peregrina pela terra em luta com o pecado e a morte, no meio dos perigos e dificuldades da vida. Com efeito, a Mãe de Jesus, «glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro» (LG. 68).
O triunfo de Maria, mãe e filha da Igreja, será o triunfo da Igreja, quando, juntamente com a humanidade, atingir a glória plena, da qual Maria já está a gozar.
A Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma, é a garantia de que o homem se salvará todo: também o nosso corpo ressuscitará! É o penhor seguro de que o homem triunfará da morte!
a) A Virgem do Apocalipse.
«Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.»
O texto do Apocalipse emprega uma linguagem simbólica:
– Uma mulher revestida de sol. Maria é «a cheia de graça», como nome próprio, como A tratou o Arcanjo. Está revestida com o sol da graça. Encontramos aqui uma alusão à Imaculada Conceição, à Mulher do Apocalipse que venceu o dragão.
– Com a lua debaixo dos pés. Maria é Rainha de toda a criação, porque é a Mãe do Rei.
– E uma coroa de doze estrelas na cabeça. As doze estrelas aparecem como alusão às doze tribos de Israel. Em última análise, alude-se à Igreja, Povo de Deus da nova Aliança.
Maria é o grande sinal que apareceu no céu da nossa vida, enviado por Deus:
– Sinal da onipotência divina à nossa disposição para nos ajudar nas dificuldades da vida. Maria é a onipotência suplicante. Quando pedimos o que está em conformidade com a vontade de Deus, Maria alcança-no-lo.
– Sinal do Amor e da benevolência de Deus em nosso favor. Há uma tendência nas pessoas para ver em tudo ameaças de Deus. O Senhor não ameaça; atrai com o Seu Amor perseverante e paciente, esperando a nossa resposta generosa. Em qualquer momento que o desejemos, Ele acolhe-nos.
(Com quanto solicitude nos avisou Nossa Senhora de que não entraríamos em guerra! A irmã Lúcia e a beata Alexandrina foram as mensageiras desta carícia da Mãe).

b) Maria, nossa Advogada.
«Ela teve um filho varão, que há-de reger todas as nações com cetro de ferro.»
Deus quis dar-nos em Maria, nossa Mãe, a melhor das advogadas. Ao contemplá-la na sua maternidade, compreendemos melhor o amor misericordioso de Deus para conosco.
Por isso, a Igreja canta: «Lembrai-vos, ó Virgem-Mãe, quando estiverdes diante de Deus, de Lhe dizer coisas boas em nosso favor.»
Nós invocamo-l’A como medianeira, não porque Ela se oponha à vontade de Deus, para nos favorecer. Pelo contrário, como Mãe desvelada, ajuda-nos a cumprir a vontade do Senhor e alcança-nos as graças para o conseguirmos fazer.
Valemo-nos da sua intercessão, porque é a Mãe do Rei (são Luís Maria de Monforte explica-nos deste modo a mediação de Maria. Se um lavrador resolve oferecer uma cesta de maçãs ao rei e lhas faz chegar pela mão da Rainha, esta prepara-as, enriquecendo a sua aparência e torna-as mais agradáveis ao Rei pela simpatia que a rainha goza junto dele. Assim são as nossas boas obras, quando as apresentamos pelas mãos imaculadas de Maria).
Por isso aproximemo-nos cheios de confiança do trono da graça, a fim de alcançarmos misericórdia.

c) Ela vencerá!
«E ouvi uma voz poderosa que clamava no Céu: ‘Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do nosso Deus e o domínio do seu Ungido‘.»
Quando olhamos para os acontecimentos desta vida apenas com os olhos do corpo e o pobre raciocínio que se vê incapaz de explicar tantos mistérios, corremos o risco de nos tornarmos pessimistas.
A vitória de Deus – na qual tomaremos parte – está prometida e garantida. A única interrogação é se queremos ou não participar nela por uma vida limpa e apostólica.
Não há, pois, lugar para pessimismos ou complexos de inferioridade. O importante é não deixarmos de fazer aquilo que nos está confiado. Foi esta negligência dos cristãos que deixou o mundo resvalar até às posições absurdas que se assumem nas nossas leis.
A confiança na vitória de Maria não pode justificar a nossa preguiça. É verdade que sofremos, desde sempre, uma tentação: esperar que Deus faça tudo, para podermos continuar a dormir.
Quando o Senhor nos pede colaboração para o bem não é porque se veja incapaz de o fazer, mas porque nos quer enriquecer num trabalho de mãos dadas com Ele, intensificando cada vez mais a nossa vida em comunhão.
Confiança Em Deus, por Maria, e trabalho generoso é, pois, o que o Senhor nos pede nesta solenidade da Assunção de Maria.
2. O itinerário de Maria para a glorificação
No cântico do Magnificat entoado por Maria em casa de Isabel e que a Igreja não se cansa de repetir, encontramos a indicação do itinerário que Nossa Senhora nos ensina para alcançarmos a glória final.

a) Caridade ardente.
«Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá.»
O Arcanjo revela a Nossa Senhora, na Anunciação, que Zacarias e Isabel iam ver realizado o maior sonho da sua vida: ter um filho.
Dois pensamentos a fazem parir para a sua casa: felicitá-la por este dom de Deus e oferecer-lhe os seus préstimos no serviço domésticos, nos últimos tempos da gravidez.
O Evangelho descreve a sua ida como sendo feita apressadamente. Esta palavra sugere-nos a prontidão da caridade e a alegria com que se desempenha desta missão.
Uma das dimensões essenciais da vida do cristão é o amor aos outros que se exprime também em partilhar a alegria e oferecer uma ajuda.
Não é fácil viver esta exigência, porque fomos crescendo num cristianismo individualista que nada tem a ver com os ensinamentos de Jesus. O «salve-se quem puder» não faz sentido na vida cristã. Deus chama as pessoas uma a uma, dentro da família que é a Igreja, para que nos ajudemos mutuamente.
E, de facto, a visita de Nossa Senhora produz frutos admiráveis. «Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo». Leva a alegria àquela família – de tal modo que o menino exultou de alegria no seio de Isabel – e possibilita que Jesus, concebido no momento da Anunciação, santifique João Baptista.
Maria permanece ali até ao nascimento do Precursor, realizando os trabalhos humildes de uma dona de casa e enchendo de alegria aquela família.

b) Humildade profunda.
«Maria disse então: ‘A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome.’»
Maria não quer negar a grandeza a que o Senhor A elevou. A humildade é a verdade. Mas proclama com toda a simplicidade que tudo o que aconteceu se deve à misericórdia do Altíssimo.
Não devemos negar as qualidades que recebemos e as graças que o Senhor nos tem concedido. O erro poderia estar em olharmos para tudo isto como se fosse devido exclusivamente ao nosso esforço pessoal, sem nenhuma referência a Deus.
É muito importante que nesta solenidade da glorificação de Maria a Igreja nos lembre a virtude da humildade.
Deus conta connosco para a viver em todos os momentos.
– Na vida pessoal. Devemos afastar-nos de dois extremos, ambos fruto do orgulho: o pessimismo, como se contássemos só connosco, cultivando uma visão pessimista e nós mesmos; e um optimismo néscio, como se tudo se devesse aos nossos méritos.
– Na vida com os outros. Se não podemos ter complexos de inferioridade para connosco, também não havemos de ter complexos de superioridade em relação aos outros.
Não há duas classes de pessoas: uma de primeira escolha e outra de segunda. Há uma só raça: a dos filhos de Deus.
Esta verdade há-de levar-nos a um profundo respeito pelos outros, sabendo compreender as suas limitações. Só Deus sabe os talentos que deu a cada um.

c) Tudo para glória de Deus! «É necessário que Ele reine, até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. E o último inimigo a ser aniquilado é a morte, porque Deus tudo colocou debaixo dos seus pés.»
Maria foi glorificada pelos méritos de Jesus Cristo, seu Filho. Foi em atenção a eles que o Pai antecipou a glorificação de Maria, pela sua ressurreição, logo que terminou a vida na terra.
Na Ressurreição de Cristo encontramos a garantia da nossa. Se Ele quis glorificar a Sua Mãe, não esperando para o fim dos tempos, foi pelo carinho infinito que lhe dedica.
Mas podemos ver neste facto mais uma razão: ao ver ressuscitar Jesus Cristo, poderíamos cair na tentação de pensar que a Sua Ressurreição era somente para Ele, porque é Deus. Ao glorificar Maria – a primeira criatura a assumir em corpo e alma a glorificação definitiva – aviva a nossa esperança, porque se trata de uma criatura como nós.
Para que a nossa ressurreição final fosse possível, Jesus deixou-nos um penhor e força infinita na Santíssima Eucaristia.
Por isso, a Igreja insiste com solicitude para que participemos da Missa Dominical e comunguemos com as necessárias disposições.
Seguindo o caminho de Maria, chegaremos à glorificação final.



Queridos irmãos e irmãs!
Celebramos hoje a solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. Trata-se de uma festa antiga, que tem o seu fundamento último na Sagrada Escritura: de facto, ela apresenta a Virgem Maria estreitamente unida ao seu Filho divino e sempre solidária com Ele. Mãe e Filho mostram-se estreitamente associados na luta contra o inimigo infernal até à plena vitória sobre ele.
Esta vitória expressa-se, em particular, na superação do pecado e da morte, isto é, em vencer aqueles inimigos que São Paulo apresenta sempre em conjunto (cf. Rm 5, 12.15-21; 1 Cor 15, 21-26). Por isso, como a ressurreição gloriosa de Cristo foi o sinal definitivo desta vitória, também a glorificação de Maria no seu corpo virginal constitui a confirmação final da sua plena solidariedade com o Filho tanto na luta quanto na vitória.
Deste profundo significado teológico do mistério fez-se intérprete o Servo de Deus o Papa Pio XII ao pronunciar, a 1 de Novembro de 1950, a solene definição dogmática deste privilégio mariano. Ele declarava: «Deste modo a venerável Mãe de Deus, arcanamente unida a Jesus Cristo desde toda a eternidade com o mesmo decreto de predestinação, Imaculada na sua Conceição, Virgem ilibada na sua divina maternidade, generosa Sócia do Divino Redentor, que alcançou um triunfo pleno sobre o pecado e sobre as suas consequências, no final, como supremo coroamento dos seus privilégios, pôde ser preservada da corrupção do sepulcro e, tendo vencido a morte, como já o seu Filho, ser elevada em alma e corpo à glória do Céu, onde resplandece Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos» (Const. Munificentissimus Deus: AAS 42 [1950], 768-769).
Queridos irmãos e irmãs, elevada ao céu, Maria não se afastou de nós, mas permanece ainda mais próxima e a sua luz projecta-se sobre a nossa vida e sobre a história da humanidade inteira.
Atraídos pelo esplendor celeste da Mãe do Redentor, recorramos com confiança àquela que do alto nos guarda e nos protege. Todos temos necessidade da sua ajuda e do seu conforto para enfrentar as provas e os desafios de cada dia; precisamos de a sentir mãe e irmã nas situações concretas da nossa existência. E para poder partilhar um dia também para sempre o seu mesmo destino, imitemo-la agora no dócil seguimento de Cristo e no generoso serviço aos irmãos. Este é o único modo para saborear, já na nossa peregrinação terrena, a alegria e a paz que vive em plenitude quem alcança a meta imortal do Paraíso (papa Bento XVI, Angelus, 15 de agosto de 2007)
Fernando Silva - Geraldo Morujão

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Bendita és tu, Maria! Hoje, Jesus ressuscitado acolhe a sua mãe na glória do céu… Hoje, Jesus vivo, glorificado à direita do Pai, põe sobre a cabeça da sua mãe a coroa de doze estrelas…
Primeira leitura: Maria, imagem da Igreja.Como Maria, a Igreja gera na dor um mudo novo. E como Maria, participa na vitória de Cristo sobre o Mal.
Salmo: Bendita és tu, Virgem Maria!A esposa do rei é Maria. Ela tem os favores de Deus e está associada para sempre à glória do seu Filho.
Segunda leitura: Maria, nova Eva.Novo Adão, Jesus faz da Virgem Maria uma nova Eva, sinal de esperança para todos os homens.
Evangelho: Maria, Mãe dos crentes. Cheia do Espírito Santo, Maria, a primeira, encontra as palavras da fé e da esperança: doravante todas as gerações a chamarão bem-aventurada!
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa destra!
A hodierna Liturgia põe-nos diante do fúlgido ícone da Assunção da Virgem ao céu, na integridade da alma e do corpo. No esplendor da glória celeste brilha Aquela que, em virtude da sua humildade, se fez grande diante do Altíssimo, a ponto de todas as gerações a chamarem bem-aventurada (cf. Lc. 1,48). Agora senta-se como Rainha ao lado do Filho, na eterna bem-aventurança do paraíso e do Alto olha para os seus filhos.
Com esta consoladora certeza, dirigimo-nos a Ela e invocamo-la para aqueles que são os seus filhos: para a Igreja e para toda a humanidade, a fim de que todos, imitando-a no fiel seguimento de Cristo, possam alcançar a pátria definitiva do céu.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa destra!
Primeira entre os remidos pelo sacrifício pascal de Cristo, hoje Maria resplandece como Rainha de todos nós, peregrinos rumo à vida imortal.
N'Ela, que foi elevada ao céu, é-nos manifestado o eterno destino que nos aguarda para além do mistério da morte: destino de felicidade total, na glória divina. Esta perspectiva sobrenatural sustém a nossa peregrinação quotidiana. Maria é a nossa Mestra de vida. Olhando para Ela, compreendemos melhor o valor relativo das grandezas terrenas e o pleno sentido da nossa vocação cristã.
Desde o nascimento até à gloriosa Assunção, a sua existência desenrolou-se ao longo do itinerário da fé, da esperança e da caridade. São estas as virtudes, florescidas em um coração humilde e abandonado à vontade de Deus, que adornam a sua preciosa e incorruptível coroa de Rainha. São estas as virtudes que o Senhor pede a cada fiel, para o admitir na glória da Sua própria Mãe.
O texto do Apocalipse, há pouco proclamado, fala do enorme dragão vermelho que representa a perene tentação que se apresenta ao homem: preferir o mal ao bem, a morte à vida, o prazer fácil do desempenho à exigente mas saciante via de santidade para a qual cada homem foi criado. Na luta contra «o grande Dragão... a antiga Serpente, o Diabo ou Satanás, como lhe chamam, o sedutor do mundo inteiro» (Ap. 12, 9), aparece o grandioso sinal da Virgem vitoriosa, Rainha de glória, sentada à direita do Senhor.
E nesta luta espiritual, a sua ajuda à Igreja é determinante para alcançar a vitória definitiva contra o mal.
Resplandece a Rainha, Senhor, à Vossa dextra!
Maria brilha sobre a terra, «enquanto não chegar o dia do Senhor... como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do povo peregrinante de Deus» (Lumen gentium, 68). Como Mãe solícita de todos, sustém o esforço dos crentes e encoraja-os a perseverar no empenhamento. Penso aqui de maneira muito particular nos jovens, que estão mais expostos ao fascínio e às tentações de mitos efêmeros e de falsos mestres.
Queridos irmãos, olhai para Maria e invocai-a com confiança!  Maria ajudar-vos-á a sentir-vos parte integrante da Igreja, encorajando-vos a não ter medo de assumir as vossas responsabilidades de testemunhas credíveis do amor de Deus.
Hoje, a Virgem elevada ao céu mostra-vos aonde conduzem o amor e a plena fidelidade a Cristo na terra: até à alegria eterna do céu.
Maria, Mulher revestida de sol, diante dos inevitáveis sofrimentos e das dificuldades quotidianas, ajuda-nos a fixar o olhar em Cristo.
Ajuda-nos a não ter medo de O seguir até ao fim, mesmo quando o peso da Cruz nos parecer excessivo. Faz-nos compreender que só este é o caminho que leva ao ápice da salvação eterna.
E do céu, onde resplandeces como Rainha e Mãe de misericórdia, vela sobre cada um dos teus filhos.
Orienta-os a amar, adorar e servir a Jesus, o bendito fruto do teu seio, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!
papa João Paulo II


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A Mulher da Aliança
Ao abrir o livro do Apocalipse nos encontramos com uma mulher junto à arca da Aliança. Aliança é o que Jesus fez na Última Ceia e em cada uma das Eucaristias que fazemos em sua memória: os que formam seu grupo, os que se consideram discípulos seus até para dar a vida, os que se comprometem a fazer do Amor o objeto de sua vida, e o selam através do Corpo e do Sangue do Senhor. A Aliança é a entrega mutua dos homens e Deus.
Pois bem, aquela mulher que aparece aproximando-se da Aliança de Deus simboliza Maria, porém também toda a comunidade cristã: Ela é a Mulher da Aliança, como nos somos o Povo da Aliança nova e eterna:
que temos dado a mão a Deus e queremos lutar ao seu lado contra os dragões que podem ameaçar-nos;
que temos sido iluminados e coroados pelo Senhor, e queremos ir pintando o mundo de amor: de luz, de estrelas e de sol... eliminando as sombras e escuridões, e levantando os que encontramos caídos;
que temos reservado um bom lugar no céu ao lado de Deus.
Esta Mulher está vestida de sol.
É uma mulher brilhante, luminosa, vital, quente, como o sol espanta as sombras e ajuda a encontrar o caminho.
Que faz possível a vida, que provoca a vida e faz crescer a vida, e Ela mesma “dá a luz” a Vida, a Cristo Jesus.
Que envolve tudo com sua alegria, com sua energia, com sua vitalidade, como o sol.
Vestida por Deus, vestida de Deus, sustentada no mais alto por Deus, habitada por Deus coroada com 12 estrelas. Não é uma mulher solitária, afastada do resto dos homens, como se fosse uma criatura especial. As 12 estrelas da sua Coroa simbolizam o povo dos 12 apóstolos. Ela nasceu do nosso povo é o melhor da nossa raça - depois de Jesus - e chega até Deus de mãos dadas conosco, nos elevando em direção ao céu. Como nos chegamos a Deus dando-nos fraternalmente a mão.
O Evangelho a mostra CAMINHANDO DEPRESSA pela montanha. Não é uma mulher parada, escondida, escondida em sua casa; não parece que tenha se preocupado com a prudência de repousar sua gravidez, de sentir-se importante, de esperar que venham servi-la...  Não. Está mais preocupada com o que poderia precisar a sua prima grávida. Porque se é a escrava, a Serva de Deus, ela sabe que o Senhor sempre quer estar perto dos pequenos e necessitados.
É uma mulher lutadora, valente, rebelde, ousada. Nada a ver com essa Maria que normalmente nos presenteiam: Dócil, conformada, nas nuvens, passiva, ao lado dos ricos e poderosos e ela mesma com jóias e sentada em tronos. É a que enfrenta a cara do Dragão, símbolo do poderoso mal que sempre visa nos destruir, nos afastar de Deus para nos dominar como senhor, para nos manipular conforme seus interesses. O Dragão é a injustiça, a desigualdade, a manipulação, a violência, o ódio, o materialismo, etc. O Dragão então era o Império Romano perseguidor dos cristãos. Porém é também qualquer poder, qualquer sociedade, qualquer estrutura lesiva ao homem, ou a tentativa de manipular, de submeter, destruir.
É com quais ARMAS esta mulher enfrentava a cara do Dragão? Quais são as armas dos que querem enfrentar ao lado de Deus o mal que quer destruir a sociedade?
Sua arma (e a nossa) chama-se Jesus de Nazaré e seu Evangelho. Assim:
Ante a injustiça, ela proclama que o Senhor derruba do trono os poderosos, enche os famintos de bens, e os ricos os deixa sem nada. Ele quer que se estenda o Reino da justiça, da igualdade, da vida, da verdade e fraternidade.
Ante a violência do nosso mundo e de nossos corações, ela quer dar a luz ao Príncipe da Paz: "Eu desejo-vos a paz, Eu vos dou a minha paz..."
Quando surgem as divisões, os enfrentamentos, os conflitos pessoais; quando nos sentimos desorientados, com medo, na defensiva... Ela nos reúne em oração para pedirmos ao Espírito Santo que faça possível a comunhão, o perdão, a valentia, para nos sentir filhos e filhas do mesmo Pai e por isso irmãos...
Quando há tantos caminhos na sociedade, quando não estão claros os valores importantes, quando desejamos enveredar por estilos de vida egoístas, sem solidariedade, individualistas, ela nos recorda que a felicidade está nas Bem-aventuranças, em Jesus, que é Caminho, Verdade e Vida. Que “façamos o que Ele nos tem dito”. O que Ele nos diz.
E quando nos chega o sofrimento, quando à hora da morte se aproximar, ela é sinal luminosa no céu, esperança forte e sinal de triunfo do Cristo Ressuscitado sobre a dor, o mal e a morte. Ele foi o primeiro em vencer (segunda leitura) e depois triunfarão todos os seus. A primeira  - logicamente - sua mãe; e depois a seguirão os apóstolos, os mártires, os santos, e todos os que têm lutado contra o poder do Dragão:
os que tem dito com suas palavras e sua vida: “Aqui esta a escrava do Senhor”;
os que como ela tem guardado a Palavra no coração;
os que como ela nas bodas de Caná, se dão conta do que falta, falam primeiro com o Senhor, e logo se colocam em movimento para que façamos o que Ele nos diz;
os que têm escutado as Palavras de Jesus na cruz, e as tem recebido como sua Mãe, mãe da comunidade de discípulos, que sabem reunir-se para orar e buscar a vontade de Deus, pedindo continuamente o Espírito, um novo Pentecostes.
Então, hoje, celebramos a Festa da Assunção, isto é, uma Festa:
Dos lutadores contra os muitos dragões que também hoje atacam o homem e sua dignidade.
Dos que querem mudar o mundo desde o lado dos humildes, e fugir dos tronos e dos poderes.
Dos que trabalham para construir comunidades de irmãos
Dos que confiam em que seu destino é vestir-se de sol, receber a coroa do triunfo que nos tem preparado Cristo, e habitar no céu próximo de Deus.
Enrique Martínez



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«Dou-vos a minha paz» (Jo. 14,27)
A paz não é ausência de guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas, nem resulta duma dominação despótica. Com toda a exatidão e propriedade ela é chamada «obra da justiça» (Is. 32,7). É um fruto da ordem que o divino Criador estabeleceu para a sociedade humana, e que deve ser realizada pelos homens, sempre anelantes por uma mais perfeita justiça. […] Por esta razão, a paz nunca se alcança duma vez para sempre, antes deve estar constantemente a ser edificada. Além disso, como a vontade humana é fraca e ferida pelo pecado, a busca da paz exige o constante domínio das paixões de cada um e a vigilância da autoridade legítima. Mas tudo isto não basta. […] Absolutamente necessárias para a edificação da paz são ainda a vontade firme de respeitar a dignidade dos outros homens e povos e a prática assídua da fraternidade. A paz é assim também fruto do amor, o qual vai além do que a justiça consegue alcançar.
A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Pai. Pois o próprio Filho encarnado, Príncipe da Paz, reconciliou com Deus, pela cruz, todos os homens; restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só corpo, extinguiu o ódio e, exaltado na ressurreição, derramou nos corações o Espírito de amor. Todos os cristãos são, por isso, insistentemente chamados a, «praticando a verdade na caridade» (Ef. 4,15), unirem-se aos homens verdadeiramente pacíficos para implorarem e edificarem a paz. […]
Na medida em que os homens são pecadores, o perigo da guerra ameaça-os e continuará a ameaçá-los até à vinda de Cristo; mas na medida em que, unidos em caridade, superam o pecado, superadas ficam também as lutas, até que se realize aquela palavra: «com as espadas forjarão arados e foices com as lanças. Nenhum povo levantará a espada contra outro e jamais se exercitarão para a guerra» (Is. 2,4).
Concílio Vaticano II
«Gaudium et spes», § 78




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