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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

terça-feira, 6 de setembro de 2016

24º DOMINGO TEMPO COMUM-C

24º DOMINGO TEMPO COMUM


11 de Setembro de 2016-Ano C

1ª Leitura - Ex 32,7-11.13-14

Salmo - Sl 50

2ª Leitura - 1Tm 1,12-17

Evangelho - Lc 15,1-32



O Evangelho nos mostra que haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão. CONTINUAR LENDO


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“HAVERÁ ALEGRIA ENTRE OS ANJOS DE DEUS POR UM SÓ PECADOR QUE SE CONVERTE.” – Olívia Coutinho. 
24º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Dia 11 de Setembro de 2016
Evangelho Lc 15,1-32

Neste mundo preconceituoso que não enxerga a “pessoa” somente os seus defeitos, são muitos os excluídos do convívio social e até mesmo religioso, irmãos nossos, que às vezes só precisam de se sentir amados, para mudar de vida! 
É compromisso cristão, trazer de volta ao convívio do Pai, àqueles que se perderam pelos caminhos tortuosos. Acolher estes irmãos, é  dar  a eles a oportunidade de reverem e refazerem as suas vidas!  Deus não desiste da sua criação, para Ele, não existe caminho sem volta e nem ponto final para uma história de amor!
No evangelho de hoje, Jesus,  através de três parábolas, nos convida a sermos  misericordiosos para com aqueles que se enveredaram por caminhos contrários mas que desejam voltar, que acolhamos estes irmãos e nos alegremos com a sua volta à vida! O que não significa concordar com os seus erros e sim, acreditar que uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus, pode mudar de vida! 
O ponto fundamental deste evangelho é destacar é a grandiosidade do coração do Pai, um coração misericordioso que vê a pessoa na sua essência  e não o seu pecado e a alegria de retorna à vida!
O texto começa dizendo, que os fariseus e doutores da lei, criticaram Jesus por Ele acolher os pecadores, como se eles (fariseus e mestres da lei) não fossem  pecadores também. Jesus responde a estas críticas, contando  três  parábolas! A primeira e a segunda parábola, podemos dizer que  são gêmeas, pois as duas expressam a alegria de quem encontra a preciosidade que haviam perdido!
A parábola da ovelha perdida, nos fala da alegria do pastor ao reencontrar a ovelha que havia extraviado do seu rebanho, simbolizando a alegria de Deus, quando recebe um filho de volta a casa paterna que é o seu coração!
 Assim como a primeira, a segunda parábola nos fala também de alegria, da alegria de uma mulher que encontra algo que havia perdido e que era de vital importância para sua sobrevivência: uma moeda de prata da qual ela obteria o seu sustento!
Já, a terceira parábola, é bem mais profunda rica em detalhes! Nela, podemos perceber que há um confronto entre a lógica dos homens e a lógica de Deus! É a parábola do filho pródigo, que deveria se chamar: “Parábola do pai misericordioso!”
A história nos mostra com detalhes, a atitude de um pai, perante a conduta de seus dois filhos: a  ingratidão do filho mais novo, que abandona à família para viver uma vida desregrada e a dureza de coração, do filho mais velho, que não é capaz de perdoar os erros do irmão.
É interessante observarmos, que a partir do momento em que o filho mais novo manifesta o desejo de sair de casa, o pai não intervém, deixa o filho partir. Deus também é assim, Ele não interfere em nossas decisões, nos deixa livres para fazermos as nossas escolhas! É importante observarmos também, a repreensão do pai, ao filho mais velho que  sentiu injustiçado diante ao acolhimento caloroso oferecido pelo pai ao irmão mais novo, que na opinião dele, não merecia tamanha honraria.  Postura, que vem nos falar da dureza de coração, de quem não se abre ao perdão!
Na história, podemos perceber ainda, a paciência de um Pai que não desiste do filho, que espera por ele dia pós dia com os olhos fixos no caminho! É assim que o nosso Pai do céu espera por nós: dia pós dia, com o olhar fixo no caminho, como se já nos visse de longe! 
Com estas parábolas, Jesus, além de nos despertar sobre importância do perdão e do acolhimento à aqueles que desviaram do caminho de Deus, nos tranquiliza, pois estes desviados, um dia, pode ser um de nós!
 Através destas pequenas histórias, Jesus não só nos convida a sermos caminho de  conversão  para o outro, como também, a nos convertermos.  É importante termos a consciência de que nós, somos tão pecadores, quanto àqueles que aos nossos olhos se afastaram de Deus.
A parábola do filho prodigo, tem como foco, o amor incondicional do Pai para com os seus filhos, Deus é  um Pai solícito, amoroso, que está sempre pronto para nos perdoar e nos receber de volta, esquecendo todo o nosso passado pecador. O que vale para Deus, é o que somos, a partir da nossa conversão, o nosso passado, para Deus não conta.
São muitos os que estão sobre a terra, mas que se sentem soterrados por não encontrarem motivação para se reerguerem. E quantos de nós, que dizemos seguidores de Jesus, comportamos igual aos fariseus e mestres da lei, ao invés de ajudar estes irmãos a se reerguerem, contribuímos para que eles se percam ainda mais, com a nossa indiferença, com o nosso desamor!
Tenhamos um coração misericordioso, semelhante ao coração do Pai, um coração aberto ao amor, ao acolhimento a aqueles que desejam voltar à vida!
O amor tem uma força irresistível, é caminho que traz de volta àquele que dispersou! Sejamos, pois, a força deste amor na vida do outro, pois, é sendo amada, que uma pessoa aprende a amar!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Um Deus que é amor e misericórdia
Mais uma vez ouvimos a parábola do Pai das misericórdias de Lucas. Deus tem os braços abertos no alto da cruz para abraçar todos os pródigos. Vamos pedir a são Pedro Crisólogo que nos ajude a penetrar no mistério da parábola belíssima da misericórdia do Pai.  O peso do amor anula o peso dos pecados.
“Falemos da bondade do Pai, correndo ao encontro de seu filho, de sua inefável misericórdia. Levantou-se e voltou para seu pai (Lc. 15,20). O filho levantou-se de sua queda espiritual e corporal; elevou-se do fundo do abismo para as alturas do céu. Junto do Pai celeste, o perdão eleva o filho muito mais do que a falta que o fizera cair.  Levantou-se e voltou para seu pai. Ele partiu. Não foi um caminhar físico, mas espiritual. Não precisou percorrer longos caminhos, porque encontrou um atalho: o caminho da salvação. Não necessitou andar por inúmeros caminhos em busca do Pai aquele que, procurando-o pela fé, o encontrou presente em si mesmo.
Levantou-se e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe... (15,20). Como está longe aquele que vem? É que ainda não chegou. Vem para se converter, mas ainda não chegou à graça; vem à casa do pai mas ainda não reencontrou a glória de seu primeiro estado e de sua honra anterior. Seu pai o avistou (Lc. 15,20). O pai o viu;  e por isso foi possível ao filho dirigir-se ao pai. O olhar do pai ilumina os olhos do filho que se encaminha para ele e dissipa a escuridão que o envolvia por causa de sua falta. Se o Pai celeste não tivesse iluminado o rosto do  filho que voltava, se não tivesse dissipado a tenebrosa desordem de seu coração pela luz de seu olhar, jamais esse filho teria visto o fulgor da face de Deus.Ele o avistou de longe e sentiu compaixão (cf. Lc. 15,20) A misericórdia comoveu aquele que é imutável. Correu, não fisicamente, mas por um sentimento de ternura. O Pai lançou-se ao pescoço do filho. Não por fraqueza, mas por profunda compaixão. Lançou-se ao pescoço para levantar o filho que jazia por terra. Lançou-se ao seu pescoço a fim de, pelo peso do amor, anular o peso dos pecados. Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados de fardos. Tomai sobre vós o meu jugo porque é leve (Mt. 11,28-30).
Notai que o filho é ajudado e não esmagado pelo peso do pai.  O pai lançou-se ao pescoço e beijou-o. É assim que o pai julga, corrige; é assim que cobre o filho de beijos e não de castigos. Um amor forte que não vê as faltas. Por isso, com um beijo, o pai apagou os pecados do filho. Envolvendo-o com seus braços, não deseja desnudar os delitos do filho, não quer desonrar o filho. É assim que o pai lhe cura as feridas; não resta nenhuma cicatriz, mancha alguma. Feliz o homem, diz o salmista, que foi perdoado e cuja falta foi encoberta (Sl. 31,1)”.
Um pai bom, que ergue do solo o pobre filho que ama e que sabe ser falho. Um pai que rasga as cortinas do amanhã para esse que é seu filho.
frei Almir Ribeiro Guimarães



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Deus procura a reconciliação
“Não quero a morte do pecador, e sim, que ele se converta e viva”. Estas palavras de Ez. 18,23 formam o pano de fundo (não expresso) da liturgia de hoje (cf. Lc. 15,32). A 1ª leitura mostra Deus voltando atrás no seu projeto de rejeitar Israel, depois de sua apostasia (bezerro de ouro). Em Ex. 32,7, Deus já não o chama “meu povo”, como na fórmula da Aliança (cf. Ez. 37,23 etc.), mas “teu povo”. Porém, por causa da intervenção de Moisés, que lhe lembra sua promessa, ele retira sua ira. O NT penetra mais fundo no ser de Deus. Nas parábolas colecionadas em Lc 15 (evangelho), ninguém precisa lembrar a Deus a promessa dele. Ele está totalmente voltado para o que se afastou do caminho, como um pastor concentra toda sua atenção na ovelha que está faltando em seu rebanho, ou como a dona-de-casa que deixa até queimar a comida por estar preocupada com uma nota de dez reais faltando na sua carteira...
Deus tem razão. Quem vai bem, siga à frente; o que está errado é que necessita de atenção. O médico não vem para os sãos, mas para os doentes. Já o pensamento “elitista”: ocupa-te com os “bons”, os que rendem, pois com os outros perdes teu tempo. Enfraquece-os. Deixa-os viver na falta de higiene e na subnutrição, para que sejam exterminados. Expulsa o povinho de sua área, o “primitivo”de suas terras... O pensamento de Deus não é assim. Ele sabe que rejeitar um só homem seria a mesma coisa que rejeitar a todos: o princípio é o mesmo. Por isso, está ansioso de ver voltar qualquer um, até o mínimo, o mais rebaixado, aquele que conviveu com os porcos (que horror, para os judeus a quem Jesus contou a parábola de filho pródigo!). Pois é seu filho, mesmo se o próprio filho já não se acha digno de ser chamado assim. Deus não pode esquecer seu filho (Jr. 31,20; Is. 49,15). Nós gostamos de resolver os “casos difíceis” pela expulsão, a repressão (e vemos os frutos...). Deus opta pela reconciliação.
São Paulo entendia bem isso. Ele foi perseguidor, como escreve no início de 1Tm. Mas a graça de Deus foi tão abundante, que em Cristo lhe deu vida e caridade. Jesus veio para salvar os pecadores (cf. Lc. 15; 19,10 etc.), e Paulo foi o principal deles (1Tm. 1,15). Com isso, ele se tornou exemplo daquilo que ele apregoa no seu serviço: a reconciliação (cf. 2Cor. 5,18) (2ª leitura).
Ora, se Deus faz assim uma “opção preferencial” pelas ovelhas perdidas, não sobrará mais carinho para as que ficaram no rebanho? Seria ter uma idéia muito mesquinha do carinho de Deus pensar assim. O pai faz festa para o filho pródigo, porque “aquele que estava morto voltou à vida”, mas não para o outro filho, que sempre está com ele, pois o “estar sempre com ele” é que deve ser a mais profunda alegria (Lc. 13,3 1-32). Ou será que, talvez, o filho mais velho, no fundo de seu coração, permanece com o pai apenas por constrangimento? Se for assim, deve reconhecer seu afastamento interior e voltar ao pai; então, o pai oferecerá um bom churrasco também para ele! A gente reconhece no filho mais velho a figura do fariseu: contas em dia, mas o coração longe de Deus.
Não é tal a atitude dos que reclamam por que o padre anda nas favelas em busca de ovelhas perdidas em vez de rezar missas particulares ou ir a reuniões piedosas? Ao contrário, felizes por ter Deus sempre diante dos olhos, deveriam ser solidários com a Igreja que busca os abandonados, em vez de se sentirem abandonadas no meio de tanta atenção que receberam. Em vez de criticar a prioridade dada aos excluídos, deveriam ser os primeiros a procurar o reencontro, tornando-se “agentes da reconciliação”.
Johan Konings "Liturgia dominical"


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O amor misericordioso de Deus
Este trecho do Evangelho é uma das páginas mais bonitas e emocionantes do Novo Testamento quanto à maneira de ver, sentir e viver a misericórdia de Deus.
“Naquele tempo, os publicanos - classe desprezível aos olhos do povo - e os pecadores aproximavam-se de Jesus para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas, porém, murmuravam: “Este homem recebe os pecadores e come com eles!” (cf. v. 1-2). Para justificar sua preferência para com os pecadores, Jesus propõe três parábolas, salientando a misericórdia de Deus e seu desejo de salvar a todos.
A salvação é oferecida a todos indistintamente: publicanos, adúlteros, meretrizes, impostores, agiotas, drogados, ladrões, assassinos... É sempre Deus quem toma a iniciativa (1Jo 4,19): “Deus nos amou primeiro”. Da parte do homem, porém, tornam-se necessárias: a conversão, a fé na Palavra de Jesus e a adesão a sua pessoa.
“Parábola da ovelha perdida...” (v. 4-7). A ovelha é a imagem do pecador que estava perdido e foi reencontrado: “Alegrai-vos comigo porque encontrei minha ovelha perdida!” Deus é amor! Deus é o Bom Pastor que, com infinito amor, vai em busca do pecador. Está sempre pronto a acolher e, cheio de misericórdia, perdoar e salvar.
“Parábola da dracma perdida...” (v. 8-10). Uma mulher perdeu uma dracma e depois de muito procurar a encontra e chamando as amigas, exclama: “Alegrai-vos comigo porque encontrei a drama que havia perdido!” Esta parábola, como a da ovelha perdida, acentua a alegria do reencontro, partilhada com as vizinhas e amigas.
“Parábola do filho pródigo” (v. 11-32). O filho mais novo disse: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe” e partiu para uma região longínqua, dissipando sua herança numa vida devassa. Saiu de casa em busca de um caminho que lhe oferecia promessas de liberdade e prazer. Mas tudo não passou de um sonho, uma quimera. Teve, finalmente, de enfrentar a solidão, a fome e a miséria, indo até a cuidar de porcos. Caindo em si, arrependido, voltou para a casa do pai e disse-lhe: “Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”. Mas o pai, abraçando-o, acolheu-o cheio de alegria e mandou preparar um banquete, dizendo: “Comamos e festejemos, pois este meu filho estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi reencontrado.”
“O filho mais velho...” Não quis entrar na casa e participar do banquete (v. 25-32) É a imagem dos fariseus e escribas que murmuravam contra Jesus pelo fato de acolher e comer com os pecadores.
* * *
Qual a minha atitude ante o pecador? Como gostaria de ser? Como o irmão mais velho do filho pródigo, ou como o pai que acolhe e perdoa, imagem do amor misericordioso de Deus? Vejo na atitude do filho pródigo exemplo da confiança na misericórdia de Deus Pai, sempre pronto a acolher o pecador arrependido? Creio que para Deus nenhum pecador lhe é indiferente?
frei Floriano Surian, ofm


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Filho pródigo
Os Fariseus e doutores da lei continuam vigiando Jesus de perto, preparando ciladas para tentar pegá-lo de surpresa, porém Jesus sempre ciente da intenção deles segue seu caminho levando a todo o povo o conhecimento do Reino de Deus, sem desprezar ou ignorar ninguém.
O capítulo 15 do Evangelho de Lucas descreve a essência do que é o Reino de Deus, do que o Senhor espera de cada um. Nele, Jesus coloca em três parábolas a importância que cada um tem para o Pai. A primeira e a segunda parábolas têm o mesmo sentido: Jesus entra no universo masculino com a parábola da ovelha perdida por saber que este fato faz parte do cotidiano de muitos que O escutavam, e no feminino com a moeda perdida, pois as mulheres tinham que manter sua casa com muitos sacrifícios e, uma moeda que fosse, num universo de dez, lhe faria muita falta. Ele não julga a ovelha ou a moeda que se perdeu, em melhor ou pior do que as que ficaram, mas as procura para colocá-las junto às outras comungando dos mesmos cuidados.
Já na terceira parábola Jesus também fala da alegria do reencontro com o filho perdido, e vai além, advertindo os que se acham justos do risco de se afastarem do Pai por não acolher o irmão que se encontrava perdido. O filho mais velho seria, na época, os Fariseus e doutores da lei que se achavam melhores que os outros por se considerarem sem pecado algum, e hoje o filho mais velho é todo aquele que por se julgar melhor que os outros, mais sem pecados, discrimina e condena o irmão que, por fraqueza ou falta de oportunidade, vive uma vida de erros distante do Pai. Para estar junto ao Pai é essencial um coração puro capaz de amar o próximo sem julgar seus atos e alegrar-se com seus acertos. Quando isso não acontece, por mais que esta pessoa seja correta e viva dentro das leis e regras da sociedade e de Deus, seu coração não está junto a Deus.
O filho que não se afasta do Pai comunga sempre de Seu amor, e o filho perdido resgatado que alegra o Pai com sua volta, volta a ocupar não um lugar melhor ou pior que o outro, mas exatamente igual, compartilhando o mesmo amor do Pai.
Essa é a essência do Amor de Deus e, para ser um cristão verdadeiro, esse é o principal ensinamento a ser seguido, pois quem ama o irmão como o Pai o ama estará sempre junto Dele e protegido por Seu amor. Deus não abandona seu povo. A caminhada das comunidades cristãs é um processo de libertação liderado pelo Senhor. Caminhamos celebrando os acertos e corrigindo os desvios. Deus não nos abandona por causa das falhas. Não estamos isentos do risco de nos considerarmos o “filho mais velho”, mas Deus nos dá sempre a chance do perdão, com o Seu amor misericordioso. Ele procura incansavelmente pelos pecadores arrependidos e marginalizados.

Pequeninos do Senhor
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Ensinando a perdoar
Um dos maiores desafios para quem vive em comunidade é o perdão. Por outro lado, a sobrevivência de qualquer comunidade humana dependerá da capacidade que seus membros têm de perdoar. Sem isto, não há comunidade que possa subsistir por muito tempo.
Em se tratando da comunidade cristã, o perdão torna-se um imperativo. Os discípulos de Jesus foram exortados a considerar as raízes teológicas do perdão. No ato de perdoar o próximo e de se reconciliar com ele, Deus se faz presente. Por conseguinte, o perdão supera os limites humanos.
Quando alguém perdoa o próximo, age em conformidade com Deus que concede prodigamente o seu perdão ao ser humano. Para tanto, fecha os olhos para a maldade humana, quando a pessoa se reconhece pecadora e se volta para ele.
A capacidade divina de perdoar é ilimitada. Deus conhece perfeitamente de que é feito o ser humano, e sabe muito bem que sua fidelidade pode não ser definitiva. Quem é perdoado hoje pode voltar a pecar amanhã. No entanto, sempre que se converte e volta arrependido, encontrará um Pai bondoso e misericordiosos para acolhê-lo.
Os discípulos de Jesus são chamados a imitar o modo de agir de Deus. Também eles devem perdoar com prodigalidade, tendo um coração cheio de misericórdia para acolher quem carece de perdão.


Solidário com os pecadores
As chamadas "parábolas da misericórdia" ilustram a atitude de Deus, bem como a de Jesus, em relação aos pecadores. E constitui-se numa chamada de atenção para os discípulos.
A preocupação principal de Deus em relação à humanidade é que todo ser humano obtenha a salvação. Quem está mais pervertido pelo pecado, obviamente é olhado com especial atenção. É preciso abrir para eles perspectivas de uma vida nova, fundada no amor e na solidariedade. Daí o esforço de Jesus para acolhê-los, fazer-se próximo deles e apresentar-lhes o projeto de vida almejado pelo Pai.
E mais, procurar ajudá-los a superar o preconceito de que são vítimas, mostrando-lhes como o Pai é o maior interessado na conversão deles, pois se alegra quando alguém consegue mudar de vida, rompendo com o passado pecaminoso. A imagem do Deus furioso e vingativo é substituída pela imagem do Pai clemente e misericordioso, que pacientemente espera a volta do pecador arrependido.
A familiaridade de Jesus com os pecadores chocava-se com a ortodoxia religiosa de seu tempo. Ele se recusava a cultivar o ideal de ver separados os justos dos pecadores, os bons dos maus. Antes, imitando a misericórdia divina, tudo fazia para que os pecadores voltassem à casa paterna. Aí descobririam a alegria do Pai, ao vê-los de volta.
padre Jaldemir Vitório


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Alegria pela conversão dos pecadores
O evangelho deste domingo nos apresenta uma sucessão de três parábolas de misericórdia: ovelha perdida e reencontrada (vv. 4-7), moeda perdida e reencontrada (vv. 8-10) e o pai misericordioso (vv. 11-32). Estas três parábolas são a resposta de Jesus à murmuração dos escribas e fariseus: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles” (v. 2). O tema da alegria pela conversão dos pecadores está presente nas três parábolas (vv. 6.7.9.10.32). Se há alegria no céu, deve haver na terra!
Na parábola do pai misericordioso, a atitude do pai que acolhe o filho mais novo com festa (vv. 22-24) contrasta com a atitude de raiva e de murmuração do filho mais velho (vv. 25-30). Parece que Jesus queria identificar a atitude do filho mais velho com a atitude dos escribas e fariseus. O filho mais velho é convidado a entrar no coração compassivo do pai (v. 20), pois “era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrado” (v. 32).
Se as parábolas são a resposta de Jesus à murmuração dos escribas e fariseus, elas visam exortar o leitor do evangelho a proceder como Deus procede, a identificar-se com o Deus “de piedade e de ternura, lento para a ira, e rico em amor” (Jn. 4,2).
Carlos Alberto Contieri,sj


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Na solenidade do santo Natal, na segunda leitura da missa da Aurora, a Igreja, olhando o presépio, faz-nos escutar as palavras de são Paulo a Tito:“Manifestou-se a bondade de Deus nosso Salvador, e o seu amor pelos homens. Ele salvou-nos, não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia...” (Tt. 3,4s). O Menino que veio viver entre nós, Jesus, nosso Senhor, é a bondade de Deus, é a sua salvação misericordiosa... Estas palavras são maravilhosamente ilustradas pela liturgia deste Domingo. Hoje, o Cristo nos é apresentado como a própria bondade, a própria ternura misericordiosa do Pai do céu, do nosso Deus. Aquilo que já fora prefigurado por Moisés, intercedendo pelo povo pecador, na primeira leitura; aquilo que, na segunda leitura, são Paulo pregou e experimentou na própria vida: “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. E eu sou o primeiro deles!” – tudo isso nós tocamos nas três parábolas da misericórdia do Evangelho de são Lucas.
Sigamos a narrativa. Por que Jesus contou essas parábolas? Porque “os publicanos e pecadores aproximavam-se dele para o escutar. Os fariseus, porém, e os escribas criticavam Jesus: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’.” Aqui está: Jesus era um fio de esperança para aqueles considerados perdidos, metidos no pecado, sem jeito nem solução... Os publicanos, as prostitutas, os ignorantes, os pequenos e desprezados, gente sem preparo e sem cultura teológica... estavam aproximando-se de Jesus para escutá-lo; viam nele a ternura e a misericórdia de Deus. Os escribas e fariseus – homens praticantes e doutores da Lei – criticavam Jesus por isso. Ele se misturava com os impuros, ele acolhia a gentalha e os pecadores. Pois bem, foi para esses doutores que Jesus contou as parábolas, para mostrar-lhes que o coração do Pai é ternura, é amor, é vida, é amplo como uma casa grande...
O Pai se alegra, porque Jesus, o Bom Pastor, era capaz de deixar noventa e nove ovelhas para ir atrás daquela que se perdera totalmente, até encontrá-la! O convite que Jesus estava fazendo aos escribas e fariseus era claro: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!” Alegrai-vos, porque o coração do Pai está feliz: ele não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e tenha a vida! Do mesmo modo, na parábola da dracma perdida: Deus é como aquela mulher que acende a lâmpada e varre cuidadosamente a casa até encontrar sua moedinha. E não descansa até encontrá-la. Quando a encontra, como Deus, quando encontra o pecador, ela exclama: “Alegrai-vos comigo! Encontrei a moeda que havia perdido!” O Deus que Jesus nos revela, o Deus a quem ele chamava de Pai é assim: bom, compassivo, misericordioso, preocupado conosco e com cada um de nós. Ele somente é glorificado quando estamos de pé, quando estamos bem, quando somos felizes. Mas, não há felicidade verdadeira para nós, a não ser juntinho dele, que é o Pai de Jesus e nosso Pai. É isso que Jesus inculca com a terceira parábola, a mais bela de todos: o Pai e os dois filhos.
“Um homem tinha dois filhos”. Este homem é o Pai do céu. “O filho mais novo disse ao pai: ‘Dá-me a parte da herança que me cabe’”. Esse moço quer ser feliz, deseja ser livre... e imagina que somente vai sê-lo longe do olhar do pai. Assim, sem juízo, como que mata o pai, pedindo-lhe logo a herança. “e partiu para um lugar distante”. Quanto mais longe do pai, melhor, mais livre. E aí dissipa tudo, numa terra pagã, longe do pai, longe de Deus. E termina na miséria, tendo esbanjado a vida, a felicidade, o futuro, o amor e o sexo... Vai pedir trabalho e dão-lhe o mais vergonhoso para um judeu: cuidar de porcos, animais impuros. E ele queria comer a lavagem dos porcos e não lha davam! Em que deu o sonho de autonomia, de liberdade, de felicidade longe do pai! Tudo não passara de ilusão! Mas, apesar de louco, o jovem era sincero: caiu em si, reconheceu que pecou. Não colocou a culpa no pai, nos outros, no mundo, no destino. Reconheceu-se culpado e recordou e confiou no amor do pai: “Vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o céu e contra ti!” E volta! O jovem era corajoso, generoso, era sincero! O que ele não sabia é o pai nunca o esquecera; esperava-o todos os dias, olhando ao longo do caminho. De longe o avistou e o reconheceu, apesar da miséria e da fome e das roupas maltrapilhas. E, cheio de compaixão – como o coração do Pai de Jesus – correu ao encontro do filho, cobriu-o de beijos e de vida, e restituiu-lhe a dignidade de filho. E deu uma festa! O Pai é assim: não quer ninguém fora de sua casa, de seu coração, da festa do seu amor, do banquete de sua eucaristia! Mas, havia ainda o filho mais velho. Este, como os escribas e os fariseus, jamais havia desobedecido ao pai; cumprira todos os seus preceitos. Por isso, ficou com raiva e não quis entrar na festa do pai: “O pai, saindo, insistia com ele...” Notem que o mesmo pai que saíra ao encontro do mais novo, saiu agora ao encontro do mais velho, que estava perdido no seu egoísmo, na sua raiva, fora da festa e do aconchego do pai! E o mais velho passou-lhe na cara: “Eu trabalho para ti há tantos anos... e tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos...” O pai respondeu: “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu...” É que aquele filho nunca amara o pai de verdade: cumpria tudo, de tudo fazia conta... e, um dia, iria pedir o pagamento, a recompensa por tudo... Por isso nunca se sentiu íntimo do pai, por isso não sentia que tudo quanto era do pai era dele também! Pode-se estar junto do pai e nunca o conhecê-lo de verdade! Não era esta a situação daqueles escribas e fariseus? Interessante que Jesus não diz se o filho entrou na festa do pai e na alegria do irmão ou se, ao contrário, ficou fora, onde somente há choro e ranger de dentes.
Pois bem, o Senhor nos convida hoje a acolher em Jesus a misericórdia incansável de Deus para conosco, um Deus que não sossega até nos encontrar... Mas, nos convida também a ser misericordioso para com os outros. É triste quando experimentamos que somos pecadores, experimentamos a bondade acolhedora de Deus para com nossos pecados e, depois, somos duros, insensíveis e exigentes em relação aos irmãos. Que o Senhor nos dê um coração como o coração de Cristo, imagem do coração do Pai, capaz de acolher o perdão e a misericórdia de Deus e transbordar esse perdão e essa misericórdia para com os outros.
dom Henrique Soares da Costa


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