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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

27º DOMINGO TEMPO COMUM-C

27º DOMINGO TEMPO COMUM

02 DE OUTUBRO – ANO C

1ª Leitura - Hab 1,2-3; 2,2-4

SALMO 94

2ª Leitura - 2Tm 1,6-8.13-14


Evangelho - Lc 17,5-10



As leituras de hoje nos convidam a termos fé e confiança em Deus. Mesmo que por muitas vezes não entendemos os seus desígnios, o certo é depositarmos nele toda a nossa esperança, pois Deus todo poderoso nunca falha, Ele não nos abandona. Porém, para isso precisamos segui-lo fielmente. Continuar lendo

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“SOMOS SERVOS INÚTEIS; FIZEMOS O QUE DEVÍAMOS FAZER” – Olivia Coutinho.

27º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 02 de Outubro de 2016

Evangelho de Lc17,5-10

Outubro, mês das missões! Um tempo motivador em que a Igreja nos convida a  assumirmos o nosso compromisso missionário, seja na família, na comunidade, ou na sociedade! 
Não tem como ser discípulo de Jesus, sem estar aberto à missionariedade, pois é próprio do discípulo, querer empenhar-se para que outros possam fazer  a mesma experiência que ele fez do encontro com o Senhor Jesus!
O espírito missionário se fundamenta na experiência da vivencia com Jesus! É a certeza da presença de Jesus atuando nele, que  motiva  missionário a assumir com maior intensidade e alegria a sua cumplicidade no anuncio do Reino!
Todos nós somos chamados a ser anunciadores da Boa Nova, ou seja, anunciadores da constatação de que a promessa de Deus se cumpriu!
O Evangelho de hoje, chama a nossa atenção, para dois pontos fundamentais para o êxito da nossa caminhada missionária: fé e serviço.
O texto que nos é apresentado começa dizendo, que os apóstolos, fizeram um pedido a Jesus: “Senhor aumente a nossa fé!”
A narrativa  nos leva a crer, que, o que levou os apóstolos a fazer este pedido à Jesus, tenha sido o peso da responsabilidade em assumir o legado de Jesus, a dificuldade em entender o que Ele falava!
Naquelas alturas, já à caminho de Jerusalém, onde se daria o desfecho final da trajetória terrena de Jesus, que culminaria na sua morte de cruz , os apóstolos, já estavam cientes de que seriam eles, os continuadores da missão de Jesus .
Depois de um bom tempo de convivência com Jesus, testemunhando os  seus feitos,  a sua postura   diante as provocações dos seus adversários, a sua capacidade de perdoar eles, que teriam que fazer o mesmo,  certamente, se deram conta, de que precisariam de muita fé para enfrentar os desafios daquela missão, que humanamente parecia-lhes impossível!
Em resposta ao pedido dos apóstolos Jesus disse: “Se tivésseis uma fé mesmo que pequena como um grão de mostarda, podereis dizer a esta amoreira; ’Arranca-te daqui e planta-te no mar,’ e ela vos obedeceria”. O que  nos mostra, que até então, os apóstolos, mesmo estando junto de Jesus, ainda não tinham uma fé suficientemente madura para assumir os desafios da missão!
Continuando, Jesus conta-lhes a parábola do servo, no sentido de despertá-los para a importância de estarem à serviço de Deus! Com esta parábola, Jesus inverte a necessidade dos apóstolos, afirmando-lhes, que eles não precisariam de ter a fé aumentada para aprenderem a servir, e sim, de aprenderem a servir para ter a fé aumentada! 
A fé, é um dom de Deus, que se desenvolve à medida em que nos envolvemos no projeto de Deus, colocando-nos à sua disposição! Portanto, não é Jesus quem vai aumentar a nossa fé, o que vai  aumentar a nossa fé, é a nossa entrega a Deus, a nossa fidelidade e submissão a Ele, traduzidos em serviço!
Nossa fé deve ser dinâmica, operosa e nunca “engavetada!”
Crescemos na fé, à medida  que nos aprofundamos na palavra de Deus, que  nos colocamos como seu  instrumento  a serviço do Reino!
É importante termos a consciência de que a nossa vida não nos pertence, pertence a Deus e que devemos colocá-la à seu serviço, servindo o outro  na gratuidade,  tendo como recompensa, a alegria de ver o irmão feliz!
Praticar a justiça, ser honesto, é nossa obrigação, ninguém precisa receber elogios ou reconhecimento pelo cumprimento do seu dever. 
Sabemos que Deus não precisa de nós, que Ele pode realizar tudo por si só, porém, Deus quer contar conosco, não em vista de si próprio, mas em vista do nosso próprio bem! É por isto que Ele nos chama, a estarmos à serviço do Reino.
Como seguidores de Jesus, não podemos nos contentar com o que já estamos fazendo, pois se Jesus está em nós e nós Nele, podemos fazer muito mais!
Não precisamos de nos sentir incapazes de realizar algo em favor do Reino, de ser sinal Dele  para  o  irmão, pois Deus, no seu  infinito amor aos que precisam de suas mãos em nossas mãos,  é capaz de transformar a nossa visível inutilidade em fonte de Luz para estes! 
A gratuidade no serviço, deve ser a marca de um verdadeiro seguidor de Jesus, afinal não se busca recompensa daquilo que se faz por amor!
Fé e serviço estão interligados, estar à serviço de Deus, é estar na trilha da fé.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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A fé, a semente de mostarda e o serviço
As leituras de hoje nos chamam a atenção para a fé. “Aumenta-nos a fé!”, disseram os apóstolos a Jesus. Por que os discípulos pedem para aumentar a fé deles? Qual é a relação entre as duas parábolas do evangelho de hoje, semente de mostarda e servo inútil, e a fé? O que é a fé? A carta aos Hebreus define fé como “firme fundamento das coisas que se esperam, uma posse antecipada, um meio de demonstrar as realidades que não se veem”. E ainda acrescenta: “foi por meio dela que os antigos deram seus testemunhos” (Hb. 11,1-2). Mesmo não tendo visto Jesus ressuscitado, eu acredito, tenho fé, certeza de que ele ressuscitou. Por isso, eu tenho fé. Não preciso manifestar fé em uma árvore, pois já sei que ela existe. Ninguém precisa me transmitir esse ensinamento. Podemos correr o risco de banalizar a fé, quando a colocamos na dimensão da incerteza. Os discípulos acreditavam nas palavras e promessas do Reino que Jesus anunciava, mas também disseram: aumenta-nos a fé.
Neste domingo, dia em que o país irá às urnas para escolher presidente, senadores, governadores e deputados, perguntemo-nos: qual é a contribuição do cristão neste ato cívico? Temos fé em nossos políticos? As suas promessas se tornam realidades? Por enquanto, permaneçamos com essas inquietações.
1º leitura (Hab. 1,2-3; 2,2-4)
A fé salva e a fidelidade me faz justo seguidor da Lei
Habacuque foi um profeta realista, contestador, lamentador e esperançoso. Como Jó, ele foi o “homem da crise”. Ele atuou entre 605 e 600 a.C., período em que Judá viveu sob a dominação do império neobabilônico, pagando-lhe tributos. O rei Joaquim, aliado de um outro opressor, o Egito, foi colocado no trono pelo Faraó para governar Judá. A tirania de Joaquim foi tamanha que a injustiça aumentou no país. Pouco tempo depois, os babilônios, com Nabucodonosor, invadiram o país, destruíram Jerusalém e levaram as lideranças do povo para um exílio, que duraria cinco décadas, na Babilônia.
Habacuque, que num primeiro momento acreditou na reforma de Josias, percebe que não mais seria possível esperar por uma solução baseada na Lei. Ele perde a esperança na reforma deuteronomista, mas crê que Deus vencerá (2,1-3; 3,15.19). Esta descoberta lhe restituiu a esperança. Habacuque manteve-se firme nas seguintes denúncias: a não observância da Lei (1,4); os juízes corruptos (1,4); o roubo (2,9-10); a política injusta (2,12-14); a idolatria (2,18-20); os impérios egípcio (1,2) e babilônico (1,12-17); e o cinismo do conquistador (ou qualquer pessoa) que embriaga o seu próximo para lhe contemplar a nudez (2,15).
A primeira leitura é um lamento do profeta pela situação do povo e um questionamento a Deus, pedindo-lhe que os ouça: “Até quando, Senhor, pedirei socorro e não ouvirás” (1,2). A resposta de Deus vem em dois momentos. Ele diz que o opressor, a Babilônia, virá para destruir o país (1,5). Esse será o castigo para o povo de Judá. O profeta Jeremias dirá o mesmo. Habacuque se assusta com essa resposta de Deus (1,12-17). E Deus novamente responde, dizendo que ele sabe o que faz e não engana (2,2-4). E acrescenta: “o justo viverá pela sua fidelidade”. Habacuque chama o povo a ter confiança na justiça humana e na força libertadora do Senhor. A salvação virá pela fé e não pela observância da Lei (2,4). É o que são Paulo, mais tarde, irá aprofundar na sua teologia da “justificação pela fé” (Rm. 1,17; Gl. 3,11), tendo como base esse texto de Habacuque. A tradução da Bíblia hebraica para o grego, chamada de Setenta, traduziu o termo hebraico ‘emunah por fé, em vez de fidelidade, como está no texto de Habacuque. Fidelidade está relacionada com o justo que segue a Torá.
Outro fator que chama a atenção no texto de Habacuque é que Deus vai castigar o povo por causa de seus governantes iníquos. Relembrar isso em dia de eleição é muito propício. Em tempos modernos, não precisamos chegar a tanto, como foi o caso de Judá. Por outro lado, se a nossa lei punisse, de fato, os políticos corruptos, com certeza, nosso país seria diferente em questões sociais. Outro dado, muitos de nossos políticos não se envergonham de manifestar em público a sua fé. Neste ano, um deles chegou a rezar agradecendo a Deus pelo dinheiro conseguido com as suas falcatruas. Ele ficou conhecido como o político da oração.
A fé que nos salva é aquela que me faz justo seguidor da justiça pregada pela Palavra de Deus. Esta sim, o resto é pura enganação. Fiquemos atentos, sobretudo para o grande mercado da fé que assola o nosso país.
2. Evangelho (Lc. 17,5-10): “Senhor, aumenta a nossa fé!”
No evangelho de hoje, nos encontramos todos com uma inquietante pergunta: Senhor, aumenta-nos a fé! Jesus responde com duas parábolas. Vejamo-las.
a) “A fé pode até ser do tamanho de uma semente de mostarda” (vv. 5-6). Essa passagem também pode ser lida em Mt. 17,20-21; 21,21; Mc. 9,24; 11,23. Os apóstolos pedem a Jesus que aumente a fé deles. A interpretação desse texto nos ensina que a fé, por menor que seja, assim como uma pequenina semente de mostarda, pode realizar maravilhas, até mesmo exigir que uma amoreira se replante no mar. Viver a fé em tempos modernos é um desafio para todos nós. Somos senhores de muitos poderes e de nós mesmos. A fé é muito mais que uma boa obra ou uma dimensão psicológica de nossa existência. Ela é um colocar em Deus, que é amor que nos redime e nos impulsiona a viver na integridade das relações. Fé não é questão de quantidade, mas de qualidade.
b) “A fé é um serviço” (vv. 7-10). Na sequência da fé comparada à semente de mostarda, Jesus, fazendo uso de uma situação não muito peculiar aos apóstolos, a de um patrão que tem um empregado que o serve sem se perguntar o porquê de sua atitude, ensina que é simplesmente fazer o que se tem que fazer. Quem tem fé faz. Isso basta. As obras são consequências de nossa fé em Deus que tudo pode. E se Deus tudo pode, eu também posso, com a minha fé, realizar grandes obras. O serviço é uma dimensão da fé.
Amanhã, dia quatro de outubro, a Igreja faz a memória de são Francisco de Assis, o santo da paz e do bem, o defensor da ecologia e inventor do presépio. No final de sua vida, quando tanto havia feito e vivenciado a fé em Deus, com todo o ardor próprio da Idade Média, Francisco de Assis disse: “Irmãos, vamos recomeçar novamente, porque pouco ou nada fizemos”. Essa espiritualidade é a do serviço e da fraternidade universal. Por menor que seja, ela será sempre um serviço à justiça e ao bem comum, realizado de forma gratuita e não por dinheiro, como pensavam alguns.
2º leitura (2Tm. 1,6-8.13-14): Timóteo, viva a sua fé!
A segunda leitura tem uma orientação clara: Paulo, apóstolo propagador da fé em Jesus, com quem ele nem mesmo convivera, mas fora um perseguidor aguerrido de seus seguidores, exorta ao seu discípulo, Timóteo, a viver a fé por causa de sua consagração a serviço da Igreja, na coordenação da comunidade. Timóteo é convocado a cooperar com os dons do Espírito Santo. Ele não pode transmitir medo, mas reavivar sempre a sua fé. O cristão deve alimentar sempre a sua fé para não desanimar. Da mesma forma, ele deve dar testemunho de Jesus Cristo e guardar o depósito da fé, eis a sua missão. Paulo também não se intimida em demonstrar com palavras as suas atitudes de fé.
Na prisão, Paulo lhe diz: “Toma por modelo as sãs palavras que de mim ouviste, com fé e com amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, por meio do Espírito Santo que habita em nós” (vv. 13-14). O cristão precisa ser corajoso, não olhar interesses pessoais. “Não se envergonhe de dar testemunho de nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro” (v. 8), afirma, categoricamente, Paulo a Timóteo. A prisão não desmerece Paulo, pelo contrário, ela o credencia como discípulo de Cristo Jesus.
PISTAS PARA REFLEXÃO
1. Mostrar que o mundo é marcado por situações que não agradam a Deus e, tampouco, ao seu povo. Os que não creem podem até dizer que as desigualdades são normais e que Deus não existe, mas a promessa da vinda de Jesus se realizará. Os maus serão extirpados e os bons, chamados de benditos do meu Pai.
2. A igreja, por ser a aglutinação daqueles que creem, deve anunciar e propiciar o caminho da salvação para todos, lutando pela justiça social, pela paz e pela divisão fraternal dos bens. Fazer tudo isso é já ter a fé aumentada, assim como pediram os discípulos a Jesus.
3. A comunidade de fé tem um compromisso fundamental com a vida política do país. Escolher bem os governantes e, depois, cobrar deles atitudes coerentes com o prometido são o compromisso de fé que todos devemos assumir.
frei Jacir de Freitas Farias, ofm



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Fé e humildade
Continuamos a ser formados pelo evangelho de Lucas. Neste domingo há dois tópicos, dois aspectos da vida cristã que precisam ser levados a sério. Há um ensinamento sobre a fé e outro sobre a humildade.
O texto fala de um pedido no ar. Os apóstolos querem ter sua fé robustecida. “Aumenta a nossa fé!”. Tema difícil e amplo esse da elucidação da fé.  A fé não é apenas uma adesão a verdades ditas. Não se limita á inteligência.  Não basta a recitação do Credo para que as pessoas possam dizer que “têm fé”. Não é das mais felizes essa expressão; ter fé. Não se tem, não se possui a fé como se tem uma camisa ou um relógio.
Sim, há um conjunto de verdades que servem de base para o nosso seguimento de Jesus. Este, veio da parte do Pai, nasceu na nossa carne, percorreu as estradas da vida, aproximou-se de tudo o que é humano, conheceu contradições e chegou ao termo de sua caminhada no alto do patíbulo dando a vida pela vida do mundo. Este galileu , totalmente homem, era também a expressão de Deus na carne humana. Padeceu, morreu e ressuscitou. Esta a nossa fé: cremos em Jesus, filho de Deus, concebido pelo Espírito, morto e ressuscitado. Esta a fé que da Igreja recebemos. Mais ainda: participamos de sua morte e de sua ressurreição. Cremos. Os mistérios de Cristo são os nossos mistérios.
Não basta afirmar tudo isso. Necessário viver a vida iluminada pela fé. Tudo tem sentido. Casamento, paternidade, sofrimentos, alegrias, trabalho, todas as atividades humanas ganham uma claridade que vem da fé cristã. Viver da fé e na fé é clarear tudo com a certeza da vitória de Cristo sobre o absurdo, a morte, a mentira. As pessoas que vivem da fé confiam sua vida e sua história ao Deus da vida e ao Senhor da história. De alguma forma caminham para uma terra sem evidências, como Abraão deixou sua terra, sua parentela e foi na direção de um país que o Senhor haveria de mostrar. Assim como Abraão nós também vivemos dizendo, nas noites escuras e nos dias sem brilho: “Deus providenciará”. Alois Stöger, comentando o trecho, escreve: “O dom fundamental da salvação é a fé. Por ela é levado a cabo o mais difícil. A ela é prometida a salvação. O grão de mostarda é a menor de todas as sementes, mal do tamanho de uma cabeça de alfinete. A menor entrega mediante a fé consegue a maior coisa junto de Deus. As raízes do sicômoro preto são tão viçosas que essa árvore pode durar 600 anos – não obstante toda intempérie. No entanto, uma única palavra pronunciada com o mínimo de abnegada confiança em Deus, poderia transplantar essa árvore da terra para o mar – no caso o mar da Galiléia. Deus concede forças divinas para cumprir as exigências de Jesus, quando, seguindo a Jesus, se acredita que por ele chegou o tempo salvífico, e quando se põe toda confiança no que ele prega. Jesus prega o poder misericordioso de Deus” ( O Evangelho segundo Lucas. Coleção Novo Testamento, Vozes, p 99-100).  Ter fé é jogar a vida em Deus na palavra de Jesus! Esses são capazes de transportar montanhas.
O segundo ensinamento é sobre a humildade.  O discípulo de Jesus e cidadão do Reino  trabalha, luta, se empenha, evangeliza, ocupa-se da educação e formação cristã dos filhos, observa os pedidos do Sermão da Montanha. O verdadeiro discípulo não apresenta contas de tempo gasto e de desgastes eventualmente sofridos. Depois de terem sido atuantes, não atribuem o último resultado aos seus méritos. No fim de tudo, dirá: “Somos servos inúteis.  Fizemos o que devíamos fazer”. E ponto final.
frei Almir Ribeiro Guimarães
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A soberania de Deus e nossa fé
O mote da liturgia de hoje é: fé-fidelidade (o termo bíblico tem os dois sentidos). Quando Habacuc (1ª leitura), diante da desordem em Judá, nos últimos anos antes do exílio, grita a Deus com impaciência, quase com desespero, Deus anuncia que ele tratará o mal por um remédio mais tremendo ainda: os babilônios. A objeção de Habacuc contra esta solução, Deus responde: “Eu sei o que faço; não preciso prestar contas; mas os justos se salvarão por sua fidelidade” (2,2-4). O evangelho começa com a prece dos Apóstolos: “Senhor aumenta-nos a fé”.
O sentido de “fé” é um pouco diferente daquilo que Habacuc quer dizer. No A.T., trata-se da autenticidade e lealdade para com Deus, a fidelidade; no N.T., da adesão a Jesus Cristo (ambas as atitudes são indicadas pelo mesmo termo em grego, pistis, e em latim, fides). De fato, a adesão de fé implica também a lealdade e a fidelidade.
A resposta de Jesus é uma admoestação para que tenham mais fé, fé que transporta montanhas! Jesus utiliza aqui o estilo hiperbólico dos orientais, mas não deixa de ser verdade que, quem se entrega em confiança a Deus em Jesus Cristo, faz coisas que outros não fazem e que ele mesmo não se julgava capaz de fazer.
Assim como, em Hab, Deus não presta contas ao profeta, vemos, no evangelho, Deus como um senhor que não precisa prestar contas a seus escravos. Depois do longo trabalho no campo, ele pode ainda pedir que eles preparem a comida e lha sirvam sem reclamar, pois fizeram somente seu dever. Claro que Jesus não está justificando este modo de agir; apenas descreve a realidade de seu tempo para expressar uma idéia religiosa: que Deus não precisa prestar contas: quando o servimos, fazemos apenas o que devemos fazer.
Mensagem chocante em nosso mundo, onde a mínima prestação de serviço exige uma gratificação específica. Ainda que, muitas vezes, a gratificação não valha o serviço, essa mentalidade exclui todo o espírito do serviço gratuito. Ora, no Reino de Deus somos participantes; nossa recompensa existe no participar, como Paulo diz a respeito do anunciar o evangelho gratuitamente (1Cor. 9,16). Na realidade Jesus usa um exemplo tirado de uma sociedade paternalista. Ao interpretar, devemos excluir esses traços paternalistas. O que Jesus quer mostrar é que participamos no projeto de Deus não em função de uma compensação extra, mas porque é a obra de Deus. Pois o próprio Deus é nossa recompensa, a realização de seu amor supera qualquer recompensa que poderíamos imaginar.
Na 2ª leitura, Paulo admoesta seu amigo Timóteo a manter plena fidelidade ao Senhor. Pois também o ministro da fé deve firmar-se na fidelidade, para poder firmar seus irmãos na fé. Não se envergonhar (o cristianismo era ridicularizado e perseguido nas cidades do mundo “civilizado” de então), observar a doutrina sadia recebida do Apóstolo (contra as fantasias gnósticas e outras que se introduziram no cristianismo primitivo), guardar o “bom depósito”, ou seja, o bem a ele confiado, o evangelho. Nas circunstâncias daquele tempo e de todos os tempos, isso só é possível com a força do Espírito Santo.
Recebemos hoje, portanto, uma mensagem para valorizar a fé, inclusive, como base da oração. Mas nossa fé não é uma espécie de fundo de garantia para que Deus nos atenda. Assim como ele não precisa prestar contas, também não é forçado por nossa fé. Nossa fé é necessária para nós mesmos, para ficarmos firmes na adesão a Deus em Jesus Cristo. Deus mesmo, porém, é soberano, e soberanamente nos dá mais do que ousamos pedir (oração do dia).
Johan Konings "Liturgia dominical"

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A soberania de Deus e nossa fé
Quando Habacuc (1ª leitura), diante da desordem em Judá, nos últimos anos antes do exílio, grita a Deus com impaciência, quase com desespero, Deus anuncia que ele tratará o mal por um remédio mais tremendo ainda: os babilônios. A objeção de Habacuc contra esta solução, Deus responde: “Eu sei o que faço; não preciso prestar contas; mas os justos se salvarão por sua fidelidade” (2, 2-4). O evangelho começa com a prece dos Apóstolos: “Senhor aumenta-nos a fé”.
O sentido de “fé” é um pouco diferente daquilo que Habacuc quer dizer. No A.T., trata-se da autenticidade e lealdade para com Deus, a fidelidade; no N.T., da adesão a Jesus Cristo (ambas as atitudes são indicadas pelo mesmo termo em grego, pistis, e em latim, fides). De fato, a adesão de fé implica também a lealdade e a fidelidade.
A resposta de Jesus é uma admoestação para que tenham mais fé, fé que transporta montanhas! Jesus utiliza aqui o estilo hiperbólico dos orientais, mas não deixa de ser verdade que, quem se entrega em confiança a Deus em Jesus Cristo, faz coisas que outros não fazem e que ele mesmo não se julgava capaz de fazer.
Assim como, em Hab, Deus não presta contas ao profeta, vemos, no evangelho, Deus como um senhor que não precisa prestar contas a seus escravos. Depois do longo trabalho no campo, ele pode ainda pedir que eles preparem a comida e lha sirvam sem reclamar, pois fizeram somente seu dever. Claro que Jesus não está justificando este modo de agir; apenas descreve a realidade de seu tempo para expressar uma idéia religiosa: que Deus não precisa prestar contas: quando o servimos, fazemos apenas o que devemos fazer.
Mensagem chocante em nosso mundo, onde a mínima prestação de serviço exige uma gratificação específica. Ainda que, muitas vezes, a gratificação não valha o serviço, essa mentalidade exclui todo o espírito do serviço gratuito. Ora, no Reino de Deus somos participantes; nossa recompensa existe no participar, como Paulo diz a respeito do anunciar o evangelho gratuitamente (1Cor. 9,16). Na realidade Jesus usa um exemplo tirado de uma sociedade paternalista. Ao interpretar, devemos excluir esses traços paternalistas. O que Jesus quer mostrar é que participamos no projeto de Deus não em função de uma compensação extra, mas porque é a obra de Deus. Pois o próprio Deus é nossa recompensa, a realização de seu amor supera qualquer recompensa que poderíamos imaginar.
Na 2ª leitura, Paulo admoesta seu amigo Timóteo a manter plena fidelidade ao Senhor. Pois também o ministro da fé deve firmar-se na fidelidade, para poder firmar seus irmãos na fé. Não se envergonhar (o cristianismo era ridicularizado e perseguido nas cidades do mundo “civilizado” de então), observar a doutrina sadia recebida do Apóstolo (contra as fantasias gnósticas e outras que se introduziram no cristianismo primitivo), guardar o “bom depósito”, ou seja, o bem a ele confiado, o evangelho. Nas circunstâncias daquele tempo e de todos os tempos, isso só é possível com a força do Espírito Santo.
Recebemos hoje, portanto, uma mensagem para valorizar a fé, inclusive, como base da oração. Mas nossa fé não é uma espécie de fundo de garantia para que Deus nos atenda. Assim como ele não precisa prestar contas, também não é forçado por nossa fé. Nossa fé é necessária para nós mesmos, para ficarmos firmes na adesão a Deus em Jesus Cristo. Deus mesmo, porém, é soberano, e soberanamente nos dá mais do que ousamos pedir (oração do dia).
Johan Konings - "Liturgia dominical"

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“Meu Deus e meu tudo!”
Iniciando o mês de outubro, mês do Rosário, relembremos o pedido de Maria, feito em Fátima, aos três pastorinhos: “Meus filhos, rezem o terço todos os dias para alcançar a Paz.”
Na reza do terço, contemplamos o Mistério de nossa Salvação realizada por Cristo Jesus, o Filho de Deus. E’ uma oração fundamentada no Evangelho, que nos transporta para dentro da Bíblia, acompanhando o peregrinar terreno de Jesus, desde seu nascimento, através de Maria (cf. Lc. 2,7), até sua morte e gloriosa ressurreição e ascensão, abrindo para nós as portas do Céu.
Os Apóstolos pediram a Jesus: “Senhor, aumenta a nossa fé!” (v. 5). Jesus exemplifica com uma parábola como viver no plano da fé: A imagem da amoreira, sendo transportada para o mar, é uma figura demonstrativa do poder extraordinário da fé, que vai além da realidade visível (v. 6). Ter fé significa transcender as situações mais difíceis. Com fé, a criatura chega ao coração de Deus, confessando sua pobreza e incapacidade, confiando ilimitadamente na ação salvífica de Jesus que tudo pode com seu divino poder.
A fé é um dom fundamental para a Salvação eterna.
A fé é dinâmica, é Vida! Leva-nos a viver o conteúdo do ensinamento de Jesus, colocando-nos numa constante atitude de serviço a Deus nos irmãos. A fé nos faz participantes da onipotência de Deus.
A seguir, Jesus mostra, através de outra parábola, qual deve ser a atitude do homem para com Deus (v. 7-10). Os escribas e fariseus olhavam a relação entre Deus e o homem como se fosse um contrato comercial: fazendo o que Deus ordenasse, Deus estaria obrigado a recompensar. A parábola ensina que Deus não está obrigado a nada, pois ele é o doador de todos os dons e o homem é apenas um “simples servo” que deve usar bem os dons de Deus. Deus dá os meios, os talentos, a capacidade, gratuitamente. Se realizamos alguma coisa, é pelo poder e graça de Deus que a realizamos.
“Por acaso, diz Jesus, um patrão vai agradecer a um servo porque fez o que lhe havia mandado?” (v. 9). Assim também vós: “Quando tiverdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: “Somos simples servos; fizemos o que devíamos fazer” (v. 10).
* São Francisco, homem de profunda fé e transfigurado pela graça, embora limitado pela doença, estava sempre pensando em empreender novas coisas e ainda mais perfeitas. Dizia ele: “Meus irmãos, vamos começar a servir a Deus porque até agora pouco ou nada fizemos”.
* * *
Qual a minha atitude diante de Deus? Sei distinguir sentimentalismo de uma fé autêntica? Costumo rezar o terço todos os dias? Ao rezar o terço, contemplo os Mistérios de nossa Salvação: Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus? Confio que Deus me dará a força necessária para poder realizar tudo o que ele exige de mim? Vamos começar a servir a Deus que, em Jesus, deu a Vida por nós!
frei Floriano Surian, ofm

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Todos nós temos fé; não há dúvida. No entanto temos na ponta da língua o pedido dos apóstolos a Jesus: “Aumenta a nossa fé!”. Vamos considerar as palavras do evangelho, o ponto de comparação da parábola e o nosso compromisso.
I. Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda. Os judeus do tempo de Jesus consideravam o grão de mostarda como o menor, servia para apontar o pequenino. Poderíeis dizer a esta amoreira. Essa árvore era conhecida por ter raízes muito profundas e resistentes. Arranca-te daqui e planta-te no mar.
Com outras palavras: a fé pequenina, pela qual cresce o Reino de Deus, pode realizar por seu dinamismo coisas quase impossíveis aos nossos olhos. E ela vos obedeceria. Quer dizer: a fé pequenina tem um poder de provocar uma obediência nunca imaginada.
Agora Jesus responde ao pedido dos discípulos com a parábola do escravo. Jesus observa sempre a realidade do seu tempo fazendo comparações com a realidade do Reino de Deus através de parábolas. Essas não servem para comparar a história traço por traço, mas destacam apenas um ponto chamado ponto de comparação.
Por isso Jesus pode usar realidades muito desumanas o que é o caso em nossa parábola. Jesus fala da realidade da escravidão que existia no tempo dele, embora já no AT considerada errada para o povo de Israel.
Jesus faz no texto original uma pergunta: Quem de vós tendo um escravo ...vai agradecer...porque fez o que lhe havia mandado? A resposta é clara na realidade da escravidão: Ninguém. Vamos pois descobrir o ponto de comparação.
II.  Jesus conclui: Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei Somos servos – melhor: escravos por causa do contexto desta parábola –  inúteis; fizemos o que devíamos fazer. Com outras palavras: Não temos direito à recompensa por Deus. Isso acontece, porque a nossa fé é um dom que recebemos na hora do batismo. Somos propriedade de Deus.
O ponto de comparação quer dizer só isso, nem mais nem menos: Não podemos fazer exigências como os escravos, embora já não sejamos mais escravos, mas filhos (Gl. 4,7). Em nossas fadigas e sofrimentos estamos participando das condi-ções de Jesus que tendo tomado a forma de escravo recebeu de Deus um nome, que esta acima de todo nome a fim de que toda língua proclame que Senhor é Jesus Cristo para a glória de Deus Pai (Fl. 2,7.9.11). A base dessa profissão de fé é a ressurreição de Jesus. Quais são agora as conseqüências para a nossa vida?
III.  Muita gente acha que não tem fé. Faz muitas novenas, mas chega à conclusão que Deus não ouve. No entanto, a fé não é isso. A fé consiste numa entrega total a Deus, que nos predestinou a sermos conformes à imagem do seu Filho segundo a carta aos romanos (Rm. 8,29). Neste sentido a fé pode de fato ser pequena, mas ela existe e realiza grandes coisas.
Fim: Quando a celebração da eucaristia chega a seu ponto alto, o sacerdote exclama: Eis o mistério da fé. Nós respondemos: Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde Senhor Jesus. Queremos agora reforçar esta fé cantando: Creio Senhor, mas aumentai a minha fé! (o canto todo)
frei Eduardo Albers, ofm


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Fé humilde
O evangelho de Lucas mostra o caminho que Jesus percorre até chegar em Jerusalém e, neste caminho, os seus seguidores encontram dificuldades e provações na busca de soluções para os desafios da prática cristã.
Uma dessas crises, sem dúvida, é a crise da fé que implica também a lealdade e a fidelidade ao projeto de Jesus. Os discípulos haviam recebido ”o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda força do inimigo”, e com o passar do tempo parece terem perdido esse poder, comprometendo o projeto de Jesus. E qual é a causa disso? Por causa da falta de fé, a comunidade não consegue mais superar as dificuldades.
Em resposta ao pedido dos discípulos, Jesus explica que não se trata da quantidade de fé, mas sim da qualidade. Ela deve ser verdadeira, convicta, capaz de coisas muito maiores, misteriosas sob o ponto de vista humano, como uma pequena semente de mostarda que traz em si todas as potencialidades da sua árvore. Uma fé que seja capaz de remover as raízes profundas de uma figueira apenas com uma ordem, coisa que nenhum homem seria capaz de arrancar com a sua própria força.
A resposta de Jesus é uma advertência para que todos tenham mais fé, sem incertezas e hesitações, pois quem se entrega em confiança a Deus, faz coisas que outras pessoas não fazem e permanece inabalável nas situações mais ásperas e difíceis da vida.
Jesus diz que o empregado deve sempre cumprir as ordens do patrão, assim como os seus discípulos devem cumprir seus ensinamentos, e que ninguém é melhor do que o outro por que cumpriu sua obrigação, ao contrário, todos fazem apenas o que devem fazer, simplesmente porque este é o dever de cada um.
Esta mensagem é chocante em nosso mundo, onde a mínima prestação de serviço exige uma gratificação específica. O que Jesus quer mostrar é que participamos do projeto de Deus não em função de uma compensação extra, mas porque trabalhamos para a obra do Pai, e o próprio Deus é nossa recompensa, pois a realização de seu amor em cada um supera qualquer outra recompensa que se poderia imaginar.
Pequeninos do Senhor

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A força da fé
Quando os discípulos pediram a Jesus para aumentar-lhes a fé, queriam que ela se tornasse mais autêntica e existencial. Quando isto acontecesse, eles estariam aptos para testemunhá-la com a vida, de acordo com o que acreditavam. Não é questão de aumento quantitativo da fé. Mesmo que seja mínima, mas autêntica, ela tem o formidável poder de fazer coisas impossíveis.
Esta é a mensagem da parábola da árvore transplantada para o mar. Uma fé minúscula seria suficiente para ordenar a uma árvore arrancar-se e plantar-se no mar. Essa ordem será imediatamente executada, quando resultar da confiança inabalável em Deus.
A profundidade da fé manifesta-se na maior ou menor capacidade de realizar as obras dela decorrentes. E as obras decorrentes da fé são as do amor. Quanto mais temos fé, mais somos misericordiosos com o próximo, cultivamos uma disposição contínua para perdoar, buscamos, em tudo, ser fraternos e solidários com os outros, empenhamo-nos pela causa da justiça.
As obras da fé são, em última análise, o dever fundamental da comunidade cristã. Realizá-las é obrigação. Quem as pratica, sabe que faz o que Deus quer. Portanto, tem consciência de ser um simples servo inútil, cuja única grandeza consiste em fazer o que é seu dever.
padre Jaldemir Vitório


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O que importa, aqui, não é o tamanho da fé, mas em que ela nos
faz apoiar nossa vida e nossa vocação
Talvez, muitos leitores do evangelho de hoje se sintam confusos pelo que aí é dito; outros tantos se deixarão levar pelo imediatamente percebido na leitura, sem aprofundar o sentido do texto. Tentemos ajudar o leitor a conhecer a mensagem que o autor quis transmitir com o seu texto.
“Aumenta a nossa fé!” (v. 5). Esta é a súplica dos apóstolos, os enviados. A fé é fundamentalmente adesão à pessoa de Jesus Cristo e, em razão dessa adesão, ela se transforma em testemunho. Tendo já sido enviados em missão (9,1-6), os apóstolos experimentaram a necessidade de uma comunhão estreita com Jesus. Sem esta relação estreita, o “sucesso” da missão fica comprometido. A fé oferece a possibilidade de fazer tudo em Deus, sem se deixar seduzir pelo prestígio, nem desanimar pelo fracasso. A fé está ligada à missão. Diante da súplica dos Doze, que também é a nossa, Jesus responde: “Se tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria” (v. 6). A fé, dizemos nós, remove montanhas! É preciso bem compreender, pois o que importa, aqui, não é o tamanho da fé, mesmo porque ela não é mensurável, mas em que ela nos faz apoiar nossa vida e nossa vocação. É a confiança no poder de Deus, na palavra de Cristo, que pode transformar a realidade tanto pessoal como social. É Deus quem age, não importa qual seja a nossa fé ou o nosso grau de confiança nele. Quando a ação do discípulo no desempenho de sua missão é feita em nome do evangelho, não há nada que seja impossível. “Para Deus tudo é possível”, dirá o Anjo Gabriel a Maria (1,37). Para o discípulo apoiado na palavra de Jesus Cristo, não há nada que possa desencorajá-lo.
“Somos simples servos…” (v. 10). Muitas vezes nós traduzimos esta frase deste modo: “Somos servos inúteis!”. Se o fôssemos, porque Deus nos chamaria ao seu serviço? A questão é outra. Em primeiro lugar, o apóstolo é servidor de Deus e dos homens. Antes de se assentar à mesa, no banquete do Reino de Deus, há um trabalho a ser feito, o anúncio do Reino, o testemunho de Jesus Cristo (cf. At. 1,8). Em segundo lugar, a expressão “simples servos, pois fizemos o que devíamos ter feito” diz respeito à gratuidade do serviço. A recompensa do apóstolo é Deus mesmo, seu verdadeiro salário é ser admitido como operário na vinha do Senhor. Quem é enviado não tem nenhum direito sobre Deus, nem sobre seus semelhantes. A gratuidade exige não só deixar de buscar recompensa, mas renunciar ao prestígio pessoal e à segurança pessoal. Deus é a sua força e proteção.
Carlos Alberto Contieri,sj



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Hoje, a Palavra de Deus nos coloca diante de um tema inquietante, o tema da fé. E o coloca com toda a dureza, nas palavras do profeta Habacuc. Ele viveu no final do século VII, início do século VI antes de Cristo. Reinava em Judá um rei iníqüo, Joaquim; o povo já não cultivava amor pelo Senhor; imperava a injustiça, a impiedade, a imoralidade, a violência do grande contra o pequeno... Diante desta situação tão triste, o profeta anunciava que os babilônios viriam e levariam o povo para o exílio. Seria a correção de Deus. Mas, aí, o profeta entra em crise: está certo que Judá merecia castigo; mas, por que Deus iria usar para castigar exatamente os babilônios, que eram um povo mais pecador que os judeus? O profeta angustia-se com esta incompreensível lógica do Senhor e, com dor e sinceridade sofrida, apresenta o seu protesto: “Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes? Até quando devo gritar a ti: ‘Violência!’, sem me socorreres? Por que me fazes ver iniqüidades, quando tu mesmo vês a maldade? Destruições e prepotência estão à minha frente”. “Senhor, tu poderias resolver tudo! Tu poderias corrigir o teu povo de um modo mais lógico, mais compreensível! Por que, Senhor, ages deste modo?”
Crer não é compreender tudo. O profeta, que fala em nome de Deus, nem mesmo ele compreende totalmente o agir de Deus, e se angustia, e pergunta, e chora: “Senhor, por que ages assim? Por que teus caminhos nos escapam deste modo?” A verdade é que a fé não é uma realidade quieta e pacífica! O próprio Jesus adverte que somente os violentos conquistam o Reino dos céus (cf. Mt 11,12s); somente aqueles que lutam, que teimam em acreditar! A fé é uma realidade que sangra, sangra na dor de tantas perguntas sem resposta, sangra pelo sofrimento do inocente, pela vitória dos maus, pelo mal presente em tantas dimensões da nossa vida... E Deus parece calar-se! Um filósofo ateu do século passado chegou a dizer, escandalizado com o sofrimento no mundo: “Se Deus existe, o mundo é sua reserva de caça!” Jó, usou palavras parecidas: “Também hoje minha queixa é uma revolta, porque sua mão agrava os meus gemidos. Ele cobriu-me o rosto com a escuridão" (23,2.17). E, pesaroso, se queixa de Deus: “Clamo por ti, e não me respondes; insisto, e não te importas comigo. Tu te tornaste o meu carrasco e me atacas com teu braço musculoso!” (30,20s). Por que, Senhor? Por que te calas? Por que teus caminhos nos são escondidos? Por que parece que não te importas conosco? – Eis a dor que sangra das feridas dos crentes! A resposta de Deus a Habacuc não explica, mas convida a crer novamente, a abandonar-se novamente, a teimar na perseverança: “Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé!" Deus é assim: nunca nos explica, mas nos convida sempre à confiança renovada, ao abandono nas suas mãos. Quem não é correto, quem não se entrega nas mãos do Senhor, perderá a fé, morrerá na sua amizade com Deus... mas o justo, o amigo de Deus, viverá, permanecerá firme pela sua fé total e confiante. O justo vive da fé! É isto que é tão difícil para o homem de hoje, que tudo deseja enquadrar na sua razão e, quando não enquadra, se revolta e dá as costas a Deus e, assim, termina morrendo... porque viver sem Deus é a pior das mortes, o maior dos absurdos! O justo vive da fé, vive na fé, vive abandonado nas mãos do Senhor, como dizem as palavras da Antífona de Entrada, que o missal coloca para a liturgia de hoje: “Senhor, tudo está em vosso poder, e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra, e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!” (Est. 13,9.10-11).
Nunca esqueçamos: Deus não nos explica seu modo de agir! Se o compreendêssemos, compreenderíamos o próprio Deus e, aí, já não seria o Deus verdadeiro, mas apenas um idolozinho! Contudo, isso não significa que Deus não liga para nossa dor e para o nosso destino. Pelo contrário! Ele veio a nós, fez-se um de nós, viveu nossa vida, suportou nossas dores, experimentou nossa morte! Deus próximo, Deus de amor, Deus solidário! Por isso, podemos olhar para ele e, suplicantes, estender-lhe as mãos, como os discípulos do Evangelho, que pediam: “Aumenta a nossa fé!” E Jesus responde – a eles e a nós – “Se vós tivésseis fé (em mim), mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’ e ela vos obedeceria”. Ou seja: se crermos de verdade naquele amor que se manifestou até a cruz, se crermos – aconteça o que acontecer – que Deus nos ama a ponto de entregar o seu Filho, teremos a força de enfrentar todas as noites com a sua luz, todos os pecados com a sua graça, todas as mortes com a sua vida! Mas, se não crermos, pereceremos... O que o Senhor espera dos seus servos é esta fé total, incondicional, pobre e amorosa! É o que o Senhor espera de nós. Mas, o que fazemos? Queremos recompensas, provas, certezas lógicas! E, os mais cultos, vamos atrás de filosofias e sabedorias humanas... e os mais incultos e tolos, vamos atrás de seitas, de descarregos, de exorcismos feitos por missionários de araques e pastores de si próprios, falsos profetas de um deus falso, feito de dízimos, moedas e gritarias...
O justo vive da fé! Como nos exorta a segunda leitura, reavivemos a chama do dom de Deus que recebemos! “Deus não nos deu um espírito de timidez, de frouxidão, de covardia e incerteza, mas de fortaleza, de amor e sobriedade”. Não nos envergonhemos do testemunho de nosso Senhor! Guardemos aquilo que aprendemos de nossos antepassados, conservemos o "preciosos depósito” da nossa fé católica e apostólica, “com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós”. Não corramos atrás das ilusões, fruto das invenções humanas! É isto que o Senhor espera de nós, é este o nosso dever, é esta a nossa vocação, é esta a nossa glória. E, após termos agido assim, não achemos que temos algum direito diante de Deus. Humildemente, digamos: “Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer”.
Que o Senhor nos dê esta graça: a graça de viver e morrer na fé. Que o Senhor nos conceda a recompensa dosa servos bons e fiéis!
dom Henrique Soares da Costa



Um comentário:

  1. Só lembramdo que as eleições de amanhã, 02/10/2016 são municipais, isto é: prefeitos e vereadres.

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