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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

29º DOMINGO TEMPO COMUM-C

29º DOMINGO TEMPO COMUM

16 de Outubro de 2016-AnoC

1ª Leitura - Ex 17,8-13

Salmo - Sl 120,


2ª Leitura - 2Tm 3,14 - 4,2


Evangelho - Lc 18,1-8



A mensagem de Deus para nós na liturgia de hoje divide-se em duas partes:

1-A carta de Paulo aborda o problema do enfraquecimento da fé.

2-O Evangelho nos mostra a importância da insistência na oração;    CONTINUAR LENDO



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QUEM VIVE EM DEUS ESTÁ EM CONSTANTE ORAÇÃO! - Olivia Coutinho

 

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 16 Outubro de 2016

Evangelho de  Lc 18,1-8

A nossa vida tem que ser a nossa oração, porque nós somos de Deus, viemos Dele e para Ele retornaremos! Tudo que fazemos de bom é oração, porque o fazemos em Deus! Quem vive em Deus, está em constante oração, porque realiza tudo com amor e toda atitude de amor chega a Deus, portanto, é  oração!
O coração de quem vive em oração, reconhece a necessidade de Deus, por isto  é um coração que busca preencher-se  Dele, é também  um coração insistente que nunca desiste, porque acredita na promessa de Jesus: ”... peçam e lhes será dado! Batam, e abrirão a porta para vocês!” Lc11, 9-10
Na Celebração Eucarística, o celebrante diz: “Corações ao Alto. ” E nós respondemos: “ O nosso coração  está em Deus.” Coração em Deus, significa um coração em constante oração!
No evangelho de hoje, Jesus ressalta a importância de sermos perseverantes na oração! E para nos conscientizar sobre a necessidade de rezar sempre, Ele nos conta uma parábola! Os dois personagens desta parábola, continuam presentes no mundo de hoje: de um lado, os pobres, clamando por justiça, simbolizados pela viúva, do outro lado, a classe dominante que massacra os pequenos, simbolizada pelo o Juiz desonesto.
O fato da parábola, fazer uma comparação entre o Juiz desonesto e Deus, põe em relevo o contraste entre ambos: se até um Juiz desonesto que não teme a Deus, atende um pedido insistente de uma viúva, imagine Deus que é infinitamente amor, que ama os seus filhos, o que Ele não fará por cada um deles?
Jesus nos aconselha a sermos insistente com Deus em nossos pedidos, mas temos que ter o cuidado de não termos a pretensão de querer convencer a Deus das nossas necessidades, afinal, do que precisamos, Ele já sabe!
O Sentido das  nossas súplicas deve  partir do reconhecimento  das nossa fragilidade, da nossa total dependência de Deus, sem Deus não somos nada, por nós mesmos ficamos a perecer.
Quem confia somente no potencial humano e não busca o auxílio de Deus, vive como um barco a deriva, sem direção, é levado pelo vento, não experimenta a graça de Deus!
O respiro de Jesus era realizar a vontade do Pai, para manter-se fiel a Ele, Jesus rezava incessantemente, podemos constatar isto em várias passagens do evangelho. Pautar a nossa vida no exemplo de Jesus é entregarmos totalmente a Deus!
A oração é o exercício da fé, só reza quem tem fé, quem confia na misericórdia de Deus! 
Da mesma forma que o nosso corpo necessita do alimento material para nos manter de pé, também a nossa fé, necessita da oração diária para manter-se viva e atuante! 
No final do evangelho, nos é deixada uma interrogação: “O Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” Esta pergunta de Jesus, não sabemos responder,  mas ela  nos adverte sobre a importância de darmos testemunho da nossa fé, pois a caminhada de um povo que busca Deus, é sustentada pelo o  testemunho de fé. O nosso  testemunho de fé, desperta  no outro o desejo de fazer a  mesma  experiência que fazemos,  portanto,  temos a responsabilidade de mantermos acesa no mundo, a chama da fé!

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho
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Lucas nos fala da eficácia da oração, de modo especial, da oração de pedido. Deus certamente fará justiça aos que lhe dirigem suas preces. Seja-me permitido, no entanto, neste espaço apresentar algumas diretrizes para que possamos rezar como convém: Jesus quer que rezemos com o interior, com o coração. A verdadeira oração parte sempre do íntimo de cada um. Ela nunca é apenas um mecânico balbuciar dos lábios ou a repetição monótona de fórmulas que, com o tempo, vão se esvaziando.
A oração pura e límpida, supõe um coração voltado somente para o Senhor. O coração dividido entre muitos amores não pode agradar ao Senhor. Ele é um Deus ciumento que não quer apenas migalhas, mas inteireza de nosso ser.
Vivemos no mundo. Trabalhamos, lutamos, corremos. São Francisco alertava aos seus que, no meio de tudo na vida, não perdessem o espírito da oração: “Os irmãos aos quais o Senhor deu a graça de trabalhar, trabalhem com fidelidade e devoção, de modo que afugente o ócio, inimigo da alma, e não percam o espírito da santa oração e da piedade ao qual devem servir todas as coisas temporais.” (Regra não bulada 5,1-2).
Parece importante, ao menos algumas vezes, buscar lugares retirados e silenciosos para uma forma de oração que se chama meditação. Deus não costuma se revelar na agitação e no frenesi. No silêncio chegamos ao fundo do coração e lá podemos, interiormente, nos prostrar diante da Presença.
Uma das primeiras preocupações do orante é colocar-se na presença de Deus. Esse exercício da busca do olhar do Senhor significa uma tomada de consciência de que Ele não está longe de nossos corações que o buscam.
A oração é um diálogo que se entabola entre nossa fragilidade e a grandeza do Senhor. Supõe dois interlocutores. Minha vida e minha fragilidade, meu passado e meu presente, meus sonhos e minhas decepções se colocam diante do Outro, do Altíssimo, do Bem, do Sumo Bem. Ele me fala, me fala de modo particular pelas Escrituras, pela cruz e pelas inspirações que coloca dentro do meu irrequieto coração. Quando ele se aproxima pede de mim despojamento, pobreza, tentativa de viver o amor fraterno. Minha oração é acolhida da visita e da chegada do Senhor.
Ubaldo Terrinoni: “O ser humano moderno, filho da ciência e da técnica, acredita naquilo que vê e pode tocar, encontra sérias dificuldades para abrir-se ao mistério de Deus e ao diálogo com ele. A nossa civilização, toda dominada pela lógica do ter e do fazer, exaltada pelo ídolo da eficiência, da produtividade e do consumo, não sente mais necessidade de  reservar um templo para a contemplação. Ao ritmo frenético do fazer e do produzir, deve corresponder para ele a rapidez do  receber e do consumir. Disso resulta que não há tempo para outra coisa: não há espaço para o gesto gratuito, para a escuta do próximo e para o colóquio tranqüilo com Deus na quietude do espírito e no repouso da mente”.
A oração exige perseverança. O orante é, basicamente, alguém profundamente fiel. A grande provação de todos os que buscam a Deus é o tempo, o desgaste do tempo. Será preciso perseverar, independentemente de nossas reações emotivas e das noites escuras que venhamos a atravessar.
Novamente Francisco: “...rogo a todos os irmãos, tanto os ministros quanto os outros, que removam todos os obstáculos, rejeitem todos os cuidados e solicitudes, para, com o melhor de suas forças, servir, amar, adorar e honrar de  coração reto e mente pura, o Senhor nosso Deus, pois isso é que ele deseja sem medida” (Regra não bulada 22,23).
frei Almir Ribeiro Guimarães



Oração permanente e fé constante
Como toda boa catequese, também a de Israel gostava de histórias que falassem à imaginação. Assim, a história de como Moisés conseguiu a vitória de seu general Josué sobre os amalecitas, os eternos inimigos de Israel (1ª leitura). Enquanto Moisés, segurando o bastão de força divina, ergue as mãos por cima dos combatentes, Israel ganha. Quando ele as deixa baixar, perde. Então, escoram a Moisés com uma pedra e sustentam-lhe os braços erguidos, até o pôr-do-sol, quando a batalha é decidida em favor de Israel. A história não diz o que significava o gesto de Moisés: oração, bênção sobre Israel ou esconjuro do inimigo.
Mas, sendo Moisés o enviado de Deus, é evidente que se trata de uma maneira de tomar a força do Senhor presente no combate. O gesto pode bem significar que Deus mesmo é o general do combate. O próprio gesto de levantar as mãos indica o relacionamento com o Altíssimo. Levantar as mãos a Deus sem cansar, eis a lição da 1ª leitura. O salmo responsorial comenta, neste sentido, o levantar os olhos.
No mesmo sentido, o evangelho narra uma dessas parábolas provocantes bem ao gosto de Lucas. Uma viúva pleiteia seu direito junto a um juiz pouco interessado, provavelmente comprometido com o outro partido. Porém, no fim lhe faz justiça, não por virtude, mas por estar cansado de sua insistência. Embora saibamos que Deus gosta de nos atender (não é como o juiz!), Jesus nos encoraja a cansar Deus com nossas orações! Mas, para isso, precisa fé. Ora, acrescenta Lc: será que o Filho do Homem encontrará ainda fé na terra, quando ele vier?...
Lc escreve no último quartel do século I. A fé já está enfraquecendo. A demora da Parusia, as perseguições, as tentações da “civilização” do Império Romano, tantos fatores que colaboravam para enfraquecer a fé. Os cristãos, vivendo num mundo inimigo, esperavam a parusia como o momento em que Deus faria justiça, já que eles eram pequenos e oprimidos. Seria o Dia do Senhor. Mas estava demorando! Rezavam: “Venha teu Reino!” (Lc. 11,2). Mas também sabiam que é difícil agüentar a pressão: “Não nos deixeis cair em tentação” (11,4). Por isso, Lucas pergunta: se continuar assim, não terão todos caído quando o Filho do Homem vier? Talvez uma advertência pedagógica, para insistir na necessidade de guardar a fé até que venha o Filho do Homem. 1Pd. 3,9 está em voltas com o mesmo problema, mas oferece uma outra solução: Deus demora, porque está dando chances para a gente se converter.
A mensagem da 2ª leitura completa a das duas outras. Não apenas deve ser insistente nossa oração, não apenas devemos guardar a fé; devemos insistir também na pregação da própria palavra do Evangelho, oportuna ou inoportunamente! Alguns anos atrás, na crise da secularização, procurava-se não incomodar o homem “urbano moderno” com a expressão franca da identidade cristã. Acontecia que, ao se expressar prudentemente uma exigência cristã, o interlocutor respondia, com um sorriso de compaixão: “Eu achava que o senhor fosse esclarecido!” Melhor não ficar dando voltas e insistir, mesmo inoportunamente. O tempo é sempre breve. O homem moderno, mais do que secularizado, é sobretudo “objetivo”: gosta de saber logo qual é o assunto! Por isso, sejamos claros. Não se trata de fanatismo, que é disfarce da insegurança. A insistência que Paulo aconselha é a exteriorização da convicção (2Tm. 4,2), sobretudo, porque o evangelho que ele propõe é o da “graça e benignidade de Deus, nosso Salvador” (Tt. 3,4; cf. 2,11).
Para isso, é necessário que o evangelizador “curta’, pessoalmente, toda a riqueza da Palavra, a sua expressão nas Sagradas Escrituras - inclusive do A.T., pois este fornece a linguagem em que Jesus moldou seu Evangelho. Tudo isso é obra do Espírito de Deus (2Tm. 3,16).
Johan Konings "Liturgia dominical"




Orar sempre sem desanimar
Rumo a Jerusalém, Jesus chega ao término de sua viagem, onde se consumará o Mistério Salvífico: sua morte, ressurreição e gloriosa ascensão ao Céu.
Jesus, através de uma parábola, instrui os discípulos sobre “a necessidade de orar sempre, sem jamais esmorecer” (v. 1).
“Havia na cidade um juiz iníquo” (v. 2). Ele não temia a Deus nem tinha consideração para com os homens. Não cumpria o exigido pela Lei. Deixava-se subornar pelos ricos e poderosos. Pobre para ele não tinha voz nem vez (cf. v. 4-5).
“Nessa mesma cidade existia uma viúva que vinha a ele, dizendo: “Faz-me justiça contra meu adversário” (v. 3).
A pobre viúva é símbolo da pessoa indefesa e desamparada; sendo mulher e estando sozinha, com filhos para criar, encontra-se duplamente oprimida e marginalizada, mas consegue, à custa de sua perseverança, ser atendida pelo juiz iníquo.
Tendo se recusado durante muito tempo, ante a insistência da viúva, o juiz resolveu fazer-lhe justiça por um motivo pouco nobre: ver-se livre dessa mulher inoportuna. Ironicamente diz ele: “Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, vou fazer-lhe justiça para que ela não venha por fim a esbofetear-me” (v. 4-5).
Esta parábola contém um expressivo ensinamento sobre a eficácia da oração perseverante e firme, acentuando o contraste entre o juiz e Deus: se até um juiz iníquo cede ante aquele que insiste com perseverança, “Quanto mais Deus não fará justiça a seus eleitos que recorrem a ele dia e noite, mesmo que, por vezes, os faça esperar?” (v. 7).
Devemos ser sempre perseverantes na oração, ainda que Deus não atenda imediatamente, numa atitude de confiança e abandono naquele que nos chamou à vida por amor. Quanto mais perseverantes formos na oração, mais cresce- remos na fé e no amor de Deus.
A oração é o reconhecimento dos nossos limites e da nossa total dependência de Deus. A oração do Pai Nosso nos conduz pelo caminho da fé e da perseverança: “Seja feita a vossa vontade...” (Mt. 6,9).
Às vezes parecerá dura essa vontade, mas nas lutas do nosso dia a dia, na entrega a Deus vamos crescendo na fé, na confiança e na vida de oração. Realizar a vontade de Deus é a oração mais perfeita que Jesus nos ensinou: “Pai Nosso, venha a nós o vosso Reino”, Reino de Justiça, de Amor e de Paz. Amém. assim seja.
* * *
Como vai minha vida de oração? Na minha oração só sei pedir ou é um encontro com o Deus de Amor? Creio que Deus tem obrigação de atender todos os meus pedidos? Sou humilde e perseverante na oração, mesmo quando Deus tarda em me atender? Confio e me abandono à vontade de Deus? Tenho a certeza de que Deus sempre me atende, dando o que é melhor para mim?
frei Floriano Surian, ofm





Juiz iníquo e viúva
Com esta parábola, Jesus instiga os cristãos a perceber a força da oração, provoca-os a cansar Deus através dela. O Evangelho de Lucas foi escrito em um momento em que já se percebia o enfraquecer da fé devido às perseguições que os cristãos sofriam do Império Romano. Com o intuito de resgatar essa fé, esse Evangelho faz uma comparação entre um juiz e Deus: o juiz, mesmo não sendo justo, ao ser insistentemente incomodado por uma viúva que clama por justiça, ele a atende, e o Senhor que é justo e acolhe todos os seus filhos, com certeza os atende não para se ver livre do incomodo, mas por entender a real necessidade de cada um.
Não se sabe qual é o momento certo da parusia, que é a segunda vinda de Jesus, porém é necessário esperar com fé e oração. Os cristãos devem viver à espera desse dia e rezar continuamente para que este seja o dia da salvação, a mesma salvação que já está assegurada por parte de Deus, porque Cristo morreu e ressuscitou por toda a humanidade. Uma oração persistente como o clamar de justiça da viúva do Evangelho de hoje, com a certeza de que Deus sempre atende seus filhos no momento e da forma certa.
A oração é o exercício da fé, de acreditar no poder e na proteção de Deus. Assim como o corpo necessita de alimento para se manter de pé, também a fé precisa da oração para se manter viva, e essa oração pode ser proferida de várias formas: quer através do clamor ao Pai, quer através da leitura orante da Bíblia, porém, o mais importante é que não sejam apenas palavras bonitas faladas a Deus em voz alta para que todos ouçam, mas sim o clamor sincero, proferido com o coração, com a convicção da fé de que Deus está sempre ouvindo seus filhos.
Que cada cristão não se esqueça nunca das palavras de Paulo na segunda carta a Timóteo, capítulo 4, versículo 7, onde, chegando ao fim de sua grande missão de evangelizador do povo de Deus, ele se despede com as seguintes palavras: Combati o bom combate, terminei minha corrida, conservei a fé.
Que cada cristão, mesmo diante das dificuldades e tentações do mundo, possa chegar ao final de sua missão, voltar-se para Deus e fazer suas as palavras de Paulo.

Pequeninos do Senhor.



A oração do pobre
Com a parábola da pobre viúva, vítima da injustiça, Jesus ensinou seus discípulos a orar sem esmorecer. A oração incessante, porém, é própria de quem tem um coração de pobre.
De propósito a personagem central da parábola é uma pessoa triplamente marginalizada: por ser mulher, pobre e viúva. Sendo mulher, sua denúncia contra o injusto adversário carecia de valor. Sendo pobre, faltavam-lhe recursos materiais para mover um processo contra o opressor. Sendo viúva, não tinha marido, um homem para apoiá-la no seu pleito. Estava só, na sua fraqueza, diante de um juiz a quem competia fazer-lhe justiça. Pior ainda, tratava-se de um juiz desonesto, sem temor de Deus nem respeito pelas pessoas. A pobre viúva encontrava-se, pois, numa situação totalmente adversa. Entretanto, estava disposta a fazer valer os seus direitos. E conseguiu, por causa de sua obstinação.
Algo semelhante acontece na oração. Só recorre a Deus, com perseverança, quem se sente pobre, indefeso, consciente de que só dele provém o socorro. Não existe outra esperança. É nesta condição de total indigência que o fiel volta-se para Deus. Anima-o a absoluta certeza de ser atendido. Daí sua obstinação.
Jesus garante que o Pai está sempre pronto a acolher a oração do pobre, mesmo que o faça esperar. É necessário apenas perseverança!
padre Jaldemir Vitório




Deus socorre e defende os que sofrem injustiças.
Que o Cristo virá, isto é uma certeza. Aliás, glorioso, ele vem continuamente ao nosso encontro e se oferece para o nosso reconhecimento e acolhida: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap. 3,20). Se a vinda de Cristo é certa, é garantido que ele encontrará fé sobre a face da terra? (cf. v. 8). A finalidade da parábola é exortar os discípulos a perseverarem na oração (cf. v. 1). O capítulo precedente (c. 17) oferece o quadro para poder compreender esta parábola: por causa da perseguição em razão da fé, é preciso rezar sempre para “não cair no poder da tentação”, nem desanimar. É preciso rezar sempre para manter vivo o testemunho.
A parábola não é uma descrição fiel da realidade. Ela visa, sem se preocupar com a lógica da descrição, transmitir uma mensagem. A caracterização do juiz que “não temia a Deus, nem respeitava homem algum” (v. 2), isto é, que procede arbitrariamente não levando em consideração nem Deus nem os homens, serve para enfatizar a importância da perseverança da súplica da viúva e ressaltar o cuidado de Deus para com os seus escolhidos (cf. vv. 7-8a). A finalidade da parábola é mostrar que Deus não abandona os que ele escolheu; é ele quem os socorre e defende. A comunidade que o Cristo reúne deve ser perseverante na oração. A oração sustenta o testemunho de toda a Igreja e nutre o dinamismo missionário da comunidade eclesial (ver: At. 2,42-47; 12,1-19). O “atraso da parúsia” é um convite a viver a adesão da fé através da fidelidade do testemunho pela palavra e pela ação que acompanha o anúncio cristão.
Moisés, sobre a montanha, com as mãos levantadas, garantia a vitória de Israel sobre os amalecitas (Ex. 17,8-13); enquanto Pedro está na prisão, em razão de sua fé, “a Igreja fazia ardentemente oração a Deus em favor dele” (At. 12,5). No contexto da paixão, no monte das Oliveiras, Jesus adverte os seus discípulos: “Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para não cairdes no poder da tentação” (Lc. 22,46). A fé, nutrida pela oração, é a acolhida da salvação na qual se põe o destino de todo homem. É na fé, que sustenta a missão da Igreja, que, peregrinos neste mundo, vivemos em comunhão com Deus. A vivência da fé passa e passará por provações e perseguições, por isso é preciso rezar sem jamais desanimar (cf. v. 1).
Carlos Alberto Contieri,sj




Hoje, a Palavra de Deus nos fala sobre a oração. Mais ainda: manda-nos "rezar sempre, sem jamais desistir". A primeira leitura mostra-nos Moisés de braços abertos, como os de Cristo na cruz, intercedendo pelo seu povo. Como Moisés, assim também o Cristo, nosso intercessor e mediador junto do Pai: Enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando baixava a mão, vencia Amalec". Assim também com Cristo: ele intercede continuamente junto ao Pai por nós: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que a tua fé não desfaleça" (Lc. 22,31) Na Última Ceia, o Senhor, mais uma vez, rezou por nós"Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim!" (Jo 17,20). Que consolo, saber que o Senhor Jesus continuamente ora por nós e, se nos deixarmos invadir por essa oração de Jesus, nossa fé não desfalecerá, nossa vida não desmoronará, nossa existência não sucumbirá. Se Pedro caiu e negou Jesus, foi porque confiou em si, nas suas forças e não na graça da oração de Jesus...
Pois bem, o Senhor orou, pediu por nós e também pediu ao Pai por ele mesmo. Como esquecer aquelas palavras impressionantes da Escritura sobre Jesus? "É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido por causa da sua submissão. E embora fosse Filho, aprendeu, contudo, a obediência pelo sofrimento" (Hb. 5,7s). É este mesmo Jesus que, no Evangelho de hoje nos ensina a rezar sempre sem jamais desfalecer!
Hoje, diante das dores do mundo, diante do progresso da ciência que explica tantas coisas que antes pareciam um mistério, diante do nosso próprio sofrimento, somos tentados a não mais confiar na oração nem ver a sua necessidade. No entanto, o Senhor nos manda rezar! Vejamos o porquê.
Primeiro, a oração nos abre para Deus; faz-nos experimentar com todo o nosso ser – sentimentos, inteligência, afeto, alma e corpo – que dependemos de Deus, que ele está presente no mais íntimo da nossa vida, da nossa história, do nosso mundo. É na oração que percebemos vivamente que ele não é somente o Deus de longe, mas também o Deus de perto. Nenhuma outra realidade deste mundo tem a capacidade de nos colocar imediatamente na presença de Deus, como a oração. Se não rezarmos, Deus irá deixando de ser Alguém para ser algo; vamos deixando de experimentá-lo como Pessoa para experimentá-lo simplesmente como uma idéia fria, estéril e distante.
Em segundo lugar, a oração feita em nome de Jesus – isto é, com os sentimentos de Jesus, as atitudes de Jesus -, nos faz enfrentar todos os desafios da vida com paz, liberdade e maturidade. Se rezei, se supliquei, se coloquei nas mãos de Deus, haja o que houver, sei que posso acolher confiando no seu amor. Foi assim a oração de Jesus: buscou simplesmente e em tudo a vontade do Pai e, por isso, a o fracasso e a cruz não o destruíram. Foi ouvido – ele sabia, ele mesmo dissera: "Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sabia que sempre me ouves!" (Jo 11,41s) – pois bem: mesmo diante da cruz e da morte, o Filho permaneceu em paz, abandonado amorosamente nas mãos do Pai! A oração faz isso conosco: elimina nosso temor e nos joga nos braços de Deus.
Em terceiro lugar, a oração quebra nosso orgulho, nossa auto-suficiência, nosso engano de pensar que somos capazes de algo por nós mesmos. Rezando, experimentamos a alegria indizível de sermos crianças nos braços do Pai.
Então, é engano pensar que a oração é sem importância ou inútil. Pelo contrário: sem ela, é impossível permanecer firmes na fé. E, compreendamos de uma vez por todas: Deus nos escuta sempre: "E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? Eu vos digo que Deus vos fará justiça bem depressa". Sim, Deus não nos abandona jamais. O problema é que queremos que ele aja como esperamos, nos tempos e nos modos nossos. E aí erramos! Não foi assim que Jesus procedeu e quem faz assim, faz diferente de Jesus e, portanto, não reza em nome de Jesus! Compreendamos bem: reza em nome de Jesus quem reza como Jesus: "Não a minha vontade, mas a tua seja feita" (Lc. 22,42). É esta a verdadeira oração do cristão, é essa a oração em nome de Jesus. Por isso mesmo, ele hoje nos desafia e pergunta, com franqueza: "Quando o Filho do homem vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?"  Em outras palavras: Quando o Pai, através de mim, atende vossos pedidos, não como queríeis, mas como ele quer vos dar, encontra fé em vós para reconhecer o dom e ser agradecidos?
Rezemos sem desfalecer. Estejamos atentos à nossa vida de oração. Foi isto que aprendemos nas Escrituras Sagradas, foi isto que os Apóstolos nos ensinaram e os santos santas de Deus vivenciaram. Pois bem, "Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade!" Num tempo de tantos falsos mestres, de tantos que se desviam da verdade, sigamos o este conselho de são Paulo! Como dizia santa Teresa: "Que ninguém vos mostre outro caminho que não o da oração!"
Terminemos esta meditação com as palavras do salmo 16, colocado como antífona de entrada da Missa de hoje: "Clamo por vós, ó Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me!" Que sejam sempre estes os nossos sentimentos.
dom Henrique Soares da Costa




A Palavra que a liturgia de hoje nos apresenta convida-nos a manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente: só dessa forma será possível ao crente aceitar os projetos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos, acreditar no seu amor.
O Evangelho sugere que Deus não está ausente nem fica insensível diante do sofrimento do seu Povo… Os crentes devem descobrir que Deus os ama e que tem um projeto de salvação para todos os homens; e essa descoberta só se pode fazer através da oração, de um diálogo contínuo e perseverante com Deus.
A primeira leitura dá a entender que Deus intervém no mundo e salva o seu Povo servindo-se, muitas vezes, da ação do homem; mas, para que o homem possa ganhar as duras batalhas da existência, ele tem que contar com a ajuda e a força de Deus… Ora, essa ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Deus.
A segunda leitura, sem se referir diretamente ao tema da relação do crente com Deus, apresenta uma outra fonte privilegiada de encontro entre Deus e o homem: a Escritura Sagrada… Sendo a Palavra com que Deus indica aos homens o caminho da vida plena, ela deve assumir um lugar preponderante na experiência cristã.
1º leitura: Ex. 17,8-13ª - AMBIENTE
A primeira leitura de hoje situa-nos no contexto da caminhada dos hebreus pelo deserto (antes da entrada na Terra Prometida) e no quadro de um confronto violento entre os hebreus e um grupo de habitantes do deserto.
Os inimigos que, neste episódio, os hebreus tiveram de enfrentar são designados como “Amalek”. As listas de Gn. 36,12.16 ligam-nos à descendência de Esaú, o que os torna etnicamente aparentados com os hebreus… Seja como for, trata-se de tribos nômades, violentas e agressivas (Dt. 25,17-19 faz referência a uma emboscada montada pelos amalecitas aos hebreus em marcha pelo deserto e ao assassínio de alguns membros da comunidade do Povo de Deus que, sedentos e esgotados, caminhavam na retaguarda da coluna), que habitavam o Negev (cf. Nm. 13,29; Jz. 1,16) e que se opuseram, desde o início, à penetração israelita na Terra Prometida. Mais tarde, estes mesmos amalecitas aparecerão como adversários de Saul (cf. 1Sm. 15) e de David (cf. 1 Sm 30). Para os hebreus, são os inimigos por excelência. Segundo a Melkhita sobre o Êxodo, rabi Eliézer dizia: “Deus jurou pelo trono da sua glória que, se qualquer uma das nações viesse para se fazer prosélito, seria recebida; mas Amalek nunca seria recebida na sua casa”.
Para entendermos cabalmente o texto que aqui nos é proposto, convém ainda recordar que as tradições sobre a libertação (Ex. 1-18) têm como objetivo primordial fazer uma catequese sobre o Deus libertador, que salvou o seu Povo da opressão e da morte, que o fez atravessar a pé enxuto o mar Vermelho e o encaminhou através do deserto… Não interessa aqui a reportagem jornalística do acontecimento; importa a catequese sobre esse Deus a quem Israel é convidado – pela história fora – a agradecer a sua vida e a sua liberdade.
MENSAGEM
A nossa história narra, pois, um confronto entre os hebreus em marcha pelo deserto e os amalecitas; enquanto o Povo chefiado por Josué combatia contra os inimigos, Moisés, no cimo de um monte, rezava e implorava a ajuda de Deus… De acordo com os catequistas de Israel, enquanto Moisés mantinha as mãos levantadas, os hebreus levavam vantagem sobre os inimigos; mas logo que Moisés, vencido pelo cansaço,
deixava cair as mãos, eram os amalecitas que dominavam. A solução foi colocar Aarão e Hur ao lado de Moisés, amparando-lhe as mãos: assim, os hebreus levaram de vencida os inimigos.
Não interessa, aqui, perguntar se a história se passou exatamente assim, ou se Deus estava mesmo do lado dos hebreus, ajudando-os a massacrar os amalecitas… Temos de entender este texto como uma página de catequese, através da qual os teólogos de Israel pretendem educar o seu Povo; e aquilo que esta catequese pretende ensinar é que a libertação se deve, mais do que aos esforços do Povo, à ação de Deus.
Por outro lado, a catequese que o texto nos propõe sublinha a importância da oração.
Os teólogos de Israel sabem (e pretendem deixar essa mensagem) que é preciso invocar o Deus libertador com perseverança e insistência. Para vencer as duras batalhas que a vida nos apresenta, é preciso ter a ajuda e a força de Deus; e essa ajuda e essa força brotam de um diálogo contínuo, nunca interrompido e nunca acabado, do crente com Deus.
ATUALIZAÇÃO
¨ O que nós temos no livro do Êxodo não é o retrato de um Deus injusto e parcial, que ajuda um Povo a derrotar e a chacinar outros povos; mas é uma catequese em que um Povo, olhando para a sua história numa perspectiva de fé, constata a presença e a ação de Deus nesse processo de libertação que os trouxe da escravidão para a liberdade. Os teólogos de Israel quiseram ensinar – embora servindo-se de formas de expressão típicas da sua época – que Deus não ficou de braços cruzados diante do sofrimento do seu Povo e que, por isso, veio ao seu encontro, conduziu-o, deu-lhe forças e permitiu-lhe ser senhor do seu destino…
Portanto, é a Deus que Israel deve agradecer a sua salvação. Hoje, somos convidados a percorrer um caminho semelhante e a descobrir o Deus libertador vivo e atuante na nossa história, agindo no coração e na vida de todos aqueles que lutam por um mundo mais justo, mais livre e mais humano. Israel descobriu que, no plano de Deus, aquilo que oprime e destrói os homens não tem lugar; e que, sempre que alguém luta para ser livre, Deus está com essa pessoa e age nela.
¨ É exatamente por a ajuda de Deus ser decisiva na luta por um mundo mais livre e mais humano que os catequistas de Israel sublinham o papel da oração… Quem sonha com um mundo melhor e luta por ele, tem de viver num diálogo contínuo, profundo, com Deus: é nesse diálogo que se percebe o projeto de Deus para o mundo e se recebe d’Ele a força para vencer tudo o que oprime e escraviza o homem. A oração que dá sentido e conteúdo à intervenção no mundo faz parte da minha vida?
2º leitura: 2Tm. 3,14-4,2 - AMBIENTE
A segunda leitura oferece-nos, mais uma vez, um trecho da segunda carta a Timóteo.
Recordamos (outra vez) que a redação desta carta deve ser colocada nos finais do séc. I ou princípios do séc. II, numa altura em que as comunidades cristãs se debatiam com as perseguições organizadas, a falta de entusiasmo dos crentes e as falsas doutrinas… O autor desta carta pretende convidar os crentes em geral (e os animadores das comunidades, em particular) a redescobrirem o entusiasmo pelo Evangelho e a defenderem-se de tudo aquilo que punha em causa a verdade recebida de Jesus, através dos apóstolos.
MENSAGEM
No geral, o trecho que nos é proposto é uma exortação a Timóteo, no sentido de permanecer fiel à verdadeira doutrina aprendida da Tradição e da Escritura. Insinuam-se já, aqui, os critérios de discernimento adotados no séc. II para distinguir a verdadeira da falsa doutrina: a posse da verdade está garantida quando aquele que ensina é um sucessor legítimo dos apóstolos (deles recebeu a autoridade para animar e pastorear a Igreja) e quando ele transmite fielmente a verdade recebida dos apóstolos, em conformidade com a Escritura.
A Palavra transmitida na Escritura é “inspirada por Deus” (o termo grego “théopneustos”, aqui utilizado, tem sentido passivo e sugere que, na composição dos livros que formam a Escritura, interveio, além do autor humano, o próprio Deus); por isso, nela está “a sabedoria que leva à salvação” (3,15). A utilidade da Escritura é descrita através de quatro verbos fortes: “ensinar”, “persuadir”, “corrigir” e “formar”.
Fica assim claro que a Escritura é a fonte para toda a formação e educação cristã, para fazer aparecer o “homem perfeito” (3,17).
Nos últimos versículos do nosso texto (4,1-2), continua a exortação a Timóteo no sentido de que cumpra a sua tarefa de animador da comunidade cristã de forma adequada e entusiasta. Em tom solene e patético, o autor desta carta convida Timóteo a proclamar a Palavra “a propósito e fora de propósito” (a expressão utilizada indica que a Palavra deve ser proclamada mesmo quando a ocasião não parece muito propícia, sem medo, sem respeitos humanos, sem falsos pudores), “com toda a paciência e doutrina” (isto é, com uma adequada pedagogia pastoral)
ATUALIZAÇÃO
¨ Dizer que a Escritura é inspirada por Deus significa que ela contém as palavras que Deus quer dirigir-nos, a fim de nos indicar o caminho para a vida plena… No dizer de Leão XIII, a Escritura é “uma carta outorgada pelo Pai celeste ao gênero humano viandante longe da sua pátria, e que os autores sagrados nos transmitiram” (Providentissimus Deus, nº 4). A Escritura deve, pois, assumir um lugar preponderante na nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades cristãs. Isso acontece? Que lugar ocupa a leitura, a reflexão e a partilha da Palavra de Deus na minha vida? Que lugar ocupa a Palavra de Deus na vida e na experiência das nossas comunidades cristãs? O que é que assume um valor mais determinante na experiência cristã: as práticas rituais, as devoções particulares, as leis e os códigos, ou a Palavra de Deus?
¨ Porque a Palavra de Deus aparece envolta em roupagens e gêneros literários típicos de uma época e de uma cultura determinada, é preciso estudá-la, aprender a conhecer o mundo e a cultura bíblica, compreender o enquadramento e o ambiente em que o autor sagrado escreve… As nossas comunidades cristãs têm o cuidado de organizar iniciativas no campo da informação e do estudo bíblico, de forma a proporcionar aos nossos cristãos uma informação adequada para compreender melhor a Palavra de Deus? E quando há essa informação, os nossos cristãos têm o cuidado de a aproveitar? Porquê?
¨ A leitura que nos foi proposta chama, também, a atenção daqueles que estão ao serviço da Palavra: eles devem anunciá-la em todas as circunstâncias, sem respeito humano, sem jogos de conveniências, sem atenuarem a radicalidade da Palavra; e devem, também, preparar-se convenientemente, a fim de que a Palavra se torne atraente e chegue ao coração dos que a escutam… É assim que procedem aqueles a quem a Igreja confia o serviço da Palavra?
Evangelho: Lc. 18,1-8 - AMBIENTE
O Evangelho apresenta-nos mais uma etapa do “caminho de Jerusalém”. O texto que hoje nos é proposto vem na sequência do discurso escatológico sobre a vinda gloriosa do Filho do Homem (cf. Lc. 17,20-37). A parábola do juiz e da viúva deve, pois, ser entendida neste ambiente.
Trata-se de um texto que não tem paralelo noutro evangelista; no entanto, é similar à parábola do amigo importuno que vem pedir pão a meio da noite e que é atendido por causa da sua insistência (cf. Lc. 11,5-8).
Não esqueçamos que Lucas escreveu o terceiro Evangelho durante a década de 80.
É uma época em que as comunidades cristãs sofrem por causa da hostilidade dos judeus e dos pagãos e em que já se anunciam as grandes perseguições que dizimaram as comunidades cristãs no final do séc. I. Os cristãos estão inquietos, desanimados e anseiam pela segunda vinda de Cristo – isto é, pela intervenção definitiva de Deus na história para derrotar os maus e salvar o seu Povo.
MENSAGEM
O nosso texto consta de uma parábola e da sua aplicação teológica.
Os personagens centrais da parábola (vs. 2-5) são uma viúva e um juiz. A viúva, pobre e injustiçada (na Bíblia, a “viúva” é o protótipo do pobre sem defesa, vítima da prepotência dos ricos e dos poderosos), passava a vida a queixar-se do seu adversário e a exigir justiça; mas o juiz, “que não temia Deus nem os homens”, não lhe prestava qualquer atenção… No entanto, o juiz – apesar da sua dureza e insensibilidade – acabou por fazer justiça à viúva, a fim de se livrar definitivamente da sua insistência importuna.
Apresentada a parábola, vem a sua aplicação teológica (vs. 6-8). Se um juiz prepotente e insensível é capaz de resolver o problema da viúva por causa da sua insistência, Deus (que não é, nem de perto nem de longe, um juiz prepotente e sem coração) não iria escutar os “seus eleitos que por Ele clamam dia e noite e iria fazê-los esperar muito tempo?”
Naturalmente, estamos diante de uma pergunta retórica. É evidente que, se até um juiz insensível acaba por fazer justiça a quem lhe pede com insistência, com muito mais motivo Deus – que é rico em misericórdia e que defende sempre os débeis – estará atento às súplicas dos seus filhos.
Dado o contexto em que a parábola aparece, é certo que Lucas pretende dirigir-se a uma comunidade cristã cercada pela hostilidade do mundo, que começava a ver no horizonte próximo o espectro das perseguições e que estava desanimada porque, aparentemente, Deus não escutava as súplicas dos crentes e não intervinha no mundo para salvar a sua Igreja. A resposta que Lucas deixa aos seus cristãos é a seguinte: ao contrário do que parece, Deus não abandonou o seu Povo, nem é insensível aos seus apelos; Ele tem o seu projeto, o seu plano e o seu tempo próprio para intervir…
Aos crentes resta moderar a sua impaciência e confiar em que Ele não deixará de intervir para os libertar.
Que é que tudo isto tem a ver com a oração? Porque é que esta é uma parábola sobre a necessidade de rezar (“Jesus disse-lhes uma parábola sobre a necessidade de orar sempre, sem desanimar” – v. 1)? Lucas pede aos cristãos a quem a mensagem se destina que, apesar do aparente silêncio de Deus, não deixem nunca de dialogar com Ele. É nesse diálogo que entendemos os projetos e os ritmos de Deus; é nesse diálogo que Deus transforma os nossos corações; é nesse diálogo que aprendemos a entregar-nos nas mãos de Deus e a confiar n’Ele. Sobretudo, que nada (nem o desânimo, nem a desconfiança perante o silêncio de Deus) nos leve a desistir de uma verdadeira comunhão e de um profundo diálogo com Deus.
ATUALIZAÇÃO
¨ Porque é que Deus permite que tantos milhões de homens sobrevivam em condições tão degradantes? Porque é que os maus e injustos praticam arbitrariedades sem conta sobre os mais débeis e nenhum mal lhes acontece?
Como é que Deus aceita que 2.800 milhões de pessoas (cerca de metade da humanidade) vivam com menos de três euros por dia? Como é que Deus não intervém quando certas doenças incuráveis ameaçam dizimar os pobres dos países do quarto mundo, perante a indiferença da comunidade internacional?
Onde está Deus quando as ditaduras ou os imperialismos maltratam povos inteiros? Deus não intervém porque não quer saber dos homens e é insensível em relação àquilo que lhes acontece? É a isto que o Evangelho de hoje procura responder… Lucas está convicto de que Deus não é indiferente aos gritos de sofrimento dos pobres e que não desistiu de intervir no mundo, a fim de construir o novo céu e a nova terra de justiça, de paz e de felicidade para todos…
Simplesmente, Deus tem projetos e planos que nós, na nossa ânsia e impaciência, não conseguimos perceber. Deus tem o seu ritmo – um ritmo que passa por não forçar as coisas, por respeitar a liberdade do homem… A nós resta-nos respeitar a lógica de Deus, confiar n’Ele, entregarmo-nos nas suas mãos. ¨Para que Deus e os seus projetos façam sentido ou, pelo menos, para que a aparente falta de lógica dos planos de Deus não nos lancem no desespero e na revolta, é preciso manter com Ele uma relação de comunhão, de intimidade, de diálogo. Através da oração, percebemos quem Deus é, percebemos o seu amor e a sua misericórdia, descobrimos a sua bondade e a sua justiça… E, dessa forma, constatamos que Ele não é indiferente à sorte dos pobres e que tem um projeto de salvação para todos os homens. A oração é o caminho para encontrarmos o amor de Deus.
¨ O diálogo que mantemos com Deus não pode ser um diálogo que interrompemos quando deixamos de perceber as coisas ou quando Deus parece ausente; mas é um diálogo que devemos manter, com perseverança e insistência. Quem ama de verdade, não corta a relação à primeira incompreensão ou à primeira ausência.
Pelo contrário, a espera e a ausência provam o amor e intensificam a relação.
¨ A oração não é uma fórmula mágica e automática para levar Deus a fazer-nos as “vontadinhas”… Muitas vezes, Deus terá as suas razões para não dar muita importância àquilo que Lhe pedimos: às vezes pedimos a Deus coisas que nos compete a nós conseguir (por exemplo, passar nos exames); outras vezes, pedimos coisas que nos parecem boas, mas que a médio prazo podem roubar-nos a felicidade; outras vezes, ainda, pedimos coisas que são boas para nós, mas que implicam sofrimento e injustiça para os outros… É preciso termos consciência disto; e quando parece que Deus não nos ouve, perguntemos a nós próprios se os nossos pedidos farão sentido, à luz da lógica de Deus.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho


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