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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

31º DOMINGO TEMPO COMUM-C

31º DOMINGO TEMPO COMUM


30 de Outubro de 2016

1ª Leitura - Sb 11,22 - 12,2

Salmo - Sl 144,

2ª Leitura - 2Ts 1,11 - 2,2

Evangelho - Lc 19,1-10



Hoje Jesus quer ficar na sua casa, na sua companhia, junto com sua família. E isso só depende de você.  Leia mais


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"HOJE A SALVAÇÃO ENTROU NESTA CASA..." - Olivia Coutinho

31º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 30 de Outubro de 2016

Evangelho de Lc19,1-10

Quantos de nós, fazemos questão de dizer que somos seguidores de Jesus, quando na  prática, agimos de forma contrária a Dele.  Ao invés de misericórdia, para com aquele que se enveredaram  por caminhos contrários, nos  posicionamos diante deles com um Juiz, condenando-os  impiedosamente sem lhe  dar a oportunidade dele rever  a sua vida.

Muitas vezes, ao invés de nos tornamos caminho  de volta para  aqueles que se perderam, contribuímos, com a nossa indiferença, com o nosso desamor, para que eles se percam ainda mais.  

Um verdadeiro seguidor de Jesus, não vê o outro como caso perdido, como alguém irrecuperável, pelo contrário, ele acredita que uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus pode mudar de vida!

A diferença entre o bem e o mal, é muita clara para nós, mas para Jesus, esta diferença não faz sentido, pois para Ele, estar em pecado, (mal) é estar doente e o que um  doente necessita não é de um juiz e sim de um médico,  uma vez curada a sua doença, ele retoma a vida, a sua  integridade!  

Jesus  nos pede  que tenhamos um coração largo para amar, um olhar de misericórdia para com aqueles que muitas vezes,  só precisam de ser sentirem amados para retomarem  o caminho da vida!

Foi o que aconteceu com Zaqueu, um homem de vida errante que ao sentir-se amado por Jesus, teve a sua vida totalmente  transformada!

Zaqueu, era um homem  muito rico, era chefe dos cobradores de impostos,  odiado pelo o povo. Mesmo parecendo ter tudo, Zaqueu demonstra, não ser uma pessoa realizada, pois se assim fosse, ele não teria o desejo de conhecer Jesus, a sua riqueza lhe bastaria!

Zaqueu não conhecia  Jesus, mas certamente, já tinha ouvido falar Dele, o que despertou nele o desejo de conhecê-Lo. 

Ao tomar conhecimento de que Jesus passaria  pela cidade de Jericó, enquanto caminhava  para Jerusalém, Zaqueu vê, a grande oportunidade  de ver Jesus, de ver quem era àquele homem que arrastava multidões! No meio de uma grande  multidão, Zaqueu  sabia, que  seria impossível os seus olhos alcançar Jesus devido a sua baixa estatura, mas ele não desiste, não queria perder aquela oportunidade que poderia ser a única.

Disposto a tudo para realizar o seu desejo, aquele homem, odiado pelo o povo, vence todas as barreiras, não se importando em se expor, ele corre à frente  da multidão, sobe numa arvore e fica aguardando a passagem de Jesus.  Zaqueu não se importa em se tornar alvo de deboche para o povo,  para ele,  naquele momento, o importante era conhecer Jesus! Convidado por Jesus a descer da arvore, Zaqueu  cai nas redes do amor de Jesus, para não mais sair!  

A partir de então, Zaqueu   tem a sua vida  transformada! Ao sentir-se  amado por Jesus, Ele passou a ver a vida com outros olhos,  descobriu em Jesus, o verdadeiro sentido para a sua  vida.  Completamente  transformado ele  abandona a sua vida errante, repara todos os seus erros e se entrega por inteiro à Jesus!

Assim como Jesus chamou Zaqueu pelo nome, convidando-o a descer da arvore para um  encontro pessoal com Ele, Ele continua nos chamando  pelo o nome, nos convidando  a descer dos pedestais que às vezes  projetamos para  nós mesmos! Todos nós somos  chamados a descer destes pedestais, a descer, pelos degraus da humildade que nos leva à conversão, primeiro passo para o nosso ingresso no reino Celeste! 

O  chamado de Jesus  é extensivo a todos, Ele não faz restrição de pessoas, o que vale para Jesus  é a resposta que se dá a seu  chamado,  pois no   coração de quem aceita o  chamado de Jesus, já houve transformação, afinal, ninguém aceita o chamado, Dele, sem estar  disposto a mudar de vida!

“Jesus é o caminho humano para chegar a Deus e o caminho Divino para chegar ao humano!”

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Comecemos nossa meditação da Palavra deste Domingo pelo Evangelho. Aí, a miséria corre para ver a Misericórdia, o homem corre para encontrar Deus...
Quem é este Zaqueu, este baixinho ansioso do Evangelho de hoje? É um publicano – como o homem que rezava compungido no Domingo passado. Um publicano é um pecador público, cobrador de impostos para os romanos e, por isso, odiado pelos judeus. Os publicanos muitas vezes extorquiam o povo. Talvez fosse o caso de Zaqueu, pois ele "era chefe dos publicanos e muito rico". Certamente, tanto mais odiado quanto mais rico...
Pois bem, é um homem assim que correu e subiu numa figueira para ver o Senhor. Imaginemos a cena: Zaqueu esquece sua pose, sua respeitabilidade, sua posição. Aquele homem rico devia também ser sozinho, amargurado na sua riqueza, que o tornava um rejeitado por todos e um excluído da comunidade do Povo de Deus. Zaqueu certamente ouvira falar de Jesus, de sua misericórdia, de sua bondade, de sua mansidão. Não era ele que acolhia os pecadores? Não era ele que comia com os publicanos? Não tinha ele um publicano, Mateus, como um dos Doze? Por isso, não hesita em subir numa figueira, não tem medo do ridículo! Quer ver Jesus, nem que fosse às escondidas... Quem dera que fôssemos assim, que não deixássemos o Senhor passar em vão no caminho da nossa vida! E aí vinha Jesus... O coração de Zaqueu certamente disparou... Jesus vai passando, acompanhado, cercado por uma multidão barulhenta. Aí, então, para surpresa de todos e desespero de Zaqueu, ele pára, olha pra cima... Imaginemos os risos, a mangação, a situação de ridículo na qual o pobre Zaqueu encontrou-se! Mas, Jesus é surpreendente – ele sempre nos surpreende; ele é maravilhosamente surpreendente! "Zaqueu – chama-o pelo nome. Conhecia-o! – Desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa!" Era demais para Zaqueu: o mundo desaparecera; a mangação não tinha importância... Naquela hora, naquele momento só existitam Jesus e ele! E Jesus o chamava pelo nome! Enquanto todos o rejeitavam, Jesus, chamava-o pelo nome, como a um amigo, como a um conhecido, e oferecia-se para se hospedar na sua casa! "Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria". Contemplemos o amor de Deus, amor misericordioso, que alegra, renova, transforma a existência e dá um novo sentido para a vida!
Qual o resultado desta visita do Senhor, deste acolhimento de Zaqueu? "Senhor, eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais!" Zaqueu fizera experiência do amor de Deus, Zaqueu acolhera esse amor, deixara-se amar e, agora, transborda em arrependimento, amor e misericórdia para com os outros! Que pena que não compreenderam isso, e começaram a murmurar contra Jesus...
Quem dera que da escuta da Palavra deste Domingo aprendêssemos quem é o nosso Deus, como age seu coração, e como nós deveríamos reagir! Pensemos no coração de Deus não a partir dos nossos sentimentos mesquinhos, mas a partir das palavras comoventes do Livro da Sabedoria: um Deus tão grande, tão imensamente maior que tudo quanto existe, tão imensamente para lá de tudo quanto possamos imaginar... "Senhor,o mundo inteiro, diante de ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra". E, no entanto, ele se inclina com carinho sobre o mundo: dele cuida, sustenta-o, compadece-se de suas criaturas e nos perdoa as loucuras, ingratidões e pecados: "De todos tens compaixão, porque tudo podes. Fechas os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado"... Admirado, o autor sagrado exclama: "A todos tu tratas com bondade, porque tudo é teu, ó Senhor, Amigo da vida!" Que título comovente: Amigo da vida! Um Deus que somente é glorificado na nossa alegria, na nossa vida! Um Deus que sorri com o sorriso de Zaqueu, um Deus que se oferece para entrar na casa e no coração de um pecador perdido!
Quem dera que sejamos como Zaqueu; que desejemos vê-lo, que abramos para ele a nossa porta, que por seu amor mudemos nossa atitude, como esse publicano. São Paulo deseja, na segunda leitura de hoje, que o nome de Jesus seja glorificado em nós, na nossa vida... Seria, será glorificado, se abrirmos essa nossa vida fechada, mesquinha e cansada para o Senhor. Ele vem a nós cada dia, ele passa por nós de tantos modos: na Palavra, nos irmãos, nas situações, nos desafios, nos sofrimentos, nas provas... Quem dera que o reconhecêssemos, como Zaqueu... Saber acolhê-lo nas suas vindas é glorificá-lo agora e preparar-se bem para a sua Vinda, no fim dos tempos, aquela da nossa união definitiva com ele, de que fala o Apóstolo na leitura de hoje.
Que o Senhor nos dê a ânsia e a graça que concedeu a Zaqueu. Amém.
dom Henrique Soares da Costa



Zaqueu
I. UMA VEZ MAIS os textos da missa voltam a falar da misericórdia divina. É lógico que se evoque tanto esta inefável realidade, porque a misericórdia de Deus é uma fonte inesgotável de esperança e porque necessitamos muito da clemência divina. É necessário que nos recordem muitas vezes que o Senhor é clemente e misericordioso.
Na primeira Leitura1, o Livro da Sabedoria fala-nos dessa bondade e cuidado amoroso de que Deus cerca toda a criação e especialmente o homem: Como poderiam subsistir as coisas se não o tivesses querido? Ou de que modo se conservariam se não as tivesses chamado à existência? Perdoas a todas as criaturas porque são tuas, ó Senhor, tu que amas as almas. Oh, como é bom e suave em tudo o teu espírito, Senhor! Por isso castigas pouco a pouco os que se desencaminham, e advertes os que pecam das faltas que cometem, e os exortas para que abandonem a malícia e creiam em ti, Senhor.
O Evangelho2 fala-nos do encontro misericordioso de Jesus com Zaqueu. O Senhor passa por Jericó, a caminho de Jerusalém: à entrada da cidade, tem lugar a cura de um mendigo cego que com a sua fé e a sua insistência conseguiu aproximar-se de Jesus, apesar dos que queriam que se calasse. Agora, já dentro dessa cidade importante, a multidão provavelmente apinhava-se nas ruas por onde o Mestre passava. No meio dela encontra-se um homem que era chefe dos publicanos e rico, bem conhecido em Jericó pelo seu cargo.
Os publicanos eram cobradores de impostos. Roma não tinha funcionários próprios para esse ofício e confiava-o a determinadas pessoas do respectivo país, os quais por sua vez – como Zaqueu –, podiam ter empregados subalternos. O imposto era fixado pela autoridade romana e os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam. Isto prestava-se a arbitrariedades, razão pela qual eram facilmente hostilizados pela população. No caso dos judeus, havia ainda a nota infamante de espoliarem o Povo eleito em favor dos gentios3.
São Lucas diz que Zaqueu procurava ver Jesus para conhecê-lo, mas não podia por causa da multidão, pois era pequeno de estatura. Mas o seu desejo é eficaz. Para conseguir realizar o seu propósito, começa por misturar-se com a multidão e depois, sem pensar no insólito da sua atitude, correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali. Não se importa com o que as pessoas possam pensar ao verem um homem da sua posição começar a correr e depois subir numa árvore. É uma formidável lição para nós que, acima de tudo, queremos ver Jesus e permanecer com Ele.
Mas devemos examinar hoje a sinceridade e o vigor desses desejos: Eu quero realmente ver Jesus? – perguntava o Papa João Paulo II ao comentar esta passagem do Evangelho –, faço tudo o que posso para poder vê-lo? Este problema, depois de dois mil anos, é tão atual como naquela altura, quando Jesus atravessava as cidades e povoados da sua terra. E é atual para cada um de nós pessoalmente: quero verdadeiramente contemplá-lo, ou não será que venho evitando encontrar-me com Ele? Prefiro não vê-lo ou que Ele não me veja? E se já o vislumbro de algum modo, não será que prefiro vê-lo de longe, sem me aproximar muito, sem me situar claramente diante dos seus olhos..., para não ter que aceitar toda a verdade que há nEle, que provém dEle?4
II. QUALQUER ESFORÇO que façamos por aproximar-nos de Cristo é amplamente recompensado. Quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque convém que eu me hospede hoje em tua casa. Que alegria imensa! Zaqueu, que já se dava por satisfeito de vê-lo do alto de uma árvore, ouve Jesus chamá-lo pelo nome, como a um velho amigo, e, com a mesma confiança, fazer-se convidar para sua casa. “Aquele que tinha por coisa grande e inefável vê-lo passar – comenta Santo Agostinho –, mereceu imediatamente tê-lo em casa”5. O Mestre, que tinha lido no coração do publicano a sinceridade dos seus desejos, não quis deixar passar a ocasião. Zaqueu “descobre que é amado pessoalmente por Aquele que se apresenta como o Messias esperado, sente-se tocado no íntimo do seu espírito e abre o seu coração”6. Quer estar com o Mestre quanto antes: Desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Experimentou a alegria singular de todo aquele que se encontra com Jesus.
Zaqueu está agora com o Mestre, e com Ele tem tudo. “Não se assusta de que a acolhida de Cristo na sua própria casa possa ameaçar, por exemplo, a sua carreira profissional ou dificultar-lhe algumas ações, ligadas à sua atividade de chefe de publicanos”7. Pelo contrário, mostra com atos a sinceridade da sua nova vida; converte-se em mais um discípulo do Mestre: Eis, Senhor, que dou aos pobres metade dos meus bens; e se defraudei alguém, devolver-lhe-ei o quádruplo. Vai muito além do que a Lei de Moisés mandava restituir8 e além disso dá aos pobres a metade da sua fortuna!
O encontro com Cristo leva-nos a ser generosos com os outros, a compartilhar imediatamente com quem está mais necessitado o muito ou pouco que temos. Zaqueu compreendeu que, para seguir o Mestre, tinha que desfazer-se dos seus bens.
“Meu Deus, vejo que não te aceitarei como meu Salvador se não te reconhecer ao mesmo tempo como Modelo.
“Já que quiseste ser pobre, dá-me amor à Santa Pobreza. O meu propósito, com a tua ajuda, é viver e morrer pobre, ainda que tenha milhões à minha disposição”9.
III. QUANDO JESUS ENTROU na casa de Zaqueu, muitos começaram a murmurar de que se houvesse hospedado em casa de um pecador. Então o Senhor pronunciou estas consoladoras palavras, das mais belas de todo o Evangelho: Hoje entrou a salvação nesta casa, pois este também é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que tinha perecido. É um convite à esperança: se alguma vez o Senhor permite que passemos por dificuldades, se nos sentimos às escuras e perdidos, temos de saber que Jesus, o Bom Pastor, sairá imediatamente em nossa busca. “O Senhor escolhe um chefe de publicanos: quem poderá desesperar se ele alcançou a graça?”, comenta Santo Ambrósio10. O Senhor nunca se esquece dos seus.
A figura de Zaqueu também deve ajudar-nos a nunca dar ninguém por perdido ou irrecuperável. Para os habitantes de Jericó, esse chefe dos publicanos estava muito longe de Deus; o Evangelista deixa entrevê-lo11. No entanto, desde que entrara na cidade, Jesus tinha os olhos postos nele. Por cima das aparências, Zaqueu possuía um coração generoso, que ardia em desejos de ver o Mestre. E, como São Lucas mostra a seguir, tinha uma alma preparada para o arrependimento, para a reparação, e uma reparação sobreabundante. Do mesmo modo, há muitas pessoas à nossa volta desejosas de ver Jesus e à espera de que alguém se detenha diante delas, olhe para elas com compreensão e as convide a uma vida nova.
Nunca devemos perder a esperança, nem mesmo quando parece que tudo está perdido. A misericórdia de Deus é infinita e onipotente, e supera todos os nossos juízos. Conta-se de uma mulher muito santa um episódio especialmente significativo que deixou uma profunda marca na sua alma e que nos revela graficamente o alcance da misericórdia divina. Um parente dessa pessoa pôs fim à vida atirando-se num rio do alto de uma ponte. A mulher ficou tão desconsolada e triste que nem se atrevia a rezar por ele. Certo dia, o Senhor perguntou-lhe por que não o tinha presente nas suas orações, como costumava fazer com os outros. A pessoa surpreendeu-se com as palavras de Jesus e respondeu-lhe: “Bem sabes que se lançou de uma ponte e deu cabo da vida”... E o Senhor respondeu-lhe: “Não te esqueças de que entre a ponte e a água estava Eu”. Conta-se um episódio parecido da vida do Cura d’Ars12. Ambos põem de relevo uma mesma realidade: sempre que pensamos na bondade e na compaixão de Deus para com os seus filhos, ficamos aquém.
Não duvidemos nunca do Senhor, da sua bondade e do seu amor pelos homens, por muito extremas ou difíceis que sejam as situações em que nos encontremos ou em que se encontrem as pessoas que queremos levar até Jesus. A sua misericórdia é sempre maior do que os nossos pobres raciocínios.
(1) Sab 11, 25-26; 12, 1-2;
(2) Lc 19, 1-10;
(3) cfr. Sagrada Bíblia, Santos Evangelhos, nota a Mt 5, 46;
(4) cfr. João Paulo II, Homilia, 2.11.80;
(5) Santo Agostinho, Sermão 174, 6;
(6) João Paulo II, Homilia, 5.11.89;
(7) João Paulo II, Homilia, 2.11.80;
(8) Êx 21, 37 e segs.;
(9) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Forja, n. 46;
(10) Santo Ambrósio, Comentário ao Evangelho de São Lucas;
(11) cfr. Lc 19, 7-10;
(12) Francis Trochu, O Cura d’Ars, Palabra, Madrid, 1984, pág. 619.
Francisco Fernández-Carvajal




“Vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, gente de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Ap. 7,9)
Celebramos, hoje, a páscoa do Senhor fazendo memória de todos os santos e santas, os bem-aventurados, os que venceram a “grande tribulação”, féis a Jesus Cristo, seguindo-O no amor e no serviço do Reino. Nesta celebração, renovamos nossa vocação à santidade como um dom que o Pai nos concede no presente, com a proposta desafiante de Jesus de sermos santos/as como Deus é Santo.
1. Situando-nos brevemente
A solenidade de todos os santos e santas de Deus é um dia para celebrarmos a vitória daqueles que nos precederam na fé e partiram desta vida para junto de Deus. “Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e branquearam suas vestes no sangue do Cordeiro”, viveram a filiação divina, pelo cumprimento das bem-aventuranças, foram proclamados santos.
Depois de termos celebrado todos os fiéis falecidos, hoje celebramos aqueles que, pela morte, com certeza, estão em Deus.
O tom da celebração de hoje é de alegria e de esperança. Alegria porque sabemos que muitos – uma incontável multidão – são os que estão na eternidade com Deus; esperança porque a vitória deles nos anima a continuar no caminho da santidade – esse é o nosso destino.
A Eucaristia que celebramos é alimento para esta caminhada rumo à realização plena de nossas vidas. A santidade não é o fruto do esforço humano, de quem procura alcançar Deus com as próprias forças ou mesmo com heroísmo. A santidade é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina.
2. Recordando a Palavra
A Palavra que ouvimos na primeira leitura divide-se em duas partes:
a) A primeira é formada pelos versículos 1 a 8 – os eleitos da terra. A destruição e o pânico do sexto selo se detêm. Os ventos que sopram dos quatro ângulos da terra simbolizam as forças destruidoras deste mundo e o anuncio do último dia. Os quatro anjos – seres a serviço de Deus – detêm a destruição. A salvação vem do Oriente, pois no Oriente nasce o sol e é na direção oriental que está o paraíso. A marca ou selo indica a pertença e a proteção. O número dos marcados é simbólico: 12 (perfeição) vezes 12 (doze tribos de Israel) vezes mil (totalidade) – equivale a uma multidão inumerável.
b) A segunda parte é formada pelos versículos 9 a 17 (a leitura vai até o 14): a sorte dos eleitos no céu. Eles já alcançaram a glória e a vitória simbolizadas pela túnica branca (símbolo da glória celeste) e pelas palmar (símbolo do martírio). Constituem uma multidão inumerável, sem distinção de raças, a qual prorrompe num hino de louvor. Superadas as dificuldades, vivem já sem ansiedade. A salvação ou vitória se deve a Deus e ao Cordeiro; mas este dom ou graça só se realiza com a resposta humana. Tudo isso ocorrerá no futuro.
Aqui está o fundamental da leitura: esta visão do final deve suscitar interesse e entusiasmo para a luta do presente, na qual se consolida a eternidade.
A primeira carta de João apresenta incrível densidade apenas nos três versículos hoje lidos. O Pai nos deu um grande presente de amor: de Cristo, ressuscitado e exaltado aos céus, à direita do Pai. O autor repete: “E nós o somos!” A filiação divina é o fundamento de toda a santidade, pelo Batismo nos tornamos partícipes da santidade de Deus, o único Santo.
Não vivemos sempre como filhos de Deus, ora por nossa culpa, ora porque o mundo não nos conhece, como também não conheceu a Cristo. Mundo significa aqui tudo o que rechaça a salvação de Deus. Vivemos numa situação de gestação, de expectativa. Sem dúvida, semelhante ao agricultor que sabe ter semeado e espera, com impaciência, o dia da colheita, assim nós devemos crer e esperar o dia em que se porá de manifesto o que já somos pela graça de Deus. Quando Jesus se manifestar em toda a sua glória, seremos semelhantes a Ele. O veremos tal como ele é. Toda a visão que temos de Jesus Cristo pela fé limitada e imperfeita. Nossa atual condição não comporta a visão de Deus. Quando, porém, estivermos face a face com Deus, purificados pela esperança o veremos como é de fato.
O Evangelho é a pagina de abertura do grande Sermão da Montanha, que hoje nos apresenta as bem-aventuranças. Uma consideração inicial: as bem-aventuranças não são propriamente um ensinamento de Jesus, mas uma declaração aqui se percebe sua importância.
Na intenção do autor sagrado, o monte não é um acidente geográfico qualquer, mas é imagem do Sinai, o monte por excelência da tradição judaica, onde teve lugar a constituição do povo de Deus. Apresentando Jesus subindo ao monte, Mateus quer significar com isso que com ele vai ter lugar o ato fundacional do novo poço de Deus, tendo Jesus como seu novo Moisés.
É preciso enfatizar que as bem-aventuranças não são princípios abstratos, mas versam sobre situações concretas das pessoas que seguem a Cristo. As primeiras pertencem à pobreza, o pranto ou aflição, a fome e a sede, os maus tratos e a perseguição. Trata-se de situações de sofrimento físico que o membro do povo de Deus se vê obrigado a padecer por causa de sua dedicação à justiça, ou seja, por causa da construção de um novo modelo de sociedade chamado Reino de Deus. Não se deixa vencer por elas, mas as sofre com serenidade. A estes que vivem assim o realismo da vida, Jesus os declara bem-aventurados. Hoje devemos dizer enfaticamente o óbvio: bem-aventurado é sinônimo de feliz e de santo. Temo aqui uma sutileza que não podemos esquecer: o objeto da bem-aventurança de Jesus não são as situações, mas as pessoas que não se deixam derrotar por elas. Assim, o começo do ato de instituição do novo povo de Deus é um canto às pessoas que sofrem por fazer possível o Reino de Deus.
A bem-aventurança que abre o conjunto é a mais lembrada. Jesus chama “pobre” a quem, não tendo nada (sentido social da pobreza) Poe sua confiança em Deus (sentido religioso da pobreza). Ele põe, em primeiro plano, a pobreza real, sem a qual não é possível a pobreza espiritual. A pobreza espiritual não é outra coisa que a radicalização e a interiorização da pobreza real e, de nenhum modo, um pretexto para fazer mais confortável o cristianismo aos que seguem sendo ricos às custas dos pobres.
Conforme os estudiosos da Bíblia, as oito bem-aventuranças tem como chave de interpretação a primeira e a oitava: O Reino dos Céus é prometido aos pobres e aos perseguidos por causa da justiça. Uma nona bem-aventurança, nitidamente diferente dessas oito, desenvolve a oitava e supõe a situação concreta da Igreja primitiva perseguida.
3. Atualizando a Palavra
Todos nós, cristãos, somos chamados, vocacionados à santidade. O capítulo V da “Lumen Gentium”, trata justamente da vocação à santidade de todos os cristãos, radicada no Batismo.
O problema é que fazemos algumas associações que acabam por caricaturar de tal forma a imagem dos santos, que as pessoas de nosso tempo não parecem considerar-se chamadas a essa vocação. Olhemos para as imagens que temos dos santos: homens e mulheres sempre com um semblante muito sério, envoltos em longas túnicas (normalmente bispos, padres, religiosos e religiosas). As histórias que os rodeiam são muitas vezes fantásticas, cheias de milagres e feitos espetaculares. Associa-se também a idéia de santidade com a de perfeição. Tudo isso afasta a santidade do horizonte de nossa vida pessoal. É urgente vermos santos e santas que levam uma vida normal, vestem roupas normais, tem filhos, vivem no mundo e nele dão testemunho do amor de Deus, sem ter que operar milagres espetaculares. Não podemos confundir santidade com canonização: muitos são os santos que não estão canonizados, isto é, com santidade comprovada e reconhecida pela Igreja.
A página das bem-aventuranças fascina-nos e angustia-nos ao mesmo tempo. Então temos de fixar o nosso olhar em Jesus, o qual praticou de forma perfeita as bem-aventuranças e depois no-las ensinou. Foi tão pobre, que nasceu numa estrebaria; tão manso, que se propôs como modelo desta virtude; tão misericordioso, que pode afirmar: “quero misericórdia e não sacrifício”; tão pacífico, que se tornou “a nossa paz”; tão puro de coração, isto é, orientado para Deus totalmente e sempre, que pode afirmar: “o meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a sua obra”; tão perseguido, que acabou por morrer mártir. Estes comportamentos de Jesus são para nós fonte de graça, para além de exemplos, para fazermos nossa a mensagem das bem-aventuranças e caminharmos assim em direção à santidade”.
O Apocalipse nos ajuda a ver a santidade como fidelidade a Cristo. Passar por esta vida mantendo a fé é atingir a santidade.
A solenidade de hoje é uma motivação para todos nós, que nos encontramos a caminho da pátria definitiva. Os santos nos servem de exemplo, intercessão e motivação, porque nos asseguram que, com a graça de Deus, é possível chegar lá.
João nos lembra de que nossa santidade nasce da filiação divina. Somos filhos no Filho, participamos da filiação divina de Jesus, e, nesse sentido, somos filhos de Deus. A santidade e a filiação divina são manifestas, neste mundo, apenas parcialmente. A plenitude está reservada para a eternidade, quando anos encontraremos diante do trono e do Cordeiro e proclamaremos então: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 7,10).
Em última análise, todo ser humano busca a realização. Queremos ser felizes. Aqui há um espaço importante para anunciar a santidade como meta de nosso existir: viver rumo à santidade é viver a plena realização humana. É dar sentido à nossa vida, um sentido que nos faz ver o tempo presente com dimensões de eternidade. Quem interpreta ver o tempo presente com dimensões de eternidade. Quem interpreta a vida apenas com os olhos deste mundo, com certeza se frustrará. No entanto, quem sabe que, pela graça, somos chamados à plena comunhão com Deus, esse vive em plenitude, é feliz, realizado, santo.
4. Ligando a Palavra com ação litúrgica
A oração pós-comunhão deste dia resume bem o sentido da celebração: “ao celebrarmos, ó Deus, todos os Santos, nós vos adoramos e admiramos, porque só vós sois o Santo, e imploramos que a vossa graça nos santifique na plenitude do vosso amor, para que, desta mesa de peregrinos, passemos ao banquete do vosso reino”.
A santidade existe em nós à medida que nos aproximamos de Deus. Esse processo iniciado no Batismo te, na Eucaristia, um momento privilegiado: é o alimento para a caminhada rumo ao Pai. A Eucaristia e a Palavra vão moldando em nós a santidade que Deus espera. A Eucaristia nos transforma, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai com todos os que são salvos.
Diz a oração que a Eucaristia é uma mesa de peregrinos. É o pão que sustenta a caminhada. Sinal do banquete escatológico do Reino. Esta mesa de peregrinos é, contudo, o que de mais excelso temos, pois nela celebramos os mistérios do próprio Deus, em comunhão com os anjos e com aqueles que atingiram a meta de suas vidas: os santos e as santas.
Significativo é também o Prefácio da Missa de hoje que transforma em oração o que ouvimos na Liturgia da Palavra: “Pois festejamos hoje a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os santos, vos cercam, e cantam eternamente o vosso louvor. Para essa idade caminhamos pressurosos, peregrinando na penumbra da fé, alegres por saber que estão na vossa luz tantos membros da Igreja que nos dais ao mesmo tempo como exemplo ajuda inestimável”.

Diocese de Limeira




Neste final de semana, celebramos a Festa de todos os santos. A santidade é o destino de todos aqueles que decidem seguir o Evangelho.
Os santos foram pessoas normais, mas que souberam viver as Bem-aventuranças que Jesus apresenta no Evangelho de hoje. A santidade não começa depois da morte, mas já, desde quando se caminha pela estrada do amor e da doação.
Neste Evangelho, Jesus apresenta o caminho para todos aqueles que o seguem.
Hoje celebramos a memória festiva de Todos os Santos. Não apenas os Santos canonizados, que já têm a sua festa ou memória ao longo do ano, mas todos os santificados por Cristo, tanto os que alcançaram a plenitude da glória, como os que ainda lutam na terra para lá chegar.
É festa de sentido universal: abrange todos os justificados pela fé em Cristo, marcados e selados com a força do Espírito Santo no Batismo e demais Sacramentos, que nos consagram a Deus e nos santificam com a própria santidade de Cristo.
Na primeira leitura, João descreve-nos a multidão imensa que ninguém pode contar dos santos, na posse da felicidade eterna. Depois da grande tribulação, o Senhor os acolhe, dando-lhes um grande prêmio.
Na segunda leitura, é também são João quem nos vai recordar que seremos santos vivendo a nossa condição de filhos de Deus. Mas precisamos cuidar para não perder esta filiação, porque ainda não se manifestou o que havemos de ser.
O Evangelho nos apresenta o Sermão da Montanha, que é um resumo dos ensinamentos de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz.
As Bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus.
Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime.
Os que buscam a justiça do Reino são os pobres em espírito. Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, eles estão profundamente convictos de que têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade.
A santidade é um caminho espinhoso. Combatendo o bom combate, todos são convidados a trilhar este árduo caminho, especialmente a partir da dimensão comunitária de engajamento no projeto de evangelização, para aproximar-se mais e mais da plenitude, no amor de Deus.
A santidade é a perfeição de vida que se conquista no dia-a-dia, com altos e baixos, momentos de alegria e momentos de tristeza. Nossa grande esperança é a cruz que venceu o medo, o pecado e a morte.
Ser santo, portanto, é seguir e imitar os exemplos, palavras e obras de Jesus Cristo. É ser pobre, no sentido de desprendimento dos bens do mundo, buscando os bens do céu, aberto aos excluídos, aos famintos da graça divina, aos mendigos da misericórdia de Deus.
Peçamos ao Pai que nos dê coragem e perseverança para fazer opções que nos comprometam com o Reino dos Céus, sendo testemunhas vivas e eficazes do Evangelho que se traduz em acolhida, amor, perdão e multiplicação de dons e bens.



Cúria Diocesana   - Jales


O encontro
O texto a partir do qual refletimos hoje – o encontro de Jesus com Zaqueu – está situado na seção central do evangelho de Lucas: a viagem de Jesus com seus discípulos/as desde a Galileia até Jerusalém. É uma narração que só encontramos neste evangelho.
Esta narração põe de manifesto algumas das características mais destacadas da teologia lucana: a misericórdia e ternura de Deus, a necessidade do arrependimento, a exigência a renunciar aos bens e a predileção de Jesus pelos pobres e marginalizados.
Antes de adentrarmos no texto, vamos tentar conhecer um pouco mais a pessoa de Zaqueu, que é apresentado como cobrador de impostos e uma pessoa muita rica. Poderíamos afirmar que esta segunda característica era fruto de seu ofício de cobrador de impostos.
Na época de Jesus, as contribuições/impostos marcavam duramente o povo judeu, o sistema impositivo era muito severo. A cobrança era realizada, às vezes, de forma violenta e mediante exortação e abuso. Geralmente, era exigido muito mais do que a pessoa podia pagar, o que levava ao empobrecimento da população. Os cobradores de impostos eram pessoas desprezadas e também muito temidas pelo seu dinheiro e poder.
Zaqueu, pela sua profissão, reúne então estas características, às quais temos que acrescentar que os cobradores de impostos estavam excluídos da vida religiosa e social do resto do povo judeu. Viviam à margem do mesmo!
E este homem de baixa estatura quer ver Jesus! Mas a multidão impedia-o de enxergar! Quem é essa multidão?
Penso que o evangelista não está se referindo só a um grupo de pessoas, mas também ao que as pessoas pensam sobre Zaqueu que dificulta que esse homem veja seu Salvador.
Quantas vezes, com nossa mentalidade, excluímos pessoas do círculo dos amigos/as de Jesus porque as consideramos, segundo nossos critérios, não dignas?
Voltemos ao texto e tentemos recriá-lo com nossa imaginação. Assim, veremos este pequeno homem correr entre a multidão e ter a iniciativa de subir na figueira para conseguir seu objetivo: ver Jesus!
Sem dúvida Zaqueu já tinha ouvido falar de Jesus, de seus ensinamentos e de suas obras. Por isso, movido pela curiosidade e pela necessidade de outro “ar” na sua vida, sobe na árvore.
E agora olhemos para Jesus, porque sua atitude e suas palavras nos revelam a mensagem central do evangelho. Estando a caminho, Ele se detém embaixo da figueira, e o evangelista usa dois verbos para descrever a ação de Jesus: olhar para cima e falar.
Este olhar para cima de Jesus, já citado outras vezes no evangelho, significa “olhar em profundidade, olhar com a intenção de fazer o bem, com a intenção de exercer a misericórdia”. É esse olhar ternamente misericordioso que se repousa sobre o pequeno Zaqueu, cobrador de impostos, marginalizado da sociedade religiosa judaica.
E depois Jesus fala, dirige a Zaqueu sua palavra. A palavra de Deus é sempre criadora, transformadora para aquele/a que a acolhe. Escutemos o que Jesus disse: “Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa.”
Este convite de Jesus a Zaqueu parece revelar uma necessidade imperiosa de Jesus; ele precisa ficar na casa do cobrador de impostos. Por quê?
Talvez outras palavras de Jesus nos ajudem a responder a esta pergunta: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc. 12, 49).
A necessidade imperiosa de Jesus, a paixão que o move e consome é que as pessoas vivam a misericórdia de Deus, que liberta e humaniza. A vida de Jesus não é fruto de improvisação ou casualidade. Jesus responde a um projeto: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc. 4,18-19).
É por isto que ele “precisa” hospedar-se na casa de Zaqueu, entrar na sua vida e oferecer-lhe uma vida nova, livre, fruto da ação misericordiosa de Deus. E Zaqueu responde à “necessidade” de Jesus e experimenta já a alegria de ter sido visto, conhecido, escolhido por Ele!
Recebê-Lo na sua casa devolve ao cobrador de impostos sua dignidade e o move ao arrependimento. É o olhar e as palavras de Jesus que fazem Zaqueu experimentar a misericórdia de Deus e o colocam de pé para reconhecer seus erros e aceitar Jesus como Senhor da sua vida, não mais o dinheiro.
O arrependimento e a conversão não são fruto do esforço pessoal, senão de se saber amado incondicionalmente por Deus Pai e Mãe de misericórdia.
A vida nova de Zaqueu se expressa na partilha de seus bens aos pobres. O discípulo de Jesus é movido a viver na solidariedade e na simplicidade, buscando comunicar a misericórdia que o recria permanentemente.
O encontro com Jesus é liberador e transformador. É o início de um caminho de discipulado que se exprime numa vida semelhante ao Mestre: viver a misericórdia, no serviço preferencial aos pobres.
Peçamos a Jesus que, olhando para nós, possamos escutar Suas palavras dirigidas a cada um/a: “Hoje a salvação entrou nesta casa, também este homem é um filho de Abraão. De fato, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.”
Oração
Olhar-me desde Ti
Olha-me tu, Jesus de Nazaré
que eu sinta pousar-se sobre mim
teu olhar livre,
sem escravidão de sinagoga,
sem exigência que me ignorem,
sem a distância que congela,
sem a cobiça que me compre.
Que teu olhar se pouse
em meus sentidos,
e se filtre até os desvãos
inacessíveis onde te espera
meu eu desconhecido
semeado por ti desde meu início
e germine meu futuro
rompendo em silêncio
com o verde de suas folhas
a terra machucada que me sepulta
e que me nutre.
Deixa-me entrar dentro de ti,
para olhar-me desde ti,
e sentir que se dissolvem
tantos olhares
próprios e alheios
que me deformam e me rompem (Benjamim Gonzalez Buelta)

Referências
RAMIS DARDER, Francess. Lucas, evangelista de la ternura de Dios.


INSTITUTO HUMANITAS UNISINOS




Todos os homens e mulheres são chamados à santidade
O primeiro dia (ou o primeiro domingo) do mês de outubro, a Igreja católica o dedica à festa de todos os santos e santas. Como esquecer que a verdadeira santidade é aquela que se manifesta na vida das pessoas que ousam sair do estreito limite dos próprios interesses e se aproximam solidariamente dos últimos; que tecem pacientemente os fios que fazem do mundo inteiro uma única família; que vão aos rincões mais distantes ou exigentes para levar a bandeira da paz; que são movidos por uma insaciável sede de justiça; que choram as dores dos povos de todas as cores e provam o fel da violência da perseguição; que transformam a terra pela mansidão?... Celebremos e festejemos a alegria de participar de uma imensa caravana de homens e mulheres de todas as raças, nações e línguas que nos precedem, nos acompanham e nos seguem. E renovemos o desejo e o compromisso de levar em nosso corpo as marcas de Jesus Cristo.
"Gente de todas as nações, tribos, povos e línguas..."
No último dia 30 recordávamos os 34 anos do assassinato de Santo Dias da Silva, líder cristão e operário, e 466 anos da páscoa de Martinho Lutero, religioso católico e reformador da Igreja. Dois homens sensíveis ao próprio tempo que, em diferentes lugares e circunstâncias, e também com métodos diversos, sonharam e lutaram por uma sociedade mais justa e uma Igreja mais fiel a Jesus Cristo. Dois cristãos que tinham fome e sede de justiça e sofreram perseguição. Será que eles não fazem parte da imensa multidão de servos de Deus, cujas frontes foram marcadas com o sinal do Cordeiro?
A festa de todos os santos e santas faz memória dos/as santos/as esquecidos/as, daqueles/as que não têm um dia especial e um nome conhecido; daqueles/as que gastaram a vida no anonimato e cujos milagres não podem ser contabilizados pelas regras canônicas; de gente como Sepé Tiarajú, Padre Cícero, Dom Romero, e Ir. Adelaide, e mesmo de gente quem não rezou pelo nosso catecismo, como Lutero, Luther King, Gandhi e tantos outros; celebra a memória daqueles/a que nos antecederam na fé e cujo testemunho mantém a Igreja no caminho certo, apesar das suas resistências e ambivalências.
"Desde agora já somos filhos de Deus..."
Mas a celebração de todos os santos e santas não olha somente para o passado. Ela é oportunidade e provocação para refletir sobre a vocação fundamental de todos os/as cristãos. Sendo verdade que a santidade é um caminho estreito e uma vocação exigente, isso não significa que seja reservada a alguns grupos especiais de cristãos. Há mais de quarenta anos o Concílio Vaticano II proclamava de forma clara e contundente, contra a idéia predominante, que a santidade não é privilégio dos sacerdotes e religiosos/as. Muito antes, a história já havia comprovado o que então era proclamado solenemente.
Na passagem do milênio, o saudoso João Paulo II provocava os cristãos a não se contentarem com pequenas medidas, com vôos rasantes, com ideais nanicos, e pedia que aspirassemos nada menos e nada mais que à santidade. A vocação de todos precisa se transformar em desejo pessoal e em decisões e ações concretas. Como diz São João, nós somos chamados filhos/as de Deus e já o somos desde agora, mas o desafio é crescer na identificação com Jesus Cristo, gravar no corpo e na mente as marcas de Jesus Cristo. ?Seremos semelhantes a ele...? E isso deve ser mais que um simples sentimento.
"Felizes os pobres no espírito..."
Jesus Cristo é o verdadeiro e perfeito santo de Deus e, ao mesmo tempo, o caminho para a santidade. Não há santidade à margem do seguimento de Jesus Cristo, mesmo que tal seguimento seja implícito. Trata-se então de refazer o caminho prático trilhado por Jesus: "amar como Jesus amou; sonhar como Jesus sonhou; pensar como Jesus pensou; viver como Jesus viveu; sentir como Jesus sentia..." Este é o caminho para que, no meio ou no fim do dia e no no meio ou no fim da vida, sejamos felizes. No sermão da montanha?, Jesus nos propõe o caminho de santidade que ele mesmo percorreu.
A bela mensagem de Jesus que denominamos bem-aventuranças apresenta as diversas setas que indicam claramente o caminho da santidade. Ele não fala propriamente de oito grupos específicos de pessoas, mas de oito características daqueles/as que percorrem este caminho. O caminho começa com a pobreza e termina com a perseguição, mas isso não é obstáculo, pois o Reino de Deus é antes de tudo - e no presente! - dos pobres e dos perseguidos. A consolação para os aflitos, a herança para os mansos, a saciedade para os famintos, a misericórdia para os compassivos, a visão de Deus para os puros e a filiação divina para os promotores da paz, são promessas para o futuro, mas a alegria sem fim do Reino é experiência concreta dos pobres em espírito e dos perseguidos já no tempo presente.
A santidade à qual todos/as somos chamados/as tem fisionomia de discípulado, de despojamento solidário; o coração dos/as que se afligem e choram compassivamente as dores dos outros; o ritmo inquieto dos/as que anseiam e pela justiça plena e universal; o olhar terno da misericórdia; a transparência de quem evita a duplicidade e as segundas intenções; a ousadia daqueles/as que promovem a paz; a indestrutível alegria de quem assume os custos de ser livre e libertador.
"Felizes os que têm fome e sede de justiça..."
Embora o conceito não goze de muita estima entre nós, os/as santos/as são chamados de beatos/as. Isso quer dizer que o caminho da santidade e o caminho para a felicidade coincidem. Santidade não rima com tristeza ou com fechamento em si mesmo, mas com felicidade e abertura aos outros. O caminho de Jesus Cristo, assim como a vida e a espiritualidade cristãs, são propostas de uma felicidade que coincide com a realização da mais profunda vocação humana, que, por isso, é duradoura.
O caminho que nos conduz à santidade feliz e à felicidade santa está longe de ter as características da passividade ou do afastamento do mundo. Pelo contrário, passa pelo empenhativo distanciamento dos interesses individuais ou de pequenos grupos; pela partilha da dor e da humilhação dos outros; pela mortificante e vivificante fome e sede de justiça; pela prática perseverante da atenção aos mais frágeis; pela superação das palavras e ações ambíguas; pela ativa semeadura da paz em todas as relações; pela firmeza serena nas perseguições.
Está longe do Evangelho uma santidade que se resuma em práticas de piedade. Está distante da essência humana uma felicidade baseada no sucesso pessoal e na indiferença em relação à sorte dos semelhantes. Aqueles/as que se vestem de branco e trazem palmas nas mãos são os/as vieram da grande tribulação, que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, que recriaram sua ação libertadora, que encarnaram o Evangelho no mundo e na própria vida. Felicidade não significa ausência de dificuldades, mas realização plena e profunda da vocação humana. Mais que perfeição, santidade é perseverança no amor e no serviço.
"Seremos semelhantes a ele..."
Jesus é o verdadeiro santo. A ele devemos o louvor, a glória, a sabedoria, a honra, o poder, a força e a ação de graças. A santidade que brilha no rosto, que atua nas mãos e pulsa no coração da multidão incontável que nos antecede e nos rodeia é fruto do Espírito de santidade e de verdade que Jesus Cristo derrama sobre a comunidade daqueles/as que o seguem. Se somos filhos/as e herdeiros/as, o somos por adoção e graça, e não por mérito pessoal ou direito adquirido.
A provocação pessoal de Jesus Cristo e o estímulo dessa multidão de vestes brancas que caminha alegre e jubilosa nos coloca e nos mantém no caminho da santidade. Que nossas roupas de marca, que diferenciam hierarquizam, sujas pela impureza do nosso pensar e pela ambigüidade do nosso agir, se assemelhem às roupas do Cordeiro no talhe, na cor e no uso. Que nossas roupas sejam o hábito de quem serve, sejam como as vestes de Jesus de Nazaré.
Jesus de Nazaré, Santo de Deus e testemunha fiel! Pedimos-te a graça de permanecer de pé diante de ti, que és o Cordeiro imolado, rodeados pela  nuvem de testemunhas anônimas de todas as nações, tribos, raças e línguas. Ajuda-nos a superar a doce tentação de separar, catalogar e hierarquizar católicos e evangélicos, cristãos e não-cristãos. Fica conosco e caminha à nossa frente, para que estejamos sempre prontos/as para a travessia e para a luta. Que a nossa incrível capacidade de sofrer e nossa inexplicável alegria em meio às intermináveis lutas sejam nossas armas e nosso triunfo. E então estaremos viverendo em comunhão com os santos e santas que te rodeiam e te louvam no céu.
padre Itacir Brassiani msf



Quando conheceu Jesus, foi o que fez Zaqueu. Afinal, fez o que reza a canção belíssima de os «Humanos»: «Muda de vida se tu não vives satisfeito / Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar / Muda de vida, não deves viver contrafeito / Muda de vida se há vida em ti a latejar». Nem mais.
O coração de Jesus move-se pelo amor misericordioso, que constantemente faz apelo à conversão e à mudança de atitude perante os bens materiais. A resposta de Zaqueu, vibrante de alegria, expressa que a proposta do amor é forte e faz milagres em todos os corações que O acolhem de verdade.
A disponibilidade para o acolhimento do amor nem sempre se faz realidade como, eventualmente, todos nós desejamos. A multidão de coisas que a vida nos proporciona, impede-nos a visão daquilo que é essencial e nem sempre haverá uma árvore por perto que nos permita subir para alcançarmos melhor visibilidade sobre aquilo que é fundamental para a vida de cada um. O medo da novidade e do diferente é sempre cerceador de muita iniciativa, de muita opção e de muita criatividade. Libertemo-nos disso e avancemos, «o caminho faz-se caminhando», como diz o poeta António Machado.
Pensemos no seguinte, por vezes, ainda são muitas as coisas que se aglomeram à nossa volta. Elas são a constante frequência para o egoísmo, que não nos permite ver o verdadeiro horizonte revelado por Jesus, que implica uma total entrega à causa do amor pelos outros. Outras vezes, é a soberba que nos faz engrandecer perante os bens materiais e perante as nossas qualidades pessoais.
Frequentemente, somos atacados pela incapacidade para encarar o que se é, o que se tem e o que somos aptos a fazer como serviço para os outros. Esta forma eficaz de ser Homem cristão ainda está muito aquém do que seria possível. A resposta ao chamamento faz-se com alegria. E o desejo de mudar de vida é o sinal consequente da descoberta da partilha proposta pelo Reino de Cristo. Por isso, exultemos todos também porque o mesmo Cristo quer hospedar-se na casa de todos os que o procuram com sinceridade de coração.
padre José Luís Rodrigues




Temos neste texto mais uma narrativa exclusiva de Lucas. É feito o contraste entre Zaqueu, um publicano excluído do judaísmo, que recebe Jesus em sua casa com alegria e contrição, e o fariseu que recebeu Jesus para uma refeição com desconfiança e censura (Lc. 14,1-6).
Zaqueu, tocado por Jesus, dispõe-se à partilha de suas riquezas com os pobres e com aqueles que foram por ele prejudicados.
Lucas apresenta Zaqueu, que era muito rico, com simpatia. Mostra assim que os ricos não são excluídos por Jesus. Eles é que se excluem, se permanecerem apegados e dependentes de sua riqueza.
Vemos no versículo 2 que Zaqueu era um homem rico. O rico é chamado por Jesus a converter-se à bem-aventurança da pobreza, a deixar de acumular riquezas para si, rompendo com o sistema iníquo de enriquecimento, e a partilhar o que possui com os pobres e excluídos.
Jesus despertou algo diferente em Zaqueu, e vemos logo a frente que devido a pouca estatura de Zaqueu ele subiu em uma figueira brava (que é o mesmo que uma árvore de sicômoros).
Agora, a pergunta: como podemos imaginar um homem rico simplesmente subindo numa árvore só para ver alguém? Com tanto dinheiro ele subiria numa árvore só para ver um homem que aglomerava uma multidão onde chegava? Por que tudo isso se ele nem conhecia Jesus?
A diferença é justamente essa, por que ele já ouvira falar de um Cristo que fazia sinais, prodígios e maravilhas.
As maravilhas que ele ouvia a respeito de Cristo eram tão grandes e verdadeiras que fez com que um homem da alta sociedade tivesse uma atitude de criança levada, subir numa árvore.
Contudo, esse Cristo já conhecia Zaqueu, e, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desça depressa, pois hoje preciso ficar na sua casa.
Imaginemos chegarmos em um lugar para ver alguém que muitos comentam a respeito e essa pessoa, que nunca vimos, olhando para nós, nos chama pelo nome. Deve ser algo sem explicação. Zaqueu ficou maravilhado.
Agora, vejamos o versículo 6: Zaqueu desceu depressa e o recebeu na sua casa, com muita alegria.
Vemos agora um homem com prestígio na sociedade obedecendo a uma ordem, com educação claro, e ainda feliz da vida.
Diz o Evangelista que ele desceu depressa mas, certamente deve ter se despencado lá de cima e, caminhando junto com Jesus, ia conversando e “confessando” os seus pecados dizendo: “Escute, Senhor, eu vou dar a metade dos meus bens aos pobres. E, se roubei alguém, vou devolver quatro vezes mais.”.
Ali, acontecia a primeira confissão auricular, que a Igreja mantém até nossos dias. Jesus, após ouví – lo disse : “Hoje a salvação entrou nesta casa, pois este homem também é descendente de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar quem está perdido.“.
Jesus continua hoje, ainda, muito atento pelas atitudes e gestos de todos aqueles que  dizem seguir as suas palavras. É muito importante que fiquemos muito ligados às suas passagens por nossa vida, sempre que não entendemos certos acontecimentos .
Neste trecho do Evangelho de Lucas, Jesus quer nos ensinar o quanto é importante reconhecermos quando erramos.
Reconhecer os próprios erros, admiti-los em certas atitudes que tomamos é sermos conscientes de que todos erram, não somos santos.
Jesus nos ensina os caminhos para a santidade, está sempre junto de nós, através do Espírito Santo, justamente para que sejamos capazes de auto–críticas.
Ele já sabia e sabe, ainda hoje, da nossa fraqueza, do nosso apego às coisas materiais e, do mal que carregamos em nosso coração, mesmo junto com o bem.
Fragilizados, às vezes, pelos acontecimentos na vida, caímos muitas vezes mesmo não querendo.
O próprio são Paulo, o mais ardoroso e valente pregador do Evangelho nesta terra, disse certa vez: “Às vezes deixo de fazer o bem que quero para fazer o mal que não quero. O espírito me puxa para o alto mas, a carne, me puxa para baixo.“
Resumindo: é assim que acontece quando Cristo quer algo com alguém. Ele não olha para classe social, cor, se têm nível fundamental, médio, superior ou se é analfabeto.
Na verdade Cristo está procurando verdadeiros adoradores que o adorem em Espírito e em verdade!
Não importa a sua condição de vida, o que importa mesmo é que existe um homem que chamou a atenção de Zaqueu e que se importa com você.
Esse mesmo homem hoje mesmo quer mudar a história da sua vida, acabar com essa vida de pecado e lhe dar uma vida digna!
Uma vida em que você tenha orgulho de viver, e que todos vão olhar para você e dizer: como essa pessoa mudou! e que a sua vida venha ser um espelho para muitos.
Se você hoje quiser realmente ser uma pessoa diferente aos olhos humanos, faça como Zaqueu, chame a atenção de Cristo para você e verá que Ele vai querer pousar em sua casa, mas não só na varanda de sua casa, mas em toda ela, ou seja, em toda sua vida, pois CRISTO se importa com você.
Decida-se por Ele, enquanto é tempo. Busque  Cristo enquanto se pode achar. Não perca a oportunidade de estar bem perto dele.
Hoje mesmo, Cristo nos chama: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo.” (Ap 3,20)
Reflexão Apostólica:
Em nossa reflexão de ontem, abordamos alguma coisa a respeito dessa situação – das oportunidades.
Um questionamento: Alguém saberia o teor da conversa de Zaqueu com Jesus se os apóstolos não tivessem relatado no evangelho? Será que “nossas bolas de cristais” leitoras da mente humana já nos credenciam a nortear quem Jesus deve abrir às portas a salvação? Duro dizer, mas isso se chama preconceito.
Vamos deixar claro um ponto primeiro: Existem pessoas que conhecem o que deve ser feito, mas não fazem, outras que ainda fazem por não ter sido apresentado a verdade e outras que fazem com muita consciência. No primeiro casos estamos nós e no segundo e terceiro aqueles que Jesus mais se empenha em ter de volta.
Uma pessoa que já conhece a verdade não pode dizer que foi enganada. Que na ausência de um culpado, sugere como alguns de nossos irmãos, o diabo como sempre o culpado.
Um sacerdote, nesse fim de semana, nos falava que TODOS têm a propensão ao erro. Que mesmo não querendo estamos sujeitos a momentos de ira, raiva, desamor, ódio, (…) e que o inimigo de Deus teria o poder de APENAS sugerir o gesto, mas não a consolidação do fato, ou seja, quem realmente torna a sugestão um ato, somos nós mesmos.
O sacerdote sugeria a vigilância a esse “ser humano” falho e em construção. Um ser que julga, separa, desagrega e que tem medo de assumir que faz tudo isso por coisas banais como inveja, egoísmo, (…) frutos do não zelo a seus próprios atos.
Zaqueu, como outros que ainda não conhecem a verdade, não se preocupou com que diriam a seu respeito, pois estava prestes a trocar sua vida repleta de incertezas por algo tão grande e tão sublime – um tesouro chamado perdão.
Do alto daquela arvore, o homem de pequena estatura se mostra grande. Um gesto nobre ao reconhecer suas fragilidades e erros perante aquele, como diz a canção de Walmir Alencar, que não perguntou por onde andou.
Um homem que não perdeu tempo encontrando um culpado para suas faltas; que não se escondeu atrás de um abandono na infância, na separação dos seus pais, por ter passado dificuldades financeiras, por não ter estudado em escola particular, (…), e outros tantos esconderijos da alma.
Sim, talvez tenhamos limitações provocadas por situações do nosso passado ou presente (as mais destrutivas são as psicológicas) , mas até quando isso me impedirá para atender ao pedido de Jesus em abrir nossa casa, nosso coração, nossa vida para Ele entrar? Se são mais fortes do que eu, por que não procurar por ajuda?
Acredite: “(…) Hoje a Salvação entrou em sua casa”.
Sidnei Walter John














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