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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

1º DOMINGO ADVENTO-A

1º DOMINGO ADVENTO


27 de Novembro de 2016-Ano A

1ª Leitura - Is 2, 1-5

Salmo - Sl 121

2ª Leitura - Rm 13,11-14a

Evangelho - Mt 24,37-44



FICAR ATENTO E PREPARADO significa estar prevenido, ligado na parada, não descuidar, pois a qualquer momento pode ser o nosso fim. E não podemos estar em pecado nesse instante último da nossa vida.



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“... NA HORA EM QUE MENOS PENSAIS, O FILHO DO HOMEM VIRÁ.”- Olivia Coutinho

 

1º DOMINGO DO ADVENTO

DIA 27 de Novembro de 2016

 

Evangelho de Lc21,37-44

 

Iniciamos hoje o tempo do advento! Um tempo de profunda espiritualidade que deve ser marcado pelo o nosso desejo de conversão, algo fundamental para quem deseja fazer do seu coração uma manjedoura para acolher Jesus! 

Sem um retorno de todo o nosso ser a Jesus, não tem como vivermos o verdadeiro sentido do  Natal!

O tempo do advento, não se limita na preparação para o Natal, pois enquanto nos preparamos para esta grande festa, estamos nos preparando também, para a segunda vinda de Jesus que pode acontecer a qualquer momento. 

A liturgia deste tempo, nos insere em toda a história da salvação, levando-nos a reviver a mesma esperança da vinda do Messias, vivida pelo povo de Deus no início da história, com uma só diferença: o Messias tão esperado por aquele povo, já veio, já está entre nós! 

O advento é um tempo propício para nos reconciliarmos com Deus, o que fazemos, quando  reconciliamos com o nosso irmão!

 Neste tempo de espera, de nascimento e de renascimento, o nosso coração se rejubila torna maleável aberto para acolher Jesus que  vem reacender em nossos corações, a chama da esperança, uma esperança, que transcende às coisas materiais, porque  inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores que mantém o equilíbrio da vida.

O evangelho que a liturgia deste Domingo nos apresenta, nos  convida a refletir quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena,  é importante conscientizarmos de que este  nosso tempo presente deve ser um tempo bem vivido, pois ele é o único  espaço sagrado que Deus  nos concede para  buscarmos em Jesus, o nosso encontro definitivo com Ele.
O texto vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da nossa morte. Quanto ao dia e hora da nossa passagem, Deus preferiu  ocultar de nós, Jesus  só nos deu uma pista:  se trata de algo  inesperado, o que pode nos deixar apreensivos, no entanto, para  quem vive de acordo com a vontade de Deus, o dia e a hora não importa, o importante é estar o tempo todo em sintonia com Deus, ciente  de  que há uma  vida melhor  por vir, uma vida em plenitude que é a vida eterna!  
No  texto  escolhido para marcar o início deste Advento, Jesus   exorta os discípulos,  sobre a importância de uma constante vigilância, fazendo menção  ao tempo de Noé, no sentido de  recomendá-los  para que eles não se distraíssem com as coisas do mundo, como fizeram as pessoas antes do dilúvio, e esquecerem  do principal,  que é a busca pela santidade!
 As palavras de Jesus, respondem  as indagações  de muitos que ainda hoje perdem  tempo buscando explicações sobre o fim dos tempos, ao invés de aproveitarem bem, este precioso tempo na preparação para a vida futura!
A mensagem de Jesus, que chega até a nós no dia de hoje,  não é ameaçadora, pelo contrário, é uma mensagem encorajadora, pois o nosso futuro, depende do nosso comportamento de hoje, de  não desperdiçarmos a graça de Deus.
“Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado.” Como será  o critério desta seleção de pessoas?  A resposta está na diferença de suas atitudes, duas pessoas, podem até estarem juntas fisicamente, mas buscando diferentes  horizontes, há os que  se preparam para a vida futura vivendo de acordo com a vontade de Deus, como  há também, os que estão alheios a sua vontade. Os que não estiverem  preparados no momento da vinda do Senhor, perecerão, enquanto que, os que estiverem preparados serão levados para junto do Pai.
 Jesus nos  alerta sobre a importância de estarmos atentos, vigilantes o tempo todo,  o que não significa ficarmos apáticos,  parados, pelo contrário, devemos esperar por  sua  segunda vinda, no exercício da nossa missão, no lugar onde fomos plantados por Deus,  para produzir frutos!
Que neste tempo de preparação para o Santo Natal,  o nosso coração seja inundado por um amor que liberta, que nos torna flexíveis, dóceis a ponto de nos transformar em sinal vivo de Jesus no meio em que vivemos.
Deixemo-nos tocar e nos envolver pelo advento do Senhor Jesus, redescobrindo a alegria, o sentido da fé e do viver segundo a vontade de Deus.

 

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho

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Perspectiva cristã do tempo e do mundo
O ensinamento deste domingo brota tanto do texto das leituras quanto do seu lugar no início do ano litúrgico: orientando-nos para o Senhor que vem, esboça a perspectiva global do “tempo cristão”. Desde o início nos é apresentada a perspectiva final: a vinda do Filho do Homem (evangelho). Nesta perspectiva, porém, não dominam ameaça e medo, e sim, a luz orientadora para nosso caminho: “A ti, Senhor, elevo minh’alma” (canto da entrada).
Para entender o espírito do advento e da escatologia cristã é preciso ver a relação entre a espera do Messias (A.T.) e a expectativa cristã. A espera veterotestamentária do Messias (Cristo) prefigura a expectativa cristã do “Senhor que vem”, na “segunda vinda” (no fim dos tempos), e, sobretudo, cada dia (no encontro de cada um e de toda a comunidade com Jesus, Senhor de nossa vida). Por isso, podemos “acorrer ao encontro do Cristo que vem” (oração do dia).
Neste e nos próximos domingos aparecem, nas leituras de Isaías, as “utopias do Antigo Testamento”, imagens daquilo que se espera de Deus quando vier o seu Cristo-Messias (1ª leitura). O Messias implantará a “paz” (= harmonia e felicidade) no monte santo, ao qual todas as nações, inclusive nós, somos convidadas a subir com alegria. Consideremos: 1) a utopia: transformar lanças em foices... tanques de guerra em tratores...; 2) o “caminhar”: o passo que nós fazemos, nossa participação ativa na salvação que vem de Deus. O salmo responsorial dá eco a isso: subir ao recinto do tempo, caminhar para o lugar onde habita Deus e onde está a sua paz.
A 2ª leitura acentua que corremos ao encontro do Senhor não de mãos vazias, mas com as nossas boas obras como presente a oferecer. Levantar-nos de nossa imobilidade, revestir-nos de Cristo. Nossa participação na salvação que vem de Deus é uma participação prática, ética. Os dons que de Deus recebemos transformam-se, assim, em antecipação da realidade escatológica e nossa vida (oração sobre as oferendas), enquanto caminhamos entre as coisas que passam rumo às que não passam (oração final).
Tal é a perspectiva cristã da vida e do mundo: revivendo a sempre atual expectativa messiânica (isto é, da salvação que vem de Deus), animamo-nos a assumir, por nossa parte, uma atitude ética renovadora, que transforma nós mesmos, nossa sociedade e o mundo.
A vinda de Cristo
Estamos iniciando um novo ano litúrgico, o ano A (do ciclo trienal da liturgia dominical), no qual os evangelhos, via de regra, são tomados de Mateus. As quatro primeiras semanas do ano litúrgico chamam-se Advento, termo que significa ‘vinda’: a vinda de Cristo. Todavia, não se trata da lembrança apagada de um fato ocorrido há dois mil anos atrás. Avinda de Cristo tem atualidade ainda hoje.
A 1ª leitura recua longe para olhar melhor: descreve a visão “utópica” de Isaías, por volta de 700 a.C: todos os povos se unirão em tomo do templo de Jerusalém. As armas serão transformadas em instrumentos agrícolas. Haverá paz... Setecentos anos depois, a primeira vinda de Cristo marcou o irreversível início da realização desse “projeto” de Deus. Sua nova vinda, no fim dos tempos, marcará o ponto final. O evangelho fixa nossa atenção nesta nova vinda. Não podemos viver dormindo. Devemos viver em estado desperto, à luz do dia de Cristo, para que ele sempre nos possa encontrar dispostos para a vinda de incansável caridade que ele nos ensinou (2ª leitura).
Jesus veio inaugurar o projeto definitivo de Deus para o mundo. Ele será também o juiz da História na sua vinda final. Esse projeto de Deus, que Jesus veio inaugurar e que ele julgará, é comunitário. É a constituição de um povo de Deus, formado por todas as nações, dispostos a praticar a justiça e a caridade fraterna. Para que isso se realize, deve acontecer uma transformação histórica. Nós devemos dar os necessários passos históricos, para que o plano de Deus chegue até nós: preparar, pela transformação de nossos corações e de nossa sociedade, a plenitude que vem de Deus. Nossa participação no projeto de Deus consiste em tornar nossa sociedade “digna” de uma nova vinda de Cristo. Nisto se inserem, além de nosso empenho pessoal, os passos da comunidade para maior solidariedade: mutirões, cooperativismo etc.
O Cristo vem também, cada dia, na vida de cada um. Que ele nos encontre comprometidos com a construção da História como ele a “sonhou” e com os critérios que ele usará para julgar: o amor aos mais pequenos dos irmãos, sustentado pela oração, na qual expomos nossa vida diante dele. Atentos às coisas do Senhor, teremos paz profunda e seremos capazes de dedicação total na alegria, no trabalho e na luta.
Johan Konings "Liturgia dominical"




Hoje inicia-se o ano litúrgico A, tempo que tem como pano de fundo o Evangelho de Mateus.
Todo ano litúrgico inicia-se com o Advento, que são quatro semanas de preparação para o Natal. Se o Natal é tempo de amor, de fraternidade e de paz, o advento deve ser o tempo de semear, de preparar o coração de cada cristão para essa grande festa da chegada do Salvador.
O povo de Deus vive em constante Advento, antes da vinda de Jesus. Esse tempo era de espera por Sua chegada, mas Ele veio e nem todos O reconheceram. Hoje, porém, a espera é pela volta de Cristo e, cabe a cada cristão permanecer vigilante para reconhecer Sua chegada.
O texto do Evangelho de hoje, escolhido para marcar o início do Tempo do Advento, é parte do capítulo no qual Mateus descreve o discurso proferido por Jesus voltado para o futuro, que fala sobre as revoltas e as batalhas, e acreditava-se que isso estava indicando o fim do mundo.
Jesus responde à pergunta dos apóstolos sobre o momento em que ocorreria o final dos tempos: na primeira parte de sua fala, depois de descrever os sinais que precederiam a vinda do Filho do Homem, Jesus esclarece que o momento de sua vinda não era conhecido por ninguém, somente pelo Pai. E aproveita para exortá-los sobre a necessidade de se prepararem.
A lembrança de Noé traz uma recomendação: não se distraiam com as coisas da vida e do mundo, esquecendo-se de que o mais importante é a busca, o anúncio e a prática do amor.
Qual terá sido o critério para a seleção das pessoas, se ambas faziam a mesma coisa? A resposta está em como as pessoas agem, há quem vive o presente preparando o futuro, e há quem não aprendeu nada com a história, e não sabe viver o presente.
É preciso permanecer consciente porque não se sabe quando Deus irá pedir contas. Por isso os que não estiverem preparados perecerão como quando ocorreu o dilúvio. Diante do desconhecimento do dia e da hora em que virá o Filho do Homem, a única atitude deve ser a de vigilância constante, lembrando-se sempre de que os tempos de Deus não são os nossos. O que compete a humanidade é estar atento a todo momento, com uma única e inevitável preocupação: “amar”. Só assim se tem a certeza de estar vivendo a vontade do Pai.

Pequeninos do Senhor




Prontos para receber o Senhor
O tempo litúrgico do Advento convida-nos à preparação para acolher o Senhor que vem. O apelo insistente da Igreja questiona a tendência dos cristãos a serem acomodados, quando não contaminados pela mentalidade mundana, centrada na busca desenfreada do prazer e na consecução de interesses pessoais.
Desconhecendo o dia e a hora em que o Senhor virá, o discípulo deve estar sempre pronto para recebê-lo. A prontidão cristã é feita de pequenos gestos de amor, na simplicidade do quotidiano. Nada de ações mirabolantes nem de tarefas heróicas a serem cumpridas! Exige-se do discípulo apenas amor sincero e gratuito a Deus e ao próximo.
O episódio bíblico acerca da figura de Noé e do dilúvio ilustra a atitude contrária àquela do discípulo do Reino. A devastação diluviana tomou de surpresa a humanidade. Ninguém, além de Noé e de sua família, deu-se conta do que estava para acontecer. Por isso, comia-se, bebia-se e se celebravam bodas, na mais total ignorância da fúria destruidora da natureza que se abateria sobre a terra.
O Senhor espera encontrar os discípulos do Reino vigilantes, quando de sua chegada. A menor desatenção pode revelar-se perigosa. Por isso, o egoísmo jamais poderá ter lugar no coração de quem quer ser encontrado pelo Senhor. Só existe uma maneira de preparar-se para este momento: amar.
padre Jaldemir Vitório





Atitude de vigilância
O primeiro domingo do Advento é o início do ano litúrgico. Para os cristãos, é o verdadeiro “ano novo”, pois a nossa vida de fé é marcada e ritmada pela celebração do Mistério de Deus. O Advento é tempo de preparação para o Natal; tempo que deve ser vivido numa dupla atitude: intensificar a leitura e a meditação da Palavra de Deus e a penitência.
O texto da liturgia de hoje é parte do discurso escatológico de Jesus (Mt. 24,1–25,46); discurso sobre o fim. Entenda-se fim não como término, mas como aquilo que é definitivo para a existência humana. Normalmente, a linguagem utilizada para este tipo de discurso é a apocalíptica, que tem um tom um tanto dramático e, por vezes, causa certo medo nas pessoas que não ultrapassam o sentido primeiro do texto. Em nosso caso, o discurso é exortação aos discípulos a colocarem a sua confiança naquilo que não passa. O precursor deste tipo de linguagem na Bíblia é o livro de Daniel (Dn. 7–12), escrito em meados do segundo século antes de Cristo.
A evocação do tempo de Noé e o dilúvio servem para colocar os discípulos, destinatários do discurso (cf. Mt. 24,1), de alerta e para os convidar a uma atitude de engajamento e coerência com sua vocação cristã. O dilúvio, como evento de purificação, é água divisora entre um antes e um depois. Parece que o dilúvio os faz abrir os olhos quanto ao modo como viviam: nada percebiam, “até que veio o dilúvio e arrastou a todos” (v. 39). A vida do ser humano não se encerra nos limites da história, nem se resume em comer e beber, nem em procurar “aproveitar a vida”. Na descrição sumária do tempo de Noé, Deus não aparece; é como se ele não contasse para nada. A excessiva preocupação com questões relativas à vida de cada dia e com o bem-estar pode não só nos distanciar das coisas do céu, como também nos fazer prescindir do próprio Deus ou até ignorar sua presença. A história do tempo de Noé, antes do dilúvio, serve para ilustrar esta situação e interpelar os discípulos a que mantenham a vida referida a Deus. A fé em Deus exige uma vida conforme a sua vontade: “Nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor!, entrará no Reino dos céus, mas o que faz a vontade do meu Pai que está nos céus” (Mt. 7,21). A vida de quem crê deve ser a expressão da fé que ele professa e do Deus em quem ele põe a sua esperança e confiança. O principal é buscar o Reino de Deus, que antecede todas as coisas, e por Deus o necessário é dado (Lc. 12,22-31).
A imprevisibilidade da vinda do Filho do Homem exige uma atitude diferente das pessoas do tempo de Noé, anteriores ao dilúvio (cf. v. 39b-41). A atitude requerida é a da vigilância (cf. v. 42). Vigilância é trabalho de discernimento, é empenho na atividade cotidiana que engaja o homem na sua missão, fruto do seguimento de Jesus Cristo. “É hora de despertarmos do sono”, diz Paulo, “abandonemos as obras das trevas, e vistamos as armas da luz; procedamos honestamente como em pleno dia […]. Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm. 13,11-14).
Carlos Alberto Contieri,sj




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Este o primeiro domingo do Advento, o tempo de quatro semanas que nos prepara para o Natal do Senhor. Tudo, na liturgia, nos ajudará nessa preparação, na espera, cheia de esperança: o roxo significa a vigilância de quem aguarda com ânsia de amor, a moderação das flores ajuda-nos a concentrar nossa atenção naquele que vem, o “Glória” não cantado prepara-nos para cantá-lo como novidade na Noite Santa do Natal. Os sentimentos do nosso coração devem ser a vigilância, a piedade humilde de Maria Virgem, de José, dos pastores, de Simeão, Zacarias e Isabel, o espírito de conversão anunciado por João Batista, o sonho de um mundo “cheio da sabedoria do Senhor como as águas enchem o mar” (Is. 11,9), como Isaías profetizou... Aproveitemos essas quatro semanas tão doces, que recordam a espera de Israel e da humanidade pelo Messias! Ele vem... vem vindo sempre! Celebraremos o mistério do seu Natal em Belém, recordando que ele vem a cada dia e virá na Glória no final dos tempos. Preparemo-nos para ele!
Nos textos bíblicos que a Igreja hoje nos propõe, o Senhor sonda as angústias, carências, pobrezas e saudades do coração humano e nos fala precisamente da esperança: ele é o Deus que vem ao encontro dos nossos anseios mais profundos, o Deus pronto para nos saciar... Mas também nos exorta a vigiar, a nos preparar para acolher o Dom esperado - e o Dom é o seu próprio Filho, que vem ser Emanuel - Deus-conosco. Aliás, é esta a miséria do mundo atual: busca a paz, procura a vida, tem sede de plenitude e felicidade, mas não busca naquele que é a saciedade do nosso coração e a salvação da nossa existência. O homem tem sede e Deus, misericordiosamente envia-lhe a água, que é o Messias... e o nosso mundo não o reconhece; antes, renega-o! Vejamos se não é assim; vejamos se Deus não é todo doação para nós, e recordemos a palavra do Profeta: “Acontecerá nos últimos tempos que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão povos numerosos.. porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”. Eis: de Israel, Deus prepara uma salvação, uma luz, uma direção para toda a humanidade. O homem sozinho não encontra o caminho, por mais que teime em se julgar grande e auto-suficiente. No entanto, à nossa pobreza, o Senhor vem com uma promessa tão grande. E, se o coração da humanidade acolher a salvação que vem, a luz que brilha, então, encontrará a paz: “Ele há de julgar as nações e argüir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegaram em armas uns contra os outros em não mais travarão combate”. Eis a promessa de Deus: dá-nos a salvação; eis o sonho do Senhor: encontrar uma humanidade que acolha o Salvador, dele bebendo a paz! Se acolhermos o Messias que Deus nos envia, nele veremos a luz verdadeira e nossas guerras interiores e exteriores se transformarão em paz... Nossas armas que destroem, serão transformadas em arados que geram alimento de vida!
No nosso mundo ferido, cansado, incerto... mundo que já não mais crê de verdade em nada, a promessa do Senhor é como um alento. Acreditemos, irmãos! Quão triste o mundo se os cristãos viverem sem esperança, sem certeza, sem ânimo, como os pagãos... Este Tempo do sagrado Advento quer levantar nosso ânimo: o Senhor, cujo Natal celebraremos dentro de quatro semanas, é o mesmo que virá um dia, na sua Manifestação gloriosa! Nossa vida tem rumo e sentido. Vigiemos: “Vós sabeis em que tempo estamos! Já é hora de despertas. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite deste mundo já vai adiantada, o Dia vem chegando” – o Dia é Cristo, Salvação que Deus nos prometeu e nos preparou! Então: “Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia” – como quem vive já agora, durante a noite deste mundo, no Dia, que é Cristo-Deus: “nada de glutonarias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário: revesti-vos do Senhor Jesus”. Eis o modo de vigiar na noite deste mundo, eis o modo de testemunhar que esperamos, na vigilância, o Salvador que nos foi prometido e virá. Vigia pela vinda de Cristo quem rejeita as obras das trevas! É oportuno recordar que este texto que escutamos da carta aos Romanos, foi o que provocou a conversão de santo Agostinho, lá no distante século V. A Palavra de Deus é sempre um apelo gritante e forte para nós! Que ela nos converta também agora! 
A grande tentação para os discípulos de Cristo, hoje, é conformar-se com o marasmo do pecado do mundo, é viver burguesamente, uma vida cômoda e sem uma fé verdadeira e operante, sem aquela atitude de alegre expectativa por aquilo que o Senhor nos prometeu, sem a vontade de transformar a nossa vida por amor daquele que vem. Vamos nos ocupando e distraindo com uma vida fútil, dispersa em mil bobagens, esquecendo daquilo que realmente importa! Vale para nós a advertência seriíssima do Senhor Jesus: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé”: naqueles dias, todos vivam tranquilamente: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que Noé entrou na arca e eles nada perceberam...” Como agora: vive-se na farra do paganismo, do consumismo, do relaxamento moral, de tantos absurdos contrários ao Evangelho... e não percebemos que haverá um juízo decisivo de Deus para nós e para o mundo, um juízo no qual o bem e o mal, o santo e o pecador, serão separados: “um será levado e o outro será deixado”... Triste de quem for deixado, triste de quem perder a companhia do Senhor, nossa paz! Feliz de quem for levado com o Senhor! Pois bem: logo neste iniciozinho de Advento, a advertência do Senhor é dramática: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá!”
Então, enquanto o mundo dorme no seu pecado, na sua auto-satisfação, elevemos, humildemente, nosso olhar e nosso coração para Aquele que vem: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meu inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera!” – Marana thá! Vem, Senhor Jesus!
dom Henrique Soares da Costa



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A liturgia deste domingo apresenta um apelo veemente à vigilância. O cristão não deve instalar-se no comodismo, na passividade, no desleixo, na rotina; mas deve caminhar, sempre atento e sempre vigilante, preparado para acolher o Senhor que vem e para responder aos seus desafios.
A primeira leitura convida os homens – todos os homens, de todas as raças e nações – a dirigirem-se à montanha onde reside o Senhor… É do encontro com o Senhor e com a sua Palavra que resultará um mundo de concórdia, de harmonia, de paz sem fim.
A segunda leitura recomenda aos crentes que despertem da letargia que os mantém presos ao mundo das trevas (o mundo do egoísmo, da injustiça, da mentira, do pecado), que se vistam da luz (a vida de Deus, que Cristo ofereceu a todos) e que caminhem, com alegria e esperança, ao encontro de Jesus, ao encontro da salvação.
O Evangelho apela à vigilância. O crente ideal não vive mergulhado nos prazeres que alienam, nem se deixa sufocar pelo trabalho excessivo, nem adormece numa passividade que lhe rouba as oportunidades; o crente ideal está, em cada minuto que passa, atento e vigilante, acolhendo o Senhor que vem, respondendo aos seus desafios, cumprindo o seu papel, empenhando-se na construção do “Reino”.
1ª leitura - AMBIENTE
O texto de Is. 2,2-4 encontra-se – com algumas variantes e uma adição – em Mi. 4,1-3, o que parece favorecer a hipótese de uma fonte comum, anterior a Isaías e a Miquéias, na qual os redatores dos dois livros se teriam inspirado (embora haja quem defenda, mais simplesmente, que o texto original é de Isaías e que Miquéias apenas o reproduziu com variantes).
Pelo conteúdo estamos, provavelmente, diante de um oráculo inspirado nas grandes movimentações de peregrinos que, por alturas das festas, sobem para Jerusalém.
Imaginemos, como hipótese, que o poeta contempla desde o monte Sião a chegada das caravanas israelitas que acorrem em peregrinação para celebrar uma festa popular – por exemplo, a festa das Tendas… Ele nota que essas caravanas procedem de todas as partes do território habitado pelo Povo de Deus; vê-las convergir para a cidade santa, subir pela colina em direção ao Templo onde reside Deus; à medida que se aproximam, o poeta ouve distintamente os “cânticos de ascensão” com que os peregrinos saúdam o Senhor e pedem a paz para Jerusalém e para toda a nação…
Subitamente, na fantasia do poeta, a cena transforma-se: ele vê, num futuro sem data definida, uma multidão de povos de todas as raças e nações que, atraídas por Jahwéh, se dirigem ao encontro da salvação de Deus. É, provavelmente, um “sonho” destes que dá origem a este oráculo escatológico. Estamos diante de um dos oráculos mais inspirados, mais profundos e mais bonitos de todo o Antigo Testamento.
MENSAGEM
O nosso oráculo é o poema da paz universal e da convergência de todos os povos à volta de Deus.
Na visão do profeta, o “monte do Senhor” (o monte do Templo) eleva-se e transformasse no centro do mundo, sobressaindo entre todos os montes, não por ser o mais alto, mas por ser a morada de Jahwéh (vs. 2a.b). De todas as partes do mundo vêem-se convergir caravanas de povos e de nações que avançam, confluem e sobem montanha acima, ao encontro do Senhor (vs. 2c-3a)… Quem foi que os convocou, que força os atrai?
A resposta está no próprio cântico que acompanha a caminhada de toda esta gente: eles vêm atraídos pela força irresistível da Palavra de Deus; querem conhecer o ensinamento (Torah) e ser instruídos nos caminhos de Jahwéh (vs. 3b.c.d.e). A Palavra salvadora e libertadora de Jahwéh atrai e agarra todos os povos que percorrem os caminhos do mundo, lança-os num movimento único e universal, reúne os à volta de Deus.
À medida que todos se juntam à volta de Deus, escutam a sua Palavra e aprendem os seus caminhos, as divisões, as hostilidades, os conflitos da humanidade vão-se desvanecendo. Primeiro, eles aceitam a arbitragem justa e pacífica de Deus (vs. 4a); depois, compreendem que não são necessárias armas: as máquinas de guerra transformam-se em instrumentos pacíficos de trabalho e de vida (vs. 4b.c.d). Do encontro com Deus e com a sua Palavra, resulta a harmonia, o progresso, o entendimento entre os povos, a vida em abundância, a paz universal.
Este quadro é o reverso de Babel… Na história da torre de Babel (cf. Gn. 11,1-9), os homens escolheram o confronto com Deus, o orgulho e a auto-suficiência; e isso conduziu à divisão, ao conflito, à confusão, à falta de entendimento, à dispersão…
Agora, os homens escolheram escutar Deus e seguir os caminhos indicados por Ele; o resultado é a reunião de todos os povos, o entendimento, a harmonia, o progresso, a paz universal. Quando se realizará esta profecia?
ATUALIZAÇÃO
O sonho do profeta começa a realizar-se em Jesus. Ele é a Palavra viva de Deus, que Se fez carne e que veio habitar no meio de nós, a fim de trazer a “paz aos homens” amados por Deus (cf. Lc. 2,14); da escuta dessa Palavra, nasce a comunidade universal da salvação, aberta a todos os povos da terra (cf. At. 2,5-11), de que fala a leitura que nos é proposta. Se é verdade que todo o processo tem a marca da iniciativa divina, também é verdade que o homem tem de responder positivamente à ação de Deus: tem de escutar essa proposta, acolhê-la no coração e na vida, partir ao encontro de Deus (a nossa leitura fala de uma peregrinação à montanha sagrada). Estamos a começar o tempo de preparação para acolher Jesus (Advento) e a proposta de salvação que, através d’Ele, o Pai quer fazer aos homens: estamos dispostos a ir ao seu encontro, a acolhê-l’O, a escutar a sua Palavra, a aderir a essa proposta de vida que Ele veio fazer?
 Um olhar, ainda que desatento, ao mundo que nos rodeia, revela que estamos muito longe dessa terra ideal de justiça e de paz, construída à volta de Deus e da sua Palavra – apesar de Jesus, a Palavra viva de Deus, ter vindo ao nosso encontro há já dois mil anos… O que é que está a impedir ou, pelo menos, a atrapalhar a chegada desse mundo de justiça e de paz? Nisso, eu não terei a minha parte de responsabilidade? Que posso eu fazer para que o sonho de Isaías – o sonho de todos os homens de boa vontade – se concretize?
2ª leitura - AMBIENTE
Quando Paulo redige a Carta aos Romanos, está em Corinto, no termo da sua terceira viagem missionária… Prepara-se para partir para Jerusalém com o produto da coleta que organizou na Macedônia e na Acaia em benefício dos “santos de Jerusalém que estão na pobreza” (1Cor. 16,1; cf. Rom. 15,25-26). Paulo acha que terminou a sua missão no oriente (cf. Rom. 15,19-20) e quer, agora, levar o Evangelho ao ocidente.
Estamos no ano 57 ou 58.
O pretexto da carta é preparar a ida de Paulo a Espanha (cf. Rom. 15,24)… Na realidade, Paulo aproveita para contatar a comunidade de Roma e para apresentar aos romanos (e aos crentes, em geral) os principais problemas que o preocupam…
Estamos numa altura em que o perigo da divisão ameaça a Igreja: de um lado estão as comunidades de origem judeo-cristã e de outro as comunidades pagano-cristãs; uns e outros têm algumas dificuldades de entendimento e há um perigo real de cisão.
Paulo escreve, então, sublinhando a unidade da fé e chamando a atenção para a igualdade fundamental de todos – judeo-cristãos e pagano-cristãos – no processo da salvação.
A primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rom. 1,18-11,36) é de caráter dogmático e procura mostrar que o Evangelho é a força que congrega e que salva todo o crente; a segunda parte (cf. Rom. 12,1-15,13) é de caráter prático e exorta judeo-cristãos e pagano-cristãos a viver no amor.
O texto que hoje nos é proposto pertence à segunda parte da carta. Depois de exortar os cristãos que pertencem à comunidade de Roma ao amor mútuo (cf. Rom. 13,8-10),
Paulo pede-lhes que estejam vigilantes e preparados, a fim de acolher o Senhor que vem.
MENSAGEM
Referindo-se à “hora” que os cristãos estão a viver, Paulo pede-lhes que se levantem “do sono, porque a salvação está mais perto”. Ao dizer que a salvação está perto, o que é que Paulo está a sugerir?
Paulo pensava, certamente, na vinda mais ou menos iminente de Jesus Cristo, a fim de concluir a história da salvação; no entanto, a ausência de especulações apocalípticas mostra claramente que o interesse de Paulo não é no “quando” e no “como”, mas no significado e nas consequências dessa vinda. O fato que aqui interessa é, portanto, que os cristãos estão a viver os “últimos tempos” (que começaram quando Jesus deixou o mundo e encarregou os discípulos de serem testemunhas da salvação diante dos homens) antes da vinda de Jesus… Quais as consequências disso? Antes de serem batizados, os cristãos viviam nas trevas e a sua vida estava pontuada pelo egoísmo (excessos de comida e de bebida, devassidões, libertinagens, discórdias e ciúmes); mas, com o batismo, eles nasceram para uma nova realidade…
É para essa realidade de uma vida nova, liberta do egoísmo e do pecado, que eles devem acordar definitivamente, enquanto esperam o Senhor que vem: quando o Senhor chegar, deve encontrá-los despidos do velho mundo das trevas; e deve encontrá-los atentos e preparados, revestidos dessa vida nova que Cristo lhes ofereceu, vivendo na fé, no amor, no serviço.
Fundamentalmente, há aqui um convite a que os crentes vivam este “tempo” como um tempo último e definitivo, que tem de ser um tempo de caminhada ao encontro de Jesus Cristo e ao encontro da salvação.
ATUALIZAÇÃO
A questão fundamental que está em jogo neste texto é a da conversão: os crentes são convidados a deixar a vida das trevas e embarcar, decididamente, na vida da luz… As “trevas” caracterizam essa realidade negativa que produz mentira, injustiça, opressão, medo, cobardia, materialismo (e que é uma realidade que toca tantas vezes, direta ou indiretamente, a nossa existência); a “luz” é a realidade de quem vive na dinâmica de Deus… Falar de “conversão” implica falar de uma transformação profunda das estruturas e dos corações… Quais são, na sociedade, as estruturas que são responsáveis pelas “trevas” que envolvem a vida de tantos homens? O que é que na Igreja é menos “luminoso” e necessita de conversão? O que é que em mim próprio é necessário transformar com urgência?
 Quase todos nós somos pessoas razoáveis e sérias e não andamos todos os dias em bebedeiras, devassidões, libertinagens e discórdias; mas, apesar da nossa bondade e seriedade, é possível que o cansaço, a monotonia, a preguiça nos adormeçam, que caiamos na indiferença, na inércia, na passividade, no comodismo; é possível que deixemos correr as coisas e que esqueçamos os compromissos que um dia assumimos com Jesus e com o “Reino”… É para nós que Paulo grita: “acordai!; renovai o vosso entusiasmo pelos valores do Evangelho; é preciso estar preparado – sempre preparado – para acolher o Senhor que vem”.
 Há também, neste texto, um convite à esperança: “o Senhor vem! A noite vai adiantada e o dia está próximo”. Deus não nos abandona; Ele continua a vir ao nosso encontro e a construir conosco esse mundo novo de justiça e de paz… Por muito que nos assustem as trevas que envolvem o mundo, a presença de Deus garante-nos que a injustiça, a exploração, a morte não são o final inevitável: a última palavra que a história vai ouvir é a Palavra libertadora e salvadora de Deus.
Evangelho – AMBIENTE
Os capítulos 24 e 25 do Evangelho segundo Mateus apresentam o último grande discurso de Jesus antes da sua paixão e morte. Para compô-lo, Mateus reelaborou o chamado “discurso escatológico” de Marcos (cf. Mc. 13), ampliando-o e mudando substancialmente o tema central: se no discurso transmitido por Marcos a questão principal é a dos sinais que precederão a destruição de Jerusalém e do Templo, no discurso reelaborado por Mateus a questão central é a da vinda do Filho do homem e das atitudes com que os discípulos devem preparar a dita vinda.
Esta mudança de perspectiva pode explicar-se a partir da situação em que vivia a comunidade de Mateus e com as suas necessidades. Estamos na década de 80.
Passaram dez anos sobre a destruição de Jerusalém e ainda não aconteceu a segunda vinda de Jesus. Os crentes estão desanimados e desiludidos… O evangelista contempla com preocupação os sinais de abandono, de desleixo, de rotina, de esfriamento que começam a aparecer na comunidade e sente que é preciso renovar a esperança e levar os crentes a comprometer-se na história, construindo o “Reino”.
Nesta situação, Mateus descobre que as palavras de Jesus encerram um profundo ensinamento e compõe com elas uma exortação dirigida aos cristãos. Esta exortação fundamenta-se numa profunda convicção: a vinda do “Filho do homem” é um fato certo, ainda que não aconteça em breve; enquanto não chega o momento, é preciso preparar este grande acontecimento, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus.
A linguagem destes capítulos é estranha e enigmática… Trata-se, no entanto, de um gênero usado com alguma frequência por alguns grupos judeus e cristãos da época de Jesus. É a linguagem “apocalíptica”, porque o seu objetivo é “revelar algo escondido” (“apocaliptô). Em muitas ocasiões, esta revelação é dirigida a comunidades que vivem numa situação de sofrimento, de desespero, de perseguição; o objetivo é animá-las, dar-lhes esperança, mostrar-lhes que a vitória final será de Deus e dos que lhe forem fiéis.
MENSAGEM
Para Mateus, a vinda do Senhor é certa, embora ninguém saiba o dia nem a hora (cf. Mt. 24,36); aos crentes resta estar vigilantes, preparados e ativos… Para transmitir esta mensagem, Mateus usa três quadros…
O primeiro (vs. 37-39) é o quadro da humanidade na época de Noé: os homens viviam, então, numa alegre inconsciência, preocupados apenas em gozar a sua “vidinha” descomprometida; quando o dilúvio chegou, apanhou-os de surpresa e desreparados… Se o “gozar” a vida ao máximo for para o homem a prioridade fundamental, ele arrisca-se a passar ao lado do que é importante e a não cumprir o seu papel no mundo.
O segundo (vs. 40-41) coloca-nos diante de duas situações da vida quotidiana: o trabalho agrícola e a moagem do trigo… Os compromissos e trabalhos necessários à subsistência do homem também não podem ocupá-lo de tal forma que o levem a negligenciar o essencial: a preparação da vinda do Senhor.
O terceiro (vs. 43-44) coloca-nos frente ao exemplo do dono de uma casa que adormece e deixa que a sua casa seja saqueada pelo ladrão… Os crentes não podem, nunca, deixar-se adormecer, pois o seu adormecimento pode levá-los a perder a oportunidade de encontrar o Senhor que vem.
A questão fundamental é, portanto, esta: o crente ideal é aquele que está sempre vigilante, atento, preparado, para acolher o Senhor que vem. Não perde oportunidades, porque não se deixa distrair com os bens deste mundo, não vive obcecado com eles e não faz deles a sua prioridade fundamental… Mas, dia a dia, cumpre o papel que Deus lhe confiou, com empenho e com sentido de responsabilidade.
ATUALIZAÇÃO
O que é que significa para nós “estar vigilantes”, “estar atentos”, “estar preparados” para acolher o Senhor? Significa ter a “alminha” na “graça de Deus” para que, se a morte chegar de repente, Deus não consiga encontrar em nós qualquer pecado não confessado e não tenha qualquer razão para nos mandar para o inferno?
Significa, fundamentalmente, acolher todas as oportunidades de salvação que Deus nos oferece continuamente… Se Ele vem ao meu encontro, me desafia a cumprir uma determinada missão e eu prefiro continuar a viver a minha “vidinha” fácil e sem compromisso, estou a perder uma oportunidade de dar sentido à minha vida; se Ele vem ao meu encontro, me convida a partilhar algo com os meus irmãos mais pobres e eu escolho a avareza e o egoísmo, estou a perder uma oportunidade de abrir o meu coração ao amor, à alegria, à felicidade…
 O Evangelho que nos é proposto apresenta alguns dos motivos que impedem o homem de “acolher o Senhor que vem”… Fala da opção por “gozar a vida”, sem ter tempo nem espaço para compromissos sérios (quanta gente, ao domingo, tem todo o tempo do mundo para dormir até ao meio dia, mas não para celebrar a fé com a sua comunidade cristã); fala do viver obcecado com o trabalho, esquecendo tudo o mais (quanta gente trabalha quinze horas por dia e esquece que tem uma família e que os filhos precisam de amor); fala do adormecer, do instalar-se, não prestando atenção às realidades mais essenciais (quanta gente encolhe os ombros diante do sofrimento dos irmãos e diz que não tem nada com isso: é o governo ou o papa que têm que resolver a situação). E eu: o que é que na minha vida me distrai do essencial e me impede, tantas vezes, de estar atento ao Senhor que vem?
Neste tempo de preparação para a celebração do nascimento de Jesus, sou convidado a centrar a minha vida no essencial, a redescobrir aquilo que é importante, a estar atento às oportunidades que o Senhor, dia a dia, me oferece, a acordar para os compromissos que assumi para com Deus e para com os irmãos, a empenhar-me na construção do “Reino”… É essa a melhor forma – ou melhor, a única forma – de preparar a vinda do Senhor.
P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho





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