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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

33º DOMINGO TEMPO COMUM-C


13 de Novembro de 2016-Ano C

1ª Leitura - Ml 3,19-20a

Salmo - Sl 97

2ª Leitura - 2Ts 3,7-12


Evangelho - Lc 21,5-19


Muitos evitam falar sobre a morte, e sobre o fim do mundo. Porém sabemos que precisamos estar preparados para essas duras realidades inevitáveis.


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“É PERMANECENDO FIRMES QUE IREIS GANHAR A VIDA”! – Olivia Coutinho

33º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Dia 13 de Novembro de 2016

Evangelho de Lc21,5-19

Já quase no final do ano Litúrgico, a Igreja nos convida a tomarmos  consciência  do nosso tempo de vida terrena, lembrando-nos, que  esse tempo presente deve ser um tempo útil à nossa caminhada rumo à eternidade, pois este tempo, é o único  espaço sagrado que Deus  nos concede,para buscarmos em Jesus a  nossa vida em plenitude, o nosso encontro definitivo com Ele! 
A liturgia deste tempo vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da morte, lembrada no dia de finados e  ao mesmo tempo, nos trazer uma grande consolação, lembrando-nos no dia de todos os santos, que a nossa vida não termina nos túmulos frios construídos pelas mãos humanas!
O evangelho que a liturgia deste domingo,  nos convida a refletir, começa com uma advertência de Jesus a um grupo de pessoas que manifestavam o seu encantamento pelo o templo de Jerusalém. Jesus não entra na conversa, como um desmancha prazer, afinal, Ele não nos condena  por admirar o que é belo, até porque, em toda arte humana, ( construção do templo) tem o dedo de Deus, pois é Ele quem dá a inteligência ao homem! A intensão de Jesus, ao advertir aquelas pessoas, era no sentido de conscientizar,  não somente  elas, como também  todos nós, de que nenhuma estrutura é mais sólida do que aquela que se constrói alicerçada nos valores do Reino! Ao contrário desta estrutura, as estruturas terrenas são facilmente destruídas, aquele templo de pedra, aparentemente seguro, um dia seria destruído, (o que aconteceu nos anos 70dC) enquanto que o templo vivo de Deus, que é o coração humano  jamais será destruído.  Este templo, aparentemente frágil, sobreviverá a  todos os terremotos, a todas as guerras.
“Não ficará pedra sobre pedra”, ao ouvir esta afirmação de Jesus, algumas pessoas  pensaram  que Ele estava se referindo ao fim do mundo, o que não era verdade, pois Jesus se referia a destruição de Jerusalém, inclusive daquele templo que eles tanto admiravam!
 Jesus sabia, que o povo andava preocupado com o fim do mundo, que as pessoas  estavam  dando ouvido às muitas  previsões a respeito do fim do mundo. Devido a isso, Ele muda o seu discurso, passa a tranquilizar as pessoas, a orientá-las quanto  o perigo de se deixarem enganar por estes falsos profetas, ainda presente nos dias de hoje!
O Texto deixa claro, que o fim do homem, não é o fim da sua vida física, e sim, a sua ruína, que é a consequência do pecado, das suas escolhas erradas. Jesus  não quer perder nenhum dos que o Pai lhe confiara, é  por isto que  Ele está sempre nos chamando a conversão! 
Toda a descrição presente neste evangelho,  pode parecer negativas, mas a sua finalidade é nos tranquilizar, nos mostrar que Deus é maior que tudo e que o mundo velho, que às vezes alimentamos dentro de nós, vai  desaparecer para dar lugar a um mundo novo, onde os “escolhidos” de Deus, não terão mais o que temer! 
Ao  falar de guerras, de revoluções, Jesus não quer nos   amedrontar, e sim, nos deixar uma mensagem de esperança, nos assegurando de nada de mal nos irá acontecer,  se  nos mantermos  perseverantes na fé.
Não fiquemos somente no encantamento  das coisas materiais, no externo,  cuidemos  do nosso interior, que é o nosso coração, o  templo sagrado onde Deus quer fazer a sua morada! Cuidemos deste bem precioso para Deus e ajudemos o nosso irmão a cuidar do dele! Os templos de pedras serão facilmente destruídos, já, este templo de carne, quando habitado por Deus, jamais será destruído, ainda que nos tirem a vida física.
Um verdadeiro seguidor de Jesus, não fica dando ouvido a previsões infundadas do fim do mundo e nem prenunciando algo de ruim, pelo contrário, um verdadeiro  seguidor de Jesus é agente de vida e não de morte,  é um  portador e anunciador de uma Boa noticia!
Que a nossa preocupação, não seja com o fim do mundo e sim, com o fim de uma vida em pecado.
Fé e medo, não são compatíveis, não fazem parte da vida de quem coloca a sua segurança em Deus.

FIQUE NA PAZ DE JESUS! – Olívia Coutinho 

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Vigilância, atenção e coragem!
Este é o penúltimo domingo do tempo comum. Estamos chegando ao termo de mais um ano litúrgico de nossa Igreja. Durante todos esses meses Lucas foi nos levando pela mão. Dentro em breve ele vai ceder o lugar a Mateus. Compreende-se que se tenha escolhido um texto vigoroso e forte, escrito em estilo apocalíptico em que a esperança aparece no meio das perseguições e da luta diante das perseguições para concluir o ano litúrgico da vida da Igreja. Somos convidados à vigilância, a prestar atenção nos acontecimentos e a não desanimarmos diante das inevitáveis perseguições que sofrem os que desejam ser fiéis ao Senhor.
Algumas pessoas faziam observações e comentários a respeito do esplendor do templo. Toda aquela grandeza fora fruto de um longo e dedicado trabalho de reis, projetistas e operários. Ora, precisamente aquela grandeza seria destruída. Fim de Jerusalém, fim dos tempos, fim de cada um? Sinal de catástrofe. Nem mesmo no templo se deveria fiar. Há um anúncio de sua destruição.
Antes que esses fatos aconteçam virá o tempo da perseguição: os fiéis serão enganados, Vão surgir falsos profetas.  Pessoas farão prognósticos sombrios e proferirão ameaças tentando atingir os seguidores de Jesus.  Jesus admoesta: Não os sigais. São os salvadores da pátria, os chefes de novas igrejas, de seitas loucas que levam à morte. Jesus estaria fazendo alusão à destruição de Jerusalém que se daria no ano 70?
Há toda uma descrição de violência e de catástrofes: pestes e mortes, destruição e terremotos. Sinais do fim? Sinais do endurecimento dos corações? Tudo se resume numa palavra? Perseguição.
Nesse momento há um aviso e uma luz. Vem a perseguição. Ela é inevitável na vida do discípulo como o foi para o Mestre. No meio da perseguição os fiéis darão o testemunho de fidelidade ao Mestre.  Todos os que deram uma resposta pessoal e profunda a Cristo e ao seu Pai  não podem fracassar. Não se tem o direito de desarrumar a vida, desorganizar projetos.  Não é possível fracassar, mesmo no kairós da perseguição. O que se pede é que seja dado um valente testemunho, que se tenham coragem e não covardia.
Os que forem fiéis na hora da perseguições são alentados com uma palavra de esperança: “Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa, porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater” Uma força do alto estará presente no momento da tribulação em que os fiéis serão até perseguidos pelos de casa, pelos amigos. Estão imagens das tribulações dos “últimos tempos” .
No meio de tudo essa belíssima palavra de esperança:  “Vós não perdereis um só fio de cabelo de vossa cabeça”.
Chegamos ao final do ano litúrgico em que fomos acompanhados por Lucas. Sabemos que é permanecendo firmes que iremos ganhar a vida, essa vida em plenitude que começa aqui e que desemboca no oceano do amor de Deus.
frei Almir Ribeiro Guimaeães




A Liturgia da Palavra deste domingo fala sobre uma visão do futuro que nos causa medo, insegurança. Parece que tudo acabará desgraçadamente. Haverá pessoas dizendo que são deuses. Haverá guerras, terremotos, conflitos entre pessoas da mesma família… Mas Ele, Jesus, pede para não nos preocuparmos com tudo isso: “Eu é que vos darei respostas tão sábias, a que nenhum dos adversários poderá resistir nem contradizer” (Lc. 21,15).
Paremos para analisar tudo o que acontece no mundo hoje! Será que isso que o Evangelho nos mostra irá acontecer, ou já acontece? Se já ocorre, não devemos nos preocupar, pois Jesus disse que nos daria respostas sábias; mas quais são estas respostas? De que forma Ele nos fala? Ele também nos diz que é nestas ocasiões de desavenças e rivalidades que devemos dar testemunho (Lc. 21,13). Que tipo de testemunho damos para que Deus se manifeste através de nós nestes acontecimentos frenéticos?
No final do Evangelho Jesus nos dá uma pista de como devemos ser para nos salvar em meio a estes acontecimentos: “Pela vossa perseverança, salvareis vossas vidas” (Lc. 21,19).
Sejamos, pois, cristãos fiéis e perseverantes, porque apesar dos pesares, Deus está sempre conosco, mas, muitas vezes nos encontramos distante d’Ele, não por causa Dele, mas por causa de nós e de nossas vicissitudes que, sem haver necessidades, fazemos com que existam em nossa vida. Por isso, façamos a nossa parte, crentes de que Deus faz a Dele e nos ajuda a fazer a nossa. Assim, confiantes, digamos com São Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fl. 4,13).
Reflexão feita pelos Noviços




A perspectiva final
Neste penúltimo domingo do ano litúrgico, a perspectiva final desenha-se com maior nitidez. Para a Igreja de Lc, exposta à perseguição (perigo de fora) e à apostasia (perigo de dentro), a perspectiva do fim deve servir como incentivo à firmeza na profissão da fé. As perseguições são o prelúdio do juízo de Deus sobre a História, quando ele fizer justiça aos justos e destruir os ímpios (cf. 1ª leitura). Já a destruição de Jerusalém, alguns anos antes, foi um sinal “forte”, apontando para o fim da História (evangelho). Assim também são as aflições do tempo presente. Mas os cristãos não precisam temer: o Espírito – a força e inteligência de Deus – está com eles, para se defenderem. Quem ficar firme, salvar-se-á. Uma idéia secundária, no evangelho, é a advertência de não correr atrás de qualquer um (por causa da impaciência).
Em At. 5,37, Lc. mesmo lembra Judas o Galileu e Teudas; podemos também pensar na revolta judaica de 66 d.C. Cansados de esperar a Parusia, os cristãos eram tentados de seguir pretensos movimentos messiânicos. Lc. exorta-os a só esperar Jesus Cristo glorioso e, entretanto, ser suas testemunhas no mundo.
A mensagem é ainda válida. Também nós estamos na tentação de querer ver acontecer o Reino definitivo de Deus diante de nossos olhos e de correr atrás dos messianismos modernos: os maravilhosos mundos novos da tecnocracia, da burocracia, do materialismo prático, do livre mercado; e, ultimamente, as novas formas de alienação religiosa e pseudomística! Contra todas essas tentações precisamos da firmeza permanente, que só o Espírito do Cristo nos pode dar. Aprofundando, pela oração e pela incansável prática da verdadeira caridade, o nosso espírito, comungando com o de Cristo, enfrentaremos com firmeza tudo aquilo que pretende ser palavra ou instância última e não o é! E nada impede que vejamos, como Jesus e seus contemporâneos, nas cidades destruídas e impérios desarticulados os sinais de que nenhuma instância humana está acima de tudo, mas só Deus que é o Senhor da História. Podemos até tentar tirar a força desses impérios, para o bem da justiça e das pessoas – sem, contudo, pensar que, com isso, estaremos decidindo o sentido final da História. Pois todo nosso agir é provisório, embora neste provisório se encarne o eterno: o reino tio amor de Deus (por isso, não o ódio, mas o amor deve mover nossa práxis histórica).
Ora, existe também o perigo de cruzar os braços, dizendo: “Se tudo o que fazemos
é provisório, então, que adianta?” Quem raciocina assim, não deveria comer, pois dentro de cinco horas vai ter fome de novo. É mais ou menos o que Paulo responde aos tessalonicenses que sob alegação da proximidade da Parusia passam seu tempo numa alienada (ou muito esperta?) desocupação: “Quem não trabalha, não coma” (2ª leitura). Paulo mesmo deu o exemplo do trabalho para o próprio sustento, para não ser um peso para ninguém. Podemos pensar também no trabalho como meio de sustentação da comunidade humana, trabalho científico, econômico, político, cultural, em uma palavra: trabalho em todos os setores da comunidade humana, até que ela chegue ao ponto definitivo e irreversível, que Deus determina.
Há pessoas que dizem: não adianta mudar as estruturas, pois logo se corrompem de novo. Lembrando Paulo, respondemos: quem diz isso, também não deve comer, pois logo ficará com fome de novo. Ora, os tessalonicenses que não trabalhavam, não deixavam de comer. Os que não querem lutar por estruturas melhores, não deixam de aproveitar – e como! – a existência de estruturas socioeconômicas! O provisório tem seu valor. Relativo, decerto, mas real. É a encarnação de nossa aspiração à justiça de Deus, que tem a última palavra. Trabalhar neste sentido, dia após dia, eis a firmeza permanente, o serviço fiel (cf. oração do dia).
Johan Konings "Liturgia dominical"




Visão do futuro
Por volta do ano 70 depois de Cristo, quando o Templo de Jerusalém foi destruído pelos Romanos, o povo acreditava ter chegado o fim dos tempos e, foi nesta época que Lucas escreveu seu Evangelho. Nele, Jesus prevê que daquele Templo não ficaria em pé pedra sobre pedra, mas isso não significava o fim do mundo, e sim um incentivo ao fortalecimento da fé na Boa Nova trazida por Ele, que deve ser professada por todos os que Nele crêem, independentemente, das dificuldades encontradas.
Lucas escreve esse Evangelho numa linguagem apocalíptica para suscitar os ânimos e a fé nos momentos de conflito. É próprio desta linguagem tomar fatos do passado como não acontecidos, assim, no seu discurso, Jesus fala sobre os acontecimentos que precederão o fim do mundo com a profecia da queda de Jerusalém e destruição do Templo, e pede discernimento, pois essas catástrofes não são o fim do mundo, pelo contrário, são sinais de que algo novo está nascendo na História.
Jesus alerta sobre a deformação da verdade, lembrando que muitos aparecerão falando em Seu nome, e orienta para tomarem cuidado e não serem enganados com doutrinas e profetas falsos. Ele anuncia também, “guerras e revoluções”, porém elas sempre existiram, pois basta olhar a História da Humanidade.
Cada cristão é templo onde Deus habita, e este templo sim, deve ser preservado, não pode ser destruído, é edificado na oração e sustentado na prática dos ensinamentos de Jesus que são os mesmos ensinados aos discípulos, e não mudaram ou deixaram de valer com o passar dos anos.
Muitas são as tentativas de enganar os cristãos e fazê-los acreditar em falsos messias, ou em falsas previsões de fim do mundo, cabe a cada um manter-se em oração, para ter discernimento e não se deixar enganar.
O verdadeiro Cristão enfrenta as adversidades e as perseguições dos poderosos com a firmeza da fé, e está sempre preparado para deixar que o Espírito Santo o oriente em suas palavras e ações, não se sentindo ameaçado, mantendo a certeza de que o Pai está sempre a seu lado, fortalecendo e guiando sua missão de levar a Boa Nova.
Pequeninos do Senhor


Visão do futuro
Por volta do ano 70 depois de Cristo, quando o Templo de Jerusalém foi destruído pelos Romanos, o povo acreditava ter chegado o fim dos tempos e, foi nesta época que Lucas escreveu seu Evangelho. Nele, Jesus prevê que daquele Templo não ficaria em pé pedra sobre pedra, mas isso não significava o fim do mundo, e sim um incentivo ao fortalecimento da fé na Boa Nova trazida por Ele, que deve ser professada por todos os que Nele crêem, independentemente, das dificuldades encontradas.
Lucas escreve esse Evangelho numa linguagem apocalíptica para suscitar os ânimos e a fé nos momentos de conflito. É próprio desta linguagem tomar fatos do passado como não acontecidos, assim, no seu discurso, Jesus fala sobre os acontecimentos que precederão o fim do mundo com a profecia da queda de Jerusalém e destruição do Templo, e pede discernimento, pois essas catástrofes não são o fim do mundo, pelo contrário, são sinais de que algo novo está nascendo na História.
Jesus alerta sobre a deformação da verdade, lembrando que muitos aparecerão falando em Seu nome, e orienta para tomarem cuidado e não serem enganados com doutrinas e profetas falsos. Ele anuncia também, “guerras e revoluções”, porém elas sempre existiram, pois basta olhar a História da Humanidade.
Cada cristão é templo onde Deus habita, e este templo sim, deve ser preservado, não pode ser destruído, é edificado na oração e sustentado na prática dos ensinamentos de Jesus que são os mesmos ensinados aos discípulos, e não mudaram ou deixaram de valer com o passar dos anos.
Muitas são as tentativas de enganar os cristãos e fazê-los acreditar em falsos messias, ou em falsas previsões de fim do mundo, cabe a cada um manter-se em oração, para ter discernimento e não se deixar enganar.
O verdadeiro Cristão enfrenta as adversidades e as perseguições dos poderosos com a firmeza da fé, e está sempre preparado para deixar que o Espírito Santo o oriente em suas palavras e ações, não se sentindo ameaçado, mantendo a certeza de que o Pai está sempre a seu lado, fortalecendo e guiando sua missão de levar a Boa Nova.



A salvação pela perseverança
Os discípulos de Jesus foram alertados contra os falsos alarmes de chegada do fim do mundo. O resultado disto era o medo, a insegurança e, de modo especial, o sentir-se bloqueado e desmotivado para fazer o bem. É perda de tempo dar ouvidos a quem se considera entendido nas coisas relativas ao fim do mundo, e quer se fazer de mestre dos outros.
As perseguições e dificuldades devem ser vistas pelos discípulos como ocasião para dar testemunho do Reino, sem a ilusão de que tudo acabará em breve. Por causa do nome de Jesus, eles seriam aprisionados, entregues às sinagogas judaicas, e levados diante de reis e governadores. Entre seus traidores estariam os seus próprios familiares e amigos. Seriam odiados, e muitos haveriam de sofrer morte violenta.
Em todas estas circunstâncias trágicas, os discípulos teriam a possibilidade de experimentar a proteção divina. Do Pai receberiam força para se defenderem diante dos tribunais, rebatendo as falsas acusações e testemunhando o nome de Jesus com denodo. E também, a força necessária para não se intimidarem e nem sucumbirem às investidas dos adversários.
Se forem capazes de perseverar, até o fim, no testemunho de Jesus, serão salvos. Desta forma, ficará patente sua adesão radical ao Reino e sua não compactuação com o mal e o pecado. Quem perseverar, experimentará a misericórdia salvífica do Pai.
padre Jaldemir Vitório





Ocasião para darmos testemunho
O atraso da parúsia provocou muitas especulações acerca da “segunda vinda de Cristo”. Especulações estas que deram origem a um discurso milenarista. A expectativa da segunda volta de Cristo gerou, ainda, uma tradição de que alguns fenômenos atmosféricos anunciavam o fim do mundo e, mais, de que Deus seria o responsável, por causa de sua decepção ante a maldade do ser humano que ele criou. São Lucas, no entanto, vai se utilizar destes elementos para anunciar um tempo aberto na história para o testemunho: “Será uma ocasião para dardes testemunho” (v. 13).
A menção da destruição do Templo (vv. 5-6), que pode ser considerada uma profecia ex eventu, não é uma previsão do futuro, mas um modo de ajudar os discípulos e o leitor do evangelho a superarem as provações do tempo presente. Em outros termos, o que Jesus quer dizer é o seguinte: não importa o que aconteça, não se deve esmorecer, nem temer, nem ser envolvido pela perplexidade. É preciso apoiar a vida em valores verdadeiros e sólidos. Até o Templo, ornado com tantas pedras preciosas (cf. v. 6), desaparecerá, pois ele figura entre as coisas que passam. A vida do ser humano deve estar apoiada no que não passa nem decepciona: Deus. As palavras de Jesus, inspiradas numa linguagem apocalíptica, não predeterminam nenhuma data, mas fazem um apelo ao discernimento permanente. Jesus evita responder à pergunta: “... quando será, e qual o sinal de que isso está para acontecer?” (v. 7). Mas alerta: “Cuidado para não serdes enganados…” (v. 8). Ele não responde à questão posta, pois a preocupação do discípulo não deve ser com o quando, mas com que atitude ter em meio às adversidades da vida e aos dramas da humanidade. Do discípulo é exigida uma atitude de confiança que nada pode abalar, nem mesmo as catástrofes naturais, nem as perseguições por causa do evangelho. A propósito das perseguições e da morte, é preciso pôr a vida nas mãos de Deus: em primeiro lugar, como dissemos, será uma ocasião de dar testemunho (cf. v. 13) e, em segundo lugar, de confiar que é Deus quem inspira, dá força e protege a causa de seus eleitos. Nos Atos dos Apóstolos, o próprio Lucas relata a atitude de Pedro e João, perseguidos pelas autoridades judaicas: “Quanto a eles, deixaram o Sinédrio muito alegres por terem sido julgados dignos de sofrer humilhações pelo Nome” (At. 5,41). É na vitória de Jesus Cristo que deve estar apoiada a esperança dos cristãos: “No mundo tereis tribulações, mas coragem! Eu venci o mundo” (Jô. 16,33). Com São Paulo podemos, então, nos perguntar: “Quem nos separará do amor de Cristo?”. E com ele respondermos: nada nem ninguém (Rm. 8,31-39).
Carlos Alberto Contieri,sj




Os pobre percebem os sinais de Deus
A partir da admiração de algumas pessoas diante da beleza do Templo, Lucas apresenta uma fala de Jesus sobre a destruição do mesmo. É o chamado "discurso escatológico", narrado também por Marcos e Mateus. O Templo de Jerusalém construído por Salomão foi destruído pela Babilônia. Depois foi reconstruído por Zorobabel, na volta do exílio. Cerca de treze anos antes do nascimento de Jesus, Herodes inicia a reforma do Templo, tornando-o mais luxuoso ainda, com grande quantidade de ornatos de ouro. Com toda esta ostentação de riqueza e luxo, provocava no povo o sentimento de humilhação e submissão. Através dele desfilavam multidões de populares e camponeses, tímidos e humilhados, os quais, com grandes sacrifícios, traziam suas ofertas de obrigação aos cofres do Tesouro do Templo. Diante desta situação, Jesus denuncia que o Templo tornou-se um antro de ladrões. Seis anos depois que seus luxuosos acabamentos foram concluídos, no ano 70 d.C., o Templo foi destruído pelos romanos. As obras suntuosas são usadas pelos exploradores para intimidarem e submeterem o povo humilde, porém não resistem ao tempo. "Tudo será destruído." Neste texto, vários sinais indicam a falência dos poderosos deste mundo. Falsos profetas que prometem a felicidade a partir da conquista do poder, guerras dos poderosos e guerrilhas dos oprimidos, e também sinais da natureza ferida pelo progresso a serviço do lucro. Por outro lado, os pobres e humildes percebem os sinais da presença de Jesus entre eles, transformando o mundo por sua palavra e sua prática amorosa.
José Raimundo Oliva




Estamos no penúltimo domingo do ano litúrgico. Domingo próximo celebraremos Cristo-Rei e, daqui a precisos quinze dias estaremos entrando no santo tempo do Advento, que nos prepara para o Natal do Senhor. Pois bem, o final de um período sempre nos faz recordar que o tempo corre e a vida passa veloz. Isto deve fazer-nos pensar no fim de todas as coisas e da nossa vida. “Fim” não somente como final, mas “fim” também como finalidade...
No Evangelho, Jesus nos recorda que nossa existência é breve, tão fugaz. Àqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profissão, as pessoas às quais amamos, os projetos que temos, a nossa própria vida: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído!” Aqui, o Senhor não deseja ser um desmancha-prazer, não nos quer arrancar o gosto de viver; deseja tão somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectivada eternidade, daquilo que é definitivo. Haverá um momento final, haverá um juízo do Senhor sobre a história humana e sobre a história de cada um de nós, quando, então, ficará claro o que serviu e o que não serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que não passou de ilusão e falsidade. Nunca esqueçamos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haverá, sim, um juízo de Deus:“Eis que virá o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los... Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”.Este juízo, portanto, será discriminatório: pode significar vida ou morte, salvação ou condenação!
Ante esta realidade, os discípulos perguntam a Jesus: "Mestre, quando acontecerá isso? Qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?”A curiosidade de ontem é a mesma de hoje... A resposta de Jesus contém dois significados. Primeiro: observemos que o Senhor dá sinais que se referem à natureza (“Haverá grandes terremotos... acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos nos céus.”), sinais que se referem à história humana (“Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país”) e sinais referentes à própria vida dos discípulos – vale dizer, à nossa vida (“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ ou ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente”). Isto quer dizer que a manifestação final do Senhor vai marcar tudo: a história, a criação e a vida de cada um de nós; nada ficará fora do juízo de Deus que haverá de se manifestar em Cristo! Tudo será confrontado com o amor manifestado na cruz do Senhor. A história humana será passada a limpo e o que foi pecado, desamor, maldade será destruído; a criação será transfigurada: passará a figura deste mundo como é agora e, no Espírito do Cristo, haverá um novo céu e uma nova terra; os discípulos serão examinados pelo Senhor de acordo com sua perseverança na fé verdadeira, sem se deixarem levar pelas novidades religiosas, pura falsificação, como as que estamos vendo hoje em dia...
Há ainda um segundo significado: observemos que os sinais que Jesus dá, acontecem em todas as épocas: sempre houve e haverá convulsões na natureza, guerras e revoluções na história humana, hereges e falsos profetas, falsos pregadores e falsos pastores no caminho da Igreja. Tem sido assim desde o início... Então, por que o Senhor apontou esses sinais? Para deixar claro que cada geração deve estar vigilante, cada geração deve recordar sempre que haverá de estar, um dia, diante do Senhor e, portanto, deve levar a sério sua fé e sua adesão a Jesus. Sobretudo num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar. Vale-nos, então, o conselho de São Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo pão cotidiano, sem viver à toa, mas construindo a vida com a dignidade de cristãos. O Senhor nos previne que não é fácil: o mundo não nos amará, porque seus pensamentos não são os do Cristo – e isto mais que nunca é claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus não existisse... Ouçamos a advertência tão sincera e franca de Cristo: “Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão (= vos amarão menos, não vos terão entre seus amigos) por causa do meu nome... É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”
Eis aqui! Vivamos fielmente a nossa vocação cristã, não tenhamos medo de ser fiéis e de dar o bom testemunho de Cristo, para que possamos ser aprovados ante o tribunal de Cristo. Nossa vida neste mundo é semente de eternidade; nossas escolhas e atitudes terão conseqüências eternas. Que o Senhor nos conceda a graça da perseverança que nos fará ganhar a vida.
dom Henrique Soares da Costa


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