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I N T E R N A U T A S -M I S S I O N Á R I O S

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

4º DOMINGO ADVENTO-A

4º DOMINGO ADVENTO-A
18 de Dezembro de 2016

1ª Leitura - Is 7,10-14

Salmo - Sl 23

2ª Leitura - Rm 1,1-7

Evangelho - Mt 1,18-24



Para entender a situação e a reação de José, é necessário lembrar que naquele tempo, os jovens se casavam bem cedo. Continual lendo


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“EIS QUE A VIRGEM CONCEBERÁ E DARÁ À LUZ UM FILHO.” – Olivia Coutinho

4º DOMINGO DO ADVENTO

Dia 18 de Dezembro de 2016

Evangelho de Mt1,18-24

O tempo se estreita e o nosso coração se alarga para acolher Jesus, que já está no meio de nós, mas às vezes, não o acolhemos como devíamos, não damos espaço para Ele na nossa vida! 
O amor grandioso do Pai ultrapassou todos os limites, Deus se fez homem para resgatar o próprio homem, trazendo-o de volta ao seu convívio! É através do próprio humano, que Deus age em favor do humano! Foi vestindo- se da fragilidade humana, que Ele nos ensinou a sermos fortes, a sermos inteiros no amor!
Em todos os anos, o Natal em si, é sempre o mesmo, novo, diferente, deve ser as nossas atitudes, o nosso olhar para a face de Jesus estampada nos rostos desfigurados de tantos irmãos esquecidos às margens do caminho!
O Natal é de Jesus, mas a festa é de todos, é a festa da vida, que será tanto maior quanto melhor, para aquele que  preparou ao longo destes dias se espelhando em Maria que tão bem preparou para que o Natal de Jesus acontecesse na vida de todos. Mais do que uma festa em que se partilha presentes, o Natal é a presença de Jesus em nós, sem a sua  presença na nossa vida, não há Natal!
Deus se revelou na pessoa de Jesus, Jesus é  modelo de humildade, do amor perfeito, Ele é o amor que une, que promove, que liberta!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos fala da origem de Jesus, de uma história de amor que começou com o “sim” de Maria e que deu continuidade com a significante colaboração de José, um carpinteiro, que abriu mão de uma vida tranquila, na pacata cidade de Nazaré, para assumir o grande desafio: cuidar do Filho de Deus!
A história de Jesus, o seu nascimento, não está distante da nossa realidade, afinal, Jesus, o Deus que se fez homem, nasceu de uma mulher, viveu numa família como um de nós!
Olhando para Maria, a Mãe de Jesus, podemos ver uma mulher cheia de graça, uma jovem que abriu mão de todos os seus projetos pessoais para viver o projeto de Deus. Na sua humildade, Maria não hesitou em se entregar por inteira a vontade de Deus, deixando tudo acontecer exatamente como Ele quis!
Olhando para José, o pai adotivo de Jesus, podemos ver a figura de um homem bom, um homem simples, de pouca fala, mas que também, como Maria, acolheu na obediência a vontade de Deus: “José não tenhas medo de levar Maria para sua casa”... Na sua humildade, José, sem hesitar, acolheu estas palavras de Deus, proferidas pelo anjo em sonho, acolhendo Maria como sua esposa! E assim, o projeto de Deus começa a se desenvolver através do humano revestido do divino, é o início da história da Salvação! 
Hoje, nós vivemos os frutos desta bela história de amor, uma história que teve início, mas que nunca terá fim, pois ela continua de geração em geração, hoje, através de nós! É no amor, no carinho e no serviço ao outro, que vamos dando continuidade a esta bela história de amor!
É permitindo a ação de Deus em nós, a favor do outro, que vamos vislumbrando um novo céu e uma nova terra!
A nossa vida deve ser pautada no exemplo de Jesus, que mesmo sendo Deus, abriu mão de todas as suas prerrogativas divinas para se tornar "Filho", um filho totalmente dependente do Pai!
Graças ao "sim" de Maria e a significante colaboração de José, Deus se fez homem, veio morar conosco, experimentar as nossas dores e  as nossas alegrias!
Aprendamos com Maria e com José, que, para dizer “Sim” a Deus, não precisamos saber exatamente o que Ele quer de nós, basta nos colocarmos a seu dispor que Ele abre caminhos!

FIQUE NA PAZ DE JESUS - Olivia Coutinho
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Filho de Maria, Deus Conosco
O presente domingo é o domingo do Emanuel, “Deus conosco”. O tradicional canto da entrada evoca o orvalho que desce do céu e faz brotar da terra a salvação, o Salvador (Is. 45,8). Jesus, gerado pelo orvalho do Espírito Santo no Seio de Maria Virgem, é a realização plena do sinal da presença de Deus que o profeta Isaías anunciou ao rei Acaz, setecentos anos antes: o nascimento de um filho da jovem princesa - da “virgem”, como diz a tradução grega do Antigo Testamento, como também o evangelho, ao citar este texto (1ª leitura; evangelho).
Quem assume como pai de família esse nascimento é José, da casa de Davi: por causa dele, Jesus nasce como filho de Davi. Mas a mensagem do anjo deixa claro que Jesus é “obra do Espírito Santo” (Mt. 1,20, evangelho). Essa dupla filiação é mencionada no início da carta aos Romanos: humanamente falando (“segundo a carne”), Jesus é filho de Davi, mas quanto à ação divina (“segundo o Espírito”), ele é filho de Deus, como se pode ver por sua glorificação depois de ressuscitado dentre os mortos (2ª leitura).
O centro desta liturgia é, pois, o maravilhoso encontro do divino e do humano em Jesus Cristo. Nos domingos anteriores, as expectativas do Antigo Testamento eram a imagem de nossa esperança escatológica. Hoje entramos mais diretamente no mistério de Deus em Jesus, maravilha operada por Deus na realidade humana. Deus pôs a mão à obra: Jesus é Deus-conosco (Mt. 1,23), e conosco permanecerá (cf. o fim do evangelho de Mt. 28,20!). A obra de Deus é de sempre e para sempre.
Neste mistério, a Virgem-Mãe ocupa um lugar central. Este quarto domingo é, na realidade, uma festa de Maria (antigamente os mesmos textos eram repetidos na 4ª-feira, na missa áurea em honra de Maria). A oração do dia de hoje tornou-se a conclusão da oração do Ângelus: a mensagem do anjo é a primeira manifestação da obra de Deus que vai desde a anunciação até a ressurreição! Maria aparece aqui como a jovem escolhida por Deus, qual esposa pelo rei. A virgindade de Maria significa sua disponibilidade para a obra de Deus nela: virgindade fecunda, prenhe de salvação. Nela brota o fruto que, em pessoa, é o sinal de que Deus está conosco.
Esperar o Filho de Deus
Neste último domingo do Advento celebramos o ponto alto de nossa esperança e de nossa espera. Revivemos a espera do Messias, para tirar mais fruto de sua vinda, que continua acontecendo em cada momento da história.
Quando o antigo Israel estava ameaçado pelos povos estrangeiros, Deus suscitou a esperança do povo mediante o sinal da “jovem” (a rainha?) que ficou grávida e cujo filho receberia o nome de “Emanuel”, Deus conosco (1ª leitura).
Visto que “jovem” pode também ser traduzido por “virgem”, esse sinal se realiza plenamente em Maria Virgem. A concepção, pela “Virgem”, do filho dado por Deus é o sinal de que Deus está agindo. O povo pode contar com ele.
Em Jesus, a Escritura se cumpre (evangelho). Deus está agindo, mas não sem que os seus colaboradores assumam sua responsabilidade. José, “descendente de Davi”, faz com que o “filho de Deus” (o Messias) nasça “filho de Davi”, ou seja, descendente de Davi, conforme as Escrituras (cf. Mt. 1,1-16). José não precisa ter medo de acolher Maria: ela é sua esposa (Mt. 1,20). Ela se tornará mãe do Emanuel, pelo poder do Espírito de Deus (Deus que age, Mt. 1,21). Assim, humanamente falando, Jesus é “filho de Davi” e, pela obra do Espírito Santo em Maria, ele é “Filho de Deus” (2ª leitura).
O mistério de Jesus ter nascido sem que Maria deixasse de ser virgem significa que Jesus, em última instância, não é mera obra humana, mas antes de tudo um presente de Deus à humanidade. Seu nascimento é sinal de que Deus está conosco para nos salvar. Seu nome, Jesus, significa “Deus salva”; é o equivalente de Emanuel.
O mistério se manifesta através de sinais: o mistério do amor, através da rosa; o mistério de Deus que age, através do sinal da Virgem que se torna mãe. Há uma coisa que nos ajuda a vislumbrar o significado desta história: diante da gravidez, os pais, e sobretudo a mãe, têm consciência da presença de um mistério: os pais sentem que o filho não é apenas obra deles.
Diante do mistério do Filho que Deus dá ao mundo, nós sentimos profunda admiração-contemplação, fé e confiança diante do agir de Deus em Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Filho de Deus. Sentimos também gratidão pelo presente que Deus nos oferece. E deixando de lado todas as (vãs e vaidosas) tentativas de “resolver o mistério”, dedicamo-nos a contemplá-lo e a nos envolver na alegria que ele representa.
Johan Konings "Liturgia dominical"




Hoje celebramos o quarto domingo do Advento, tempo em que, com fé e muito amor, cada cristão preparou seu coração para a chegada de Jesus, que significa “Deus Salva”.
Durante esse tempo do Advento todos foram chamados: no primeiro domingo a vigiar, no segundo a preparar e no terceiro a reconhecer a chegada de Jesus. Hoje chega o clímax dessa espera através do Evangelho de Mateus com o relato da concepção de Jesus no seio da Virgem Maria, a jovem que aceita sem medo e sem questionar a Missão de ser a Mãe do Salvador, e por obra do Espírito Santo Lhe dar a luz.
Jesus é Emanuel (Deus conosco), cumprindo as profecias do Antigo Testamento feitas pelos profetas. Às portas do Natal, a liturgia deste domingo se concentra em torno desta Boa Notícia: Deus está conosco! Esse anúncio feito pelos profetas, apóstolos e servos de Jesus Cristo do passado, continua sendo proclamado pelos de hoje.
Temos a citação de Isaías na primeira leitura falando que Jesus é concebido no seio de uma virgem que com seu Sim, representa toda a humanidade que O recebe. Essa profecia diz ainda que Jesus nasceria da descendência de Davi, e José, então noivo de Maria, é descendente de Davi, e por ser um homem integro, honesto e de muita fé aceita a missão de assumir como seu, o Filho de Deus, e O protege enquanto cresce para cumprir a vontade de seu Pai celestial.
Deus, entregando seu Filho à humanidade, está preparando a salvação daqueles que Nele crêem, mas não faz isso sozinho. O sim de Maria e de José representa o sim de todo cristão, pois por mais que o Senhor queira salvar e proteger toda a humanidade é preciso comprometimento, e Jesus só nascerá a cada dia no coração daquele que lhe der o seu verdadeiro sim. O processo histórico de uma sociedade justa, iniciado por Jesus, está agora, portanto, nas mãos daqueles que dão o seu Sim.
www.pequeninosdosenhor.com.br

Pequeninos do Senhor


A obra do espírito santo
A perícope evangélica da concepção virginal de Jesus tem sido objeto de controvérsia. As interpretações são desencontradas tanto por desconhecermos elementos fundamentais para compreendê-la, o que não acontecia com as comunidades primitivas, quanto por projetarmos nossos preconceitos sobre o texto bíblico.
O Evangelho detém-se na soleira do mistério insondável de Deus, numa atitude de respeito e reverência, sem se importar com especulações de caráter anatômico ou fisiológico. Só lhe interessam os elementos teológico-espirituais deste dado da fé da Igreja.
Jesus não entra na História como resultado do esforço humano de construir a própria salvação. Ele tem sua origem em Deus, em quem toda a sua existência está alicerçada.
Sua origem evoca o relato da criação, no Gênesis, onde tudo existe pela vontade soberana de Deus. Jesus, e com ele a salvação da humanidade, é a derradeira obra divina.
Jesus é o dom de Deus a ser acolhido pela humanidade. Torna-se, portanto, inútil qualquer esforço humano de construir a salvação pelas próprias mãos. O ser humano só pode salvar-se por obra de Deus. Qualquer outro caminho estará fadado ao fracasso.
A referência ao Espírito Santo aponta para um tipo de ação inefável e misteriosa de Deus em relação à mãe do Messias. O mesmo Espírito Santo, instrumento da ação divina desde os primórdios da Criação, fez-se também presente quando do nascimento do Messias Jesus. A esta força divina é que se deve sua presença no mundo.
padre Jaldemir Vitório




O Mistério de Deus
Quarto e último domingo do Advento. Estamos às portas de celebrarmos o Natal do Senhor, solenidade para a qual nos preparamos ao longo de quase quatro semanas.
Se Acaz se recusa demagogicamente a pedir ao Senhor um sinal de sua proteção contra o inimigo (cf. Is. 7,12), o profeta anuncia um sinal de Deus: “Eis que a jovem conceberá e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Emanuel” (Is. 7,14). A Igreja nascida do mistério pascal de Jesus Cristo, relendo este texto de Isaías, vê nele a promessa do nascimento do Verbo de Deus.
O episódio do evangelho deste domingo apresenta-nos a missão de José. Se, no evangelho de Lucas, o anúncio é feito a Maria, no de Mateus o anúncio do nascimento de Jesus é feito a José em sonho (ver: Gn. 37,5-9.19). Maria, prometida em casamento a José, se encontra grávida pelo poder do Espírito Santo (cf. v. 18). A atitude de José nem sempre é compreendida pelo leitor do evangelho, e esta falta de clareza quanto ao texto persiste nas pregações. Não raras vezes se traduz a atitude pretendida de José em relação a Maria como “repúdio”, como se ela tivesse cometido uma falta. A melhor tradução é “deixar ir livremente” (v. 19). José compreende que a gravidez de Maria é habitada pelo Mistério de Deus. Ele não quer tomar para si o que Deus reservou para ele. É exatamente por isso que o narrador diz que ele era “justo” (v. 19). Mas a palavra do anjo a ele permite-lhe compreender que Deus precisa dele. A ele cabe dar uma existência histórica ao Filho de Deus: “... tu lhe porás o nome de Jesus” (v. 21). “... não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (v. 20). A palavra do anjo a José muda, transforma a sua relação com Deus, pois ela encurta a distância entre o divino e o humano. O seu matrimônio com Maria não é incompatível com a consagração dos dois a Deus: “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa”.
Carlos Alberto Contieri,sj



Estamos às portas do santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor. Acompanhemos piedosamente o Evangelho deste quarto domingo do Advento.
São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc. 1,38) De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que o aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva. Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”.
Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranquila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado... O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho... que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!
Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is. 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça... mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.
Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.
dom Henrique Soares da Costa





O quarto domingo do Advento nos traz, todo ano, a figura de Maria, a mãe do Senhor. Neste ano A, seguimos o Evangelho de Mateus. Nesse evangelho, ela aparece realizando em plenitude as palavras de Isaías pronunciadas mais de 700 anos antes. A roupagem literária com que o profeta vestiu a mãe e o filho que ele anunciava era grande demais: só Maria e Jesus preenchem as palavras do profeta.
A jovem mãe torna-se virgem mãe; o nome “Emanuel”, de um simples grito de guerra, passa a significar verdadeira presença de Deus no meio da humanidade. O nascimento já ocorrido, ou que Isaías previa para breve, torna-se geração e nascimento totalmente imprevisíveis, possíveis apenas por intervenção direta de Deus.
E a origem em Davi é assegurada por José, o homem justo. A origem em Davi é relembrada por Paulo, que anuncia em Jesus a realização de todas as esperanças do povo judeu. José, justo, pratica a justiça do reinado de Deus, tema central do Evangelho de Mateus, justiça que, mais do que observância rigorosa da Lei, é toda uma ordem social justa, fundada no respeito ao outro e na misericórdia.
Todo filho traz à mãe a lembrança do pai. O nascimento virginal faz Maria, ao ver Jesus, lembrar-se não de José, mas de Deus e do seu Espírito. E seu Filho realiza, não só para ela, mas para toda a humanidade, aquilo que dizia o nome da criança anunciada a Acaz: Emanuel, Deus-conosco.
1ª leitura (Is. 7,10-14)
O rei Acaz estava com medo dos reis de Israel e da Síria, que planejavam derrubá-lo do poder e pôr outro em seu lugar. Isaías vai dar-lhe coragem. Diz que o plano deles vai fracassar, pois os dois reinos não têm forças para isso, nem para resistir aos assírios, e diz também que “quem não crê não sobrevive” (vv. 7-9).
Em seguida, diz a Acaz que peça um sinal de Deus, seja de vida (“das alturas”), seja de morte (“das profundezas”). Acaz não crê e arranja uma desculpa religiosa para não pedir o sinal, não tentar o Senhor. Mesmo assim, Isaías lhe indica qual será o sinal.
Fala de uma moça que terá um filho. Essa moça pode ser a esposa de Acaz e o filho, Ezequias, talvez até já nascido. Toda a esperança se concentra numa pessoa que, mais tarde, na tradição judaica, será o Messias. O nome simbólico dele será Emanuel, Deus-conosco. Na época, isso poderia ser apenas um grito de guerra: antes de atacar, o comandante gritava por três vezes emanu (conosco) e os soldados El (Deus). É o sinal da vitória na guerra.
Na introdução (v. 10), Javé aparece como o Deus de Acaz: “Pede um sinal a teu Deus Javé”, mas, como o rei se recusa a se socorrer dele, Javé se torna o Deus apenas do profeta: “passais a incomodar até o meu Deus!” (v. 13). Deus, sem que Acaz queira ou peça, dar-lhe-á o sinal de que os dois reis que o ameaçam não passam de “dois gravetos em brasa fumegantes”.
Esse sinal será a jovem que vai gerar um filho e dar-lhe o nome de Deus-conosco. A jovem mãe é que dá nome ao filho. Essa “jovem” do texto hebraico tornou-se “virgem” na tradução grega dos Setenta e, assim, abriu o caminho para a interpretação que os evangelhos lhe dão: a virgem mãe é Maria e o filho é Jesus.
2ª leitura (Rm. 1,1-7)
Paulo escreve a comunidades nas quais conviviam cristãos judeus e gentios. Os judeus tinham sido expulsos de Roma e agora, autorizados, estavam voltando em situação de grande inferioridade. A fim de dar-lhes apoio, Paulo inicia a carta lembrando que Jesus é a boa-nova de Deus há tempos anunciada nas Escrituras sagradas dos judeus, é Filho de Deus, mas judeu de nascimento, da família de Davi.
Ele é definido Filho de Deus com poder a partir da ressurreição, a partir de sua vitória sobre a morte, quando Deus ratificou sua obra e mensagem. A partir daí o judeu crucificado é Messias e Senhor nosso.
A partir do entendimento de que o Crucificado é o Messias, Paulo foi chamado a levar a todas as nações, a todos os não judeus, a fé, que se traduz em obediência, atenção e resposta positiva aos apelos de Deus na vida, como aconteceu consigo mesmo.
A boa notícia do reinado de Deus levada a todo o mundo (evangelho) se resume, pois, nesse judeu nascido de Maria, incluído na descendência de Davi mediante José e por Deus ressuscitado dos mortos como Messias e Senhor.
Evangelho (Mt. 1,18-24)
O Evangelho de Mateus é um evangelho de judeus cristãos. Começa com a genealogia de Jesus, filho de Abraão como todo judeu.
Numa sociedade patriarcal, na árvore genealógica só aparecem os homens. Na de Jesus, aparecem quatro mulheres, que conquistaram seu espaço por meio da geração de um filho ou da relação sexual. São elas: Tamar, que conseguiu permanecer na família de Judá por gerar um filho deste; Raab, a prostituta de Jericó que protegeu os espiões hebreus e salvou sua família; Rute, a moabita que recuperou sua ligação com os clãs de Belém mediante seu casamento com Booz, tornando-se avó de Davi; Betsabeia, a mulher que Davi tirou de Urias.
Além dessas quatro, aparece Maria com grande destaque. Ela é a mãe de Jesus, ao passo que José é apenas seu esposo; apenas, na concepção patriarcal, faz a ligação dela com a casa de Davi.
No texto lido hoje, um anjo do Senhor anuncia o nascimento de Jesus por intervenção direta de Deus. Várias grandes figuras da Bíblia, como Ismael (Gn. 16,7-12), Isaac (Gn. 17,1-19) e Sansão (Jz. 13,3-22), tiveram seu nascimento anunciado por mensageiros divinos.
O nome “Jesus” quer dizer “Deus salva”. O nome lembra que “ele vai salvar seu povo”. Seu povo é o povo judeu? Salvar de quê? Do poder de Roma? Dos seus dirigentes corrompidos? Vai salvar “dos seus pecados”. O evangelista vai mais fundo, chega ao pecado, raiz de toda opressão. E, mais adiante, a visita dos magos vai mostrar que “seu povo” não é apenas o povo judeu, mas abrange os mais distantes e estranhos povos.
Maria, já comprometida com José, encontra-se grávida antes que passem a conviver. A primeira etapa do casamento estava realizada, faltava passarem a morar juntos. Deve-se notar que o evangelista chama José de seu marido, o que significa que o casamento estava realizado.
Por ser justo, por pôr em prática a justiça do reino, que não é o simples seguimento do rigor da Lei – a qual o levaria a denunciar Maria como adúltera – ficou pensando na possibilidade de deixá-la sem provocar escândalo.
Tudo isso prepara o anúncio da geração divina de Jesus. A mensagem do anjo vai além do que José imaginava: nem a denúncia pública nem a saída discreta; ao contrário, acolher a esposa, pois o que ela traz no ventre vem de Deus.
E o evangelho toma o texto de Isaías 7, o sinal do Emanuel, para demonstrar como tudo o que acontece agora realiza plenamente o que está no livro do profeta, sobretudo ao se considerar a tradução dos Setenta que diz “virgem” em vez de “jovem”. Aquilo que poderia parecer bem misterioso no diálogo entre Isaías e Acaz aqui adquire sentido total.
O Filho da virgem mãe será chamado Emanuel. Se no diálogo de Isaías com Acaz esse nome poderia lembrar apenas um grito de guerra, aqui tem significado pleno. Ele é Deus conosco, não apenas nos dando forças – tal como a aclamação guerreira pretendia convencer os soldados –, mas também sendo a presença de Deus no meio da humanidade, sendo Deus que vem caminhar com a gente. Jesus é a presença vitoriosa de Deus no meio da humanidade, é o Emanuel, o Deus-conosco.
Dicas para reflexão
“Emanu!” “El!” “Emanu!” “El!” “Emanu!” “El!” “Atacar!”
O antigo grito de guerra passa a ter agora um significado mais profundo. Antes significava apenas confiança no Deus que apoiava o povo em suas guerras. Visava apenas dar coragem aos soldados. Agora significa que Jesus é presença de Deus entre nós, que nele Deus veio acampar conosco.
A luta de Jesus parecia tê-lo levado ao fracasso da cruz. Mas Deus estava com ele também aí: prova disso é que o ressuscitou dos mortos, fazendo dele o Senhor da vida e da morte. Com ele estava Deus, e ele é Deus conosco. Nossa luta para estabelecer no mundo o reinado de Deus não vai fracassar, Emanu-El, Deus está conosco.
Na eucaristia,lembramos a luta que culminou na cruz e a vitória da ressurreição, fazendo, na comunhão, partilha da vida em plenitude para todos igualmente.
José era um homem justo. Sua justiça, porém, não se reduzia àquela coisa pequenina de só ver a Lei. Se ele só visse a Lei, teria denunciado Maria publicamente. Sua justiça, muito além da Lei, era deixar-se reger pelos critérios do reinado de Deus, Pai de todos, que respeita a todos, que a todos entende e compreende. Sua justiça “superava de muito a justiça dos escribas e fariseus”. Essa justiça nos faz muita falta.
Maria passa quase despercebida. É a figura principal, e nós quase nem a notamos. É a figura principal exatamente por isto: não pretende aparecer, não está em busca dos holofotes, nem das câmeras. É a figura principal porque foi na sua humildade, em todos os sentidos, que Deus quis se fazer presente na humanidade.
“A virgem conceberá e dará à luz.” Se, para a mãe, o filho sempre lembra o pai, para Maria, Jesus não lembra José, mas o Espírito de Deus; não lembra uma experiência vivida com o marido, mas Deus, que a quis. Seu amor ao filho não passa pelo amor do marido, mas vai direto ao Filho. Seu amor a Jesus é isento de qualquer segundo interesse, é totalmente puro.
Nosso amor não é puro; nada fazemos sem um pouco de interesse próprio, sem uma ou mais segundas intenções. A fecundidade de Maria é tão grande, a ponto de gerar Deus, porque é virginal, porque é pura, isenta de qualquer segunda intenção.
padre José Luiz Gonzaga do Prado



Emanuel
O anuncio da vinda do Senhor, tema recorrente do Advento, no quarto domingo, se torna o anúncio da encarnação, de sua vinda na carne, evento anunciado pela profecia de Isaías do nascimento de um menino, um descendente real, manifestado pelo anúncio angélico a José do nascimento de um filho a Maria por obra do Espírito Santo. Tal anuncio requer fé e obediência. Se de um lado Acaz com sua desobediência mostra incredulidade crê no anjo e obedece. Há laços intrínsecos entre fé e obediência: a fé consiste em obedecer e a obediência consiste no crer.
O texto de Mateus, conhecido como a anunciação a José coloca em destaque a figura do esposo de Maria, como homem de fé e de silêncio. O silêncio de José é sinal de força, de labor interior, de domínio de si e controle da situação, de fé. É um silêncio que encontra luz na escuridão em que José foi lançado. A gravidez de Maria coloca em cheque seu projeto de viver com ela. O texto bíblico dá a entender que não há situação humana, mais contraditória e dolorosa que seja, que não possa ser vivida humana e santamente. Se a atitude normal teria sido a de repudiar a mulher, José que era justo, resolve despedi-la em segredo. Não quer entregar Maria ao desprezo de todos, comprometendo-a publicamente.
Opta por outra solução. Não quer expor Maria à lei. José é justo, mas de uma justiça que vai além do legalismo. Não quer que ela seja julgada pela lei como uma pecadora. Hoje ainda será sempre preciso prestar atenção à pessoa que não pode ser diminuída nem mesmo com leis eclesiásticas. Os relacionamentos precisam ser personalizados e não meramente funcionais.   O justo José  recebe então uma revelação. O escândalo se transforma em manifestação da vontade de Deus. José vai dar seu assentimento em vista da realização da obra de Deus, obra de salvação. Ele não somente não rejeita a esposa, não a repudia, não a condena, mas a acolhe e a aceita como esposa.
Tudo isso se passou no sonho. Deus se revela no sonho. No tempo de Jesus, o sonho era chamado de “pequena profecia”. No coração da noite e do sono símbolo da morte, o sonho aparece como uma frágil luz que pode iluminar a vida.
frei Almir Ribeiro Guimarães





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